sábado, setembro 12, 2015

O que convém mais ao país?

Ainda escorre o ranhop da raiva em muitas páginas da comunicação o que no caso do Observador é um caso dramático. Senão vejamos o diz a prosa do ideólogo desta quase extrema-direita, um tal Rui Ramos:

«Ainda se lembram do debate de anteontem? Talvez não. Mas deu jeito a variadas famílias, na véspera, antecipá-lo como um duelo decisivo, não só porque as televisões pretendiam recordes de audiência, mas porque, após tantas sondagens tecnicamente empatadas, até teria a sua graça haver um desempate. Por tudo isso, houve mesmo que inventar um vencedor na noite, e esse vencedor foi, de acordo com um compreensível princípio de justiça, quem mais necessidade tinha de vencer: António Costa. Na manhã seguinte, porém, a vitória já não parecia tão clara. Como as flores de certas plantas raras, não durou uma noite.»

Mas mais curiosa ainda é a chamada da home page para esta dose de animação ideológica:

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É preciso destruir António Costa a qualquer custo e o Observador foi pago para ajudar nisso, é por isso que foram buscar a nata do agit prop ideológico. Lemos o artigo de Rui Ramos e não encontramos nem a grande coisa de Passos Coelho, nem as pequenas de António Costa,.  O que lemos é um chorilho de lugares comuns lançados pela campanha de Passos, promovido a grande estadista, e uma tentativa de desvalorização do líder da oposição. De um suposto historiador e cientista político esperava um pouco mais de inteligência.

Aqui ficam algumas sugestões para as chamadas na home page dos artigos destes senhor:

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Passos Coelho usa o país para testar testes com anexos errados de professores americanos. António Costa prefere economista portugueses de mérito reconhecido. O que convém mais ao país?

Passos Coelho não cumpriu com o que assumiu no seu programa eleitoral, António Costa assume as suas propostas antes de ir a votos. O que convém mais ao país?
  
Passos Coelho tem um governo de que se envergonha e manda os seus ministros esconderem-se, António Costa faz acompanhar de gente que dá a cara. O que convém mais ao país?
  
Passos Coelho desrespeitou sistematicamente a Constituição, António Costa respeita os valores da sociedade e da maioria dos portugueses. O que convém mais ao país?
  
Passos Coelho comportou-se de forma indigna e imprópria em relação à Grécia, António Costa respeita os parceiros europeus e a sua boa imagem. O que convém amis ao país?
  
Passos Coelho foi contra toda e qualquer intervenção do BCE mesmo sabendo que isso era prejudicial ao país, António Costa defende uma União Monetária melhor preparada e mais solidária. O que convém ao país.

Enfim, mesmo sem recorrer a jogo sujo não faltaria matéria para comparar Passos Coelho com António Costa ou as supostas virtudes do líder desta quase extrema direita com a realidade. A opção é clara, está entre um programa claro e um programa oculto, entre opiniões transparentes e artigos de manipulação e contra-informação, entre a competência a um grupo de incompetentes que se esconde e tenta reduzir o debate eleitoral ao mínimo, para que a contra-informação e os manipuladores sejam mais eficazes.
 
Se é isto que aprendem nos doutoramentos em Oxford nessa arte de feitiçaria a que chamam de ciência política, vou ali e já volto.


Umas no cravo e outras na ferradura



   Foto Jumento


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Grafitti no muro do Hospital Júlio de Matos, Lisboa
  
 Jumento do dia
    
Carlos Costa, vice-governador do BdP

É cada vez mais óbvio que nem o BdP é independente do governo como mandam as regras da União Monetária, nem Carlos Costa é governador do banco, é antes vice e a verdadeira governadora é Maria Luís. Há muito que se percebia que os eleitores não iam conhecer os reais prejuízos da operação BES e que tudo seria adiado. Resta saber se o governador negociou a venda do banco de boa fé ou se fez tudo para que os candidatos desistissem, prejudicando o país.

Se o governador foi escolhido por ser quem melhor estava em condições poara vender o Novo Banco perante este falhanço maldoso só lhe resta demitir-se por incompetência e em nome da defesa dos interesses do país.

«O processo de venda do Novo Banco caminha para um adiamento. A operação está em vias de passar para depois das eleições, cenário que vem ganhando força nas últimas semanas, e poderá ser retomado depois dos testes de stress do BCE, a realizar em novembro.

Segundo a SIC, as negociações com os chineses com a Fosun já terminaram com o mesmo resultado que tiveram as negociações com os também chineses da Anbang, ou seja, o fracasso. Os candidatos estão a oferecer preços muito abaixo dos mínimos pretendidos pelo Banco de Portugal, pelo que se espera que as ofertas possam ser mais elevadas assim que se conhecerem melhor as necessidades de recapitalização da instituição. Recapitalização esta que terá, assim, de ser feita pelo Fundo de Resolução.» [Observador]

 A campanha do medo

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Uma das melhores formas de acompanharmos a estratégia de intoxicação da direita é ler o Observador, a versão moderna da Voz do Povo onde o José Manuel Fernandes era redactor. Umas vezes parece que o Observador escreve o que os marketeiros de Passos mandam, outras parece ser o pessoal do Observador a sugerir pistas a Passos Coelho. Passado o choque do debate, que ocupou o Observador durante quase dois dias, com sucessivos artigos tentando desvalorizar a derrota de Passos Coelho o pessoal da Voz do Povo retomou o ataque.

O país que se prepare, a estratégia do medo envolve as pensões, precisamente uma prestação social que o Passos Coelho não se importaria nada de eliminar ou de reduzir a um mínimo simbólico. Esta directiva do JMF não é nova, há quatro anos, em plenaa campanha eleitoral para as últimas legislativas, quando o antigo propagandista da UDP trabalhava para a fundação do merceeiro do Pingo Doce foi produzido um livrinho sobre pensões que as lojas do Pingo Doce sugeria a compra, dizendo aos velhotes que se informassem se iam ter pensões no futuro.

Os truques desta extrema-esquerda recauchutada em extrema-direita não mudam muito.

 Hungria: alimentando refugiados como se fossem galinhas

Aqui.
  
 Alguém disse que ia ser uma borla para os contribuintes?

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 Ainda não conhece o Passos Coelho

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 E ainda mandou a foto para os jornais!

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Este Sócrates é um descarado! Deve ter sido para provocar o Alexandre.
  
 Dúvidas imbecis

Tentando tirar o máximo partido de uma imagem de Sócrates e de um grupo de amigos que assistiram ao debate um jornalista da Voz do Povo armou-se em Rosário Teixeira e ficou cheio de dúvidas em relação à imagem.

Viu um fundo em todos os copos e concluiu que se tinha bebido vinho, sugerindo uma dúvida periogosa, onde estará a garrafa de vinho? O imbecil não reparou em duas coisas, que o fundo dos copos tem sempre a mesma dimensão e que mesmo a água num copo vermelho num ambiente escuro criaria a ilusão de ser vinho.

Concluiu maldosamente que a casa teria de ter ar condicionado em função do preço. Para o jornalista a casa teria de ter ar condicionado, todos os convivas gostariam de ar condicionado e nenhum deles sofreria de problemas de alergias.

Pergunta onde está o conviva no topo da mesa, mas a resposata é óbvia, "está tirando a fotografia ó imbecil!".

Contou os copos e reparou que havia mais copos do que convivas. Enfim, um estava tirando a fotografia os outros poderiam estar a mijar ou não gostam de ser fotografados.

O jornalista ainda ficou incomodados por se usarem copos e guardanapos pouco ecológicos e com a presença de uma ventoinha. Enfim, os redactores da Voz do Povo proecupam-se com tanta coisa!

      
 E não é que o grande problema da coligação PAF, afinal, é Passos Coelho?
   
«Enquanto a campanha eleitoral se desenrolou no campo das máquinas partidárias tudo corria bem para o PAF. A diferença entre o profissionalismo e a organização das duas campanhas chega a ser chocante. E longe de ser só no campo dos aspetos mais ligados, digamos, à forma, como a habilidade como se semeavam resultados de sondagens que iam corroendo a confiança do adversário, como se criavam factos e fait-divers de cada vez que o PS tinha uma mensagem importante para passar ou aconteciam coisas desagradáveis para a coligação, como se ampliavam os mais pequenos erros de campanha do PS. As redes sociais serviam para amplificar os slogans e para criar ruído segundo as necessidades e os media que se alimentam delas fariam o resto. Mas sobretudo a mensagem política estava bem formulada, era fácil de perceber e ainda mais fácil de difundir pela máquina partidária e pelos delegados mais ou menos ligados aos partidos da coligação nos media; os sound-bytes eram orelhudos e repetidos à saciedade; os alvos estavam bem definidos e eram trabalhados com uma mensagem dirigida para cada um deles e não duma forma global.

Não me recordo duma campanha tão bem feita.

O facto é que o primeiro revés da campanha aconteceu quando a sua principal figura, o candidato a permanecer como primeiro-ministro, teve de aparecer sem ser num ambiente protegido. Passos Coelho não foi capaz de passar as tais mensagens tão bem desenhadas e que pareciam, enunciadas por outros ou apenas através de instrumentos de campanha, tão efetivas. Das três uma: ou as mensagens não eram assim tão boas, ou Passos Coelho as não conseguiu passar, ou na boca dele soam a falso. A questão é que a campanha estava a correr bem até o atual primeiro-ministro ter de debater as tais ideias.

Percebe-se agora melhor porque havia tanta falta de vontade de fazer debates, porque se limitaram tanto as aparições de Passos Coelho.

Nada vai mudar na estratégia do PAF, o desafio será tentar fazer esquecer o debate de ontem e muito provavelmente o da próxima quinta-feira e retomar o rumo definido. O problema é que agora está muito claro que se quer e porque é que se quer esconder Passos Coelho - e o eleitorado é capaz de não apreciar um candidato que se esconde.» [DN]
   
Autor:

Pedro Marques Lopes.

 Nada como uma boa rasteira para acordarmos
   
«A imagem do menino morto na praia é demasiado pessoal. Quer dizer, de cada um consigo próprio. Que desperdício. Quem tem o que muitos chamam fé pode refugiar-se no diálogo interior que os apazigua ou acicata. Eu fiquei simplesmente derrotado. Obrigado, Petra Laszlo, por me teres salvo. Petra Laszlo é aquela - resisti em dizer coisa, porque precisamente ela não o é -, é aquela mulher de jeans e camisa azul, filmando com uma câmara refugiados na Hungria. Reparem que não digo nem húngara, nem jornalista, porque são circunstâncias irrelevantes para aqui. Digo mulher, descrevo a roupa e o objeto que manipula porque ajudam a descrevê-la. E livre de todas as ninharias posso ir para o essencial: aquela mulher tratou gente aflita de forma abjeta. Pontapeou um rapazinho que fugia, rasteirou uma rapariguinha e voltou a rasteirar um homem angustiado que fugia levando nos braços uma criança, talvez o filho. Petra agiu de forma violenta quando ela própria não estava em perigo - os outros eram pobres diabos que se sabiam com poucos direitos e quem dominava a cena era polícia que certamente protegeria Petra se fosse necessário. E, apesar disso, Petra escolheu agredir, entre os desapossados à sua volta, os mais fracos. Obrigado, Petra Laszlo. Há dias que me sentia desarmado. O mal que levara o menino à praia eu sabia o que era, mas demasiado longe (e não só em quilómetros). Agora, reconheço o inimigo à mão. Ajuda a pôr a cabeça na ordem.» [DN]
   
Autor:

Ferreira Fernandes.

   
 Uma boral fiscal eleitoralista
   
«O governo aprovou um plano de ação para apoio ao setor leiteiro que inclui a isenção contributiva para a Segurança Social durante três meses, a criação de uma linha de crédito e o incentivo às exportações e ao consumo. O plano foi aprovado em Conselho de Ministros e detalhado pela ministra da Agricultura, Assunção Cristas.

Um dos quatro eixos do plano é uma "medida excecional e temporária de isenção contributiva para a Segurança Social, por um período de três meses". A ministra afirmou que "a medida está pensada para ser reavaliada ao fim desse período [de três meses]" e tem "um custo estimado de 1,9 milhões de euros" e admitiu que a mesma poderá ser eventualmente prolongada se houver necessidade.» [Expresso]
   
Parecer:

Esta notícia é um verdadeiro escândalo.

As prestações que as empresas entregam à Segurança Social têm duas componentes, uma proveniente dos descontos efetuados nos salários dos trabalhadores (11% do salário) e outra suportada pela entidade patronal (correspondente a 23,75% da massa salarial paga mensalmente pelas empresa).

Se a isenção agora anunciada inclui os descontos dos trabalhadores, isso seria crime, porque estariam as empresas a apropriar-se de dinheiro que é dos seus trabalhadores.

Se a isenção se refere apenas à parte das prestações suportadas pelas empresas, essa componente é considerada como um verdadeiro imposto, e esta medida é inconstitucional porque viola os princípios da igualdade e da generalidade. As receitas tributárias são indisponíveis e o governo não pode dispensá-las desta forma.

Como as receitas da segurança social são indispensáveis para o pagamento das pensões, o efeito desta medida é que os 1,9 milhões de receitas que o sistema perde com esta medida terão que ser suportados pela generalidade dos contribuintes do sistema. Assim, o governo está a transferir dinheiro de todos esses contribuintes para um grupo de empresas.

Para agravar o problema, trata-se de empresas ineficientes, que não conseguem vender os seus produtos nos mercados a preços de concorrência. Temos assim o Estado a financiar empresas ineficientes com dinheiro dos contribuintes. Esse dinheiro, que é de todos, vai parar ao bolso de meia dúzia de empresários.

Esta medida viola também regras básicas de livre concorrêncioa, porque só beneficiam dela as empresas portuguesas. As empresas estrangeiras que colocam leite em Portugal a preços mais baixos, que beneficiam os consumidores, e com índices de qualidade idênticos, não vão conseguir competir com as empresas portuguesas.

Em termos políticos esta medida abre um precedente que é grave, porque daqui para a frente qualquer empresa que não consiga competir nos mercados pode pedir isenção de impostos.

Os beneficiários da medida são 1 ou 2 empresas que em Portugal dominam a distribuição do leite..
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sugira-se à Miss Cristas que respeite as eleições..»



 Estado Islâmico contra a emigração
   
«O grupo extremista Estado Islâmico (EI) afirmou que os sírios que fogem para a Europa estão a cometer "um pecado grave" porque "essas terras dos cruzados regem as leis do ateísmo e da indecência", foi hoje divulgado.

Na edição de setembro da revista do grupo radical sunita, com o título Dabiq, os 'jihadistas' criticaram os sírios e os líbios que "arriscam as próprias vidas e as próprias almas" e que abandonam "voluntariamente a pátria do Islão pela terra dos infiéis".

O EI referiu igualmente que as crianças na Europa e nos Estados Unidos estão sob "a constante ameaça do sexo, da sodomia, das drogas e do álcool".» [DN]
   
Parecer:

Unidos com a extrema-direita europeia.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Lamente-se.»
  
 Luís Filipe Menezes criminoso
   
«No capítulo “Menezes vs Mendes: cacicagem científica contra golpes de secretaria”, Vítor Matos conta como, “contra todas as apostas”, o ex-presidente da Câmara de Vila Nova de Gaia conseguiu chegar à liderança do partido. Algumas pistas: “Investiu na digitalização de um ficheiro com mais de 100 mil militantes” e “houve suspeitas de espionagem e de subornos a funcionários do partido”. Ainda assim, “se não fosse um ato de pirataria informática, a vitória teria sido impossível: um hacker foi pago para descodificar o algoritmo que gerava os códigos do multibanco para pagar as quotas a milhares de militantes“.

“Os barões e notáveis, os grandes nomes do partido e os líderes de opinião, apareciam ao lado de Marques Mendes, assustados com a vaga possibilidade de Menezes ganhar. A candidatura sediada em Gaia reforçava o discurso basista de que o poder é do povo e que o povo laranja é que decide o futuro e não meia dúzia de baronetes da elite lisboeta ou portuense. Só que o povo militante vota consoante outros baronetes, os locais”. Era nestas bases que mendistas e menezistas partiam para o duelo pela liderança do PSD.» [Observador]
   
Parecer:

è bom recordar que este bandido foi um dos mais firmes apoiantes de Passos Coelho.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se a Passos Coelho qual tem sido o papel de Marco António.»

   
   
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sexta-feira, setembro 11, 2015

O vendedor de banha da cobra

Os debates podem não servir para nada, podem terminar empatados, podem não dar resposta aos grandes problemas, podem não esclarecer as dúvidas dos portugueses, podem não ter importância como se desdobraram em explicações muitos comentadores da direita no dia seguinte ao curto-circuito de Passos Coelho no Museu da Electricidade, mas fazem milagres. Quando foi questionado durante o debate sobre o desemprego e sobre a forma como criaria emprego Passos Coelho embatocou.

Mas os seus assessores não devem ter dormido e no dia seguinte já era um novo Passos Coelho, já não deixou a campanha eleitoral ao esganiçado do CDS. Bastou um dia para que Passos encontrasse a solução para o desemprego jovem, anunciou-a num comício, foi num jantar de lombo assado e só não sabemos se a inspiração veio do lombo ou do tinto. A verdade é que Passos sabe como resolver os problemas que ele próprio ajudou a criar e garante que "Sabemos muito bem como é que devemos atacar o desemprego no futuro, como é que devemos apostar na ciência e no conhecimento no futuro, como é que podemos ter uma economia ao mesmo tempo mais azul e mais verde, isto é, mais ligada ao mar e às tecnologias limpas".
  
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Quando não havia maneira de ver os famosos sinais da retoma Durão Barroso, então primeiro-ministro e antes de desertar, também saia como resolver o problema. Organizou uma grande encenação em Óbidos, onde reuniu o Conselho de Ministros inteiramente dedicado à Ciência. Eram mais de 2000 milhões de euros que iam ser investidos e poucos dias depois ate anunciava medidas que iriam levar os quadros que tinham saído a regressar ao país.
  
O problema é que tal pai, tal filo, só se lembram de investir na ciência para enganar o país porque estão em dificuldades. O problema é que no caso de Passos Coelho a mentira é óbvia. Passos Coelho provocou um aumento brutal dos impostos sobre os rendimentos da classe média, ao mesmo tempo que cortava os vencimentos dos quadros do Estado. O objectivo era óbvio, promover a desvalorização fiscal dos nossos melhores quadros e cientistas e ao mesmo tempo empobrecer as universidades, os hospitais e os centros de excelência do Estado.
  
O modelo de desenvolvimento económico de Passos e Gaspar não passava pelo investimento na ciência e daí a desvalorização dos quadros ao ponto de os professores universitários terem sido equiparados financeiramente a serventes de pedreiros e os médicos a empregadas domésticas, com o objectivo de os empurrar para a emigração, como veio a ocorrer.
  
O modelo de Passos e Gaspar é um modelo assente na miséria, nos baixos salários e na ausência de direitos laborais, um modelo em empresas de mão-de-obra intensiva e com baixo perfil tecnológico. Por isso entregaram a pasta da Ciência ao cretino Crato e passaram a defender que o investimento na ciência era uma questão e ainda o ano passado Pires de Lima dizia opor-se "alimentar um modelo que permita à investigação e à ciência viverem no conforto de estar longe das empresas e da vida real", uma forma de justificar o desinvestimento do Estado na investigação. E acrescentava que "uma boa parte da investigação é financiada por dinheiros públicos e não chega à economia real. Não chega a transformar o conhecimento em resultados concretos que depois beneficiem a sociedade como um todo". E assim que eles pensavam e vão continuar a pensar.

Um dia saberemos se esta política de expulsão dos quadros foi resultado de uma opção ideológica ou uma consequência de uma vingança pessoal de gente que só arranjou emprego nas empresas do padrinho ou que tiram cursos fazendo cadeiras com requerimentos. Para não falar dos problemas psicológicos de Passos em relação a Sócrates que não se perece ser de amor, de ódio ou de inveja, a verdade é que tudo o que o seu antecessor escolheu como bandeiras Passos Coelho destruiu. Passos Coelho destruiu de forma sistemática, do ensino do inglês ao Magalhães, da aposta na ciência às renováveis, do investimento na formação profissional à modernização das escolas, tudo por uma mera questão de ódio pessoal, um ódio que chega a lembrar os extremistas que destruíram Palmira.


Umas no cravo e outras na ferradura


  
     FotosJumento


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Azulejos do Palácio dos Marqueses de Fronteira

     Fotos dos visitantes do Jumento


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Lesados do BES, 9 de Setembro, Lisboa (A. Moura)
  
 Jumento do dia
    
Paula Teixeira da Cruz

O adiamento da abertura do ano judicial com o argumento das eleições é um verdadeiro atestado de incompetência da ministra da Justiça. Esta cerimónia nada tem de político-partidário pelo que o seu adiamento só pode ser entendido como uma forma de poupar a ministra a crítica. É nas ditaduras e não nas democracias que os governantes são poupados a críticas e onde as cerimónias oficiais estão condicionadas à protecção da sua imagem. Este adiamento só pode ser um motivo de vergonha para a ministra.

Enfim, ainda bem que Cavaco não tem poderes para adiar o início do ano lectivo, dando mais um mês de férias aos estudantes...

«O Supremo Tribunal de Justiça (STJ) anunciou que a cerimónia de abertura do novo ano judicial vai realizar-se a 8 de outubro.

“O Supremo Tribunal de Justiça informa que, após a realização dos contactos habituais, a cerimónia solene de abertura do ano judicial terá lugar no dia 8 de Outubro, pelas 15:00”, refere uma nota do STJ, sem precisar mais pormenores.

Na quinta-feira passada, a Presidência da República esclareceu que considerou conveniente marcar a abertura solene do ano judicial para “uma data imediatamente subsequente” às eleições legislativas e garantiu que essa data seria anunciada em breve.» [Observador]

 O dia seguinte

Mais divertido do assistir a um debate entre políticos é ver as cambalhotas

 O que andou a Maria Luís a ensinar a Passos Coelho?

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Pela imagem percebem-se algumas diferenças entre Keynes e Sócrates, como o uso de bigode

O pessoal da Universidade Lusíada deve andar com sérias preocupações, por aquilo que se viu no debate Passos Coelho, um aluno daquela universidade onde teve por assistente a sua ministra das Finanças, esta convencido de que o famoso Multiplicador de Keynes não e da autoria de John Maynard Keynes, mas sim de José Sócrates. Esperemos que o juíz Alexandre não pense que o multiplicador é um qualquer esquema corrupto e ainda acrescenta mais esta acusação ao ex-primeiro-ministro.

 A Voz do Povo no seu melhor

Enquanto lia o Observador reccei queimar o computador com algum curto-circuito, tanta era a baba de raiva que escorria na pena de alguns dos seus comentadores, a começar pelo redactor da Voz do Povo.
  
 Dúvida

Já houve algum candidato a primeiro-ministro estando exercendo esse cargo ganhou as eleições depois de perder o debate televisivo com o seu principal opositor? 

 A anedota do dia

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 I Love Sócrates

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 Passos puxou pelo fantasma e saiu-lhe Costa
   
«Ontem aconteceu uma derrota para o jornalismo. E não tem que ver com os três que a RTP, a SIC e a TVI enviaram. Tem que ver com uma intromissão indevida. Mas que raio estavam lá a fazer os jornalistas? Aqueles ou outros? Portugal precisa de ser governado e ontem havia dois homens que tentavam convencer os portugueses de que podem ser o próximo primeiro-ministro. E acontece que esses dois eram, são, os únicos que o podem ser. E acontece, ainda, que ontem foi o único dia que os dois tinham para se combater - dando a cara e as ideias. Alguém a intrometer-se estaria sempre a mais. Os portugueses só precisavam de que as televisões lhes dessem câmaras, luzes e microfones para que o duelo lhes chegasse a casa. A haver alguém a mais só seria necessário quem soubesse como funciona um relógio, para repartir o tempo a meio. Mais nada. Ontem, porém, meteram no estúdio três jornalistas que cumpriram a mesma função intrusiva e desnecessária dos pés de microfone que, nos corredores, pedem a opinião daqueles que, um minuto antes, estiveram no estúdio a dizer o que queriam. Com um agravante: os três de ontem, porque importunavam, não deixaram que se visse, como completamente devia ter sido visto, a coça que Passos Coelho levou. Primeiro, de si próprio, porque medíocre. Segundo, de si próprio, porque sonso (inventando um adversário que não o que tinha à frente). E, terceiro, de si próprio, porque manifestamente inferior a António Costa.» [DN]
   
Autor:

Ferreira Fernandes.

      
 Juízes preconceituosos
   
«Numa tarde de verão, duas turistas pediam boleia à saída de Almancil, para se deslocarem para Faro. Acabaram por ser violadas pelos condutores de 18 e 22 anos, num terreno de terra batida. Ambos condenados a penas de três anos de prisão efetiva. Chamado a pronunciar-se em sede de recurso, os juízes conselheiros do Supremo Tribunal de Justiça (STJ) redigiram um acórdão que ficou para a história e não pelas melhores razões. "Se é certo que se tratam de dois crimes repugnantes, as duas ofendidas muito contribuíram para a sua realização. Raparigas novas, mas mulheres feitas, não hesitaram em vir para a estrada pedir boleia a quem passava, em plena coutada do chamado macho ibérico. É impossível que não tenham previsto o risco que corriam; pois aqui, tal como no seu país natal, a atração pelo sexo oposto é um dado indesmentível e, por vezes, não é fácil dominá-la", escreviam os magistrados. A decisão já conta com mais de 20 anos. Mas o preconceito ainda pode ser um ponto fraco apontado às nossas magistraturas. "Os magistrados judiciais e do Ministério Público devem evitar a reprodução de preconceitos em decisões judiciais", criticou Gabriela Knaul, relatora da ONU, que veio a Portugal analisar a independência do poder judicial, em março, e cujas conclusões foram agora disponibilizadas na íntegra. Mas aplaude, por outro lado, a independência alcançada pela magistratura como um importante marco da nossa democracia, escolhendo o exemplo do Tribunal Constitucional ao decidir como inconstitucionais algumas das medidas propostas pelo Executivo.» [DN]
   
Parecer:

O mais curioso é que o bom exemplo de juízes escolhido pela ONU são os juízes do Tribunal Constitucional que muitos criticam por não serem necessariamente juízes da carreira dos magistrados.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»
  
 Direita apoia esquerda consrevadora
   
«E a batalha da conquista dos indecisos vai ser dura. Passos preparou-se bem e a estratégia ensaiada parece ter passado por empurrar os indecisos descontentes com o desempenho do governo para a esquerda, “PCP ou BE”, nem que isso obrigue a “um piscar de olho aos dois”, garantem-nos. E, bem aconselhado, Passos, neste piscar de olho à esquerda, até pode passar pelo “elogio à disponibilidade do PCP para assumir funções governativas”. O objectivo deste conselho é claro: o voto útil, os descontentes, os indecisos, devem engrossar os partidos à esquerda do PS.

Mas desta vez há também a novidade ou surpresas, como disse Miguel Relvas. Passos preparou várias. O líder da coligação levará, ou terá pelo menos sido aconselhado a levar dados sobre a realidade portuguesa e deixá-los cair ao longo do debate, para “embaraçar Costa”. Costa não contava com a vida fácil e Passos também não.» [i]
   
Parecer:

A conclusão é óbvia, os votos no BE e no PCP funcionam como votos na direita.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Divulgue-se.»

 Núncio Fiscoólico
   
«De acordo com o Jornal de Notícias, a Procuradoria-Geral da República confirmou, na passada quarta-feira, que a magistrada titular do caso dos vistos gold já ouviu Paulo Núncio, secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, mas apenas “na qualidade de testemunha”.

Em relação ao relatório do ex-ministro da Administração Interna, Miguel Macedo, a PGR não adianta quando será retomado, contudo, e segundo apurou o Jornal de Notícias, caso o Ministério Público queira concluir o inquérito, com acusação, até novembro, altura em que faz um ano sobre a detenção de 11 arguidos, não deverá demorar.» [Notícias ao Minuto]
   
Parecer:

Miguel Macedo é arguido por ter pedido um jeito e o Núncio Fiscoólico que fez o jeito é apenas testemunha? SAo que parece quem se vai lixar é um adjunto, isto é, o Miguel telefona ao Núncio, este fala com o adjunto, o adjunto escreve aquilo com que o Núncio quer concordar e agora o culpado é o adjunto?
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»

   
   
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