sábado, novembro 19, 2016

Azares do Diabo


"O Diabo se faz ermitão", provérbio popular
Imagem de hoje publicada na edição online do Público

O PS era liderado pelo dócil Seguro, o país estava à beira de uma saída limpa, a direita manda na Europa e era amiga de Passos, o ministro alemão das Finanças organizava falsos seminários para apresentar a Maria Luís, Portas estava domesticado, tudo corria bem a Passos Coelho, tão bem que este se dava ao luxo de dar ares de ser ele a escolher o próximo presidente, alguém que fosse tão dócil quanto Cavaco Silva, a confiança era tanta que até se permitia humilhar Marcelo, apelidado um dos militantes que mais tinha dado a PSD de cata-ventos. Mas Passos teve azar e Marcelo Rebelo de Sousa chega a presidente, sem o seu apoio, sem a sua presença na sua campanha e dispensando o PSD.

Certo de que a esquerda nunca se coligaria apostou tudo numa vitória eleitoral sem maioria parlamentar, convencido de um segundo resgate e uma crise política seria a oportunidade de antecipar eleições e conseguir a maioria absoluta. Estava tão certo disto que aceitou formar um governo de faz de conta e ainda hoje não se conformou porque os seus préstimos governamentais foram dispensados por uma maioria parlamentar. Acabou no ridículo propondo uma revisão constitucional à pressa para antecipar eleições, teve azar.

Convencido de que a geringonça não duraria e que os seus amigos da Europa viriam em seu auxílio, com exigências de plano BE, chumbos dos orçamentos, sanções e outras ameaças optou pela pantominice do primeiro-ministro no exílio, em vez de se assumir como líder da oposição, deixando este papel a uma Assunção Cristas que já pensa forçar o PSD a apoiá-la nas autárquicas de Lisboa. Teve azar, a geringonça está para durar e Passos nem é líder da oposição nem exilado, está na terra de ninguém da política.

Deixou as contas fiscais armadilhadas, Paulo núncio tinha aldrabado as receitas de 2015 para criar a ilusão da sobretaxa e ajeitou as contas de 2015 com retenções na fonte excessivas. Com um buraco fiscal herdado de 2015 bastaria que as receitas fiscais ficassem abaixo do previsto para 2016 para, a dois meses da reavaliação do rating da DBRS, o país poder resvalar para um segundo resgate. Mas teve azar, o desastre anunciado para Setembro não aconteceu e Passos acabou por cair no ridículo.

Quando se imaginava a ir em ombros para o poder por alturas de São Martinho, com o governo a arder na fogueira da estagnação e do segundo resgate, tudo lhe correu mal, as contas estão controladas, as receitas fiscais aguentaram-se, a despesa foi controlada e Portugal é elogiado na Europa. Nem o governo, nem o país arderam nos incêndios atiçados pelo verão de São Martinho, foi azar.

Passos é a personalidade política na história de Portugal desde o tempo dos Távoras, é caso para dizer que foi mesmo um azar do Diabo de Massamá.

Umas no cravo e outras na ferradura




 Jumento do Dia

   
Marcelo Rebelo de Sousa

Fica bem ter algumas palavras agradáveis para com uma senhora da idade, desde que com essas palavras não se lhe esteja a chamar velha ou a recordar que já não tem o luxuosa iate, que tantas saudades lhe deixou. Também não é boa ideia não levar o texto bem estudado e dizer à senhora que o líder da oposição, quando era mais ou menos um vice nessa época.

Estes erros pagam-se caro e o ridículo não fica muito bem, muito menos a um Presidente por mais popular que ele seja, ou que queira ser nos palácios da rainha de Inglaterra.

«Foi o momento alto da visita do Presidente da República ao Reino Unido esta semana. Marcelo Rebelo de Sousa esteve no Palácio de Buckingham com a rainha Isabel II e contou-lhe — para toda a gente ouvir — algumas memórias sobre as duas visitas da monarca britânica a Portugal. Primeiro, em 1957, quando Marcelo tinha oito anos e a rainha 30, e, depois, em 1985, quando Marcelo foi convidado a jantar no iate Britannia na qualidade de “líder da oposição”, disse o próprio Marcelo a Isabel II. Uma gaffe.

Quando chegou a Lisboa, ao Terreiro do Paço, aquela grande praça, numa carruagem, com o general Craveiro Lopes, eu estava lá, era uma criança. Estava na primeira fila para vê-la“, recordou Marcelo Rebelo de Sousa. Na segunda visita da monarca a Portugal, em 1985, continuou Marcelo, também este na presença de sua majestade: “Fui convidado para jantar no [iate] Britannia porque era líder da oposição na altura”.

Foi um momento caricato de uma descontração pouco habitual nos encontros super formais com a rainha de Inglaterra, mas que contém uma um erro. Porque nem Marcelo Rebelo de Sousa liderava a oposição — embora tivesse liderado a oposição interna no PSD — nem o próprio partido estava na oposição, porque partilhava o poder com o PS no Governo do Bloco Central liderado por Mário Soares.» [Observador]

 Aos maus cagadores até as calças empatam

Tudo ia corres mal, o défice a derrapar, o crescimento a minguar, a despesa a aumentar de forma descontrolada, os turistas a fugir, os investidores a abandonar o imobiliário, os chineses a suspenderem os pedidos de vistos gold, por outras palavras, o país caminhava para as piores visões de  Medina Carreira. A desgraça até chegou a ter data anunciada, o armagedão tuga iria ocorrer em setembro.

Mas, azar dos azares, as coisas estão a correr melhor e aqueles que elogiavam Vítor Gaspar quando este ameaçava tirar o escalpe a quem lhe falasse em crescimento, exigem agora taxas dignas dos tigres asiáticos. Aqueles que sugeriam que fosse criada uma agência nacional para facilitar a emigração de jovens qualificados exigem agora que exportemos alta tecnologia. Se o país exporta é porque o crescimento devia ser estimulado pelo consumo, se os privados investem é porque o investimento devia ser público, se o país exporta cuecas é porque devia exportar camisas, nada está bem.

Durante anos Portas fez surf no turismo de Lisboa, mas agora o turismo é uma desgraça, um conhecido professor do ISEG até se juntou ao iletrado em economia Medina Carreira para explicar que o turismo é um crescimento que traz pouco, que usa mão-de-obra pouco qualificada. Curiosamente foi o mesmo professor que há um mês escrevia que "Durante o PREC um ministro e professor de Economia, ademais com grandes responsabilidades educativas, exortou publicamente a população a desprezar o sector do turismo, equiparando-o à actividade de prostituição." O que esperava o senhor professor, que depois de anos sem investimento, com um governo que desprezou as universidades e a investigação, o país exportasse equipamento espacial, peças de aviões e os melhores carros movidos a energia elétrica?

Os que exigiram a liberalização do mercado laboral para se pagar ainda menos, os que são contra o aumento do salário mínimo, os que assistiram tranquilamente à proletarização dos jovens quadros, que ganham menos do que uma empregada doméstica, exigem agora que Portugal exporte alta tecnologia. Concordavam que Portugal fosse transformado num exportador de cuecas, agora exigem á Geringonça que Portugal seja um exportador de ciência.

A falta de honestidade é tanta que ignoram que num hotel de Lisboa ganha-se mais e existe mais mão-de-obra mais qualificada do que na maioria das fábricas representadas na CIP, que receiam ir à falência se tiverem de pagar mais 5 euros de ordenado. Não sei que grandes economistas são estes que ignoram que no sector do turismo o valor acrescentado no país é infinitamente maior do que em muitas das nossas exportações industriais. Enquanto em muitos produtos das nossas exportações tradicionais, uma grande parte do preço resulta de matérias-primas e energia importada, no turismo quase toda a receita resulta de inputs nacionais, isto é, por mil euros de receitas a percentagem de inputs nacionais é bem maior no turismo do que na generalidade dos sectores exportadores.

Mas na hora de tentar afundar o país tudo vale, se for necessário até os mais ilustres professores do ISEG (que saudades do meu velhinho Quelhas…) se tornam fisiocratas e defendem a teoria cavaquiana dos produtos transacionáveis. Como ouvi muitas vezes na minha infância, ao mau cagador até as calças empatam, e estou sendo simpático ao usar a versão espanhola deste dito popular, porque receio que a versão portuguesa se lhes aplique ainda melhor.

      
 Moscovici parece estar com o diabo no corpo
   
«Portugal é, entre os países que receberam uma classificação de “risco de não cumprimento” para os seus planos orçamentais, um dos que melhores indicadores apresentam, assinalou esta sexta-feira o comissário europeu Pierre Moscovici, que abriu ainda a possibilidade de Bruxelas vir no futuro a rever em alta as suas projecções de crescimento para a economia.

A falar na comissão de Assuntos Europeus da Assembleia da República, o comissário que esteve no centro das decisões tomadas recentemente em Bruxelas sobre a política orçamental portuguesa, afirmou aos deputados que o risco detectado em Portugal “foi um dos mais baixos”, assinalando que na opinião que foi publicada pela Comissão se diz que “os riscos estão contidos”.

Isto faz com que, entre os oitos países da zona euro a que Bruxelas deu uma classificaçãoo mais baixa aos orçamentos – detectando a existência de “risco de não cumprimento” das regras europeias –, Portugal seja um dos que os responsáveis da Comissão vêem com melhores olhos. “Portugal está na charneira, entre o ‘risco de não cumprimento’ e a classificação de ‘geralmente conforme’”, afirmou o comissário.» [Público]
   
Parecer:

Não se faz uma coisa destas a um Passos Coelho que ia ficando com calos de dar tanta graxa à Comissão e aos restantes parceiros da Troika.
   
Despacho do Diretor-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»
  
 Os ingleses que se cuidem...
   
«O ministro alemão das Finanças, Wolfganf Schäuble, avisou em declarações ao Financial Times que Berlim não aceitará que se alivie a factura do Reino Unido para com a União Europeia (UE), nem que Londres promova políticas fiscais de excepção com vista a atrair mais investidores para o país.

“Até que esteja completa a saída do Reino Unido [da UE], a Inglaterra terá certamente de cumprir na íntegra todos os seus compromissos. Provavelmente alguns perdurarão para além da saída, pelo menos até 2030… Não podemos conceder nenhuns descontos generosos”, disse Schäuble. Esta semana o Financial Times indicou que a UE poderá apresentar ao Reino Unido uma factura de saída com valores entre 40 a 60 mil milhões de euros.

As previsões de Londres são ainda mais pessimistas, com os responsáveis do Tesouro a anteverem que os custos do "Brexit" poderão elevar-se a 116 mil milhões de euros daqui a cinco anos. O prognóstico deverá ser apresentado pelo ministro do Tesouro na próxima semana.» [Público]
   
Parecer:

Têm o Schäuble à perna!
   
Despacho do Diretor-Geral do Palheiro: «Reserve-se lugar na primeira fila do espetáculo.»

 Só?
   
«Os juízes do Campus da Justiça, em Lisboa, condenaram na tarde desta sexta-feira o antigo dirigente das secretas Jorge Silva a uma pena suspensa de quatro anos e seis meses de prisão por acesso ilegítimo agravado, violação do segredo de Estado e dois crimes de abuso de poder. Foi absolvido de um crime de abuso de poder e de corrupção passiva. 

O tribunal considerou provado que o antigo dirigente das secretas Jorge Silva violou o segredo de Estado em 2010 quando usou o Serviço de Informações Estratégicas de Defesa (SIED) para recolher informações para o grupo económico Ongoing, para o qual foi trabalhar após deixar a direcção do SIED. O acórdão neste caso ainda está a ser lido pelos magistrados judiciais. Gisela Teixeira, então funcionária da operadora Optimus, foi condenada por um crime de violação do segredo profissional.

As informações pedidas por Silva Carvalho diriam respeito quer a negócios que a Ongoing planeava fazer, como entrar no capital de um porto grego, quer a questões da vida pessoal dos seus dirigentes. "São informações que o arguido Silva Carvalho jamais poderia ter usado para fins alheios aos serviços", disse a juíza-presidente.» [Público]
   
Parecer:

H´poucos dias alguém que gritou no parlamento apanhou pena de prisão, remível a multa, este leva pena suspensa, isto é, numa multazinha paga. Gente fina é outra coisa.
   
Despacho do Diretor-Geral do Palheiro: «Lamente-se.»

sexta-feira, novembro 18, 2016

A solidariedade já não é o que era

Nos tempos épicos do pós-25 de Abril, quando se multiplicavam comissões representativas de tudo e de todos e jornais como a Voz do Povo, do camarada José Manuel Fernandes disputavam as audiências aos jornais diários, havia uma coisa chama da solidariedade. Se alguém tinha razões de queixa do patrão contava com a solidariedade dos seus colegas, se uma empresa estava em dificuldades os trabalhadores das outras ajudavam os colegas da empresa em dificuldades.

Multiplicavam-se as comissões de tudo e mais alguma coisa, comissões de pais, comissões de reformados, comissões de jovens, comissões de mães solteiras, comissões de trabalhadores. Neste aspecto sucede mais ou menos o mesmo nos tempos que correm, há associações patronais para todos os gostos, comissões de utentes que ninguém elegeu, mas as semelhanças acabam aí. Agora a regra é o egoísmo, não há solidariedade de ninguém com ninguém.

Agora, se os trabalhadores da Carris fazem greve os da Barraqueiro fazem horas extraordinárias para transportar os utentes da Carris, se os professores estão em greve os enfermeiros assobiam para o ar. Não é como dantes, quando as greves eram virais, se alguém fazia greve todos se solidarizavam e as greves multiplicavam-se como se fossem gripe.

Esta minha nostalgia vem a propósito da greve dos funcionários público que os sindicatos da CGTP convocaram para hoje e tem razão de ser porque ultimamente foram muitas as vozes revolucionárias que apelaram a Mário Nogueira e aos sindicatos da CGTP que não perdessem qualidades. É por isso que fui ler o João Miguel Tavares, no Público, e o José Manuel Fernandes, no Observador, bem como outros articulistas revolucionários da direita, na esperança de ver como manifestavam a solidariedade aos grevistas.

Fiquei desiludido, o João Miguel Tavares nada escreveu porque faz folga à sexta e o José Manuel Fernandes anda mais preocupado com o Trump, assunto que, como é sabido, levou com a cuspidela do Bruno de Carvalho e foi corrido das televisões, agora o que importa não é saber qual a senhora que o Trump vai agarrar pelo lado errado, mas sim se a cuspidela do garanhão de Alvalade foi no estado líquido ou no estado gasoso.

Gente pouco solidária, andaram a apelar à greve, o Mário Nogueira e amigos fizeram-lhes a vontade e agora esqueceram-se de ser solidários. Enfim, Talvez apareçam logo à tarde na manif, ainda não perdi a esperança de ver a Ana Avoila no meio do Tavares e do Fernandes.

Umas no cravo e outras na ferra




 Jumento do Dia

   
Teodora Cardoso, candidata a ministra das finanças do governo sombra

Com Passos Coelho quase enterrado e Maria Luís Albuquerque aparentemente mais ocupada com os seus afazeres no privado, o protagonismo na oposição é cada vez mais assumido por Teodora Cardoso, que parece comportar-se mais como uma ministra de um governo sombra da direita do que como uma técnica independente.

Teodora Cardoso devia ter apresentado a demissão no dia em que  excedeu tudo o que era imaginável e ofereceu-se, na sequência de uma exigência de Passos Coelho, para avaliar as propostas económicas do PS, em plenas legislativas. Alguém que acha que em democracia o povo só pode escolher e opinar depois de as propostas passarem pelo seu crivo pessoal, não sabe muito bem o que anda a fazer.

Mas Teodora não desistiu e depois de quase um ano a liderar a direita nas críticas ao Centeno parece ainda não ter desistido. O espetáculo proporcionado por Teodora Cardoso começa a ser deprimente, porque por mais razão que possa ter é cada vez mais evidente que a sua postura é mais ideológica do que técnica e mais partidária do que institucional.

«A presidente do Conselho de Finanças Públicas (CFP) admitiu hoje que a parte da recapitalização da Caixa Geral de Depósitos (CGD) relativa a prejuízos passados que ainda não foram contabilizados no défice orçamental terão de ser incluídos nesse apuramento.

"A regra do Eurostat não diz respeito à recapitalização da Caixa diretamente, mas diz respeito ao facto de a parte da necessidade de recapitalização que resulta de prejuízos passados e que ainda não foi compensada por aumentos de capital - que esses já foram ao défice - terá de ir ao défice", explicou Teodora Cardoso aos deputados da Assembleia da República, onde está hoje a ser ouvida, no âmbito da apreciação na especialidade da proposta orçamental para o próximo ano.

"Se vamos descobrir novos prejuízos acumulados no passado que justificam e que tornam necessária a recapitalização e que ainda não foram ao défice, a regra será a de o serem", afirmou ainda a presidente do CFP.» [DN]

 Rip Mundo - Teka Balluthy

 Dúvidas que me atormentam

Os que agora desvalorizam o crescimento económico por ter sido impulsionado pelo turismo não serão os meses que se queixaram das taxas e taxinhas e que há um ano e tal atrás avisavam para a fuga dos turistas. Calculo que agora o turismo tenha sido impulsionado pelos veraneantes de Outubro ou pelos espanhóis de Ayamonte que visitaram Vila Real de Santo António.

      
 Teodora ainda não perdeu a esperança
   
«Os prejuízos da Caixa Geral de Depósitos que ainda não foram reconhecidos nas contas irão penalizar o défice público quando forem registados, admitiu esta quinta-feira a presidente do Conselho de Finanças Públicos.

Teodora Cardoso diz que as regras do Eurostat, organismo de estatística da União Europeia, são claras. “A parte das necessidades de recapitalização que resulta de prejuízos passados e que ainda não foi compensada por aumentos de capital terá de ir agora ao défice público. Se vamos descobrir novos prejuízos acumulados do passado que ainda não foram levados ao défice,, a regra será o de serem agora”.

Em resposta à deputada do CDS, Cecília Meireles, Teodora Cardoso explica que estará em causa calcular esses prejuízos e a parte que já foi levada ao défice. “E se houve um remanescente, esse terá de que ser levado ao défice. Isto está claro nas regras europeias. Pode haver é dúvidas sobre o número.” A presidente do Conselho de Finanças Públicas foi ouvida esta quinta-feira no Parlamento sobre o parecer à proposta de Orçamento do Estado de 2017.» [Observador]
   
Parecer:

Teodora mais a Cecília Meireles é como juntar a fome à vontade de comer.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»
  
 Passos ainda sonha com a desgraça
   
«Os ventos estão a soprar a favor do Governo. A maré favorável começou na semana passada, com o Instituto Nacional de Estatística a divulgar dados positivos ao nível da descida do desemprego e da subida das exportações, e continuou esta semana: Bruxelas deu luz verde à proposta de Orçamento do Estado para 2017, sem pedir alterações ou medidas adicionais, disse que Portugal deverá mesmo sair do procedimento por défices excessivos este ano; decidiu não sancionar o país com a suspensão dos fundos comunitários. E, surpresa das surpresas, a estimativa rápida do INE revelou que a economia cresceu 0,8% no terceiro trimestre deste ano, alcançando o melhor resultado dos últimos três anos e o melhor resultado de toda a zona euro. Então, onde anda o Diabo invocado por Pedro Passos Coelho, que chegaria em setembro?

Não anda, nem parece prestes a chegar, mas não é por isso que o PSD vai mudar a narrativa de que “é a economia que vai provar que o modelo do PS não funciona”. Só que para isso tem que dar algumas voltas e afinar os detalhes do argumento. A direção do PSD reconhece que as boas notícias “são sempre melhor para o país do que as más” mas lembra que o bom resultado do crescimento económico do terceiro trimestre foi acelerado pelo crescimento das exportações, que aumentaram 6,6% face ao ano passado, e não pelo investimento e o consumo interno — que era a fórmula mágica dos socialistas.» [Observador]
   
Parecer:

Nunca foi tão evidente a esperança de Passos de ver o país ficar pior.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Enterre-se este defunto que já morreu e ficou esquecido.»

 A UE no seu melhor
   
«O UKIP deverá ser obrigado a devolver mais de 170 mil euros de fundos europeus ao Parlamento Europeu por ter gasto mais de 450 mil euros, ilegalmente, a fazer campanha…contra a União Europeia.

A notícia é avançada esta quinta-feira pelo jornal britânico The Guardian, que teve acesso a uma auditoria do Parlamento Europeu que chega a esta conclusão.

A Aliança para a Democracia Direta na Europa, um veículo político dominado pelo UKIP, terá de pagar 173 mil euros em fundos europeus que foram usados com fins irregulares e ser-lhe-á vedado o acesso a mais 501 mil euros de fundos que estavam previstos. Dos mais de 500 mil euros usados ilegalmente pelo veículo, 450 mil foram gastos pelo UKIP.

Segundo a lei europeia, estes fundos não podem ser usados em campanhas eleitorais ou referendos nacionais, mas a auditoria terá concluído que o UKIP usou os fundos na campanha para as eleições legislativas de 2015 a tentar garantir, sem um sucesso, um lugar no Parlamento para o então líder do partido Nigel Farage.» [Observador]
   
Parecer:

A extrema-direita inglesa usa dinheiro da UE para a destruir.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Lamente-se.»

 Proposta da treta
   
«A bancada parlamentar do PSD vai propor a criação de uma comissão de peritos independentes, em que terão assento os parceiros sociais, para avaliar as necessidades e riscos do sistema de Segurança Social. A proposta faz parte de um pacote de alterações que o PSD pretende apresentar ao Orçamento do Estado (OE) para 2017, na área da Segurança Social, e que considera ir ao encontro do que está escrito no programa do Governo socialista, segundo fonte social-democrata.

Num orçamento que prevê o aumento extraordinário de dez euros para pensionistas até 628 euros e que deixa de fora as mais baixas, o PSD também deverá ter uma proposta sobre essa norma mas que ainda não quer revelar. Na Segurança Social, as medidas que propõe – anunciadas pelo líder do partido como “estruturantes” – incidem na criação de uma comissão, no reforço da transparência dos dados divulgados e numa maior confiança no sistema.

Os sociais-democratas insistem na criação de uma comissão para estudar o sistema da Segurança Social – avaliar necessidades e riscos para o futuro –, com peritos independentes, representantes dos parceiros sociais (dos trabalhadores e entidades patronais) e elementos do Conselho de Finanças Públicas. Desta vez, a comissão não é parlamentar – essa proposta do PSD já foi chumbada este ano –, mas funcionaria no âmbito da Assembleia da República, com o apoio da Unidade Técnica de Apoio Orçamental (UTAO). Este grupo, com 12 elementos, terá um prazo de 180 dias para apresentar conclusões. E terá aceitação no PS? A mesma fonte social-democrata lembra que o próprio programa de Governo prevê uma avaliação rigorosa da evolução do sistema nos últimos anos e dos novos desafios que se colocam.» [Público]
   
Parecer:

O que Passos quer é substituir o parlamento pelas Teodoras Cardoso. Ao criar estas comissões Passos põe ideólogos da dirieta a governar de forma indireta, é o que sucede com Teodora Cardoso que parece ser uma ministra das Finanças na sombra e só não manda porque Centeno a ignora.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Mande-se o senhor bugiar.»

 Recordar os deveres de Passos? Só fora do Parlamento
   
«O tribunal condenou, esta quinta-feira, a ativista Ana Nicolau a seis meses de prisão que será substituída por uma multa de 1.440 euros.

Ana Nicolau, dos Precários Inflexíveis, foi julgada pelo crime de perturbação de funcionamento de órgão constitucional.

Os factos de que é acusada remontam a 11 de março de 2015 quando no plenário da Assembleia da República a arguida interrompeu a intervenção do então primeiro-ministro Pedro Passos Coelho pedindo que se demitisse devido às dívidas que este tinha acumulado à Segurança Social entre 1999 e 2004.

Na leitura da sentença, o juiz do Tribunal de Instância Central destacou que Ana Nicolau é uma cidadã empenhada e que devia ser elogiada por isso, já que “há falta dessas pessoas”.

“Agora o que a sociedade não pode permitir é que essa atuação se faça dentro da Assembleia da República”, acrescentou.» [Observador]
   
Parecer:

Imaginem que a mesma sentença tivesse ocorrido devido a uma manifestação no tempo de Sócrates. Mas já com Passos e os seus deputados a regras é clara, quem se mete com eles leva, porque os deputados e presidentes do Parlamento do PSD não brincam.

Quanto à pena e se considerarmos o que vai por esses tribunais o mínimo que se pode dizer é que se trata de um exagero.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «mandem-se os "parabéns" à antiga presidente do parlamento.»

 A TAP manda
   
«A TAP espera que no Verão de 2018 já exista alguma estrutura temporária no Montijo, onde está a ser estudada a criação de um aeroporto de apoio à Portela. David Neeleman, accionista da companhia aérea, diz estar a fazer “muita pressão” para que o assunto se resolva “e que o Governo chegue a um entendimento com a Força Aérea”.

Em declarações aos jornalistas, à margem do congresso da Associação da Hotelaria de Portugal, David Neeleman exortou o executivo a resolver de uma vez o assunto. “Têm de se sentar à mesa e resolver isso logo, montar algo temporário para que possamos abrir, não neste Verão, mas no Verão que vem. Tem de ser algo aberto lá”, disse.

Neeleman voltou a criticar os custos no aeroporto de Lisboa. “A ANA já aumentou o nosso custo 20 vezes desde que o aeroporto foi privatizado. E é inacreditável ver que quanto mais o aeroporto cresce, mais aumenta o custo por passageiro. Cerca de 80% das pessoas que visitam Portugal vêm de avião e, por isso, precisamos de um aeroporto aberto, barato para trazer mais gente”, disse.» [Público]
   
Parecer:

Nem quando a TAP era inteiramente pública os seus responsáveis falavam desta forma. O aeroporto está nos limites ou é a TAP que quer "despachar" a concorrência para longe de Lisboa?
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se.»

quinta-feira, novembro 17, 2016

A intoxicação

Dantes, a manipulação da opinião pública fazia-se com mais minutos de televisão para a direita, com um melhor enquadramento das imagens dos comícios, com uma ou outra manipulação de notícias. Mas os anos vão passando, o grau de escolaridade dos portugueses melhorou, os eleitores são cada vez mais cultos, já não bastam os truques do tempo das camionetas carregadas de eleitores arregimentados por caciques, agora é necessário intoxicar a opinião pública.

Distintos professores que se juntam a Medina Carreira para credibilizar as patacoadas desta personagem, tudo fazendo para desvalorizar os indicadores do crescimento económico. São falsos economistas, gente que não sabe distinguir uma taxa de crescimento dos graus celsius, conduzindo programas da SIC Notícias. São jornalistas de economia convertidos em porta-vozes dos sectores mais extremistas do FMI. É uma autêntica alcateia atacnado tudo o que não cheire a direita.

A direita e, em especial, a extrema-direita chique de Passos Coelho tem-se multiplicado em truques para controlar a intoxicação da opinião pública, o objetivo é a desvalorização do parlamento, a criação de posições supostamente técnicas e independentes para bombardear os governos que não sejam de direita. Veja-se o caso dessa coisa que é o Conselho Superior de Finanças Públicas, no tempo de Passos a sua presidente Teodora Cardoso foi a mais extremista dos apoiantes da pinochetada económica, durante 2016 foi a mais feroz crítica do governo, as suas previsões eram dignas do Medina carreira, ainda hoje é a única voz a protestar contra o OE para 2007, como se todos estivessem enganados menos ela.

Agora o PSD propõe outro truque, desta vez para intoxicar a opinião pública com as suas teses sobre a Segurança Social, propõe uma comissão de peritos independentes. Já se está a ver, mais umas Teodoras Cardoso a exigirem cortes nas pensões. É claro que propõe a participação dos famosos “parceiros sociais”. E o que são parceiros sociais? É uma central sindical parcialmente controlada pelo PSD, uma central sindical que representa a maioria dos trabalhadores sindicalizadas mas é ignorada e mais meia dúzia de associações patronais.

Mas como os parceiros sociais ainda deixavam espaço e tempo de antena, pois ninguém tem paciência para ouvir o Saraiva de manhã à noite, inventaram-se umas associações amigas, a associações do patrões casados, a dos patrões solteiros, a dos patrões católicos, a dos patrões chefes de família, a dos patrões coxos, a dos patrões do norte e a dos patrões do sul. Mas como há por aí um outro noutro traste de quem ainda se pode aproveitar qualquer coisa, criaram-se coisas como o Fórum da Competitividade.

Mas, apesar de toda esta intoxicação, dos Paulos Ferreiras e dos Jorges Ferreiras, Dos Fernandos e das Garridos, dos Duqes e dos Avelinos, dos fóruns e das cips, da associação das famílias numerosas e dos patrões chefes de família, a opinião pública lá vai resistindo, a geringonça lá vai subindo nas sondagens e contra todas as rezas e macumbas a economia até vai crescendo.

Portanto podem multiplicar associações, substituir o parlamento pela Teodoras, atirar panfletos com aviões pagos pelos colégios, apelar às charias do cardeal, porque apesar de toda essa alcateia os portugueses ainda não vão ressuscitar o governo pafioso.

Umas no cravo e outras na ferradura




 Jumento do Dia

   
Paulo Macedo

Começa a sr uma tradição da vida política portuguesa, sempre que se anuncia uma vaga num grande tacho público eis que Paulo Macedo ressuscita das cinzas e de um dia para o outro é apontado como o génio da gestão capaz de salvar tudo, tudo menos os que morreram às portas das urgências dos hospitais, abandonados sem cuidados de saúde.

É uma estranha coincidência que faz lembrar os tempos em que cada declaração de IRS dava lugar a mais uma noticia dando conta dos gloriosos feitos do então diretor-geral da DGCI, um homem que aproveitando o trabalho alheio e uma nova geração de equipamentos informáticos, resultado dos investimentos na máquina fiscal feitos por Sousa Franco e Manuela Ferreira Leite, usou os dos do fisco numa campanha publicitária permanente, para engrandecer os resultados da sua gestão, que estiveram longe de ser tão gloriosos.

Parece que agora as candidaturas aos tachos se faz na comunicação social, principalmente por especialistas na sua manipulação.,

«Paulo Macedo pode ser um dos próximos vice-governadores do Banco de Portugal, confirmou o PÚBLICO junto de várias fontes políticas. O ex-ministro chegou a ser considerado há seis meses por António Costa, quando teve que pensar numa solução para a Caixa Geral de Depósitos, mas acabou por ser guardado para o banco central. E, também desta vez, só em caso de ausência de alternativas é que Macedo será considerado para a liderança do banco público caso António Domingues se demita, em consequência de toda a polémica com a sua declaração de património.

Para que o cenário se concretize será preciso, mesmo assim, que Carlos Costa concorde em ter Paulo Macedo na sua equipa. É que as regras das nomeações para o Banco de Portugal mudaram no final do Governo liderado por Pedro Passos Coelho, dando ao governador a primazia de propor quem entender para os cargos. Segundo soube o PÚBLICO, o governador tem dado sinais ao Governo de que essa pode ser uma boa solução.

Contactado, o Banco de Portugal preferiu não comentar mas, segundo informações recolhidas pelo PÚBLICO, Carlos Costa ainda não terá desencadeado os processos de escolha, tendo em conta a prioridade que está a dar ao processo de venda do Novo Banco. Quando o governador o fizer as suas escolhas, o ministro das Finanças fará uma proposta ao Conselho de Ministros, seguindo-se a homologação pelo Presidente da República. A opção Paulo Macedo tem, de todo o modo, a bênção de Marcelo Rebelo de Sousa que está, sabe o PÚBLICO, a par da preferência do chefe de Governo.» [Público]

 Afinal, quem vai ser o primeiro a cair

Há poucas semanas putativo candidato à liderança do PSD Marques Mendes achou que devia tentar tirar uma pedra da parede do governo e prognosticou a queda próxima a do ministro da Economia, Parece que o ministro aguentou-se e não tardou a que um conhecido artista da política portuguesa, Ferraz da Costa, anunciasse a queda de Mário Centeno. Mas parece que os diagnósticos do seu Fórum da Competitividade não previram o crescimento económico e quem está em queda live parece sr Passos Coelho.

Fica aqui uma aposta: quem cai primeiro, um ministro da geringonça ou o líder

 Falta de seriedade

Há poucos dias Passos acusou o PS de eleitoralismo por causa de um aumento de pensões, levando a pensar que os pensionistas deveriam deixar de ter direito a atualizações das pensões em anos eleitorais, princípio de que o próprio se esqueceu em 2015.

Mas agora propõe mexidas nas competências autárquicas e um aumento de despesa pública em receitas de IVA para as autarquias. Compreende-se o desespero de um líder que não consegue inverter a marcha desfavorável nas sondagens e a quem tudo corre mal, por tudo começa a correr melhor para o país. Mas o mínimo que se pode dizer das últimas propostas de Passos Coelho para as autarquias é que estamos perante falta de seriedade.

Enfim, o tal que nada fazia a pensar em eleições revela-se agora um político sem escrúpulos, tentando transformar o OE no seu programa autárquico. Que grande falta de vergonha na cara!

 Passos diz para não gastar os foguetes antes da festa

No caso dele gastou os foguetes muito antes da festa, gastou-os em Agosto, quando achou que a desgraça seria a festa dele, que esperava acontecer em Setembro.

 Os riscos de incumprimento do OE

Haverá algum OE sem riscos de incumprimento?

 Dúvidas que me atormentam



A não ser alguns "se Deus quiser" do presidente da República, para além das suas idas ao Papa ou às procissões, desde que a Gerigonça chegou ao poder e Marcelo a Belém, que o Estado anda mais laico, menos dados a manifestação religiosas, tudo isso apesar da longa Via Sacra de Passos Coelho, o primeiro-ministro no exílio para quem é semana santa desde que lhe "roubaram" o governo.

É por isso que nesta semana com tantas notícias boas, como o crescimento económico e a aprovação do OE por Bruxelas, algo que não se via desde há muitos meses, que me interrogo se não há aqui uma mãozinha de ajuda por parte da esposa de Cavaco Silva. As boas notícias são tantas que ás vezes me interrogo se devo agradecer ao mafarrico do Mário Centeno ou à Nossa Senhora de Fátima.

      
 Oportunismo eleitoralismo de quem está despesperado
   
«O PSD quer que parte da receita do IVA reverta para os municípios, como forma de financiamento às novas competências afectas às autarquias e/ou às entidades intermunicipais. A medida vai ser apresentada, até ao final desta semana, como proposta de alteração ao Orçamento do Estado para 2017, integrando um conjunto de cerca de uma dezena de alterações focadas no poder local e na descentralização de competências, escreve o Diário de Notícias esta quarta-feira.

De acordo com fonte social-democrata ao DN, a ideia é que às receitas do IVA se aplique o que já acontece com o IRS, onde cada município terá uma palavra a dizer na participação no imposto. Caso as autarquias optem por encaixar esta receita estão sujeitas a limitações na aplicação de outras taxas, como por exemplo a taxa turística, detalha o jornal.» [Público]
   
Parecer:

Desesperado com as sondagens e com as autárquicas a aproximarem-se, a liderança extremista do PSD arrisca-se a sofrer uma derrota histórica, pondo fim  à carreira política do governante português mais à direita depois de Salazar. Numa tentativa desesperada de recuperar Passos socorre-se do oportunista e faz uma proposta orçamental com objetivos meramente eleitorais.

Se as autarquias gastam mais porque têm mais competências e esta transferência foi decidida pelo governo de Passos Coelho porque motivo ele não propôs o seu financiamento com uma parte do IVA, só o fazendo agora e sabendo que daí resultará um elevado custo orçamental.

Se as autarquias têm mais despesas e estas não dependem unicamente da atividade económica não faz sentido financiar as autarquias com IVA. Veja-se o caso de Lisboa, uma boa parte das despesas dos residentes em Almada, Loures ou Oeiras é feita em Lisboa, onde muitos residentes trabalham e onde ficam as grandes redes de distribuição. Assim, ao aumento da despesa autárquica naqueles concelhos corresponderia um aumento da receita em Lisboa.

É uma proposta que deve ter resultado de uma qualquer ideia numa destas noites de discoteca e é lançada mais a pensar no oportunismo de quem quer apresentar-se nas autárquicas apontando a esquerda como inimigos do poder autárquico do que na sua viabilidade e consistência.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Mande-se o rapazola ter juízo.»
  
 Sigilo inaceitável
   
«Falhas na formação, desobediências e falta de coesão, articulação e comunicação nas equipas de bombeiros compõem algumas das críticas feitas à forma como foi feito o combate aos seis grandes incêndios florestais de 2013, que causaram a morte a nove operacionais. As conclusões constam num relatório encomendado a especialistas da Universidade de Coimbra em 2013, citado pelo Jornal de Notícias, e que foi mantido em segredo quer pelo executivo de Passos Coelho, quer pelo actual Governo.

O documento de 80 páginas assinado por especialistas do Departamento de Engenharia Mecânica da Universidade de Coimbra, pedido pelo Governo de Passos Coelho para averiguar as causas que levaram à morte de nove bombeiros em 2013 foi considerado “sigiloso”, detalha o jornal.

Equipamentos de fraca qualidade, “desconhecimento sobre o uso do fogo” e sobre “o seu carácter dinâmico em encostas e desfiladeiros”, “excessos de confiança”, distanciamento entre as entidades operacionais e as locais, nomeadamente autarquias e população, problemas nos sistemas de comunicação e sobrecargas nos rádios, ao ponto de ser recomendado o uso de telemóveis, são algumas das falhas apontadas no documento.» [Público]
   
Parecer:

Estando em causa vidas é inaceitável proteger os responsáveis com recurso ao sigilo de conclusões tão graves.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Envie-se o relatório par o Ministério Público.»

 O único "PSD" feliz
   
«Carlos Moedas afirmou esta tarde, em Bruxelas, que pela primeira vez a Comissão Europeia reconhece que Portugal está no bom caminho para sair do procedimento de défice excessivo. "Estamos a ver a luz ao fim do túnel", disse.

Falando aos jornalistas depois da conferência de imprensa dos comissários do pelouro, Valdis Dombrovski e Pierre Moscovici, Moedas lembrou que desde 2009 Portugal não cumpre as regras, pelo que a aprovação do Orçamento para 2017 e a consideração de que ele "está dentro das regras" é "uma nota importante".

O comissário português desvalorizou todavia os os riscos de incumprimento assinalados, considerando que eles "era mínimos" e que a "função do ministro é precisamente controlá-los".» [Expresso]
   
Parecer:

Pobre Maria Luís, o Passos armou-se em exigente na hora de nomear um comissário português, quem se safou foi o Moedas, a pobre Maria Luís ficou a amargar em Lisboa, se não fosse as gorjetas da Arrows tinha de viver com o ordenadinho de deputada. Nunca saberemos se foi um esquema para cumprir com o combinado, ou se com  a sua mania das grandezas Passos tramou a sua ministra das Finanças, condenando-a a uma existência difícil, até porque com o fim próxima da sua carreira a funcionária do ministério das Finanças fica sem padrinho para a proteger.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»

 Passos discorda de Moedas
   
«Passos Coelho considera "positivo" que a Comissão Europeia tenha dado 'luz verde' à proposta de Orçamento para 2017, mas reitera que há alguns "riscos de incumprimento que são efetivos".

"Isso é sempre positivo e deve-se saudar que seja assim", afirmou esta tarde o presidente do PSD quando questionado sobre a decisão da Comissão Europeia anunciada pouco antes.

Contudo, acrescentou Passos, apesar da 'luz verde' Bruxelas chama a atenção para "alguns riscos de incumprimento que são efetivos" e que também já tinham sido apontados pelo Conselho de Finanças Públicas e pela Unidade Técnica de Apoio Orçamental (UTAO).

"Mas o importante é que o projeto de orçamento não tivesse sido rejeitado, como poderia ter chegado a acontecer", frisou o líder do PSD, que falava aos jornalistas no final de uma visita à Estrutura de Missão para a Extensão da Plataforma Continental, em Paço de Arcos, no concelho de Oeiras.» [Expesso]
   
Parecer:

Passos alinha com a Teodora Cardoso que, como se sabe, ac ertou em todas as suas previsões ao longo de 2016. Mas o mais divertido é ver Passos feliz por ter sido aprovado o OE de 2017, o tal que ele estava convencido de que nunca seria aprovado e dois meses depois de o próprio se ter excitado tanto com o anúncio da desgraça.

Aliás, há poucos dias atrás o próprio Passos fazia insinuações pondo em causa a credibilidade do OE e a veracidade dos seus números.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se a merecida gargalhada.»

 Mais uma boa notícia
   
«Portugal subiu sete posições no Climate Change Performance Index (CCPI), que foi nesta quarta-feira apresentado na 22.ª Conferência das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas (COP22), que está a ter lugar na cidade marroquina de Marraquexe.

Portugal ficou classificado em 11.º lugar entre 58 países industrializados. Porém, os três primeiros lugares não foram atribuídos por se considerar não haver, por agora, nenhum país merecedor do pódio no que respeita à protecção do clima. Daí poder-se afirmar que Portugal, que no ano passado ocupava a 18.º lugar, ocupa em 2016 a oitava posição.

O CCPI é da responsabilidade da organização não governamental de ambiente GermanWatch e da Rede Europeia de Acção Climática, da qual faz parte a portuguesa Zero – Associação Sistema Terrestre Sustentável.» [Público]
   
Parecer:

O que será feito das desgraças anunciadas por Passos para Setembro.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»

quarta-feira, novembro 16, 2016

Quem vai cair primeiro?



Há poças semanas atrás, Marques Mendes decidiu dar um empurrãozito a Passos Coelho e prognosticou a queda, para breve, do ministro da Economia. Não se percebeu muito em porquê, mas desde que o agora quase candidato liderança do PSD foi promovido a garganta funda do governo da direita, que é considerado uma fonte bem informada, até imagino que o ministro da Economia tenha começado logo a fazer as malas. Afinal, Marques Mendes já não é o que era e o ministro da Economia ainda anda pela Rua da Horta Seca.

Neste fim de semana foi outra personagem da direita decadente, um tal Ferraz da Costa, homem que viveu sempre por conta do associativismo empresarial, que prognosticou, aliás, quase exigiu e anunciou a queda de Mário Centeno. E fê-lo com aquele ar de gozo de quem estava em amena cavaqueira no bar do Gigi, junto à Praia dos Tomates. Mas o destino tem destas coisas, dias depois Centeno está de pedra e cal, até deixou a Teodora Cardoso a falar sozinha.

Aliás, a tia Teodora bem se tem esforçado por contrariar Mário Centeno, chegando quase ao ponto de barafustar com a Comissão Europeia, chamando a si o papel de velar em Portugal pela aplicação dos tratados. É uma pena que em vez de tudo fazer para derrubar o governo, Teodora Cardoso não volte a ler os relatórios e as conclusões a que chegou durante todo este ano de 2016. Os falhanços técnicos de Teodora Cardoso são tantos que já começa a dar dó vê-la divulgar as suas conclusões avaliações dramática. Diz que vem aí um segundo resgate com o OE de 2017 e, três dias depois, a Comissão aprova o OE e levanta as sanções.

Pelos vistos, nem Manuel Caldeira Cabral cai, nem Centeno se vai embora, e a geringonça vai-se aguentando, nada mal para quem a via desengonçada e a abanar por todos lados, prevendo a sua queda antes de 2017. É caso para dizer que nem o pai morre, nem a gente almoça.

Quem está cai, não cai é o Passos Coelho, o qual de quem se elogiava a resiliência e a teimosia, o homem que tinha vergado o irrevogável Paulo Portas e que tinha amansando Cavaco Silva andaria por aí passeando a bandeirinha, mais tarde ou mais cedo viria o segundo resgate e seria levado em ombros para São Bento. Afinal, o resiliente está em queda e é tempo de perguntar:

Quem vai cair primeiro, um dos ministros da Geringonça ou Pedro Passos Coelho?

Umas no cravo e outras na ferradura




 Jumento do Dia

   
Luís Montenegro, mau 'cagador'

A forma como Montenegro comentou as boas notícias dadas pelo INE revela como o líder parlamentar se sente mais à vontade para comentar más notícias, aliás, pode-se mesmo dizer que está melhor preparado para ouvir notícias de desgraças, do que boas notícias. A forma como reagiu aos dados do INE sobre crescimento económico dá razão a um velho dito popular segundo o qual "ao mau cagador até as calças empatam".

«O PSD admite que os dados económicos do Instituto Nacional de Estatística (INE) sobre o terceiro trimestre do ano, revelados esta manhã, são uma "boa notícia", mas vinca que o Governo não pode "embandeirar em arco" com os dados.

"Há uma boa notícia para o país, que de alguma forma surpreende todos aqueles que perspetivavam nas últimas semanas um crescimento inferior", admitiu no Parlamento Luís Montenegro, líder da bancada do PSD na Assembleia da República.

Depois, todavia, o social-democrata vincou ser necessário analisar os "dados desagregados e perceber se há aqui uma base que possa sustentar um caminho duradouro de crescimento económico superior à previsão do próprio Governo em sede de Orçamento do Estado, quer para 2016 quer para 2017".

E prosseguiu: "É melhor termos uma boa notícia do que uma má notícia, e isso gostaríamos de assinalar. Em todo o caso, não é razão para embandeirar em arco e pensar que a nossa economia está a dar uma resposta que nos possa colocar acima da margem que pode sustentar no futuro mais crescimento".» [Expresso]

 Azar dos Távoras

Rui Rio aparece a confirmar uma possível candidatura à liderança do PSD, poucos dias depois de almoçar com o amigo Pedro para desmentir tal notícia, o PSD desce abruptamente nas sondagens, os mais próximos da liderança, como o Marco António quase desapareceram, não foram aplicadas sanções, ma lé empossado o primeiro-ministro espanhol recebe Costa, a execução orçamental corre bem, a DBRS não baixou o rating e, como se tudo isto fosse pouco, a economia dá sinais de vida, crescendo a um ritmo inesperado e indesejado para os nossos Trumpetes. Digamos que Passos Coelho está com um azar dos Távoras, só falta correrem com ele e meterem sal na cadeira onde se sentava, para que ali não volte a nascer nada de parecido.

 Ideias em que o Trumpete de Massamá não embarca



 Ludovico Einaudi - "Elegy for the Arctic" 



 O Trump que se ponha a pau

Quando o Cavaco souber das suas intenções de não cumprir com os compromissos que os EUA assumiram com a NATO vai ver o que lhe acontece!



 E porque não boicotar a Coca-Cola?
   
«A Coca-Cola European Partners tinha previsto realizar um investimento de 40 milhões de euros para ampliar a fábrica Refrige, em Setúbal, mas decidiu suspender o projecto, diz o Expresso na sua edição deste sábado, 5 de Novembro.

O imposto sobre as bebidas açucaradas, incluído na proposta para o Orçamento do Estado para 2017, e que varia entre os 8 e os 16 cêntimos por litro, levou a empresa a suspender os seus planos.

Em declarações ao Expresso, o director para Portugal da empresa, Andrés Curbelo, disse que ainda falta muita informação e mostrou-se esperançado que a proposta de lei seja alterada para "minimizar o impacto social e económico deste cenário".

A fábrica de Setúbal conta actualmente com 265.000 metros quadrados e estava prevista a ampliação destas instalações em mais 28.000 metros quadrados, num investimento de 40 milhões de euros a realizar durante quatro anos.» [Jornal de Negócios]
   
Parecer:
Se a Coca-Cola boicota Portugal a resposta mais lógica é os portugueses boicotarem a Coca-Cola e isso significa boicotar as compras de Coca-Cola e boicotar as empresas que vendam Coca-Cola.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Faça-se a sugestão.»

      
 Más notícias para os nossos Trumpetes
   
«A economia portuguesa começou a acelerar e cresceu 0,8% no terceiro trimestre, face ao trimestre anterior. É o melhor desempenho trimestral desde, pelo menos, o terceiro trimestre de 2014, e ficou acima das previsões dos analistas. Em comparação com o mesmo período de 2015, o produto interno bruto (PIB) cresceu 1,6%, um resultado muito acima do verificado este ano, avança esta terça-feira o Instituto Nacional de Estatística (INE).

Depois de vários trimestres com taxas de crescimento residuais, a economia portuguesa voltou a acelerar. A razão, segundo o INE, é um aumento das exportações mais expressivo que aquele verificado nas importações.

O consumo privado também deu uma ‘perninha’, mas em menor dimensão, graças a um aumento das compras de bens não duradouros e serviços, enquanto que a venda de bens duradouros desacelerou, o que ajuda a manter as importações a crescer menos que as exportações neste período. Uma parte importante dos bens duradouros tem uma componente importada (como por exemplo, os automóveis).» [Observador]
   
Parecer:

Na discussão do OE a bancada parlamentar dos Trumpetes ria à gargalhada quando Mário Ceteno explicava que Portugal estava a crescer mais.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se conhecimento aos trumpetes do PSD e CDS.»
  
 Carris: quem não pagar bilhete leva com uma apitadela
   
«A Carris vai instalar um alarme sonoro para identificar passageiros que querem andar de transporte sem validarem o bilhete. Inicialmente o dispositivo será apenas instalado nos autocarros da empresa de transportes públicos.

Segundo dados da empresa, citados pela Rádio Renascença, o prejuízo causado por pessoas que não pagam bilhete é de quase um milhão de euros por mês e equivale a uma taxa de fraude de 15% entre os passageiros. Para combater esta realidade, a Carris vai instalar a partir desta terça-feira um sistema capaz de identificar os passageiros que não validam o bilhete da viagem que fazem, através de um alarme sonoro que será ativado através de um sistema de câmaras.

De início o sistema será apenas experimental. Até o final do ano, estará operacional em quatro autocarros da carreira 711 que liga o Alto Damaia ao Terreiro do Paço. O sistema funciona através de câmaras que monitorizam o movimento normal das pessoas a validarem o passe ou bilhete. Sempre que alguém não fizer o movimento correspondente o alarme é acionado.» [Observador]
   
Parecer:

Esperemos que não apareça a Comissão de Utentes sem Bilhete a protestar e a exigir o direito à privacidade pois estamos perante uma lista negra sonora. O problema agora é saber se a Carris vai levar uma apitadela quando o sistema errar colocando um cidadão numa posição incómoda.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»

 E porque se atrasaram os serviços de Finanças
   
«Os serviços de Finanças receberam instruções da directora-geral da Autoridade Tributária e Aduaneira (AT), Helena Borges, para avançarem com a recolha dos documentos de correcção relativos ao IRS de 2012, a tempo de o fisco enviar as notificações por correio dentro dos prazos previstos e assim poder liquidar os impostos relativos a esse ano. As orientações foram dadas há um mês e, entretanto, o primeiro passo tinha de ser cumprido até ontem.

À luz da Lei Geral Tributária, a AT tem quatro anos para notificar um contribuinte do direito da administração fiscal em liquidar impostos. Caso contrário, esse direito acaba. Como em relação aos impostos de 2012 o prazo termina a 31 de Dezembro, a directora-geral da AT emitiu um ofício aos serviços a estabelecer prazos internos sobre os procedimentos a seguir, para que nas próximas semanas o fisco consiga enviar a tempo as notificações pelo correio.» [Público]
   
Parecer:

O que levará um serviço de Finanças a deixar uma dívida fiscal prescrever, sendo necessário a diretora-geral dar uma ordem para que façam o que já devia ter sido feito?
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Investigue-se.»

 Teodora Cardoso, mais papista do que o Papa
   
«Portugal não deve cumprir as metas do défice estrutural com que se comprometeu com a União Europeia, apesar de garantir essa meta na proposta de Orçamento, tudo porque o Governo decidiu calcular o PIB potencial de modo diferente do que mandam as regras do Pacto de Estabilidade e Crescimento, diz o Conselho das Finanças Públicas, que estima que o esforço valha metade do exigido.

Que o Governo não concorda com a forma como é calculado o PIB potencial, chave no cálculo do défice estrutural, não é novidade. Portugal nem sequer é o único país a questionar estas regras, já que em março, juntamente com outros sete ministros das Finanças da zona euro, Mário Centeno assinou uma carta com uma forte recomendação para que a metodologia fosse revista.

A Comissão respondeu na altura, admitindo que ia analisar o caso (que está a fazer), mas lembrando que a metodologia que é usada atualmente, e com a qual estes países não concordam, foi aprovada por todos os países.» [Observador]
   
Parecer:

Estará a embirrar com o governo ou com a Comissão Europeia.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se a merecidas gargalhada.»