sábado, fevereiro 20, 2016

O Naufrágio do Costa Discordia



Passos Coelho escolheu o tema governador do Banco de Portugal para mais um dos seus brilhantes momentos de primeiro-ministro no exílio. Depois do golpe de  Estado que obrigou Passos Coelho a exilar-se em Massamá, instalando aí a sua residência oficial de onde prepara guerrilheiros como a Maria Luís ou o Montenegro para reconquistar o poder, que Bruxelas é um importante palco para o nosso artista.
  
Agora, sempre que se realiza uma cimeira europeia lá vai o nosso exilado mais o Zeca Mendonça dar ares de primeiro-ministro sem pasta, o espectáculo +e tão divertido que o homem até devia convidar o D. Duarte e o rei do Carnaval da Mealhada para o acompanhar, assim teríamos uma importante delegação constituída por um primeiro-ministro sem governo, um rei tem trono e outro sem Carnaval.

Foi graças ao seu grito dado em Bruxelas que fiquei a saber que algo se passava de muito grave em Portugal, e enquanto o primeiro-ministro no exílio não regressou andei preocupado, sem saber do que se tratava, só sabia que algo de muito grave teria sucedido. Percebi depois que o que de tão grave eu tinha sucedido tinha sido o suposto ataque de Costa a Costa, dando lugar ao naufrágio do Costa Discórdia.
  
Da mesma forma que Passos desempenha na perfeição o papel de primeiro-ministro no exílio imagino-o a fazer de Francesco Schettino tendo ao seu lado Maria Luís, fazendo o papel da namorada croata com que o comandante italiano andava enfarinhado enquanto o navio batia nas rochas. Mas aqui o Costa Concórdia não bateu nas pedras, foi o Costa que desatou à pedrada ao outro Costa.
  
Acontece que os Costas são independentes um do outro mas enquanto o Carlos pode criticar a política orçamental do António, este não pode criticar a vista grossa do Carlos e muito menos o facto de enterrar os investidores no BES para passar a mentira de Passos e Maria Luís de que a falência forçada do BES não teve custos para o contribuintes e ainda deu para empregar o filho do Durão Barroso e o ex-secretário de Estado dos Transportes. 


Umas no cravo e outras na ferradura


  
 Jumento do dia
    
César das Neves

O economista da Católica é um dos maiores especialistas portugueses em disparatologia, basta ler os seus artigos do DN para se perceber até onde pode ir a mente humana em matéria de disparates. Agora foi às jornadas parlamentares do PSD aquilo que por ali mais se deseja ouvir pois é a base da estratégia de Passos Coelho que quer voltr ao governo sem limites constitucionais para dar mais uma pinochetada no país, que o país está a beira de um resgate.

Mas o ambiente na direita já é tão descontraído que a recuperação das teses de Salazar não só tão na moda como  são ouvidas avidamente num partido liderado por um Passos Coelho cujo lema é "social-democracia sempre". Não seria melhor mudar para nacional-social-democracia? Até podiam aproveitar as opiniões de César das Neves, essa mistura em ponto de rebuçado entre o cristianismo mais fundamentalista e o salazarismo, para orientação ideológica.

«O antigo ministro das Finanças João Salgueiro considerou esta sexta-feira que um novo resgate financeiro a Portugal "pode ser inevitável" e o professor universitário João César das Neves defendeu mesmo que se está "à beira de um novo resgate".

Os dois economistas assumiram esta posição nas jornadas parlamentares do PSD, em Santarém. No início da sua intervenção, João Salgueiro defendeu que se aproxima uma mudança profunda em Portugal e disse que já se começa a pensar que um quarto resgate "pode ser inevitável".

Durante o período de debate com os deputados, César das Neves colocou esse cenário como uma certeza: "Está-se à beira de um novo resgate em Portugal, e certamente uma crise muito mais vasta do que isso. A Europa está fragilizadíssima e, portanto, estamos por meses de ver aí uma coisa mesmo séria".

Segundo César das Neves, o Governo do PS está consciente disso, e por isso desvaloriza "os disparates" do processo de aprovação do Orçamento do Estado para 2016. "O que eles estão a pensar é: vem aí uma trovoada de um tamanho tal que qualquer disparate que a gente faça antes desaparece. Eu acho que é isso".

Convidado para intervir num painel sobre "Caminhos seguros para o crescimento económico duradouro", o professor universitário descreveu Portugal como "um país rico de pobres", que está "em vias de extinção" devido à falta de nascimentos e à emigração, com uma economia prejudicada pela "evasão fiscal" e "rigidez no mercado de trabalho" e em que "está tudo falido".


César das Neves terminou a sua intervenção com uma citação de Salazar sobre "riqueza ilusória" que termina com a seguinte afirmação: "Todos estes males têm somente uma cura - a estabilização da moeda, e esta é impossível, independentemente da solução do problema financeiro".» [Publico]

      
 Desta vez Moreira foi longe demais
   
«O autarca de Vigo, Abel Caballero, anunciou na quinta-feira o corte de relações com o presidente da Câmara do Porto e exigiu a Rui Moreira um "pedido de perdão" à cidade galega pelo "insulto claríssimo e intolerável" de foi alvo.

A posição do presidente da Câmara Vigo, anunciada em conferência de imprensa naquela cidade galega, surge na sequência da entrevista que Rui Moreira deu à revista Visão, a propósito da intenção de a TAP de criar uma ligação entre Vigo e Lisboa. "Vigo sente-se como a salsicha fresca dentro de uma francesinha, com um aeroporto miserável e que percebeu que há um senhor americano em Lisboa que tem uns aviões a hélice parados", afirmou o autarca português quando questionado sobre o facto de o Porto ter conseguido dividir as cidades galegas e os seus três aeroportos em benefício do Sá Carneiro.

"Exijo que retifique as declarações e peça perdão a esta cidade por um insulto gravíssimo como nunca ouvi de nenhum responsável político em toda a minha vida política", disse Caballero no encontro com os jornalistas, e a cujo registo áudio a Lusa teve acesso.

Caballero disse que "respeita os alcaldes que defendem as suas cidades mas que detesta os que insultam". "Esta é a minha cidade e não o vou tolerar esse comportamento", sublinhou.

Abel Caballero classificou as afirmações de Rui Moreira como "impróprias e indignas de um autarca de uma cidade que considera amiga".

Na entrevista à Visão, Rui Moreira, afirmou ainda que "os cidadãos de Vigo serão levados pela TAP para Lisboa acompanhados ou não, durante uma noite", referindo-se à intenção da TAP de criar um pacote promocional naquela ligação a Vigo, que incluirá uma noite num hotel lisboeta, com pequeno-almoço e transporte.» [Público]
   
Parecer:
As insinuações do autarca do Porto metem nojo e revelam uma personalidade bem diferente daquela que nos tem sido "vendida". As declarações de Moreira não ofendem apenas a cidade de Vigo, ofende cada um dos seus habitantes e envergonha os portugueses.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Vomite-se.»
  

sexta-feira, fevereiro 19, 2016

Pimenta no cu dos outros sabe a refresco



Agora que tanto se fala de aumento ou redução da carga fiscal é bom recordar uma brilhante máxima da sabedoria popular, pimenta no dito dos outros ate sabe a refresco, isto é, saber se a carga fiscal aumentou 0,2 ou diminuiu 0,3% sem questionar a equidade fiscal, sem se saber se foram ao impostos que subiram ou o PIB que desceu, sem questionar que impostos viram as taxas aumentar, sem se perceber se são as taxas de aumentam ou se é a evasão fiscal que diminui, sem saber quem paga mais ou quem paga menos não passa de conversa da treta.
  
Pode-se diminuir acentuadamente a carga fiscal com um aumento brutal do IRS e uma redução de todos os impostos sobre os rendimentos do capital ou sobre o património, era esse o objetivo da desvalorização fiscal e neste caso a redução da carga fiscal avaliada pela sua percentagem no PIB é gozar com a inteligência dos portugueses. Essa redução da carga fiscal tão prometida por Passos Coelho, sustentada por aumentos no IRS e cortes de vencimentos e de pensões não passa de uma canalhice.
  
Diminuir a carga fiscal promovendo uma redistribuição do IRS em favor dos rendimentos mais baixos pode ser um ato digno de levar os governantes para o céu em sinal da gratidão divina pela sua preocupação com os mais desprotegidos mas também tem o inconveniente de levar os mais qualificados para o estrangeiro. Ora, a em do país era preferível que os mais qualificados ficassem no país e que que alguns dos nossos governantes fossem para o inferno.

É possível diminuir a carga fiscal em consequência da ineficácia da máquina fiscal, o problema é que as reduções de impostos conseguidas à custa da ineficácia da máquina fiscal promovida por tutelas incompetentes têm o pequeno inconveniente de favorecer os desonestos em favor dos que cumprem e segundo Charles Darwin isso leva ao sucesso dessa espécie de filhos da mãe que tão bem se tem dado no nosso país.

Nos OE a única componente certa é a das despesas e mesmo nesse capitulo está por aparecer um governo que falhe nas contas gastando menos do que o previsto. Gastar é fácil e tentador para os governante, cobrar dá um pouco de trabalho, pressupõe competência dos governos e da máquina fiscal, depende da forma como correm as coisas da economia e do comportamento dos agentes económicos. Como muito bem disse o primeiro-ministro, se os cidadãos não andarem de carro não pagam ISP, seguindo o mesmo raciocínio se forem trabalhar para a Alemanha podem ganhar mais de 2000 euros sem serem depenados por serem ricos, se não pedirem faturas podem poupar no IVA, enfim, para pagar impostos há duas formas três formas, em dinheiro, com cheque ou por transferência, mas para fugir há muitas mais, a criatividade é o limite.

Neste momento assistimos a um debate da treta pois o que o OE decide é quem que rabinhos o governo decidiu meter a pimenta e quais os que amacia com pó de talco, tudo o resto só o saberemos depois dos impostos efetivamente cobrados. Até ao fim do ano, ocasião em que saberemos quem levou pimenta e quem teve a sensação agradável do pó de talco, aplica-se a máxima de Jean-Baptiste Colbert que consta no banner deste logue e tudo o resto é conversa da treta.

Umas no cravo e outras na ferradura


  
 Jumento do dia
    
Luís Montenegro, peão de brega do primeiro-ministro no exílio

Enquanto passos Coelho foi para Bruxelas desempenhar o seu papel de primeiro-ministro exilado em Massamá, por cá o seu líder parlamentar pratica o desporto preferido da direita, agendar eleições antecipadas. Os palpites são tanto que não admiraria que Montenegro sugerisse a Santana Lopes um novo jogo da Santa casa, o Placard Eleitoral.

«Na abertura das jornadas parlamentares do PSD, em Santarém, Luís Montenegro sustentou que o executivo chefiado por António Costa "entrou em campanha eleitoral" desde que tomou posse, porque, "embora esteja a iniciar funções, já está a vislumbrar a cessação dessas funções e a preparar-se para o embate eleitoral".
  Mais à frente, a propósito do Orçamento para 2016, acrescentou: "Eu nunca tinha assistido a um Orçamento em primeiro ano de legislatura que fosse tão eleitoralista. Quase me apetece dizer que quem fez este Orçamento não está a contar fazer um segundo Orçamento - ou pelo menos para um segundo ano, se calhar vai ter de fazer um segundo, mas é dentro do mesmo ano. Todos os indícios apontam nesse sentido".» [Notícias ao Minuto]

 A hipocrisia não paga imposto

Como aprendemos nos últimos anos é mais fácil usar o OE para promover a in justiça social do que para a devolver, quando cortaram os vencimentos era uma medida para um ano destinada a compensar um desvio global, passados quatro anos há quem agora se esqueça do que foi dito e feito falando agora de um aumento dos funcionários.

É por isso que o debate sobre se este governo aumentou ou não os impostos é pura hipocrisia. Aplicar uma sobretaxa ao IRS para retirar 3% dos rendimentos dos trabalhadores por conta de outrem que pagam IRS é um imposto. Mas tirar 30% do rendimento aos trabalhadores por conta de outrem que trabalham para o Estado já não é um imposto, é reduzir a despesa.

 Sugestão

É uma injustiça que Passos Coelho ande por aí a desempenhar o papel de primeiro-ministro sem governo, deixando D. Duarte em casa. Seria mais engraçado que o primeiro-ministro sem governo se fizesse acompanhar do rei sem trono. Até poderiam convidar o rei do Carnaval de Torres a acompanhá-los enquanto não fosse entrudo, seria uma espécie de Trio Maravilha.

      
 E dura, dura, dura...
   
«O Banco de Portugal (BdP) anunciou nesta quinta-feira que se realizará ainda esta semana uma reunião sobre os lesados do papel comercial do Grupo Espírito Santo, comercializado pelo BES.

A reunião será realizada entre o BdP, a CMVM e o representante designado pelo Governo para esta matéria, refere uma nota de esclarecimento do BdP.

“A propósito de recentes notícias sobre a posição do Banco de Portugal em relação à situação dos investidores em títulos das sociedades Espírito Santo International e Rioforte, o Banco de Portugal informa que, ainda antes das referidas notícias, e na sequência de contactos estabelecidos com o representante designado pelo Governo, foi aceite e marcada, a pedido deste último, uma reunião entre o Banco de Portugal, a CMVM e o representante do Governo, a realizar esta semana”, refere o regulador no comunicado.

Este esclarecimento surge após as críticas do primeiro-ministro António Costa à actuação do BdP em relação aos lesados do papel comercial comercializado pelo BES. O primeiro-ministro acusou na quarta-feira o BdP de estar "a arrastar uma decisão" sobre os lesados do BES.» [Público]
   
Parecer:

Carlos Costa ainda não reparou que fazia parte de um filme onde os artistas principais eram o Passos e a Maria Luís, cabendo-lhe um papel secundário onde fechava bancos, empregava o filho do Durão e contratava o amigo da outra para vender o Novo Banco.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se a Carlos Costa se usa pilhas Duracell.»
  
 Isto vai acabar mal
   
«O anúncio do voo de ligação da TAP entre Lisboa e Vigo está a causar tensão entre a Câmara do Porto e a da cidade galega, após uma entrevista de Rui Moreira em que o presidente da Câmara chamou "miserável" ao aeroporto de Vigo.

O presidente da Câmara de Vigo, Abel Caballero, não poupou palavras quando reagiu às declarações do seu homólogo na Invicta, afirmando que as suas declarações, tanto em entrevista à revista Visão na sua edição desta quinta-feira como mais tarde na sua reunião com o primeiro-ministro António Costa, eram "um insulto para Vigo".

Caballero afirmou detestar os presidentes da Câmara que insultam a sua cidade, considerando as palavras de Rui Moreira "intoleráveis, impróprias de um presidente da Câmara de uma cidade que consideramos amiga". Caballero exigiu ainda, citado pelo jornal galego La Voz de Galicia, que Rui Moreira pedisse desculpas.» [DN]
   
Parecer:

Este Rui Moreira era um grande defensor da iniciativa privada, não era?
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»
  

quinta-feira, fevereiro 18, 2016

Oposição guerrilheira



A estratégia de Passos Coelho é clara, não vai abdicar de desempenhar o papel de primeiro-ministro no exílio a quem foi retirado o poder de forma constitucional mas ilegítima e fará oposição total ao governo sem quaisquer propostas ou diálogo parlamentar, o que é a transposição para o parlamento de uma espécie de guerrilha.

A ideia de que as oposições desejem sempre o melhor para os países justifica-se apenas quando estão em causa tendências eleitorais. Mas Passos já mostrou que não gosta de governar de acordo com as regras e respeitando a Constituição. Ele quer voltar ao poder para cumprir a metade do seu programa, mas o seu regresso só faz sentido se puder beneficiar de uma situação de excepção. Ideias como a semi escravatura dos funcionários públicos, a perda de direitos dos pensionistas, o despedimento em massa de funcionários públicos e a desvalorização do factor trabalho para transformar Portugal no país mais competitivo do mundo são viáveis em ditadura ou num contexto em que um governo possa governar como se fosse em ditadura, o que sucedeu nos últimos quatro ano.
  
Não admira a aposta de Passos em usar o OE para lançar a desconfiança em relação a Portugal, a estratégia foi a da terra queimada e o PSD tudo fez, em Portugal, em Estrasburgo ou em Bruxelas, para que um conflito com a Comissão Europeia se traduzisse numa situação que conduza novamente à asfixia financeira do país. Passos já chegou uma vez ao poder graças a uma situação dessas, mas dessa vez negociava em privado e mentia em público. Agora o PS não confia na sua palavra e Passos aposta tudo na guerrilha.

Passos não tem alternativa, não tem propostas e não quer ter programa, tenta enganar os portugueses disfarçando o seu extremismo atrás de uma social-democracia mentirosa que há muito tempo disfarça um partido da direita, hoje quase da extrema-direita. A verdade e que Passos não quer ter um programa e por isso mesmo nunca enviou qualquer esboço do OE de 2016 ara Bruxelas, Passos quer voltar a governar sem programa e isso passa por conduzir o país à bancarrota. Não admira a excitação dos últimos dias com o primeiro-ministro no exílio a reaparecer depois de semanas de quase total silêncio.

Passos não quer regressar para repor direitos ou cumprir acórdãos do TC de que discorda e que nunca respeitou, Passos quer regressar ao poder para voltar a tentar no que falhou, na famosa tabela única no Estado, na "requalificação" dos recursos humanos libertados com as 40 horas, na desvalorização fiscal dos salários do sector privado transformando aumentos do IRS em reduções do IRC. 


Umas no cravo e outras na ferradura




 António Aleixo

(Vila Real de Santo António, 18 de fevereiro de 1899 — Loulé, 16 de novembro de 1949)



 Jumento do dia
    
Carlos Costa

Depois do que António Costa disse sobre a forma como o BdP tem tratado os lesados do BES é de estranhar que o seu governador ainda não tenha apresentado o pedido de demissão, parece que está agarrado ao lugar como uma lapa.

      
 Garoto de 12 anos foi traído e é assunto nosso
   
«O essencial deste texto já foi escrito. A jornalista Isabel Stilwell publicou-o no Jornal de Negócios, anteontem, e só o li ontem. Repito o essencial dele, aqui e hoje, porque não sei de nada mais importante que possa ser dito. Talvez haja uma só pessoa que ainda não o tenha lido. Seja, essa tem também de ser avisada. Eis o que Isabel Stilwell escreveu, em texto que eu encurto. Há um processo de regulação de responsabilidades parentais de Bárbara Guimarães e Manuel Maria Carrilho. O filho de ambos, de 12 anos, foi ouvido. Uma criança vai a tribunal falar sobre os seus pais. Adivinha-se a angústia. A juíza garante, o que é óbvio, que aquilo que a criança disser será guardado com cuidado. Na sala de audiência só estão três pessoas, nem os advogados das partes. Só o juiz, um representante do Ministério Público e um representante do Instituto de Medicina Legal. A criança falou. Depois, revistas fizeram capa, com discursos em direto, atribuídos ao garoto. "A minha mãe..." E: "(...) o meu pai." Houve uma revista que titulou: "Saiba tudo o que a criança disse em tribunal." Na TV falou-se do que o garoto "disse." Eis parte do que Isabel Stilwell escreveu e a que considero necessário dar eco. Porque um garoto de 12 anos foi traído. Publicamente traído pelas revistas que não sabem o que fazem ou não se importam. E por alguém mais que teve acesso às palavras do garoto e as espalhou. Um garoto de 12 anos foi traído e é um assunto nosso.» [DN]
   
Autor:

Ferreira Fernandes.

      
 Cozer em lume brando
   
«O primeiro-ministro atirou esta manhã com todas as culpas sobre a situação dos lesados do BES para o Banco de Portugal. António Costa lamentou “a forma como o Banco de Portugal tem vindo a arrastar uma decisão”, acusa a administração de Carlos Costa de estar a atrasar a implementação da solução encontrada pelo Governo e termina dizendo que tem “esperança que tão rapidamente quanto possível , o Banco de Portugal assuma definitivamente a posição responsável que tem faltado nesta matéria”, disse.

A guerra entre António Costa e o governador do Banco de Portugal já é antiga, mas hoje, o primeiro-ministro fez questão de atacar a administração do regulador. Para António Costa, todas as entidades públicas e privadas aceitam a solução do Governo, menos o Banco de Portugal que com isso está a impedir o Novo Banco de apresentar a solução aos lesados do BES.

Tenho de lamentar a forma como o Banco de Portugal tem vindo a arrastar uma decisão sobre esta matéria, a impedir que rapidamente esta solução proposta pelo Governo e aceite pela maioria dos lesados do BES pudesse estar implementada. E tenho esperança que tão rapidamente quanto possível, o BdP assuma a postura responsável que todas as entidades públicas, como o Estado e a CMVM, ou privadas como o BES ou Novo Banco estão disponíveis para assumir”, disse.» [Notícias ao Minuto]
   
Parecer:

O lógico seria o primeiro-ministro sugerir a demissão do governador do BdP em vez de entrar por um caminho de bocas.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Auarde-se pela demissão do governador do BdP.»
  
 Que amigos que nós somos
   
«As jornadas parlamentares do PSD e as jornadas parlamentares do PS realizam-se este ano quase em simultâneo: as primeiras são esta quinta e sexta-feira, em Santarém; as segundas são esta sexta-feira e sábado, em Vila Real. António Guterres, o ex-primeiro-ministro socialista que se está a candidatar a secretário-geral da ONU com o apoio de todos os partidos, está de volta à cena política e vai ser o convidado-estrela de um dos eventos: do PSD.

É na quinta-feira à noite, num jantar/conferência na Casa do Campino, em Santarém, que o ex-alto comissário das Nações Unidas para os refugiados vai discursar para uma plateia de militantes e dirigentes sociais-democratas. O tema é os “Fluxos migratórios: das palavras à realidade” e encerra o painel do dia, depois de o economista João Moreira Rato e do gestor António Nogueira Leite falarem sobre “finanças saudáveis”.




No final de janeiro, o Governo de António Costa avançou com as diligências necessários ao patrocínio da candidatura de Guterres ao cargo de secretário-geral da ONU, tendo esta candidatura recebido depois o apoio de todos os grupos parlamentares, da esquerda à direita. No início de fevereiro, a Comissão Permanente do PSD declarou o seu “inequívoco apoio” à candidatura, deixando claro que tinha sido o próprio Passos Coelho a informar António Costa dessa decisão.» [Observador]
   
Parecer:

Grande António Guterres, quando quis ser primeiro-ministro usou o PS, quando quis ir tratar dos refugiados inventou um pântano e agora que quer ir para ONU até vai às jornadas parlamentares do PSD. Isso de diferenças ideológicas é para as bases, para o pessoal que serve café nas concelhias ou que colam cartazes, para a alta burguesia partidária as diferenças são facilmente superadas.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Vomite-se.»
  

quarta-feira, fevereiro 17, 2016

Um mar de bondade humana

(imagem do jornal Público)


Há uns tempos atrás acompanhei um caso de uma criança retirada a ma mãe e pelo que li a única razão evidente era a de que essa mãe era pobre. Na ocasião questionei aqui se os pobres já não podem ter filhos. 

O caso veio-me à memória perante uma decisão judicial que retirou sete dos dez filhos a uma mãe, parece que o juízes e demais especialista na gestão da vida do cidadão comum acharam que a mulher tinha filhos de forma descontrolada. Parece que terão colocado a mulher perante uma de duas alternativas, ou laqueava as trompas ou tirava-lhe meia dúzia de filos. Recusou-se à mutilação judicial e lixou-se.
  
Por estes dias tem sido notícia a mãe que poderá saí do mar lá deixando duas crianças, ainda não se conhecem as causas, já se atiram culpas para tudo e todos, mas mais uma vez damos com a presença dessas boas almas que acompanham estes casos, ao que parece o caso era conhecido das autoridades pois tinha sido feita uma queixa por violência doméstica. Como agora se diz o caso estava sinalizado, não se percebe muito bem para que servem estas sinalizações, mas alguém deve saber.

Em tempos o país dividiu-se perante uma criança que tinha sido oferecida numa pastelaria por uma mãe pouco dada a criar filhos a um casal cheio de amor para dar, tanto amor que não avia tribunal ou pai que o impedisse. Desta vez as senhoras da bondade ate estava contra o tribunal que queria cometer o enorme crime de entregar a criança ao pai, ate se juntaram algumas esposas de ex-presidentes na tentativa de entregar a criança aos pais cheios de amor para dar
  
A violência doméstica é uma prática enraizada na nossa cultura e há muitos poucos anos uma mulher que fosse alvo de violência doméstica nem à família se podia queixar pois a resposta era no sentido da paciência, da obediência e do respeito por essa sacrossanta instituição da família. Entretanto o país foi inundado por gente boa, juízes, magistrados, ex-primeiras damas, instituições da economia social, todas empenhadas em espalhar a bondade.
  
Só que a bondade tem regras, burocracias, horários de trabalho, preceitos jurídicos, enfim, como em tudo neste país a bondade emaranha-se na burocracia e nas artimanhas da lei com os resultados que estão à vista. Mulheres assassinadas as dezenas, crianças tiradas dos pobres para serem cuidadas com sopa e canja em instituições, crianças traficadas nas pastelarias, mães a suicidarem por desespero.
 
As televisões aproveitam-se mais uma vez da miséria alheia para conseguirem audiências fáceis com directos miseráveis a partir de Oeiras, entrevistas a psicólogos das diversas especialidades ou fóruns onde a populaça opina sobre se a culpa foi da mulher ou do ex-marido. Cá por mim a culpa é de todos e acima de tudo da imensa hipocrisia que vai neste mundo de mangas de aplaca dos triunais, da segurança social e do tráfico da bondade humana.
 

Umas no cravo e outras na ferradura


 Jumento do dia
    
Adalberto Campos Fernandes, ministro da Saúde

Lamento muito, mas um ministro não pode fundamentar a demissão do gestor de uma instituição como o INEM com uma simples segui o que me disseram, estando em causa a honra de alguém e um processo recambolesco ou há culpa e o dirigente além de ser demitido deve ser processado, ou houve perseguição por parte do ministro anterior e o dirigente tem direito à sua honra.
 
Uma inspecção-geral, seja na Saúde, nas Finanças ou noutro sector quyalquer não é uma instituição independente, justa e acima de qualquer suspeita. Na tradição do Estado as inspecções-gerais não passam de paus mandados dos ministros e um ministro não pode dizer que fez o que o seu pau mandado lhe mandou fazer.

«O ministro da Saúde, Adalberto Campos Fernandes, disse hoje que demitiu o presidente do Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM), Paulo Campos, “por recomendação” da Inspeção Geral das Atividades em Saúde (IGAS).

“O ministro da Saúde acompanhou aquilo que foram as recomendações da Inspeção Geral das Atividades em Saúde, tudo dentro daquilo que é a normalidade jurídica e a normalidade do funcionamento do Estado”, afirmou aos jornalistas, à margem da cerimónia de apresentação do novo Conselho de Administração do Centro Hospitalar de São João, no Porto.


Adalberto Campos Fernandes demitiu o presidente do INEM na segunda-feira à tarde, conforme proposta da IGAS, que analisou a atuação deste dirigente.» [Observador]

      
 Administradoras da quota
   
«A vontade já constava no programa eleitoral do Partido Socialista e deverá, agora, concretizar-se nos próximos dias, quando o Governo apresentar um diploma para promover o equilíbrio de género nos cargos de direção das empresas cotadas em Bolsa. O objetivo é que, até 2018, 33% dos membros dos conselhos de administração das cotadas sejam mulheres.

A garantia é dada esta terça-feira pelo ministro-adjunto Eduardo Cabrita que, em entrevista ao "Diário Económico", adianta que este será "um primeiro objetivo", traçado para 2018. Depois, haverá uma segunda fase, com horizonte em 2020.

O governante admite que não se pode esperar pela autorregulação, daí que o Governo decida agora avançar com a medida para as cotadas. Mas a missão, diz Cabrita, é mais ambiciosa: o objetivo é que a paridade de género seja uma realidade, não apenas nas empresas da Bolsa nacional mas também "nas empresas do sector público e administração direta e indireta do Estado e demais pessoas coletivas públicas”.» [Expresso]
   
Parecer:

É o regresso às quotas do congresso do Tino.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»
  
 Experiências, diz ele
   
«O presidente do PSD, Pedro Passos Coelho, considerou na segunda-feira que as "experiências" do Governo "adversas ao investimento e à atração de confiança", penalizarão o país e trarão mais incerteza.

"Quanto mais experiências andarmos a fazer que possam, em muitos casos, parecer e noutros serem mesmo adversas ao investimento, a um bom clima de negócios, à atração da confiança dos investidores, mais nós nos sentiremos penalizados e prejudicados", afirmou o líder da oposição.» [Expresso]
   
Parecer:

Depois de quatro anos em que o país foi promovido a laboratório de um Mengele da economia Passos devia ter vergonha de falar em experiências.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Vomite-se.»

 Multas Simplex
   
«A intenção é lançar uma nova plataforma “para registo/lançamento dos dados dos autos de notícia para efeitos do seu envio alternativo à Autoridade Tributária (AT) e definir os requisitos para envio automático e directo dos operadores que tenham condições para fazê-lo”, explicou fonte oficial do Ministério do Ambiente, acrescentando que esta alteração será feita “no âmbito do programa Simplex”.

Ou seja, a intenção não é alterar a lei de modo a que o fisco deixe de ter esta responsabilidade, até porque já mostrou ser eficiente noutras áreas, nomeadamente nas multas das portagens de auto-estradas. A ideia é que exista outra plataforma onde os autos de notícia podem ser inseridos, já que a actual mostrou não ter capacidade de resposta.

“Existe todo o nosso empenho e das empresas de transportes colectivos na operacionalização tão breve quanto possível da cobrança de multas”, assegurou o Ministério do Ambiente. A mesma tutela confirmou que “se trata de matéria de operacionalização/desmaterialização do procedimento, mais do que de alterações legislativas”. Ainda assim, referiu, embora sem concretizar, que “pode verificar-se a necessidade de se realizarem aperfeiçoamentos muito pontuais na legislação para simplificação do procedimento”. Já o Ministério das Finanças, que tutela a AT, respondeu que esta é “uma medida de simplificação que os serviços se encontram neste momento a trabalhar”.» [Público]
   
Parecer:

Se a coisa funcionar seria bom aplicar o Simplex nas cobranças das contribuições e das dívidas à Segurança Social.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Faça-se a sugestão.»
  

terça-feira, fevereiro 16, 2016

Política fiscal para totós




Dantes existiam impostos e taxas mas graças ao brilhantismo intelectual de Passos Coelho e à sua honestidade foi criado uma terceira solução, gera receitas para o Estado sem aumentar impostos ou criar as famosas taxas e taxinhas. Cortam-se de vencimentos sem qualquer negociação ou compensação. Para não parecer um exagero a par do corte do vencimento, aumentam-se as horas de trabalho, corta-se nas férias e aumentam-se os descontos.
  
Se fosse feito o mesmo a todos os trabalhadores isto seria um imposto, um aumento inadmissível da carga fiscal, mas como se aplica apenas a alguns já não é um imposto, é um corte na despesa, uma espécie de imposto negativo sem regras. Portanto, este “não imposto” só tem vantagens, não dá trabalho a cobrar, não pode ser objecto de recurso e não tem limites. À partida cortaram-se 30% dos rendimentos, mas sendo uma despesa é legítimo cortar nesta despesa até aos 100%, isto é, reintroduzindo a escravatura. 
  
Entre aumentar impostos e reintroduzir a escravatura não há dúvida de que desde o Durão Barroso à Fitch, da Maria Luís ao dono do Pingo Doce, do Cavaco ao Marco António, todos estariam de acordo, o melhor será recorrer à escravatura, se não for total então que seja parcial, basta arranjar um nome diferente, talvez ajustamento. O ideal seria os funcionários serem escravos todos os dias, mas se isso não for possível então que sejam escravos de dois em dois dias, às segundas e às quintas, isto é, em 70% dos dias têm direito a vencimento, nos outros dias trabalham à borla e já se podem dar por contentes pois têm o privilégio de serem remunerados nos outros dias.
  
Foi com este milagre da economia que o governo anterior não aumentou ainda mais os impostos e preparava-se para ajudar as empresas a terem mais capital sem investimento. Bastava aumentar o IRS e reduzir o IRC ou aumentar a TSU dos trabalhadores e reduzir a dos patrões. A famosa desvalorização fiscal defendida pelo falecido guru de Passos Coelho.

Mas se for mesmo necessário aumentar os impostos então que se aumente o IRS, desta forma não se afecta o consumo e muito menos as despesas dos que mais gastam. Os impostos sobre o rendimento do trabalho são bons para a economia, permitem reduzir impostos como o IRC. Tudo o que seja bom para as empresas é bom para a economia.
  
É necessário promover a escravatura através de cortes de vencimentos e de impostos sobre o trabalho para gerar os recursos necessários para refinanciar a banca, recapitalizar as empresas e proporcionar felicidade e sucesso a todos os que investem em Portugal. A alternativa ao aumento da carga fiscal é a escravatura parcial de todos os que por trabalharem são um peso para a sociedade, despesa para o Estado ou custos para as empresas. Uma economia sem custos para as empresas e sem despesas é mais competitiva. Era esse o sonho de Passos, transformar a economia portuguesa, para isso basta uma desvalorização fiscal do trabalho, isto é, implementar a escravatura às segundas e quartas.
  
Portanto, é possível resolver os problemas do país sem aumentar a carga fiscal, em vez disso aumenta-se a carga sobre os novos escravos da economia portuguesa. Enfim, para a chulice a nossa direita é muito criativa.


Umas no cravo e outras na ferradura



  
 Jumento do dia
    
Passos Coelho, primeiro-ministro no exílio

Parece que não a limites para o ridículo desde que Passos Coelho decidiu desempenhar o papel de primeiro-ministro exilado em Massamá devido a um golpe de Estado, agora vai inaugurar uma escola que está aberta há dois anos. Como já nem Cavaco parece estar interessado na sua existência Passos Coelho podia muito bem convidar D. Duarte para o acompanhar, a companhia de um rei sem trono ficava muito bem a um primeiro-ministro sem governo.

«Durante a tarde de hoje, Pedro Passos Coelho tem deslocação marcada até ao município de Paredes, onde vai inaugurar o Centro Escolar de Lordelo. Seria um momento em nada fora do normal, não fosse Passos agora um deputado e o edifício não estivesse em funções desde o ano letivo 2013.

Isso mesmo foi confirmado pelo departamento de Relações Públicas do PSD que em e-email enviado às redações revela a agenda do líder Passos Coelho para esta segunda-feira: depois de visitar "a Fábrica WoodOne", "participará na inauguração do Centro Escolar Lordelo 1" e daí marcará presença "numa sessão com militantes do PSD, no Auditório da A CELER".» [Notícias ao Minuto]

      
 Lá se foi a oportunidade de Passos Coelho
   
«As  yields das Obrigações do Tesouro (OT) português no prazo de referência, a 10 anos, continuam a queda iniciada sexta-feira no mercado secundário da dívida soberana, depois de um pico na quinta-feira passada em que atingiram 4,5%, um máximo de dois anos.

Na abertura desta segunda-feira, as yields das OT na linha que vence em julho de 2026 (e que foi lançada em janeiro) desciam para 3,63%, um recuo de 10 pontos base em relação ao fecho de sexta-feira passada (em 3,73%).

O movimento de descida das yields das obrigações no mercado secundário abrange hoje todos os periféricos, mas Portugal lidera as quedas.

O prémio de risco da dívida portuguesa caiu esta segunda-feira para 335 pontos base, uma descida de 12 pontos base em relação ao fecho da semana passada, em que o prémio chegou a galgar a barreira dos 430 pontos base na quinta-feira, um nível que já não se registava desde outubro de 2013. Cada 100 pontos base equivalem a 1 ponto percentual de diferença em relação ao custo de financiamento da dívida alemã.» [Expresso]
   
Parecer:

A direita e Passos Coelho pareciam ter renascido com o cheirinho ao perfume da bancarrota. O comentário mais divertido é do Observador, um jornal online que se excita muito com as cotações na bolsa e que ao perder a esperança de a DBRS baixar para lixo a notação da dívida portuguesa escreve que "Portugal beneficia do maior apetite pelo risco e da tranquilidade da agência DBRS", isto é, não esconde a desilusão da direita e sugere que a agência é irresponsável.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»
  

segunda-feira, fevereiro 15, 2016

Competência, mais competência



A margem de sucesso deste governo é tão estreita que a sua saída passa por uma única coisa a competência. Competência na produção das leis, competência no discurso político, competência na comunicação, competência na execução das políticas, competência em tudo, até na forma como os governantes se apresentam e falam em público.

Competência na forma como se elaboram os documentos governamentais a começar por essa trave mestra da política de um governo que é o Orçamento de Estado. Um OE que não contenha erros, que não apresente dúvidas, que seja claro nos seus objectivos, que seja rigoroso nas suas projecções, que seja transparente nas conclusões e avaliações e claro nos objectivos de política económica.

Competência na comunicação evitando-se discursos de taberneiro, com políticos e governantes que respeitem a inteligência dos portugueses e não julguem que por terem chegado aos cargos governamentais se tornaram nuns génios da comunicação. Competência na forma como falam, nos temas que escolhem e sobre os quais falam, na forma como se vestem, nos trejeitos que usam quando falam.
  
Competência na execução porque instrumentos como OE valem muito mais pela forma mais ou menos rigorosa e competente com que são executados do que pela bondade das despesas decididas ou das despesas previstas. Competência na elaboração dos diplomas, que não contenham erros e que seja de fácil interpretação e execução, para que a sua eficácia não se perca no meio dos recursos a tribunal.
  
Competência na gestão do Estado, dando orientações inovadoras aos serviços em vez de transformar os seus projectos em obras de regime, competência no desenvolvimento de soluções eficazes que poupem recursos ao mesmo temo que promovem a qualidade e excelência. 
  
Num contexto político interno complexo e com as incertezas que resultam de um quadro internacional económico, político e financeiro de grande incerteza e com muitos riscos no horizonte desde a situação económica da China ao preço do petróleo, da situação explosiva na Síria até à incerteza económica dos BRIC, não esquecendo a situação de crise interna de uma EU sem direcção e a braços com uma grave crise de refugiados, a solução passa por uma aposta na competência, a alta de recursos deve dar lugar à inteligência.
  
Gostaria de ver mais competência do que aquela que estou vendo. E mais não digo.

Umas no cravo e outras na ferradura


   
 Jumento do dia
    
António Costa

O PS perdeu a batalha da comunicação no debate em torno do OE, explicou mal, o seu secretário de Estado dos Assuntos Fiscais decidiu considera que há por aí uns ricos que ganham 2.000 euros que não merecem ficar sem austeridade, o próprio primeiro-ministro enterrou-se com piadolas de gosto duvidoso sobre como pagar menos impostos. Agora que percebeu que a batalha está perdida António Costa está convencido de que alguém o vai ver ao Youtube para mudar de ideias.

Veremos se os vídeos terão impacto, se vão trazer-nos à memória outras comunicações periódicas de um conhecido primeiro-ministro de outros tempos bem diferentes do prometido tempo novo ou se vão dar lugar ao humor como as piadolas dos impostos sobre o consumo.

«O primeiro-ministro aliou-se às redes sociais para explicar aos portugueses a proposta de Orçamento de Estado para 2016. Para além do Portal do Governo, António Costa irá utilizar a conta de Twitter do Executivo para partilhar vídeos publicados no Youtube onde dará a sua “explicação pessoal” sobre os vários temas previstos nesta proposta: a forma como “influi no rendimento das famílias, diminui a carga fiscal, cria condições para as empresas poderem investir.”

Os dois primeiros vídeos já foram disponibilizados esta tarde, um dia depois de 16 ministros do Governo terem estado em vários pontos do país em sessões de esclarecimento com militantes e simpatizantes socialistas. “Um orçamento responsável” e “um orçamento de escolhas” foram os motes lançados pelo chefe de Governo português nestas primeiras 'lições' online.


“Este é um orçamento muito exigente, que cumpre os nossos compromissos eleitorais, os nossos compromissos com os parceiros parlamentares e os nossos compromissos com os parceiros da UE”, diz António Costa. “É um orçamento responsável, para podermos dar ao país três desígnios: mais crescimento, melhor emprego, maior igualdade.”» [Expresso]



 Ainda que mal pergunte

Porque é que a autarquia do Porto não se candidatou à compra da TAP, assim podia ter voovos desde o Porto para todos os destinos, incluindo Vila Nova de Gaia, e a defesa dos interesses da capital do norte seria assegurada pelos autarcas da região que seriam presidentes da empresa em regime de rotatividade.

E já que a autarquia do Porto não comprou a TAP quem manda nesta empresa é um tal Fernando Pinto, de que o Coelhone se orgulha muito de ter sido uma escolha sua, este senhor quer decidir tudo o que respeita a aviação em Portugal, desde a gestão da TAP à construção de aeroportos e no entretanto vai afundando a empresa em negócios duvidosos no Brasil.

 Uma boa oportunidade para o CSD e o PSD

Quando ocorreram enxurradas em Lisboa o CDS e o PSD consideraram terem sido responsabilidade da autarquia. Num tempo em que tudo vale para fazer oposição eis que os partidos da direita têm uma excelente oportunidade, podem acusar o António Costa de todas as cheias no país.

      
 A Turquia volta a ajudar o DAESH
   
«Entre o anúncio de uma possível ofensiva e a caída dos primeiros projécteis passou pouco mais de uma hora. A artilharia turca bombardeou este sábado zonas sob o controlo do grupo armado curdo mais forte da Síria, incluindo um aeródromo a partir do qual estas forças planeavam lançar ataques contra os jihadistas do Daash, o autodesignado Estado Islâmico.

“Se for necessário, quando houver uma ameaça real à Turquia, podemos tomar na Síria as mesmas medidas que tomámos no Iraque e em Qandil”, dissera num discurso transmitido pela televisão o primeiro-ministro turco, Ahmet Davutoglu. Como já fizera no passado, em 2015 a Turquia lançou ataques contra as bases do PKK (Partido dos Trabalhadores do Curdistão) nas montanhas de Qandil, na região autónoma iraquiana do Curdistão, perto da fronteira iraniana.

“Esperamos dos nossos amigos e aliados que nos apoiem”, acrescentou Davutoglu. Nada menos provável. Afinal, o alvo da Turquia são as Unidades de Protecção do Povo (YPG), a milícia do Partido da União Democrática (PYG), as mesmas forças que reconquistaram a cidade de Kobani aos jihadistas em Janeiro do ano passado, com o apoio aéreo dos Estados Unidos e dos seus aliados na coligação formada meses antes para combater o Daash.» [Público]
   
Parecer:

Enquanto o DAESH controlava toda a sua fronteira com a Síria a Turquia não mexeu uma palha, tinha o lucro dos fornecimentos aos terroristas e apoiava a entrada de terroristas estrangeiros. à medida que os terroristas perderam o controlo da sua fronteira Turquia assumiu-se como aliado dos terroristas e lançou os refugiados no mar Egeu enquanto bombardeia os curdos. O DAESH não é mais do que milícia da Turquia apoiada pela Arábia Saudita.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Espere-se para ver.»
  
 Vítima da mesquinhez de Cavaco
   
«Dos episódios que conduziram à sua expulsão, após ter contrariado a posição oficial dos sociais-democratas, apoiando Soares e não Freitas do Amaral, Rui Oliveira e Costa critica ainda hoje a falta de magnanimidade revelada na altura por Cavaco Silva, então líder do partido, mas destaca em contraponto a solidariedade que lhe foi manifestada pelo fundador e militante "número um", Francisco Pinto Balsemão.

"Interpretei a Constituição no espírito e na letra, já que nas eleições presidenciais os partidos podem apoiar candidatos, mas não podem fazer mais do que isso e nem sequer podem propor candidatos. Na sequência das presidenciais, foi com surpresa e desgosto que recebi a notícia que o então líder do PSD, Cavaco Silva, decidiu colocar a questão ao Conselho de Jurisdição que, por maioria, aplicou-me a pena máxima, a pena de expulsão. Eu, que era militante fundador, o número 25, passei a deputado independente, mas a vida continuou", conta.» [Notícias ao Minuto]
   
Parecer:

Este país foi marcado pela mesquinhez dessa triste personagem.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Lamente-se.»
  

domingo, fevereiro 14, 2016

Semanada



A direita tem mantido uma relação estranha com o OE de António Costa, começou por dizer que era a bancarrota, mexeu os cordelinhos junto da direita europeia numa tentativa desastrada de chumbar o documento, desejou que o país voltasse a ficar sem financiamento externo e agora diz que ficou tudo na mesma e é um OE de austeridade. Isto é, a direita só discorda do OE porque considera que deve ser uma parte dos portugueses, aquela que Passos odeia, a suportar toda a austeridade.
  
A direita descobriu uma óptima forma de não aumentar impostos, apropria-se dos rendimentos de um sector da sociedade e chama a isto cortar na despesa. Segundo esta lógica se for decretada a escravatura dos funcionários públicos há uma reforma estrutural com um corte acentuado da despesa que até pode financiar uma redução acentuada dos impostos. Mas que grande solução!

O candidato único do PSD e primeiro-ministro exilado em Massamá continua o seu périplo pelo país para conseguir aquilo que ninguém quer, a liderança do PSD. Passos sabe que em condições normais nem Costa se vai embora nem Marcelo o quer ver em São Bento, mas como se viu nos últimos dias o exilado em Massamá ainda sonha com uma nova bancarrota e o regresso ao poder para despedir os funcionários públicos que ficaram por despedir.
  
E enquanto o exilado anda por aí António Costa encena sessões de esclarecimento sem arriscar muito pois são dirigidas a uma audiência cujo casting foi feito entre militantes e simpatizantes do seu partido. A primeira sessão foi um desastre, um Costa com ar de quem tinha ido comer umas bifanas antes de uma final da Taça no Jamor achou que tinha muita graça e decidiu explicar a sua política orçamental com recurso a piadolas de mau gosto. Na segunda vez já se vestiu à primeiro-ministro e não disse piadolas, o problema é que o que ficou na memória foi a primeira sessão.
  
As sondagens insistem em sugerir que nem o PS cresce, nem o PSD se afunda, ficando tudo na mesmas enquanto a Catarina Martins vai roubando votos ao PCP. Talvez não fosse má ideia o António Costa reflectir sobre as razões que levam os eleitores a não mudar muito de opinião.


Umas no cravo e outras na ferradura



 Jumento do dia
    
Passos Coelho

Ao mesmo tempo que PAssos Coelho pede ao governo que tenha decoro revela uma total ausência de decoro ao falar das reformas que fez referindo-se ao programa deste governo. Chamar reforma à apropriação indevida dos ordenados de uma parte dos portugueses, cortar nas reformas ou aplicar uma sobretaxa ao IRS é gozar com a inteligência dos portugueses.

Passos justificou o corte dos vencimentos com um desvio colossal e garantiu que era para um ano, passados quatro fica-se a saber que a medida foi comunicada a Bruxelas como definitiva e que não havia qualquer intenção de cumprir o acórdão do Tribunal Constitucional. Agora promete social-democracia e para este extremista de direita social-democracia é mais do mesmo, ou seja, das canalhices que fez durante quatro anos.

«O presidente do PSD, Pedro Passos Coelho, pediu "decoro" ao Governo para que não peça aos sociais-democratas que apoiem as actuais políticas, considerando que as mesmas revertem todo o trabalho do anterior executivo.

"Não nos venham exigir, em nome do nosso sentido de responsabilidade, que apoiemos os programas que querem reverter tudo o que fizemos e culpar-nos de todo o mal que existe no país, isso não", disse, acrescentando: "Haja pelo menos esse decoro, de não pedirem o nosso apoio para combater as nossas ideias e desfazer as reformas que nós fizemos".


Pedro Passos Coelho falava este sábado em Portalegre, no decorrer de um almoço convívio com simpatizantes e militantes do PSD que apoiam a sua recandidatura à liderança do partido, tendo visitado antes uma exploração agrícola.» [Público]

      
 Escravatura por dívida
   
«A história conheceu e conhece muitas circunstâncias em que, por não pagamento de uma dívida, uma pessoa perdia a sua liberdade e ia preso ou, pior ainda, era reduzido a um estatuto de escravatura, temporária ou definitiva. Estas práticas existiam na Grécia antiga, com a sempre especial excepção de Atenas, onde Sólon as proibiu. E mais ou menos espalhadas continuaram na Índia praticamente até aos nossos dias, tendo conhecido formas variadas de trabalho forçado durante a expansão colonial europeia. Hoje, uma das formas modernas de escravatura por dívida é praticada pelos grupos mafiosos que exportam mão-de-obra e emigrantes para a Europa e América e mulheres para redes de prostituição, retirando-lhes os documentos, em nome da dívida que contraíram ou as suas famílias para "pagar" a viagem e a entrada ilegal nos países mais ricos. Estamos a falar, como é óbvio, de actividades criminosas, visto que a escravatura é um crime.

(,,,)» [Público]
   
Autor:

José Pacheco Pereira.

      
 A explicar o quê e a quem?
   
«Dezasseis dos 17 ministros do Governo chefiado por António Costa estão hoje por todo o país em sessões de esclarecimento com militantes e simpatizantes socialistas sobre o Orçamento do Estado para 2016.

Segundo uma nota divulgada pelo PS, os ministros e a secretária de Estado da Segurança Social, Cláudia Jardim, participarão em sessões durante a tarde de hoje, destacando-se o ministro das Finanças, Mário Centeno, que estará no Clube Farense, em Faro.

Os governantes, à exceção do ministro da Cultura, João Soares, estarão nas capitais de distrito do continente a apresentar a proposta de Orçamento do Estado para 2016 apresentada pelo Governo socialista.» [DN]
   
Parecer:

Digamos que andam a perder tempo pois não saem do circuito interno do partido do governo. Passos teve mais sucesso na comunicação social com a boca da "falta de decoro" do que toda esta excursão governamental. No tempo em que não existiam redes sociais e a informação chegava através das televisões e dos jornais regionais estas iniciativas tinham algum impacto, agora não passam de iniciativas que apenas conduzem a perda de tempo.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»