sábado, junho 04, 2016

Quem desonesto nasce

Os congressos partidários são um momento do partido que o organiza, é a oportunidade de os partidos que os organizam apresentarem e debaterem as suas propostas, sendo normal que tragam maior visibilidade aos partidos que os organizam despertem a atenção dos eleitores durante alguns dias, sendo habitual que as sondagens o reflictam. 
  
Como diz o povo, quando um burro fala os outros baixam as orelhas e aceita-se quando um partido reúne em congresso é para discutir os seus programas e as propostas dos seus militantes. Manda a boa educação que os líderes dos outros partidos se abstenham de intervir nestas ocasiões, desviando a atenção ou tentando colocar outros temas na agenda. Foi assim que sempre sucedeu, independentemente das diferenças Portugal sempre teve líderes partidários com alguma classe.
  
Isto acabou com este congresso do PS, o PSD tem um líder de nível rasca e no desespero de recuperar a liderança da oposição não lha a meios. O traste de Massamá andou meses a encenar a pantomina do primeiro-ministro exilado, levou a palhaçada tão longe que até inaugurou uma escola que já estava inaugurada há anos, semanas depois, quando foi convidado a estar presente na inauguração do túnel do Marão, lembrou de mentir, disse que não ia a inaugurações.
  
Quando percebeu que a palhaçada do exilado estava a cair no ridículo, algo que sucedeu tarde pois os seus recursos intelectuais estão ao nível de um 2 Cavalos. O traste e Massamá optou por fazer de morto, o líder do PSD andou meses em câmara ardente, até se tornar evidente que era a líder do CDS a liderar a direita. Isso começou a ser evidente quando, no encerramento do congresso do CDS, a líder deste partido propôs uma reforma das pensões.
  
À beira de ser enterrado o líder do PS fugiu da câmara ardente e tenta desesperadamente tirar as bandeiras de Assunção Cristas. Depois de ter usado o poder para chamar reforma das pensões a um corte cego das pensões em pagamento, o traste de Massamá tenta ser o actor principal do congresso do PS, propondo uma reforma das pensões, mas sem assumir uma única linha do que pensa. Propôs uma comissão eventual no parlamento só para ser notícia.
  
Enfim, estamos perante mais uma manobra pouco honesta de um líder que nunca se afirmou com um político sério e de palavra confiável. Quem desonesto nasce tarde ou nunca chegará a ser honesto. Razão teve o Presidente do PS ao dizer  que o traste de Massmá não era militante do seu partido, pelo que as suas ideias de ocasião não seriam debatidas no congresso.


Umas no cravo e outras na ferradura



  
 Jumento do dia
    
Passos Coelho

A ideia de propor uma reforma da Segurança Social no primeiro dia do congresso do PSD +ara desviar para si as atenções da comunicação social foi inteligente, depois de ter andado a fazer de morto e de ter perdido a liderança da direita para a sua rival Cristas, o líder do SPD tenta ressuscitar e recuperar credibilidade junto daquele a que chamou de cata-vento.

O problema desta estratégia está no facto óbvio de estar a mentir, enquanto foi governo Passos Coelho sempre confundiu reforma das pensões com o seu corte e teve de ser o tribunal Constitucional a explicar-lhe a diferença.
 
Passos mudou de ideias? Nem pensar, o líder do PSD é o pantomineiro de sempre.

«O PSD não quer “adiar mais” a resposta política o problema de sustentabilidade da Segurança Social e deu entrada no Parlamento com uma proposta para a criação de uma comissão eventual para discutir o tema, anunciou esta tarde o líder do PSD, Pedro Passos Coelho. O objetivo é fazer uma “discussão séria e não populista”, “removendo da conversa os argumentos da campanha eleitoral” e “encontrar coletivamente uma solução efetiva para a segurança social” disse o ex-primeiro-ministro aos jornalistas, apelando uma vez mais ao “consenso” entre os partidos.

Uma hora e meia antes do arranque oficial dos trabalhos do congresso do PS, que decorre entre esta sexta-feira e domingo na FIL, em Lisboa, Pedro Passos Coelho quis marcar terreno e chamou os jornalistas à sede do PSD na São Caetano à Lapa para dar o tiro de partida para a tão falada reforma da Segurança Social. Assunção Cristas tentou antecipar-se, ao dar conta esta semana de que o CDS vai levar as suas propostas ao Parlamento em julho, mas os sociais-democratas avançaram primeiro: a proposta para a criação de uma comissão eventual sobre a reforma da Segurança Social foi entregue no Parlamento e vai ser discutida no agendamento potestativo do PSD do próximo dia 8 de junho.» [Observador]
  

sexta-feira, junho 03, 2016

A grande desgraça

Os indicadores económicos têm sido um verdadeiro festim para a direita e mesmo na sua ala com mais sensibilidade à esquerda já se ouvem algumas vozes mais afoitas, é o caso de Francisco Assis. Para a direita é uma desgraça, para Assis temos uma espécie de governo de gestão. 

A questão que se coloca é saber o que poderia ou deveria ter feito este governo e não fez, ou o que teria feito um governo de direita que este governo não fez.

Francisco Assis, que discordou desta solução governativa a que tentou opor-se com um jantar de leitão assado na Mealhada, queixa-se de que parece um governo de gestão. Mas o governo de direita sem maioria parlamentar e com um Presidente a que Passos chamou catavento era estável? E que poderia fazer neste quadro um governo que não fosse de gestão? Assis nada diz sobre o que de bom poderia fazer o seu governo imaginário neste quadro parlamentar, não explica, por exemplo, como devia reagir o PS num quadro de uma coligação CDS-PSD-PS quando a Assunção cristas propusesse o encerramento de escolas públicas ou Passos decidisse cortes inconstitucionais.

Quem ouve gente como a ex-ministra das Finanças fica com a ideia de que a crise económica acabou de chegar devido às medidas deste governo. Este é um raciocínio duplamente oportunista e desonesto, a crise que é atribuída à política económica de Centeno já cá estava e as medidas entretanto adoptadas tiveram um impacto reduzido. O OE só foi promulgado em 28 de Março pelo que nada do que entretanto foi alterado teve impacto na economia.

A direita queixa-se da reversão de medidas e atribui-lhes graves consequências económicas. Mas a verdade e que até ao momento o impacto da eliminação da sobretaxa nas receitas do Estado foi quase residual e a restituição dos vencimentos pouco mais impacto tem. Aliás, se considerarmos que a direita também iria reverter os cortes de vencimentos e a sobretaxa, ainda eu a um ritmo mais lento, teremos que considerar apenas o custo resultante da diferença nos ritmos da restituição dos rendimentos e, neste caso, estamos falando de valores quase residuais. Se considerássemos as propostas feitas pela direita (as vinte e tal medidas de facilitação) então a diferença seria quase nula.

Mesmo algumas medidas mais emblemáticas como a redução da taxa do IVA no sector da restauração ou as 35 horas nem sequer entraram ainda em vigor. Se considerarm os o aumento dos impostos especiais sobre o consumo concluímos que o discurso da direita assenta em mentiras.
  
A grande diferença entre o que tem sido feito e o que Passos faria está na verdade e no respeito pela Constituição. Passos nunca teve a intenção de reverter o que quer que fosse, iria inventar reformas de pensões e nas tabelas remuneratórias no Estado para iludir os acórdãos do TC e não cumpriria uma boa parte das promessas. Mas aprece que Assis não percebeu ou fez que não percebeu ao que vinha a direita que ele tanto aprecia.

Umas no cravo e outras na ferradura



 Jumento do dia
    
José Mourinho

No dia em que o país vai teve de aturar as patacoadas de Jorge Jesus enquanto via o jogo Inglaterra - Portugal ficou a saber-se que José Mourinho ia amarar-se em papa Francisco num filme sobre Fátima. Começa a ser chutos a mais.

«O filme chama-se Fé, já se sabe, e tem estreia marcada para 13 de Maio de 2017, quando se celebram 100 anos sobre o que os católicos crêem ter sido as primeiras aparições de Nossa Senhora de Fátima em cima de uma azinheira. A novidade é que José Mourinho, que acabou de ser contratado como treinador do Manchester United, vai emprestar a sua voz ao filme, em quatro línguas. E o Vaticano já aprovou.

Rui Pedro Oliveira, administrador da Imaginew – produtora executiva da animação –, foi a Londres firmar o acordo com Mourinho, que será a voz-off do Papa Francisco em português, inglês, espanhol e italiano. O treinador aceitou sem reticências ou exigências. O cachet da sua participação, tal como o dos outros profissionais, será doado a uma instituição de crianças carenciadas.

A actriz Dalila do Carmo dará voz a Nossa Senhora de Fátima na versão portuguesa. O filme está a ser desenvolvido numa co-produção entre a produtora portuguesa Imaginew e a produtora polaca Platige Image, já nomeada para um Óscar da Academia norte-americana, tem uma equipa técnica de 300 pessoas, além de português, inglês, espanhol e italiano, será falado em português do Brasil, espanhol neutro e polaco, segundo a Imaginew.» [Público]

      
 z
   
«Comer, cagar e viver: são três os verbos - com cinco letras apenas - que caracterizam os seres vivos, dos unicelulares até aos organismos mais variados.

Na terça-feira tivemos o desprazer de descobrir inúmeros depósitos de fezes deixadas por dois bichos que adoramos (as osgas e os andorinhões) em duas especialidades de lavandaria das quais dependemos: as toalhas de casa-de-banho que usamos para secar as mãos e os lençóis da cama estendidos ao sol em que nos deitamos.

Estava tudo cagado. A dieta dos andorinhões (reis do voo celeste) e das osgas mediterrânicas e turcas (princesas da aderência terrestre) é muito mais parecida do que pensamos, no caso estranhíssimo de pensarmos nisso.

Os mosquitos e as traças são as lagostas e os lavagantes dos andorinhões e das osgas. Mas nem uns nem outras devem provocar a desprisão de ventre que choveu merda a granel sobre nós na terça-feira.

Apareceu, com certeza, um insecto invulgar mas delicioso - como é o caso da navalheira, que é o marisco mais saboroso e barato da nossa costa - que deu a volta às tripas dos nossos ídolos.

Cagaram-nos tudo. E nós ficámos felizes. É na terra como no céu: as lutas intestinas são as piores de todos. As toalhas e os lençóis regressaram à máquina de lavar. Mas os andorinhões e as osgas continuam a fazer parte da vida e a agir - correctamente - como se tudo lhes pertencesse.  

Na melhor versão da vida que nos é possível imaginar é verdade.   

A merda é uma prova de vida. O resto é azar.» [Público]
   
Autor:

Miguel Esteves Cardoso.

      
 O ridículo da justiça desportiva
   
«Slimani foi esta quinta-feira castigado com um jogo de suspensão pelo Conselho de Justiça (CJ) da Federação Portuguesa de Futebol (FPF), por agressão ao grego do Benfica Samaris, no jogo da quarta eliminatória da Taça de Portugal.

Os 'grandes' lisboetas já foram notificados da decisão do CJ, depois de, em 8 de abril, a avançado argelino do Sporting ter sido absolvido pelo Conselho de Disciplina (CD) da FPF, pelo lance do encontro realizado a 21 de novembro do ano passado e vencido pelo Sporting, por 2-1, na sequência de uma queixa dos encarnados.» [Expresso]
   
Parecer:

Na mesma semana em que um tribunal decidiu que o desporto não está à margem da lei e dos tribunais o país ri à gargalhada porque um jogador é castigado com um jogo de suspensão em consequência de uma agressão. Um dia destes os acusados nos tribunais comuns vão começar a pedir tratamento igual ao da justiça desportiva, até porque o pessoal da bola gosta de apresentar a indústria do futebol como um modelo para o país.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Vomite-se.»
  
 Comissão apoia a UBER
   
«A Uber, uma aplicação para chamar carros com condutor, e o Airbnb, que permite arrendar quartos ou casas por curtos espaços de tempo, têm razões para estar contentes com Bruxelas. A Comissão Europeia deu orientações os Estados-membros sobre como devem lidar com este género de serviços e, embora não refira qualquer nome de empresa, a mensagem é clara: proibições só em último caso e licenças apenas quando necessário.

O documento, divulgado nesta quinta-feira, procura responder às muitas dúvidas levantadas pelas empresas da chamada economia da partilha, que tipicamente permitem contratar serviços (nem sempre profissionais) através de uma aplicação móvel, fazendo com que pessoas com recursos disponíveis (como carros e casas) os possam rentabilizar.  “Proibições absolutas de uma actividade devem ser apenas medidas de último recurso. As plataformas não deverão estar sujeitas a autorizações ou licenças quando apenas agem como intermediárias entre os consumidores e os que oferecem o serviço propriamente dito (por exemplo, transporte ou serviço de alojamento)”, explica um comunicado da Comissão, que "convida os Estados-Membros da UE a examinar e, se for caso disso, a rever a legislação em vigor à luz destas orientações".» [Público]
   
Parecer:

Os transportes xunga estão tramados.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «espere-se para ver.»

 DO que tem medo a CRESAP
   
«O Tribunal Administrativo do Círculo de Lisboa condenou em finais de Março passado a Comissão de Recrutamento e Selecção para a Administração Pública (Cresap) a dar acesso a toda a documentação que faz parte de um concurso para vogal do Laboratório Nacional de Energia e Geologia a um candidato que foi excluído desse procedimento. A Cresap assegura, numa nota enviada ao PÚBLICO, que já cumpriu a decisão a 30 de Março passado, mas o queixoso, António Cardoso, garante que ainda não conseguiu consultar a informação que pretende.

António Cardoso é engenheiro civil, doutorado pelo Técnico de Lisboa, investigador do Laboratório Nacional de Engenharia Civil e professor da Faculdade de Arquitectura da Universidade Técnica de Lisboa. Assegura ao PÚBLICO que só recebeu esta terça-feira, já depois de o PÚBLICO ter questionado a Cresap sobre este caso, um e-mail a combinar a consulta do processo.

Esta quinta-feira, após a publicação da notícia, a Cresap veio admitiu "um lapso" na execução do despacho de 30 de Março, que permitiria a consulta de todo o processo ao queixoso, precisando que o mesmo não foi executado pelo secretariado. "Foram tratadas as questões das custas, mas, inadvertidamente, não se deu logo andamento à comunicação ao reclamante", refere a Cresap, num email enviado ao PÚBLICO. "Mal o secretariado teve conhecimento de que o candidato vinha à Cresap para ser entrevistado no âmbito de outro concurso, procedeu à comunicação em causa através de e-mail", sustenta. Facto é que essa mensagem de correio electrónico foi enviada ao queixoso duas horas após a Cresap ter recebido o pedido de esclarecimentos do PÚBLICO sobre este caso.» [Público]
   
Parecer:

Esta CRESAP é muito turva.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Extinga-se o abcesso.»

 Há fila no restaurante? Leva-se o avô a jantar fora
   
«Agora, com o decreto-lei aprovado em Conselho de Ministros, esta quinta-feira, se grávidas, pessoas com deficiência ou idosos com limitações evidentes chegarem a um restaurante cheio, podem passar à frente na fila para arranjar mesa. O diploma prevê que todos os espaços que façam atendimento ao público, sejam públicos ou privados, garantam um atendimento prioritário a estas pessoas.» [Observador]
   
Parecer:

Agora é que os velhotes vão passear.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se e pergunte-se com que idade se é idoso e o que são limitações evidentes.»
  

quinta-feira, junho 02, 2016

Liberdade de escolha?

Não é apenas no ensino que o Estado recorre aos serviços de privados, isso sucede também no sector da saúde, onde algumas cirurgias são feitas no sector privado quando o SNS não tem capacidade de resposta. Mas, ao contrário do que sucede no sector da saúde, com os colégios privados são os encarregados de educação que optam por matricular os filhos nos colégios privados, deixando para o Estado a factura.
  
Agora que o negócio foi posto em causa os pais juntaram-se aos colégios, a alguns líderes políticos surfistas e ao cardeal para defenderem aquilo que designam liberdade de escolha. Entende-se por liberdade de escolha umas quantas famílias portuguesas terem o privilégio de inscreverem os seus filhos em colégios privados, argumentando que na sua freguesia não há escola pública, quando esta existe a falta ocorre na freguesia onde o pai trabalha, se aí existir uma escola a falha é na freguesia onde a mão trabalha, se aí existe uma escola então o avó é indicado como encarregado de educação.
  
Compreende-se que agora exijam a liberdade de escolha, um argumento que foram buscar às palavras do cardeal e que Assunção cristas transformou em projecto de destruição da escola pública. Ninguém reivindicou aquilo que seria lógico, isto é, que se adoptasse o modelo seguido pelo SNS no domínio das cirurgias. Em todos os casos os alunos deveriam ser inscrito na escola mais próxima da sua residência e se o Estado fosse incapaz de colocar esse aluno contrataria os serviços da escola privada mais próxima.

Os contratos com os colégios não resultaram de qualquer aplicação regional do princípio da liberdade de escolha ou de um prémio à sua qualidade. Estes colégios prestaram serviços ao Estado, inscrevendo alunos que não dispunham de vaga nas escolas públicas. Por isso não faz sentido que sejam os pais a decidir que é o Estado que olhes deve pagar a opção por um colégio privado. Foi isso que sucedeu e agora esses país estão habituados ao privilégio e tentam dá-lo por definitivo. Os empresários do sector e o cardeal, que também são beneficiários deste negócio com lucros certas juntaram-se aos pais para tentarem impor a solução oportunista.

O erro de tudo isto está na preguiça do ministério da Educação, o que não é motivo de surpresa, é mais do que óbvio que políticos e altos responsáveis do ministério da Educação envolveram-se neste negócio oportunista e montaram o esquema da forma mais interessante para os colégios. No futuro a solução passa por adoptar um modelo idêntico ao do sector da Saúde, são as escolas públicas que perante uma matrícula à qual não podem dar resposta deverão “encomendar” a prestação do serviço a uma escola privada se não existir outra escola públicas em condições para o fazer, sem que daí resulte um sacrifício exagerado para o aluno.

É bom recordar os país, a Assunção Cristas e o cardeal que em Portugal há muitos milhares de alunos que vivem em aldeias e que se levantam de madrugada, porque não têm papás que os possam levar e ir buscar a colégios privados. São estes os verdadeiros lesados pela não terem liberdade de escolha, as suas ecolas dificilmente ficam no topo dos ranking e a maioria deles é vítima de insucesso escolar. Com estes é que o cardeal e a Assunção Cristas deviam andar preocupados, não têm ninguém que os defendam, não têm especialistas de marketing a apoiá-los, associações para os defender ou políticos que os ajudem.

Umas no cravo e outras na ferradura



 Jumento do dia
    
Pedro Marques, ministro do PEDU

Negociar fundos europeus com meia dúzia de autarcas ignorando todos os outros é comportar-se como um elefante dentro de uma loja de cristais, desta forma era de esperar que o PEDU desse borra.

«O presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte (CCDRN), Emídio Gomes, recusou-se a publicar o aviso para um concurso de acesso a fundos estruturais ordenado pelo Governo e abriu um conflito político de proporções imprevisíveis na região. Em causa está uma negociação directa entre Rui Moreira e ministro Pedro Marques que permitiria reforçar as verbas do PEDU (Plano Estratégico de Desenvolvimento Urbano) para o Porto, através do aviso que Emídio Gomes se recusou publicar. O ministério não gostou da recusa e a continuidade do presidente da CCDRN no cargo está em causa. O que parece segurar politicamente Emídio Gomes é o apoio declarado que está a receber da esmagadora maioria dos municípios do Norte, que protestaram junto do Governo pela forma como a partição das verbas inscritas na medida 9.1 do Programa Operacional (PO) do Norte estava a ser negociada, à revelia da sua opinião. Um desses apoios vem de Rui Santos, presidente da Câmara de Vila Real que é também, desde o passado fim-de-semana, líder da Associação Nacional dos Autarcas Socialistas.

O que está em causa é mais um capítulo de um longo braço-de-ferro que opõe Rui Moreira a Emídio Gomes. Os contornos da história começam com a recusa do presidente da Câmara do Porto em assinar o contrato que estabelecia a repartição das verbas do PEDU por 29 municípios da região, por considerar que a fatia atribuída ao Porto - 26,5 milhões de euros - representava “o roubo do século”. Se outros municípios, como Vila Nova de Gaia ou Matosinhos, iniciaram negociações individuais imediatamente, o Porto demorou algum tempo e, quando o fez, fê-lo com o próprio ministro Pedro Marques, como disse Rui Moreira ao seu executivo na última reunião de câmara.

O ministro – cuja acção neste processo tem sido muito elogiada pelo autarca portuense - tratou de procurar uma solução política para o braço-de-ferro. Depois de uma negociação directa com o autarca, o Governo ordenou a Emídio Gomes que lançasse um aviso para um concurso de 20 milhões de euros que permitiria reforçar a dotação do Porto e de outros seis municípios da Área Metropolitana. O problema é que todos os 29 municípios elegíveis para o PEDU tinham acesso ao bolo de 20 milhões da medida 9.1, dirigida para a inclusão social nas principais cidades. Daí a rejeição dos autarcas a esta negociação que, ao contrário das outras medidas do PO Norte, os tem envolvido.» [Público]

 Quem tem medo compra um cão

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 Declaro-me tua ex




   
 SONAE alinha na chantagem sobre os eleitores ingleses
   
«A menos de um mês do referendo sobre a permanência do Reino Unido na União Europeia, um grupo de 51 grandes empresas juntou-se ao coro de vozes que tem alertado para os riscos de um Brexit, no mesmo tom de avisos já dados pelo FMI e pelo G7.

“Desde o início desta década, a Europa tem tido desafios – problemas com o euro, terrorismo, migração e agora as consequências de um potencial Brexit”, lê-se numa carta aberta, assinada pelos membros de um grupo chamado Mesa Redonda dos Industriais Europeus, entre os quais estão operadores de telecomunicações (Grupo Vodafone, Orange, Telefónica), petrolíferas (Shell, BP), tecnológicas (Nokia, Siemens, Philips) e também a portuguesa Sonae (proprietária do PÚBLICO).» [Público]
   
Parecer:

Uma vergonha.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Lamente-se a figura triste do grupo de Belmiro de Azevedo.»
 Estão tremendo de medo
   
«Quando o PS foi governo, no tempo de António Guterres, o partido ficou praticamente entregue a António Galamba. Foi o socialista que ocupou durante mais tempo o cargo de secretário nacional para a organização. Grande amigo de António José Seguro - e também residente nas Caldas da Rainha - António Galamba é hoje um dos críticos mais ferozes do seu partido e do governo liderado por António Costa.

De entre os ex-dirigentes do PS, tem sido a única voz crítica constante do governo socialista, se excetuarmos as entrevistas que Francisco Assis deu este fim de semana. Como é que de repente se vê na posição de estar praticamente sozinho a dizer mal do governo?

Julgo que há algum medo no Partido Socialista em se dizer o que se pensa. Entre os ex-dirigentes há três situações: os que foram integrados, os que estão resignados e aqueles que julgam que devem dizer aquilo que pensam. Eu incluo-me nesse grupo, que é um grupo muito restrito de pessoas que acha que deve dizer aquilo que pensa. Até por experiências anteriores: no passado, pelo facto do PS estar no governo, não dissemos aquilo que pensávamos e aconteceu o que aconteceu, nomeadamente a necessidade de haver um resgate. Julgo que aos 47 anos e depois de 27 anos de militância, já não me posso dar ao direito de não dizer aquilo que penso. Sendo certo que há pessoas que não o fazem por manifesto medo de retaliações. Dou um exemplo: houve uma comissão política nacional em que eu participava, era membro, onde me foi retirada a palavra durante uma intervenção.» [i]
   
Parecer:

Coitadinhos, andam muito assustados...
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se a merecida gargalhada.»
  
 Grande Ventinhas
   
«O presidente do Sindicato dos Magistrados do Ministério Público alertou esta quarta-feira que alguns media “são controlados por alguns arguidos poderosos” que tentam através desses meios deslegitimar a atuação do Ministério Público na opinião pública ou condicionar a sua intervenção.

António Ventinhas falava na abertura da 2.º Forum Global de Associações de Procuradores, que junta em Lisboa representantes de 24 países.

Segundo o presidente do sindicato (SMMP), as relações com a comunicação social assumem na atual sociedade um papel cada vez mais importante, pois os processos são cada vez mais mediatizados e “é frequente que os procuradores sejam visados e estejam sob os holofotes da imprensa”

“Alguns meios de comunicação social são controlados por alguns arguidos poderosos que tentam através desses meios deslegitimar a actuação do Ministério Público na opinião pública ou condicionar a sua intervenção”, advertiu António Ventinhas.» [Observador]
   
Parecer:

O problema é que na hora de dar nomes o nosso corajoso sindicalista fica calado.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Ofereça-se um trombone qao corajoso sindicalista.»
  

quarta-feira, junho 01, 2016

Pontos e pontinhos

Antes de mais uma cruzada das forças policiais nas estradas portuguesas somos confrontados com uma ofensiva pedagógica que teve início com um email da Autoridade Tributária, que nos mandava um panfleto sobre a carta por pontos. 

Como não podia deixar de ser, fomos mais uma vez informados que o mal das estradas é dos condutores, algo que não é nada de novo, o mal dos hospitais é dos doentes que em vez de irem aos centros de saúde vão às urgências, o mal do fisco é dos contribuintes que tentam escapar-se por todos os meios e, como não podia deixar de ser, o mal da sinistralidade é dos automobilistas.

Mais uma vez nos explicam que um esquema repressivo serve para defender os cidadãos exemplares contra os maus cidadãos, os cidadãos modelos ficam com os pontos e são premiados pelo seu bom comportamento, pelo contrário, os maus cidadãos são tramados. Isto é-nos dito por governantes e funcionários superiores eu se desdobram nas diversas rádios e televisões para que os portugueses tenham uma lição intensiva das nossas regras. Nem percebo porque se dão a tanto trabalho, em Portugal todos conhecemos a lei e a ninguém aproveita o seu desconhecimento.

O problema é que não explicam porque razão as anteriores cruzadas falharam, aliás, nunca em Portugal se avaliou a acção das polícias e dos institutos e autoridades que tanto se dedicam ao combate à sinistralidade. Como se explica, por exemplo, que nunca tenham sido cobradas tantas multas, nunca os portugueses pouparam tanto no combustível e mesmo assim aumentou a sinistralidade. 

Depois de tanta multa e multinha agora é que vai ser, com pontos e pontinhos os malandros vão ter mais cuidado. Enfim, às multas e multinhas acrescentam-se agora os cursos e cursinhos mais as novas cartas, isto é, o IMTT e o lóbi das escolas de condução passam a partilhar o sucesso das polícias, beneficiando com mais taxas e taxinhas.

Se a principal causa de morte na capital se regista nas passadeiras porque motivo a polícia nada faz neste capítulo e anda a caçar multas por excesso de velocidade onde ninguém morre?  Qual é a percentagem de multas conseguidas em emboscadas incautos e que servem apenas para aumentar as receitas cobradas pelas polícias?

A verdade é que nunca se viu tanta caça à multa como sucedeu nos últimos anos, as multas e muitas taxas e taxinhas servem para directores-gerais e generais mostrarem receitas para manter mordomias e financiar a gestão dos seus serviços. É por isso que pouco importa que dessas multas, que hoje são um segundo imposto sobre o rendimento, não resulte qualquer redução da sinistralidade.
  
É verdade que os condutores que desrespeitam as normas e as mais elementares regras de civismo têm grande responsabilidade nos elevados. Mas também é verdade que o comportamento das polícias e as estratégias dos seus comandos também têm grandes responsabilidades nos sucessivos falhanços no combate à sinistralidade.

Umas no cravo e outras na ferradura



 Jumento do dia
    
António Fonseca Ferreira, militante do PS

Depois do famoso jantar dos leitões organizado por Francisco Assis é a vez de serem organizados uns cafezinhos, nem que seja para que a comunicação social passe a imagem de um PS dividido. Começou mal e enquanto uns dizem que Beleza não alinha, outros garantem que está doente, sinal de que estas oposições internas do PS estão longe de ser uma alternativa, até porque ainda não se percebeu muito bem se são a direita do PS ou, como diria Marcelo, a esquerda do PSD.

«A corrente de opinião Esquerda Socialista, de Fonseca Ferreira, apresenta esta terça-feira um manifesto crítico da governação de António Costa, expressando preocupação pela situação económica e a perda de identidade do programa socialista.

"O PS tinha um programa que era inverter o ciclo de austeridade e devolver rendimentos, mas de uma forma moderada para relançar a economia e isso não está a acontecer. O PS pode perder a sua identidade se não governar com o seu programa, embora fazendo compromissos e cedências", disse à Lusa António Fonseca Ferreira sobre o conteúdo do manifesto.

A anteceder o Congresso do PS, que começa na sexta-feira, a discussão do manifesto "Mais Democracia", hoje à noite no Café Nicola, em Lisboa, foi anunciada, em comunicado, como uma reunião de "militantes socialistas descontentes", com a presença de Álvaro Beleza, que disse, contudo, que não estará presente, nem se insere nesse grupo.» [Expresso]

      
 A direita brasileira no seu melhor
   
«O ministro brasileiro da Transparência, Fiscalização e Controle, Fabiano da Silveira, acabou por se demitir do cargo ao início da noite de segunda-feira. A divulgação de conversas em que Silveira critica a operação Lava Jato e orienta a defesa de investigados nos desvios de fundo da Petrobras, como o presidente do Senado, Renan Calheiros, foi decisiva para a sua queda.

Michel Temer ainda garantiu que o ministro responsável pelo combate à corrupção ficaria no cargo, mas a ameaça de demissão de 23 diretores estaduais do ministério e a pressão da opinião pública tornaram a posição insustentável. Como Silveira não tinha nomeado um secretário de Estado, Temer resolveu manter o ministro de Dilma Rousseff, Carlos Higino, à frente do ministério até que seja escolhido um novo nome.» [Expresso]
   
Parecer:

Um dia destes o Brasil não tem governo.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»
  
 A seguir teremos o dia dos primos
   
«"Se queres ver uma criança feliz, dá-lhe um irmão. Se queres ver uma criança muito feliz, dá-lhe muitos irmãos". O lema, proferido pelo falecido fundador e presidente da Associação Portuguesa de Famílias Numerosas (APFN) e da Confederação Europeia de Famílias Numerosas, Fernando Ribeiro e Castro, dá o mote para a iniciativa promovida pelas duas organizações, que visa estabelecer o Dia dos Irmãos como uma efeméride por direito próprio, comparável aos dias que servem para homenagear a mãe e o pai.

"As relações com os nossos irmãos são das mais marcantes e duradouras que temos", esclarece Ana Cid Gonçalves, secretária-geral da APFN, ao Expresso, defendendo que faz sentido que este dia exista se já existem tantos outros para celebrar "muitos vínculos". "O dia 31 de maio foi declarado Dia dos Irmãos em 2014, pela Confederação Europeia de Famílias Numerosas, da qual somos associados".» [Expresso]
   
Parecer:

Esta associação das famílias com muitos filhos tem muita graça.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sugira-se que façam mais filhos.»

 Piro escola vence concurso de matemática
   
«Pedro Machado e Cátia Viana foram os vencedores de um concurso de matemática preparado pela Universidade de Trás-os-Montes. O mais impressionante desta história nem sequer é o facto de os dois finalistas do ensino secundário terem batido os participantes de três escolas diferentes. É o facto de estes dois gondomarenses estudarem naquela que foi considerada a pior escola de Portugal: a Escola Secundária de Valbom, no distrito do Porto.

Os dois estudantes do curso científico-humanístico de Ciências e Tecnologia conquistaram 132 pontos no total de 200 possíveis na prova MATUT, organizada pela universidade sediada em Vila Real. Cada um venceu uma bolsa de estudos de 1.019 euros que, garantem os dois à Lusa, “vão fazer muito jeito”. Mas chegar até aqui não foi pera doce. Pedro, Cátia e os outros sete colegas que participaram no concurso pagaram do próprio bolso a viagem de autocarro, que custou 14 euros. Levantaram-se às seis da manhã de sábado e, três horas depois, estavam em Vila Real para se tornarem nos melhores alunos de matemática vindos da pior escola do país.» [Observador]
   
Parecer:

Os alunos dos colégios cardinalícios não concorreram?
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se.»
  

terça-feira, maio 31, 2016

Negócios políticos de sangue

Muito antes da acusação no processo dos vistos Gold que se sabia do envolvimento de Marques Mendes em telefonemas que segundo o próprio se destinaram a saber do andamento de processos. Percebe-se perfeitamente que ao usar do seu estatuto para telefonar a um alto dirigente do Estado sobre o andamento de um determinado processo o antigo líder do PSD não pretendia qualquer outro resultado que não fosse apenas esse conhecimento.

Como somos todos parvos acreditamos que os tais cidadãos estrangeiros sobre cujos pedidos de vistos Gold Marques Mendes queria saber do “andamento” eram gente das suas relações. Aliás, não é difícil de imaginar uma boa parte da população da Península Ibérica é tanto das suas relações como o eram os estrangeiros que pediram vistos Gold. Mas passemos à frente, Marques Mendes é um cidadão tão empenhado no crescimento económico do país que,m certamente, estava preocupado com a possibilidade de estes investidores estrangeiros abandonarem o país.

Mas o que mais me incomoda na notícia da Visão que dá conta das escutas de que Marques Mendes é o nível ético e moral de alguém que foi membros de vários governos, que liderou um dos maiores partidos portugueses e que foi candidato a primeiro-ministro. A forma como se refere a mortos e feridos líbios ficam muito aquém dos padrões considerados minimamente aceitáveis para os nossos valores civilizacionais.

O Marques Mendes privado é bem diferente do Marques Mendes público, do Marques Mendes dos domingos à noite, dos comentários bem penados, das inconfidências governamentais, das lições de moral e das exigências aos políticos. O Marques Mendes privado que se ouviu nas escutas é um labrego sem a mais pequena consideração pelos tais valores da vida humana.

Vale a pena ler os comentários de Marques Mendes sobre as vítimas de combates na Líbia, estando em causa a vinda de feridos para tratamento em hospitais privados pertencentes aos seus amigos:

« A conversa seguiu com os dois interlocutores concentrados na parte negativa. Era preciso, dizia Marques Mendes, ver se a situação acalmava, se “não se matam todos”. Jaime Gomes sugere que até era melhor que não morressem: “Quanto mais feridos houver, mais oportunidades existem.” E continuou, entre risos, fazendo uma comparação com a história do cangalheiro que tinha uma funerária no hospital e dizia:

“Não quero que ninguém morra, mas quero que a minha vida corra.” Marques Mendes concordou: ali era a mesma história, só convinha era que “os gajos” não morressem. Mas se ficassem nem que fosse um pouco “tortos”, isso até daria “jeito”, ironizou.» [Visão]

É assim que fala o homem que defende a vida, que está sempre do lados dos bons valores da Igreja e que critica tudo e todos. Em qualquer país europeu este senhor já teria sido banido das televisões e teria vergonha de sair à rua.

Umas no cravo e outras na ferradura



  
 Jumento do dia
    
Maria Luís Albuquerque

Há poucos dias a ex-ministra e agora funcionária de uma financeira londrina queixava-se de este governo estar a esbanjar o que ela poupu, estaria a referir-se aos reembolsos do IRS? Em vez de dizer baboseiras a ex-ministra devia explicar como é que ao longo dos últimos anos os reembolsos do IRS aumentaram.

Aumentaram porque os governos da direita ludibriaram as contas públicas inventando receitas de IRS com tabelas de retenção na fonte abusivas, que se traduziram em receitas empoladas que mais não são do que uma cobrança abusiva de impostos. Agora cabe à gerigonça distribuir o dinheiro de que Maria Luís se apropriou, daí que a senhor fale em esbanjamento do que ela poupu.

«Desde que a Autoridade Tributária e Aduaneira (AT) começou a processar os reembolsos de IRS este ano, foram devolvidos aos contribuintes 827 milhões de euros até à última sexta-feira, 27 de Maio. De acordo com dados enviados pelo Ministério das Finanças, foram pagos mais 160 milhões do que no mesmo período homólogo, havendo um “aumento do reembolso médio de 60 euros”.

De 1 de Abril (o primeiro dia da entrega das declarações) até 27 de Maio (a poucos dias de terminar a segunda fase da entrega das declarações), o fisco tinha processado 2.264.785 declarações, mais 765,8 mil do que no período de entrega comparável do ano passado.

Os valores dos reembolsos deverão corresponder sobretudo aos pagamentos da primeira fase de entrega, para quem declarou apenas rendimentos do trabalho dependente ou pensões. Esta primeira fase decorreu de 1 a 30 de Abril, sendo que a AT começou a efectuar os primeiros reembolsos 25 dias depois da primeira data de entrega. A segunda fase – para os restantes categorias de rendimento – começou a 1 de Maio e termina terça-feira, estando ainda na sua maioria a ser processadas pela administração tributária. Segundo o código do IRS, o imposto tem de ser liquidado pelo fisco até 31 de Julho.

O Governo já contava com um aumento dos reembolsos. Ainda Fevereiro, numa entrevista ao Jornal de Negócios, o secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, Fernando Rocha Andrade, previu que o Estado reembolsasse este ano mais 200 milhões de euros do que no ano passado. Porquê esta diferença? “O Governo anterior subestimou o custo do quociente familiar e também das deduções de saúde e de IRS, pelo que estes reembolsos, em princípio, estarão mais concentrado nas famílias com filhos, que tiveram uma cobrança de IRS excessiva em relação ao que estava na lei”, explicou o governante ao mesmo jornal.» [Público]

 O novo líder da oposição

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Há muitos anos que um cardeal não se envolvia tanto na política como o actual cardeal patriarca de Lisboa e nem sequer estão em causa os valores religiosos, mas sim os interesses financeiros de umas quantas escolas privada. Ao contrário do que diz o cardeal não é a liberdade de escolha do que quer que seja que está em causa, mas sim umas quantas turmas financiadas pelo erário público, para que uns quantos filhos da classe média continue a beneficiar de colégios privados baratos, à custa dos contribuintes.

Mas o cardeal percebeu que o líder da oposição é fraco e decidiu chamar a si a tarefa de animar a oposição, em vez de questionar a legitimidade jurídica da decisão governamental o cardeal decidiu politizar a luta pela partilha do erário público, tendo dado o seu primeiro comício em Fátima.

Passos Coelho que se cuide, o verdadeiro líder da oposição é o bispo de Lisboa que neste papel parece preferir ter Assunção Cristas como o seu braço direito.

 Marcelo meteu uma cunha a Merkel

Se, por um lado, devemos estar gratos pelo gesto de Marcelo, por outro, teremos de sentir alguma vergonha. Durante a presença da troika a graxa a Merkel e ao seu ministro das Finanças foi uma instituição em Portugal, parece que continua a sê-lo e isso pode ser muito vantajoso mas não deixa de ser humilhante. É pena que ninguém tenha questionado Marcelo.

  Gente ao cuidado da Igreja sem liberdade de escolha

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Vão longe os tempos em que os cardeais dizia proecupar-se com os mais protegidos, agora o bispo de Lisboa parece estar mais preocupado com os endinheirados de Coimbra pois, tanto quanto se sabe, o problema dos colégios não se localiza na sua diocese.

      
 Santa Paciência
   
«A mulher a que nos referimos por Santa Paciência, quase sempre sem saber de quem se trata, teve existência real nos últimos anos do Império Bizantino. Era sérvia, chamava-se Helena Dragas, e casou com o imperador Manuel II Paleólogo, que foi o penúltimo senhor cristão de Constantinopla. Por volta de 1425 entrou num convento com o nome de Ypomonia, que quer dizer “paciência” em grego. Morreu em 1450, três anos antes da queda de Constantinopla, a 29 de maio de 1453 – o dia que ontem foi celebrado em memória de Santa Paciência.

Lembrei-me de Santa Paciência quando ouvi Assunção Cristas perguntar por que não deveria a escola pública “ser sacrificada” em benefício de colégios privados que têm sido milionariamente subsidiados em situações que a lei não justifica. “Porque a Constituição não deixa”, seria uma resposta para Assunção Cristas, mas a verdade é que durante os anos em que ela esteve no governo a escola pública foi sim sacrificada enquanto os colégios privados aumentaram a sua frequência em 20%, à conta do erário público em muitos casos indevidos. 

Lembrei-me de Santa Paciência ao ouvir o deputado do PSD Duarte Pacheco dizer aos microfones da RTP que o Ministério da Educação era agora “comandado por forças estalinistas”. Aquilo que ainda a semana passada era supostamente apenas uma paródia dos jotinhas do seu partido é agora dito com toda a seriedade por um deputado da nação que – num debate sobre educação! – decide fazer uma analogia imoral entre o regime político que mandou para o gulag e matou milhões de pessoas e uma decisão atempada e legal de não continuar a subsidiar alguns colégios quando há escolas públicas ao lado.

No capítulo da ignorância histórica, já agora, deu-me forças Santa Paciência ao ver a pertinácia com que José Rodrigues dos Santos alega ter “provado” que “o fascismo tem origem no marxismo” porque houve fascistas que foram marxistas antes – tal como os houve que foram católicos, futuristas e reacionários. Para fazer história das ideias convém não achar que cada ligação de factos sociais, culturais e políticos fornece uma “prova” de paternidade, ou então poderíamos dizer que o nazismo “tem origem” na pintura de aguarelas, na ingestão de vegetais e no alpinismo.

E continuando no capítulo dos exageros de jornalistas, Santa Paciência foi um grande apoio ao relembrar os alertas noticiosos que me garantiram que “Wolfgang Schäuble defende sanções para Portugal e Espanha” (TSF) ou, no dizer da SIC Notícias, que “Schäuble já expressou o seu desagrado por Portugal não ter sido multado mais cedo”. Não tenho grandes razões para defender Schäuble, a quem chamei durante a crise grega “o pior inimigo do projeto europeu”, mas o que o homem disse foi algo de muito diferente: “Dar a impressão que se adia uma decisão para depois das eleições [espanholas] não contribui para o reforço das regras europeias”. Com sanções ou sem elas, note-se.

Santa Paciência foi de uma grande ajuda ontem. Possa a sua intercessão ajudar durante o resto do ano estas oposições desinspiradas, estes deputados sem noção das proporções, estes publicistas em auto-promoção e, em geral, a todos os devotos do sado-monetarismo.» [Público]
   
Autor:
Rui Tavares.
  

segunda-feira, maio 30, 2016

O liberalismo modernaço

A direita com a Assunção Cristas a liderar e a Santa Madre Igreja a iluminar o seu caminho traz uma boa nova, a do liberalismo modernaço. Longe vão os tempos do divórcio entre o público e o privado, quando a direita conservadora portuguesa fazia gala em meter os seus rebentos em escolas de um Estado salazarista que todos respeitavam, enquanto os lordes britânicos pagavam do seu bolsos boas escolas privadas. Era o tempo do velho liberalismo, quando se afirmava a superioridade do privado  pago por quem queria melhor e dispunha-se a pagar.

No Portugal do século XXI há um liberalismo que nada tem que ver com o Adam Smith e que de neo nada tem, é um liberalismo modernaço, espertalhão, de Chico esperto, junta o melhor dos dois mundos a superioridade moral e técnica do privado com a facilidade dos dinheiros públicos. Isso de liberalismos com separação entre público e privado é coisa de protestantes, por cá a Santa Madre Igreja Católica Apostólica Romabna faz a síntese entre o melhor dos mundos e mete as mãos na massa, abrindo escolas privadas que dão lucros fáceis e sem pecado à conta dos dinheiros públicos.

Os nossos liberais modernaços mandaram os bons princípios do liberalismo para o galheiro, dantes quem queria o melhor para os seus filhos poupava fazendo sacrifícios e investia na formação de hoje para colher os frutos amanhã, as escolas financiadas por dinheiro fruto de sacrifícios e com alunos provenientes de famílias que os faziam, tenderiam a ser mais disciplinadas, com alunos e professores mais empenhados. Mas os nossos liberais modernaços descobriram que com uma mistura de corrupção e de esperteza saloia conseguia-se escolas privadas boas e baratas, conseguir uma boa formação já não era um prémio para sacrifícios de famílias exemplares, passou a ser uma forma manhosa de poder gastar as poupanças em praias paradisíacas das Caraíbas.

O negócio das escolas privadas passou a dar, empresários privados juntaram-se a quadros do ministério da Educação de honestidade duvidosa e autarcas ambiciosos e multiplicaram colégios onde havia uma classe média que queria que os filhos entrassem nas universidades sem que isso pusessem em risco a compra do BMW ou as férias na República Dominicana. A Igreja viu também a oportunidade de dar algum conforto à Fábrica da Igreja, porque as taxas dos sacramentos estão em crise, as esmolinhas já não são o que eram e as velas de Fátima vendem-se uma vez por ano.
  
E eis que o nosso liberalismo modernaço contou com um inesperado guia espiritual na pessoal do cardeal, saudoso de cruzadas e outras lutas contra mouros e pagãos lançou a sua guerra santa contra o ensino público, em nome da liberdade de escolha. Só não explica a razão porque os meninos de Chelas não podem escolher entre a escola pública e o Colégio São João de Brito, sem terem de pagar propinas e muito menos inscreverem-se antes de nascer.
  
Eis que à frente desta cruzada surge uma Assunção Cristas que defende o sacrifício da escola pública, não tardando a defender o sacrifício de tudo o que no público possa dar lucros aos privados à conta do dinheiro dos contribuintes. E chamam a esta forma despudorada de se besuntarem no erário público de liberdade de escolha, a cruzada a que o cardeal apelou está em marcha e já se conhecem os inimigos, quem defender a escola pública e ousar questionar os lucros dos colégios oportunista leva com o carimbo de comunista e de apaniguado do Mário Nogueira!

Umas no cravo e outras na ferradura



  
 Jumento do dia
    
Assunção Cristas, líder da direita

Na hora de dar dinheiro à Igreja e aos amigos a direita deixa-se de austeridades, aliás, foi o que fez durante a anterior legislatura, cortou vencimentos e pensões e deu fartura aos colégios privados de interesses pouco claros. A pouca vergonha já chegou ao ponto desta senhora da direita quase extrema já falar em sacrificar serviços públicos para financiar directamenrte as escolas privadas. Nunca a direita foi tão clara nos seus objectivos.

«A presidente do CDS-PP, Assunção Cristas, defendeu este domingo, em Trás-os-Montes, que nalguns casos possa ser a escola pública a sacrificada, em vez de apenas os colégios privados, por questões ideológicas.

A líder centrista reiterou o apoio à contestação dos privados contra as alterações aos contratos de associação e afirmou que "faz sentido olhar para estes critérios e decidir se, nalguns casos, não deve ser a escola privada ou do setor cooperativo a ser sacrificada, mas deve ser a escola pública que, claramente, não [deve] abrir mais uma turma".

"Não é evidente que uma escola que presta um bom serviço, que tem bons resultados, que é a preferida pelos pais e que não custa mais para o Estado, deva ser sacrificada só porque ao lado há uma escola pública estatal que deve sempre mantida", insistiu.» [Expresso]
  

domingo, maio 29, 2016

Semanada

Depois da conferência e imprensa dada pelo cardeal em Fátima foi a vez de a Conferência Episcopal apelar à participação na manifestação dos amarelos, um sinal de que o dinheiro do Estado ganho pela Igreja através dos seus colégios é importante para esta instituição. Na verdade, neste problema dos colégios é dinheiro que está em causa, dinheiro que a Igreja ganha nos colégios, dinheiros que alguns empresários ganham sem riscos no ensino privado e dinheiro que algumas famílias poupam colocando os alunos nestes colégios.
  
Francisco Assis deu o primeiro passo para uma futura candidatura à liderança do PSD, numa entrevista à TSF marcou a sua posição e afirmou os seus valores. Depois de esta entrevista os eleitores do PS ficaram com uma única interrogação, quem estará mais à direita, Passos Coelho e Paulo Portas ou Francisco Assis? Parece que é este último. 

Marcelo deu confiança aos amarelos e estes abusaram logo. A Presidência esqueceu-se de combinar com os amarelos o tipo de comunicado que estes produziriam e foi o que se viu, o país ficou a saber que há um Marcelo em público que se distancia do movimento e um Marcelo que os apoia em privado. Tudo isto sucede na mesma semana em que Marcelo começa a distanciar-se do governo, dando a entender que começa a discordar das suas políticas.

Umas no cravo e outras na ferradura


   
 Jumento do dia
    
Marcelo Rebelo de Sousa

Nos primeiros dias do seu mandato Marcelo afirmou que os resultados de uma política não se medem no imediato, é preciso dar tempo. A crer no jornal Expresso parece ter mudado de ideias, parece defender que seja adoptado um orçamento rectificativo, reagindo à conjuntura internacional e não esperando por resultados.

O primeiro teste à presidência de Marcelo é um teste à sua coragem, veremos se Marcelo se mantém solidário com o governo ou se em vez disso prefere jogar com um pau de dois bicos aos primeiros sinais de dificuldades. É óbvio que é mais fácil ser comentador de direita na TVI do que Presidente de todos os portugueses na TVI, como comentador Marcelo seria já um militante da causa dos colégios, como presidente sabe que a Igreja e alguns empresários oportunistas dos sector estão tentando forçar o Estado a dar-lhes dinheiro.

A coragem está para Marcelo como o algodão estava para uma conhecida marca de limpeza. é um teste que não engana.

 Apoio a Conferência Episcopal 

Concordo com a Conferência Episcopal quando diz que se ao lado "desta e outras iniciativas que, com ordem e civismo, defendam a liberdade dos pais escolherem a escola e os projectos educativos que querem para os seus filhos". Até estou quase tentado a ir à manifestção dos colégios.

O que não concordo é que os pais que t~em os filhos em escolas públicas paguem com os seus impostos as escolas públicas e as escolas privadas e através desse financiamento aumentem o lucro dos colégios e financiem a Igreja Católica.

 Quem são os gajos da CNEF

Um dos truques adoptados pela direita para dar voz às suas causas foi a criação de associações, há associações de empresas familiares, de filhos dos donos das empresas familiares, dos tios dos donos das empresas familiares, etc. São associações que não representam ninguém, existem apenas para servirem interesses.

Nunca se ouviu falar da Confederação Nacional da Educação e Formação (CNEF) e apetece perguntar "quem são esses gajos"? Basta ir ao seu site e lá ficamos a saber que "A Confederação Nacional da Educação e Formação tem como finalidade primeira afirmar o setor e ser uma voz clara e forte na defesa do direito da sociedade civil a oferecer projetos educativos e de formação diferenciados e do direito das famílias e alunos a escolher o projeto educativo em que acreditam e que melhor responde às suas necessidades." Por outras palavras, é uma associação criada para defender os colégios privados que se especializaram em chular os impostos.

Como era de esperar vem afirmar umas patetices e tem logo direito a ser notícia na comunicação social da direita.

 Diego Simeone

Espero que alguns treinadores portugueses tenham assistido à conferência de imprensa do treinador da equipa de Madrid minutos depois de ter perdido a final europeia. É uma lição de educação que muitos dos nossos treinadores bem precisam, principalmente um que um dia disse numa entrevista a uma órgão da comunicação social espanhola que estava disponível para treinar a equipa de Simenone.

      
 Quem são estes gajos?
   
«Ao contrário do que o Ministério da Educação anunciou na sexta-feira, o parecer da Procuradoria-Geral da República “não acompanha posição do Ministério”, informou este sábado a Confederação Nacional da Educação e Formação (CNEF), em comunicado enviado às redações.

“Contratos de associação são por três anos, há abertura de turmas do 5.º ano em 2017/2018, contrato de associação não é supletivo e Estatuto do Ensino Particular e Cooperativo é legal”, lê-se no documento.

Na sexta-feira ao final do dia, o Ministério da Educação anunciou ter recebido um parecer do conselho consultivo da Procuradoria-Geral da República (PGR) que sustentava as posições do Governo quanto aos cortes na abertura de novas turmas de início de ciclo nos colégios privados com contrato de associação.» [Expresso]
   
Parecer:

Mais uma associação fantoche.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»