sábado, junho 25, 2016

O Reino que deixou de ser Unido

Quando ouvi o Nigel Farage apelar à desunião na Europa e a festejar o fim da EU e dei comigo a pensar que o homem devia estar bêbado. Ainda por cima é a extrema-direita Europeia, o Trump e o ISIS que festejaram o Brexit e não é difícil de imaginar que no dia daquilo a que ele chamou de independência é bem provável que seja ele próprio a ser pendurado na Torre de Londres.
  
A Comunidade Britânica e, em particular, os países mais pobres estão demasiado habituados às ajudas europeias e aos regimes pautais preferenciais para abandonarem tudo isto e irem a correr ajudar os pensionistas britânicos, tanto mais que a xenofobia e o racismo implícito em muitos dos votos no Brexit não deve ser muito do agrado do pessoal dessas bandas.
  
Em poucos dias os irlandeses poderão conseguir o que não conseguiram com tantos atentados e manifestações, o Brexit é um convite à reunificação da Irlanda. É mais do que evidente que a Escócia e o seu crude do Mar do Norte vão dizer Bye aos bifes ingleses e muitas das empresas que ameaçaram abandonar aquele país se saísse do Reino Unido vão agora dizer que abandonam Londres no dia em que a Escócia for independente.

Resta uma Inglaterra e um país de Gales dividido, uma rainha que não confia no filho e um filho que casou com a égua mais feia da cavalariça. Contou e isso significa que alguém fez constar que a rainha pediu três muito boas razões para o Reino Unido ficar na União. Pobre senhor, vai dedicar uma boa parte do seu reinado a contar essas razões e pode começar pela queda da Libra.
  
A rainha dificilmente vai conseguir unir a população de Londre que votou por in com os rurais que votaram out, os trabalhadores qualificados que não têm medo dos emigrantes com os trabalhadores não qualificados que querem sair, os jovens que queriam horizontes com os velhos sem esperança, sem horizontes e egoístas. Não estarei muito longe da verdade se disser que os republicanos queriam ficar e que os monárquicos mais conservadores queriam sair.

O que sobre do Brexit é um Reino que deixou de ser Unido, pior ainda um reino que vai entrar numa profunda crise interna com as forças mais dinâmicas e democráticas a sujeitarem-se à extrema-direita e aos iletrados e é deste reino que Isabel II reina. Razão tinha o filho quando queria ser o penso higiénico da Camilla, neste caso seria uma forma muito original de meter a cabeça no buraco como faz a avestruz.
 

sexta-feira, junho 24, 2016

O muro de Berlim reemergiu para dividir o Reino que era Unido

A história prega-nos destas partidas, a queda do mudo de Berlim alterou tanto a Europa que acaba por conduzir à saída do Reino Unido e o muro que divida a Alemanha parece ter reemergido para dividir novamente a Europa e o Reino Unido. A Europa não volta a ser a mesma, enquanto a gloriosa Grã-Bretanha dá mais um passo no sentido de uma decadência iniciada com a Grande Guerra, perdido o império, perde a influência na Europa e acaba por se dividir.

Se na França o PCF perdeu muitos dos seus eleitores para a extrema-direita, no Reino Unido os sindicatos que servem e suporte ao Labour aproximaram-se das teses xenófobas e proteccionistas da extrema direita escondida atrás do eurocepticismo. Não admira que Nigel Farage tenha aproveitado a sua proclamação como líder dos ingleses para apelar à destruição da União Europeia e ao apoio aos partidos da extrema-direita.

Os processos negociais não vão ser fáceis e com a extrema-direita a transformar o Labour e o Partido Conservador em fanicos avizinham-se roturas não só internas, mas principalmente nos processos negociais, quer os da separação, quer os do TTIP. O discurso de vitória de Nigel Farage, hoje de manhã, lembrou o discurso de Yeltsin em cima de um tanque, junto à Duma. Por lá a Rússia desmoronou-se com um líder bêbado, no Reino Unido vamos ter um primeiro-ministro que fala como se fosse um treinador de futebol.
  
Nem mesmo a Commonwealth ficará unida em torno da velha e Grande Albion, países como a Austrália, o Canadá ou a Nova Zelândia beneficiaram muito com as negociações da adesão do Reino Unido à CEE pois muitas das relações comerciais privilegiadas que mantinham com o Reino Unido passaram a ter com a CEE. Por outro lado, uma boa parte da Commonwealth beneficia de vantagens concedidos no quadro dos vários acordos preferenciais, como é o caso dos SPG e principalmente dos ACP. 

É quase certo que o muro que desapareceu em Berlim vai separar a Escócia da Inglaterra e Gales e não seria de admirar se um dia destes acordarmos com a Irlanda reunificada. Os ingleses sonham com as velhas glórias e um dia destes vão acabar reduzidos a Inglaterra e Gales, mais pobres e, depois de terem corrido com os emigrantes, a terem de limpar a caca que fazem e liderados por um rei que em tempos tinha por desejo ser o penso higiénico da Camilla Parker Boyles.

Na Europa veremos se a Alemanha declara Berlim como a capital do IV Reich ou se volta a ter a posição mais humilde dos tempos em que precisava dos que a defendiam no Atlântico e no Mediterrâneo e volta a apostar no eixo franco-alemão. Veremos quais as consequências políticas e militares de uma separação com uma Inglaterra que parece não estar a resistir ao perfume da extrema-direita.

Por cá será interessante ver como reage a direita e, principalmente, a extrema-direita fina dos Portas, Passos, Luísas, Cristas e Morgados. É uma direita com um grave problema de bipolarismo, de dia são machos e à noite anda a passear pelo Parque, de dia são social-democratas e à noite confessam-se admiradores de Salazar. No passado foram gemanófilos quando Hitler estava em vantagem e transformaram-se em atlantistas quando os aliados ganharam a guerra. Recentemente lamberam os pés ao Wolfgang Schäuble, veremos como se posicionam agora que estão divididos entre o dinheiro alemão (dantes a gula era o ouro dos judeus) e o tal atlantismo de que tanto falam. Veremos até quando esta direita que é europeísta de dia e eurocéptica à noite assume o seu projecto político em vez de se esconder atrás de siglas como o “social-democracia sempre”. 
 

Umas no cravo e outras na ferradura



  
 Jumento do dia
    
Paulo Portas, Apreciador da marca Jaguar

Depois de uma vida a viver do dinheiro dos contribuintes Portas diz que não farão dele funcionário público à força, como se ser funcionário fosse algum castigo ou a redução de alguém a uma pouca de merda. Portas que fique descansado, ser funcionário público não é andar por aí à noite a escolher palácios, comprar submarinos com negócios que dão lugar a suspeitas de corrupção, ajudar a internacionalizar empresas em mercados em que a regra é a corrupção.

Aproveito para dizer que ainda bem que não o vou ter como colega, se assim fosse diria como gosta de dizer os militares que "colegas são as putas".

«No final, Portas aceitou dar a primeira entrevista depois de ter deixado a política e falou à SÁBADO sobre o balanço do trabalho realizado no país de Fidel e Raúl Castro, das oportunidades em perspectiva para as empresas portuguesas, da opção de ter aceite ir trabalhar para a Mota Engil e das críticas que sofreu por isso.

"Por mais que quisessem, não vão fazer de mim funcionário público à força", reage Paulo Portas.» [Sábado]

      
 É o ver se te avias nos portos
   
«Há concessionárias dos portos portugueses que estão a ganhar muito mais do que seria aceitável para o interesse público. A conclusão resulta de uma auditoria do Tribunal de Contas à gestão dos contratos de concessão assinados entre as administrações portuárias e as respetivas empresas concessionárias, divulgada esta quinta-feira.

(…) Os contratos de concessão examinados não apresentam mecanismos de partilha de benefícios financeiros com o concedente, registando-se, em algumas concessões, rendimentos excessivos, em termos de rentabilidade acionista, o que não se afigura razoável à luz do interesse público”, lê-se no documento.
A única exceção feita pelos juízes é o contrato de concessão do Terminal de Contentores de Alcântara, onde estas falhas não foram identificadas.

No relatório, o Tribunal de Contas destaca a concessão do Terminal Multiusos Zona 1, da Administração dos Portos de Setúbal e de Sesimbra. Em 2013, este contrato permitiu à concessionária uma taxa interna de rentabilidade efetiva de 38%, “percentagem que não é aceitável à luz do atual quadro económico e financeiro do país”, defendem os juízes.» [Observador]
   
Parecer:

É óbvio que nada disto sucedeu por engano.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Corrija-se.»
  
 Auditoria independente à CGD?
   
«O Governo incumbiu hoje a nova administração da Caixa Geral de Depósitos (CGD) de fazer uma "auditoria independente" aos atos de gestão do banco "praticados a partir de 2000".

O anúncio foi feito no comunicado que se seguiu à reunião do Conselho de Ministros de hoje. O ministro das Finanças, Mário Centeno, explicou esta opção em conferência de imprensa. "A Caixa não pode ser um instrumento partidário", justificou o ministro explicando que o período abrangido pela auditoria é aquele que parece ter interesse político. Uma referência feita à imposição feita pelo PSD e pelo CDS para a criação da comissão de inquérito.» [DN]
   
Parecer:

Estando em causa a sob revivência de um banco público e recursos dos cidadãos faria mais sentido uma auditoria forense.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Lamente-se.»

quinta-feira, junho 23, 2016

Banqueiros

Estes senhores usaram as poupanças e os créditos concedidos aos seus clientes de menores recursos para iludir os rácios e esconder os créditos duvidosos que estavam a conceder a amigos ou o financiamento dos seus grupos empresariais mal geridos.
  
Estes senhores usaram os recursos financeiros resultantes das poupanças do país e a sua capacidade financeira para financiar empresas menos competitivas e dedicadas a negócios oportunistas, penalizando os empresários mais competitivos, impedindo a renovação da classe empresarial.

Estes senhores promoveram o lado escuro da economia asfixiando financeiramente os projetos que poderiam tornar a economia competitiva, promoveram o lado escuroi da economia favorecendo os grupos empresariais menos competitivos e que se dedicavam aos negócios mais oportunistas.
  
Estes senhores usaram o poder que tinham para fazer favores a políticos, jornalistas e a todos os que lhe podiam ser úteis, financiaram-lhes a boa vida, deram-lhes dinheiro para as suas campanhas, viagens e igreja, empregaram-lhes a família, decidiram muitas nomeações no Estado e a escolha de muitos políticos, transformaram as instituições portuguesas em poderosas máquinas corruptas ao serviço dos seus interesses.

Estes senhores usaram os recursos financeiros que tiveram ao seu dispor para conseguir lucros fáceis, preferiram o consumo ao capital de risco, os amigos aos novos empresários, distorceram a economia e os seus mercados em seu benefício, transformaram uma economia que produzia numa economia que passou a consumir a crédito.

Na hora das dificuldades estes senhores recorreram a uma jornalista e a políticos amigos para que a troika os ajudasse a promover a maior trasfega de riqueza de que há memória em Portugal, em nome da competitividade e do ajustamento os recursos de quem trabalha foram desviados, sob a forma de cortes ou de impostos, para refinanciar a banca.
  
Estes senhores são os grandes responsáveis pelo drama que este país atravessa e deviam ser banidos da vida pública portuguesa e estão com muita sorte, noutras circunstâncias teriam respondido pelos seus crimes e, muito provavelmente, nem tão cedo veriam a luz do dia, nem eles, nem os e as jornalistas que estiveram ao seu serviço ou os políticos de que se serviram.

Umas no cravo e outras na ferradura



 Jumento do dia
    
Maria Luís, boateira profissional

Agoira temos uma ex-ministra especializada em dar conta de rumores sobre o futuro dos bancos portugueses, o que diz muito sobre o nível desta senhora. É uma vergonha ver uma ex-ministra a lançar boatos num domínio tão sensível como a banca. Enfim, mas é o que temos, a senhora é pequenina e nada podemos fazer.

«A vice-presidente do PSD, Maria Luís Alquerque, fala, num artigo de opinião publicado no Jornal de Negócios, nos “rumores” que existem, em Portugal e em Bruxelas, de que o Governo pretende integrar o Novo Banco na Caixa Geral de Depósitos (CGD) e lança algumas questões, sugerindo que esta integração poderá estar na origem da necessidade de recapitalização da CGD, no valor de quatro mil milhões de euros.

Por cá e em Bruxelas comenta-se que o Governo tenciona integrar o Novo Banco na CGD. E há rumores de que uma recusa de Bruxelas poderia fazer cair o Executivo”, refere a ex-ministra das finanças, acrescentando que “normalmente não há fumo sem fogo…”
E a propósito do “fumo”, lança algumas questões:”O Novo Banco não é público, não pertence ao mesmo dono que a CGD. Seria comprado? A que preço? Seria nacionalizado? Com ou sem indemnização? Será que é intenção do Governo fazer recair o custo da resolução do BES sobre os contribuintes, quando a forma como o processo foi conduzido se destinou precisamente a protegê-los?”.» [Jornal de Negócios]

 Uma vergonha para quem é de VRSA

Na minha terra o xixi parece que continua a ir para o Rio Guadiana e por isso  Tribunal de Justiça da UE condena Portugal, além do pagamento da quantia fixa de três milhões de euros, a uma sanção pecuniária compulsória de 8.000 euros por dia de atraso no cumprimento da directiva relativa ao tratamento das águas residuais urbanas.

Agora começo a perceber o motivo da instalação de parquímetros em Vila Real de Santo António, depois de gastar o dinheiro dos contribuintes com tratamento das cataratas de velhinhos em Cuba o estacionamento deve ser para pagar a multa decida pelo acórdão do Tribunal.
  

quarta-feira, junho 22, 2016

CGD (4)

Quando se defende a importância dos bancos pensa-se no contributo que devem dar para o progresso económico, pressupõe-se que os bancos financiam a economia e, em especial, as empresas mais competitivas, estimulando a competitividade entre empresas e a própria competitividade da economia. O lado mais perverso das crises no BCP, BES e BANIF foi terem resultado de políticas de crédito orientadas para o favorecimento de empresas que estão no mercado de forma oportunista, estes bancos acumularam prejuízos favorecendo empresas pouco competitivas e que não se dão bem com as regras do mercado. Isso significa que os portugueses não suportam apenas os custos financeiros das intervenções, suportarão durante muitos anos o impacto económico sob a forma de subdesenvolvimento.
  
Agora somos confrontados com a situação na CGD e começa a ser óbvio que este banco público foi acometido por doenças que considerávamos um exclusivo do sector privado. São muitos os sintomas de gestão do crédito segundo critérios que nada têm que ver com a competitividade da economia ou a fiabilidade das empresas que beneficiaram dos milhares de milhões que deram lugar ao buraco que hoje conhecemos. Só que na CGD não haviam interesses empresariais a condicionar a gestão dos bancos e isso faz recear que a causa esteve noutros vícios.

Todos os pequenos empresários sabem as dificuldades em aceder a créditos da CGD e os seus clientes mais antigos já conheceram as muitas exigências colocadas no crédito à habitação. Todos os portugueses sabem como actua a CGD perante situações de incumprimento e é por isso que ficamos estupefactos com algumas situações que vamos conhecendo.

Anteontem dei um exemplo de um processo de concessão de  crédito muito duvidoso, que receio estar muito longe de ser único. Mas o mais grave é que nesse caso a CGD não se limitou a financiar um negócios com motivações duvidosas e que resultou numa falência. Graças aos famosos PER a Caixa continua a iludir a realidade mantendo activo um crédito sem garantias, pouco lhe importando que com isso ajude a prejudicar terceiros.
  
Neste caso não foi a CGD que solicitou o Programa Especial de Revitalização, imaginem que foi a contabilista da devedora que graças a uma dívida de 200 € solicitou um PER que a CGD se apressou a aprovar. Antes disso a devedora tinha violado a lei pagando uma pequena parte da dívida à CGD, favorecendo ilegalmente este credor. Não é difícil imaginar que este pequeno pagamento foi um poderoso argumento em favor de tal decisão.
  
Estamos perante uma situação pontual ou perante o resultado de um circuito que gerou muitos créditos iguais a estes? Não quero acreditar nesta hipótese, isso significaria que toda a cadeia hierárquica teria de estar doente e daí até que as nomeações fossem condicionadas à obediência a este tipo de processos seria um pequeno passo para a generalização da doença. Mas é estranho que o buraco na CGD tenha crescido apesar de todos os mecanismo de auditoria que deverão existir no banco.
 
Há quem agora se preocupe com a imagem da CGD, mas a verdade é que era aos seus administradores, aos directores de créditos, aos chefes das agências e aos sesu serviços de auditoria que cabia defender a imagem e a boa gestão da instituição e a verdade começa a ser óbvia, há muita gente que não o fez. Não estamos perante um caso político, mas há situações que parecem sugerir que estamos perante casos de polícia.

Umas no cravo e outras na ferradura


   
 Jumento do dia
    
Abreu Amorim

O truculento deputado do PSD de Passos Coelho está na Comissão Parlamentar de Inquérito para tirar conclusões diárias no Facebook. É o parlamentarismo no seu melhor.

«Após a última audição do ministro das Finanças na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Banif, que hoje se realizou, Carlos Abreu Amorim analisou as declarações de Mário Centeno, tecendo-lhe várias acusações.

Num texto publicado na sua página do Facebook, o deputado do PSD garante que o seu partido concluiu que “Centeno entra em contradição com as informações que a comissária europeia Vesttaguer deu aos deputados europeus do PSD e, hoje mesmo, à CPI do Banif”.» [Notícias ao Minuto]

 Europeu de futebol

Não importa que sejamos eliminados, mesmo assim estaremos melhor do que a Grécia e isso significa apenas que o seleccionador Fernando Santos é como o JJ, faz uma grande aposta nas competições nacionais.

      
 Dona Dolores dá a tática (certa) ao filho Ronaldo
   
«Estava eu a lamentar ser sempre o Cristiano Ronaldo a marcar os livres na seleção - ou melhor, batê-los e não marcar - quando a SIC me anunciou um exclusivo com Dolores Aveiro. A mãe de Ronaldo disse: "O meu filho vai fazer um bom jogo." Às vezes pergunto-me onde vão as pessoas simples buscar as palavras certas. Tivesse ela prometido que o filho marcava e eu ficava furioso. É que Ronaldo marcar, em si mesmo, só me dá por garantido um facto: ele passaria a ser o único homem da Terra a marcar em quatro fases finais do Europeu. E daí?! É só mais um recorde. O mais isto e aquilo, indicia, sem dúvida, que ele é grande. Mas a febre da recordização não alimenta os meus apetites egoístas. De que me serviu, ao fim dos dois primeiros jogos, ele, sozinho, ter chutado 20 vezes à baliza? Nenhum golo. E, no entanto, é uma espécie de recorde: com dois jogos, a equipa de Itália, toda junta, chutou menos (19). Mas meteu três golos e já está apurada. Eu não gostaria também que Ronaldo batesse o recorde de Király, guarda-redes húngaro - o de mais mal vestido deste Euro, com calças cinzentas de pijama. Prefiro, de longe, que se cumpra a promessa de Dona Dolores e o filho faça "um bom jogo". O que só pode significar que ganhamos. Mesmo que isso implique que Ronaldo não aumente o seu recorde pessoal de, em grandes torneios, bater 36 livres sem conseguir marcar. Ronaldo perde esse recorde, outro chuta o livre, faz golo (o que não é recorde nenhum), mas ganhamos todos.» [DN]
   
Autor:

Ferreira Fernandes.

      
 GNR artista
   
«O Comando Geral da GNR instaurou um processo disciplinar a um militar da Unidade de Intervenção por este participar como ator em vários filmes pornográficos. Segundo o estatuto da instituição, qualquer atividade fora da Guarda deve ser autorizada pelo Comandante-Geral e há regras de conduta que quem veste a farda deve respeitar.

A informação foi avançada esta terça-feira pelo jornal Correio da Manhã e confirmada junto do Comando Geral da GNR pelo Observador. Segundo aquele diário, Alexandre trabalhava como ator em filmes pornográficos há já dois anos, e só um pequeno grupo de militares teria conhecimento.

Quando a informação chegou aos ouvidos do comandante da Unidade de Intervenção da GNR, aquartelada na Pontinha, este instaurou-lhe um processo disciplinar. Quando notificado, o soldado apresentou um atestado médico. E encontra-se de baixa desde então.» [Observador]
   
Parecer:

Mas que grande escândalo, pior só mesmo a pontaria do Ronaldo. Ao que parece os soldados da GNR não o podem fazer em filmes, só o podem fazer ao cidadão comum.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»
  

terça-feira, junho 21, 2016

Ronaldomania

Esta fixação colectiva naquele a que alguns jornalistas insistem em designar como “o melhor do mundo” começa a ser crença religiosa e se houvesse tempo não seria de admirar que aparecesse algum padre a promover uma procissão para rezar para que no próximo jogo ocorresse o desejado orgasmo de ketchup que parece vir a ser a salvação nacional, lembrando as famosas procissões promovidas para interceder em favor de chuva quando a seca é extrema.
  
A verdade é que no futebol estamos também a viver tempos de seca extrema, para uns a seca de ter de ouvir falar de São Ronaldo de manhã à noite, para outros uma seca de golos que ao fim de dois jogos começam a lembrar as famosas pragas do Egipto. A bola não entra de forma nenhuma, quanto não é o poste que se mete no meio é o guarda-redes que aparece e quando nem o guarda-redes nem a barra a defendem parece que é a baliza que foge para o lado.
  
A situação e de tal forma grave que até a mãe do suposto deus menino já vem apelar a que não deixemos de crer em Deus, criticando a blasfémia e apelando a uma reza comum, por de um momento para o outro ocorrerá o milagre e o ketchup jorrará em golfadas, saciando os que acreditaram e afogando os que blasfemaram, por estes dias Portugal é um califado ronaldico em que todos devemos ser crentes.

Até o treinador já desistiu de estratégias e tácticas, o sucesso ou insucesso da equipa já não depende da possibilidade dos pés de chumbo do Moutinho ficarem leves, do Éder fazer um golo em dez minutos ou do Rafa fazer um milagre em dois. O que prejudica a equipa não é a mialgia de esforço na nádega do Quaresma, a ausência do Renato ou a presença virtual do João Mário. Os golos do Ronaldo vão aparecer e isso é tão certo que meio Portugal já telefonou para o Ritz de Paris para reservar quarto desde amanhã até ao dia dez do próximo mês.
  
Oremos ao senhor São Ronaldo e à sua Mãe porque vai haver ketchup para todos.


segunda-feira, junho 20, 2016

CGD (3)

 photo garantia_zps77o84std.jpg

Uma das consequências da politização dos créditos concedidos de forma duvidosa na CGD, para além das consequências num momento em que se discute a sua recapitalização, é o risco de estamos perante casos de polícia que acabem por passar impunemente. A CGD é um banco público e os seus gestores sabiam que os prejuízos resultantes das suas decisões duvidosa seriam suportados pelos contribuintes e poderiam pôr em causa a sobrevivência do banco nos moldes actuais. 

Conheço um único caso de concessão de um crédito pela CGD e interrogo-me quantos casos iguais existirão. Vejo num PER que há um crédito de 2.000.000 de euros sem quaisquer garantias, repito, o mesmo banco que é de um grande rigor na concessão de crédito aos seus clientes dá um crédito de mais de 2 milhões e agora renova esse crédito sem garantias. 

Posso acrescentar que se trata de m crédito que serviu para a aquisição de uma farmácia, aquisição que a promitente compradora não concluiu, estando por isso a vender medicamentos sem alvará e numa farmácia cujo aluguer não paga. Isto é, o INFARMED permite que alguém venda medicamentos sem dispor de uma farmácia, enquanto a CGD alimentou este negócio com mais de 2 milhões sem garantia.

Pergunto a mim próprio quantos casos como este se acumularam na CGD, interrogo-me sobre quais os critérios que poderão ter levado toda uma cadeira hierárquica a conceder um crédito sem garantias e até sem se saber se quem dele beneficiava detinha a propriedade do negócio que o justificava. Como é possível que uma CDG aprove um Processo Especial de Revitalização (PER) sem quaisquer garantias, sabendo que com esse PER está impedindo o funcionamento da justiça, cujos processos ficam suspensos.

Que critérios de avaliação financeira foram usados? Que plano de recuperação permite à CGD acreditar num negócio em que o beneficiário do crédito nem sequer detém um alvará para manter uma farmácia aberta em conformidade com a legislação? Estamos perante um erro financeiro ou face a um acto merecedor de uma investigação.   
A Procuradoria-Geral da República prometeu que investigaria se encontrasse matéria para o fazer. Imagino que já esteja a auditar os créditos concedidos sem garantia e a analisar se estamos perante situações decorrentes do risco dos negócios ou fac e a situações de gestão danosa. De uma coisa estou certo, a CGD não é nem uma ONG nem uma instituição de caridade para andar a conceder créditos de milhões sem exigir garantias e qualquer cliente desta instituição que lhe tenha pedido um crédito sabe muito bem disso.
De nada serve recapitalizar uma instituição sem auditar os que foi feito em perante casos que suscitam muitas dúvidas, investigar até às últimas consequência. Seria como meter uma maça podre no frigorífico pensando que dessa forma ficará boa. Além disso, este tipo de créditos só ajuam a destruir  a parte saudável da economia, facilitando a vigarice e o incumprimento.
  
Em nome dos muitos que viram os pedidos de crédito recusados com o argumento de que não ofereciam garantias, em nome dos muitos dos muitos  portugueses com poucos recursos que serão chamados a suportar os prejuízos provocados pelos desvarios dos responsáveis da CGD, em nome do futuro desta instituição e em nome da legalidade estes processos devem ser investigados até às últimas consequências, promovendo não apenas o saneamento financeiro, mas também o saneamento humano de uma instituição que a todos deve beneficiar.

domingo, junho 19, 2016

Semanada

Não se por ter tirado uns dias ou porque os nossos políticos andam com tanta criatividade como o seleccionador nacional, o certo é eu foram dias de pasmaceira. Se não fosse mesmo o tradicional azar dos Távoras que dizem ser sina da nossa selecção candidata ao título europeu.

Dos colégios ninguém fala, os do senhor cardeal levaram as gorjetas desejadas e o movimento morreu, um sinal que deveria ser muito preocupante para a Igreja. Se tendo conseguido os seus objectivos a Igreja calou o movimento amarelo isso permite sugerir que foi a Igreja que oi instigou o manipulou em favor dos seus interesses financeiros. A verdade é que nada justifica que o cardeal que se manifestou tão indignado em defesa ao suposto direito à liberdade de escolha se tenha calado tão depressa quando esse direito foi assegurado na cidade de Fátima. Fica-se com a sensação de que Fátima é território libertado e agora resta-nos esperar que a Assunção Cristas em vez de se candidatar à autarquia de Lisboa se candidate a autarca de Fátima.

Na política a coisa não está melhor e quando o governo negoceia em Bruxelas uma solução para a capitalização da CGD, por cá a direita atira merda para a ventoinha, uma situação complexa na TAP, um despedimento colectivo ou mesmo um grande buraco vnha a calhar. A direita que pediu ajuda à Europa para impedir uma solução parlamentar democrática, é a mesma direita que tem rezado para que venham sanções e agora espera que seja a CGD a dar-lhe crédito para se salvar. Enfim, um nojo esta direita do Passos.

Quanto à selecção amos ver se a montra serviu para vender o João Mário por 80 milhões que não sejam de moeda chinesa, para que o William Carvalho volte ter mercado ou para que o Nani arranje quem o queira fora da Turquia. Quanto ao treinador parece ser como o JJ e tudo faz para apostar nas competições nacionais, depois deste torneio europeu é de esperar que se aproveite a sua experiência e se implemente o futebol sénior. O treinador gosta tanto de cotas que o melhor é ira treinar o INATEL.