sábado, dezembro 05, 2015

Justiça ou estímulo à procura?

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Ao longo dos anos o mercado de trabalho equilibrou as vantagens oferecidas pelas empresas privadas com as que resultavam do estatuto de funcionário público, o sector público pagava melhor a uns grupos profissionais e pior a outros, o sector público tinha um regulamento mais exigente, pagava menos à generalidade dos funcionários e oferecia maior estabilidade de emprego.
  
O governo de Sócrates iniciou um processo de igualização de direitos sem que tenha alterado de forma equivalente as obrigações, os funcionários públicos começaram a ser tratados como trabalhadores privados em matéria de direitos, mas no plano das obrigações mantinham-se as regras herdadas do salazarismo à excepção da inscrição na Legião Portuguesa. Quando a crise financeira estalou Sócrates tentou resolver o problema cortando 10% dos vencimentos dos funcionários públicos.
  
Com o governo de Passos Coelho foi o descalabro, inventaram um estudo que ninguém viu que dizia que os funcionários públicos ganhavam mais e que, ainda por cima, tinham emprego garantido enquanto os trabalhadores do sector privado eram despedidos. O corte de salários, o aumento das contribuições, a redução das férias e o aumento do horário de trabalho representou uma perda de valor na ordem dos 30% e a generalidade da sociedade portuguesa aceitou. A verdade é que há muitos anos os funcionários públicos são difamados pela generalidade da classe política do velho arco da governação. Desta vez o PSD foi longe demais, tratou os funcionários como despesa, sendo legítimo reduzir-lhes o rendimento enquanto isso fosse necessário para reduzir o défice.
  
A coligação da direita nunca teve a intenção de devolver os cortes e mesmo quando o Tribunal Constitucional mandou repor a justiça iniciou um projecto de tabele única de vencimentos cujo objectivo óbvio era mitigar os cortes e desobedecer ao tribunal.  Agora parece que todos esqueceram o que foi feito aos funcionários públicos, a reposição da justiça é apresentada como um aumento de rendimentos que vai beneficiar os funcionários e a diferença entre o PS e a direita não está na justiça mas sim em diferenças de oposição entre modelos de crescimento, a direita aposta na procura externa, o PS aposta na procura interna. Digamos que se o PS alinhar neste debate  está a promover os funcionários públicos de despesa a procura interna, quando foram deputados como o próprio Galamba que apelaram ao TC para repor a justiça e é a eles ue o país deve isso pois suas excelência esqueceu-se de cumprir e fazer cumprir a Constituição,.
  
Ainda ontem isto foi evidente no programa Expresso da Meia Noite que contou com a presença do deputado João Galamba. Falou-se muito da reposição de direitos como uma variável do quadro macroeconómico, esqueceu-se que o que está em causa é a obrigação de cumprir comum acórdão do TC e que os vencimentos não são estímulos à procura mas sim um direito a uma remuneração justa. Aliás, o PS tem cometido o erro de aceitar este debate, esquecendo que a direita também previa (ainda que para não cumprir) a reposição dos salários e pensões, bem como a eliminação da sobretaxa. A direita até prometeu durante a campanha eleitoral a devolução de parte da sobretaxa paga em 2015.
  
Isto é, aquilo de que a direita se demarca por ser um erro estimular a procura estava no seu programa e até se ia mais longe nas medidas de facilitação. Ninguém tem dúvidas que se o PS exigisse que em troca do seu apoio a direita adoptasse as medidas acordadas com os restantes partidos de esquerda Passos aceitava logo. 
  

Umas no cravo e outras na ferradura


  
 Jumento do dia
    
Fernando Pinto, empregado da Barraqueiro

Fernando Pinto esqueceu-se que agora é empregado da Barraqueiro e veio dizer em público que a TAP, uma conhecida empresa privada, já gastou metade do dinheiro que os compradores da empresa injectaram, tanto quanto se sabe por conta da venda de património que vai ser feita.

Apetece responder a este Chico esperto "o que é que nós temos que ver com isso? Quando gastares todo vai pedir-lhes mais porque é coisa a que estás habituado!". Até pode ser que os generosos investidores lhe dêem quinhentos milhões para enterrar noutro cancro empresarial brasileiro, talvez nessa ocasião alguém se lembre de atirar este senhor ao Tejo, pode ser que o Coelhone, tanto se gaba de ter inventado, se atire ao rio para o salvar.

Entretanto, alguém devia sugerir ao senhor que se calasse e que se quer andar armado em político que vá para o Brasil porque ninguém o contratou para deputado da oposição.

«O presidente executivo da TAP disse hoje que a eventual reversão da privatização é uma solução política que tem que ser encontrada, mas considera esse processo difícil e lembra que já gastou metade do dinheiro que entrou com a venda.

“Não sei como se reverte a privatização. Entraram 180 milhões de euros e eu já gastei metade”, respondeu hoje Fernando Pinto à pergunta das agências de viagens sobre como vê esta intenção da atual maioria parlamentar.

“Eu entendo a base política, mas uma coisa é a que se gostaria e outra é a que é possível. Ando há 15 anos a procurar alguém para investir na TAP (…). Tudo é possível, mas acho muito difícil. Estamos num caminho muito bom. Tem que se achar uma solução política para que todos fiquem satisfeitos”, considerou ainda o responsável.» [Observador]

 A geringonça em que está a oposição

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É a primeira vez que um parlamento tem um suposto derrotado no governo e um autodenominado vencedor na oposição, tudo por causa daquilo a que a direita acusa de aritmética, feitas as contas o vencedor tem menos deputados a apoiá-lo do que o derrotado. Mas a anormalidade desta ficção criada pela direita não se limita à aritmética, por incrível que pareça a oposição está unida por uma cordo supostamente feito para governar, enquanto o governo é apoiado por aquilo a que a direita chama papelitos, feitos no pressuposto de se oporem a um governo do dito vencedor.
 
Só mesmo com uma liderança bicéfala formada por Portas e Passos é que esta ficção faz sentido e a partir de agora temos uma oposição que não vota, que não reconhece o primeiro-ministro e que promoveu o desgraçado do Marcelo Rebelo de Sousa a D. Sebastião. A situação é ridícula e é bem capaz de não se fiar por aqui, não me admiraria se Cavaco Silve pedisse a Costa que lhe mandasse os processos para despacho por um estafeta, convocando Passos Coelho as quintas-feiras que lhe restam para despachar as decisões da maioria da oposição.
 
É óbvio que esta geringonça inventada por uma mente endiabradamente doente como a de Paulo Porta pode funcionar durante algum tempo, mas vai acabar por fartar, ninguém leva esta brincadeira a sério. Até porque sendo Marcelo Rebelo de Sousa um inventor de brincadeiras políticas esta estratégia acabará de contagiar a imagem do candidato presidencial da direita radical, ridicularizando-o, vai voltar á memória o famoso vídeo dos Gatos Fedorentos imitando Marcelo a balar do aborto ou mesmo do seu mergulho nos “aflitos” do Tejo quando era candidato autárquico.
 
Mais tarde ou mais cedo a direita pode ter uma surpresa nas sondagens e nessa hora a brincadeira vai acabar, os que não se sentem confortáveis liderados por Paulo portas vão exigir uma separação entre os partidos e na primeira oportunidade alguém vai recordar a Passos o óbvio, que perdeu as eleições e no PSD os derrotados costumam pedir a demissão, algo que ele não fez e para isso inventou esta palhaçada.
 
Nessa ocasião toda a estratégia vai desmoronar-se e os que hoje exigem a Costa que dê a palavra ao povo vão tornar-se em grandes defensores da estabilidade em nome dos superiores interesses do país. Portas não vai querer ir a votos e voltar a ser o partido do táxi, o PSD não aceitará uma coligação em que serão os seus votos a eleger os deputados do PSD. Nessa ocasião o PSD vai reparar que não tem qualquer acordo de coligação com o CDS e o Paulo Portas vai querer situar-se ao centro e ajudar o PS a manter-se até ao fim da legislatura.

 Outra vez o raio da aritmética

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 Quem passou a escrever os discursos de Passos Coelho

«Este Governo sucedeu ao anterior porque o PS, mesmo tendo perdido as eleições, se recusou a viabilizar um para poder liderar outro. Ao fazê-lo, fez uma escolha nada óbvia para os eleitores, admito que mesmo para muitos dos seus eleitores, e colocou-se na posição de favorecer uma soma de minorias que, para ser auto-suficiente, como esta tem a estrita obrigação de o ser, não pode esconder nem disfarçar as raízes anti-europeístas, para não dizer anti-economia social de mercado e de pendor monolítico, logo anti-pluralistas”.» [Grupo parlamentar do PSD]

Um dos dramas dos ex-primeiro-ministros é que ao abandonarem as funções deixam  de contar com os milhões do Estado e com a competência dos funcionários de topo de muitas direcões-gerais. Esse empobrecimento é visível no último discurso de Passos Coelho, até parece que o homem emburrou de um dia para o outro.

 Estes dinamarqueses estão a precisar de um Cavaco!

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Também anda a precisar de ser metidos na linha pelo homem de Boliqueime!

 Uma pergunta a Cavaco

Será que o seu gabinete que estava tão bem informado acerca do reembolso da sobretaxa também já está em condições de garantir o défice abaixo dos 2,7%?

 A anedota do dia
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Não sei se está a contar uma anedota ou a fazer uma palhaçada.

      
 A oposição já tem programa: abolir o hífen!
   
«Primeiro-ministro, a palavra, é o tabu da oposição. Um deputado do PSD que passe por um governante e diga "o amigo é o primeiro ministro que vejo hoje nos corredores", sublinharia logo: "Primeiro ministro sem hífen, atenção!" À direita, a palavra "primeiro-ministro" está tão banida como "bomba" em aeroporto americano. Esta semana, na discussão do programa do Governo, Passos Coelho disse: "Este Governo, assim como o seu chefe..." Kaput ao inominável cargo! Como Portas é só líder secundário da oposição, já pode ser menos radical: "Senhor primeiro-ministro, vírgula, mas senhor primeiro-ministro que o povo não escolheu." E Telmo Correia, ainda mais secundário, também pode dizer o palavrão, já que lhe acrescenta a irrisão: "Primeiro-ministro não eleito." Primeiro-ministro sozinho é que não, é pecado capital, quem o disser denuncia-se como assinante do Avante. Entre a gente bem, dizer "primeiro-ministro" é como dar dois beijinhos na face, sei lá... Um anátema não se explica, diz-se pela boca fora. Telmo Correia - tão contra primeiros-ministros que não são eleitos como tal! -, quando foi ministro (do Turismo), foi com Santana Lopes que, substituindo Durão, saiu da Câmara de Lisboa para ocupar o cargo de primei..., perdão, coiso. E que dizer da semana passada, quando Cavaco empossou o Governo? Vocês julgam ter visto Passos cumprimentar o novo primeiro-ministro, mas não. Dizia-lhe: "Que faz aqui no bairro, António, veio aos pastéis?"» [DN]
   
Autor:

Ferreira Fernandes.

 Dias bonitos
   
«"Está um lindo dia", diz a voz de homem. É de manhã e ele tem à frente mais de uma centena de funcionários da empresa que dirige. Estão ali para ser esclarecidos sobre o destino da dita. Porém, antes de começar um discurso de quase duas horas, o homem põe uma condição: só pode ficar quem garantir que confia nele: "Quem não confia pode ir já embora."

Ninguém sai, aparentemente. E o homem prossegue, certificando ser um bom negociador, o que, explica, quer dizer "ser mais mafioso que os mafiosos." Os mafiosos, sabe-se de livros e filmes, fazem ofertas "irrecusáveis". As aspas em "irrecusável" advêm da essência do ser mafioso: a ameaça e a coação. Crimes, portanto. A dada altura, o homem diz àquelas pessoas que vão na sua maioria ser despedidas e têm de assinar um papel em que prescindem do pré-aviso. É que o pré-aviso, aduz, implica pagar mais um mês de salários, e esse dinheiro não existe. Devem pois acreditar nele e prescindir disso: será a única forma de os despedidos poderem receber as indemnizações, as quais só serão pagas se os que ficam se dispuserem a trabalhar num projeto que ainda não sabem qual é. Há pessoas, poucas, que timidamente questionam. Quantos vão ser os "dispensados"? "Dois terços." É possível não assinarem nada já? "Não, todos têm de assinar, ou acaba tudo aqui". No fim, o homem pede palmas para os acionistas que investiram no projeto e saíram "para não perderem mais dinheiro". Palmas há. E depois, quando ele diz que "vai descansar um bocado", há mais. Palmas.

Sabemos isto porque o homem mandou gravar o plenário - di-lo no início da conversa - para, supostamente, as pessoas poderem "levar para casa e ouvir". A seguir, a gravação foi colocada no site da empresa. Não sabemos se foi pedida aos trabalhadores autorização para tal; não se percebe qual o objetivo. Quiçá o homem tem orgulho no que fez; deve tê-lo, porque, como refere várias vezes, a mulher e filhos estão ali, a assistir.

Isto, que parece mentira, não se passou numa empresa têxtil, nem no Bangladesh. Passou-se numa redação em Portugal. A do Sol e i, jornais que vão fechar este mês. Quem ali estava eram, portanto, jornalistas. E o homem, que se chama Mário Ramires, já foi jornalista também. Jornalistas - esses profissionais dos quais se exige que saibam duvidar, perguntar, sindicar todos os poderes, resistir a pressões, ser independentes, pugnar pelo bem público e pelos direitos das pessoas e só se guiarem pelo seu código deontológico e a sua consciência. Heróis de fábula, em suma - ou que pelo menos façam por distinguir o certo do errado, o legal do ilegal, não aceitando a primeira patranha. Ocorreu isto na mesma semana em que a TV do Correio da Manhã passou imagens dos interrogatórios do ex ministro Miguel Macedo e do ex diretor do SEF Manuel Palos. Como se fosse a coisa mais normal do mundo. E se calhar é, num mundo em que estas coisas acontecem e tanta gente - a começar pelos jornalistas - parece achar normal.» [DN]
   
Autor:

Fernanda Câncio.

      
 Cofres cheios
   
«O Governo da coligação PSD/CDS gastou em novembro 278,3 milhões de euros da almofada financeira de 945,4 milhões de euros prevista no Orçamento do Estado de 2015, segundo o relatório da execução orçamental da Unidade Técnica de Apoio Orçamental (UTAO) que apoia o Parlamento. Com a redução de um terço do montante, a meta do défice está comprometida.

A almofada financeira corresponde ao montante que os Governos incluem nos orçamentos de cada ano (dotação orçamental e a reserva orçamental) para cobrir eventuais despesas excecionais ou não previstas.

De acordo com a equipa da UTAO, em novembro foram retirados da dotação provisional 278,3 milhões de euros, essencialmente para despesas com pessoal dos Ministérios da Educação e Justiça, não sendo prestada informação sobre a evolução da reserva orçamental. Até ao fim de outubro, o anterior Governo utilizara 351,5 milhões de euros: 194 milhões da dotação provisional e 157,5 milhões da reserva orçamental.

Com a informação disponível até ao momento, a UTAO conclui que até novembro foram gastos 629,8 milhões das duas componentes da almofada financeira, o equivalente a dois terços dos 945,4 milhões inicialmente inscritos no OE2015.

DÉFICE PÚBLICO NOS 3,7%
Quando ao défice público, a UTAO estima que tenha ficado nos 3,7% do Produto Interno Bruto (PIB), no fim de setembro, um valor acima da meta do anterior Governo para a totalidade do ano. Este é o valor central da estimativa da UTAO que aponta para um défice no intervalo entre 3,4% e 4% do PIB que, corrigido de medidas extraordinárias poderá redzuir-se para 3,5%.» [Expresso]
   
Parecer:

Ainda falta um mês até ao fim do ano pelo que a um ritmo de uma por semana ainda vamos ter mais quatro surpresas antes de entrarmos em 2016. Começa a perceber-se o desespero de se manter no poder e a tentativa de golpe de Cavaco.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Espere-se pelo fim do ano.»
  
 A barca dos aflitos
   
«PSD e CDS-PP vão reunir, no mesmo dia, os respetivos Conselhos Nacionais para decidir qual o candidato a apoiar nas presidenciais do próximo ano.

Segundo avança o jornal Público, será Marcelo Rebelo de Sousa o escolhido pelos dois partidos na próxima quinta-feira, dia 10.

A escolha é evidente sendo este o único candidato de centro-direita que assumiu uma candidatura até ao momento, depois de Rui Rio e de Santana optarem por não avançar.» [Notícias ao Minuto]
   
Parecer:

Deu-lhes a pressa...
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se a merecida gargalhada.»

 Õ fim da impunidade, dizia ela
   
«Ex-secretário-geral do Ministério da Defesa contou aos investigadores do processo dos submarinos, já definitivamente arquivado, ter recebido instruções de Portas para que fosse feito um acordo com o consórcio que o BES integrava. Disse ainda ter tido um único encontro com Portas depois de sair do Ministério da Defesa: o ex-ministro estava interessado em saber que documentos tinham os investigadores levado da casa do ex-secretário-geral durante as buscas

Bernardo Carnall, ex-secretário-geral do Ministério da Defesa, foi chamado a testemunhar no processo dos submarinos a 7 de Maio de 2013 e prestou aquele que seria um dos depoimentos mais comprometedores do inquérito que investigou suspeitas de corrupção na aquisição de dois submarinos pelo Estado português, em 2004.Carnall tinha como funções gerir o orçamento e intervir no concurso para aquisição dos submergíveis. Chamado a explicar o processo de decisão, implicou Paulo Portas, à data ministro da Defesa, e também Amílcar Morais Pires e Ricardo Salgado, enquanto representantes do Banco Espírito Santo (BES) no negócio.

Como era necessário financiamento bancário, foram convidadas várias instituições financeiras. No final do terceiro trimestre de 2013, a equipa entendeu que as melhores propostas vinham do Deutsche Bank e do consórcio CSFB/BESI. Na proposta inicial, o segundo consórcio apresentava um spread de 19,6 pontos base e o Deutsche Bank um de 26. À partida, o primeiro oferecia o preço mais baixo e, por essa razão, num sábado ou domingo de manhã, Paulo Portas transmitiu a decisão de optar por aquele consórcio. Só que mais tarde, Bernardo Carnall terá percebido que algumas cláusulas previstas nos anexos aumentava o risco de os custos futuros virem a ser, afinal, bastante mais altos do que a proposta do Deutsche Bank.» [Visão]
   
Parecer:

Este é o processo mais duvidoso da história recente do MP.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Reabra-se o processo.»

 Pobre João Duque
   
«Dados divulgados pela UTAO (Unidade Técnica de Apoio Orçamental) revelaram que o anterior governo gastou 30% da almofada financeira num mês, deixando pouca margem de manobra para o Executivo de Costa até ao final do ano.

Na ótica de João Duque, pode haver uma explicação para os dados divulgados. O economista levanta a hipótese de o Governo de Passos ter antecipado uma série de pagamentos para que a meta dos 3% do défice fosse cumprida.

No entanto, se esse não for o caso, a meta imposta a Passos não será alcançável. “É possível que os governos que cessam funções tivessem [contas] penduradas. Este dispêndio grande concentrado no final do mandato do governo anterior pode ser um conjunto de situações destas”, diz João Duque, na antenda da Rádio Renascença.» [Notícias ao Minuto]
   
Parecer:

O João Duque dá tantas cambalhotas para defender o seu governo que se arrisca a ficar com bicos de papagaio.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se a merecida gargalhada.»

   
   
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sexta-feira, dezembro 04, 2015

O Derrotado

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O Passos Coelho que o país viu ontem não foi o líder que venceu, o país viu um derrotado que falou como tal e que sentado mal conseguia fazer um sorriso, estava acabrunhado. O seu discurso não foi o de alguém que mostrava força e vontade de vencer, foi o discurso de um candidato a D. Sebastião, alguém que sabe ter perdido a última batalha, que morreu nessa mesma batalha, mas como não o enterraram é um morto vivo errante que acredita no regresso ao poder.
  
Passos Coelho já não pediu eleições antecipadas, depois da trafulhice da sobretaxa, dos dados que aponta para a estagnação económica e da percepção de que o défice pode ser superior a 3% só um doido quereria eleições antecipadas. Isso até Cavaco Silva já tinha concluído, por isso mesmo empossou António Costa mas fê-lo o mais tarde possível na esperança de prejudicar  país e assim favorecer a direita.
  
Passos Coelho agora é o D. Sebastião de São Bento, não está lá para pedir eleições antecipadas, para discutir as medidas do governo, ele está no parlamento ara que no dia em que o governo precisar dele para salvar o país ter de se demitir em troca da mudança de posição da direita. Passos Coelho justifica esta exigência com a aliança à esquerda decidida pelo PS, mas a verdade é que em circunstâncias idênticas Passos exigiu a demissão do governo do PS quando foi pedido o resgate com o apoio do PSD e do CDS.
  
Passos não está no parlamento para defender o melhor para o país, está lá na esperança de poder beneficiar de uma desgraça que aconteça ao país. Passos é um candidato vazio sem um projecto político que viabilize uma vitória eleitoral, é por isso que aposta na desgraça e pela primeira vez o país tem um líder da oposição a desejar uma bancarrota para poder ser primeiro-ministro.
  
O que dirão os militantes do PSD que perderam os seus lugares de conforto quando o seu partido perdeu as eleições autárquicas por causa do extremismo de Passos Coelho? O que dirão os deputados do PSD que só o foram durante dois meses, até ao regresso da tralha governamental, e que estavam convencidos de que com Passos tinham subido na sua carreira política? O que dirão as centenas de boys que por esse país fora vão perder os seus pequenos tachos? O que dirão os dirigentes de instituições públicas que perderão bons cargos de administração?
  
Irão perdoar a um Passos que tudo fez para empobrecer os trabalhadores e pensionistas e que na hora de se manter no poder já inventava medidas facilitadores que recuavam nestas famosas reformas? Dirão que hoje caíram em desgraça por causa d extremismo ideológico de Passos Coelho e na sua toxicodependência em relação a esse activo tóxico do PSD que é Paulo Portas.
  
Passos não se apresentou como um candidato consistente a primeiro-ministro, não é alguém que chegou à liderança do PSD e acredita na vitória, é uma alma penada que sabe que mais tarde ou mais cedo vai ser exorcizado pelas suas vítimas, de nada lhe servindo espera que um segundo resgate seja o nevoeiro para que reapareça como um D. Sebastião. Até pode ser que seja um D. Sebastião, mas não vai deixar de ser uma alma penada a andar por aí, juntando-se a outros Sebastiões que por cá passaram. Passos sabe que deixou o país armadilhado e conta com a desgraça para voltar a poder aplicar a sua pinochetada económica, mas ignora que os portugueses são menos parvos do que ele os faz.
  

Umas no cravo e outras na ferradura


  
 Jumento do dia
    
Jorge Silva Carvalho, espião fraco

O mais preocupante neste velho amigo de Passos Coelho não é a forma como mete a boca no trombone, o mais preocupante é sabermos que este foi o homem que mandou na secreta e nada nos garante que por aqueles bandas ele não tenha feito escola. É assustador que os serviços de informação sejam liderados por gente deste calibre.

«Jorge Silva Carvalho, ex-diretor do SIED, revelou esta quinta-feira em tribunal que Paulo Santos, antigo quadro da Ongoing, era um espião pago. E contou também que lhe pediu informações sobre os dois cidadãos russos que negociavam com a empresa a compra de um porto marítimo grego: “Pedi para fazer a pesquisa porque uma fonte minha me pediu. Teve remunerações e contrapartidas. Tinha nome de classificação Panda”.

No decorrer da sessão, no Campus da Justiça, em Lisboa, o ex-chefe dos espiões avançou também que Paulo Santos era uma fonte que já trabalhava com os serviços secretos portugueses há “algum tempo”. “Ele era importante, não tanto pela informação que carregava, mas pelo acesso que tinha”, acrescentou o principal arguido do caso das secretas.

Mas Silva Carvalho garante que, à data, “não tinha nenhuma ligação contratual com a Ongoing”. O ex-secretário geral do SIED disse que só ficou a saber dessa relação entre Paulo Santos e a empresa em fevereiro de 2011. Mas à data em que Paulo Santos lhe pediu as informações sobre os cidadãos russos, Silva Carvalho já estava a negociar a sua entrada na Ongoing, trocando o serviço público pelo privado. O ex-espião disse ainda que desconhecia que a Ongoing estava a negociar a compra daquele porto “estratégico”.» [Observador]

      
 Enfim, BE e PCP descobrem-se "burgueses"
   
«Como a simplicidade pelos olhos dentro, a famosa prova do algodão, ficou ontem óbvio, de vez, o princípio que faz uns governarem e outros não: a famosa prova da aritmética. Com uns, dá maioria, com outros, não... Podemos passar a outros assuntos, ok? Falemos, então, de outro assunto que ontem também ficou arrumado: o regresso do filho pródigo, aliás, dois. A Assembleia da República é a casa da democracia. A casa de todos. Como líder partidário, António Costa só tem um mérito firmado até agora (e grande): ele declarou ainda antes da campanha eleitoral que nenhum partido tem peste. Por ter deixado essa porta aberta a todos, Costa, depois dos votos, recolheu uma maioria. Seja dito, a direita (CDS e PSD) e o PS sempre defenderam que o governo de Portugal era para ser feito pela vontade saída do Parlamento. E eles estavam certos. Porém, dois partidos alheavam-se, por tradição, da responsabilidade total. Estavam na AR mas com um pé, uma vontade e muitos discursos de fora. Para o BE e o PCP, o Parlamento era um mero patamar porque era "burguês". Em toca e foge, aprovavam uma ou outra lei, mas nunca um governo. Com o apoio a este governo PS, aconteceu agora uma revolução. Ontem, Catarina Martins explicitou-a: "O BE reconhece que que este programa foi feito com base no que discutimos e que assenta sobre pontos essenciais." Isto é, este é o governo de PS, BE e PCP. Amanhã, outras variantes. Já podemos contar, para tudo, com todos.» [DN]
   
Autor:

Ferreira Fernandes.

     
 O que diz a isto ti Silva?
   
«Portugal é um dos membros e parceiros da NATO com risco elevado de corrupção no setor da defesa, apresentando um dos piores níveis na área operacional, revela um estudo da Transparência Internacional, hoje divulgado.

Segundo o índice governamental elaborado pelo Programa de Defesa e Segurança da Transparência Internacional (TI-DSP) nos países membros e parceiros da Aliança Atlântica, Portugal revela elevados riscos de integridade, a par da Arménia e Ucrânia.» [DN]
   
Parecer:

Andaram por aí uns governantes duvidosos...
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»
  
 O grande arquitecto da imprensa foi promovido
   
«O administrador da Newshold e antigo jornalista do Expresso e do "Sol" Mário Ramires vai assumir a direção editorial do semanário "Sol" e do diário "i" na nova fase dos dois projetos, agora fora da esfera do grupo de capital angolano Newshold.

A nova estrutura redatorial dos dois títulos terá ainda os jornalistas Ana Paula Azevedo e José Cabrita Saraiva, como subdiretores do "Sol", e Vítor Rainho e Ana Sá Lopes, como subdiretores do "i".

De saída da direção do "Sol" estão, assim, dois dos fundadores do projeto, José António Saraiva e José António Lima, que transitarão, no entanto, para a nova empresa que substituirá a Newshold, com os cargos de conselheiros editoriais. Ambos os jornalistas manterão também os seus espaços de opinião no "Sol".» [Expresso]
   
Parecer:

Anda, anda a ainda vai fazer um estágio do IEFP.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»

   
   
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quinta-feira, dezembro 03, 2015

Gente fina

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Imaginem que um ex-secretário de Estado de um governo do PS saísse do governo e no dia seguinte estivesse como consultor (será que é só mesmo consultor?) num escritório de advogados.

Imaginem que o Sampaio da Nóvoa tivesse feito férias com o Ricardo Salgado, que tivesse jantado em casa dele para escolher candidatos presidenciais, que a sua esposa fosse administradora do BES e muitas outras coisas indecentes que um qualquer cidadão pode fazer.
  
Imaginem que um governante do PS saísse do governo e no dia seguinte estivesse a ganhar 30 mil no Banco de Portugal e que de manhã criticava o governo enquanto à tarde falasse da venda do Novo Banco como se fosse uma taberna dele que ia ser vendida.
  
Não é difícil de adivinhar o que sucederia, o Presidente apelava a manifestações, o MP aria processos, a extrema-esquerda fazia investigações privadas e entregava dossiers aos procuradores, o inspector do fisco de Braga fazia o rastreio de todos os negócios de amigos, familiares, vizinhos e amantes na esperança de encontrar alguma pista convertível em notícias d Correio da Manhã.
  
A alcateia de comentadores da nossa comunicação social, desde o Paulo Ferreira ao José Manuel Fernandes, atirava-se a gente tão oportunista.
  
Mas como é gente da direita e o pessoal da direita é bonito e bem cheiroso tudo isto passa por normal, um é fino porque anda de palacete em palacete onde os ricos apreciam o seu brilhantismo intelectual, outro e uma sumidade das privatizações ainda que conte com uma modesta licenciatura, o outro é um mago da fiscalidade que esteve à beira de reembolsar a totalidade da sobretaxa. Enfim, gente fina é outra coisa.


Umas no cravo e outras na direita


  
 Jumento do dia
    
Paulo Núncio, ex-Núncio Fiscoólico do CDS junto da AT

Não admira que alguém que durante quatro anos designou as chefias da máquina fiscal se torne num homem precioso para as grandes centrais de gestão de influências que são alguns escritórios de advogados. A "promoção" de Núncio, agora com um estatuto melhorado num escritório da praça, não é motivo de surpresa, até porque um dos homens fortes desse escritório é Lobo Xavier, o homem que o mesmo Núncio escolheu para a reforma do IRC.

o escritório do Morais Leitão soma e segue, um dia destes manda mais na máquina do Estado do que qualquer governo. Ficamos a saber que:

i) Dela saiu o presidente da comissão de reforma do IRC (Lobo Xavier);
ii) Designou uma representante para a comissão de reforma do IRS (acho delicioso que a notícia diga: "Na comissão de reforma do IRS, a Morais Leitão também esteve presente através de uma das peritas convidadas pelo ex-secretário de Estado".);
iii) O Secretário de Estado dos Assuntos Fiscais foi seu colaborador; 
iii) Passa a contar agora, a tempo inteiro, com um ex Secretário de Estado dos Assuntos Fiscais.

A mudança de escritório foi tão rápida que apetece perguntar há quantos dias, há quantos meses ou há quantos anos estava o negócio combinado. Aqui ficam os parabéns mas para o .... Lobo Xavier.

«Paulo Núncio, ex-secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, vai trabalhar como consultor na sociedade de advogados Morais Leitão, Galvão Teles, Soares da Silva & Associados (MLGTS). Fonte oficial daquele escritório de advocacia confirmou ao Negócios que o antigo governante deverá voltar a exercer a sua anterior profissão a partir de Janeiro.

O ex-secretário de Estado irá integrar a equipa de Direito Fiscal da MLGTS em Lisboa, cuja coordenação está a cargo do fiscalista Francisco de Sousa da Câmara. O outro sócio coordenador daquela firma, no escritório do Porto, é o também fiscalista António Lobo Xavier.

Trata-se de um regresso à Morais Leitão, onde Paulo Núncio trabalhou até 2007, antes de ingressar como sócio no departamento de Direito Fiscal da sociedade de advogados ibérica Garrigues, de onde saiu, em 2011, para entrar no Governo de coligação entre o PSD e o CDS-PP.» [Jornal de Negócios]

 Ainda existe?

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A dificuldade da direita em digerir um governo legitimado com uma maioria parlamentar é tão grande que até o Expresso do mano do António Costa ainda se refere ao governo da legislatura anterior como se ele ainda existisse.

 Uns espumam, outros metem nojo

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 Curiosidade

Nestes três dias rês personalidades falaram sobre a economia portuguesa, Pires de Lima, a santinha da Horta Seca que cada vez que fala só diz banalidades, Sérgio Monteiro, um ex-funcionário bancário com modestos recursos académicos que é agora o empregado mais bem pago do banco de Portugal, e Joseph E. Stiglitz, Prémio Nobel da Economia.

Façam um pequeno exercício e verifiquem qual o que teve menos destaque na comunicação social portuguesa.

      
 Lá se vai a grande preocupação com a classe média
   
«Os partidos da maioria no Parlamento já têm sobre a mesa uma solução que reúne consenso relativamente à redução da sobretaxa de IRS em 2016, confirmou o Negócios junto de fonte parlamentar. O objectivo é que contribuintes com rendimentos mais baixos deixem, pura e simplesmente de pagar. Quantos aos outros, a sobretaxa será progressiva, isto é, aplicar-se-á uma taxa diferente a diferentes níveis de rendimentos, que será mais elevada à medida que também os rendimentos forem mais elevados.

Falta agora definir de que forma isto será aplicado. Por um lado, até que níveis de rendimento haverá isenção e, daí para a frente, quais serão os escalões de rendimentos e que taxa se aplicará a cada um deles. "Este trabalho técnico está ainda a ser preparado", explicou a mesma fonte, sendo que a ideia é que o diploma final volte ao plenário da Assembleia da República para ser votado antes de se iniciarem as férias do Natal, a 18 de Dezembro.» [Jornal de Negócios]
   
Parecer:

Pois, está visto que a classe média vai ter de continuar com a sobretaxa, a direita lixou todos menos os ricos, a esquerda lixa todos menos os pobres, o denominador comum dos lixados é a classe média!
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»
  
 STE no seu melhor
   
«A Frente Sindical de seis organizações liderada pelo Sindicato dos Quadros Técnicos do Estado (STE) defendeu esta quarta-feira, em conferência de imprensa, a anulação total dos cortes salariais em Janeiro de 2016. Helena Rodrigues defendeu, além disso, que estas questões têm de ser negociadas directamente com o Governo, e não no Parlamento, onde já deu entrada uma proposta com uma solução distinta.

"O STE e as associações sindicais que nos acompanham propõem que seja reposta desde Janeiro de 2016 a totalidade da remuneração de 2010. As nossas reivindicativas anteriores, do ano passado, propunham a reposição por fases. Não aconteceu, nós consideramos que já são muitos anos a ter corte salarial", justificou Helena Rodrigues, em conferência de imprensa.» [Jornal de Negócios]
   
Parecer:

Diga-se para o caso de não se saber que o STE é um sindicato fortemente dominado pelo PS e pelo PSD.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»

   
   
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