sábado, junho 29, 2013

Jumento do Dia

  
Sôr Álvaro

Parece que o sôr Álvaro é mais um defensor dos valores da família.

«O Governo propôs para presidente da Autoridade da Concorrência (AdC) Álvaro Almeida, que é irmão do presidente executivo da Optimus.

A escolha gerou surpresa e desconforto no sector das telecomunicações e junto de responsáveis ligados à supervisão, pelo facto de a fusão entre a operadora (que faz parte da Sonaecom, do mesmo grupo que o PÚBLICO) e a Zon estar neste momento a ser avaliada pelo regulador. No entanto, os estatutos do organismo e a legislação em vigor não impedem a sua nomeação.

Tal como o PÚBLICO noticiou na sexta-feira, o Ministério da Economia fez chegar no início desta semana à Comissão de Recrutamento e Selecção para a Administração Pública (CRESAP) os candidatos à substituição da actual administração da AdC, que terminou o mandato em Março. Mesmo não sendo obrigado a seguir as recomendações, o executivo tem sempre de fazer passar os nomes pelo crivo da comissão antes de concretizar qualquer nomeação.» [Público]

Volta académico verde!

Pode dizer-se que o governo de Passos Coelho duas fases, a do verde e a do maduro, resta-nos esperar que mais dia, menos dia salte a rolha ao povo português para que o governo entre na fase do espumante.
 
A fase verde foi a do académico Relvas, um académico recauchutado que nem deve fazer ideia de onde fica Yale, algo que o primeiro-ministro, que ele próprio inventou, também não deverá saber, enfim, como diria o outro quem sai aos seus não degenera. A verdade é que a fase verde foi a fase do sucesso, o ministro tinha uma licenciatura comprada na loja do chinês, os assessores eram bloggers e o facto é que foi um tempo de sucesso. Apesar disso tudo corria bem, os três estarolas da troika não tinham mãos a medir com os convites para dizerem baboseiras em seminários, os gregos roíam-se de inveja, o Durão Barroso sentia que tinha pago a dívida ao país, as exportações iam de vento pela popa, o Gaspar já se imaginava a ser convidado para ensinar em Harvard.
 
A fase do verde do Relvas acabou da pior forma, correram com o Relvas, os desvios colossais do melhor aluno da turma emparelharam Portugal com a Grécia, o Sócrates voltou, Cavaco auto-promoveu-se a presidente de iniciativa governamental, foram só desgraças.
 
Passos Coelho achou que o problema estava no verde e mudou-se para o maduro, da Lusófona para Yale, da conversa de taberna para discursos de fino recorte, ainda que um pouco repetitivos na linguagem. O Relva deu lugar ao Maduro, um maduro mais frutado e florido, jovem e com perfumes delicados, um verdadeiro néctar dos deuses.
 
Só que o Maduro teve azar, as desgraças sucederam-se, nada lhe tem corrido bem. Naturalmente, o Maduro descobriu que tudo está a correr às mil maravilhas, o problema é que os portugueses não são tão brilhantes quanto ele e não conseguem analisar a realidade, em vez de cantar o Grândola ao Passos Coelho deviam cantar-lhe os parabéns a você em sinal de gratidão.
 
A partir de agora os portugueses vão ter meia hora de espectáculo comunicacional dado pelo auxiliar do Maduro. É uma pena que tenha chegado com uns dias de atraso, teria sido muito interessante ver o que ele teria a dizer sobre a eventual redução do IRS. Mas oportunidades não lhe vão faltar, veremos como vai explicar melhor as intervenções de Paulo Portas como vai corrigir o Rosalino quando este disse que vai despedir em vez de dizer que vai requalificar os funcionários.
 

Oportunidades para o Lomba falar não vão faltar, o único problema é saber o que é que ele vai dizer na primeira metade da semana, este país produz tão poucas novidades que só a meio da semana começam a ouvir-se notícias. Será que o Lomba vai ocupar as meias horas dos briefings diários a contar anedotas, ou optará por nos proporcionar espectáculos de striptease com barra e tudo?

Umas no cravo e outras na ferradura


 
   Foto Jumento
 
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Flor do Parque Florestal de Monsanto, Lisboa
 Ocupação ilegal da via pública?

Quantos portuguesas poderão estar juntos sem pedir autorização para organizar uma manifestação, serão quatro?



 Os trabalhos de Passos
   
«Diz o primeiro-ministro, em resposta à greve geral de ontem, que este país precisa é de trabalho. Sem trabalho, é certo, nada de jeito se faz. Mas é de trabalho digno, tratado com dignidade, que precisamos. Se há trabalho não digno? Então não há: o dos escravos, por exemplo. Podem os escravos ser dignos, e Epicteto, a grande referência da escola estoica, bem o demonstra, mas são-no apesar de serem escravos, da indignidade que tal implica.
  
Mas não é só o trabalho forçado que é indigno; há trabalhos voluntários, até entusiásticos, igualmente indignos. Como aquele que Passos, Portas, Gaspar e, não esquecer, Cavaco (se porque quer ou porque foi a isso forçado de qualquer forma é indiferente) estão a levar a cabo: o trabalho que tem como principal objetivo diminuir, escarnecer, defraudar, castigar, precisamente, o trabalho.
  
Disse Carlos Silva, o atual secretário-geral da UGT, em resposta a Passos, algo como "para falar sobre trabalho, é preciso saber o que é". Deu como exemplo os portugueses que trabalham pelo salário mínimo. Ora o problema não reside na questão populista de saber se Passos alguma vez na vida teve de se levantar às seis da manhã para ir para as filas de transportes públicos e para ganhar 485 euros antes de impostos. Sabemos que não, mas o essencial não é que nunca o tenha feito, mas que desrespeite quem o faz. O essencial é que, havendo muitos tipos de trabalho e de trabalhadores, o que Passos e companhia estão há dois anos a fazer é a trabalhar para que o valor daquilo que fazem, do que são, seja depreciado.
  
Para Passos, na sua cabeça povoada por slogans pseudoliberais, o salário deve ser idealmente uma coisa que depende do défice e dos juros da dívida e dos movimentos do mercado (a começar pela taxa de desemprego), flutuando de acordo com as conveniências do empregador e imune a quaisquer estipulações legais - essas só contam para contratos com bancos e consultoras financeiras. É esse o exemplo que dá, o sinal que transmite, enquanto empregador do sector Estado. O exemplo de quem quer, um a um, anular todos os direitos conseguidos em décadas de luta (luta, sim), do horário máximo de trabalho às férias pagas, do subsídio de desemprego ao salário mínimo.
  
O que Passos pensa do trabalho, de resto, ficou muito claro numa proposta que o seu PSD na oposição apresentou, a de obrigar os de-sempregados a trabalhar de graça. O trabalho como um castigo para madraços, como penitência; o trabalho como algo que se impõe, não livre escolha mas sentença. Eis a essência do seu pensamento - se tal se lhe pode chamar.
  
E por assim ser, concordemos com ele nisto: precisamos de trabalho, do trabalho. Trabalhemos juntos para o defender. E se greves gerais não resultam, puxemos pela cabeça. Porque temos um Governo a trabalhar, dia e noite, contra ele - contra nós.» [DN]
   
Autor:

Fernanda Câncio.
      
 Uma entrevista histórica
   
«A entrevista que Teixeira dos Santos deu esta semana à TVI é um documento histórico de enorme importância. Daqui para a frente, ninguém poderá fazer a história das razões que levaram Portugal ao pedido de ajuda externa sem referir este poderoso testemunho na primeira pessoa

de quem participou na construção de uma alternativa ao pedido de resgate e presenciou a formalização das garantias de apoio do BCE e dos nossos parceiros europeus ao PEC IV, entendido como solução para estancar o "efeito dominó" provocado pela crise grega. A mensagem foi clara: Portugal foi forçado a pedir ajuda externa porque, em plena crise das dívidas soberanas, as oposições à direita e à esquerda se coligaram para rejeitar um PEC que tinha obtido o apoio formal da União Europeia e do BCE.

A especulação sobre o que teria acontecido se o PEC IV tivesse sido aprovado é uma discussão estéril, que só pode conduzir a conclusões especulativas. Mas o testemunho de Teixeira dos Santos não veio trazer nenhuma especulação. Trouxe, isso sim, um facto histórico inquestionável, sem o qual a história estará sempre falseada. E o facto é este: havia uma alternativa ao pedido de ajuda externa e essa alternativa, rejeitada no Parlamento (ante a passividade do Presidente da República), contava com o apoio europeu. É claro, nada disto será novidade para quem ainda se lembra das palavras secas que Ângela Merkel dirigiu na altura a Passos Coelho ou da reacção dura da chanceler, em pleno Parlamento alemão, quando teve a notícia da votação ocorrida na Assembleia da República. Mas o certo é que estas banais evidências históricas são hoje recebidas como se fossem "revelações" - foi assim com Sócrates, depois com Lobo Xavier e Pacheco Pereira, é assim agora com Teixeira dos Santos. A razão é simples: ao longo dos últimos anos, foi construída uma versão deturpada da história, assente na supressão grosseira dos factos inconvenientes, para justificar o assalto ao poder pelos partidos da direita e atacar o Partido Socialista. A novidade é que essa versão falsa da história já não está sozinha em campo e está a ser contraditada pelos factos.

O momento central da entrevista, recebido com estranha impaciência pela entrevistadora, foi aquele em que Teixeira dos Santos recordou, uma a uma, as datas das sucessivas descidas do "rating" da República e dos bancos nos dias que se seguiram ao "chumbo" do PEC IV. Foi essa queda abrupta dos "ratings" que provocou a subida exponencial dos juros e que, em menos de quinze dias, deteriorou a um extremo insustentável as condições de financiamento do País. E é esse, aliás, o contexto da célebre declaração do ex-Ministro das Finanças, tantas vezes desvirtuada, de que poderia chegar-se à situação de não haver dinheiro para "pagar salários e pensões". Ao contrário do que maldosamente se quis fazer crer, essa declaração não se referia a um pretenso esvaziamento dos cofres públicos causado por um alegado "despesismo socialista" (com o Orçamento para 2011 o País estava até a gastar bastante menos do que no ano anterior!) referia-se, sim, às consequências previsíveis do "chumbo" do PEC IV no normal financiamento da dívida pública. E, de facto, foi essa rejeição parlamentar, no dia 23 de Março de 2011, que traçou o destino de Portugal: entre o "chumbo" do PEC IV e o pedido de ajuda, a 6 de Abril, não passaram sequer quinze dias.

A entrevista de Teixeira dos Santos terá desiludido uma certa direita política e mediática: nem alimentou "fofocas" sobre questões pessoais, nem manifestou divergências sobre a justificação ou sequer sobre o momento do pedido de ajuda - pelo contrário, subscreveu a narrativa que Sócrates expôs na sua entrevista à RTP e desvalorizou, como se impunha, a relevância de, "chumbado" o PEC, o pedido de ajuda ser formulado um dia antes ou um dia depois. Não se desviou do ponto essencial: com o apoio europeu ao PEC IV, o pedido de ajuda externa podia e devia ter sido evitado. Ao fim de dois anos de austeridade "além da troika" e de uma dramática espiral recessiva, com 18% de desemprego, 127% de dívida pública e 10% de défice no primeiro trimestre deste ano, vai sendo tempo de se perceber quem é que tinha razão.» [DE]
   
Autor:
 
Pedro Silva Pereira.
   
   
 Então não é?
   
«O primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, considerou hoje, em Bruxelas, que o limite para o défice este ano, de 5,5%, é “perfeitamente alcançável”, atribuindo a subida no primeiro trimestre ao aumento da despesa pública resultante da decisão do Tribunal Constitucional.» [Notícias ano Minuto]
   
Parecer:

Ouvir o Passos Coelho a falar de economia é um exercício parecido a assistir a uma missa rezada pelo Gaspar.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Quem dá atenção à conversa de Passos Coelho que meta o braço no ar.»
   
 Mourinho podia dar uma ajuda a Passos Coelho
   
«A passagem de José Mourinho pelo Real Madrid não deixou ninguém indiferente e dividiu o balneário merengue. Contudo, há quem o defenda com unhas e dentes, como é o caso de Arbeloa, lateral da seleção espanhola e do Real, que acredita que até Mariano Rajoy, presidente do Governo de Espanha, "deve estar agradecido" a Mourinho, porque de tanto se falar no treinador português desviaram-se as atenções de outros problemas que se passavam no país.

Sem papas na língua, Arbeloa admite que até com amigos discutiu a propósito de Mourinho porque é "uma pessoa que não deixa ninguém indiferente e com quem se está até à morte ou contra ele". E reforçou o seu ponto de vista: "Penso que nestes três anos foi uma figura que tomou uma dimensão exageradamente grande. Qualquer pessoa podia dizer uma frase, mas se Mourinho dissesse metade saía em todo o lado. Toda a gente opinava a seu respeito e o presidente do governo [Mariano Rajoy] tem de estar-lhe muito agradecido porque se salvou de que se falasse mais de coisas que se passaram em Espanha."» [Notícias ao Minuto]
   
Parecer:

Dizia umas coisas e fazia um favor a Passos, mas principalmente aos portugueses. Quem ajudar os portugueses a não pensar em Passos Coelho está fazendo-lhes um grande favor.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»
   
 Pedro Lomba vai ser o animador
   
«Pedro Lomba é secretário de Estado adjunto do ministro adjunto e do Desenvolvimento Regional, Miguel Poiares Maduro, que tomou posse em abril, herdando de Miguel Relvas a coordenação política do Governo PSD/CDS-PP, e decidiu criar uma rotina de encontros com a comunicação social.

Fonte do gabinete do ministro adjunto ressalvou, em declarações à agência Lusa, que "Pedro Lomba não vai ser porta-voz do Governo, mas sim o membro deste gabinete que vai representar o Governo nestes 'briefings'", nos quais "poderão estar presentes, algumas vezes, secretários de Estado ou até ministros de outras pastas".» [Notícias ao Minuto]
   
Parecer:

Se não é porta-voz do governo não seria melhor fazer umas sessões de striptease para ajudar a passar a meia-hora diária?
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se a merecida gargalhada.»
  
 Até tu Carrapatoso?
   
«O presidente da Fundação Vodafone Portugal António Carrapatoso considera que os partidos da Executivo “não se prepararam suficientemente para uma exigente governação”. Num artigo de opinião do Expresso, o economista distancia-se de Passos Coelho e do próprio Governo, de quem chegou a ser apoiante.» [Notícias ao Minuto]
   
Parecer:
 
O navio deve estar mesmo à beira do naufrágio, até os roedores do Compromisso Portugal já estão abandonando o navio.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»
   
  Pois, a culpa é das empresas
   
«O primeiro-ministro afirmou hoje, em Bruxelas, que não é por falta de financiamento que programas como o Impulso Jovem estão “aquém das expectativas”, considerando que é necessário que haja interesse das empresas em adotá-los.» [Notícias ao Minuto]
   
Parecer:
 
É o desespero que já está a tomar conta dele.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»
   
 Até tu Costa
   
«"O país tem que fazer um processo de ajustamento. E, qualquer que ele seja, envolve sacrifícios. Os sacrifícios têm que ter uma aceitação por parte do todo nacional, que é a população. Por isso, é muito importante a coesão, o entendimento, e que se perceba para que serve [esse ajustamento]", afirmou aos jornalistas, à margem de uma conferência em Lisboa.

"O resultado em matéria de défice orçamental depende, em parte, da política orçamental seguida e, em parte, das condições externas", realçou o governador, justificando os números da execução orçamental do primeiro trimestre, hoje divulgados, com a grave crise económica que a Europa atravessa.» [DE]
   
Parecer:
 
O navio deve estar mesmo à beira do naufrágio, até o campeão do apoio à austeridade pura e dura já está quase a atorar-se ao mar.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Vomite-se.»
   
 Cavaco cada vez mais isolado
   
«As quatro confederações patronais pediram uma audiência ao Presidente da República e ao primeiro-ministro para apresentar o compromisso que desafia o Governo a mudar de políticas mas também para demonstrar o seu descontentamento com a desvalorização da concertação social.

A intenção, sabe o Diário Económico, é mostrar que o patronato está unido num compromisso que apela a um novo rumo para Portugal. As confederações que representam a Indústria, o Comércio, o Turismo e a Agricultura já fizeram uma conferência de imprensa para apresentar este desafio e levarão agora o documento ao Governo e ao Presidente da República.» [DE]
   
Parecer:
 
Já faltou mais para que os únicos apoiantes de Passos sejam os Silvas da Coelha.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»
   
 Confiará na Nossa Senhora de Fátima
   
«O Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, disse hoje acreditar que a meta do défice traçada pelo Governo para 2013 vai ser cumprida e desvalorizou os números do primeiro trimestre, que apontam para um saldo negativo de 10,6 por cento.

Em declarações aos jornalistas, à margem da cerimónia de inauguração de uma unidade hoteleira no Algarve, realizada hoje em Albufeira, o chefe de Estado português afirmou que “o que está programado para o ano de 2013 [5,5 por cento] será alcançado”.» [i]
   
Parecer:
 
Pobre Senhor Silva.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Espere-se para ver se as preces resultaram.»

sexta-feira, junho 28, 2013

Jumento do Dia

   
Luís Filipe Menezes

O pior que se podia suceder ao recurso interposto no Tribunal Constitucional pelo autarca de Gaia seria os juízes daquele  Tribunal ignorarem os argumentos apresentados, negando conhecê-los. Pobre Menezes. Como eu sinto inveja destes juízes, quem não gostaria de dizer "não o conheço"!

«Os juízes do Palácio Ratton não aceitaram o recurso que o actual autarca de Vila de Nova de Gaia interpôs contra o processo levado a cabo pelo Movimento Revolução Branca, que justificou o impedimento da sua candidatura à Câmara do Porto devido à Lei de Limitação de Mandatos.

Segundo o site do Jornal de Negócios, os juízes decidiram tomar “não conhecimento” dos motivos invocados no recurso, ou seja, o recurso do autarca foi rejeitado, ficando, assim, impedido de se candidatar à Câmara do Porto nas próximas eleições legislativas, a 29 de Setembro.» [Notícias ao Minuto]

Uma tatuagem

Passos Coelho disse que respeitava mais os trabalhadores que trabalham, isto é, os que não aderissem à greve e o ministro da Presidência, um dia depois, repetiu esta alarvidade. Curiosamente quase não se ouviram protestos, da mesma forma que ninguém se incomodou muito quando Gaspar sugeriu uma redução de impostos aos contribuintes cumpridores.
 
Não admiraria nada que o mesmo governo que chama requalificação a um despedimento se lembre de sugerir uma solução para que os portugueses menos exemplares, os que aderiram à greve ou os que tendo mandado o carro para a sucata deixaram de pagar IUC. Como as tatuagens estão na moda talvez algum criativo de entre os muitos que foram contratados para os gabinetes governamentais faa uma proposta .
 
Assim, quando entregassem a declaração do IRS os cidadãos mostrariam o braço, se tivesse a tatuagem de malandro fiscal pagariam o IRS normal,  se não estivessem tatuados teriam direito a uma pequena parte do vencimento de um funcionário públcio despedido e até pode ser que alguém se lembre de sugerir uma carta de parabéns assinada pelo próprio Gaspar.
  

Já aqui se compararam algumas expressões usadas por este governo com o campo de Auschwitz, mas o governo parece ter uma imaginação inesgotável para a asneira. O incrível é que exceptuando uma ou  outra voz, casos de Pacheco Pereira ou de Correia de Campos, quase não se ouve uma crítica. Parece que o medo da troika nos obriga a comportarmo-nos como ratazanas cobardes.

Umas no cravo e outras na ferradura


 
   Foto Jumento
 
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Praia do Cabeço, Castro Marim
 
 Os bem comportadinhos

O governo anda a tentar fazer passar a mensagem de que uma redução do IRS só será viável se os "portugueses" apoiarem a reforma do Estado e como a única medida dessa reforma é o despedimento de funcionários públicos isso significa que os portugueses de primeira só enriquecerão se apoiarem o despedimento dessas ratazanas despesistas que são os funcionários públicos.

Mas mais por receio do ridículo do que por vergonha na cara cada governante diz a mesma coisa mas os rodeios lançam a confusão. O Portas propõe, o secretário de Estado teoriza, o Gaspar admite e o Passos fica espantado. No fim, passou a mensagem, ajudem-nos a meter os funcionários nos vagões e depois podem ficar-lhes comas casas, os carros, os ordenados. Bem, não é assim, desta forma sucedeu na Alemanha nazi, por cá só sugerem que uma parte do vencimento dos funcionários públicos que forem despedidos será distribuído pelos portugueses de primeira.

A confusão é tanta que ninguém deu a devida importância à ideia do Gaspar, para o ministro poderá haver uma redução do IRS mas apenas para os contribuintes cumpridores. Isto é, já havia portugueses de primeira e de segunda, agora entre os de primeira distinguem-se entre cumpridores e não cumpridores, cidadãos de primeira exemplares e cidadãos de primeira de segunda.

Resta agora saber o que são cidadãos cumpridores e como serão marcados para que possam beneficiar da sua parte nos vencimentos dos funcionários públicos despedidos e convidados a juntarem-se à fila dos que fogem de Portugal. Digamos que estão cheios de sorte, dantes seriam transportados em vagões de gado. O problema é que neste momento nem, disso já temos.

 Os portugueses não são todos iguais
 
Há os que trabalham no sector privado e os que são despesa no sector público, há os que trabalham e os que fazem greve, há os que têm emprego e os que devem abandonar o país, há os jovens e os velhos que só dão despesa, há os bem comportados e os não cumpridores. Para este governo há portugueses de primeira, de segunda, de terceira e de quarta.

quinta-feira, junho 27, 2013

Jumento do Dia

  
Marques Guedes, ministro deste governo incompetente

Num governo com formação democrática os seus membros respeitam todos os portugueses independentemente dos seus credos, opções ideológicas e independentemente do uso que fazem dos seus direitos constitucionais. Um português não é de segunda porque é menos produtivo durante o Ramadão, porque tem uma doença crónica e é menos produtivo ou porque usa os seus direitos constitucionais em defesa de valores civilizacionais como o direito ao emprego ou à justiça.
 
Um cidadão não é de primeira porque fura uma greve ou porque devido a outro motivo opta por não aderir, da mesma forma que não pode ser de segunda porque adere a uma greve e para isso prescindo do seu salário. Um governante que faz distinção entre quem faz greve e quem não faz, que considera que quem adere à greve não trabalha e por isso está ao nívelm do gandulo, afirmando que os que não fazem greve são os que trabalham, é um governo com pouca formação democrática.
 
Os governantes bem podem afirmar e reafirmar que aceitam e/ou respeitam o direito à greve, até porque quando tal não suceder é muito provável que nesse dia em vez de irem para casa acabarão encostados a uma parede da praça do Campo pequeno. A linha que distingue um fascista de um democrata não está em dizer que se respeita um direito a que se está obrigado a respeitar, ainda que este governo demonstre uma grande  dificuldades em aprender a respeitar a Constituição. A linha que separa um fascista de um democrata está em ter o mesmo respeito por todos os cidadãos, independentemente destes protestarem ou não contra o governo, mesmo que para isso usem de um direito constitucional.
 
Os fascistas é que hierarquizam a qualidade dos cidadãos, opondo aos valores da democracia valores como o trabalho, para os fascistas é que há contradição entre trabalhar e fazer greve.
 
É triste ver alguém por quem se tinha alguma consideração e vê-lo agora ser pau mandado, repetindo argumentos execráveis, pouco dignos de quem se pensava ser um democrata. Enfim, estamos sempre a aprender e a ver gente a mudar de campo a troco de estatutos, tachos, mordomias ou poder. É a vida.

«Marques Guedes lembrou que a greve é um direito previsto na Constituição, tal como o é o direito a trabalhar. "É de trabalhar que o país precisa", defendeu o governante na conferência de imprensa após a habitual reunião semanal do Executivo.

A greve é um direito "legítimo" que o Governo respeita, "mas respeita mais ainda os portugueses que estão a trabalhar", disse.» [DE]

A triste lição que nos é dada por Passos Coelho

Se há algum capítulo em que Passos Coelho se tenha conseguido destacar ao longo destes dois anos da mais absoluta incompetência governamental foi na capacidade de gozar com os portugueses, ao mesmo tempo que se entretém a atirar uns contra os outros. É um governo sem escrúpulos, que não se importa de ir buscar inspiração a Auschwitz e designar o despedimento em massa de funcionários públicos por “requalificação profissional”.
 
Mas perante a óbvia intenção de Gaspar de levar a sua reformatação do Estado até ao fim os funcionários públicos opõem-se? É óbvio que não, o Gaspar teve a esperteza saloia de dizer que era só um determinado grupo profissional a ser alvo do chuveiro de Auschwitz e os restantes ficaram todos contentes.
 
Veja-se o caso dos professores, é certo que o Mário Nogueira vai assegurar que no ensino a adesão foi de 90%, mas a verdade é que com os exames adiados e sem programação de reuniões de professores as escolas estarão às moscas, para que um professor adira à greve terá de ir de propósito à escola e declará-lo, se não o fizer não teve qualquer falta.
 
O mesmo governo que andou a defender que a legislação era para todos os funcionários públicos cedeu em toda a linha para calar os professores, só faltou mesmo dar-lhes um aumento extraordinário. A verdade é que calou os professores e os professores que não vão para a mobilidade serão substituídos por outros funcionários públicos. Ao Gaspar é indiferente que os despedidos sejam enfermeiros ou professores, o que importa é que se atinjam as metas, que depois o Portas explica tudo com o seu guião.
 
O extremismo ideológico de Passos Coelho teve o condão de testar os portugueses e o resultado é miserável, vergonhoso. Os trabalhadores do sector privado não protestam, desde que sejam os pensionistas ou os funcionários públicos a suportar a austeridade. Mas se for adoptada alguma medida que os atinja, como sucedeu com a TSU, é o ai Jesus, o movimento anti-troika consegue logo mobilizar grandes manifestações.
  
A última grande ideia deste governo foi a de sugerir aos portugueses, entendidos estes apenas como os que trabalham no sector privado, que apenas poderão beneficiar de uma redução de impostos se a reforma do Estado for bem sucedida, isto é, se apoiarem o despedimento de funcionários públicos. O Vítor Gaspar deve estar mesmo a pensar na hipótese de recorrer a tatuagens para distinguir os portugueses cumpridores dos não cumpridores, defendeu que tal redução deveria ser apenas para os primeiros. Alguém protestou, alguém se indignou? Não, o cinismo da situação reside no facto de ninguém concordar mas a maioria apoiar.

Graças a Passos Coelho conhecemo-nos melhor enquanto portugueses, talvez consigamos perceber como foi possível a ditadura sobreviver durante 48 anos. O país vive uma mistura perigosa de oportunismo e cobardia, os portugueses, medrosos, protestam apenas quando as medidas lhes são dirigidas, não há sentido de nação, é o cada um por si e a função do governo tem sido gerir a sua agenda política com base nos valores mais baixos que vai promovendo na sociedade portuguesa.

Umas no cravo e outras na ferradura


 
   Foto Jumento
 
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Campo das Cebolas, Lisboa
   
Imagens dos visitantes d'O Jumento
 
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Estátua de Mouzinho de Albuquerque, fortaleza, Maputo [J. de Sousa]
   
   

 Até a Filipa?

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 Lição de bom português
 
   


 A almoçarada
   
«O vistoso Grupo Excursionista Passos Coelho & Compinchas foi a uma almoçarada em Alcobaça. Deslocou-se, o grupo, em potentes automóveis, levando consigo, convenientemente, os guarda-costas habituais. Um número incontável de viajantes. Poderiam, talvez, viajar de autocarro, mas não. A decisão foi tomada em Conselho de Ministros anterior, com a veemência que deliberações desta natureza exigem e justificam. No presumível autocarro, a excursão seria mais divertida: um bulício de conversas e de risos, uma troca de histórias matreiras, acaso inconfidências risonhas e intercâmbio de pequenos segredos.

O selecto conjunto ia discretear sobre as maleitas da pátria e, porventura, encontrar soluções para o que nos aflige. Poderia, a reunião, ter sido em Algés, na Trafaria ou na Tia Matilde. Qual quê? O recato do mosteiro e o meditativo silêncio eram convites indeclináveis à grave reflexão a que se propunha aquela gente considerável.

Acontece um porém: na capela ia celebrar-se um casamento, e um repórter curioso aproximou-se, lampeiro, de gravador em punho. Esclareceu a jovem, vestida a rigor com véu e flor de laranjeira, a coincidência de o Governo estar ali, e ela também para o enlace desejadamente jubiloso. Espavorida, fugiu para o interior do monumento, sem a complexidade indecisa dos que olham para o poder com reverente obséquio. Entendeu, provavelmente, a noiva que o encontro não era sinal auspicioso e que a presença simultânea de tantos ministros dava azar.

Tomando as coisas pelo seu nome, acerca de que conversaram, aqueles que tais; que valores absolutos como a verdade, o bem, o sagrado, a beleza alinharam no que disseram? Adquiriram consciência de que a unidade dos valores morais está a desintegrar-se rapidamente, por culpa própria? O recolhimento piedoso do local era propício a actos de meditação e, por decorrência, à contrição e ao remorso.

Mais prosaicamente, que comeram os excursionistas? Embrulharam lanche? Levaram marmita? Passear, decididamente, não. O coro de protestos, de vaias e de insultos que os recebeu teria afugentado qualquer ideia de turismo. No final, o ministro Poiares Maduro, em resposta à ânsia noticiosa dos jornalistas, disse umas frases inócuas. Percebeu-se, no enredo, que o encontro de Alcobaça redundara em nada, rigorosamente em nada; que nada se decidira, que tudo fora absurdo, confuso e disperso.

Poiares Maduro é, certamente, bom rapaz, e só por isso tem uma aparência formal de tranquilidade infalível. A voz ainda está em formação, e não me parece que possua sabedoria administrativa e astúcia suficientes para enfrentar as armadilhas que o aguardam. O partido que suporta o Governo é um saco de lacraus. Dividido em grupos de interesses, até já perdeu o sentido da cortesia. E a almoçarada, em Alcobaça foi uma sessão de despropósito, consequente com o estado do Governo.» [DN]
   
Autor:

Baptista-Bastos.
   
   
 Uma boa pergunta
   
«O secretário-geral do PS, António José Seguro, exigiu ontem à noite explicações do Governo a propósito de o ministro das Finanças saber, com "dias de antecedência", dados sobre o défice orçamental que o INE só vai divulgar sexta-feira.» [DE]
   
Parecer:

Digamos que este ministro é um rapaz bem informado e só é pena que a única coisa em que não acerta é nas suas previsões.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Exija-se uma resposta ao Gasparoika.»
   
 Onde é que eu já ouvi isto
   
«O primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, afirmou hoje que o Governo respeita o "direito inalienável à greve", referindo no entanto que o país precisa menos de greves e mais de trabalho e rigor.» [Notícias ao Minuto]
   
Parecer:

ISto parece o regresso ao Estado Novo.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Vomite-se.»
   
 A Comissão não acredita
   
«A Comissão Europeia já está mais pessimista em relação à evolução da economia em Portugal do que estava em Março, quando chegou a acordo com o Governo e o resto da troika para a definição do cenário macroeconómico actualmente vigente no programa de ajustamento português.

No relatório da sétima avaliação, publicado nesta quarta-feira, o executivo comunitário (um dos membros da troika) confirma a estimativa de recessão de 2,3% este ano, já divulgada pelo Governo e pelo FMI, mas assinala que, “depois da finalização do cenário macroeconómico em Março, os riscos para as previsões ficaram mais inclinados para uma descida”.

As principais preocupações de Bruxelas estão relacionadas com a evolução da procura interna, que, diz, “deve continuar fraca, particularmente tendo em conta os desenvolvimentos negativos no mercado de trabalho no primeiro trimestre deste ano, que podem afectar negativamente o consumo privado”. Em 2013, Bruxelas aponta para uma queda de 3,9% no emprego e para um aumento da taxa de desemprego para 18,2%.» [Público]
   
Parecer:

A vigarice está no facto de ter feito de conta que acreditava.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Demonstre-se a desonestidade da Comissão de Durão Barroso.»

quarta-feira, junho 26, 2013

  
Vítor Gaspar

Parece que já nem Passos Coelho leva o ministro das Finanças a sério, num dia o ministro admite uma baixa de impsotos, no dia seguinte e no mesmo parlamento o primeiro-ministro diz que ficaria surpreendido se tal ocorresse.
 
Isto é um cesto de maçãs podres e a que mais resiste é precisamente a primeira a ter ficado picada.

«O ministro das Finanças, Vítor Gaspar, admitiu ontem um cenário de redução da carga fiscal para os contribuintes cumpridores. Confrontado com tais declarações, Passos Coelho foi cauteloso e disse não querer assumir esse compromisso.

“Não me comprometo com resultados que não sei se vou conseguir garantir", afirmou o líder do Executivo no debate quinzenal no Parlamento. 

“Se me pergunta que o OE 2014 trará uma diminuição de impostos, o que lhe posso dizer, é que me surpreenderia muito se isso acontecesse", acrescentou ainda Passos, sublinhando, no entanto, que o Executivo está a trabalhar nesse sentido.» [Notícias ao Minuto]

Um estranha fonte de inspiração

Portugal é o único país do mundo onde há governantes que sugerem aos seus cidadãos que emigrem em busca de zonas de conforto, mais grave ainda, os cidadãos que convida a abandonarem o seu país são os mais jovens e qualificados, aquela que muitos consideram a melhor geração que este país criou em matéria de qualificações e preparação académica. Agora até podem negá-lo, mas tudo começou com declarações de um secretário de Estado, seguidas da aprovação de Passos Coelho, Miguel Relvas propôs aos jovens países como Angola e o Brasil, o deputado europeu Rangel chegou a sugerir a criação de uma agência pública para apoiar a emigração. É o único país, mas não é o primeiro que mostra a gente inconveniente a fronteira, também os nazis quando embarcavam os judeus nos comboios prometiam que iam para locais bonitos e chegaram a encená-los, inclusive para iludir as autoridades internacionais como a cruz vermelha.
  
Portugal é o único país do mundo que olha o desemprego como uma oportunidade e quase defende que os desempregados são uns sortudos, uns privilegiados quando comparados com aqueles que estão empregados. Aqui o nosso governo tem uma pequena divergência com os nazis, enquanto os alemães inscreviam nos portões de Auschwitz a tristemente famosa frase “o trabalho liberta”, os nossos governantes parecem dizer que o “desemprego liberta” os trabalhadores da prisão do emprego, permitindo-lhes novos desafios.
  
As semelhanças com Auschwitz não se ficam por aqui e nem vale a pena comparar o banco de ensaios em que Portugal está transformado com o laboratório do dr. Mengele naquele campo de extermínio. Tal como aqui já foi referido e Correia de Campos também chamou a atenção num artigo publicado num jornal, em Auschwitz os judeus quando chegavam aos campos e eram seleccionados para serem mortos era-lhes dito que iam tomar um duche reconfortante. Aqui dizem aos funcionários públicos que estejam descansados,  que não vão ser despedidos, em vez disso vão ser requalificados, obter novas qualificações para serem colocados noutros postos de trabalho. E se em Auschwitz lhes tiravam os relógios, os dentes de ouro e até lhes cortavam o cabelo, por cá os empresários da CIP e outros não escondem o desejo de ver os salários poupados convertidos em reduções de impostos e até fazem o favor de aceitar que uma parte se traduza numa redução do IRS, para calar o povo.
  
Tal como na Alemanha nazi os judeus foram apontados como os culpados de todos os males que tinham acontecido naquele país, por cá todos os problemas resultam da despesa pública, e despesa pública significa funcionários públicos. Ser funcionário público não é ser gente, é ser reduzido à condição de ratos, tal como os judeus alemães, gente que roe a riqueza do país e que deve ser exterminada. Portugal tem um primeiro-ministro que descansa os portugueses, as próximas medidas da reforma do Estado, o despedimento de funcionários públicos, não é austeridade. Pois, as medidas que se aplicam aos ratos não é austeridade, apenas se fala de austeridade quando se referem medidas aplicadas a gente e gente é quem trabalha no sector privado ou no Estado por conta de um dos partidos do governo.
   

É evidente que os nossos governantes não são nazis nem suficientemente canalhas para andarem a transpor as sacanices nazis para o nosso país, o estranho é que se inspirem em valores que conduzem aos mesmos raciocínios, à mesma forma de tratar uma parte da população como seres inferiores, ao mesmo tipo de justificação da brutalidade, ao mesmo desprezo pela inteligência dos seus concidadãos.

Umas no cravo e outras na ferradura


 
   Foto Jumento
 
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Alfama, Lisboa
   

 Eu ainda sou do tempo....

Em que os jovens tigres do PSD gozavam com as apostas de Sócrates no Magalhães, nas relações com a Venezuela ou com o pólo aeronáutico de Évora. Agora, um Passos Coelho que em nada contribuiu para estes projectos aproveita-os para dar ares de que é um primeiro-ministro apostado no crescimento e no desenvolvimento tecnológico. Haja vergonha na cara, para não dizer nas trombas!
 
 Para inspirar Paulo Portas no guião da reforma do Estado
 
 
 Uma pergunta ao Mário Nogueira

Se na próxima quinta-feira não se realizam exames e as notas já form atribuídas como é que os professores que já concordam com a mobilidade, porque é só para os outros, vão aderir à greve e perder um dia de vencimento como os outros trabalhadores que aderirem à greve?
 
 18.º ou 19.º Presidente?
 
Quando foi plantar uma árvores no Jardim Botânico Tropical ao lado de Braga de Macedo, talvez para comemorar algum aniversário da descoberta do caminho marítimo para o oásis português, quando o adiantado mental era ministro das Finanças do seu actual promotor Cavaco Silva, gerou-se a confusão. O adiantado mandou gravar numa placa que Cavaco era o 19.º nono presidente, Cavaco sabia que era o 18,º.

Independentemente desta abordagem ridícula das presidências como se fossem bispados, faz todo o sentido a confusão, desde há meses que Cavaco preside durante o mandato do 19.º presidente, quando se recusa a abordar a realidade e só fala do pós-troika Cavaco está entrando pelo mandato do seu sucessor adentro. Neste capítulo Cavaco está a ser um bom aluno de Passos, não só foi o líder do PSD que introduziu a lenga, lenga do pós-troika no debate político, como tem o hábito de adoptar medidas e programas que visam condicionar os próximos governos.
 
 O cinismo segundo Mário Nogueira

Mário Nogueira não impediu o despedimento dos professores, aceitou que fossem despedidos mais alguns funcionários públicos para que o despedimento dos professores seja adiado para depois. E para quando? Para a próxima legislatura, o sindicalista do CC do PCP espera que seja eleito para o governar o mesmo partido cujo governo ajudou a derrubar aliando-se à direita.

Se isto não é cinismo o que será o cinismo? Veremos no próximo dia 27 qual vai ser a adesão dos professores do Mário à greve geral?

Fazer greve geral para quê se a regra dos sindicatos é o salve-se quem puder ou, pior ainda, salva-se quem tem poder reinvidicativo e o usa indiscriminadamente.
 
 Será da chuva do primeiro trimestre?
  
DSe repente, parece que o país endoidou, uma mã atira o bebé pe esgoto, um homem deprimdo mata a ex-mulher e a amiga, outro faz o mesmo porque estava doente, de um dia para o outro multiplicaram-se as situações de violência. Como não se pode explicar o fenómeno com o pós troika e o calor ainda não é assim tanto, a melhor explicação talvez seja a do Gasparoika, deve ter sido por causa da chuva no primeiro trimestre.

A verdade é que se fica com a sensação d eque o país está à beira de uma crise de nervos.

 Fado, a voz de um povo




 PPP entre a realidade e a ficção
   
«A verdade é que o investimento com recurso a PPP foi também opção de outros países na sequência da crise económica de 2009 (vejam-se os planos de investimentos nos Estados Unidos, Reino Unido, Irlanda, etc.). E a experiência portuguesa foi sublinhada positivamente pela OCDE em termos comparativos
Nota: Este artigo está acessível antes da meia-noite para assinantes do Negócios Primeiro. Ao início da tarde seguinte, são abertos a todos os leitores.

Pensávamos que tínhamos finalmente o relatório da Comissão de Inquérito às PPP. Mas fomos surpreendidos com a apresentação de um projecto pelo Deputado Relator. A apresentação, portanto, do relatório que ainda não o é, mas que já contém os ingredientes do primarismo político do bode expiatório: se há um problema, há um culpado. E se há culpa é do Governo anterior. A distracção ideal da grande PPP (Parceria para a Pobreza) a que, com a Troika, está o País sujeito, ao ter-se imposto, com a sua chamada, a sua necessidade.

Uma discussão séria sobre as PPP impõe que se olhe para a substância e não apenas para a forma. As PPP são uma questão de forma, através da qual se promove investimento público. A substância é por isso o próprio investimento e a sua dimensão financeira.

Quanto à substância existem 5 ideias feitas:

1. Portugal é caso único e mau exemplo. A verdade é que o investimento com recurso a PPP foi também opção de outros países na sequência da crise económica de 2009 (vejam-se os planos de investimentos nos Estados Unidos, Reino Unido, Irlanda, etc.). E a experiência portuguesa foi sublinhada positivamente pela OCDE em termos comparativos1. Além de que não está demonstrado que as PPP sejam menos eficientes que o investimento público directo (vejam-se os indicadores financeiros nas obras públicas executadas directamente, menos escrutinadas publicamente, e por isso com menor transparência, menos informação e discussão públicas, e menor exigência contratual e procedimental).

2. Portugal tem investimento e PPP a mais. A verdade é que é dos Países com menor nível de investimento na UE em percentagem do PIB e dos que mais reduziu o investimento, ao contrário da própria Alemanha, sobretudo na segunda metade da última década. Por isso, mesmo que todo o investimento público do País na década passada tivesse sido através de PPP, nem por isso deixava de ser dos mais reduzidos (menos que a média da UE nos últimos dois anos e que Espanha nos últimos oito). Logo, o problema não está em ter-se investido demais (por PPP ou por outra via), mas em ter-se poupado de menos (v.g. particulares e empresas). Basta ver os padrões da poupança e do investimento desde a entrada no Euro.

3. As PPP retiram financiamento à economia. Outra falácia. A dívida ao sector financeiro doméstico é de €4,1 mil milhões (3,7% do crédito total às empresas) dos quais 3,6 mil milhões com prazos de 5 a 25 anos. A dívida a instituições estrangeiras é de 3,8 mil milhões, dos quais 2,9 mil milhões (75%, ou 36% da dívida total) ao BEI. E daí, precisamente, o Ministério das Finanças reconhecer que não será de esperar que o crédito concedido às PPP tenha impacto significativo no crédito à economia2.

4. As PPP não são sustentáveis. Outro equívoco. Para infra-estruturas com vida útil superior "no mínimo" a 60 anos, o VAL dos pagamentos com a rodovia, de acordo com o Ministério das Finanças, é de €13,4 mil milhões (cerca de 8% do PIB) até ao termo dos actuais contratos. Até 2045, é de 0,8 mil milhões (0,46% do PIB, 0,38% da dívida pública, ou 0,12% da dívida total), e positivo depois disso – com a rodovia a financiar as restantes PPP.

5. O País não comporta os encargos com as PPP. As previsões orçamentais anuais dizem o contrário ao apontarem um nível de encargos em torno de 1% do PIB (tendo vindo a reduzir-se: as previsões deixadas pelo ministro Bagão Félix em 2005 eram superiores às previstas pelo ministro Vítor Gaspar em 2012, mesmo contando com o aumento de perímetro dos projectos ocorridos entre 2005 e 2011. Basta comparar os sucessivos orçamentos). Consequentemente, não estão a ser as PPP a causa de incumprimento das metas das contas nacionais, antes a "austeridade expansionista" que não funcionou, ao contrário da curva de "Laffer", infelizmente.

Naturalmente, nada é perfeito. E o dever de fazer melhor é permanente porque impõe lidar com desafios novos. Nas PPP podem discutir-se os projectos e as opções. Daria outro artigo e uma discussão condicionada pela ideologia – e não apenas táctica – político-partidária. Se tivermos só uma discussão primária e superficial, deturpando a história e fazendo passar a ficção conveniente por realidade, teremos novos problemas. Mas não resolvemos nenhum.

1 Cfr. Public-Private Partnership and Investment in Infrastructure, Economics Department Working Papers, Set./2010.

2 Cfr. Relatório sobre PPP e Concessões, DGTF, 2012 (pg. 92).» [Jornal de Negócios]
   
Autor:

Carlos Costa Pina.
      
 Sim ou não ao resgate do soldado Durão?
   
«Há nove anos, ele partiu como um corpo expedicionário para a Flandres. Movia-o a Pátria, que não interesses egoístas. Agora, lá está Durão Barroso, entrincheirado em Bruxelas, sujeito às balas francesas. Primeiro, foi o editorial-morteiro do jornal Le Monde, chamando-lhe cata-vento e oferecido aos americanos para mais um posto na ONU ou OTAN... No domingo, foi o ministro francês Arnaud Montebourg a metralhar: "Barroso é o carburante da FN [o partido de extrema-direita de Marine Le Pen]." Ele deveria ter respondido "carburante, octanas!", mas com as balas que lhe atiram Durão Barroso constrói o seu pedestal. O português que mais alto subiu nas instâncias internacionais (pelo menos desde o mordomo luso de Jackie Kennedy) continuou de peito feito aos tiros. Alain Juppé, ex-ministro de Sarkozy, ontem: "Barroso é totalmente anacrónico." E Marine Le Pen, aquela que o outro dizia que Durão Barroso protegia, também molhou a sopa: "José Manuel Barroso é uma catástrofe para o nosso país e para o nosso continente." E dizer que há cem anos o corpo expedicionário português foi defender a França dos boches! A ingratidão deve ser a tal "especificidade cultural francesa"... Não deveríamos nós resgatar Durão? É melhor, não. Isso é uma especificidade cultural americana, salvar o soldado Ryan é para o Spielberg e o Tom Hanks. Talvez façam do nosso homem mesmo secretário-geral da ONU. E nós, afinal, que tínhamos cá para lhe oferecer?» [DN]
   
Autor:
 
Ferreira Fernandes.
   
   
 Professores 1 - 0 Governo
   
«O Ministério da Educação e Ciência (MEC), pressionado pela greve de professores às avaliações, cedeu ontem em diversos pontos nas negociações com os sindicatos e há um acordo à vista.
  
Pelas 22 horas, após mais de 12 horas de maratona negocial, os sindicatos receberam um documento com as propostas do Governo, que vão analisar, e as partes voltam a reunir-se hoje pelas 10 horas na 5 de Outubro. Mário Nogueira (Fenprof) admitiu que foram dados "passos importantes": "Há aqui aspetos significativos e que não tínhamos anteriormente e que vão no sentido de se desfazer os anseios dos professores quanto às regras da mobilidade, não aumento dos horários semanais e salvaguardas muito importantes para os professores que lhes vai permitir soluções positivas", disse, frisando que as reuniões de hoje são "decisivas". Dias da Silva (FNE) afirmou ser possível chegar a "uma posição que possa acabar" com a atual "intranquilidade que se vive" no ensino. O secretário de Estado do Ensino e da Administração Escolar, João Casanova de Almeida anunciou à hora de almoço as propostas do Governo.» [Correio da Manhã]
   
Parecer:

O Gaspar devia explicar aos portugueses quem vai ser despedido no Estado e o Carto devia apresentar a demissão em nome do prejuízo que provocou aos jovens ao usá-los numa luta que acabou por perder.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Demita-se o ministro mais cratino do governo.»
   
 Trabalhar para este governo é motivo de vergonha
   
«A ex-chefe de gabinete de Miguel Relvas omitiu ter trabalhado com o ex-ministro Adjunto no currículo que foi publicado ontem em Diário da República no qual se dava conta da sua nomeação para subdiretora-geral da Direção-Geral da Administração e do Emprego Público (DGAEP).
  
O concurso, realizado pela Comissão de Recrutamento e Seleção para a Administração Pública (CRESAP), selecionou três funcionários superiores: Maria Andrade Ramos, ex-chefe de gabinete do secretário de Estado Hélder Rosalino, para diretora-geral da DGAEP, e Sílvia Esteves e Vasco Hilário como subdiretores-gerais.
  
Na nota curricular publicada de Sílvia Gonçalves Esteves, pode ler-se: "De julho de 2011 a março de 2013 exerceu funções como adjunta jurídica de membro do Governo (XIX Governo Constitucional), substituindo o Chefe de Gabinete nas suas ausências e impedimentos." Miguel Relvas delegou em Sílvia Esteves todas as funções de gestão do gabinete antes de se demitir.» [CM]
   
Parecer:

Quando um ex-chefe de gabinete de um ministro deste governo esconde que o foi é porque este governo é motivo de vergonha para quem com ele colaborou. Mas, talvez o mais grave, é que gente sem coluna consiga atingir os mais altos cargos do Estado e da administração pública, sinal evidente do estado de apodrecimento do regime democrático que está sendo promovido por este malfadado governo.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»
   
 Défice acima dos 10%, uma maravilha diz o Gaspar
   
«O ministro das Finanças admitiu esta tarde, na Comissão Parlamentar de Orçamento e Finanças (COF), que o défice do primeiro trimestre em contas nacionais poderá ficar acima dos 10%. Vítor Gaspar anunciou que esse valor será divulgado pelo INE na próxima 6ª feira.

De acordo com a informação prestada pelo governante aos deputados, o valor do défice nos primeiros três meses, em contas nacionais, ficará seguramente "no limite superior apontado pela Unidade Técnica de Apoio Orçamental", ou seja, 8,7% do PIB. Um valor que o ministro explicou com o pagamento dos duodécimos dos subsídios e com o perfil dos juros que tiveram de ser suportados pelo Estado.

Mas o valor final do primeiro trimestre poderá ser ainda mais alto, "acima dos 10%", pois Portugal poderá ter de reclassificar 700 milhões de euros relacionados com a recapitalização da banca, explicou Gaspar - neste caso concreto, a compra de acções do BANIF. O responsável pelas Finanças desdramatizou, contudo, esta derrapagem do défice em contas nacionais, sublinhando que, nas contas que interessam para a troika, este valor de 700 milhões de euros já estava previsto e assumido.» [Expresso]
   
Parecer:

Que tolerante que este ministro é com ele próprio.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Demita-se o ministro antes que seja ele a demitir o país.»
  
 Acabou-se a horta da Graça
   
«Duas pessoas foram detidas e três ficaram feridas quando tentaram hoje de manhã impedir a Polícia Municipal de Lisboa de destruir o projeto comunitário de permacultura que desenvolviam há três anos junto ao Convento da Graça, segundo indicou ao Expresso Inês Clementis, do grupo Horta do Monte.

O comandante André Jesus Gomes disse ao Expresso que os dois individuos - uma dfrancesa e um cidadão turco - foram detidos e entregues ao Ministério Público por "resistência e coação a funcionário".

Segundo o comandante da polícia municipal, a violência que exerceram foi "minima" e destinada apenas a "detê-los e algemá-los", já que entraram no terreno e injuriaram a polícia. O comandante disse ainda que o homem detido tentara antes imobilizar um polícia, acabando por deitar ao chão o agente. » [Expresso]
   
Parecer:
 
É uma pena.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Lamente-se.»
   
 Banqueiros irlandeses divertiram-se com o resgate
   
«A revelação de escutas telefónicas a dois dirigentes do banco irlandês "Anglo Irish Bank", realizadas em 2008, nas quais fazem uma paródia sobre o pedido de resgate feito e a hipótese de nacionalização - que veio a acontecer -, estão a causar polémica na Irlanda. Os partidos da oposição já pediram a abertura de um inquérito ao resgate dos bancos em 2008.

A revelação das escutas foi feita, agora, pelo jornal "The Irish Independent". Nelas ouvem-se dois dirigentes daquela instituição bancária, David Drumm e John Bowe, a conversar, muito divertidos, sobre as mentiras que construíram para obter do Governo o apoio financeiro desejado e que impediria a instituição de cair na bancarrota.» [JN]
   
Parecer:
 
Os banqueiros no seu melhor.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se ao MP se por cá não há escutas a banqueiros, só a políticos.»
   
 Quero ver
   
«Na altura, fonte governamental explicou que a assessoria do ministro adjunto e do Desenvolvimento Regional iria funcionar como uma plataforma para todo o Governo, procurando responder a dúvidas dos jornalistas sobre temas da atualidade e sobre questões setoriais.» [Notícias ao Minuto]
   
Parecer:
 
Quero ver o pessoal do MAduro a preparar as comunicações relativas aos dossiers do Gaspar. O académico maduro acha que encontrou uma forma de ser ele a mandar no governo mas vai sair-lhe o tiro pela culatra.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Aguarde-se pelos comunicados de guerra do académico Maduro.»
   
 A ministra esteve mesmo com os chefes da troika
   
«Paula Teixeira da Cruz já esteve com os chefes da missão da troika em Portugal e garante que "a reunião não podia ter corrido melhor".

A governante foi uma das primeiras a reunir com os representantes do BCE; FMI e Comissão Europeia que voltaram a Lisboa, ainda no âmbito dos trabalhos da oitava avaliação ao programa de ajustamento.» [Notícias ao Minuto]
   
Parecer:
 
Ou terá sido apenas com técnicos? Se assim foi significa que o nosso governo se rebaixa pondo ministros a responder a meros técnicos.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se à ministra com quem reuniu.»
   
 O Rosalino vai-se embora?
   
«O secretário de Estado da Administração Pública, Hélder Rosalino, escolheu para directora-geral da Administração e do Emprego Público (DGAEP) a sua actual chefe de gabinete, e para um dos dois cargos de subdirector-geral foi seleccionada a última chefe de gabinete de Miguel Relvas, embora Sílvia Esteves tivesse omitido esse seu trabalho no currículo, avança o Público.» [Notícias ao Minuto]
   
Parecer:
 
É o que costuma acontecer quando os chefes de gabinete passam para a fila junto ao pote.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Espere-se para ver.»