sábado, março 18, 2017

A culpa é do órgão

O órgão serviu para prender Sócrates à saída da manga do aeroporto de Lisboa, serviu para alimentar o reality show do processo difamatório que tem sido a violação do segredo de justiça, serviu para julgamentos sucessivos na comunicação social, mas na hora da formulação da acusação o MP borregou, a culpa é do tal órgão, para ser mais preciso é daquele rapaz rechonchudo e com ar bamboleante que há poucos dias a revista Visão apresentava como mais um modelo nacional de virtudes.

O comunicado da PGR a admitir que isto é mesmo da Joana foi uma maldade, logo agora que um Paulo Azevedo, lembrando o papá nos seus melhores tempos, veio a público mostrar como se babava por ter sido apanhado aquele que acusa de lhe ter estranhado o negócio, acusando tudo e todos de estarem feitos contra a SONAE, veio a Procuradora-Geral dizer que por culpa do fiscal de Braga tem muita prova e pouca acusação.

Sócrates foi bem preso e ainda melhor difamado, ninguém tem dúvidas da culpa, prende-se o ex-primeiro-ministro durante um ano, não podia ficar sequer em prisão domiciliária sem coleira porque podia perturbar o inquérito. Dois anos depois sabe-se que quem perturba o inquérito é a incapacidade do fiscal de Braga de produzir relatórios convertíveis em acusação. Mesmo assim os volumes e os crimes vão-se multiplicando.

É assim a justiça portuguesa, a justiça da Joana, tudo gente muito capaz e incompetente que só não faz melhor porque a culpa é do fiscal de Braga, a face mais visível do órgão, da Autoridade Tributária e Aduaneira, a mesma onde não faltava quem estivesse orgulhoso por estar desempenhando um papel tão relevante no país.

A “nossa” CGD

Durante muitos anos fui um cliente institucional das CGD, escrevo institucional porque era obrigado a isso, até que alguém mudou a lei e os funcionários públicos puderam mandar depositar o vencimento em qualquer banco. Não tardei a mudar de banco, a CGD nunca teve nada de minha, era atendido como estivesse a comprar batatas no mercado e nunca senti da parte do banco qualquer disponibilidade fosse para o que fosse.

Diz-se que o banco é fundamental para isto e para aquilo, enterram-se alguns milhares de milhões e parece que vai ser o Dr. Paulo Macedo a colocar a CGD ao serviço do país e o senhor Carlos Costa a assegurar que o Dr. Paulo Macedo não nos enterre ainda mais do que já somos. Se a CGD está ao serviço da economia e é assim tão importante, porque não se avalia se foi assim no passado.

Todos sabemos o que se passou na CGD, como e a quem foram concedidos os seus milhares de milhos em créditos malparados, foi aquilo a que se costuma designar um “fartar vilanagem”. O país paga agora a factura desse grande serviço da CGD ao país, a economia borregou, o Estado está endividado, os portugueses ainda sofrem com austeridade.

Mas não é um balanço da acção da CGD em prol do país que as comissões parlamentares de inquérito investigam, antes pelo contrário, andam a discutir tretas como as mensagens de SMS entre Centeno e o Domingues ou procuram encontrar um crédito mal concedido que possa servir para luta partidária.

Mas o que eu queria saber era qual o impacto, positivo ou negativo, que a gestão da CGD teve na economia do país na última década. Gostaria de saber quantos jovens empreendedores foram financiados pelas CGD, qual as percentagens de negócios financiados pela CD tiveram sucesso, se havia alguma preocupação em relação ao país na definição das políticas de crédito por parte do banco.

São as mesmas preocupações eu tenho em relação ao futuro. Ouço o Paulo Macedo prometer maior rigor na gestão do risco, mas nada ouço sobre outros critérios, porque nada me garante que as operações de baixo risco, que são rentáveis, sejam as melhores para o país. Também nada me garante a corrupção não volte a iludir os tas critérios de risco muito rigorosos.

Se a Caixa vai ser gerida como um banco privado então que o seja, mas nesse caso prefiro que venha a ser vendida a bom preço pois não estou disposto a um dia destes ter de pagar os negócios corruptos de chefes de agência ou de administradores pouco escrupulosos com mais uma dose brutal de austeridade.

Umas no cravo e outras na ferradura




 Jumento do Dia

   
Joana Marques Vidal, Procuradora-Geral da República

Há poucos dias a Procuradora-Geral a República deu como exemplo de investigações prolongadas um caso investigado nos EUA, como é óbvio falamos de casos diferentes e de enquadramentos jurídicos diferentes. Ainda bem que a PGR se ficou pelos EUA, se tivesse recorrido a outros quadrantes geográficos encontraria com certeza modelos de investigação ainda mais eficaez, basta ir ao Brasil de onde o MP tem elogiado algumas soluções.

Mas deixemos o argumentário da senhora Procuradora-geral porque viola as regras jurídicas do país de cuja defesa a PGR está encarregue, regressemos ao caso Marquês, em que aProcurador_geral há alguns meses alargou o prazo, afirmando que era para valer e até pediu que fosse feito um ponto de situação em momento anterior.

mesmo supondo que a investigação é complexa e que há fundamento jurídico para eternizar os prazos, não fica bem à senhora Procuradora-Geral que o procurador tenha pedido um adiamneeto com três dias de antecedência. Não é bonito que esta alta dignatária do Estado tome uma  decisão sabendo-se de antemão que só podia decidir dessa forma. Se houvesse preocupação em respeitar a dignidade dessa decisão o pedido de adiamento deveria ter sido formulado num momento em que a Procuradora-Geral pudesse ter dito não.

Se a Procuradora em momento anterior estabeleceu um prazo e a pedido do procurador que investiga o caso define agora apenas um prazo para fazer um ponto de situação, o que significa que esta investigação deixou d estar sujeita a qualquer prazo, isso significa que em momento anterior tomou uma decisão menos competente, o que não lhe fica nada bem.

Como se tudo isto fosse pouco a PGR culpa o fiscal de Braga, isto é, o desgraçado tem produzido quase toda a investigação e agora que tudo começa a ficar confuso querem dar-lhe as culpas. Enfim, um momento menos digno para o Estado português.

«A procuradora-geral da República, Joana Marques Vidal, anunciou nesta sexta-feira que aceitou o pedido dos procuradores da Operação Marquês para prolongar o prazo de conclusão da investigação a José Sócrates.

"Os magistrados titulares solicitam até ao final de Junho como prazo [para] concluir os trabalhos de ultimação do despacho final", diz o comunicado divulgado pela Procuradoria-Geral da República (PGR), que mais à frente afirma que "o pedido de prorrogação (...) mostra-se justificado e deverá ser atendido".

No entanto, Joana Marques Vidal não define um novo prazo para concluir a investigação, determinando apenas que o director do Departamento Central de Investigação e Acção Penal (DCIAP), onde corre o inquérito, terá de lhe prestar informações sobre o andamento dos trabalhos até final de Abril e nessa altura “indicar o prazo que se mostra ainda necessário, se esse for o caso”.

A necessidade de ser feito, até ao final de Abril, um ponto de situação na investigação voltou, aliás, a ser sublinhada pela própria procuradora-geral da República pouco tempo após a emissão do comunicado. Questionada pelos jornalistas durante uma visita que estava a fazer nesta sexta-feira à comarca judicial de Leiria, Marques Vidal salientou que o único limite temporal que fixou, neste momento, foi o de final de Abril que vem, data em que o director do DCIAP, Amadeu Guerra, terá de lhe fazer um ponto da situação do inquérito que permita à magistrada “dizer qual o prazo admissível para a emissão de um despacho final” no processo. Joana Marques Vidal pediu-lhe “que fizesse uma análise mais detalhada daquilo que seria necessário para que o inquérito termine”, incluindo os meios necessários a tal.» [Público]

«No comunicado divulgado esta sexta-feira pela Procuradoria-Geral da República já existe uma referência crítica à actuação da equipa da Autoridade Tributária que apoia o Ministério Público na investigação da Operação Marquês. Mas no despacho assinado esta sexta-feira pela procuradora-geral Joana Marques Vidal as críticas são mais evidentes e são repetidas várias vezes, deixando-se implícito um mal-estar entre a equipa de procuradores liderada por Rosário Teixeira e a equipa da Direcção de Finanças de Braga, chefiada pelo inspector tributário Paulo Silva, em quem foi delegada a investigação.

Marques Vidal nunca se refere expressamente à equipa da Autoridade Tributária, preferindo falar do “órgão de polícia criminal” (OPC) que apoia o Ministério Público. Depois de reconhecer um “considerável avanço na investigação” e o esforço feito desde 14 de Setembro passado, quando determinou um prazo de 180 dias para concluir o inquérito, a procuradora-geral afirma: “Não poderá deixar de se notar que poderiam eventualmente ter sido desenvolvidas estratégias de direcção do inquérito tendentes a melhor racionalizar os meios disponíveis e a reforçar aquela direcção, desde logo em sede do cumprimento, pelo OPC, das orientações dadas pelos magistrados que integram a equipa de investigação”.» [Público]

 Terei percebido bem

Primeiro prende-se, depois difama-se e a agora culpa-se o fiscal de Braga por não conseguir arranjar uma acusação no meio das provas? Enfim, primeiro culpa-se, depois prende-se, a seguir julga-se na praça pública, depois recolhem-se as provas e por fim procura-se uma acusação que nem sequer é produzida por um procurador, encomenda-se ao contabilista.

      
 O Temer teme os fantasmas do Palácio da Alvorada
   
«A história tem contornos de piada, mas aconteceu mesmo e há poucas semanas. A energia era negativa, o clima pesado, o que fazia com que Temer não conseguisse dormir. Não se sabe se foi durante umas das insónias que encontrou uma explicação para a má sensação que lhe causava o Palácio da Alvorada, a morada oficial do Presidente do Brasil, mas falou dela: para Temer, o palácio estava assombrado com fantasmas. E não se pense que esta história foi inventada pela oposição. Foi o próprio que a contou, numa entrevista à revista Veja desta semana.

"O Palácio da Alvorada tem muitos quartos, uns oito, todos muito grandes. Tudo muito amplo e bonito. Mas senti uma coisa estranha. Não conseguia dormir desde a primeira noite. A energia não era boa. A Marcela [mulher de Temer] sentiu a mesma coisa. Só Michelzinho [o filho de Temer] gostava, andava correndo de um lado para o outro. Chegámos a pensar: será que são fantasmas?", contou à revista. Além desta revelação, na entrevista, Temer contou que acredita que, depois de lançar as primeiras reformas, o Brasil voltará ao crescimento económico, já a partir do primeiro trimestre do ano.» [Público]
   
Parecer:

Por cá também há palácios cheios de fantasmas.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se a merecida gargalhada.»
  
 Isto está mau para Coelhos
   
«Ainda o nome do candidato do PSD a Lisboa não foi confirmado oficialmente e já a polémica começa a estalar: Passos Coelho indicou Teresa Leal Coelho, vice-presidente e deputada, como a candidata do partido à Câmara Municipal de Lisboa - e no partido muitos começaram a contestá-lo. Ontem, no Parlamento, alguns dos mais próximos do líder manifestam-se incrédulos ("mas é mesmo?"), enquanto os mais críticos não o poupavam, considerando que travará um combate muito desigual com o socialista Fernando Medina ("não vai ser fácil passar Assunção Cristas", na fórmula usada por um deputado ouvido pelo PÚBLICO). O próprio coordenador autárquico do partido, Carlos Carreiras, sem confirmar o nome da deputada, admitiu esta quinta-feira, à Rádio Renascença, que não consegue garantir que “seja consensual”, mas espera que tenha um “largo consenso”.

Mas a crítica interna era também ao método. É que Passos passou o anúncio para a distrital de Lisboa, excluindo a concelhia do processo. Esta sexta-feira está, de resto, marcado um plenário da estrutura local que, ao que o PÚBLICO apurou, não deverá ser pacífico. Mauro Xavier, o líder da concelhia, deu conta do seu incómodo pessoal numa nota no Facebook: “Enquanto presidente do PSD-Lisboa venho demonstrar o meu profundo desagrado com a metodologia escolhida e pelo não envolvimento da concelhia do processo”, escreveu o dirigente, remetendo uma avaliação para o pós-eleições (“os balanços só devem ser feitos depois dos votos contados”).» [Público]
   
Parecer:

Parece que Passos Coelho arranjou lenha para se queimar.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Reserve-se lugar na primeira fila do espectáculo.»
      
 Maria Luís no seu melhor
   

«Em Barcelos, para intervir numa conferência organizada pelas Mulheres Social-democratas do concelho, a também vice-presidente do PSD considerou "razoáveis" os argumentos da Standard & Poor's (S&P) para manter aquela avaliação.

A S&P manteve hoje o 'rating' atribuído a Portugal em 'BB+', ou 'lixo', com perspetiva estável, justificando a avaliação com o elevado endividamento público e privado e com as fraquezas do sistema bancário português, embora admita que o crescimento económico tenha ganho força na segunda metade do ano passado.

"Eu confesso que não vejo injustiça", afirmou, recorrendo aos argumentos da S&P, os quais considerou sere "razoáveis", .» [Sapo 24]
   
Parecer:

Só lhe faltou pedir à DBRS que também considere a dívida portuguesa como lixo.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Vomite-se.»

sexta-feira, março 17, 2017

Manual de uma derrota eleitoral

Em queda nas sondagens e sem estar no Governo, o líder do PSD provou o sabor amargo de ver todos fugirem dele, não tendo encontrado ninguém à altura de disputar a autarquia da capital, os generais deixaram-no abandonado à sua sorte. Uns andam por aí, outros fazem de mortos, alguns estão confortavelmente a viver de tachos proporcionados pela economia social, a maioria está no conforto dos gabinetes da advocacia dada às offshores ou aos negócios de influências.

O CDS não lhe deu margem para uma coligação, Assunção Cristas optou por avançar com a sua candidatura, sabendo que não só inviabilizaria uma coligação da direita, como aumentaria a probabilidade de o PSD desistir de Lisboa. Desta forma mata três coelhos com uma cajadada, leva a que o PSD concorra a Lisboa só para fazer o frete, afirma-se como líder do CDS e da direita e contra um PSD com os braços caídos pode ultrapassar o score eleitoral alcançado por Paulo Portas, quando se candidatou a Lisboa, afastando o fantasma do golpe sofrido por Manuel Monteiro. Com alguma sorte até poderá matar um quarto coelho, se o PSD perder sofrer uma derrota pesada nas autárquicas e, em especial, em Lisboa, a líder do CD pode acabar com o Passos Coelho,

Resta a Passos lutar pela sobrevivência em Lisboa, uma sobrevivência que passa por fazer frente aos opositores internos no PSD e por evitar uma derrota humilhante na capital. A escolha de um candidato entre os que no PSD criticam Passos Coelho, depois de ser um deles a redigir o programa autárquico da capital, significaria que as eleições para a  CM de Lisboa poder-se-iam virar contra Passos Coelho, um bom resultado  na capital teria para Passos o mesmo sabor que teve a vitória presidencial de Marcelo. Antes uma derrota do que mais um a querer o seu enterro político.

Não é fácil encontrar candidatos a derrotas eleitorais anunciadas, associando o seu destino ao de um líder político sem grande futuro e com a imagem de Passos Coelho, ninguém quer juntar-se a um político abandonado por Marcelo. São muito poucos os que aceitariam dar a cara por Passos Coelho nesta altura. A maioria dos independentes e senadores do PSD que o bajularam durante quatro anos, fazem agora de mortos, alguns até devem andar com o telemóvel desligado, não vá o Passos Coelho ligar-lhes.

Passos escolheu alguém que não só é da sua confiança, mas que também lhe deve a ascensão política e cujo destino político lhe está associado. Teresa Leal Coelho foi uma estrela cadete e é agora uma estrela em decadência no PSD, quando Passos abandonar a liderança é bem provável que lhe siga o caminho. É a melhor candidatura possível para uma derrota, aceitará a derrota em nome pessoal, nunca pondo em causa o líder. Passos escolheu a melhor derrotada possível e parte para as autárquicas na esperança que uma vitória nalguns pequenos concelhos disfarcem a sua derrota em Lisboa.

Umas no cravo e outras na ferradura




 Jumento do Dia

   
Passos Coelho, líder partidário bem educado e sensível

Pela forma como Passos Coelho comenta as declarações de Marcelo sobre as relações entre partidos Passos mostra que as suas birrinhas parlamentares e as provocações em off significam que se demitiu do cargo de primeiro-ministro no exílio e assumiu as funções de lider da oposição vítima da falta de educação governamental. Ridículo.

«Questionado sobre declarações do chefe de Estado, Marcelo Rebelo de Sousa, que na quarta-feira insistiu em acordos interpartidários e pediu para serem evitadas "irreversíveis animosidades" no plano político-partidário e que "os adversários continuem a não se transformar em inimigos", o líder do PSD disse não querer comentar diretamente as palavras do Presidente, mas deixou críticas ao Governo e à maioria.

"O Governo e a maioria que o apoiam têm uma noção de democracia muito especial: têm mostrado um desrespeito completo pelos poderes das entidades independentes e autónomas, não fazem um debate elevado no parlamento, não respondem às questões que são suscitadas, quando se sentem acossados respondem desqualificando as pessoas. É uma forma desprezível de fazer política, já o disse, e isso é real, não é faz de conta", afirmou, à margem de uma visita à Bolsa de Turismo de Lisboa.» [Notícias ao Minuto]

 Obrigado Trump

A extrema-direita europeia que andou tão excitada com a ascensão de Trump ao poder, corre um sério risco de ter de pedir ao presidente americano para ficar quieto e calado durante uns tempos.

 Cá se fazem, cá se perdem ... as eleições



Mais um fanático da austeridade rejeitado pelos cidadãos.

 Mais prazos para o Caso Marquês

Devem ser dados ao procurador e ao fiscal de Braga todos os prazos adicionais que eles entenderem, que façam render o processo nas próximas autárquicas europeias e legislativas, que investiguem até que os dois mais a procuradora escolhida por Cavaco Silva se possam aposentar com as devidas e merecidas homenagens públicas.

   "¿Por qué no te callas?"



      
 Habemus candidatum
   
«Sem confirmar formalmente que será Teresa Leal Coelho, deputada e vice-presidente do PSD, a candidata do partido a Lisboa, Passos Coelho disse que considera ter feito "uma boa escolha".

"Eu julgo que será uma boa escolha e que permitirá ao PSD ter uma afirmação em Lisboa de acordo com aquilo que é a nossa tradição, ter um projeto para a capital e poder mobilizar as pessoas, não apenas para uma campanha, mas para um mandato que nós gostaríamos que fosse muito diferente daquele que tem existido até aqui", afirmou, em declarações aos jornalistas durante uma visita à Bolsa de Turismo de Lisboa (BTL), vincando que o objetivo do partido na capital é o mesmo que para o país, "ganhar".» [Notícias ao Minuto]
   
Parecer:

Estamos todos em pulgas para saber quem é o ou a grande escolha para candidato do frete.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Mantenha-se a calma.
  
 Passos tira tapete a Cristas
   
«"No que respeita ao Conselho de Ministros, nunca mas nunca nenhum ministro deixou de exprimir as opiniões que entendesse relevantes ou suscitar as matérias que pudesse achar da maior relevância, nunca nenhum ministro poderá dizer que não discutiu aquilo que achasse relevante discutir", afirmou o presidente do PSD, Pedro Passos Coelho, durante uma visita à Bolsa de Turismo de Lisboa (BTL), quando questionado sobre declarações recentes da líder do CDS-PP, Assunção Cristas.

Em entrevista ao Público, publicada na segunda-feira, a líder do CDS-PP e ex-ministra da Agricultura do Governo PSD/CDS-PP admitiu que o "assunto BES" nunca foi discutido "em profundidade em Conselho de Ministros".

"Nunca os temas da banca foram discutidos em profundidade em Conselho de Ministros", referiu Assunção Cristas, que recordou também que estava de férias quando foi aprovado o decreto-lei da resolução do BES.» [Notícias ao Minuto]
   
Parecer:

Era de esperar.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»

 A vingança de Paulo Azevedo
   
«Mais de dez anos depois, a OPA lançada à Portugal Telecom está de volta à agenda e Paulo Azevedo lembra que a Sonae passou "muitos anos a dizer que o jogo estava distorcido e que não havia um 'level playing field'", ao mesmo tempo que "muita gente dizia que estava tudo muito bem feito e era concorrência limpa, e depois em privado riam-se um bocadinho nas [suas] caras". 

Durante a apresentação de resultados do grupo, na Maia, o chairman e co-CEO excluiu do discurso "os temas jurídicos, as causas, as culpas e se houve ou não dinheiro", mas não escondeu que "é com algum agrado que [percebe que], de uma forma ou de outra, estavam todos feitos e que isso [lhes] fez a vida muito difícil e de uma forma muito injusta".» [Jornal de Negócios]
   
Parecer:

Parece que o patrão do grupo SONAE envolveu-se nas investigações do Caso Marquês para se vingar, resta agora esperar que o procurador consiga dar-lhe razão.

Ver o sorriso cínico do Belmiro júnior a referir-se ao Caso Marquês tirando proveito do que se diz e depois de ter sido testemunha empenhada é de ir ao vómito. Enfim, quem sai aos seus não degenera...
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Lamente-se.»

quinta-feira, março 16, 2017

Não há pachorra

Parece que agora a moda é os ex-presidentes virem escrever livros para se “pegarem à porrada” com os ex-primeiro-ministros com que trabalharam. Aconteceu recentemente com Cavaco Silva e não tardou a suceder, desta vez com Jorge Sampaio. Ao contrário de Mário Soares e Ramalho Eanes que não escreveram memórias, o que não os impediu de continuarem a ter uma presença na política, Cavaco Silva e Sampaio parece quererem cantar o “ó tempo volta para trás”.

Santana Lopes já disse que ira responder a Sampaio escrevendo também o seu próprio livro e vamos anda a discutir livros que ninguém compra, apenas com base nas citações que os jornalistas republicam nos dias que antecedem o lançamento. Até parece que o país não tem mais nada que fazer do que andar a discutir o passado, ainda por cima coisas tão “importantes” como as coscuvilhices do Pedro Santana Lopes.

Sampaio foi presidente há mais de 10 anos o que significa que começa a fazer parte de um tempo em que a maioria dos nossos jovens ainda andava no ensino básico. Quanto a Santana Lopes quase aposto que uma boa parte dos eleitores já não se recorda que foi secretário de Estado da Cultura de um governo de Cavaco Silva, um cargo que ocupou uns tempos depois de se ter metido nuns negócios agrícolas.

A verdade é que independentemente do papel de cada um deles no passado são poucos os cidadãos que neste momento querem saber quantas facadas levou o menino Jesus que tentaram matar à nascença, ou a que boa ou má vida se referia Sampaio na sua declaração de que havia mais dívida para além do défice.

Começa a ser tempo de o país deixar de estar na dependência dos amigos de Cavaco Silva, Jorge Sampaio, Santana Lopes e mais uma dúzia de políticos que não conseguem conviver com um país em mudança, que carece de uma nova geração de políticos, de empresários, de banqueiros, bem como discutir os problemas do futuro, em vez de andar a perder tempo com debates sobre histórias menos felizes.

A maioria dos portugueses querem ver soluções para os grandes problemas, os país porque sabem que as tretas entre Sampaio e Santana não resolverão qualquer problema, os filhos porque não sabem nem querem saber quem foram os políticos de há uma ou duas décadas. Além disso, há-de haver tempo e gente mais habilitada para escrever a história.

Umas no cravo e outras na ferradura




 Jumento do Dia

   
Santana Lopes, comentador televisivo

Parece que Santana Lopes não perece a diferença entre a sua amena cavaqueira com António Vitorino com um debate"civilizado" de um ex-primeiro-ministro com um ex-Presidente da República. É ridículo vir desafiar Sampaio para um debate televisivo e isso só é possível porque já se esqueceu do espectáculo dado pelo seu governo, desde as famosas facadas nas costas às reuniões itinerantes do governo.

Esta mania dos ex-presidentes usarem as suas memórias para "desancar" nos primeiros-ministros com que trabalharam poucos anos antes começa a ser um espectáculo degradantes, seja ele promovido por Cavaco ou por Sampaio. Mas se passarmos a ter debates entre ex-presidentes e ex-primeiros-ministros corridos por aqueles o espectáculo passa de degradante a decadente, ainda por cima é um espectáculo para a terceira idade, a maioria dos jovens já não sabem muito bem nem estarão muito interessados em saber o que se passou. Além disso, o grande problema do país não é o passado mal sucedido, são os problemas que é preciso ultrapassar para que o país tenha futuro.

«No mesmo espaço de opinião, Pedro Santana Lopes sugere que Jorge Sampaio tem “peso na consciência” por ter deixado caminho aberto à ascensão de José Sócrates, primeiro-ministro que se viu forçado a pedir a intervenção da troika e que está agora envolvido como principal suspeito da Operação Marquês.

"Compreendo que Jorge Sampaio tenha peso na consciência porque a decisão dele é que pôs o país à deriva. Veja a semana em que o livro aparece, veja só. Eu acho que ele [Sampaio] deve viver nesse tormento. Essa dissolução deu origem aquilo de que andamos a falar todos os dias”, afirmou Santana Lopes."

No livro, o biógrafo de Sampaio, apoiando-se em revelações do próprio, sugere que o ex-Presidente da República desconfiava há muito dos planos de Santana Lopes e Durão Barroso. Para Santana Lopes, as alegações de que ele e Durão já tinham há muito tempo arquitetado que o primeiro sucederia ao segundo no cargo de primeiro-ministro, quando chegasse o momento de Durão rumar a Bruxelas, são “coisas de criança”.» [Observador]

 Ó São, assina aqui!

A mesma senhor que não tardou a ir ver um buraco num paredão de Lisboa nunca ouviu falar do buraco do BES e assinou de cruz a ordem para a sua eliminação.

 Interrogações que me atormentam

Se Paulo Núncio é que sabe de offshores, sabe constituídas, sabe quais os territórios com que não devemos fazer acordos, sabe que dados deverão ou não ser divulgados e é um advogado de grande sucesso no nicho de negócios de clientes das offshores, porque raio de motivo é que Nuno Melo quer se seja o actual secretário de Estado em vez de ser o seu "camarada" a ir falar do tema a Estrasburgo?

      
 Gaveta Funda
   
«Entre Julho e Dezembro de 2010, o então secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, Sérgio Vasques, andou atarefado em reuniões com diplomacias distantes. Em Janeiro de 2011, pouco antes de cair o Governo que integrava, liderado por José Sócrates, tinha assinado 15 acordos bilaterais para “troca de informações em matéria fiscal” com 15 Estados e jurisdições que tinham uma coisa em comum: eram offshores, territórios com legislação fiscal secreta e taxas de imposto muito abaixo do normal. Quando o Governo caiu, destes acordos, ficaram dez para o Governo PSD-CDS ratificar.

A lista dos dez incluía Antígua e Barbuda, Belize, Guernesey, Ilha de Man, Jersey, Libéria, São Cristovão e Nevis, Santa Lúcia, Ilhas Turks e Ilhas Virgens Britânicas. Mas destes acordos, em quatro anos e meio, o então secretário de Estado Paulo Núncio e os ministros dos Negócios Estrangeiros do Governo de coligação PSD-CDS, Paulo Portas e Rui Machete, apenas levaram três ao Parlamento para ratificação. Dos outros sete, cinco foram ratificado pelo actual Governo e os restantes dois continuam por avançar.

Em regra, como o PÚBLICO constatou verificando o histórico de ratificações deste tipo de acordos, entre a assinatura e a promulgação não é habitual passar mais de um ou dois anos. Neste caso, os acordos ficaram no limbo durante toda a legislatura. » [Público]
   
Parecer:

Já houve um filme "Garganta funda" que srviu de alcunha para os que dão com a língua nos dentes. Parece que o Núncio vai ficar com a alcunha do Gaveta Funda! Andou o pobre Sérgio Vasques, mais metade do seu gabinete, pelas mais diversas praias tropicais para os acordos ficarem na gaveta do Mr Offshore.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»
  
 Buscas de última hora
   
«Aquelas que devem ser as últimas buscas da operação Marquês foram realizadas esta terça-feira. O alvo, avançou o Expresso online e confirmou o PÚBLICO, terá sido o Grupo Espírito Santo (GES). Não é conhecido o objectivo desta diligência. A esmagadora maioria dos 23 milhões de euros que José Sócrates terá recebido em alegadas 'luvas' estarão associadas a este grupo, que alegadamente pagou contrapartidas ao ex-primeiro-ministro para este enquanto responsável político favorecer os interesses do GES. Ricardo Salgado, o antigo líder do grupo e do banco, terá dado a ordem de pagamento.

Não estão previstas mais buscas, estando agendados apenas mais três interrogatórios, dois esta quarta-feira e um esta quinta. Ainda não é possível perceber se o Ministério Público vai conseguir cumprir o prazo dado pela procuradora-geral da República e que terminará na próxima sexta-feira. Será ouvida no Departamento Central de Investigação e Acção Penal (DCIAP), em Lisboa, nesta quarta-feira, Sofia Fava, a ex-mulher do antigo líder do PS, dia em que também deverá ser ouvido Diogo Gaspar Ferreira, presidente da empresa que gere o empreendimento de Vale do Lobo, no Algarve. Na quinta-feira será a vez de Joaquim Barroca Rodrigues, ex-vice-presidente do grupo Lena.» [Público]
   
Parecer:

É óbvio que o único papel encontrado terá sido o papel higiénico!
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se a merecida gargalhada.»

 Quem parte e reparte...
   
«Foi um tema que acompanhou toda a campanha presidencial. As declarações de impostos de Donald Trump estiveram escondidas durante toda a corrida à Casa Branca. Mas esta terça-feira, mas declarações referentes a 2005 foram finalmente reveladas. As restantes permanecem incógnitas. No entanto, a partir do documento revelado pela MSNBC pode-se chegar a algumas conclusões. Por exemplo, a declaração revelada esta terça-feira mostra que 82% dos valores pagos naquele ano pelo actual líder norte-americano e pela sua mulher, Melania Trump, correspondem a um imposto que Trump já disse que quer ver extinto.

Uma leitura do documento mostra que Trump pagou em 2005 cerca de 35 milhões de euros em impostos relativos a rendimentos de 141 milhões de euros. Mas 82% desses 35 milhões de euros referem-se à chamada Taxa Mínima Alternativa (em inglês Alternative Minimum Tax, AMT), um imposto que visa garantir que os cidadãos e empresas com mais dinheiro, e que tendem a ter melhor acesso a veículos que lhes permitem pagar menos impostos, não deixam de partilhar uma fatia justa do esforço fiscal que é pedido a todos. Ao avançar com a extinção deste imposto, Trump seria um dos principais beneficiados.

"Esta declaração fiscal demonstra que Trump quer alterações tributárias que beneficiem multimilionários como ele e não a classe média", nota Lily Batchelder, professora de Direito Fiscal na Universidade de Nova Iorque. Em declarações ao New York Times, a antiga conselheira da comissão de Finanças do Senado faz contas para exemplificar como a decisão presidencial beneficiaria multimilionários como o antigo empresário.» [Público]
   
Parecer:

Por estas bandas fazia falta uma Alternative Minimum Tax, AMT.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Proponha-se.»
  
 A novidade mais inesperada da semana
   
«Rosário Teixeira requereu esta quarta-feira mais 30 dias para concluir o despacho de encerramento de inquérito da Operação Marquês. Ao que o Observador apurou, o pedido formal foi dirigido a Amadeu Guerra, diretor do Departamento Central de Investigação e Ação Penal, que terá agora de avaliar o mesmo e reencaminhá-lo para a procuradora-geral da República. Tendo em conta que foi Joana Marques Vidal a fixar a data 17 de março como deadline para fechar a investigação, será a líder do Ministério Público que decidirá sobre o pedido de Rosário Teixeira.

A dois dias do final do prazo, é expectável uma decisão rápida de Joana Marques Vidal. Diversas fontes do MP contactadas pelo Observador não acreditam que a procuradora-geral aguarde até à próxima quinta-feira, a 24 horas do final do prazo,» [Observador]
   
Parecer:

Há uma semana que assistimos a uma encenação destinada a justificar mas uns meses, prova de que a acusação continua com dificuldades na produção da prova. Acusaram há anos e ainda procuram a prova.

O facto de se pedir o adiamento a dois dias do fim do último prazo concedido deve ser para rir, é mais do que óbvio que um pedido nesta altura significa que tudo está combinado para que o prazo seja de novo alargado.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se a merecida gargalhada.»

quarta-feira, março 15, 2017

O Conselho de Ministros que assinam de cruz


“Assunção, por favor vai ao teu email e dá o OK, porque isto é muito urgente, o Banco de Portugal tomou esta decisão e temos de aprovar um decreto-lei.”
“Como pode imaginar, de férias e à distância e sem conhecer os dossiês, a única coisa que podemos fazer é confiar e dizer: Sim senhora, somos solidários, isso é para fazer, damos o OK.” [Público]Assunção Cristas

O que mais impressiona na explicação dada por Assunção Cristas sobre a forma como, na qualidade de ministra assinou de cruz a resolução do BES, nem é a decisão mas sim o seu estado avançado de ingenuidade a roçar a demência intelectual, ao assumir desta forma que assinava de cruz decretos de tão grande importância e nem tinha a mais pequena ideia do que se passava no BES, a ministra assinou a resolução do maior banco português enquanto metia as "sandochas" no saco da praia. Aliás, Paulo Portas, o líder do CDS que, como se sabe anda por paraísos fisco-tropicais a gozar de licença sabática, já anteriormente tinha declarado que o BES nunca foi discutido em Conselho de ministros, a não ser ”em abstrato”.

Recorde-se que a resolução do BES implicou duas reuniões do Conselho de Ministros, a primeira realizou-se na quinta-feira 31 de Julho, reunião que não é a referida por Assunção Cristas e em que Paulo Portas esteve ausente. A segunda reunião ocorreu no dia 3 de Agosto e aí foi aprovado o Decreto-Lei 114-B/2014 que determina resolução do BES. Foi esta reunião extraordinário, a que Portas disse ter estado presente e que foi por ele presidida, que se realizou, segundo se disse na ocasião, por meios electrónicos:

«O enquadramento legislativo da resolução do caso BES exigiria um segundo decreto, aprovado num conselho de ministros secreto realizado "em modo eletrónico" no domingo 3 de Agosto - reunião essa sim onde Paulo Portas já participou, coordenado, dada a ausência do primeiro-ministro.» [DN]

Agora, graças à leviandade de Assunção Cristas, a mesma senhora que disse que Costa é um mentiroso porque o acordo do salário mínimo ainda não teria uma confirmação electrónica por parte de um parc eiro social, percebe-se que a tal “reunião electrónica” foi uma mentira.  Cristas prova agora que o Conselho de Ministros foi uma mentira jurídica, ela assinou por email e seguindo instruções de Maria Luís Albuquerque, não existiu qualquer reunião, nem presencial nem realizada com recurso a meios de comunicação online. A reunião não ocorreu.

Eram assim as reuniões do Conselho de Ministros no tempo de Passos, Portas e Cavaco, Cavaco tinha ido de jipe para a Traia dos Tomates, Passos Coelho andava a molhar os ditos na Manta Rota enquanto Portas fazia de primeiro-ministro e era a Maria Luís que de telefonava a uma ministra do CDS a dizer-lhe para abrir o email e assinar a papelada.

Agora sabemos como se enterrou o maior banco privado português, Paulo Portas presidiu a uma reunião electrónica do Conselho de Ministros que não se realizou, ou que consistiu em telefonemas como o que a Maria Luís fez à São para ela assinar de cruz e devolver por email. E a esta bandalhice jurídica há quem chame Estado de direita em vez da merda do estado a que o país chegou.

Umas no cravo e outras na ferradura




 Jumento do Dia

   
António Saraiva, primeiro-minsitro do distrito da Guarda

O senhor António Saraiva acha que por o PS estar no governo deve ser considerado um mini-primeiro-ministro das região da Guarda, onde é líder distrital do PS. Segundo esta lógica de grande primarismo político e intelectual, os governantes devem obediência so líderes distritais. Isto significa que estes são promovidos ao estatuto de caciques e decidem sobre todos os assuntos regionais, dando ordens a ministros, directores-gerais, administradores da CGD e militares.

Quando será qe esta gente se reforma e deixa de fazer figuras imbecis?

«Saúde da Guarda ou retiramos-lhe a confiança política. De uma forma genérica, foi esta a ameaça feita na última sexta-feira pelo presidente da Federação Distrital do PS da Guarda, António Saraiva, ao ministro da Saúde, através de um e-mail enviado para o ministério, ao qual o Observador teve acesso e que já tinha sido noticiado pela rádio Altitude.

O ministro decidiu nomear para a Unidade Local de Saúde (ULS) da Guarda Isabel Coelho, que não é militante socialista mas tem um currículo adequado à função. O dirigente do PS — que não tem a maioria na comissão política distrital — transmitiu ao ministro que “a federação do PS da Guarda” não pode “concordar e aceitar a proposta de equipa para integrar o próximo Conselho de Administração” da ULS.

O Observador sabe que há um mal-estar no PS da Guarda por causa deste mail “ridículo”, como classifica um dirigente socialista do distrito. “Estamos a insistir na convocação de uma Comissão Política Distrital para pedirmos a cabeça do António Saraiva”, afirma o mesmo socialista com assento neste órgão partidário.» [Observador]

 Assine aqui onde está a cruz!





Temos, portanto, uma líder partidária, candidata a presidente da CML e daqui a um par de anos candidata a primeiro-ministro, que assinou a resolução do BES sem conhecer nada do dossier e a mando da ministra Maria Luís Albuquerque.

 Reestruturar a CGD em ano de autárquicas

Se os nossos dirigentes partidários locais pudessem a CGD não só teria uma agência em cada aldeia como os negócios dos caciques locais seriam todos financiados pelo banco público a taxa reduzida. Se ao nível nacional todos dizem querer salvar a CGD, a verdade é que ao nível local muitos autarcas tentam ganhando votos evitando o fecho de agências que só dão prejuízo.

 O "microwave gate" e as escutas a Belém

Estão explicadas as escutas a Belém, como em São Bento tudo se resolvia com rezas e promessas da DOna Maria está visto que o Sócrates escutou Belém recorrendo ao micro-ondas da cozinha e enquanto a primeira dama ia fazendo carapaus alimados o tenebroso primeiro-ministro ia ficando a saber dos segredos presidenciais.

 Interrogações que me atormentam

Paulo Portas estará doente, terá ficado mudo, andará por aí incomunicável e não tem ideia do que se passa em Portugal?

 Da série "Terá batido com a cabeça nalguma parede?"



      
 "Microwave gate"
   
«A conselheira política do Presidente dos EUA admitiu hoje no Good Morning America da ABC "não ter nenhuma prova" de que Barack Obama tenha posto Donald Trump sob escuta antes deste ser eleito.

Porém, antes já tinha especulado num jornal de New Jersey que "infelizmente", há "muitas maneiras nos vigiarmos mutuamente", referindo, a título de exemplo, fornos microondas "que se transformam em câmaras" de filmar - o que automaticamente a colocou numa posição de chacota generalizada nas redes sociais, que já criaram o "microwave gate"

No show da ABC, Kellyanne, uma das figuras mais controversas do staff de Trump, explicou-se dizendo que esta referência aos microondas não foi feita no âmbito específico das acusações a Obama mas sim como teoria geral sobre vigilância.» [DN]
   
Parecer:

Como é possível uma anedota destas ser conselheira presidencial no país mais rico, desenvolvido e com algumas das melhores universidades do mundo? Isto não é populismo, é estupidez à solta.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «»
  
 Passos acreditava em legislativas antes das autárquicas
   
«Mas foi-lhe dada alguma justificação que lhe explicasse porque não havia essa vontade?
O que posso dizer é que, em final de Agosto, quando falei com o dr. Passos Coelho sobre a questão das autárquicas e a questão de Lisboa, creio que o nosso quadro de cenário político era muito diferente. Eu estava já convencida na altura que as eleições autárquicas iam ser o primeiro acto eleitoral nesta legislatura. E, portanto, que o primeiro desafio para CDS e PSD seriam as autárquicas — e que era aí que tínhamos de apostar tudo, nomeadamente em candidaturas fortes, que pudessem tirar câmaras ao PS. O quadro e o cenário de pensamento do dr. Passos Coelho não era esse: na altura, em final de Agosto, ele entendia que podia haver um risco de eleições legislativas antes das eleições autárquicas. Ele até, enfim, me felicitou pela coragem de avançar para Lisboa, mas via aqui algum risco — de como é que faria, se houvesse eleições legislativas antes das eleições autárquicas. Mas isso, para mim, era uma questão perfeitamente arrumada na minha cabeça — achava que não ia haver.» [Público]
   
Parecer:

Quem o diz é Assunção Cristas.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»

terça-feira, março 14, 2017

Dispensar a "ajuda" de Marcelo

Por aquilo que se vai lendo na comunicação social e a crer nos ataques mais recentes de personalidades da direita ao Presidente da República, o governo de António Costa estará a ser levado ao colo por Marcelo Rebelo de Sousa. Como estas posições surgiram quando as sondagens do PSD entraram no vermelho, é de supor que partem do pressuposto de que o PS pode beneficiar eleitoralmente das posições públicas de Marcelo.

Se António Costa beneficia da boa relação com o Presidente da República, este também beneficia do bom relacionamento que Costa proporciona e da sua lealdade e simpatia. Tanto quanto se sabe a perigosa geringonça lhe propôs para homologação presidencial qualquer diploma com normas inconstitucionais, mesmo nas chamadas questões fracturantes, se pode afirmar que o parlamento tenha decidido algo que faça corar o Papa Francisco.

António Costa e o seu governo nada devem a Marcelo Rebelo de Sousa, nenhuma proposta parlamentar beneficiou do apoio da oposição graças à sua intervenção, o défice de 2016 não foi conseguido por medidas sugeridas pela presidência, as medidas mais duras do OE não beneficiaram de um apoio público de Marcelo e, tanto quanto se sabe, se Marcelo não sujeitou diplomas ao Tribunal Constitucional isso não se deveu a um fechar de olhos à diatribes de um governo extremista, mas simplesmente ao facto de este ser um dos governos que mais respeitou a Constituição desde que esta foi promulgada.

Quanto aos pobres que tanto parecem preocupar Marcelo de Sousa, ao ponto de o antigo conviva dos jantares nos palacetes de banqueiros famosos, de aquém e além-Mancha ter passado a ser a visita assídua dos manjares dos nossos sem-abrigo, incluindo as receitas de atum daqueles que deixaram a rua, é bom recordar que até têm beneficiado de algumas medidas deste governo, adoptadas por sua iniciativa e por, alguns casos, por pressão do PCP e do BE, sem que António Costa ande por aí a gabar-se do seu franciscanismo, a distribuir papo-secos durante a noite.

Começa a ser tempo de começar a meter os pontos nos ii pois a democracia nada tem a ganhar com esta confusão em que a estratégia pessoal de Marcelo nos está a conduzir. Os governos só precisam dos presidentes quando dependem dos seus fretes, foi isso que sucedeu na relação entre Passos Coelho e Cavaco, se o Presidente e o Governo fizerem o que lhes cabe ambos têm a ganhar e acima dele o próprio país. Se os presidentes colaboram com os governos e se os governos respeitam os presidente, mais não fazem do que cumprir com a sua obrigação, é para isso que são eleitos. É isto o normal e não andar a ver vacas a rir u a mandar a comunicação social noticiar escutas a Belém, não é Marcelo que é fora de sério, foi Cavaco que foi mau demais.

A esquerda não precisa de “fretes” por parte de Marcelo e ninguém tem dúvidas de que se as coisas correrem mal o Presidente será o primeiro a demarcar-se do governo. Ao contrário do Presidente da República o governo tem um programa que apresentou aos eleitores e que submeteu ao parlamento e é pela forma e pela competência com que o cumpre que será avaliado pelos eleitores, tudo é mais transparente sem elogios num dia e porradinhas presidenciais no outro.

Não é saudável para a democracia, até se pode questionar se reflecte valores democráticos, ter uma oposição condicionada por um Presidente da República de quem se diz que não gosta do líder da oposição ou que esteja condicionado por alcunhas menos dignas como o "cata-vento". Pode parecer simpático para o governo, mas se um governo é competente deve dispensar estes jogos, em democracia um presidente não pode andar a escolher ou a derrubar governos e muito menos a condicionar lideranças partidárias. Se assim for teremos uma democracia de opereta com Marcelo armado em maestro.


Umas no cravo e outras na ferradura




 Jumento do Dia

   
Assunção Cristas

Há poucas semanas atrás a líder do CDS e candidata à autarquia de Lisboa pediu para ser recebida pelo presidente da autarquia, para se inteirar dos problemas da cidade, lá foi mais a comunicação social, aproveitou o momento de exposição mediática que a encenação proporcionou, a cidade ficou a saber que tinha uma candidata que se preocupava com os problemas da cidade.

Esta imagem de alguém que se preocupa com os mais pequenos problemas até lhe ficava bem, a candidata do CDS sabe passar essa imagem e parece ter uma boa imprensa. O problema de se pensar que se tem boa imprensa é começar a falar-se demais, dizem-se muitas coisas, tiram-se muitas fotografias exibindo o "pernão" ou o decote, e tudo corre bem.

Só que a imagem da Cristas qe se preocupa com todos os problemas da cidade não bate certo com a da ex-ministra que diz agora que o problema do BES não foi discutido seriamente nas reuniões do Conselho de Ministros, a pobre senhora até teve de faltar a algumas reuniões e na hora de aprovar a lei que viabilizou a resolução do BES assinou o decreto por email como se estivesse assinando de cruz a pedido da Maria Luís.

Isto é, a senhora que anda muito preocupada com a queda de uma parte de um muro na cidade de Lisoa, que será reparado com um ou dois milhões de euros, nem se preocupou muito com a queda do BES e do GES, que custaram ao país muitos milhares de milhões de euros. Incompetência, irresponsabilidade ou cobardia, como a senhora é dada ao catolicismo é caso para dizer que só Deus sabe.

«A líder do CDS-PP, Assunção Cristas, garante que no Conselho de Ministros nunca se discutiu “com profundidade” os possíveis problemas no Banco Espírito Santo (BES). Do que Cristas se recorda, apenas houve uma referência por Passos Coelho à questão dos 12 mil milhões de euros da troika que António José Seguro queria usar no Estado, mas que o antigo primeiro-ministro não quis usar porque não se sabia se poderia haver problemas no BES, o único grande banco que não tinha pedido recapitalização no âmbito desses 12 mil milhões da troika.

Não posso garantir tudo porque, de vez em quando, havia um ou outro Conselho de Ministros em que eu não estava, por razões de representação do ministério. Mas discussão em profundidade do problema do BES, das soluções, das alternativas, das hipóteses, isso nunca aconteceu”
O esclarecimento, semelhante ao que Cristas já tinha dito no passado, surge numa entrevista ao Público, por ocasião do primeiro aniversário à frente do CDS-PP. Assunção Cristas revela, contudo, que na altura da resolução do BES “estava no início de férias e recebi um telefonema da ministra das Finanças a dizer: “Assunção, por favor vai ao teu email e dá o OK, porque isto é muito urgente, o Banco de Portugal tomou esta decisão e temos de aprovar um decreto-lei.”

“Como pode imaginar, de férias e à distância e sem conhecer os dossiês, a única coisa que podemos fazer é confiar e dizer: Sim senhora, somos solidários, isso é para fazer, damos o OK. Mas não houve discussão nem pensámos em alternativas possíveis — isto é o melhor ou não —, houve confiança no Banco de Portugal, que tomou uma determinada decisão.» [Observador]

 Memofante Forte, para os que só têm vagas ideias!





      
 A ocidental praia venezuelana
   
«Fiquei irritado, confesso, quando a meio da audição parlamentar sobre transferências para paraísos fiscais ouvi o ex-secretário de estado Paulo Núncio indignar-se e perguntar:

“Mas nós queremos ser a Venezuela, ou queremos ser um país ocidental?!”

Deu-se aquele exabrupto quando um deputado de esquerda (se não erro, Miguel Tiago, do PCP) lhe perguntava porque não foram controladas essas transferências de 10 mil milhões de euros. Na sua resposta, Paulo Núncio optou pela “reductio ad Venezuelam”: qualquer país que controle transferências para paraísos fiscais torna-se imediatamente como a Venezuela, que controla todo o tipo de transferências de capitais. Sendo a Venezuela um país riquíssimo onde se vive cada vez mais pobremente, num clima autoritário a soçobrar na ditadura, a conclusão de Núncio é clara: se queremos controlar as transferências para off-shores, é porque queremos ser miseráveis e oprimidos.

Ora, isto irritou-me. Em primeiro lugar porque, se a geografia não me falha, a Venezuela é um país ocidental. Até mais ocidental do que Portugal. Em segundo lugar, porque — se Paulo Núncio usava outra acepção, política e não geográfica, de “ocidental” — são precisamente os países ocidentais os que acham que se devem controlar as transferências para paraísos fiscais. É a UE que assim o determina nas suas diretivas contra a lavagem de dinheiro, que Núncio teve “dúvidas” em cumprir mas não teve dúvidas em incumprir. É a OCDE que o recomenda e verifica através de avaliações mútuas que, em Portugal, deixaram de se fazer quando Núncio era secretário de estado. Ele deveria saber que a política oficial dos países politicamente ocidentais é controlar as transferências, investigá-las, e publicar as estatísticas. Foi essa dupla ignorância geográfica e política que me irritou.

Só que, pelos vistos, era eu que estava enganado. Segundo notícias dos últimos dias, antes de ser secretário de estado Paulo Núncio foi advogado especialista em fiscalidade da empresa estatal Petróleo de Venezuela S.A. — a qual, já no tempo de Núncio no governo, terá feito através do BES a maioria das transferências incontroladas para o Panamá. Assim caem todas as peças geográficas e políticas no seu lugar. O que Paulo Núncio quis dizer na comissão parlamentar foi que desejava que Portugal fosse um país ocidental, tão ocidental, mas tão ocidental, como a Venezuela.

Eis senão quando me deparo com outro exemplo de reduccionismo, desta feita por Assunção Cristas, líder do partido de Paulo Núncio, segundo a qual falar das atividades profissionais passadas de Paulo Núncio significa, no limite, “acharmos que ninguém pode ter uma vida profissional antes de cargos governativos” e resultará num “problema muito grande porque só podem ser governantes professores, académicos, professores de liceu e gente que não tem uma vida privada”. Ora, já não me queixo de ter escapado a Cristas que nós só falamos do que fez Núncio antes de ser governante porque o cliente de Núncio-advogado escapou com milhares de milhões de euros sem controle quando ele já era Núncio-secretário de estado. Se as estatísticas tivessem sido publicadas, estaríamos todos mais protegidos, a começar por qualquer dos dois Núncios.

Não. O que me custa com Assunção Cristas é ela não ter encontrado outra forma de desviar o assunto. Algo assim: como toda a gente sabe, Núncio é o nome que se dá aos embaixadores da Santa Sé. Ora, aqui o papel de Núncio foi fechar os olhos para que, através de um banco que tem o nome do Espírito Santo, se pudesse levar dinheiro para o paraíso. Trata-se, portanto, de uma obra divina — a qual Núncio não quis que fosse pública por pura modéstia. Penso, cara Assunção Cristas, que esta seria uma resposta mais credível do que aquela que nos deu.» [Público]
   
Autor:

Rui Tavares.