sábado, setembro 13, 2014

O BES e os dois PREC

Quis o destino que o PREC da direita que coincide com a actual legislatura promovesse uma série de reencontros com o PREC dos anos setenta e se a família Espírito Santo pode simbolizar muito do que sucedeu há mais de trinta anos, acaba por marcar o PREC da direita da segunda década do século XXI. Se o PREC da esquerda mais conservadora nacionalizou o banco dos Espírito Santo, o PRECA da direita mais conservadora acabou por fazer o mesmo, mas foi mais longe, não se limitou a nacionalizar o banco, acabou por o destruir, mudou-lhe o nome, saqueou-o e prepara-se para o vender pelo valor do mobiliário.
 
Na primeira nacionalização ninguém foi enganado, ninguém ganhou confiança para comprar acções do BES empurrado por investidores que tinham sido tão bem sucedidos no BPN e quando o país achou que devia privatizar o Banco este existia, tinha o mesmo nome, o seu património financeiro não tinha sido delapidado.
 
Aquilo que se tem passado com o actual BES é digno de uma quadrilha onde se misturam os gangster do Al Capone com os Khmers Vermelhos de Pol Pot. Quando o destino do Banco já estava mais do que traçado ainda levaram muitos pequenos accionistas a serem enganados colocando as suas poupanças num banco que ia ser saqueado poucos dias depois. A encenação foi perfeita, quem não confiaria num anúncio publicitário onde se garantia a estabilidade onde as gajas boas caracterizadas de meninas dinâmicas foram substuídas a título voluntário por personalidades como Maria Luís Albuquerque, Cavaco Silva José António Seguro, Carlos Costa, Ricardo Salgado e Passos Coelho?
 
Roubados mais alguns accionistas o plano prosseguiu, promoveu-se um assalto ainda com a participação e poio de uma família Espírito Santo assustada e que fazia tudo o que Carlos Costa e a ministra das Finanças iam decidindo. Num sábado à noite coube a Marques Mendes o trabalho sujo de preparar a opinião pública e testar a sua reacção, no domingo avançou Carlos Costa e instalou-se como proprietário Virtual de um BES a que chamou Novo Banco.
 
Destruída a marca, quebrada a relação de confiança entre o banco e os seus melhores clientes começou a debandada dos depositantes saqueados por gente de bons princípios como o Ai Aguentam e o rapazinho do Millennium. Banco que ontem estavam em dificuldades, estão hoje confortáveis e com rácios que garantem a sua saúde financeira. Primeiro ficaram com os melhores clientes, depois divulgaram que iam investir mais no no banco, isso deu-lhes o direito de exigirem que a sucata do BES fosse vendida rapidamente e o Carlos Costa e a Maria Luís fizeram-lhes obedientemente a vontade.
 
Hoje sabe-se que o país foi intoxicado com mentiras que conduziram à queda do banco, sabe-se que os negócios do BES foram saqueados por concorrentes em dificuldades, agora procuram sucateiros para se livrarem rapidamente do Novo Banco.
 
Cavaco sugere que não sabia de nada, Seguro guincha, Passos goza com eles e o país suporta os custos desta ajuda adicional aos bancos que depois de apoio do Estado saquearam o BES ou o que restava do BES. Vale a pena comparar o o PREC dos anos 7º com este PREC ainda em curso.
  

Umas no cravo e outras tantas na ferradura



   Foto Jumento


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Flamingos no Tejo
  
 Jumento do dia
    
Pires de Lima

Parece que o CDS já tem justificação para ceder à ministra Maria Luís em matéria de reduções de IRS, evitando mais uma decisão irrevogável de Paulo Portas. O governo não baixa o IRS e a culpa é do culpado do costume, o Tribunal Constitucional,.
  
«O ministro da Economia, Pires de Lima, afirmou, em entrevista ao Diário Económico, que a atualmente “há limitações” que impedem o Governo de falar de redução de impostos e que “uma parte são consequência dos chumbos do Tribunal Constitucional às medidas de redução da despesa”. Se assim não fosse, assume, o Executivo “estaria em condições de eliminar num ano a sobretaxa de IRS”.» [Notícias ao Minuto]

 Uma possível explicação para o que se passou no BES/GES

Digamos que de um aluno de Cavaco Silva não seria de esperar muito melhor.

 A melhor piada sobre a demissão/despedimento de Paulo Bento

É a que o CC divulga:

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 Dúvida

Se a ministra da Justiça e o seu secretário de Estado da Justiça não são incompetentes o que será a incompetência?

      
 O EI que se cuide!
   
«O ministro dos Negócios Estrangeiros, Rui Machete, afirmou que Portugal ainda não tomou uma decisão sobre pertencer a uma coligação internacional de combate ao autoproclamado estado islâmico, mas garante que o Governo apoia uma eventual intervenção.

“Uma coligação tem o apoio do Estado português, porque concordamos que este tipo de terrorismo não se pode combater apenas com meios militares, mas eles têm de ser utilizados. Sempre que conquistam uma cidade matam civis e violam mulheres. A contenção imediata não se pode fazer com diálogo”, disse o ministro durante uma visita ao Montijo. O governante referiu ainda este é um “género de terrorismo complexo e difícil de combater”. “Compreende-se que o presidente Obama tenha, nestas circunstâncias muito especiais, pedido uma coligação para encontrar as formas de combate mais adequadas. Portugal está de acordo, apesar de não ter ainda nenhuma decisão, até porque não temos meios que facilmente vão tão distantes”, salientou.» [Observador]
   
Parecer:

O EI até parou os combates para saber qual seria a posição de Rui Machete, um senhor que já não se deixava ver à tanto tempo que até parecia que a diplomacia tinha ido para um lar.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»
  
 Milagre!
   
«O primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, garantiu quinta-feira à noite que em Portugal estão a ser criados “mais empregos do que aqueles que são destruídos” e defendeu que as pessoas não devem perder a esperança.

Durante uma visita à Feira de S. Mateus, em Viseu, Passos Coelho foi várias vezes abordado por pessoas que o confrontaram com o problema do desemprego, às quais fez questão de dar respostas.

Uma mulher, que o esperava em cima de um banco, contou que a empresa onde trabalha vai fechar no final do mês e que irá mais gente para o desemprego.

“Não deixe fechar tanta empresa, ponha um ponto final nas empresas a fecharem. As pessoas estão a morrer de fome”, apelou.

Passos Coelho explicou-lhe que, “desde o início do ano, o número de empresas que tem aberto supera o número de empresas que tem fechado” e que, portanto, Portugal tem conseguido “criar mais postos de trabalho do que aqueles que são destruídos”.» [i]
   
Parecer:

Ao fim de três anos de recessão, com salários miseráveis e apoios ao emprego Portugal consegue um verdadeiro milagre!
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se a merecida gargalhada.»

 Desta vez a Jonet tem alguma razão
   
«A responsável, que falava ontem em Fátima, no âmbito da conferência de encerramento do 29.º Encontro da Pastoral Social, condenou aqueles que considera serem “profissionais da pobreza” em Portugal. Leia-se, os que se dedicam à mendicidade como uma forma de estar na vida, adianta a edição desta sexta-feira do Jornal de Notícias.

Para Jonet, “em Portugal há aquilo a que chamamos a transmissão intergeracional da pobreza e temos que quebrar essa transmissão”, defendeu, concretizando que “há profissionais da pobreza habituados a andar de mão estendida, sem qualquer preocupação em mudar”.» [Notícias ao Minuto]
   
Parecer:

Basta viajar no Metro de Lisboa para se perceber que há quem faz da mendicidade uma profissão rentável e isenta de impostos e que nalguns casos essa mendicidade é alargada à família. Ainda que o fenómeno não tenha uma grande dimensão, nem explique a pobreza em Portugal, existe, recorre ao uso de crianças e condena muitas destas a uma vida de mendicidade.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Lamente-se.»

 Ferrreira Leite é uma senhora bem informada
   
«José Silva Peneda não se alonga em comentários sobre o facto de Manuela Ferreira Leite ter revelado que Jean-Claude Juncker o queria para comissário europeu do Emprego, mas implicitamente acaba por confirmar a revelação da ex-presidente do PSD, que na TVI24 disse que Passos Coelho vetou o nome desejado pelo luxemburguês.

“Normalmente a dr. Ferreira Leite é uma pessoa bem informada”, disse apenas ao PÚBLICO o militante social-democrata e presidente do Conselho Económico e Social (CES).» [Público]
   
Parecer:

Muito subtil.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»

 Peixeirada entre ministra e BdP
   
«O ambiente no Banco de Portugal (BdP) ficou ao rubro depois do discurso proferido na quarta-feira pela ministra das Finanças na tomada de posse dos novos administradores da instituição liderada por Carlos Costa (António Varela e Hélder Rosalino). Maria Luís Albuquerque considerou António Varela a pessoa indicada para liderar o departamento de supervisão, palavras que estão a ser interpretadas como um sinal de que se encontra insatisfeita com o papel desempenhado pelo BdP no dossier Banco Espírito Santo (BES).

Ao discursar na tomada de posse de António Varela, que vai ficar com a pasta da supervisão prudencial e das questões relacionadas com o mecanismo único de supervisão, e de Hélder Rosalino, que será o gestor dos trabalhadores da instituição, Albuquerque afirmou que a confiança entre o BdP e o Governo “sai reforçada” com as duas nomeações.

Os nomes de Varela e Rosalino, para substituírem Teodora Cardoso e José Silveira Godinho, são escolhas da ministra. “Mais do que substituir administradores, é fundamental o reforço de competências nas áreas mais críticas, aportando valor à instituição e ao país”, disse. A supervisão, enquanto “área absolutamente crítica para assegurar a estabilidade financeira e as condições de financiamento essenciais ao crescimento sustentável, não podia ter melhor titular do que António Varela”.» [Público]
   
Parecer:

Isto ainda vai acabar à estalada.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Espere-se para ver.»
  
 Incompetência na justiça
   
«Debitou estatísticas, citou declarações de outros responsáveis pela justiça portuguesa, enumerou medidas do Governo para o sector. Quem na manhã desta sexta-feira tivesse ouvido o secretário de Estado da Justiça, António Costa Moura, na abertura do encontro de juízes que está a decorrer na Figueira da Foz e não soubesse que o sistema informático dos tribunais de primeira instância está inoperacional há 12 dias, ficaria praticamente na ignorância desse facto: o governante optou por quase não falar do problema que está a paralisar grande parte da justiça portuguesa.

No seu longo discurso, o governante apenas referiu “não olvidar as dificuldades temporárias mas compreensíveis” que se registam, tendo prometido “para breve” a conclusão da migração electrónica dos processos judiciais e assegurado que “não se perdeu um apenso, um documento” sequer na transferência entre o sistema antigo e o novo.


Aos jornalistas, António Costa Moura remeteu para a próxima segunda-feira – dia para o qual estava prometido o reinício do funcionamento da plataforma informática – um “circunstanciado ponto da situação” da plataforma Citius.» [Público]
   
Parecer:

Grande incompetente!
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Demitam-se os incompetentes.»
  
 O Novo Banco está parado
   
«A comissão de trabalhadores (CT) do Novo Banco denunciou hoje que este "está parado" por "pressões externas", eventualmente de bancos concorrentes, continuando por concretizar os reembolsos prometidos pelo Banco de Portugal aos clientes de determinados produtos financeiros.

"A impressão que temos é que o banco está parado, que alguém anda a fazer com que o banco esteja parado", afirmou o coordenador da CT em declarações à agência Lusa, no final de uma audiência, em Lisboa, com o grupo parlamentar do PCP sobre o futuro do Novo Banco.» [DN]
   
Parecer:

O Ulrich agradece.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se ao Bento se já percebe alguma coisa de banca.»

 Passos nega ter interferido no BES
   
«O primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, garantiu hoje nunca ter interferido nem na vida do Banco Espírito Santo, nem na do grupo que o integrava.

“Eu nunca interferi na vida do Banco Espírito Santo e nunca interferi na vida do Grupo Espírito Santo”, afirmou aos jornalistas, em Sernancelhe.» [i]
   
Parecer:

O problemas não é saber se Passos interferiu no BES, é se o BES interferiu no Passos já que no Paulo Portas todos sabemos que o Ricardo revogou a decisão irrevogável.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»

 O Seguro até sente necessidade de dizer que é de esquerda
   
«António José Seguro garante que se chegar ao poder governará à esquerda, comprometendo-se a “executar um projecto de esquerda em Portugal”. Numa entrevista ao i que será publicada amanhã, o actual líder do PS e candidato nas primárias do partido não esclarece, no entanto, se fará coligações com os partidos de esquerda ou direita, caso não atinja a maioria absoluta e apenas garante que não fará coligações com “quem defende a privatização da TAP, da Caixa Geral de Depósitos ou da RTP”, com quem “quer desmantelar o Estado Social” ou “quer que Portugal saia da zona euro”.» [i]
   
Parecer:

Pobre Seguro.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se a merecida gargalhada.»
  

   
   
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sexta-feira, setembro 12, 2014

A alcateia

Estamos em Setembro, a pouco mais de três meses do início de 2015 e nada se sabe sobre as opções orçamentais, sobre se vão aumentar ou diminuir impostos, sobre se a carga fiscal se mantém ou continua a aumentar em consequência de aumentos nas taxas dos impostos e na eficácia da sua cobrança, sobre se a dívida vai aumentar, sobre se vão ser adoptados mais cortes na saúde, no ensino ou na investigação. Estamos a pouco mais três meses de 2015 e nada se sabe sobre o que se vai passar.
  
Não se sabe nem a alcateia de comentadores que comentou os debates entre Seguro e António Costa fez essa pergunta à ministra das finanças, a Paulo Portas que coordena a ministra das Finanças e muito menos a Pedro Passos Coelho que anda mais entretido a dar bicadas em Cavaco Silva do que dizer como vai ser o seu orçamento eleitoral para o próximo ano. Mas a mesma alcateia de comentadores que exige a Costa que apresente já o OE para 2016 não parece estar muito interessada em saber.
  
Até o circunspecto Sousa Tavares ficou muito desiludido com o segundo debate porque António Costa não apresentou a sua solução alternativa. O pressuposto destas preocupações é óbvio, a política económica tem sido um sucesso, o problema da dívida soberana está resolvido, o investimento cria emprego e a economia cresce, neste contexto exige-se que quem vier faça melhor ainda. 
  
Perguntam aos candidatos do PS o que vão fazer nos impostos em 2016 mas não perguntam ao governo o que vai fazer em 2015. Perguntam aos candidatos do PS qual o candidato presidencial apoiado pelo PS mas não perguntam à coligação da direita se vai concorrer em coligação em 2015 e qual o candidato presidencial que é apoiado por Portas e Passos Coelho. 
  
Para que um candidato de esquerda ser credível tem que ter respostas para as dúvidas que se possam colocar na próxima legislatura, mas nada perguntam ao governo em funções que nunca acertas nas previsões, que governa com base em mentiras e falsos desvios, que não consegue aprovar um OE que não contemple medidas ilegais. Para esta alcateia a direita tem o direito natural a governal, à esquerda exigem-se garantias e provas de competência.
  
O que perguntou esta alcateia sobre a reforma judicial? O que perguntou a alcateia à ministra das Finanças sobre o que ela pensa em relação à dívida soberana, uma pergunta que ela própria coloca aos partidos da oposição? O que é que esta alcateia que tão incomodada fica com o conflito interno do PS disse sobre o conflito entre Passos e Cavaco em torno da questão do BES ou sobre as divergências entre a Maria Luís e o seu coordenador Paulo Portas na questão do IRS?
  
Que me perdoem os leitores deste modesto blogue, mas a esta alcateia de comentadores que pululam nos muitos canais de informação só me apetece dizer que vão à bardamerda. A única excepção vai para Manuela Ferreira Leite, uma senhora que mereça ou não a nossa simpatia insiste em não se aramar em comentadora independente e fala de acordo com a sua consciência. Quase todos os outros não são mais do que a voz do dono.
 

Umas no cravo e outras na ferradura



   Foto Jumento


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Graffiti, Lisboa
  
 Jumento do dia
    
Jorge Barreto Xavier, secretário de Estado da Cultura

Parece que o secretário de Estado da Cultura não gosta de concursos para escolha dos dirigentes do Estado e é bem capaz de ter razão, não só os concursos da CRESAP não passam de uma treta como na verdade a maioria dos escolhidos são os que o governo queria e teria escolhido sem concurso.

Mas, acontece que este governo que inventou esta fantochada e por isso mesmo o secretário de Estado devia ser coerente com as decisões do seu governo e alinhar na fantochada do concurso que ele próprio lançou.

«A secretaria de Estado da Cultura quer fazer um novo concurso para a nomeação de cargos de topo na Direção Geral das Artes (DGA) depois de ter ficado com “dúvidas” sobre os três candidatos escolhidos. Cabe à Comissão de Recrutamento e Seleção para a Administração Pública (CRESAP) selecionar os candidatos mais indicados para os vários cargos de direção de topo no Estado, apresentando uma short list de três nomes à tutela – que tem a palavra final. Mas mais de um mês depois de terem saído os resultados do referido concurso, a secretaria de Estado tutelada por Jorge Barreto Xavier ainda não designou ninguém para o cargo.

Questionada por um grupo de deputados do PS sobre a morosidade da decisão, a secretaria de Estado admitiu que não tomou ainda “uma decisão final” por ter “duas dúvidas específicas” – uma sobre “os candidatos em presença” e outra sobre a possibilidade de haver uma “reestruturação” na DGA e, consequentemente, querer pedir um novo concurso em função das alterações.» [Observador]

 O debate irritou os ideólogos da direita conservadora da treta

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 A Europa do quem dá mais

Da Escócia à Catalunha, da Ucrânia aos países bálticos, são cada vez mais as manifestações de egoísmo europeus em que países e regiões desenham o seu futuro não com base em laços de solidariedade mas sim a pensar no que ganham com as independências ou com as novas alianças, são cada vez mais os países e regiões a aderir a quem dá mais. É este o legado da nova geração de políticos europeus formada por gente como a senhora Merkel e Durão Barroso, uma Europa miserável.

 Paulo Bento partiu

Para que o país volte a ter ânimo falta agora correr com Cavaco, Passos e Seguro.

      
 O caso da Rainha que se fechou em copas
   
«João Ferreira do Amaral, que quer sair do euro com Francisco Louçã (escreveram juntos A Solução Novo Escudo), é monárquico. Se ele defende o tema monetário tropeçando como o faz com a Rainha Isabel II, Louçã vai ter de puxar sozinho pelo escudo. Isabel II, que é Rainha do Reino Unido da Grã-Bretanha, o que quer dizer, entre outros, da Escócia e da Inglaterra, avisou esta semana os políticos: não me metam no debate do referendo. No próximo dia 18, a Escócia vota "sim" ou "não" à independência. Isto é, decapita ou não a Grã-Bretanha. E sobre isso a Chefe do Estado, Isabel II, lava as mãos. Ferreira do Amaral maravilhou-se com a atitude: "Talvez não exista maior exemplo do que deve ser um chefe de Estado, sempre acima do jogo político..." Já houve tempo em que os monárquicos davam como mérito dos reis o de unir os povos. Isabel II encanta Ferreira do Amaral por se estar nas tintas para isso. O importante é que continue Rainha da Escócia e Rainha da Inglaterra. A monarquia britânica, se o referendo der para o torto, vai reciclar-se em nichos de mercado em vez de grandes empresas. Sorte a delas, monarquia e Isabel. E com a coroa sem estados de alma, "sempre acima do jogo político..." Sobre o novo escudo, não sei, mas esta nova monarquia não me convence. Assim como assim prefiro a velha, quando os reis para justificar o posto andavam à espadeirada. É certo que não era acima do jogo político, era mergulhado nele.» [DN]
   
Autor:

Ferreira Fernandes.

      
 Passos rasteira Cavaco
   
«O primeiro-ministro garantiu esta tarde que o Presidente da República foi sempre informado sobre a situação do Banco Espírito Santo e que “nenhuma informação relevante foi ocultada ao Presidente”, quer pela informação prestada pelo Governo, quer pelo Banco de Portugal.

Em declarações aos jornalistas, Passos Coelho respondeu às dúvidas lançadas pelo Presidente dizendo que leu as palavras como evidenciando “preocupação” do chefe de Estado com o caso do BES. No entanto, garante o primeiro-ministro, Cavaco Silva estava “a par desta situação até pelo dever de informação que o Governo tem para com o Presidente da República – neste caso através de informação que eu próprio dou -, mas também através de outras entidades”.

E foi aí que revelou que Carlos Costa, Governador do Banco de Portugal, falou com o Presidente da República sobre o caso, a pedido do próprio líder do Executivo:

“Como eu próprio tive ocasião de informar daquilo que era relevante e importante no desenvolvimento deste caso e pelo menos uma vez a meu pedido, o Governador do Banco de Portugal teve a ocasião de informar o Presidente da República sobre esta matéria”.» [Observador]
   
Parecer:

Veremos agora se Cavaco come e cala ou se responde.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Espere-se para ver.»
  
 A anedota do dia
   
«A maioria PSD-CDS garante ser “um referencial de estabilidade governativa” até ao final da legislatura, contra um PS “perdido” e “em guerra interna permanente”. Na Assembleia da República, o PSD, pela voz do deputado Luís Menezes, abriu esta quinta-feira a sessão de plenário extraordinário com uma declaração política para atacar o PS e, ao mesmo tempo, com juras de estabilidade em nome da maioria PSD-CDS.» [Observador]
   
Parecer:

Este filho do Menezes não se lembra da decisão irrevogável de Paulo portas e das muitas contradições entre, por exemplo, Maria Luís e o líder do CDS como sucedeu ainda na semana passada, a propósito da redução ou não do IRS.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Vomite-se em cima do rapazola.»

 As súbditas da rainha de Inglaterra fazem o trabalho sujo na Síria
   
«Algumas das mulheres britânicas que fugiram do país para se juntar ao Estado Islâmico na Síria estarão a gerir bordéis nos territórios ocupados pela organização terrorista onde mulheres da minoria yazidi são abusadas por guerrilheiros. Os relatos indicam que as mulheres britânicas ascenderam ao topo da cúpula de poder no Estado Islâmico e organizam-se em patrulhas em várias cidades para fiscalizar a prática da sharia, ou lei islâmica.

O alerta vem do Middle East Media Research Institute (ou Instituto de Pesquisa sobre o Médio Oriente), uma organização sediada em Washington que monitoriza os meios de comunicação locais de modo a acompanhar o desenvolvimento da jihad na região. O jornal Mirror, diz ter tido acesso a um relatório desta organização em que as mulheres britânicas são indicadas como líderes e integrantes da brigada feminina de al-Khanssaa, que vigia a imposição da sharia, especialmente no que diz respeito ao cumprimento das normas pelo sexo feminino.

Estas mulheres terão organizado bordéis na cidade de Raqqah, na Síria, principal reduto do Estado Islâmico, com raparigas da minoria yazidi, raptadas no Iraque. O jornal cita fontes no terreno que dizem que as mulheres britânicas “usam uma interpretação bárbara da fé islâmica para justificar as suas ações” e que acreditam “que os homens podem usar essas mulheres como quiserem porque elas não são muçulmanas”.» [Observador]
  
Parecer:

Grandes cabras.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se a Cameron se esta gente já não são os democratas que iam libertar a Síria com o seu apoio.»

 Este PS está a ficar muito radical
   
«O deputado socialista Luís Pita Ameixa exigiu, esta tarde, que Passos Coelho demita a ministra da Justiça, Paula Teixeira da Cruz, pelo caos que se está a viver no sistema judicial português, conta o Diário de Notícias.» [Notícias ao Minuto]
   
Parecer:

Depois de anos sem pedir a demissão de ninguém agora pede-se a demissão de tudo e de todos.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se à Catarina Martins se está tentada a pedir o radical Seguro em "casamento".»
  

   
   
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quinta-feira, setembro 11, 2014

O Seguro Novo

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Seguro está para a política como o BES está para a banca, se o antigo BES deu lugar a um BES mau e a um BES bom, o político com mais de três décadas de acção também deu lugar a um Seguro mau que morreu e a um Seguro novo que agora concorre às directas que ele inventou. O Seguro mau passou 30 anos à janela do parlamento, o Seguro bom odeia a capital e recolhe-se em Penamacor para decorar as propostas desenvolvidas no âmbito do PS.

Este político do tipo novo, um político higienizado e cujo DNA foi expurgado de todos os defeitos tinha tudo para ganhar as próximas eleições e para que não subsistam dúvidas até fez a demonstração estatística. Escolheu um barómetro do Expresso divulgado uns dias depois das eleições e concluiu que na ocasião os 28% estavam desactualizados, o PS teria apenas 18% e só não era pior graças à generosidade estatística do Pinto Balsemão. Junto os 18% a algumas sondagens criteriosamente seleccionadas e fez um gráfico onde desenhou uma regressão que lhe permite concluir que em 2015 teria a maioria absoluta. Agora ficamos à espera que faça as contas para 2019 teremos de concluir que terminada a próxima legislatura Seguro ganhará com 115%.
  
Mas um político novo também tem humor e sabe responder às gracinhas dos adversários. António Costa que falou de políticos sentados na sexta fila do parlamento não iria ficar sem resposta, o Seguro Novo respondeu-lhe sugerindo que os autarcas ocupam os seus mandatos estando à janela. A piadola foi brilhante, tão brilhante como o são alguns dos seus braços direitos, agora ficamos à espera de ver Seguro na janela do gabinete, ouvindo o cantar dos pavões.

Passando a temas sérios sabemos agora que o Seguro Novo não tem ideias, ele coordena o trabalho de milhares de pessoas e graças a esses milhares de cabeças juntou 80 propostas inovadoras que bem espremidas e a acreditar em António Costa se resumem a seis e meia. O Seguro Novo andou a organizar os novos rumos, onde todo o PS e simpatizantes participarem, para chegar ao fim de três anos e Seguro poder prometer os problemas do país com meia dúzia de novas propostas.
  
Novo Seguro tem ideias de que ninguém se poderia lembrar e que é mesmo uma novidade universal, a aposta nos bens transacionáveis tão defendida  por Cavaco Silva e nas novas tecnologias. Agora ficamos sem saber com que parte do iPhone vamos ficar, se com o desenvolvimento que neste momento é feito na Califórnia, se com a produção que é assegurada em fábricas sem regas da China. Parece que Seguro quer um iPhone tuga desenvolvido em Penamacor e produzido no Barreiro.
  
No segundo debate pudemos perceber que o Seguro Novo também tem novas caretas, se no debate transmitido na TVI Seguro teve muitas caretas do género “hi hi hi”, no debate de ontem o Novo Seguro mostrou que é muito flexível na expressão facial, passou das caretas “hi hi hi” para as caretas “ai ai ai”.

Umas no cravo e outras tantas na ferradura



   Foto Jumento


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Vista da Baixa de Lisboa
  
 Jumento do dia
    
Carlos Moedas 

O novo comissário europeu comentou o facto de ter ficado com a pasta da inoação dizendo que a investigação é a chave do crescimento europeu. Carlos Moedas tem razão mas devia levar umas lambadas muito bem dadas, até aqui foi o executor de uma política que empurrou os investigadores para a emigração, desvalorizou as universidades e desinvestiu na investigação.

 Seguro deixou-se de gracinhas?

Vale a pena comparar o que disse Seguro da candidatura de Guterres no debate de ontem com o que tinha dito na ocasião em que António Costa defendeu essa candidatura pela primeira vez:

"É verdade, eu vi o António Costa hoje a um jornal, numa entrevista, dizer que apoia António Guterres para Presidente da República, mas eu acho que a notícia é que o António Costa não é candidato a Presidente da República"

 A pasta do Moedas

Portugal é apenas e só um dos 27 membros da União Europeia e ainda por cima um dos pequenos países que a compõem, esperar uma grande pasta económica para o pequeno comissário europeu ou ver o primeiro-ministro reunir três horas com Seguro para discutirem dossiers comunitários é quse hilariante.

A pasta da investigação é uma das pastas mais importantes e goste-se ou não de Moedas, do seu governo ou da política execrável que foi adoptada para a investigação, não vale a pena desvalorizar o facto. O pequeno Moedas ficou com uma das pastas mais importantes da Comissão, bem mais importante que algumas pastas sonantes que não passam de pastas que dão muito pouca margem de manobra aos comissários.

Agora resta esperar para ver se Moedas é como Durão Barros e se esquece de Portugal ou se tem a inteligência necessária para usar os poderes que vai ter para na medida do possível ajudar o seu país. E nesta perspectiva é bem mais importante a pasta da investigação do que a maior parte das grandes pastas de que tanto se fala mas que não servem para comprar bifes.

Posições como a do BE de que a pasta da inovação em vez da do emprego é uma derrota para o governo revela a mesma ignorância que revelam os que há direita deitam foguetes convencidos de que Portugal vai ter um estatuto especial no campo da inovação financiada pela UE.
 
Mas há um "pequeno" pormenor que todos estão esquecendo, Carlos Moedas não passa de um mero sub-comissário, uma espécie de secretário de Estado no governo da Europa, como diria Cavaco um mero ajudante do comissário que o coordena.

 Dúvidas

Se o BdP actuou de forma competente no caso BES porque razão o vice-governador com o pelouro da competência foi metido na prateleira? Se o vice-governador foi incompetente porque razões foi para a prateleira em vez de ser demitido, terá sido para que o BdP não assumisse implicitamente a sua própria incompetência?

      
 Não vou discutir a baixa do IVA, não
   
«Há dias, saía eu do Hospital de Santa Maria para apanhar táxi, quando ouvi: "Olá, amigo!" De um carro estacionado, um jovem estendia-me a mão. "Há quanto tempo... Não me está a reconhecer...", disse ele. Continuei dubitativo. E ele, tirando o boné: "Está a ver? Sou a cara chapada do meu pai, você ia tanta vez lanchar com ele! O Pereira... Pereira da Silva, talvez o conhecesse como Silva. Já se lembra?" E eu: "Não me lembro. Bom-dia!"... Já fui mais rápido a reagir ao conto do vigário em fase preparatória. Um dia, no Leblon, íamos eu e a minha filha, ainda garota, felizes no primeiro dia dela no Rio. Um vendedor de lotaria deixou cair no passeio, de forma dissimulada, um bilhete de lotaria. A miúda ia apanhá-lo e devolver, quando a impedi. Chamei o dono, mostrei--lhe o bilhete e cortei o começo de conversa que já ia na oferta de alguma coisa pela minha simpatia... Sei porque me lembro disto agora, ouvi o debate, ontem, das primárias no PS. Ouvi Seguro a dizer: "E sabes porquê, António?" E dizer: "Naquele tempo havia solidariedade!" E: "O que fizeste ao PS?" Já aqui o disse: não gosto de Seguro. Não é por esta ou aquela linha política. E nem é por essa coisa que salta nos políticos quando falta, o carisma. É pela cara mesmo. O falso afeto. Isto é, por uma razão política maior. Se ele chegar a primeiro-ministro e encontrar o ministro alemão Schäuble, não quero vê-lo a debruçar-se e perguntar: "Então, como vão as perninhas?"» [DN]
   
Autor:

Ferreira Fernandes.

      
 O BdP sabia ou não sabia?
   
«As idas a São Bento do governador do Banco de Portugal (BdP) para falar com Pedro Passos Coelho a propósito da deterioração da situação financeira nas holdings de controlo do Grupo Espírito Santo (GES) e dos riscos de contaminação ao BES começaram no final de 2013. Nessa altura, Carlos Costa sugeriu ao primeiro-ministro que Ricardo Salgado deveria deixar as funções de liderança executiva do banco, uma mensagem que foi então enviada pelo chefe do Governo ao Conselho Superior do GES.

Estes dados surgem numa altura em que se discute a criação de uma comissão de inquérito à falência do BES e depois de o Presidente da República ter vindo este domingo levantar dúvidas sobre se recebeu do Governo “atempadamente” toda a informação relevante sobre o tema. A 21 de Julho, dez dias antes de o BES colapsar, Cavaco Silva veio dizer que o BdP actuou “muito bem” para assegurar a solidez do sistema e que “os portugueses podiam confiar no BES”, mas admitiu o impacto na economia real.

As conversas de Carlos Costa com o primeiro-ministro sobre o tema GES/BES acentuaram-se entre Outubro e as primeiras semanas de Dezembro de 2013, quando o BdP tomou conhecimento de que o GES tinha um passivo da ordem dos 7 mil milhões de euros e que punha em causa a sobrevivência do grupo familiar. Um valor expressivo que poderia derrapar, pois as sociedades Espírito Santo (nomeadamente as não financeiras) estavam com dificuldades em aceder a fundos ou em reestruturar a divida, o que tenderia a agravar a dependência do BES.» [Público]
   
Parecer:

É cada vez mais óbvio que o governador do BdP sabia o que se passava no BES e nada fez para impedir o descalabro.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Demita-se o governador do BdP por inécia e incompetência.»
  
 Diz-me com quem andas, dir-te-ei quem és
   
«O Presidente da República respondeu este fim de semana a quem o acusa de ter induzido em erro os pequenos investidores que compraram acções do BES poucos dias antes da decisão de recapitalização do banco. Cavaco Silva justificou que as suas declarações de Julho, dando conta que o BES estava estável, tinham por base a informação oficial de que dispunha e adiantou mesmo que espera ter sido avisado atempadamente pelo executivo de Passos Coelho e pelas entidades oficiais assim que houve conhecimento dos reais problemas do banco. Os canais de informação, porém, entre Cavaco e o universo Espírito Santo sempre existiram. Nesta última declaração, o chefe de Estado disse não ter “ministérios”, “serviços de execução política”, nem “serviços de fiscalização ou investigação” para conseguir informação além da que o executivo lhe disponibiliza. Mas desde há muitos anos que são conhecidas as ligações com a família Espírito Santo e a amizade com Ricardo Salgado.

O i foi recuperar o início de uma relação entre professor e aluno que começou na década de 60 e os encontros que mais tarde começaram a traçar uma maior proximidade: desde jantares privados a apoios financeiros à corrida a Belém de 2006.» [i]
   
Parecer:

Será que Cavaco também investiu em acções do GES?
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se.»
  

   
   
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