sábado, setembro 10, 2016

Modelo de virtudes

Apegados aos valores do ruralismo, valores que representam pureza, abnegação, capacidade de sacrifício, vida humilde e honesta, gente dura como o clima, que cresceu na vida rude, que nunca foi poluída pelos pecados citadinos, são assim os modelos de virtudes cultivadas por algumas das nossas personagens. Tem sido assim desde esses modelo de nome Salazar, Cavaco Silva também soube explorar esta herança do Estado Novo, Vítor Gaspar chegou a ser elogiado por ser o neto da avó Prazeres, mulher cheio de bons princípios e crente a Deus, que bebeu as virtudes nacionais na Serra da Estrela.

Mas nem é preciso que sejam brilhantes, até porque esse não é o valor mais importante, que o diga Luís Filipe Menezes quando afirmou os seus tiques grosseiros face aos “sulistas, elitistas e liberais” como Marcelo Rebelo de Sousa. O que vale a inteligência ou o elitismo das grandes universidades estrangeiras perante a honestidade, a verticalidade, a capacidade de sacrifício pelo país do que comeram o pão que o diabo amassou? 

Olhamos para ele e vemos aquela posse digna de um agricultor que olha de frente para a tempestade que se aproxima, ou do pescador que fica impávido quando a proa mergulha no mar. Um olhar firme, em cima de uns ombros ligeiramente arqueado pelo peso dos seus valores. Não importa que seja bem-falante, mas se enriquecer a sua linguagem com citações é prova de cultura, é quanto basta para dispensar o brilhantismo intelectual de outros.

Uma cultura conseguida com sacrifícios, calças remendadas, sapatos na mão para os poupar, caminhadas sob sol e chuva a caminho de uma escola distante, trabalhos de casa feitos à luz de um candeeiro a petróleo. Os professores eram para respeitar e queixa aos país significavam castigos que apuravam a dureza da vida, como sucedeu ao jovem Cavaco condenado a trabalhar na horta.

É gente que não quer enriquecer, que compra tudo com sacrifício, que trabalha anos sem férias, sem feriados e sem fins de semana, com os filhos a serem educados por uma mulher de armas e dedicada ao homem que Deus em boa hora lhe deu, gente que não tem dinheiro em contas bancárias de terceiros, que não enriquece, que não ambicionam promoções, que tudo fazem em nome da verdade e da dedicação ao país.

È desta massa que foram feitos alguns dos nossos políticos, é esta a massa que todos os ambiciosos gostam de exibir para disfarçarem os valores e qualidades que não têm, é esta a massa do ruralismo português tão querida a uma certa direita que de salazarista passou a populista, são estes os valores de uma certa extrema-direita portuguesa.


Umas no cravo e outras na ferradura



 Jumento do dia
    
Manuel Caldeira Cabral, ministro da Economia

Com estas declarações Mário Centeno faz duas coisas, contradiz o ministro da Economia e desmente-o quanto alterações das taxas do IRS. Resta saber se o ministro da Economia estava a delirar ou a falar cedo demais, em qualquer caso enterrou-se desnecessariamente ao falar do que não devia falar e muito antes de se darem certezas sobre o IRS.

Percebe-se que o ministro da Economia queira ter um papel mais activo na definição da política económica, mas não é esta a forma mais adequada de o fazer.

«O ministro das Finanças garantiu esta sexta-feira, em Bratislava, que o Orçamento do Estado para 2017 vai manter a “trajetória de redução da carga fiscal” e que as famílias portuguesas não vão pagar mais impostos diretos no próximo ano.

Em declarações aos jornalistas após a reunião de rentrée dos ministros das Finanças da zona euro (Eurogrupo), Mário Centeno assegurou que, “em termos de IRS, as taxas não serão alteradas” e “há um compromisso em relação à redução da sobretaxa que será mantido”.

Questionado sobre se há ou não famílias que possam vir a pagar mais impostos, o ministro começou por observar que “as famílias pagam impostos daquilo que recebem (impostos diretos) e daquilo que consomem (impostos indiretos)”, pelo que não pode “responder se no conjunto de todas essas decisões as famílias vão ou não vão pagar mais impostos”, mas deixou então a garantia de que “de impostos diretos, não”.» [Observador]



      
 Do sótão de Belém
   
«Tenho o direito e o dever de apresentar as coisas tal como aconteceram. Aqui fica a minha verdade, para que a mentira não passe incólume à história." Estas palavras, da autoria de Fernando Lima, o ex-assessor e ex--não-se-sabe-o-quê-durante-os-últimos-seis-anos-de-mandato-presidencial de Cavaco, não são do livro que hoje, quinta-feira, quando escrevo, é lançado, e no qual procederá à denúncia de um imenso puzzle de conspirações, vigilâncias e escutas de que, crê, foi alvo e vítima central, e cujas provas, incluindo comentários anónimos no site do DN e homens de óculos escuros em esplanadas, coligiu nos seis anos em que foi de castigo para o sótão de Belém, sem funções atribuídas.

Não; as palavras citadas são de um texto publicado por Lima em janeiro de 2010 no Expresso, intitulado "A minha verdade", e no qual asseverava ser a notícia do Público, de 18 de agosto de 2009, em que se dava conta de suspeitas da presidência de estar a ser vigiada pelo governo de Sócrates, uma invenção do jornal (fala até de "delírio") a partir de "uma resposta irada ditada pelo absurdo das questões" e transformada em "suspeitas gravíssimas", "numa capa inesperada" que foi "pretexto para fazer explodir a armadilha". A armadilha sendo, explica Lima, a "tentativa de trazer o PR para a liça política" a escassas semanas das legislativas de 27 de setembro de 2009. Exposto como a fonte anónima do "delírio" através da divulgação, pelo DN, a 18 de setembro, de mails trocados entre jornalistas do Público, mails cuja veracidade nega no citado texto ("sem correspondência com a realidade"), o então subordinado de Cavaco enoja-se com o facto de a notícia do DN ser "construída com base numa eventual conversa pessoal obtida pela violação assumida do segredo profissional".

Obrigatório recordar este nojo de Lima, assim como a sua "verdade" de 2010, quando em 2016 revela que o PR lhe deu ordem para a denúncia, ao Público, das "suspeitas de vigilâncias" relacionadas com uma visita à Madeira em 2008 - a "denúncia" narrada nos mails que o DN publicou. Portanto Lima 2016 desmente Lima 2010, viola o segredo profissional e confirma a importância da notícia do DN, ao acusar Cavaco de estar por trás das notícias que saíram no Público e portanto da tentativa de interferir, a coberto de fontes anónimas e insinuações, na "liça política" - e nas eleições. O "delírio" passa a verdade - e a total mentira a célebre comunicação que Cavaco fez ao país sobre o caso.

É repulsiva esta história de vingança, decerto; mas também moral. E o que esta, a moral, diz é que só quem não quis ver não viu que o PR, ao afastar o assessor de funções mas mantê-lo ao serviço estava a calá-lo, e à custa do erário público. É um segredo de Polichinelo, o que Lima trouxe do sótão de Belém - a ver se agora, que está exposto, continua tudo a assobiar para o lado.


Nota: Conheci Lima como diretor do DN, em abril de 2004, quando, vinda de uma publicação do grupo, passei para a redação do jornal com o qual colaborava desde 1998. Não tivemos uma boa relação mas a convivência foi breve: Lima, que entrara no jornal em outubro de 2003, sob protesto da redação, saiu em outubro de 2004.» [DN]
   
Autor:

Fernanda Câncio.


      
 O "saloio de Mação" está com medo das escutas
   
«Temos homem para suceder a Marcelo Rebelo de Sousa na Presidência da República, não quer destaque mas sabe sempre onde estão as câmaras procurando-as como faz o Jorge Jesus quando está no banco, a sua linguagem é pobre e não evidencia grande brilhantismo intelectual mas cita Kant e usa palavras caras, poderá não conseguir ler meia dúzia de livros ao mesmo tempo como Marcelo, portanto, nunca poderá ser visto na Praia dos Tomates ou a comer no Gigi, mas é um modelo de virtudes, ele próprio numa afirmação de modéstia assegura que não come, não dorme, não tira férias, pobre homem, enquanto uns deram mergulhos no Tejo, comeram iguarias no Gigi e fizeram body board este humilde juiz quase se esquece de assegurar a procriação.

Numa entrevista que decorreu em Lisboa e em Mação, a sua terra natal, em que nunca aborda os processos que teve ou tem em mãos, o juiz do Tribunal Central de Instrução Criminal (TIC), recusa dar pormenores sobre os sinais dessas escutas por “não as poder comprovar”.

“Sinto-me escutado no meu dia-a-dia, sob várias formas. (…) Por vezes há pessoas que não conseguem estabelecer contacto comigo. O telefone vai a baixo para voice mail quando eu estou em sítios onde há carga máxima e onde há comunicações. Não estou a dizer que há forças dessas…nomeadamente dos serviços de informações. Não estou a imputar”, afirmou o juiz.» [Público]
   
Parecer:

Qem terá a paciência e mau gosto de o ouvir?
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se a merecida gargalhada.»
  
 Hipocrisia
   
«No dia em que Hugo Abreu sofreu um “golpe de calor” que o levaria à morte e em que outros cinco militares precisaram de receber assistência médica, o grupo de comandos tinha estado a realizar um “carrossel” – um aquecimento para a “prova de tiro” a que o Exército chegou a fazer referência em comunicado. O exercício tem tradição na formação desta tropa de elite. Os homens são levados ao limite das suas forças físicas, até entrarem em exaustão, antes de serem conduzidos para uma simulação de combate.

A primeira semana de formação nos Comandos é de absoluto “choque” para os voluntários. Os militares são levados ao extremo e muitos não passam do primeiro teste, num curso com uma das mais altas taxas de desistência das Forças Armadas.

O “carrossel” funciona assim: de mochila às costas e armas na mão, os militares são posicionados no terreno de forma a desenhar um círculo largo, separados entre si por vários metros. Depois, pousam as mochilas, deitam-se no chão escondidos atrás da “máscara” (o nome dado ao saco), como se estivessem protegidos atrás de um arbusto. Ao sinal do instrutor, correm o mais rápido possível até à posição seguinte, como se estivessem em pleno combate e precisassem de escapar ao fogo inimigo.

No domingo, o exercício foi feito sob um calor abrasador: a temperatura em Alcochete rondava os 36 graus. Segundo o Observador pode apurar, terá sido durante o “carrossel” que Hugo Abreu deu sinais de mal-estar. Faltavam 20 minutos para as quatro da tarde. Assim que a debilidade do furriel foi notada, o instrutor que acompanhava o grupo terá ordenado que o militar se ausentasse do circuito e recuperasse debaixo de uma árvore. Mas, nessa altura, o estado de saúde já seria demasiado grave e o militar, natural da Madeira, acabaria por não resistir ao “golpe de calor” que sofreu.» [Observador]
   
Parecer:

Fazer um treino com mais baixas do que em combate com o argumento que as baixas nos treinos evitam baixas em combate é pura hipocrisia.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se ao comandante da unidade o que espera para se demitir.»

 E agora senhor ministro da Economia
   
«O primeiro-ministro, António Costa, afirmou esta sexta-feira que é ainda “cedo” para discutir o Orçamento do Estado (OE) para 2017 e sublinhou que o ministro das Finanças foi “claro” esta manhã em declarações sobre o IRS.

“Ontem era dia 08 [de setembro] e disse que ainda era cedo para discutirmos o Orçamento. Hoje é dia 09 e ainda não chegámos ao tempo de discutir o Orçamento, que será apresentado no dia 15 de outubro”, vincou António Costa, em Atenas, Grécia, onde está hoje para participar numa cimeira de chefes de Governo de países do sul da União Europeia (UE).

Sobre a carga fiscal a integrar o Orçamento, nomeadamente a nível de IRS, o primeiro-ministro destacou as palavras desta manhã do ministro das Finanças, Mário Centeno, em Bratislava (Eslováquia).

“O senhor ministro das Finanças ainda hoje fez uma declaração bastante clara sobre esse assunto”, assinalou António Costa, antes de sublinhar que o tema que o trouxe a Atenas foi a aproximação de países do sul da UE na procura do crescimento económico e promoção de emprego.» [Observador]
   
Parecer:

P ministro da economia deu um grande tiro no pé, obrigando António Costa a desautorizá-lo.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sugira-se ao ministro que tenha mais tento na língua.»

sexta-feira, setembro 09, 2016

O "saloio de Mação" a Presidente!

 photo alexaNDRE_zpsr3zborjq.jpg

É um homem transparente porque, como o próprio o diz, não tem segredos, todos podemos vê-lo através das janelas trabalhando já noite dentro, ele que não gosta de exposição mediática num sinal de imensa modéstia é filmado a trabalhar noite dentro, comendo batatas fritas ao mesmo tempo que telefona, e olhando pelo canto do olho para a rua e certamente a pensar que devia ter fechado as cortinas para não ser filmado.

Faz votos de pobreza, não tem fortuna, só tem créditos devidamente garantidos por hipotecas, pelo que não vive em casas de amigos e, como o próprio o diz, também não tem contas bancárias em nomes de amigos. Dá o peito às balas e aceita o seu destino, um destino certamente decidido por Deus que tantas vezes surge no seu discurso e está presente nas imagens, com um juiz arqueado entrando sozinho na igreja da sua aldeia. 

É um homem que está do lado dos menos poderosos, na pirâmide do poder não passa de um vértice, certamente um dos vértices da base, uma pequena pedra, junto ao cão e ao pó onde há-de voltar, a pedra mais pequena e mais rasa da grande pirâmide de um poder que nos esmaga. Não estava predestinado como o filho dos mais poderosos, o que se pode dizer do actual Presidente que foi preparado desde criança para exercer o poder, antes pelo contrário, é fruto das circunstâncias, não tem poder, como ele próprio o diz, qual poder? Não passa, com o sucede com quase todos os portugueses, do fruto das circunstâncias, enfim, uma modesta obra de Deus.

Corajoso, ainda não sabe o que é o fio na barriga, pode andar ligeiramente curvado com o peso da responsabilidade, olhar ligeiramente de lado por causa da tensão nos tendões do pescoço e evitar olhar de frente, olhos nos olhos, mas mesmo reconhecendo que às vezes se pode enganar, não tem medo nem dos erros, porque são consequências da falta de informação, nem das suas consequências. Há o episódio da pistola que o prova.

O juiz que não quer ser mediático e que não gosta de se expor é o que dá mais entrevistas, gerindo cuidadosamente a sua presença nas televisões. Não quer ser filmado mas parece saber sempre onde está a câmara, gere cuidadosamente as poses, as frases feitas, até escolhe a sua própria alcunha, define-se a si próprio como “saloio de Mação”, alcunha que até ontem não aparecia com qualquer registo quando procurada no Google. Agora que não prendeu nenhum político nos últimos tempos decide dar uma entrevista, o homem que foge da comunicação social aparece nela com uma estranha regularidade.

Temos mais um modelo de virtudes na linha do nosso ruralismo, é um traço característicos do que se afirmam nos valores da pureza nacional, são sempre pobres, estudantes que começaram do nada, gente que bebeu as virtudes da mãe ou do avô que sempre viveu no campo, que não se prostituiu nos valores citadinos. Ainda há poucos anos venderam-nos a imagem da avó Prazeres de um tal Vítor Gaspar, mulher da Serra da Estrela, mas o noto acabou por fugir e arranjou um tacho em Nova Iorque. Agora temos mais um modelo de virtudes e não tardará muito para se ouvirem vozes a indicá-lo um grande futuro na Presidência.

Umas no cravo e outras na ferradura



 Jumento do dia
    
Assunção Cristas, líder do partido confessional CDS

Assunção Cristas tem um pequeno problema, o caminho do seu actual discurso político está cheio dos calhaus que deixou durante os últimos quatros anos. É bonito falar de consensos em torno de algumas matérias, o problema é quando se esteve num governo que recusava quaisquer consensos nessas mesmas matérias.

«A presidente do CDS-PP desafiou hoje o PS a "mostrar" que quer gerar consensos e estabilidade "numa área tão importante como é a educação", pondo de parte as divergências e procurando convergência em aspetos fundamentais.

Assunção Cristas, que esta quinta-feira visitou a Agroglobal, Feira das Grandes Culturas, em Porto de Muge (Cartaxo), falava sobre a proposta de revisão da Lei de Bases da Educação que o partido apresentou na quarta-feira em conferência de imprensa, com agendamento potestativo para 06 de outubro, e que propõe, nomeadamente, apenas dois ciclos de seis anos na escolaridade obrigatória.

"É muito importante que haja estabilidade no ensino", afirmou a líder centrista, admitindo que esta é uma área com "pontos de divergência", mas onde é preciso encontrar pontos de "convergência e de estabilidade".» [Expresso]

 Pandemia nos comandos

Era bom que os senhores oficias do exército não se esquecessem de que não há virilidade militarista que se sobreponha aos limites da resistência humana e é uma pena que não estejam ao lado dos seus recrutas, fazendo o mesmo esforço físico, suportando as mesmas temperaturas, transportando a mesma carga e sujeitando-se às mesmas ordens.

      
 Desculpas?
   
«O diretor do Museu Nacional de Arte Antiga, António Filipe Pimentel, enviou uma carta ao ministro da Cultura, Luís Filipe Castro Mendes, onde pede desculpas formais pelas declarações feitas sexta-feira passada na Escola de Quadros do CDS.

Na carta enviada no início da semana, à qual o Diário de Notícias teve acesso, Pimentel pede desculpa pelos acontecimentos “infelizes” que ocorreram na Escola de Quadros do CDS. O diretor do Museu Nacional de Arte Antiga (MNAA) escreveu que as suas afirmações foram “descontextualizadas” mas também diz não ter dúvidas “sobre a sua manifesta inoportunidade, se retrospetivamente observadas e com olhos e ouvidos descomprometidos, justamente os de quantos as leram e ouviram.” Assim, apresentou um “pedido de formais desculpas” a Castro Mendes que já se tinha mostrado incomodado com as palavras.

Durante a Escola de Quadros do CDS, na sexta-feira em Peniche, o diretor do Museu Nacional de Arte Antiga (MNAA) afirmou que o museu tem 64 pessoas para as 82 salas que são abertas ao pública, acrescentando que “um destes dias há uma calamidade no museu”. Pimentel acrescentou ainda que se anda “a brincar ao património” e que todas as tutelas “dispõem de toda a informação cabal do que vai acontecer, mas quando acontecer, abre os telejornais”.» [Observador]
   
Parecer:

O rapazinho já é suficientemente crescidinho para saber o que diz, escolher onde o diz e estabelecer objectivos partidários para o que diz.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sugira-se ao rapaz que tenha uym pouco mais de dignidade.»
  
 Fisco abusa dos tribunais
   
«A juíza conselheira Dulce Neto, vice-presidente do Supremo Tribunal Administrativo (STA), descreveu, ontem, um cenário de terror na relação entre a Administração Fiscal e os contribuintes. Segundo a magistrada, as Finanças arrastam propositadamente processos tributários com recursos, sabendo que os mesmos serão decididos a favor do contribuinte: "A Administração Fiscal está cega de mais na tentativa de arrecadar receita, deixando empresas e famílias exauridas", declarou Dulce Neto, durante uma conferência promovida pela Associação Sindical dos Juízes (ASJP).

Numa intervenção muito aplaudida pela plateia que seguia o encontro, patrocinado pela Presidência da República, a juíza conselheira afirmou que, nos litígios com os contribuintes, a Administração Fiscal acaba por contribuir para a "elevada litigância" nos tribunais, provocando até mais despesa ao Estado com o pagamento de custas e, no final do processo, com a condenação a juros indemnizatórios, com o único "propósito de dilatar no tempo a devolução ao contribuinte". Nestes processos estão, segundo o DN apurou, casos em que, por exemplo, o STA já tem abundante jurisprudência a favor do contribuinte sobre a questão em concreto, mas o fisco decide recorrer até à última das últimas decisões.» [DN]
   
Parecer:

Se um funcionário do fisco desiste de um processo é indiciado por corrupção.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Estude-se o que se passa nos tribunais.»

 Governo "namoras" Tesla
   
«inistério do Ambiente quer “recolocar Portugal no grupo dos países mais avançados em termos de mobilidade elétrica” e complementar esta aposta “com a atração de investimento verde estrangeiro para o nosso país”. É com esta perspetiva que o secretário de Estado Adjunto e do Ambiente José Mendes se reúne, esta tarde, com altos representantes da empresa norte americana Tesla Motors, em Lisboa.

“Estamos a fazer investimentos avultados na rede de carregamento elétrico e completámos todo o regime jurídico da mobilidade elétrica para que os privados também criem redes de carregamento. E agora queremos atrair investimento para esta área”, afirma José Mendes ao Expresso. O secretário de Estado recorda que “a Tesla está no topo da inovação em termos de veículos elétricos e de redes de carregamento, que permitem 500 a 600 quilómetros de autonomia”.

Atualmente, a rede nacional de postos de carregamento (MOBI.E) conta com 1076 pontos de carregamento normal de veículos elétricos, que o Governo anunciou que vai modernizar até 2017, assim como instalar até final do mesmo ano mais 528 pontos de carregamento semirrápido e 50 de carregamento rápido (seis dos quais já estão a funcionar nas autoestradas A2 e A22).» [Expresso]
   
Parecer:
É uma pena que os extremistas do governo de Passos Coelho tenham abandonado esta aposta só porque tudo o que o governo anterior era merecedor de ódio ideológico, um comportamento próximo dos talibans do Afeganistão.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Espere-se para ver.»
  

quinta-feira, setembro 08, 2016

Este Burro é do Toneladas!

 photo Lima_zpsnx0rqpkt.jpg
  
Aquilo que se tem sabido sobre o que vai poder ser lido no livro de memórias dessa personagem pequena e obtusa de nome Fernando Lima, fraco jornalista que viveu uma boa parte da sua vida à custa dos contribuintes com estatuto de sobra de Cavaco Silva revela o que foi a miséria do cavaquismo. 

Quando se pensava podermos esquecer a passagem de Cavaco pelo poder e quando poucos, além de Leonor Beleza e mais alguns pares, sentem os sintomas de abstinência dessa personagem que se retirou para a sua luxuosa vivenda na Quinta da Coelho, podendo finalmente usufruir dos luxos de uma casa que resultou de um excelente negócio, das suas pensões devidamente repostas pela Geringonça e dos lucros com as acções do BPN que acabaram por ser os contribuintes a pagar, eis que Fernando lima decide não só mexer na caca, para que volte a cheirar mal, como ainda a atira para a ventoinhas.
  
Está um Jumento tranquilamente a pastar com o pouco que lhe sobra depois dos cortes feitos pelo Bruxo de Massamá, quando é surpreendido por uma notícia no DN:

«Ao longo deste processo, há outra personagem que entra em cena, que Lima nunca nomeia. Trata-se de um adjunto do gabinete do primeiro-ministro que se faz convidado na visita presidencial à Madeira. Rui Paulo Figueiredo, "o Toneladas", como chama o autor ao socialista (seria depois eleito deputado pelo PS) é o "intruso" da Madeira e a quem Lima atribui a autoria de um blogue anónimo pró-socrático: O Jumento.

A informação chegou-lhe por "mão amiga" que lhe entregou "um relatório particular de uma investigação feita, a meu pedido, ao referido blogue, em 2009".«

Depois de um conhecido jornalista, Paulo Pinto de Mascarenhas, ter denunciado ao país quem era o perigoso autor d’O Jumento eis que se sabe agora que outro jornalista, o Fernando Lima, que, afinal, o dono do burro é um tal Toneladas, de nome Rui Paulo Figueiredo, ex-deputado do PS. Está reposta a normalidade, a política para os políticos, o burro não poderia ser um modesto manga de alpaca, tinha de ser pelo menos deputado! E quem iria descobrir? Fernando Lima, um especialista em investigação.

Ficamos a saber que a Cassa Civil da Presidência da República encomendava investigações privadas para identificar cidadãos que incomodassem Sua Exª. O problema é que em Portugal fazer investigações privadas é crime e se mão amiga entregou ao homem de confiança do presidente um relatório de uma investigação que só poderia servir para restringir o direito ao exercício da liberdade de opinião, estamos perante um crime grave quando cometido por aqueles a quem os contribuintes pagam para cumprirem e fazerem cumprir a Constituição.
  
Ficamos a saber que este modesto Burro levou um dos homens de maior confiança de Cavaco Silva a encomendar investigações ilegais e que o transformam num mero criminoso. Já sabíamos que não era grande coisa, já conhecíamos os seus golpes pol´tiicos, agora sabemos que mandava fazer investigações ilegais como se fosse um mero mafioso da política.

Enfim, Cavaco político morreu e foi enterrado e este livro não é mais do que a prova que depois do enterro o cavaquismo está num processo acelerado decomposição. Fernando Lima não se limitou a mexer na caca para cheirar mal, ele próprio é a fonte do mau cheiro, enquanto manifestação evidente da decomposição dessa ideologia política miserável que foi o cavaquismo e que em má hora governou este país, transformando o nosso século vinte no século dos três ismos, do fascismo, do salazarismo e do cavaquismo.

Umas no cravo e outras na ferradura


  
 Jumento do dia
    
Fernando Lima, o fedor do cavaquismo

Fernando Lima ficou calado durante anos para manter o emprego, agora que já não depende das  benesses do seu velho amigo veio dizer que Cavaco autorizou a manobra golpista das escutas. Isto significa que Portugal teve um presidente golpista. É triste que na missa do sétimo dia do cavaquismo as leituras sejam feitas no livro miserável dessa personagem diminuta que foi o seu assessor de imprensa.

«Cavaco Silva deu luz verde à denúncia para os media de que Belém estava sob “vigilância” dos homens de Sócrates. Fernando Lima escreve-o no seu livro “Na sombra da Presidência”: “Quando dei conta a um jornalista do ‘Público’ da estranheza, na Presidência, sobre a presença de um adjunto do primeiro-ministro na comitiva de Cavaco Silva que se deslocou à Madeira, foi porque recebi uma indicação superior para o fazer”. O autor garante não ter feito “nada” sem cobertura superior.

“Não fiz nada à revelia da minha hierarquia, como nunca o fizera ao longo da minha vida na relação que, por dever das funções, mantinha com a comunicação social. O assunto era demasiado delicado para que eu avançasse sem mais nem menos”, escreve o ex-assessor de Cavaco Silva, no capítulo em que se dedica ao “intruso” da Madeira.» [Expresso]

      
 Anti-tabagismo extremista
   
«Isabel Moreira é uma das deputadas que não raras vezes se pode ver “vapear” com o seu cigarro eletrónico no Parlamento. Não é a única da bancada socialista que vê o seu Governo avançar com uma lei que equipara estes dispositivos a cigarros tradicionais. “Sou absolutamente contrária a qualquer equiparação. Os cigarros eletrónicos não têm tabaco. Numa imagem simplificada, é a mesma coisa que equiparar cigarros a iogurtes”, atira a deputada socialista que promete “lutar até ao fim” contra esta proposta do Governo, levantando mesmo questões de constitucionalidade.

"É grave o caminho que se está a trilhar”, alerta a socialista.

Admitindo que ainda é cedo para se alargar sobre uma proposta que ainda não viu a luz do dia — mas cuja preparação foi noticiada esta quarta-feira pelo Público — a deputada promete oposição a qualquer legislação neste sentido que venha a debater-se no Parlamento. A favor dos cigarros eletrónicos, Isabel Moreira menciona ao Observador “estudos recentes que mostram que eles devem ser incentivados e não desincentivados. No Reino Unido o caminho está a ser contrário ao do proibicionismo dada a evidência científica dos benefícios de saúde” da utilização dos dispositivos eletrónicos, quando comparados com os cigarros tradicionais.» [Observador]
   
Parecer:

Se os responsáveis do sector da saúde desejam equiparar o tabaco Às drogas que o façam de uma vez ao invés de irem de proibição em proibição. Um dia destes vai ser proibido andar com um cigarro apagado na boca.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Aprove-se.»
  
 Ministra das Finanças da Letónia vence campeã mundial de xadrez
   
«Dana Reizniece-Ozola, a ministra das Finanças da Letónia, pode atualizar o seu currículo e acrescentar: “Uma vitória no xadrez contra a campeã mundial”.

Em Baku, capital do Azerbaijão, durante as Olimpíadas do Xadrez, a ministra bateu a campeã mundial da modalidade, a chinesa Hou Yifan, na quarta volta do torneio, escreve o El País.

Dana Reizniece-Ozola, de 34 anos, foi campeã feminina da Letónia quatro vezes e medalha de ouro nos campeonatos juvenis da Europa em 1988 e 1989. Esta é a oitava vez que participa nas Olimpíadas.» [Observador]

 Até tu ó Fernando Lima?
   
«Ao longo deste processo, há outra personagem que entra em cena, que Lima nunca nomeia. Trata-se de um adjunto do gabinete do primeiro-ministro que se faz convidado na visita presidencial à Madeira. Rui Paulo Figueiredo, "o Toneladas", como chama o autor ao socialista (seria depois eleito deputado pelo PS) é o "intruso" da Madeira e a quem Lima atribui a autoria de um blogue anónimo pró-socrático: O Jumento.

A informação chegou-lhe por "mão amiga" que lhe entregou "um relatório particular de uma investigação feita, a meu pedido, ao referido blogue, em 2009". Esta informação contraria uma manchete do jornal i, de 2 de março de 2010, em que o então jornalista Paulo Pinto Mascarenhas escrevia que tinha chegado à fala com "o autor do blogue", identificado como Victor Sancho, quadro superior da Direção-Geral das Alfândegas e dos Impostos Especiais sobre o Consumo.

Lima usará outro método menos convencional: sentindo-se vigiado toma nota da matrícula de um carro, identificando no livro dados pessoais do proprietário, sem referir o nome.» [DN]
   
Parecer:

Até este pobre diabo encomendou investigações privadas ao Jumento! Assim, o país ficou a saber que o autor deste modesto blogue, pelos vistos muito lido em Belém, é um tal Toneladas!
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se a merecida gargalhada.»

 Estarão parvos
   
«O Governo está a preparar um projeto de proposta de lei que impõe a proibição de fumar à porta de serviços públicos onde possam estar menores de 18 anos, em particular estabelecimentos de ensino e hospitais. Nesses espaços já existiam interdições ao uso do tabaco. Esta nova proibição deverá entrar em vigor a partir de janeiro de 2017, de acordo com informação avançada pelo jornal Público, e irá ainda estender a interdição de fumar em espaços públicos ao tabaco eletrónico.

O projeto pretende que seja proibido fumar junto das portas e janelas de locais de edifícios onde possam estar menores e que prestem serviços públicos, como estabelecimentos de ensino – independentemente da idade dos alunos – e unidades onde sejam prestados cuidados de saúde. Segundo o projeto a que o Público teve acesso, a proposta de lei prevê a fixação de uma distância mínima dos acessos ao edifício, ainda por definir, a partir da qual uma pessoa pode fumar. O objetivo é evitar a entrada do fumo para o interior. Este alargamento é justificado porque a exposição ao fumo ambiental é considerada particularmente prejudicial durante a infância e a adolescência.» [Observador]
   
Parecer:

Os barões do sector da saúde desconhecem o país e os hospitais, vamos ver doentes vestidos de pijama fumando a cem metros das entradas dos hospitais! O combate ao tabagismo está sendo conduzido por fundamentalistas para quem combater o tabagismo vale tudo.

Estes senhores que visitem as entradas das enfermarias, começando pelas de pneumologia e vejam o que se passa. Já deixei de fumar mas se fumasse quando estive internado teria mandado esses senhores à bardamerda e, já agora, acrescento que não foi graças às suas medidas jihadista que deixei de fumar, nem acredito que alguém deixe de fumar.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Imbecis.»

 Passos tenta "adiar" debate das autárquicas
   
«O presidente do PSD reafirmou esta quarta-feira que os candidatos às autárquicas em cidades como Lisboa ou Porto não serão conhecidos antes do final do ano e aconselhou aos que no partido “possam estar mais ansiosos” a “respirarem fundo”.

Questionado sobre os apelos a Santana Lopes para que apresse uma decisão quanto à candidatura à Câmara de Lisboa, Pedro Passos Coelho sublinhou que as autárquicas não estão na agenda imediata e não vão ter qualquer desenvolvimento fora do calendário estabelecido em julho pelo Conselho Nacional do partido.

“Não é matéria que esteja na nossa ordem do dia. Nós estabelecemos um programa para tratar as eleições autárquicas e vamos segui-lo. Ninguém está à espera que o candidato do PSD a Lisboa seja anunciado agora. Não vai ser nos próximos meses”, frisou quando questionado sobre o assunto durante uma visita à Agroglobal, Feira das Grandes Culturas que decorre até sexta-feira em Valada do Ribatejo.» [Observador]
   
Parecer:

Compreende-se, em privado toda a direita está montando o cadafalso para o dia seguinte às eleições autárquicas.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Espere-se para ver.»

 Estação Sul-Sueste vai rensacer?
   
«O relógio ficou parado nas 13h54. O edifício já não se aguenta sem a ajuda de andaimes. As bilheteiras estão abandonadas. Os painéis de azulejos desapareceram. As pessoas também. O triste destino a que esteve votada a Estação Sul e Sueste, junto à Praça do Comércio, em Lisboa, parece estar prestes a mudar. A antiga estação fluvial passou esta quarta-feira para as mãos da câmara municipal e a intenção é transformá-la num terminal marítimo-turístico, de onde saiam os barcos para passeios no Tejo.

Em vários anos, esta é a enésima ideia apresentada para aquele espaço, classificado como monumento de interesse público desde 2012. Depois de até se ter sugerido que ali ficasse instalada uma Loja do Cidadão, a estação deverá, assim, regressar à sua função original, a de embarque e desembarque de passageiros que usam o Tejo como via de transporte. Desta vez, porém, os destinatários são os turistas.» [Observador]
   
Parecer:

Aquele átrio em cimento armado junto a esta estação e em frente ao ministério das Finanças é um deserto de cimento miserável.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Aprove-se.»
 A ameaça dos xunga
   

«O presidente da Associação Nacional dos Transportadores Rodoviários em Automóveis Ligeiros (ANTRAL), a principal associação do sector, afirmou, na mesma comissão parlamentar, que depois do período de alta do turismo os taxistas não vão aceitar a concorrência de plataformas como a Uber, que consideram ilegal.

“Vai haver problemas graves”, alertou Florêncio Almeida. “Dizemos publicamente e continuamos a dizer: as responsabilidades por tudo aquilo que possa acontecer têm de ser assacadas ao Governo, que não actua e que não cumpre a lei do país."

“O Governo tem o dever de fazer cumprir as leis que regulamentam os sectores dentro do nosso país. Quando assim não é, alguma coisa está mal”, acrescentou.

Florêncio Almeida considerou ainda que “infelizmente, há membros do Governo que deixam muitas dúvidas sobre a sua conduta em relação a estas coisas”, mas escusou-se a adiantar mais pormenores.» [RR]
   
Parecer:

O presidente da ANTRAL, acompanhado dessa personagem estranha que é o presidente da federação dos taxistas, foram ao parlamento fazer ameaças veladas ao país e ao governo. Sugerem que ou fazem o que os taxistas querem ou estes metem o país a ferro e fogo.

Esta gente ainda não percebeu qual a razão de sucesso da UBER, fazem que não percebem o motivos porque os turistas evitam táxis, porque as jovens que saem à noite raramente os utilizam e porque é que o cidadão comum não confia nos taxistas. Em vez de mudarem e deixarem de ser o transporte xunga que são, optam pela ameaça como se os portugueses tenham de ser forçados a serem maltratados pelos taxistas.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «mande-se o senhor à bardamerda.»
  

quarta-feira, setembro 07, 2016

Investir em Portugal?

Digam a um potencial investidor que em Portugal os directores-gerais que sejam céleres nas suas decisões podem ser constituídos arguidos porque neste país de burocracia acelerar uma decisão da qual pode depender um grande investimento pode ser entendido como indício de corrupção.

Digam a um investidor estrangeiro que em Portugal de nada lhe serve pagar bem a um quadro competente pois corre um grande risco de um qualquer primeiro-ministro decidir realizar uma experiência de desvalorização fiscal, aumentando o IRS para diminuir o IRC, promovendo a fuga para o estrangeiro dos quadros em que apostou e em cuja informação investiu.

Digam a um investidor estrangeiro que se vier a Portugal ai ter a mesma sensação que os turistas sentem quando visitam alguns países pobres e são assediados por crianças a pedir, sendo por estas andas assediados por candidatos a assessores e imprensa e de imagem, a facilitadores de todos os tipos e a intermediários políticos.

Digam a um potencial investidor estrangeiro que em Portugal a justiça é tão lenta que se tiver de recorrer a um tribunal por ser vítima de uma fraude corre um sério risco de gastar fortuns em advogados e custas judicias e acabar por espera uma década por uma sentença.

Digam a um potencial investidor estrangeiro que em Portugal um qualquer jornalista pode com duas linhas levar o seu negócio à falência, escondendo-se depois atrás da liberdade de imprensa, como sucedeu com a TVI no caso BANIF.

Digam que se passa tudo isto e muito mais a um investidor estrangeiro e depois perguntem-lhe se insiste em investir em Portugal.

Umas no cravo e outras na ferradura


  
 Jumento do dia
    
Passos Coelho, Bruxo de Massamá

Com sondagens pouco favoráveis e uma Assunção Cristas a brilhar à direita Passos Coelho começou a temer pela sua sobrevivência política, depois de se ter enterrado assumindo o papel de Bruxo de Massamá, o ainda e malogrado líder do que resta do PSD luta pela sobrevivência, depois de andar meses a fazer de morto decidiu aproveitar-se das férias dos adversários para ser a estrela do Verão, não podia, portanto, permitir a Assunção Crista qualquer protagonismo. Percebe-se porquê, a intervenção da líder do CDS junto dos seus pirralos teve uma qualidade bem superior à do Nostrapassus.

«No púlpito da Universidade de Verão do PSD, o presidente da JSD já tinha afirmado que António Costa “está a mais na política portuguesa” e preparava-se para “despachar” o ministro do Ambiente, o ministro do Trabalho e outros tantos quando começou a receber sinais da primeira fila da plateia. “Está na hora”, indicava-lhe Carlos Coelho, “reitor” da Universidade. “Estende, estende, estende”, ainda terá tentado emendar Duarte Marques.

Mas já pouco havia a fazer quando, em Peniche, o assessor centrista recebeu no telemóvel uma mensagem a alertá-lo para uma alteração de planos de última hora: Passos ia, afinal, falar mais cedo do que o previsto, em Castelo de Vide, caindo em cima do discurso de Assunção Cristas.

Assim que o líder do PSD subiu ao palco para fechar mais uma edição da Universidade dos jovens social-democratas, os holofotes das câmaras mudaram de geografia. As luzes apagaram-se em Peniche para se acenderem logo a seguir em Castelo de Vide e entregarem o palco todo a Pedro Passos Coelho.

O PSD olha para o caso do “atropelo” mediático à direita como um mera “falha de comunicação” entre os dois partidos que, até novembro do ano passado, partilharam responsabilidades no governo. Mas o CDS nem sequer tenta disfarçar o desagrado com o episódio.

Estava tudo combinado entre os dois partidos. A presidente do CDS falava às 12h15 e a essa hora a Dra. Assunção Cristas começou a fazer a sua intervenção”, sublinha um responsável do Caldas.

Em Castelo de Vide, o plano não correu de forma tão linear. E o gesto de Carlos Coelho a Simão Cristóvão Ribeiro, a meio da intervenção – que terá sido feito a pedido do próprio, para evitar que se prolongasse demasiado –, gerou desconfianças entre os dirigentes centristas. Ao ponto de já circularem suspeitas de que o episódio foi mais do que um mero “acaso”, uma “falha” que acabaria por abafar a mensagem de Cristas.» [Observador]

 Vai para a dita

Para o comentador extremista João Miguel Tavares já não basta ter opiniões diferentes e debater ideias, para este artolas quem é de esquerda é estúpido por não alinhar com ele nas professias do Bruxo de Massamá:

«Para os portugueses mais à esquerda, e respectivos comentadores, não interesse tanto o que se diz mas como se diz. É a paulabobonização da política nacional. António Costa pode estar a desgraçar-nos, mas pelo menos desgraça-nos com alegria e etiqueta. » [Público]

Enfim, apetece e dizer que de paulabobonização sofre a tia dele.

      
 A globalização, o proteccionismo, o Pingo Doce e o prego no caixão
   
«“O autêntico novilho Angus nacional”. À campanha publicitária do Pingo Doce não falta o carimbo “Produto nacional” a encimar as cores da bandeira nacional. Como em toda a publicidade, o que conta não é o que se diz mas a mensagem subliminar, que é clara: os supermercados Pingo Doce apostam na produção nacional. Alexandre Soares dos Santos pode não gostar de pagar impostos em Portugal mas quer dar a impressão de que se preocupa com a economia nacional.

A mensagem só é bizarra porque vejo-me sempre aflito para encontrar produtos frescos nacionais no Pingo Doce. A carne de porco nacional aparece nas prateleiras do Pingo Doce quando o rei faz anos e é preciso um exercício de insistência no balcão do talho para conseguir que nos digam a origem da carne exposta nas vitrines. Bifanas, costeletas, lombo, entrecosto? A origem é quase sempre espanhola. Em Portugal não se produz porco? Sim, mas o Pingo Doce prefere comprar em Espanha, apesar dos suinicultores portugueses não conseguirem escoar os seus produtos. Há excesso de produção nacional? Segundo os suinicultores, não. O porco nacional só cobre 65 por cento das necessidades, mas mesmo assim importa-se mais porco do que seria necessário: todas as semanas, dizem os suinicultores, entram em Portugal 24 mil porcos vivos e mil toneladas de carne de porco.

Será o porco espanhol melhor? Não. O porco nacional é excelente. Será o porco português tão caro que o seu preço é proibitivo para o Pingo Doce? É pouco provável, já que a mesma empresa faz uma aposta na cara carne de novilho. E, mesmo que o porco nacional fosse mais caro, haveria clientes que o prefeririam ao espanhol. E talvez o Pingo Doce pudesse fazer pelo porco uma campanha semelhante à que faz pelo novilho nacional. Mas não é só o porco que é importado. O Pingo Doce vende frango nacional, mas já os perus nas prateleiras vêm todos da Alemanha e de Itália. E os ovos que parecem nacionais escondem nos carimbos o FR de França.

A fruta é outro caso. Há laranjas e toranjas da África do Sul, pêros Golden de Itália, mamão do Brasil, maçãs reinetas de França, abacate do Peru, kiwis da Nova Zelândia, limões do Chile, mangas de Israel, bananas da Colômbia e tudo o que se possa imaginar de Espanha, ao lado das uvas, pêras Rocha, melões e pêssegos portugueses. O panorama é o mesmo noutras cadeias de retalho alimentar.

Há quem chame ao facto de se poder comer morangos e cerejas todo o ano, vindos do outro lado do mundo, a maravilha da globalização. E a cimeira do G20 que ontem terminou na China, e todas as cimeiras, batem-se contra “o proteccionismo” que possa dificultar o comércio mundial. Os países emergentes e ricos exigem fronteiras abertas para os seus produtos, os bancos exigem fronteiras abertas, a UE lembra que foi para isso que foi inventada e os poderes garantem que essa é a única salvação do mundo.

Em teoria, a liberalização do comércio mundial promove a adopção das técnicas de produção mais eficientes, o progresso económico e a evolução tecnológica. São esses os argumentos em defesa do “mercado livre” e de crítica do proteccionismo. Na prática, porém, a guerra ao proteccionismo tem outras consequências: em muitos casos, os produtos mais baratos não o são por serem produzidos de forma mais eficiente mas apenas porque a sua produção não respeita a protecção dos trabalhadores (salários, segurança, saúde) nem a defesa do ambiente e, assim, o efeito que exercem nos mercados onde são vendidos traduz-se numa pressão para a redução local dos direitos humanos e da protecção do ambiente. Um retrocesso em vez de um progresso. Veja-se o que se passa na negociação dos acordos TTIP e CETA, que a União Europeia negoceia com os Estados Unidos e o Canadá, onde, em nome da protecção do comércio livre, as grandes empresas mundiais exigem ser dispensadas de respeitar regras legais, ambientais, laborais e sanitárias, numa atitude criminosa que põe em causa adquiridos fundamentais da civilização.

Para além deste impacto, o simples facto de um produto ser transportado milhares de quilómetros para ser vendido noutro país produz um grau de poluição cujo custo social é sempre suportado pelos cidadãos, em benefício das empresas.» [Público]
   
Autor:

José Vítor Malheiros.

      
 CDS quer tourada
   
«A velha tradição do CDS/PP de  organizar uma tourada está de volta ao partido, desta vez pela mão da Juventude Popular (JP), que, dia 24, em Coruche, organiza a sua primeira corrida de touros. Uma “corrida em defesa das tradições”, dizem os jovens centristas, mas na direcção do partido, que apoia a iniciativa, nem todos concordam ou mostram-se indiferentes à sua realização.

Poucos anos depois da sua fundação (1974), o CDS comemorava o seu aniversário com uma corrida de touros. No início dos anos 90, deixou de o fazer. Em 2010, o então secretário-geral, João Almeida, um aficionado das touradas, voltou a organizar uma corrida nas Caldas da Rainha que não teve grande êxito. A nova direcção da JP faz regressar as corridas de touros e a sua defesa “enquanto tradição” para a agenda do CDS.

Jorge Rosa, membro da JP e vogal da secção de tradição e cultura na comissão política nacional, é o organizador da primeira corrida da Juventude Popular. Fala com entusiasmo do evento, garante ter o apoio da direcção do partido “que aprovou” a realização do espectáculo, embora reconheça que “existam pessoas na direcção que, por não serem aficionados, não concordam” e que “possa haver alguma divisão na cúpula do CDS” em relação à realização do espectáculo.» [Público]
   
Parecer:

Os rapazes são muito agarrados a algumas tradições.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Vomite-se.»
  
 Ainda há muito IVA por cobrar 
   
«Portugal reduziu em 500 milhões de euros a diferença entre a receita de IVA cobrada e a receita estimada em 2014, que se fixou nos 2 mil milhões de euros, contra 2,5 mil milhões em 2013, segundo a Comissão Europeia.

De acordo com o relatório deste ano da Comissão Europeia sobre o chamado “gap” do IVA, que ajuda a “medir” a eficácia na cobrança do Imposto sobre o Valor Acrescentado em todos os Estados-membros da União Europeia, a diferença entre a receita cobrada em 2014 em Portugal (14.672 milhões de euros) e a receita estimada (16.766 milhões) foi de 2.093 milhões de euros, ou seja 12,49%, menos três pontos percentuais que em 2013 (quando a diferença foi de 2.526 milhões de euros, ou 15,56%).

Portugal foi assim um dos 15 Estados-membros a conseguir reduzir o “gap” de IVA entre 2013 e 2014 — a Grécia lidera a lista com uma redução de 6% -, observando o relatório hoje publicado pelo executivo comunitário que, tendo a economia portuguesa crescido nesse período de forma bastante lenta, o aumento de receitas com o IVA deve-se a uma “melhor capacidade de cobrança” do imposto.» [Observador]
   
Parecer:

Estes dados não mostram apenas o sucesso, evidenciam também que há muito IVA que fica por cobrar e isso significa também que outros impostos não são igualmente cobrados.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Combata-se a evasão fiscal.»
  

terça-feira, setembro 06, 2016

Quem quer vai quem não quer não vai

 photo Tour_zps9f6mbw2n.jpg

Nos seus primeiros tempos de existência o CDS afirmava os seus valores conservadores organizando touradas para comemorar os seus aniversários. Era uma forma de afirmação ideológica ao tentar identifica-se com determinados estratos sociais, com determinados sectores da sociedade e com a economia agrária ligada ao toureio.

O recurso à tourada como forma de afirmação política sucedeu, por exemplo, com a famosa manifestação da maioria silenciosa, evento organizado pelo falecido marechal António de Spínola e que mais não foi do que uma tentativa de inverter o curso político dom país, isto é, um golpe. Foi numa tourada realizada uns dias antes no Campo Pequeno que tudo começou, com Spínola a discursar para os seus

A tourada representa para os jovens da JC, jovens que se querem afirmar pelos bons valores mais conservadores, um três em um, na tourada está presente a tradição mais conservadora, o imaginário político da direita mais extremista do país e a identificação de classe com os sectores conservadores do mundo agrário, no fundo valores que estão presentes na identidade do CDS desde a sua fundação, ainda que com o passar do tempo tenham sido um pouco disfarçados.

Mas os tempos mudaram, as missas, as paradas militares, as touradas ou a adopção de fardas para identificação de movimentos políticos fazem parte da história e nos tempos de hoje seria ridículo o PCP afirmar-se com uma manifestação que imitasse as manifestações do 1.º de Maio em Moscovo, da mesma forma que é ridículo um partido celebrar os seus valores com uma tourada, como se os bravos jovens do CDS fossem os toureiros e os forcados e os seus adversários políticos fossem os touros.

Além disso, nos dias de hoje afirmar a tourada como os valores da tradição cultural de Portugal só pode merecer um vómito. Nos dias de hoje é ridículo camar arte a a uma encenação que recorre a truques para favorecer os corajosos toureiros enquanto se tortura uma animal até quase à morte, num tempo em que  tortura ou a exibição da tortura de animais é condenada no plano civilizacional.

Mas o que diz a isto a corajosa líder do CDS? “Quem quer vai quem não quer não vai”. Enfim, passa a ser este o pensamento político do CDS, quem quiser concorda e quem não quiser não concorda, para esta candidata a líder da oposição deixaram de existir diferenças.


Umas no cravo e outras na ferradura


   
 Jumento do dia
    
Jorge Soeiro, dirigente do BE

Na opinião de Soeiro Portugal devia ignorar todos os líderes políticos de que o BE não gosta ou em relação aos quais possam existir motivos para fazer críticas. Costa devia reunir com o Dalai Lama e ignorar a China, devia ser íntimo de Maduro e não dar palavra a Eduardo dos Santos, devia fazer que o Brasil ou tratar Obama com a devida distância. Enfim, lirismo q.b.

«É nas redes sociais que José Soeiro, do Bloco de Esquerda, faz um paralelismo entre a situação política brasileira e a atualidade política nacional.

No primeiro caso, contudo, o Bloquista lamenta que o executivo de Michel Temer recorra a “um comunicado em que a linguagem institucional disfarçava a falta de coragem para dizer que o que se passa no Brasil é inaceitável para os critérios de qualquer democrata”.

Apesar da polémica que tem enchido as ruas do Brasil, António Costa já deu a conhecer a sua vontade em reunir com aquele que Soeiro classifica como “o governo golpista” do Brasil.» [Notícias ao Minuto]

      
 Depois de casa roubada...
   
«O Exército esclareceu esta segunda-feira que apesar da morte de um militar e de um outro ter ficado ferido no domingo, os treinos vão continuar, embora adaptados ao tempo quente que está previsto para hoje.

Numa resposta enviada à agência Lusa, as relações públicas do Exército avançaram que os incidentes ocorreram ambos na região de Alcochete, no distrito de Setúbal, embora em locais diferentes, sendo que o incidente do militar que veio a falecer ocorreu pelas 15:40 e o do ferido cerca de uma hora mais tarde.

De acordo com a mesma fonte, os treinos de domingo "não foram suspensos, foram adaptados", o mesmo sucedendo para hoje, com a previsão de realização de mais treinos, igualmente adaptados às condições atmosféricas.» [Expresso]
   
Parecer:

Na próxima quarta farão nova adaptação, entretanto, ninguém terá reparado na subida da temperatura.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «»
  
 Aproximam-se dificuldades para o ensino privado
   
«De acordo com um estudo da Cetelem, 13% dos pais com alunos no ensino privado estão a ponderar mudar os seus filhos para uma escola pública.

“Enquanto 87% das famílias portuguesas têm os filhos a estudar na escola pública, 13% optam pelo ensino privado. Destes últimos, são também 13% os que referem estar a ponderar a transferência para o ensino público”, é feito saber em comunicado.

Como razões apontadas para esta transferência, inclui-se o “facto de as crianças já estarem crescidas e os motivos financeiros. Mas também o facto de a escola atual não oferecer mais anos de escolaridade e de o ensino público ter boa qualidade”. Já as famílias que têm os filhos no ensino público, “praticamente a totalidade (99%), pretende mantê-los no mesmo tipo de ensino”.» [Notícias ao Minuto]
   
Parecer:

É de esperar que com os investimentos nas qualidade da escola pública o negócio das escolas privadas fique limitado aos projectos com qualidade.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Espere-se para ver.»

 Menos reformados do que o esperado
   
«As saídas de funcionários públicos para aposentação diminuíram 30,5% em 2015 e estão a registar neste ano uma quebra ainda mais acentuada. Entre janeiro e setembro foram para a reforma 6339 trabalhadores do Estado, o que traduz uma descida homóloga de 54%. Perante este ritmo, tudo indica que a meta de 20 mil saídas prevista no Orçamento do Estado para 2016 não será atingida - nem a esperada poupança de cem milhões de euros.

As várias alterações à aposentação na função pública têm tornado qualquer saída antecipada mais penalizadora e constituem um dos principais motivos para que o ritmo de aposentações esteja a cair a pique e a recuar para valores historicamente baixos. No próximo ano, as regras voltam a mudar, com um agravamento do fator de sustentabilidade e a idade da reforma a avançar para 66 anos e três meses. Na Segurança Social também haverá mudanças.» [DN]
   
Parecer:

As grandes penalizações nas reformas antecipadas apenas resultam no aumento da despesa pública. Entre sair perdendo uma parte brutal do vencimento e arrastar os pés à espera que o tempo passe a escolha e as consequências são óbvias.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»
  

segunda-feira, setembro 05, 2016

O caso Freeport e o crescimento económico

Recordo-me que o grande argumento para as suspeitas de corrupção no caso Freeport não foi um qualquer enriquecimento inesperado ou o recebimento de qualquer quantia por parte de um decisor. O grande indício de corrupção no caso do empreendimento de Alcochete era a forma célere com que o projecto tinha sido aprovado pelas autoridades do ambiente, daí que um dos arguidos tenha sido um director-geral responsável pelo sector. Primeiro foi arguido e depois é que foram em busca de provas.
  
Na ocasião os mesmos jornalistas que hoje se queixam da falta de investimento e de crescimento económico deram o argumento da celeridade como válido, ninguém se questionou sobre a anormalidade da situação, sobe o nível de doença mental dos que assim raciocinavam. Em Portugal um director-geral que se empenhe em que as suas decisões sejam céleres é, para os nossos magistrados, um suspeito de corrupção. Isto é, director-geral que queira ser considerado sério deve demorar na avaliação dos processos, pedir novos esclarecimentos meses depois, voltar a exigir documentos que perderam validade, exigir novos documentos, enfim, fazer tudo para que o processo seja moroso, sério e acima de qualquer suspeita.

Estamos, portanto, num país de doidos e idiotas, doidos os que acham que o país se desenvolve com magistrados e directores-gerais destes, de idiotas porque só um idiota acha que um investidor no seu pleno juízo se mete num país destes. Perguntem aos investidores do Freeport como se sentiram perante as investigações e se sugerem a outros investidores estrangeiros que se metam neste país.

Investir num país onde a mão-de-obra qualificada foge, onde um director-geral pode ser indiciado de corrupção só por ser competente, onde os tribunais não funcionam apesar dos magistrados ganharem acima da média, onde os concorrentes se escapam aos impostos, onde há sindicatos de magistrados a pediram ao antigo BES para patrocinarem e financiarem iniciativas em resorts de luxo, onde o partido suspeito é o que não tem dinheiro, não é uma decisão económica, é um acto de loucura.

Só paspalhões é que acham que os investidores estrangeiros estão à espera que o salário mínimo seja de menos dez euros mensais ou que o défice seja de 2,5% em vez de 2,6% para invadirem o país. É porque as nossas elites da treta da comunicação social pensam assim que o país anda a patinar há duas décadas. O problema do crescimento e do desenvolvimento económico é bem mais sério e não se fica apenas pelas análises do Conselho das Finanças Públicas.


Umas no cravo e outras na ferradura


  
 Jumento do dia
    
Passos Colho, Bruxo de Massamá

Depois de ter apostado tudo numa crise política na geringonça para regressar ao poder o nosso Nostrapassus aposta agora numa crise financeira. Mas entra em contradição, umas vezes defende a austeridade e acusa Costa de irresponsabilidades, outras, como o faz agora, diz-se vítima do PS e afirma que foi obrigado a continuar a austeridade.

Só se esquece de dizer que cortou nos vencimentos dos funcionários por puro ódio e que aumentou o IRS para financiar a descida do IRC, numa experiência mal sucedida de desvalorização fiscal.

«António Costa é um "optimista crónico", chamou-lhe Marcelo Rebelo de Sousa. O líder do PSD distancia-se no feitio do primeiro-ministro e auto-intitula-se de "realista". As diferenças, segundo quer fazer passar, não são apenas na postura, são na ideologia aplicada às políticas públicas, que anda às voltas entre PS e PSD. Na rentrée dos sociais-democratas, Passos Coelho retoma o lema de Sá Carneiro – de que o "fim principal do poder político é o serviço da pessoa" –, para se colocar no lado oposto ao socialismo deste Governo. 

A linha do discurso de Passos Coelho na Universidade de Verão resume-se a mais ou menos isto: esta solução de Governo não vai além "do dia-a-dia", está "esgotada", porque só pensa na "sobrevivência político-partidária" do presente e não tem ímpeto reformista para o futuro. Nisso, quem pensa é o PSD, diz o ex-primeiro-ministro, que não tem medo do "espantalho da austeridade" – porque, afinal, foi o PS que a trouxe para Portugal nos tempos idos de 2010 e o PSD "teve de a aplicar também".

Feita a estrutura, Passos insistiu na ideia de que, sob a sua batuta, o PSD se mantém no lado dos críticos – não está cá para "cumprir calendário". E é o mesmo PSD das origens de Sá Carneiro, aquele que quer "reafirmar que o primado da política é sempre a pessoa e a sua dignidade", e por isso o PSD tem uma visão de futuro além do "cumprir calendário", que passa por políticas na Educação e na Saúde. Inversão de papéis?» [Público]

 Eu acredito nas profecias do Nostrapassus, e tu?

 photo Nostrapassus1_zpsy9s1uuih.jpg


Por cada dia que passa deste fatídico mês de Setembro mais medo que tenho do armagedão tuga, a última profecia do Nostrapassus, também conhecido por Bruxo de Massamá.

Quem não se lembra da profecia que fez em 2015, numa visita ao Japão?

"Portugal possa ser realmente uma das nações mais competitivas do mundo, com grande dinamismo, grande abertura à inovação e com grande potencial de crescimento económico”

Aliás, na mesma ocasião fez uma segunda profecia que, como é sabido, também se concretizou:

“A minha convicção é de que saberemos manter nos anos mais próximos essa grande resiliência, com uma grande previsibilidade política, económica e social”

Estava a poucos meses das eleições e já se sabia que ia ter maioria parlamentar graças a várias manobras sujas, como a famosa devolução da sobretaxa.

      
 O povo é sereno
   
«O Presidente da República considerou hoje que na política portuguesa há atualmente duas visões em confronto, e que "isso é bom porque podia haver um pântano, um bloco central de interesses", mas que o povo está distendido.

Marcelo Rebelo de Sousa falava aos jornalistas durante a Festa do Livro no Palácio de Belém, em Lisboa, depois de questionado sobre o tom das intervenções da oposição nesta 'rentrée' política.

"Há dois níveis de reação perante a política: o nível popular e o nível dos políticos. A nível popular, eu entendo que há uma distensão. As pessoas, naturalmente, têm as suas queixas, têm os seus problemas, têm as suas divergências, mas estão a viver uma situação de relativa distensão", declarou o chefe de Estado.» [DN]
   
Parecer:

Passos dramatiza e Marcelo desdramatiza.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»
  
 Um rapaz muito modernaço
   
«Para Diogo Feio, PCP e BE "bem se podem tentar apresentar como modernaços"Passamos, numa altura das altas tecnologias, a ter em Portugal um Governo que é apoiado por forças políticas que nos lembram o tempo da televisão a preto e branco", criticou

O diretor da Escola de Quadros do CDS-PP, Diogo Feio, disse hoje que o Governo é apoiado por partidos que lembram o tempo da televisão a preto e branco, considerando que há um ano este cenário era ficção.» [DN]
   
Parecer:

Quem ouve este artista é capaz de achar que é um rapaz modernaço que nem milita num partido confessional.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sugira-se ao rapaz que faça uma tatuagem na testa a dizer modernaço.»

 Qual classe média?
   
«A presidente do CDS-PP avisou hoje que é ao bolso da classe média que a "esquerda unida" vai buscar o dinheiro, acusando "os campeões dos pedidos de demissão" de estarem "agora caladinhos", para não "interromper a festança das esquerdas".

No encerramento da Escola de Quadros do CDS-PP, em Peniche, Leiria, Assunção Cristas fez um discurso muito duro contra os partidos que suportam o Governo socialista, BE e PCP, acusando-os de ser "farinha do mesmo saco", e assegurou que, em contraponto, "a mudança sensata é a marca de água" dos centristas.» [Expresso]
   
Parecer:

A senhora estará a pensar na classe média que sobrecarregou com cortes nos rendimentos mais uma sobretaxa e que o seu governo convidou a emigrar?
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se à senhora onde esteve estes anos.»