sábado, fevereiro 08, 2014

Mais socráticos do que o Sócrates

Há quem diga que Passos Coelho mentiu aos eleitores porque quando chegou ao governo ignorou o seu programa eleitoral mas isso não é verdade, a verdade é que desde que chegou a primeiro-ministro que Passos Coelho foi raptado pelo socratismo e tudo o que faz foi decido pelo governo de Sócrates. O pobre líder do PSD bem se esforça por fazer alguma coisa de seu com a ajuda do Paulo portas, mas é impossível, tudo o que decide é responsabilidade do seu antecessor.
  
O último exemplo de decisão tomada por estas marionetas de José Sócrates foi a decisão de vender os quadros de Miro num leilão longe do país, para que se certificar de que as obras não regressariam ao país, porque quem não tem dinheiro não tem vícios e muito menos quadros do Miro. Passos Coelho e aquele imbecil com uns óculos ridículos bem tentaram uma solução que melhor protegesse os interesses culturais do país, mas foi impossível e ao fim de dois anos e meio a tentar reter as telas o governo foi obrigado a cumprir a decisão do governo de Sócrates de vender as obras.
  
A maior parte dos membros deste governo não devem obediências a Passos Coelho, bem, na verdade são poucos os portugueses que o levam a sério e muitos menos os que lhe obedecem. Quase todos os ministros não passam de humildes cumpridores do memorando que Sócrates lhes deixou para servir de guião. Paulo Macedo, Nuno Crato, e quase todos os seus pares mais não fazem do que cumprir escrupulosamente o memorando de Sócrates.
  
Há um ou outro caso em que se registam divergência, como é o caso da louraça da Justiça que fechou menos tribunais do que o que Sócrates lhe tinha sugerido ou, no outro lado, os que são mais socráticos do que Sócrates e vão para além do memorando, o modelo deste virtuosismo socrático é o próprio Passos Coelho que avisou logo que queria ir mais longe do que o que Sócrates lhe ordenava no memorando, outro extremista do socratismo é o Nuno Crato, por vontade dele em vez de sortear um carro o fisco devia sortear o acesso ao ensino primário obrigatório, quem tivesse a factura da sorte ganhava o direito à terceira classe com isenção de propinas.



Umas no cravo e outras na ferradura


 
   Foto Jumento
 

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Pobres mas lavadinhos, Vila Real de Santo António
  
 Jumento do dia
    
Barret"e" Xavier, um coisinho que é governante

Um dos traços comuns alguns governantes incompetentes e cobardolas deste governo é nunca terem fundamentos para as suas decisões, recorrendo sempre à desculpa de que foi decidido pelo anterior governo ou que estava no memorando. Ao fim de quase três anos é ridículo que alguém invoque qualquer decisão anterior quando poderia ter decido em contrário. Repugnante.

«No esclarecimento que o gabinete do secretário de Estado da Cultura fez chegar ao Parlamento, lê-se que a decisão de vender as obras de Joan Miró partiu do anterior governo, que este veio a confirmar. Canavilhas quer ver provas.

Gabriela Canavilhas entregou ontem um requerimento parlamentar em que solicita ao secretário de Estado da Cultura que apresente comprovativo daquilo que escreveu num esclarecimento à Assembleia da República acerca do chamado caso Miró. No documento enviado à Comissão de Educação, Ciência e Cultura, ao qual o DN teve acesso, Jorge Bareto Xavier alega que a decisão de vender as 85 obras do artistas catalão remonta ao anterior executivo e que este apenas veio "confirmar" a venda.

A ministra da Cultura no tempo do governo de José Sócrates alega que esta declaração é falsa e quer que Barreto Xavier apresente comprovativos daquilo que afirmou. "Se não o fizer é porque está a mentir ao Parlamento", diz a agora deputada socialista ao DN.» [DN]

 
 Um governo mais socrático do que o Governo de Sócrates

Ontem a louraça justificou decisões na Justiça com o memorando, hoje de manhã a ministra da Agricultura elogiou a sua acção com resultados de políticas anteriores à sua, o secretário de Estado da Cultura diz que não governa, o que faz já tinha sido decidido por Sócrates. Conclusão, nem mesmo um governo de José Sócrates seria mais socrático do que este.
 
 Os Dux

Quando vejo palermas auto designarem-se como Dux imitando o título de Mussolini até sinto vómitos. E ainda há quem designe estas praxes como uma forma de integração dos caloiros, brincadeiras violentas conduzidas por pequenos tarados fascistas.
 
      
 O Leopardo da praxe
   
«A praxe é hierárquica, é machista, é sexista. São características intrínsecas à praxe da Universidade de Coimbra e quando isso deixar de existir, deixa de ser a praxe da UC." Quem disse isto? Só pode ter sido um inimigo das praxes, dos que, como temos ouvido de quem as defende, "nunca as experimentou, portanto não sabe do que fala", não atingindo o quanto estas "tradicionais" práticas, que a história nos garante terem feito mortos e estropiados desde que delas há registo (foram proibidas no século xviii, devido a mortes), são necessárias para a "integração" dos "caloiros" que, asseguram-nos, a elas aderem voluntária e entusiasticamente.

Quem disse aquilo não pode, decerto, ter estado do lado dos "prós" na RTP, do qual só ouvimos que tudo o que cheire a hierarquia arbitrária, a machismo e a sexismo - portanto a humilhação e abuso -, a estar "de quatro", rebolar na lama e fezes, ser obrigado a simular atos sexuais, ser agredido fisicamente e insultado, "não é a verdadeira praxe". Como, já nos tinham dito, inclusive um ex-praxista secretário de Estado, "a verdadeira praxe" nada tem que ver "com o que se passou no Meco" - sendo então que há mais quem, para além do sobrevivente, a saber que raio.

Não: quem disse tais palavras apenas refere o que os "códigos" praxísticos estatuem. O mais antigo (1957), pai de todos os outros, é o de Coimbra. Nele se elencam, além da hierarquia dos universitários, em que os novatos são "animais", "bichos" ou "bestas" (noutros locais "vermes"), os castigos físicos a aplicar aos "faltosos" - "ir às unhas" (bater) com uma colher de pau ou um sapato e cortar o cabelo (nem sempre da cabeça; em 2007 um caloiro coimbrão foi parar ao hospital com o escroto rasgado por um "rapanço") - e se prevê que quando o sancionado não queira aceitar a sanção possa "jogar à pancada" com o chefe dos sancionadores ou ser "imobilizado" para o efeito.

Tudo coisas giras e sem mal, pelo que é comum ser perguntado aos caloiros "se têm algum problema físico ou psicológico", não vá algum ficar-se nas prazerosas atividades. Tudo coisas rigorosamente voluntárias, daí vários códigos especificarem que o estatuto de objetor tem de ser requerido à "comissão de praxe" que pode ou não concedê-lo - no da Universidade do Minho (2011) impõe-se ainda que ao não praxado ficará vedada "qualquer festividade académica" e a sua foto "será afixada" em vários locais do campus.

Ameaças, coação, perseguição, violência, arbitrariedade, sexismo, machismo: é isso a praxe. Dizem os "códigos" e o autor das palavras citadas, João Jesus, há 24 anos matriculado na UC e dux (chefe praxista) lá do sítio. Ou dizia-o em 2012 ao jornal universitário de Coimbra: esta semana, na RTP, saiu-lhe "a praxe tem de evoluir para subsistir." Cinismo, sim (a TV não é A Cabra), mas sabedoria, também. Há pelo menos 24 anos que sabe que estas indignações vêm e vão, e tudo fica na mesma.» [DN]
   
Autor:
 
Fernanda Câncio.
      
 De quem era a mala?
   
«Denunciada que foi a monumental trapalhada da expedição ilegal para Londres da colecção de Joan Miró, o Governo dedicou-se à sua especialidade do costume: passar culpas.

Desta vez, a fava saiu à Christie's, uma das mais prestigiadas empresas do mundo em leilões de obras de arte. O que se viu não é bonito. Nem verdadeiro.

A tentativa desesperada de passar culpas começou logo na intervenção insólita do secretário de Estado da Cultura - que aliás revelou em todo este processo a sua total irrelevância e o grau zero a que chegou a política cultural. Depois de incrivelmente tentar responsabilizar o governo do Partido Socialista pelo "buraco do BPN" (só lhe faltou dizer que o BPN era um banco socialista...), o secretário de Estado esforçou-se por imputar ainda ao anterior governo o início do processo de venda da colecção Miró - mesmo sabendo que isso é totalmente falso.

Na verdade, basta consultar o Relatório e Contas de 2012 da sociedade detentora da maior parte das obras, a Parvalorem (assinado já pelo seu actual presidente, o insuspeito Francisco Nogueira Leite, ex-administrador da Tecnoforma), para se perceber que o processo de alienação da colecção Miró apenas teve início a partir do final desse ano. Para que não restem dúvidas e não se insista na mentira, passo a transcrever: "O processo de inventariação e determinação de propriedade e localização das Obras, revelou-se bastante complicado pela sua dispersão física e documental, pelo que só no final do ano 2012, foi possível apresentar um Plano de Atuação relativo ao portfólio (...). Relativamente à coleção Miró, a tomada de posse efetiva da totalidade do portfólio ocorreu apenas no passado mês de Dezembro, pelo que se prevê a curto prazo o INÍCIO do processo de alienação" (cfr. pág. 25, sublinhado nosso).

Mas se o Governo não pode fugir à responsabilidade pela decisão - que é exclusivamente sua - de vender a colecção Miró, também não é aceitável que, com tanta ligeireza, pretenda transferir para a leiloeira Christie's todas as responsabilidades pela expedição "manifestamente ilegal" daquelas obras de arte. É certo, o Governo apressou-se a desmentir a notícia do Expresso segundo a qual a colecção de Miró teria sido expedida para Londres através de "mala diplomática". Tomámos boa nota dessa informação. Subsiste, porém, uma perguntinha maçadora: afinal, de quem era a mala?

Entendamo-nos: quando se refere uma "expedição manifestamente ilegal da colecção Miró" do que estamos a falar é do trânsito pela fronteira, de Lisboa até Londres, de uma vastíssima colecção de nada menos de 85 (!) obras de arte, algumas delas de enormes dimensões, no valor total de várias dezenas de milhões de euros e que terão viajado, ao que parece, desacompanhadas das necessárias autorizações e respectivas guias de transporte. A ideia de que a experiente e prestigiada leiloeira Christie's, conhecedora como é dos procedimentos legais, aceitou, por sua própria conta, prestar um tal serviço e concretizou, sem qualquer cooperação das entidades públicas, uma operação tão flagrantemente irregular, é tudo menos convincente. O Governo precisa de fazer muito mais para apresentar uma história mais bem contada.

E não se pense que o cumprimento da lei é, como se pretende fazer crer, uma mera formalidade burocrática. Cumprir a lei, neste caso, é um meio essencial para garantir a salvaguarda do património cultural. De facto, é em nome desse património cultural que se exigem todos os pareceres, todas as autorizações, toda a transparência e toda a responsabilidade. Quando 85 obras de arte, no valor de dezenas de milhões de euros, saem ilegalmente do País, a primeira pergunta que exige resposta é esta: quem era, afinal, o dono da mala?» [DE]
   
Autor:

Pedro Silva Pereira.
   
   
 O pós troika quando nasce não é para todos
   
«O Presidente da República afirmou esta sexta-feira serem legítimas as expetativas das Forças Armadas de que "as reformas necessárias" e em curso "não sejam percebidas apenas como um exercício de rigor orçamental".

Cavaco Silva, que discursava na tomada de posse do novo Chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas (CEMGFA), general Pina Monteiro, frisou também que "o envolvimento dos chefes [militares] no estudo, desenvolvimento e execução das reformas é uma prática que assegura que a especificidade da instituição é tida em devida conta no processo de tomada de decisão".» [DN]
   
Parecer:

Aquele que acha serem constitucionais cortes abusivos nas pensões e vencimentos, que quer amarrar a oposição a falsos consensos e que defende a continuação da presença da troika através de um plano cautelar já anda a pedir o fim do ajustamento para os seus.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se de dó.»
  
 E nem era necessário
   
«Muito crítico em relação à forma como a troika actuou nos países europeus ajudados, o eurodeputado socialista afirma que as medidas impostas não foram decididas em nenhuma estrutura democrática, mas impostas pelos tecnocratas. Aponta o dedo à Comissão Europeia, presidida por Durão Barroso, por não ter sido "garante do direito comunitário". E afirma que, em Portugal, o Governo aplicou medidas de austeridade mais duras e com "coisas bastante opacas", como a privatização da EDP. O relatório de que é co-autor vai ser discutido em Março no Parlamento Europeu.» [Público]
   
Parecer:

O eurodeputado não tem relação ao governo português, foi este que agarrou o cano da pistola e meteu-o junto à cabeça.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»
   
 O Silva Carvalho é burro
   
«A defesa de Jorge Silva Carvalho, o ex-director do Departamento de Informações Estratégicas e Defesa (SIED) acusado de violação de segredo de Estado, abuso de poder e corrupção passiva no caso das secretas, argumentou hoje, ao início da tarde, perante a juíza de instrução que, se todas as testemunhas disseram que o ex-espião era um "homem inteligente", "só o Ministério Público não tem essa opinião de Silva Carvalho".

Porque caso tivesse, defendeu o advogado João Medeiros, o MP não diria que "Silva Carvalho e Nuno Vasconcellos se concertaram e que Vasconcellos lhe pagava apenas para usar os contactos que tinha nos serviços".

"A primeira interrogação que se coloca é: por que é que Silva Carvalho se deu ao trabalho de sair dos serviços? Porque não se manteve no cargo de director do SIED? Manter-se-ia a coberto desse cargo, passaria a informação que quereria ao Nuno Vasconcellos e receberia uma contrapartida qualquer através de uma sociedade veículo", sugeriu a defesa do ex-espião, que começou por dizer que o factor tempo era fundamental para Silva Carvalho já que "não obstante o badalado lugar na PCM continua em casa e sem remuneração, continuando exclusivamente a viver do ordenado da mulher".» [i]
   
Parecer:

O homem paga a advogados para defenderem que não é burro!
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se a merecida gargalhada.»
   
   
 Mais um importante passo em frente
   
«A ministra das Finanças, Maria Luís Albuquerque, considerou hoje que a privatização da Caixa Seguros é mais um "importante passo" no processo de ajustamento da economia portuguesa, que está cada vez "mais aberta".

"Esta operação representa mais um passo importante no processo de ajustamento", afirmou Maria Luís Albuquerque, durante a cerimónia de assinatura do contrato de venda das seguradoras da Caixa Geral de Depósitos (CGD) à companhia chinesa Fosun International, no Ministério das Finanças, em Lisboa.

Segundo a responsável, a "economia portuguesa está mais aberta" e preparada para competir num mundo cada vez mais globalizado.» [i]
   
Parecer:

Só alguém que estudou numa Lusíada viria chamar um grande passo no sentido da abertura do mercado à venda dos seguros da CGD a um país comunista. Esta rapaziada da Lusíada até tem a sua graça.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Mais uma gargalhada.»
     

   
   
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sexta-feira, fevereiro 07, 2014

Mais uma Santinha da Ladeira

Com menos alarde do que a Santinha da Horta Seca a Santinha Cristas tem vindo paulatinamente a fazer passar a mensagem de que está ocorrendo um verdadeiro milagre na agricultura portuguesa, sector a que Paulo Portas dá a maior  prioridade, como facilmente se compreende pelo rico guarda-roupa e vasta colecção de chapéus com que o líder do governo do táxi (quatro ministros e um secretário de Estado a conduzir) se apresenta quando se desloca a feiras e outros salamaleques agrários.

Surpreendida pelos dados relativos ao abandono do sector agrícola em 2013 a ministra não perdeu tempo a responder, usando os dados estatísticos do costume, misturando dados de uma década, com dados mais recentes, como se os da década representassem uma tendência e os mais recentes fossem o resultado da sua governação.
  
Perante os dados a ministra veio logo dizer que há ciclos e que no terceiro trimestre há sempre uma redução de emprego. Isto é, a ministra ignora que apesar dos famosos programas de oferta de terras a jovens do CDS e do PSD e das notícias dando conta da deslocação de gente das cidades para os campo, a população agrícola diminuiu. Mas  como os dados são dados a santinha não se descose e recorre aos dados estatísticos para dizer que “menos emprego não significa menos rendimento”, recorrendo a dados de 2013 para o provar, o sector cresceu 4,8% em volume, de Setembro a Novembro as exportações cresceram 9,3% e a produtividade do trabalho agrícola cresceu 33,3% entre 2000 e 2013.
  
Isto é, em relação ao emprego a ministra sabe que há ciclos, mas em relação às exportações já o ignora e tenta insinuar que apesar da redução substancial do emprego no último trimestre de 2013 ocorreu um brutal aumento das exportações. Mas a senhora não explicou ao que se devem tais exportações, isto apesar de se saber  que na agricultura tudo é sazonal, exportação, emprego e exportações.
  
Já há algum tempo que a ministra usa e manipula os dados fazendo passar a ideia de que na Agricultura, à imagem do que sucede em todas as pastas do governo do táxi, ocorreu um milagre. De certa forma a ministra até parece ter razão, não tendo feito nada digno de nota, a não ser a dispensa dada aos funcionários para não usarem gravata a fim de poupar na energia consumida pelo ar condicionado, tudo o que de bom possa ter sucedido na agricultura só se pode dever à excelente relação entre Deus e o pessoal do CDS.
  
A ministra farta-se de invocar o aumento das exportações mas parece ignorar que em dois anos e meio de governação tal fenómeno só seria atribuível às suas rezas e promessas se esse aumento se devesse a uma repentina procura externa por folhas de couve-galega para a produção de caldo verde. Na agricultura nada sucede de significativo em tão pouco tempo sem grandes investimentos públicos ou privado e tanto quanto se sabe o investimento público no sector é digna de uma caixinha das esmolas, isto para usar uma linguagem financeira mais acessível.
  
Um bom exemplo do milagre das exportações e que não raras vezes é exibido pela ministra é o do aumento da exportação de azeite. O que a ministra se esquece sempre de dizer, neste como noutros sectores, é que o aumento das exportações resultou da plantação de  vastos olivais num tempo em que a ministra ainda não sabia distinguir uma alface de um repolho. A ministra passa o tempo a chamar a si o sucesso de alguns sectores, escondendo que na maior parte dos casos está perante o resultado de investimentos do tempo do maldito Sócrates.

O que a ministra faz mais não é do que revelar-se uma excelente aluna de Paulo Portas, a única diferença é que não é tão descarada como o chefe que mudou o nome ao Magalhães para melhor o exibir como sucesso da sua diplomacia económica. Convenhamos que seria demasiado ridículo.

PS: Um deputado francês do parlamento europeu acusou a troika de meter uma pistola à cabeça dos países vítimas da sua intervenção. Tem toda a razão em relação à Grécia e à Irlanda. No caso português o primeiro-ministro não foi vítima dessa ameaça, foi ele que imitando um famoso participante num concurso televisivo berrou “Ponha! Ponha! Ponha!”.
  
  

Umas no cravo e outras na ferradura


 
   Foto Jumento
 

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Sinal de trânsito, Évora
  
 Jumento do dia
    
Luís de Almeida Sampaio, novo encarregado de educação do país

O embaixador de Portugal na Alemanha devia ser transferido para o Haiti, ao armar-se em conselheiro do país dizendo aos partidos o que devia fazer este embaixador comporta-se mais como alguém que está Haiti do que como embaixador num país democrático.

«O embaixador de Portugal na Alemanha, Luís de Almeida Sampaio, considera que a coligação do governo de Angela Merkel deveria servir de exemplo para Portugal.

Almeida Sampaio discursava para uma plateia de dezenas de empresários portugueses do sector agrícola e agroindustrial, que durante três dias estão em Berlim a promover a exportação dos seus produtos no maior evento mundial do sector das frutas e legumes.

Numa alusão direta à falta de entendimento entre os partidos do governo e os da oposição, o diplomata disse ainda que está na altura de Portugal mostrar à Alemanha e também ao resto da Europa que vai ser um caso de sucesso e que vai conseguir superar a situação de crise económica e financeira em que se encontra mergulhado.» [Expresso]

 
 Coisa estranha

Já há uns dias que a Santinha da nossa devoção não faz nenhum milagre, terá metido férias, emigrou ou graças à coordenação económica do Paulinho dos submersíveis finalmente arranjou emprego como doméstica?
 
      
 O menino da lágrima
   
«Sou precário como tu, diz o pai cinquentão ao filho 25 anos mais novo - os dois mileuristas, 500 euros por mês cada um. Já têm sorte, têm emprego, duas gerações que se cruzam de repente a fazer contas à vida. Há 827 mil desempregados oficiais no País, mais uns milhares que vegetam por aí, outros tantos que já emigraram, outros que irão emigrar e outros ainda aceitam empregos quase-empregos abaixo do que valem. São sobrequalificados, viram hambúrgueres, fazem segurança em empresas, ocupam-se dos call centers multilingues e multitasking.
São licenciados, são os novos portugueses do Leste, estão a leste da nova economia. Fazem como os ucranianos - professores, investigadores, etc. - fizeram para sobreviver: tornaram-se pintores, operários e domésticas. Só que não precisam de emigrar, mudam de pele aqui onde nasceram. Educadíssimos, competentíssimos, exploradíssimos; e humildes, claro, isso é muito relevante, porque este é um movimento com futuro em Portugal. A desvalorização interna é surrealismo económico puro.

Joan Miró também era surrealista. A certa altura usava muito a sucata nas suas obras. Há qualquer coisa de simbólico nesta história. O Governo, a coleção Miró e os dispensáveis de Portugal, tudo desconchavado. É a obra--prima do endividamento socrático, banhada pela austeridade de lata passista. Portugal é o resultado destas trips políticas. Não é arte, é engenharia social que vira o país de cabeça para baixo.

A coleção Miró. O Governo quis vender tudo e anunciou-o no Parlamento há ano e meio. A oposição, como a raposa, fez-se distraída; e a pindérica Secretaria de Estado da Cultura, orgulhosa delegação do Ministério das Finanças, agiu em conformidade: venda-se por 35 milhões de euros para baixar o défice e pagar a saúde pública. A saúde sempre em primeiro lugar - já não se pode dizer os velhos em primeiro lugar. Não importa que 35 milhões sejam uma ninharia (0,017% da dívida pública; 0,8% do que o defunto BPN deve à Caixa). A aritmética e o rigor, neste caso, atrapalham. Só interessam os princípios.

Abram alas aos princípios, vendam-se os quadros, o Miró nem sequer é português, é espanhol, e só "uma certa intelectualidade" se arrebita com essas coisas da arte. A cultura não produz, logo não existe. E os turistas? Os turistas têm o fado, o golfe e as praias. E as empresas, as fundações, não haveria para aí um mecenas, um Joe qualquer, que pudesse ficar com a coleção ou parte dela? Isso são detalhes. No Portugal pós-troika o pai é precário, o filho é precário, o neto... neto não haverá tão cedo, e nenhum deles tem vagar para visitar museus. Deixem-se de lirismo: somos pobres, no máximo podemos contemplar o menino da lágrima.» [DN]
   
Autor:
 
André Macedo.
   
   
 Mais pedidos de inconstitucionalidade
   
«"O provedor de Justiça considera que a imposição da condição de residência por aquele período de tempo desrespeita os princípios constitucionais da universalidade e da igualdade, distinguindo cidadãos portugueses em razão do tempo de residência no país", lê-se no comunicado divulgado no site da provedoria.

José Faria da Costa pediu ainda aos juízes do Palácio Ratton que avaliem duas normas referentes ao Orçamento de Estado para 2014, reconhecendo a existência de outros pedidos de fiscalização e "restringindo-se à argumentação passível de contibuto válido e diferente para a valoração que incumbirá ao Tribunal Constitucional fazer".» [DN]
   
Parecer:

Parafraseando a presidente dessa coisa a que insistem chamar parlamento o governo sofre de inconseguimento constitucional agudo e permanente.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»
  
 Extrema-direita madeirense impede celebração do 25 de Abril
   
«A maioria do PSD na Assembleia Legislativa da Madeira rejeitou hoje uma proposta do PS que visava a criação de uma comissão regional mista para a celebração dos 40 anos do 25 de abril, apresentada com processo de urgência.
  
A proposta socialista foi apoiada por todos os partidos da oposição (CDS, PTP, PND, PCP, MPT e PAN) e tinha por objetivo a comemoração do 25 de abril no parlamento madeirense "num ato solene, de forma condigna e consensualizada" , declarou o deputado Maximiano Martins.

"Resta saber qual a forma e onde porque, com certeza não será nesta casa [Assembleia Legislativa da Madeira] porque o PSD tem medo", opinou.» [DN]
   
Parecer:

Canalhas? Comem na mão que lhes deu de comer.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Mandem-se esses fascistas envergonhados á bardamerda.»
   
 Nem todos se vergam aos bárbaros
   
«A subdiretora-geral do Património Cultural Anabela Antunes Carvalho encontra-se demissionária desde a passada terça-feira, dia em que a Christie's suspendeu o leilão em Londres dos 85 quadros de Miró da coleção do BPN.

Contactada pelo Expresso, Anabela Carvalho confirmou ter pedido ao secretário de Estado da Cultura, para cessar as funções que desempenha desde janeiro de 2013. Barreto Xavier ainda não lhe deu qualquer resposta.

Anabela Carvalho considera não ter condições para permanecer no cargo, depois do pedido de afastamento da diretora-geral do Património Cultura, Isabel Cordeiro devido a "divergências profundas em relação às estratégias para o património".» [Expresso]
   
Parecer:

Mas há sempre candidatos a boys.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Aprove-se o gesto»
     

   
   
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quinta-feira, fevereiro 06, 2014

O ingovernamento

Enquanto a presidente que o PSD escolheu para substituir o Dr. Fernando Nobre à frente daquilo a que insistimos em designar por parlamento anda preocupada com o inconseguimento, aquele que é titular do cargo de Presidente da República, cargo que em tempos teve um grande prestígio, anda a elogiar o imprego, o governo dedica-se ao ingovernamento.
  
O governo não governa, não desgoverna, limita-se a ingovernar, se desgovernasse seria uma espécie de não governa nem sai de cima, mas não o governo não sai de cima mas trabalha que se desunha, mantém uma intensa actividade de ingovernamento. Veja-se o que sucede com o desemprego, cujos dados foram tão elogiados pelo condómino mais famoso da Coelha, o empenho do homem no apelo ao elogio nacional ao ingovernamento na política de emprego era tal que torcia-se quase tanto como se estivesse a comer bolo-rei. Pois o emprego é um bom exemplo de ingovernamento, o governo nem cria emprego nem manda ninguém para o desemprego agora que o temível Gaspar desapareceu, o governo tudo faz para que os trabalhadores desapareçam, só jovens foram mais de cem mil, e desta forma diminui a taxa de desemprego. Isto é , um dia destes Portugal não tem um português com emprego mas o INE é obrigado a declarar que estamos com pleno emprego.
  
Outro bom exemplo é o que sucede com o financiamento das bolsas de investigação científica emq eu se registou uma redução brutal. Mas podemos ficar descansados, finalmente Passos Coelho encontrou uma gordura onde cortar e com o seu ingovernamento conseguiu reduzir o financiamento a metade e ao mesmo tempo assegurar mais investigação e, como começou por defender inicialmente, investigação dirigida para a indústria nacional. Graças a este ingovernamento os nossos cientistas vão deixar-se de investigações inúteis como essa coisa dos ecrãs transparentes ou da cura do cancro, vão investigar qual deve ser a largura do buraco da agulha dos sapateiros que possa conduzir a mais produtividade e menos ferroadas nos dedos. E porque não transformar o país no maior produtor mundial de arame farpado cruzando os abundantes ouriços-cacheiros com as minhocas que encontramos em qualquer quintal?
  
Os exemplos de ingovernamento multiplicam-se e nas Finanças abundam, basta ver o que sucede com os orçamentos, durante o ano são aprovadas várias versões, todos eles com dados e previsões erradas, mas quando chegamos ao fim do ano o défice foi quase igual ao do ano anterior e é declarado de imediato o sucesso na consolidação das contas públicas.
  
 
 

Umas no cravo e outras na ferradura


 
   Foto Jumento
 

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Bairro da Bica, Lisboa
  
 Jumento do dia
    
Cavaco Silva

De um economista espera-se rigor, a um presidente espera-se honestidade, a um economista que se candidatou a presidente exibindo os seus conhecimentos de economia exige-se rigor, honestidade e a explicação dos fenómenos económicos sem recurso a artimanhas e truques de linguagem. Ao elogiar a descida milimétrica do desemprego, chegando a pedir aos portugueses para elogiarem os novos dados, Cavaco não está sendo nem honesto, nem rigoroso, nem comportando-se como um economista.

É impossível falar de tendências ou elogiar dados de desemprego sem a mais pequena análise do mesmo, ignorando como esta taxa é determinada, esquecendo ostensivamente que a taxa é tão influenciada pela criação de emprego como o é pela desistência de busca de emprego ou pela emigração. Dizer que houve uma alteração de tendência ignorando estes factos é uma análise digna de um taberneiro, não é aceitável num economista, num presidente e muito menos num economista que exibiu os seus conhecimentos de economia como uma vantagem para ser presidente.

Mas não é apenas no domínio da economia que Cavaco fica longe do que se espera de um presidente, mais grave ainda no domínio do mais essencial da democracia, o debate e a luta política, Cavaco revela fragilidades pouco dignas, já por várias vezes desvalorizou o debate entre políticos, agora designou o debate em torno das obras de Miró como um arma de arremesso político. Mas que raio de presidente é este que o país tem que só vê vantagens na democracia para ajudar a derrubar governos democráticos ou para se fazer eleger?
 
Começa a ser um hábito, sempre que o seu governo está em dificuldades no debate público Cavaco Silva arranja um qualquer argumento e vem falar em armas de arremesso político, tentando desvalorizar as críticas da oposição. Desta vez foi mesmo ridículo, começou por dizer que não ia intervir no debate sobre as obras de Miró porque o assunto corria nos tribunais, mas acabou mais uma vez por o fazer de uma forma obscura, voltando ao argumento pouco digno das armas de arremesso. Cavaco e Passos Coelho tudo fazem para eliminar qualquer forma de debate político, umas vezes com o argumento do consenso, outras porque são armas de arremesso, na verdade pretendem silenciar toda e qualquer voz discordante.

«"São números extremamente positivos que não podem deixar de ser aplaudidos", disse hoje Cavaco Silva em reacção à diminuição da taxa de desemprego para 15,3% no quarto trimestre hoje anunciada pelo INE.

"Pela primeira vez nos últimos anos revelam uma melhora não só relativamente ao trimestre anterior, mas também comparativamente com o período homólogo", disse. "Continuam a ser um valor alto, mas o importante é termos invertido a tendência", concluiu o Presidente da República.» [DE]
 
 O desemprego só pode descer

Não é preciso ser um grande economista, nem sequer um especialista em conseguir lucros fáceis com negócios duvidosos de acções não cotadas, para se perceber que mesmo que não seja criado um único emprego a taxa de desemprego desce, bastando para tal que não haja um agravamento da recessão.

Para isso contribuem os seguintes factores:

  • A emigração,
  • A desistência de muitos desempregados de encontrar um novo emprego,
  • A não inscrição nos centros de emprego de muitos jovens quadros que procuram o primeiro emprego que sabem que estes centros não lhes irão encontrar emprego qualificado.
  • A reforma de muitos desempregados de longa duração que atingem a idade de reforma ou com que podem solicitar a reforma antecipada.

Mesmo que seja criado algum emprego importa saber que tipo de empregos foram criados, se foram quadros ou empregadas domésticas, se foram empregos estáveis ou sazonais, se foram empresas estabelecidas a criá-lo ou novas empresas, se resultaram ou não de investimento.

Por outro lado, as empresas que pretendiam despedir ou já o fizeram ou enfrentam limites legais, as dificuldades económicas que possam ser sentidas já não geram os níveis de despedimentos dos primeiros tempos da crise, até porque as empresas menos eficientes há muito que foram eliminadas, se não sobrevivem à custa da desregulamentação e da evasão fiscal e contributiva.

Analisar o desemprego da forma como os nossos políticos da situação o fazem só pode revelar uma de duas coisas: incompetência ou falta de honestidade.
 
      
 A esperança exige luta
   
«Paulo Portas foi num instantinho a Espanha e falou um bocadinho em portunhol. Vi, na televisão, pressurosa a transmitir o magno acontecimento, o chefe do CDS, muito ancho, sorrindo a glória do instante. A cena ocorreu na Convenção do Partido Popular espanhol, e os dirigentes sorriam, não se descortinou se de gozo se de cortesia. Porém, o que Portas disse não foi de molde a suscitar a alegria dos distintos. "Venho trazer-lhes boas notícias de Portugal." O mal-estar foi nítido. Rajoy olhou, apreensivo, para a senhora a seu lado, e o semblante turvou-se--lhe, sobretudo quando o orador asseverou que Portugal estava à beira de ser feliz e muitíssimo livre, com a ida da troika para os limbos.

Está por esclarecer o que deu origem ao facto de Portas substituir Passos no palco da Convenção, porque as regras consuetudinárias exigem a reciprocidade nestes assuntos. Depois, o PSD e o Partido Popular são "irmãos" na Europa e nos desígnios. O CDS, neste caso, é uma excrescência. Aliás, os representantes do PSD estavam remetidos para as filas do fundo. Embalado no contentamento juvenil de dizer coisas que não são exactas, e de ter com a verdade uma relação assaz conflituosa, Paulo Portas esqueceu-se, pouco diplomaticamente, de a Espanha estar a atravessar uma crise gravíssima, sem fim à vista.

Quanto a nós. A dívida pública portuguesa aumentou assustadoramente; o desemprego é medonho; os cortes nos rendimentos das pessoas, com particular incidência nos reformados, nos pensionistas e nos funcionários, são infames; 140 mil jovens foram, até agora, coagidos a emigrar; a investigação científica está a esboroar-se, com um ministro esburacado que traiu os testamentos legados; cada vez há menos estudantes nos cursos superiores; o Serviço Nacional de Saúde, a jóia da coroa, está a ser atingido de morte; a Justiça é uma amolgadela social e moral; a Segurança Social mingua a olhos vistos. Ora bem: pode alguém mentir assim tanto e apregoar virtudes que lhe não cabem?

Sei muito bem que toda esta aldrabice faz parte de uma estratégia ideológica das direcções políticas ocidentais, articulada na esterilidade de ideias, no esvaziamento do debate, na manipulação dos valores que conduzem ao desprezo pela política e à ascensão da insignificância e da futilidade. A política passou a ser obliterada e substituída por "gestores" e "economistas" que possuem do facto social uma noção de insensatez. Estou a lembrar-me do banqueiro Ulrich, que, desaforado, teve o descoco de afirmar, em resposta a uma pergunta sobre se a população aguentaria tantos sofrimentos: "Ai, aguenta, aguenta!"

O desgosto que nos assola é demasiado. A nossa tristeza torna-se endémica. Mas sou autor de uma frase muito citada, que continuo a sublinhar: a esperança tem sempre razão. No entanto é preciso lutar por ela. Pela esperança.» [DN]
   
Autor:
 
Baptista Bastos.
      
 Em defesa do trouxe-mouxe
   
«Eu fui trouxe-mouxado e trouxe-mouxei e estou farto de ouvir debates que falam do trouxe-mouxe sem saber o que é o trouxe-mouxe. Para já, nenhum caloiro que nasce em Portugal é obrigado a fazer trouxe-mouxe. Só é trouxe-mouxado quem quer. E ser trouxe-mouxado ajuda o caloiro a integrar-se no Portugal dos trouxe-mouxes, atabalhoado e à lagardère: por exemplo, o dos "Mirós" vendidos ao desbarato. Como é que julgam que se chega lá? Os verdadeiros adeptos do trouxismo nunca estudam, passam anos e anos nas associações de jovens a aprender como se ganha os partidos a trouxe--mouxe e por isso chegam a dux do governo e a dux da oposição. O código do trouxe-mouxe da Academia da República é claro: cumprindo a tradição epidémica - até porque a causa das epidemias são geralmente os parasitas - rapidamente teremos um Portugal vestido de preto, submisso e rastejando com pedras amarradas aos pés, desnorteado, para glória da confusão do trouxe-mouxe. E quem for trouxe-mouxado, hoje, fá-lo convicto de que amanhã trouxe-mouxará outros, sempre na certeza de que - abrenúncio! - nada será feito estudado, pensado, debatido e programado. O Portugal do trouxe-mouxe estará, então, pronto para enfrentar a onda, à sua maneira. Isto é, não estará. E, então, quando a onda vier e o desastre se consumar, iremos dizer: não houve trouxe-mouxe. Foi um acidente. E será verdade, claro que foi. Acidente é o outro nome de Portugal.» [DN]
   
Autor:

Ferreira Fernandes.
   
   
 ONU quer padres pedófilos na justiça
   
«A organização pediu ao Vaticano para assumir as suas funções e revelar imediatamente "todas as pessoas suspeitas de abuso sexual e levar esses casos às autoridades judiciais competentes para investigação e julgamento".

O comité sublinhou no relatório, publicado hoje em Genebra, a "sua profunda preocupação quanto aos abusos sexuais de crianças por membros da Igreja Católica sob a autoridade da Santa Sé, com religiosos implicados em abusos de dezenas de milhares de crianças no mundo".

"O comité está profundamente preocupado pelo Vaticano não reconhecer a extensão dos crimes cometidos e não tomar as medidas necessárias para tratar de casos de abusos sexuais de crianças e proteger estas crianças, não aplicando políticas e práticas que levam ao julgamento e punição destes abusos.» [Notícias ao Minuto]
   
Parecer:

Parece que ao papa Francisco não chegarão as boas intenções.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Espere-se para ver a resposta do papa Francisco a este cancro.»
  
 Asfixia quê?
   
«O Conselho Nacional de Ciência e Tecnologia tem em mãos um documento interno cuja divulgação estará a ser retardada devido ao tom crítico com que se refere às políticas do Governo para a área da ciência e da investigação em Portugal. A RTP online sabe que, face à dureza das conclusões, o texto está a ser negociado há vários dias pelos conselheiros, que não se puseram ainda de acordo quanto à sua divulgação.
Trata-se de um comunicado de imprensa que aponta a preocupação do conselho "com a redução do número de bolsas individuais atribuídas pela FCT no concurso de 2013", uma decisão que apanhou a comunidade científica de surpresa, causando "instabilidade ao sector". O conselho sublinha que a polémica em torno desse concurso "abalou a confiança dos investigadores".

O documento em causa, a que a RTP online teve acesso, resume as conclusões da reunião de 23 de janeiro do Conselho Nacional de Ciência e Tecnologia (CNCT), na qual participou Leonor Parreira, a secretária de Estado da Ciência, e Miguel Seabra, presidente da Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT). O CNCT é um órgão consultivo presidido pelo primeiro-ministro e é composto por personalidades prestigiadas na área de ciência e tecnologia. Do grupo fazem parte investigadores como António Coutinho, Alexandre Quintanilha, Elvira Fortunato, Maria João Valente Rosa, Mónica Bettencourt-Dias ou Pedro Magalhães. » [RTP]
   
Parecer:

Em tempos o pequeno Montenegro, actual líder parlamentar do PSD, chamava a isto asfixia democrática.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Aguarde-se.»
   
 A culpa é da Christie's
   
«O primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, responsabilizou hoje a leiloeira Christie's por todo o processo de venda dos 85 quadros de Joan Miró.

Em declarações aos jornalistas, Passos Coelho garantiu que a leiloeira se responsabilizou pelo processo e que deveria ter evitado, pela experiência que tem nesta matéria, "estas situações", referindo-se à "situação menos clara do ponto de vista jurídico" que foi criada em torno da exportação e preparação para colocação à venda em leilão das obras.» [DE]
   
Parecer:

Este Passos Coelho é o Jesus da política, para além de só dizer baboseiras nunca é ele o responsável pela escolha de quem marcas as grandes penalidades. Agora só nos resta ficar a saber que tudo o que de incompetente se pode encontrar em Portugal é culpa da leiloeira.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se a merecida gargalhada.»
   
   
 Coisa estranha
   
«Os 85 quadros de Miró, cujo leilão previsto para ontem e hoje a Christie's suspendeu, foram para Londres via mala diplomática, ou seja o seu transporte foi efetuado como se se tratasse de propriedade do Estado, soube o Expresso.

O Expresso apurou ainda que a Direção-Geral do Património não passou quaisquer guias de transporte para que a coleção que pertenceu ao BPN saisse do país, facto que seria indispensável caso se tratasse de propriedade privada.

"Dizer que os Mirós são do Estado é uma mistificação", afirmou ontem à noite o secretário de Estado da Cultura, Barreto Xavier, em entrevista à TVI24.» [Expresso]
   
Parecer:

Vá lá que não se lembraram de vender os quadros na Feira da Ladra.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»
     

   
   
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