sábado, setembro 17, 2016

O jornalista, o juiz e o assessor

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Houve um tempo em que o país ficou abalado quando o arquitecto Tomás Taveira viu os seus segredos de alcova serem tornados públicos, meio país estava indignado enquanto o outro meio país queria saber quais eram as senhora de sociedade que passaram pela esquadria do estirador do famoso arquitecto. Aos poucos o assunto foi esquecido e nunca mais se soube de grande coisa, aqui e ali se ia dizendo qualquer coisa, como sucedeu com uma cantora do grupo Doce, mas pouco mais.
 
Eis que passados tantos anos é outro arquitecto, este convertido em jornalista, que agita ou tenta agitar o país com segredos de alcova. Mas desta vez o autor não fala da sua alcova, aproveita-se de inconfidências de terceiros, alguns deles falecidos e enterrados há muito, para  parecer grande a falar das alcovas dos outros.

O juiz assegura que também sabe os segredos de meio país, ainda que pareça muito preocupado porque outros quererão saber dos seus segredos, neste caso não devem ser d alcova pois entre horário normal e horas extraordinárias o homem nem deve ter alcova. Mas podemos estar descansados pois ao contrário do arquitecto convertido em jornalista, este juiz que parece converter-se em político assegura que os segredos de que teve conhecimento estão na posse de um homem bom, honesto e cheio de boas intenções.

Quem parece não ter tido as melhores intenções ao revelar os seus segredos foi o assessor Lima, neste caso um jornalista convertido em arquitecto de filha de putices, ainda que com o estatuto de assessor presidencial de um senhor do Algarve, região onde o saloio dá lugar ao adjectivo montanheiro. Pois nesta vaga de concorrentes da casa dos segredos paralela à da TVI o assessor é o mais pobre em segredos, mas não quis deixar de dizer presente neste ambiente de deboche político em que se transformou um país onde a política é feita com segredos.

Por coincidência, ou talvez não, Passos Coelho está presente nestes três momentos tristes da vida política portuguesa. Apresenta o livro do arquitecto, foi o grande beneficiário da destruição do seu maior adversário político, bem como dos jogos sujos do assessor presidência.

Durante décadas a PIDE investigou, espiou e escutou quem quis e lhe apeteceu mas raramente fez uso dos segredos para humilhar, destruir ou condicionar os opositores políticos. Agora são figuras secundárias, uma espécie de lúmpen da classe política que usa os segredos para engrandecimento pessoal, o país parece estar nas mãos dos gargantas fundas.


Umas no cravo e outras na ferradura



 Jumento do dia
    
Pedro Passos Coelho

Quando soube que Passos Coelho ia apresentar um livro de José António Saraiva disse cá para os meus botões que "estão bem um para o outro". Quando li que o livro do pequeno arquitecto tinha como apreritivo segredos sexuais de político achei que estavam ainda melhor um para o outro. Sempre é melhor que Passos se dedique aos segredos de alcova do que vê-lo armado em Nostrapassus e a fazer profecias para o mês de Setembro.

Quanto a questões de ética já todos conhecemos os valores de Passos Coelho, foi ele que reuniu com Sócrates para discutir um programa de austeridade e depois disse que tinha sido apanhado de surpresa. É a mesma surpresa com que ficamos quando o vemos baixar de nível.

«Pedro Passos Coelho mantém-se firme na intenção de apresentar o próximo livro do jornalista José António Saraiva - ex-diretor dos semanários Expresso e Sol - apesar de entretanto já ter percebido que contém revelações sobre a vida íntima de políticos, muitas das quais atribuídas a personalidades que já morreram, e baseadas em conversas privadas.

Eu e os Políticos - assim se intitula o livro, editado pela Gradiva, e que o líder do PSD apresentará no próximo dia 26, no centro comercial El Corte Inglés, em Lisboa. "O Dr. Pedro Passos Coelho aceitou o convite mesmo antes de ler o livro. Este convite foi aceite tendo em conta a admiração que o Dr. Pedro Passos Coelho tem pela carreira e pelo papel que o arquiteto José António Saraiva desempenhou e desempenha no jornalismo português." É este o conteúdo da nota enviada ao DN por um assessor de imprensa de Pedro Passos Coelho depois de o DN o ter questionado sobre se não se sentia "desconfortável" com o teor da obra e o facto de José António Saraiva contar várias histórias que lhe foram contadas em privado, muitas delas de conteúdo sexual.» [DN]

 Coisas do arco da velha

A justiça portuguesa teve a sua semana horribilis com a desastrada entrevista do juiz Alexandre e com mais um adiamento, ainda por cima com  mais seis meses de opção, da conclusão do inquérito do Caso Marquês. O juiz Alexandre perdeu uma boa parte da credibilidade junto de quem ainda lhe dava crédito, enquanto as manifestações de desconfiança em relação ao inquérito do caso se multiplicaram na comunicação social.

Mas a resposta não tardou, o CM publica uma primeira página com supostas provas, enquanto o Público faz novas relações. Apetece perguntar se não faria sentido o MP ter o seu próprio jornal diário, sendo a Procuradora-geral a sua directora por inerência. Assim, as peças processuais passariam a ter a forma de notícias tornadas públicas e em vez de serem levadas resmas de processos para os tribunais poder-se-ia dispensar este trabalho pois os juízes podiam ir acompanhando a produção de prova logo na fase da investigação e sem a chatice de aturarem advogados, No fim a sentença em vez de ser ditada por um juri poderia ser decidida por uma sondagem da Aximage.

      
 José António Saraiva espreita e baba-se
   
«O Eu e os Políticos, o novo livro de José António Saraiva (JAS), é um capítulo da obra mais vasta Eu e o Mundo que o homem anda a escrever há décadas. Por falar em políticos, Jérôme Cahuzac, ex-ministro francês, está a ser julgado por trapaças com o fisco. Há dias, no tribunal, pediram-lhe explicações por um depósito na Suíça, há 25 anos, e que ele ainda mantém. "Ah, era para apoiar o Michel Rocard", desculpou-se. Rocard é um político francês que morreu há dois meses... Nada como os mortos para depositarmos culpas. Canalhices de políticos lembradas, passemos então, sem sair do género, ao magnífico "Eu...", o JAS e as coisas picantes que ele sabe sobre os nossos políticos. Olha, o irmão que já morreu, a contar ao "Eu" a sexualidade do irmão; olha, o escritor que já morreu, a contar ao "Eu" as brejeirices dum ministro; olha, um ministro que já morreu e que, moribundo, invocou ao "Eu" a sua doença para sacar umas massas... Na capa do livro desenha-se um buraco de fechadura, erro gráfico: o JAS espreitou menos do que cavou em campas. E é pena, porque o "Eu", só, é mesmo fascinante. Falava ele com o político Arnaut, um dos responsáveis do Euro 2004 em Portugal, e disse-lhe: "Já pensou que se mandam um avião contra um estádio matam 40 mil?" Um mês depois, tungas!, havia F-16 a vigiar o espaço aéreo... "Espantosa coincidência!", ironiza no livro o nosso JAS, inventor, além do saco de plástico, dos primeiros drones antiterroristas.» [DN]
   
Autor:

Ferreira Fernandes.

  O missionário de Mação
   
«Foi muito boa, a entrevista de Carlos Alexandre à SIC. Dos recados, dos ajustes de contas, da provocatória afronta ao dever de reserva e ao poder disciplinar da classe, da evidência de que não confia na Justiça para fazer justiça já muito se falou. Menos se frisou o facto de em nenhum momento este juiz de instrução, que supostamente serve para zelar pelos direitos dos arguidos, ter falado disso, de direitos. Pelo contrário: apresentou-se como herói da luta contra o crime - castigador, incompreendido, perseguido, ameaçado e mal pago. Um herói que, incensado como "super", não consegue disfarçar o azedume - raiva, até - por "numa casa grande" (um tribunal superior?) o apelidarem de "saloio de Mação". Um herói que se diz sem medo mas não aguenta gozos. Que precisa de se justificar, engrandecer e santificar, frisando as origens humildes, exibindo a religiosidade, detalhando as perseguições, escutas, ameaças e problemas de saúde dele e família numa espécie de "olhem lá como sou coitadinho mas aqui estou firme no meu posto sem me queixar (enquanto me queixo)".

Nesse sentido, do que revela, a entrevista é muito boa - mérito do entrevistado, porém. O juiz tinha um guião para o que queria dizer e disse-o - em certos momentos até repetiu para não haver dúvidas, como quando afirmou não ter "amigos pródigos" e a seguir reforçou: "O saloio de Mação (...) não tem dinheiros em nome de amigos, não tem contas bancárias em nome de amigos". Ante isto, que toda a gente interpretou como referindo o processo Marquês, ouvimos alguma questão, mais que não fosse "está a falar do processo Marquês?" Nada. Aliás, o juiz queixou-se do princípio ao fim de ganhar mal e nem quanto aufere lhe foi perguntado - cerca de 3000 euros limpos mais 620 euros, também limpos, do "subsídio de habitação", o que, convenha-se, faz da lamúria um show de mau gosto. Mas não ficou por aí: em notável demonstração de rigor, chegou a comparar o que ele, funcionário, ganha num turno de sábado com o que recebem os tradutores chamados ao tribunal, usando o suposto valor líquido para si (depois de impostos, Segurança Social, ADSE, etc.) contra o ilíquido de uma prestação de serviços. E afirmou terem sido os juízes os mais lesados nos cortes da função pública - quando só pode estar a referir os 20% retirados ao subsídio de habitação (era, em 2010, de 775 euros), um privilégio que só a judicatura detém.

Na verdade, pintando-se como "bicho-do-mato" espartano e devotado missionário, Carlos Alexandre revelou-se antes obcecado com a sua imagem, dotado de apreciável pendor demagógico, notório espírito de casta e total ausência de sensibilidade social - e senso. A lembrar Cavaco, quando em 2012 se queixou de não ganhar para as despesas. A esse, porém, logo se mandou à cara quanto auferia; o então PR caiu a pique nas sondagens e não recuperou. Mas, claro, era um político. Carlos Alexandre não, é sério. E pelo bem. Podemos estar descansados, a Justiça está em boas mãos.» [DN]
   
Autor:

Fernanda Câncio.

      
 Selimani levou as ideias de Jesus para Inglatarra
   
«A estreia de Islam Slimani pelo Leicester dificilmente poderia ter corrido pior... Pelo menos para Björn Engels, defesa do Club Brugge, que perdeu por 3-0 contra os campeões ingleses, no arranque da fase de grupos da Liga dos Campeões.

O ex-avançado do Sporting empurrou o defesa, na grande área do Club Brugge, e o central belga de 22 anos acabou por sofrer uma lesão grave na queda.» [DN]
   
Parecer:

É bem mais f´+acil marcar golos empurrando os adversários.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»
  
 Alexandre, um perigo para o país
   
«“Por que razão o juiz Carlos Alexandre deu a entrevista à SIC?” É a pergunta que muitos fazem, tendo em conta o dever de reserva dos juízes. A resposta é mais simples do que parece e tem como pano de fundo um conjunto de acontecimentos em que o magistrado do Tribunal Central de Instrução Criminal se viu envolvido nos últimos anos.

Ao que o Observador apurou, Carlos Alexandre pretendeu prevenir novas denúncias anónimas caluniosas por alegada violação do segredo de justiça que teriam como objetivo afastá-lo do Tribunal Central de Instrução Criminal. E também denunciar vigilâncias ilegais a que tem sido sujeito por forças que entende estarem ligadas aos serviços de informações. As declarações à SIC sobre o manual dos serviços de informações, que foi divulgado pelo jornal i e se tornou público, indicam que o juiz tem indícios de que são ex-agentes das secretas que o estarão a vigiar.

Tudo por força das decisões que tem tomado naqueles autos, de que o máximo exemplo foi a detenção no aeroporto da Portela e a consequente prisão preventiva do ex-primeiro-ministro no Estabelecimento Prisional de Évora durante 10 meses.» [Observador]
   
Parecer:

O homem deve estar doido.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se a merecida gargalhada.»

 À direita só Crista sobe nas sondagens
   
«O PS foi o partido que deu segundo o maior salto registado entre os partidos com assento parlamentar, com mais 0,5 pontos percentuais do que na sondagem de agosto, conseguindo hoje 36% das intenções de voto dos portugueses, um valor muito próximo do que o PSD (mas coligado com o CDS) conseguiu nas últimas legislativas (36,8%). Curiosamente, se as eleições fossem hoje e a julgar pelos números divulgados pelo Expresso, os sociais-democratas (sem o CDS em coligação) teriam 32,1%, um valor que é quase igual ao que o PS (32,3) teve nas mesmas eleições. Uma troca de posições que, no entanto, não muda nada relativamente à incapacidade de um partido conseguir uma maioria absoluta, o que voltaria a exigir um processo negocial intenso.

No entanto, o PS segue uma tendência de crescimento volta a verificar-se em setembro, no sentido contrário ao PSD que caiu 0,4 pontos face ao mês passado. Mas o partido que o maior tombo deu neste estudo foi o Bloco de Esquerda, com menos 0,8 pontos do que em agosto, recolhendo agora 8,2% da intenção de voto dos portugueses. O BE viu ainda a CDU, a outra força à esquerda do PS, a a subir 0,3 pontos, para 8,1%, quase apanhando o partido liderado por Catarina Martins.

O CDS surge avaliado isoladamente (já que a coligação se dissolveu no dia seguinte às eleições), com 6,9% na intenção de voto, o maior salto que um partido deu neste estudo feito entre 7 e 14 de setembro. No último sábado, dia 10 de setembro (dentro do intervalo de tempo em que foi realizada a sondagem), a líder do CDS anunciou a sua candidatura à Câmara Municipal de Lisboa.» [Observador]
   
Parecer:

O PSD que se cuide.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sugira-se a Passos que tire as consequências do desprezo do eleitorado.»
  

sexta-feira, setembro 16, 2016

Teodora, Teodora!

Ainda nada está decidido em matéria orçamental e já a Dra. Teodora Cardoso arrasava o governo com uma conferência de imprensa que foi vista em todos os jornais televisivos e que hoje faz manchete nalguns jornais. Queixava-se a Dra. Teodora Cardoso de que o país altera os impostos de seis em seis meses e às vezes em menos tempo e que isso retira a confiança dos investidores.

Teodora Cardoso falava em nome do Conselho das Finanças Públicas e fazia-o no dia em que se soube que estava sendo estudada uma possibilidade de aumentar os impostos sobre o património imobiliário. Teodora Cardoso falou em termos inadmissíveis, de forma irresponsável e com desonestidade intelectual e com um comportamento grosseiro.

Em termos inadmissíveis porque não cabe ao Conselho de Finanças Públicas entrar no debate político partidário, contestando medidas que estão sendo debatidas por quem tem legitimidade para o fazer. Não é a primeira vez que Teodora Cardoso parece o Bruno de Carvalho da política, confunde o papel de adepta com o de presidente de uma instituição. 

De forma irresponsável porque está destruindo a instituição a que foi convidada para presidir, algo em que começa a ser useira e vezeira. Teodora Cardoso parece não saber muito bem o que é uma democracia e está convencida de que como técnica pode tutelar os partidos e a democracia. Já o fez de uma forma absolutamente ridícula, quando cegou a aceitar avaliar o programa económico do PS, na sequência de uma gestão da direita. Enfim, foi preciso ter um grande desplante para se dispor a tal papel. 

Falou de forma desonesta porque a economista sabe muito bem que o aumento dos impostos é da competência exclusiva da Assembleia da República e que este governo ainda não fez aprovar qualquer mexida de impostos desde que foi aprovado o último orçamento. E ninguém se recorda de a senhora ter atacado o anterior governo, quase à mocada, quando esse mesmo governo aumentou muitos impostos e decidiu cortes a torto e a direito, para não referir o número de orçamentos suplementares que fez aprovar. Nesse tempo Teodora Cardoso preferiu o silêncio

Teodora Cardoso pode não gostar deste governo e ter saudades de um governo que apoio de forma militante e sem se preocupar muito com aumentos de impostos decididos de seis em seis meses. Mas se é em nome de uma instituição que fala seria bom que respeitasse a democracia portuguesa e as suas instituições, evitando evitar na luta partidária de forma tão grosseira, tentando condicionar as decisões parlamentares.

Teodora Cardoso pode saber muito de economia e ser uma feroz defensora de algumas teses, mas como economista sabe muito bem que essas teses não são uma ciência exacta e há quem não concorde com elas. Os próprios eleitores têm o direito de optar por políticas com as quais ela discorda. O debate deve ser sério e é lamentável que a presidente do Conselho de Finanças Públicas fale como se fosse um j endiabrado da Universidade de Verão da JSD. Eu me comportasse dessa forma pouco rigorosa e nada honesta quando era estudante de economia teria levado um chumbo redondo.


Umas no cravo e outras na ferradura


  
 Jumento do dia
    
Francisca Van Dunen, ministra da Justiça

Fiquei com a sensação de que a ministra da Justiça decidiu fazer uma perninha de porta-voz do MP. Um ministro nem é professor de direito, nem comentador de processos judiciais e muito menos porta-oz do MP.

«A operação Marquês não é um processo judicial qualquer. E é por isso que não devemos ficar surpresos com o adiamento da acusação por mais seis meses, tendo em conta que envolve o ex-primeiro-ministro José Sócrates. Ainda antes de ser conhecido este adiamento na noite desta quarta-feira, Francisca Van Dunem, ministra da Justiça, defendeu esta visão em entrevista à Rádio Renascença.

“Temos que distinguir entre processos que são mais simples e processos mais complexos. A lei prevê prazos diferentes para diferentes níveis de complexidade, sendo que depois tem um conceito relativamente aberto de complexidade que permite ao julgador dizer se aquele é ou não um processo complexo. Os indicadores de complexidade são diversos. Eu diria que, provavelmente, este é um processo complexo”, explica a ministra da Justiça.

Quando questionada sobre a possibilidade de um novo adiamento da conclusão da investigação, Van Dunem disse que os prazos eram mesmo uma questão interna do Ministério Público. “Quanto à questão de haver ou não, amanhã [quin-feira], a resposta do senhor magistrado àquilo que foi a injunção do seu superior, é um problema interno do Ministério Público. Seguramente, o diretor do DCIAP e o magistrado envolvido encontrarão no quadro do estatuto do Ministério Público e do Código de Processo Penal a resposta adequada à situação”, disse.» [Expresso]

      
 Entretanto, numa galáxia que nos escapa
   
«Quando José Sócrates foi detido adivinhava-se para o fim da instrução do processo um de dois males. Ou haver indícios para levar um ex-primeiro-ministro a julgamento ou os investigadores, depois da detenção de grande aparato, não conseguirem matéria para acusar. Longos meses decorreram, o ou-ou não chegou mas duas coisas comprovaram-se. Por um lado, soube-se, por palavras do próprio Sócrates, que ele pedira muito dinheiro a um amigo; ora, tendo este feito negócios com o Estado enquanto Sócrates era governante, era legítimo que a justiça investigasse. Por outro lado, a investigação arrastou-se e permitiu abusivas fugas de informação. Quer dizer, das duas más hipóteses iniciais, passámos para duas más confirmações: alguns métodos e a lentidão da justiça eram inadmissíveis e, pelo menos politicamente, José Sócrates tinha explicações públicas a dar. Ao saber-se, ontem, que haverá mais seis meses de investigação aumentou a suspeição de processo falhado. Entretanto, o juiz Carlos Alexandre deu uma entrevista com remoques ao investigado indignos de um juiz do processo. Legitimamente, Sócrates pediu para que o juiz seja afastado do processo. O que, depois deste tempo perdido, seria, de facto, o fim do processo. O que nos leva, caso o juiz seja mesmo afastado, a uma terrível ironia. Pode ser que os interesses do investigador e os do investigado confluam por uma vez: um livra-se do que não pôde provar e o outro de que se prove qualquer coisa.» [DN]
   
Autor:

Ferreira Fernandes.

      
 Onde estava Teodora Cardoso
   
«"Há uma coisa muito importante: a estabilidade fiscal. Enquanto andarmos a mexer em impostos de seis em seis meses, ou até menos, não criamos as condições necessários à confiança nem dos consumidores, nem dos investidores", afirmou Teodora Cardoso.

A presidente do CFP respondia a questões colocadas aos jornalistas sobre as alterações fiscais previstas para o próximo ano - que prevê, para já, a criação de um imposto sobre património imobiliário -, na apresentação da atualização do relatório 'Finanças Públicas: Situação e Condicionantes 2016-2020' divulgada hoje.

No relatório, o CFP projeta um crescimento económico de 1% para este ano e de 1,3% no próximo, considerando apenas as medidas de política económica e orçamental já adotadas e as medidas legisladas até 2020.» [Notícias ao Minuto]
   
Parecer:

Quando se mexiam nos impostos sobre o trabalho Teodora Cardoso ficou calada. É uma pena que esta senhora cuide tão mal da sua credibilidade e qe ultrapa
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Lamente-se.»
  
 Somos uns porcalhões
   
«Costuma abandonar a beata do cigarro na praia? Deita a cotonete na sanita depois de usada? O seu esfoliante de pele ou produto dentífrico tem microesferas de plástico? Se sim, é bom saber que está a contribuir para aquele que é considerado um dos maiores problemas globais dos nossos tempos: o lixo marinho. E o pior é o plástico.

A Agência Portuguesa do Ambiente (APA) voltou a detectar grandes quantidades de lixo marinho nas praias da costa portuguesa, segundo revelam as conclusões do programa de monitorização de 2015.

Plásticos/poliestireno (usado, por exemplo, para fazer esferovite), vidro, borracha, barro e cerâmica, papel/cartão, vestuário, madeira, metal, artigos médicos e sanitários foram os principais itens encontrados nas nove praias monitorizadas ao longo do ano passado na zona costeira nacional e onde foram realizadas 36 campanhas de amostragem.» [Público]
   
Parecer:

Somos porcalhões na praia e não só.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Faça-se uma campanha para que os portugueses sejam menos porcalhões.»

 Não é só o alexandre que sabe segredos
   
«Em todas as edições da Casa dos Segredos os concorrentes levam um segredo a jogo. Paulo Ricardo Teixeira é concorrente da Casa dos Segredos 6 e o seu segredo é exercer um cargo político: líder da JSD de Marco Canaveses. "Quero eliminar o paradigma de que só um tipo de pessoas participa neste programa", disse o líder da juventude no seu vídeo de apresentação do reality show, sem revelar que ocupa um cargo político. 

Tal como revela no vídeo de apresentação do programa, Teixeira tem 28 anos, é licenciado em filosofia e é gestor de produtos no ramo automóvel. Entre os segredos apresentados por Teresa Guilherme na gala de apresentação, consta o segredo de Paulo Teixeira: "Ocupo um cargo político." De facto, em 2009, o concorrente da Casa dos Segredos foi candidato à liderança da JSD Marco de Canaveses e actualmente ocupa essa função. » [Sábado]

   
Parecer:

Num país onde oss políticos são criminosos até prova em contrário ser um puto da JSD é um segredo tão grande como ser puta.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se a merecida gargalhada,»
  

quinta-feira, setembro 15, 2016

A náusea

Confesso que já estou enjoado do caso Sócrates, estou farto dele até à medula, já não suporto ver os seus intervenientes, irrita-me a imagem do juiz, fico incomodado com o mau cheiro televisivo dos cigarros do Rosário Teixeira. Estou farto de entrevistas, das manchetes do Correio da Manhã, das opiniões do João Tavares, dos milhares de comentários que vou lendo por aí.

O que é que eu tenho a ver sobre quantas mulheres tem Sócrates, ainda por cima quando os mesmos que agora se divertem com as dicas do MP eram os mesmos que no passado se divertiam a mandar e-mails com a imagem de um cruzeiro de gays num navio chamado “Sócrates”. Quero lá saber se o juiz Alexandre faz férias ou não, se em vez de estar com a mulher prefere os processos ou se ganha muito em horas extraordinárias.

O Caso Marquês começa a ser um monstro insuportável, já nem sequer importa se o Sócrates esteve um ano em Évora só para divertimento dos magistrados que deixaram de ter três meses de férias escolares, já não tenho paciência para me irritar porque em Portugal os juízes de instrução passaram a ser líderes das investigações, quer lá saber se há por aí algum tarado interessado em escutar Carlos Alexandre. Deve ser uma seca, o a conversa mais erótica que se deve ouvir nos seus telefonemas é “Maria, no próximo sábado chego a casa a tempo do jantar!”.

 Ainda por cima os intervenientes são um enjoo, a Procuradora-Geral prega-me um susto sempre que a vejo na televisão, o Alexandre gosta de dar um ar de arqueado com o peso das responsabilidades e mais parece o Corcunda de Notredame, o Rosário fuma que nem um desalmado e quando aparece na televisão lembra um calhambeque com asas voando no meio das nuvens.

O mais grave é que esta tortura nacional vai durar mais um bom par de anos, entre adiamentos e julgamentos ainda vamos ver uma sessão de tribunal com Sócrates a queixar-se de bicos de papagaio por causa de tanto correr, o juiz com Alzheimer depois de ter fundido os neurónios com tanto trabalho e o Rosário carregado de uma garrafa de oxigénio por causa do tabaco.

Umas no cravo e outras na ferradura


  
 Jumento do dia
    
Paulo Rangel, admirador incondicional de Barroso

Aproveitar-se da candidatura de António Guterres a secretário-geral da ONU para branquear a fome por dinheiro de Durão Barroso só é explicável porque Rangel ou é doido ou anda a comer sopas estranhas que lhe retiram a lucidez. Ainda vai sugerir que foi Putin que pediu à Goldman para comprar Barroso.

«O eurodeputado social-democrata Paulo Rangel sugeriu hoje que o caso criado em torno da contratação do ex-presidente da Comissão Europeia Durão Barroso pelo banco Goldman Sachs Internacional (GSI) prejudica a candidatura de António Guterres à ONU.

"Há um aspeto que me preocupa", disse Paulo Rangel, referindo-se à "coincidência de datas" com a promoção da candidatura, pela Comissão Europeia, da búlgara Kristalina Georgieva a secretária-geral da ONU, cargo a que o ex-primeiro ministro português António Guterres também concorre.

Paulo Rangel disse ainda que o apoio público manifestado pelo chefe de gabinete do atual presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker a uma eventual candidatura de Georgieva coincide com a tentativa de "enfraquecer uma candidatura portuguesa [à ONU], que é neste momento a mais forte".» [DN]

 Dúvidas que me atormentam a alma

Nos tribunais de instrução os juízes têm de trabalhar aos sábados e domingos porque o trabalho é excessivo e não chegam os dias da semana para que os magistrados assegurem o cumprimento da lei, ou cada juiz decide se lhe apetece trabalhar as horas extraordinárias que entende necessárias para comprar um carro ou uma casa nova?

Se um juiz de instrução pode trabalhar as horas extraordinárias que lhe dá na gana, chegando ao ponto de converter as férias em horas extraordinária, incluindo os dias a que por lei está obrigado a gozar, porque razão este direito é um exclusivo de um tribunal de instrução, não sendo extensível a todos os funcionários públicos?

      
 É o mercado imbecil!
   
«Por ocasião da inauguração da exposição fotográfica Alma de Alfama da artista Camilla Watson, que decorreu na segunda-feira ao final do dia, o presidente da Junta de Freguesia de Santa Maria Maior, Lisboa, deixou alguns recados à câmara municipal e ao Governo. Miguel Coelho lembrou a importância de manter os lisboetas no centro dos bairros típicos da capital e de controlar o crescimento do alojamento local, que está a empurrar os moradores portugueses para fora da cidade.

“Queremos mostrar os nossos rostos, as nossas caras, as pessoas da freguesia, as pessoas do bairro de Alfama, as pessoas que fizeram História e as que continuam a fazer História. Queremos mostrar as pessoas que lutam todos os dias para que Alfama continue a ser Alfama”, defendeu. É este um dos objectivos da exposição, que o o autarca elogia destacando a importância de mostrar a quem visita Alfama, quer aos turistas portugueses quer aos turistas estrangeiros, “as figuras extraordinárias que dão vida ao bairro”.» []
   
Parecer:

Conversa da treta, estará o autarca a referir-se a que moradores de Alfama? Eu conheço alguns que não fazem falta nenhuma nem ao bairro, nem aos turistas do 28.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se a merecida gargalhada»
  
 Têm vergonha do Barroso
   
«Os funcionários europeus vieram demarcar-se do "gesto" de Durão Barroso ao aceitar um cargo no banco que consideram responsável pela crise que se abateu sobre a Europa. Em declarações ao DN, um dos funcionários do grupo informal que lançou uma petição para que o português perca todas as regalias do cargo que exerceu em Bruxelas pede "por favor" para não serem confundidos com o ex-presidente da Comissão Europeia.

"O que queremos é dizer às pessoas, por favor, não pensem que somos todos como o nosso ex-presidente. Já chega sofrermos pela má reputação do trabalho que se faz em Bruxelas. Somos acusados de trabalhar para os grandes grupos ou para os lobistas, mas também temos pensamento próprio e também somos cidadãos europeus e consideramos que há coisas que não podem ser feitas", considera o funcionário da Comissão.» [DN]
   
Parecer:

Também eu tenho.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Lamente-se.»

 Desta vez calou-se
   
«O comissário europeu para a Inovação, Ciência e Investigação, Carlos Moedas, escusou-se esta quarta-feira a comentar a polémica em torno da contratação de Durão Barroso para o Goldman Sachs Internacional (GSI), sublinhando lealdade à Comissão Europeia.

"Não comento decisões tomadas pelo presidente da Comissão [Europeia] por total lealdade à Comissão e penso que não devo comentar essa decisão", respondeu quando questionado sobre o facto de Jean-Claude Juncker ter retirado os privilégios por inerência ao seu antecessor - que passará a ser recebido como lobista em Bruxelas.

"Foi uma polémica que eu já comentei - e já falei também em Portugal sobre isso - e não tenho mais nenhum comentário, não penso que seja bom agora para o país e é apenas mais um episódio que não vale a pena relevar", disse Moedas aos jornalistas, em Estrasburgo.» [Expresso]
   
Parecer:

Se fosse para falar do que não deve falar, como tem feito em relação à politica económica seguida em Portugal, o Moedas falaria pelos cotovelos, mas como está em causa o amigo Barroso até fica engasgado, enfim, até parece que engoliu numa espinha de cherne e esta ficou-lhe atravessada na garganta.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se a merecida gargalhada.»

 Um nome com muito mau gosto
   
«“Os acumuladores” - o título é, por si só, sugestivo. Pertence a um estudo elaborado pelo Observatório da Democracia Interna dos Partidos Políticos do Movimento pela Democratização dos Partidos (MDP) sobre as incompatibilidades dos actuais deputados à Assembleia da República e, segundo os dados coligidos até meados de Maio, o CDS, seguido pelo PSD e depois pelo PS são os partidos em que a percentagem de deputados com actividade profissional fora do Parlamento é mais elevada. No Bloco, nos "Verdes" (PEV) e no PAN não há qualquer parlamentar com actividade fora da Assembleia, no PCP existe apenas um.

Na bancada do CDS, oito dos 18 deputados (44,4%) têm actividades fora do Parlamento, no PSD há 37 em 89 deputados (41,6%) e no PS são 26 em 86 (30,2%).

Com base nos dados coligidos no site da Assembleia da República, onde está a declaração patrimonial e registo de interesses de cada deputado, e no portal da contratação pública, o MDP elaborou um ranking do nível de colisão de interesses para perceber quem são os parlamentares que têm também ligações a empresas privadas, que fazem contratos com o Estado. Essa análise comparativa agregada mostra que o partido com um nível médio mais elevado de colisão de interesses é o CDS, seguido por PSD e PS. “O partido com mais deputados activos em empresas com contratos com o Estado é o PSD (sete), seguido do PS (cinco) e CDS (um). PCP, PAN, BE e PEV não têm deputados nesta preocupante métrica para a transparência e para a isenção das decisões dos deputados no Parlamento”, lê-se no documento.» [Público]
   
Parecer:

Designar deputados que acumulam funções por "acumuladores" sabendo-se que na psicologia um "acumulador" é um doente designado por acumulador compulsivo (Wiki) que acumula lixo revela não só mau gosto como tentações ideológicas mal-cheirosas por parte dos autores do estudo.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Lamente-se o mau gosto. »

 Os transportes xunga que se cuidem
   
«A Cabify, concorrente da Uber, chega ao Porto esta quarta-feira, quatro meses depois de Lisboa. Esta quarta e na quinta-feira, as viagens são grátis. Nos dias seguintes, os clientes terão um desconto de 50%.

Nuno Santos, country manager da Cabify, afirmou, em comunicado, que a empresa está muito satisfeita por “continuar a expandir a nossa atividade no território nacional português”. Nuno Santos acrescentou que a adesão dos clientes lisboetas superou as expectativas e esperam que “a Cabify tenha no Porto a mesma aceitação”.

Os clientes da Cabify poderão efetuar reservas até 30 dias de antecedência. Esta empresa difere também por estabelecer uma tarifa fixa por preço por quilómetro sem contabilizar o tempo da viagem (1,12€/km com um mínimo de 3,5€ por viagem). Nuno Santos sublinha ainda que a empresa “está sediada em Portugal, onde paga os seus impostos” e deverá aumentar a equipa agora que se estreia no Porto – informa o dinheiro vivo.» [Observador]
   
Parecer:

Depois da concorrência da Uber vem aí a Cabify.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»

 Desta vez Sócrates e carlos Alexandre estão de acordo
   
«Não é surpresa. No sábado, dois dias depois do juiz Carlos Alexandre ter concedido uma entrevista à SIC, José Sócrates — sentindo-se visado pela declarações do juiz responsável pela Operação Marquês, o qual acusa de “abuso” de poder — escreveu um artigo de opinião no DN onde assumia: “Dei instruções aos meus advogados para apresentarem as respetivas queixas aos órgãos judiciais competentes.”

O artigo de opinião foi publicado sábado. Esta quarta-feira deu entrada no Tribunal da Relação de Lisboa um pedido de recusa do juiz Carlos Alexandre, interposto por José Sócrates. Enquanto este pedido estiver a ser analisado pela Relação, Carlos Alexandre fica impedido de tomar qualquer decisão na Operação Marquês.» [Observador]
   
Parecer:

É óbvio que o juiz deu a entrevista com o objectivo de sair do processo, pode dizer que o tiraram para ajudar Sócrates e ao mesmo tempo evita uma avaliação do resultado da sua cooperação com a investigação. Uma coisa é certa, depois das declarações que fez não era só do processo que carlos Alexandre devia sair, este juiz não tem condições éticas e morais para estar num tribunal de instrução, onde lhe cabe velar pelo respeito dos direitos constitucionais dos arguidos.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Espere-se para ver.»

 É um folhetim, diz Passos
   
«Pedro Passos Coelho não quer comentar a polémica dos últimos dias sobre a retirada de privilégios em Bruxelas ao ex-presidente da Comissão Europeia Durão Barroso por se tratar de um “folhetim”. “Não é dignificante para a União Europeia a forma como esta matéria tem vindo a ser tratada e não tenciono insistir neste folhetim, que é isso mesmo, um folhetim”, disse o presidente do PSD aos jornalistas no final de uma reunião de preparação para a cimeira de Bratislava em São Bento.


Depois de, esta terça-feira, o eurodeputado Paulo Rangel ter sugerido que o caso criado em torno da contratação do ex-presidente da Comissão Europeia pelo banco Goldman Sachs prejudica a candidatura de António Guterres à ONU, Passos limitou-se a dizer que a discussão estava a “ir longe demais” e garantiu que o assunto não foi tema da reunião desta manhã com o primeiro-ministro António Costa.» [observador]
   
Parecer:

Se Durão Barroso fosse da esquerda já não seria folhetim.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»
  
 Marcelo tira tapete a Barroso
   
«Marcelo discorda de Durão Barroso. Na sua opinião, "a Comissão Europeia não tem posições discriminatórias". O Presidente da República afirmou-o na Bulgária, onde participa numa reunião do Grupo de Arraiolos.

Durão Barroso tinha acusado a Comissão Europeia de ter uma atitude "discriminatória" ao abrir um inquérito na Comissão de Ética à sua contratação pelo banco de investimento Goldman Sachs e, sobretudo, ao ter considerado que passa a olhá-lo como "representante de interesses".

O eurodeputado do PSD Paulo Rangel reforçou a resposta de Durão, concordando estar-se perante uma discriminação de Bruxelas. Agora, o Presidente da República recusa esta tese e prefere apontar para uma leitura mais exigente de Bruxelas face a ex-presidentes da Comissão: "a posição presente ou futura da Comissão Europeia valerá para todos", afirmou.» [Expresso]
   
Parecer:

Pobre Barroso, só Rangel e Passos o apoiam, nem o comissário que veio da Goldman dá a cara pro ele.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»

quarta-feira, setembro 14, 2016

Ficam avisados

Independentemente do que as considerações morais, políticas ou jurídicas que possam ser feitas sobre o que os magistrados e seus assistentes privados no processo Marquês decidiram tornar público uma coisa é certa, os magistrados podem a qualquer momento destruir moralmente qualquer político, não lhes faltam meios para saber os seus segredos de alcofa, nem jornalistas e patrões da comunicação social que os queiram tornar públicos.

Antigamente eram os militares que promoviam e executavam os golpes de Estado, estes eram feitos com tiros e tanques. Agora parece que os tiros são dados pelas canetas dos magistrados e a tropa de infantaria  formada por soldados analfabetos foi substituída por jornalistas que em vez da arte da guerra aprenderam a arte da gramática para serem mais eficazes nas batalhas da “filhadeputice”. 

Dantes muitos governos democráticos estavam condicionados pela chantagem dos militares e isso ainda hoje sucede em muitas partes do mundo, é o caso de países como o Paquistão, o Myanmar, o Paquistão ou a Tailândia. Mas também já á países onde o poder político é refém dos magistrados, veja-se o que está sucedendo no Brasil, onde deputados e governantes são demitidos ao ritmo desejado pelos juízes.

Por cá, as ameaças dos magistrados ao poder não são novidade, há alguns anos a associação sindical dos juízes exigiu ter acesso a todas as despesas feitas pelos membros do governo, feitas com recurso ao cartão VISA oficial. A ideia era apanhar um ministro que tivesse comprado um par de cuecas com dinheiro dos contribuintes e tramar um governo que tinha acabado com o regime de férias escolares dos juízes e que tinha feito um corte de 10% nos vencimentos. Aliás, o próprio Carlos Alexandre se queixou na entrevista dada à SIC dos cortes decretados por Sócrates, como se todo o seu sofrimento para pagar as contas fosse culpa de Sócrates, provavelmente não ouviu Cavaco queixando-se de que as pensões já não davam para as despesas, o que se compreende, o pobre magistrado só trabalha.

Há pouco tempo uma magistrada muito mediática foi a uma estação de televisão avisar que vinha aí uma limpeza, uma espécie de praga do Egipto que apenas atingiria os corruptos, tranquilizava os honestos dizendo-lhes podiam ficar descansados, porque não seriam atingidos pela purga bíblica.  Agora, foi o próprio juiz Alexandre que avisou o país de que sabia de muitos segredos, mas que podíamos ficar descansados. Como os segredos envolvendo crimes contam de processos que mais tarde ou mais cedo são públicos, os perigosos segredos que estão ao cuidado da bondade do juiz Alexandre só poderão ser o refugo dos processos, isto é os segredos de alcofa, mais ou menos o tipo de segredos com que os magistrados têm tentado destruir José Sócrates.

Enfim, os políticos estão avisados, ou se portam muito bem e não incomodam quem não deve ser incomodado, ou se portam muito em ou ficaremos a saber os seus segredos mais pecaminosos, e o país pode enfrentar uma ambiente de devassa como em tempos sucedeu, quando se ficou a saber das amantes do Tomás Taveira.


Umas no cravo e outras na ferradura


  
 Jumento do dia
    
Daniel Bessa

Só mesmo este Daniel Bessa, um rapaz que insiste em ser apresentado como próximo do PS, tirando proveito da notoriedade que este partido imerecidamente lhe proporcionou, se lembraria de dizer que Passos Coelho protegeu os mais pobres. Compreendo que tenha perdido a esperança de embarcar na geringonça e que vá dar graxa a Passos Coelho, mas pelo menos que seja rigoroso. Já agora, não lhe faria mal nenhum em começar a assumir-se como alguém de direita.

«Na sua opinião, o governo de Passos Coelho foi “altamente social-democrata” porque “protegeu os mais pobres”, e o último ministro de que se lembra capaz de tal feito terá sido Luís Mira Amaral, também ele um social-democrata num Governo de Cavaco Silva…» [Observador]

 Dúvidas que me atormentam a alma

Da próxima vez que morrerem bombeiros num acidente durante um combate a um incêndio a Catarina Martins irá exigir o encerramento das companhias de bombeiros?

 A carta que nos envergonha enquanto portugueses

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 Confessions of a presidential speechwriter
   

If Jean-Claude Juncker goes off script in this week’s State of the Union, spare a thought for the poor soul who put the speech together.


«A little over five years ago, I gave up my job as a British civil servant and a place in the U.K. immigration line to take a job as a speechwriter for José Manuel Barroso, then president of the European Commission.

It was an honor to join the president’s team — that word “president” was so hard to say no to. In my mind’s eye, I was already striding purposefully from meeting to meeting, pen in hand, ready to project European leadership on the Arab Spring, help save the eurozone, and nail the holy grail of speechwriting: a State of the Union speech.

But as we began work on the speech, the European equivalent of the U.S. president’s address to Congress, I discovered that reality was less “West Wing” and more “The Office.”

The idea behind the State of the Union speech was to combine a rallying cry for Europe with to-do lists for the EU institutions. Barroso had given the first one the year before, delivering an address that had lacked everything a speechwriter aims for: glamor, brevity, levity and legitimacy. The writers knew it, and had shared their concern with communication colleagues across the Commission.

This year was going to be different — or so we told ourselves.

The drafting process got underway in May, when a group of four officials convened to begin research for this unnamed project.

Beyond me, the group included Commission Secretary-General Catherine Day, Barroso’s Head of Cabinet Johannes Laitenberger and the Head of the Spokespersons’ Service, Koen Doens. Other Barroso speechwriters as well as the head of the president’s think tank and former MEP Margaritis Schinas — now the Commission spokesperson — joined later meetings.

When I’d drafted something, I would file it in the system where it would ping-pong between top officials. Barroso himself didn’t appear at our meetings, except once, and then only briefly. What he was looking for — if he expressed it to anyone — was never communicated to me. It felt like writing for a black box. Once in a while, someone would come back to me with critiques or suggestions, but it was unclear if any of it came from Barroso.

Still, I consoled myself that Barroso at least allowed the existence of speechwriters. His foreign policy chief, Catherine Ashton, refused such support, preferring to jot her first draft of history in bullet points en route to the podium.

Effective speechwriting is a fine balance between drafting and inspiration. Winging it doesn’t work for most speakers, but neither does overplanning.

“If you hit on the story too soon in the process, you destroy it in the end,” says Vincent Stuer, who worked on Barroso’s 2013 State of the Union speech. “It means you rewrite it so many times that even the best speech will get ruined. Catching the story is not the thing. Getting it safely to harbor is the key.”

Stuer’s advice is simple: “There should be maximum of three people holding the pen. If you don’t get that right, it will always be crap at the end.”

Team Barroso in 2011 had well over half a dozen pen-holders.

Indeed, there were so many meetings, with so many different groupings of people, that at least 16 versions of the speech were produced before the president even read one.

To help overcome Barroso’s reluctance to focus on the speech — to be fair, he was quite busy helping hold the eurozone together that summer — his main advisers agreed that I could accompany him to Australia and New Zealand in early September, three weeks before the big speech, in order to pin him down for his thoughts.

My mission was an unmitigated disaster.

Barroso had little time for me. He stayed by himself in his first-class cabin, relegated me to the rear car of the motorcade and left me begging his security detail to slip drafts under his hotel room door.

One low point came towards the end of the trip when, after Barroso gave a speech at a casino in Auckland to Pacific Island leaders, the motorcade left without me. Clutching his discarded cue cards, I walked back alone to the hotel along the city’s hilly streets.

Barroso either willfully ignored me or didn’t seem to know what I was there for.

Turned out, getting noticed would be worse. That same trip, in the VIP lounge at Singapore airport, I tried to corner Barroso on the speech but he didn’t want to talk. He instead wanted me to research links between his family and a wine region in Australia called the Barossa Valley. There being no such link, I produced a list of “10 things you don’t know about Australia” to distract and amuse him. He was not amused.

Left alone in the VIP suite as Barroso met with the Singaporean prime minister in another suite, I thought there was no point in writing yet another draft of the speech. So I decided instead to a take a bath in Barroso’s private bathroom, the only one available, to refresh after the 12-hour flight from Europe. There was just one problem: After I was done, the bathtub refused to drain.

I desperately called in hotel staff, trying to express in the strongest possible terms that the water had to leave the bathtub. We failed, and Barroso returned to a tub full of soapy bathwater.

For four months, I had seen people come and go from the core speechwriting group, invited and disinvited from meetings, as they came in and out of favor.

This time, it was my turn be disinvited to the next State of the Union meeting. I returned to Brussels empty-handed and Barroso never spoke to me again. I was left to tweet bits from the televised speech from inside my gray Brussels office until my boss eventually put me out of my misery and told me to find another job.

So, on Wednesday, if you hear Jean-Claude Juncker going off-script in the 2016 State of the Union or see a young suited figure grimace at the edge of the stage — spare a thought for them. That could be a lonely speechwriter, wondering whether they’ll ever get it right.» [Politico]

Ryan Heath, senior EU correspondent at POLITICO, writes the Brussels Playbook. He has written two books, including “Please Just F* Off, It’s Our Turn Now,” and was speechwriter for Barroso and former Commission Vice President Neelie Kroes.
   
Autor:

Ryan Heath.

      
 Investigador apressado
   
«Alguns militares do 127.º curso de Comandos, a que pertenciam os recrutas Hugo Abreu e Dylan da Silva, estavam a ser monitorizados do ponto de vista fisiológico, através de um projeto desenvolvido pelo Laboratório de Biomecânica do Porto em parceria com o Exército. Ao Observador, o investigador Mário Vaz, responsável pelo projeto, explica que a equipa ficou “tão surpreendida como toda a gente” com as mortes e os internamentos, visto que “não foi registada nenhuma anomalia”.

Os investigadores escolheram alguns militares do batalhão “ao acaso” (nenhum dos que tiveram problemas fazia parte desta amostra), que foram equipados com uma série de instrumentos que permitiam recolher dados como ritmo cardíaco, temperatura interna, e atividade física. O objetivo era obter uma “avaliação da resposta fisiológica ao esforço, em contexto térmico adverso”. Ou seja, “como é que o organismo humano responde quando está sob carga física e psíquica, em condições térmicas adversas, como muito frio ou muito calor”, esclareceu o investigador. A equipa esperava criar “um modelo que permitirá simular numericamente o mecanismo que nos permite controlar a nossa temperatura”.» [Observador]
   
Parecer:

Porque será que este senhor investigador se tem desdobrado tentando sugerir que a morte dos soldados resulta de problemas de saúde dos mesmos, em vez de esperar pelas conclusões dos inquéritos que estão a decorrer. A verdade é que os incidentes ocorreram debaixo das suas barbas, podia estar a monitorizar a temperatura de uma amostras de soldados e esses não tiveram problemas, senão também estariam doentes. Mas, parece que se esqueceu de monitorizar o esforço acumulado e a temperatura ao sol, já que é ao sol que estes exercícios decorrem.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sugira-se ao senhor investigador que respeite os mortos e fique calado.»
  
 O Montenegro tem propostas
   
«O líder parlamentar do PSD, Luís Montenegro, encerrou esta terça-feira as jornadas parlamentares do PSD, em Coimbra, a anunciar que nas próximas semanas vão dar entrada na Assembleia da República “mais de 20 propostas” sobre vários setores. O objetivo, disse, é mostrar ao país que o PSD “quer construir uma alternativa política forte e mobilizadora”, que não está preocupado com a “popularidade do dia-a-dia”.

“Queremos construir uma alternativa política forte e mobilizadora, não numa base de popularidade do dia-a-dia mas a pensar no que no futuro pode ser uma sociedade mais justa”, disse o líder parlamentar, que pediu aos deputados da sua bancada para “renovarem o seu empenho” na nova sessão legislativa que arranca esta semana.

Segundo Luís Montenegro, as várias propostas que vão dar entrada na Assembleia da República nas próximas semanas passam pelos vários setores, nomeadamente o sistema eleitoral, a área dos territórios de baixa densidade e coesão territorial, área do arrendamento urbano, voluntariado, educação, saúde, cultura e património, economia e investimento, e ainda assuntos europeus. A ideia, reforçou, é “propor opções concretas para que os portugueses possam perceber a formação de uma outra alternativa política”.» [Observador]
   
Parecer:

Resta saber se nada propõe no OE para mais tarde apresentar propostas com impacto orçamental.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «pergunte-se ao Montenegro qual o impacto financeiro das propostas que vai apresentar.»
  

terça-feira, setembro 13, 2016

O franciscanismo ideológico

Ao contrário do que sucede noutras paragens, onde a riqueza e o sucesso são mais apreciados, nestas bandas, onde impera aquilo a que designam por catolicismo profundo, damos grande importância à pobreza enquanto símbolo de pobreza. É um tique que Salazar promoveu e ainda hoje o ditador é referido como um modelo de político que não enriqueceu.

Cavaco Silva que tem uma luxuosa habitação de férias adquirida em condições muito originais foi outro mestre nesta imagem do político austero, que não enriquece. Mesmo apoiando de forma quase cega a política de austeridade chegou a queixar-se dessa mesma austeridade, afirmando que as pensões da família não davam para as despesas.

Veja-se o exemplo de Passos Coelho que vai para a praia de xanatas, um modelo de virtudes se comparados com os famosos sapatos de marca de Sócrates. Mas o melhor exemplo de fanciscanismo extremo foi-nos dado por esse modelo nacional de virtudes em que Carlos Alexandre se quis transformar. 

Esta cultura miserável em que quem vive no mundo privado é admirado pela riqueza que tem e exibe, enquanto no exercício de funções publicas deve-se fazer provas de fanciscanismo, valorizando-se os sinais de pobreza leva a uma forma de estar miserável e à promoção colectiva de gente miserável.

Mais grave do que se exigir que todos nos apresentemos como o tenente Columbo, detective da polícia de Los Angeles numa série com o mesmo nome, é a promoção desta forma miserável de estar. No sector privado devemos admirar quem mais ganha, no sector público devemos desconfiar de quem usar meias limpas.

A pobreza não é uma virtude, não é virtuosa, nem é algo que se deseje ou possa ser exibido como qualidade. E ser pobre é algo muito diferente de ser humanamente miserável. O grave nesta forma de certificar o miserabilismo como qualidade enquanto cidadão não é casual, enquanto colectivo e ao perseguirmos qualquer sinal de riqueza de quem exerce funções públicas estamos a criar um determinado estereótipo de político, de juiz de funcionário.

Não admira que comecem a aparecer anormalões a apresentarem-se como modelos nacionais merecedores da confiança nacional.



Umas no cravo e outras na ferradura



 Jumento do dia
    
Luís Montenegro, líder parlamentar do PSD

A fome de Durão Barroso por ganhar dinheiro levou-o a uma decisão que para muitos portugueses é motivo de vergonha nacional, isto para não recordar os negócios que a Goldman fez em Portugal no seu tempo e que quando Sócrates lhes pôs fim mereceu muitas críticas por parte do PSD.

Montenegro pode muito bem concordar com as opções de Barroso e só le fica bem defender publicamente os amigos e os que actuam segundo os seus valores éticos. O que não pode é questionar aqueles que são mais exigentes nesse plano do que ele.

«De acordo com uma notícia divulgada no domingo à noite pelo Expresso e Financial Times, Durão Barroso deixará de ser recebido em Bruxelas como ex-presidente da Comissão Europeia, e terá de dar explicações ao executivo europeu sobre a sua relação contratual com a Goldman Sachs Internacional, na qual assumirá funções de presidente não-executivo.

Questionado pelos jornalistas sobre esta polémica, Montenegro escusou-se a fazer um comentário direto.

"É um espetáculo que não abona nada em favor das instituições europeias, creio que é um assunto que não merece ser mais ampliado do que o que é pela força das intervenções dos principais protagonistas das organizações europeias", referiu, em declarações aos jornalistas em Penela.» [Notícias ao Minuto]

 Quanto ganhará o pobre saloio de Mação?

Quem ouviu Carlos Alexandre fazer votos de pobreza, diria mesmo que votos de miséria (e talvez não apenas financeira) teve de pensar duas coisas, ou o pobre juiz ganha tão mal que tem de se desunhar a trabalhar para dar de comer aos filhos, ou gasta acima das suas possibilidades.

Como o homem só gosta de mostrar o que lhe convém e da forma que lhe dá jeito sabemos apenas que tem poucos amigos, que talvez seja casado, que tem dois créditos hipotecários, que poderão ser de duas casas ou de uma casa e de um carro, que tem de trabalhar todos os dias da semana e não goza férias. Partimos do princípio de que não é alguém miserável que não come por considerar um desperdício o que se perde na casa de banho, pelo que temos de ficar preocupados por a justiça ser entregue a gente forçada a votos de pobreza.

Assim, aqui fica um desafio ao juiz Alexandre, que torne pública a sua declaração de IRS, bem como a da sua esposa, na hipótese de ser casado e de a senhora ainda não ter abandonado alguém que ganha tão miseravelmente que não parece ter tempo para a famílias.

A acreditar nas queixas de Carlos Alexandre não se admirem se forem a um tribunal e virem gente do povo carregada com caixas de fruta, cabazes de peixe ou galinhas vivas para oferecerem aos juízes, não vão os pobres coitados estarem a passar fome.

É bom recordar que os juízes como Carlos Alexandre ganham bem acima da média das remunerações do Estado e que o pobre juiz beneficia de um subsídio de residência desde que entrou na carreira e apesar de há muitos anos trabalhar na localidade onde reside e que esse subsídio absurdo não está sujeito a IRS.

Acontece que os rendimentos do juiz mais pobre de Portugal nem sequer são segredo, foi ele próprio que os revelou em declarações ao Tribunal da Relação.

«O magistrado revelou que que, em tempos, teve rendimentos mensais de cerca de 10 mil euros. Hoje estão reduzidos a oito mil: recebe cerca de 4 mil euros pelas funções que acumula enquanto juiz, a que soma mais dois mil euros do salário da mulher, funcionária das Finanças, e dois mil euros provenientes de arrendamentos de imóveis e da reforma da sogra, que mora consigo, com a mulher e com os seus dois filhos numa vivenda em Linda-a-Velha, comprada em 2006 através de um empréstimo de 400 mil euros contraído junto da CGD. Com a casa, contou, despende 2000 euros por mês.

Ainda segundo o jornal "i", a casa de Linda-a-Velha não é o único bem que tem em seu nome. Há mais de dez anos investiu num apartamento no Carvoeiro. Novamente através de empréstimo bancário, de 100 mil euros, e da mesma instituição. Todos os meses, pelo menos 600 euros servem para pagar este crédito.» [Expresso]

por estes números percebe-se que o pobre juiz estava a gozar de mais de 90% dos portugueses que ganham muito menos do que o seu agregado familiar.
 
 Barroso deixa de andar nos tapetes vermelhos de Bruxelas

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mais sorte tem Maria Luís Albuquerque que anda nos tapetes vermelhos do parlamento ao mesmo tempo que trabalha para uma financeira inglesa. Note-se que a Comissão também concluiu que no caso de Barroso não existia qualquer conflito de interesses.

      
 Cristas candidata-se a não ter Passos ao lado
   
«Geringonça é uma caranguejola que armada em engenhoca teima em andar. Ok, isso já sabemos. Agora o que falta é encontrar o nome para um calhambeque que encalha algures enquanto parte da carripana vai à conquista da Câmara de Lisboa. Ok, cá ficamos à espera do palavrão que os jornalistas vão pôr nos títulos, com a sua tanta graça e profundidade de análise.

Entretanto, Assunção Cristas candidatou-se. A pressa foi tanta que nem esperou para chegar a Sacavém (às portas da Praça do Município): ela anunciou a candidatura em Oliveira do Bairro (a 252 km de Lisboa). "PAF!", não é porque a bofetada é dada longe que não dói.

Basicamente, o que Assunção Cristas disse foi: "Candidato-me a não ter o Passos Coelho como meu parceiro." Por isso se apressou, não fosse o outro atrelar-se. O coiso (aqui eu poria o tal palavrão se já tivesse sido inventado), o coiso já de si arrasta-se - ser obrigado a levar um peso morto passaria a penoso.

Daí Cristas ter-se desligado da coligação de direita - como uma roda que se põe a andar sozinha estrada fora depois do choque da carripana. Carlos Carreiras, o coordenador autárquico do PSD, desejou ironicamente boa a sorte à futura "vereadora". Ironia à parte, é claro que para Cristas, antes ser vereadora do que ficar a ver navios.

Conclusão: o CDS concorre sozinho para medir forças com o PSD e, nesse confronto, sair a ganhar alguma coisa nas autárquicas. Prefere isso a concorrer coligado com o PSD e terem ambos uma derrota certa. Não se sabe o que vai acontecer no outono de 2017, mas que foi isso que, neste fim de verão, determinou a decisão do CDS, foi.» [DN]
   
Autor:

Ferreira Fernandes.

      
 Brinquem, brinquem
   
«Em declarações ao DN, o coordenador autárquico do PSD, Carlos Carreiras, afirma que o partido regista a disponibilidade da líder do CDS "avançar de forma normal e serena". E completa: "Não é um drama, nem algo que nos venha prejudicar. Irá beneficiar o futuro executivo municipal da CML com a sua competência, num cenário de acordo pós-eleitoral." Que é como quem diz: Cristas poderá sonhar ser vereadora de um eventual presidente social-democrata. Mas a própria apresentou-se no sábado como "candidata à presidência da Câmara Municipal de Lisboa".

Quem não alinha nesta visão é o antigo líder do PSD, Luís Marques Mendes, que nota que o avanço da líder centrista "enfraquece o PSD". No seu espaço de comentário na SIC, Marques Mendes é claro na sua leitura: "Esta candidatura é também uma candidatura contra o PSD. É quase um xeque-mate ao PSD. A partir de agora o PSD fica numa situação muito difícil."» [DN]
   
Parecer:

A verdade é que uma candidatura de Assunção Cristas não só a projecta em termos nacionais face a um Passos cada vez mais apagado, como compromete ainda mais uma vitória do PSD em Lisboa e isso significa um passo atrás numa candidatura de Santana Lopes, que não vai querer correr o risco de ficar desempregado. pois no momento em que se candidatar terá de largar a Santa Casa e deixar de ganhar algum na televisão.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Espere-se para ver.»
  
 Depois da academia, a aposta do SCP é num lar
   
«“O meu objetivo é que Ronaldo termine a carreira como jogador do Sporting”, este é o desejo que o presidente do Sporting revelou nesta entrevista que ficou pautada pelos temas: Liga dos Campeões, Cristiano Ronaldo e Jorge Jesus.» [RTP]
   
Parecer:

A não ser que o Real empreste Ronaldo a partir de Janeiro.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»