sábado, janeiro 14, 2017

Passos Coelho endoiodou e boicota a concertação social

Sempre que Cavaco e Passos sentiam necessidade de pressionar os partidos da oposição utilizaram a concertação social e os parceiros sociais, uma forma simpática de designar patrões, foram usados como tropa de choque contra o PS.

Na hora de designar António Costa para primeiro-ministro um Cavaco Silva em desespero jogou a sua última cartada das seis condições, uma delas era a de que o governo respeitaria o “papel do Conselho Permanente de Concertação Social, dada a relevância do seu contributo para a coesão social e o desenvolvimento do país”. 

Quando o PS apresentou o OE para 2017 Passos Coelho começou por dizer que o ia ignorar, como tinha feito em relação ao OE de 2016, mas acabou por mudar de posição, tirando uma carta da manga, ia ouvir os parceiros sociais e apresentaria as suas propostas como propostas orçamentais do PSD. Acabou por reunir as cortes em Albergaria-a-Velha, onde apresentou uma espécie de OE do seu governo no exílio. Passos afirmava-se como o paladino dos parceiros sociais e da concertação social, opondo a legitimada daqueles à da maioria dos deputados.

Para os teóricos da direita a concertação social é a alternativa e negação da luta de classes, daí que para personalidades da direita como Cavaco o respeito pela concertação social, colocando-a cima do parlamento é um alicerce ideológico. Todas as organizações que assinaram o acordo de concertação têm o envolvimento político-partidário do PSD, os sindicatos são os da UGT e quanto às associações patronais todos sabemos o que a casa gasta. A concertação é a trave mestra do PSD e Passos Coelho decidiu derrubá-la.

O PSD parece ter muitas saudades de umas boas greves, os mais altos dirigentes do PSD não escondem essa sua perversão ideológica e não se cansam de desafiar a CGTP e o Mário Nogueira para uma lutazinha das antigas. Passos Coelho é um político imaturo que nunca deixou de o ser e eu nunca conseguiu ver a diferença entre uma associação de estudantes do preparatório e um país, daí a sua decisão de boicotar o país, não hesitando para isso em destruir a concertação social.

Passos perdeu a lucidez políticos, conselheiros como o Relvas parece terem-no abandonado, está cada vez mais dependente intelectualmente de um grupo de extremistas que têm acompanhado. Mas desta vez pode ter ido longe demais na sua imaturidade e arrisca-se a pagar bem cara uma asneira que o vai conduzir ao fim político. Passos acabou de perder toda e qualquer credibilidade política.

Umas no cravo e outras na ferradura




 Jumento do Dia

   
Vital Moreira

Não admira que Vital Moreira seja um defensor do corte de rendimentos, quando Passos o fez defendeu que corar de forma unilateral os vencimentos dos funcionários públicos era constitucional. Na ocasião só esqueceu de dizer até que limite ele considerava essa prática constitucional, não se percebendo se iria até aos 100%.

Agora ve-se manifestar contra a devolução de rendimentos, prosseguindo a sua viagem ideológica desde os tempos do PCP. Enfim, ode irá parar Vital Moreira?

«Vital Moreira lamenta que o Governo de António Costa tenha decidido cortar no investimento público, “o que condiz melhor com opções políticas de sinal contrário” à Esquerda.

No blog Causa Nossa, o constitucionalista admite que “não havendo dinheiro para tudo, houve obviamente que fazer escolhas políticas”. Mas terá sido tomada a decisão mais acertada?

“Decididamente, o fim antecipado da austeridade nos rendimentos foi conseguido à custa de uma severa austeridade no investimento público. O tempo dirá se foi a opção certa...”.» [Notícias ao Minuto]

      
 Quem manda nos comandos?
   
«A procuradora Cândida Vilar, do Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP) de Lisboa, recebeu o depoimento do tenente-general Faria Menezes por carta, há duas semanas. O Comandante das Forças Terrestres tinha sido chamado para ser ouvido, como testemunha, no inquérito às mortes dos dois instruendos do curso 127 dos Comandos, mas optou por fazê-lo por escrito, algo a lei o permite dada a posição que ocupa na hierarquia militar.

Na carta, Faria Menezes garantiu ao Ministério Público que mandou suspender todas as atividades físicas do curso para o dia seguinte à morte do furriel Hugo Abreu, a primeira vítima mortal no Campo de Tiro de Alcochete, num domingo em que as temperaturas atingiram os 40 graus. “Sem prejuízo da continuação do 127º curso de Comandos, decisão a avaliar posteriormente pelo Comando do Exército, cancelei toda a instrução prevista em horário do dia seguinte (5 de setembro de 2016), resultando assim no encerramento definitivo da Prova Zero”, escreveu o general na carta de 5 páginas.» [Expresso]
   
Parecer:

Isto é mais feio do que se pensava, parece que no regimento de comandos são so sargentos que mandam.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Investigue-se.»
  
 Júdice candidato a Lisboa?
   
«A hipótese de o PSD vir a fechar uma coligação com o CDS para apoiar Assunção Cristas em Lisboa está praticamente afastada, apurou o PÚBLICO. Os sociais-democratas trabalham numa solução em que avançam sozinhos, com listas próprias a todos os órgãos. Um dos nomes que está agora em cima da mesa é o do advogado José Miguel Júdice, mas Carlos Barbosa, presidente do Automóvel Clube de Portugal, também deverá integrar a lista à câmara e com destaque.  

À margem de um pequeno-almoço hoje, em Cascais, o coordenador autárquico do PSD, Carlos Carreiras, assumiu que o candidato social-democrata à capital está já em processo final de decisão e revelou que terá notoriedade. "A candidatura que estamos a trabalhar vai lutar pela vitória. O que falta para o nome estar fechado é a convergência das propostas do candidato com as do partido", afirmou, sem comentar nomes. "Não será provável que seja uma mulher, mas pode ser. Se eu puder anunciar Lisboa em Fevereiro, anunciarei", afirmou ainda.» [Público]

«José Miguel Júdice diz que é "um disparate" falar do seu nome como potencial candidato à Câmara de Lisboa. O advogado, ex-militante do PSD e ex-bastonário da Ordem dos Advogados, lamenta "que ninguém tenha tido a gentileza de (lhe) perguntar se estava disponível" e tenha avançado para um teste, "como se faz às margarinas".

A notícia de que José Miguel Júdice era uma hipótese foi dada esta manhã pelo "Público". Mas o advogado garante ao Expresso: "Não sou candidato a coisa nenhuma. Não é aos 67 anos que vou entrar na política e graças a Deus não preciso de publicidade".» [Expresso]
   
Parecer:

Seria a anedota do ano, mas parece que primeiro lançam o nome das pessoas e depois logo se vê.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se ao PSD se vai instalar a sede da candidatura nas Ilhas Cayman ou na cidade do Panamá.»

 [Alguns] contribuintes vão ter mais dinheiro
   
«Confirmado o envio para publicação em Diário da República das novas tabelas de IRS para 2017, o secretário de Estado para os Assuntos Fiscais, Rocha Andrade, garantiu esta sexta-feira à TSF que, apesar da actualização de 0,8% da taxa de retenção na fonte do IRS, os contribuintes vão “ter mais dinheiro disponível”.

Os limites dos cinco escalões de IRS foram actualizados em 2017 em 0,8%, “em função da inflação registada”, disse o secretário de Estado, confirmando o que o PÚBLICO já tinha noticiado na quinta-feira. “Todos os escalões de retenção na fonte foram actualizados em 0,8% e todos os restantes escalões na sobretaxa, e portanto essa actualização também significará para algumas pessoas um aumento de rendimento”, acrescentou em declarações à TSF.» [Público]
   
Parecer:

O secretário de Estado parece considerar que os contribuintes são uma média, a verdade é são muitos os contribuintes que continuam em regime de austeridade.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»

 Ninguém confia no Trumponov
   
«jornal israelita "Yediot Ahronot" avançou esta quinta-feira que os serviços de informação norte-americanos têm estado a aconselhar os homólogos hebraicos a não partilharem informações secretas com a administração de Donald Trump, sob pena de estas chegarem ao Irão e a outros rivais do Estado hebraico por causa das suspeitas ligações do Presidente eleito ou de pessoas que lhe são próximas ao Governo russo de Vladimir Putin.

De acordo com o jornalista de investigação Ronen Bergman, que assina o artigo em causa, as preocupações têm sido manifestadas em encontros privados e têm por base a suspeita de que Trump e/ou membros da sua equipa têm mantido ligações à Rússia, cujos serviços de informação estão associados às secretas iranianas.» [Expresso]
   
Parecer:

A coisa está feia e confusa.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»
  
 E agora Ti Costa?
    
«A maioria dos portugueses é favorável à nacionalização do Novo Banco... se tiver de ser. No estudo de opinião de janeiro da Eurosondagem para o Expresso e a SIC perguntou-se o que deve o Governo fazer caso não surja uma proposta de compra lucrativa para o antigo BES.

A resposta foi inequívoca: 52,5% dos inquiridos entendem que se deve avançar para a nacionalização, contra 28,5% que defendem que, nesse caso, o banco deveria ser liquidado. Que o assunto não é simples demonstra-o o facto de 19% terem dúvidas ou não saberem mesmo qual a resposta a dar.» [Expresso]
   
Parecer:

Lá se vai o negócio do rapazinho.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se conhecimento ao Ti Costa.»

      
 Outra sondagem
   
«O PS continua a ganhar terreno para o PSD, dispondo de uma vantagem que se situa agora nos 16 pontos percentuais. A sondagem da Aximage para o Negócios e o Correio da Manhã mostra que, em Janeiro, as intenções de voto nos socialistas cresceram 1,6 pontos percentuais face ao mês anterior para um total de 41,7%.

Em sentido inverso, o PSD regista a maior queda entre os principais partidos do especto político nacional, com os social-democratas a recuarem 2,3 pontos percentuais para 25,1% das intenções de voto. Trata-se mesmo da maior queda do partido liderado por Passos Coelho desde a quebra de 2,6 pontos registada entre Março e Abril do ano passado.

Pelo seu lado, o Bloco de Esquerda recupera alguma da margem perdida com um crescimento de quase um ponto para 9,1%, o que permite aos bloquistas consolidarem-se como a terceira força política.

Já a CDU (coligação entre PCP e Verdes) perde terreno para o Bloco e vê o CDS aproximar-se. A coligação liderada por Jerónimo de Sousa cede meio ponto para os 6,9%, com os centristas a crescerem ligeiramente para os 6,8%. O estudo da Aximage aponta ainda para uma diminuição da abstenção, que cai dos 35,7% registados em Dezembro para 33,5% no presente mês.» [Jornal de Negócios]
   
Parecer:

A vantagem do PS sobre o PSD já vale dois CDS.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sugira-se a passos que analise estes dados na sua newsletter diária.»
  

sexta-feira, janeiro 13, 2017

Os concursos para lugares de chefia no Estado

Quando entrei para a Função Pública não haviam concursos para os lugares de chefia, os chefes não tinham quaisquer benefícios por exercerem funções de chefia. Lembro-me que o meu primeiro chefe de divisão partilhava um pequeno gabinete com outros dois técnicos superiores e foi assim durante anos. Nesse tempo uma boa parte das chefias eram quadros de reconhecido mérito, raramente se questionava a escolha ou a competência dos escolhidos.

No meu serviço havia uma telefonista, o Director de serviços tinha uma secretário e todo o resto de pessoal administrativo eram dactilógrafas ao serviço de todos os técnicos, num tempo em que não eram ainda utilizados computadores. Hoje um modesto chefe de divisão escolhe a melhor sala do serviço para seu gabinete pessoal, conta com uma ou duas funcionárias de secretariado, tem vários benefícios, é escolhido por concurso e são muitos mais os incompetentes do que no passado. 

Recordo esta situação a propósito do argumento usado por Paulo Macedo em sua defesa depois de ser acusado pelo ex-director do INEM. O argumento de que não fez qualquer pressão porque os lugares de chefia no Estado são escolhidos por concurso seria legítimo se estes concursos não fossem uma verdadeira farsa, uma farsa montada com o dinheiro dos contribuintes para que se dê legitimidade a escolhas duvidosas.

Em mais de 90% dos concursos no Estado toda a gente sabe quem vai ficar com o lugar muito antes de este ser posto a concurso. A fantochada é tão grande que em muitos casos só concorrem aos cargos malucos. O mesmo sucede com os concursos para subdirectores-gerais e directores-gerais, conduzidos pela CRESAP. Há mesmo casos em que há um único candidato porque ninguém com bom senso se arrisca a disputar um lugar quando já se sabe quem é o eleito e este vai estar em posição de se vingar de tal ousadia.

Os políticos não podem ter sol na eira e água no nabal, primeiro manipular os concursos e depois dizerem que as escolhas são feitas por concurso. Culpado ou inocente, Paulo Macedo vai ter de encontrar melhores argumentos para provar que não influenciou as escolhas. Mas s sua defesa revela o lado sujo destes concursos, dantes os políticos assumiam as suas escolhas, agora escolhem quem querem através de falsos concursos e depois dizem que nada tê que ver com as escolhas.

Já é tempo de um governo escolher uma comissão de inquérito independente e ver o que se passa no Estado com os falsos concursos para lugares de chefias.

PS: Ainda que mal pergunte, ó Dr. Macedo quando nomeou Luís Cunha Ribeiro para a ARS de Lisboa também foi na sequência de um concurso da CRESAP?

Umas no cravo e outras na ferradura




 Jumento do Dia

   
Paulo Macedo

Nos dias que antecederam a sua escolha para a CGD Paulo Macedo foi uma verdadeira vedeta da Fundação Gulbenkian, onde esteve em vários seminários, mas como o destino tem destas coisas um dos seminários onde o novo guru da gestão apareceu debatia a corrupção e o agora administrador bancário apareceu como campeão do combate à corrupção, ele que no fisco nada vez nessa matéria.

Azar dos Távoras, agora aparece alguém a relacioná-lo com o lado menos transparente do min stério da Saúde. Veremos como isto acaba, mas alguém  que se juntou a quem se juntou para perseguir este blogue merece aquilo que lhe está sucedendo. Aqui fica uma sugestão ao Dr. Macedo, faça como fez e apresente queixa do antigo director do INEM ao MP.

«O médico Paulo Campos, ex-presidente do INEM, contou à Polícia Judiciária que foi pressionado pelo anterior ministro da Saúde, Paulo Macedo, para reintegrar e promover naquele instituto a irmã de Paulo Lalanda e Castro, patrão da Octapharma, que se encontrava a prestar serviço na Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo (ARSLVT).

A sua recusa em fazer essa promoção terá sido uma das razões que levaram ao seu afastamento do cargo no Instituto Nacional de Emergência Médica, aponta a TVI24, a quem Paulo Campos contou o episódio.

Paulo Lalanda e Castro era até há um mês o responsável pela multinacional Octapharma que tinha o monopólio da venda de plasma, a mesma empresa para a qual trabalhou o ex-primeiro-ministro José Sócrates, e foi constituído arguido no processo O-negativo. Esta quarta e quinta-feiras tem estado a ser ouvido no Campus da Justiça, em Lisboa, por suspeita dos crimes de corrupção activa e passiva, recebimento indevido de vantagem e branqueamento de capitais.» [Público]

      
 Até tu Rui?
   
«Rui Rio defende que nacionalizar o Novo Banco de forma temporária é a melhor solução, tendo em conta as propostas de compra que foram apresentadas pelos fundos norte-americanos, diz ao “Público” esta quinta-feira.

A nacionalização temporária do Novo Banco faz sentido se assim se conseguir “rendibilizar o banco” e, daqui por alguns anos, “ter o retorno de todo o capital nele investido e, se possível, com alguma compensação para o Estado”, escreve o ex-autarca do Porto num texto que enviou ao matutino sobre este tema.

Colocando o Novo Banco temporariamente ao encargo do Estado, poder-se-ia “evitar ainda mais despesa pública com o sector bancário; e, até, de se aliviar a carga que os outros bancos já estão a suportar com este escândalo nacional”, justifica.» [Expresso]
   
Parecer:

Andam, andam e ainda estragam o negócio a alguém.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»
  
 Mais uma asneira do PSD
   
«A decisão do PSD já está a ser contestada pelos patrões. É o caso da Confederação de Comércio e de Serviços de Portugal, com João Vieira Lopes a lamentar que o Parlamento “esteja a pôr em causa o acordo de concertação social”, dando “prioridade ao combate político-partidário”. O líder da CCP deixa ainda críticas ao PSD, numa alusão à incoerência demonstrada com o que aconteceu no Governo de coligação de centro-direita: “Estranhamos, neste caso concreto, porque no Governo anterior fizemos acordos de concertação social que tinham a mesma tipologia de compromissos.”

O Observador tentou também falar com os restantes membros da Comissão Permanente da Concertação Social, que validaram o acordo, mas até ao momento ainda não foi possível obter uma reação à decisão do PSD. O líder parlamentar do PS também foi questionado pela posição dos social-democratas à saída da reunião da bancada socialista, mas Carlos César não quis fazer declarações.» [Observador]
   
Parecer:

Aos poucos o PSD vai-se enterrando, agora vota só para prejudicar e sem qualquer critério.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Lamente-se.»

 PSD escolhe candidato a Lisboa à Trump, por apalpação?
   
«O coordenador autárquico do PSD, Carlos Carreiras, disse esta quinta-feira que no início de fevereiro serão anunciadas “novidades” sobre candidatos às eleições deste ano, incluindo na Grande Lisboa, e referiu que a candidatura na capital “vai lutar pela vitória”. Numa altura em que a tese de apoiar a candidatura da líder do CDS, Assunção Cristas, a Lisboa ganha cada vez mais peso dentro da estrutura local do partido, Carreiras diz que “não é provável que [candidato do PSD] seja uma mulher”, acrescentando de seguida que “pode ser”. Certo é que o responsável pela coordenação autárquica garante que o nome será “forte” e está quase fechado.

À margem de um encontro com jornalistas para apresentação de eventos no concelho de Cascais, o também presidente daquele município adiantou que, na Grande Lisboa, entre os candidatos que faltam conhecer – Lisboa, Loures, Oeiras e Odivelas -, um deles será revelado no início do próximo mês. “Um deles será revelado no lote de fevereiro”, assegurou Carlos Carreiras, acrescentando que o calendário máximo para lançar as candidaturas, determinado pelo PSD, é até 31 de março.» [Observador]
   
Parecer:

Espectáculo triste.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»

quinta-feira, janeiro 12, 2017

Mais despesa, menos impostos ou mais eficácia?

São muitos os que consideram que o estímulo ao consumo é a solução para os males da economia portuguesa, outros pensam precisamente o contrário, que todos os males estão no consumo. Já se viu que muito antes de os cortes no consumo produzirem resultados a economia pode muito bem colapsar. De nada serve estimular as exportações restringindo o consumo interno se não ocorrer investimento que aumente a capacidade produtiva. O mesmo se pode dizer do aumento do consumo interno, isto, é os males que condenam uma estratégia poderão ser os mesmos que condenam a estratégia simétrica.

Menos impostos ou mais subsídios, sejam estes concedidos enquanto tal ou com reduções fiscais como sucedeu com a redução do IRC, também não tem produzido resultados significativos. Além disso, estando o país em situações limite uma redução de impostos sobre uns terá contrapartida o aumento sobre outros, se a redução dos impostos beneficia os ricos é óbvio que serão os pobres a pagá-la. Foi o que fez Passos Coelho com a sua desvalorização fiscal, sem que tenha conseguido resultados.

Se o problema da economia é a falta de competitividade seria de esperar que fossem as empresas com problemas de competitividade a beneficiar de ajudas. Sucede que quando a desvalorização fiscal é feita através do IRC, seja com reduções de taxas ou com benefícios fiscais escondidos em normas orçamentais menos transparentes, as empresas beneficiadas são as que apresentam mais lucros. Isto é, a desvalorização fiscal promovida por Passos Coelho foi uma imbecilidade, ajudou as empresas que não precisavam de ser ajudas e tramou as outras ao financiar as mais ricas com impostos que restringiam o consumo e, em consequência, reduzindo as vendas das empresas em dificuldades.

Talvez o grande obstáculo da competitividade não esteja na procura interna, na procura externa ou nos custos, estas são limitações comuns a todas as empresas do mundo. Não são os custos salariais de uma empresa portuguesa que explicam por si só a sua falta de competitividade face a uma empresa francesa. Se forem duas empresas viradas para a exportação também não é a procura interna ou mesmo os impostos que explicam a diferença de competitividade.

O maior problema da competitividade das empresas e da economia portuguesa pode estar na falta de concorrência interna e na ineficácia generalizada. Se não há concorrência entre nada e entre ninguém dificilmente as empresas aprendem a ser competitivas. A história do capitalismo português é uma história de proteccionismo e nisto se inclui também as chamadas políticas expansionistas, que muitas vezes não são mais do que a promoção de compras artificiais para ajudar as empresas a não terem de se esforçar muito.

O país funciona mal, o Estado funciona mal, os tribunais não funcionam, os reguladores são uma farsa, os negócios entre empresas envolvem luvas por fora, o Estado leva anos a decidir a aprovação de projectos, os organismos públicos inventam burocracias adicionais para poderem cobrar mais taxas.


Umas no cravo e outras na ferradura




 Jumento do Dia

   
Joana Marques Vidal, Procuradora-Geral da República

No passado dia 15 de Dezembro um cidadão português foi preso na Alemanha a pedido do Ministério Público, sinal de que se tratava de alguém que deveria ter cometido crimes graves e que por estar na Alemanha podia fugir à justiça. O homem foi detido, apresentado ao país como um bandido, difamado sem quaisquer complexos.

Dias depois a justiça alemã mandou a justiça portuguesa apanhar gambuzinos, o mesmo homem foi libertado e por sua iniciativa viajou para Portugal, aterrou num aeroporto sem polícias e mandou avisar os justiceiros que já cá estava. Agora quase um mês depois o homem foi constituído arguido e ouvido pela justiça.

Se era para o ouvir quase um mês depois porque razão o MP mandou prender o homem na Alemanha com todo o espectáculo que se seguiu. Porque razão alguém conheceu a prisão estrangeira, foi humilhado e difamado se nem sequer havia pressa em ouvi-lo? Os mecanismos da investigação criminal são usados para apurar a verdade ou como instrumentos de tortura e de difamação de cidadãos portugueses?

PS: o MP já fez grandes avanços nas suas investigações às muitas violações do segredo de justiça e em particular no âmbito do processo que abriu na sequência da publicação do livro da alcoviteira de Belém?

«O antigo patrão de José Sócrates Paulo Lalanda e Castro está nesta quarta-feira de manhã a ser ouvido no Campus da Justiça em Lisboa. Foi constituído arguido no âmbito da operação O Negativo, em que está em causa o monopólio da venda de plasma durante vários anos pela multinacional Octapharma, a farmacêutica que geria e da qual se demitiu há menos de um mês, na sequência desta investigação.

Existem suspeitas da prática dos crimes de corrupção activa e passiva, recebimento indevido de vantagem e branqueamento de capitais. O empresário, que tem residência oficial na Suíça, foi detido em meados de Dezembro na cidade alemã de Heidelberg, onde se encontrava em trabalho, na sequência de um mandado de detenção europeu emitido pelas autoridades portuguesas. » [Público]

      
 Amigos e admiradores. E nós: obrigado
   
«Dois notáveis testemunhos sobre Mário Soares, hoje no DN. O primeiro é para ser lido numa elipse da história, da campanha presidencial de 1986 para, hoje, este texto de Freitas do Amaral. Aquela campanha foi rude. Nas ruas, a esquerda fazia da direita o regresso da Outra Senhora; e, do outro lado, os loden, os sobretudos verdes dos freitistas, eram a vontade, e expressão vestida, do direito da direita à diferença. O debate entre os protagonistas pode ser resumido na frase assassina de Soares sobre Freitas, do debate televisivo e decisivo: "Reconheço que é um democrata mas ele tem de reconhecer que não fez nada pela democracia." E, hoje, lemos no texto sentido de Freitas, um amigo e um admirador, isto: "Soares não fez de nós socialistas; mas tornou-nos a todos melhores democratas." Na verdade a elipse é mais longa, é de 1974 a 2017, e nós que tanto nos queixamos de líderes podemos ver, na viagem dos dois amigos, um caminho político que foi feito andando. O segundo texto é de outro amigo e admirador de Soares, Jean Daniel, grande jornalista francês. Jean Daniel, fundador do Nouvel Observateur, conheceu Soares no exílio parisiense deste: "Foi amor à primeira vista", escreve hoje. Mas não foi, os bons espíritos não se encontram por acaso. A revista Le Nouvel Observateur sucedeu ao France Observateur, em que na primeira metade dos anos 50 o leitor Soares se formara como democrata e europeu. O caminho faz-se andando, mas só anda quem quer.» [DN]
   
Autor:

Ferreira Fernandes.

      
 Iremos ver Trump em cuecas
   
«A Rússia alega ter “informações pessoais e financeiras comprometedoras” sobre o presidente eleito dos Estados Unidos, Donald Trump, que já foi informado pelo FBI da existência destes documentos, avançou a CNN na madrugada desta quarta-feira. A reação não se fez esperar, no Twitter, como já tem sido hábito. “É uma caça às bruxas”, escreveu o presidente que vai tomar posse a 20 de janeiro. Barack Obama, que fez o seu último discurso enquanto presidente do país esta terça-feira à noite, também já estará a par.

As informações russas foram sintetizadas num documento de duas páginas, revelado a Trump por James Clapper, diretor das Informações Nacionais, James Comey, diretor do FBI, John Brennan, diretor da CIA e Mike Rogers, diretor da Segurança Nacional norte-americana. De acordo com a CNN, que diz ter por base “múltiplos” membros das autoridades norte-americanas, as informações constavam de um anexo ao relatório sobre a alegada interferência russa nas eleições presidenciais.» [Observador]
   
Parecer:

Este pode ser o político com mais telhados de vidro na história recente. Não se entende como é que uma super-potência fica nas mãos de um bandalho. Trump diz ser uma caça às ruxas, pero wque las hay, las hay...
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Reserve-se lugar na primeira fila do espectáculo.»
  
 Se tivessem diriam o mesmo
   
«O governo de Vladimir Putin reagiu esta quarta-feira às alegações de que tem em sua posse informações embaraçosas sobre Donald Trump, garantindo que esse não é o caso e acusa os media norte-americanos de "fabricarem" as denúncias com o objetivo de danificar as relações de Moscovo com Washington a apenas nove dias da tomada de posse de Trump.

O Kremlin garante que não tem qualquer "informação comprometedora" sobre Trump nem sobre a sua rival democrata nas eleições de 2016, Hillary Clinton, dizendo que os alegados memorandos entregues às chefias dos serviços de informação norte-americanos por John McCain e apresentados, por estas, a Obama e Trump na semana passada são um "bluff total". Numa conferência de imprensa em Moscovo, esta manhã, o porta-voz de Vladimir Putin, Dmitry Peskov, sublinhou: "Este relatório não corresponde à realidade e não passa de absoluta ficção. É um bluff total, uma absoluta fabricação, um disparate completo."» [Expresso]
   
Parecer:
Não deve ser difícil ter.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»

 Imposto de selo ou adicional de IVA
   
«A associação que representa os hipermercados pede explicações e “transparência fiscal” ao Governo sobre o Imposto do Selo de 4% sobre as comissões cobradas pelos bancos nos pagamentos com cartões e avisa que, no fim de contas, serão os consumidores a pagar.

Ana Isabel Trigo Morais, directora-geral da Associação Portuguesa das Empresas de Distribuição (APED), disse ao Jornal de Negócios que “quando se desenham medidas fiscais para determinados sectores” é importante que “fique claro quem é o sujeito passivo do imposto e quem o vai pagar”.» [Público]
   
Parecer:

É evidente que o imposto de selo que incide sobre as vendas de Multibanco não passa de um adicional de IVA sobe estas operações., A dúvida está em saber se daí vai resultar um aumento da receita ou um aumento da economia paralela pois muitos comerciantes poderão dispensar os pagamentos por Multibanco.

Talvez seja tempo de adoptar legislação sobre a disponibilização de pagamento via multibanco para vendas acima de determinado montante, bem como a proibição de pagamentos a dinheiro entre comerciantes e fornecedoras.

Em relação à posição da representante dos hipermercados, que avisa que serão os consumidores a pagar a conta, alguém devia lembrar à senhora que são os clientes que poagam todas as contas, desde o pacote de açúcar às almoçaradas dos administradores, passando pelo seu próprio ordenado e mordomias.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Espere-se para ver.»

 Vital Moreira, o economista
   
«Vital Moreira debruçou-se, no blog Causa Nossa, sobre o dossier Novo Banco, defendendo que a nacionalização do antigo BES "seria a pior opção" para arrumar a questão.» [Notícias ao Minuto]
   
Parecer:

Já foi tanta coisa que um dia destes ainda o vamos encontrar como investigador de física na Estação Espacial Internacional, enfim, na ciência como na política.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»


 Aos poucos vão lá
   
«A hipótese do PSD apoiar Assunção Cristas em Lisboa está a ganhar força no aparelho social-democrata na capital. Agora é um dirigente do PSD/Lisboa — a concelhia que chegou a ser irredutível contra um apoio à líder do CDS — a defender que este é “o caminho mais provável e eficaz” para desalojar Fernando Medina nas próximas autárquicas. Num artigo de opinião publicado no Observador, Luís Newton, que é também presidente da junta de freguesia da Estrela, lembra o exemplo vencedor de Krus Abecassis e nega que o PSD/Lisboa esteja em bloco “contra a ideia de uma coligação de centro-direita”. Este dirigente com influência no Núcleo Ocidental de Lisboa defende que o PSD deve “unir forças” com o partido que tem estado com os sociais-democratas “nas batalhar mais recentes”.

Um dirigente distrital contactado pelo Observador regista a “abertura cada vez maior da concelhia em admitir que um candidato independente ou de outro partido possa ser apoiado pelo PSD.” No entender da mesma fonte, a declaração de Newton é “mais um sinal que a concelhia tem os horizontes mais abertos, tal como foi a moção aprovada pela concelhia há uma semana.”

A concelhia de Lisboa reuniu na noite de 4 janeiro e aprovou uma moção onde estabelece que “após a decisão de não candidatura de Pedro Santana Lopes, urge agora avaliar todos os cenários e uma tomada de decisão rápida que permita ir de encontro aos anseios dos lisboetas”. No mesmo comunicado, o PSD/Lisboa decidiu “mandatar o seu presidente para continuar a desenvolver os esforços junto do presidente do partido para encontrar uma solução que vise este grande objetivo que é o de apresentar uma candidatura que granjeie um apoio maioritário dos lisboetas nas eleições autárquicas de 2017”.» [Observador]
   
Parecer:

A fome do poder obriga a engolir sapinhos.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»
  

quarta-feira, janeiro 11, 2017

Algumas das minhas dúvidas ou certezas?) sobre o BES

Talvez um dia o país saiba tudo sobre o BES. O que se passou na família Espírito Santo, as relações entre alguns membros da família e o primeiro-ministro, o papel do então primeiro-ministro na luta pelo poder entre Ricardo e Ricciardi, a resposta da Troika quando a situação do BES lhe foi colocada, o papel de Carlos Costa, um amigo da banca nomeado para um BdP, que vigiava a banca, por um amigo seu e da banca, o ministro das Finanças de Sócrates.

Talvez um dia saiamos o que perdeu o país para que o BES fosse destruído, o que se perdeu com a perda das empresas do GES, o que perdeu com a intervenção no BES, o que perdeu com os prejuízos que foram infligidos a muitos clientes do BES e parceiros das empresas do GES, o que perdeu com o desaparecimento de um banco que financiava muitas das PME.

Talvez um dia fiquemos a saber de quantos políticos chegaram ao poder com a ajuda financeira do BES, de quantos governantes e altos cargos do Estado empregaram os seus familiares e afilhados no universo empresarial do GES.

Sem sabermos de tudo isto nunca saberemos porque caiu um grande grupo empresarial português, nunca conseguiremos saber quanto custou ao país a forma descontraída com que Passos Coelho andou de chanatas na Praia da Manta Rota. Saberemos porque em vez de se equacionar uma solução para a sua sobrevivência, se optou por se perder muito mais para o destruir. Saberemos porque motivo Ricardo Salgado foi o mau, e Ricciardi não só foi o bom como foi premiado.

Tenho muitas dúvidas de que o governo não podia ter resolvido o problema do BES muito antes de deixar de haver solução. Tenho muitas dúvidas de que o grupo tinha sido destruído se José Maria Ricciardi, amigo do então primeiro-ministro, tivesse conquistado o poder no grupo. Tenho muitas dúvidas de que o governador do Banco de Portugal ou os banqueiros que o apoiam alguma vez tiveram como preocupação a continuação e sobrevivência do BES, por mais bom que seja ou tenha ficado depois da “desintoxicação”.

Quem ganhou ou vai ganhar com esta solução?

Vão ganhar os banqueiros que se livram daquele que era o mais dinâmico banco do nosso sistema financeiro, aqueles que por ocasião da resolução tudo fizeram para desnatar o banco, ficando-lhe com os melhores depositantes e os melhores clientes, aqueles bancos que estavam tão mal ou pior do que o BES e se salvaram escondendo-se atrás deles. Daqui a algum tempo os banqueiros do costume vão fazer eleger um primeiro-ministro amigo que em boa hora vai transferir os custos da banca com o processo para os contribuintes.

A banca tem muito a ganhar com uma solução em que o comprador fica com os negócios imobiliários e os bancos desastrados de Portugal dividem entre si os restos do cadáver, como se fossem hienas em torno de uma vítima. Os compradores ficam com o imobiliário, vendem as carteias de encomendas à banca portuguesa e transfere o prejuízo para o Estado através das garantias. Mais tarde o Estado junta a este prejuízo o do fundo de resolução.

Foi para isto que o ex-membro do governo recebeu um balúrdio como caixeiro-viajante do Banco de Portugal, para vender o BES a qualquer preço, sem quaisquer garantias de futuro e, ainda por cima, com a garantia financeira do Estado?

Umas no cravo e outras na ferradura




 Jumento do Dia

   
João Miguel Tavares, jornalista ignorante em história

Num artigo interessante João Miguel Tavares explica que o Soares que ele não conheceu não foi o melhor Soares, é um artigo que faz lembrar os que só conheceram Eusébio quando o pantera Negra foi jogar para o Beira-Mar.

O jornalista queixa-se de só ter conhecido o Soares que defendeu Sócrates, eu tive a sorte de ter o conhecido o Mário Soares que quando Leonor Beleza era perseguida politica e judicialmente por causa do problema com os hemofílicos veio em sua defesa. Soares não defendeu apenas Sócrates e Beleza, defendeu também muitos políticos nos tribunais plenários. Talvez JMT considere loucura defender Sócrates, eu considero coragem lutar contra a corrente e defender quem se pensa e considera estar inocente.

JMT só conheceu o Mário Soares que na Aula Magna protestou contra a austeridade. Teve azar, se tivesse conhecido o primeiro-ministro que aplicou programas do FMI teria conhecido um governante sem agendas ocultas, sem revisões secretas de memorandos, sem personagens pardas e cujo ministro das Finanças não fugiu para um gabinete em Washington.

JMT só viu Soares defender Chavez, é pena que as vistas seja historicamente tão curtas, senão perceberia porque razão Soares era odiado em países como Angola, ou como defendeu muitos outros políticos, como Nelson Mandela. Se recuasse uns anos teria visto Soares a apoiar Humberto Delgado, ou a defender a família do general quando este foi assassinado pela PIDE, teria também visto Soares a entrar em rotura com o PCP por apoiar o General norton de Matos.

Ainda bem que JMT é novo e só conheceu o  lado que ele considera mau. É também pena que seja jornalista, que comente o presente e ignore o passado. Se fosse historiador ou, pelo menos, um cidadão interessado em conhecer melhor o seu país, teria conhecido melhor Mário Soares e quando pegava na caneta para se armar em bom teria mais respeitou por aquele que ele só teve a oportunidade de criticar da forma mais violenta que podia, como se estivesse escrevendo sobre um velho senil e maluco.

Enfim, é uma pena que alguns jornalistas sejam como os velhos guardas das passagens de linha e ande aí só para ver os comboios que passam. É uma pena, porque assim confunde coragem com senilidade, frontalidade com loucura.

 Duas dúvidas em relação à PGR

Recordo-me de em tempos alguém ter anunciado que a Procuradoria-Geral da República iria acompanhar os processos de privatização, sendo de esperar que nesse conceito se inclua a estranha venda do Novo Banco. Muito mais recentemente, quando foi publicado o livro da alcoviteira de Belém o MP anunciou que iria investigar as violações do segredo de justiça claramente assumidas no livro.

Terei deixado escapar alguma notícia ou a PGR nunca mais se pronunciou sobre estes dois assuntos muito interessantes?


 O grande político que os uniu

Só um grande político conseguiria unir portugueses que se juntaram apenas em torno da sua homenagem, conseguiu unir os colonialistas mais empedernidos que o acusaram de entregar as colónias aos colonizados que o acusam de negócios com a UNITA. Conseguiu unir a extrema direita que o acusa de pisar a bandeira à extrema-esquerda que o acusa de receber benesses do regime fascista.

 Cartoon de André Carrilho (DN): "Adeus Soares"



      
 A necessidade de nacionalizar o Novo Banco
   
«Dois anos passados desde a resolução do BES, a nacionalização do Novo Banco parece ser mesmo a opção que menos penaliza os contribuintes e, sobretudo, é a única que permite criar o espaço espaço necessário para resolver os problemas de rentabilidade e sustentabilidade do sistema financeiro português. Não se nacionaliza para adiar uma perda e adiar o reconhecimento do problema. Nacionaliza-se com o objetivo de criar as condições para, no futuro, poder atrair capital privado de qualidade para investir no sector financeiro português. 

Antes do mais, importa perceber como aqui chegámos. Todos nos recordamos do que foi sendo dito sobre a resolução do BES: tratava-se de uma operação sem custos para os contribuintes e era a que melhor preservava a estabilidade do sector; e o BES tinha sido dividido em dois, sendo o Novo Banco um banco limpo de todos os ativos tóxicos, plenamente capitalizado e com elevado valor, o que facilitava a venda futura. Nada disto era verdade.

Os 4.9 mil milhões de euros em capital injetados pelo Fundo de Resolução representam cerca do dobro da capitalização bolsista de todo o sistema bancário nacional. Se este montante fosse imediatamente assumido pelo sector financeiro português, dificilmente os bancos sobreviveriam. Por essa razão, a injeção de capital por parte do Fundo de Resolução, apesar de teoricamente assegurada pelo próprio sector financeiro, teve de ser feita quase inteiramente pelo Estado. Isto aconteceu porque o fundo não estava capitalizado e, sobretudo, porque nunca poderia ser devidamente capitalizado pelo sistema financeiro, a não ser a longuíssimo prazo. Na prática, para o bem e para o mal, o Novo Banco já foi nacionalizado, porque é um banco de transição que é responsabilidade pública desde 3 de agosto de 2014.

Por outro lado, importa dizer que a resolução foi mal feita, porque, ao contrário do que foi várias vezes afirmado, o Novo Banco não se tornou num banco limpo e rentável, pronto a ser vendido. Saíram os ativos relacionados com o GES, mas ficaram todos os outros, sobretudo os NPLs, (non-performing loans ou ativos não-performantes) que penalizam fortemente a rentabilidade do banco, restringem a capacidade de concessão de crédito (em quantidade e em preço) e consomem capital, que já é escasso. Ser o banco das PMEs e das empresas portuguesas é simultaneamente um dos maiores problemas do balanço Novo Banco - porque os problemas financeiros das empresas portuguesas são, também, problemas financeiros dos bancos - e um dos seus maiores e mais valiosos ativos. 

Em 2015, pouco antes das eleições legislativas, a discussão era se o Novo Banco valia 3 ou 4 mil milhões de euros, havendo até quem, como Marques Mendes, assegurasse que valia bem mais do que isso e que a venda seria um estrondoso sucesso. Mais do que limpa, seria uma saída imaculada. Poucos meses depois, mais concretamente a 30 de dezembro de 2015, o Novo Banco, em vez de ser vendido, foi recapitalizado em cerca de 2 mil milhões de euros, via bail-in de credores seniores. A resolução imaculada revelava-se, afinal, um logro e representou uma pesada fatura para a dívida pública portuguesa e para a capacidade de financiamento do país. Os juros da dívida pública dispararam após essa operação, o spread face à restante periferia agravou-se fortemente e, até ver, de forma permanente.

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Passados cerca de dois anos e meio, e 6.9 mil milhões de euros de capital depois, a venda imediata do Novo Banco parece a pior de todas as opções, porque não foram criadas as condições para que haja uma venda sem ser fortemente subsidiada pelo Estado. A melhor oferta implica que o Estado pague cerca de 1750 milhões de euros para que um fundo de private equity fique com o terceiro maior banco do país. Esta operação, para além de implicar custos imediatos para os contribuintes, que iriam integralmente ao défice, teria graves custos económicos, porque um fundo de private equity não tem como uma das suas prioridades a gestão de um banco e a valorização das suas relações com as empresas portuguesas; antes compra barato e tenta recuperar o capital investido rapidamente, provavelmente desmantelando o banco e tentando maximizar a utilização da garantia pública, cuja probabilidade de execução, no caso da venda se concretizar, rondaria os 100%.

A nacionalização tem dois grandes benefícios. O primeiro é que permite normalizar a situação do banco, retirando-lhe estatuto de banco de transição. Um banco com um prazo para ser vendido não é bem um banco, nem nunca poderá ser bem vendido sem enormes subsídios por parte do vendedor. O segundo, muito mais importante, é que permite olhar o verdadeiro problema do sistema bancário nacional - a qualidade dos seus ativos, a sua rentabilidade e a viabilidade do seu modelo de negócio - e procurar uma solução sistémica, bem menos custosa, e muito mais eficaz, do que uma solução banco a banco. A falta de qualidade de todas as ofertas de compra conhecidas é, aliás, a maior demonstração que o problema está a ser colocado pela ordem inversa: primeiro é necessário resolver problema do mal parado, qualidade do balanço e rentabilidade do banco, e só depois vender.

As propostas existentes para a venda imediata do Novo Banco mostram que os riscos que muitos dizem estar associados à nacionalização do banco já são uma realidade hoje, e já são dos contribuintes. A nacionalização, face aos custos de uma venda com garantia pública, não cria novos custos, limita-se a assumir plenamente os custos que já existem, e existirão sempre, e permite ganhar tempo para criar as condições para reestruturar o balanço e rentabilizar o banco. Em vez de subsidiar uma venda a todos os títulos ruinosa, procure-se uma solução que tenha como objetivo limpar o sistema de NPLs que põem em causa rentabilidade do sector e a sua viabilidade. Sem isto acontecer previamente, é muito difícil atrair capital de qualidade para investir no sistema financeiro português, incluindo, como é óbvio no Novo Banco. E os mercados, os tais que se poderiam assustar com a nacionalização, são os primeiros a saber que assim é.» [Público]
   
Autor:

João Galamba.

terça-feira, janeiro 10, 2017

Mário Soares e a afirmação da extrema-direita chique

Alguns ideólogos da direita em vez da difamação trauliteira, coisa que não lhe ficaria em ao seu estatuto de gente fina, optam por desvalorizar a democracia e a integração europeia, até desenterram as intervenções do FMI, como se estivesse a estabelecer paralelos históricos. Confesso-me desiludido, esta abordagem revela falta de inteligência em pessoas de quem esperava um pouco mais.

Há quem queira comparar as intervenções do FMI com a recente crise financeira, pelo que comecemos por aqui. Essas intervenções resultaram da falta de divisas num país saído de uma era colonial, com uma indústria escassa em sem competitividade. Uma das intervenções resultou do oportunismo eleitoral de um senhor que se tornou na referência da direita, o então ministro das Finanças da AD, um tal Aníbal Cavaco Silva, numa jogada populista em que se tornou mestre (mais tarde ganhou eleições com um aumento de pensões) fez uma revalorização populista do escudo que levou o país ao desequilíbrio externo. Mais tarde ganhou as eleições abandonando o barco do Bloco Central.

As intervenções do FMI foram transparentes, não ocorreram alterações secretas do acordo, não haviam ministros sombra pagos a peso de ouro com o estatuto de assessores do Vítor Gaspar, o ministro Hernâni Lopes não se demitiu, não inventou desvios colossais, nem teve de fugir. A representante do FMI de então ainda hoje visita Portugal onde é considerada e bem-recebida.

A outra linha de argumentação dos ideólogos da esquerda é a de que os extremismos da direita, o euro-cepticismo e Putin puseram fim à Europa de Mário Soares. O argumento é simples, se o mundo de Mário Soares morreu a sua memória morreu com esse mesmo mundo. Isto é, com a implantação da República D. João II passou a ser um traste da história, com a robotização o fabrico em série de Henri Ford foi uma idiotice, com a vitória do Brexit e a ascensão da extrema-direita fica provado que a democracia é uma idiotice.

A verdade é que em Portugal existiram muitos germanófilos no tempo de Hitler, gente que desapareceu para dar lugares a admiradores dos Aliados, no tempo de Salazar eram todos admiradores do ditador de Santa Coma, com a democracia a ala mais extremista do regime transformou-se em democrata cristã enquanto os mais simpáticos optaram pela metamorfose em social-democratas e até pediram a entrada na Internacional Socialista. Os vira casacas é uma instituição nacional.

Basta ler alguns articulistas do Observador para percebermos como os ideólogos da dessa direita estão em mais uma metamorfose, a democracia e o projecto europeu estão em decadência e anunciam a boa nova do Trump, da Le Pen e do Farage. Ainda não são muito claros no apoio e defesa da extrema-direita que tem tido algum sucesso nas eleições como, aliás, já tinha sucedido no passado com Hitler. Aos poucos os nossos liberais que defendiam a democracia, vão considerando-a um regime desajustado da realidade, e vão transformando as suas teses liberais numa espécie de extrema-direita chique.

Umas no cravo e outras na ferradura




 Jerónimo de Sousa foi aos Jerónimos

Depois de um comunicado lacónico sobre a morte de Mário Soares parece que o PCP decidiu tomar uma posição mais digna e dignificante, deslocando Jerónimo de Sousa aos Jerónimos, onde em vez de realçar as diferenças e as posições supostamente condenáveis, optou por realçar a coragem, lembrando o papel de Soares na defesa de vários militantes comunistas nos tribunais plenários.

Assim sim, só lhe fica bem.

      
 Agora é connosco
   
«É estranho. Acreditava que todos tínhamos isto por certo. Acreditava, sobretudo, para mim, que tinha isto arrumado, pacífico: Soares estava por dias, semanas. Tinha até já escrito o meu obrigada, a minha elegia, aqui, há duas crónicas; tinha já, pensava, sondado o meu coração e percebido o lugar que ele ocupava, a forma como me conquistou ao longo do tempo até se constituir numa espécie de pai metafórico - o homem que esteve sempre onde e quando foi preciso para garantir que Portugal seria uma democracia e que eu, com 10 anos no 25 de Abril, cresceria numa.

Mas no sábado, quando vi o tuite de Ricardo Costa, diretor do Expresso, a dar a notícia, às 15.41, foi como se nunca tivesse pensado no depois de Soares; como se fosse surpresa: e agora? Percebi, a seguir, que muitos dos meus amigos tinham reagido assim: lavados em lágrimas, num desgosto súbito, irreprimível, que não vimos chegar. Porquê? O que é que sucedeu no sábado, de repente, que não tínhamos previsto? Donde vinha aquela dor?

Como eu, essas pessoas são crianças de abril; como eu, viveram a quase totalidade da sua vida adulta sob a protetora, calorosa e incansável tutela deste homem. Como eu, sentiram-se órfãs - foi a primeira coisa que escrevi, naquele momento, no Facebook, e tantas delas o repetiram, porque estávamos juntos nessa orfandade.

Mas é mais do isso. É também uma catarse, o momento em que podemos enfim deixar-nos abater pelo brutal ano de 2016, o ano em que vimos acontecer o que nunca julgámos possível: o regresso triunfante da xenofobia, do racismo, do sexismo, das ideologias de extrema direita, embrulhadas no populismo mais tresloucado, virulento e destrutivo; os EUA entregues a alguém de quem nenhum de nós quereria receber um aperto de mão, quanto mais um carro usado. A mentira propalada como "a minha versão da verdade que vale tanto como a tua". A Europa em fanicos, impotente, sem ideia de caminho. A democracia tomada de assalto, desvirtuada, contrabandeada, contrafeita pelos seus inimigos.

Já não soubemos o que ele, político da política clássica e da democracia como facho sagrado, teria para dizer sobre tudo isto. Mas esta morte, agora, de um símbolo da construção da Europa como lugar de generosidade, união, progresso económico, combate às desigualdades e "nunca mais" (o nunca mais das guerras mundiais e dos campos de concentração, da perseguição dos "diferentes", dos "inferiores", dos "subversivos" que é a memória do nazismo mas também do estalinismo), é-nos ainda mais simbólica quando nos sentimos tão perdidos, tão em choque com uma história cujos ventos parecem determinados a fazê-lo anacrónico, ícone de uma era dourada.

Esta dor é isso tudo. Mas é ainda outra coisa. Porque de súbito nos sentimos a descoberto, na primeira linha, expostos ao vazio, ao negro, a um aterrador desconhecido. Todas as desculpas usadas, perdidas; já não podemos continuar a queixar-nos "deles", dos mais velhos, dos seus erros e equívocos, por mais errados e equivocados que tenham às vezes estado; já não interessa. Já não podemos confortar-nos na suposta superioridade dos que não sujam as mãos, dos que ficam a assistir, dos treinadores de bancada, na rebelde e adolescente irresponsabilidade dos que aproveitam o que fica do esforço, da luta e dos riscos dos outros (e que mal fica ao PCP, que em tempos, sob Cunhal, foi capaz de saber que votar Soares era votar pela sua própria sobrevivência e sobretudo pelo bem do país, o seu comunicado de ódio e mentira).

Este desaparecimento passa-nos, como bem frisou Marcelo - antes de todos os que já repetiram o mesmo -- o testemunho. Diz-nos que temos de ser nós, agora. "Agora ficamos sozinhos", escreveu Sérgio Sousa Pinto no Facebook. Ficamos, mas somos muitos. » [DN]
   
Autor:

Fernanda Câncio.

 Mário Soares, um grande Português
   
«Faleceu um grande português. Um entre os maiores políticos do séc. XX e XXI a quem o País fica muito a dever.

Homem de grande coragem, enfrentou perseguições, prisões, deportações no período do antigo regime. Foi também com enorme coragem que percorreu o período da democratização e do PREC até à consolidação da democracia em Portugal.

O processo da descolonização portuguesa foi forçado pelas grandes potências e não devemos esquecer a teoria do dominó de Eisenhower para compreender o que aconteceu. É bom recordar a frase de Kissinger de que se Portugal evoluísse para o comunismo, seria uma vacina para a Europa. Apesar disso, Soares soube convencer os EUA de que valia a pena apoiar Portugal.

Foi pela mão de Mário Soares que Portugal fez a sua adesão à CEE, também devido às suas excelentes relações com personalidades como Mitterrand, Willy Brandt e Olof Palm.

Teve a lucidez de chamar os empresários espoliados em 1975, entre eles o Grupo Espírito Santo, o que contribuiu para um período de entrada de capitais sem precedentes que conjugava os fundos europeus aliados aos capitais destinados às reprivatizações. Isso permitiu reconstruir a economia do país.

Chocou-se com nova destruição do Grupo Espírito Santo, agora por um PREC de direita, de políticos despreparados e sem a visão de Estado que sempre o caracterizou.

Foi sempre um homem solidário, principalmente nos momentos mais difíceis dos seus amigos. Fui verdadeiramente seu amigo. Sinto-me reconhecido e agradecido pela amizade dedicada por si e por Maria de Jesus Barroso à minha família mais directa, e a mim, especialmente no período subsequente à desgraça que ocorreu a 3 de Agosto de 2014.

Sinto-me triste porque perdi um bom Amigo.» [Jornal de Negócios]
   
Autor:

Ricardo Salgado.

      
 Galamba apoia nacionalização do Novo Banco
   
«ancisco Louçã, Vítor Bento, Manuela Ferreira Leite e José Maria Ricciardi: estes são alguns dos nomes que nos últimos dias se juntaram ao coro que pede a nacionalização do Novo Banco. Mário Centeno, na semana passada, disse que essa possibilidade não estava fora afastada. Esta segunda-feira, foi a vez de João Galamba, vice-presidente da bancada do PS, tomar uma posição em declarações ao “Diário de Notícias”.

“O banco já é do Estado [através do Fundo de Resolução], só que é de transição. Eu só quero que o Estado assuma plenamente e de forma normal aquilo que hoje já existe”, defendeu o deputado socialista.

Para Galamba, os custos para os contribuintes de uma operação de nacionalização já foram de facto assumidos, a 13 de agosto de 2014, com a criação do Fundo de Resolução, quando o passivo da instituição “passou para o Estado”. “Nacionalizar de facto não traz novos custos, apenas reconhece custos que sempre existiram”, sublinhou.» [Expresso]
   
Parecer:

Faz todo o sentido.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Aprove-se.»
  
 Há que pagar os fretes a Lima?
   
«O PSD quer indicar Fátima Resende Lima e Francisco Azevedo e Silva como candidatos para o novo Conselho Regulador da Entidade Reguladora para a Comunicação Social, mas os dois nomes estão a criar desconforto interno. Ao que o PÚBLICO apurou, o líder do PSD, Pedro Passos Coelho, informou na última semana os membros da comissão permanente do partido sobre os candidatos, mas os nomes não caíram bem por não constituírem uma novidade na escolha.

A questão não foi discutida no órgão mais restrito de Passos Coelho e só o deverá ser esta semana. Aliás, a bancada do PSD pediu na passada sexta-feira, último dia do prazo dado por Ferro Rodrigues, para adiar a entrega dos nomes até esta segunda-feira, quando se conta dez dias até à eleição (marcada para 19).

Fátima Resende Lima, mulher de Fernando Lima, ex-consultor do antigo Presidente da República, Cavaco Silva, já é directora executiva da ERC, mas a sua escolha, em Janeiro de 2012, por Carlos Magno, actual presidente da ERC, foi contestada pelos dois elementos do Conselho Regulador indicados pelo PS. Na altura, Alberto Arons de Carvalho (vice-presidente) e Rui Gomes (vogal) votaram contra alegando a falta de experiência de nomeada. Mas a nomeação passou com os três votos favoráveis de Magno e das vogais Luísa Roseira e Raquel Alexandra.» [Público]
   
Parecer:

Este tipo de escolhas ajuda a perceber a mansidão de Belém do temo de Cavaco em relação a Sócrates. O 1que saberá a esposa do "fonte anónima de Belém" de liberdade de imprensa?
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»

 A miserável MEO
   
«"O comando da precariedade é MEO. Melhores salários e estabilidade laboral", "Trabalhadores da Manpower em greve" ou "Não à precariedade. Somos MEO. A luta continua" eram algumas das frases que se podiam ler nas faixas dos trabalhadores subcontratados da agência de emprego Manpower e que hoje protestaram junto às instalações na PT/MEO, no Porto.

Em declarações aos jornalistas, Nelson Leite, do Sindicato Nacional dos Trabalhadores das Telecomunicações e Audiovisual (Sinttav) / CGTP, explicou que há cerca de 400 trabalhadores subcontratados da Manpower que estão numa situação precária e que exigem a "integração na PT/MEO" e "aumentos salariais".» [Notícias ao Minuto]
   
Parecer:

A MEIO e muitas outras empresas.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Vomite-se.»

segunda-feira, janeiro 09, 2017

Soares (2017 - )

E aqueles que por obras valerosas
Se vão da lei da morte libertando:
Cantando espalharei por toda a parte,
Se a tanto me ajudar o engenho e arte.

Luís de Camões

Não me parece importante explicar aos jovens quem foi Soares, mais tarde ou mais cedo vão perceber a diferença entre eles e os jovens que iam para a guerra, vão perceber que neste país só se tirava a carta aos 21 anos, mas podia-se ir para a tropa aos 18 e para a guerra menos de seis meses depois. Qualquer português sabe os nomes de grandes portugueses de que se lembram e ignoram muitos outros, sabem que de uns os nomes permanece na memória por bons motivos, enquano outros persistem em recordar-nos os canalhas que foram.

Um dia muitos destes os que hoje são jovens irão perceber que a liberdade e a democracia nem sempre foram tão natural como o ar que respiramos, que para se protestar e ser solidário com os outros não basta ter disposição para isso, que nos seus valores e princípios há muito da vida de Mário Soares. É isso que distingue Soares de outros políticos, em cada um de nós há muito do Mário Soares, é como se o político ganhasse a eternidade no nosso DNA de cidadãos. 

Em todos nós há muito dos nossos pais, há um bocado importante do que foi a nossa história e há bom bocado de Mário Soares e de todos os que deram o seu melhor pelos valores que hoje nos dão a identidade pessoal e nacional. O mesmo não sucede com outros políticos menores, não temos nada deles e dentro de alguns anos estarão esquecidos. Os nossos jovens conhecem os políticos de hoje, mas um dia vão começar a esquecer a maioria deles e a perceber como homens como Mário Soares estão entranhados em nós e na nossa história.

Talvez um dia se explique nas aulas de história que uma Nação não é feita só de descobertas e de caminhos marítimos, de batalhas com os vizinhos de Espanha ou com jovens reis desastrados em busca de glória em terras de Alcácer Quibir. Desde o século XIX que o progresso não se mede apenas em conquistas e impérios, mede-se também em valores. Não só os soldados que chegam a heróis, são os que colocam as suas capacidades ao serviço da democracia.

No século XXI não faz sentido falar de progresso sem democracia, já lá foi o tempo em que muita gente neste país se calava a troco de uma falsa estabilidade, um tempo em que o nosso DNA transportava demasiada cobardia, conformismo e até pequenez. Se perguntarmos aos nossos jovens se concebem uma vida sem democracia a resposta será um não bem mais firme do que o nosso e ainda mais do que seria o dos nossos pais e avós. 

É isso que devem a Mário Soares, talvez não o saibam mas um dia vão perceber isso, vão perceber que aos heróis das descobertas, aos que restauraram a independência nacional e a outras grandes figuras da nossa história, teremos de acrescentar as grandes figuras da democracia, aqueles que lutaram pela democracia. Então os nossos jovens saberão que Mário Soares foi mais do que um político do nosso tempo, foi um dos grandes da história de Portugal, um dos poucos portugueses que inscreveram o nome na história da Europa pelos melhores motivos e pelos valores mais nobres.