sábado, setembro 24, 2016

Receituário ideológico

Catarina Martins tem grandes semelhanças com Passos Coelho, cada um á sua maneira são artistas de teatro, ambos revelam grande preocupação com os mais pobres, sabem sempre a solução para tudo na ponta da língua, se alguém sugerisse que tinham sido separados á nascença ainda levaria muito boa gente a pensar que estaria a falar verdade.

Mas o que mais os une é o facto de não pensarem os problemas, sempre que lhes é colocado um problema ambos se socorrem do seu receituário ideológico, ambos estão certos de que a sua ideologia tem um fundamento científico e a partir da meia dúzia de princípios elementares se chega sempre à melhor solução. Chegam sempre ou quase sempre á solução oposta porque usando o mesmo método supostamente científico partem de premissas diferentes. Catarina bebeu o socialismo científico, Passos digeriu de forma elementar e sem pensar muito o liberalismo económico que lhe terá sido explicado por Carlos Moedas ou António Borges.

Para Passos privatizar a saúde ou a EDP não deve ser um problema económico ou social, aliás, para Passos pouco importam as consequências a curto prazo, disseram-lhe que privatizar é promover a democracia económica e, portanto, esta solução é a melhor. O mesmo que anda com livros sobre Salazar debaixo do traseiro, usa o termo “democracia” para justificar as suas alarvidades ideológicas.

Catarina usa o mesmo pensamento científico e basta que lhe seja colocado qualquer problema, não é necessária qualquer reflexão pois o seu modelo ideológico é de carregar pela boca, mete-se o problema e o tiro é imediato. Morreram dois comandos? Acabam-se com a companhia de comandos. Um raciocínio brilhante se, de vez em quando não morressem bombeiros, condutores de ambulâncias, polícias e muitos outros profissionais.

Umas no cravo e outras na ferradura



  
 Jumento do dia
    
António Leitão Amaro, deputado do PSD

António leitão Amaro acha que um imposto sobre o património deve ter em consideração apenas a dimensão e pouco mais, como se a avaliação dos prédios urbanos fosse indiferente a uma grande multiplicidade de factores, incluindo a exposição ao sol ou a localização. Mas parece que o deputado prefere um imposto com critérios cegos que conduza a injustiça.

«Não conseguindo acabar de imediato com o artigo que aumentou o cálculo do coeficiente da localização dos imóveis, o PSD ameaça levar o que chama de “imposto do sol e das vistas” ao Tribunal Constitucional, pedindo a sua fiscalização sucessiva. O anúncio foi feito pelo deputado António Leitão Amaro no momento da votação em que a esquerda chumbou o projecto de resolução social-democrata que pedia a cessação daquele artigo.

Apesar deste chumbo, o diploma de 1 de Agosto que introduziu alterações ao IMI (Imposto Municipal sobre Imóveis) e outras tributações como o IUC (Imposto Único de Circulação) segue agora para a discussão na especialidade em comissão, já que foram apresentadas algumas alterações pelos partidos.

António Leitão Amaro especificou ao PÚBLICO que o PSD vai insistir, na especialidade, na proposta de eliminação do artigo. Se a esquerda recusar então o pedido de fiscalização sucessiva seguirá para o Palácio Ratton com o argumento de que há uma “inconstitucionalidade formal e procedimental” naquela norma por não terem sido ouvidas as associações de municípios (ANMP) e de freguesias (Anafre) que, pela lei, têm que ser consultadas já que o IMI é um imposto de âmbito municipal.» [Público]

 Passos e a crise

Confrontado com o seu discurso no congresso do PSD onde fala com o se fosse um militante extremista do E, defendendo um imposto especial sobre o imobiliário, Passos Coelho mete dos dedos pelas mãos e justifica-se dizendo que o país atravessava uma situação de crise. O que ele se esquece de dizer é que aumento o IRS mas não aumentou qualquer impostos sobre o imobiliário, mesmo em situação de crise.

 O livro do Saraiva

O que mais impressiona no livro do Saraiva (aqui) não são as baboseiras do artista, é o nível de promiscuidade entre a classe política e este arquitecto do jornalismo.

Três exemplos da prosa da personagem:


«Como disse atrás, Manuel Monteiro estava com dificuldade em ter filhos. Depois de um almoço no Pabe, enquanto finalizamos na rua, frente à porta do restaurante, a conversa iniciada no interior, passa por nós uma jovem não especialmente bonita. Pois M. M. fica a olhar para ela insistente e ostensivamente, seguindo a com os olhos até desaparecer. Foi como se me dissesse: a minha mulher tem tido dificuldade em engravidar, mas eu sou muito viril.»

«Também me contou que a mulher de Durão Barroso teve uma paixoneta por ele. Foram todos colegas na universidade, ela um dia procurou o no escritório, mas ele sempre respeitou as distâncias. Ainda sobre Durão Barroso, Santana dizia: «Eu tenho fama de mulherengo, mas ele é que tem o proveito.» Acredito que tivessem ambos...»

«Em almoço no Pabe, Santana Lopes conta me um pitoresco episó¬dio. Estava a passar férias no Algarve, onde todas as noites ia à Casa Redonda de André Gonçalves Pereira, na Quinta do Lago. Por volta da meia noite saía, metia o carro por um campo lavrado e ia pelas traseiras até casa de uma hospedeira que tinha conhecido num avião. A rapariga tinha 18 anos, estava a passar férias com a mãe, que não a deixava sair tão tarde. Então saltava de casa por uma janela ao encontro de Santana Lopes, que a esperava no carro, e partiam os dois. Uma verdadeira história de Romeu e Julieta. Que ainda não acaba aqui. Na casa de André Gonçalves Pereira reunia se todas as noites um numeroso grupo, onde se incluíam Cinha Jardim e o marido. Ora, Santana Lopes começou a perceber que Cinha se irritava quando ele saía por volta da meia noite. E isso para ele foi um sinal de que Cinha se interessava por ele. Daí a deitar lhe a mão foi um instante. E a jovem hospedeira ficou a ver navios (ou aviões). Quem ri no fim... Uma nota final: Santana Lopes na altura era secretário de Estado da Cultura. O que aconteceria se fosse»

 Explicar um antes e um depois a Durão Barroso

Na tentativa de se defender Durão Barroso está fazendo aquilo que se designa atirar caca para a ventoinha, anda a sujar tudo e todos, incluindo o carlos Moedas, para defender o seu nome. *Para Durão Barroso trabalhar na Goldman Sachs e depois ser dirigente numa instituição europeia é a mesma coisa que ser presidente da Comissão e depois ir para o Goldman Sachs.

Digamos que Durão Barroso acha que o Carlos Moedas pode usar os seus conhecimentos do Goldman para corromper um funcionário do banco que ele nomeou e daí conseguir benefícios para a União Europeia.- Segundo esta lógica um funcionário de um banco ou de qualquer entidade não poderia exercer um cargo público.

Durão Barroso acha que o debate internacional é o mesmo que fazia quando manipulava a comunicação social. 

      
 Instrutores ou assassinos
   
«O furriel Hugo Abreu, um dos dois comandos do Curso 127 que morreram no início de Setembro, foi obrigado a comer terra já depois de entrar em convulsão, de acordo com a mãe, ouvida pela RTP. Ângela Abreu acusa o Exército de ocultar a verdade, nomeia um sargento de nome "Rodrigues", e diz: “Ele é que pode dar as respostas” sobre as causas da morte do jovem, que aconteceu no mesmo dia da prova, domingo, 4 de Setembro. No sábado seguinte, Dylan Silva, colega do mesmo curso e da mesma prova, viria a morrer no Hospital Curry Cabral quando aguardava um transplante de fígado.

A RTP ouviu vários instruendos do curso 127 dos Comandos, que também participaram na prova naquele domingo em que as temperaturas atingiram os 42 graus. Falam sob anonimato e confirmam a versão da família. Um deles descreve os momentos seguintes à forte indisposição do colega: Hugo Abreu já estava “próximo da inconsciência, com imensas dificuldades respiratórias e foi forçado a engolir terra”.

O furriel morreu às 21h45 na enfermaria de campanha criada para o curso. Foi vítima de uma paragem cardio-respiratória ainda na enfermaria de campanha criada para assistir o curso de comandos 127. De acordo com a RTP, o INEM chegou sete horas depois de o jovem ter ficado inconsciente. Na investigação do programa Sexta às 9, testemunhas que falaram isoladamente com a estação, sem saberem que outros colegas estariam também a ser ouvidos, confirmam a versão da família. » [Público]
   
Parecer:

Se o que a mãe do militar conta é verdade os instrutores dos comandos são assassinos e a hierarquia militar tem muitas explicações a dar.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Aguarde-se pela conclusão das investigações.»
  
 Olhem quem se lembrou de que é português
   
«Na sua qualidade de ex-presidente da Comissão Europeia, assim como ex-primeiro-ministro de um Estado-membro, Durão Barroso teria o direito a um 'tratamento VIP' pelos líderes e instituições europeias em Bruxelas, mas devido ao seu novo cargo será tratado como um representante de interesses e  terá de dar explicações ao executivo europeu sobre a sua relação contratual com o banco.

“Sei que o Goldman Sachs é um nome controverso, mas como são controversos o nome de praticamente todos os bancos internacionais […] Aceito algumas críticas, mas não aceito outras”, disse aos jornalistas após uma conferência em Cascais.

"O que eu não aceito é que se procure criar uma discriminação contra uma entidade financeira que opere nos mercados devidamente legalizada e regulada e também não aceito que haja discriminação em relação a mim", condenou.

"Não posso aceitar que outras pessoas que estiveram na Comissão, inclusive o presidente da Comissão Europeia, tenham trabalhado para o Goldman Sachs e contra mim haja, talvez seja por ser português".» [Notícias]
   
Parecer:

É preciso lata para se lembrar de usar a nacionalidade para se defender.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se a merecida gargalhada.»
  

sexta-feira, setembro 23, 2016

Ó Subir Lall, vai à bardamerda

Subir Lall, controleiro da Madame Lagarde para Portugal, deve achar os portugueses são uns atrasadinhos e, por isso, de vez em quando, sente-se na obrigação de dar umas explicações aos indígenas deste país. Como estes senhores do FMI não sabem muito bem o que é uma democracia o Subir Lall gosta muito de mandar recados quando acha que pode ser politicamente útil aos que defendem que a melhor forma de resolver os prolemas do país é tirar o escalpe a trabalhadores e pensionistas.

Desta vez este alarve é manchete em muitos jornais dizendo que já não há tempo para corrigir o défice deste ano. Enfim, o Senhor de la Palice dão teria conseguido ser tão brilhante a dar esta lição de política orçamental ao país. Mas o que o imbecil do Subir Lall não diz é que há muitos truques orçamentais. E é uma pena pois Passos Coelho e um tal Núncio manipularam os dados das receitas fiscais de 2015 para criarem a ilusão do reembolso da sobretaxa.

Subir Lall sabe muito bem que as contas de 2015 foram aldrabadas com a manipulação dos reembolsos do IVA, bem como com taxas de retenção na fonte de IRS muito superiores às devidas, com o objectivo de empolar as receitas fiscais de 2015. Porque é que o senhor Subir Lall ficou calado em 2015 e aparece agora a dar conselhos? Porque é que diz que uma boa parte do défice qe se venha a registar em 2016 resulta do grande volume de receita negativa (reembolsos de IVA e IRS transferidos para 2016) varrida para debaixo do tapete do OE de 2016?  

Mas o que o senhor Subir Lall devia fazer era explicar porque razão os conselhos do FMI para Portugal foram desastrosos, isto é, devia assumir a sua incompetência em relação ao que andou a fazer em Portugal. A verdade é que Subir Lall não tem qualquer credibilidade técnica e alinhou na transformação de Portugal para uma experiência falhada de política económica.

Este idiota acha que Portugal é um país do terceiro mundo onde um governo não obedece a regras constitucionais, podendo decidir com a mesma ligeireza entre aumentar a taxa do IVA ou cortar 25% dos rendimentos dos funcionários públicos. Ainda por cima insiste a chamar a isso uma reforma da despesa do Estado. Com idiotas como este não há espaço para uma discussão séria dos problemas e resta-nos responder-lhe como faria o saudoso Almirante Pinheiro de Azevedo, o Subir Lall que vá à bardamerda, ele mais a Madame Lagarde.
 

Umas no cravo e outras na ferradura


  
 Jumento do dia
    
Durão Barroso

Durão Barroso confunde sair de um banco para uma instituição europeia com o percurso inverso e defende-se atirado caca para cima do presidente do BCE. Porque será que em vez de ter atingido o presidente do BCE não disparou sobre o seu amigo Carlos Moedas, o comissário europeu que veio do Goldman para vender empresas públicas, e entre estas algumas tiveram o Goldman Sachs como comprador?

      
 2,2 ou 2,5%
   
«O Fundo Monetário Internacional (FMI) insiste que são precisas "mais medidas adicionais" para que Portugal cumpra a meta do défice com que se comprometeu para este ano, de 2,2% do Produto Interno Bruto (PIB).

No relatório hoje publicado pelo FMI relativo à missão a Portugal ao abrigo do artigo IV e à quarta missão de monitorização pós-programa, que decorreram em simultâneo de 15 a 29 de junho, a instituição reitera um aviso que tinha feito já a 30 de junho: "É improvável que os objetivos orçamentais de 2016 sejam alcançados sem medidas adicionais", um aviso que a Comissão Europeia também tem vindo a repetir.

Para o Fundo, a meta de reduzir o défice para os 2,2% em 2016 (depois de em 2015 ter ficado nos 4,4% incluindo a recapitalização do Banif) "parece estar em risco na ausência de medidas adicionais que apoiem a restrição da despesa".» [DN]
   
Parecer:

A UE exige 2,5 e o FMI quer 2,2% como se uma meta orçamental nacional passasse a ser uma exigência acordada com Portugal? Anda aqui mão do Gaspar...
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se a merecida gargalhada.»
  
 Passos foi o amigo dos pobres, disse Daniel Bessa
   
«Portugal foi o país da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) que mais aumentou a carga fiscal para os trabalhadores com baixos rendimentos em 2015, com a organização a afirmar que a introdução do crédito fiscal nesse ano tirou progressividade à tributação do trabalho.

Num relatório sobre reformas fiscais em 2015 divulgado esta quinta-feira, a OCDE conclui que, “depois de vários anos de aumentos anuais”, a carga fiscal sobre o trabalho estabilizou na média dos países da organização.

No entanto, no que diz respeito aos trabalhadores com baixos rendimentos, a carga fiscal sobre o trabalho “baixou ligeiramente” entre os países da OCDE, uma redução que acabou por ser pequena, por ter sido anulada pelo aumento num conjunto de países, que Portugal lidera.» [Observador]
   
Parecer:

Mas que grande amigo!
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se conhecimento a Daniel Bessa.»

 Uns juntam com o bico, outros espalham com as patas
   
«O líder parlamentar do PCP sugeriu hoje num artigo de opinião do jornal "Avante!" que uns partidos que fazem parte da atual solução governativa andam a "juntar com o bico" e o BE a "espalhar com as patas".

A propósito da polémica sobre o eventual novo imposto sobre o património de luxo e o protagonismo assumido pela deputada bloquista Mariana Mortágua, João Oliveira titula o texto com a frase final: "Ainda que, às vezes, pareça que andam uns a juntar com o bico e outros a espalhar com as patas...".

"Para o PCP, é essencial uma política que combata a injustiça fiscal, é necessária a consideração adequada de cada imposto nas suas implicações económicas, de receita e de justiça fiscal, critérios que obviamente devem aplicar-se também aos impostos sobre património de valor muito elevado e a avaliação terá que ser feita globalmente e não imposto a imposto", defende o deputado comunista João Oliveira.» [DN]
   
Parecer:

Uma crítica certeira como poucas.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Aprove-se.»
  

quinta-feira, setembro 22, 2016

Que modelo económico?

Passos Coelho tenta passar a ideia de que a austeridade é uma solução única e uma opção de política económica. Por austeridade deve entender-se todas as opções que adoptou a coberto da troika e que foi muito mais do que reequilibrar as contas públicas. Também não se pode reduzir a política brutal de Passos a uma política de empobrecimento, ainda que do ponto de vista global a recessão se tenha traduzido no empobrecimento do país.

A direita mais conservadora, por oposição aos social-democratas e todas as correntes de esquerda ou do centro direita, defende que o crescimento consegue-se com uma competitividade alimentada por salários baixos. É um modelo de política económica que em situações de crise defende reduções salariais para aumentar a competitividade, em situação de crescimento defende a manutenção dos salários para não prejudicar a competitividades.

Essa direita, que até há uns anos andava escondida, que depois se disfarçou de liberal e que com o governo anterior assumiu-se com Passos como líder, apoiado na ajuda teórica de personalidades como António Borges e Vítor Bento, ou mesmo de um tal Daniel Bessa, antigo ministro do PS e que hoje parece ser um devoto do líder do PSD, faz da política económica um instrumento de redistribuição injusta do rendimento. Consideram que mais couber aos ricos mais cresce a economia e, por sua vez, os ricos ficam ainda mais ricos. 

Aqueles que entendem que a política económica não deve ser um instrumento de redistribuição dos rendimentos em favor dos mais ricos, consideram que não há crescimento económico sustentado, nem desenvolvimento com com aumento da injustiça social. Uma melhor redistribuição do rendimento é um modelo económico e social mais moderno, capaz de gerar empregos qualificados e promover empresas mais competitivas porque aposta na qualificação dos que trabalham.

Os que acham que os governos estão ao serviço dos muito ricos ficam muito preocupados porque um chinês que tinha a intenção de comprar uma vivenda de luxo mudou de ideias, mas regozijam-se porque milhares de quadros abandonam o país, alguns, como o fez Paulo Rangel, chegam a propor a criação de uma agência nacional para ajudar a esta fuga de quadros.

Para este modelo económico a aposta deve ser na mão-de-obra sem qualificações, pouco importa se o país empobrece em relação aos países mais desenvolvidos, o que importa é que esse modelo é o que melhor se adequa a uma classe de empresários que ainda bebe na escola do colonialismo ou os tempos das ajudas laborais da PIDE imperavam. Foi esta a direita que esteve no poder e a austeridade não significou rigor financeiro, significou sim utilizar a política fiscal para transferir riqueza dos pobres e dos menos ricos para os mais ricos.

Uns avaliam a riqueza do país pelas condições de vida dos mais pobres e pelas desigualdades sociais, a direita liderada por Passos Coelho considera que a riqueza deve ser medida pela felicidade dos mais ricos, porque é dessa felicidade que resultam os ivestimentos que permitem empregar os mais pobres, assegurando que os primeiros continuem a ser ricos e que o que os segundos ganham não possa comprometer essa riqueza.


Umas no cravo e outras na ferradura


  
 Jumento do dia
    
Passos Coelho, o novo cata-vento

Quando se convida alguém para apresentar um livro dá-se um exemplar ao convidado muito antes da sua colocação à venda, para que possa saber o que vai apresentar. Quem apresenta um livro não apresenta apenas o autor e por uma questão de amizade ou para pagar favores políticos, apresenta-se o autor e o livro, porque se gosta dos dois.

Passos Coelho foi o primeiro a saber da pornochachada que ia apresentar mas preferiu pagar favores políticos com o argumento do valor da sua palavra, tinha a palavra dada e assunto encerrado. Afinal, a sua palavra vale tanto como o nojo que será o livro e perante o medo do ridículo Passos deu o dito por não dito e já não apresenta o livro do velho amigo.

Começa-se a perceber qual era o desastre que Passos anunciava para Setembro, era o seu próprio desastre, primeiros a queda do PSD nas sondagens e agora este folhetim sujo em que aceitou ser o protagonista principal. Passos que designou Marcelo por cata-vento comporta-se agora como tal, com a agravante de nunca perceber de onde vem o vento.

Vale a pena ler o que Passos disse há poucos dias:

«"O arquiteto José António Saraiva convidou-me para me associar ao livro que ia fazer e respondi que sim, mesmo antes de conhecer a obra e aceitei fazê-lo. Não sou de voltar com a palavra atrás nem de dar o dito por não dito. Estarei a fazer a apresentação dessa obra", afirmou aos jornalistas durante uma visita a Proença-a-Nova, na aldeia de xisto da Figueira.

"Cada um terá a sua opinião sobre o conteúdo, não fui eu que escrevi o livro tão pouco, o autor é ele não sou eu. Não vou defender o livro nem as suas perspetivas, ainda nem tive ocasião de completar a leitura, não é essa a questão", disse, segunda cita o Observador.» [DN]

Isto é, não negou que já tinha lido o livro ainda que diga que ainda não o acabou de ler e na ocasião não importava o que lá estav escrito. Enfim, os ventos mudaram e o cata-vento deixou o amigo a falar sozinho

«Quando a polémica rebentou, Pedro Passos Coelho ainda tentou que o assunto não se tornasse “uma questão partidária”, disse que não tinha lido a obra e que, em todo o caso, não tinha sido escrita por si. Mas já era tarde demais. Tudo por causa do polémico livro de António José Saraiva, ex-diretor do semanário Sol e do Expresso, que revela conversas privadas (e de foro íntimo) que o jornalista teve com vários políticos, alguns dos quais já falecidos. António José Saraiva convidou o líder do PSD para apresentar a obra, Passos aceitou e, mesmo depois de ter sido atacado em várias frentes, manteve a palavra. Agora, uma semana depois de o caso estalar, Passos recua e já não vai apresentar o autointitulado “livro proibido”, noticia a Sábado e a edição do jornal i desta quarta-feira.

Segundo a Sábado, Pedro Passos Coelho terá contactado esta terça-feira o autor do livro no sentido de lhe pedir para o “desobrigar” de apresentar publicamente a obra, não querendo voltar com a palavra atrás mas ao mesmo tempo não querendo envolver-se mais na polémica. Antes, contudo, segundo relata a revista no seu site, Passos já tinha falado com José António Saraiva no sentido de lhe dizer que não era por estar a ser criticado que deixaria de o fazer. “Se não fosse atacado por isto seria por outra coisa qualquer”, terá dito o líder do PSD ao autor da obra “Eu e os Políticos”.

O jornal i desta quinta-feira adianta que Passos Coelho mudou de ideias por causa do conteúdo do livro e das questões privadas que nele aparecem retratadas.» [Observador]

 Mariana Mortágua é o Marques Mendes deste governo

A ser verdade o que disse o deputado Pedro Filipe Soares, que a divulgação do novo imposto sobre o património seria antecipadamente por Mariana Mortága, isso significa qu foi atribuído à deputada do BE um papel idêntico ao que foi desempenhado por Marques Mendes nos últimos anos do governo de Passos Coelho.

Sempre que o governo de Passos pretendia testar ou preparar o ambiente para adoptar uma medida menos agradável esta era lançada para esgotar o debate público através de uma inconfidência de Marques Mendes. Só que Mariana Mortágua foi mais longe, apadrinhou a medida e usou-a para criar uma espécie de PREC da Mariana. Os resultados estão à vista, foram um desastre.

 O imposto Pedro Mortágua



      
 Coisinhas boas que fizemos por merecer
   
«Abria mais uma Assembleia Geral das Nações Unidas, nas margens do rio East, no fim da Rua 44, Nova Iorque. As televisões mundiais mandaram os seus melhores repórteres e os estagiários também, porque a colheita era farta, desembocavam centenas de famosos e até líderes mundiais. Os microfones estendiam-se de forma pródiga, como redes que promovem a peixe tudo que apanham. Mesmo um solitário par de senhores elegantes - de quem a falta de guarda-costas não augurava grande importância - mereceu a atenção de um jovem repórter do francês Canal Plus. Prudente, o jornalista espetou a pergunta ao mais velho, provável mais importante. Sabido, ainda, ele perguntou sobre o desfecho das eleições americanas - afinal, assunto que interessa todo o mundo. Acertou, o cavalheiro aceitou ser ele o perguntado, logo era mais importante do que o outro. Mas deu uma resposta com o plural majestático: "Sabe, nós temos uma regra de ouro, que é não falar dos problemas dos outros países..." Ups!, queres ver que o homem é importante... Outra vez hábil, o repórter contorna: "A que delegação pertence?" Resposta: Portugal. "E a sua função?" E a resposta poderia ter sido: "Que topete! Como se dirige a mim sem saber quem sou?!" Mas não, a resposta foi, com um sorriso. "Sou o Presidente da República portuguesa." No estúdio, em França, porque isto era em direto, foi um riso. Daqueles à nossa custa mas que é bom receber porque dizem: vocês sabem votar.» [DN]
   
Autor:

Ferreira Fernandes.

      
 Taxas de juros negativas
   
«Sob a batuta da Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública (IGCP), Portugal conseguiu colocar 2,25 mil milhões de euros nas mãos de investidores, conseguindo taxas negativas nos Bilhetes do Tesouro a seis meses e um ano.

Nos títulos mais curtos, a taxa foi de -0,033% nos 500 milhões de euros vendidos, uma queda face aos -0,015% da última emissão comparável; Nos Bilhetes a 12 meses, a taxa passou a ser de -0,014% para os 1,75 mil milhões de euros colocados, depois de há dois meses as taxas terem sido positivas numa emissão de títulos do mesmo prazo.

Para Filipe Silva, do Banco Carregosa, "Portugal continua a emitir com sucesso e os investidores continuam a ter apetite por dívida portuguesa", num contexto de alguma incerteza política apoiado, ainda assim, pelos bolsos fundos do Banco Central Europeu: "As duas taxas negativas acabam por não ser grande surpresa porque estão em linha com o que está a ser praticado no mercado".» [Notícias ao Minuto]
   
Parecer:

Enquanto muitos parecem rezar por um segundo resgate os investidores aceitam taxas de juro negativas. Desta vez a direita não se vai excitar muito.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»
  
 O problema foi do filtro
   
«Pedro Passos Coelho, líder do PSD, pediu a José António Saraiva que o “desobrigasse” da apresentação do livro Eu e os políticos e o autor acedeu, ficando sem efeito a cerimónia de lançamento do livro. “Não sou de voltar atrás com a palavra e pedi ao arquiteto José António Saraiva que me desobrigasse de um compromisso com ele assumido”, porque não tinha aplicado “o filtro” devido à obra. O escritor acedeu, explicou Pedro Passos Coelho esta quarta-feira enquanto falava numa incubadora de empresas em Oeiras.» [Observador]
   
Parecer:

Segundo Passos Coelho o problema do livro do Saraiva não está na canalhice que representa e que ele insistia em dar a cara para representar, reparou agora que havia um problema no filtro. Eu dirias que é o PSD que está a precisar de mudar o óleo.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se a merecida gargalhada.»

 Muito dinheiro gastaram estes mexicano
   
«O grupo mexicano ADO, que controla a Avanza, vai reclamar uma indemnização ao Estado pela revogação dos contratos de subconcessão da Carris e do Metro de Lisboa, por entender que a decisão do Governo de António Costa lhe causou danos no valor de 42 milhões de euros.

"O Grupo ADO acaba de comunicar ao Governo português a sua intenção de iniciar um processo de arbitragem ao abrigo do Acordo entre México e Portugal sobre a Promoção e Protecção Recíprocas de Investimentos", anunciou esta quarta-feira a empresa em comunicado.

O grupo refere que enviou esta quarta-feira uma carta ao Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, ao primeiro-ministro, António Costa, ao ministro do Ambiente, João Pedro Fernandes e ao embaixador de Portugal no México, Jorge Roza Oliveira, informando que "tem a intenção de requerer, por via de arbitragem internacional, a confirmação de que Portugal não cumpriu com as suas obrigações, de forma a compensar o Grupo ADO por danos causados num valor estimado de 42 milhões de euros".» [Jornal de Negócios]
   
Parecer:

Terão comprado uma centena de autocarros.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «mande-se os mexicanos bugiar.»
  

quarta-feira, setembro 21, 2016

Política fiscal e luta de classes

Não há uma via fiscal para o socialismo, era bom que houvesse mas não há, e no dia em que a política fiscal estiver condicionada a uma luta de classes, podem fechar as portas da Autoridade Tributária e Aduaneira. Isto não quer dizer que não se possa promover a equidade fiscal através da criação de impostos ou da manipulação das suas taxas, como diria o SEAF uma das funções da fiscalidade é a redistribuição do rendimento, mas isso não significa que para o fisco há bons e há maus. Se o caminho for esse não tarda muito a que um poobre que seja chamado a um serviço de finanças desate a gritar que o chefe do serviço é um perigoso contra.-revolucionário e que se vai queixar dele à Mariana Mortágua.

Não se cobram impostos aos mais ricos para aumentar as pensões mais baixas, se a lógica da política fiscal for essa passamos a aumentar os impostos sobre uns para dar a outros, como se os sistema fiscal fosse uma espécie de Robin dos Bosques. Dizer que se cria um imposto para aumentar as pensões dos mais pobres pode ser música para os ouvidos dos que recebem essas pensões, mas além de ser uma abordagem que viola o princípio da não consignação das receitas é uma imbecilidade.

Isto é uma desvalorização fiscal ao contrário, Vítor Gaspar desvalorizou por via fiscal nos trabalhadores para dar aos patrões, agora desvaloriza-se os ricos para revalorizar os pobres. O ministro de Passos Coelho tentou aumentar a TSU dos trabalhadores para a entregar aos patrões, como não o conseguiu promoveu a desvalorização fiscal do trabalho aumentando o IRS com a sobretaxa para entregar a receita adicional aos patrões sob a forma de reduções no IRC. Agora Catarina Martins quer que se desvalorize a riqueza dos mais ricos para entregar a receita a uns quantos  mais pobres, aqueles que por não terem feito descontos têm direito a uma reforma mínima. Nada mais simples.

O problema do discurso do BE é que considera que os ricos são uns malandros e como tal devem ser tratados pela máquina fiscal, enquanto os pobres são as novas virgens do fisco. Daqui para a frente o combate à evasão fiscal é um instrumento da luta de classes, que deve estar ao serviço dos mais pobres, porque os ricos não pagam impostos, a acção do fisco deve obedecer aos desafios da Mariana Mortágua. Segundo esta lógica vamos ter um fisco chavista onde os dirigentes devem esquecer os pobres que não paguem os seus impostos, para se concentrarem nos ricos, porque segundo esta lógica a evasão fiscal por parte dos pobres gera justiça social e equidade, quanto maior for a evasão fiscal por parte dos pobres mais o fisco terá de ir buscar aos ricos.

Acontece que os pobres também são campeões na fuga ao fisco e muitos trabalhadores pobres andam de braço dado com os patrões na fuga ao fisco. Em Portugal há muitos milhares de trabalhadores nos mais variados sectores e, em particular, na construção e na hotelaria que para ganharem mais dividem com os patrões os benefícios do trabalho "pago por fora". Uma boa parte dos trabalhadores destes sectores recebe uma parte do ordenado e as horas extraordinárias "fora da folha" e muitos deles nem sequer são declarados, falseando as estatísticas do desemprego e, não raras vezes, recebendo o subsidio de desemprego.

O cumprimento das obrigações fiscais é um dever de cidadania e quando considerarmos que o incumprimento deve ser avaliado de forma diferente em função do estatuto social estamos destruindo todos os princípios da fiscalidade e recuando muitos anos no tempo.

Umas no cravo e outras na ferradura


  
 Jumento do dia
    
Marcelo Rebelo de Sousa

Não é verdade nem que Marcelo não tenha tempo para apurar em Portugal quando viaja no estrangeiro, nem mesmo que não se pronuncia sobre o que se passa em Portugal quando está no estrangeiro. Se não quer comentar uma declaração de um político português que o faça, mas que o assuma com frontalidade e se justifique,. Daqui para a frente ficaremos atentos a todas as sua viagens.

Quando estava no Rio de Janeiro e foi questionado sobre as idas à bola pagas pela GALP Marcelo parecia estar mais preocupado em acompanhar o que se passava em Portugal declarando que  "acompanho o que se passa, sei o que se passa, mas não falo dela [política portuguesa] fora do território português". Ao mesmo tempo dava o seu recado: "Em abstrato, o que eu posso dizer é que a minha campanha eleitoral e o meu mandato como Presidente têm sido permanentemente preocupados com uma ideia que também preocupa os portugueses, que é a ideia da transparência, que é a ideia da contenção dos gastos públicos, que é a ideia de não confusão entre poder económico e poder político"

Enfim, veremos se Marcelo respeita o seu princípio de forma tão rigorosa como o fês, agora, em Nova Iorque.

«Marcelo Rebelo de Sousa esteve novamente com António Guterres, afirmou que está em Nova Iorque focado na sua candidatura a secretário-geral da ONU, sem tempo "para apurar o que se passa em Portugal".

O Presidente da República escusou-se assim a comentar questões nacionais, como a polémica em torno de declarações da deputada do Bloco de Esquerda Mariana Mortágua sobre política fiscal.

"Sabem que eu tenho um princípio que é não comentar no estrangeiro o que acontece em Portugal, e acresce que neste caso estou tão concentrado numa prioridade nacional que é de todos os portugueses que não tenho tido tempo sequer para apurar o que se passa em Portugal, muito menos para opinar sobre o que se passa em Portugal", declarou o chefe de Estado.» [DN]

 Dúvidas que me atormentam a alma

O que terá acontecido ao pequeno Marco António, aquele que até há pouco tempo era o braço direito de Passos Coelho e que a um ritmo quase diário aparecia nas televisões? Desde há alguns meses o homem  desapareceu, ficou na penumbra é raro vê-lo, será que este recuar estratégico tem algo a ver com as acusações feitas por um antigo amigo que hoje levanta a voz contra Passos Coelho?

Este Marco António está cheio de sorte, ainda não foi ao saloio de Mação!

 Uma imensidão de dados

Um dos argumentos que foi posto a circular para justificar a eternização da investigação do Caso marquês foi o de que os dados informáticos que terão ainda de ser estudados têm o dobo do volume dos dados dos Panama Papers. Este é um bom argumento, a investigação copia todos os ficheiros do BES em busca de algo que possa ser usado como acusação e agora queixa-se de excesso de dados para analisar.

 O novo imposto

Concordo no plano dos princípios com uma maior e mais progressiva tributação do património, ainda que receie que sejam mais os que já pagam muito de um IRS agravado com a sobretaxa e que muitos dos % que acumulam riqueza a que se refere a Mariana Mortágua fiquem de fora deste imposto ou, que uma boa parte dessa riqueza fique de fora deste imposto. Além disso, é pura demagogia dizer que os que acumulam grandes fortunas não pagam impostos e que com este imposto isso deixa de suceder.

O novo imposto nasceu torto, uma Catarina Martins que sofre de incontinência verbal decidiu chamar a si a autoria da medida, ainda antes de estar estudada, desenhada, negociada, avaliada e aprovada.  Mais do que com a justiça fiscal Catarina Martins está empenhada em criar um ambiente de PREC que dê protagonismo ao BE, pouco lhe importando que com isso a direita saia ganhadora.

Os impostos não devem ser adoptados com esta falta de solidariedade e sem uma boa avaliação das consequências políticas, sociais e económicas da sua aplicação. Neste caso nem a direita tem razão com a dramatização que está encenando, nem o impacto do novo imposto corresponde ao que Catarina Martins e Mortágua. 

Há muita gente que tem património imobiliário de valor superior a um milhão de euros sem que isso represente riqueza adquirida sem qualquer tributação como sugerem Mariana Mortágua e Catarina Martins. Muito desse imobiliário foi herdado, mas são muitos os que o adquiriram depois de terem suportado taxas de IRS superiores a 40%, e depois de terem pago diversos impostos, desde o imposto de selo até aos impostos sobre o património.

O novo imposto pode apresentar-se como justo e acabar por ser profundamente injusto e em vez de serem os chineses a não virem, poderão ser mais uns quantos quadros altamente qualificados a partir. Primeiro fugiram os que se acabavam de formar e não tinham emprego ou ganhavam mal, um dia destes começarão a fugir os quadros mais valiosos porque não estão dispostos a levar impostos e mais impostos todos eles com sobretaxas e ainda por cima a serem apontados como ricos que não pagam impostos.

Se a receita conseguida com o novo imposto é de cerca de 200 milhões de euros então dizer que os ricos passaram a ganhar impostos só merece uma gargalhada. Uma receita dessas consegue-se com um pequeno esforço de combate à evasão fiscal e é bem provável que se apanhem mais ricos do que com este imposto que começa a ser mais um panfleto do que um  tributo. Não se criam novos impostos para poder continuar a ser-se preguiçosos no combate á evasão fiscal.

 Sócrates tem sarna?

Os que sugerem que Sócrates tem sarna e não concordam que uma organização do PS convide alguém que foi seu secretário-geral, que governou mais de meia década e que conseguiu a maior votação na história do PS não se limitam a ignorar o princípio da presunção da inocência. Fazem-no porque aceita por verdade tudo o que a acusação de forma ignóbil fez constar na comunicação social.

Ou aceitamos que alguém só pode ser condenado depois de um julgamento e com direito a defender-se, ou fazemos lago muito grave que é acreditar em processos difamatórios promovidos pela polícia, algo que nem no tempo da PIDE aconteceu em Portugal. A PIDE que sabia de todos os pormenores da vida dos opositores não usavam essa informação para os destruir em público e nunca se viu um inspector da PIDE vir à televisão ameaçar um país dizendo que sabia de muita coisa dos seus cidadãos.

      
 Os ricos que paguem o que devem
   
«Para assegurar um nível mínimo de coesão numa sociedade, é preciso garantir um mínimo de equidade, um mínimo de regras comuns. Regras que devem abranger todos os cidadãos sem excepção, seja qual for a sua extracção social, nível económico, educação, actividade profissional, local de residência, antecedentes familiares, saúde, cor da pele, género, orientação sexual, ideologia política ou religião.

Sem essa equidade mínima não existe o mínimo de confiança mútua, de respeito pelos outros e de espírito de colaboração que permitem a coexistência e o envolvimento da comunidade em empreendimentos colectivos que promovam o desenvolvimento e o bem-estar de todos.

Para garantir a cooperação de todos, tem de existir uma mutualização de responsabilidades e benefícios, divididos de forma justa, proporcional e transparente.

Em teoria, as coisas funcionam assim nas sociedades democráticas em geral e em Portugal em particular. Mas apenas em teoria. Para além das enormes desigualdades existentes em todos os domínios, que decorrem de situações de partida muito desequilibradas, como o nível socio-económico das famílias (que, num extremo, condena os seus descendentes à pobreza durante gerações e, no outro, lhes garante gerações de privilégios) existem áreas onde a desigualdade e o privilégio de classe é a regra, com as consequências negativas que são de esperar em termos de confiança interpessoal e de confiança nas instituições: essas áreas são a justiça e a fiscalidade.

Digam o que disserem os políticos em campanha e sejam quais forem as promessas e as intenções dos Governos, todos sentimos e sabemos que existe uma justiça para ricos e uma justiça para pobres, da mesma forma que existem regimes fiscais diferentes para ricos e empregados. No domínio da justiça, é evidente que aqueles que possuem meios para contratar bons advogados que exploram todos os buracos das leis e recorrem a todas as manobras dilatórias raramente são condenados e, quando o são, são objecto de sanções simbólicas. No domínio do fisco, não se trata apenas de uma filosofia que penaliza mais os rendimentos do trabalho que os rendimentos do capital mas, para além disso, do facto de haver inúmeros alçapões estrategicamente colocados na lei e inúmeras situações de excepção que beneficiam os que mais têm, enquanto os simples trabalhadores não possuem forma de se esquivar às tributações.

Numa famosa entrevista na televisão no final do ano passado, o ex-diretor-geral da Autoridade Tributária José Azevedo Pereira revelou que as 900 famílias mais ricas de Portugal, com património superior a 25 milhões de euros ou rendimento médio anual acima de 5 milhões, representavam uma percentagem irrisória da receita de IRS, da ordem dos 0,5 por cento, quando seria de esperar, de acordo com a lei, que pagassem 50 vezes mais. Como o fazem? Exploram subterfúgios legais, com a ajuda de consultores fiscais dos grandes escritórios de advogados. Ou desrespeitam grosseiramente a lei, com o maior descaro, confiando que, se forem descobertos, a justiça para ricos os irá livrar de qualquer punição.

Esta sensação de que existem na sociedade portuguesa dois grupos de pessoas, umas que tudo podem mas que nada devem e outras que pouco podem mas que devem tudo, a sensação de viver numa sociedade não só injusta mas profundamente corrompida, a sensação de impotência perante este estado de coisas, desacredita a democracia, destrói a participação cívica e corrói a sociedade.

É por isso uma excelente notícia o início de moralização que o governo PS, com o apoio do BE e do PCP, se propõe levar a cabo no domínio fiscal, com a criação de um novo imposto (ou, o que seria talvez mais adequado, de uma alteração ao IMI) para os grandes proprietários de imóveis e do acesso da Autoridade Tributária à identidade dos detentores das maiores contas bancárias.

No caso da tributação sobre os imóveis está tudo por definir e é evidente que se podem e devem discutir todas as questões, de forma a garantir a justiça e eficácia da lei. Mas o princípio está certo e é justo, por muito que alguns comentadores se indignem e clamem que se trata de um ataque à “classe média”. A sua reacção é compreensível. As famílias mais ricas habituaram-se a não pagar impostos, a mudar as sedes das suas empresas para a Holanda, a pôr o seu património pessoal em nome de empresas com sede em paraísos fiscais e a usar todas as artimanhas possíveis para não cumprir as suas responsabilidades fiscais. Mas temos o dever de tentar pôr fim a essa imoralidade, que sobrecarrega indevidamente todos os outros.

Os ricos que paguem a crise? Não. Os ricos que paguem o que devem. Apenas isso.» [Público]
   
Autor:

José Vítor Malheiros.
      
 Há uma voz no PSD contra Passos
   
«Ao fim de 25 anos de militância, o antigo conselheiro nacional do PSD Paulo Vieira da Silva bate com a porta, arrasando a liderança de Pedro Passos Coelho, a quem acusa de ter “passado de primeiro-ministro a profeta da desgraça” e de “estar desfasado da actual realidade política e social”.

O antigo conselheiro nacional comunicou esta segunda-feira ao partido a sua saída numa carta na qual dá conta das razões que o levaram a romper com a militância, aproveitando para denunciar a “deriva neoliberal” que PSD conheceu com a liderança de Passos Coelho, uma estratégia que - segundo afirma - afastou o partido dos “princípios ideológicos que estiveram na génese da sua fundação”. “No consulado de Passos Coelho assistimos a uma deriva neoliberal. Passámos a assistir à defesa de um regime assistencialista em que o Estado apenas pagaria aos ‘coitadinhos dos pobrezinhos’. Esta é para mim uma visão inabalável e redutora do papel do Estado”, escreve o antigo dirigente da distrital do PSD-Porto.

Paulo Vieira da Silva, que ganhou notoriedade por ter feito, em Abril de 2015, uma denúncia à Procuradoria-Geral da República (PRG), acusando Marco António Costa de montar uma “rede de interesses” e de ter cometido uma série de irregularidades, ainda nos tempos em que o actual vice-presidente do partido estava na Câmara de Valongo, escreve na carta que “em 2010, com a ascensão de Passos Coelho à liderança do PSD, ascenderam também a lugares cimeiros do partido dirigentes políticos do tipo ‘trepa-trepa’, em que o mérito foi medido em função do número de votos dos ‘exércitos’ que comandavam e que valiam exclusivamente para a eleição do presidente do partido. A mediocridade passou a ser premiada. Quanto pior melhor que assim não incomodavam”.» [Público]
   
Parecer:

Os outros, uma boa parte dos militantes do PSD diz o mesmo, mas não tem coragem para o fazer em público
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pobre Passos.»

 Outra vez o PS de Matosinhos
   
«A “forma cobarde” como a distrital do PS-Porto tirou Ernesto Páscoa da corrida à Câmara de Matosinhos “vai sair cara” ao presidente da maior federação do partido, que é acusado de “tomar decisões nas costas dos militantes” do concelho. Este é o vaticínio dos militantes de Matosinhos que se sentem “excluídos, marginalizados e desrespeitados” e que exigem que Manuel Pizarro se retracte e lhes explique as “razões e os interesses” que estão por detrás da avocação do processo autárquico no concelho.

“Não concordo com o processo e há uma certa frustração, um certo desconforto, e o que nós perguntamos é: o que é que nós, militantes, somos em Matosinhos?” afirma Alfredo Barros, dirigente da comissão política concelhia. Acusando Pizarro de ser “muito rápido e pródigo a fazer declarações em tom depreciativo relativamente aos membros da comissão política concelhia de Matosinhos”, o ex-professor universitário e actual vereador na câmara fala dos “telhados de vidro” que o líder distrital tem e da “falta de legitimidade” para vaticinar uma “derrota humilhante em Matosinhos em 2017, com Ernesto Páscoa”. “Manuel Pizarro já se esqueceu do resultado que teve no Porto em 2013? E esse resultado - o  pior que o partido teve no Porto - não foi humilhante?”» [Público]
   
Parecer:

Eleição que se preze deve dar pancadaria no PS de Matosinhos e mesmo que ninguém se esqueça da morte do Professor Sousa França a peixeirada repete-se sempre que está em causa o acesso a cargos políticos através de eleições. Quando será que os partidos se livram desta lógica de caciquismo local que proporciona estes espectáculos?
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Lamente-se.»
  
  

terça-feira, setembro 20, 2016

Os ricos e os pobres segundo a nossa direita

Para a nossa direita os pobres, grupo social em que estão incluídos todos os que vivem de rendimentos do trabalho e pensões, são um peso, os seus rendimentos são um custo e quanto mais ganham menor será a competitividade das empresas. Os ricos são, por definição, investidores, o seu dinheiro é considerado capital que não deve ser sujeito a impostos. 

O consumo dos pobres é um desperdício e quanto menos consumirem melhor para o país, se em vez de serem eles a optar pela poupança e forem os patrões a poupar graças a salários baixos melhor para a economia, as poupanças dos patrões são capital, as dos pobres servem apenas para desperdiçar em bens de consumo.  É por isso que, por definição, os pobres consomem sempre acima das suas possibilidades e todas as conquistas sociais desde o tempo da escravatura ou da servidão são um grave prejuízo para a competividade.

Se um pobre compra um carro em segunda mão está a consumir acima das suas possibilidades, se um rico comprar um luxuoso carro topo de gama está a investir. Se um pobre compra um apartamento com crédito está a contribuir para o endividamento do país estimulando o crescimento de um sector inútil para a economia. Se um rico ou um chinês comprar uma vivenda de luxo, está investindo no país e criando emprego, por isso deve beneficiar de isenções ficais, vistos gold e outras mordomias que lhes sejam úteis.

Um chinês que enriqueceu com a corrupção do regime comunista da Ásia, que parte porque noutro Estado-membro da EU lhe oferecem um visto gold com menos exigências é um investidor que foi perdido pelo país. Quando um quadro altamente qualificado, cuja formação custou ao país centenas de milhares de euros, decide abandonar o país a direita elogia-o porque não foi piegas e partiu em busca da sua zona de conforto, dando uma preciosa ajuda ao ajudar a taxa de desemprego a baixar.  

Os patrões, são designados preferencialmente por investidores ou empreendedores, os pobres são mão-de-obra, activos ou, em empresas mais modernaças, conseguem ser tratados por colaboradores, isso até que o presidente do banco decide desligar-lhes o computador e convidá-los a assinar uma rescisão amigável.

Se um pobre se esqueceu de pagar uma conta ao fisco é um malandro que não paga os seus impostos e deve ser perseguido por todos os meios. Se for um rico a recusar-se a pagar um imposto é recebido com tapete vermelho nos gabinetes governamentais e tem ao seu serviço uma equipa de advogados, todos eles ex-secretários de Estado dos Assuntos Fiscais, que assegurarão que entre truques e cunhas tudo farão para que a dívida prescreva nos corredores dos tribunais. Já para os pobres esses tribunais não existem, para ter direito à decisão de um juiz a dívida deve ser superior a 5.000 euros, o pobre leva com a decisão do chefe do serviço de finanças, come e cala.

Esta abordagem da nossa direita tem mais fundamentos no modelo social do feudalismo do que no capitalismo moderno saído da revolução industrial. O prolongamento durante décadas do colonialismo e de um regime laboral apoiado na PIDE levou a que a nossa direita tivesse mumificado ideologicamente. Neste modelo social de capitalismo feudal o progresso não se mede no bem-estar de toda a nação, mas apenas no nível de enriquecimento e felicidade dos mais ricos. Para a nossa direita os ricos devem ser tratados como senhores feudais capitalistas e todos os outros como plebeus proletários que graças à bondade dos outros já não são nem servos, nem escravos.

Umas no cravo e outras na ferraduras


  
 Jumento do dia
    
Paulo Ferreira, articulista no Observador

Costumo ter o cuidado de distinguir jornalistas de meros comentadores, os primeiros têm um compromisso com a verdade, os segundos tendem a interpretar a realidade segundos os seus valores. Os primeiros trabalham com uma matéria primam chamada verdade, os outros sentem-se no direito de redesenhar a sua realidade. E quando o jornalista Paulo Ferreira, que até foi director de informação da RTP, tendo a ter confiança, sob pena de ter de duvidar do que lhe ouvi ao longo da carreira.

Quando leio Paulo Ferreira escrever no Observador:

«Que Mariana Mortágua se sinta suficientemente irresponsável para pedir a mudança de regime económico não é uma surpresa. Chocante é que os socialistas tenham irrompido em aplausos. Que PS é este?»

Fico preocupado, aliás, muito preocupado, uma militante da extrema-esquerda foi na qualidade de convidada a uma conferência do PS, pediu a esse partido uma mudança do regime económica e os presentes, entre eles suponho que importantes personalidades do PS, terão aplaudido, pior e mais grave, terão irrompido em aplausos. Imagino a cena, Mariana Mortágua terá dito "vamos assaltar o Palácio de Inverno e a a plateia levantou-se em histeria e berrou "bora já!"

Não se tratou de um aplauso de circunstância, como o que se ouviu na universidade de verão do CDS, no final de intervenção da ex-ministra da Educação Maria de Lurdes Rodrigues, ou de um  aplauso a uma medida de política económica ou mesmo de uma consideração sobre as desigualdades que terá merecido a concordância da plateia. Não, a plateia de gente do PS entrou histeria quando Mariana Mortágua os desafiou para mudar o regime.

Sendo assim é o partido que deu a cara pela democracia (outros faziam declarações de apoio ao MFA) que, de um dia para o outro, se transformava na quinta coluna da extrema-esquerda.

Compreendo a preocupação de Paulo Ferreira, fiquei tão preocupado que procurei até ao desespero por imagens de vídeo, já que não me recordava da cena minuciosamente descrita pelo jornalista, procurei, vasculhei pelo Google, fiz buscas nos sites de todas as televisões e não rever a cena da plateia irromper em aplausos perante o apelo à evolução comunista, descrita por Paulo Ferreira. Enfim, fico à espera que Paulo Ferreira me ajude a ver o que ele viu, talvez até concorde com todo o seu artigo, escrito com base numa verdade que me escapou.

 O Saraiva tem seguidores

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Parece que a luta partidária é uma luta em que vale tudo, incluindo o recurso a insinuações dignas do livro de José António Saraiva que será apresentado pelo homem de palavra de Massamá. O deputado do PSD Sérgio Azevedo não tem o mais pequeno pudor em recorrer á política de esgoto para atingir de forma pouco digna o seu colega João Galamba. E como achou graça à piadola de mau gosto fá-lo em duas páginas, no seu Facebook pessoal e numa página de admiradores de Passos Coelho, uma página do Grupo Independente de apoio a Passos Coelho, tão independente que o deputado está lá para animar as hostes.

Quando o presidente do partido vai sugerir que se compre um livro que mete nojo é de esperar que alguns deputados sigam o modelo de pensamento do livro do director do Sol.

 Este lagarto também ia sendo atropelado



No mesmo Grande Prémio de Singapura ia sucedendo o mesmo a um comissário de pista...

 Léxico da direita portuguesa

Cortar vencimentos ou aumentar o IRS a quem trabalha é uma grande reforma económica, cobrar impostos a quem é rico é um assalto fiscal.

 Ainda que mal pergunte

Anda por aí muita gente a dizer que quem manda no governo é a Mariana Mortágua, só porque defendeu uma alteração fiscal que está a ser debatia na preparação do OE para 2017. E quando marques Mendes, a alcoviteira do regime, antecipava tudo o que o governo ia fazer na sua comunicação domingueira ao país era o Ganda Nóia que mandava no governo pafioso?

 Coitadinhos dos chineses

O que mais impressiona na posição da direita portuguesa, incluindo o senhor da CIP que antes de enriquecer era do PCP, é a sua generosidade. Não estão preocupados porque os mais ricos vão ser vítimas de mais um assalto fiscal, logo a eles que estão fartos de pagar impostos, os mais ricos que, afinal, são a razão de ser da existência dos partidos de direita. A sua grande preocupação é para com os chineses, que por causa de um imposto que pode chegar aos 3% vão comprar casa para outro lado.

Isto é, o imobiliário de luxo teve aumentos especulativos de preços bem superiores a 3% e o negócio é tão bom que os intermediários devem ganhar comissões bem superiores a 3%. Mas podemos ficar descansados, não são os lucros do imobiliários nem as comissões aos políticos que metiam cunhas para agilizar processos que fazem fugir os coitados dos chineses, é o tal imposto que provoca a debandada.

Até o Ganda Nóia, que para ajudar os chineses alinhou numa empresa especializada no negócio, está preocupado com os chineses, agora designados por investidores estrangeiros. Tanta preocupação generosa quase me faz sentir as lágrimas nos olhos.

      
 Uma causa nossa, não de esquerda nem de direita 
   
«O livro de José António Saraiva é mau. E é tal a unanimidade que muitos acham que é necessário cuspir em quem marcha ao lado deles. "Este tipo também não gosta do livro do Saraiva?! Aqui, comigo?!" Compreende-se a reação de enxotar imprevistos vizinhos: passamos a vida a insultá-los e ao apanhá-los companheiros de causa, mesmo que breve, faz-nos duvidar das nossas ideias sobre o tal livro mau. Um parêntese: talvez se surpreendam do "mau", adjetivo quase branco. Mas é o apropriado, porque não devíamos tratar este grave assunto com gritos. Não estamos habituados a ele. Devemos tratá-lo de forma simples como com aquilo no chão que não queremos que o bebé toque: "Não, não toca", ensinamos, abanando veemente a cabeça. Fecho parêntese. O livro ser mau, como a coisa suja no chão, explica a unanimidade. Todos percebemos que seria pior o mundo se perdêssemos a nossa tradição de não escrever livros como o do Saraiva. Não tenham ilusões, vamos perder. Há dias, o cronista João Lopes denunciou, aqui no DN, a nossa falta de atenção ao desumano dos reality shows. O livro do Saraiva é dessa família, tem o efeito corruptor da Endemol, mas desta vez os humilhados não são pobres diabos. Por atingir políticos levou à tal reação posterior à unanimidade inicial: "Tu, aqui? Mas antes não disseste nada..." Reação tola, porque as vítimas são de todas as cores. E o Saraiva não é de esquerda nem de direita, é só o autor de um livro mau. Contra nós.» [DN]
   
Autor:

Ferreira Fernandes.

      
 Estaremos a comer mercúrio?
   
«Os golfinhos da costa portuguesa têm níveis mais elevados de mercúrio do que a maioria na restante costa europeia, segundo a investigação de uma equipa de biólogos da Universidade de Aveiro, divulgada esta segunda-feira.

A quantidade desse metal pesado altamente tóxico para a saúde, e cujos valores presentes nas populações nacionais de golfinhos foram investigados pela equipa de biólogos da Universidade de Aveiro (UA), só é mesmo ultrapassada pelas espécies que habitam nas costas dos mares Mediterrâneo e Adriático.

“Podemos estar perante um “potencial problema, associado ao mercúrio no ecossistema marinho em Portugal”, alertam os investigadores da Universidade de Aveiro.» [Observador]
   
Parecer:

Parece que sim.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Investigue-se a presença de mercúrio na alimentação.»
  
 Temos artista
   
«Um pastor visionário. A personagem, admite o realizador Luís Miguel Jardim, foi desenhada com régua e esquadro para Alberto João Jardim. O histórico político social-democrata de 73 anos, presidente do Governo Regional da Madeira durante quase quatro décadas, integra o elenco do filme O Feiticeiro da Calheta, que está actualmente a ser rodado no arquipélago. Jardim está afastado da política, mas não dos holofotes.

Apesar de não ser o protagonista da história, Alberto João Jardim é uma das atracções da película, que estreia no início do próximo ano e retrata a vida de João Gomes de Sousa, autodidata e poeta popular madeirense, homem alto, magro e de bigode, nascido em 1895 e falecido em 1974, defensor do Estado Novo.» [Público]
   
Parecer:

Digamos que o homem mudou-se das palhaçadas para a sétima arte.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»