sábado, novembro 05, 2016

Jorge Jesus e Passos Coelho



Nos tempos das maiorias absolutas de Cavaco Silva José Queiroz é o modelo de sucesso desportivo e era exibido como um exemplo de sucesso do regime, num tempo em que alguém de quem se diz ser um “adiantado mental” afirmava que Portugal era um oásis na Europa. Nos últimos tempos a intimidade entre Marcelo e a seleção de futebol é tão grande, que se os jogadores tivessem disponibilidade de agenda teriam direito a uma cerimónia de condecorações em cada uma das capitais de distrito, o próprio Marcelo só ainda não foi convocado para jogar porque desde há muito que o forte dele na política é a natação.

Os tempos de Passos Coelho não foram os melhores apra ver governantes na bolsa, o próprio Cavaco só ia à final da Taça de Portugal e só entrava no Estádio nacional cano a populaça já estava concentrada no jogo. Durão Barroso ficou traumatizado com uma enorme vaia, Passos nunca arriscou, não foi uma única vez a um estádio, não fosse ouvir o que o povo pensava dele. Mas, enquanto ele se afirmava na política depois de ter sido um modesto deputado, Jorge Jesus, que tinha sido um treinador ainda mais modesto, afirmava-se na liga principal.

Poder-se-ia dizer que as semelhanças ficavam por aqui, ou mesmo que o mais longe que se poderia ir seria estabelecendo uma relação entre a saída limpa e a famosa declaração de vitória de Jesus que, comentando a arbitragem, concluiu, para irritação daquele que agora são seus devotos, que o jogo tinha sido “limpinho, limpinho”. Até se poderia recordar de uma frase célebre d Passos quando um dia disse que “os políticos não são todos iguais”, à famosa declaração de Jesus segundo o qual não comentava o treinador da equipa rival porque não o considerava treinador.

Mas as semelhanças entre Passos Coelho não se ficam por aqui, têm muitas semelhanças na sua forma de abordar o jogo, aquilo a que Jesus designa pelas suas ideias de jogo, a única diferença está no facto de o treinador do SCP acusar os rivais de o copiarem, enquanto Passos Coelho se queixa de fazerem tudo ao contrário do que ele acha que se deve fazer. Ambos se sentem infalíveis.

Até nos momentos difíceis se assemelham, veja-se o que faz Jorge Jesus perante as dificuldades, experimenta meia equipa na posição de defesa esquerdo, chega mesmo a usar um jogo da Liga dos campeões para testar uma nova tática, usando três defesas, tudo para defrontar o Arouca. Passos, que sempre se achou infalível, já mudou de tática várias vezes, fez-se de morto, fez-se de exilado, tornou-se hiperativo, reuniu as cortes de Albergaria para apresentar o orçamento do seu governo no exílio, enquanto o Oe era discutido pelo usurpador, na capital do reino. Um olha para a classificação e não para de descer, o outro olha paras as sondagens e já receia uma chicotada psicológica.

Jesus sente-se o salvador do SCP e agora promete salvar o SCP, Passos sente-se o salvador do país e não parte convencido de que terá de o salvar novamente. Jesus promete que o SCP volte a ser uma orquestra de violinos, Passos prometeu que Portugal seria em poucos anos um dos países mais competitivos. Jesus gosta de comprar muitos jogadores com pouco dinheiro, Passos gosta de ter muitos funcionários a ganhar metade.

Umas no cravo e outras na ferradura




 Jumento do Dia

   
João Wengerouvis Menezes, jovem promissor 

Pelo currículo que costa na Wikipedia o ex-secretário de Estado dos desportos é um jovem promissor, em pouco tempo já tem um curriculo de gente muito crescidinha, sempre em cargos de nomeação política. É por isso que este papel de virgem ofendida, que assumiu desde que eprcebeu que podia dar umas facadas ao ministro não lhe fica bem.

Queixa-se de que o ministro lhe impôs um chefe de gabinete, mas não percebe que não é nda bom para a coluna vertebral de um governante aceitar tal frete. Queixa-se ou insinua que sabia do falso doutor, mas não percebe que um político que cala, não só consente como da´uma imagem mais próxima do cobarde ambicioso do que do político que está disposto a assumir os riscos.

Apareceu agora porque está preocupado com a verdade ou para que com meias verdades e insinuações promover a sua pequena vingança. Não sei quem tem razão, mas pelo comportamento  ainda bem que deixou o governo. Espero agora que deixe de ter o patrocínio do PS e procure emprego como todos os da sua geração.

«“Quando informei o sr. ministro da necessidade de concretizar a substituição do chefe do gabinete (já o havia informado há uns dias de quem iria substituí-lo), recebi o seu pedido — por email — de que não o fizesse nessa altura (o chefe do gabinete demissionário estava ausente há 15 dias e acabava de apresentar uma baixa para acompanhamento à família por mais 15 dias, situação que se estava a tornar danosa para o regular funcionamento da secretaria de Estado)”, escreve Wengorovius Meneses numa carta enviada ao PÚBLICO ao abrigo de um direito de resposta.

Há sete dias, quando o jornal Observador avançou que mais um membro de um gabinete ministerial — Nuno Félix — se havia demitido por causa de duas licenciaturas inexistentes (mas que constavam da sua nota curricular inicialmente publicada no primeiro despacho de nomeação em Diário da República), não podia prever-se que o caso ainda fosse dar tantas voltas. 

Segundo o jornal, João Wengorovius Meneses (ex-secretário de Estado do Desporto) afirmava que o ministro da Educação, Tiago Brandão Rodrigues, sabia há vários meses que Nuno Félix (chefe de gabinete do secretário de Estado do Desporto) havia prestado falsas informações sobre o seu percurso académico. Escrevia ainda o Observador que o ministro tinha supostamente impedido o processo de exoneração de Nuno Félix, provocando com essa atitude a discórdia entre os dois governantes e levando ao pedido de demissão do secretário de Estado. Pouco tempo depois, Wengorovius Meneses explicava-se, assumindo que não podia afirmar que o ministro soubesse das falsas declarações do chefe de gabinete, mas mantendo a sua tese sobre as interferências.» [Público]



 O PSD vai com vento pela popa
   
«A vida não correu bem ao PSD em Outubro, a avaliar pelos números do barómetro mensal da Aximage, divulgados esta sexta-feira, 4 de Novembro. Durante este mês, marcado pela proposta de Orçamento do Estado para 2017, as intenções de voto no partido caíram dois pontos e a avaliação que os portugueses fazem do seu líder, Pedro Passos Coelho, deteriorou-se igualmente.

Vamos por partes. A Aximage revela que o PSD sofreu neste último mês a sua segunda maior queda desta legislatura. As intenções de voto passaram de 30,6% para 28,7%, ao passo que o PS reforçou a sua posição, com uma subida de 0,6 pontos para 38,3%. Resultado: o fosso que separa o PS do PSD é agora de quase 10 pontos, anulando a recuperação ensaiada pelos sociais-democratas em Outubro.

Mas os dados relativos ao líder do PSD são também pouco animadores para as hostes laranjas: não só Passos Coelho caiu na avaliação feita pelos portugueses como foi o único a cair entre os líderes partidários. De uma avaliação de 6,6 (de zero a 20) caiu para 6,3 pontos, exactamente metade da nota que é dada ao primeiro-ministro e líder do PS, António Costa, com 12,6, que subiu ligeiramente. Catarina Martins surge em segundo lugar com 11,5, Jerónimo de Sousa com 10,8 e finalmente Assunção Cristas com 10.» [Jornal de Negócios]
   
Parecer:

Parece que a estratégia das cortes de Albergaria deu em desastre e por mais papéis que Passos desempenhe a sua queda é inevitável.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se conhecimento ao dito.»
  
      
 Deixem-me tentar perceber
   
«Dois especialistas em Direito Administrativo consideram que a ministra da Justiça, Francisca Van Dunem, não devia ter tomado posse como juíza do Supremo Tribunal de Justiça, o que aconteceu em final de Março, enquanto mantivesse o exercício de um cargo político. Os juristas falam de uma incompatibilidade, ainda que momentânea, devido ao princípio da separação de poderes. A opinião não é unânime, defendendo, um outro professor universitário da mesma área, que o acto de posse é “puramente simbólico”, não encontrando qualquer ilegalidade no mesmo.

Contactado pelo PÚBLICO, o gabinete da ministra da Justiça sublinha que o concurso ao Supremo foi aberto em Outubro de 2013 e a ordenação dos candidatos foi definida em 4 de Novembro de 2014, cerca de um ano antes de Van Dunem, magistrada de carreira, tomar posse como ministra. Foi já este ano, a 15 de Março, que a nomeação foi feita pelo Conselho Superior da Magistratura (CSM). E a tomada de posse ocorreu a 29 de Março. “Esta nomeação implica a tomada de posse, mas não pressupõe o imediato início de funções como juíza conselheira do Supremo Tribunal de Justiça”, diz o gabinete da ministra da Justiça, que admite que a posse poderia ter ocorrido noutra altura. Na resposta escrita, afirma-se que o início de funções como juíza do Supremo “fica automaticamente suspenso e é diferido para o momento posterior à cessação do exercício das funções governativas”.

O advogado José Robin de Andrade, especialista em Direito Administrativo, vê uma incompatibilidade no momento da tomada de Van Dunem como juíza-conselheira. “Uma pessoa não pode ser simultaneamente membro do Governo e juíza do Supremo, sob pena de uma violação flagrante do princípio da separação de poderes”, afirma Robin de Andrade. E argumenta: “Não faz qualquer sentido tomar posse numa função, se no momento em que se está a aceitar o cargo já se está impedido de exercer aquela função”. O advogado sustenta ainda que a tomada de posse é um “acto de aceitação da nomeação, que significa disponibilidade para iniciar de imediato essas funções”. E questiona: “Se assim não for, qual é o significado da posse?” » [Público]
   
Parecer:

Pela lógica separação de poderes é passar por dois poderes em momentos diferentes.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Lamente-se.»
  
 Emprego escravo ou caça ao voto
   
«De acordo com o Bloco de Esquerda (BE) existem 40 mil pessoas em Portugal a trabalhar em situação abusiva em autarquias e municípios através de um contrato emprego-inserção (CEI), programa que permite pôr desempregados a “fazer trabalho socialmente necessário” durante um ano. A notícia é avançada pela TSF, a quem o BE diz que pelo menos um terço dos 110 mil funcionários que trabalham pela forma tradicional para os municípios estão sob este regime de contratação.

Números que, segundo a TSF, o Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social e do IEFP não quer comentar porque os CEI estão a ser alvo de estudo por parte de um grupo de trabalho.

A Associação Nacional de Municípios, por sua vez, admite que muitos serviços dependem dos desempregados colocados pelo IEFP.

Em 2014, a Provedoria de Justiça escreveu ao anterior Governo, acusando o Estado de abusar do trabalho de desempregados, colocando-os em escolas, centros de saúde, câmaras, juntas de freguesia, Segurança Social e até na Autoridade para as Condições do Trabalho, pagando-lhes, apenas, uma bolsa mensal de 84 euros.» [Público]
   
Parecer:

Os autarcas são especialistas em ganhar votos com estes exércitos pessoais pagos com dinheiro do Estado e ainda por cima pagos de forma miserável.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «»

 A Luisinha das gorduras
   
«Maria Luís Albuquerque vê a previsão de crescimento da economia de 1,5% para 2017, incluída na proposta Orçamento do Estado para 2017, como "modesta" e, mesmo assim, "demasiado otimista". "Para o pais, é dramático crescer tão pouco", afirmou a deputada do PSD, esta sexta-feira, no debate na generalidade do OE 2017, no Parlamento.

A ex-ministra das Finanças do anterior Governo sublinhou ainda que todas as "devoluções, reposições e reversões custam dinheiro" e que é ao aumento de impostos que o Governo vai buscar esse dinheiro.

"O crescimento continuará medíocre. A despesa pública continuará a crecer com novos impostos para a suportar. Bem pode o Ministro das Finanças repetir as vezes que quiser que não há aumento de impostos, que já percebemos como a história acaba."

Em particular sobre as cativações, a deputada do PSD questiona o Governo: se as "cativações tornadas permanentes" se traduzem em reduções da despesa onde não fazia falta, então "porquê ocultá-las".» [Expresso]
   
Parecer:

Parece que Maria Luís Albuquerque deixou de ser contra cortes na despesa e uma grande defensora das gordurinhas estatais, desde que sejam compras, pouco importando quais.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Ajude-se a putativa candidata à liderança do PSD em nome da extrema-direita chique a puxar pela memória.»

 A extrema-direita rpovoca a extrema-esquerda
   
«O deputado do PSD Carlos Abreu Amorim acusou esta sexta-feira o Bloco de Esquerda de ser "um partido que está à venda". "Vende-se por um naco de poder e vende-se por um preço cada vez mais baixo", defendeu durante o segundo dia de discussão na generalidade sobre o Orçamento do Estado para 2017.

Em resposta a uma intervenção do deputado bloquista José Manuel Pureza, Abreu Amorim criticou o facto de o BE dizer que "o Orçamento é o possível, mas que não é o que queria, que é do PS, mas que não tem as propostas que o BE preferia se fosse Governo".» [Expresso]
   
Parecer:

Longe vão os tempos em que a direita tinha ajudas inesperadas, agora parece que sente uma síndrome da abstinência e até o gorduchinho vindo das raias da extrema-direita sente saudades do velho BE.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»

 Os pafiosos de Lisboa
   
«Mesmo que Santana Lopes não avance para Lisboa, “há imensas possibilidades dentro do partido”, assumiu José Eduardo Martins, coordenador do programa do PSD para Lisboa, em entrevista ao “i” esta sexta-feira. Contudo, há ainda outra possibilidade: uma coligação com o CDS. “Sinceramente, acho que não é por aí que caminhamos, mas não vejo isso como impossível. Eu diria que ninguém afastou [essa hipótese] liminarmente e não foi por acaso”, disse.

Isto podem ser boas notícias para Assunção Cristas. “A dra. Assunção Cristas disse uma coisa com a qual concordo em absoluto: se o CDS tivesse uma candidatura apoiada pelo PSD estaria a discutir a presidência da Câmara. Não sendo uma candidatura apoiada pelo PSD, o CDS não está a discutir a presidência da Câmara. Fico muito feliz que ela tenha essa noção da realidade”, justificou. Mesmo assim, José Eduardo Martins nega que estejam a decorrer conversas entre os dois partidos. “Que eu saiba nenhumas”, disse.» [Expresso]
   
Parecer:

Parece que o PAF vai regressar nas autárquicas de Lisboa.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»

  Hackers brincam com lâmpadas da Phillipps
   

«Os atacantes conseguiram extrair a chave AES-CCM usada para proteger os equipamentos e instalaram firmware infetado. «O firmware malicioso desabilita downloads adicionais e, assim, qualquer efeito causado pelo worm como apagões ou intermitências é permanente. (...) Não há outra forma de voltar a reprogramar estes dispositivos a não ser que se desmontem completamente», referem os hackers num PDF publicado e citado pelo Engadget.

Veja os dois vídeos nesta página. Um dos ataques é feito remotamente através de uma carrinha, a 70 metros de uma casa e o outro é feito através de um drone que paira a 350 metros de distância de um edifício de escritórios.

A Philips já foi informada pelos hackers e confirmou que está a lançar uma atualização de firmware para sanar estas vulnerabilidades.» [Expresso]
   
Parecer:

Talvez possam acender umas luzinhas em Massamá.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»

 Perdão fiscal Choy
   
«Com os votos contra do PS, a abstenção do PCP e os votos favoráveis do PSD, Bloco de Esquerda, PEV e PAN, o Parlamento aprovou há uma semana (27 de outubro) um projeto-lei que reduz de 23% a 0% o IVA que estava a ser cobrado aos profissionais das chamadas terapêuticas não convencionais (vulgo, medicina alternativas, como a acupunctura, fitoterapia, naturopatia, osteopatia, quiropráxia, medicina tradicional chinesa, etc). Foi o reconhecimento de uma velha luta destes profissionais para a nível fiscal serem equiparados de igual para igual a todas as outras profissões médicas convencionais.

O diploma aprovado resulta da fusão de iniciativas do PSD, CDS e Bloco de Esquerda. Mas não se limita só a dizer que agora estes profissionais estão isentos de IVA. Diz também outra coisa: "a presente lei tem natureza interpretativa".

Ora isto significa que a lei é retroativa. Não só doravante os profissionais do setor deixarão de pagar IVA, como a Autoridade Tributária terá de devolver o imposto erradamente cobrado e todos os contenciosos que mantém com estes profissionais. "Um perdão fiscal, é o que significa", disse ao DN a deputada do PS Jamila Madeira, justificando assim o voto contra do seu partido.


O principal beneficiado será o médico Pedro Choy, dono de um pequeno império de 19 clínicas e dois centros de tratamento, que nasceu em Salvaterra e que cobre o país de norte a sul.» [DN]
   
Parecer:

É um grande negócio isento de IVA.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Lamente-se.»

sexta-feira, novembro 04, 2016

A ADSE e o oportunismo dos governos

A ADSE surgiu num tempo em que servi de compensação pelos vencimentos miseráveis que se pagavam no Estado, situação que não melhorou tanto quanto se diz, ainda que a propaganda da direita, com destaque para o discurso político de personalidades como Miguel Cadilhe, Cavaco Silva, Manuela Ferreira Leite e Passos Coelho, tenha criado na população um estigma contra os funcionários públicos, acusados de ganharem o que não ganham e de trabalharem menos do que trabalham. 

Passos Coelho decidiu fazer com que os funcionários públicos fossem “executados” nos fornos da austeridade e espoliou-os de todas as formas possíveis, um dos truques a que recorreu para ampliar os cortes nos rendimentos foi fazer com que a ADSE apresentasse lucros. Com descontos de 3,5% sobe o rendimento bruto os funcionários transformaram a ADSE no mis lucrativo sistema privado de saúde. De caminho ainda empregava bois, pagavam 40 milhões por ano em inspeções médicas que cabem ao Estado e davam assistência gratuita a filhos, conjugues sem trabalho e mais alguns familiares, substituindo-se ao OE e poupando ao Estado muitos médicos de família.

Na lógica salazarista a ADSE era um esquema corporativo, correspondendo às muitas caixas de previdência, todos os funcionários contribuíam com uma percentagem do que ganhavam e tanto eles, como os seus familiares beneficiavam d proteção oferecida com a ADSE. O Estado financiava uma parte substancial da despesa e ditava as regras, alargando o benefício a familiares dos funcionários. Se, por um lado, estes benefícios podiam ser considerados uma benesse, por outro, era uma poupança para o SNS.

Hoje a ADSE é inteiramente suportada pelos funcionários públicos, mantendo-se o principio da solidariedade, na medida em que cada um contribui em função do que ganha, descontando 3,5% do seu rendimento. Além disso, deixou de ser uma benesse, não só as receitas são superiores aos custos como suportam cuidados de saúde a muitas dezenas de milhares de cidadãos beneficiários que não dão qualquer contributo e que, supostamente, deviam beneficiar desses cuidados no SNS.

Nos dias de hoje a ADSE é um subsistem quase privado de saúde, muito Cró para os que mais ganham, sendo caro porque suporta custos (familiares que não descontam, enteados, avós e conjugues que não trabalham, para além das despesas denunciadas pelo tribunal de Contas, como as inspeções médicas). Não é por caso que algumas entidades privadas assediam os funcionários públicos mais bem remunerados com sistemas privados de saúde, usando como argumento o facto de serem mais baratos do que a ADSE.

Os governos mantiveram a ADSE mas apenas porque esta dá lucro ao Estado, retira quase um milhão de cidadãos do SNS, poupando ao Estado muitos mais milhões do que custava a ADSE e permite aos ministros da Saúde aliviar a pressão sobe os seus orçamentos. Só que este proxenetismo está a ir longe demais, já fizeram tantos cortes aos funcionários, já lhes retiraram todas as benesses, já os equipararam aos trabalhadores do setor privado, tendo sempre por referência as piores situações. É bem provável que os trabalhadores melhor remunerados do Estado comecem a abandonar a ADSE, trocando-a por sistemas privados e mais tarde ou mais cedo a ADSE morrerá, devido a excesso de oportunismo político dos governos.

Umas no cravo e outras na ferradura



 Jumento do Dia

   
Leitão Amaro

Se o deputado Leitão Amaro, do PSD, tivesse um pingo de juízo evitaria usar a palavara embruste e mais ainda associa-la à devolução da sobretaxa. Não se percebe se por falta de lucidez, ou por falta de vergonha, este deputado lembrou-se de chamar embusto ai fim da sobretaxa em 2017. Quem tentou enganar os portugueses, tendo mesmo conseguido enganar muitos, prometendo um falso reembolso da sobretaxa, embuste preparado por Paulo Núncio do CDS, para ganhar votos e apresentou um programa de governo em que a sobretaxa só seria eliminada em 2020 é melhor evitar este tema, sob pena de lhe terem de dizer que quem não quer ser urso não lhe veste a pele.

«rimeira intervenção da bancada social-democrata no debate na generalidade sobre a proposta de Orçamento do Estado para 2017 motivou a primeira subida de tom no debate no Parlamento, na resposta do ministro das Finanças ao deputado Leitão Amaro.

Depois de o deputado social-democrata ter criticado o orçamento por, entre outras coisas, ter criado um "embuste" em torno do fim da sobretaxa de IRS ao longo de 2017 – e não o fim integral logo em janeiro, como inicialmente previsto – Centeno invocou o passado para devolver a crítica.

"Os senhores retiveram 900 milhões de euros de reembolsos e fizeram um jogo online sobre a sobretaxa, que foi descontinuado em outubro de 2015, dias depois das eleições, quando antes se propunham devolver 35% da sobretaxa. Se quiser falar da sobretaxa e de de embustes, olhe para o lado, não olhe para mim", respondeu Centeno. Sentada à direita de Leitão Amaro, na bancada do PSD, está a ex-ministra das Finanças Maria Luís Albuquerque.

"Só espero que lhe tenha saído alguma coisa no jogo online, porque aos portugueses não saiu", concluiu Centeno.» [Expresso]

      
 Confusão na ADSE
   
«O director-geral da ADSE, Carlos Liberato Baptista, garante que só os cônjuges e os filhos maiores que adiram no futuro à ADSE serão chamados a pagar uma contribuição para poderem usufruir do sistema de saúde da função pública. Os familiares que actualmente não pagam e já beneficiam do sistema continuarão isentos.

Liberato Baptista explicou à Lusa que para os actuais cônjuges que são beneficiários (porque não têm rendimentos próprios), assim como para os filhos menores, vai manter-se tudo como até aqui. Ou seja, poderão continuar a beneficiar do sistema sem terem de contribuir.

Tal como o PÚBLICO noticia na edição desta quinta-feira, o decreto-lei que cria o instituto da ADSE alarga as fontes de receitas da ADSE às contribuições dos familiares dos trabalhadores do Estado, mas não revela o valor dessa contribuição e o universo que será abrangido.» [Público]
   
Parecer:

Ou estou muito enganado ou a ADSE vai acabar por desaparecer.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Espere-se para ver.»
  
 O meu povo quer é feiras
   
«Foi pelas 11h desta quinta-feira que o caterpílar avançou sobre uma das construções existentes nos terrenos onde vai nascer a Feira Popular de Lisboa, em Carnide. Visivelmente feliz com aquele que caracterizara momentos antes como “um dia histórico para a cidade”, o presidente da câmara pegou no seu telemóvel, pediu a um membro da sua equipa que o fotografasse junto à máquina e acabou mesmo por ensaiar uma selfie.

“Estamos aqui para um dia histórico para a cidade, que marca o início da devolução da feira a Lisboa, aos lisboetas”, afirmou Fernando Medina logo no arranque do seu discurso, feito a curta distância das construções que dali a pouco começariam a ser reduzidas a escombros. Paciente, de braços cruzados e olhos postos no autarca, o operador do caterpílar aguardava pela sua vez de entrar em cena.

Criticando as “más decisões” que levaram a que a cidade ficasse mais de uma década sem “a sua Feira Popular”, o autarca considerou chegado o tempo de a câmara “começar a pagar a dívida que a cidade tem desde 2004 para com centenas de milhares de jovens, crianças, pais, avós e familiares”.» [Público]
   
Parecer:

Veremos se vai ser um sucesso ou a continuação da decadência de um negócio sem grande futuro.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»

 Pagava para ver
   
«Um cenário possível para o futuro: Maria Luís Albuquerque, candidata a presidente da Câmara Municipal de Lisboa. Será que em 2017 haverá cartazes a anunciar a sua corrida à autarquia da capital? “A seu tempo as decisões relativamente às candidaturas às diversas autarquias serão anunciadas”, diz Maria Luís Albuquerque, ex-ministra das Finanças do Governo de Passos Coelho, em entrevista ao “Público” esta quinta-feira.

Defendendo que não quer criar “ruído” sobre as autárquicas, Maria Luís Albuquerque diz que, neste momento, o mais importante é não desviar “as atenções das matérias mais relevantes em cima da mesa, que são, claramente, o Orçamento e as opções que ele envolve e também as matérias do sistema financeiro.”

Já quando questionada sobre a notícia avançada pelo Expresso no passado sábado de que Rui Rio está a reunir apoios para disputar a liderança do PSD, a ex-ministra fecha-se em copas. “Não comento essas notícias”, diz. E acrescenta: “Não sei se tem acompanhado as reuniões do partido, é que eu não tenho visto nenhuma manifestação de desunião. Mas em concreto não comento nada.”» [Expresso]
   
Parecer:

E a seguir candidata-se à liderança dop PSD com o apoio do padrinho Passos.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «»

 No melhor pano cai a nódoa
   
«O inquérito investiga suspeitas de que, pelo menos desde 2015, algumas messes da Força Aérea estão a ser abastecidas com alimentos seriam sobrefaturados, aumentando assim o valor a pagar pelo Estado Maior da Força Aérea. "Tal sucederia por acordo entre militares que trabalham nas messes, fornecedores dos géneros alimentícios e um elemento do departamento do Estado Maior da Força Aérea com funções de fiscalização das referidas messes", detalha a nota da PGR.

"Os fornecedores de diversas empresas entregariam determinadas quantidades de alimentos mas, o valor faturado no final de cada mês seria cerca de três vezes superior ao dos bens entregues na realidade. A diferença entre o valor faturado e o dos produtos efetivamente fornecidos seria dividida pelos elementos envolvidos".

Em causa, adianta a PGR, estão factos suscetíveis de integrarem a prática de crimes de corrupção passiva, de corrupção ativa e de falsificação de documento. Nesta investigação, o Ministério Público é coadjuvado pela Unidade Nacional de Combate à Corrupção da PJ e pela Polícia Judiciária Militar.» [DN]
   
Parecer:

Para além de tudo o que se possa dizer, seria interessante perceber como eram feitos negócios que permitiam alimentar um gigantesco saco azul. Isto é, estamos perante um crime financiado graças a um esquema de evasão fiscal.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Investigue-se a vertente fiscal do negócio das empresas envolvidas.»

quinta-feira, novembro 03, 2016

Anda tudo parvo

Como é possível que um país com o desenvolvimento dos EUA seja incapaz de arranjar dois candidatos presidenciais de que se possa dizer benza-te Deus? Interrogo-me para que servirá tanta investigação científica, tantas grandes universidades, se depois a maior potencia do mundo escolhe para a presidir um qualquer idiota.

O mundo pode confiar que exista uma superpotência com o poder e intervenção em todos os cantos do mundo governada por uma distraída que usa os e-mails oficiais como se fossem mensagens do Facebook, ou um palerma que se acha um grande engatatão só porque julga ter uma pila dourada.

Na Venezuela temos o Maduro e uma oposição a condizer, no Brasil os magistrados escolheram o Temer, na Alemanha a senhor Merkel queria a Kristalina na ONU, a Kristalina foi rejeitada na ONU mas vai para o Banco Mundial, os ingleses querem o Brexit, mas de preferência o mais tarde possível e só da parte cara da UE, a EU irrita a Rússia na Ucrânia e esta fica sem a Crimeia que tinha sido uma prenda de aniversário dada pelo Kruschev, na Síria os EUA apoiaram o DAESH para que este matasse os do Assad, a Rússia ajuda o Assad a matar o DAESH e quem mais calhar.

Na Tailândia morreu o rei e os militares põem no seu lugar o herdeiro, que, por acaso é um idiota, metade das África está entregue ao extremismo islâmico, do lado de lá do Mediterrâneo querem vir todos para o lado de cá, em Moçambique roubaram dois mil milhões de dólares, puseram o país na penúria mas ninguém se incomoda. 

Este mundo parece que vai de mal a pior.

Umas no cravo e outras na ferradura




 Jumento do Dia

   
André Silva, deputado do PAN

Confesso que fui ler os motivos dramáticos que levam o PAN, que cá para mim é o partido doas cães e gatos, vai abster-se na votação do OE, queria saber se eram os pensionistas ou os empresários que o incomodam. Não, parece que incomoda o PAN é o desinvestimento no ambiente.7

Fiquei surpreendido, estes rapazolas que defendem a proliferação de gatos por tudo o que é rua e zona verde da cidade, tendo como consequência o desaparecimento de aves dentro dos centros urbanos, até se preocupam com o ambiente. Pensava que sáo se incomodavam com animais domésticos, muitos deles grandes inimigos desse mesmo ambiente,

«O PAN (Pessoas – Animais – Natureza) vai abster-se na votação do Orçamento do Estado na generalidade, agendada para a próxima sexta-feira. O anúncio foi feito pelo deputado André Silva, em entrevista à TSF, esta quarta-feira. O partido está contra “o forte desinvestimento na área do ambiente, que teve um corte de 10,5%”, representando “cerca de 178 milhões de euros”.

Para o deputado único do PAN, “é incompreensível, num momento em que debatemos as alterações climáticas”, haja no orçamento “um corte desta magnitude”. André Silva reconhece que há aspetos “bastante positivos”, designadamente “naquilo que é trajetória de reposição de rendimentos das famílias”, mas deixa críticas relativamente aos investimentos escolhidos: “Corta-se onde é decisivo investir, e esbanja-se dinheiro nas poluentes indústrias da carne, do leite, nas hidroelétricas, e na exploração de petróleo”.

Para este governo, claramente, e para os partidos que suportam este governo, o ambiente continua a não ser uma prioridade”, afirmou André Silva.» [Observador]

      
 A heteronormatividade do virgem ofendido
   
«Os tribunais são useiros e vezeiros em sentenças que limitam a liberdade de expressão e são repetidamente contrariados pelo TEDH. Se precisar, recorra a crowdfunding. Muitos, como eu, contribuirão.

Os deputados deviam sempre primar pela instrução e nortear-se pelo princípio da elevação. Não espanta que ao insulto digam não: sim à liberdade de expressão, mas sempre com educação. Não precisam de acreditar em mim, basta verem este vídeo até ao fim:



Descrevo. Numa audição à Ministra da Saúde em 2009, Maria José Nogueira Pinto, deputada do PSD, refere-se a Ricardo Gonçalves, deputado do PS, dizendo: “há pouco estava a perguntar de onde é que saiu este palhaço.” E como no parlamento a elevação é a regra e não a excepção, Gonçalves explica que Nogueira Pinto “vende-se por qualquer preço para ser eleita por qualquer partido”. Nogueira Pinto não se fica e conclui que “o Sr. deputado é inimputável”. Esta audição deve ter sido animada, dado que antes já um deputado do PS tinha sugerido que a oposição estava esquizofrénica.

Apesar do elevado nível, não fique o leitor a pensar que não há debates ainda mais elevados. Por exemplo, num sobre painéis solares, o deputado do PSD José Eduardo Martins convidou um deputado do PS a ir, e passo a citar, “para o caralho”. Um pouco mais à frente, qual cavalheiro a defender a honra, ainda desafia o deputado em causa, Afonso Candal, para um duelo lá fora.



Quem, neste último debate, conduzia os trabalhos era Jaime Gama, Presidente da Assembleia da República. Jaime Gama, ex-ministro dos Negócios Estrangeiros (em pelo menos três Governos) também deu alguns contributos importantes para a elevação. Por exemplo, falou de Alberto João Jardim como o “Bokassa madeirense”. Bokassa foi, recorde-se, um dos mais sanguinários ditadores africanos. Num outro debate, Gama dirigiu-se a Guilherme Silva, deputado do PSD, apelidando-o de “vulgar canalha”. Não admira que tenha mais tarde sido eleito como pastor do rebanho.

Cara leitora e caro leitor, não estou a exagerar, experimente pesquisar nos diários da Assembleia e descobrirá outras pérolas de elevação parlamentar, como quando Francisco Sousa Tavares se queixou de que o deputado Raul Rego o tinha mandado para a “puta que o pariu” ao mesmo tempo que o chamava “escarro moral” ou de quando a Assembleia Regional da Madeira aprovou um voto de louvor ao Alberto João Jardim por ter chamado “filhos da puta” a alguns “bastardos do Continente”. Infelizmente, num pudor incompreensível, nos anos mais recentes, o diário da Assembleia passou a censurar os insultos, pelo que deixou de ser pesquisável. Por exemplo, não encontramos o momento em que um deputado do PSD chamou palhaço ao primeiro-ministro José Sócrates. Felizmente, temos o Facebook e o Twitter, onde os deputados vão podendo escrever sem censura. Por exemplo, recentemente, tivemos o jovem deputado Tiago Barbosa Ribeiro a chamar “gangster” ao anterior Presidente da República.

Ao contrário do que possa parecer, não critico os nossos deputados por serem pouco civilizados. Bem pelo contrário, execro o respeitinho. Como muitos, sou daqueles que consideram que um dos momentos mais altos da nossa Assembleia da República se deu quando a “poeta” Natália Correia disse que o deputado Morgado apenas tinha trucatrucado uma vez na vida, insinuando que era capado.

Claro que não é qualquer um que insulta com a classe de Natália, mas debates acalorados contribuem, ou podem contribuir, para a salubridade do regime. É também para isso, se calhar, principalmente para isso, que existe a imunidade parlamentar: para que cada um dos nossos representantes não se sinta condicionado quando se trata de dizer o que lhe vem à cabeça, mesmo que seja um disparate ou um insulto.

O que é incompreensível é que um deputado, que a coberto da sua imunidade pode insultar quem lhe apetecer, recorra aos tribunais porque um cidadão o insulta. Não é aceitável que quem tem o direito de chamar vulgar canalha a alguém se arme em virgem ofendido quando alguém lhe chama camelo. E, sendo aceitável que na nossa Assembleia se chame mentiroso a alguém, não pode alegar ofensa o deputado a quem acusam de ser desprovido de neurónios. Diria mesmo que sempre que alguém cita Oscar Wilde se contribui para a elevação intelectual do debate político português. Mesmo que a citação seja para dizer que “os loucos por vezes curam-se, os imbecis nunca”. O regime de imunidade dos deputados devia exigir que no início de cada mandato tivessem de fazer uma escolha simples: ou prescindiam da imunidade parlamentar ou prescindiam de perseguir judicialmente quem os atacasse.

Revolta-me ver o deputado Carlos Peixoto pedir uma indemnização de 10.000€ por danos não-patrimoniais a António Figueiredo e Silva, um cidadão que reagiu com um artigo de opinião violento, mas muito bem escrito, a um outro artigo desse deputado em que falava dos velhos como a “peste grisalha”. O deputado Carlos Peixoto comporta-se como um rufia cobardolas, que bate nos mais fracos enquanto o irmão mais velho o protege. Esperava mais dignidade.

Juntando o insulto à injúria, o Tribunal condenou o homem a pagar uma indemnização ao deputado. Caro António, de si, apenas sei que vive em Coimbra. Não sei quais as suas capacidades financeiras, mas espero que recorra ao Tribunal Europeu dos Direitos Humanos. Os tribunais portugueses são useiros e vezeiros nestas sentenças que limitam a liberdade de expressão e são recorrentemente contrariados pelo TEDH. Se não tiver capacidade financeira para tal, recorra a crowdfunding. Tenho a certeza que, como eu, muitos contribuirão.

Já perto do fim daquela sessão em que a deputada Nogueira Pinto chamou palhaço a um deputado do PS e a oposição foi acusada de esquizofrenia, o deputado João Semedo concluiu que o que ali se tinha passado era um insulto aos palhaços e esquizofrénicos. Essa é a única crítica que faço a António Silva. Ao comparar Carlos Peixoto a um camelo, insultou os camelos. E isso não se faz, são bichos muito respeitáveis.» [Observador]
   
Autor:

Desta vez, talvez só mesmo desta vez, concordo a 100% com Luís-Aguiar Conraria, às vezes acho que este país é uma "casa de putas com bigode".

Depois do famoso poema que Natália Correia dedicou ao deputado Morgado que este país deveria ter deixado de ser tão bacoco. Mas  parece que teremos que esperar por uma nova geração de magistrados.



      
 Desemprego está a recuar
   
«A taxa de desemprego recuou ligeiramente em setembro para 10,8%, de acordo com a estimativa ainda provisória do Instituto Nacional de Estatística (INE). Este valor corresponde a uma descida de 0,1 pontos percentuais face à taxa registada em agosto e que ficou nos 10,9%, já de acordo com dados definitivos. Em relação aos três meses anteriores, a descida na taxa é de 0,2 pontos percentuais.

A taxa definitiva de agosto acabou por se fixar num valor igual ao apurado para julho, depois de o INE ter revisto em ligeira baixa, de 0,1 pontos percentuais, a estimativa provisória divulgada para aquele mês que era de 11%. O desemprego desceu 0,3 pontos percentuais em relação à taxa registada há três meses, em maio.» [Observador]
   
Parecer:

Ainda sou do tempo em que se dizia que sem crescimento acima dos 2% não haveria criação de emprego. Só é pena que o indicador do desemprego diga pouco acerca de emprego.
   
Despacho do Diretor-Geral do Palheiro: «»
  
 Os funcionários públicos ficaram
   
«No parlamento, o ministro das Finanças afirmou que "ao contrário da previsão inicial, o número de aposentados - e há várias razões que explicam isto - na Administração Pública está muito abaixo do que era a previsão inicial dos serviços que gerem a Caixa Geral das Aposentações".

"De uma estimativa de 20.000 [trabalhadores] passámos para 15.000 e os últimos números que temos disponíveis apontam para um nível de aposentação em torno de 6.000 e poucos efetivos na Administração Pública onde esta regra se iria aplicar", afirmou Mário Centeno.

O ministro lembrou que algumas das áreas da Administração Pública "para funcionar precisam de uma adaptação desta regra", o que significa que ela acaba por ser "aplicada em média" em todos os serviços.» [DN]
   
Parecer:

As penalizações para reformas antecipadas bloqueiam muitos dos serviços do Estado, onde é importante uma renovação geracional.
   
Despacho do Diretor-Geral do Palheiro: «Lamente-se.»

 É o que a direita quer
   
«PSD e Bloco de Esquerda apresentam esta quarta-feira propostas no Parlamento para baixar os salários da administração da Caixa Geral de Depósitos e obrigar os gestores a apresentar as declarações de rendimentos no Tribunal Constitucional, conforme avançou o DN. Apesar de, nesta altura, só o Tribunal Constitucional poder notificar presidente e restantes administradores do banco público para que apresentem os rendimentos, perante as pressões políticas, haverá já quem ameace bater com a porta.

Segundo o Jornal de Negócios, a equipa de António Domingues na CGD mantém a posição de que a lei está a ser respeitada de forma escrupulosa, e há gestores que admitem renunciar aos cargos caso sejam mesmo obrigados a apresentar a declaração de rendimentos no Constitucional. Os responsáveis não têm qualquer intenção de, voluntariamente, entregar a declaração de rendimentos para travar a crescente pressão dos partidos nesta matéria, acrescenta o jornal.» [DN]
   
Parecer:

Talvez o melhor seja convidar o Mota Pinto, o Vítor Bento e outras personalidades do PSD, assim já o PSD fica contente.
   
Despacho do Diretor-Geral do Palheiro: «Espere-se para ver.»

 E ninguém pergunta quanto ganhavam os gestores da CGD?
   
«A Caixa Geral de Depósitos (CGD) arrisca perder mais de 900 milhões de euros em operações empresariais montadas à volta do grupo do sector petroquímico La Seda Barcelona e articuladas politicamente entre Portugal e Espanha, um traço marcante da década passada. 

Este é um dos principais problemas que o presidente da CGD tem para resolver nos próximos meses e que resulta de decisões de investimento e de financiamento tomadas quando José Sócrates era primeiro-ministro e à frente do banco estavam dois socialistas: Carlos Santos Ferreira e Armando Vara, o seu vice-presidente. E não é apenas a dimensão dos prejuízos que o torna sensível. É também porque denuncia as dificuldades de muitos gestores bancários em resistir às pressões e orientações dos governantes.

É um dossier com histórias diferentes: a da espanhola La Seda (que produzia poliéster termoplástico para fabricar garrafas e outros produtos em plástico) e a das portuguesas Selenis (accionista da La Seda e fabricante de plásticos), Artlant (a fornecedora da La Seda) e Barbosa Almeida (accionista). Empresas com estratégias diferentes que se cruzaram num dado momento, entre 2006 e 2010. No meio, como pivô, esteve sempre a CGD. O banco que foi ao mesmo tempo financiador da La Seda, da Artlant, da Selenis e da Barbosa e Almeida; investidor da La Seda e da Artlant; e o promotor do projecto que iria revitalizar o complexo de Sines. 

Hoje, a La Seda, a Artlant e a Selenis, que chegou a deter 24% da empresa catalã, integram a lista dos grandes devedores da Caixa, mas estão insolventes. A La Seda pediu a protecção contra credores, a Artlant está ao abrigo de um Plano Especial de Revitalização (PER) e a Selenis (hoje Jupiter) declarou-se falida.  

A dimensão da exposição da Caixa a este núcleo empresarial não é igual: na La Seda investiu 121,3 milhões e deu financiamentos de 75 milhões; na Artlant aplicou 25 milhões e reclama créditos de 520 milhões. E à Selenis (do grupo Matos Gil) emprestou 165 milhões. 

Uma década depois de realizar o primeiro de vários investimentos na esfera empresarial da espanhola La Seda, o banco público arrisca perdas (em dívida e capital) superiores a 900 milhões de euros. Ou seja, quase 22% do esforço público (4100 milhões) de recapitalização que vai ser feito na Caixa (de 5200 milhões). » [Público]
   
Parecer:

Não vejo ninguém questionar quanto ganhavam os gestores no tempo destes negócios ou ir analisar as suas declarações de rendimentos, comparando-as com a sua situação atual.
   
Despacho do Diretor-Geral do Palheiro: «Lamente-se tanta hipocrisia.»

quarta-feira, novembro 02, 2016

Perversão orçamental

A CIP, agora designada simpaticamente por “parceiro social” não é parceiro e muito menos social, seja de quem for, foi criada para defender os interesses dos seus associados e os seus interesses medem-se em lucros para as empresas. Existe por juntos os patrões têm mais força do que sozinhos.

Com os sindicatos sucede o mesmo, existem para defender os direitos dos seus associados, genericamente é usual que os sindicatos defendem os trabalhadores, mas a verdade é que os sindicatos defendem os seus trabalhadores, os trabalhadores que supostamente representam e, por vezes, o egoísmo vai ao ponto de defenderem apenas os seus associados. Veja-se o que aconteceu ainda recentemente na TAP, os sindicatos que assinaram um acordo com o governo da direita tentaram restringir os benefícios desse acordo aos seus associados.

Ainda bem que trabalhadores, empresas, moradores, viajantes, condutores, famílias ou qualquer outra forma de representação coletiva de cidadãos que pretendem defender os seus interesses, uns mais egoístas que outros, se organizam. Só lhes fica em que afirmem sempre terem objetivos coletivos, escondendo os seus interesses mais egoístas, até podemos designá-los de forma simpática como parceiros sociais.

Nos últimos anos os parceiros sociais estiveram muito na moda, na incapacidade de impor as políticas extremistas aos partidos com representação parlamentar inventou-se uma democracia, onde os políticos cediam lugar aos representantes dos “parceiros sociais”. Aconteceu, então, um estranho fenómeno, do lado dos trabalhadores sempre houve apenas dois parceiros sociais, do doutro lado assistiu-se a um fenómeno procriativo. Quando se fala em sindicatos fala-se da CGTP e da UGT, mas no que se refere às empresas tínhamos as confederações setoriais mais umas associações de quem ninguém tinha ouvida. Apareceu, por exemplo, a associação das empresas familiares e ninguém teve a ideia, porque podia muito bem ter aparecido a associação dos empresários canhotos.

A direita tornou-se, de repente, uma admiradora da democracia representativa e agora leva mais longe esta manobra velhaca. Vai ouvir os tais parceiros sociais opondo as suas propostas às da maioria dos deputados, aqueles que os portugueses elegeram para os representar. A direita acha que eu devo aceitar as regras orçamentais ditadas por um tal Saraiva que eu não elegi para nada, foi eleito por empresários para defender os seus interesses, se necessário em prejuízo da maioria dos portugueses.

Dantes havia quem opusesse à maioria parlamentar uma maioria nas manifestações de rua, inspirada no PCP a direita quer opor á maioria dos portugueses representados no parlamento, dois ou três senhores que representam algumas centenas de empresários. Querem que o OE seja pervertido, que seja um OE feito pelos empresários transvestidos em parceiros sociais para defesa dos seus próprios interesses, no falso pressuposto de que são as empresas que representam a economia e deve ser esta a ter o primado na elaboração do OE.

Umas no cravo e outras na ferradura




 Jumento do Dia

   
Carlos Abreu Amorim

O mui douto e anafado deputado do PSD, um dos ideólogos da era Passos que o PSD foi buscar às franjas da extrema-direita, vem tentar explicar o inexplicável, que o caso da licenciatura de Relvas nada tem que ver com os agora surgidos.

Não tem não senhor, Relvas era ministro, Relvas soube conseguir um canudo sem estudar, Relvas não se demitiu a não ser quando percebeu que não tinha condições para continuar, relvas não renunciou ao canudo teve de ser a justiça a repor a verdade.

Pela primeira vez sou obrigado a dar razão a este troculento advogado, um grande admirador de Relvas nos seus primeiros tempos de governo

«Primeiro foi Rui Roque, adjunto do gabinete do primeiro-ministro, quem abandonou o Governo depois de se saber que não tinha nenhuma licenciatura, ao contrário do que constava no despacho da nomeação.

Uma semana depois foi a vez de Nuno Félix, chefe de gabinete do secretário de Estado da Juventude e Desporto, demitir-se na sequência da vinda a público das suas duas falsas licenciaturas.

Perante este cenário, o vice-presidente do grupo parlamentar do PSD rejeita qualquer comparação com o que sucedeu com Miguel Relvas.

“Andam por aí uns artistas do spin a tentarem fazer, pateticamente, uma analogia entre os casos das licenciaturas falsas deste Governo e o que aconteceu com Miguel Relvas”, começa por dizer o social-democrata, acrescentando de imediato que esta ideia é “infantil” e não passa de um tentativa de “tentar atenuar a culpa de uns com a do outro e embrulhar tudo no mesmo”.

Carlos Abreu Amorim explica então num longo texto publicado na sua página do Facebook por que os casos do Governo socialista não podem ser comparados ao do governo PSD/CDS.

“Não há qualquer similitude entre as situações” porque “Relvas não alegou ter uma licenciatura sem ter obtido o título universitário”.» [Notícias ao Minuto]

 Os novos golpes de Estado

Na lógica dos velhos golpes de Estado, habitualmente conduzidos por militares, cabia a esta casta a defesa dos valores da sociedade, quando a política ultrapassava os limites daquilo que consideravam aceitável para o país, os militares intervinham. Foi com este tipo de argumentos que assistimos no passado a dezenas de golpes militares.

Entretanto, na maioria dos países a democracia acabou por vingar, a lógica da tropa foi substituída pela lógica das leis, os militares cederam o lugar aos magistrados, nalguns casos a polícias de toga. Em vez e se matarem os adversários a tiro, estes são mortos na barra dos tribunais, mas muitos antes disso são abatidos na comunicação social e enterrados por uma opinião pública manipulada.

São cada vez mais os países onde polícias e magistrados estão unidos para velarem pelos bons valores, multiplicam-se os casos em que magistrados se sentem no dever de influenciar o curso dos acontecimentos políticos, substituindo-se aos velhos generais, agora amansados. Temos assistido ao espetáculo do Brasil, agora está sucedendo nos EUA.

      
 A Guiné Equatorial está a gozar?
   
«A Guiné Equatorial pediu apoio técnico da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) para abolir a pena de morte, o que os restantes Estados-membros da organização registaram "com agrado", segundo a declaração final da cimeira de Brasília.

Os chefes de Estado e de Governo da CPLP reunidos na XI conferência, esta segunda e terça-feira, "registaram com agrado a solicitação da Guiné Equatorial de apoio técnico à harmonização legislativa interna, decorrente da moratória à pena de morte em vigor, no sentido de a converter em abolição, em conformidade com os princípios fundamentais e valores universais comungados por todos os Estados-membros", segundo a declaração final da cimeira.

Os países lusófonos "congratularam-se com o anúncio da conclusão dos procedimentos internos de ratificação dos estatutos da CPLP e com a entrega simbólica da respectiva carta ao secretário-executivo da CPLP, que consolida a integração da Guiné Equatorial na CPLP e abre caminho à adopção do acervo comunitário", refere ainda o documento, aprovado na cimeira, que termina na manhã desta terça-feira em Brasília.» [Público]
   
Parecer:

De que tipo de assistência técnica estarão a precisar?
   
Despacho do Diretor-Geral do Palheiro: «Dê-se a merecida gargalhada.»

terça-feira, novembro 01, 2016

A alma penada

O PSD está transformado num calhambeque conduzido por um motorista desterrado, a pobre viatura quando não está sem gasolina, anda aos solavancos, quando não dá estouros fura um pneu. Parece que ninguém se oferece sem o conduzir e cada vez são menos os que embarcam nele. Passos pensou que a geringonça ia encravar e, afinal, é o seu calhambeque que está à beira de gripar.

Passos apostou e falhou. Apostou que mesmo sem maioria absoluta governaria, podendo gerir a agenda política até poder lançar uma crise e ir a eleições antecipadas, até contou com a ajuda de Cavaco, mas falhou. Apostou que a geringonça não aguentaria, pelo que lhe bastaria andar a fazer de primeiro-ministro no exílio, porque mais tarde ou mais cedo o poder ser-lhe-ia devolvido, mas falhou. Apostou que a política económica ida geringonça iria conduzir a um segundo resgate, até adivinhou que setembro seria o mês da desgraça, mas falhou.

Passos Coelho falhou em tudo, falhou nos papéis que já representou, desde primeiro-ministro no exílio a fazer de morto, falhou na  aposta de um segundo resgate, falhou na crença de que a geringonça não se entenderia no OE para 2017. Passos Coelho é um falhado e isso vê-se em todo o lado, vê-se no silêncio de um Marco António que desapareceu, vê-se na fuga do seu vice para a OCDE, vê-se quase todas as semanas na queda do PSD nas sondagens.

Passos falhou e o PSD está mirrando, é um partido sem projeto, sem personalidades de peso, um partido liderado por um Passos sem grandes qualidades que só trás atrás de si figuras secundárias e o apoio da extrema-direita chique do Observador, que ainda não arranjou melhor alternativa.

Passos é um líder político que já morreu, mas que se esqueceram de enterrar, é uma alma penada da política portuguesa, anda por aí, inaugurando escolas, visitando feiras, assustando a geringonça, até que Marques Mendes, Rio ou qualquer outra santidade do PSD se digne fazer-lhe o enterro, que todos desejam e pelo qual todos esperam.
 

Ums no cravo e outras na ferradura




 Jumento do Dia

   
Ascenso Luís Simões

Vivemos num país onde ser sotôr é um  desejo de uma boa parte da população, para conseguirem ver os seus filhos "sotôr" muitas famílias fazem sacrifícios, primeiro desejam vê-los em cursos de sucesso, se as notas não chegarem outro curso serve, de preferência numa boa faculdade, das mais procuradas. Colocam-se os filhos nas melhores escolas secundárias, quase se fazem guerra civis em defesa do colégio privado que lhe garante o sucesso, mas se tudo falhar, se mesmo marrando dia e noite os rebentos não tiverem a média desejada, sempre há as escolas privadas, no topo a Católica, se não for possível ainda há a UAL e por aí adiante.

Mas não passa pela cabeça do cidadão comum ultrapassar tudo e todos e ultrapassar tudo e todos pela direita. Deseja-se que o filho seja sotôr, mas se isso é símbolo de sucesso, também o é de trabalho, é um símbolo de sucesso social, mas também o é de competência. Quem viola estas regras não tem condições para fazer uma carreira política, não deve desempenhar funções de responsailidade no Estado. Miguel Relvas é um político inteligente, basta ver a perde de qualidade de Passos depois da sua partida, para se perceber a sua importância, mas não resistiu à tentação de ser sotôr, teve de partir e dificilmente regressará.

Mas há políticos no PS que não pensam assim, não se importam que um dos seus engane os portugueses e o primeiro-ministro, que se aproveite do partido para singrar arvorando-se do que não é, porque não foi capaz ou porque não lhe apeteceu trabalhar o que era necessário. Lamentavelmente Ascenso Simões acha que um político pode ser construído com mentiras, não se importa da perda de credibilidade que esta nódoa representa para a classe política, deseja o regresso de alguém que em quase todo o mundo desenvolvido seria dipensado do mundo da política.

É a lógica dos grupos partidários,  os laços criados nas lutas partidárias estão acima dos valores. É por isso que é tão fácil falar mal dos políticos portugueses, por causa de uns pagam todos. Esperemos que o Félix não volte, que desapareça, que deixe singrar na política os que não fazem ultrapassagens pela direita e que o Ascenso Simões o acompanhe.


PS: Via Ferreira Fernandes, DN.

 Rui Rio na liderança do PSD

Nunca tive grande simpatia por Rui Rio, muito embora lhe reconheça muitas qualidades, mas uma mudança de Passos para Rui Rio na liderança do PSD está acima destas apreciações, trata-se de um grande salto civilizacional. O PSD teria muito a ganhar em credibilidade, em estabilidade, em valores ideológicos e, acima de tudo, em honestidade política.

 Marques Mendes diz que o governo colocou-se de cócaras

O pobre coitado deve ter tido um fanico cerebral e depois de ouvir o ministro das Finanças alemão falar, deve ter pensado que estávamos no tempo em que a Maria Luís ia a Berlim participar em seminários encenados.

 Cresce, não cresce, estraga, não estraga


      
 Os velhos marinheiros e os jovens jotas
   
«Confesso, tenho um fraquinho por alguns falsos licenciados, por outros, não. Um dos meus melhores amigos, o Vasco, forjou um curso e andou com ele pespegado ao peito como uma medalha. Aliás, esta quando a comprou disseram-lhe que era genuína. E o curso ele usava-o não só como o canudo verbal tão português, ao telefone: "Daqui é o Dr. Vasco." A licenciatura do Vasco era de corpo inteiro e fardado, do boné aos sapatos imaculados. No meio, jaquetão e calças brancas, botões e insígnias douradas e até um cachimbo, enfim, tudo que dissesse quão licenciado ele era: o Vasco inventou-se a licenciatura em capitão-de-longo-curso. O pai, tacanho mas metódico, foi da tasca ao empório comercial e, entretanto, não teve tempo para dar um curso ao filho. Dinheiro, o Vasco herdou, mas o curso, ele fez-se por si próprio. Em Periperi, lugarzinho do litoral baiano, apresentado por Jorge Amado, conheci o Vasco e as suas histórias sobre naufrágios, ataques na costa turca, cargas de ópio e uma mulher em cada porto. Ele estendeu-me o cartão: "Vasco Moscoso de Aragão - Capitão-de-Lo-Curso". Estendi o meu: "Zé - Ex-Passageiro do Paquete Vera Cruz". Mentíamos ambos (de facto, andei no Niassa). Isso, invenções pessoais, é giro. Agora, mentir prejudicando o grupo que nos fez (empresa, partido...) paga-se. Mas o socialista Ascenso Simões acha que não, diz no Twitter: "Nuno Félix é um bom quadro político. Espero que volte." Estamos assim e não devíamos.» [DN]
   
Autor:

Ferreira Ferreira Fernandes.

      
 Um Visto Gold "grátis" para cada cidadão da CPLP?
   
«O Presidente da República; Marcelo Rebelo de Sousa, quer uma “nova estratégia” para a Comunidade de Países de Língua Portugal (CPLP) e o Governo leva a Brasília a sua proposta de liberdade de residência dentro do espaço da CPLP, mas na comitiva portuguesa há muito pouca esperança de que a Cimeira de Brasília, que começa esta segunda-feira, sirva para alguma coisa.

“Há que ter uma nova visão, uma nova estratégia, onde o acento tónico são os povos. É muito importante a língua, é muito importante a cultura, mas é fundamental a ligação entre povos, em todos os domínios, a economia, as relações sociais, a mobilidade a circulação, tudo isso é muito importante”, afirmou Marcelo Rebelo de Sousa já em Brasília, depois de um encontro com a comunidade portuguesa. Mas, quanto se pergunta para que vai servir a cimeira, há mesmo quem responda: “Para nada.”

Nesta cimeira, só Portugal se faz representar ao mais alto nível, com Presidente, primeiro-ministro e ministro dos Negócios estrangeiros. Nem o Brasil, país anfitrião, assegura a presença do Presidente Temer a tempo inteiro. E a falta de empenho do Brasil tem sido um dos crónicos problemas da CPLP, juntamente com o desinteresse de Angola, que será representada pelo vice-presidente, José Domingos Vicente. » [Público]
   
Parecer:

Era ouro sobre azul para os cidadãos da CPLP, 270 milhões de cidadãos da CPLP poderem circular livremente e sem vistos gold no espaço Schengem, beneficiando de uma política de livre circulação dentro da comunidade e ignorando as regras das outras comunidades de que Portugal faz parte.
   
Despacho do Diretor-Geral do Palheiro: «Sorria.se,»
  
 Barroso na Goldman
   
«O Comité de Etica 'ad hoc' da Comissão Europeia concluiu que o antigo presidente Durão Barroso não violou as regras dos tratados ao aceitar o cargo de presidente não-executivo da Goldman Sachs, ainda que tenha demonstrado falta de "sensatez".

Em resposta ao requerimento do presidente da Comissão, Jean-Claude Juncker, que em setembro solicitou um parecer relativamente à designação do seu antecessor para o cargo de presidente não-executivo do banco de investimento norte-americano, o Comité de Ética – órgão independente de Bruxelas –, no parecer divulgado esta manhã pelo executivo comunitário, considera que Durão Barroso "não demonstrou a sensatez que se poderia esperar de alguém que ocupou o cargo de presidente durante tantos anos", mas "não violou o seu dever de integridade e discrição".

O Comité de Ética sublinha na sua opinião o compromisso assumido por Durão Barroso de não desempenhar o papel de "representante de interesses" (lobista) da Goldman Sachs, considerando que o mesmo responde ao dever de integridade e discrição imposto pelo Tratado.

Após Juncker ter decidido solicitar um parecer ao Comité de Ética, ao abrigo do artigo n.º 245 do Tratado de Funcionamento da União Europeia, que exige aos comissários e ex-comissários "o total respeito pelos princípios de discrição e integridade", o comité estudou a troca de correspondência verificada, incluindo uma carta com explicações enviada por Durão Barroso ao atual presidente da Comissão, datada de 18 de setembro, na qual o antigo primeiro-ministro português nega que vá fazer lóbi na Goldman Sachs, nem tão-pouco irá ser conselheiro para as negociações relacionadas com a saída do Reino Unido da UE (Brexit), como inicialmente noticiado.» [Expresso]
   
Parecer:

O homem vai dedicar-se ´+a jardinagem e tratar das roseiras do jardim da sede do banco.
   
Despacho do Diretor-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»

 Durão satisfeito com Costa
   
«O presidente não-executivo da Goldman Sachs, Durão Barroso, considerou esta sexta-feira que o primeiro-ministo "agiu com muita dignidade" ao pedir esclarecimentos ao presidente da Comissão Europeia sobre o tratamento que lhe está a ser dado pelo novo cargo.

"Fiquei satisfeito. Penso que [António Costa] entendeu que havia aqui um caso de discriminação e pediu formalmente ao presidente da Comissão [Jean Claude Juncker], porque entendeu que devia pedir. Agiu com muita dignididade, defendendo aquilo que é uma posição portuguesa", afirmou Durão Barroso.» [Expresso]
   
Parecer:

Digamos que recebeu um lição de Costa, ninguém acredita que Barroso tivesse o mesmo gesto se a situação fosse a inversa, em matéria de lealdade e de solidariedade não é certo que Barroso tenha um lugar no Céu e talvez nem mesmo no Purgatório.
   
Despacho do Diretor-Geral do Palheiro: «Tenha-se dó da pobre criatura.»


      
 Cristas antecipa-se a Passos
   
«A líder do CDS-PP afirmou esta segunda-feira que os mapas do Orçamento do Estado para 2017 que estavam em falta evidenciam que "há duas versões" do documento, acusando o Governo de "lançar um manto de opacidade" em relação às opções.

Depois de uma reunião com a Confederação Empresarial de Portugal (CIP), Assunção Cristas foi questionada sobre os mapas que estavam em falta relativos ao Orçamento do Estado para 2017 (OE2107) - e que entretanto já foram enviados pelo Governo para o parlamento depois dos pedidos do CDS-PP e do PSD - considerando que "há uma versão um do orçamento e uma versão dois".

"Estamos perante duas versões do orçamento e é lamentável que não tenha sido apresentado todo, veridicamente e tal qual como vai ser discutido e eventualmente aprovado no parlamento, na sua versão final", criticou, acusando o Governo de não ser "amigo da transparência", de "ocultar aquilo que são as próprias medidas e lançar um manto de opacidade em relação àquilo que são as suas opções".» [Público]
   
Parecer:

Passos disse que ia ouvir os parceiros sociais, Cristas já foi. A seguir deverá ouvir a associação das famílias numerosas....
   
Despacho do Diretor-Geral do Palheiro: «Dê-se a merecida gargalhada.»