sábado, dezembro 24, 2016

A preocupação com os contribuintes

A direita portuguesa e, em particular, imbuídos de uma imensa bondade cristã dedicou a semana que antecede o Natal ao s contribuintes, demonstrando uma imensa e profunda preocupação com esses mesmos contribuintes. Tal preocupação vinda de Assunção Cristas não é novidade, antes de a actual líder se dedicar aos velhinhos já o seu partido era o partido dos contribuintes. Até porque a líder do CDS segue um catecismo onde fugir aos impostos já é pecado há mais de uma década, talvez por oiço a máquina fiscal comandada por Paulo Portas condenava a viver debaixo da ponte quem não tivesse as contas em dia com o fisco.

A grande novidade nestas manifestações de preocupação cristã foi a adesão de Passos Coelho. Até agora Passos não tinha grandes preocupações com os contribuintes, pelo menos com aqueles que pagam quase todos os impostos, já que para os que menos pagam ele ainda baixou a carga fiscal. O Passos Coelho que agora está preocupado com a possibilidade de serem os contribuintes a pagar a solução adoptada para os lesados do BES, é o mesmo que lhes aumentou todos os impostos.

Passos estava preocupado com os contribuintes quando implementou a sobretaxa, quando aumento o IVA sobre os produtos de primeira necessidade e sobre a electricidade, quando aumentou o IMI, quando aumento quase todos os impostos. A sua preocupação com os contribuintes era tanta que abusava das retenções na fonte do IRS e dos reembolsos do IVA para ajeitar as contas das receitas fiscais, para montar a fraude do reembolso da sobretaxa.
Nesse tempo a grande preocupação eram os investidores, aumentavam-se os impostos sobre o trabalho para reduzir os que incidiam sobre o capital ou sobre os ricos, porque para a direita portuguesa o dinheiro dos ricos é sempre capital, o dinheiro dos pobres é que serve para se viver acima das possibilidades. Nesse tempo os contribuintes comiam e calavam porque era preciso fazer tudo para atrair o investimento, pouco importando que esse investimento fosse pouco mais do que dinheiro sujo vindo da China.

Agora que é preciso manter a farsa da resolução do BES sem recurso aos contribuintes já não importa a protecção dos investidores, até porque os investidores em causa são de segunda, antes de serem investidores eram portugueses pobres e esses devem ser tratados sem grande respeito. Com muito respeitinho devem ser tratados os chineses que comprarem uma casa de luxo e pagarem comissões a altos responsáveis do partido do dr. Passos Coelho.

De um dia para o outro passos Coelho deixou de se preocupar com os investidores e passou a preocupar-se com os contribuintes. Enfim, seja bem-vindo ao grupo dos que se preocupam com os portugueses que pagam impostos, nunca é tarde para se preocupar o os portugueses, ainda que insista em dividi-los e a querer atirar uns contra os outros.


Umas no cravo e outras na ferradura




 Jumento do Dia

   
Fernando Rocha Andrade, secretário de estado de muitos  Assuntos

O governante que considera ricos os que ganham 2000 euros vem agora definir prioridades em relação á descida do IRS aplicado a alguns portugueses e opina sobre a reestruturação da dívida. Não se percebe bem porque motivo o secretário de Estado opina sobre a dívida, as suas opiniões são desnecessárias, não é dossier seu e há poucos dias o primeiro-ministro esclareceu quaisquer dúvidas que existissem, fê-lo de forma a dispensar esclarecimentos adicionais.

Também não se percebe muito bem porque motivo o governante estabelece prioridades em matéria fiscal para 2017, quando tudo o que vai acontecer nesse capítulo está devidamente explicaco no OE que acabou de ser promulgado. Quando o governate fala em prioridades passa a mensagem de que o que está definido no OE ainda depende de mais alguma decisão.

Era bom que o secretário de Estado fizesse um esforço de memória e se recordasse que não está em causa alterar escalões do IRS à boleia da redução da sobretaxa, o PS prometeu a eliminação desta sobrecarga de imposto e não uma redução desigual para esconder uma reforma do IRS. Compreende-se que o secretário de Estado defenda uma aumento da carga fiscal para os tais ricaços dos 2000 em nome da tal redistribuição dos rendimentos que em tempos invocou.

Mas seria mais transparente se o governante defendesse de forma clara que é a favor do aproveitamento da sobretaxa para alterar a carga fiscal sobre os diversos escalões, promovendo uma redução desigual em função dos escalões. Os que votaram no PS têm direito à clareza das posições e a confiar nos OE que são aprovados no parlamento. Não faz o mais pequeno sentido aprovar um OE e dias depois um governante andar a opinar, sugerindo que está mais preocupado com a sobretaxa de uns do que a de outros.

O governo da direita adoptou algumas medidas pensando nos votos, esperemos que a política fiscal deste governo não obedeça ao mesmo tipo de critérios. Mas se isso suceder esperemos que não se enganem nas contas

«O secretário de Estado dos Assuntos Fiscais disse, em entrevista à Antena 1, que descer a taxa de IRS do segundo escalão é uma das prioridades do Governo e que Portugal não precisa de reestruturar a sua dívida, precisa é de mostrar que consegue reduzir o défice.

“[Uma taxa de] 28,5%, logo a partir dos sete mil euros de rendimento tributável. É uma taxa muito pesada em termos comparativos e cremos que essa é uma das principais urgências”, disse o governante na entrevista à rádio pública.

O responsável falou ainda sobre os juros da dívida para comentar a ideia de Rui Rio de consignar um imposto à redução da dívida, considerando-a “uma ideia sem pés, nem cabeça”, e defendendo que “não é preciso reestruturar a dívida para baixar os juros”, mas sim “ir dando os sinais de que Portugal é um país em que se pode confiar nas metas orçamentais”.» [Observador]

      
 Ingenuidade europeia
   
«Numa altura em que as autoridades alemãs continuam a tentar perceber como é que Anis Amir, principal suspeito do ataque em Berlim, conseguiu escapar aos radares dos serviços de informação, começam a surgir as primeiras evidências de que o sistema de segurança alemão efetivamente falhou. Desde há muito identificado pelas autoridades como radical islâmico, a polícia alemã acompanhava-o de perto. Até deixar o de fazer, em setembro deste ano, dois meses antes do atentado que vitimou 12 pessoas num mercado de natal.

Como lembra o jornal El Español, Anis Amir esteve sob vigilância das autoridades alemãs durante largos meses. No entanto, a legislação alemã não permite que essa vigilância se prolongue por tempo indeterminado. Sem acusação formada, a polícia deixou de acompanhar os passos de Amir.» [Observador]
   
Parecer:

Se já se sabia quem era do que estavam às espera para o devolver à Tunísia?
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se.»
  
 Cavaquismo salva Mário Alexandre
   
«O apoio dos representantes do Presidente da República (PR) e a ausência de dois vogais indicados pelo Partido Socialista (PS) foram decisivos para o arquivamento do inquérito disciplinar interposto pelo Conselho Superior da Magistratura (CSM) ao juiz Carlos Alexandre — indica a ata da reunião do CSM desta terça-feira a que o Observador teve acesso.

O resultado final que determinou o arquivamento do inquérito foi de 8 votos a favor e 7 contra, tendo assim o órgão de gestão dos juízes deliberado não converter o inquérito instruído pelo inspetor judicial e desembargador Nuno Garcia em processo de disciplinar.

Numa votação renhida em que os membros indicados pelo Cavaco Silva, e confirmados por Marcelo Rebelo de Sousa após a sua tomada de posse, votaram a favor do arquivamento do inquérito disciplinar, o voto de Henriques Gaspar, presidente do Supremo Tribunal de Justiça, veio a revelar-se importante para desempatar.» [Observador]
   
Parecer:

Compreende-se, Mário Alexandre não é mais do que o cavaquismo na justiça.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se com desprezo.»

 A embriaguez do poder chegou ao BE
   
«Tudo começou com o pedido de refiliação de Francisco d’Oliveira Raposo, ex-dirigente do Bloco de Esquerda e membro do movimento CIT — Socialismo Revolucionário, representantes em Portugal de um partido marxista internacional. Coisa pouca para levantar suspeitas. No entanto, depois somaram-se outros pedidos de adesão de vários membros conotados com o movimento. O crescente interesse fez soar as campainhas da direção do Bloco de Esquerda e os primeiros sinais eram alarmantes: há um grupo que está a tentar “infiltrar” o Bloco de Esquerda, concluiu a direção. A resposta foi pronta: os responsáveis do partido decidiram abrir uma investigação a vários militantes do Bloco e a outros com pedidos de adesão pendentes conotados com o movimento. Os visados falam em “perseguição política” e de ataque à democracia interna.

Os contornos da história parecem saídos diretamente da obra de Homero, onde o narrador conta o episódio em que um grupo de gregos assalta Troia a partir de um gigantesco cavalo de madeira. Mas tudo aconteceu a 26 de novembro, na última reunião da Mesa Nacional do Bloco de Esquerda, órgão máximo do partido entre convenções. Nessa reunião, não só foi vetado o pedido refiliação de Francisco Raposo, como foi aprovada a constituição de uma comissão de inquérito a nove pessoas conotadas com o movimento Socialismo Revolucionário. Na minuta dessa reunião, disponível na página oficial do Bloco, pode ler-se porquê:

O Secretariado identificou um conjunto de adesões e pedidos de adesão provenientes de um grupo [de elementos que se identificam como membros do ‘Socialismo Revolucionário’] que, externamente ao Bloco de Esquerda e sem qualquer contacto com os órgãos legítimos do partido, decidiu infiltrá-lo”.» [Observador]
   
Parecer:

Não há partido de extrema-esquerda que passe sem uma boa purga interna.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Reserve-se lugar na primeira fila do espectáculo.»

 O Estado marginal desrespeita o mundo
   
«O Conselho de Segurança da ONU aprovou hoje uma resolução a exigir a Israel o fim "imediato" e "completo" da política de colonatos nos territórios palestinianos.

Os Estados Unidos, depois de terem vetado em 2011 uma resolução parecida, abstiveram-se hoje o que permitiu que a resolução fosse aprovada pelos restantes membros do Conselho de Segurança.

A resolução exige que "Israel cesse imediatamente e completamente todas as atividades de colonização (os colonatos) no território palestiniano ocupado, incluindo Jerusalém Oriental".» [DN]
   
Parecer:

Começa a faltar a paciência para os colonialistas modernos de Israel, em pleno século XXI assistimos a colonialismo medieval com expulsão de populações.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «proteste-se.»

 Agarrem-me senão vou-me embora
   
«O presidente do Sporting deixou esta sexta-feira uma mensagem de Natal aos sportinguistas. A dada altura, quando lembra que o seu mandato termina em março, Bruno de Carvalho diz que a decisão de se recandidatar lhe cabe a ele, não dando como certo se será candidato. "Decida o que decidir, aconteça o que acontecer, saibam que nunca deixarei de estar ao vosso lado, que nunca deixarei de amar este Clube que faz parte de mim, do meu carácter, da minha personalidade".» [DN]
   
Parecer:

São tiques comuns a este género de personagem.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»

sexta-feira, dezembro 23, 2016

O negócio sujo do sangue

«Tendo em conta que desde 1990, o Conselho da Europa tem vindo a recomendar que os Estados desenvolvam mecanismos que garantam a autossuficiência em plasma, face às necessidades de utilização do mesmo, bem como dos medicamentos dele derivado, de forma a eliminar progressivamente o seu desperdício.»

É assim que reza o Despacho n.º 15300-A/2016, do secretário de Estado da Saúde, publicado esta terça-feira na Série II do Diário da República, despacho que tranquiliza as consciências do ministério da Saúde, determinado que se faça num par de meses o que não se fez numa década.

Leu bem? Desde o ano de 1990 que o Conselho da Europa recomenda o contrário do que se fazia em Portugal, isso mesmo o ano da graça de 1990, já lá vão vinte e seis anos! Entretanto gastaram-se milhões, perderam-se outros tantos, muitos hospitais não adquiriram equipamentos, muitos portugueses morreram nas urgências, outros tantos doentes doentes de hepatite morreram para poupar em tratamentos inovadores.

Como é que isto foi possível? Que mais cancros como este existirão no sector da saúde? Quantos mais poderes ocultos têm mais poder no sector dos que o poder político, quantos mais senhores mandam nos decisores da máquina do ministério da Saúde, quantos mais barões gerem as ARS em função das ordens de grupos de interesses do sector?

Quando se procurava um homem para a CDG o Dr Macedo apareceu a falar num seminário da Gulbenkian. O homem não é grande orador, nem se lhe conhecem grandes escritos, mas as notícias pouco reproduziram, a notícia rezava que o Dr. Macedo falou sobre corrupção, a mensagem era clara, o grande combatente anti-corrupção  falou.

Uns dias depois Passos Coelho divertia-se dizendo que o Dr. Macedo tinha salvo o SNS e agora ia salvar a CGD. Curiosamente, nunca mais se falou do legado no SNS do Dr. Macedo, nem o líder do PSD voltou a referir o seu nome, quase de forma milagrosa a CGD desapareceu dos noticiários, o líder do PSD apressou-se a focar a atenção nos lesados do BES. Antes falar nos lesados do BES do que falar dos lesados do plasma.

É pena que o Dr. Artur Santos Silva não organize mais um seminário na Fundação Gulbenkian para se discutir a corrupção criminosa no negócio do plasma, podia convidar o Dr. Macedo, talvez ele explicasse ao país o que fez para combater a corrupção no seu ministério (não confundir com fraudes nos medicamentos) e com base em que critérios nomeou Cunha Ribeiro para presidente da ARS de Lisboa e Vale do Tejo.

Talvez com um seminário dedicado ao tema os portugueses ficassem a perceber melhor os negócios feitos com o imenso orçamento da saúde.

Umas no cravo e outras na ferradura




 Jumento do Dia

   
Carlos Encarnação, militante corajosos do PSD

Tudo o que está sucedendo no PSD e com o PSD era previsível no passado mês de Março, quando se realizou o congresso daquela partido, ainda que alguns acreditavam mesmo na vinda do diabo e ficaram em silêncio. Não se percebe que nenhum dos ilustres social-democratas tenha ido ao congresso dizer que o lema de Passos "social-democracia sempre" era uma mentira de alguém com teses económicas de extrema direita.

Passos Coelho ganhou o congresso com mais votos do que se fosse líder do PC cubano, mas por cá não há nenhuma ditadura e a única força de repressão que coagiu muitas personalidades foi o oportunismo. Onde estava Carlos Encarnação quando se realizou o congresso do PSD? Porque não enfrentou Passos? A resposta é simples, esperou para ver o que dava mais votos. Agora está preocupado.

Agora que começa a ser óbvio que PAssos está perdido aqueles que andaram calados ganhaam coragem.

«Os críticos internos do PSD começam a vir a público. O antigo vice-presidente do PSD, Carlos Encarnação, arrasou Passos Coelho em declarações à Antena 1, dizendo que Passos deve convocar a direção e o Conselho Nacional para discutir a situação do partido. E vai mais longe ao dizer que, dessa reunião dos órgãos nacionais, “provavelmente” sairia um “congresso extraordinário”, até porque, no PSD, “as pessoas estão inquietas”.

O antigo presidente da Câmara Municipal de Coimbra aconselha Passos “deve com a sua consciência questionar qual o seu papel. Será que estou a ser útil?” Falou ainda sobre o falhanço estratégico em Lisboa, dossier que deve levar o PSD a “bater com a mão na cabeça” e pensar no que está a fazer. Na mesma entrevista à Antena 1, Carlos Encarnação, comentou um eventual avanço do líder do PSD como candidato a Lisboa, dizendo que essa opção seria “a maior maior maldade que lhe podiam fazer, porque teria um mau resultado. Não acredito que ele, querendo conservar-se como líder, vá nessa.” Carlos Encarnação recusa-se, no entanto a propor alternativas a Passos.

Eu não discuto líderes. Na minha ideia, um líder destrói-se e um líder constrói-se por si próprio. Não vale a pena ajudar. Não vale a pena estarmos a atirar nomes para a fogueira e dizer que este é melhor que aquele. Não é essa a questão. O que eu sei é que isto não está bem e que com o caminho que levamos não chegamos lá. O país precisa mais de nós, nós PSD, nós sociais-democratas”, disse o ex-deputado.» [Observador]

 Responder ao atentado de Berlim

A única forma de responder ao atentado de Berlim é atacar com todos os meios o DASEH, eliminando os seus terroristas onde quer que estejam. Aquilo que fizeram em Berlim não é nada comparado com o que têm feito aos chiitas, aos curdos e aos cristãos da Síria e do Iraque, perante a passividade senão mesmo de uma Europa imbecil.

 Os lesados do BES

É preciso terem muita lata para depois do que se passou com a banca virem agora manifestar grande preocupação com a possibilidade de serem os contribuintes a pagarem aos lesados do BES. Até parece que não foram os contribuintes a pagarem todas as facturas liquidadas pelo governo de Passos Coelho.

É preciso também ter muita lata para se acusar o governo de ter aplicado um plano BE, quando o plano B de Passos foi o corte de vencimentos, o C foi a sobretaxa, o D foi o aumento do IVA sobre a electricidade e sobre os produtos alimentares e o plano E foi o corte de pen~soes. Mas não deixa de ser divertido ver Passos recuar ao tempo das eleições da JSD nas escolas secundárias e andar armado em Catarina Martins.

      
 AT quer acesso aos documentos do Football Leaks
   
«Os serviços tributários portugueses querem aceder aos documentos do chamado caso Football Leaks, com o objetivo de determinar se o estado foi lesado por clubes de futebol ou jogadores.

A notícia é esta quinta-feira avançada pelo Expresso, que faz parte do consórcio internacional de jornalistas European Investigative Collaborations (EIC), que analisa os milhares de documentos com dados financeiros do mundo do futebol revelados.

O semanário adianta que a Direção de Serviços de Investigação da Fraude da Autoridade Tributária (AT) já formalizou junto da rede EIC o pedido de colaboração, solicitando a facultação dos documentos do Football Leaks.» [DN]
   
Parecer:

Depois de a Espanha e da França o terem pedido.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Lamente-se o "ligeiro" atraso.»
  
 Trump inicia nova corrida ao armamento
   
«Donald Trump, o presidente eleito dos Estados Unidos, defendeu a expansão do arsenal nuclear dos EUA até que o mundo "ganhe bom senso".

"Os Estados Unidos têm de fortalecer e expandir fortemente a sua capacidade nuclear até que o mundo ganhe bom senso", escreveu Trump numa mensagem partilhada no Twitter esta quinta-feira, sem acrescentar outros detalhes sobre o seu ponto de vista em relação a este eventual reforço.» [DN]
   
Parecer:

Este Trump é doido.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Espere-se para ver.»

quinta-feira, dezembro 22, 2016

O Ferrari e a Geringonça



O treinador do SCP designou as suas máquinas futebolísticas por Ferraris e questionou se o seu herdeiro no SLB teria unhas para conduzir o bólide que lhe deixou de herança. Mais ou menos pela mesma altura a direita designou o governo de maioria parlamentar por Geringonça e apostou que iria gripar ainda antes de crescerem as unhas a António Costa.

Passado um ano e apesar de se saber que nem as sondagens contam, nem há campeões de Inverno, constata-se que o treinador do Benfica parece ter unhas para Ferraris alheios enquanto a Geringonça parece estar bem oleada. Pelo contrário, a máquina do PSD parece ter gripado e só se ouvem rateres por todo o lado, enquanto o treinado do SCP conduz o seu calhambeque como pode, com esperança de não ser despedido antes do Natal.

2016 foi um ano dramático para a bola e a política. Na bola Jorge Jesus bateu todos os recordes, jogou melhor, foi o melhor treinador, mas perdeu o campeonato, na política Passos Coelho assegura que ganhou as eleições mas perdeu o parlamento, um esqueceu-se que a Liga de Futebol não é um concurso de beleza, o outro confundiu as eleições parlamentares com uma corrida de corta-mato, ambos ganharam o que dizem ter ganho e perderam o que queriam ganhar.

Chegados ao final de Dezembro o Pai Natal já meteu no sapatinho do Passos Coelho uma derrota eleitoral nas autárquicas e um ano de 2017 longo e penoso. No sapatinho de Jorge Jesus já lá estão oito pontos de atraso, que mais logo poderão ser onze. Passos Coelho bem pode dizer que não olha para as sondagens e Jesus pode assegurar ao Mustafa da Juve Leo que vai ser campeão que já ninguém acredita.

São cada vez menos os independentes que se deixam fotografar ao lado de Passos Coelho, como se o líder do PSD tivesse sarna, e são cada vez mais os sportinguistas que vão ao estádio devidamente equipados com um lenço branco no bolso, não vá a coisa correr mal. A Geringonça surpreendeu e o Ferrari parece não conhecer donos.

Umas no cravo e outras na ferradura




 Jumento do Dia

   
Procuradora-Geral da República

Parece que o Ministério Público anda a mandar a justiça de países estrangeiros anda amandar prender cidadãos portugueses sem fundamentar minimamente os mandados que emite. Das duas uma, ou estamos perante decisões pouco próprias de um Estado democrático ou a competência não abunda nos nossos procuradores.

Quantas decisões dos nossos magistrados seriam chumbadas se fossem avaliadas por magistraturas como as da Alemanha?

«Lalanda e Castro, ex-diretor da Octapharma acusado de corrupção passiva nos negócios do plasma, foi libertado na Alemanha depois de um juiz alemão ter considerado que não havia fundamentos para o mandado de detenção europeu.

Segundo adiantou à agência Lusa o advogado Ricardo Sá Fernandes, o juiz alemão considerou que não se justificava o mandado de detenção europeu (MDE) de Lalanda e Castro porque este, que é arguido em outros processos em Portugal, "sempre esteve contactável, não sendo preciso a sua detenção para ser ouvido em Lisboa".» [DN]

      
 Marcelo dá música à banda de Colares
   
«O Presidente da República avisou esta quarta-feira, na inauguração da sede de uma banda de Colares, em Sintra, que a política é feita sobretudo de "más notícias" e que a realidade consiste em saber transformá-las em notícias positivas.

"A política é feita de dez notícias más por dia e duas ou três boas. Mais ou menos, é a média", afirmou Marcelo Rebelo de Sousa. O chefe de Estado, que falava na inauguração da nova sede da Banda dos Bombeiros Voluntários de Colares, acrescentou que por vezes as más notícias "ocupam todos os jornais noticiosos, mas existem".

"É um atentado ali, é o desrespeito por uma vida humana acolá, é um drama social mais adiante e já não há distância - nós sentimos isso naturalmente como nosso. E depois há umas boas notícias: aqueles que conseguiram autocarros para ir buscar gente a Alepo ou aqueles que estão no terreno a lutar para que haja paz e estabilidade", frisou.» [Expresso]
   
Parecer:

às vezes Marcelo regressa ao modo comentador.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»
  
 Acabaram-se os tabus cavaquistas
   
«Nem uma sombra de dúvida: Marcelo Rebelo de Sousa anunciou esta quarta-feira que promulgou o Orçamento do Estado para 2017, menos de 24 horas depois da lei ter chegado a Belém por via eletrónica (em papel, o texto só chegou esta quarta-feira).

Esta rapidez foi justificada pelo próprio. "Acompanhei atentamente os debates parlamentares, analisei a versão votada em votação final global, bem como a redação final, ao longo das últimas semanas. Isso permitiu-me, logo após ter recebido o decreto da Assembleia da República, estar em condições de o promulgar", explicou-se Marcelo.

Na declaração feita antes das 18.00 (hora inicialmente prevista para a sua intervenção), o Presidente da República deixou desafios ao Governo: que 2017 seja um ano de crescimento económico, que haja uma estabilização do sistema financeiro, que se cumpram os compromissos europeus e se aumentem as exportações. São estas "quatro razões, fundamentalmente", que explicam a promulgação do documento.» [DN]
   
Parecer:

Aos poucos o país regressa à normalidade.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Aprove-se.»

quarta-feira, dezembro 21, 2016

Cristas, líder da oposição

O Benfica vai chegar ao fim do ano na liderança da Liga, enquanto no campeonato da direita a liderança parece ter sido entregue a Assunção Cristas. A líder do CDS não só é líder da direita, como já consolido a sua candidatura a Lisboa como a única candidatura dessa mesma direita. Não deixa de ser curioso que o mesmo Passos Coelho que colocou o PSD à direita do CDS, que humilhou o irrevogável Portas, acabe agora por deitar tudo a perder em favor de uma líder do CDS que chegou ao cargo por falta de comparência dos outros candidatos.

O espectáculo da candidatura do PSD a Lisboa começa a ser ridículo, com personalidades da área do PSD a declararem ou a ameaçar declarar apoio a Cristas, com um Santana Lopes a empatar o seu partido com uma falsa pré-candidatura, com um destacado militantes convidado a elaborar um programa sem candidato e com a liderança nacional sem saber. Tudo isto porque faltou a Passos Coelho a inteligência estratégica necessária ao líder de um grande partido.

Passados vários meses desde o anúncio da candidatura de Cristas que o PSD não encontrou uma alternativa e começa a ser óbvio que Passos não sabe o que fazer. Passos não tem coragem para se candidatar, fazendo o mesmo que outros líderes nas suas circunstâncias fizeram, nem sabe o que fazer. A notícia do Expresso do passado sábado, anunciando o apoio do PSD à candidatura de Assunção Cristas foi um teste para avaliar a reacção dos eleitores e do próprio PSD.

Perante a crítica colectiva Passos aprece ter recuado, mas não apresenta qualquer solução. Começa a ser óbvio que falta ao PSD uma estratégia para o futuro e isso não sucede apenas em Lisboa, sucede com o país. O grupo parlamentar comporta-se como se fosse um pequeno partido, em vez de uma abordagem nacional dos problemas limita-se a lançar armadilhas ao governo e ao próprio país, como sucedeu com a CD.

Passos tem sido um líder intermitente, não sabe o que fazer, não tem projecto, não tem coragem para expor e defender o seu programa económico e desde que perdeu as eleições já experimentou quase meia dúzia de tácticas, todas sem sucesso e com consequências nas sondagens. Passos vai entrar desorientado em 2017, enquanto Assunção Cristas assume-se como a verdadeira líder da direita, candidatou-se a Lisboa, vai perder Lisa, mas, em compensação, ganha a direita do país. Passos sabia que ia perder Lisboa, mas por não ter tido a coragem de Cristas vai perder a liderança nacional da direita.

Umas no cravo e outras na ferradura




 Jumento do Dia

   
Juiz Mário Alexandre

A entrevista do juiz de instrução ao Expresso foi um momento pouco digno para a justiça portuguesa, mas já se sabia que o magistrado dificilmente teria de se explicar. A sua figura tem algum apoio junto de alguns sectores da população e do jornalismo, e, apesar de tudo, o lóbi dos Magistrados viria em sua defesa. desta vez o magistrado escapou-se, ainda que tenha partido uma asa.

Resta-nos esperar que os juízes passem a ter critérios tão tolerantes ciomo os do CSM para com os arguidos que julgam por delitos de opinião e que outros magistrados não decidam ser vedetas televisivas usando essa mesma tolerância.

«O Conselho Superior da Magistratura decidiu nesta terça-feira arquivar um inquérito que tinha sido aberto na sequência de declarações proferidas pelo juiz Carlos Alexandre numa entrevista à estação televisiva SIC.

A deliberação dividiu, porém, os membros do conselho, que não são todos juízes: foram sete os membros que se manifestaram contra o arquivamento, tendo apenas oito votado a favor. “Pese embora sendo pouco felizes algumas dessas declarações, não se revestem de relevância disciplinar”, refere uma nota informativa deste órgão que tutela os magistrados judiciais.

A abertura do inquérito surgiu na sequência de uma queixa do antigo primeiro-ministro José Sócrates contra o magistrado do Tribunal Central de Instrução Criminal. Carlos Alexandre disse na entrevista, emitida no início de Setembro passado, que não tinha amigos ricos, o que foi visto por muitos como uma referência à Operação Marquês, que tem como figura central precisamente o antigo líder do PS.» [Público]

      
 Hillary perseguida pela infedilidade
   
«Foi no estado de Washington que houve mais democratas a não votar em Hillary, com quatro dos 12 eleitores a escolherem outros candidatos. Destes, três votaram em Colin Powell, antigo secretário de Estado republicano. Um outro voto foi para Faith Spotted Eagle, uma idosa nativa-americana que tem sido uma voz ativa contra a instalação de oleodutos no Dakota. A ideia destes democratas era, ao votar no republicano Colin Powell, encontrar um ponto de consenso entre os dois partidos que pudesse evitar a eleição de Trump, já que a derrota de Hillary era garantida. Ouvido pela Reuters, o eleitor Bret Chiafalo, que votou em Colin Powell, sublinhou que os Pais Fundadores [nome dado aos líderes que assinaram a declaração de independência dos EUA no século XVIII] “disseram que o Colégio Eleitoral não serviria para eleger um demagogo, não serviria para eleger alguém influenciado por potências estrangeiras e não serviria para eleger alguém que não está preparado para o cargo. Trump falha nos três, ao contrário de todos os candidatos que já vimos na história americana”.

Clinton teve cinco votos democratas contra si, mas teria tido mais se não fossem as leis de alguns estados que impedem os eleitores de votarem contra o partido. Mas não foi por falta de tentativas. David Bright, eleitor democrata no estado do Maine, ainda tentou votar em Bernie Sanders, mas o voto foi rejeitado, acabando por ter de votar em Clinton. No Havai, um eleitor conseguiu mesmo votar em Sanders, apesar da lei que obriga os membros do Colégio a votar no vencedor do seu partido. No estado do Colorado, Michael Baca, um dos eleitores democratas por aquele estado, tentou votar em John Kasic, mas foi substituído por outro eleitor na sequência do seu acto. Por fim, no Minnesota, um eleitor que anunciou que não queria votar em Hillary Clinton acabou por ter de pedir a dispensa antes da eleição.» [Observador]
   
Parecer:

Coitada.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»
  
 Eliminar as propinas
   
«O Bloco de Esquerda quer recomendar ao Governo que crie um plano para acabar com as propinas no Ensino Superior em três anos. O projeto de resolução entrou na semana passada na Assembleia da República e, de acordo com o Diário de Notícias, terá apoios dentro da bancada socialista — pelo menos para que as propinas sejam reduzidas gradualmente.

Na edição desta terça-feira, o jornal adianta que o PS não antecipa o sentido de voto do projeto de resolução que o BE apresentou, mas que a intenção de acabar com as propinas no Ensino Superior não passa ao lado dos socialistas, nomeadamente da JS. O fim das propinas era defendido pelo secretário-geral da Juventude Socialista que foi substituído no último fim-de-semana, João Torres, e mantém-se como uma exigência do novo líder, Ivan Gonçalves. Está inclusivamente previsto que se caminhe nesse sentido, na moção que aprovou no Congresso .

Em declarações ao DN, Ivan Gonçalves admite que “este não é um objetivo que se possa alcançar nos próximos anos” e fala em “começar a pensar em reduções graduais“, mas que “o caminho, para já, é o congelamento”. O jornal cita também o deputado Alexandre Quintanilha, da comissão parlamentar de Educação, a dizer que “apesar de as propinas não serem a parte mais importante do financiamento das universidades, só representam perto de 30%, é óbvio que todos nós desejaríamos que essa componente no financiamento do ensino superior pudesse ser reduzida“» [Observador]
   
Parecer:

É uma medida peregrina pois quem mais gasta no ensino superior são so que são empurrados para as universidades privadas e uma boa parte desses têm menos recursos do que os que estudam nas universidades públicas.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «lamente-se a falta de seriedade com que este debate é feito.»

 O PSD é a favor de alguma coisa
   
«O PSD já reagiu à solução apresentada pelo primeiro-ministro António Costa para os lesados do BES. O deputado social-democrata Duarte Pacheco começou por anunciar que o PSD vai requerer ao Governo que envie à Assembleia da República toda a informação sobre este compromisso, por recear que tenha sido divulgada “apenas parte da verdade”.

Com a informação de que o PSD dispõe, Duarte Pacheco teme que acabem por ser os contribuintes a pagar, porque é isso que tem acontecido sistematicamente. “Se a solução foi encontrada sem pôr os contribuintes a pagar, excelente. Se os contribuintes, na primeira linha ou numa segunda linha, vierem a ser chamados a pagar, foi um mau compromisso”, declarou Duarte Pacheco aos jornalistas, no Parlamento.» [Observador]
   
Parecer:

O mundo está de pernas para o ar, a direita castiga o capital e é a gerigonça que defende os investidores.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Avalie-se a decisão.»

terça-feira, dezembro 20, 2016

Negociações salariais

A dez dias do fim do ano patrões, governo e sindicatos discutem um aumento de uns quantos euros no salário mínimo, transformando este salário na trave mestra das negociações laborais de que depende um acordo de concertação social para toda a economia. Nada disto faz sentido, nem a economia depende assim tanto do salário mínimo, não se decidem níveis salariais com dez dias de antecedência, nem os números dos salários neste patamar correspondem à verdade.

Há sectores de actvidade na prestação de serviço que recorrem ao trabalho intensivo (cantinas, segurança, limpezas, etc.) cujos contratos têm duração anual. Estas empresas suportam facilmente um aumento salarial decidido com um ano de antecedência, pelo que seria melhor estratégia negocial para patrões e empregados discutir acordos para um prazo mais alargado. É uma loucura fazer negociações para decidir salários a pagar no mês seguinte, os seus efeitos práticos são mais de ordem política do que laboral.

São escalões salariais mais baixos que mais alimentam a economia paralela e onde é maior a evasão fiscal e contributiva. Há sectores inteiros onde são raros os trabalhadores que não recebem uma parte do salário “por fora”. As estatísticas de emprego e de rendimentos estão fortemente viciadas por um fenómeno de que ninguém gosta de falar, a esquerda porque interessa aos patrões e a esquerda porque parece que quantos mais pobres estatísticos existirem mais força terão as suas propostas.

A verdade é que o futuro da economia passa muito pouco por estas negociações laborais ou mesmo por algumas reformas da legislação tão elogiadas pela OCDE. Na maior parte das empresas que apostam na competitividade procuram-se quadros mais qualificados e empenhados e isso não se consegue nem com salários mínimos nem com a ameaça de despedimentos.

As boas leis laborais de que a direita tanto fala serve mais para os maus patrões e uma boa parte das empresas que dependem do trabalho mínimo socorrem-se de trabalhadores emigrantes. O país está demasiado preocupado com o lado errado da economia.


Umas no cravo e outras na ferradura




 Jumento do Dia

   
Assunção Cristas
A líder do CDS já está em campanha para as autárquicas e começa de forma a dar a imagem de quem pensa no futuro. Não visitou empresas ou escolas, não andou na rua, nem foi ver os bairros populares, foi ver eleitores a quem os seus amigos da economia social conseguem os votos de forma fácil, idosos em lares, já com grandes problemas de mobilidade, a maioria sem perceber quem era aquela menina com dentinhos de coelho.

De caminho vai fazendo declarações próprias de quem espera a rendição inevitável do PSD. Esta campanha de sacristias promete.

«A líder do CDS-PP, que é candidata à Câmara de Lisboa, Assunção Cristas, não comentou hoje eventuais negociações autárquicas em Lisboa com o PSD, afirmando que "o tempo dirá" como "as coisas correm".

"Temos bons contactos, bons diálogos sempre com o PSD em relação a muitas partes do país. Quanto a questões específicas de Lisboa, o tempo dirá como é que as coisas correm. Da nossa parte, estamos com tranquilidade a fazer o nosso trabalho", afirmou Assunção Cristas.

A líder centrista falava aos jornalistas após uma visita ao centro paroquial de São Vicente de Paulo, no bairro da Serafina, em Lisboa, depois de, no sábado, os jornais Público, Expresso e Sol noticiarem que o PSD estaria disposto a negociar um apoio à candidatura de Assunção Cristas à Câmara de Lisboa.» [DN]

 Anúncios de Natal


 A OCDE  avaliou as reformas do mercado de trabalho

Será que um tal Santos Pereira, ex-ministro da Economia e responsável ignorado e esquecido dessas reformas, que é Director do Country Studies Branch no Economics Departament da OCDE foi o responsável pelo estudo que avaliou as suas próprias reformas? É apenas um palpite.

Mas não deixa de ser curioso ver um PSD que correu com Santos Pereira estar agora tão feliz com o seu trabalho, incluindo a Cristas cujo CDS teve um importante papel no seu saneamento para no seu lugar meter o flausino dos sapatos importados.

      
 Salário mínimo não dá para manter um filho
   
«As famílias com crianças gastam em média mais 658 euros por mês do que as famílias sem crianças a seu cargo. Curiosamente, enquanto as famílias com crianças diminuíram a sua despesa anual em 3,3 pontos percentuais nos últimos cinco anos, os agregados sem filhos gastaram mais 7,7%, de acordo com os resultados provisórios do Inquérito às Despesas das Famílias 2015/2016 (IDEF) que o Instituto Nacional de Estatística (INE) divulgou na manhã desta segunda-feira.

A despesa média anual dos agregados familiares com crianças é de 25.892 euros, ou seja, mais 44% do que as famílias sem crianças (17.997 euros), o que corresponde à referida diferença de 658 euros mensais. O inquérito feito entre Março de 2015 e Março de 2016 a 11.398 agregados, para apurar a estrutura das despesas familiares, revelou ainda que as famílias sem crianças gastam mais do seu orçamento em habitação (34,3%) do que as famílias com crianças (28,8%) e, sem surpresas, menos em ensino e em transportes.» [Sócrates]
   
Parecer:

Se a despesa média de um filho é de 658€ isso significa que um salário mínimo não dá para manter um filho em Portugal.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se conhecimento aos "parceiros sociais".»
  
 Bolo Dom Marcelo
   
«Uma doceira de Felgueiras criou um bolo chamado "Dom Marcelo", com as cores da Bandeira Nacional e ingredientes de todos os distritos e ilhas, inspirado no Presidente da República e na sua ligação a Celorico de Basto.

"Neste doce único está representado todo um país, toda uma nação", contou a empreendedora Cristina Pinto.

A doceira, de 46 anos, desempregada há dois, conta que o bolo tem 22 ingredientes, de todas as regiões, a maneira que encontrou para homenagear Portugal e o mais alto magistrado da nação.» [Público]
   
Parecer:

O homem já é doce, agora com um bolo vai levar o país aos diabetes.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»

 Patrões queem Estado a pagar aumento do salário mínimo
   
«As confederações patronais admitem o aumento do salário mínimo para os 540 euros desde que lhes garantam uma redução de 1% na Taxa Social Única (TSU) a cargo dos empregadores para os trabalhadores que recebem a remuneração mínima.

De acordo com uma proposta enviada pelos empregadores ao Governo, que será discutida na reunião de Concertação Social que está a decorrer, as quatro confederações consideram que os critérios de atualização do salário mínimo conduzem a um aumento para os 538 euros, mas admitem que o valor passe para os 540 euros em janeiro de 2017, se forem adotadas medidas que minimizem os efeitos da subida na competitividade das empresas.» [Observador]
   
Parecer:

Miseráveis.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Lamente-se.»

segunda-feira, dezembro 19, 2016

A trapalhada

A candidatura autárquica do PSD a Lisboa está transformada numa trapalhada digna dos tempos de Pedro Santana Lopes que acaba por ser um dos artistas principais deste espectáculo pouco digno daquele que é um grande partido autárquico e que espera que o país tenha um azar para que Passos Coelho o salvar.

Pedro Santana Lopes andou uns meses a brincar às autárquicas, testando a sua popularidade e avaliando os apoios que ainda poderá ter no partido. Começou por dizer que não era candidato a nada quando foi reconduzido na Santa Casa, seguro no tacho deu a entender que poderia ser candidato, só para avaliar as suas possibilidades de vitória. Como é melhor ter um pássaro na mão do que dois a voar Santana desistiu, demitir-se da Santa Casa era um grande prejuízo económico e associar-se  Passos coelho era um perigo para o que pode restar da sua carreira política.

Passos está acantonado cada vez mais à direita, governou com um programa económico com ideias dignas do Chile de Pinochet e entrou em guerra aberta com Marcelo Rebelo de Sousa. Aos poucos o líder do PSD é um produto tóxico para o centro político e ninguém com bom senso se associa a um líder que começa a parecer doente. Santana percebeu que uma derrota autárquica ao lado de Passos era o seu fim, ficava sem Santa Casa e sem cargo público, teria de viver dos seus modestos comentários na SIC Notícias, o dinheiro mal daria para suplementos alimentares e de alma.
No meio desta confusão a concelhia de Lisboa do PSD faz vídeos imbecis sobre ciclovias e convida um opositor de Passos para elaborar um programa autárquico do PSD. É óbvio que nenhum candidato autárquico se vai dar ao trabalho de ler este programa eleitoral paralelo.

É cada vez mais óbvio que ninguém no seu pleno juízo e com prestígio político se vai juntar à extrema-direita das docas para salvar Passos Coelho de um desastre político. Passos Coelho não é o político corajoso de que alguns falam e tem medo de enfrentar Medida, pondo à prova o seu direito democrático a governar, de acordo com a sua ladainha da vitória eleitoral. No sábado dizia-se que o PSD ia apoiar Assunção Cristãs, dois dias depois já só estão a negociar umas juntas de freguesia.

Nesta tabuada das contas eleitorais, em que Passos tenta encontrar uma solução para voltar a vencer perdendo as eleições o PSD multiplica os tabus, para cada hesitação de Passos Coelho surge um novo tabu.

Umas no cravoi e outras na ferradura




 Jumento do Dia

   
Alberto João Jardim, morto-vivo da política local madeirense

Onde estava o Alberto João quando os funcionários públicos perderam uma parte substancial dos seus rendimentos com o argumento de um desvio colossal nas contas públicas, que depois veio a saber-se que resultavam das aldrabices do governo regional da Madeira? Onde estava Alberto João nos tempos mais duros da austeridade, quando Passos adoptava um programa económico de extrema-direita digno de fazer inveja a Pinochet? Estava calado, melhor, caladinho que nem um rato.

Agora que se recusa a ser enterrado aparece pela esquerda, ele que de esquerda ou de social-democrata nada tem. O que pretende este morto vivo da politica, que os portugueses o reabilitem depois de os madeirenses o terem rejeitado? Agora que há uma vaga contra Passos Coelho este senhor quer fazer surf oportunista, não lhe fica nada bem e Roma não paga a traidores.

«Afastado da política activa desde Dezembro de 2014, Alberto João Jardim diz estar a gozar de um exílio dourado na Madeira. Trabalha meio dia na sede da Fundação do PSD-Madeira, à qual preside, instalada na casa onde cresceu, no Funchal. Entre o mobiliário antigo e fotografias de ex-primeiros-ministros sociais-democratas, não se encontra a de Pedro Passos Coelho. “É um mau caracter”, dispara o homem que governou o arquipélago durante 37 anos. Para saber porquê tem de continuar a ler.» [Público]

 Estou "plasmado"

Nem quero pensar que altas responsáveis da saúde em Portugal boicotaram o aproveitamento do plasma dos dadores portugueses para dar lucros a uma empresa e ajudar a enriquecer alguns príncipes do sector. Se isso suceder a actuação de todos os responsáveis políticos do sector deverá ser avaliada.

Na saúde os recursos são escassos e morre-se por falta de meios. Se há gente responsável pela gestão do sector que decide sem ter isto em conta estamos perante verdadeiros bandidos.

      
 Haviam pressões no tempo de Paulo Macedo?
   
«Paulo Campos garante que, enquanto foi diretor do INEM, foi alvo de várias pressões mas que a sua “postura foi sempre de fazer o melhor do ponto de vista de gestão”. Em declarações à SIC, o ex-presidente do INEM admitiu ainda acreditar que está a ser alvo de um “saneamento político” e que a investigação de que está a ser alvo permitirá descobrir os verdadeiros motivos pelos quais foi afastado da direção do organismo de saúde.

Na sexta-feira, a residência de Paulo Campos foi alvo de buscas no âmbito de uma investigação relacionada com suspeitas de favorecimento na adjudicação do fornecimento de ambulâncias e serviços de formação aos funcionários do INEM. No mesmo dia, decorreram buscas e detenções relacionadas com o caso “Máfia do Sangue”, mas as duas investigações são autónomas e não estão relacionadas.

Apesar das notícias iniciais que avançavam que Campos teria sido constituído arguido, o antigo diretor do INEM garante que “esta investigação vem na sequencia de duvidas” que ele próprio denunciou. “Outras mandei fazer auditorias”, disse à SIC, repetindo as declarações prestadas na sexta-feira à Agência Lusa. “Colaborarei no que for preciso na investigação.”

Sem nunca adiantar nomes, Paulo Campos afirmou à SIC ter sido alvo de “pressões para colocar pessoas em determinados pontos, para decidir de uma forma ou outra, para auditar uma área ou não auditar uma área”.» [Observador]
   
Parecer:

Cisa estranha...
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Investigue-se.»
  
 Legalizar o proxenetismo
   
«Presidente do Tribunal Constitucional diz que a definição atual do crime de lenocínio simples viola a Constituição. Numa declaração de voto de vencido revelada pelo Jornal de Notícias (JN), Manuel Costa Andrade afirma que a exploração comercial da prostituição não é crime se quem se prostitui o faça de livre vontade.

Costa Andrade defende que nem todo o “ato de fomento, favorecimento ou facilitar o exercício de ato sexual remunerado justifica a convocação do Direito Penal”, já que este “em nada se assemelha à moralidade”. Por outro lado, o líder do Constitucional considera que desde que a reforma penal de 1998 deixou cair as situações de exploração de abandono ou de necessidade económica, e tendo em conta que o exercício de prostituição não é crime em Portugal, o crime de lenocínio simples passou a ser inconstitucional. Daí Costa Andrade argumentar que a atual definição penal de lenocínio serve apenas para “prevenção ou repressão do pecado, num exercício de moralismo atávico com que o Direito Penal de um Estado de Direito da sociedade secularizada e democrática dos nossos dias nada pode ter a ver”, lê-se na declaração de voto citada pelo JN.» [Observador]
   
Parecer:

Se calhar tem razão, anda por aí tanto xulo que os das prostitutas já quase são ignorados.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»

 A queda de um príncipe
   
«Cunha Ribeiro conheceu hoje as medidas de coação aplicadas pelo tribunal, no Campus de Justiça, em Lisboa, após três dias a responder a perguntas sobre a investigação ao negócio do plasma sanguíneo.

Esta é uma decisão que surge na sequência das detenções na passada quarta-feira, onde Cunha Ribeiro e outros três arguidos terão lesado o Estado em cerca de 100 milhões de euros. Os factos que ocorreram entre 1999 e 2015.

Remetente a essa altura, explicou a PGR, estão a ser investigadas “suspeitas de obtenção por parte de uma empresa de produtos farmacêuticos, de uma posição de monopólio no fornecimento de plasma humano inativado e de uma posição de domínio no fornecimento de hemoderivados a diversas instituições e serviços que integram” o Serviço Nacional de Saúde.» [Notícias ao Minuto]
   
Parecer:

Era uma figura omnipresente nos últimos anos no sector da Saúde, agora caiu e ninguém aparece com o mais pequeno gesto de solidariedade.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Solicite-se um comentário a Paulo Macedo, o grande combatente contra a corrupção.»

 Desmentido ou recuo
   
«"Está tudo em aberto." É assim que uma fonte do PSD de Lisboa comenta as notícias sobre um possível apoio do partido à candidatura da líder do CDS-PP à presidência da Câmara de Lisboa. Nenhum dos vários dirigentes de ambos os partidos contactados pelo DN confirma qualquer alteração em relação à posição que tem sido divulgada: o PSD anuncia até março de 2017 a sua decisão; Cristas continua a campanha em Lisboa.

O coordenador autárquico do PSD desmente categoricamente o início de conversações com o CDS para apoiar Assunção Cristas como candidata à Câmara Municipal de Lisboa. Carlos Carreiras escusa-se a dizer se existe a intenção de encetar essas conversações, mas diz não querer "alimentar especulações que têm um objetivo claro" e que "não é o de favorecer o PSD, bem antes pelo contrário".» [DN]
   
Parecer:

Parece que Passos não sabe o que fazer.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»

domingo, dezembro 18, 2016

Semanada

Perante a insistência de muitos militantes do PSD de Lisboa para que Passos Coelho se candidatasse à autarquia da capital a liderança deste partido respondeu dando a saber da intenção de apoiar a candidatura de Assunção Cristas. Por outras palavras, Passos Coelho não teve a coragem que tiveram António Costa, Jorge Sampaio ou Santana Lopes e preferiu atirar o seu partido para um buraco chamado Cristas. Ao não ter candidaturas a cidades como Lisboa e Porto o PSD quase estará ausente das autarcas. Passos tinha medo do resultado destas eleições e encontrou uma forma muito origina de as enfrentar, ignorando-as.

Se um teatro tivesse dificuldades financeiras no Verão de 1975 ia lá um capitão do MFA, chamava à sua presença o director-geral da Cultura, dava-lhe um raspanete e de seguida sentava as partes à mesa. O país evoluiu muito, o capitão do MFA deu lugar ao Presidente da República e o ministro aparece quase sem fôlego dizendo que tinha faltado a um compromisso na Guarda para estar ali. Esperemos agora que Marcelo intervenha em defesa do lince da Serra da Malcata, que apareça de repente junto à poluição do Alviela exigindo a presença do ministro do Ambiente ou que vá à Ilha da Culatra exigir a construção de mais um bairro de pescadores entre as dunas e a beira mar.

Em mais uma semana de frenesim marcelista o país foi avaliado pelo velho professor Marcelo e a avaliação foi óbvia, o país está muito bem, quem está mal é Passos Coelho e o PSD.  Foi um dia difícil para Maria Luís Albuquerque que ouviu o Presidente dizer o contrário do que tinha dito sobre a CGD.

Jerónimo de Sousa termina a semana lembrando a geringonça que ali o líder do proletariado é ele anunciou o início de contactos para criar uma frente de esquerda e discutir a saída do euro.

Umas no cravo e outras na ferradura




 Jumento do Dia

   
Jerónimo de Sousa líder comunista

Faz algum sentido discutir as vantagens em estar no euro, bem como estudar a forma de resolver o problema da dívida. Para isso há dois tipos de solução, ou o país cresce e desenvolve assumindo a sua soberania como o fazem os países com recursos para isso, ou reestrutura-se a dívioda à amrgem dos credores, sai-se do euro e opta-se pelo isolacionismo.

Seria bom que Jerónimo de Sousa deixasse de sonhar com revoluções impossíveis, ele sabe muito bem que algumas das suas propostas seriam pagas com língua de palmo pelos trabalhadores e mutios provavelmente representaria um inverno de décadas para o país.

Os tempos são outros e Portugal não tem nem recursos, nem aliados para seguir a estratégia do caminho para a revolução defendido por Jerónimo de Sousa. Compreende-se que o objectivo de Jerónimo de Sousa é o comunismo, mas deve ser claro e explicar como lá pretende chegar e como resolverá os muitos problemas que se colocarão. É tempo de colocar as cartas nas mesas e deixar-se de rodeios.

«O PCP vai lançar uma campanha a partir de janeiro para discutir as consequências da moeda única e a “libertação da submissão ao euro”. Ao mesmo tempo, os comunistas vão aproveitar o conjunto de ações que levar a cabo para exigir a renegociação da dívida pública e também o controlo do sistema financeiro.

A campanha comunista vai durar seis meses, de janeiro a junho de 2017, e o objetivo será “ampliar o esclarecimento da insustentabilidade dos constrangimentos e imposições da União Europeia, e a mobilização de vários sectores da sociedade para a necessidade e possibilidade da libertação da submissão ao Euro, pela produção, o emprego e a soberania nacional”.

A iniciativa foi anunciada este sábado pelo secretário-geral comunista, Jerónimo de Sousa, durante a conferência de imprensa sobre as conclusões do recém-eleito Comité Central do PCP e consta no comunicado divulgado pelo partido. Os comunistas não esclareceram no entanto em que consistirá exatamente esta campanha, se em debates organizados, conferências ou propostas levadas ao Parlamento.» [Observador]

 Dúvidas que me atormentam

Esta semana a direita tentou tirar partido de um relatório de avaliação dos sistemas de ensino. Mas agora que saiu o ranking das escolas secundárias, ninguém veio festejar o recuo das escolas públicas, ninguém reparou nas consequências dos subsídios à escola privada com dinheiro retirado às escolas públicas.