sábado, fevereiro 13, 2016

As piadolas dos políticos




Quanto mais se sobe na hierarquia do poder mais difícil se torna ter a noção da realidade e quando se atinge o topo corre-se um sério risco de não se ter a mais pequena ideia de como somos realmente vistos, a vaidade dos poderosos e a graxa quase doentia da corte que os rodeia cria uma parede opaca que não raras vezes os leva a perder a noção da realidade.

Em Portugal a graxa e a subserviência são instituições, se alguém quer subir na hierarquia dos partidos, do Estado ou das empresas tem de saber esperar a sua vez e enquanto está no fim da cadeia alimentar ser submisso, saber dar graxa a quem está acima e adoptar uma coluna vertebral de borracha são condições necessárias para sobreviver. São instituições tão poderosas que a arte aprende-se logo no ensino básico onde a relação entre professores e graxistas começa a estruturar muitos daqueles que um dia serão os nossos líderes nos mais diversos domínios da sociedade.

Observe-se atentamente a comitiva que rodeia um presidente ou um primeiro-ministro, estão todos com cara de parvos a aguardar que o “senhor” fale, se o “senhor” disser algo supostamente sério vemos caras torturadas como se tivesse ouvido algo de tão complexo cuja digestão intelectual obriga a um grande esforço dos molares cerebrais. Se o “senhor” diz algo com ar de quem acha que tem graça todos riem como se tivessem acabado de ouvir a melhor anedota dos últimos tempos.
  
Não deve ser fácil para Cavaco Silva perceber que as suas reflexões sobre a felicidade das vacas da Graciosa ou sobre o prazer que as mesmas devem sentir na ordenha mecânica não têm grande conteúdo intelectual, estando a meio caminho da fase terminal da doença de Alzheimer. Não me admiraria nada se durante o jantar algum assessor da Casa Civil tivesse pedido ao senhor presidente para lhe explicar todo o alcance filosófico do que tinha visito no rosto dos bovinos leiteiros.
  
Quando António Costa se dirigiu a um grupo de militantes convidados a ouvirem atentamente o primeiro-ministro explicar-lhes a evolução do esboço para o OE terão sentido uma enorme vontade de rir perante a brilhante piadola de Costa sobre a melhor forma dos portugueses deixarem de pagar impostos especiais sobre o consumo. Alguns até lhe poderão ter sugerido um aumento do imposto sobre as bebidas alcoólicas não vá alguém pensar que este imposto não foi aumentado para que os portugueses possam andar bêbados como os perús na véspera do dia de Natal.

Não deve ser nada fácil a um político perceber se disse algo de realmente sério ou se teve mesmo graça, muitos anos depois de andarem a ser bajulados por uma casta que a troco de um lugar junto à manjedoura há muito que deixaram de ser vertebrados ao governantes deixam de ter a noção da realidade. Não lhes deve ser fácil perceber o ditado popular de que vale mais a pena ter graça do que ser engraçado.


Umas no cravo e outras na ferradura


  
 Jumento do dia
    
António Costa, primeiro-ministro

Depois de dois meses de governo e conhecidas várias artimanhas da direita, como o BANIF ou o reembolso da sobretaxa, era de esperar que o PS obtivesse ganhos eleitorais, até porque o OE é aparentemente muito simpático. Mas não é isso que as sondagens dizem, o PS está na mesma, o PC desce e o BE sobe. Talvez seja tempo de António Costa reflectir sobre o que pensam os seus eleitores do seu governo, alguma coisa parece estar a falhar.

«Nas intenções de voto, o quadro mantém-se praticamente inalterado em relação a janeiro. O Bloco de Esquerda, ainda assim, desce uma décima – não seguindo, portanto, a tendência crescente da sua porta-voz.


Curioso é que só os partidos do bloco central ganham eleitores: o PSD aumenta quatro décimas e o PS três. E embora o partido do Governo seja o que mais intenções de voto reúne (33,6%), o de Passos Coelho segue-o a curtíssima distância (32,5%).» [Expresso]

      
 Como ajudar a Grécia
   
«A verba anual que Portugal empresta à Grécia desde 2011, no âmbito do programa de assistência financeira, pode deixar de ser assegurada este ano. O artigo 80 do Orçamento do Estado (OE) que prevê 106,9 milhões de euros para a Grécia está em risco, uma vez que o PCP é contra, o BE está, para já, a analisar o que fazer, o PSD já avisou que não quer ter nada a ver com o OE e o CDS não chega para fazer aprovar esta norma em conjunto com o PS.

A comparticipação portuguesa é feita todos os anos desde que em 2011 o Parlamento português aprovou uma proposta de lei sobre os novos moldes de comparticipação de Portugal no novo plano de resgate daquele país da zona euro. Nessa votação, todos os partidos votaram a favor à exceção do PCP e Os Verdes.

“Votámos contra porque se trata de um pacto de agressão à Grécia. Não é um empréstimo, uma vez que está associado a um conjunto de condições draconianas. A discussão deve-se fazer neste quadro”, explicou ao Observador fonte da bancada do PCP, garantindo que o partido tem que ser coerente. No ano passado, em que Portugal emprestou 98,6 milhões de euros aquele país, PCP e BE votaram contra esse artigo do OE.» [Observador]
   
Parecer:

Calculo que se fosse sem condições e com perdão da dívida o P>CP defenderia um aumento da ajuda à Grécia.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»
  
 O regresso da "folga"
   
«O Governo mantém o compromisso de ajustar o imposto sobre os produtos petrolíferos à evolução das cotações do petróleo e dos preços dos combustíveis. No entanto, e ainda que o petróleo suba, uma descida deste imposto que implique perda de receita para o Estado só avança se houver folga orçamental, adiantou ao Observador o secretário de Estado dos Assuntos Fiscais.

Fernando Rocha Andrade, numa entrevista ao Observador que será publicada este sábado, não avança com um valor de referência para a subida do preço do combustível a partir do qual o imposto baixaria, mas deixa uma nota: “Temos de ser claros, essa possibilidade de descer este imposto também tem a ver com a execução do resto do orçamento”.

E se a execução orçamental correr mal e o petróleo subir? “Pode-se sempre baixar um cêntimo, por cada quatro cêntimos de subida, se estiver assegurada a neutralidade fiscal (ou seja, se o Estado não perder receita). Se os combustíveis subirem três ou quatro cêntimos, podemos descer logo um cêntimo (do imposto) sem renunciar a qualquer receita”, exemplifica. “Agora, tudo o que seja mais do que isso exige uma folga na execução orçamental para acomodar as descidas”, sublinha Rocha Andrade.» [Notícias ao Minuto]
   
Parecer:

A folga ficou famosa com o governo de Passos, agora parece que atreta do reembolso da sobretaxa voltou a ser rega, dá-se tudo se houver folga.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»

 Notação da DBRS depende de Bruxelas
   
«A agência de rating canadiana DBRS está confortável  com a nota que atribui a Portugal, mas diz-se atenta à evolução dos juros da dívida portuguesa no mercado. As declarações, inicialmente noticiadas pela Reuters, foram, entretanto, difundidas pela agência de rating e isso levou à antecipação de um relatório mais aprofundado de apreciação do Orçamento do Estado para 2016.  Nesse relatório, a DBRS diz que o rating está dependente da avaliação que Bruxelas fizer da execução orçamental, na primavera.

“Neste momento, estamos confortáveis com a nossa perspetiva estável para a dívida de Portugal. Achamos que é apropriada”, disse à Reuters Fergus McCormick, responsável pela análise em dívida pública da DBRS, a única que tem o rating de Portugal acima de lixo.

Ainda assim, o especialista diz que “o recente aumento das taxas de juro é preocupante, tendo em conta as elevadas necessidades de financiamento”.» [Observador]
   
Parecer:

Isto significa ue o governo tem de tratar muito bem a Comissão.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Mande-se o recado às "esganiçadas".»

 O cocheiro cansado
   
«O ex-primeiro-ministro e fundador do PSD, Francisco Pinto Balsemão, comparou a atual situação política do país com “uma corrida de cavalos”, em declarações no programa “A Três Dimensões”, da Rádio Renascença. Para esta metáfora, o antigo presidente do PSD escolheu dois coches. Por um lado, há o de António Costa, que é “difícil de governar” e, por outro, o de Pedro Passos Coelho. Quanto a este, Pinto Balsemão disse que tem “os cavalos um pouco cansados” e que o seu cocheiro está “frustrado” depois de “ter ganho a última corrida e não ter tido os louros”.

O ex-primeiro-ministro tornou a insistir na metáfora da “corrida de cavalos”, dizendo que será conhecido o vencedor entre Passos Coelho e Costa “quando se começar a preparar o Orçamento para 2017”. Nessa altura, diz, o “comissário de pista vai ser a União Europeia”.

Até lá, Pinto Balsemão referiu que Passos Coelho precisa “de renovar o seu pessoal” e também “de um regresso às raízes social-democratas”.» [Observador]
   
Parecer:

Um firme apoiante de Passos.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Espere-se por 2017.»
  

sexta-feira, fevereiro 12, 2016

Os parceiros tugas do Deutsch Bank


O Deutsch Bank tem uns parceiros muito amigos em Portugal

Mete nojo ver os nossos jornalistas e políticos de pacotilha todos excitados e à beira de um orgasmo por reproduzirem as piadolas do ministro das Finanças alemão a propósito do nervosismo dos mercados supostamente provocado pelo OE. Todos sabemos que o mal-estar nos mercados financeiros foi provocado pelas vigarices do Deutsch Bank e que o senhor alemão está usando Portugal para desviar as atenções do seu banco. Mas os nacionalistas portugueses, os rapazolas libertadores do protectorado e especializados em cronómetros da libertação, não se importam de dar uma ajuda ao alemão se isso conduzir à asfixia financeira do país, no pressuposto de que isso lhes devolve a manjedoura e o acesso a lambuzarem-se no imenso pote das gorduras do Estado.

Desta vez nem os habituais analistas convidados pelas estações de televisão atribuíram as culpas ao governo e ao OE, apesar da tentativa de dramatizar a discussão do documento no Eurogrupo como se tivesse sido convocada uma reunião de urgência ara discutir o perigo português. Nem mesmo o Observador tem consultado os mercados com a mesma avidez que o fez quando Passos Coelho arredado do poder ara se transformar no primeiro-ministro no exílio.
  
É óbvio que há alguma incerteza em relação à economia portuguesa, incerteza estimulada por analistas de agências de rating que brincam às crises financeiras, por políticos oportunistas como o ministro das Finanças alemão que fez uma intervenção execrável para desviar a atenção das misérias na anca alemã, uma desgraça que não veio só depois do escândalo da Volkswagen. Mas quando se esperava que a direita viesse em defesa do país eis que se esqueceram dos cronómetros e entraram em histeria, Passos ganhou nova alma e Paulo Portas quase revogou a sua irrevogável decisão de deixar o CDS entregue à Cristas.
  
Lamentavelmente a única personalidade que criticou o oportunismo e abuso do ministro das Finanças da Alemanha foi Manuela Ferreira Leite, tudo o resto preferiu ajudar a Alemanha e o Deutsch Banco e enterrar o seu próprio país, dando crédito e ampliando as declarações oportunistas e inaceitáveis do político alemão.
  
Mas nesta luta pelo regresso às privatizações manhosas, aos tachos e às gulodices do pote vale tudo e se for necessário até se ajuda a empurrar o país ara o abismo financeiro.
 

Umas no cravo e outras na ferradura



  
 Jumento do dia
    
Rui Rio

Agora que o PSD está na oposição e sem ter a intenção de se candidatar à sua liderança eis que Rui Rio descobre que era conveniente que o seu partido andasse um poucochinho para a esquerda, isto é, quando se está no poder adopta-se um programa bem à direita, na hora na oposição dá jeito andar um poucohinho.
a esquerda.

«Não é a esquerda da direita de Marcelo, mas “a direita da esquerda” de Rui Rio. Em entrevista à RTP, o ex-presidente da Câmara do Porto reconheceu que “gostaria de ver o PSD flectir um bocadinho mais à esquerda ou mais para o centro”, depois de quatro anos em que, entre algumas opções ideológicas, não houve grande espaço de manobra para colocar em prática uma verdadeira linha social-democrata. Quanto à continuidade de Passos, poucas dúvidas: é, nesta altura, quase um “formalismo que tem de ser cumprido”, diz Rio.

O antigo autarca, que durante algum tempo foi visto como possível alternativa a Passos na liderança do partido, garante que ainda não sabe se vai ao congresso social-democrata, onde alguns dos opositores internos já prometeram dizer o que pensam sobre o atual momento do partido. Ora, Rui Rio descarta essa hipótese: “Se for [ao congresso] não é para dar nenhum recado a ninguém e se não for também não. Essa é uma não-questão”.


Ainda assim, o portuense não deixou de fazer algumas observações sobre o caminho que o partido deve tomar e deixou uma sugestão: a “separação óbvia” em relação ao CDS “pode ajudar a clarificar essas águas” e devolver, de vez, o partido ao centro.» [Observador]

      
 Alguém o convidou?
   
«André Villas-Boas antigo treinador e confesso adepto do FC Porto assegura que nunca irá treinar o Benfica. O técnico do Zenit, adversário do Benfica na Liga dos Campeões, garante que o regresso à cidade Invicta “é uma questão de tempo”.

1“Penso que o regresso ao FC Porto será uma questão de tempo, não sei em que posição, nem tenho prazo estabelecido para isso. Tive um período muito feliz que me dá essa possibilidade de regressar. Felizmente, sei que tenho essa porta aberta, e espero um dia ser útil ao FC Porto”, atirou, em entrevista à SIC, respondendo de forma pragmática caso fosse sondado pelo Benfica sobre a possibilidade de orientar as ‘águias’: "Não".» [Notícias ao Minuto]
   
Parecer:

Fez-se convidado...
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»
  
 O Deutsch Bank faz a asneira e Portugal é que paga
   
«A escalada dos juros da dívida pública portuguesa é um dos factos que mais atenções estão a concentrar nos mercados internacionais. A taxa de juro da dívida a 10 anos estava às 12h30 desta quinta-feira nos 4,230%, o que representa uma subida de quase 0,7 pontos percentuais face ao dia de ontem, de acordo com os dados publicados pela Reuters. Durante a manhã, a situação chegou a ser pior, com a taxa de juro a aproximar-se dos 4,5%.

Esta é, de longe, a maior subida nas taxas de juro da dívida na União Europeia. Apenas a Grécia se aproxima, com uma subida de 0,4 pontos percentuais, o que coloca a sua taxa de juro da dívida pública nos 11,585%. A Grécia continua desde 2010 sem conseguir recorrer ao financiamento de longo prazo nos mercados.

A subida das taxas de juro da dívida dos países do Sul da Europa acontece num cenário global de fuga dos investidores ao risco. São várias as notícias a preocupar os investidores, desde os problemas no Deutsche Bank, a pressão a que se assiste em toda a banca europeia por causa da introdução das novas regras de resolução e os sinais de abrandamento da economia mundial, nomeadamente na China.» [Público]
   
Parecer:

É uma pena que o ministro alemão das Finanças ache que deve ser Portugal a aplicar austeridade para que os mercados tratem bem os seus bancos.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Espere-se para ver.»
  

quinta-feira, fevereiro 11, 2016

Chuva de manchetes fiscais típicas da época



A comunicação social de hoje proporciona-nos duas capas muito interessantes do ponto de vista da abordagem que em Portugal se faz das questões fiscais, a abordagem do senso comum ciclicamente repetida pela comunicação social e a do poder.

Sempre que Portugal enfrenta dificuldades procuram-se culpados, para uns os pobres consomem demais, para outros os ricos pagam de menos, para uns o dinheiro dos primeiros são um direito e o dos segundos um abuso, para outros o dinheiro dos primeiros é um custo e o dos segundos investimento. Esta luta de classes também está presente no domínio da fiscalidade e do combate à evasão fiscal, sendo opinião muito comum que são os ricos que se escapam aos impostos.
  
Subjacente a esta ideia há uma outra de que a máquina fiscal deve ser tolerante com os pobres e dura com os ricos, porque quando os pobres não pagam impostos é porque não podem e tiveram de dar de comer a um filho, enquanto os ricos fazem da evasão fiscal um desporto nacional e os seus campos de golfe são buracos orçamentais. Cria-se a ideia de que a evasão fiscal tem duas abordagens, é condenável quando praticada pro uns e progressista se for praticada por outros.
  
Em Portugal nunca se fez um estudo sério sobre a evasão fiscal, e ela forma como a economia reagem em situações de austeridade extrema até desconfio que a economia informal é bem mais dinâmica económica e socialmente do que se imagina. Quem foge aos impostos em Portugal? É verdade que os nossos ricos são dos que menos pagam, mas também é verdade que em Portugal a evasão fiscal é generalizada nos extremos da riqueza, porque entre os menos ricos o ordenado pago por fora, o "biscate", a prestação de serviços sem factura, a evasão contributiva é tão generalizada que é bem capaz de ter um peso significativo não só nas contas do fisco, como também nas do emprego e da distribuição do rendimento.
  
A segunda notícia é fruta da época, nos últimos anos os governos têm sido oportunistas e não só cortaram vencimentos e aumentaram impostos a quem os paga, como obrigaram os contribuintes a financiarem o Estado através de tabelas retenção do IRS abusivas, isto é, os portugueses todos anos empresta dinheiro ao Estado sem terem o direito de o recusar. O governo de Passos usou e abusou deste expediente.
  
Mas em vez de normalizarem esta situação os governos são incapazes de retroceder e nesta época não resistem à tentação da propaganda fácil, com um pouco de vergonha a menos transforma o reembolso do que foi indevidamente corado num acto de generosidade dos governantes. Habitualmente os secretários de Estado dos Assuntos Fiscais começam mais tarde, informam que começaram os reembolsos, quinze dias depois informam qe já foram devolvidos não sei quantos milhões, uns dias depois sabemos que já foram processados a quase totalidade.
  
Desta vez e talvez porque os que mais são reembolsados são precisamente os que não sentiram o fim da austeridade o secretário de Estado achou que devia ter um gesto de generosidade com aqueles que nos últimos dias foram promovidos a nova burguesia. Os contribuintes devem estar gratos ao secretário de Estado e começar a marcar as férias em Cancun pois este anos a generosidade governamental nos reembolsos é ainda maior. É caso para dizer "obrigadinho ó Andrade pela generosidade da gorjeta!".

Umas no cravo e outras na ferradura



 Jumento do dia
    
Nuno Magalhães, deputado do CDS

Há limites para a falta de honestidade e para o oportunismo político mas essa não aprece ser a praia de Nuno Magalhães. Atribuir ao actual governo quaisquer responsabilidades no aumento ou na redução do desemprego revela uma grande falta de respeito pela inteligência dos portugueses, domínio em que o deputado do CDS é campeão.

Só alguém pouco honesto considera que ignora que uma boa parte do último trimestre foi governado pro Passos Coelho e que durante esse período o actual governo pouco ou nada fez. Atribuir um aumento estatístico do desemprego ao novo governo mostra uma forma execrável de fazer política.  Como o desemprego corresponde aos pedidos de emprego porque não concluir que os desempregados que tinha desistido de procurar emprego nos centros de desemprego voltaram a ter esperança tendo voltado a inscrever-se? É uma hipótese, não acha Nuno?

«Nuno Magalhães, do CDS, comentou ao final desta manhã, à saída da conferência de líderes parlamentares na Assembleia da República, os números do desemprego divulgados esta quarta-feira pelo Instituto Nacional de Estatística (INE).

O INE realça que o último trimestre de 2015 terminou com uma taxa de desemprego na ordem dos 12,2%, valor que marca uma subida de 0,3% em relação ao trimestre anterior.


“Números saídos hoje vêm ao encontro do que o CDS sempre disse”, afirmou Nuno Magalhães aos jornalistas, acrescentando de seguida que “quando houve confiança dos investidores, conseguimos reduzir uma taxa superior a 17% para uma taxa inferior a 12%, nos primeiros três trimestres”.» [Notícias ao Minuto]
      
 Mais uma alternativa a Guterres
   
«A Bulgária anunciou formalmente, nesta terça-feira, a candidatura da chefe da Organização da ONU para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO), Irina Georgieva Bokova, ao cargo de secretário-geral das Nações Unidas. “O ministério dos Negócios Estrangeiros enviou uma carta a nomear Irina Georgieva Bokova para o cargo de secretário-geral da ONU”, refere um comunicado da diplomacia búlgara. “Dada a sua formação e experiência, Bokova pode ser um dos principais candidatos na campanha para a secretária-geral da ONU”, acrescenta.

O próximo secretário-geral da ONU assumirá funções a 1 de janeiro de 2017, substituindo o sul-coreano Ban Ki-moon, que cumpriu dois mandatos de cinco anos. Bokova, de 63 anos, foi a primeira mulher a liderar a UNESCO e a primeira figura do antigo bloco soviético a liderar uma agência da ONU, quando foi eleita em 2009.

A admissão da Palestina como país-membro da UNESCO, em outubro de 2011, e a suspensão imediata do financiamento da organização pelos Estados Unidos causaram alguns problemas a Bokova, que acabou por ser reconduzida no cargo. O seu mandato à frente da UNESCO termina no final de 2017. “Sei que vou ganhar a votação na ONU”, disse Bokova ao canal de televisão privado Nova. Vários ‘media’ búlgaros noticiaram que Bokova conta com o apoio da Rússia na candidatura à ONU.» [Observador]
   
Parecer:

Guterres vai acabar mesmo na A. João XXI.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»
  
 O El Niño da prejuízo na Serra da Estrela
   
«"Reportando-nos ao último ano, e sem termos em conta as perspetivas de crescimento que tínhamos para 2016, estamos seguramente a falar de mais de meio milhão de euros de prejuízo", afirmou Carlos Varandas, em declarações à agência Lusa.

O responsável explicou que as poucas vezes que caiu neve na Serra da Estrela, na Covilhã, distrito de Castelo Branco, não foi em quantidade suficiente para pôr a funcionar as pistas e que, além disso, as temperaturas que se têm registado também não permitiram recorrer à produção de neve de cultura (artificial).

"Temos condições técnicas para fazê-lo, mas com temperaturas elevadas como as deste ano torna-se impossível", acrescentou.» [Notícias ao Minuto]
   
Parecer:

´Como diria o outro e o aquecimento global estúpido!
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»

quarta-feira, fevereiro 10, 2016

A luta de classes passou a luta de escalões do IRS


Zé das papas, cinzeiro de Bordalo Pinheiro

Fala-se muito do OE e muito pouco do OF, o orçamento das famílias, como se tudo dependesse do primeiro e o segundo fosse inteiramente neutro em relação ao crescimento e desenvolvimentos económicos. Pior ainda, fala-se muito do segundo como se as suas recitas fossem financiadas inteiramente pelas despesas do primeiro. Mas o tema passou a fazer sentido quando o secretário de Estado decidiu estabelecer um patamar a partir do qual os portugueses são considerados ricos e por isso sujeitos a austeridade e a compensar as medidas de aumento de rendimentos dos "pobres", patamar ontem confirmado pelo próprio ministro das Finanças.

Francisco Loução, um conhecido keynesiano da nossa praça, deu consistência técnica a este tique bloquista da equipa das Finanças.. No seu tempo de antena socorreu-se dos velhinhos livros de introdução á economia para do alto da sua sabedoria explicar no seu tempo de antena na SIC Notícias a vantagem de aumentar o rendimento dos pobres. Segundo a sua douta opinião os pobres estão carentes e com o aumento do rendimento correm a comprar produtos de primeira necessidade.
  
Segundo esta lógica digna de um tubérculo o aumento do rendimento promovido no OE com vista ao crescimento deve ser orientado para os mais pobres. Como os supostos ricos comprarão bens de luxo importados aumentando a carga fiscal sobre este para financiar o aumento do rendimento dos mais pobres terá como consequência um aumento da procura interna e a redução das importações, uma pequena pequena pérola da teoria económica. 
  
No tempo de Keynes, um tempo em que os Louçãs da época preferiam outras obras de economia, isto era verdade, uma boa parte da economia era uma economia de cantina e as trocas internacionais estavam fortemente condicionadas por restrições quantitativas e pela imposição de pesados direitos aduaneiros. No tempo das cantinas os pobre recorriam ao fiado e um aumento de salários traduzia-se no aumento de consumo de bens alimentares.
  
Mas como o aumento dos rendimentos apenas para alguns é explicada por esta tese seria bom que fosse feito um estudo sério sobre os rendimentos e os consumos dos contribuintes abrangidos pelos diversos escalões de rendimento do IRS. O que ganham, como ganham, que impostos pagam ou deixam de pagar, o que consomem ou desejam consumir.
  
Quem se escapa mais aos impostos e contribuições, um médico do SNS ou de um hospital privado ou um pedreiro que trabalha para um subempreiteiro? Quantos técnicos dos escalões dos ricos declaram o ordenado mínimo para efeitos fiscais e contributivos recebendo a diferença "por fora"? Quem compra produtos biológicos produzidos numa quinta portuguesa e quem prefere as frutas importadas? Quem vai de férias para a República Dominicana?
  
Falar dos rendimentos e dos impostos pagos pelos diversos grupos sociais estabelecendo uma relação entre estes e o crescimento para justificar opções de política económica exige estudos e argumentos mais sérios e mais actuais do que a lógica da economia de cantina que serve de quadro ao pensamento dos nossos Louçãs. Só é possível perceber qual o impacto das medidas de austeridade adoptadas por este OE se conhecermos o comportamento dos diversos grupos profissionais e isso implica conhecer os seus padrões de consumo e o seu comportamento fiscal.

Recorrer às velhas explicações dos livros de introdução à economia, livros dos anos 70 feitos a pensar na economia dos anos 50 é gozar com a inteligência dos portugueses. Parece que esta cultura bloquista que vai dominando muita gente transformou a luta de classes em luta de escalões do IRS, pelo que faz sentido estudar de que forma cada grupo contribui para o crescimento seja pela forma como cumpre com as suas obrigações fiscais, pela forma mais ou reprodutiva como gasta os seus rendimentos, pelo contributo que dá para a poupança, pelo que investe no ensino, pelo que gasta em saúde, etc.

Umas no cravo e outras na ferradura


  
 Jumento do dia
    
Mário Centeno

Centeno ter razão, comparando com quem ganha metade ganhar 2000 euros é ser privilegiado, há muitas formas  de ser privilegiado e para quem tem fome um papo-seco sabe a bolo, Mas sugerir que a partir de 2000 euros somos ricos e não temos direito a menos impostos e a 100% do vencimento é defender mais ou menos o mesmo que o governo anterior.

 Ainda há esperança!


 A reunião do Eurogrupo é a última esperança da direita.

 Referendo sobre a morte assistida?

Nunca votarei em tal referendo, não me sinto no direito de condenar alguém a uma vida de sofrimento prolongado só porque lhe quero impor as minhas convicções pessoais, políticas ou religiosas. 

      
 British Airways, empresa de transportes urbanos do Porto
   

«Numa altura em que Rui Moreira espera que o memorando assinado entre o Executivo de Costa e o consórcio Gateway inverta a indiferença da TAP face ao Porto, o próprio autarca partilhou na sua página no Facebook um anúncio sobre o reforço da atividade de outra companhia aérea na Invicta.

A British Airways, que regressou em 2014 ao Porto depois de 15 'fora', vai triplicar a partir de quinta-feira (dia 11 de fevereiro) a sua atividade na cidade, com mais quatro voos semanais para Londres/Gatwick. E no próximo mês, esta rota passará a ter também voos diários de e para o Aeroporto Sá Carneiro.» [Notícias ao Minuto]
   
Parecer:

Compreende-se que um autarca do Porto lute pela sua cidade, mas começa a faltar a paciência quando se luta pondo em causa  a gestão de uma empresa com o objectivo de a forçar a operar não em função de critérios de gestão, mas como se fosse um serviço camarário. Se Rui Moreira tem o direito de exigir que a TAP actue como uma empresa de transportes urbanos os autarcas de Trás-os-Montes, das Beiras ou do Alentejo também têm esse direito.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Lamente-se o discurso miserável do autarca.»
  
 Deu-lhe a vontade de debater
   
«O requerimento, assinado pelo líder da bancada parlamentar do PSD, Luís Montenegro, a que a agência Lusa teve acesso, deu hoje entrada no Parlamento, referindo o texto que "importa conhecer, debater e avaliar no quadro da Assembleia da República, a operação de reversão parcial da privatização de 61% do capital social da TAP, que confere agora ao Estado a posse ambígua de 50% das ações da empresa".

O documento refere ainda ser necessário conhecer as condições do novo negócio "e implicações para o Estado e para o erário público, bem como as respetivas consequências para a estabilidade e sustentabilidade da empresa".» [Notícias ao Minuto]
   
Parecer:

Quando o governo do PàF fez io negócio à pressa e às escondidas quando era um governo de faz de conta o Montenegro, um grande monte de treta, não sentiu falta de chamar o governo ao parlamento.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»

 Volta Lopetegui, a culpa é do árbrito
   
«Um dia depois de ter falado de "coincidências familiares" na sequência do trabalho do árbitro da Associação de Futebol do Porto, o FC Porto acusa Rui Costa de ter subtraído ao clube cinco pontos "no espaço de um mês".

"Primeiro no jogo frente ao Rio Ave [1-1], em que perdoou um penálti aos forasteiros; anteontem [domingo], frente ao Arouca [1-2], foi o que se sabe e não vale a pena relembrar um lance que está bem fresco na memória de todos", pode ler-se na 'newsletter', em referência ao golo invalidado ao argelino Brahimi na segunda parte.

Na 'newsletter' de segunda-feira, o FC Porto abordou o vínculo familiar entre Rui Costa e Paulo Costa (irmão), membro do Conselho de Arbitragem (CA) da Federação Portuguesa de Futebol (FPF), bem como o facto de um dos adjuntos do treinador do Arouca, Lito Vidigal, ser filho do presidente do CA, Vítor Pereira.» [Sapo]
   
Parecer:

Afinal o Lopetegui foi despedido por causa do  árbitro Rui Costa.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»
  

terça-feira, fevereiro 09, 2016

Há crescimento para lá do orçamento



Em Portugal criou-se a ideia de que o problemática do crescimento deve estar centrado na questão orçamental, como se tudo dependesse deste instrumento. À direita considera-se que a boa despesa é a que faz encomendas às empresas ou a despesa negativa que resulta dos benefícios fiscais aos lucros e rendimentos dos mais ricos. Para a esquerda a boa despesa é a que é feita em benefícios sociais, em saúde e educação ou no bem-estar dos trabalhadores. 
  
Este preconceitos políticos leva  a que se considere que determinadas políticas são de esquerda e outras de direita. De direita é reduzir a despesa, cortar em vencimentos de trabalhadores, desinvestir na saúde e escolas públicas, aumentar os impostos sobre o trabalho e diminuir os impostos sobre os lucros, para a direita esta receita milagrosa trás progresso. Para a esquerda défices elevados significam aposta em crescimento, a eficácia do estado deve medir-se pela felicidade dos funcionários e para sectores como a saúde e o ensino os recursos devem ser considerados ilimitados. 
  
Não admira que desde o presidente da Galp ao dono do grupo holandês Jerónimo Martins, todos se esforcem por influenciar as decisões em matéria de política orçamental. A bem do país a gasolina deve ser barata pois há uma coincidência entre crescimento e lucros da GALP. Cada grupo de pressão considera que o sucesso dos seus é condição para o crescimento. Do lado da esquerda vemos os professores defenderem que quanto maior for o seu bem-estar mais aprendem os alunos.
  
Daqui resulta uma cultura de orçamento-dependência, todas as soluções que não se traduzam em despesa pública não merecem grande atenção pois o motor do crescimento está nos dinheiros públicos. Para uns a economia cresce se os patrões forem felizes, para os outros o crescimento é uma emanação da felicidade dos trabalhadores. Não admira que quando se discutem temas como a competitividade o debate volte a centrar.se no dinheiro do Estado.
  
Todavia, o país pode modernizar-se e apostar na competitividade e no crescimento sem gastar um tostão. Bastaria que as centenas de personalidades da política ou dos mais diversos quadrantes da vida social deixassem de gastar quase todas as energias com os dinheiros públicos para que se encontrassem uma infinidade de situações que poderiam melhorar o país e a sua economia sem gastar um tostão. O país tem um grande défice de modernização ao nível da cultura das organizações e desse “buraco” ninguém fala, provavelmente porque não dá dinheiro.

A competitividade é também penalizada pela ineficácia na gestão, pela burocracia do estado e das empresas, pelos mecanismos dos mais diversos tipos que impedem a escolha das melhores soluções ou a promoção dos mais honestos e competentes. Mas este crescimento não dá “dinheiro fácil” e muitos grupos corporativos não estão interessados em discuti-lo. 

Umas no cravo e outras na ferradura



 Jumento do dia
    
Carlos Gomes da Silva, presidente da GALP

Este senhor vem recorrer ao velho argumento dos vendedores que não gostam e impostos, para proteegr os seus lucros são grandes defensores de aumentos de impostos sobre o rendimento do trabalho, ignorando que desvalorizando o trabalho com impostos em vez de irem a Badajoz comprar gasolina os portugueses vão ainda mais longe, vão trabalhar para a França, Alemanha ou Inglaterra. Mas os senhor da GALP não faz as contas à gasolina que estes portugueses compram.

«O aumento do Imposto sobre os produtos Petrolíferos (ISP) proposto no esboço do Orçamento do Estado vai afetar as vendas do sector petrolífero, os consumidores e a economia nacional, sustenta a Galp Energia na apresentação das contas realizada esta segunda-feira. "O país, como um todo, vai perder", diz o presidente Executivo da empresa, Carlos Gomes da Silva.

Este agravamento, de 6 a 7 cêntimos por litro no preço da gasolina e do gasóleo - conjugando o ISP com o IVA -, terá sobretudo impacto nas vendas de gasolina e gasóleo na zona raiana portuguesa, que podem ser deslocalizadas para os abastecimentos em Espanha, "onde os postos da Galp tentarão servir os clientes da melhor forma possível", refere Gomes da Silva.» [Expresso]

      
 O truque do referendo
   
«Luís Marques Mendes afirma que o manifesto sobre a morte assistida em Portugal, que juntou figuras de relevo da sociedade, “é bom” já que não deve haver tabus em democracia, mas defende a realização de um referendo para decidir sobre este tema. Sobre o Orçamento do Estado, o social-democrata afirma que o PS é o único que não se revê no documento final entregue na Assembleia da República depois da introdução das exigências de Bruxelas e dos partidos à esquerda.

“No momento em que o debate esteja feito e haja decisão, seria positivo que a decisão fosse feita com o povo português e não pelos deputados da Assembleia da República”, sugeriu esta noite Marques Mendes sobre a eutanásia, ou morte assistida, no seu espaço de comentário habitual na SIC. O antigo líder do PSD afirma que esta é uma matéria que divide a sociedade – à semelhança do que aconteceu com o aborto” – e os próprio partidos e que será sempre mais fácil para quem discorda da decisão aceitar se a palavra final for de todos os portugueses. Mendes não deu a sua opinião pessoal sobre o tema.» [Observador]
   
Parecer:

A direita adora estas batalhas, principalmente quando não tem maioria parlamentar.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»
  
 O quarto pior país para trabalhar
   
«Portugal é o quarto pior país para se trabalhar. Quem o diz é a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento (OCDE) através de um estudo onde analisou as taxas de desemprego de longa duração, emprego e a segurança laboral em 34 grandes economias.

Concentrando-se também no “medo de perder o emprego” das populações e a remuneração média dos trabalhadores, a OCDE chegou à média de 6,6 pontos em relação à qualidade de emprego. A Islândia lidera a lista seguida da Suíça e Noruega. No outro extremo da tabela, está a Grécia em último lugar, com 1,5 pontos, a Espanha com 2,4 pontos, a Turquia 3,8 e Portugal que reúne 4,1 pontos, dá conta o Diário de Notícias na sua edição desta segunda-feira.

Em concreto, Portugal é mais penalizado em relação ao desemprego de longa duração onde a pontuação de 9,1% representa o triplo da média da OCDE que tem uma percentagem de 2,8. O rendimento per capita por terras lusas é igualmente penalizador no resultado final, visto que é cerca de 20% mais baixo do que a média que é de 25.908 dólares (23.216 euros) – em Portugal o rendimento per capita é de 20.086 dólares (cerca de 18 mil euros).» [Observador]
   
Parecer:

Mas em nome da competitividade ainda há-de ser o pior.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Espere-se para ver.»
  

segunda-feira, fevereiro 08, 2016

O emplastro


Simpáticos social-democratas desde sempre

Passos Coelho ainda não percebeu que já “morreu” mas esqueceram-se de o enterrar. O seu guru António Borges faleceu, Vítor Gaspar fugiu em busca da sua zona de conforto e até Paulo portas optou por andar por aí, mas Passos optou por andar armado em primeiro-ministro no exílio exigindo o poder para poder acabar o que supostamente começou. 
  
Agora esta alma penada da política portuguesa diz que sempre foi social-democrata, que foi quando desejava despedir funcionários públicos, quando decidiu aumentar horários de trabalho sem qualquer negociação ou contrapartida, quando sugeriu aos jovens que partissem, quando defendeu que o despedimento era uma oportunidade na vida. 
  
Toda a gente sabe que à medida que os portugueses vão percebendo o que lhes feito com a ajuda da troika as probabilidades de Passos Coelho ganhar as eleições são cada vez mais pequenas. Mas mesmo assim Passos Coelho vai ganhar o congresso do PSD por uma maioria digna da Coreia do Norte, só não ganharia as eleições se as sondagens apontassem ara uma vitória nas legislativas com outro candidato e para uma derrota clamorosa com Passos Coelho. Nessa altura desde o Hugo Soares ao Morado penduraria Passos na árvore mais próxima e aclamariam o novo líder.

Passos Coelho criou o lodaçal em que se está enterrando e a partir do momento em que a direita perdeu a maioria parlamentar tudo lhe correu mal, viu Rui Rio fugir da disputa presidencial, foi humilhado por Marcelo Rebelo de Sousa que quase o proibiu de aparecer na sua campanha. Agora resta a Passos que ocorra uma nova crise financeira que derrube o governo de António Costa ou que as armadilhas que deixou montadas produzam os seus resultados.
  
O PSD vai escolher um líder que todos sabem ser mentiroso, que teve um dos piores resultados eleitorais da direita, que é detestado pelo Presidente da República eleito de quem gozou e a quem se referiu de forma humilhante e pouco frontal em documentos de um congresso do PSD. O PSD está de parabéns, essa trupe formada por figuras como Passos Coelho, Maria Luís, Morgado, Hugo Soares e outras sumidades são mesmo o futuro da “social-democracia” do PSD.

Umas no cravo e outras na ferradura


  
 Jumento do dia
    
Hugo Soares

Isto de querer dar nas vistas ao mesmo tempo que se mantém viva a agenda de um PSD liderado por um primeiro-ministro no exílio tem das suas desvantagens e a maior delas é ter de se fazer figura de parvo. Foi o que sucedeu a este rapazola que gosta tanto de se ouvir que só diz baboseiras.

«No teatro Sá da Bandeira, no Porto, o deputado social-democrata Hugo Soares comentou a proposta do Orçamento do Estado para 2016 do Governo socialista. 

"À medida que vamos conhecendo em detalhe o Orçamento do Estado parece-nos claro que ele fica para a história batizado como o Orçamento do toma lá, dá cá", afirmou o vice-presidente do grupo parlamentar do PSD.

Depois de Bruxelas ter dado 'luz verde' ao Orçamento de António Costa, a Direita não deixou de mostrar as suas reservas face às propostas. "É um Orçamento que retira rendimento às famílias, embora pareça devolver de forma artificial. Neste Orçamento há de facto um gigantesco aumento de impostos", esclareceu.» [Notícias ao Minuto]
  

domingo, fevereiro 07, 2016

Semanada



Com recursos escassos não há orçamentos bons, todos os orçamentos são maus e uns são ainda piores do que os outros. O OE deste governo não é bom, mas é bem melhor do que os orçamentos do governo de Passos Coelho e é bem melhor do que seria um orçamento do PàF, assente em mentiras eleitorais e prosseguindo na estratégia da desvalorização fiscal, uma política assente em aumentos de impostos sobre o rendimento do trabalho para financiar a redução dos impostos sobre o capital
  
Umas das medidas mais sacanas de Passos Coelho foi o aumento do horário de trabalho, o objectivo é prosseguir no projecto de escravatura parcial dos funcionários públicos, compensando as perdas de recursos humanos no SN e criando condições para despedimentos colectivos em massa de funcionários públicos. Era esta a grande medida de ajustamento de que Passos fala, o seu objectivo era diluir os cortes de vencimentos numa nova tabela de vencimentos e promover o despedimento em massa no Estado. Lamentavelmente a esquerda ainda não conseguiu corrigir esta medida manhosa.

A direita teve várias alegrias por causa do esboço do OE, começou por sonhar com a possibilidade de a sua derrota ser vingada pela direita europeia e acabou extasiada porque a senhora Merkel elogiou o governo de Passos Coelho. Agora espera-se que à semelhança do que fez com José Sócrates a chanceler alemã também convide Passos Coelho, o tal que é social-democrata desde e para sempre.
  
Maria José Morgado e o juiz Alexandre caminham para o estrelato internacional diria mesmo que um dia ainda vão ser capa da Time. Entretanto, os interesses franceses em África deverão estar-lhes profundamente gratos. Por este andar ainda a Guiné Equatorial vai chegar à conclusão de que o melhor será abandonar a CPLP.

Umas no cravo e outras na ferradura



 Jumento do dia
    
Passos Coelho

Passos Coelho já não disfarça a sua oposição á reposição dos vencimentos dos funcionários públicos tal como ordenou o Tribunal Constitucional e ele próprio prometeu fazer, ainda que se soubesse que se tratava de mais uma das suas mentiras. Agora até diz que repor os vencimentos é "distribuir dinheiro". Acabar com a carreira deste senhor começa a ser uma questão de higiene para o país.

«"Sai-nos muito cara a política a política da fanfarrice (...) na educação sempre que se quis um sistema mais facilitista e menos exigente, de andar a gastar dinheiro em coisas que não ajudam ao crescimento do país, a ideia de que o que temos é de agradar e distribuir dinheiro quando muitas vezes ficamos muitos anos a pagar esse dinheiro sem que ele possa gerar um emprego sustentável e riqueza", declarou num discurso dirigido à plateia.» [DN]

 Televisão generosa

Sábado, onze da manhã. A RTP faz uma ligação directa a Bragança para transmitir o discurso de Passos Coelho numa sessão interna do do PSD de promoção da sua campanha. Não será melhor mudar o gabinete de informação da RTP para a São Caetano à Lapa, ao menos os contribuintes poupavam, na iluminação e aquecimento do gabinete do servil senhor? Alguém se esqueceu de dizer aos responsáveis da RTP que Passos apesar de insistir em usar o pin da bandeirinha e de andar armado em primeiro-ministro no exílio já não é governo e dificilmente conseguirá voltar a sê-lo enquanto o cata-vento estiver em Belém.

      
 TAP, afinal foi fácil
   
«O Governo de António Costa vai pagar 1,9 milhões de euros para o Estado ficar com 50% da TAP, resultado das negociações com o consórcio Atlantic Gateway, que detinha 61% do capital do grupo dono da transportadora aérea. A Atlantic Gateway fica agora com 45%, podendo chegar aos 50% com a aquisição do capital à disposição dos trabalhadores.

Na cerimónia que firmou o novo acordo, na manhã deste sábado, o empresário Humberto Pedrosa, que lidera o consórcio privado que venceu a privatização da TAP em 2015, afirmou estar confortável com a nova solução encontrada. "A boa vontade de ambas as partes permitiu que terminasse em casamento", referiu. "O importante é que está assegurada a continuação da gestão privada da TAP e  assegurado o nosso plano estratégico", sublinhou Pedrosa.» [DN]
   
Parecer:

Foi mais fácil do que parecia.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Espere-se para ver.»
  
 Pior do que uma Marisa são duas Marisas
   


«Marisa Matias cruzou-se com uma sósia e não resistiu a partilhar o momento nas redes sociais. "Separadas à nascença. Finalmente conheci hoje a Elisabete Fernandes, produtora do Alta Definição, e confirma-se. Na próxima campanha - se houver - já somos duas", escreveu a candidata pelo Bloco de Esquerda às presidenciais na sua página de Facebook.

Na fotografia, Marisa Matias e Elisabete Fernandes surgem lado a lado e de sorriso rasgado. O facto da sósia da antiga eurodeputada ser produtora do programa Alta Definição, conduzido por Daniel Oliveira na SIC, deixa no ar a possibilidade de Marisa Matias ser uma das próximas convidadas do formato.» [JN]
   
Parecer:

É uma praga de Marisas.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»

 Passos quer esclarecimentos sobre a TAP
   
«O presidente do PSD, Pedro Passos Coelho, reclamou nesta sábado do Governo esclarecimentos sobre a reversão da privatização da TAP para que não fique a ideia de que se trata apenas de “uma questão de birra”. “Acho que é importante que o Governo explique bem, com transparência [o negócio da TAP], para que não fique a ideia que o Governo, por uma questão de birra, queria ficar com mais de 50% da TAP. Afinal não são mais de 50%, mas os privados é que mandam”, afirmou.

O antigo primeiro-ministro falava à margem de uma sessão com militantes, em Bragança, para apresentação da sua recandidatura a presidente do PSD e lembrou que o partido “já hoje deu indicação de que é preciso que o Governo, nomeadamente o ministro que tem a tutela desta matéria possa rapidamente ir ao parlamento esclarecer os detalhes desta operação”.

“Não percebemos bem qual é a intenção do Governo em ficar com 50%. É preciso ver se o interesse público está devidamente acautelado, mas tudo isso terá de se ver em sede de audição do próprio ministro, no parlamento”, observou.» [Observador]
   
Parecer:

Pois, vendeu a TAP sem dizer nada a ninguém e quando era um primeiro-ministro de faz de conta a agora quer transparência.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Que vá à fava.»