sábado, outubro 24, 2015

A factura

Quis o destino que Cavaco e Passos estejam juntos na hora da apresentação da factura dos erros do governo da direita, iludiram os portugueses com a saída limpa, esconderam os desempregados atrás de estagiários, manipularam as contas públicas para inventar sucessos e sustentar mentiras eleitorais. Cavaco percebeu muito cedo que mais tarde ou mais cedo a direita teria de pagar a factura e desde então que tenta a todo o custo dividir essa factura com o PS.
 
Passou anos a falar de consenso e a única vez em que uma tentativa de consenso teve em cima da mesa com a presença de um polícia designado pelo próprio Cavaco percebeu-se que esse consenso não visava encontrar políticas consensuais, visava apenas o apoio incondicional do PS à política da direita. Esta tentativa de forçar o PS a apoiar incondicionalmente a direita com base em falas alianças pró-europeias só é nova nos argumentos.
 
Cavaco julgava que iria morrer com direito a um lugar na história, um lugar que inveja em alguns dos seus sucessores e principalmente nessa “besta negra” da família que é Cavaco Silva. Começou a sua presidência com roteiros que visavam branquear o seu passado de primeiro-ministro, chegando ao ridículo de prestar uma homenagem a Salgueiro, ele que foi o primeiro-ministro miserável que recusou uma pensão ao capitão de Abril ao mesmo tempo que a dava a um inspector da PIDE pelos serviços prestados à pátria.
 
Mas em fim de vida e de carreira política Cavaco tem-se revelado um azarento, apanhou um Sócrates pouco disposto a ajudá-lo e a sua resposta foi a que se viu, fez tudo para derrubar o PS e o país ficou incrédulo com o golpe das escutas a Belém. Sócrates desmontou o cavaquismo e pagou um preço elevado, foi derrubado do governo e o que não tinham conseguido com o caso Freeport tentam agora com o processo dos cabritos. Coincidência das coincidências na procuradoria-Geral está uma herdeira do cavaquismo. Mesmo assim Cavaco acabou por ter um azar dos Távoras, quando pensava que ia deixar a presidência com a dirieta no poder e Sócrates na prisão saiu-lhe tudo ao contrário, a direita perdeu o poder e Sócrates está em liberdade.
 
À medida que os dias passam começam a aparecer as contas que ficaram por pagar por causa da tempestade perfeita que resultou da combinação de um governo de incompetentes com um incompetente na presidência. O país já percebeu que o reembolso da sobretaxa era uma patranha, o Novo Banco vai custar e muito aos contribuintes, o crescimento é uma treta e resta saber qual vai ser o défice no final do ano. Era essa a factura que Cavaco queria obrigar o PS a pagar, mesmo depois de a direita ter perdido as eleições graças ao que chamou uma grande vitória.
  

Umas no cravo e outra na ferradura


  
 Jumento do dia
    
Luís Montenegro e Nuno Magalhães

Luís Montenegro e Nuno Magalhães devem ter ido almoçar juntos, devem ter bebido do mesmo vinho e parece terem ficado igualmente bêbados, só isso explica que não percebam que não são as oposições, mesmo quando maioritárias, que devem apresentar programas de governo, é a direita que vai convidar ministros fantoches e elaborar um programa que será chumbado.

Depois da comunicação extremista e desestabilizadora de Cavaco Silva a esquerda só pode responder ao debate dio programa do primeiro-ministro nado-morto com bocejos.

«PSD e CDS-PP defenderam esta sexta-feira que no debate do programa do Governo na Assembleia da República os partidos que defendem outras soluções têm o dever de colocar em cima da mesa, para discussão, as suas alternativas.

Esta posição foi assumida pelos líderes parlamentares do PSD, Luís Montenegro, e do CDS-PP, Nuno Magalhães, eleitos na anterior legislatura, no final de uma reunião conjunta dos novos deputados das respetivas bancadas, na Assembleia da República.

"É nesse debate que as alternativas têm de ser colocadas também em cima da mesa", defendeu Luís Montenegro. "É obrigação dos restantes grupos parlamentares, e serão julgados normalmente pelo povo por isso, também apresentar as suas soluções. Até agora só vi rejeições", reforçou Nuno Magalhães, numa alusão à intenção anunciada por PS, PCP e BE de apresentar moções de rejeição ao Programa do Governo PSD/CDS-PP. » [DN]
  
 Só aparece quando não faz falta?
  
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Começa a ser evidente um padrão de comportamento de Marcelo perante situações difíceis, quando a polémica em torno do papel da presidência se coloca Marcelo desaparece, espera que outros candidatos se pronunciem e tudo se acalme e quando começa a recear que o apelidem de cobarde aparece a comentar as situações quando tal já não faz sentido. 
  
Marcelo nunca foi um político muito corajoso, mas podia fazer um pequeno esforço para disfarçar.

 Sugestão constitucional


Artigo 131.º 
(Renúncia ao mandato)
1. O Presidente da República pode renunciar ao mandato em mensagem dirigida à Assembleia 
da República. 
2. A renúncia torna-se efectiva com o conhecimento da mensagem pela Assembleia da 
República, sem prejuízo da sua ulterior publicação no Diário da República. 

 A eleição de Ferro Rodrigues para presidente da AR

Portugal tem um primeiro-ministro sem condições para governar e um presidente a quem poucos ligam, resta a segunda figura do Estado que foi eleito pela maioria do parlamento, sem jogos de bastidores de um bloco central de interesses cujo funeral ocorreu hoje.

 Uma jornalista distraída

O Expresso empenhou-se desde a primeira hora na patranha que foi montada pelo Núncio Fiscoólico, um secretário de Estado que em boa hora já se foi despedir dos dirigentes do fisco. O jornal do balsemão ainda antes da campanha eleitoral chamou a si a tarefa de divulgar o sucesso fiscal do governo, prometendo acompanhar a evolução do reembolso da sobretaxa.

No Dia 29 de Setembro, a poucos dias das eleições dois jornalistas do Expresso, Ana Sofia Santos e João Silvestre, foram incumbidos de dar a boa-nova aos eleitores que pretendiam ludibriar, informavam que o "Governo conta com 35% mas simulador do Expresso aponta para valores entre 60% e 100%". Este foi o grande trunfo usado por Passos Coelho e pela direita

Agora encarregaram a jornalista Sónia Lourenço de desiludir os contribuintes, pelos vistos o reembolso da sobretaxa fica numa gorjeta, mas desta vez já não se fazem previsões para o fim do ano. O mais curioso é que a jornalista é um pouco distraída, nem reparou que no M~es passado o país estava à beira de eleições e agora já pode desmontar a mentira.

Agora sabe-se que o prometido reembolso da sobretaxa não passou de uma patranha, de uma fraude para enganar os portugueses e o Expresso fez de porta-voz oficial desta imensa vigarice.

 Passos anedótico

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Se com maioria absoluta foi o que se viu, uma verdadeira orgia de incompetência, imagine-se o que vai ser num governo onde serão poucos os que estarão disponíeveis para aceitar um convite.

      
 A cerimónia do chá
   
«Ao contrário do que alguns parecem pensar, a Constituição não diz que o Presidente da República, antes de nomear o primeiro-ministro, tem de tomar chá com os partidos. Diz, isso sim, que tem de ouvi-los. O que só pode significar uma coisa: a decisão do Presidente deve levar em conta o que os partidos dizem.

Sucede que os partidos representados na nova Assembleia da República levaram ao Presidente duas mensagens claras: a primeira, é que Passos Coelho falhou na sua missão de garantir a viabilidade política de um governo minoritário da direita, sendo portanto inútil a sua nomeação como primeiro-ministro; a segunda, é que há no novo Parlamento uma nova maioria de esquerda disposta a viabilizar, de forma duradoura, um Governo da iniciativa do Partido Socialista, liderado por António Costa.

O Presidente ficou, assim, na posse dos dois dados fundamentais de que precisava, nos termos da Constituição, para decidir que primeiro-ministro devia nomear: conhecia os resultados eleitorais e a sua concreta tradução no novo quadro parlamentar (em que nenhuma das candidaturas obteve maioria absoluta) e conhecia, ouvidos os partidos, as exactas implicações desses resultados eleitorais nas condições de viabilidade política do Governo consoante o primeiro-ministro que nomeasse.

Naturalmente, mesmo na ausência de maioria absoluta, faz todo o sentido conceder ao líder do partido mais votado a precedência na tentativa de reunir as condições políticas para viabilizar um Governo, ainda que minoritário. É o que normalmente se faz antes da nomeação do primeiro-ministro ao abrigo da figura da “indigitação” e que desta vez também foi feito, embora com menos formalismo, quando o Presidente, logo no dia a seguir às eleições, “encarregou” Passos Coelho de encetar diligências para “averiguar” se tinha condições para formar um Governo sólido e estável. Nestes termos, essa precedência, que faz jus à condição do PSD como maior partido parlamentar, já foi cumprida e teve o resultado que todo o País conhece: Passos Coelho, depois de interromper ele próprio as reuniões com o Partido Socialista, teve de reportar ao Presidente não ter conseguido garantir a viabilização do seu putativo Governo, o que aliás foi confirmado por todos os partidos com assento parlamentar. É por isso que a nomeação de Passos Coelho como primeiro-ministro será, certamente, um gesto inútil. Mas será mais do que isso: será também um gesto de desprezo pela posição maioritária dos partidos políticos, cuja audição, embora imposta pela Constituição, é tratada como se fosse irrelevante para a decisão de nomear o primeiro-ministro.

Dizem alguns, em resposta, que não se pode nem deve “queimar etapas” e que o Governo da força política mais votada deve necessariamente cair no Parlamento. Mas o argumento não colhe: não há na nossa Constituição nenhum percurso de “etapas” na formação do Governo que obrigue o Presidente a proceder a uma nomeação condenada ao insucesso em nome da precedência do partido mais votado. Pelo contrário, o comando constitucional é outro e manda o Presidente nomear o primeiro-ministro tendo em conta “os resultados eleitorais”, em todas as suas implicações, designadamente aquelas que só os partidos políticos estão em condições de esclarecer - e por isso são ouvidos. E o facto é este: pela primeira vez na nossa história democrática é possível o que há muito se tornou comum nas democracias europeias - uma maioria parlamentar sem a participação do partido mais votado. Nomear um primeiro-ministro em condições de liderar um tal Governo não é outra coisa senão respeitar os resultados eleitorais.

No início deste processo, o Presidente deu conta da sua compreensão do desenho constitucional do sistema de governo e foi ao ponto de sinalizar o seu respeito pelo papel dos partidos na formação do Governo. Mas isso foi no início, antes de ouvir o que não queria na “cerimónia do chá”.» [DE]
   
Autor:

Pedro Silva Pereira.

 Entretanto, diretamente do WC
   
«Eu tenho um excelente amigo que tem o hábito de me atender o telefone com um: "Olá, amor." Não gosto. Mais, engalinho. Raramente saudei assim e nunca o fiz sem fortes motivações afetivas. E, julgo, tive sempre o escrúpulo de guardar a palavra para situações íntimas. Do tipo: "Isso é só um pardal, amor", quando a minha filha, 2 anos, olhava para um galho, no Jardim Zoológico, em vez de ver a girafa. Calculem como eu me sentiria se, um dia, pelo aleatório que é isso de escutar telefonemas, pelo irresponsável que é isso de magistrados alimentarem pombos e pela pulhice que é a de alguns jornais fazerem manchetes com o que os pombos sujam os beirais, se o meu nome aparecesse num título: "Olá, amor!"... Ontem, um homem que fez uma carreira com - e digo a palavra muito usada e pouco acertada, mas nele completamente adequada -, com classe, António Guterres, apareceu na capa dum jornal, como tendo dito a alguém: "Arranjaste um bom tacho." A conversa telefónica era completamente privada. De um para um. Um abuso, portanto. Eu diria o mesmo, um abuso, se, em vez de "arranjaste um bom tacho", se estampasse nos quiosques uma manchete dizendo: "Olá!", com o complemento de informação de que António Guterres disse-o a Angelina Jolie, num telefonema privado. Como o jornal em questão é o mais vendido em Portugal, pode parecer que nos é natural que esse abuso passe por natural. Lamento confirmá-lo: é, para muitos é mesmo natural.» [DN]
   
Autor:

Ferreira Fernandes.

   
   
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sexta-feira, outubro 23, 2015

O regime do anibalismo

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Nunca fui um admirador da honestidade de Cavaco, não era daqueles que diziam que ele era isto e aquilo mas em matéria de honestidade metiam as mãos no lume. Nunca tive a mais pequena consideração técnica ou política pela personagem, sempre nutri por ele o maior dos desprezos, sempre o considerei um grande responsável pela má classe política que se instalou, pela proliferação dos Loureiros e dos Oliveiras e Costas no país, pela adopção de um modelo de desenvolvimento que atrasou o país, que perdeu as oportunidades oferecidas pela integração europeia e o conduziu à actual crise.
 
Mesmo assim este senhor ainda me conseguiu surpreender e de duas formas, é menos inteligente ou mesmo bem mais burro do que eu alguma vez imaginei e é bem pior e mais incompetente do que alguma vez consegui pensar.
 
Não revelou grande inteligência porque se o que pretende é dividir o PS com este discurso não só condicionou todos os que poderiam estar dispostos a aceitar os trinta dinheiros do Passos, como uniu ainda mais aquilo que era impossível unir. Foi a estratégia manhosa de Cavaco que desde a primeira hora marginalizou o PCP e o BE para deixar o PS numa posição de submissão à direita que levou aqueles partidos a reequacionar a sua posição em relação a um governo de Costa.
 
Cavaco resolveu reduzir a democracia portuguesa a uma ópera bufa, não expulsa partidos do parlamento porque não pode, mas usa abusivamente os poderes que tem e ignora os fundamentos constitucionais da democracia para reduzir os direitos políticos de cidadãos e partidos. Cavaco confundiu o papel de presidente com o de um qualquer juiz de um tribunal plenário e decidiu adoptar medidas de segurança ilegais em relação ao PCP e ao PS. a democracia de Cavaco é uma versão soft dos tempos de Marcelo, os comunistas estão no parlamento mas só para fazer de conta e o PS deve ser a ala liberal do regime, criticar de vez em quando e aproar sempre as decisões do governo da quase extrema-direita.
 
Se o objectivo de Cavaco era ajudar a direita fê-lo da pior forma, ninguém bem formado pode aceitar esta solução e só mesmo com um sorriso cínico no rosto como fez Manuela Ferreira Leite se pode elogiar este comportamento. Cavaco uniu ainda mais a esquerda e o próprio PS e conduziu o país para uma crise política bem mais grave do que aquela em que já vivia. Cavaco fez o país regressar aos anos setenta ao adoptar um discurso que é em tudo o equivalente ao famoso discurso que o general Vasco Gonçalves proferiu em Almada no longínquo ano de 1975. Um discurso ideológico e que chama a si o poder de decidir com base nas suas convicções ideológicas, políticas, religiosas e partidárias como se estivesse acima da Constituição.
 
Cavaco não percebeu que não é por Passos Coelho aparecer com ele vestido de polícia de choque na entrada do largo do Rato que Costa se vai mijar pelas calças abaixo e aceitar o falso consenso que anda a tentar impor ao PS desde há quatro ano. Com este discurso miserável Cavaco destruiu alguma credibilidade que ainda poderia ter e ao sugerir que não nomear um governo de esquerda até ás presidenciais colocou a candidatura presidencial de Marcelo em maus lençóis.
 
Cavaco está convencido de que a direita tem as presidenciais no papo e que numas legislativas antecipadas consegue a maioria absoluta. Veremos se o golpe de Cavaco resulta, se o país vai ou fundo antes ou se Passos leva a direita para um beco sem saída. Para já o país parece caminhar para uma situação de excepção democrática com um presidente de cujas capacidades muitos duvidam e que por ódio ou falta de lucidez parece ter declarado guerra à esquerda, pouco se imortando com as consequências.

PS: Anibalismo: regime autoritário de direita dirigido por anibais.

Umas no cravo e outras na ferradura


  
 Jumento do dia
    
Maria João Avilez

A destemida Maria João Avilez quase apela a um levantamento nacional contra o golpe de Estado dado por uma maioria parlamentar. O problema destes apelos é que não passam de acções de recrutamento de carne para canhão, porque no caso de as situações saírem de controlo esta boa gente tem sempre um amigo no estrangeiro onde ir passar uns tempos.

«O silêncio desta metade de Portugal que sou suposta representar é devastador. E como tal, apela a conclusões feias.» [Onservador]
  
 A grande dúvida do dia
  
Estará louco ou emparvou?

 30 dinheiros


A recusa de Roma em pagar a traidores e um princípio moral que muitas vezes é ignorado e a consequência é a proliferação na nossa sociedade de gente de coluna frágil, um erro genético que tende a propagar. Aquilo que deveria ser considerado algo condenável tem vindo nestes dias a ser valorizado, como se alguém que trai os seus valores pudesse ser considerado um herói nacional.
  
Até há intelectuais que a nossa direita tem vindo a promover como sendo de grande craveira, que depois de muito tempo quase sem serem vistos são convidados de uma hora para a outra para longas entrevistas num canal público onde teorizam sobre a superioridade moral e democrática da traição e da falta de lealdade. A tese é a de que a disciplina de voto devia ser proibida pela Constituição.
  
Não deixa de ser interessante que se questione uma opção de um partido porque supostamente não foi tornada pública durante o período eleitoral, mas defende-se que um deputado que concorreu com um programa eleitora, com um partido, com uma liderança que nele confiou, possa chegar ao parlamento e apoiar outro programa, manifestar lealdade a outro líder partidário e faça seu um programa eleitoral distinto daquele com que conseguiu o voto dos eleitores que nele confiaram para os representar. Enfim, democrático, democrático é casar e na noite do casamento ir dormir com a vizinha, pode ser adultério mas como é democrático não deve merecer qualquer reprovação, antes pelo contrário deve elogiar-se a coragem!

Imaginar um líder da direita a combinar com uma sumidade pública e com um director de informação uma entrevista onde se vai promover com belos argumentos supostamente muito democráticos a corneação político-partidária só pode dar vontade de rir, enfim, para não dar vontade de vomitar pelo triste papel a que a luta pelo poder e o estatuto alcançado com o patrocínio dos interesses ligados ao poder obrigam muito boa gente.

Mas o mais inesperado aconteceu, foi o próprio Cavaco Silva que na sua comunicação ao país apelou de forma subliminar à traição entre os deputados do PS, Cavaco acha que o que oferece mais estabilidade ao país é um governo minoritário no parlamento apoiado por meia dúzia de queijos limianos vendidos no mercado do oportunismo e da corrupção política.
  
Vivemos tempos difíceis, tempos de traição, de jogo baixo, de gente ambiciosa que aguarda pelo desastre. O PS enfrenta a sua sobrevivência, ou é capaz de impedir uma política injusta encontrando apresentando um programa que permita em simultâneo ultrapassar a crise e gerar uma maioria parlamentar, sem que isso coloque em causa do seu programa e os seus valores.
  
Este é um desafio que o PS enfrenta depois de várias tentativas de submissão disfarçada de consenso promovidas por uma direita que com a crise tenta uma eliminação de tudo o que teve de aceitar em democracia ao longo de quase quarenta anos. Se o PS perder devido a erros políticos dos diversos lideres este partido deixa de ter qualquer utilidade para uma boa parte dos seus eleitores. Se o PS perder esta batalha porque alguns dos seus deputados se juntam à direita é bom que todos entendam que estão ajudando a direita a conseguir aquilo que sempre desejou, reduzir o PS à sua expressão mínima.

 Presente no Twitter

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Decidir manter uma presença activa no Twitter.
  
 Dúvidas que me atormentam

Um partido que discorda da UE, da NATO ou de qualquer tratado internacional deve ser impedido de pertencer a um governo mas um presidente que ignora a Constituição tem condições e pode permanecer na Presidência da República?
  
A partir de hoje Portugal tem em São Bento um primeiro-ministro nado morto e em Belém um Presidente fora-da-lei que ignora e desrespeita de forma grosseira a Constituição. 
  
 Dúvidas que me atormentam

Se um grupo de deputados do BE e do PCP decidissem contra a vontade dos sus partidos viabilizar o governo da direita Cavaco Silva aceitaria um governo de direita apoiado em comunistas?

 A próxima pista

Parece que a investigação da vida de Sócrates, familiares, amigos, vizinhos e conhecidos é feita através do Google, por exemplo, procura-se por um qualquer negócio de Sócrates e depois é uma questão de vasculhar a vida bancaria e fiscal do que cair na rede do motor de busca.

Por exemplo, procuro por referências a "Sócrates" e a "negócios" anteriores a finais de 2010 e entre as centenas de referência aparece uma que dá conta do interesse de 300 empresas em acompanhar Sócrates numa viagem a Angola. O DN refere-se ao boom de Angola e noticia que as mais de 300 empresas interessadas na ajuda de Sócrates "fizeram chegar os seus desejos de integrar a comitiva do Governo português ao ICEP, ao Ministério da Economia e a S. Bento, aos assessores económicos do primeiro-ministro".

Há aqui muita matéria para investigar, procura-se saber quais as empresas escolhidas e é óbvio que o facto de umas serem eleitas e estando em causa um perigoso criminoso como Sócrates todas as que foram escolhidas devem ser investigadas. Agora e uma questão de ir às bases de dados fiscais e procurar nas declarações destas empresas quem lhes presta serviços, os seus consultores, os pagamentos de serviços e todas as informações relativas a negócios com entidades públicas. Se nalgum destes negócios estiver envolvido algum conhecido, algum morador na mesma rua ou nas proximidades, algum familiar até ao quinto grau ou mesmo alguém que beba a bica no mesmo café estará encontrada mais uma ponta da imensa meada dos crimes de Sócrates.

 Temos candidato à liderança do PS

Enquanto Costa procura uma alternativa A direita a direita do PS brinca às corridas e trata esta fase do processo como os treinos onde se escolhe quem fica na pole position da corrida à liderança do partido. Para já quem procura ficar a frente é Francisco Assis, um conhecido político que ganhou notoriedade por causa de ter levando um apalpão em Felgueiras onde foi expulsar Fátima Felgueiras do seu partido por causa de um processo onde a autarca acabou por não ser condenada. Para além desse gesto corajoso e de uma candidatura falhada a liderança do PS, há ainda a registar sucessivas posições que o colocam a meio caminho entre a ala do centro do PSD e a ala direita do PS.

Assis ainda não percebeu que quando do PS se apresentar aos eleitores como um sucedâneo do PSD acabará por morrer, direita por direita é sempre melhor o original do que a contrafacção.

 Ainda que mal pergunte

Porque é que a EDP pode ser vendida a uma empresa comandada pelo Partido Comunista da China e isso é apresentado como uma democratização da economia portuguesa e na hora de um governo passar sem oposição dos deputados do PCP eleitos democraticamente isso significa um golpe de Estado?

 Ferreira Leite e o golpe de Estado

Para esta senhora um governo com maioria parlamentar é um golpe de Estado, mas um governo sem maioria parlamentar e em gestão durante seis meses e contra a vontade de um parlamento com soluções de governo já não é um golpe de Estado. A ex-ministra levou o seu cinismo e oportunismo longe demais.
  
 Andam, andam e ainda aparecem a fumar na cama

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Aqui fica o testemunho da Isabell para convencer os mais cépticos, já sabe se for para um convento e sentir no corpo aquela vontade estranha de ter filhos vá à procura do seu Konstantin que a coisa fica aliviada:

"Depois de eu, Isabell, ter estado por muitos anos à procura da minha vocação, e depois de um período de seis meses num mosteiro senti o desejo fervoroso de constituir família - pela primeira vez na minha vida eu desejava ter filhos. Fui então à procura da minha cara metade. Seguindo o conselho de uma amiga decidi fazer login no site para conhecer homens católicos. Conheci vários, não antipáticos, mas o certo não estava lá. Todos os dias rezava pelo meu futuro marido e ia também participando em vários eventos como uma peregrinação ou o terço. Então, depois de quatro anos de procura meticulosa, encontrei o Konstantin. Eu já o conhecia há muitos anos de o ver na comunidade, mas sempre achei que estava comprometido. Nunca ocorreu começarmos a conversar. Deveria eu escrever-lhe? Decidi escrever-lhe no seu livro de visitas. Poucas horas depois, veio uma resposta – ele nunca me tinha visto infelizmente no site - e dois dias depois encontramos-nos. Um mês depois, éramos um casal, e três semanas depois, já estavamos à procura da música certa para o nosso casamento. Agora, um ano depois, casámos.Graças ao site não nos precisámos de observar apenas mas encontrámo-nos. Cada dia que passa notamos o quanto temos a ver um com o outro. A missa ao domingo e um grande círculo de amigos também contribuem para fortalecer o nosso amor."

 Uma direita mal habituada

Na ditadura a direita costumava decidir quem não votava, havia mesmo quem fosse preso nos dias anteriores às eleições para evitar incidentes, não passava pela cabeça de ninguém do regime, nem mesmo de um Adriano Moreira que agora defende o voto obrigatório, permitir que comunistas ou quem quer que fosse conhecido como sendo de esquerda votasse.
  
Agora, em democracia, a direita não pode impedir de votar os cidadãos que  não sejam do seu agrado, mas encontrou uma solução mais eficaz, comunistas e todos os demais cidadãos com direitos políticos limitados podem exercer o seu direito ao voto mas na condição de os partidos onde votam estarem no parlamento só ara fazer de conta.
  
O mais grave disto é que há gente no PS, talvez porque se enganaram no partido quando ainda eram putos e foram atrás de alguma namorada mais engraçada, que agora partilha desta tese sinistra.

 O regabofe da justiça

Esta justiça portuguesa é tão ridícula que como não bastavam as fugas ou falsas fugas de informação que está ao abrigo do segredo de justiça ainda permite que jornais especializados na violação do segredo de justiça se constituam em assistentes de processos que em nada lhes diz respeito para que possam consultar e reproduzir tudo o que está nos processos, podendo mesmo misturar factos com mentiras e dessa formam tramam quem querem e ainda dizem que como as suas mentiras não constam nos processos não podem ser acusados de violação do segredo de justiça.

O que é feito dos "polícias" a deontologia dos jornalistas que tanto de ocupam dos estagiários? O que diz disto a Procuradora-Geral de quem se diz ser uma grande defensora do respeito pelo segredo de justiça? Como se sentem os investigadores, polícias e demais magistrados ao verem os seus arguidos serem julgados antes de qualquer acusação?

      
 A Cavacada
   
«Por um momento pensei que poderia já ter mandado uma canhoneira bombardear a Soeiro Pereira Gomes e a Rua da Palma. Não é um bom sinal.

A indigitação de Pedro Passos Coelho como primeiro-ministro pelo Presidente da República é juridicamente sustentável e politicamente legítima e não constitui uma surpresa.

Se a declaração do Presidente da República se ficasse por aqui, não haveria muito mais a dizer, apesar da “perda de tempo” que essa decisão representaria.

Só que Cavaco Silva entendeu, tristemente, mais uma vez, falar como Cavaco em vez de como Presidente da República, ser ainda mais Cavaco do que nos tem habituado até aqui e acrescentou algumas barbaridades que não só estão longe do respeito pela tradição política democrática que Cavaco tanto diz respeitar, como estão longe do papel de árbitro do sistema político que compete ao PR e constituem uma verdadeira descarga de petróleo na fogueira da disputa partidária que vivemos. Cavaco, mais uma vez, mostrou que gosta de falar de estabilidade política e de sensatez mas que não consegue promover a primeira nem sabe usar a segunda.

Cavaco foi, de facto, muito mais longe do que a indigitação de Pedro Passos Coelho e não só fez um discurso inflamado em favor do “Arco da Governação”, que lamentou amargamente não ter podido dar origem a um acordo governativo a três (PS-PSD-CDS), como se enfureceu com o PS por não ter chegado a acordo com o PSD eo CDS - algo incompreensível já que os seus programas “não se mostram incompatíveis, sendo, pelo contrário, praticamente convergentes quanto aos objetivos estratégicos de Portugal” - como se lançou numa diatribe contra os partidos que, no seu entender, não devem sequer fazer parte deste clube restrito dos autorizados a governar.

É verdade que Cavaco disse que, agora, a palavra era do Parlamento, mas antes disso fez questão de sublinhar de uma forma pouco ambígua que só por cima do seu cadáver é que os partidos de esquerda teriam o gosto de ver em S. Bento um governo da sua preferência (“Em 40 anos de democracia, nunca os governos de Portugal dependeram do apoio de forças políticas antieuropeístas, de forças políticas que, nos programas eleitorais com que se apresentaram ao povo português, defendem a revogação do Tratado de Lisboa, do Tratado Orçamental, da União Bancária e do Pacto de Estabilidade e Crescimento, assim como o desmantelamento da União Económica e Monetária e a saída de Portugal do Euro, para além da dissolução da NATO, organização de que Portugal é membro fundador”). O que Cavaco disse equivaleu a lançar na clandestinidade (e certamente fora do governo) o Bloco de Esquerda e o Partido Comunista e a forma como espumou na fase final da sua comunicação deixou-me convencido de que, se pudesse, tê-lo-ia feito. Por um momento pensei que poderia já ter mandado uma canhoneira bombardear a Soeiro Pereira Gomes e a Rua da Palma. Não é um bom sinal.

Cavaco considerou mesmo que a solução de governo à esquerda que lhe foi apresentada - e que não tinha sequer necessidade de qualificar nesta fase - era “uma alternativa claramente inconsistente”, o que deixa no ar a possibilidade de o PR não a aceitar nem sequer como uma segunda escolha. Estando Cavaco condenado a ser Cavaco, certamente por pecados graves cometidos noutra vida, é evidente que esta ameaça constitui uma deselegante (e antidemocrática, e inconstitucional) forma de pressão sobre o Parlamento, para forçar a mão a alguns deputados do PS e convencê-los a aprovar o programa PSD-CDS.

Num lamentável desnorte, Cavaco foi mesmo ao ponto de incentivar os deputados do PS a votar contra o seu compromisso eleitoral, sublinhando que a decisão não é da Assembleia da República mas de cada um dos seus deputados (“A última palavra cabe à Assembleia da República ou, mais precisamente, aos Deputados à Assembleia da República”, “É aos Deputados que cabe apreciar o Programa do Governo…”, “É aos Deputados que compete decidir, em consciência e tendo em conta os superiores interesses de Portugal, se o Governo deve ou não assumir em plenitude as funções que lhe cabem”) De facto, o órgão de soberania chama-se “Assembleia da República” e não “deputados”.» [Público]
   
Autor:

José Vítor Malheiros.
 Passos deve ser derrubado (ou não) na AR
   
«Ah, o taarof... No Irão, ao querer pagar o chá, se pergunta "quanto é?", tem como resposta do comerciante: "Nem pensar, é oferecido!" A boa educação do forasteiro fará com que insista uma vez. O que será também recusado, como se fosse um ultraje. Mas é aconselhável insistir ainda mais porque é mesmo para pagar - aceitar a oferta seria muito mal visto. O facto que leva a esse desfecho natural (e não à etiqueta do taarof) é que, claro, todo o chá consumido é para se pagar. O claro do dia 4 parecia ser que o PS teve menos votos do que o PSD e não havia meio, nem aliados, para dar volta ao resultado. Portanto, os "ganhei" e "não ganhei" daquela noite eram mesmo para serem seguidos, não era mero taarof nacional. Acontece, porém, que o pressuposto estava errado. Afinal, havia outros. E, havendo o PC e o BE dispostos a aliar-se, o chá, perdão, todos os votos consumidos eram mesmo para se ter em conta. Essa foi a salutar novidade destas eleições. Os mais ou menos trinta deputados que costumavam cercar os restantes 200 com a sua auto-exclusão saltaram para o hemiciclo a sua inteira cidadania. Eis-nos, na plenitude de 230 deputados. Viva! Os governos que se discutem, a partir de agora, será com todos. Com 230 se fará (ou não) o governo do PS. Mas também deve ser com 230 que se derrubará (ou não) o governo de Passos.» [DN]
   
Autor:

Ferreira Fernandes.
  

quinta-feira, outubro 22, 2015

Cavaco decidu

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Cavaco decidiu que não decidia, fez um discurso que viola os valores da democracia e da Constituição, excluiu 20% dos eleitores da democracia, deu a entender que em Portugal a democracia nasceu com a entrada na CEE e acabou por parir um primeiro-ministro nado-morto.
  
Cavaco não deu início à formação de um governo, em vez disso decidiu antecipar o Halloween e agora o país vai divertir-se a saber quem vai aceitar ser um ministro morto-vivo de um governo que ainda não nasceu e já morreu. Pelo meio teremos pressões e chantagens sobre o país, ameaças de Apocalipse e um risco de conflito insanável na sociedade portuguesa.

Cavaco quase proibiu a formação de governos com o apoio do PCP ou do BE e foi mais longe, só aceita governos de direita.
  
Cavaco é um presidente ainda mais "morto" do que o seu primeiro-ministro, mais uma vez revelou que é presidente apenas de alguns portugueses, usa os seus poderes para fazer pressões inaceitáveis sobre uma maioria parlamentar. O país tinha uma crise ao nível do governo, agora tem uma crise no governo e na Presidência da República, Portugal tem um primeiro-ministro que não o vai ser e um presidente que nunca o devia ter sido e que não tem o mínimo de condições para continuar a ser.
  
PS: a melhor homenagem que o PSD poderia ter prestado a Cavaco foi escolher o Marco António para elogiar a sua decisão, este dirigente é o que melhor simboliza aquilo a que na sociedade portuguesa se convencionou designar por cavaquistas.

Quem quer casar com a carochinha?

Era uma vez uma Carochinha muito pretinha e muito luzidia que andava numa dobadoira a arrumar a cozinha. Qual não foi o seu espanto quando achou cinco réis, muito novinhos e amarelinhos.
Carochinha, começou a pular de contente. Depois, acabou de arrumar tudo muito bem arrumadinho, tirou o avental, compôs o vestido preto e foi pôr-se à janela, perguntando a quem passava:
- Quem quer casar com a Carochinha que é airosa e formosinha?

Parece que o país vai ter a sua fábula se Passos Coelho, o grande vencedor das tais eleições que não seriam favas contadas for indigitado para primeiro-ministro, ou melhor, para primeiro-ministro nado morto. Se há reis que já o são antes de nascerem, este primeiro-ministro já foi enterrado ainda antes do seu primeiro despacho. 
  
Depois do PREC da direita que tem sido o governo radical desta quase extrema-direita que nos tem governado temos uma direita que quer governar a qualquer custo e contra a maioria parlamentar, uma direita que se desdobra em exercícios aritméticos em busca de maiorias imaginárias, nem que para as alcançar tenha de comprar deputados do PS.
  
Mas o mais ridículo de tudo isto é vermos um primeiro-ministro que sabe que não o vai ser, acompanhado de um Paulo portas armado no lugar de número dois que Costa rejeitou com silêncio, em busca de membros para um governo de faz de conta. Para que o espectáculo fosse completo e tendo em conta a época faria todo o sentido que este governo tomasse posse no dia do Holloween, o nosso dia das bruxas. A verdade é que teremos um governo de mortos-vivos. Alguns deles terão mesmo direito a enterro político oficial pois depois de a direita interiorizar uma derrota que ainda nega chegará a hora dos ajustes de contas, muitos do que hoje vociferam exigindo a Costa o competente haraquíri na sequência da derrota, serão os primeiros a querer empalar Portas e Passos.
  
Mas o mais hilariante deste processo é o facto desta vez ninguém querer casar com a carochinha. No tempo dos governos de Cavaco ficou famosa a espera de muito boa gente por um telefonema do primeiro-ministro, ninguém queria ter os telefones fixos ocupados e corriam sempre que a campainha tocava. Ficou famosa a história de uma rádio que telefonava para alguns conhecidos candidatos, recorrendo ao falecido imitador Canto e Castro.
  
Desta vez muitos vão desligar o telefone fico porque não indica quem está ligando e só atendem chamadas no telemóvel desde que não sejam de Passos Coelho. Ninguém de bom senso se quer imolar na fogueira da imaginação delirante de um político que sabendo que já só falta o enterro decide fazer de conta que vai governar quatro anos. Esperemos que Portugal não tenha de passar por esta festa de Halloween de muito mau gosto.

Umas no cravo e outras na ferradura


  
 Jumento do dia
    
Paulo Rangel

O desespero da direita está a levar muito boa gente ao disparate, até aqueles que costumam reservar para si o papel de gente séria vem agora amar-se em anedota. Paulo Rangel é uma dessas figuras que ora são sérias, ora optam por ser anedotas, uma espécie de bobos da corte.

Esperemos que daqui a uns quantos dias o mesmo Rangel que noutros tempos se candidatou à liderança do PSD contra Passos Coelho não seja o primeiro a pedir a cabeça do líder do PSD.

«Para Rangel "é normal e ninguém está à espera que PCP e Bloco viabilizem um governo da coligação, mas o PS tem essa responsabilidade e vai ter que decidir se é ou não o partido do bota-abaixo". O eurodeputado defende que o PS "tem de ter sentido de Estado", o que considera que o secretário-geral socialista, António Costa, não teve até agora.

O eurodeputado acusa mesmo Costa de ter feito "bluff com a coligação" sem nunca ter estado realmente interessado em negociar. Rangel considera o líder socialista irresponsaáel, dizendo que "António Costa quer ser primeiro-ministro à força, mesmo que isso signifique aliar-se com um partido que defende a saída do euro". O social-democrata diz, no entanto, que "felizmente há muitos dirigentes socialistas que estão contra esta opção de sedução junto da esquerda radical. Há vários socialistas com bom senso".» [DN]

 No jornal do Balsemão vale tudo

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Quem lê o artigo do colega de Ricardo Costa é levado

O proletariado do Pinto Balsemão devia ter direito a um suplemento salarial para poderem comprar Alka-Seltzer com fartura pois andam com uma grave crise de azia.

Quem

 Os mercados estão em pânico

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 Não foi para isto que votei no PS!
   
«Eu votei no PS e, digo já, não foi para isto que votei.

Como há dúvidas, vou dizer porque votei. Votei no PS, eu, para que todas as casas com construção embargada que me estragam a paisagem sejam deitadas abaixo, já. Esse meu querer lembro-me de ter sussurrado ao voto quando o deitei (só não escrevi para o não inutilizar) - vai para três semanas, e o PS sobre o assunto, nada. Votei no PS por causa do sorriso irónico do líder, são os únicos sorrisos de que gosto nos políticos, mas desde o dia 4 não me parece ser esse o critério de aliança de Costa (a Catarina é simpática, o Jerónimo é veemente, mas nada disso vale um sorriso irónico, acho). Votei no PS para que ele fosse buscar o Luis Fernando Verissimo ao Brasil para dar aulas, nos três canais, duas horas por dia, prime time, sobre como se escrevem diálogos - acho o diálogo fundamental e ninguém pôs isso no programa eleitoral (o PS também não, mas eu não me ia abster, soprei no voto e foi também por isso que votei). Votei no PS porque gosto das ruas alegradas, o Costa pintou a Rua Nova do Carvalho de cor-de-rosa e eu gostava de ver a Estrada de Benfica a cheirar a pitanga. Basicamente foi isto. Os outros 5 408 804 eleitores que digam porque votaram. Eu foi por isto. E não admito que os comentadores digam que votei ou não votei por outras razões senão as expostas. Quanto a formar governo, fui ver à Constituição, não sou eu. Se fosse, vocês iam ter surpresas do caraças.» [DN]
   
Autor:

Ferreira Fernandes.

 O desespero é mau conselheiro
   
«Primeiro, foi a alegria de ser a candidatura mais votada.

Depois, a preocupação ao constatar que afinal a maioria era de esquerda.

A seguir o terror por o PS, BE e PCP estarem a caminho de um entendimento parlamentar. Finalmente o desespero por o acordo de esquerda estar a chegar a bom porto.

Só que o desespero é mau conselheiro e vieram as acusações de “fraude”, “usurpação”, “golpe de estado” e os outros disparates como “o partido que tem mais votos deve governar”.

Uma das formas que este desespero está a tomar (e uma das razões por que a coligação PSD-CDS insiste na indigitação de Pedro Passos Coelho por Cavaco Silva) é a tentativa de pressionar os deputados do PS simpatizantes de uma solução “Bloco Central” a viabilizar o governo minoritário.

Aqui sim, seria uma verdadeira vitória na secretaria e uma entorse clara àquilo que podemos intuir sobre o sentido do voto no PS - que sempre disse que seria uma alternativa a direita e que não teria sentido viabilizar um governo da direita.

Este apelo à pressão sobre os deputados do PS (que será interessante ver até que extremos irá) é visível, por exemplo, no artigo “4 razões, mais uma, para Cavaco não nomear Costa", publicado no jornal i, da autoria de Graça Canto Moniz, coordenadora do Gabinete de Estudos do CDS mas que por razões que não conheço o i identifica apenas como “blogger”.

Outro texto na mesma linha foi publicado no DN pela mão de Diogo Feio.

Já deu para perceber que, neste momento de desespero, o PSD e o CDS estão dispostos a tudo (a tresler a constituição, a mentir sobre as regras democráticas de formação dos governos, a inventar uma “tradição de governo” que beneficia a direita, a acirrar os mais básicos terrores da população contra os supostos malefícios de um governo de esquerda, a difamar os seus adversários políticos, a procurar aliados no estrangeiro que se disponham a colaborar no ataque a um governo nacional constitucional).

É quase cómico ouvir representantes da coligação de direita falarem hoje no "radicalismo" do BE ou do PCP. Há muitos anos que não se via um governo tão radical em Portugal. Só é pena que o radicalismo não lhes dê para defender a pátria no contexto internacional, para preservar o património nacional e para reforçar a dignidade das instituições, algumas das bandeiras que a direita digna soube levantar no passado.» [Público]
   
Autor:

José Vítor Malheiro.
      
 Justiça incompetente
   
«Foi há um ano que o surto de Legionella atingiu a região de Vila Franca de Xira. Entre 12 de outubro e 4 de dezembro morreram 12 pessoas e outras 375 ficaram doentes. No entanto, até hoje não há novidades e as vítimas aguardam que haja ou não julgamento mas sem qualquer apoio.

Os trabalhos estão numa “fase avançada”, esta é a última indicação da Procuradoria-Geral da República (PGR) sobre o inquérito ao surto ao jornal i.

O incidente chegou a estar ligado a uma contaminação nas torres de refrigeração da empresa ADP Fertilizantes. Em causa poderia estar o crime de poluição atmosférica, que pode ser punida com oito anos de prisão e uma multa até 2,5 milhões de euros.» [Notícias ao Minuto]
   
Parecer:

Isto não é um mero atraso, é incompetência.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se à senhora Procuradora-Geral se gasta todos os recursos de que dispõe para perseguir arguidos políticos.»
  
 A Maria Luís anda a brincar 
   
«"Não está excluída a possibilidade de atuarmos", disse Dombrovskis, num encontro com jornalistas em Bruxelas, sem especificar que medidas o executivo comunitário poderá adotar caso as autoridades nacionais continuem sem apresentar à Comissão as linhas gerais do orçamento para o próximo ano, depois de já ter expirado a data limite de 15 de outubro.

Questionado pela Lusa sobre o atraso na apresentação do plano orçamental de Portugal, que o Governo justificou a Bruxelas com a realização de eleições legislativas (a 04 de outubro), o vice-presidente com a pasta do Euro admitiu que se trata de "um problema".

"É suposto todos os Estados-membros apresentarem os seus planos orçamentais até 15 de outubro, e Portugal não foi o primeiro país a ter eleições" nesta altura do ano, mas foi o primeiro a falhar o prazo previsto no "semestre europeu" de coordenação de políticas económicas, recordou.» [Notícias ao Minuto]
   
Parecer:

Para mandarem o PEC assumindo compromissos para um ano não precisaram de esperar por eleições.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Substitua-se urgentemente este governo de irresponsáveis.»

 Agora estão a esgravatar na PT
   
«Em 2009, Belmiro de Azevedo disse numa entrevista que o Governo de José Sócrates "deu instruções" para que a Caixa Geral de Depósitos votasse contra a OPA da Sonae sobre a PT, agora, foi chamado a depor sobre o caso.

Segundo o Diário de Notícias, o Ministério Público estará a investigar, no âmbito da Operação Marquês, o falhanço desta OPA da Sonae à PT em fevereiro de 2006.

Paulo Azevedo, presidente da SONAE SGPS, e o pai Belmiro de Azevedo foram chamados como testemunhas, tendo o último alegado motivos pessoais para não comparecer.

A suspeita sobre a OPA lançada pela Sonae à PT terá surgido em setembro, depois da detenção de Armando Vara, antigo administrador da Caixa Geral de Depósitos.» [Notícias ao Minuto]
   
Parecer:

Parece que o Vale de Lobos já deu o que tinha a dar e o Rosário anda a esgravatar noutros negócios.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se a merecida gargalhada.»

 Só para fins estatísticos dizem eles
   
«O défice público baixou para 2,6% zona euro e para 3,0% na União Europeia (UE) em 2014, face ao ano anterior, e Portugal foi o segundo Estado-membro com maior défice orçamental (7,2%), segundo o Eurostat.

De acordo com o gabinete oficial de estatísticas da UE, o agravamento do défice português em 2,4 pontos percentuais, face aos 4,8% de 2013, "deve-se principalmente à reclassificação de injeções de capital no Novo Banco, de transação financeira a operação não financeira".

A capitalização do Novo Banco ascendeu aos 4,9 mil milhões de euros, sendo que "o défice público de Portugal para 2014 aumentou no mesmo montante, pois a venda do Novo banco não teve lugar no ano seguinte à capitalização".» [DN]
   
Parecer:

O problema vai ser saber como financiar o buraco no Novo Banco que nada tem de estatítico.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Espere-se para ver.»

 Há notícias que valem por mil discursos
   
«PSD e CDS já têm uma equipa a preparar um programa de Governo, que terá de ser apresentado na Assembleia 10 dias depois da posse, confirmou o Observador. Vem aí um documento mais limpo, mais aberto, claramente menos ideológico para discutir na Assembleia, naqueles dias que podem ser fatídicos para a coligação (com um chumbo possível da esquerda).

O guião que, por exemplo, Paulo Portas parece estar a usar para mostrar um Governo que aprendeu as lições das legislativas (passando de maioria absoluta para uma maioria relativa) parece estar num discurso de Paulo Portas, citado pelo próprio na entrevista à TVI de segunda-feira – e que tinha feito na AR em novembro de 2009, precisamente quando José Sócrates passou a ter apenas uma maioria relativa dos deputados. Nessa altura, Portas criticava o socialista por levar à AR um programa igual:

“O seu programa eleitoral foi pensado para a maioria absoluta que o PS queria – queria! – mas não teve. E se não teve, algo mudou. Em vez de assumir isso e definir para onde quer ir e com quem, adaptar-se aos factos e pensar na melhor forma de servir o País, o Programa aqui apresentado é como as estátuas de sal: prossegue a ilusão de um poder absoluto que simplesmente já não existe. Convença-se disso, Sr. PrimeiroMinistro.” 

A ideia de não replicar o programa eleitoral tem, assim, duas justificações: na perspetiva de a esquerda querer deitar abaixo a coligação, Passos e Portas querem “deixar o menor número de pretextos possível” – para que o ónus do derrube do Governo fique mais do lado esquerdo; Mas também para a eventualidade de as coisas falharem à última hora à esquerda – perante o facto incontornável de cada orçamento só passar com uma abstenção dos socialistas na AR.» [Observador]
   
Parecer:

Depois de tudo o que se disse sobre os programas em que os portugueses votaram, a desgraça que seria um gocverno para pouco tempo, a importância da estabilidade, eis que a direita dá o dito pelo não dito e vai apresentar um novo programa apostando tudo numa crise a curto prazo. É o desespero, Portas e Passos Coelho lutam agora pela sobrevivência política.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»

 A primeira derrota da direita
   
«De um lado está Ferro Rodrigues, o nome forte do PS que está a ser apontado como o próximo Presidente da Assembleia da República e que até “já disse que sim há muito tempo”. Do outro, está a coligação PSD/CDS que não abdica de um nome da sua área política para ocupar aquele que é o lugar da segunda figura do Estado, imediatamente abaixo do Presidente da República. O braço de ferro mantém-se mas não poderá estender-se para lá de sexta-feira, dia em que arrancam os trabalhos no Parlamento marcando o início oficial da legislatura.

Com as negociações totalmente rompidas entre coligação e PS, depois de António Costa ter dito em Belém que há condições para haver um governo suportado pela maioria de esquerda, do lado do PSD/CDS não há agora qualquer abertura para ceder o lugar de Presidente da República ao Partido Socialista. E para isso, os sociais-democratas apoiam-se no princípio, que vale para a formação do Governo como vale para aos lugares na Assembleia da República, de que foi a coligação que venceu as eleições, e não o PS. » [Observador]
   
Parecer:

É o princípio do fim do poder absoluto e da confusão entre partidos da direita e Estado.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Eleja-se um presidente com o apoio da maioria parlamentar.»
 Hitler, estás perdoado!
   
«As críticas, a indignação e as devidas correcções históricas chegaram de vários lados depois de o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, ter declarado que foi o então mufti de Jerusalém, um alto dirigente muçulmano da Palestina durante o mandato britânico, quem deu a ideia a Hitler de exterminar os judeus da Europa.

Num discurso pronunciado no 37.º congresso sionista, em Jerusalém, Netanyahu fez referência a um encontro em Novembro de 1941 na Alemanha entre Adolf Hitler e o grande mufti de Jerusalém Haj Amin al-Husseini. “Naquela altura, Hitler não queria exterminar os judeus, mas sim expulsá-los. Mas Haj Amin al-Husseini foi encontrar-se com ele e disse-lhe: ‘Se os expulsar, eles vão todos para a Palestina’”, contou Netanyahu. “‘E o que é que devo fazer?’, perguntou Hitler. Ele [o mufti] disse: ‘Queime-os’”, disse o primeiro-ministro israelita.

Netanyahu evocou esta personagem para refutar as acusações, segundo ele historicamente erradas, de que os judeus ou Israel querem destruir ou ocupar o Pátio das Mesquitas e a Mesquita de Al-Aqsa, lugares santos do islão, que se encontram em Jerusalém.


As reacções não se fizeram esperar. Um porta-voz da chanceler alemã teve de vir a público dizer que a responsabilidade do Holocausto é dos alemães e da Alemanha. “Todos os alemães sabem a história do genocídio nazi que levou à ruptura com a civilização que foi o Holocausto”, disse Steffen Seibert. “Isto é ensinado nas escolas alemãs por uma boa razão, para que nunca seja esquecido. E não vejo qualquer razão para mudarmos a nossa visão da História. Sabemos que a responsabilidade por este crime contra a humanidade é nossa, da Alemanha e dos alemães.”» [Público]
   
Parecer:

O culpado tinha de ser um palestiniano.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Vomite-se.»
  
 Eu sabia que ele é muita coisa, mas monárquico?
   
«Nesta terça-feira, em entrevista à TVI 24, o deputado socialista Pedro Nuno Santos foi questionado sobre se a posição política do Partido Comunista contra a União Europeia poderia causar fricção e instabilidade no relacionamento PS/CDU, se chegassem a acordo para formar governo. Pedro Nuno Santos retorquiu que, da mesma forma que “Paulo Portas é um monárquico convicto e não consta que tenha tentado implantar a monarquia”, também o Partido Comunista, apesar das suas convicções, apoiará um governo alternativo sem exigir a saída do euro.» [Público]
   
Parecer:

O homem não para nos surpreender, este Portas é mesmo um bocado esquisito, não é?
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»
  

   
   
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