sábado, novembro 07, 2015

Já murcharam a tua festa pá

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(imagem Jornal Público)


Valeu a pena tentar, uma direita convencida de que tem o direito natural a governar tentou alterar as regras do parlamentarismo, em vez de uma maioria passou a bastar ser o “vencedor” das eleições, não imposta a existência ou não de uma maioria parlamentar, isso é mera aritmética ou, como dizia um conhecido paspalho, a soma de derrotados não dá um vencedor, quem “ganhar” as eleições nem que seja com apenas 10% dos votos tem o direito a governar e a oposição tem a obrigação de viabilizar.
  
De um dia para o outro toda a direita se uniu e até quem durante quatro anos criticou Passos Coelho veio a público em sua defesa, até houve quem visse um golpe de estado, pelos vistos o mais original dos golpes de Estado. No regime parlamentar passaram existir minorias vencedoras e maioria ilegítimas, a eleição de um governo com maioria parlamentar passou a ser usurpação de poder.
  
Desde os tempos das campanhas de Soares Carneiro ou quando todos andavam com sobretudos verdes a imitar Freitas do Amaral, até os nossos latifundiários do Alentejo deixaram as suas capaz na naftalina para irem às lojas comprar o loden austríaco que os identificava com Freitas. Deixou de haver complexos social-democratas, Portas já adora os saloios cavaquistas, até a Ferreira Leite se esqueceu dos amigos de Passos que lhe mostraram o traseiro, quando era a ministra incompetente da Educação. Deixaram de haver complexos social-democratas, neo-liberais ou fascistas, Passos uniu-os quase todos, apenas Capucho, Pacheco Pereira e poucos mais ficaram de fora desta direita unida na conquista do poder.
  
Como se todos estes bons valores não bastassem recorreu-se a tudo, os empresários mais conservadores que resistem aos novos tempos do capitalismo uniram-se porque vinha aí o perigo comunista, os mesmos comunistas que destruíram o país em 1974 e nunca pediram desculpa. Portugal já tinha beneficiado de rezas à antinha de Fátima para sair limpinho, agora os ministros passaram a inspirar-se em Jesus Cristo, as tempestades passaram a ser fúrias demoníaaaacas. O patriarca reivindicou um governo de direita dando a sua bênção ao PaF, se Cerejeira ressuscitasse só estranharia a televisão a cores e a falta do Eusébio e da Amália. Portugal voltava a ser como nunca devia ter deixado de ser.
  
Mas o sonho tornou-se pesadelo e podia recordar-se a segunda versão do “Tanto Mar” de Chico Buarque onde o verso “tanta festa pá” foi substituído por “foi boa a festa pá”, de manhã Passos assegurava que iria ser primeiro-ministro por quatro anos, à tarde assumia-se como líder da oposição e agora ninguém sabe com, que estatuto falará no parlamento na apresentação do seu programa, não se percebe se é um programa de governo ou se está num comício do PaF das eleições antecipadas com que sonhou apresentando o seu programa eleitoral. Esta crise vai proporcionar-nos mais um momento hilariante, quase tão hilariante como ver Cavaco a dar posse ao governo do golpe do estado, das maiorias negativas, das aritméticas, dos usurpadores.
  
Quarenta anos depois o país aprendeu que a direita não mudou muito, anda por aí muito democrata que durante o dia são grandes defensores da democracia e à noite correm ao telefone para escolher Salazar como o melhor português da nossa história. Mas no dia seguinte não há fascistas e vão todos unidos à manif do 1.º de Maio. O país percebeu que a democratização da direita tem muito de postiço e isso explica muito do que por aí se passa, talvez isso explique que os tribunais plenários tenham dado lugares a julgamentos na comunicação social, que haja juízes que achem que a prisão preventiva ainda é pouco e processos judiciais que parece serem conduzidos por obscuros inspectores do fisco.


Umas no cravo e outras na ferradura


  
 Jumento do dia
    
Leal da Costa, rainha por quinze dias

Depois dos disparates religiosos de Calvão da Silva foi a vez do ministro nado-morto da Saúde, o tal que assegurava que os doentes estavam confortavelmente em macas porque estas tinha protecções que evitavam quedas, vir dar um ar da sua graça. O país ficou a saber que nem que fosse por 24 horas era importante que fosse ele o ministro.

«Leal da Costa contou ao SOL que o convite de Passos Coelho para assumir a liderança do Ministério chegou via telefone no dia 26: “Disse-lhe logo: ‘Com certeza senhor primeiro-ministro: seja por 24 horas ou por 4 anos”.

“Há muito boa gente que pensa que fui escolhido para 15 dias mas, perdoem-me a arrogância, o senhor primeiro-ministro por ventura reconhecerá a minha competência”, atirou, acrescentando que “era importante” a continuação no cargo.

“Acho que era importante que o próximo ministro da Saúde fosse eu”, frisou.» [Notícias ao Minuto]

 Aritmética, diz ele

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Alguém tem de explicar a este senhor que em qualquer parlamento democrático do mundo a determinação do número de deputados que formam uma maioria será sempre um problema de aritmética e acreditar que um partido minoritário pode governar é um problema de falta de lucidez, senão mesmo de inteligência. Aliás, um ministro de um governo que ainda não passou no parlamento e fala em governar uma legislatura enquanto no mesmo dia o seu primeiro-ministro fala em liderar a oposição só pode estar mesmo com uma preocupante falta de lucidez.

 Será o drone do Aguiar-Branco

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Pela forma como se riem à gargalhada só podem estar a falar do já mundialmente famoso drone do Aguiar-Branco.



 E porque não uma associação de gestores comunistas?

Depois de aparecer um manifesto dos 100 empresários, os membros de uma Associação de Empresas Familiares, defendendo um governo de direita não nos admiremos que ainda apareça  um manifesto dos gestores comunistas liderado por Eduardo Catroga e Mexia defendendo a mesma solução governativa.
  
 PS não cai nas sondagens?

E Assis diz representar metade dos eleitores deste partido?

 Cheios de boa vontade
 
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E onde esteve a boa vontade quando governavam com maioria absoluta?

 Cheios de boa vontade



      
 Carta aberta em jeito de dedicatória
   
«Há dias, o primeiro-ministro Mariano Rajoy recebeu os líderes dos partidos espanhóis. Entre eles, Pablo Iglesias, do Podemos, partido que, mudando o que há para mudar, seria por cá o BE. À saída, o esquerdista ofereceu um livro ao capitalista. Livro de Antonio Machado (1875-1939), vocês sabem, o poeta daqueles dois versos que todos conhecemos, que mais não seja cantados por Serrat: "Caminante, no hay camino/ Se hace camino al andar." Não conheço melhor hino ao reformismo - não te vás por ideias feitas, vai fazendo, alerta e confiante... Mas não foi um simples toca e foge de Pablo Iglesias, que alguns nos apresentam como empedernido radical. Ele fez uma dedicatória ao adversário: "Estimado Mariano, escreveu o nosso grande amigo Antonio Machado "para dialogar, pergunta primeiro, depois escuta..."" Continuamos, pois, na mão estendida. Mas há mais: o livro era o Juan de Mairena. Machado, como o nosso Pessoa, inventava heterónimos e falava por eles. Filósofo e professor, como quis o seu biógrafo (Machado), Juan de Mairena é autor de ideias que combatem, radicalmente, o radicalismo. Dele, cito duas frases. Primeira: "Não ter vícios não acrescenta nada à virtude." Segunda: "Tirar a batuta a um maestro é tão fácil quanto difícil é reger com ela a Quinta Sinfonia de Beethoven." Traduzido até ao osso: não chega protestar, há que ajudar a fazer. Que lição aos acantonados, à esquerda e à direita, destes nossos tão prometedores dias.» [DN]
   
Autor:

Ferreira Fernandes.

 Novo Banco, biombo velho
   
«Nunca tinha acontecido, mas aconteceu agora: uma entidade pública dependente do Governo teve a extraordinária ousadia de contratar um membro do próprio Governo para exercer uma actividade profissional imediatamente a seguir a deixar o cargo! A inovação, de tão exótica, impressiona.

A tal ponto que - valha-nos Deus! - nem quero pensar o que seria se uma coisa destas tivesse acontecido com um governo socialista: sem dúvida, o País estaria hoje mergulhado numa onda de comoção nacional lamentando a quebra de mais uma tão nobre “tradição democrática portuguesa”. Felizmente, não é o caso e podem por isso os moralistas oficiais do regime, sempre tão apegados às tradições, assobiar para o lado e resignar-se à incontornável fatalidade histórica de que a tradição já não é o que era.

Em causa, obviamente, está a recente contratação do dr. Sérgio Monteiro para liderar o processo de venda do Novo Banco. 

Não pelas qualidades pessoais ou profissionais do interessado, que não se trata de discutir aqui, mas sim pelas circunstâncias absolutamente anormais do caso. 

A contratação de Sérgio Monteiro para as funções de Project Management Officer do projecto de venda do Novo Banco foi tornada pública por comunicado do Banco de Portugal de 29 de Outubro. A data é importante: nessa altura, o dr. Sérgio Monteiro estava ainda no exercício de funções como membro do Governo, enquanto secretário de Estado das Infraestruturas, Transportes e Comunicações. Perguntar-se-á, ainda assim, se não será legítimo que o Banco de Portugal, com a autonomia de que goza na gestão dos seus recursos humanos, possa promover negociações com um membro do Governo tendo em vista a sua contratação futura como profissional, desde que esse contrato só produza efeitos terminado o exercício das funções governativas? Tivesse a contratação sido realmente efectuada pelo Banco de Portugal e o caso, embora discutível, poderia ser, apesar de tudo, defensável. Mas a verdade é que o Banco de Portugal não contratou ninguém: limitou-se a emitir um comunicado e a servir, mais uma vez, de biombo do Governo.

As aparências têm destas coisas: por vezes iludem. Sendo a contratação anunciada pelo Banco de Portugal, em comunicado seu, publicado no respectivo sítio oficial, a imagem que inevitavelmente passa, e sem dúvida se quis passar, é a de que se tratou de uma contratação feita pelo próprio Banco de Portugal. E funcionou: foi exactamente isso que acabou escrito, preto no branco, na maior parte dos jornais. Contudo, uma leitura um pouco mais atenta do segundo parágrafo do comunicado do Banco de Portugal revela, sem margem para dúvidas, que afinal a contratação do então secretário de Estado foi efectuada não pelo Banco de Portugal, que apenas a divulgou, mas sim pelo Fundo de Resolução - o que faz toda a diferença. De facto, o Banco de Portugal e o Fundo de Resolução não são a mesma coisa. O Fundo de Resolução é uma entidade pública, detida pelo Estado, cujos administradores são maioritariamente nomeados pelo Governo ou com a sua participação. Sendo assim, não há volta a dar: que uma entidade pública, sob tutela governamental, dirigida por administradores maioritariamente nomeados pelo Governo, tenha contratado os serviços profissonais de um membro do Governo em funções, é, obviamente, ultrapassar os mais elementares limites da decência. Que o tenhamos de saber pelo site do vizinho, é ainda mais feio.» [DE]
   
Autor:

Pedro Silva Pereira.

      
 Passos está a voltar a si
   
«O primeiro-ministro Passos Coelho assumiu nesta sexta-feira estar disposto a ir para a oposição, caso o Governo seja derrubado na próxima terça-feira.

"O que eu digo é que estarei onde for preciso", disse o líder social-democrata, depois de uma reunião de cerca de uma hora com os deputados do PSD e do CDS.

Passos Coelho foi questionado pelos jornalistas sobre se estaria disponível para liderar a oposição, caso seja aprovada uma moção de rejeição ao programa de Governo. “O que eu digo é que estarei onde for preciso: no Governo, que é o lugar natural que se espera de quem ganha as eleições, mas, se porventura não estiver no Governo e estiver na oposição, não deixarei de assumir as minhas responsabilidades”, afirmou. O primeiro-ministro sublinhou a ideia de que, se o actual Governo for derrubado, a culpa é do PS. “Se, porventura, não for primeiro-ministro no futuro, será pela vontade do PS e não pela vontade dos partidos da coligação”, repetiu por duas vezes.» [Público]
   
Parecer:

Parece que já percebeu que a sua vitória lhe dá o lugar de líder de uma oposição formada pelo PaF, digamos que Passos e Portas vão coligar-se para sobreviverem na liderança dos partidos de direita. Enfim, Passos quer ficar a assar na oposição.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»
  
 A justiça está mais democrática
   
«O Ministério Público e a Polícia Judiciária estão a investigar no âmbito do chamado processo dos vistos gold o concurso para um privado assegurar a operação e manutenção dos seis helicópteros pesados do Estado, os Kamov comprados em 2006 pelo Ministério da Administração Interna.

A informação foi avançada quinta-feira pelo Correio da Manhã e confirmada pelo PÚBLICO, que apurou que o inquérito está perto de ser finalizado já que a acusação terá que ser proferida até meados deste mês para que o único arguido que ainda está em prisão preventiva, o antigo presidente do Instituto dos Registo e Notariado, António Figueiredo, não seja libertado.

Na origem da suspeita está um e-mail que o ex-ministro da Administração Interna Miguel Macedo terá enviado ao seu antigo sócio Jaime Gomes, ambos arguidos na referida investigação, com o caderno de encargos do concurso público internacional, semanas antes da publicação do mesmo, em Julho de 2014.» [Público]
   
Parecer:

Não se percebe se é o resultado da derrota eleitoral que sofreu no passado mês ou se por formação democrática, o certo é que parece estarmos a assistir à democratização das violações do segredo de justiça, agora também temos umas coisas para que se possa dizer que a direita também é vítima do fenómeno.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Vomite-se.»

 Cheiram a direita que tresandam
   
«Um balde de água fria. É assim que os mais de 100 empresários que subscrevem o manifesto da Associação das Empresas Familiares veem a iniciativa de António Costa de encontrar um acordo à esquerda e constituir governo com o apoio do PCP e do Bloco. Uma alternativa que gera riscos e incerteza e está a levar os empresários a "cortar nas expectativas", a "adiar contratações" e a produzir "orçamentos defensivos", explica ao DN Peter Villax, vice-presidente da farmacêutica Hovione e promotor do manifesto que apresenta como um alerta e que, sabe o DN, será entregue em mão ao Presidente da República, Cavaco Silva.

"Como é que podemos não nos preocupar com a ideia de um governo apoiado por dois partidos que são estatutariamente contra a iniciativa privada", questiona. "Se o PCP disser que tem políticas para incentivar o investimento, a investigação e o desenvolvimento, ótimo. Mas vivi intensamente 1974 e 1975 e nos últimos 40 anos não ouvi uma expressão de contrição ou arrependimento do PCP pela quase destruição do país", diz ao DN o promotor do Manifesto dos 100 Empresários.» [DN]
   
Parecer:

Imagine-se a que partido pertencem estes senhores da Associação de Empresas Familiares. Parece que a direita ainda não percebeu que quem não tem maioria parlamentar costuma ser oposição, é isso que distingue das ditaduras das democracias.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»

   
   
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sexta-feira, novembro 06, 2015

Expirou o seguro de vida da direita

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Durante anos a direita elogiou o PCP, desde que este partido ficou arredado do acesso ao poder até havia uma certa simpatia, nem mesmo os sucessivos abandonos da CGTP das reuniões da concertação social incomodava os partidos da direita, tinham o sindicato dos bancários e o Proença para assinar os acordos de que Passos Coelho tanto se gabou. A luta do PCP na rua e a posição contra o PS no parlamento era de uma grande utilidade.
  
O PCP era um partido cheio de virtudes, um partido institucionalista, respeitador da palavra, um excelente parceiro de coligação nalgumas autarquias. Até havia quem, como Bagão Félix achasse que este partido poderia coligar-se com a direita numa situação em que esta não contasse com a maioria parlamentar. Durante décadas o PCP mantinha a mesma postura e a direita acomodou-se à ideia de que uma aproximação entre toda a esquerda era impossível, não admira que a estratégia eleitoral da direita passou por tentar favorecer o PCP e o BE, tentando canalizar para esses partidos os votos do descontentamento.
  
A primeira desilusão veio do BE, quando Catarina Martins anunciou o funeral do governo de Passos Coelho acenderam-se os alarmes, algo de anormal se estava a passar, a estratégia da direita de favorecer o BE podia dar maus resultados, os directores das televisões e de jornais como o Expresso e o Observador devem ter sentido um calafrio, tinham sido enganados e deram uma preciosa ajuda para derrubar Passos Coelho. Restava uma esperança, que o acordo com o PCP falhasse.
  
Cada notícia que apontava para dificuldades nas negociações entre PSP e PCP provocava um orgasmo colectivo na direita, ainda ontem um ministro que faz lembrar o da informação de Sadam dava a entender que ainda não havia acordo, o ministro da presidência ainda falava em governo para quatro anos.
  
A estratégia de Cavaco era evidente, bastava comprar alguns deputados seguristas porque mesmo ecluído do arco da democracia o PCP continuaria a fazer oposição irracional a qualquer possibilidade de governo do PS, para Cavaco Silva o PCP era uma constante, uma variável que não mudaria, o PCP vibveria na condição de ceteris paribus, sem mexer uma linha numa ideologia herdada dos finais do século XIX. Se o PCP nada mudou com a queda do muro de Berlim, com o fim da URSS, com a tentativa de golpe em Moscovo, da mesma forma que tinha resistido ao eurocomunismo, porque havia de mudar agora, logo para favorecer um António Costa a quem não se coligara na CML e com quem tinha entrado em conflito na disputa pela liderança da Junta Metropolitana de Lisboa?
  
Cavaco e Passos acreditaram que quarenta anos depois do 25 de Abril a direita poderia voltar a governar contra a vontade da maioria dos portugueses, começou a encenação do governo estável, um governo que resultaria do consenso muitas vezes tentado, que os seguristas estiveram várias vezes tentado a aceitar, a direita ditava as regras e o PS concordava a troco de algumas mordomias. Até havia quem sonhasse com a substituição de Silva Peneda no Conselho Económico e Social. Cavaco apostou tudo na divisão e destruição do PS, fez um primeiro discurso em que marginalizaza o PCP e o BE, como não chegou fez um segundo discurso próprio de um golpista.
  
Cavaco, o político falhado que nunca tinha dúvidas, que raramente se engavana, que em boa hora sempre avisou os portugueses, o vidente dos verdadeiros interesses nacionais, o marido da senhora que negociou a saída limpa com a Nossa Senhora de Fátima, o guardião dos tratados e da lei, excepto da Constituição, fez um discurso digno dos tempos idos de 1928 e estava convencido de que o PCP aceitaria ser excluído, regressando o país ás primeiras horas do 25 de Novembro, quando a direita defendia a sua ilegalização. Cavaco estava tão convencido que apostou tudo, começaram as manobras, centenas de opinion makers a martelar, ministros a dizer disparates, manobras de bastidores para conseguir adeptos da divisão do PS, associações empresariais a dar o dito por não dito e o aparecimentos de outras associações de que nunca se tinha ouvido falar.
  
Durante quase um mês o país foi intoxicado por quase toda a direita, desde a rapaziada do Observador, uma espécie de extrema-direita snob, espumava de raiva, a Manuela Ferreira Leite chamava golpe de Estado a uma maioria parlamentar, foram de dez dias PREC da direita. cada percalço nas negociações da direita gerava momentos de alegria, afirmações de que o governo era para a legislatura por parte dos empossados.
  
Hoje morreram quase todas as esperança, o PCP mudou de posição, abandonou um doma ideológico com mais um século, depois da Revolução Russa foi a primeira vez que um partido comunista dito ortodoxo mudou de posição em relação às correntes da social-democracia, no contexto europeu é uma mudança com uma importância talvez maior do que o fenómeno do eurocomunismo, não admira que velhos ideólogos da extrema esquerda hoje convertidos à extrema-direita snob se viessem a queixar nos últimos dias que o PCP já não é o que era, os que dantes lhe chamavam revisionista e mesmo social-fscistas estão agora amargurados por mais esta "deriva" e não vão perder a oportunidade de lhe vaticinar os piores destinos em consequência deste enorme salto ideológico.
  
Com esta mudança o PCP diz que o paraíso pode esperar e que as conquistas de hoje e de amanhã são importantes, decide que neste momento há valores e conquistas sociais que devem ser defendidos da sanha de uma direita que se aproveitou da crise financeira internacional para impor aos portugueses uma velha ordem, agora numa democracia gerida segundo as suas aritméticas. Só que as suas contas foram chumbadas pela prova dos nove e até as sondagens mostram que os eleitores da esquerda permanecem firmes no apoio aos programas e às lideranças dos seus partidos.
  
Desta vez Cavaco enganou-se e deverá estar agora cheio de dúvidas, o cenário que ele desprezou tornou-se real e vai ter de ser ele a dar posse ao governo que mais odeia e que tudo fez para impedir. Expirou seguro de vida da direita e com isso acabou de morrer o cavaquismo. Desde o Dia das Bruxas, o primeiro dia do governo fantasma, que Cavaco deixou de ser presidente, até que com as presidencias se possa proceder ao seu enterro Cavaco não passará de um morto-vivo, de uma alma assombrada a deambular pelos corredores do Palácio de Belém.
  
 

A tendência da meia dose de leitão

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Ao longo dos últimos quatro anos uma boa parte da oposição cometeu três que foram evidentes durante a campanha eleitoral:
  • Permitiram que a incompetência de um dos governos com mais incompetentes que governou este pais passasse incólume com a ajuda de uma comunicação social de intervenção de direita que se centrou nos defeitos do António Costa e nas qualidades da Catarina Martins. Casos como a morte ao abandono de cidadãos nas salas de espera dos hospitais, o desastre do Citius ou os disparates do ministro do Negócios Estrangeiros foram esquecidos.
  • Não denunciou o posicionamento ideológico de Passos Coelho que se situa quase no salazarismo económico (e não só) permitindo à direita o uso e abuso da marca da social-democracia. O próprio Portas chamava extremista e radical a Passos Coelho durante a campanha das legislativas de 2011.
  • Não denunciou a falta de equidade no esforço de austeridade, preferindo colocar a questão recusar a austeridade no seu todo ou discutir a dose.
  • Esquecer tudo o que se passou, a forma como Passos Coelho gozou com o PS de Seguro ou como Cavaco ignorou o então líder do PS, ignorar as medidas de austeridade decididas para satisfação ideológica do extremista Passos Coelho, branquear a incompetência generalizada num governo dominado por mentecaptos , perdoar as sacanices que foram feitas a funcionários públicos e pensionistas, sugerindo que um partido de esquerda poderia apoiar tacitamente a manutenção deste governo é inaceitável.
    Para usar os dotes intelectuais de Aguiar-Branco meia dose de um sacana não o transforma numa excelente pessoa, meia dose de injustiça não promove a injustiça, meia dose de discriminação não se traduz em equidade. O problema deste governo não está na dose mas sim na sua natureza e o partido de esquerda que ajude a viabilizá-lo pode estar assinando a sua sentença de morte.
      
    A esquerda é muito mais do que meia dose de direita e pensar que um partido como o PS pode ser um PPD com alguns complexos sociais ou que pode muito simplesmente definir-se ideologicamente em função das conveniências momentâneas deste ou daquele clã é inaceitável. Os portugueses não podem ser sujeitos a mais medidas brutais só porque o Álvaro Beleza sonha ser ministro da Saúde, porque o sindicalista da treta se imagina à frente do Conselho Económico e Social ou porque um qualquer Junqueiro se sente com direito a mordomias da democracia.
      
    É lamentável que perante o governo mais à direita e mais destrutivo que o país teve haja quem no PS ganhe notoriedade graças a uma comunicação social de direita que nestes tempos promove todos os que possam ajudar Passos Coelho a manter-se no poder. Esperemos que não sejam os funcionários, os pensionistas e os trabalhadores a pagar a meia dose de leitão da Mealhada,, um meia-dose que poderia ser de grande utilidade para que a direita continue agarrada ao pote.
      

    Umas no cravo e outras na ferradura


      
     Jumento do dia
        
    Maria Luís

    Alguém devia dar um curso intensivo de democracia à ministra das Finanças. Como é que se pode chegar a um compromisso com gente golpista que desrespeita sistematicamente tudo e mais alguma coisa e que usa um governo que ainda não o é na sua plenitude para travar luta politico-partidária,

    «Para evitar que uma série de medidas orçamentais deixem de estar de pé no início de 2016,pelo facto de não haver novo Orçamento do Estado a 1 de Janeiro do próximo ano, o Governo aprovou nesta quinta-feira propostas legislativas para manter parte dos cortes salariais na função pública e para manter em vigor a sobretaxa de IRS.

    No entanto, os cortes serão mais baixos do que os aplicados este ano e a sobretaxa será mais baixa, tal como estava previsto no Programa de Estabilidade enviado pelo anterior executivo à Comissão Europeia em Abril deste ano.

    O Governo propõe que as reduções nos salários da função pública “sejam novamente revertidas em mais de 20%”, passando essa reversão a situar-se nos 40%, e que a sobretaxa baixe para 2,625%, anunciou a ministra das Finanças, em conferência de imprensa.» [Público]

     O problema é quando se cai em desgraça

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    Depois do que têm sucedido com Sócrates era de esperar que a nossa justiça afirmasse que tanto torce o pescoço a alguém da esquerda como é capaz de dar um beliscão a alguém da direita, Miguel Macedo caiu em desgraça e agora é o bombo da festa, como diriam os brasileiros é o boi da piranha, o animal atirado aos peixes para que a manada passe tranquilamente.

     Haja alguém só com boas notícias!

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     Há imagens que valem por mil palavras

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     Outro
       
    «É uma faceta da vida de Marcelo Rebelo de Sousa menos conhecida pela generalidade dos portugueses. Na conferência “Conversas com Deus”, uma iniciativa moderada por Maria João Avillez e patrocinada pela Renascença, o candidato presidencial falou da sua relação com a fé ao longo da vida – uma fé praticada para os outros e com os outros – e, entre outras revelações, disse rezar “o terço todos os dias”, sobretudo nos “sítios menos ortodoxos possíveis”.

    A metáfora do rally paper acompanhou, de resto, a conversa de Marcelo Rebelo de Sousa. “A vida cristã é uma espécie de rally paper onde se marca e perde pontos. Pecamos 10 vezes e temos três boas ações, é mais ou menos a minha média”, confessou o professor, antes de revelar que continua a fazer um balanço diário das suas ações e que chegou, inclusive, a atribuir classificações no final de cada dia. Mas foi obrigado a desistir. “Há dias catastróficos que correm muito mal”, acrescentou, entre risos.» [Observador]
       
    Parecer:

    Depois do Calvão é a vez do beato Marcelo vir evangelizar-nos. É um nojo estar a cobrar aos eleitores as suas opões religiosas ou as boas acções que faz a título de bilhete de entrada no paraíso.
       
    Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sugira-se a Marcelo que se deixe de evangelizações.»
      
     Fazer negócios enquanto se pode
       
    «Nove meses depois de ter arrancado, está quase concluído o processo de venda de 61% do capital da TAP ao consórcio Atlantic Gateway, que junta o empresário português Humberto Pedrosa e o norte-americano David Neeleman. Segundo as informações recolhidas pelo Expresso, o processo de venda está na reta final.

    Fontes próximas do processo confirmam estar a trabalhar "dia e noite" no sentido de ultimar o fecho da operação, mas não confirmam a data apontada pela Associação Peça a Palavra, que diz que "o Governo pretende concluir o negócio de venda da TAP na próxima quinta-feira, dia 5 de Novembro, pelas 12h". Contactado pelo Expresso, o ministério da Economia não confirma esta data. Também contactada, a Parpública não comenta.

    A confirmar-se, a assinatura do contrato final acontece ainda antes da apresentação do programa de governo, que acontece no início da próxima semana, e depois de os bancos credores da empresa já terem cedido à renegociação da dívida com os futuros acionistas, conforme noticiou o Expresso há duas semanas, aceitando prolongá-la por um período de sete anos (€646,7 milhões mais €120 milhões adicionais pedidos pelo consórcio para financiamento corrente).» [Expresso]
       
    Parecer:

    Foi para isto e não por questões de princípios ou de respeito pelo parlamento que Cavaco empossou Passos.
       
    Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Vomite-se.»

     Faltou um danoninho
       
    «O objectivo do movimento “Compromisso Democrático” era “unir o que está dividido”. Para tal, nesta quarta-feira ao final do dia, juntou cerca de mil pessoas para ensaiar um cordão humano que ligasse o Parlamento às sedes do PS, PSD e CDS. Uma hora depois, a imagem que se pretendia não tinha sido atingida, apesar de a organização garantir que se tinha ficado perto. “Ficou a faltar só um bocadinho”, gritava um dos elementos ao microfone quando os participantes regressavam já à fachada do Parlamento para os discursos de encerramento. O grupo dos balões rosa ficou à entrada do Largo do Rato, sede do PS. O cordão dos balões laranja chegou à Lapa, mas sem atingir a rua da sede do PSD. E os do balão azul nem perto ficaram de chegar ao Largo do Caldas.

    Ainda assim, em frente à Assembleia da República, não deixou de se falar em “momento histórico”. O porta-voz da iniciativa, Tomás Almeida, depois de apresentar o movimento como a “voz da sociedade civil”, afirmou que a manifestação era de quem não podia “aceitar o clima de insulto” entre os partidos e de quem acreditava num entendimento entre PSD, PS e CDS. “Ainda é tempo de compromisso, ainda é tempo de Portugal”. Antes, havia dito ao PÚBLICO que o que o movia era a premência de sair da “situação grave” em que o país mergulhara, e que “obrigava a que os portugueses se unissem”.» [Público]
       
    Parecer:

    Esta direita chega a ser divertida. Enquanto governaram com um poder ilimitado não se lembraram de balões nem de compromissos.
       
    Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se a merecidas gargalhada.»
      

    quinta-feira, novembro 05, 2015

    PPC (Processo Pafioso em Curso)

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    Desde o famoso discurso do general Vasco Gonçalves em Almada que o país não ouvia um discurso em que os preconceitos ideológicos se sobrepunham ás regras da democracia, a defesa da  NATO, da União Europeia, do Tratado de Estabilidade e até da União Bancária são valores que se sobrepõem aos da democracia e à Constituição. Quem não faz prova das suas crenças naqueles quatro tratados perder os seus direitos políticos e para eles a cidadania política é limitada. O discurso tem vindo a perder força à medida que se percebe que há muita esquerda para além dos ódios de Cavaco Silva e aquilo a que estamos assistindo é ao equivalente do PREC, é um PPC, por coincidência as siglas do guru que conseguiu unificar a direita, desde Manuela Ferreira Leite às Ilhas Selvagens,  e que quer dizer Processo Pafioso em Curso.
      
    Ontem diziam que iam adoptar medidas do programa do PS, até tinham mandado a comunicação social publicar que cediam no calendário da reposição dos vencimentos e da eliminação da sobretaxa. Agora dão o dito por não dito e mesmo sem poderes para o fazer e ainda antes de se conhecer o seu programa de governo, tentam forçar a maioria parlamentar a obedecer à austeridade extrema, mesmo  depois de acabarem estas duas semanas de paranóia governamental O mesmo Passos que dizer ser o que faltava governar com o programa do PS quer agora que uma maioria parlamentar governe condicionado pelo extremismo ideológico da minoria.
      
    O que tem a dizer o tal senhor de que dizem ser muito institucionalista, que é o vidente encarregado de ler os verdadeiros interesses nacionais nas cascas das conquilhas (vulgo cadelinhas) servidas no palácio e que quando o PS dispunha de maioria absoluta devolvia diplomas ao parlamento para que fossem aprovados por consensos alargados? É óbvio que para Cavaco entre um governo de esquerda e a instabilidade é preferível a segunda, vai ficar em silêncio. Só os ingénuos acreditam que Cavaco é alheio a esta manobra do governo fantoche.
      
    Como se explica que o governo se recuse a cumprir junto de Bruxelas com as suas obrigação em matéria de comunicação de dados orçamentais e agora, ainda antes de se saber se vai ser ele a elaborar o OE decide avançar com as mais importantes decisões orçamentais para 2016? A resposta é simples, a direita enveredou pelo golpismo e usa a possibilidade de formar um governo de faz de conta para lançar a instabilidade. O último argumento da direita é  Apocalipse e isso significa provocar a bancarrota.
      
    O Observado reparou que havia uma agência de notação que ainda não classifica a dívida portuguesa de lizo e é essa notação que tem permitido ao BCE intervir para que o país tenha acesso aos mercados. Os radicais daquele jornal lançado pelo Compromisso Portugal para ajudar a direita anda a lançar dúvidas sobre a reacção dos mercados desde que perceberam que a direita não tinha condições para governar, festejam cada subida das taxas de juro e agora apostam tudo na crise.
      
    Com a agência de notação a avisar que poderia descer a notação o governo teve a brilhante ideia de propor medidas de austeridade, a esperança é que um chumbo no paramento desencadeie a desconfiança nos mercados e mesmo uma descida na notação da dívida portuguesa. A direita aposta tudo na instabilidade e na bancarrota, Passos Coelho ainda sonha com o poder absoluto para poder governar sem limites e desrespeitando a Constituição.  Não é a primeira vez que por esse mundo fora a direita se transforma em golpista e faz uso da desestabilização económica para ter o poder.
     
    Passos Coelho e Cavaco Silva decidiram brincar com o fogo e fazem tudo para colocar o país à beira do precipício.
      

    Umas n o cravo e outras na ferradura


       
     Jumento do dia
        
    Álvaro Beleza

    O homem que foi a sombra translúcida de Seguro sempre defendeu que o acordo a esquerda devia ser discutido na comissão nacional, o órgão mais importante entre congressos e onde estão representadas todas as correntes políticas. Beleza sabe que o seu agendamento obriga a numerosas deslocações de todo o país e não faz sentido que se realize num domingo. Mas Beleza acha que em vez de se realizar uma reunião para ouvir o PS antes da eventual aprovação de uma moção de rejeição António Costa não devia fazê-lo para que se realizasse o importante almoço dos leitões e a esta decisão de Costa chama de tiques.

    Não faria mal haver um pouco mais de honestidade, já bastam as acusações que este e outros seguristas usaram no debate que antecedeu as directas do PS.

    «Álvaro Beleza confirmou esta quarta-feira que vai estar presente na reunião de sábado da Comissão Nacional do PS, que motivou o adiamento de um almoço entre vários socialistas na Mealhada, mas apontou o "nervosismo" da direção socialista.

    "A Comissão Nacional vem responder a um pedido que já tinha feito nas comissões políticas, mas [a direção do PS] revela velhos tiques de receio de debate interno e nervosismo", vincou Álvaro Beleza à agência Lusa.

    O socialista vai estar na Comissão Nacional por "sentido de dever e responsabilidade" mas lembra que a reunião foi marcada para um dia em que já se sabia publicamente que existiria um encontro entre socialistas na Mealhada promovido pelo eurodeputado e ex-líder parlamentar do PS Francisco Assis.» [Expresso]

     Cuidado com a língua

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    A esta hora o procurador e o inspector do fisco já estão a vasculhar todos os negócios realizados em Trás-os-Monte e daqui a umas semanas vão esquecer Vale de Lobos e o Lavajato para encontrarem provas consistentes algures por aquelas bandas.

     Não, não é o Mohammed Saeed Al-Sahhaf, mas podia ser

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    O faz de conta que e ministro dos Assuntos Parlamentares inspirou-se nas trapalhadas do governo de Santana Lopes, de que fez parte, e anda a concorrer em disparates com o seu colega da Administração Interna. Um quer ir às paradas da GNR, o outro marca reuniões com debates virtuais com  os grupos parlamentares.

     Alternativa a Costa mas não a Passos

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    Compreende-se a preferência da direita..
      
     Cavaco e os tratados

    Este Cavaco é mesmo um tratado, tão preocupado não vá o PCP desrespeitar os tratados e nada diz sobre o facto de o governo se recusar a enviar para Bruxelas os dados orçamentais. Ou estará à espera de ver o que dá a manobra da direita de fazer aprovar os cortes e a sobretaxa para 2016?

          
     Vão os semideputados deputar, enfim?
       
    «Temos tido, há muito, um grupo de deputados semiaproveitados. Não que alguém os obrigue. Eles próprios, comunistas e bloquistas, é que se trancaram na semirresponsabilidade. Aquele parlamento, para eles, não era bem o deles. Isto é, eles entravam lá como os outros deputados mas tinham um trauma de infância política: não tinham subido a escadaria de São Bento como quem toma o Palácio de Inverno. Na verdade, a quase totalidade dos semideputados (não digo todos porque pode sempre haver um tolinho) sabia que aquilo de 1917 já está fora do prazo há muito. Mas como também era o trauma que lhes dava alguma graça, deixavam-se estar... Então, o grupo de 20 ou 35 semideputados semideputava e mantinha reféns o quase milhão de portugueses que inocentemente pensava tê-los a deputar a tempo inteiro. Aconteceu, porém e entretanto, uma revolução a sério: porque os semideputados não queriam ser parte duma alternativa, o outro lado pôde desgovernar a toda a brida nos últimos anos. Com o 4 de outubro passado, e a direita outra vez à frente, embora sem maioria, a situação arriscava--se a repetir. O facto deu um sobressalto aos semideputados e pareceu que eles iam ser deputados. Vão? Se fossem materialistas como dizem, sim. O que tem de ser tem muita força. O problema é que com tanto ano a fazer de semi, fica-se menor. É capaz de haver quem de política só faça continhas: nas próximas eleições fica à frente o PC ou o Bloco?» [DN]
       
    Autor:

    Ferreira Fernandes.

          
     A última provocação de Passos
       
    «O Governo de Passos Coelho e Paulo Portas pode aprovar amanhã, em Conselho de Ministros, duas leis que prolongam por mais um ano duas medidas extraordinárias que estão em vigor, mas que, terminando no dia 31 de dezembro, podem pôr em risco as contas do próximo Orçamento, que só vai ser aprovado em fevereiro ou março de 2016 face ao atraso da formação do Governo.

    Em causa estão os cortes salariais da função pública e da sobretaxa de IRS, medidas que têm sido centrais para manter as contas públicas sob controlo (mais de mil milhões de euros num ano). Tudo seria normal, não fosse o facto de António Costa se estar a preparar para derrubar o Executivo e formar, ele próprio, um Governo com o apoio do PCP e Bloco – com quem está a negociar como vão ficar estas medidas.» [Observador]
       
    Parecer:

    Esta ficará para a história como o seu momento de ridículo, não envia as contas do OE para Bruxelas mas quer legislar como se fosse um governo em funções.
       
    Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»

       
       
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