sábado, julho 05, 2014

Portugnografia política

Quando questionado sobre o manifesto da reestruturação da dívida Álvaro Beleza, um braço direito de Seguro, sugeriu aos seus autores que se inscrevessem nos Novos Rumos. Durante três anos Seguro remeteu sempre para o BCE a solução da dívida, a sua divergência com a direita nunca foi em torno da causa da crise ou das políticas mas sim em torno do papel do BCE. Agora que interessa a Seguro transportar a bandeira da reestruturação da dívida na sua luta contra António Costa já o ainda líder do PS se lembrou da necessidade de renegociar a dívida.
  
Para Cavaco não há qualquer diferença entre a Quinta da Coelha e o Palácio de Belém a não ser no facto de no palácio ter as contas todas pagas, não sendo necessário tocar nas suas pensões que graças a Passos Coelho até vão regressar aos valores normais. Da mesma forma que confunde a Quinta da Coelha com o Palácio de Belém o ainda presidente também confunde o Cavaco Presidente com o Aníbal de Boliqueime. Quem ataca um ofende o outro e quem não lhe reconhece as qualidades que não tem ou lhe assaca as culpas que são dele não pode esperar elogios ou parabéns.
  
São dois exemplos , mas poderiam ser muitos mais de como a nossa classe política sofre de pequenez, de nanismo ético e intelectual, usando o estatuto político para protegerem as personagens que as circunstâncias levaram ao poder. Na política portuguesa vale tudo e vencem os mais dotados para os truques, para as manipulações para o uso indevido do poder.
  
Foi esta classe política que enquanto acusou os pobres de excesso de consumo e lhe aplicou um programa de austeridade digno de uma experiência de Mengele, permitiu aos bancos alemães vender a dívida soberana portuguesa, enquanto a banca portuguesa continuava a especular enquanto os seus banqueiros vinham para a televisão apoiar o governo e sugerir que o povo ainda aguentaria mais austeridade se fosse necessária.
  
Aquilo que se passa em Portugal é do domínio da pornografia política e sempre que os nossos políticos aparecem numa televisão deviam colocar a bolinha vermelha, não há grande diferença entre a maior parte dos nossos políticos e as putas de estrada, tanto uns como as outras deitam-se com quem lhes pagam e não hesitam em transmitir aos outros as peçonhas de que padecem.

Umas no cravo e outras na ferradura


 
   Foto Jumento
 

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Flores silvestres de Lisboa

   Fotos dos visitantes do Jumento


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Casa portuguesa, Furadouro, Ovar [M. Henrique]

 Jumento do dia
    
Cavaco Silva

Um dos lados mais negros deste cavaquismo presidencial, a segunda versão conhecida do mesmo fenómeno, é a confusão de ódios pessoais com as posições institucionais. O caso mais conhecido foi o de Saramago, agora sabe-se que a Presidência da República ignorou o Grammy atribuído a Carlos do Carmo.

Parece que há uma confusão total ente os ódios pessoais do cidadão e  político com as funções institucionais, um sinal da falta de dimensão da actual Presidência da República. É fácil chegar a Belém, o difícil é ter classe para lá estar.
 
 Estratégia manhosa

A estratégia não é nova, quando o governo procura desprestigiar grupos profissionais ou sociais para melhor convencer o país da bondade das suas políticas recorre a conclusões dos relatórios das suas inspecções, difama-se e ridiculariza-se os seus alvos para lhes retirar capacidade reivindicativa.

Há poucos dias passou-se a ideia de que o Estado pagava suplementos para o desempenho de funções ridículas como tirar e pôr bandeiras, a meio da semana soube-se que o Estado pagava vencimentos indevidamente, agora sabe-se que se pagam pensões a mortos.
 
 O que será a esquerda?

Quando Alfredo Barroso pressiona A. Costa para uma aliança à esquerda interrogo-me sobe o que é a esquerda portuguesa e, acima disso, se nessa esquerda há um mínimo de valores e de princípios comuns. Depois de anos a ver o PCP e o BE a assumirem como principal objectivo a destruição do PS, objectivo que para além de uma questão de estratégia de crescimento eleitoral tem por base princípios ideológicos será possível encontrar uma plataforma comum à esquerda como sugere Alfredo Barroso? Se isso suceder é a primeira vez que acontece desde a guerra civil de Espanha.
 
 Reunião do Conselho de Estado

É uma reunião onde estão uma data de gajos que falam, falam, falam e no fim sai um comunicado que foi escrito antes da reunião começar pelos assessores de Cavaco Silva.
 
 O BCP e o BES

Lembram-se do que foi dito de Sócrates quando o engenheiro da Opus Dei saiu do BCP? Pois é, agora o PSD toma conta do BES e não se ouve um único comentário, aquilo é de tal forma que até parece que foi dividido ao meio São Bento escolheu o Mota Pinto e Belém escolheu o Bento.
 
O PSD fez uma verdadeira OPA ao BES e até se fica com a impressão que o sr. Costa do BdP só ficou contente quando o PSD tem uma quota na gestão digna de uma posição maioritária.
 
 Vítor Bento

Vamos ver se a política de crédito do BES vai ter como objectivo que os seus clientes não vivam acima das suas possibilidades, a tese de Vítor Bento para explicar os males da economia portuguesa.
 
      
 É mais prudente ser rei
   
«A França já nos tinha dado um Rei-Sol. Parecia pretensioso mas, reparem, havia uma só estrela. Agora temos um Presidente-Galáxia, como lhe chamou o jornal Le Monde ontem, falando de uma galáxia - leia-se, miríade de sóis - de affaires à volta de Nicolas Sarkozy. É a despreocupação que surpreende: como se permitiu ter tantos rabos de palha? Os juízes investigavam o apoio financeiro do ex-líder Kadhafi a uma campanha presidencial de Sarkozy, por isso escutaram telefones dos seus ministros, o que criou suspeitas de subornos de magistrados num caso de uma milionária que dava dinheiro por baixo da mesa, o que levou ao arranjinho da indemnização no caso Tapie, o que destapou um caso antigo de contratos de armas para financiar um primeiro-ministro (Balladur) apoiado pelo suspeito, o que levou aos financiamentos ilegais da última campanha (2012), na esteira de contratos escuros sobre sondagens durante o mandato presidencial... Confusos? Sim, e empanturrados: com Sarkozy os affaires são como as cerejas. E falamos de suspeitas tão graves que, pela primeira vez, um antigo presidente francês foi detido para ser interrogado. Aqui chegados e aproveitando a coincidência temporal, lembra-se que Juan Carlos saiu, mas não sem antes garantir a imunidade para depois de ser rei. A monarquia tem a prudência que lhe dá o ser mais antiga do que a república...» [DN]
   
Autor:
 
Ferreira Fernandes.
   
   
 Se fosse a Katia Guerreiro...

   
«Já é uma tradição de Belém - sempre que um português se distingue ou é galardoado com um prémio, sobretudo no plano internacional, a Presidência envia uma mensagem de felicitações, da qual dá nota pública. Esta semana a regra teve uma excepção. O anúncio chegou na segunda-feira: o fadista Carlos do Carmo foi distinguido com um Grammy, o maior e mais prestigiado prémio da indústria discográfica, nunca atribuído a um português. De Belém, nem uma palavra.

O silêncio está longe de ser habitual. Olhando para as últimas dez mensagens de felicitação da Presidência, todas elas foram feitas no próprio dia ou na segunda-feira seguinte quando o evento/prémio foi conhecido a um sábado ou a um domingo. Também foi assim há seis anos, quando Carlos do Carmo ganhou o Prémio Goya para a Melhor Canção Original, atribuído ao "Fado da Saudade". A distinção foi conhecida num domingo à noite e na segunda-feira a Presidência da República felicitava o fadista, considerando que o galardão "honra a música portuguesa".

CRÍTICO DE CAVACO Nos últimos anos, Carlos do Carmo tem sido um acérrimo crítico de Cavaco Silva. Em entrevista à Rádio Renascença, em 2011, dizia o fadista: "Toda esta desgraça começou com Cavaco Silva. O erro está todo aí e a factura está aí." Críticas que foram subindo de tom. Em Outubro de 2013, em entrevista ao programa "A Propósito", na SIC, Carlos do Carmo responsabilizava directamente Cavaco Silva pela situação do país. "Nós tivemos politicamente um azar dos Távoras. Foi ter este Presidente da República como primeiro-ministro e como Presidente da República. Este país regrediu muito. É só analisar. Foi mau demais para ser verdade. Ficou para trás a educação, entrou-se num novo-riquismo, entrou-se numa loucura de consumismo, provocado. Nunca pensei chegar à minha idade e ver isto", afirmava então. Na mesma linha, em Dezembro de 2013, numa intervenção proferida na Aula Magna, numa iniciativa promovida por Mário Soares: "Nunca me passou pela cabeça, depois de 40 anos de salazarismo, levar com este homem 20 anos. Um homem que é inseguro, inculto, medroso. E não interpretem isto como uma questão pessoal, não sou dado a questões pessoais."» [i]
   
Parecer:

Digamos que Carlos do Carmo está muito longe de ser o fadista oficial do cavaquismo
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sugira-se a Cavaco que não faça dos seus ódios pessoais ódios da Presidência.»
  
 Mais a querer inscrever-se nos "Novos Rumos"?
   
«O social-democrata Rui Rio alertou hoje, no Porto, para a necessidade de, "qualquer dia", Portugal ter de "renegociar a dívida" pública no caso de não ter um crescimento económico sustentável» [Notícias ao Minuto]
   
Parecer:

Seria a sugestão do Álvaro Beleza.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»
     

   
   
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sexta-feira, julho 04, 2014

Consenso partidário ou contrato nacional?

Cavaco anda há mais de um ano a apelar ao compromisso, primeiro era o compromisso antes da troika, agora é o compromisso depois da troika, com ele são muitos os que apontam no mesmo sentido, principalmente personalidades da direita ou gente do centro e centro esquerda apreciadora do perfume do dinheiro.
  
O conceito de compromisso é simples, o povo não quer medidas difíceis e a única forma de as adoptar é assegurando que nenhum dos partidos que habitualmente disputam o poder possam obter ganhos eleitorais. O compromisso serve apenas para garantir que não seja apenas um partido a suportar as consequências do desagrado popular.

Este conceito de compromisso parte do pressuposto inaceitável de que o povo é tão imbecil que apenas distingue as políticas pela sua generosidade financeira, não distinguindo competência de incompetência. Pior ainda, parte-se do pressuposto de que uma boa política pressupõe a perda de direitos, a perda de qualidade dos serviços públicos e mais injustiças na distribuição do rendimento.
  
É mais do que óbvio que os muitos que defendem o compromisso concordam com a actual política e o que pretendem é apenas que o PS se co-responsabilize eleitoralmente pelas suas consequências. Se Cavaco acha que é possível um compromisso em torno de outras medidas governamentais então poderia fazer o que fez com Sócrates e devolver os diplomas ao parlamento exigindo um maior consenso parlamentar.
  
O que o país precisa não é de um compromisso cuja única virtude é desvalorizar a democracia transformando-a numa ditadura. Se o compromisso de Cavaco fosse aceite pouco importaria quem ganhasse as eleições ou a vontade dos portugueses, a actual política estava decidida para os próximos dez anos e as eleições serviriam apenas para escolher os seus executores mais simpáticos ou mais engraçados.
  
O que o país precisa não é um compromisso de governantes, tachistas e gangs partidários, Portugal precisa muito mais do que isso. Precisa de um contrato social alargado que assegure uma repartição justa quer dos sacrifícios, quer dos benefícios e não de um compromisso que assegure que sejam os que agora suportam os custos a ficarem depois excluídos dos benefícios.
  
É necessário um contrato que una o país e isso só é possível com justiça quer na repartição dos custos, quer na partilha dos benefícios. O compromisso de que se tanto se fala representa a consolidação das injustiças à custa da negação das virtudes da democracia e parte do pressuposto de que só os partidos, o presidente, os jornalistas, os banqueiros e o governador do BdP é que sabem o que o país precisa e todos os outros portugueses são imbecis.
  
Portugal não precisa de compromissos de poder assinados em reuniões secretas vigiadas por controleiros de Belém, Portugal carece de um contrato que assegure uma repartição equitativa dos custos e dos benefícios. O problema do país é de justiça e não o saber que partidos ganham ou perdem mais com as decisões e políticas governamentais. O país deve ser gerido a pensar no seu povo e não condicionado por raciocínios cavaquistas de luta pelo poder.

Umas no cravo e outras na ferradura


 
   Foto Jumento
 

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Beco do Imaginário Lisboa
  
 Jumento do dia
    
António José Seguro

Enquanto Passos Coelho acha que a economia é uma miniatura de comboio com que ele pode brincar mandando parar e andar conforme lhe dá na gana, o seu amigo Seguro continua a não distinguir o país de uma associação de estudantes do ensino básico. Seguro revela-se um líder sem coerência, sem ideias e sem coragem, não admira que exija debates a António Costa ao mesmo tempo que os perde com Passos Coelho, é ridículo usar contra Passos o discurso de António Costa e contra este o argumentário anti-Sócrates de Passos Coelho.

Um bom exemplo de incoerência e de falta de coragem é o que nos está dando com a questão da dívida, quando alguns assinaram um manifesto a defender a reestruturação da dívida um palerma que é o braço direito de Seguro sugeriu-lhes que se inscrevessem no novo rumo, agora que lhe convém armar-se em António Costa vai tentar usar o Conselho de Estado para se projectar como o grande defensor da renegociação da dívida. Acontece que a renegociação não é mais do que a reestruturação defendida no manifesta e que o líder do PS não só não teve a coragem de apoiar, como ainda mandou um pau mandado gozar com quem o assinou.

Seguro vai instrumentalizar o Conselho de Estado transformando-o num comício da sua candidatura a primeiro-ministro nas primárias do PS, vai aproveitar os holofotes para defender o que nunca ousou defender porque sabe que nesse capítulo António Costa bate-o aos pontos. Seguro revela-se cada vez mais como um político de que o país deve livrar-se de ter como primeiro-ministro, já nos basta o Passos Coelho. Se depois de um viesse o outro só nos restava recear que o país estivesse a ser ser vítima das pragas do Egipto.

«O secretário-geral do PS, António José Seguro, adiantou ao Diário de Notícias que vai pôr em cima da mesa do Conselho de Estado o tema da renegociação da dívida, sublinhando que é necessário que o “primeiro-ministro compreenda a importância desta decisão para aliviarmos os sacrifícios dos portugueses”.

“É urgente estabelecer um consenso nacional em torno da renegociação das condições de pagamento da nossa dívida”, afirmou o líder socialista à mesma publicação, adiantando que “só o Governo se exclui” da discussão deste tema.

“Se na reunião de Conselho de Estado conseguirmos que o primeiro-ministro compreenda a importância desta decisão para aliviarmos os sacrifícios dos portugueses, então a reunião terá uma grande utilidade para o nosso futuro coletivo”, sublinhou.» [Notícias ao Minuto]
 
 Sexo tântrico

As primárias do PS é uma espécie de sexo tântrico, um estratagema de Seguro para não sair de cima do PS durante mais quatro meses. Durante esse tempo o PS faz uma espécie de viagem espiritual durante a qual Seguro diz sempre o mesmo, que o PS não merecia isto. E merecia um líder como Seguro?
 
 Síria Iraque, a conclusão óbvia
 
Se a Al-Qaeda tivesse pedido ajuda a países como os EUA e a França para tomarem conta do norte de África Barak Obama e François Hollande não teriam feito melhor. Ficarão na história do mundo árabe como dois imbecis.
 
 9, ena tantos!
 
Parece que a moda pegou e agora juntaram-se uns quantos professores com alguns assalariados do governo e escreveram um livro em defesa de Passos Coelho contra o Tribunal Constitucional. Parece que a conclusão é a de que em crise tudo é constitucional excepto tocar nos ricos.
 
      
 O guarda-costas das gerações
   
«Sabem qual é o grande problema do Partido Socialista? O grande problema é que só prega para os convertidos.

E quando um partido apenas convence quem à partida já está convencido, jamais conseguirá descolar nas sondagens ou passar a barreira dos 35% em eleições. A narrativa do PS de Seguro, vista da perspectiva do centro mais moderado e flutuante, é uma história da carochinha. E ninguém quer ver no governo o João Ratão.

Disse António José Seguro a Pedro Passos Coelho, logo a abrir a sua intervenção no debate sobre o Estado da Nação: “O seu governo tomou posse há três anos e nesses três anos o senhor destruiu três gerações dos portugueses: a geração dos avós, a geração dos pais e a geração dos filhos.” Seguro deixou generosamente de fora os bisavós e os animais domésticos. Mas tudo o resto, segundo ele, ficou destruidíssimo. Um cataclismo em 36 meses.

E atenção, que Passos não se limitou a destruir três gerações. “Mais do que isso: o senhor destruiu-lhes a esperança”, acrescentou Seguro, para quem a remoção de esperança é malfeitoria superior à simples destruição. Se uma pessoa for destruída, ela fica um bocado aborrecida. Mas se ela for destruída e ainda por cima lhe removerem a esperança, isso, sim, é uma dilapidação perfeitamente inadmissível. Citando o Barack Obama de Penamacor: “Porque é a esperança que ergue as nações, porque é a esperança que é capaz de fazer renascer os povos e colocar o nosso país numa trilha de crescimento e não de empobrecimento.” Oh, meu Deus, que bonito. Passem-me um kleenex, se faz favor.» [Público]
   
Autor:
 
João Miguel Tavares.
      
 A fruta na árvores
   
«Comentando a situação económica do País, um amigo empresário dizia-me: "Muitas das pequenas e médias empresas nacionais já estão falidas. Contudo, tal como a fruta que apodrece na árvore, é capaz de permanecer pendurada durante muito tempo, assim está a acontecer com uma parte do nosso tecido empresarial. Está apodrecido, mas ainda simulando existir." O apodrecimento, todavia, generaliza-se. O professor de Física da Universidade de Coimbra Carlos Fiolhais acusava, com inteira razão, a Fundação para a Ciência e Tecnologia, tutelada por Nuno Crato, de ter "ensandecido". Depois de mais um controverso processo de avaliação de mais de três centenas de centros de investigação científica (onde o discutível recurso a avaliadores externos completamente incompetentes em língua e cultura portuguesas continuou a ser o método prevalecente), soube-se que 71 ficaram privados de qualquer financiamento para os próximos cinco anos, existindo, aliás, discrepâncias no sentido da baixa generalizada, entre pontuações de avaliadores e notas finais, numa exibição de opaca arbitrariedade por parte da FCT. Em qualquer domínio para onde nos voltemos, o País está cada vez mais parecido com um holograma. Os corpos das instituições, sejam escolas, hospitais, tribunais ou Forças Armadas, transformaram-se em frágeis películas revestindo massas de tecidos cada vez mais exangues e vazias. Mas o auge da decomposição foi protagonizado pelo discurso do Presidente da República, perante o homólogo alemão, ao afirmar que "Portugal aprendeu a lição". A letal combinação do dito e da sua circunstância deveria ser considerada como um perigo para a saúde pública.» [DN]
   
Autor:

Viriato Soromenho-Marques.
   
   
 Novo truque na manga de Seguro
   
«O Partido Socialista colocou enormes cartazes a apelar ao voto nas eleições primárias, uma atitude que desagradou aos responsáveis pela campanha de António Costa, avança o semanário Expresso. No site oficial do partido, em destaque nos cartazes, não há qualquer menção ao presidente da Câmara Municipal de Lisboa.» [Notícias ao Minuto]
   
Parecer:

Este Seguro é mesmo um malandreco.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Ridículo.»
  
 Um bom negócio
   
«Um homem de 44 anos foi detido ontem e vai ser presente hoje a tribunal por ter três estufas de canábis, em Torres Vedras, para onde roubava eletricidade da EDP.» [DN]
   
Parecer:

E a EDP é que pagava!
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»
   
 O bebé ariano perfeito era judeu!
   
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«Quando Hessy Taft tinha seis meses de idade, a mãe levou-a para ser fotografada por Hans Ballin, um fotógrafo conceituado de Berlim. Meses depois, essa fotografia apareceu na capa da revista familiar Nazi Sonne ins Hause. Hessy Taft tinha sido escolhida a bebé ariana mais bonita e a sua imagem circulava pelo país em postais de propaganda do Terceiro Reich. Mas Hessy era filha de Pauline e Jacob Levinson, dois judeus originários da Letónia.

Os pais de Hessy mudaram-se em 1928 para a capital alemã, com o objetivo de seguir carreira no mundo da música clássica berlinense. Mas em 1935, com a publicação das Leis de Nuremberga, que tiravam aos judeus o direito ao voto e os proibia de casar com arianos ou mesmo de desempenhar certas profissões, o antissemitismo disparou na Alemanha. O pai de Hessy perdeu o emprego na Ópera e teve de começar a trabalhar como vendedor porta a porta.

Foi nesse ano que a fotografia foi tirada. Temendo que algo pudesse acontecer se fosse revelado que o bebé ariano perfeito era, na verdade, uma menina judia, a mãe de Hessy foi ter com o fotógrafo, pedindo-lhe explicações para o facto de a filha se ter tornado na criança-símbolo da propaganda Nazi. Ballin sabia que os Levinsons eram judeus e foi precisamente por isso que decidiu enviar a fotografia para o concurso do “mais belo bebé ariano”. “Quis ridicularizá-los”, disse o fotógrafo à mãe da criança, referindo-se aos Nazis.

A história foi contada por Hessy Taft, que hoje, com 80 anos, é professora de Química em Nova Iorque. Em junho deste ano, a professora Taft ofereceu uma cópia da revista ao Yad Vashem, o museu do Holocausto em Israel. Depois, contou a sua história à Fundação Shoa. À revista alemã Bild, Hessy Taft disse: “Agora posso rir-me, mas se os Nazis soubessem quem eu era realmente, não estaria viva”.

Segundo o Telegraph, há quem acredite que a fotografia tenha sido escolhida por Goebbels, ministro da propaganda de Hitler. Na altura em que a imagem da filha estava por todo o lado – uma tia que vivia em Memel, que hoje pertence à Lituânia, identificou a sobrinha num postal -, os pais mantiveram Hessy em casa, por recearem que esta fosse reconhecida na rua.

Em 1938, o pai de Hessy foi preso pela Gestapo por acusações de fraude fiscal, mas foi libertado quando o seu contabilista, membro do partido Nazi, o defendeu. Depois disso a família deixou a Alemanha e fugiu para a Letónia e depois para Paris. Quando a capital francesa caiu nas mãos dos Nazis, em 1941, a família voltou a fugir, com a ajuda da resistência, para Cuba. Em 1949 mudaram-se definitivamente para os Estados Unidos.

Quando entregou a cópia da revista ao Yad Vashem, Hessy Taft sentiu “alguma vingança” e “uma espécie de satisfação”, escreveu o Telegraph.» [Observador]
     

   
 Eger
   
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quinta-feira, julho 03, 2014

Do liberal ao liberal estalinista

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Se pudesse vasculhar a minha memória como se fosse o Google e procurasse por “investimento estrangeiro” a primeira referência seria à desistência da Nissan de instalar uma fábrica de baterias em Portugal. Se procurasse por criação de emprego a primeira referência diria respeito à redução dos salários. Se procurasse por crescimento económico iria parar à humilhação infligida por Vítor Gaspar ao então ministro da Economia Álvaro Santos Pereira, quando este propôs medidas para o crescimento e teve como resposta “não há dinheiro” e ao insistir ouvi Gaspar perguntar-lhe “qual das três palavras não percebeu?”.
  
Passos Coelho acreditava que depois de uma poda rigorosa da economia portuguesa nem seria necessário adubar a árvore porque nasceriam viçosos rebentos por todo o lado. Os patos-bravos da construção passariam a construtores de automóveis e os donos de restaurantes falidos ressurgiriam como startups na indústria electrónica. Os crescimento era uma consequência de uma economia com um Estado reduzido e com rigor orçamental e não o resultado de qualquer veleidade económica. 
  
O Gaspar fugiu, o sôr Álvaro saiu humilhado pelas portas traseiras, para o lugar do idolatrado professor bastou uma licenciada da Lusíada e o Álvaro foi substituído na Horta Seca por uma santinha milagreira que em pouco tempo fez mais milagres do que a santinha da Ladeira. O país passou a ser um caso de sucesso, a santinha anunciava o milagre da exportação e do crescimento e até o Lambretas já anda armado em santinha e anuncia o milagre da descida do desemprego sem criação de empregos ou a redução dos carenciados apesar da multiplicação da miséria.
  
Agora, Passos Coelho revela-se um ultraliberal de influência estalinista, o liberal proibia a palavra crescimento e excomungava quem propusesse medidas que o visassem, agora decide que é o momento de crescer como se o crescimento fosse um comboio com hora para a partida e ele fosse o chefe da estação. Dantes bastava a desvalorização fiscal dos trabalho para que a economia crescesse, agora quer um acordo nacional para a criação de emprego, como uma missa presidida por Cavaco e com sacristões como Passos e Seguro seja o melhor princípio para uma procissão destinada a pedir emprego a Deus.
  
O mesmo Gaspar que fala na diferente qualidade das medidas orçamentais esquece que o crescimento não se mede apenas em taxas, também se pode questionar a sua qualidade. Um crescimento resultante da exportação  de produtos refinados ou de produtos de baixo valor acrescentado e usando matérias primas importadas não só cria pouco emprego como gera poucos excedentes capazes de sustentar o investimento.
  
Passos Coelho começou por acreditar em Gaspar e desprezou o investimento e destruiu sectores que suportavam o tecido social, o resultado foi o desemprego e a fuga de projectos como o da Nissan. Depois acreditou na santinha da Horta Seca e começou a inventar milagres. Agora que as eleições se aproximam e receia a queda tenta convencer que o combate ao desemprego que ele provocou depende de um dos tais compromissos de que o ti Cavaco tanto fala.
  
Enquanto acreditou em Gaspar o líder do PSD foi um militante do ultra liberalismo, agora que as eleições se aproximam e “está à rasca” revela-se um estalinista, ele que mandou parar o crescimento decide agora que o crescimento deve retomar a marcha. Passos Coelho acha que a economia portuguesa é um comboio daqueles que lhe terão oferecido no natal quando era gaiato. Só que já está demasiado crescidinho e ao dar ordens de marcha à economia mais parece o velho Estaline a brincar na sua dacha com uma miniatura do Expresso do Oriente.
  

Umas no cravo e outras na ferradura


 
   Foto Jumento
 

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Busto de Sophia de Mello Breyner Andresen, Graça, Lisboa
  
 Jumento do dia
    
Alberto Martins

O discurso de Alberto Martins tem três anos de atraso, não faz sentido ter-se assumido uma posição passiva senão mesmo de conivência com a política do PSD e vir agora pintar um quadro negro de um governo que várias vezes beneficiou de abstenções em votações decisivas. Além disso, é um grande cinismo os de Seguro falarem de tralha socrática para depois se vir elogiar os governos anteriores de que Seguro nunca foi um grande simpatizantes.
 
O discurso de Alberto Martins foi mais dirigido para o PS do que o parlamento e mostra como a equipa de Seguro está desorientada e é incapaz de demonstrar um mínimo de coerência.

«O líder parlamentar socialista acusou o Governo de "não transformar nada na economia portuguesa", para concluir, na sua leitura do Estado da Nação, que "o País está mais pobre, mais endividado e mais desigual", que "tem vindo a perder a esperança no futuro".

Na crítica deixada ao atual Executivo, Alberto Martins acabou por fazer o elogio das governações socialistas anteriores. Apoiante do secretário-geral do PS na disputa interna do partido, o líder da bancada defendeu que o Governo de Passos Coelho "continua, isso sim, a beneficiar das transformações realizadas no passado". E concretizou: "Quando o Governo elogia as exportações de hoje, está simplesmente a colher os louros do trabalho realizado ao longo de outras governações - as mesmas governações que [o Governo de Passos] acusa de terem reduzido a competitividade da economia portuguesa."» [DN]
 
 Coisa estranha

Quem quer que Passos Coelho continue a fazer o que tem feito prefere Seguro na liderança do PS. Nunca um líder do PS mereceu esta alegria por parte da direita, ainda por cima pouco tempo depois de essa mesma direita o ter considerado um mole.
     

   
   
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