sábado, julho 20, 2013

Jumento do Dia

  
Cavaco Silva

Depois da algazarra dramática de uma comunicação oficial a lançar o país numa crise prolongada, depois de ter ido fazer algazarra para o meio das cagarras das Ilhas Selvagens, Cavaco optou por silêncio que é uma verdadeira algazarra.

Pensava matar dois coelhos  com uma cajadada e enganou-se, acabou por dar uma cajadada num único Coelho, não resultando o seu golpe contra um PS que odeia e que não é capaz de suportar por causa das intervenções de dois dos seus grandes ódios de estimação, Sócrates e Mário Soares. Cavaco não os esqueceu quando insinuou que havia quem andasse a boicotar a sua proposta, como se antigos líderes de um partido e o seu fundador não tivessem direito a expressar a opinião no quadro do seu partido.
 
Cavaco Silva propôs a salvação do país, mas aquele que se candidatou a presidente porque qiueria ajudar o país com os seus conhecimentos de economia não tem propostas, limitou-se a escolher um ex-ministro do PSD para olheiro das negociações. Cavaco Silva não tinha ideias, a ideia dele era forçar o PS a apoiar as políticas de extrema direita do seu partido.
 
Agora está em silêncio, muito provavelmente reunido com as suas carpideiras a preparar a segunda versão do seu discurso do passado dia 25 de Abril.

A crise da cagarra

Se bem se percebeu Cavaco Silva dedicou esta semana a anilhar a passarada, gastou uma pequena fortuna para vestir o seu mais belo pólo cor de cueca para ir anilhar as cagarras e estava convencido de que chegava a Lisboa e já tinham agarrado o seguro pelo bico como se fosse uma cagarra para lhe meter a anilha. Se assim fosse até podia dar a despesa do seu turismo ambiental por bem gasta, até porque se o PS apoiar o troikismo compulsivo do Passos Coelho bastaria despedir mais uma dúzia de funcionários públicos e os seus excessos turísticos não teriam impacto no défice.
   
A ideia de Cavaco é mesmo digna de alguém que usa pólos cor de cueca para andar armado em Charles Darwin dos tempos modernos, poder-se-á dizer que de tão simples é uma ideia própria de uma certa esperteza cavaquista. Cavaco matava dois coelhos com uma machadada, impedia a promoção de Portas e assegurava o apoio do PS ao governo do seu partido, se o PS recusasse seria tramado aos olhos do país.
 
A jogada foi tão bem montada que mal foi divulgada toda a gente dizia o mesmo, ou Seguro fazia o acordo pretendido por Cavaco, isto é, apoiava incondicionalmente as políticas de extrema direita da dupla formada por Passos Coelho e Cavaco Silva ou estava tramado. A Manuela Ferreira Leite não escondeu a alegria e o povo cavaquista andava eufórico, até o PCP decidiu alinhar na festa e encomendou aos verdelhos uma oportuna moção de censura.
 
Mas Passos Coelho é ainda pior do que parece e destruiu toda a estratégia de Cavaco Silva num único dia, foi ao parlamento responder a uma moção de censura com uma argumentação digna do recreio dói Júlio de Matos, até encomendou à Luisinha Tóxica uma redacção com as melhores frases do Vítor Gaspar. Como se isso não bastasse ainda discursou à noite para que ninguém tivesse dúvidas sobre o que esperava do PS, o seu grupo parlamentar devia ser transformado num anexo ao do PSD.
 

Esta direita é tão idiota e incompetente que até já custa ver, não é capaz de ter consenso e nem mesmo quando o Cavaco encurrala Seguro é incapaz de adoptar uma estratégia comum, Portas quer rasteirar o Passos, este passa  a vida a rasteirar Cavaco e o por enquanto presidente já tropeça sem que ninguém o rasteira.

Umas no cravo e outras na ferradura


 
   Foto Jumento
 
Csa dos Bicos, Lisboa

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 É lindo

Ver Cavaco Silva envergando um polo azul cueca a gozar férias nas Selvagens com meios dignos de um presidente america, tudo à nossa custa, só para pagar esta despesa o Passos Coelho vai ter de despedir umas duas dezenas de funcionários públicos, mais ou menos o equivalente a um posto de saúde.

 Plataforma de salvação nacional é...
 
Transformar o Seguro num seguro contra todos os riscos da política de extrema direita de Passos Coelho apadrinhada por Cavaco Silva.
 
 Só mesmo Cavaco

Se lembraria de transformar um cadáver num governo de salvação nacional.
 
 Querem uma plataforma de salvação nacional?
  
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 O quarto pilar
   
«Tenho a estranha sensação de ter perdido algum episódio da novela em que se transformou a actual crise política. Se bem me lembro, tudo isto começou com uma grave crise no Governo da direita, mortalmente atingido pelo falhanço que o próprio Vítor Gaspar reconheceu e pela demissão de Paulo Portas (entretanto revogada a troco de uma proposta de remodelação); agora, três semanas depois, parece que depende do PS, que está na oposição, não só o superar da crise governativa (!) mas também o sucesso do Governo PSD/CDS na execução do Memorando (que sete vezes alterou), no regresso aos mercados (apesar da espiral recessiva) e no evitar de um segundo resgate. Há aqui qualquer coisa que não bate certo!

A verdade é que a intervenção do Presidente envolveu um salto lógico insanável: misturou a crise política gerada no interior do Governo de coligação PSD/CDS (sobre a qual nada decidiu, a não ser pré-anunciando eleições antecipadas em 2014) com o acordo a celebrar entre os partidos do Governo e o Partido Socialista. O primeiro efeito desta mistura explosiva, para além de prolongar a indefinição quanto à situação do Governo (colocado em "plenitude de disfunções"), foi escamotear totalmente as responsabilidades do Governo pelas consequências do seu falhanço e da crise política que provocou: aquilo que era uma crise causada pelo escandaloso desentendimento entre os dois partidos da coligação pareceu tornar-se, sem que se tivesse percebido porquê, numa crise de desentendimento entre os três partidos signatários do Memorando original, a qual só podia ser resolvida com a participação "patriótica e responsável" do Partido Socialista - sob pena, claro está, do fogo do inferno.

A confusão instalada pelo Presidente gerou, além do mais, uma situação política absurda: enquanto, no raciocínio do Presidente, a inexistência de acordo poderia implicar o fim do Governo e dar lugar a outras enigmáticas "soluções jurídico-constitucionais", a aceitação do acordo pelo PS (incluindo sobre o calendário das eleições antecipadas) implicaria, garantidamente, salvar o Governo da direita por mais um ano, proporcionando-lhe até o reforço da sua base de apoio parlamentar, designadamente na frente orçamental. Do ponto de vista político, o fruto visível de um acordo seria, portanto, a fotografia da cerimónia de tomada de posse do Governo da direita remodelado. Nem vale a pena perder tempo a explicar o manifesto absurdo desta ideia.

Assim, além dos três pilares que têm sido identificados no acordo pretendido pelo Presidente (calendário de eleições legislativas antecipadas, a partir de Junho de 2014; medidas de execução do Memorando até ao fim do Programa e compromissos orçamentais e de governabilidade para o período "pós-troika"), há também um quarto pilar de que ninguém quer falar mas que está lá: a solução da crise governativa através do acordo implícito do PS à salvação e manutenção do Governo da direita (com um mandato encurtado). É por isso que a equação política proposta pelo Presidente, tal como foi apresentada - envolvendo, na prática, a viabilização do actual Governo e uma adesão do PS às medidas de austeridade negociadas com a ‘troika' à sua revelia - implicaria neutralizar o PS como partido de oposição. E um PS neutralizado como oposição seria um PS neutralizado como alternativa.» [DE]
   
Autor:
 
Pedro Silva Pereira.
     
 Que PS quer Seguro fazer
   
«Representantes do PS têm-se reunido, não com os seus pares dos partidos da Coligação, mas sim com governantes. E sob a vigilância do dr. David Justino, mandatário do Presidente da República. Não se trata de diálogos, mas sim de negociações. E tudo indica que o PS vai ceder, ao contrário do que Seguro prometeu a Manuel Alegre. Tudo está a ocorrer no maior dos sigilos, o que seria normal em condições normais. Mas as condições são anómalas, e o véu de obscuridades que envolve estas reuniões deixa prever que tudo se passa sem que nada saibamos, como se fôssemos peças inertes de uma máquina desconhecida.

O PS vai ceder em quê, e porquê? O que está em jogo pouco tem a ver com a «salvação nacional», expressão ambígua. Trata-se, isso sim, de manter este Governo, pelo menos até 2014, e a ideologia que lhe subjaz. O PS de Seguro, cuja tenacidade é duvidosa, está estritamente relacionado com o «sistema», e mais parece atinente a associar-se à Direita de que a estabelecer uniões com a Esquerda.

Toda esta atmosfera política, evasiva e turva, favorece a embrulhada. Porém, já alguns altos dirigentes do PS, como Augusto Santos Silva, não demonstraram desconforto com a possibilidade, cada vez mais evidente, de «salvar a pátria» e manter a Coligação, com algumas cerziduras e remendos. Numa iniciativa tosca, Seguro disse desejar que, nas «conversações», estivessem o PCP e o Bloco de Esquerda. O PCP disse logo que não queria envolver-se «naquela coisa», mas o Bloco, no alvitre de que se deve dialogar com toda a gente, aceitou «conversar». O resultado foi previsível: Fernando Rosas, após o encontro, disse aos jornalistas estar persuadido de que os socialistas preferiam a Direita.

Para aonde vai este PS com este secretário-geral, no percurso desta ambiguidade ideológica? Que caminhos de capitulação e de desfiguração cada vez maiores vão suceder-se? A renúncia moral, em nome de uma falaciosa «salvação nacional» poderá ser o golpe final do PS como «partido de Esquerda». E António José Seguro tem a possibilidade histórica de proceder a uma «restauração» dos princípios formativos do partido. A verdade é que, no interior do PS, movem-se forças e facções muito conservadoras, que, nos últimos anos, têm saído vencedoras das surdas lutas pelo poder. Estão em causa privilégios, lugares, prebendas, situações adquiridas e dificilmente destronadas. Os interesses são muitos e múltiplos, e a ideia socialista deixou, há muito, de ter lugar como motor de transformação no espírito de quem se acomodou.

Nas circunstâncias actuais, em que o cerco ao partido de Mário Soares é extremamente apertado, as decisões são cruciais. A transformação do PS num partido realmente de Esquerda poderá alterar toda a história da democracia portuguesa. Os movimentos, as declarações, os avisos, os palpites formulados pelos sectores de Direita fornecem-nos uma ideia do que está em causa. António José Seguro vive um dilema que só existe porque ele não o deslinda. Ou continua nesta água chilra na qual o PS tem sobrenadado, mais à Direita e muito pouco à Esquerda, ou comete um golpe d'asa e reanima um agrupamento político repleto de evasivas e de graves contradições. Não me parece, todavia, que ele seja capaz de provocar essa reviravolta, fundamental para modificar a pastosa «alternância» em que temos dificultosamente vivido. Observa-se, aliás, o sobressalto de movimentações demonstrados por aqueles que desejam manter o "statu quo" reaccionário - tão do agrado e tão conveniente ao dr. Cavaco, o mais retrógrado de todos os Presidentes da II República.

Os próximos dias serão decisivos. E o próprio Mário Soares tem manifestado grande preocupação. Os medos de Seguro seriam, porventura, suprimidos, caso a direcção política do PS apoiasse uma reviravolta na estratégia até agora seguida. Veremos os muito próximos capítulos.» [Jornal de Negócios]
   
Autor:
 
Baptista-Bastos.
   
 Portugal derrotado
   
«Não é preciso ser patriota para entender o drama que Portugal atravessa. Despojado da construção do seu destino transformou-se numa pequena colónia em acelerado empobrecimento.
Precisamos urgentemente de clarificação, mas o que temos é confusão sobre confusão. Não posso adivinhar o que vai suceder entre o momento da escrita deste texto e o da sua leitura. A imprevisibilidade domina o nosso quotidiano. Mas algumas coisas são evidentes.

PSD e PP abdicaram da sua autonomia partidária, resignando-se à condição de tutelados. Diz-se que até poderão aceitar eleições antecipadas. Tanto discurso de coesão, tanto argumento em nome da estabilidade, tanto sacrifício imposto ao povo, afinal para nada. Ao primeiro revés submetem-se. 

Mais grave, do ponto de vista da esquerda, mas sobretudo da própria democracia, é a posição do PS. Das duas uma. Ou o PS está mesmo empenhado em assinar um acordo com a direita e temos um harakiri na praça pública. Ou, tanta reunião não passa de uma farsa para Presidente ver e só acrescenta ainda mais descrédito. Em qualquer dos casos o Partido Socialista vai sair mal na fotografia. Não se trata de radicalismo, mas de evidente bom senso.

Teria sido tão fácil evitar a armadilha. Bastava a frontalidade. Bastava dizer que existe uma maioria no parlamento e que, enquanto ela durar, lhe cabe governar. Se não for capaz fazem-se novas eleições. É assim que funciona a coisa. Não existe efetiva democracia sem oposição. Só nas ditaduras não se admitem oponentes.

Sempre original, a política à portuguesa embrenhou-se assim em mais uma trapalhada que só pode acabar mal. Como diz alguém, a classe política meteu-se dentro de um buraco e não consegue parar de escavar. Eventualmente espera emergir na Austrália e ver a luz do dia. Mas será certamente tarde demais. A realidade não vai poder esperar tanta escavação.

Como é possível que tanta gente, muita dela experiente e inteligente, se tenha metido em tamanho imbróglio? Julgo que a origem desta desorientação está na perda de soberania do país. O atual poder político português não manda nada. Depende de decisões impostas por outros. Verga-se aos ditames de uma lógica económica que privilegia a finança em detrimento da cidadania. Aliás, os cidadãos foram reduzidos à única condição de contribuintes. Já não têm direitos, só o dever de pagar os custos da incompetência e da corrupção do sistema. Os exemplos abundam.

Cada vez que a Troika aterra em Lisboa e se pavoneia pelos corredores da Assembleia da República os portugueses sofrem um profundo golpe na sua autoestima. Os povos, como as pessoas em geral, precisam de estímulos positivos. Precisam de acreditar no futuro. Mas esta gente não tem boas novas. Só dá ordens e más notícias. A situação é insuportável. A sensação de derrota é avassaladora.

Daí que a classe política se sinta acossada. De um lado obedece aos verdadeiros mandantes, do outro o povo espera dela uma qualquer solução. O malabarismo é inevitável. Diz-se uma coisa e faz-se outra. Tropeça-se a cada passo. Imagino que haja quem se sinta mal, muito mal, consigo mesmo. Quem se sinta envergonhado. Sempre ambígua a política é neste contexto um continuado embuste. Um exercício de dissimulação. É preciso ter estômago.

Não é preciso ser patriota para entender o drama que Portugal atravessa. Despojado da construção do seu destino transformou-se numa pequena colónia em acelerado empobrecimento. Uma colónia saqueada dos seus principais recursos, e desde logo os humanos, sem capacidade de recuperação. Existências destroçadas, gerações perdidas. Num horizonte que não cessa de ser atirado para um futuro cada vez mais longínquo. Por estes dias aponta-se a década de 40 como a da eventual recuperação da nossa economia. Trinta anos é muito tempo. Uma vida. Quem aguenta esperar?

O resultado é esta descrença em tudo e todos. Agravada pela incapacidade dos principais agentes em clarificar posições. Aliás basta pensar na situação presente. Não temos governo, não temos oposição, os partidos jogam ao poker, o Presidente lança o caos e parte para férias para uma ilha deserta. Parece um filme italiano. Um filme com Antonio de Curtis no papel de Totó. Uma triste palhaçada, enfim.» [Jornal de Negócios]
   
Autor:
 
Leonel Moura.
 
 Custe o que custar
   
«Tal como nos ensina Max Weber, o Estado moderno caracteriza-se pela separação entre quem administra (os funcionários públicos) e quem detém a propriedade dos meios de administração (a comunidade nacional organizada no Estado).

A função pública, tal como a política ou a ciência, é uma vocação, que passa pela aceitação de obrigações específicas (deveres) e pela obtenção de uma existência segura (estatuto). Essa segurança no emprego, garantia de independência profissional, é em toda a parte acompanhada por condições remuneratórias menos compensadoras do que as que vigoram no setor privado, nomeadamente para técnicos e dirigentes. De resto, é o que se passa em Portugal, como comprova o estudo de 2009 de Maria Manuel Campos e Manuel Coutinho Pereira, economistas do Banco de Portugal.

O processo de convergência total das regras do setor público com as regras do setor privado pode não ser um exclusivo português, mas não deixa de ser, por isso, um autêntico retrocesso civilizacional. O funcionalismo público passará a ficar com o pior de dois mundos: emprego simultaneamente precário e mal remunerado. É certo que existiam no Estado português subsistemas de saúde e proteção social e regras de aposentação injustificáveis. Mas essas situações de iniquidade foram corrigidas em devido tempo. Do que se trata agora, como titulava há dias o "Diário Económico", é de aplicar aos funcionários públicos as regras de despedimento do setor privado, exatamente o contrário daquilo que, em campanha eleitoral, nos tinha sido dito.

A chamada "reforma do Estado" resume-se afinal a um objetivo de poupança de 1.324 milhões de euros. Pelo meio, lança-se a confusão e colocam-se trabalhadores e desempregados do privado contra "os privilegiados" do setor público. Mesmo que à custa disso se ponha em causa uma das poucas vantagens comparativas que ainda tínhamos em relação à Grécia: alguns centros de excelência e carreiras qualificadas na administração pública. A mensagem é clara: no admirável mundo novo que aí vem, só "um falhado" é que vai querer servir o Estado. A austeridade é para continuar, custe o que custar.» [DE]
   
Autor:
 
Filipe Nunes.
   
   
 Partidos certinhos
   
«Os partidos da coligação, PSD e CDS, são os mais críticos aos protestos dos cidadãos nas galerias da Assembleia da República. Segundo os mesmos, devem existir regras semelhantes às que são aplicadas no futebol no que toca aos ‘hooligans’, mas sem restringir este acesso.

Os deputados destes partidos exigem que os participantes neste tipo de situações sejam sancionados podendo, inclusive, ser “impedidos de voltar”. Quem o diz é o deputado do PSD Jorge Paulo Oliveira, adiantando ao Sol que “não se pode fazer manifestações ilegais e insultar os deputados”. » [Notícias ao Minuto]
   
Parecer:

De repente temos um governo, uma maioria e um presidente alérgicos a manifestções populares a não ser que sejam palmas na missa.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Vomite-se para cima desta gente.»
  
 Uma noite sem notícias desagradáveis de Lisboa
   
«Ao fim de dois dias nas Selvagens e depois de "uma noite tranquila", o Presidente da República partiu hoje do sub-arquipélago rumo a Lisboa, de onde não chegou nenhuma notícia "desagradável" nas últimas horas.» [Notícias ao Minuto]
   
Parecer:
 
A melhor forma de não se ouvirem notícias desagradáveis em Lisboa é mandar Cavaco Silva ver cagarras para as Ilhas Selvagens.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte se a Cavaco se não quer ficar mais a dona Maria na Selvagens a contar cagarras e comer carapaus alimados.»
   
 Bancos mais vazios
   
«De acordo com dados do Banco de Portugal, referidos na edição de hoje do Diário Económico, foram encerradas 2,6 milhões de contas à ordem, bem acima das 67 mil contas eliminadas em 2009, o que terá custado aos bancos cerca de 156 milhões de euros em comissões de manutenção de conta. » [Notícias ao Minuto]
   
Parecer:
 
Os bancos aguentam, ai aguentam, aguentam.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Mandem-se os parabens ao "finado" Gaspar.»

sexta-feira, julho 19, 2013

Jumento do Dia

  
Pedro Passos Coelho

Quem ouviu Passos Coelho, ontem à noite na reunião do conselho nacional do PSD, ficou com boas razões para pensar que vivia no mais feliz e bem sucedido país europeu, foi um dia em que o primeiro-ministro deu de Portugal uma imagem de sucesso, para além de ter feito tábua rasa dos apelos e propostas de Cavaco Silva.
 
Para Passos Coelho não há nenhum país para salvar ou qualquer crise política para superar, o sucessos na economia está a levar a engarrafamentos nas fronteiras,  com os investidores a acotevelarem-se nos balcões do SEF, já se apela aos espanhóis que emigrem para Portugal, onde já não há mão-de-obra disponível, e o maior problema dos governantes é conseguirem fugir a tanta manifestação de apoio e de carinho popular.
 
Passos Coelho parece um louco que nega a realidade, parece estar em muito pior estado do que aquele que apresentava o famoso ministro da informação de Sadam Hussein. Se fosse a uma consulta do dr. Frade, o famoso falso psicólogo do BIBI, que agora anda a contas com a justiça por fraudes nos medicamentos, Passos Coelho sairia de lá com um diagnóstico de visão lacunar, vê a realidade mas cheia de lacunas, consegue ignorar e deixar de ver tudo oq eu lhe provoca incómodos.
 
Passos Coelho é um louco que está convencido de que tem uma tarefa divina a cumprir e a quem terá sido prometido que depois de queimar Sodoma e Gomorra, Portugal nos livros de geografia, ser-lhes-iam abertas as portas do céu. Sem suma, está louco e não sabe.

«As palavras de ontem do primeiro-ministro foram “mal recebidas” pela direcção do PS e entendidas como uma “machadada final” na possibilidade de um acordo entre PSD, CDS-PP e PS, que ainda está em negociações.

De acordo com o DN, esta “machadada final” decorre do facto de Passos Coelho se recusar a reconhecer que falhou, que errou, e apresentar sinais de que pretende e vai manter o caminho seguido até agora, nomeadamente no que respeita os cortes de 4,7 mil milhões de euros na despesa.» [Notícias ao Minuto]

O compromisso manhoso

Bastaria a promessa de agendar a dissolução do parlamento para que um parido defensor dos valores democráticos rejeitasse esta manifestação de caudilhismo, é inaceitável que um Presidente da República use a duração da legislatura como instrumento de pressão ou de chantagem para que partidos democráticos negoceiem o que quer que seja segundo as suas condições.
 
Parece que a plataforma de salvação nacional começa pela negação da democracia, a alternância democrática só é aceite por Cavaco Silva se obedecer a um programa eleitoral comum a todos os partidos. Se Cavaco diz que não vale a pena realizar eleições porque a política será a mesma e depois promete eleições para daqui a um ano se os partidos chegarem a um acordo de políticas para uma década é porque só aceita as eleições se todos os partidos se comprometerem a irem a eleições para depois cumprirem o programa pré acordado.
 
E a que acordo devem chegar os partidos? Um acordo que permita ir aos mercados, que evite um segundo resgate e que garanta a continuidade desta situação, isto é, Cavaco Silva acha que na ausência de Vítor Gaspar os partidos devem dar garantias de que devem eternizar o seu programa económico e é isso que explica porque razão Cavaco deu posse a uma modesta economista como ministra das Finanças de olhos fechados e depois usa a proposta de remodelação governamental para forçar o PSD a negociar prometendo ao PS eleições um dias destes para que este partido alinhe.
 
Cavaco evoluiu do consenso para o acordo forçado, dantes queria consenso em torno das políticas, agora exige ao PS que apoie a política de Passos Coelho. Ao manter este governo e dizendo que o objectivo do acordo é a ida aos mercados é óbvio que Cavaco quer manter esta política. Cavaco tentou ignorar o Tribunal Constitucional e deu-se mal, agora quer neutralizar a Constituição obrigando o PS a transformar a maioria de direita em maioria constitucional.
 

Cavaco não tem autoridade e o seu mandato pouco mais tem sido do que apreciar o sorriso do gado bovino ou ir às Ilhas Selvagens para observar as cagarras. Os acordos assinados sob os seus auspícios não têm qualquer valor pois são desrespeitados pelo governo sem que da sua parte se veja qualquer reacção. O governo renegociou o memorando meia dúzia de vezes sem o conhecimento de ninguém e o que fez Cavaco Silva? O governo esqueceu os compromissos assumidos no acordo de concertação social e o que fez Cavaco? É ridículo ouvir agora Cavaco pedir aos partidos que ouçam os parceiros sociais, o mesmo Cavaco que aprece não ter ouvido os parceiros sociais queixarem-se de que o governo os ignorava.

Umas no cravo e outras na ferradura


 
   Foto Jumento
 
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Av. da Liberdade, Lisboa
    
 Cavaco nas Selvagens

Esta observação das cagarras fica-nos cara, se a preocupação é a defesa da natureza talvez a melhor solução não seja pagar o turismo ecológico ao casal Silva, ainda por cima mobilizando meios dignos de um imperador. Num país onde se passa fome o presidente anda a pernoitar no meio das cagadelas das gaivotas e para lá chegar usa navios e helicópteros de guerra.

À conta da crise, das exportações, da diplomacia económica e dos roteiros de Cavaco Silva nunca os governantes destes país viajaram tanto à custa do seu pobre povo, que tudo suporta, que tudo paga e em paga ainda lhe chamam piegas ou gozam com ele designando-o como o melhor povo do mundo.

 O melhor emprego do mundo
 
É ser Presidente da República das Ilhas Selvagens.
 
 Paulo Portas no debate da moção de censura

Tinha o ar de um cachorro depois de ter mijado no tapete da sala.
 
 O CDS deixou de ser o partido dos contribuintes
  
Pelas sucessivas intervenções dos deputados do CDS no debate da moção de censura passou a ser o partido dos exportadores, este governo é só sucesso e o sucesso são as exportações que se deverão á diplomacia económica de Paulo Portas. Coesão no governo, dizem eles.

 Algazarra no meio das cagarras

Foi o apelo de Cavaco ao acordo em plena Ilha Selvagem Grande.

 Esta Luisinha é mesmo tóxica

Depois da Luisinha Tóxica ter ido ao parlamento reafirmar a continuação da política de Gaspar que o próprio disse ter falhado e depois do cenário maravilhoso traçado pela direita o que há para salvar o para negociar?

A intervenção de Maria Luís Albuquerque não há nada a negociar e Cavaco Silva bem pode ficar nas Ilhas Selvagens a contar cagarras, o seu discurso é a afirmação pura e dura da política do excesso de troikismo, até faz pensar que Vítor Gaspar despareceu sem ter escrito qualquer carta ou que Paulo Portas nunca escreveu uma carta de demissão. Depois de ter intoxicado Vítor Gaspar, Teixeira dos Santos e a sua prória directora-geral do Tesouro, a sua chefe na REFER, a ministra decidiu intoxicar o compromisso de salvação nacional.

Por incrível que pareça o país ainda via ter saudades de Vítor Gaspar, isso se não concluir que, afinal, não era o Gaspar que mandava no Passos Coelho, mas sim a Luisinha que mandava no Gaspar e no Passos.
 
 Para ouvir nestes dias de merda que estamos vivendo

      
   
 O Portas anda muito aplicadinho
   
«O ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Portas, vai estar ausente da cimeira lusófona da CPLP que hoje decorre em Maputo, optando por assistir ao lado do primeiro-ministro à moção de censura apresentada pelo partido ecologista “Os Verdes”.» [Notícias ao Minuto]
   
Parecer:

E ainda pode aproveitar as noites para andar pelas ruas de Lisboa em busca de ... palácios!
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»

quinta-feira, julho 18, 2013

Jumento do Dia

  
Maria Luís Albuquerque

A agora ministra das Finanças teve o seu momento no debate parlamentar da moção de censura e desiludiu, tudo o que disse não foi mais do que o discurso de Gaspar anterior à demissão, até parece que a nova ministra não leu a carta de demissão do seu antecessor. A ministra fez o tempo andar para trás e fez um discurso próprio de uma aluna certinha do 10 ano, deve ter andado a fazer recortes dos discursos do Gaspar e leu a coisa com ar de quem estava num exame oral.
 
Um discurso politicamente fraco e tecnicamente mau, uma desilusão.

O multiplicador da canalhice

Para muitos dos nossos economistas o cidadão não passa de um autómato sem vontade ou motivação, são formiguinhas animadas que comem mais ou comem menos em função de variáveis controladas por Gaspares. Esta concepção da economia tende a desprezar os fenómenos sociais ou a vontade pessoal, parte do principio de que esta atomização de comportamentos elimina a vontade de cada um, transformando-a numa vontade colectiva expectável e manipulável. Os povos e os países perdem a sua identidade para passarem a ser compostos químicos directamente convertíveis em modelos manipuláveis por estes novos cientistas da treta.
 
Quando tudo falha não duvidam das suas concepções ou metodologias, descobrem que se enganaram numa variável, da mesma forma que o químico errou ao acrescentar uma quantidade excessiva de um determinado elemento ou composto. Em Portugal tudo foi bem feito, por quilo que se dizia há poucos meses éramos um modelo de sucesso, uma verdadeira Heidi Klum das passarela da economia, um exemplo de sucesso do ajustamento, ainda há pouco mais de uma semana Cavaco Silva estava confiante no sucesso do pior orçamento de que há memória na nossa história económica.
 
A culpa dizem agora, é do multiplicador e talvez tenham razão, só que se enganam no multiplicador que é culpado de tudo isto, deixem o Keynes dormir em paz porque os multiplicadores responsáveis pela desgraça lusa são outros, o país está a ser vítima da combinação dos efeitos dos multiplicadores da estupidez e da canalhice de uns filhos da mãe que não passam de proxenetas e na hora das dificuldades não só atiram os sacrifícios para cima dos outros como ainda exploram a hipótese de ganharem mais algum.
 
O país tem sido um imenso laboratório da sacanice, com muita gente a mentir, a dar o dito pelo não dito. Os que eram mais troikistas do que a troika dizem agora que a culpa foi do memorando assinado pelo Sócrates, os que tinham orgasmos a elogiar o Gaspar agora fogem dele como o diabo foge da cruz, os que defendiam uma ditadura gasparista como se o modesto e desastrado economista fosse um novo Salazar querem agora um governo de salvação nacional, os que defendiam o corte brutal, talvez para metade, do rendimento dos funcionários e pensionistas acham agora que em vez de cortar metade do vencimento devem ser despedidos metade dos funcionários.
 
Estes canalhas têm sujeitado o país e o povo a doses de cavalo de estupidez, de medo, de chantagem, depois querem que os portugueses consumam e que os investidores estrangeiros apostem num país em estado de guerra. O governo inspira-se em Hitler para lançar as suas políticas, chama requalificação ao despedimento, sugere a “deportação” voluntária a que chama emigração para os que estão a mais, todas as políticas que lança são apoiadas, no medo, na chantagem, na ameaça. No fim, o povo ainda é apelidado de piegas!
 

Em Portugal o que falhou não foi uma política económica ou o multiplicador da recessão, foi o multiplicador da canalhice.

Umas no cravo e outras na ferradura


 
   Foto Jumento
 
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Linha férrea junto ao Rego, Lisboa
    
 A tia Merkel da Luisinha tóxica
 
 
 Isto ainda vai durar
 
O Álvaro ainda só morreu três vezes, tem direito a morrer mais quatro vezes antes de se ir embora para Vancouver o que, aliás, será uma desgraça para os nossos pastéis de nata, para não ficarmos com pena de o Algarve não ter sido transformado na Florida dos boches velhos.
 
 Salvação nacional

Dar um novo programa de governo para o governo incompetente de Passos Coelho não se pode chamar plataforma de salvação nacional mas sim plataforma da desgraça nacional. O que Cavaco pretende é encobrir as suas responsabilidades atrás de uma iniciativa muito duvidosa no plano dos princípios democráticos.
 
 Sentido da responsabilidade é...
 
Apelar a que salvem o país e ir fazer turismo excêntrico para ver cagarras à custa do dinheiro da troika já que o dos contribuintes não chega para as despesas. É caso para perguntar ao turista se sabe quantos portugueses vão ser despedidos para que o Estado pague o dinheiro necessário para pagar a despesa do casal mais do caga tacos que o costuma acompanhar a todo o lado.
 
      
 O interesse nacional
   
«Temos ouvido, desde o início desta crise, muitos apelos a que o interesse nacional esteja acima do interesse partidário e a que em seu nome os partidos se entendam. Estes apelos partem do princípio de que existe uma solução virtuosa e única que cumpre o interesse nacional e que todos os partidos a conhecem, mas que por razões porventura egoístas e fúteis - apelidadas de partidárias - não se querem entender para a implementar. António Saraiva, por exemplo, afirmou que "o único critério dos partidos terá de ser o interesse do país"; Miguel Cadilhe interrogou-se se "os partidos estão à altura do apelo do Presidente, manifestando estatura e rasgo para colocarem os interesses do país acima dos interesses partidários"; mas também vários políticos foram dizendo o mesmo, praticamente todos apoiantes do actual governo, como por exemplo Marques Mendes. Estas declarações, apesar de bem-intencionadas, revelam uma profunda falta de cultura democrática. Cada partido tem a sua própria visão do que é o interesse nacional e do que deve ser feito para o atingir. Arriscar-me-ia a dizer que cada cidadão tem a sua própria versão. Cidadãos com concepções ideológicas e visões de sociedade próximas organizaram-se em partidos políticos para as defenderem. A democracia pressupõe a existência de instituições que facilitam o confronto pacífico destas diferentes versões do interesse nacional e garante o direito dos cidadãos de fazerem as suas escolhas. É óbvio que pode haver compromissos e cedências entre diferentes partidos e na realidade isso acontece muito mais vezes do que parece ser a percepção pública. O PS faz bem em dialogar com os outros partidos. É, pelo menos, mais uma oportunidade para fazermos ver à maioria PSD-CDS que o caminho que escolheram para o país não está a funcionar e que é preciso alterá-lo. No entanto, ninguém poderá estranhar que o acordo não se faça. A direita não revelou até agora qualquer intenção de abandonar a sua estratégia austeritária e empobrecedora e o PS não pode abandonar o seu combate por uma mudança de política em Portugal só para que haja um acordo. Isso sim, é que seria péssimo para o interesse nacional.» [DN]
   
Autor:
 
Pedro Nuno Santos.
     
 Rei dos Algarves e das Selvagens
   
«Naturalmente, refugiou-se na natureza. Entre ouvir os gritos da Heloísa dos Verdes e os das cagarras das Selvagens, Cavaco escolheu o mais ecológico. Censura por censura, mais vale apanhar com um garajau a defender o ninho. As Selvagens vão passar a ter sido visitadas oficialmente por três presidentes, Soares, Sampaio e Cavaco. Mas nunca um PR lá pernoitara. Mário Soares era conhecido por dormitar em quase todo o sítio, mas só Cavaco Silva vai poder dizer, a partir de amanhã, que já dormiu na Selvagem Grande. Depois de mandato e meio, Cavaco terá, enfim, um lugar na história por alguma coisa. Ainda por cima Grande, como ele escreverá um dia num prefácio! Mas a ida para o único lugar do território português onde não chegam os decibéis de Heloísa Apolónia pode ter ainda outra razão. O arquipélago tem a ilha Selvagem Grande e a ilha Selvagem Pequena, a ilhota Palheiro da Terra e a ilhota Palheiro do Mar, os ilhéus de Fora, o Alto, o Comprido, o Redondo... Tudo muito claro e básico. O ilhéu Pequeno, o Grande, o do Sul e o do Norte... É, talvez a ida às Selvagens tenha uma intenção terapêutica. Talvez queira reeducar a fala do Presidente com palavras simples. No entanto, conhecendo Cavaco Silva, em chegando às Selvagens, ele vai querer ir para o ilhéu Sinho só para alimentar a confusão nas interpretações... Porquê Sinho? Mas Sinho com quem? Coliga-se com Sinho ou só se desembarca? E, em junho de 2014, muda-se o nome a Sinho?...» [DN]
   
Autor:
 
Ferreira Fernandes.
   
   
 O cavaquismo ao ataque
   
«Numa altura em decorrem as negociações entre PSD, CDS e PS por forma a chegarem a um entendimento no que ao “compromisso de salvação nacional” solicitado pelo Presidente da República, Cavaco Silva, diz respeito, um grupo de personalidades redigiu uma carta com uma mensagem bem clara dirigida aos responsáveis pelos três partidos.

"O tempo não é de recuar mas de avançar, de forma concertada", pode ler-se no documento divulgado esta tarde. "Ao tomar esta iniciativa, o Presidente da República colocou-se em linha com os anseios mais profundos manifestados pela população portuguesa", é acrescentado. "Sabemos o risco que corre: o de que CDS, PS e PSD não cheguem a acordo, em prejuízo de todos nós".» [Notícias ao Minuto]
   
Parecer:

Parece que a pressão sobre a democracia não se ficou pelo discurso, a ala dos namorados já entrou em combate.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Vomite-se.»
  
 Adeus aos mercados
   
«Os analistas do Bank of America Merrill Lynch consideram que as probabilidades de Portugal regressar aos mercados em meados do próximo ano estão a "diminuir substancialmente", agora que os juros da dívida estão próximo dos 7%.» [DN]
   
Parecer:
 
O regresso aos mercados foi uma mentira do Gaspar em que só os mais imecis acreditaram. A sua carta de demissão admitindo que tudo falho é a prova dessa fraude.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «mande-se um telegrama para as Selvagem Grande a informar o "cabo" Silva.»

quarta-feira, julho 17, 2013

Jumento do Dia

  
Cavaco Silva

O país pode estar à beira da bancarrota e até precisa de uma ditadura pós troika para se salvar, mas ainda tem dinheiro para financiar uma visita de Estado às Ilhas Selvagens, onde Cavaco devrá ir vender os Magalhães às cagarras.

Mais olhos do que barriga

Há muitos anos que a nossa direita vê no Estado a nova fonte de financiamento para mais uma década de corrupção e de subsidiodependência, há muito que ideólogos da direita como Miguel Cadilhe (o tal que dizia que resolvia os problemas do BPN com 400 milhões de euros) até dizem que o número de funcionários a despedir é de 150.00o, só não esclarecem se o faroleiros das Berlengas está incluído.
 
Recorde-se que o primeiro governo a organizar despedimentos em massa no Estado foi o de Cavaco Silva, chegaram a ser feitas listas de disponíveis (foi o termo usado na época), mas o habitual oportunismo eleitoral da personagem levou a que o assunto fosse esquecido. Mas o destino tem destas coisas e como a personagem tem agora o estatuto de rata velha descobriu uma solução, Passos Coelho designou o despedimento em massa por requalificação, Cavaco prefere chamar-lhe plataforma de salvação nacional e disfarça-lo com o pós-parto a que ele chama pós-troika.
 
O problema é que esta gente está mais motivada por uma visão racista da sociedade portuguesa e por um ódio ideológico ao Estado, senão mesmo pela inveja que alguns inúteis das jotas têm dos jovens melhor qualificados que lhes ganharam nos concursos de admissão no Estado. Alguém disse às organizações internacionais que se podia poupar uma fortuna no Estado.
 
Foram os mesmos que em tempos achavam que podiam cortar o mesmo nas famosas gorduras mas que depois de eleitos perceberam que tinham sido burros. Agora têm uma nova tese mas bem mais perigosa, quando perceberem o desastre que provocaram será tarde, nada poderão fazer para recuperar a qualidade dos serviços públicos ou para reconstruir milhares de vidas destruídas.
 
Estes políticos incompetentes e mal formados não percebem que o Estado é muito mais e muito mais necessário do que essa coisa ideológica que aprenderam a odiar em discussões de discotecas alimentadas por bebedeiras de shots. O Estado que eles defendem é o da África da infância de Passos Coelho, o Estado dos administradores coloniais formados no antigo Instituto Superior de Estudos Ultramarinos. Estes idiotas estão convencidos que podem ter uma economia moderna com o Estado com quadros superiores a ganhar como empregadas domésticas e com horários de trabalho de serventes de pedreiro.
 
Ainda por cima não sabem fazer contas, algo que começa a ser uma tradição desde que um incompetente chegou a ministro das finanças de Passos Coelho. Estes gulosos têm mais olhos do que barriga e quando fazem as contas ao que poupam com o despedimento dos funcionários públicos esquecem-se de algumas parcelas.
 

Para além dos custos das indeminizações e das reformas antecipadas importa lembrar mais de metade do rendimento bruto de um funcionário público, como de qualquer cidadão, acaba por reverter para o Estado sob a forma de impostos. Isto é, do que se poupa apenas se pode contabilizar metade pois a outra metade seria sempre receita fiscal sob a forma dos mais diversos impostos. Mas como a outra metade deixa em grande parte de ser gasta pelas famílias importa considerar o seu efeito multiplicador negativo e a consequente perda de rendimentos e de impostos em consequência deste corte e isso significa menos impostos e mais subsídios de desemprego.

Umas no cravo e outras na ferradura


 
   Foto Jumento
 
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Graça, Lisboa
   
Imagens dos visitantes d'O Jumento
 
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Médico do sorriso em Maputo, Moçambique [J. de Sousa]
    
 A motivação comum a todos os ditadores

Salvar o país. E quanto mais fracos e mais incompetentes mais empenhados estão na salvação da pátria.
 
 Esta gente não brinca em serviço
 
O CM noticiou que a directora-geral do Tesouro e Finanças apresentou a demissão, isto sucede no dia em que a directora-geral esteve no parlamento e com mais um escândalo envolvendo o sector, os negócios do BPN. Até aqui tudo normal, mas os spin do governo sentiram necessidade de denegrir a senhora e qual foi a melhor forma de o fazer, insinuando que a senhora queria um tacho no governo e este foi-lhe recusado.
 
O Público, um jornal cuja credibilidade há muito que foi perdida, serviu para passar a mensagem. O problema é que a jornalista deve achar que os seus leitores são imbecis pois informa que a directora-geral pediu a demissão no mesmo dia em que o Vítor Gaspar se demitiu, isto é, nesse dia nem o Paulo Portas ainda imaginava que irreversível pode significar reversível se o oportunismo a isso obrigar. Será que a jornalista do Público acha que o novo secretário de Estado do Tesouro e Finanças tinha sido escolhido ainda antes da demissão de Vítor Gaspar?
 
Parece que ali para os lados das Finanças a estratégia de defesa passa sempre por manchar quem se atravesse no caminho, depois de Teixeira dos Santos e do próprio Vítor Gaspar parece que a defesa da agora ministra fez a terceira vítima, a sua própria chefe dos tempos de REFER:
   
 Gostei de ver Eanes defender a salvação da nação cavaquista

Mais o Cavaco até podiam fazer uma associação de políticos que odeiam o PS e já derrubaram governos deste partido. Mas têm mais em comum, a fantochada do PRD foi o passaporte para o poder usado por Cavaco Silva.
   
 Previsão

A primeira reunião da salvação da nação cavaquista realizou-se na sede do PS e o sem ninguém esperar o PSD levou dois militantes que, coincidência das coincidências, pertencem ao governo.

A segunda reunião realizou-se na sede do CDS e o PSD apareceu com a ministra mais amada por aquelas bandas, nem mais nem menos do que Luisinha, a Tóxica.

A terceira reunião realizar-se-á na sede do PSD e seguindo esta lógica é de esperar que o PSD se faça representar pelo Miguel Relvas!
 
 O anormal funcionamento das instituições
 
Portugal tem um Presidente que mantém um governo na plenitude das suas funções mas impede o primeiro-ministro de exercer todas as suas competências, que põe os partidos a negociar em segredo e com um vigia com ele nomeado às escondidas dos portugueses, que usa as eleições como bombom para contrapartidas negociais, que faz chantagem com os partidos ameaçando-os com soluções caudilhistas.

Quando um presidente acha que as eleições são um bombom fazendo da vontade dos portugueses um instrumento de troca ou de chantagem sobre os partidos democráticos só há uma coisa a fazer, correr com esse presidente ao pontapé no rabo para repor o normal funcionamento das instituições.

Passos Coelho pode ser uma desgraça, Portas pode ser o que todos sabemos, o Seguro pode revelar-se fraco, mas todos eles foram tão eleitos quanto Cavaco Silva, todos eles exercem o seu mandato com liberdade e nada, nem mesmo uma suposta salvação nacional, deve interferir no normal funcionamento da democracia. A Constituição da República deve ser respeitada e nela a legislatura tem a duração estabelecida e as circunstâncias em que as eleições podem ser antecipadas estão claramente definidas. Um Presidente que desrespeita os valores da Constituição deve ser demitido.
 
 O erro de Seguro

Aceitar negociar com o partido do presidente sob ameaça foi um erro de Seguro, o líder do PS deveria ter exigido a Cavaco que fosse ele próprio a obrigar o governo, o CDS e o PSD a aproximar posições e a dizer quais as propostas e exigências feitas no passado recente que aceitavam como negociáveis.
 
 Cavaco parte para as Ilhas Selvagens
  
Pode ser que se enganem e tragam uma foca de volta.

 Plataforma de salvação ...

Do Cavaco Silva.
  
   
 O PREC da direita leva o desemprego aos 18,6% em 2014
   
«Os últimos dados conhecidos em relação ao desemprego (maio de 2013) apontam para que atualmente, Portugal tenha uma taxa de desemprego de 17,6%, a terceira mais elevada da União Europeia, ainda distante das taxas registadas em Espanha (26,9%) e Grécia (26,8%).
  
No entanto, em menos de um ano, esse número deverá aumentar e chegar a níveis históricos, podendo atingir os 18,6% em maio de 2014. Quem aponta para esta previsão é a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) que divulgou esta terça-feira um relatório sobre a estatística de desemprego na Europa e em outros países do continente americano e da Oceânia.» [CM]
   
Parecer:

Só? Parecem previsões optimistas.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Espere-se para ver.»
  
 CDS suspende democracia interna
   
«O Conselho Nacional do CDS-PP aprovou segunda-feira à noite a desconvocação do congresso, realizando-se uma nova reunião magna em outubro, depois das autárquicas, tendo ainda ficado decidida a realização de uma convenção autárquica em setembro.» [DN]
   
Parecer:
 
Digamos que o Paulo Portas antecipou uma plataforma de salvação nacional para si próprio no CDS. Enfim, esta direita gosta muito de suspender a democracia.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Vomite-se em cima deste político em busca de palácios.»
   
 Que engraçado
   
«Ainda assim, questionada pelo deputado do CDS-PP Hélder Amaral, Elsa Roncon dos Santos reconheceu a falta de meios para "analisar uma matéria tão complexa", adiantando que "compete ao IGCP, enquanto gestor da dívida pública direta", ficar também com a gestão da dívida pública indireta.

"Em todos os momentos referi a falta de meios, foi recorrente em todas as reuniões, que não era apenas relativo ao dossiê 'swap'", disse, referindo que tentou fazer "uma contratação externa" para resolver o problema de falta de recursos humanos, mas que tal não foi possível.» [Notícias ao Minuto]
   
Parecer:
 
Na hora de explicar as desgraças fundamentais em vez de funcionários a mais que devem ser despedidos há falta de funcionários....
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se com condescendência por quem problemas pessoais.»