sábado, junho 14, 2014

Eles viram a tal luz

É impressionante a irresponsabilidade, incompetência e má fé como a direita portuguesa tem dirigido o país, não há um projecto, não há um objectivo, não há metas, com Cavaco a timoneiro e Passos Coelho de moço de arrais este barco navega sem direcção e caminha arrisca-se a ficar em seco. O ideólogo de tudo isto, um tal Vitor Gaspar que decidiu transformar os portugueses em cobaias de um estudo mal elaborado, fugiu e deixou cá o seu único crente.
  
Já abandonaram a desvalorização fiscal, já não sabem quantos funcionários estão a mais, já desistiram de tirar o escalpe a todos os funcionários, já rezam para que sobrevivam as empresas que tudo fizeram para as lavar à falência. Inspirados em sucessos de outros extremistas de direita estavam convencidos de que escravizavam os trabalhadores, destruíam sectores considerados prejudiciais, que reduziam o Estado ao mínimo e de um dia para o outro a economia disparava. Era a combinação entre a desvalorização fiscal de Gaspar com a aposta nos produtos transaccionáveis de Cavaco, o resultado foi a merda feita por Passos Coelho.
  
A economia apenas sobreviveu porque alguns sectores progrediram à margem das políticas governamentais, algumas empresas ajudaram a criar uma ilusão estatística e o BCE viabilizou o regresso aos mercados graças às medidas a que Gaspar e Passos se opuseram no passado. Portugal está muito pior do que estava em 2010 e a desgraça só não foi pior graças a algumas exportações, à emigração em massa dos mais jovens, à caridade e à paciência (ou talvez cobardia dos portugueses).
  
O país vai pagar caro por ter acreditado num político mal preparado, sem qualquer experiência e que insistem em comportar-se como o visionários que viu a tal luzinha dos iluminados. Já percebeu que tem de respeitar a Constituição, que o que lhe disseram que daria resultado falhou, nenhum indicador estatístico lhe dá razão. Mas resiste com truques, uma característica dos jotas, e insiste em ir ao pote do rendimento dos funcionários públicos e aposentados para financiar os seus truques eleitorais.

Umas no cravo e outras na ferradura


 
   Foto Jumento
 

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Concha de vieira na Praia dos Três Pauzinhos, Vila Real de Santo António
  
 Jumento do dia
    
Seguro, por enquanto e infelizmente líder do PS

O ainda líder do PS descobriu no IVA uma fonte de inspiração para poder apresentar soluções. O problema é que a pressa de dar ares de ter ideias novas e a falta de competência leva-no ao erro, sujeitando-se à humilhação de ouvir um secretário de Estado chamar-lhe ignorante.

«Para o líder socialista, as empresas que se atrasam no pagamento das faturas aos respetivos fornecedores devem ser impedidas de deduzir o IVA relativo a estes documentos até que procedam à liquidação dos mesmos. Seguro sugeriu ainda que as sociedades que fornecem bens e serviços ao Estado sejam obrigadas a pagar este imposto apenas quando o Estado lhes pagar aquilo que lhes deve.

Núncio adiantou, em primeiro lugar, que o Governo “não tem conhecimento formal das propostas apresentadas pelo PS” e sublinhou que a primeira proposta do líder do PS “aparenta não ser compatível com o direito comunitário” e a segunda “não parece fazer sentido”, por já ser aplicada “nos termos previstos no regime de ‘IVA de caixa’ aprovado pelo Governo em maio” de 2013.

“O IVA é um imposto regulado a nível europeu através de Diretiva, pelo que cada Estado-membro, incluindo Portugal, deve cumprir com as regras estabelecidas, nomeadamente em termos das regras aplicáveis à forma e período de dedução do imposto”, esclareceu o secretário de Estado.» [Notícias ao Minuto]
 
      
 Dias de queda
   
«Houve o deslumbrante, comovente até, elogio de Teresa Leal Coelho ao Tribunal Constitucional, em forma de milagre das rosas: a maioria confessando que quis e acreditou nomear comissários políticos descobrindo, atónita e vingativa, que lhe saíram juízes do regaço. Houve a reação vagal de quem há muito vagou o lugar e que, 20 minutos de ausência depois, achou, apesar (por causa?) dos diretos de todas as TV, não dever uma palavra, uma justificação, um módico de boa educação, ao País no dia dele - decerto crendo que, neste caso como nos outros, se fingir que não se passou nada, é como se nada se tivesse passado.

Tanta coisa nesta semana. Mas não vou, como o desmaiado vacante, retomar o discurso como se não tivesse caído. Os nomes das pessoas que esta semana receberam notificação de despedimento no grupo editorial do DN ocupariam esta coluna toda - pensei usá-la assim. Mas seria uma outra forma de não me obrigar a falar sobre isso. De guardar o silêncio envergonhado, embaraçado, que os jornalistas guardam sobre as suas tragédias, nós que corremos a "cobrir" as dos outros, os despedimentos dos outros, as lágrimas, desalento e desespero dos outros, para fazer delas posto de espreita sobre o mundo.

Somos isso, temos essa missão: espécie de guarda avançada, cega, lenta, à procura de sinais. De vez em quando, os sinais vêm ter connosco. Abalroam-nos. Inevitável, diz a gestão deste grupo: que é "a única forma". Posso vir a acreditar nisso. Mas preciso que me expliquem. Que me demonstrem. Que me oiçam; quem sabe tenho, temos, ideias para ajudar a resolver o problema. A lei, esse tão infrequentável luxo nos tempos que correm, diz que os jornalistas "têm o direito de participar na orientação editorial do órgão de comunicação social para que trabalhem, bem como a pronunciar-se sobre todos os aspectos que digam respeito à sua actividade profissional". A lei diz isto porque reconhece aos jornalistas uma natureza específica, especial: somos fundamentais para a democracia. Mas poderemos sê-lo, com o que isso implica de independência, de segurança, de intrepidez e resistência, se formos tratados, nós que somos supostos averiguar sobre tudo, investigar sobre tudo, ter uma perspetiva sobre tudo, uma narrativa sobre tudo, afrontar tudo e todos, como se não tivéssemos capacidade de perceber o que nos acontece e porquê, riscar uma palavra sequer sobre isso?

E, o que é mais, se nos deixarmos assim tratar. Será assim tão impossivelmente heróico cumprir os nossos deveres e exigir os nossos direitos? Com que cara pediremos amanhã a alguém que dê a cara no nosso jornal, se não damos a cara por ele, pelo jornalismo, por nós? Com que cara continuaremos como se nada se tivesse passado, à espera de cair de vez?» [DN]
   
Autor:
 
Fernanda Câncio.
   
   
 E o Scolari lá se safou
   
«"Vi a jogada 10 vezes e para mim foi penálti", rematou Luiz Felipe Scolari, na quinta-feira, em conferência de imprensa, aludindo ao lance que permitiu ao Brasil assumir a dianteira do resultado frente à Croácia, na estreia do Campeonato do Mundo, que os "canarinhos" venceriam por 3-1.» [DN]
   
Parecer:

Só lhe falta acrescentar "e eu é que sou o cego?".
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se a merecida gargalhada.»
  
 A santinha da Horta Seca meteu férias ou será dos sapatos?
   
«De acordo com os números do gabinete oficial de estatísticas da UE, no primeiro trimestre de 2014, a taxa de emprego recuou apenas em cinco Estados-membros, tendo Portugal conhecido o segundo maior recuo, após três trimestres seguidos de crescimento: o emprego crescera 0,7% no segundo trimestre de 2013, 0,8% no terceiro e 0,7% no quarto (sempre em comparação com os três meses anteriores), caindo então agora três décimas.

Além de Portugal, o emprego só caiu em Chipre (-1,2%), Lituânia e Finlândia (ambas com -0,2%) e Itália (-0,1%), enquanto as maiores subidas foram registadas na Hungria (1,5%), Letónia (0,8%) e Reino Unido (0,6%).

Na comparação homóloga, com o primeiro trimestre de 2013, o emprego cresceu 0,2% na zona euro e 0,7% no conjunto da UE, tendo a subida sido mais significativa em Portugal, ao cifrar-se nos 1,8%.» [DN]
   
Parecer:

Há qualquer coisa de errado com a nossa santinha milagreira, se calhar desde que passou a usar sapatos portugueses deixou de fazer milagres.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Regresse-se à devoção pela Santinha da Ladeira, esta da Horta Seca é bem mais revogável do que o seu Santo Padre.»
     

   
   
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sexta-feira, junho 13, 2014

Oposição sinistra

Se fosse em italiano sinistra significaria esquerda, mas aqui a palavra tem um significado luso e pretende-se dizer que a lógica da overdose de oposição agora seguida por José António Seguro é uma estratégia sinistra. Enquanto esteve em causa o interesse dos portugueses o líder do PS ignorou o seu papel de líder da oposição, mal percebeu que a sua flacidez lhe custaria o seu cargo de secretário-geral do PS passou a ser mais duro na linguagem do que o Jerónimo de Sousa.

A estratégia de seguro perante as políticas do governo sempre foi clara, enquanto a atribuição das culpas podia ser assacado o líder do PS manteve-se sempre em silêncio, convinha-lhe culpar Sócrates de todos os males do país e a estratégia do governo de Passos Coelho ia de encontro aos seus objectivos políticos. Seguro sempre detestou o antecessor e se restassem dúvidas isso ficou óbvio nos ataques que recentemente foram dirigidos a António Costa.
  
Seguro sempre pareceu concordar com as políticas de Passos Coelho e a sua posição oscilou entre a abstenção e uns guinchinhos parlamentares. Nunca tomou uma posição firme contra as políticas de Passos Coelho e mesmo quando estava em causa a constitucionalidade dos cortes de vencimentos a sua liderança opôs-se à iniciativa de deputados do PS. Na verdade Seguro nunca apresentou alternativas às políticas do governo porque não as tinhas ou, pior ainda, concordava com elas.
  
Durante três anos o memorando foi alvo de revisões e Seguro ou concordou sem o assumir em público, ou não ficou muito incomodado com o endurecer da austeridade. Fica-se com a impressão de que Seguro assistia tranquilamente ao empobrecimento forçado dos portugueses, aceitando tranquilamente que Passos fizesse o trabalho sujo para depois ser mais fácil governar. Chegou-se ao cúmulo de Passos prometer a recuperação dos vencimentos dos funcionários públicos ao mesmo tempo que Seguro não dava quaisquer garantias nesses sentido. Nem mesom o famoso programa das legislativas apresentado na campanha das europeias corrigia essa injustiça.
  
Mas o mesmo Seguro que não se comprometia com a recuperação dos vencimentos foi o primeiro a correr para as televisões para transformar o acórdão do Tribunal Constitucional numa vitória sua. Temos, portanto, um líder do PS que aceitava tudo o que era feito aso portugueses, mas a partir do momento em que estava em causa o seu futuro acordou e tomou uma overdose de Viagra para andar armado em líder da oposição. Isto é oportunismo levado ao extremo.
 
 

Umas no cravo e outras na ferradura


 
   Foto Jumento
 

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Flor de marcela, Praia do Cabeço
  
 Jumento do dia
    
Maria Luís Albuquerque

A ministra escreveu à troika e nada disse aos portugueses, escreveu no dia seguinte às eleições europeias e foi necessário esperar um mês para que tal facto fosse tornado público, mesmo assim a ministra nãoi teve a coragem de tomar posição em público e mandou uma cópia da carta ao Expresso.

«A receita abaixo do previsto na Segurança Social, as transferências mais altas para os hospitais-empresa e a revisão em baixa das rescisões por mútuo acordo no Estado são três variáveis que anulam a folga herdada do fecho das contas de 2013 e o comportamento melhor do que o previsto da economia, identifica o Governo na carta de intenções enviada ao FMI.

Na carta - assinada pela ministra das Finanças, pelo vice-primeiro-ministro e pelo governador do Banco de Portugal - as autoridades portuguesas mantêm o compromisso de cumprir a meta de 4% do PIB fixada para o défice orçamental, mas revelam que, a meio do ano, o Governo perdeu a vantagem trazida de 2013.

A carta foi enviada um dia depois das eleições europeias e antes do chumbo das reduções salariais deste ano pelo Tribunal Constitucional, o que sugere que o exercício orçamental deste ano será mais apertado do que previsto em Janeiro.» [DE]
 
      
 A iconomia
   
«Há uma empresa em Felgueiras que fez o contrário do que a troika exigiu: não desceu salários, subiu; não despediu pessoas, contratou; não parou de investir para se desendividar, gastou em mais e em melhor tecnologia, não parou de trabalhar as suas marcas, gastou dinheiro a pensar no assunto e a posicionar--se nos mercados internacionais. E subiu os preços, não os baixou.

Hoje, esta empresa, a J. Moreira Lda., chegou onde a troika queria - dizia querer - que o País chegasse: ganhou quota de mercado, vende para o mundo inteiro (só os italianos conseguem vender sapatos mais caros que os portugueses). A J. Moreira Lda. é um êxito no meio de muito fracasso. Não é a única assim, embora seja um bom exemplo. Em 2013, as empresas de calçado venderam 1,7 mil milhões de euros para o exterior e, desde 2010, a indústria tem mais 10% de pessoas a trabalhar. Cresceu no meio da crise.

Como é sabido, a chamada des-valorização interna foi a resposta automática do FMI para um país que não pode desvalorizar a moeda. A ciência económica ficou assim reduzida à sua expressão mais simplória. Para quê complicar?, pensaram FMI, BCE e Comissão Europeia, até porque, na verdade, os salários tinham crescido acima da produtividade na última década.

É evidente que o fator trabalho (custo) é relevante para a competitividade de uma economia e de qualquer empresa (embora não seja o único) e que, por isso, a moderação salarial era provavelmente inevitável na maioria dos sectores. O que não se entende é que hoje, depois de os salários terem sido longamente congelados no Estado, depois de as remunerações terem sofrido cortes violentos, depois de terem saído pessoas como nunca da função pública para a reforma ou para o desemprego, depois de o sector privado ter despedido e continuar a despedir e ter cortados salários e benefícios, depois de as horas extraordinárias terem sido reduzidas e de mais de 200 mil pessoas terem emigrado... depois de tudo isto, como é que ainda se pode acreditar que o caminho é cortar ainda mais?

Na J. Moreira Lda., as receitas subiram para 14 milhões anuais e duplicaram nos últimos quatro anos. Os menos de 170 trabalhadores em 2009 são hoje mais de 200. Uma delas é Sónia Carneiro, que trabalha há 16 anos na empresa e que nunca deixou de receber aumentos salariais. A troika (que ainda cá está e não apenas em espírito), o Governo e muitas empresas privadas deviam pôr os olhos neste exemplo. É fácil dizer que as pessoas estão sempre em primeiro lugar, difícil é mostrá-lo nas decisões. O facto de um homem morrer por uma causa não faz dela uma causa certa.» [DN]
   
Autor:
 
André Macedo.
   
   
 Governo e Banco de Portugal reconhecem falhanço
   
«A receita abaixo do previsto na Segurança Social, as transferências mais altas para os hospitais-empresa e a revisão em baixa das rescisões por mútuo acordo no Estado são três variáveis que anulam a folga herdada do fecho das contas de 2013 e o comportamento melhor do que o previsto da economia, identifica o Governo na carta de intenções enviada ao FMI.

Na carta - assinada pela ministra das Finanças, pelo vice-primeiro-ministro e pelo governador do Banco de Portugal - as autoridades portuguesas mantêm o compromisso de cumprir a meta de 4% do PIB fixada para o défice orçamental, mas revelam que, a meio do ano, o Governo perdeu a vantagem trazida de 2013.

A carta foi enviada um dia depois das eleições europeias e antes do chumbo das reduções salariais deste ano pelo Tribunal Constitucional, o que sugere que o exercício orçamental deste ano será mais apertado do que previsto em Janeiro.» [DE]
   
Parecer:

O que é feito das receitas resultantes do aumento do emprego tantas vezes badalado pelo governo?
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se ao Lambretas.»
  
 O graxista
   
«"Do que conheço, parece a opção mais sensata", disse Ulrich, à margem da divulgação na bolsa de Lisboa dos resultados da oferta de troca de dívida do BPI em ações.

A ministra das Finanças anunciou hoje, no final do Conselho de Ministros, que o Governo abdicou de "receber o último reembolso do empréstimo" por não querer solicitar "uma nova extensão que reabrisse o programa com a 'troika'".

"É muito importante que isto seja percebido. O que nós deixámos foi de ter condições para receber a última 'tranche'. Por cerca de duas semanas acabámos por não poder alcançar esse resultado", explicou Maria Luís Albuquerque já na Assembleia da República. Portugal tinha a receber 1,7 mil milhões de euros do lado de Bruxelas e 900 milhões de euros pela parte do FMI.» [Notícias ao Minuto]
   
Parecer:

Tem anda muito calado.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Vomite-se.»
     

   
   
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quinta-feira, junho 12, 2014

O triste fim de Cavaco, o Silva

Cavaco parece ser um daqueles crentes que em fim de vida se tornam devotos fervorosos como se estivessem a juntar pontos para entrarem no céu. Parece acreditar que há um céu e que por ainda não ter nascido ninguém mais honesto do que ele tem lugar reservado num condomínio de luxo com vista para Portugal. Daí poderá ver os seus descendentes enfrentar a vida tranquilamente com o que herdaram nos negócios do avô e com os lucros gerados pelo Meo Arena, um bom negócio feito graças a um governo liberal e generoso.
  
Só que o que Cavaco não irá ver é um provo a recordá-lo como um grande primeiro-ministro e muito menos como um presidente competente. Vão recordá-lo como um político matreiro que sempre deu grande importância à sua imagem e que governou um país como se fosse um quintal do barrocal do Algarve. Um político de vistas curtas, que estragou uma democracia ao criar uma classe de corruptos, esbanjando os recursos que afluíram da CEE em obras da treta para inaugurar em vésperas de eleições e em esquemas de falsa formação profissional.
  
Agora corre contra o tempo, tenta branquear os erros do passado, como quando recusou uma pensão a Salgueiro Maia ao mesmo tempo que a atribuía a um agente da PIDE-DGS, mal chegou a Belém correu a Santarém homenagear o capitão de Abril, como se com esse gesto o país esquecesse o que tinha feito. Cavaco não preside para o país mas sim para gerir a sua imagem, não fala a pensar no país mas sim na eventualidade de no futuro precisar de recorrer ao que disse ou escreveu para ser ilibado de responsabilidades.
  
Como primeiro-ministro acabou por falhar, convencido de que os portugueses não o escolheriam para presidente se o PSD estivesse no governo fez a Fernando Nogueira o que não se faz a um adversário, só lhe faltou pedir aos eleitores para que não votassem no seu sucessor. Mas nada ganhou com isso, acabou por perder as eleições contra Jorge Sampaio. Isso custou-lhe dez anos de existência sem mordomias, tempo em que ainda teve sucesso com o famoso negócio das acções da SLN. Durante esse tempo ainda tirou o tapete a Santana Lopes mas nunca assumiu que era ao então primeiro-ministro que se dirigia quando falou em má moeda.
  
Se o fim do mandato de primeiro-ministro foi o desprezo dos eleitores, o fim do mandato na presidência não vai ser melhor. Cavaco já sabe como vai terminar o seu mandato, ou dará posse ao governo que derrubou para chegar a primeiro-ministro, ou dará posse ao governo que ajudou a derrubar no seu segundo mandato, quando achou que podia ser presidente e primeiro-ministro. Se Seguro sobreviver dará posse a um governo de bloco central, se António Costa conseguir a liderança do PS Cavaco poderá sofrer a humilhação de ter de dar posse a um governo de maioria absoluta dirigido por aquele que era o número dois de Sócrates.
  
Em qualquer dos casos Cavaco terá um fim triste, fim que merece depois de tanta prepotência enquanto primeiro-ministro, e de incompetência em Belém. Cavaco arrastar-se-á até ao fim de um mandato paupérrimo, que não deixará saudades à democracia portuguesa, um mandato durante o qual Cavaco liderou a direita na conquista do poder, aproveitando-se de uma crise externa que pôs a nu o seu falhanço como primeiro-ministro.
 
 

Umas no cravo e outras na ferradura


 
   Foto Jumento
 

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Castro Marim
  
 Jumento do dia
    
José Manuel Silva, bastonário dos médicos

Toda a gente sabe que as farmacêuticas aposta na informação e formação dos médicos, toda a gente sabe que o marketing das farmacêuticas passa por prendas a médicos, toda a gente sabe que não têm faltado casos de corrupção. Perante esta realidade e face aos números agora divulgados a obrigação do bastonários era esclarecer e não atirar bombas de fumo para tentar ocultar a realidade.

Independentemente das responsabilidades do Estado, de que os médicos nunca se queixaram, o facto é que há números que ninguém compreende e que sugerem que os médicos não declaram tudo o que recebem das farmacêuticas, o que faz com que surjam dúvidas legítimas sobre o comportamento de alguns.

«O bastonário da Ordem dos Médicos, José Manuel Silva, defendeu hoje que o Ministério da Saúde, "em vez de criticar", deveria substituir a indústria farmacêutica e apoiar a formação e a investigação científica dos clínicos.
José Manuel Silva reagia assim, em declarações à agência Lusa, à notícia divulgada hoje no jornal Público, segundo a qual a indústria farmacêutica declarou apoios e subsídios muito superiores aos efetuados pelos profissionais de saúde, explicando tratarem-se de donativos para formação e investigação dos médicos pela indústria farmacêutica.

"No sentido de estimular a transparência e aumentar a separação entre clínica e indústria farmacêutica, o ministério deve substituir a indústria no apoio à formação contínua dos médicos, porque se não o fizer, corremos o risco de serem afetadas. Infelizmente, o ministério não assume as suas obrigações e é, por isso, que o apoio da indústria farmacêutica é insubstituível", argumentou.

O jornal Público adianta hoje que a indústria farmacêutica concedeu apoios e subsídios no valor de mais de 28,6 milhões de euros a profissionais e organizações do setor da saúde, entre janeiro e junho deste anos, mas que estes profissionais comunicaram que neste período receberam apenas 8,4 milhões de euros dos laboratórios.» [DN]
 
 Sugestão
   
Além de uma avaliação feita pelo PSD aos juízes do Tribunal Constitucional para verificar se insistem em obedecer à Constituição sem respeitar a visão de Passos Coelho, estes magistrados deviam ter um curso de direito constitucional pois, como alguém andou a comentar, na sua maioria não são constitucionalistas.
 
A Universidade Independente podia muito bem ministrar este curso e para que não restassem dúvidas sobre a capacidade dos juízes que recebessem o diploma, esse curso poderia muito bem ser dirigido por um intelectual de reconhecido mérito como Miguel Relvas. Quem melhor conhece o pensamento constitucional de Passos Coelho senão o seu inventor?
 
      
 A quem estamos entregues
   
«Tudo parece indicar que António Costa caminha para dirigir o PS. E Seguro?, perguntei, arfante de curiosidade, a um dirigente daquele partido, que apoiara, com entusiasmo, o actual secretário-geral. Não tem carisma, respondeu. Só agora é que não tem? Acentuou-se essa falta. Este diálogo, pouco razoável, tome-se como reflexo daquela agremiação. As coisas, ali, sempre funcionaram como num jogo de intrigas, porque o poder atrai sempre as moscas. Lembremo-nos do sótão de Guterres, só para não esquecer a guerrilha contra Mário Soares. Quanto a Seguro, o equilíbrio manso durante o consulado de Sócrates define um carácter e desenha a exiguidade do homem. Em política, a lealdade e a gratidão não possuem lugar cativo. Porém, estas deformidades não são apanágio único do PS: veja-se o que ocorre no PSD. Desde os conflitos no tempo de Sá Carneiro, até às convulsões de Passos, com expulsões e marginalizações despudoradas, a rectidão de processos não tem sido, no sítio, muito recomendável.

Mas estas turbulências podem, acaso, ajudar a definições mais claras. Passos, já toda a gente sabe quem é e ao que veio. Meteu-se numa embrulhada, para a qual não estava minimamente preparado, nem cultural nem ideologicamente, presumindo, com leviandade de menino, que bastava mexer nas estruturas sociais e conflituar com as instituições (caso dos sindicados e do Tribunal Constitucional, por exemplo) para alisar os obstáculos. É o que se viu. Colocou a sociedade portuguesa num paiol de desespero, e enriqueceu ainda mais os ricos, desprezando os pobres e o mundo do trabalho.

Seguro, quanto a ele, suprimiu as palavras "trabalhadores" e "operários" do léxico comum a um partido daquela natureza, enfiou no bolso o punho esquerdo e fertilizou com amena satisfação o apego ao "mundo empresarial", sem rebuço e num compromisso abjecto. Teve como parceiro o Eng.º Proença, sempre pronto a pactos unilaterais. A redução do PS a uma espécie de estado cataléptico provocou o entusiasmo claro e jubiloso dos dirigentes do PSD, que nunca viram em Seguro um estorvo de maior, nem na baixa retórica ou na gramática débil e repetitiva. É um sujeito menor, sem visão do mundo e sem capacidade de estudo para o compreender.

António Costa deixou-se fotografar com o punho cerrado, é certo, mas pouco ou nada se sabe do seu projecto político. E, se calhar, ainda é cedo para dele tomarmos conhecimento. Todavia, a ter em conta as intenções gerais, é ele o favorito dos portugueses para liderar o PS. E é ele o que se entende como capaz de escorraçar Passos Coelho da incompetência e do crime de empobrecimento com que tem causticado a pátria dos mais pobres.

No meio de isto tudo, emerge, como caixeiro-viajante de uma loja de caixões, o fúnebre Dr. Cavaco. Quem nos acode?» [DN]
   
Autor:
 
Baptista-Bastos.
   
   
 É só boas notícias
   
«De acordo com o Boletim Económico de junho, a economia nacional irá crescer 1,1% em 2014, um ponto percentual abaixo do que o Banco de Portugal esperava em abril e também menos do que o governo espera para este ano.

A justificar esta queda estão os dados divulgados pelo INE relativamente ao primeiro trimestre deste ano e que deram conta de um comportamento pouco satisfatório das exportações a par de um aumento das importações.» [DN]
   
Parecer:

Passadas as eleições europeias regressa-se à normalidade estatística.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se à santinha da Horta Seca se deixou de fazer milagres, se calhar já nem usa sapatos fabricados em Portugal.»
  
 Overdose de oposição
   
«O secretário-geral do PS, António José Seguro, instou hoje o Governo a esclarecer "o que é que negociou nas costas dos portugueses" com a 'troika', no âmbito do programa de assistência financeira.

"O Governo não pode esconder nada dos portugueses e infelizmente está a esconder dos portugueses. Nós vivemos situações muito difíceis do ponto vista económico e do ponto de vista social, há um imenso desemprego, e o Governo não pode continuar com esta conduta, tem de esclarecer com clareza o que é que negociou nas costas dos portugueses, o que é que consta da carta para o FMI", afirmou Seguro.» [DN]
   
Parecer:

A pergunta justifica-se, o problema é que renegociação do memorando após renegociação o PS de Seguro manteve-se calado e conivente com Passos Coelho.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se a Seguro se só agora se lembrou de fazer oposição ao seu amigo.»
   
 A Europa não brinca às aclarações
   
«A zona euro quer que Portugal "clarifique rapidamente" se tenciona solicitar uma nova extensão do programa de ajustamento ou se abdica do dinheiro que ainda falta receber dos credores internacionais. A perspetiva de Portugal não levantar o último cheque, como o Expresso avançou, não preocupa as instâncias europeias, mas também não é vista como um sinal de que tudo corre sobre rodas.» [Expresso]
   
Parecer:

Fazer esperar tudo por um pedido manhoso e abusivo é má estratégia, até proque a Europa assenta no respeito pelas constituições.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Espere-se para ver como Passos vai sair desta embrulhada.»
   
   
 Drogas e putas contribuem mais para o crescimento que Passos
   
«As actividades ilegais representam 0,4% do Produto Interno Bruto (PIB) português, de acordo com a melhor estimativa divulgada hoje por fonte do INE (Instituto Nacional de Estatística).

Esta estimativa, que representa 676 milhões de euros com base no produto previsto para este ano, resulta de um trabalho mais exaustivo de apuramento do rendimento nacional bruto e cobre a margem gerada pelo tráfico de droga, prostituição e contrabando.

Em linha com orientações do organismo europeu de estatística Eurostat, o PIB passará a incluir a partir de Setembro deste ano a estimativa sobre a margem gerada por estas actividades e que terá um efeito positivo de 0,4%, segundo foi explicado hoje por responsáveis do INE numa apresentação sobre o impacto da adopção das novas contas nacionais.» [i]
  
«Cerca de 13% do PIB registado em Portugal é explicado pela chamada “economia não observada”, revelou esta quarta-feira o Instituto Nacional de Estatística, numa sessão de esclarecimento em que anunciou também que se irá passar a partir de Setembro a incluir explicitamente o valor estimado para actividades ilegais, nomeadamente, as relacionadas com a prostituição, o tráfico de droga e o contrabando, o que fará aumentar o PIB em 0,4%, ou cerca de 700 milhões de euros.

Como explicaram os técnicos do INE numa sessão de esclarecimento sobre a entrada em vigor da nova versão do Sistema Europeu de Contas - SEC (as regras usadas em todos os Estados-membros da UE nas suas contas nacionais), o valor do PIB português inclui, desde sempre, uma estimativa para aquilo a que o INE denomina como “economia não observada”. Aqui incluídos estão os cálculos do INE feitos para fenómenos tão diversos como o emprego não registado, a facturação não realizada, as rendas imputadas ou a prostituição. Nem toda a economia não observada é ilegal: as rendas imputadas, por exemplo, são uma forma do INE incluir no PIB aquilo que um proprietário de uma casa pagaria de renda anualmente caso pagasse renda a si próprio. Só isto representa entre cinco e seis pontos percentuais dos 13%.

O INE faz as suas estimativas cruzando, por exemplo, os dados do inquérito ao emprego do INE (em que as pessoas dizem se estão ou não empregadas) com os quadros de pessoal declarados oficialmente pelas empresas. Se houver mais pessoas que se dizem empregadas do que aquelas que são declaradas, assume-se a existência do fenómeno de economia não observada. Outro método utilizado é o cálculo da receita de IVA que seria obtida aplicando as taxas do imposto ao comércio de bens e serviços estimado pelo INE, comparando-o depois com a receita efectiva obtida pelo Estado. O diferencial entre estes dois valores foi nos últimos anos de 11%, ou 2000 milhões de euros.

Até agora, a autoridade estatística nacional tinha optado por não revelar qual a parte do PIB que corresponde a esta economia não observada. Esta quarta-feira fê-lo pela primeira vez, dizendo que o valor é de de 13% do PIB, o que representa cerca de 22.000 milhões de euros.» [Público]
   
Parecer:

Agora ficamos a saber que enquanto o governo promove a recessão é a droga e as putas que puxam a economia.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se à Santinha da Horta Seca se vai passar a preferir a produção nacional.»
   
 O  Bota bota consensos
   
«O PSD reafirmou hoje, através do deputado José Mendes Bota, o seu compromisso com a estabilidade e a disponibilidade para encontrar consensos, mas também atribuiu "riscos" à falta de previsibilidade.

"Contra todas as tentativas de instaurar em Portugal um clima de medo, incerteza, suspeição e instabilidade, contra a retórica e a demagogia incendiária, os portugueses sabem que podem contar connosco como um sólido referencial de estabilidade", disse José Mendes Bota, no final de uma declaração política em plenário, em nome do PSD.

Antes, contudo, o deputado social-democrata alegou que "estabilidade é também sinónimo de prudência, de bom senso e de previsibilidade - e quando estes acabam, começam os riscos".

"O maior risco que Portugal hoje corre é o risco de voltar para trás, pondo em causa tudo o que os portugueses já conquistaram com tanto esforço. Este não é um risco negligenciável", considerou, defendendo que faz sentido pedir ao Tribunal Constitucional que "clarifique" e "incorpore certeza e previsibilidade nas suas decisões", especialmente as que têm impacto orçamental.» [i]
   
Parecer:

Convenhamos que o homem tem mais vocação para a poesia erótica do que para o discurso político.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»
   
 O merceeiro holandês foi desmontado
   
«Em documento enviado à reitoria da Universidade Católica Portuguesa (UCP), os subscritores referem que foi com "grande perplexidade, tristeza e indignação" que tiveram conhecimento de que o Instituto de Estudos Políticos da UCP deliberou atribuir o prémio 'Fé e Liberdade' a Elíseo Alexandre Soares dos Santos, designado "um dos homens mais ricos de Portugal".

Enfatizam que esta denúncia não é movida por "qualquer ressentimento contra a pessoa" em causa, mas pelo "dever" de, em consciência, tornar audível a voz dos cristãos que não querem - não podem - silenciar" a sua indignação.

"Um prémio tem um valor simbólico e testemunhal, pelo que, nas presentes circunstâncias, ocorre perguntar: O que é que se pretende enaltecer? Que valores merecem apreço explícito por parte da UCP? Quais os conceitos de fé e de liberdade que estão implícitos nesta atribuição?", questionam os subscritores, entre os quais constam os jornalistas Jorge Wemans e António Marujo e a professora universitária Isabel Allegro de Magalhães.

A carta de protesto lança ainda uma série de dúvidas sobre o que se pretende distinguir na personalidade de Alexandre Soares dos Santos.

Uma colossal fortuna pessoal? Uma forma de enriquecimento baseada nos ganhos do capital e sua acumulação? Práticas de exploração do trabalho humano (baixos salários, horários excessivos, precariedade nas relações laborais)? Expedientes fiscais para fugir aos impostos?.Um modelo de economia que permite o desemprego massivo, a grande concentração do património individual e correspondente poder político, com risco para a democracia e para a coesão social?, lê-se no documento a que a agência Lusa teve acesso.

Notando que a decisão vai também contra aquilo que tem sido o ensinamento e os apelos mais recentes do papa Francisco, os subscritores gostariam de ver a UCP empenhada na denúncia de "uma economia que mata", em especial pelo que produz "de grande pobreza, desemprego maçiço, excessivas e crescentes desigualdades, riscos ecológicos sérios", naquilo que é uma das maiores ameaças à liberdade e à democracia.» [Notícias ao Minuto]
   
Parecer:

Parece que António Barreto não sabia destas coisas e esteve muito tempo à frente do Tea Party do merceeiro.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Aprove-se.»
     

   
   
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