sábado, janeiro 23, 2016

Tábua de candidatos, é só provar e escolher!

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Edgar Silva

O candidato com o selo de qualidade emitido pelo PCP parece um híbrido entre o Alberto João, o padre Milícia e Jerónimo de Sousa. Ao Alberto João foi buscar o ar descontraído como diz alarvidades, do padre Melícias tem aquela voz beatificada, o penteado, os óculos e a entoação de voz típica de quem as treinou para homilias, rezas e sermões. A Jerónimo de Sousa foi buscar o discurso tão rotineiro que mais parece uma oração, qualquer crente do partido seria capaz de o dizer com a mesma certeza e rigor de quem reza um terço.

Começou mal ao tropeçar no Paralelo 38 na Península da Coreia durante o debate com Marisa Matias, passado esse sobressalto prosseguiu a campanha dizendo mais ou menos o mesmo em todas as suas intervenções. Como Padre substituiu as rezas do terço pela cassete do partido e transformou a campanha numa peregrinação intervalada de comícios transformados em missas.
  
Maria de Belém

Lançou a candidatura com o objectivo de incomodar António Costa e acabou por parecer mais a candidata do PàF do que Marcelo. Enquanto o candidato da direita fez uma candidatura de apoio a António Costa e afirmou-se como da esquerda da direita, Maria de Belém começou por querer ser a direita da esquerda e optou por fazer uma campanha de afirmação religiosa, optando pelos mercados da economia social, isto é, pelos corredores da Santa Casa, onde velhinhos disciplinados a encheram de beijinhos para a fotografia.
  
Perdeu os debates e deu uma imagem de si que nada tem que ver com a pessoa fágil e frontal que parecia, acabando por se enredar no caso das subvenções a políticos. Convencida de que ninguém iria saber do seu papel no processo respondeu aos jornalistas com uma linguagem típica de quem discorda das decisões do tribunal Constitucional. Afinal era defensora das subvenções e acabou a dizer que não abdicava dos seus direitos. Não abdicou dos seus direitos mas acabou por abdicar de qualquer esperança eleitoral, afundando-se nas sondagens. Se começou com as sondagens a colocá-la à frente de Sampaio da Nóvoa e acaba a campanha deixando no ar a dúvida de saber se fica á frente ou atrás do outro candidato guterrista, o Tino de Rãs.
 
Marcelo rebelo de Sousa

Talvez influenciado por El Niño o cata-vento da direita manteve-se virado sempre para o mesmo lado por influência dos ventos da esquerda, desprezou os pafiosos que o apoiaram fugindo deles como da sarna e enquanto a Maria de Belém sujeitou-çse a uma constante beijoqueira de idosos que depois perguntavam no lar quem era aquela senhora da permanente, nesta campanha foi António Cosa que durante duas semanas foi vítima da beijoquice de  Marcelo.~

O único lado positivo de uma eleição de Marcelo é que mais tarde ou mais cedo o país livrar-se-á dessa fioloxera formada por gente como o Passos, a Maria Luís ou o Morgado, só que depois será António Costa a acusá-lo de ser cata-vento pois será uma questão de tempo até que Marcelo repare que, afinal, a esquerda da direita não deixa de ser direita.

Marisa Matias

Marisa Matias arrisca-se a ter muitos mais votos do que tiveram os seus antecessores nas candidaturas presidenciais do BE, designadamente, Francisco Louçã, provando de forma definitiva que o BE é um partido de mulheres e que a pior fase deste partido foi quando despareceu a primeira geração de mulheres, onde estavam Ana Drago e Joana Amaral Dias, dando lugar ao Fazenda e ao Louçã.

Sampaio da Nóvoa

Sampaio da Nóvoa dedicou a campanha a anunciar aí que vinha um tempo novo. E o que é o tempo novo? é o governo de mairoia de esquerda e a reversão das medidas, isto é, o tempo novo é o tempo anterior ao governo de Passos Coelho, descontados os prejuízos resultantes da destruição provocada pelas suas medidas e a austeridade que persiste para todos os ricaços que ganhem dois mil euros líquidos ou mais.
  

Umas no cravo e outras na ferradura


  
 Jumento do dia
    
Marques Mendes

A notícia de que Marques Mendes andou a meter cunhas nos Vistos Gold e na atribuição da nacionalidades a familiares de amigos não e novidade nenhuma, não só a gestão de influências é uma prática praticada por dezenas de ex-políticos e ex-governantes, com  alguns a serem campeões nesse negócio altamente rentável, como há muito que se sabia nos bastidores que o conselheiro de Estado de Cavaco Silva tinha sido apanhado nas escutas.
 
Há muito que essa informação tinha chegado aos quatro cantos do país, incluindo a este modesto palheiro, e por isso mesmo algumas vezes se questionou porque motivo havia acusações resultantes de escutas e apenas os arguidos eram acusados de corrupção passiva, ficando escondidos os outros interlocutores das conversas telefónicas.

Começa a se evidente que os Vistos Gold se estavam transformando num pequeno negócio em que muitos especialistas na gestão de influências estavam metidos. No caso de Marques Mendes a mistura é explosiva, o antigo dirigente do PS era ao mesmo tempo Conselheiro de Estado, comentador político, porta-voz oficioso de Passos Coelho, sócio de empresas manhosas e gestor de amizades com gente endinheirada. Enfim, funções em excesso para alguém tão "pequeno".


«Pouco depois de rebentar o escândalo dos vistos gold, em Novembro de 2014, o nome do então conselheiro de Estado Marques Mendes apareceu associado a vários dos arguidos presos na Operação Labirinto. Primeiro, por ter sido sócio de alguns deles numa empresa igualmente implicada no caso dos vistos dourados, a JMF – Projects & Business. A seguir, por ter pedido favores ao principal arguido, o presidente do Instituto dos Registos e Notariado (IRN), António Figueiredo, em processos de atribuição de nacionalidade portuguesa a cidadãos estrangeiros. O antigo líder do PSD negou tudo: disse que a empresa em causa não tinha actividade há vários anos e ainda que, nos casos de atribuição de nacionalidade, se tinha limitado a solicitar informações sobre o andamento de dois processos, e nada mais.

Porém, o conteúdo das escutas em que Marques Mendes foi apanhado – por António Figueiredo estar a ser vigiado pela Polícia Judiciária – mostra que o comentador televisivo foi mais longe: intercedeu pela atribuição da nacionalidade portuguesa a duas cidadãs estrangeiras, tendo-se disponibilizado, num dos casos, para falar sobre a questão com o ministro da Economia, António Pires de Lima. Também aproveitou para resolver um problema que a sua filha tinha com o cartão de cidadão, ultrapassando os procedimentos burocráticos a que a grande maioria dos portugueses tem de se sujeitar. Por outro lado, a isenção do pagamento de 1,8 milhões de euros de IVA por uma empresa a que estava ligado outro arguido do processo, Jaime Gomes, amigo do então ministro da Administração Interna Miguel Macedo, num negócio relacionado com o tratamento, em hospitais portugueses, de doentes líbios, contou igualmente com algum envolvimento por parte de Marques Mendes. Detido em Novembro de 2014, juntamente com outros arguidos, Jaime Gomes foi sócio do social-democrata numa segunda firma, de fraldas descartáveis.

A 26 de Agosto de 2014, Marques Mendes diz ao presidente do IRN que gostava de lhe enviar um “emailzinho” sobre um casal que conheceu em Moçambique, para ele “conseguir ver como é que se podia” resolver o problema. Salimo Abdula é “um tipo de grande prestígio, talvez o maior empresário de Moçambique”, e ainda por cima presidente da Confederação Empresarial da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, que tem sede em Lisboa. Mas nem estas qualidades todas, nem a sua “fortíssima ligação a Portugal”, país em que o filho “está a estudar” e onde possui “negócios, casa e contas bancárias”, granjearam, até àquele momento, à mulher, que tem “descendência de portugueses”, a almejada nacionalidade. O comentador televisivo explica como Assunção Abdula juntou ao processo declarações de Américo Amorim e do grupo Visabeira, com quem o casal tem negócios em Moçambique. Mas nem assim. “Podemos eventualmente ir pela via da discricionariedade”, equaciona António Figueiredo. “Pois. Claro, claro”, responde-lhe Marques Mendes, recordando-se de que o IRN pediu à requerente uma declaração do Ministério da Economia. “Se for preciso eu falo com o António Pires de Lima”, disponibiliza-se o antigo líder do PSD.» [Público]

 António Costa

Tem graça ver o candidato do PàF às presidenciais desdobrar-se em manifestações e promessas de ajuda àquele que a direita acusou de tentar sobreviver. Isto é, a direita tenta agora sobreviver com a ajuda de António Costa.

      
 Os lorpas da terrinha e de Sara Sampaio
   
«O uso é comum, no Brasil. Terrinha é o lugar de onde se vem. Terrinha é o que a gente deixa e continua agarrado à gente. Os portugueses já não usam terrinha. Antigamente, sim: "Da santa terrinha", dizíamos, como quem fala da mãe. Pois os brasileiros ainda continuam a evocar a "terrinha". Da deles. Com carinho. Agora, um segredo: sabem para quem eles também guardaram o termo? Não vão acreditar... Para Portugal! É mesmo. Dizem muitas vezes. E, como gostam do escrever falado, também metem nos jornais. Quando a notícia sobre Portugal não é grave e se pode tirar a gravata, eles dizem "lá na terrinha..." Parece que a presidente deles é meio búlgara e dessa Bulgária eles não fazem a mínima ideia. Mas terrinha portuguesa tem igreja com torre sineira como as de Mato Grosso, Pernambuco e eu sei lá. Da nossa terrinha talvez eles já não saibam muito, sabem aquilo que já se esqueceu mas fundo fica. Há dias, o jornal O Globo, para apresentar a modelo portuguesa Sara Sampaio, legendou assim: "Lá da terrinha..." O que foram dizer! Jornais e facebooks nacionais sentiram-se insultados. Lorpas!, diria Camilo, um assumido telúrico da terrinha. Estou a vê-lo, façanhudo, a zurzir com o aviso que um dia deixou na abertura dum romance: "Precisam-se mais conhecimentos para (...) ler que para (...) escrever." Isto é, lendo, calem-se. Mas como mandar calar quando o Facebook está ali, bunda a dar a dar, pedindo muitos "eu acho..." aos tolos?» [DN]
   
Autor:

Ferreira Fernandes.

      
 A cada um o seu desvio colossal
   
«O Governo de António Costa acusou hoje o anterior Governo PSD/CDS-PP de ter feito malabarismos com medidas fiscais durante o ano passado, com custos este ano, que deixam um buraco na receita fiscal de menos de 800 milhões de euros, quase da mesma ordem de grandeza da redução do défice que será feita este ano.

No comunicado do Conselho de Ministros, onde apresenta alguns dos detalhes do esboço do Orçamento do Estado para 2016, que vai ser enviado esta sexta-feira para Bruxelas, o Governo acusa mesmo o Executivo anterior de ter usado estas medidas “para benefício da execução orçamental de 2015”. O custo, diz, são menos de 800 milhões de euros nas contas deste ano.

“Para benefício da execução orçamental de 2015, foram então adotadas políticas que anteciparam receitas fiscais e outras que adiaram para 2016 custos fiscais. No seu conjunto, os efeitos desfasados resultam numa arrecadação líquida de receita fiscal de cerca de menos 800 milhões de euros”, lê-se no comunicado distribuído hoje aos jornalistas.» [Oservador]
   
Parecer:

E ainda falta conhecer alguns números como o do reembolso do IRS.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Lamente-se.»
  
 IECs e combate à evasão fiscal
   
«As alterações estão previstas no esboço do Orçamento do Estado que o ministro das Finanças apresenta nesta sexta-feira à tarde. O executivo estima que estas medidas, mais os impactos positivos esperados com o combate à fraude e evasão fiscais, tenham um impacto orçamental positivo nas receitas do Estado equivalente a 0,21% do Produto Interno Bruto (PIB).

A receita que o Governo espera arrecadar com estas medidas, na ordem dos 392 milhões de euros, compensa apenas em parte a perda prevista com a redução gradual da sobretaxa de IRS em função dos escalões de rendimento (430 milhões de euros).

No esboço do orçamento, o executivo não apresenta ainda a previsão das receitas para cada um dos impostos, referindo apenas que haverá uma recomposição das receitas fiscais, “com a diminuição do peso dos impostos directos, cuja receita diminui 3,4%, e aumento de 5,8% do peso dos impostos indirectos”, como é o caso do tabaco, ISP e do imposto de selo. “A redução dos impostos directos deve-se à eliminação gradual da sobretaxa do IRS, bem como à materialização em 2016 do efeito da redução da taxa do IRC para 21%, introduzida no OE de 2015”, refere o executivo de António Costa.» [Público]
   
Parecer:

É um resultado demasiado magro para um aumento generalizado dos impostos sobre o consumo e para o combate à fraude, só neste segundo capítulo seria possível alcançar muito mais.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se ao governo se os resultados do combate à fraude são medidos em receita ou em processos judiciais.»

 Incompetente, diz a senhora
   
«A ex-ministra das Finanças Maria Luís Albuquerque diz não saber a que se refere o Governo PS quando fala no buraco de 800 milhões de euros nas receitas deste ano por causa da antecipação de algumas receitas para 2015 e o adiamento para este ano de efeitos que fazem diminuir a arrecadação de impostos.

Maria Luís Albuquerque chamou os jornalistas para uma declaração sem direito a perguntas em que afirmou não saber “exactamente o que pode estar em causa ou a que estão a referir-se” e realçar que “sempre que há alterações de política fiscal, elas têm efeito no ano em que são introduzidas e nos anos seguintes”.

Garantindo que a política fiscal é “absolutamente transparente” e que os seus efeitos “são à partida conhecidos”, a ex-governante e actualmente deputada lamenta “profundamente” que o actual executivo comece a ter o “hábito” de “procurar sempre uma desculpa que vem de trás para tudo o que tem de fazer”.» [Público]
   
Parecer:

Incompetente, só em retenções do IVA a senhora conseguiu juntar quase 500 milhões!
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sugira-se à dra. Maria Luís que tenha calma.»

 Pouco prudente, diz a Teodora
   
«As projecções para a evolução da economia em que o Governo baseia os seus planos orçamentais deste ano apresentam “riscos relevantes” e são “pouco prudentes” no que diz respeito a diversos indicadores, assinalou esta sexta-feira o Conselho das Finanças Públicas (CFP).

No parecer ao esboço de Orçamento do Estado que o Executivo irá enviar durante esta tarde para a Comissão Europeia, a entidade responsável pela avaliação da política orçamental em Portugal faz duras críticas à forma como o Governo vê a economia a evoluir durante este ano, considerando que tal pode colocar em causa as metas orçamentais que são definidas.

O CFP, liderado por Teodora Cardoso, diz que “as previsões macroeconómicas subjacentes ao Projecto de Plano Orçamental para 2016 apresentam riscos relevantes” e afirma que “as previsões contidas no cenário, não sendo em absoluto implausíveis no curto prazo a que respeitam, não só não dissipam como acentuam a incerteza relativa às suas consequências de médio prazo, em particular no que se refere às evoluções dos preços, do investimento e da contribuição do exterior para o crescimento”.» [Público]
   
Parecer:

Teodora Cardoso foi das mais militantes apoiantes da política seguida por Passos Coelho, tendo apoiado todas as experiências realizadas e por vezes ainda era mais extremista do que o próprio Passos Coelho. Teodora Cardoso confundiu o seu estatuto com o de ministra das Finanças e acha que lhe cabe não só velar por finanças públicas saudáveis, mas tambe´+ definir as orientações de política económica como se o país vivesse numa ditadura onde os cidadãos só votam para as juntas de freguesia.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Marimbem-se na Teodora.»

 Marcelo no seu melhor
   
«Ainda na quarta-feira, no pequeno comício de Santa Apolónia, Marcelo Rebelo de Sousa chamou ao palco a “mandatária nacional” da sua candidatura, a jovem cientista Maria Pereira. E foi nesse cargo, de mandatária nacional, que Maria Pereira discursou, frisando a honra que sentia por ter sido escolhida para aquele cargo. Marcelo, por seu lado, desde que anunciou o seu nome como mandatária nacional da sua candidatura, não lhe tem poupado elogios, dizendo que a jovem investigadora de 30 anos “representa tudo o que eu quero para a minha candidatura”. O professor de Direito frisou que Maria Pereira foi distinguida pela revista norte-americana Forbes como um dos 30 talentos mundiais com menos de 30 anos. A revista “Time” apontou-a como uma líder da próxima geração.

Tal foi o destaque que Marcelo quis dar à investigadora na área de biotecnologia e medicina que, ao revelar o seu nome, a 28 de dezembro, anunciou também que abdicava de ter uma mandatária nacional para a juventude.

Acontece que a jovem cientista radicada em França não é, oficialmente, a mandatária nacional da candidatura de Rebelo de Sousa. Na informação oficial entregue no Tribunal Constitucional e disponível no site da Comissão Nacional de Eleições, o verdadeiro mandatário nacional é outro, com um percurso bem menos precoce e louvores bem menos sonantes. Fernando Manuel Fonseca Santos é o nome que consta de facto no Tribunal Constitucional e na Comissão Nacional de Eleições como mandatário nacional da candidatura. Trata-se de um jurista, colega de curso e desde então amigo de Marcelo, com um percurso político mais próximo do PS de Jorge Sampaio. Não só é ele quem cumpre de facto as funções inerentes à qualidade de mandatário nacional, como é quem ocupa esse cargo.» [Expresso]
   
Parecer:

Quem nasce aldrabão tarde ou nunca deixa de o ser.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»

   
   
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sexta-feira, janeiro 22, 2016

Do “Três Pinheiros” da Mealhada à Cervejaria Trindade

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A gestão do timing do lançamento da candidatura de Maria de Belém teve duas consequências dramáticas para as ambições da candidata, da primeira já ela se queixou, quando achou que o momento mais adequado para tornar públicas as suas ambições presidenciais era o dia da apresentação da lista de candidatos a deputados pelo círculo eleitoral de Lisboa acabou por perder tempo, Sampaio da Nóvoa aproveitou-se e conseguiu o apoio de personalidades como Sampaio e Soares. Com os dois ex-presidentes á “contratados à hora” e custo zero por Sampaio da Nóvoa restou a Maria de Belém contratar os presidentes da equipa B e lá apareceram todos os derrotados, com Manuel Alegre a fazer de cabeça de lista desta equipa digna de Bruno Carvalho levar à Taça da Liga.
  
Agora percebe-se que houve uma segunda consequência do atraso no impulso presidencialista de Maria de Belém, deixou escapar a reserva da Cervejaria Trindade para o último dia da campanha eleitoral para a candidatura de Sampaio da Nóvoa. O almoço na cervejaria Trindade no último dia das campanhas eleitorais seguido da arruada pelo Chiado é um ritual eleitoral do PS e o facto de ser Sampaio da Nóvoa a assumir a sua realização relega Maria de Belém para um estatuto de candidata de segunda.
  
Sem dúvida que esta facção gastronómica do PS tem sido marcada por azares de marcação, tudo começou com Assis a adiar o almoço no restaurante “Três Pinheiros”, na Mealhada, começou por ser num dia e por causa do Costa teve de ser no outro, começou por ser um almoço e acabou por ser um jantar, esperava-se casa cheia e bastava comprar umas quantas febras no take away do Continente para dar de comer aos escassos comensais. Na Trindade as coisas não correram tão mal, o almoço já estava pago e com tanta gente a precisar de afogar as mágoas é bem possível que a casa tenha feito um bom negócio em imperiais.
  
Com a candidatura em queda livre o almoço da Trindade foi um frete, com discursos de circunstâncias e a candidata desorientada por ter sido apanhada no caso das subvenções a politicas. Ainda por cima foi duplamente apanhada, não só foi vítima do populismo bloquista que cresce no país, como se ficou a saber que a defesa das subvenções foi feita pela calada. 
  
A campanha de Maria de Belém tem sido um desastre, foi feita nos corredores da Santa Casa com muitos beijinhos de velhos arregimentados pelos senhores desse submundo nacional da agora chamada economia nacional, fortemente marcada pelo despudor religioso da candidata e com um discurso cheio de sonsices e de velhacarias. O momento mais alto e aziago da candidata acabou por ser o seu primeiro comentário sobre as subvenções, quem a ouviu com aquele ar sofrido e pesaroso a dizer que tínhamos de respeitar as decisões do Tribunal ate ficou convencido de que a senhora estaria incomodada, qual não foi a surpresa quando se soube de que era uma das signatárias do pedido ao Triunal Constitucional. Num dia dizia que tínhamos de respeitar o acórdão, no dia seguinte, quando se soube do seu interesse pessoal, que ia analisar o acórdão à luz dos seus interesses pessoais e por fim bradou aos céus que não abdicava dos seus direitos.

Não admira que o comício de ontem tenha sido deprimente até para os seus adversários, não estavam lá nem os 50% dos eleitores do PS que se opõem ao governo de António Costa e estão do lado de Assis e que supostamente votarão Maria de Belém, estavam meia dúzia de amigos, familiares e apoiantes ouvindo uma candidata a discursar para justificar a sua derrota. A dúvida agora é saber se Maria de Belém fica atras ou à frente do Tino de Rãs, tal como ela uma grande apoiante de António Guterres.
  

Umas no cravo e outras na ferradura


  
 Jumento do dia
    
Marisa Matias

A candidata do BE aproveitou-se da questão das subvenções a políticos e avança com a sua cruzada populista. O problema é que essas pensões são trocos ao pé do que a candidata tem ganho no Parlamento Europeu, mas sobre esse tema nada se diz, só o Marinho Pinto é que quase foi eliminado da política quando se soube o que ganhava em Estrasburgo.

«Marisa Matias recusa votar ao esquecimento o tema das subvenções vitalícias dos políticos - cuja revogação foi chumbada pelo Tribunal Constitucional (TC) - e afirmou esta quarta-feira, em Braga, que esse regime "é um autêntico desfalque" e apenas reflete "a falta de escrúpulos de quem o aprovou e decidiu manter".

A candidata à Presidência da República endureceu o tom para com os 30 deputados (21 socialistas e nove sociais-democratas) que recorreram ao Palácio Ratton, e também falou grosso para os juízes. "O regime das subvenções vitalícias, num país em que se chega a trabalhar 50 anos por pensões de miséria, não tem nenhuma sombra de legitimidade. É um autêntico desfalque de dinheiros públicos tornado legal pela falta de escrúpulos de quem o aprovou e decidiu manter", atirou a eurodeputada, muito aplaudida por uma plateia onde estava, entre outros, o fundador do BE Francisco Louçã.» [DN]

 Conclusões antecipadas

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Independentemente dos resultados finais confirmarem ou não as sondagens é possível tirar já algumas conclusões com base na tendência:
  • O PCP paga cara uma candidatura presidencial falhada, é batido de forma quase humilhante pelo BE e Edgar Silva pode valer pouco mais do que o Tino de Rãs.
  • Marisa Matias é incapaz de segurar os votos do BE.
  • O PS perde uma boa parte dos seus votos para o candidato da direita.
  • Marcelo Rebelo de Sousa humilha Passos Coelho e Paulo Portas, não só os obrigou a apoiá-los a contragosto como poderá dizer que não precisou desse apoio.
  • Os seguristas podem esquecer uma tentativa de incomodar a liderança de António Costa, poderão ter ajudado Marcelo a ganhar as presidenciais mas foram humilhados e Assis não poderá voltar a dizer que o pessoal dos leitões representa metade do eleitorado do PS.
  • Marcelo, António Costa e Catarina Martins ganham, Francisco Assis, Maria de Belém, Paulio Portas, Passos Coelho, Jerónimo de Sousa e Sampaio da Nóvoa perdem.
 Maria de Belém não desistiu

Com o ambiente aceso por causa das subvenções até parecia que Maria de Belém tinha decidido fazer luto até às eleições, deixando de fazer uma campanha em que está em queda livre.

 Síria

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UNICEF Boys carrying chopped firewood. We’re working to reach 1 million children throughout #Syria with winter supplies

 Gostei de ver

Manuel Alegre defender a honra de Mário Soares das ofensas de Sampaio da Nóvoa, já não gostei lá muito de ver Alegre distorcer as palavras de Sampaio da Nóvoa.

      
 Secretas fazem escutas ilegais
   
«O Ministério Público deverá ser confrontado em breve com a necessidade de investigar a alegada prática generalizada de escutas ilícitas por parte dos serviços de informações. Tudo porque João Luís, ex-diretor do Serviço de Informações Estratégicas de Defesa (SIED) que está a ser julgado pelos crimes de acesso indevido a dados pessoais e abuso de poder no âmbito do chamado caso Ongoing, extravasou as fronteiras do processo na última sessão e afirmou claramente que os serviços de informações têm uma atividade regular que lhes está expressamente proibida pela lei: a realização de escutas ambientais. Perante a surpresa geral do tribunal, João Luís resolveu ‘abrir o livro’ – parte dele, pelo menos.

Questionado pelo seu advogado, Paulo Simão Caldas, sobre se sabia da existência de material utilizado “exclusivamente para escutas telefónicas nos serviços [de informações]”, João Luís afirmou em tribunal:

«Antes das tecnologias existia, existe, material para escutas. Estive envolvido em várias dessas escutas e esse material ainda deve lá estar”. Aparelhos esses que, explica, serviam para escutar “telefones fixos, de sala para sala”. Hoje em dia, porém, o material técnico é outro e é utilizado em várias escutas ambientais, mas não em telemóveis: “Que eu saiba não existe nenhum para escutas de telemóveis”.» [Observador]
   
Parecer:

Em qualquer feira internacional é possível comprar equipamentos móveis de escutas que permitem escutar telecomunicações sem a intervenção do operador. Não só os equipamentos podem ser adquiridos como muitos países não estabelecem limites legais à sua utilização. Apetece perguntar se só as secretas estarão a fazer escutas, recordo-me de quando surgiu a investigação a Armando Vara (Face Oculta) a comunicação social chegou a dar conta que as conversas de Vara na Rua Augusta teriam sido escutadas com equipamentos sofisticados a partir da vizinhança do BCP.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»
  
 Jovens viciados em jogos da Santa Casa?
   
«O Departamento de Jogos da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa (SCML) não vê necessidade de reforçar a fiscalização sobre as apostas ilegais de menores no Placard e considera que está a falhar também o controlo dos pais, que dão aos filhos o número de contribuinte para que possam jogar.

"Nós temos a obrigação de controlar e de evitar que os menores joguem, e fazemo-lo através da formação dos mediadores (postos de venda) e da fiscalização por parte das autoridades. Mas depois há uma questão de educação por parte dos pais, que têm de ser sensibilizados. Os pais têm de tomar consciência de que isto pode ser um problema para os seus filhos e não lhes dar o número de contribuinte para que possam jogar. Mas acham graça e permitem", diz ao Expresso o vice-provedor e administrador-executivo do Departamento de Jogos da SCML, Fernando Paes Afonso.

O Placard, jogo de apostas desportivas lançado em setembro pela Santa Casa e que se revelou um enorme sucesso, com quase meio milhão de jogadores e mais de 65 milhões de euros em vendas, está a ganhar fama entre os menores, que chegam a fazer fila em papelarias e quiosques próximos das escolas para fazerem as apostas. Como estão legalmente impedidos de apostar até completarem 18 anos, os mais jovens dão o número de contribuinte dos pais ou de um amigo mais velho, requisito obrigatório para poderem jogar.

"A experiência dos nossos parceiros internacionais dava-nos conta de que este tipo de jogo podia atrair o interesse de jovens menores. Foi também por isso que associámos o Placard à obrigatoriedade de dar o número de contribuinte, o que não acontece noutros jogos", explica o responsável.

Segundo o "Jornal de Notícias" desta quinta-feira, a GNR de Alpiarça identificou dois menores de 15 e 16 anos na posse de um boletim do Placard e levantou uma contraordenação a um quiosque perto da escola secundária local por ter vendido as apostas aos jovens. A denúncia foi feita por educadores e encarregados de educação, que alertaram a Comissão de Proteção de Crianças e Jovens do concelho para o facto de os jovens estarem a gastar o dinheiro das refeições para fazer as apostas desportivas.» [Expresso]
   
Parecer:

Hoje há muitos milhares de portugueses viciados em jogos da Santa Casa, designadamente, na Raspadinha e no Placard. Basta ir a qualquer quiosque para se perceber isso e o argumento da idade é um falso argumento pois nos casinos só se pode entrar com mais de 18 anos e existem grandes problemas de jogo com adultos, daí existirem mecanismos preventivos, o que não sucede na Santa Casa, ou mesmo nos muitos sorteios das televisões.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Estude-se o problema.»

 E agora Carlos Costa?
   
«Os maiores bancos do mundo vão reunir-se hoje, ao meio-dia, em Londres, para avaliar o problema criado pelo Banco de Portugal nas obrigações do Novo Banco, confirma a Associação Internacional de Swaps e Derivados (ISDA, na sigla em inglês), com sede na City londrina. Ontem, houve uma primeira reunião. Foi inconclusiva.

O encontro de urgência na ISDA pode decidir se há ou não um "evento de crédito" (incumprimento de obrigações) e se devem ser acionados os respetivos seguros para cobrir as perdas em que os "institucionais" entretanto incorreram ou vão incorrer.

Se sim, podem estar em risco de incumprimento não cinco, mas mais de 50 linhas obrigacionistas do Novo Banco no valor de 18 mil milhões de euros em dívida, na sequência da decisão "arbitrária" tomada pelo Banco de Portugal a 29 de dezembro último, revela Mark Gilbert, membro do conselho editorial da Bloomberg.» [DN]
   
Parecer:

O governador do BdP pode ter mandado o sistema financeiro para o buraco.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Espere-se para ver.»

 Explicação antecipada da derrota
   
«Maria de Belém admitiu nesta quinta-feira que o caso das subvenções vitalícias para os políticos pode ser “muito prejudicial” à sua candidatura presidencial.

“Não abdicarei de defender a minha coerência e de afirmar que lutarei bem pelos direitos dos outros se lutar também pelos meus direitos. Não há direitos para uns bons e outros maus, há os direitos que os órgãos legítimos que em democracia aprovam e consideram que são os adequados”, disse esta quinta-feira, à entrada para um almoço com apoiantes na Cervejaria Trindade.

A candidata não tem dúvidas de que esta questão a prejudica junto da opinião pública que considera “mais interessante cortem, cortem, cortem, cortem”. A ex-ministra socialista, no entanto, não vacila, explicando: “Não ficaria bem comigo própria se embarcasse nessa onda porque eu acho que essa onda é a que constrói o ambiente para o enfraquecimento e muitas vezes para a ruína das democracias como aconteceu no século passado”.» [Público]
   
Parecer:

A forma como se comportou não a favorece muito como candidata.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»

 Medo?
   
«"Nunca teremos medo!", defende a direção do Sindicato dos Magistrados do Ministério Público, em resposta ao processo disciplinar de averiguações instaurado pelo Conselho Superior do Ministério Público (CSMP) ao presidente António Ventinhas, depois de uma queixa feita por José Sócrates.

"Registamos, com muita preocupação institucional, que um dirigente do SMMP, única organização sindical representativa dos magistrados do Ministério Público portugueses, seja alvo de um procedimento de natureza disciplinar, tendo por base declarações proferidas no exercício estrito de funções de natureza sindical", diz uma nota assinada pela direção do Sindicato.» [DN]
   
Parecer:

Será que não confiam na justiça? Medo? Activade sindical? Sindicato?
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se a merecida gargalhada.»

   
   
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quinta-feira, janeiro 21, 2016

O que está em causa

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A mistura de crise financeira com eleições é perigosa para a democracia como se tem visto nos últimos dias, generaliza-se o oportunismo, perde-se a lucidez, fazem-se julgamentos éticos na praça pública, promove-se o populismo. Vimos candidatos a aproveitarem-se de um funeral para andarem escondidos, outros a fazerem profissões de fé jurando pela vida do gato e assegurando que “se não morrer o mato!” e os maiores e mais esganiçados defensores da Constituição a dizerem que tinham vergonha das decisões do mesmo Tribunal Constitucional O que está em ca que durante quatro anos juraram defender da ofensivo de um governo e do desprezo de um presidente.
  
Se o Estado confere um direito a um grupo de cidadãos, se durante anos esse direito nunca foi posto em causa com tantas juras e condenações éticas, era tão pacífico que até o PCP se financiava graças À generosidade ideológica de alguns dos beneficiados, é natural que os beneficiários desse direito possam tomar decisões para a vida no pressuposto de que segundo uma velha regra infantil “quem dá e tira vai para o inferno”.
  
Isso tanto é verdade para políticos como o é para os pensionistas das empresas de transportes, para políticos ricos como para políticos pobres. O que está em causa nesta questão das subvenções são os critérios seguidos pelo TC e neste capitulo podemos dizer que a desorientação em tempos de crise também esteve presente em vários acórdãos dos juízes do Tribunal Constitucional. Um bom exemplo dessa desorientação e o que sucede com o corte dos vencimentos dos funcionários, desde o corte dos 10% decididos por Sócrates que foram declarados inconstitucionais e, por conseguinte, ilegais. Todavia, estamos em 2016 e estes cortes institucionais ainda persistem graças a um jogo de gato e do rato que todos os partidos e todos os governos os andaram a jogar com as regras constitucionais.
  
Mas ainda mais curioso é o facto de os mesmos que dizem ter vergonha das decisões do Tribunal Constitucional terem na mesma semana decido repor os complementos de pensões dos trabalhadores dos transportes públicos, complementos cuja eliminação foi mantida graças ao mais estranho dos acórdãos do Tribunal Constitucional. Os princípios constitucionais são os mesmos mas os juízes foram bem mais simpáticos com as subvenções dos políticos do que com os complementos de pensões dos trabalhadores, na perspectiva do MRPP do “mata e esfola” dir-se-ia que os juízes burgueses protegeram os interesses dos lacaios da burguesia ao mesmo tempo que espezinharam os direitos do proletariado.
  
O mais grave destes processos é que os que agora ficaram envergonhados quando esteve em causa os complementos das pensões não ficaram tão indignados nem fizeram juras, na ocasião festejaram a parte do acórdão relativa a salários e pensões e deixaram os trabalhadores dos transportes entregues à sua existência miserável. Na ocasião a única voz que se indignou foi a de Pacheco Pereira.
  
O que está em causa é que quem faz negócios com as PPP nada pode perder e os que investem em obrigações podem perder tudo, os que ganham até 2000 estão isentos de austeridade e os que ganham 2000 euros são perigosos burgueses que podem e devem ser depenados, as subvenções dos políticos devem ser mantidas em nome do princípio da confiança mas os complementos de pensões não são de confiança, os cortes de vencimentos são inconstitucionais mas arranjem lá um truque ara que sejam os mesmos a pagar a crise. O que está em causa e o que devia envergonhar os candidatos presidenciais é a falta de equidade, a injustiça e a incoerência que tem grassado em tempos de crise, muito por causa do seu populismo e do seu calculismo eleitoralista.


Umas no cravo e outras na ferradura



   Foto Jumento


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Bairro Alto, Lisboa
  
 Jumento do dia
    
Miguel Prata Roque, secretário de Estado do Conselho de Ministros

A chefia do gabinete de um secretário de Estado é um cargo de confiança pessoal e política pelo que os critérios que obedecem À sua escolha são de natureza política, pode ser alguém das relações pessoais, partidárias ou políticas do governante. Mas esse cargo não é de uma empresa do secretário de Estado, é do Estado que representa todos e por isso os critérios devem obedecer a valores éticos que respeitem os cidadãos.

Alguém que andou em trafulhices de concursos, que se comportou de forma menos correcta em relação a outros candidatos ao combinar comportamentos com elementos do júri ou a ser favorecido nas avaliações não está em condições para exercer um alto cargo do Estado, ainda mais um cargo onde é a imagem do governo que está em causa, a escolhas destes cargos são exemplos de referência para toda a Administração Pública.

Ao escolher uma personagem duvidosa para o cargo de seu chefe de gabinete Miguel Prata Roque disse ao país quais os valores éticos que norteiam as suas escolhas e convenhamos que não são os melhores. Resta-lhe duas alternativas, demitir-se ou substituir o seu chefe de gabinete em nome de boas regras de exercício de altos caros políticos.

«O recém-nomeado chefe de gabinete do secretário de Estado do Conselho de Ministros é um jurista apanhado nas escutas do processo dos vistos gold.

Luís Goes Pinheiro tinha concorrido a vários cargos dirigentes da administração pública, no início de 2014, quando recebeu um telefonema do presidente do Instituto dos Registos e Notariado (IRN), António Figueiredo, a dizer-lhe que ia dar “uma indicaçãozinha” em seu favor a um membro da Comissão de Recrutamento e Selecção para a Administração Pública (Cresap). Figueiredo, que é o principal arguido do processo dos vistos dourados, referia-se a Maria Antónia Anes, arguida no mesmo processo e então amiga da ministra da Justiça, com quem trabalhava. Das escutas feitas pela Polícia Judiciária percebe-se que tanto neste como noutros casos a então secretária-geral do Ministério da Justiça manipulou vários concursos na Cresap, violando o segredo a que estava obrigada para passar informação privilegiada aos amigos que queria ver a dirigir a administração pública.

Luís Goes Pinheiro, que conhecia António Figueiredo há cerca de uma década, foi informado neste telefonema de Janeiro de 2014 pelo presidente do IRN que podia contar não com uma mas com duas “cunhitas” a seu favor nos concursos para vice-presidente e para vogal da direcção deste instituto. Tanto ao longo desta como de duas outras conversas que manteve com António Figueiredo, o tom de Luís Goes Pinheiro – que nunca foi constituído arguido neste processo, tendo sido ouvido pelas autoridades apenas na qualidade de testemunha – foi sempre de satisfação relativamente às manobras em curso que lhe eram relatadas para o fazer vencer o concurso da Cresap. A 7 de Fevereiro de 2014 este militante socialista de 41 anos – cujo vasto currículo incluía ter trabalhado com alguns governantes no passado, como João Tiago Silveira no Ministério da Justiça, onde chegou a dirigir um instituto, e Maria Manuel Leitão Marques da primeira vez que esta esteve na Modernização Administrativa – vai a duas entrevistas na Cresap. A primeira, da parte da manhã, para "vice" de António Figueiredo, e a segunda, da parte da tarde, para seu vogal. Pelo meio, recebe indicações do presidente do IRN sobre como se deve comportar à tarde, uma vez que a sua performance da manhã não foi muito apreciada. Tem de “ser mais objectivo e levar propostas concretas” sobre o funcionamento do instituto. Pode, por exemplo, falar da ocupação, pelas conservatórias, dos espaços dos tribunais que vão ser extintos dali a meses. O jurista aproveita para pedir mais dicas sobre o funcionamento do instituto.» [Público]

 Ainda que mal pergunte

Se o governador do BdP passou para o fundo de resolução as consequências da "nacionalização" do dinheiro das obrigações sénior do Novo Banco que vantagens tem  o sistema financeiro nesta operação se ao custo dela tem de se juntar o preço da desvalorização bolsista dos bancos portugueses e os custos da desconfiança dos investidores estrangeiros em relação a Portugal?

Faz algum sentido a troika ser contra o salário mínimo e tudo o mais em nome da competitividade e do investimento estrangeiro e agora concordar com a nacionalização do capital estrangeiro sem qualquer justificação?

 Uma pergunta a Maria Belém

Não acha que será mais penoso manter-se como candidata? Ainda está atempo da corida presidencial matando dois coelhos com uma cajadada, já que ao outro Coelho parece não ter dado nenhuma cajadada, evitava o tormento de se confrontar com as suas iniciativas parlamentares incómodas e poupava-se a uma derrota humilhante para si e para os seus, como deverá ser o caso de Seguro e Assis.

 Os deputados do PSD e as subvenções a políticos

Nove deputados do PSD que aprovaram cortes de vencimentos sem qualquer negociação ou contrapartida, que impuseram aumentos de horas de trabalho gratuitas, que aprovaram o corte das pensões de reforma aos trabalhadores do Metro e muitas outras medidas já se lembraram dos princípios constitucionais na hora de defender os seus

Curiosamente, ninguém questiona estes bandalhocos.
  
 Os erros da história

Almeida Santos era candidato a primeiro-ministro pela Frente Republicana e Socialista e perdeu, a década seguinte foi de Cavaco Silva. A Almeida Santos devemos em grande parte um país rico em democracia, a Cavaco devemos um país pobre em valores.

      
 PCP: Subvenções? São más, mas já agora...
   
«No DN de hoje, na crónica da última página, sublinho como o caso das subvenções vitalícias entrou em força na campanha presidencial. Do mal-estar de Maria de Belém, subscritora do pedido para lhe ser devolvido o indecente privilégio, à indignação justa de Marisa Matias contra ele.

As subvenções vitalícias dos políticos são o que são: uma regalia. Aliás, mais. Não são só um poder abusivo, mas ainda por cima uma benesse atribuída a si próprios. Não sem razão, o BE é o partido que reage com mais firmeza. Pode, porque a sua indignação é coerente. Nenhum dos seus tem subvenção vitalícia porque já não as há, para novos políticos, desde 2005.

O PCP votou sempre contra a medida, mas tem uma prática hipócrita. São contra, mas os seus recebem-na. Parecem o célebre vídeo de Ricardo Araújo Pereira sobre Marcelo e o aborto. "A subvenção é má?" - "Siiiim..." - "Então, recusam-se a recebê-la?" - "Nãaao..."

Esta posição foi colocada num comunicado do PCP, publicado no Avante (em 27 de outubro de 2011). Votaram contra, em 1984, quando o privilégio foi proposto no parlamento. Porém, diz o comunicado, os eleitos comunistas não prescindem de "acederem a essa subvenção enquanto estiver em vigor." E porquê? Porque é "orientação do PCP a não utilização dessa verba em proveito pessoal e de esta ser colocada ao serviço dos trabalhadores e do povo português do seu esclarecimento e da sua luta." Recebem a subvenção mas, atenção, ela vai para uma boa causa, o partido.

Na verdade, é o que deve pensar um deputado dos "partidos burgueses". Fica com a subvenção para viajar (ou comprar mais livros), para melhor saber defender o povo português. Ou só um partido é que tem uma boa causa?» [DN]
   
Autor:

Ferreira Fernandes.

      
 Descuido do fisco
   
«O site oficial da Autoridade Tributária (AT) está a induzir os contribuintes em erro, ao apresentar informação desatualizada sobre a data de entrega do IRS.

Na página ‘Questões Frequentes’ pode ver que o prazo se mantém entre março e maio, variando conforme seja feito em papel ou via internet, quando uma das novidades deste ano é que as datas são idênticas para os dois formatos, noticia a TSF.

O Ministério das Finanças confirma esta falha na secção do Portal e promete corrigir a informação.» [Notícias ao Minuto]
   
Parecer:

A AT está cheia de sorte, ao contrário do que sucede com os pobres dos contribuintes os seus descuidos não estão sujeitos a multas.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»
  
 Descontos no interior?
   
«O ministro do Planeamento e das Infraestruturas, Pedro Marques, garantiu hoje no parlamento que não haverá novas portagens na A3 nem na A4, adiantando que o Governo continua a estudar como favorecer a mobilidade nas autoestradas do interior.

"Neste ano, em que se acabam estas obras, este Governo não põe no Orçamento do Estado de 2016 qualquer introdução de portagens na A3 e na A4", declarou o governante, quando questionado sobre a possibilidade de virem a ser portajados o troço da A3 entre Águas Santas e a Maia e o troço da A4 entre Águas Santas e Ermesinde.» [DN]
   
Parecer:

Será que os ricos de Bragança vivem pior do que os pobres de Lisboa e andam em piores carros. Isto da desertificação nada tem que ver com rendimentos e não é com descontos que se promove o desenvolimento, até porque quanto mais barato for andar de carro mais fácil é fugir para o litoral.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Informe-se o senhor ministro de que na capital não há só ricos.»

 Passaram-se
   
«O Instituto Português de Oncologia (IPO) do Porto vai começar a revistar malas, sacos e até carros de doentes, utentes e funcionários, de forma a evitar o roubo de bens. Segundo uma norma aprovada no final do ano, a que o DN teve acesso, estão previstas operações de controlo "tanto frequentes como possíveis". Maria Merlinde Madureira, da Federação Nacional dos Médicos (FNAM), diz que a norma é invulgar. "A forma como será feito o controlo não faz sentido e não é muito elegante para os utentes e funcionários". Há ainda dúvidas quanto à legalidade.

Contactado pelo DN, o IPO do Porto minimiza o impacto da ação, que surge no âmbito de uma auditoria de qualidade, e refere que o mesmo é "comum a outras unidades hospitalares e múltiplas empresas privadas". Quase todas as unidades reportam casos de roubo de equipamentos, material clínico mas também de bens dos próprios doentes, embora admitam que hoje é menos frequente.» [DN]
   
Parecer:

Por este andar não sairemos de lado nenhum sem sermos apalpados.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»

 Pior a emenda do que o soneto
   
«Maria de Belém Roseira esclarece que nunca recebeu a subvenção vitalícia atribuída a ex-titulares de cargos públicos, mas admite que vai avaliar as consequências que a decisão do Tribunal Constitucional tem para o seu caso pessoal.

“O Tribunal clarificou a natureza legal da subvenção vitalícia. Nunca a recebi. Irei avaliar as consequências da decisão do Tribunal Constitucional ao meu caso pessoal e, oportunamente, decidirei”, lê-se numa nota enviada por Maria de Belém Roseira à comunicação social.» [Observador]
   
Parecer:

Depois de ter omitido a sua participação na iniciativa e comentado o acórdão do TC com um ar pesaroso de quem discordava Maria de Belém vem agora tentar baralhar as opiniões dizendo que não pediu. Não pediu mas pode pedir e o qe está em causa não são os políticos que beneficiam de uma pensão mas a forma como outros tentaram manter esse benefício de forma silenciosa e nas costas do parlamento.

Ao justificar-se desta forma Maria de Belém afunda-se mais um pouco pois para salvar a sua ele atira lodo para cima dos políticos que beneficiam da subvenção vitalícia. É como se a deputada tivesse proposto que roubar deixava de ser crime e vir agora dizer que é ma excelente deputada não pelo que propôs mas por não ser ladra. O que está em causa nesta questão não são os beneficiários mas sim os que defenderam a continuação do benefício e a forma velhaca e cobarde como o fizeram.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Vomite-se.»

 Bebedeiras comunistas vão deixar de ter ressaca
   
«Cientistas norte-coreanos terão supostamente conseguido criar a primeira bebida alcoólica que não dá ressaca, segundo noticia o jornal estatal “Pyongyang Times”.

A 'miraculosa' bebida é criada a partir de ginseng, a mesma planta que, segundo anunciaram no verão passado, lhes permitiu criar um fármaco que cura a sida, o ébolaa ou a síndroma respiratória aguda.

“A bebida alcoólica Koryo, que é feita de Kaesong Koryo insam (ginseng) com seis anos, conhecido pelos mais altos efeitos medicinais, e arroz queimado, é muito apreciada por especialistas e pelos seus apaixonados, por ser leve e não causar ressaca”, refere o artigo.» [Expresso]
   
Parecer:

Já estou a ver o Edgar Silva a festejar no reveillon de 2017 com uma garrafa de espumante norte-coreano.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Ofereça-se a garrafa ao Edgar Silva.»

   
   
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