sábado, maio 03, 2014

A troixikodependência

Cavaco queria mais troika pois dessa forma o seu governo poderia continuar a governar com o apoio de uma espécie de PIDE comandada por Durão Barroso. É mais do que óbvio que a relação de Passos Coelho com a troika era tão boa que o ainda primeiro-ministro teria toda a vantagem em manter a troika ao seu lado. A troika foi uma fraude, não passavam de três palhaços que vinham a Portugal fazer os fretes que lhes eram encomendados.

OS extremistas dos gabinetes de Bruxelas e do FMI aproveitaram-se da fragilidade intelectual dos governantes portugueses parta transformarem Portugal e o seu povo num campo de experiências. O Gaspar foi promovido a um grande economista que nunca foi, Passso Coelho passou a ombrear ao lado dos parceiros europeus, Portugal quase era promovido a país protegido pelos boches.

Mas tudo falhou e não restava à troika senão fazer passar a ideia de que Portugal era o caso de sucesso, confirmando os milagres anunciados pela Santinha da Rua da Horta Seca. Vieram pela última vez e partiram pela calada deixando um comunicado breve. Deixou cá um governo que sofre de troikodependência, com um programa político que foi rejeitado pelos portugueses, com um projecto económico inconstitucional e entregue a si próprio a dias de eleições e com um presidente que não tardará muito a rejeitar a sua criação.

Há quem chame a isto uma saída limpa quando na verdade estamos onde sempre estivemos e mais enterrados do que estávamos, com uma grave crise social, cum uma democracia gerida por dois partidos e um presidente que juntos não conquistariam a autarquia de Lisboa. Quem teve uma saída limpa foram os três palhacitos da troika, por cá deixaram um Passos Coelho e um Paulo Portas a governar sem os sucessivos xutos de troika.

Insistem em chamar a isto uma saída limpa fazendo de conta que o governo decidiu o que quer que fosse, até andam a criar uma grande encenação televisiva com o suposto primeiro-ministro dizendo o que todos sabem. A troika deixou o governo desmamado de um dia para o outro e Passos foi obrigado a abandonar a sua troikodependência sem recurso à metadona.

Umas no cravo e outras na ferradura


 
   Foto Jumento
 

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Gaiola no Castelo de São Jorge, Lisboa

   Fotos de visitantes d'O Jumento
  
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Catedral de Nampula, Moçambique (T. Selemane)
  
 Jumento do dia
    
Paula Teixeira da Cruz

Esta senhora não parece fazer nada bem feito, a troika vai-se embora e a justiça só piorou. Será incompetência ou incapacidade?

«A ministra da Justiça, Paula Teixeira da Cruz, admitiu esta sexta-feira a possibilidade do arranque do novo mapa judiciário vir a ser adiado. “É uma reforma estrutural, mas se algum prazo tiver que deslizar em nome de um interesse maior, deslizará”, disse a ministra durante uma apreciação parlamentar daquele diploma na Assembleia da República (AR).

Paula Teixeira da Cruz respondeu assim às criticas e propostas da oposição. O PCP apresentou uma proposta em que é pedido o adiamento do arranque do mapa judiciário para Setembro de 2015, considerando que não há condições para a sua implementação já em Setembro deste ano.

Durante o debate desta sexta-feira, o PCP e o PS apresentaram propostas de alteração à configuração do novo mapa judiciário aprovado pelo Governo, propostas essas que baixarão agora à Comissão de Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias. O PS ainda tentou que a discussão também se realizasse no plenário da AR, mas a maioria PSD/CDS inviabilizou o pedido. A maioria chumbou igualmente o pedido de cessação de vigência do diploma que regulamenta a reforma do mapa judiciário, uma proposta feita pelo partido Os Verdes, pelo Bloco de Esquerda e pelo PS.» [Público]
 
 Há gajos que às vezes me metem nojo

Este é um deles, mas nada vou dizer da criatura, já alguém o escreveu num livro.
 
 Uma terra a evitar...

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 Abril cavacos mil
   
«"Num dia como o de hoje, haverá com certeza muitos portugueses que se interrogam sobre se foi este o País com que sonhámos em abril de 1974." (2009)

"Centenas de trabalhadores são lançados no desemprego, pessoas que até há pouco tempo viviam com algum desafogo pertencem agora ao grupo dos novos pobres, há famílias que não conseguem suportar os encargos com as prestações das suas casas ou a educação dos seus filhos." (2009)

"Persistem desigualdades sociais e, sobretudo, situações de pobreza e de exclusão que são indignas da memória dos que fizeram a revolução de Abril." (2010)

"Os Portugueses perguntam-se todos os dias: para onde é que estão a conduzir o País? Em nome de quê se fazem todos estes sacrifícios? A prova de que se acumulam dúvidas quanto ao futuro do País está no número de jovens que partem. (...) com frequência, os mais qualificados, os mais promissores." (2010)

"Compreendo que muitos cidadãos, ao fim de quase 40 anos de regime democrático, se sintam desiludidos quando confrontam as esperanças de 1974 e as realidades do presente. Vivemos um tempo em que os sonhos do passado parecem ter desaparecido." (2011)

"Não podem ser feitas promessas que não poderão ser cumpridas. Vender ilusões ou esconder o inadiável é travar a resolução dos problemas que nos afligem." (2011)

"É possível vencer se os sacrifícios forem repartidos de uma forma justa." (2011)

"Temos todos o dever de mostrar que somos um país credível. (...) Umas vezes, existe a intenção deliberada de fornecer um retrato negativo do nosso país, evidenciar apenas uma parte da realidade." (2012)

"Do mesmo modo que não se pode negar o facto de os Portugueses estarem cansados de austeridade, não se deve explorar politicamente a ansiedade e a inquietação dos nossos concidadãos. (...) Devemos também reconhecer os objetivos alcançados." (2013)
"Portugal não está em condições de juntar uma grave crise política à crise económica e social em que está mergulhado." (2013)

"Precisamos de um discurso de esperança que mobilize os portugueses para os desafios que temos à nossa frente." (2014)

"Nas últimas décadas, verificaram-se avanços extraordinários no plano social, que devemos preservar para as gerações futuras. (...) Apesar do percurso que fizemos, continuamos insatisfeitos. É saudável que assim seja." (2014)

"A democracia não corre perigo." (2014)

"Num regime democrático, só há um critério para definir a legitimidade dos governantes: o voto expresso nas urnas." (2014)

"É tempo de abandonarmos a política de vistas curtas, ditada pelo taticismo e pelos interesses de ocasião." (2014)

"O 25 de Abril não foi feito para dividir os Portugueses." (2014)

Discursos de Cavaco a 25 de abril» [DN]
   
Autor:
 
Fernanda Câncio.
      
 As comendas e a sua narrativa
   
«Por coincidência, calhou que em meia dúzia de agraciados cinco fossem ex-membros de Governos do PSD ou activistas das campanhas eleitorais do próprio Presidente. É caso para dizer: sempre há mais justiça no critério de atribuição da factura da sorte!

Não está em causa que os agraciados tenham dado - certamente, uns mais do que outros - um contributo relevante para a internacionalização da nossa economia.

O que está em causa é o critério grosseiramente tendencioso das escolhas do Presidente, que confirmam a sua incapacidade para se elevar à condição de Presidente de todos os portugueses. Por muito que tenham feito, e certamente fizeram, Pedro Reis (presidente cessante da AICEP e administrador do Instituto Sá Carneiro), Faria de Oliveira (ex-presidente da CGD e ex-Ministro dos Governos de Cavaco Silva), António Mexia (Presidente da EDP e ex-Ministro do Governo de Santana Lopes), Alexandre Relvas (ex-secretário de Estado no Governo de Cavaco Silva e ex-director da primeira campanha eleitoral do Presidente) e Filipe de Botton (Presidente da Logoplaste e colaborador regular das iniciativas e das campanhas presidenciais de Cavaco Silva), salta à vista que, se houvesse um módico de isenção e equidade nos critérios do Palácio de Belém, estas figuras não poderiam ser agraciadas por serviços prestados à internacionalização da economia sem que várias outras, do mundo empresarial e de outras proveniências políticas, o fossem também. E não é a inclusão na lista da ex-presidente do Porto se Sines, Lídia Sequeira, próxima do PS, que chega para disfarçar a partidarite aguda que estas escolhas do Presidente reflectem.

O pior, todavia, é que esta visão selectiva dos contributos para a internacionalização da economia portuguesa não se limita a recompensar fidelidades: está, isso sim, ao serviço de uma narrativa política e constitui parte integrante de um verdadeiro discurso de facção. O que se pretende é absolutamente claro: fazer um completo apagão sobre as múltiplas iniciativas que foram lançadas pelo Governo anterior no sentido da dinamização da diplomacia económica e da abertura de novos mercados, bem como do lançamento de projectos de modernização tecnológica e de investimento industrial que hoje contribuem de forma decisiva para explicar o bom desempenho das nossas exportações.

Do que se trata, por exemplo, é de escamotear que se as duas maiores empresas exportadoras portuguesas são hoje a GALP1.2% e o grupo Portucel/Soporcel isso se deve, em larga medida, aos projectos industriais de Sines e de Setúbal que foram lançados e apoiados durante os Governos do Partido Socialista. Tal como se hoje estamos a reduzir a nossa dependência energética isso é porque em devido tempo foi feita uma aposta nas energias renováveis que fez nascer um verdadeiro ‘cluster' industrial com capacidade exportadora de alto valor acrescentado. Ou se os nossos empresários fecham agora importantes negócios na Venezuela é porque, apesar das críticas de muitos, as portas desse mercado foram abertas depois de anos de esquecimento.

Uma coisa é certa: se todos sabemos quem protagonizou nos últimos anos - ao nível do Governo anterior, da AICEP e das empresas - os contributos decisivos para este movimento de internacionalização da economia portuguesa, o Presidente da República também sabe. O único problema é que a verdade histórica não convém à narrativa política que explica o estranho critério destas comendas. A propósito, vale a pena perguntar: porque é que estas condecorações eram tão urgentes que não podiam esperar pelo dia 10 de Junho?» [DE]
   
Autor:

Pedro Silva Pereira.
   
   
 As coisas que eles decidem ao domingo
   
«O primeiro-ministro convocou uma reunião extraordinária do Conselho de Ministros para as seis da tarde de domingo para decidir a forma de saída do programa de ajustamento. A revelação foi feita pelo vice-primeiro ministro, Paulo Portas, durante a apresentação dos resultados da 12ª e última avaliação a Portugal.» [i]
   
Parecer:

Uma palhaçada, uma reunião do Conselho de Ministros para tomar um chá até à hora dos telejornais.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se a merecida gargalhada.»
  
 Palhaçada à Paulo Portas
   
«Para o vice-primeiro-ministro Paulo Portas reduzir as indemnizações no caso dos despedimentos ilegais, além de não ser eficiente do ponto de vista económico seria “eticamente muito discutível” e com estes argumentos o Governo terá conseguido convencer a troika a aceitar um recuo nesta medida.   No âmbito da reforma do mercado de trabalho houve matérias em que Governo e troika divergir

am nas opiniões, frisou esta sexta-feira, 2 de Maio, Paulo Portas. Uma delas foi, por exemplo, em relação è medida que previa a redução das indemnizações no caso de despedimento ilegal. Mas “foi possível evitar por mútuo acordo e com a missão da troika” essa medida que “era do nosso ponto de vista eticamente muito discutível e da racionalidade económica não seria sequer eficiente”, justificou Paulo Portas na conferência de imprensa em que, juntamente com a ministra das Finanças, Maria Luís Albuquerque, apresentou os resultados da última avaliação da troika ao programa de ajustamento português.» [Jornal de Negócios]
   
Parecer:

Se era eticamente discutível então porque razão o Lambretas teve a ideia.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Vomite-se.»
     

   
   
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sexta-feira, maio 02, 2014

A avaliação

Só com este governo é que cabe ao avaliado o papel da avaliação, situação que não ocorre desde a vinda da troika, mas apenas quando esta achou que as coisas não estariam a correr bem e achou que o melhor seria entregar ao seu representante em Portugal, o então ministro das Finanças Vítor Gaspar, a tarefa suja de mentir sobre o que foi combinado nos bastidores. Desde então que o ritual é sempre o mesmo, a troika parte em segredo e de forma tranquila e quando os três funcionários estrangeiros já estão longe o governo convoca uma conferência de imprensa onde quase tudo o que é dito são meias mentiras e o mais importante fica por dizer.
  
Realizada a conferência de imprensa estamos uns tempos a celebrar a avaliação altamente positiva e mais alguns milagres da Santinha da Horta Seca, enquanto Cavaco assegura que foi a mulher que rezou muitos terços à Nossa Senhora de Fátima. Uns tempos de pois ou o FMI ou a Comissão de Durão Barroso publica uma nota com o que foi negociado com o governo e nessa ocasião fica-se a saber que o governo mentiu, omitiu e que teve a colaboração da troika em mais uma operação de manipulação da opinião pública.
  
A verdade é que tanto o DEO como aquilo que hoje vão dizer Portas e a Maria Luís não merece qualquer credibilidade, não passando de tratas. A verdade saberemos mais tarde e sucederá com o Orçamento de Estado de 2015 o mesmo que sucedeu com os anteriores, as medidas neles contidas nunca corresponderam às promessas eleitorais ou às anteriores avaliações, da mesma forma que aquilo que vai ser dito hoje de pouco valerá no momento da apresentação do próximo orçamento. 
  
A conferência de imprensa de mais logo será mais uma encenação do governo com a colaboração de uma troika que desrespeitou o memorando e andou três anos a gozar com a democracia portuguesa e de um presidente que parece que agora é informado de tudo e mais alguma coisa decidida em segredo pelo governo que é o seu.
  
O lado mais obscuro dos últimos anos foi o desrespeito pela democracia portuguesa e uma boa parte da intervenção dos funcionários da troika foi puro jogo sujo, principalmente por parte dos que dependem hierarquicamente de Durão Barroso. Quando os portugueses souberem a verdade sobre esta avaliação e tudo o que foi acordado em segredo aparecerá o Simon, assessor de imprensa do comissário Olli Rehn, ameaçando os portugueses e fazendo chantagem sobre o país e sobre as suas instituições.
  
A troika aceitou fazer o jogo sujo do governo, assumindo as suas propostas e soluções ideológicas como imposições dos credores. Veja-se o que se passou, por exemplo, com a famosa reforma do Estado, o primeiro projecto foi do FMI mas todos perceberam que não passavam de propostas do governo. Agora a troika parte e nada se fez, ficando-se a austeridade pelos cortes de vencimentos e de pensões.
  
O partida da troika é o fim do apoio de Durão Barroso às operações de propaganda suja e o regresso a alguma normalidade. Hoje será a última vez que o governo enganará os portugueses com a ajuda dos palhaços estrangeiros. A partir de agora Passos Coelho terá de dar a cara pelas suas decisões, terá de enfrentar os portugueses sem se esconder atrás da troika.

Umas no cravo e outras na ferradura


 
   Foto Jumento
 

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Janela da Abel Pereira da Fonseca no Poço do Bispo, Lisboa
  
 Jumento do dia
    
Passos Coelho

Passos Coelho nunca escondeu a intenção de tornar em definitivos os cortes nas pensões, mas agora que percebeu que iria ser eliminado politicamente nas eleições que se aproximam deu o dito pelo não dito e arma-se em justiceiro, quem o ouve é bem capaz de pensar que o corte das pensões não foi da sua responsabilidade.

«O primeiro-ministro justificou hoje as medidas reveladas ontem durante a apresentação do Documento de Estratégia Orçamental. Pedro Passos Coelho referiu que o aumento do IVA e da TSU (taxa social única) “não é mais do que já pedimos e não estamos a acrescentar nada”, assegurando que este esforço custará “menos a suportar pela generalidade dos portugueses do que o mesmo valor repartido só entre os pensionistas”.» [Notícias ao Minuto]
   
      
 Cavaco, a pedagogia da simulação
   
«Sinceridade ou simulação? Todas as vezes que Cavaco fala não consigo deixar de me fazer uma pergunta que, com homens como ele, já deveria ter aprendido a não colocar. E o problema não é só meu: uma infinidade de portugueses faz o mesmo. A coisa não é de hoje mas vem dos tempos em que ele era PM, aqueles dez anos de arrivismo, arrogância, de “populismo e clientelismo, sustentado pelo velho mito da direita portuguesa sebastianista: o 'homem providencial'”, como lhe chamou Sousa Franco, em 1993, num estudo sobre o período cavaquista.

Na sessão oficial sobre o 40.º aniversário do 25 de Abril, em que se impediu que os capitães de Abril falassem sob o pretexto de que, disse-o Cavaco, eles não seriam “proprietários do 25 de abril” e de que o dia não “deve servir de arma de arremesso na luta política”, o homem que contaminou metade da nossa experiência democrática (como PM, como PR, como ministro das Finanças: 19 anos!) quis cumprir “o dever cívico de realizar a pedagogia democrática da memória da ditadura perante as novas gerações” que “desconhecem o que é a experiência de viver sob um regime autoritário, a que o 25 de abril pôs fim graças à ação decidida de um punhado de militares corajosos.” Mas, pergunto, corajosos como Salgueiro Maia, a quem Cavaco recusou conceder, em 1992, uma pensão vitalícia por “serviços distintos prestados à Pátria”, ou corajosos como Óscar Cardoso e os outros pides a quem, pelo contrário, a concedeu?

Cavaco lembrou-nos que “no percurso pessoal de cada um, existirão certamente outros dias que são lembrados com especial emoção. Mas nenhum outro evoca a nossa memória coletiva como o dia 25 de abril de 1974.” A sua “especial emoção” terá sido a da democracia, da liberdade e da paz conquistadas, a do “dia inicial inteiro e limpo” de Sophia? Teria esperado Cavaco pela mesma “madrugada” por que esperara Sophia e aqueles que lutaram contra a ditadura? É estranho porque, revistos anos de discursos e a sua Autobiografia política de 2002, Cavaco falou sempre do “pós-25 de Abril” como “desordem política, económica e social e ausência de autoridade do Estado”, de “domínio comunista” (discurso de 20.10.1989). “Ao ouvir na TV as declarações de alguns membros do Governo, do Conselho da Revolução (…), voltava-me para a minha mulher e dizia: 'Esta gente não está boa da cabeça, parece um país de loucos'” (Autobiografia política, vol. 1, pp. 38 e 41). É isto que sempre lhe ouvimos. Coerente com o homem de quem, antes do 25 de Abril, aos seus quase 35 anos, só se lhe conhece a declaração à PIDE, de 1967, de, como era de esperar e era legítimo, “não exercer qualquer atividade política”, mas que se considerava “integrado dentro do atual regime político”.

“Ao fazer uma retrospetiva destas quatro décadas”, Cavaco conclui “que só nos aproximámos dos ideais de abril quando soubemos unir-nos nas opções essenciais.” Por exemplo, “quando conseguimos aprovar uma Constituição que é a matriz fundadora do nosso regime democrático e do Estado social de direito.” A mesma Constituição votada pelo PPD mas da qual Cavaco dizia que sujeitava Portugal a uma “tutela coletivista imposta pelo golpe comunista e socialista do 11 de Março” (discurso de 19.5.1990), que pretenderia, dizia ele, a “perpetuação de uma orientação marxista e socializante para a sociedade portuguesa” e fora aprovada num “processo não respeitou a dignidade de Portugal nem os nossos mais legítimos interesses” (artigo de Cavaco no JN, 25.4.1994)? Aquela cujas regras, de que fala Cavaco, não são cumpridas pelo atual governo, chumbadas que são, uma após outra, várias das reformas troiko-austeritárias, pedaços inteiros de Orçamentos de Estado? É que Cavaco nem por isso cumpre a própria Constituição e demite tal governo; que me lembre, no verão passado deixou até que ele se recauchutasse depois de ter caído com o estrondo da demissão “irrevogável” de Portas...

Nem discuto aqui a legitimidade de, em democracia, ascender ao poder quem por ela nunca nada fez e que mostrou horror permanente, militante, pela revolução que lhe deu origem. Cavaco foi libérrimo de conquistar o poder sem gostar do 25 de Abril e da Constituição, sem necessitar de ter sido militante antifascista! O que é revoltante é esta contra-pedagogia da simulação. Ninguém o obriga, por mais PR que seja, a elogiar uma coisa e a outra, da mesma forma que nunca amou (como nunca usou, e bem!, o cravo vermelho). Só tem é de cumprir a Constituição, nem que seja a versão descafeinada dela que, em 1989, fez aprovar. O PR eleito por menos votos na história da democracia portuguesa, com a mais baixa popularidade de sempre, escusa é de, depois de anos a fazer a “pedagogia” de uma revolução “totalitária”, “comunista” e “soviética”, colar-se memória do 25 de Abril no ano em que os portugueses que não o sentimos como presidente da nossa República lhe gritamos a Grândola aos ouvidos.» [Público]
   
Autor:
 
Manuel Loff.
   
   
 Saída como estava previsto no memorando
   
«Segundo o prestigiado jornal Financial Times, a opção será a da saída limpa em detrimento de um programa cautelar. E mais. A mesma fonte adianta ainda que a troika tentou convencer o Executivo a seguir uma linha cautelar, mas em vão.

No entanto, o Executivo de Passos Coelho deixou-se convencer pelos resultados que os últimos leilões da dívida têm obtido.» [Notícias ao Minuto]
   
Parecer:

Não se entende o porquê de ser limpa quando é o normal.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»
     

   
   
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quinta-feira, maio 01, 2014

Hoje nenhum trabalhador será condecorado

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Por mais que os políticos o disfarcem na sua maioria revelam um maior desprezo pelos trabalhadores, até aqueles que prometem o paraíso na terra para os trabalhadores estruturaram uma ideologia que lhe permitem designarem-se a si próprios como vanguarda, vanguarda que nas maior parte dos casos é liderada por alguém vindo das classes abastadas. 
  
Ontem Cavaco Silva comemorou o 1.º de Maio à sua maneira, juntou alguns gestores seus amigos e apoiantes e condecorou-os, foi uma forma subtil de afirmar que gestores também são trabalhadores, como se na nossa sociedade fossem os administradores de bancos as vítimas do desprestígio social em consequência das suas profissões.
  
Apesar de séculos de evolução das sociedades humanos e dos progressos sentidos nas últimas décadas no combate às discriminações há ainda um desprezo social pelos que trabalham em profissões que não exigem grandes habilitações académicas, aqueles que genericamente são tratados como “mão-de-obra”. Este desprezo humano tão profundo como outras formas de descriminação como o racismo ou a homofobia e é tão evidente na Índia, nos EUA ou na Europa.
  
O cinismo é tão grande que não há político, clérigo ou empresário que não elogie os trabalhadores, que não manifestem as suas maiores preocupações com as condições de vida deles, mas na verdade isso não passa de encenações. Uma boa parte dos empresários vivem tranquilos sabendo que os seus trabalhadores passam fome, os padres vão almoçar de pois da missa na casa da beata burguesa, os políticos enchem os restaurantes de luxo.
  
Um bom exemplo deste desprezo colectivo pelos que mesmo trabalhando não conseguem deixar de ser pobres é evidente no debate em torno do salário mínimo, há meses que se fazem discursos muitos sérios só porque está em causa um aumento de seis cêntimos por hora, muito menos do que a perda de rendimento ocorrida nos últimos três anos.
  
Neste dia nenhum trabalhador será condecorado, nenhum trabalhador dirigir-se-á aos manifestantes, nenhum trabalhador almoçará na mesa do patriarca de Lisboa, nenhum trabalhador será convidado para o repasto presidencial, nenhum trabalhador molhará os pés na piscina de São Bento, é por isso mesmo que este é o dia dos trabalhadores.
  
É o dia em que a Internacional Socialista decidiu no ano de 1890 realizar manifestações para reivindicar as 8 horas de trabalho semanais, é, portanto, o dia daqueles que trabalhando não são respeitados na sua condição humana e nos seus direitos. Não é o dia do trabalho como alguns sugerem, para meter no mesmo saco o Fernando Lima da Presidência e o pedreiro que trabalha na obra em frente da minha casa.
  
É por isso que nenhum trabalhador será condecorado, nem neste dia nem em nenhum outro, porque o seu trabalho é desvalorizado socialmente e a riqueza que se distribui entre os mais ricos, que alimenta as campanhas dos partidos, que corrompe, que é distribuída entre amigos em esquemas como BPN só existe porque todos os anos os trabalhadores têm muito boas razões para celebrar o Dia Internacional dos Trabalhadores. 

Umas no cravo e outras na ferradura


 
   Foto Jumento
 

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Flamingo do Jardim Zoológico de Lisboa
  
 Jumento do dia
    
Passos Coelho

Ao fim de três anos de destruição de todos os projectos e apostas do governo anterior na promoção de uma economia com maior peso de produtos de maior valor acrescentado, promovendo a emigração de jovens quadros e adoptando medidas que protegem os sectores mais miseráveis da economia alguém deve ter explicado a Passos Coelho que as suas ideias apenas conduzem o país a um desastre anunciado, algo que o CDS há muito que tinha percebido.
 
O problema do discurso de Passos Coelho enferma do seu erro original, revelador de tua ignorância total de economia inaceitável para um primeiro-ministro e muito menos de alguém que tendo estudado gestão numa universidade tipo Pingo Doce teve certamente algum contacto com os livros de economia, no mínimo deve ter visto as capas. Passos Coelho coloca a questão como se houvesse opção e esse é o seu problema, há muito que qualquer cidadão comum sabe que a aposta em salários baixos pode favorecer alguns empresários menos incapazes mas muito dados a este liberalismo primário mas é um desastre.

«O primeiro-ministro defendeu hoje que um modelo de desenvolvimento assente em salários baixos não interessa a Portugal, afirmando que o Governo está apostado em aplicar nos próximos anos um modelo de “elevado valor acrescentado”.

“Todo o modelo de desenvolvimento assente em salários baixos não é um modelo de desenvolvimento que interesse a Portugal”, disse Pedro Passos Coelho.» [i]

 
 Uma pergunta a Cavaco

No passado Cavaco Silva inventou uma crise com o argumento de que o PEC chegou ao conhecimento de Bruxelas ainda antes de ele ter conhecimento. Agora sabe-se que os rapazolas da troika estão presente nas reuniões de discussão final do DEO, isto é, o documento chega aos quatros cantos do mundo, desde Nova Deli a Nova Iorque, passando por Bruxelas depois de devidamente elaborado e aprovado pelos rapazolas.

Será que Cavaco se fez representar nas reuniões do ministério das Finanças de forma a saber do conteúdo do documento pelo menos ao mesmo tempo da senhora Christine Lagarde, assegurando assim a defesa da sua dignidade? Ou ele confia no seu governo e já não precisa de ser informado com antecedência? Bem, ainda há uma hipótese de Cavaco estar a par de tudo, pode ser que o Marques Mendes lhe tenha telefonado dando conta da evolução dos trabalhos.
 
Se numa avaliação anterior da troika foi a Nossa Senhora de Fátima a interceder em favor de Portugal, favorecendo a crendice da dona Maria em desfavor dos grandes conhecimentos do marido, desta vez nem a nova Santinha da Ladeira da Rua da Horta Seca teve o papel de dar a conhecer a Cavaco as decisões do senhor. Por este andar a família Silva vai juntar à devoção à santinha de Fátima a devoção ao Santinho Marques Mendes.
   
   
 Cavaco amigo, o teu governo está contigo
   
«O Presidente da República não chegou a enviar para fiscalização preventiva do Tribunal Constitucional (TC) o novo diploma com os critérios de selecção do trabalhador a despedir, em caso de extinção do posto de trabalho.

Cavaco Silva tinha até à semana passada para o fazer. Agora, só lhe resta vetar ou promulgar o diploma, avança o “Diário Económico”.

O diploma em causa seguiu para promulgação no dia 14 de Abril, segundo o site do Parlamento. Nessa altura, o PR tinha oito dias para enviar as alterações para o TC, ou 20 dias para vetar ou promulgar as novas medidas, aprovadas pelo Executivo de Passos Coelho. Agora, o prazo termina em inícios de Maio. Fonte da Presidência referiu, entretanto, que o diploma ainda está a ser analisado.» [i]
   
Parecer:

Esta decisão de Cavaco é o seu discurso de 24 de Abril que só foi divulgado hoje como forma de Cavaco celebrar à sua maneira o Dia do Trabalhador. O curioso é que estas coisas sabem-se através do jornal da Ongoing, será que foi coisa do agente de contra-informação e difamação Fernando Lima?
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se a Cavaco se é em torno deste tipo de medidas e do apoio à sua forma de estar na presidência que tenta forçar o PS a um consenso.»
  
 A RTP vai contratar as suas "boas abertas"?
   
«A RTP, a única televisão em Portugal que emitia um boletim meteorológico apresentado por um especialista, emitiu esta quarta-feira o último espaço no qual eram, todas as manhãs, as condições do estado do tempo.

“Lamento que Portugal volte a ser um dos poucos países da Europa, se não o único, que não tem um meteorologista a apresentar a informação meteorológica, pelo menos num dos canais de televisão”, comentou a meteorologista Teresa Abrantes na antena da televisão pública.

Hoje, último dia de abril, a meteorologista despediu-se ainda dos telespetadores e agradeceu “todos estes anos de colaboração” com a RTP.» [Notícias ao Minuto]
   
Parecer:

Isto é uma filoxera que está a atingir este desgraçado país.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»
   
 Este parece sarna
   
«O cabeça de lista da coligação ´Aliança Portugal' (PSD/CDS-PP), Paulo Rangel, disse esperar que o cabeça de lista socialista às europeias, Francisco Assis, compareça no debate na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa e "não lance nevoeiro".

Francisco Assis afirmou hoje esperar que Paulo Rangel compareça aos debates, para esta não seja "uma campanha de truques" e "pequenos incidentes", mas centrada em temas fundamentais, sejam nacionais ou europeus.

O cabeça de lista do PS falava à Lusa depois de ter assinado o manifesto do Partido Socialista Europeu, em frente aos Jerónimos, em Lisboa, juntando-se à caravana de jovens europeus que está a recolher esse compromisso junto dos cabeças de lista da área do PSE por toda a Europa.» [i]
   
Parecer:

O pequeno Rangel deve achar que é grande coisa em debates, está esquecido das tareias que levou no rabinho nos debates para a liderança do PSD.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se de escárnio para calar a sarna.»
     

   
   
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