sábado, fevereiro 14, 2015

Foie gras

Pela forma como alguns comentadores se referem aos problemas financeiro de países como Portugal e a Grécia fica-se umas vezes com a sensação de que estes países foram obrigados a pedir crédito e a gastar o dinheiro como se fossem gansos a serem alimentados à força com o objectivo de produzir foie gras. Como estes países foram obrigados a gastar dinheiro emprestado pelos bancos alemães e os regastes destinaram-se a salvar estes banco s não há grande obrigação de pagar ou, em alternativa, deve ser a Europa e em especial a Alemanha a encontrarem uma solução.
 
Outros políticos fazem passar a ideia de o dinheiro foi gasto em inutilidades a que se convencionou designar por PPP e considera-se que alguns políticos sem escrúpulos se aliaram a interesses económicos para empenhar o país construindo obras inúteis. É esta a ideia que se faz passar e não admira que nos fóruns das estações de rádio seja frequente ouvir quem defenda que não se paguem as PPP. Argumentando com uma ou outra estrada com poucos carros sugere-se que as PPP são uma espécie de obeliscos inúteis, esquecem-se dos tempos em que exigiam um Estado moderno, com hospitais do melhor para todos e boas estradas unindo todas as aldeias do interior.
 
Também há quem sugira que todos os males da nossa economia resultam de uma zona euro que os alemãs de forma manhosa e pela calada da noite organizara de forma a sugar toda a riqueza da europa em favor do sul. Mas ganhamos dois ou três tostões corremos para o stand da BMW comprar o carro novo, mas quando no final do ano a balança pende para o lado da Alemanha acusamos os alemães de nos estarem a levar a riqueza.
 
Outros sugerem que temos banqueiro e empresários exemplares que só não conseguem desenvolver o país porque são impedidos por uma casta de funcionários públicos, por trabalhadores gandulos que se protegem atrás da legislação laboral e porque a EDP não pertence ao Partido Comunista da China, um sinal de ausência de democracia na economia portuguesa. Finalmente um ponto de encontro entre a extrema esquerda e a extrema direita portuguesas, dantes não havia democracia porque não podiam haver comunistas, agora não havia democracia porque os comunistas chineses não podiam ser d EDP.
 

A direita e a esquerda entretém-se a encontrar falsas causas para a crise da economia portuguesa e em consequência sugerem falsas soluções. A direita tentou corrigir o problema com uma polícia económica que lembra os tempos de Pinochet designado a canalhice social em curso por austeridade. A esquerda sugere que não há solução no plano nacional e defende que tudo passa pela Europa, umas vezes defende a mutualização da dívida para de poder fazer mais do mesmo, outras prefere descansar à espera que o Varoufakis diga o que ainda não consta na famosa Agenda da Década que ninguém sabe o que nem é e nem se percebeu ainda a que década se refere.

Umas no cravo e outras na ferradura



   Foto Jumento


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Lisboa
  
 Jumento do dia
    
António Costa

Num país onde por meia dúzia de euros de impostos há famílias a verem a pensão ou o ordenado penhorado ou assistem ao leilão da sua casa é muito questionável que uma emrpesa de construção tenha este tipo de benefícios fiscais. António Costa tem a certeza de que os dinheiros do Benfica são todos gastos em prol do desporto?

«A Câmara de Lisboa aprovou na quarta-feira a isenção do pagamento de taxas urbanísticas de cerca de 1,8 milhões de euros por intervenções a realizar junto ao Estádio da Luz, o que gerou críticas da oposição.

A proposta, que prevê a isenção em obras de ampliação a realizar no lote 14 da Avenida General Norton de Matos, por parte da Benfica Estádio-Construção e Gestão de Estádios, SA, foi aprovada com os votos contra da oposição no executivo municipal (de maioria socialista) - PSD, CDS-PP e PCP - e de uma vereadora do movimento Cidadãos por Lisboa (eleita nas listas do PS).

O vereador António Prôa, do PSD, explicou à Lusa que o valor das isenções (de cerca de 1,8 milhões) diz respeito a intervenções em áreas desportivas e em áreas complementares à atividade desportiva, como é o caso das instalações da Benfica TV e de restaurantes que existem no estádio.» [DN]

 Memória 

Também o Salazar, indiferente à miséria que grassava no país, gostava de exibir os seus grandes resultados na balança comercial. Dantes proibia-se o povo de comer sardinha para se poder exportar as conservas para a Alemanha nazi, agora corta-se nos ordenados do povo para que estes não comprem, obrigando os produtores a vender para a Alemanha democrática. EM ditadura ou em democracia a lógica económica da direita é sempre a mesma.

 Dúvidas que me atormentam

A comunicação social divertiu-se, a Ana Gomes espetou-se e muita gente interrogou-se sobre a competência de quem na justiça portuguesa transcreve as muitas escutas que se fazem na caça ao criminoso ou aos políticos que seria bom se fossem também criminosos.

Mas, curiosamente, ninguém questionou a possibilidade de alguém ter feito a transcrição errada de forma intencional, com o objectivo de produzir matéria que pudesse servir para uma acusação difamatória. E se os que fazem escutas não se limitarem a transcrever o que ouvem e passarem a colocar na boca dos escutados palavras que não disseram? Isso significaria que a partir de agora a defesa teria de perder horas intermináveis a comparar as escutas com as transcrições para identificar falsas acusações produzidas pela própria justiça.

Seria terrível se as confissões que dantes eram conseguidas com recurso à tortura fossem agora obtidas graças a erros de transcrição. Aceitemos que foi mesmo um erro de transcrição, um erro de simpatia pois alguém confundiu inadvertidamente o que ouviu com o que queria ouvir.

      
 (A)versão da polícia
   
«"Se mandasse vocês seriam todos exterminados. Não sabem o que eu odeio vocês, raça do caralho, pretos de merda." Constante numa reportagem do Público sobre os acontecimentos de 5 de fevereiro na Cova da Moura, a frase é atribuída a um agente da PSP da esquadra de Alfragide por um membro da direção da Associação Moinho da Juventude, há décadas referência de mediação social. Este diz que foi com outras pessoas à esquadra para tentar perceber o que se passara pouco antes no bairro, onde um homem fora detido por, alegadamente, atirar uma pedra a uma viatura policial, tendo na sequência sido disparadas balas de borracha. Queixa-se de, à chegada, o grupo ter sido agredido e insultado e igualmente alvo de balas de borracha. Detidos e acusados de resistência e coação a funcionário, passaram noite na esquadra, apresentando no dia seguinte queixa por tortura no MP.

Publicada a 10, a reportagem dá também voz ao homem acusado de apedrejar o carro. Este nega: estava na rua, foi agredido sem motivo e, ante protestos dos moradores, a polícia disparou - atingindo por três vezes uma funcionária do Moinho da Juventude na varanda da sua casa (a qual mostra os ferimentos ao jornal). Confrontada com estas versões, a esquadra remete para a Direção da PSP, que se resguarda nos inquéritos entretanto desencadeados: um interno e outro da Inspeção-Geral da Administração Interna.

É tarde para resguardos, porém. Logo após os acontecimentos a PSP, pela voz do "subcomissário Abreu do Comando Metropolitano de Lisboa", certificava à Lusa que a esquadra de Alfragide fora alvo de "uma tentativa de invasão por um grupo da Cova da Moura". Situando o início do ocorrido - o alegado apedrejamento do carro - às 14 horas, admitia "um tiro de shotgun para o ar para dispersar" e um outro quando "os restantes jovens tentaram invadir a esquadra." Pouco depois, informado pelo Público da existência de ferimentos numa mulher, Abreu admitia mais disparos e menos certezas: "A PSP não confirma nem desmente que possa ter ocorrido esse incidente, mas vamos apurar e no final da tarde teremos uma resposta mais consolidada."

Não é possível, nesta altura, saber a verdade dos factos - se algum dia vai ser. Mas podemos, e devemos, concluir várias coisas sobre a PSP. Que veicula para os media versões instantâneas, autojustificativas e incendiárias para depois, confrontada, admitir que não sabe o que se passou; que admite disparar mas não sabe quantos tiros nem se feriu alguém, quanto mais explicar porquê. Numa polícia com esta cultura, com tais graus de irresponsabilidade e desprezo pela verdade, estranho será não haver agentes que acham que podem dizer e fazer tudo. Ser rufias, violentos, racistas, até homicidas - por que não, afinal? Como estranho, tão estranho e triste, é que assim seja há tanto tempo, e que tão pouca gente se escandalize - mas, lá está: fosse diferente a exigência e não seria esta a polícia.» [DN]
   
Autor:

Fernanda Câncio.


 Está explicado o excesso de trokismo de Passos Coelho
   
«O consumo de cerveja atingiu, em 2014, o valor mais baixo dos últimos 24 anos. De acordo com a Associação Portuguesa dos Produtores de Cerveja (APCV), os portugueses beberam, em média, 46 litros desta bebida, quantidade que não era registada desde, pelo menos, o início de 1990.

Dados compilados pelo PÚBLICO mostram que, depois de anos de crescimento até 2006, o consumo de cerveja tem caído de forma quase continuada. Passou de 61 litros há 12 anos para os actuais 46. Entre 2010 e 2011 (ano em que a troika chegou a Portugal), a descida chegou a ser de 10%.

Com um cenário difícil no mercado interno, os produtores de cerveja, com cinco fábricas em território nacional, exportaram mais 4,6% em 2014, num total que ultrapassou os dois milhões de hectolitros. As vendas para o estrangeiro cresceram mais do que a produção total, que aumentou 0,7% face a 2013.» [Público]
   
Parecer:

Foi para os portugueses andarem mais sóbrios ainda que com ministros como o da Economia, o homem das cervejas, até seria conveniente o inverso.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»

 O cachecol velho
   
«Está esclarecida a polémica que incendiou as redes sociais nestes últimos dois dias. O cachecol com que Yanis Varoufakis se apresentou na reunião do Eurogrupo da passada quarta-feira, com o padrão da conhecida e cara marca Burberry, é mais velho do que crise europeia. Tem 12 anos e foi-lhe oferecido pela mulher.

O facto de o novo ministro das Finanças ter surgido na reunião com um cachecol, que, a ser verdadeiro, custará cerca de 400 euros, causou forte polémica nas redes socias. Como é que um homem da esquerda radical, que quer renegociar a dívida do seu país em grave crise, se apresenta com tal luxuosa peça entre a, digamos assim, nata do capitalismo europeu? As críticas foram muitas e vieram de todo o mundo.» [Público]
   
Parecer:

Digamos que o padrão tem bem mais de doze anos.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Ofereça-se um cachecol novo ao Varoufakis.»

 A ministra inimuptável
   
«Paula Teixeira da Cruz relembra que cabe aos órgãos de gestão de comarca deslocar funcionários de acordo com as necessidades dos tribunais e as 600 novas vagas para funcionários judiciais.

"A Reforma da Organização Judiciária implicou alterações substanciais que, neste momento, permitem já aos órgãos de Gestão das comarcas uma maior flexibilidade e racionalização de recursos no que se refere também à gestão dos recursos humanos, o que permitirá, nos termos legais, a deslocação de funcionários de acordo com as necessidades da respetiva comarca". As declarações são de Paula Teixeira da Cruz, numa nota enviada às redações.» [DN]
   
Parecer:

A ministra que de forma desastrada prometeu o fim da impunidade assume-se como uma ministra inimputável, uma ministra que não assume a mais pequena culpa e que parece ser especializada em inventar culpados que assegurem a sua inimputabilidade.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Demita-se a pobre senhora.»

 A taxa da panela
   
«Câmara Municipal da Povoação anunciou hoje a entrada em vigor a 01 de março das tarifas para a confeção do cozido das Furnas

Segundo a autarquia, "a partir de 01 de março serão aplicadas a tarifa de entrada, a tarifa de panela de cozido e a tarifa de estacionamento", mas os residentes nas Furnas estarão isentos.

"A entrada custará 50 cêntimos, por pessoa, com isenção a crianças até 12 anos, aos residentes na Freguesia das Furnas e a todos quantos possuam o Cartão Amigo do Parque da Direção Regional do Ambiente. Estão ainda isentos o portador do cozido, os Guias Turísticos, os empresários da restauração e dos táxis e os condutores de autocarros", adianta o município, numa nota.» [DN]
   
Parecer:

No meio de tantas taxas e taxinhas eis que foi criada a taxa da panela.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Proponha-se a criação da taxa do tacho.»

 Ofendam antes o profeta
   
«Martin Jaeger, porta-voz do ministério das Finanças alemão, considerou, em conferência de imprensa, que se trata de uma “caricatura ofensiva” e que “o cartoonista deveria envergonhar-se”.

Na imagem em causa, que tem estado a circular em plataformas como o Twitter, vê-se Wolfgang Schäuble não só fardado como nazi mas também a afirmar que a Alemanha vai “insistir em fazer sabão da vossa [gregos] gordura”, uma frase alusiva a uma das práticas nos campos de concentração nazis, na altura da Segunda Guerra Mundia» [Notícias ao Minuto]
   
Parecer:

Lá se foi a admiração pelos cartonistas.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»
  
 Mais claro não podia ser
   
«Miguel Albuquerque vai disputar as eleições na Madeira a 29 de Março. O sucessor de Alberto João Jardim na liderança do PSD/Madeira afirma que não vale a pena iludir os portugueses, dizendo que para reduzir o peso do Estado nas contas públicas, o tão afamado projeto de reforma da Função Pública, será sempre necessário "despedir" trabalhadores.

“[A reforma do Estado] é despedir funcionários públicos, não vale a pena estar com ilusões, 78% da despesa do Estado é com pessoal", argumenta o novo líder social-democrata da Madeira.

Como tal, considera Albuquerque que o Governo deveria ter criado um fundo, fora do quadro do Orçamento do Estado, para assegurar despedimentos, considerando que nessa altura Passos Coelho estaria em condições para tirar “10, 15, 20, 30, 40 mil pessoas".» [Notícias ao Minuto]
   
Parecer:

Depois de um corte de mais de 20% ainda há quem defenda o despedimento.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se ao rapazola se quer mais dinheiro para a Madeira.»
  

   
   
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sexta-feira, fevereiro 13, 2015

Quem torto nasce...

“Eu não vejo razão para que não seja reduzida a comissão que é cobrada a Portugal pelos empréstimos que recebeu do Fundo Europeu de Estabilidade Financeira, matéria que aliás penso que já tinha sido falada há algum tempo. Tal como não vejo razão para que não seja alargado o período de reembolso dos empréstimos do Fundo de Europeu de Estabilidade Financeira” Declarações de Cavaco feitas em Dezembro de 2012, quando a Grécia conseguiu alterações de taxas e de prazos.

Este é o mesmo Cavaco que sugere “come e cala" aos gregos, o Cavaco que sugere que o seu país ganhou apenas com austeridade e obediência à troika. É o mesmo Cavaco que sugere do alto sua sabedoria sugere ao primeiro-ministro grego que aprenda sobre o funcionamento da Europa que em Julho de 2013 defendia a recomposição da troika com a saída do FMI, isto é, dizia precisamente o que defende o seu mau aluno grego. O mesmo Cavaco que se dizia candidato presidencial por ser professor de economia, mas qie na hora de explicar lucros chorudos com um negócio de acções pouco transparente disse ser um pobre que nada sabia dessas coisas sobre acções escritas em inglês.

“É chegado o tempo de reflectir sobre se a composição e o papel da troika é adequado nesta fase de implementação dos programas de ajustamento. Talvez seja preferível – mas é apenas uma opinião pessoal – se a responsabilidade não deve ficar plenamente – quer no desenho, quer no acompanhamento, quer nos ajustamentos – nas instituições europeias, na medida em que os objectivos da União Europeia são bem diferentes do FMI”

O Presidente que sugere aos gregos que respeitem os tratados e os acordos é o mesmo presidente que ao longo dos dois mandatos só se empertigou na defesa da Constituição quando a usou por recear que o governo regional dos Açores lhe estava a retirar poderes, que aprovou uma série de medidas em relação às quais o Tribunal Constitucional não teve quaisquer dúvidas. E se o governo grego lhe disser, como ele disse aos portugueses, que encomendou muitos estudos que provam que as suas exigências não violam os acordos e os tratados, mesmo que isso seja descaradamente mentira?
 
Mas não deixa de ser interessante ver alguém que tão maltrata uma Constituição ser tão competente na hora de cumprir e fazer cumprir tudo o que acorde com a troika. Mas será mesmo assim, o seu governo tem cumprido com tudo ou graças à intervenção do BCE Portugal teve acesso aos mercados e a troika fechou aos olhos ao desempenho de Portugal? Que se saiba Portugal não cumpriu com uma boa parte do que se comprometeu no ou depois do memorando e ainda recentemente a Comissão Europeia se queixava disso. 

Se é de princípios de que estamos falando nem Cavaco Silva nem Passos Coelho, para não referir personagens absurdas como um tal Maçãs, têm qualquer autoridade moral para criticar quem quer que seja. Como é que um primeiro-ministro que enganou o seu eleitorado, que se fez eleger com base em mentiras pode dizer ao governo grego que deve respeitar os eleitores e contribuintes dos parceiros europeus?

O mesmo governo que há pouco tempo queria excluir de um acordo laboral os trabalhadores que não eram sindicalizados ou que pertenciam a sindicatos que não assinaram esse acordo é o mesmo governo que depois de não alinhar com irlandeses e gregos apressou-se a beneficiar das cedências a reivindicações com que não foi solidário.

Temos um governo e um presidente quem Portugal e os portugueses numa posição pouco diga, a de um aluno graxista que espera beneficiar pelo facto de não ser solidário com os colegas, como um pendura oportunista que quer viajar mas na hora de pagar o bilhete deixa a tarefa para gregos e irlandeses.

De repente, vem-me à memória uma famosa ficha dos arquivos da PIDE onde alguém tentava conquistar as simpatias da polícia política do regime escrevendo sem que ninguém o solicitasse no espaço de “observações” que “O sogro casou em segundas núpcias com Maria Mendes Vieira, com quem reside e com quem o declarante não priva.”. É esta a cultura que hoje é a imagem externa de Portugal, porque quem torto nasce, tarde ou nunca se endireita.

Como pode o país sair desta cepa torta liderado por gente sem grandeza, sem coragem, seguidista e receosa de tudo?
   

Umas no cravo e outras na ferradura



 Jumento do dia
    
Aguiar-Branco

Só um ministro muito incompetente e irresponsável poria as forças armadas a responder a questões colocadas pelos partidos a um ministro num plano político.

«Aguiar-Branco demitiu o diretor-geral da Autoridade Marítima e comandante-geral da Polícia Marítima, mas as explicações pedidas pelo PCP foram dadas pelo gabinete do chefe militar da Marinha.

"É mais uma originalidade deste ministro" da Defesa, comentou ao DN o deputado António Filipe, autor do requerimento para saber "quais as razões ponderosas que justificaram a exoneração" do vice-almirante Cunha Lopes do cargo de comandante-geral da PM.» [DN]

 Bem-vindos à URSS da treta

Coma divulgação da conta bancária de alguns portugueses o país teve uma crise ideológica nunca vista, os jornais mais à direita fazem lembrar o antigo Luta Popular e a ministra das Finanças tranquiliza os portugueses informando que a polícia dos bons costumes já pediu informação sobre os suspeitos.

Que o Belmiro de Azevedo e o Amorim sejam ricos tudo bem, todos sabemos que gastam o dinheiro honestamente e com o suor do seu trabalho, mas a Tia Mari Coxa que não mora na Quinta da Marinha ou na Quinta Patino é que não pode ser? A RTP telefona à Ti Coxa, o CM persegue o ti Zé Maneta e a polícia dos bons costumes informa-se sobre se o Zé das Salsichas pagou impostos.

O país descobriu de um dia para o outro que não foi só o Dias Loureiro ou o Duarte Lima a enriquecerem nos últimos trinta anos, pelos vistos há quem não receba comenda, não tenha estatuto de senador nas televisões ou a quem ninguém lambe os ditos cujos e tem dinheiro. Algo inaceitável, devia ser proibido chegar a rico sem ter dado envelopes a políticos candidatos presidenciais, sem ter oferecido férias a jornalistas ou sem ter ajudado publicamente na campanha da Popota.

Portugal está por estes dias a ter o seu momento URSS.
 
 Sugere-se a Cavaco que reveja o vídeo do Marcelo


  

      
 Tudo sobre a portuguesa dos muitos milhões!
   
«Como não sou um latinista reputado para dizer que delatar e dedo têm a mesma origem, o que me daria jeito, sirvo-me da palavra dedo-duro. Os brasileiros, que são quem melhor manuseia a nossa língua, inventaram dedo-duro para dizer denunciante. Olhem o gesto: aponta quem, mas não diz o quê... E isso é importante? É, faz-nos andar para trás. Quando os deuses fizeram os seres vivos, dos lobos aos homens, deram-lhes ganas para fazer o que lhes apetecia, machucar e matar. Era bom, exceto, claro, para os que eram mortos segundo nos apetecia. Mas andámos, andámos e chegámos à lei, que acabou com o lobisomem. A lei, sancionando, permitiu que fosse metido na ordem quem ia contra as regras determinadas pela aldeia e pelo Tribunal Europeu de Justiça (estou a saltar etapas, mas a crónica é curta). Grosso modo, a lei funciona respondendo a esta pergunta: "O que há de errado, se há, no que foi feito e por quem?" Repararam na filosofia implícita da fórmula? Primeiro, verifica-se se houve crime e, havendo, vemos quem o cometeu para o castigar. Foi isso que nos levou a chegar a civilizados. Ora, esta civilização que tem sido combatida há séculos, por estes dias é-o por esta fórmula: "O que havemos de fazer com esta pessoa, apesar de não sabermos o que ela fez?" É a fórmula do dedo-duro. Por exemplo, a popular lista do banco suíço: "Olha a D. Sílvia, de Vila Real, a portuguesa dos 200 e tal milhões!!!"... Sim, mas ela fez o quê?» [DN]
   
Autor:

Ferreira Fernandes.

quinta-feira, fevereiro 12, 2015

Rei Mono

Anda por aí um senhor de Boliqueime de que dizem ser Presidente da República, julgo mesmo que esse mesmo senhor terá ganho algumas eleições, isso depois de ter também ganho umas centenas de milhares de euros que nos saíram dos bolsos, em ambos os casos apostou com o apoio do mesmo partido. 
  
Pelas poses fotográficas da família Silva, genro e netos incluídos, nos jardins do Palácio de Belém ou nas visitas papais chego mesmo a pensar que esse senhor não terá ganho as eleições presidenciais, terá antes ganho dois plesbiscito onde os portugueses se manifestaram a favor da sua entronização como Rei de Portugal dando início à dinastia dos Silvas. A confirmar esta minha suspeita está a postura com que a suposta rainha Maria receia a rainha Sofia e agora recebe a rainha Letícia. Até há quem diga que depois de andar a treinar para cómico no parlamento o Rei Silva venha a contratar o zipado Pires de Lima para bobo da corte, já que o Nunes Liberato também é zipado mas não tem a graça do cómico da Horta Seca.
  
Pois é esta espécie de rei que agora se dirige aos gregos como se fossem infiéis e só não vai lá dar-lhes umas galhetas por causa do trauma de Alcácer-Quibir. Esses mariolas dos gregos andam a viver à custa dos contribuintes portugueses, não há mês que o Banco de Portugal não lhes mande mais uns milhões e agora dizem não cumprem o que acordaram. São uns malandros, muito diferentes de nós que não só fomos além da troika como ainda lhes damos de comer. O nosso Silva esteve mesmo à beira de mandar a polícia da AT, a mesma que prende ex-primeiros-minitros, ir a Bruxelas penhorar o cachecol da Burberrys do Varoufakis e vendê-lo em hasta pública na Grand Place!
  
Se os gregos não fossem burros perceberiam que se tivessem sido obedientes como os portugueses, se tivessem lambido o rabinho dos três funcionários da troika, se tivessem deixado gente a morrer à portas dos hospitais ou mesmo em casa porque as ambulâncias ficavam nas garagens, se tivessem mentido aos seus eleitores nas eleições e, acima de tudo, se tivessem um presidente de Boliqueime que se borrifasse para a Constituição, agora estariam a beneficiar da intervenção do BCE e já poderiam enganar o seu povo falando se saídas limpas ou de pagamentos antecipados de dívidas que só vão mudar de credor.
  
Mas os gregos não só não são burros como com tanta ilha e tanta praia não têm nenhum Boliqueme nem uma Praia dos Olhos d’Água que dê nome à terra. Mas deverão ter Carnaval e na próxima semana também poderão ter o seu rei mono, enfim, cada um tem o mono que merece.

Umas no cravo e outras na ferradura



 Foto Jumento


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Monsaraz
  
 Fotos dos visitantes d'O Jumento
  
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Chaminé algarvia, Tavira [A. Moura, Faro]

 Jumento do dia
    
Cavaco Silva, presidente da república

De vez em quando Cavaco Silva parece ter um ataque de uma desconcertante doença chamada Cavaco Silva e é igual a si próprio, o político que faz dele o maior erro de casting da democracia portuguesa e o mais penalizador e desastroso erro eleitoral de muitos portugueses. Foi o que agora sucedeu, só um Cavaco Silva chama solidariedade europeia a tirar muitos milhões "dos bolsos dos portugueses".

Não sei bem se Cavaco sentiu irem-lhe aos bolsos pois se o sentiu deve ir ao médico ver se anda por ali alguma coisa reanimada, não vá ter tomado alguma pastilha por engano. Cavaco esquece que esse empréstimo foi feito ainda no tempo de José Sócrates, quando ninguém tinha descoberto as malfeitorias financeiros do governo, mas esquece também que Portugal foi buscar dinheiro aos mercados para emprestar à Grécia tendo obtido juros bem mais baixos do que aqueles que ficou a cobrar aos gregos.

Nesta intervenção Cavaco diz outra coisa muito engraçada que quem diria que Portugal ia pagar tão depressa o que devia ao FMI O que Cavaco não diz é que esse pagamento não significa uma dívida mas sim pagar uma dívida criando outra. Portugal não conseguiu ter dinheiro, o que conseguiu e foi graças ao BCE foi financiar-se nos mercados a juros mais baixos do que os praticados pelo FMI.

Mas Cavaco não é um mero merceeiro nem tem desculpa para usar uma linguagem que Sousa Franco designou por linguagem de taberneiro, Cavaco foi quem esbanjou muitos milhões de ecus que em vez de terem servido para aproximar a Portugal dos níveis de qualificação e de desenvolvimento dos parceiros europeus, serviu para pouco mais do que para criar uma nova classe de burgueses inúteis, oportunistas e corruptos a que se designou por cavaquismo.

om estas intervenções Cavbaco Silva acha que coloca o que suopoe ser a sua grande inteligência política ao serviço do governo e dos partidos da coligação. Esta actuação não passa de mais um dos muitos biscates eleitorais que Cavaco tem vindo a fazer.

Como português sinto vergonha de ouvir esta linguagem naquele que para mal deste país ainda é presidente da república, com letra pequena mas ainda assim presidente. Apetece-me dizer "Ó homem, volta para Boliqueime e deixa o país seguir em frente!".

Com

«"Muitos milhões de euros estão a ser tirados dos bolsos dos portugueses" para apoiar a Grécia, afirmou, por mais de uma vez, esta quarta-feira de manhã o Presidente da República. Cavaco Silva defende que "o que não tem faltado é solidariedade perante a Grécia", recordando que Portugal, mesmo em dificuldades, já emprestou 1.100 milhões" ao país e "tem vindo a transferir para a Grécia o produto do juros das obrigações na posse do Banco de Portugal".
  
Em declarações aos jornalistas à margem do Congresso do Milho, a decorrer em Lisboa, o Chefe de Estado insistiu na ideia de que "solidariedade tem que vir ao lado da responsabilidade" e, num tom critico para com o recém-eleito governo grego, Cavaco declarou que "cada um não pode fazer aquilo que bem entende, porque pode prejudicar o outro" dado que "as economias nos sistemas financeiros estão interligadas".
  
Sobre o encontro de hoje do Eurogrupo, onde os ministros das Finanças da zona euro se vão reunir extraordinariamente para debater a crise helénica, Cavaco diz ter "esperança" que o executivo liderado por Tsipras "continue a corrigir as suas posições". "O governo grego já apreendeu algumas coisas. As propostas têm vindo a evoluir, já abandonou a ideia de perdão de divida, cada dia parece que demostram evolução. Tenho esperança de que continuem a corrigir as suas posições". Isto porque, para Cavaco Silva seria "um desastre para a Grécia sair do euro".» [DE]

 As cruzadas de Ana Gomes

Ana Gomes aprece não perder uma oportunidade para dar nas vistas, de preferência atacando o seu próprio partido porque dessa forma consegue maior exposição na comunicação social. Espetou-se contra uma parede na forma como julgou poder "entalar" Paulo portas, mas mal percebeu onde se tinha metido aproveitou-se de um comentário de uma deputada do PS para reiniciar a sua velha cruzada dos voos da CIA.

A sua identificação de Isabel Moreira como assessora de Luís amado no caso dos voos da Cia é um processo pidesco de difamação, pela forma como o diz sugere que a deputada não tem o direito da criticar por ter cometido um grande crime.Ficamos com a sensação de que recuamos ao tempo do MRPP e aos métodos desta agremiação quando Ana Gomes e Durão Barroso eram camaradas.

Enquanto esta pequena burguesia política se degladia em guerras da treta degradando a imagem do seu partido ou ajudando a derrubar o governo do seu partido são os outros que levam com doses de excesso de troikismo. Estou farto desta gente!

 O torniquete grego não impede a gangrena do euro

EM vez de curar a ferida que resultou da crise financeira de 2008 a Alemanha e uma boa parte da direita europeia achou que a melhor solução para o euro seria tratar os casos da Grécia e de Portugal como se fossem fracturas a que a aplicação de um torniquete impedia uma hemorragia grave.

O problema é que o torniquete de austeridade imposto pela Alemanha à Grécia e a Portugal não impediu a hemorragia que representa o aumento constante da dívida, assim como não resolveu o problema do crescimento, o verdadeiro problema de saúde do euro cuja infecção não está sendo combatida.

 E do Syrisa sou eu?

É divertido assistir a toda uma comunicação social que o Durão barroso dos bons velhos tempos designaria por comunicação social da burguesia, numa autêntica caçada a todo e qualquer português que tenha dinheiro na Suiça, como se não ser pobre neste país significasse ser traficante de heroína. Até apetece perguntar como o faria um antigo treinador da selçecção "e do Syrisa sou eu?".

 A evolução de Cavaco
 
Dantes dizia aos portugueses para respeitarem a vontade dos mercados, agora acha que é ateniense e diz aos gregos para respeitarem a senhora Merkel. Esperemos que tão cedo quanto possível volte a ser de Boliqueime e deixe de representar o país desta forma saloia.

      
 O cancro da Grécia ou o ébola da Ucrânia?
   
«A União Europeia que, por via da Grécia, já não sabe se amanhã é União Europeia, está com a cabeça ocupada fora da União Europeia. É como se um filho mandasse um telegrama à família: "Não posso ir ao enterro da mãe, tenho outro." E o drama é que é um telegrama avisado. Merkel e Hollande têm mesmo de estar onde têm estado, em Minsk ou onde quer que se discuta a situação das Ucrânias (isso, no plural, para que se perceba que não é de uma guerra que se trata, mas de mais brutal, uma guerra civil). O cancro da Grécia ou o ébola da Ucrânia? Optou-se pelo mal menos epidémico. E se alguém lembra: "Mas se Grécia sai, não é também uma epidemia, um castelo de cartas a ruir?", Merkel e Hollande não podem senão correr com o confusionista da unidade de cuidados intensivos... A Europa está na típica situação de quem não sabe para onde se virar porque quando a cabeça não ajuda é o continente que paga. Tinham uma união política e uma união monetária a construir e esqueceram-se da palavra de ligação: união. Com a Ucrânia, outra inadvertência: a Europa não tinha armas e deveria ter uma política e esqueceu-se de que não tinha as primeiras e escolheu mal a segunda. Não devia ter acirrado a Ucrânia contra a Rússia. Devia, como europeia, ter pensado Ucrânia e Rússia. E porque era a menos envolvida deveria ter agido de cabeça fria. Chama-se política, a arte do compromisso, que é coisa que devia ser entregue só a grandes. Mas grandes, que é deles?» [DN]
   
Autor:

Ferreira Fernandes.


 Caniche da senhora Merkel
   
«Em cima da reunião do Eurogrupo que vai tomar decisões sobre a Grécia, o comissário português foi claro na resposta ao Observador: “Não nos podemos esquecer que há 28 Estados-membros. Cada um desses países tem o seu eleitorado, a sua visão, e os contribuintes de cada país têm a sua posição”. “Devemos perceber a Grécia mas a Grécia também tem que perceber a situação em que está, à volta de uma mesa com 28 Estados-membros”, afirma. “Espero que tudo corra bem. Desejo o melhor à Grécia. Não são tempos fáceis”, remata. Sempre realçando que “devemos respeitar e perceber a decisão soberana do povo grego”, o comissário português recordou que “os gregos viveram anos muito difíceis” – e por isso espera uma aproximação de posições entre a Grécia e os restantes parceiros.» [Observador]
   
Parecer:

Este Moedinhas ambicioso da Goldman Sachs e ex-representante da troika no governo mete nojo.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Vomite-se.»
  

   
   
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