sábado, março 08, 2014

Acertos de contas

Felizmente os nossos jornalistas andam mais descontraídos e deixaram de fazer comentários, de encontrar sintomas de asfixia democrática, agora temos jornalistas simpáticos que apreciam pontapeadores e falsos doutores na condição de usarem Aramis. Talvez por isso e a bem da Nação não teceram grandes comentários sobre o momento Marcelo Rebelo de Sousa protagonizado por Passos Coelho e Durão Barroso no congresso do PP europeu, curiosamente um partido onde o PPD só entrou graças à cunha de Paulo Portas. 
  
Durão Barroso aproveitou a oportunidade para dar mostras da sua grande elevação ética, algo que o país já lhe tinha reconhecido quando disse aos portugueses que apoiava a invasão do Iraque por saber das armas químicas, ou quando apoiou a candidatura de António Vitorino à presidência da Comissão Europeia, e já nem vale a pena referir a famosa manta da TAP. Se a EDP avsa quanto lhe devemos, se ninguém deixa de cobrar o que lhe é devido, compreende-se que Durão Barroso apresente a factura a Portugal.
  
A Durão Barroso devemos a alegria de ter tido a oportunidade de sermos governados por Pedro Santana Lopes, devemos-lhe um défice orçamental digno de um comunista militante do keynesianismo orçamental, devemos-lhe o apoio à política rigorosa de Passos Coelho e, cereja em cima do bolo, ainda lhe devemos ter usado o cargo de Bruxelas para tentar meter os juízes do Tribunal Constitucional na linha.
  
Mas não é apenas Portugal que tem uma grande dívida para com Durão Barroso, a Europa também lhe deve muito, deve-lhe tanto que o nosso Durão Barroso fez muito bem em sugerir que estava ao nível de um Delors. Aquilo que os europeus estão fazendo a Durão Barroso é uma injustiça, não se manda à bardamerda alguém que, como todos os portugueses sabemos, deu tudo à Europa.
  
É por isso que Pedro Passos Coelho fez bem em intervir no congresso da direita europeia pedindo aos seus pares que paguem a dívida fazendo eleger o nossos maior português para um alto cargo que venha a estra vago, talvez presidente do Conselho ou mesmo responsável pela política externa, desde que pague bem e ofereça algumas mordomias qualquer coisinha é melhor do que ir para Belém ser escutado por José Sócrates.
  
O país deve estar agradecido a Durão Barroso e a Passos Coelho, ao primeiro pelo que fez e ao segundo pelo que nos está fazendo, estamos em dívida com Durão e estamos ao lado de Passos Coelho ao lembrar à Europa o que deve ao nosso Durão.

  
 
 

Umas no cravo e outras na ferradura


 
   Foto Jumento
 

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A"A Brasileira" do Chiado, Lisboa
  
 Jumento do dia
    
Durão Barroso

Não há nada em Durão Barroso que já nos possa surpreender, é um político para quem os fins pessoais justificam os meios, mas ir para Dublin cobrar ao país os favores que segundo o próprio fez revela o baixo nível moral desta personagem despesista, incompetente e fugidia. É preciso não ter nenhuma vergonha na cara para dizer que fez muitos favores ao país e é assim por dois motivos, porque não os fez e mesmo que os fizesse fica-lhe mal esta posição, ficar-lheia muito mal tratando-se de um amigo, é vergonhoso tratando-se do seu país.

E que favores fez Durão ao país na opinião do próprio? Segundo o próprio devemos-lhe o amaciar da política de austeridade, ele que representou os membros da troika mais extremistas, ele que apoiou o excesso de troikismo de Passos Coelho, ele que fez pressões sobre o Tribunal Constitucional numa tentativa vergonhosa de influenciar as decisões de um órgão soberano.

Durão Barroso vai abandonar a Comissão pela porta traseira, deixou a Europa pior, esteve envolvido na guerra suja do Iraque servindo os cafés nos Açores, foi incapaz de combater a crise financeira. Agora que a Europa o dispensou quer viver mais uns anos à custa dos contribuintes portugueses.

A propósito de Junkers Barroso disse que quando era primeiro-ministro era o decano e que agora seria ele. Barroso está enganado por duas razões, em primeiro lugar porque não sendo mebro do conselho de ministros não pode ser o seu decano, em segundo lugar, porque depois do Partido Popular Europeu ter puxado o autoclismo ele não será o decano, ele é do cano.

Como se tudo isto fosse pouco ainda temos que aturar um Barroso incapaz de assumir que foi rejeitado por aqueles a quem andou a lamber as botas, não se candidatou ao cargo de presidente da Comissão porque ninguém o apoiou. E fizeram muito bem, Barroso foi um presidente incompetente.

«Durão Barroso justificou hoje que não irá candidatar-se a um terceiro mandato na presidência da Comissão Europeia por considerar que se trata de um cargo “extremamente difícil” e porque acredita que o bom senso “manda que faça outra coisa”. É ridículo andar agora a dizer que se vem embora porque não o conseguir agarrar, apesar de ter ameaçado partir.

“Nunca ninguém esteve mais de 10 anos neste cargo, nem nas difíceis condições com que estive”, argumentou.

Barroso afirmou, ainda, que sai de "consciência tranquila" e que tudo fez para ajudar Portugal. O ex-primeiro ministro português disse, mesmo, que “se não fosse um português a estar à frente da comissão europeia”, o país teria sido direcionando “mais no sentido do rigor” e não nos sentido do “equilíbrio e apoio” para ultrapassar a crise económica vivida nos últimos anos.

Questionado pela TVI sobre um possível regresso ao panorama politico português, embora afirme que “Portugal é o seu país”, Durão Barroso garante que ainda “não tem planos.» [Notícias ao Minuto]
 
 O governo, as oposições e as força de segurança

Estão todos muito sensibilizados com as dificuldades dos profissionais das forças de segurança. Acontece que as dificuldades destes funcionários públicos são as mesmas dos militares ou de todos os outros funcionários públicos. As preocupações por parte do governo e a exigências das oposições não passam de uma triste mistura entre cinismo e oportunismo.
 
      
 Copo meio cheio, escadaria meio vazia
   
«Se você ainda fala de copo meio cheio ou de copo meio vazio, não está a par das notícias. Agora, a metáfora é outra: a escadaria está meio cheia ou meio vazia? O otimismo e o pessimismo agora medem-se pela escadaria parlamentar. Se tipos gritam "invasão! invasão!" e chegam a metade dos degraus de São Bento, perante essa mesma realidade, você pode ver a coisa meio cheia ou meio vazia, é conforme. Você pode dizer: "Viva, a boa polícia conseguiu suster os maus polícias!" Ou dizer: "Mais degraus e só nos resta a GNR. E se esta cai, é a anarquia!" Se uma quer dizer que você é otimista e a outra, pessimista, ou vice-versa, isso já não sei. A teoria da escadaria vazia ou cheia (como a do copo) depende do nosso prisma de partida. Para um antialcoólico, um copo meio vazio já está cheio que baste... Otimista ou pessimista, havia ontem quem suspirasse: "Esmaga-se a GNR à entrada de São Bento e o traidor Passos Coelho foge para se ir refugiar junto à Merkel!" Ao que outros (otimistas? pessimistas?) diriam: "Ai que vamos perder a nossa Crimeia para os alemães!..." Aqui chegados, podemos concluir todos, otimistas e pessimistas, que é tolo vermos o mundo pelo semiconteúdo dos copos (ou escadarias). A vida é mais complexa e mais simples. Complexa, porque a cabeça quente de poucos pode tramar a razão da maioria. Simples, porque frente ao Parlamento, em democracia, um polícia não fica na ambiguidade de subir ou descer. Defende-o, ponto.» [DN]
   
Autor:
 
Ferreira Fernandes.
      
 Carta a um pontapé
   
«Escrevo quatro dias depois de te ter visto. É com perplexidade que reconheço que poderia nunca ter sabido de ti, já que os canais de TV que habitualmente sigo te ignoraram, e os jornais que leio, a começar por este em que trabalho, só te noticiaram porque houve um canal de cabo que te mostrou. Não fosse esse canal, que tenho por exemplo do que o jornalismo não deve ser, terias ficado clandestino, graças ao que, levaram estes dias a explicar-me, seria um nobre acordo de cavalheiros entre quem te desferiu, o vai para 40 anos assessor de imprensa do PSD José Mendonça (Zeca para todos) e quem levou contigo, o meu colega Paulo Spranger - porque o Zeca pediu desculpa ao Paulo, que aceitou as desculpas. E pronto, dizem-me: é circular, faz favor, não há mais nada para dizer.

Mas olho para ti e não vejo nada de cavalheiro, nem de nobre, nem de senhor. Ou por outra, vejo um senhor pontapé. Gratuito, deliberado, discreto, profissional - um pontapé de quem sabe dá-los. É o que se vê no corredor do hotel onde decorreu no domingo o Conselho Nacional do PSD: o Zeca, acompanhando Relvas, afasta-se dele e caminha, calmo e ligeiro, para Spranger, que está a fotografar Relvas. Pespega-lhe um pontapé e a seguir segura-o (para que não caia?). É o pontapé de um assessor de imprensa, no desempenho das suas funções, a um jornalista a tentar desempenhar as suas. É o pontapé do funcionário de um partido, o principal partido do Governo, a agredir fisicamente alguém ao serviço de um jornal - portanto, o jornal. É o pontapé de um membro do Conselho de Opinião da RTP - porque Zeca Mendonça é-o - a fazer algo que, além de constituir uma ofensa à integridade física, pode ser configurado como "atentado à liberdade de informação", punido com prisão até dois anos caso "o infrator for agente ou funcionário do Estado ou de pessoa coletiva pública e agir nessa qualidade."

É muito para ver num pontapé? Vindo de quem, na minha experiência profissional, sempre foi, além de eficiente, simpático? É. Diz Zeca que se descontrolou. Pois não vejo ali, em ti, pontapé, descontrolo nenhum. Pelo contrário: vejo um controladíssimo pontapé, a controlar.

"Um pontapé não define uma pessoa", garante, em procissão de elogios no Facebook do Zeca, um ror de gente, muita dela habitualmente inflamada contra "tentativas de controlo" e "asfixias democráticas". Em estando uma pessoa em causa, poder-se-ia discutir isso (aliás, resumir o caso a uma escolha entre linchar e perdoar Mendonça define bem aquilo a que chegou a nossa vida pública). Mas não está. Está um funcionário do PSD a zelar pela imagem do partido. Está a imagem do partido. E se o silêncio do PSD sobre o ocorrido mostra quão bem lhe vai este pontapé ao parecer (uma semana depois do discurso da pancada, até rima), o do jornalismo mostra que merece. Até à próxima, pois, pontapé.» [DN]
   
Autor:

Fernanda Câncio.
   
   
 Ao que isto chegou
   
«O Governo pretende que as empresas paguem menos aos trabalhadores nos casos do despedimento ilegal. A questão vai ser levada aos parceiros sociais, que entretanto já rejeitaram a proposta, tanto do lado dos patrões, quanto dos trabalhadores.

Uma imposição da troika que ficou explícita num documento com as conclusões da penúltima avaliação feita com o Governo e revelado pela TSF. Em causa estão os despedimentos que os tribunais declaram ilegais. Hoje, qualquer trabalhador que seja, aos olhos da Justiça, demitido de forma ilegal, tem direito a uma indemnização que vai dos 15 aos 45 dias por cada ano de trabalho, com um valor mínimo de três salários. Para a troika, isto é um incentivo para dar entrada de ações contra empresas no âmbito dos despedimentos. A ideia passa por aproximar as indemnizações devidas por despedimento legal, que pode começar nos 12 dias por ano de trabalho, das rescisões sem justa causa.» [CM]
   
Parecer:

Este governo ainda vai decretar que as putas trabalhem a troco de gorjetas.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Vomite-se.»
  
 Moniz regressa à ficção na TVI
   
«Cinco anos depois de ter deixado a TVI, José Eduardo Moniz está de volta à Media Capital. O antigo diretor-geral é o novo consultor para a área da ficção da empresa que detém a estação de Queluz e a produtora Plural.

Ao que o CM apurou, o acordo entre a Media Capital e a JEM Media Consulting, criada em outubro de 2013 por Moniz, foi assinado na semana passada depois de várias semanas de negociações.» [CM]
   
Parecer:

Foi na ficção que a família se notabilizou, quem não se recorda da telenovela montada pela sua bela esposa acerca do caso Freeport?
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se de escárnio.»
   
 Cavaco já gosta de manifestações
   
«"Acho que nunca se pode ignorar as vozes que se fazem ouvir na rua, quaisquer que elas sejam desde que se apresentem como razoáveis", disse Cavaco Silva, questionado pelos jornalistas à margem da visita que hoje efetuou a uma exploração de frutos vermelhos, em Silves, no Algarve.

O Presidente da República acrescentou que, de acordo com as informações de que dispõe, "houve bom senso e a contenção acabou por prevalecer" durante a manifestação das forças de segurança, pelas quais afirmou que tem "grande consideração".

"Tenho imensa consideração pelas nossas forças policiais e das Forças Armadas. As forças policiais têm uma responsabilidade muito grande porque elas têm de ser o exemplo no cumprimento das leis da República", sublinhou Cavaco Silva.» [DN]
   
Parecer:

Ridículo, Cavaco deve ter-se esquecido de que era primeiro-ministro quando ocorreu a famosa manifestação dos secos e molhados.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»
   
   
 E agora os militares
   
«Associações de militares reiteraram hoje a sua solidariedade com as forças de segurança, afirmando que a manifestação da próxima semana será semelhante sobretudo no conteúdo das reivindicações mais do que na forma.

"No fundamental do que aconteceu ontem e no que acontecerá no próximo dia 15, [as semelhanças são] não propriamente a forma como as coisas poderão decorrer, mas mais o conteúdo", afirmou à Lusa Manuel Cracel, da Associação dos Oficiais das Forças Armadas (AOFA).» [DN]
   
Parecer:

Será que Cavaco vai continuar a gostar de manifestações?
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se a Cavaco se vai falar com o governo no seu estatuto de comandante das forças armadas.»
     

   
   
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sexta-feira, março 07, 2014

O empurrão

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Se na manifestação de ontem alguém se lembrasse de dizer que os manifestantes vieram fardados e o governo teve de recorrer aos polícias de licença para lhes fazer frente não teríamos estranhado, eram quase tantos os que se manifestavam do que os que se manifestavam. O governo teve medo, teve tanto medo que quase pediu ajuda à NATO para proteger o parlamento, o mesmo governo que apoia os manifestantes que nas praças de Kiev ou do Cairo derrubam governos, tem medo que os seu povo de manifeste.
 
É óbvio que se os manifestantes o quisessem fazer teriam subido as escadarias e dificilmente aqueles jogos a que se assistiu nos primeiros degraus do parlamento ter-se-iam transformado numa marcha degraus acima.  O governo não se limitou a juntar todas as forças de que dispunha, fez questão d e divulgar às televisões as ordens ameaçadoras que tinha dado aos polícias fardados, os portugueses ouviram em directo os planos e tal como sabem quando começa a segunda parte de um jogo de futebol, também sabiam quando começariam as cacetadas.
 
O que ontem se viu no parlamento foi uma nova forma de actuar em grupo, já se conhecia o arrastão, uma actuação reservada a marginais, a manifestação como sendo a forma adequada dos cidadãos comuns e agora sabemos que há uma terceira modalidade chamada empurrão que está reservada aos polícias. O jogo é simples, os que defendem esperam, os que chegam levantam tranquilamente os gradeamentos e dão início à formação ordenada. De um lado há três filas de espadaúdos bem equipados, do outro umas cinco filas de jogadores normais, os fardados impedem a subida de degraus, os outros tentam subi-los. Ganham os que avançarem mais degraus, ontem ganharam os desfardados na primeira metade do jogo, mas, para desgosto dos espectadores, deixaram-se empatar na segunda parte.
 
Foi uma desilusão, meio país assistiam ao jogo em directo, os adeptos do clube laranja torciam pelos fardados e tinham o Miguel Macedo à frente da sua claque, os outros torciam pelos civis e até tinham mandado um dos deputados do PCP incentivá-los quando ainda estavam a sair dos autocarros, no Marquês de Pombal. Os laranjas festejaram  porque as suas redes ficaram invioladas, os outros clamam vitória porque garantem que se não fosse um jogo amigável teriam dado uma cabazada aos fardados.
 
E enquanto o empurrão decorria,  eis que a lourinha do parlamento decidiu armar-se em membro do governo, fazendo promessas em nome do governo que não representa e ainda o jogo estava no intervalo e já o estava a abandonar, como se estivesse certa do resultado, tudo com um ar de quem tinha acabado de mostrar os seus dotes para candidata presidencial, defendeu o governo, dialogou e acalmou a populaça. E enquanto a lourinha ia pela travessa escura em caminho à viatura oficial já o sindicalista comunicava em directo as suas conquistas.

Os próximos manifestantes que tencionem retirar os gradeamentos que não se desiludam, o jogo do empurra, em que se permite retirar as grades e organizar uma formação ordenada sem levar nos cornos está reservado a equipas  devidamente federadas no ministério da Administração Interna. Para as restantes equipas continuam a aplicar-se as regras normais, os fardados estão ali para dar no lombo e as equipas cinegéticas, ou como se diz agora o binómio homem animal, não está para aliviar a bexiga da bicharada. E desiludam-se os que pensam que a lourinha vai lá estar até à hora do jantar para os receber e garantir que lhes dá o que o governo lhes recusou. A bem da segurança pública é bom que os portugueses entendam que o jogo do empurrão apenas pode ser jogado entre polícias.
 
O ministro sobreviveu graças ao empate no jogo do empurrão, o problema é quando outros portugueses se sentirem confundidos com os jogares desfardados e acharem que podem retirar tranquilamente os gradeamentos para dar início a uma partida de empurrão. É nessa altura que Miguel Macedo vai ter de explicar onde está escrito que só os seus podem jogar ao jogo do empurrão e voltarem inteiros para casa.


  
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PS: Miguel Macedo vai propor ao governo a criação da Federão Nacional do Empurrão que será um jogo que passará a fazer parte do programa curricular da Escola Nacional de Polícia. Até poderiam ir À Nova Zelândia para copiarem alguns rituais com os guerreiros Maori para embelezar o jogo.

Umas no cravo e outras na ferradura


 
   Foto Jumento
 

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Convento de Arroios, Lisboa
  
 Jumento do dia
    
Paulo Rangel, porta-chaves

É ridículo que um artista que se armou em cavaquista para concorrer contra Pedro Passos Coelho venha agora encontrar diferenças entre Seguro e Assis na mesma época. Paulo Rangel não é um político nem sério, nem para levar a sério, nos dias que correm não passa de um porta-chaves de Pedro Passos Coelho.

Rangel continua igual a si próprio, já no debate com Passos Coelho na campanha pela liderança do PSD o pequeno candidato europeu revelou a sua veia pidesca e vasculhou as posições do agora líder do PSD para as usar no debate. Enfim, quem pequeno nasce tarde ou nunca cresce.

«O cabeça-de-lista da coligação PSD/CDS-PP às europeias, Paulo Rangel, considerou hoje que existe uma contradição entre António José Seguro e Francisco Assis na defesa da herança dos governos socialistas liderados por José Sócrates.

."Há aqui uma contradição, António José Seguro nunca fala da herança de Sócrates, mas Assis fala, se os portugueses acham que as políticas do PS no Governo não contribuíram para a bancarrota está tudo dito. Quem está aqui a reescrever a história, nós sabemos quem é, é realmente Francisco Assis, há aqui uma contradição, o silêncio sepulcral de António José Seguro sobre os governos de Sócrates contradiz por completo este ruído imenso que se quer fazer sobre esse balanço", afirmou Rangel.» [DN]


 Em exibição numa televisão perto de si

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 O homem que punha o Presidente no bolso
   
«O primeiro-ministro Balsemão e o Presidente Eanes desconfiavam tanto um do outro que nas reuniões que tinham a sós traziam, cada um, o seu gravador. Punham os aparelhos em cima da mesa, a falta de confiança era sincera. Uma birra, comparada com o exemplo indecoroso que nos chega de França. Para as presidenciais de 2007, Nicolas Sarkozy recrutou Patrick Buisson, um intelectual, antigo jornalista de extrema-direita. Monárquico e católico, Buisson passou a ser a eminência parda do Eliseu, função que exercia com soberba - fez questão em não ter cargos oficiais, nem gabinete no palácio. Influenciar o "rei" chegava-lhe. Quando foi condecorado com a Legião de Honra, Sarkozy disse: "A ele devo ter sido eleito." Durante o mandato suspeitava-se que ele era o conselheiro decisivo nas políticas e nas remodelações. Suspeitava-se. Hoje, sabe-se. É que a forma altaneira de Patrick Buisson exercer a sua influência era acompanhada por um vício. No bolso do casaco, escondido, levava um gravador. Horas e horas de conversa, a que nem escapava Carla Bruni quando ia buscar o marido às reuniões. Ontem essas gravações deslizaram para os jornais (parece que um conflito familiar fez Buisson perder o controlo do seu material). O que foi publicado chega para provar o abuso, traição até, a que foi sujeito o Presidente. E a França pergunta-se: até que ponto se gravou? A resposta não é moral, é mais simples: gravado, hoje, fica tudo.» [DN]
   
Autor:
 
Ferreira Fernandes.
   
   
 Pobre Sarkozy
   
«Linguagem crua, observações maldosas sobre ministros e outras personalidades, conversas privadas, crises de nervos, intrigas e manobras de bastidores. Patrick Buisson, conselheiro especial do ex-Presidente Nicolas Sarkozy (2007/2012), gravou tudo às escondidas no Palácio do Eliseu e noutros locais. 

A dimensão deste escândalo até provoca vertigens. São centenas de horas de gravações, efetuadas durante cerca de cinco anos sem que Sarkozy o suspeitasse, que começam agora a ser divulgadas em França.

"Um escândalo, uma traição", exclamam esta manhã várias das personalidades cujos nomes são citados nos registos sonoros.

Carla Bruni: "Vives à minha custa!"

Numa das conversas gravadas de forma manhosa pelo ex-conselheiro que esteve ligado à extrema-direita no inicio da sua carreira política, até se ouve Carla Bruni e Nicolas Sarkozy a conversarem de forma relaxada da sua relação amorosa, do dinheiro que ganham, das suas casas e da renda que Carla paga por uma delas.

"Vives à minha custa!", diz a rir Carla ao marido, depois de se queixar por não poder assinar contratos para ganhar dinheiro no show business devido ao seu estatuto de primeira-dama.

A transcrição de uma das gravações é publicada hoje pelo semanário "Le Canard Enchainé " e o site Atlântico colocou esta manhã em linha algumas delas, onde se ouvem discussões sobre uma eventual mudança de primeiro-ministro, bem como críticas e, até, anedotas jocosas sobre alguns ministros.» [Expresso]
   
Parecer:

A direita francesa no seu melhor.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»
     

   
   
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quinta-feira, março 06, 2014

Que estratégia para a economia?

A economia portuguesa não está apenas em crise, está também à deriva, aqueles que a atiraram contra a parede não sabem o que querem, limitam-se a elogiar taxas de crescimento raquíticas, a exibir reduções do desemprego que escondem a emigração ou a perda de esperança de vir a ter emprego. Alguém tem uma ideia do que estes senhores pretendem?

Até poderão esconder-se atrás da falsa etiqueta de liberais e dizerem que é aos investidores e não a eles que cabe decidir o rumo da economia. Mas a verdade é que ainda há bem pouco tempo consideravam alguns sectores inúteis, sacrificaram uns e salvaram outros, privilegiam a redução salarial e a mão de obra pouco qualificada, resolvem o problema do desemprego considerando-o consequência de um excedente de mão de obra que deve ser incentivada a emigrar.

Que ideias tem o actual ministro da Economia? Passou os primeiros meses a encontrar milagres, agora é a versão internacional do Paulinho das Feiras e dá-se ao trabalho de ir a uma feira de calçado em Milão só porque obtém mais tempo de antena do que se falar na Rua da Horta Seca. O que pretende o seu ministério com os portos? Ainda há uns meses meio governo apresentou um projecto para o porto de Lisboa, ao que parece já tudo mudou e por este andar ainda vão querer mudar o terminal de contentores para a margem norte do rio Trancão.

A única indicação do que este governo poderá pretender vem de Paulo Portas, o coordenador da sua área económica. Por aquilo que ele vai dizendo parece que a sua ideia é mudar as tríades chinesas para Lisboa, está farto de vender passaportes para os chineses circularem livremente na Europa mas ainda não se viu a mais pequena fabriqueta, nenhum dos ilustres investidores que já dariam para ocupar metade da Lapa investiram na criação de um emprego. Transferem uns milhares de dólares, compram um apartamento de luxo e partem com o seu passaporte novo.

Cavaco já não fala de produtos transaccionáveis, talvez esteja satisfeito com as exportações de gasolina e até parece estar curado do seu velho vício de cortar fitas. Depois de ter inaugurado uns investimentos de empresas que apostaram no país no tempo de Sócrates nunca mais foi visto de tesoura não mão. Ele bem se desdobra em conversas sobre empreendedorismno e até conhece meio mundo à custas de falar com jovens empreendores que emigraram, mas a verdade é que em três anos não inaugurou um único investimento que tenha resultado dos benefícios do famoso ajustamento.
 
 

Umas no cravo e outras na ferradura


 
   Foto Jumento
 

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Flor selvagem da Quinta das Conchas, Lisboa
  
 Jumento do dia
    
Paulo Rangel, o 102º dalmata do Parlamento Europeu

Só mesmo o pequeno Rangel conseguia organizar um programa em tweets e de forma a serem tantos tweets quantos os cães do filme dos 101 Dalmatas. Isto promete, o programa das legislativas vai ter tantos tweets quanto os ladrões do Ali Babá.

«"Este manifesto é um manifesto já da geração das redes sociais, este texto programático que aqui têm, este manifesto, está organizado em 101 ´tweets', tantos como os dálmatas - 101 - todos e cada um deles com menos de 300 carateres", disse o cabeça de lista da coligação "Aliança Portugal", Paulo Rangel, durante a apresentação do manifesto, que decorreu num hotel de Lisboa.
  
Sublinhando que a ideia é que os utilizadores das redes sociais possam facilmente passar as ideia, valores e propostas da coligação, Paulo Rangel disse desejar que as eleições europeias sejam de "esclarecimento, lucidez, discernimento e participação", recusando a "opacidade e a hesitação" e a "confusão" que os adversários têm protagonizado.» [Notícias ao Minuto]

 A versão Relvas
 
O comportamento de Passos Coelho no debate parlamentar vem na continuação dos pontapés do Zeca Mendonça, já se sente a marca do Dr. Miguel Relvas.
 
 O roteiro da Maria

Quando Cavaco decidir escrever um daqueles livros que ninguém compra a não ser para o levar debaixo do braço no dia da apresentação e que só têm interesse se no seu prefácio consta algum golpe baixo a Sócrates, talvez fizesse sentido dedicar um ao roteiro da Maria. Roteiro da Maria porque uma boa parte das viagens de Cavaco Silva parece justificarem-se mais pela curiosidade turística da família, como sucedeu com a ida a Capadócia, do que o interesse nacional, mesmo quando interpretado à luz da dimensão humana e intelectual do por enquanto presidente desta república dos Relvas e dos Zecas Inclementes.

As viagens de Cavaco, para além de uns banquetes mais fartos do que os pratinhos de carapaus alimados mal servidos de que o antigo Bispo de Setúbal se queixou, contam sempre com três momentos, o turismo, a recepção aos jovens empreendedores e o jantar de circunstância com investidores que nunca chegam a saber onde fica Portugal.

A diplomacia turística de Cavaco e Maria não passa de um tirar a barriguinha de misérias, enquanto se pode e à custa de funcionários com salários reduzidos a um terço e de pensionistas com cortes de pensões, aumentos de IRS e contribuições extraordinárias que o são porque parecem destinar-se a financiar o roteiro da Maria.

Não deixa de ser curioso que no tempo de Sócrates o ainda presidente se dedicava a roteiros de miséria e agora só se passeie em ambientes de luxo e visite tanto investidor e jovem empreendedor. quando lhe interessava exibia a miséria, agora esconde-a e mostra o futuro risonho que o seu partido e o seu governo dizem ser o dos portugueses.

 
 A Europa é como as putas

É tudo uma questão de preço e se o que está em causa o interesse da Alemanha a Europa consegue unir-se, nem que seja para ladrar, que é a única coisa que esta Europa sabe fazer quando está em causa a política externa. O lamentável é que para a solidariedade europeia nunca há dinheiro e os contribuintes do norte não estão dispostos a pagar, mas se for para promover guerras civis na Síria ou na Ucrânia e para apoiar extremistas, sejam fundamentalistas islâmicos ou saudosistas neo-nazis, o dinheiro aparece e os contribuintes deixam de ser tidos em consideração.
 
 A selfie do regresso de Relvas

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 O Estado-Providência em Portugal não tem 50 anos. Tem menos de 40 anos
   
«O título deste texto pode parecer totalmente escusado, pois no longuíssimo prazo, em História, “tanto faz” que o Estado social tenha nascido, dez anos antes ou dez anos depois, ainda para mais porque se vive, em Portugal e noutros países europeus, um período em que ele está a ser desmantelado (pelo actual governo, e não pelos sucessivos governos nos últimos anos).

No entanto, considero que é importante a questão e a distinção entre situar-se a emergência do Estado social há 50 anos, ainda durante a vigência do regime ditatorial de Marcello Caetano, ou posteriormente. É que entretanto houve um acontecimento de grande importância, o golpe de Estado de 25 de Abril de 1974, que não possibilitou apenas a transição para a democracia, mas também, entre outros factores, o nascimento do Estado-Providência em Portugal.

A afirmação de que o seu surgimento foi há 50 anos não se relaciona apenas com aspectos historiográficos, mas tem motivos claramente políticos e ideológicos. Tenta-se dizer com isso que o 25 de Abril de 1974 era escusado e até foi prejudicial pois que, quiçá, do “marcelismo”, se poderia ter feito uma transição para a democracia “à espanhola”, através de um processo reformista mais “doce”, poupando Portugal a uma ruptura política. Não vou entrar por aí, pois também podem ser atribuídas razões políticas e ideológicas à minha afirmação de que o Estado social não surgiu na vigência de Marcello Caetano no poder, quando me esforço por ficar no campo da História (na certeza que existe sempre, também neste, a interpretação).

Além do mais, não entro por aí, pois não sou adepta da História contrafactual, talvez porque me falte imaginação para ser ficcionista. No entanto, não posso escapar a colocar algumas questões: seria possível enveredar pelo Estado Providência, só possível em democracia, com a manutenção da guerra colonial e do afastamento da então CEE? Mesmo se a continuação dessa guerra já não tinha como objectivo manter o império colonial, mas, como disse Caetano, a “defesa do Ultramar impôs-se-nos, pois pela necessidade moral de preservar vidas e bens daqueles que, em territórios secularmente portugueses, portugueses são” (Depoimento, Rio de Janeiro, Record, 1975, p. 225).

Ao invés de entrar por aí, prefiro dizer por que afirmo que o Estado Providência não nasceu em Portugal com Marcello Caetano, ao citar o próprio. Desde já, também digo que ele também não emergiu com Bismarck, na Prússia, como alguns dizem, ou até com as ditaduras que enxamearam a Europa nos anos trinta e quarenta do século XX. Sim, porque esses regimes de “omnipotência estatal” (a frase é do próprio Salazar, referindo-se ao Estado hitleriano), podem também ser caracterizados como “Estado social”: por exemplo, foi durante o regime nacional-socialista que trabalhadores alemães puderam, por exemplo, realizar cruzeiros à Madeira, através da organização de tempos livres “Força pela Alegria”. Evidentemente, esse “Estado social” não beneficiava milhões de outros alemães, entre os quais comunistas, socialistas, homossexuais, ciganos e judeus.

É que uma das características – não tenho aqui espaço para descrever todas elas – do chamado Welfare State – que nasceu na Europa, pela mão de Beveridge e do Partido Trabalhista britânico, elaborado durante a II Guerra e colocado em prática no pós-guerra  –, é precisamente a sua universalidade, que também não existiu na vigência de Marcello Caetano. Este governante português foi aliás o primeiro a especificar, nos anos 70, já após ser apeado do poder, que a lógica do seu “Estado Social” - ele assim lhe chamou – não deixava de ser “corporativa”. O que Marcello Caetano fez, quanto a mim, foi reformar o Estado corporativo salazarista, sem sair da lógica corporativa, enquanto que o que aconteceu, após 25 de Abril de 1974, foi a emergência em Portugal de um Estado-Providência, à semelhança do existente em quase toda a Europa ocidental. Se ele está condenado ou não, neste terrível século XXI, não sou capaz de profetizar – a História também não, nem é esse o meu ponto aqui. No já referido seu livro Depoimento (pp. 124-127), escrito no exílio brasileiro, o ex-chefe do governo português teve o cuidado de esclarecer que tinha tentado erguer o “Estado social”, “a partir do corporativismo”, cuja história em Portugal relata, a partir de 1933, bem como a do lançamento, a partir de 1934, das “bases da previdência social”, também corporativa.

Segundo Caetano, “aquilo que nos países do centro e norte da Europa foi resultado de árdua conquista do proletariado, com o apoio do sindicalismo ou do socialismo reformista, em Portugal proveio da acção do Estado e converteu-se pacificamente em direito”. Caetano concluiu que, aos trabalhadores portugueses, “a legislação corporativa trouxe benefícios inegáveis, com a vantagem suplementar de lhes ter poupado muitos milhões de horas de expectativa, de sofrimento, de miséria, de ódio que as greves reivindicativas acarretaram para o operariado nos países em que os mesmos benefícios foram arrancados na luta ou onde as organizações sindicais fizeram dos trabalhadores massa de manobra de exercícios revolucionários”. Por isso, por respeito e convicção, Marcello disse ter mantido o Estado Corporativo, embora sob a fórmula do “Estado Social”, “mas não socialista”, como disse num discurso, proferido no Porto, em 21 de Maio de 1969.

Caetano referiu ainda a sua acção na “execução da legislação que deu aos sindicatos nacionais maior liberdade de gestão e de acção” e “no “processo de elaboração ou da revisão das convenções colectivas de trabalho” (decreto-lei de 28 de agosto de 1969). Queixou-se porém de que a “libertação das eleições sindicais da sanção governamental levou o partido comunista a movimentar-se imediatamente em quantos sindicatos pôde, para conquistar posições nos respectivos corpos gerentes”. Mencionou ainda o alargamento do abono de família para os rurais, em 1969. Efectivamente foi então – só nesse ano! – instituído o regime de abono de família dos trabalhadores rurais por conta de outrem, gerido pelas Caixas regionais de Previdência e Abono de Família (Lei n.º 2144, de 29 de Maio).

Marcello Caetano recordaria ainda que ter sido ele a desenvolver de forma assinalável a Assistência na Doença aos Servidores do Estado (ADSE), introduzida em 1963. Realçaria também o facto de, na sua vigência, se ter procurado “melhorar as condições do estatuto dos funcionários e suprimir discriminações e restrições desnecessárias, aproximando-o, em tudo quanto fosse do interesse dos servidores públicos, do regime jurídico dos trabalhadores privados”. No estabelecimento dessa igualdade, começara assim a ser atribuído o 13.º mês de vencimento e procedera-se a mudanças no capítulo da aposentação, através do novo Estatuto da Aposentação, publicado em 9 de Dezembro de 1972. Marcello Caetano referiu também os progressos feitos na vigência do seu governo, em particular a explosão escolar, recordando que, sempre “em Portugal a escola foi considerada um processo de ascensão na sociedade”, mas salientando que apenas, “na década de 60 a afluência de alunos às escolas de todos os graus de ensino tomou o aspecto de uma verdadeira avalancha”.

No seu Depoimento, publicado em 1975, Caetano tentou defende a sua acção política, dando a entender que estava em marcha uma autêntica reforma social – “aumento de força e de prestígio dos trabalhadores, melhoria da sua participação no rendimento nacional, fácil acesso à educação”, segundo as suas palavras – que teria sido impedida pelo golpe de Estado militar de um ano antes. É compreensível da parte dele que assim justificasse a sua política, embora ele próprio reconhecesse também que não havia conseguido o “progresso moral”, “pois os factores de desmoralização encarniçaram-se sobretudo na juventude”. E tinha razão, ideológica e politicamente o seu regime já não tinha qualquer espécie de hegemonia, sendo rejeitado por largas camadas da população portuguesa. O que já não é compreensível é que se arrume o assunto de uma “penada”, ao fazer-se hoje afirmações segundo as quais o Estado social português, tal como o encaramos – na lógica de Estado-Providência – teria nascido na vigência de Marcello Caetano. Não, o “seu a seu dono”. Surgiu após 25 de Abril de 1974, cujos 40 anos se comemoram agora em 2014.» [Público]
   
Autor:
 
Irene Flunser Pimentel.
   
   
 Mais meio milhão de pobres
   
«Em janeiro, o Estado atribuiu prestações de desemprego a 388 mil pessoas, deixando sem estes apoios mais de 425 mil pessoas, segundo dados divulgados pela Segurança Social.

Em Janeiro existiam 388.383 beneficiários de prestações de desemprego, mais 13.326 pessoas do que em Dezembro.» [A Bola]
   
Parecer:

As coisas correm bem aos Lambretas, aos poucos livra-se dos desempregados e das taxas de desemprego.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Lamente-se.»
  
 Isto com o lambretas é uma limpeza
   
«Mais de 50 mil crianças e jovens perderam o direito ao abono de família em janeiro face a dezembro, situando-se nos 1.125.155 beneficiários, segundo dados do Instituto da Segurança Social (ISS)» [Notícias ao Minuto]
   
Parecer:

Nas próximas eleições o Portas vai fazer campanha para a feira do Casino Estoril.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Lamente-se.»
 Passamos fome mas cozinhamos bem
   
«O café de Lisboa e Porto e o frango assado português estão em destaque na imprensa internacional. Um site espanhol e um jornal australiano elogiaram estas iguarias nacionais, referindo que em Lisboa é onde se “mimam os expressos” e que no Porto “não há mau café”. Por sua vez, o frango assado luso é “cozinhado por experts apaixonados”.

Depois de o jornal britânico The Guardian ter sugerido férias gastronómicas no Alentejo, chegou a vez de outros media internacionais olharem para iguarias do país.

Num artigo publicado no site espanhol da Condé Nast Traveler, o café português, ou, mais precisamente, as cidades de Lisboa e do Porto constam da lista de ’22 lugares para desfrutar um bom café’.» [Notícias ao Minuto]
   
Parecer:

É a versão gastronómica do "pobres mas lavadinhos".
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»
   
 Já podem ir à manif bem vestidinhos
   
«O Governo aprovou hoje o reforço dos montantes da comparticipação anual da Guarda Nacional Republicana (GNR) e da Polícia de Segurança Pública (PSP) na aquisição de fardamento, que terá agora uma comparticipação anual de 600 euros.» [Notícias ao Minuto]
   
Parecer:

Esta teve a sua graça, até parece que o ministro não quer ficar mal quando os polícias sobem as escadarias do parlamento mal vestidos. Enfim, até parece que o problema dos polícias é a farda.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se a merecida gargalhada.»
   
   
 Na república dos Zecas Inclementes é assim
   
«Bruno de Carvalho liderou, esta quarta-feira, a embaixada leonina recebida em audiência pelo presidente da República, Cavaco Silva. Ao cabo de uma hora de reunião, no Palácio de Belém, em Lisboa, o presidente do Sporting declarou-se satisfeito com a recetividade que, mais uma vez, o documento mereceu e não quis falar da mudança no comando técnico do FC Porto.» [Notícias ao Minuto]
   
Parecer:

A seguir vai distrair o Zé Povinho recebendo o presidente do Belensenses ou (porque não?) o Clube Desportivo de Boliquieime.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se com condescendência.»
     

   
   
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