quinta-feira, março 23, 2017

Social-democrata sempre



Quando vejo o Jeroen Dijsselbloem puxando dos seus galões para dar ares de político caridoso para com povos dados a putas e vinho verde questiono-me sobre o que é ser social democrata. Também por cá tivemos um artista que promoveu um discurso muito similar ao do ministro das Finanças holandês e que na hora de se apresentar a um congresso do seu partido e que depois de ter destruído a classe média e ter empobrecido os pobres ainda mais do que jás estavam, usou o lema “social-democracia sempre”.

Temos, portanto, dois políticos muito semelhantes, com idênticos argumentos para fundamentar a austeridade e que na hora da recauchutagem se lembram de serem social-democratas. A dúvida está em saber se o holandês é social democrata pois só ouvi falar dele quando já tinha um discurso de quase de extrema-direita. Quanto a nosso, que tanto quanto se sabe passou boia parte da sua vida “nas putas e vinho verde”, nunca foi social-democrata, nem ele, nem a maioria dos do seu partido.

Não é só o Jeroen Dijsselbloem que me faz recear que os partidos sejam vistos por alguns políticos ambiciosos mais como uma espécie de clube do que como uma organização que une cidadãos com os mesmos valores. Também por cá temos muita gente que se diz socialista ou social-democrata e que nada tem que ver com os valores ideológicos da social-democracia, uma corrente marxista com mais de um século de existência.

Há dois fenómenos que são preocupantes, há partidos que na luta por chegar ao poder atraem personalidades que seguem mais a sua ambição do que quaisquer valores ideológicos, da mesma forma que há personalidades que escolhem um determinado partido, não pelos seus valores, mas porque é o que lhe dá mais garantias de chegar ao poder. Quando Trump deixou de ser social-democrata foi por teve uma crise de republicanismo? Quando Durão Barroso mudou numa noite do MRPP para o PPD foi porque viu uma luz no discurso de Sá Carneiro? Quando muitos militantes empedernidos do PCP se mudaram do dia para a noite para o PS ou para o PSD foi porque descobriram as virtudes da democracia?

Os partidos são cada vez mais máquinas de conquista do poder. Assim como os fãs dos clubes não se importam que estes sejam comprados por árabes ou chineses porque estes trazem os recursos financeiros necessários para ganhar títulos, também muitos militantes partidários tanto apoiam as políticas de extrema-direita de Passos Coelho, como no próximo congresso o vão acusar dessas mesmas políticas.

Esta degeneração dos partidos é um processo perigoso, não admirando que sucedam algumas cambalhotas políticas como as que temos vindo a assistir. O tão apregoado fim das ideologias deu lugar à prostituição ideológica.


Umas no cravo e outras na ferradura




 Jumento do Dia

   
Rui Rio, uma raposa no galinheiro de Passos Coelho

A candidatura de Rui Rio começa com o signo da falta de frontalidade, nuns dias é candidato no outro almoça com Passos para lhe garantir que não é, nuns dias desdobra-se em conferências no outro acusa os jornalistas de inventarem a sua candidatura. Rui Rio quer ser primeiro-ministro, quer derrubar Passos Coelho mas a coragem não abunda nele. Falta-lhe coragem para disputar frontalmente a liderança, sendo leal com o líder do seu partido deixando-se de rodeios. Falta-lhe também a coragem para dar a cara quando o seu partido desce nas sondagens.

«Os convites ao ex-presidente da Câmara do Porto de universidades, associações comerciais e industriais para participar em conferências e outras iniciativas organizadas pela sociedade civil aumentaram a partir do momento em que Rui Rio declarou estar disponível para disputar eleições directas para a liderança do PSD em 2018.

Desejado por uns, contestado por outros, o ex-presidente da Câmara do Porto admitiu pela primeira vez, em Novembro, em entrevista ao Diário de Notícias, avançar para a liderança do PSD e, a partir daí, os convites sucedem-se e as salas enchem-se para o ouvir.

Guarda, Anadia, Castelo de Paiva, Barcelos, Coimbra, Faro, Almada, Braga, são alguns dos locais por onde tem passado. Ontem à noite, esteve em Braga, a convite da Associação Comercial para falar sobre Portugal: Os desafios políticos e económicos. Mas Rio marca também presença em almoços e jantares organizados pelo partido, onde até estão líderes distritais. Em Dezembro, o ex-presidente da câmara de Oliveira de Azeméis, Hermínio Loureiro, chegou a dar um conselho ao líder do partido, via Facebook: “Peço que tenhas os olhos bem abertos com as raposas que tens no galinheiro”.» [Público]

 O grande democrata Jaime Nogueira Pinto está de parabéns



Um democrata asfixiado manifesta-se na Av. de  Berna

Os democratas de Lisboa uniram-se numa grande manifestação para defender a liberdade de expressão de alguém que sempre defendeu o regime democráticos e os símbolos da defesa da liberdade de expressão. Esperemos que em sinal de reconhecimento da Nação Marcelo Rebelo de Sousa o condecore com a Ordem da Liberdade.

 Dúvidas que me atormentam

Porque será que Passos Coelho ficou calado perante o que declarou o presidente do Eurogrupo? Será que da mesma forma que a Maria Luís concorda com as agências de notação o líder do PSD achou que o holandês fez suas as palavras deles?

      
 O imbecil confundiu Portugal com a Turquia
   
«Tudo o que podia correr mal a Jeroen Dijsselbloem, correu. As eleições holandesas, realizadas na semana passada, foram um autêntico desastre para o partido do presidente do Eurogrupo. O Partido Trabalhista (PvdA, da família socialista) teve a sua “PASOKificação”, passando de 38 para apenas nove deputados. Até agora, o PvdA estava no Governo com o VVD, o partido de centro-direita, de Mark Rutte, tendo peso suficiente para ocupar a pasta das Finanças. Deixou de o ter. Dificilmente vai integrar um novo Governo e, a integrar, Rutte nunca lhe dará a pasta das Finanças.

Os tempos já se avizinhavam difíceis para Dijsselbloem continuar como “senhor Euro”, já que para liderar o conselho de ministros das Finanças da Zona Euro há uma condição que os seus pares parecem, logicamente, não abdicar: ser ministro das Finanças. Além disso, há muitos dos membros do Eurogrupo que não morrem de amores pelo holandês. Até os representantes da sua família política, como Mário Centeno, preferem o espanhol Luis De Guindos. Claro que Dijsselbloem tinha mandato até janeiro de 2018. Mas não faria sentido continuar, até para a Holanda ter o seu ministro também representado.» [Obsrevador]
   
Parecer:

Derrotado nas eleições o ainda ministro holandês meteu o seu país em mais uma guerra diplomática, como se não lhe bastasse o conflito da Holanda com a Turquia.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»

quarta-feira, março 22, 2017

E o único sacana é o só o Jeroen Dijsselbloem?


Que o gajo holandês não é grande espingarda já todos sabemos, aliás há muitos holandeses como aquele, herdeiros da pirataria, que aprenderam a comer à mesa e a tomar banho com os povos do sul e que agora se comportam como novos ricos. O senhor que recorre a esquemas para desviar uma ao parte do comércio para o porto de Roterdão e que andam a a atrair muitas empresas do sul a troco de esquemas fiscais, decidiu lamber o rabo ao ministro das finanças da Alemanha à nossa custa.

Só que não percebo o porquê de tanta irritação e indignação por aquele gajo que trm um penteado a lembrar os chulos do Intendente nos anos 70, ele disse com menos palavras e de uma forma que todos entende aquilo que durante anos foi a teses de Passos Coelho. Senão vejamos o que dizia Passos Coelho no dia 6 de Abril de 2014:

«Tive ocasião esta semana no parlamento de demonstrar que esta visão é, pelo menos, uma visão ingénua. Não há nenhuma parte do mundo em que uns poupem para os outros gastarem. Não há em nenhuma parte do mundo gente que faça sacrifícios para pôr as suas contas em ordem para que outros possam ter défices e dívidas. Isso não existe. E isso não se chama solidariedade. Isso não é solidariedade. Solidariedade é valer a quem não pode. Solidariedade não é caridade.»
Aliás, o famoso turista finlandês que disse a Passos Coelho que se calhar iria de ter pagar o seu jantar na Madeira quando regressasse à Finlândia foi o grande ideólogo da austeridade em Portugal. Não admira que dois defensores da austeridade, o ministro das finanças holandês e o líder do PSD, usassem o mesmo tipo de argumentos.

Desde João Duque a Vítor Bento, não faltaram por cá os que aconselhavam o povo a comer e calar, porque a austeridade era o castigo merecido por termos andado a comer acima das nossas possibilidades. Da mesma forma que os holandeses são tão tementes a Deus que na gaveta das mesas de cabeceiras dos hotéis há sempre uma bíblia, também por cá a abordagem tem ideológica da austeridade tem muito de puritanismo. Foi sempre apresentada como um castigo quase divino por termos cometido o pecado da gula. O ministro holandês apenas foi mais preciso e brejeiro, disse-nos que o problema foi termos andado nos copos e nas putas.

Se o ministro holandês nos meteu todos a passear no conhecido bairro das prostitutas de Amesterdão, já Passos Coelho foi mais sacana e para justificar as suas políticas diferenciava os portugueses. Por cá os empresários eram exemplares e quem andava nos copos e nas gajas eram mais os funcionários públicos e, numa segunda fase, os pensionistas. Uns ganhavam mais e trabalhavam menos, os outros viviam à custa dos mais jovens.

Em 2011 uma mulher escreveu a Passos Coelho dando-lhe conta do seu desespero por causa das medidas de austeridade. Passos aproveitou o desespero e reproduziu a mensagem na sua página no Facebook:

« Tomo banho só uma vez por semana, só acendo uma lâmpada, dispensei a mulher a dias, só saio no carro em casos extremos. Não sei mais onde cortar e o dinheiro não chega. Por favor diga-me o que hei-de fazer para poder continuar a pagar as obrigações ao Estado. Estou desesperada. Agradeço que me ajude e dê sugestões de como equilibrar as minhas finanças. »

O comentário de Passos diz tudo:

«Como a Ana Isabel, muitos de vocês estão assustados com o desafio que temos de enfrentar. Mas acredito também que, por mais que estes sacrifícios nos custem, sabemos hoje que não podemos mais fechar os olhos aos erros do passado.»

Por outras palavras, a senhora que lhe escreveu também tinha andado nos copos e nas putas. E o sacana é o só o Jeroen Dijsselbloem?

Umas no cravo e outras na ferradura




 Jumento do Dia

   
Carlos Carreira, coordenador autárquico do PSD

Carlos Carreira é a imagem da decadência acelerada em que se encontra o partido de Passos Colho, o homem que coordena a campanha autárquica assume que pensa como um membro de uma claque de um clube desportivo, em vez de assumir as responsabilidades de um grande partido com fortes tradições autárquicas, opta por apenas desejar a derrota do adversário só por uma questão de ódio.

Para carreira não está em causa o interesse de Lisboa, pouco importa o futuro do seu partido, a única coisa que conta para ele é que detesta Medina e por isso o seu único objectivo é impedi-lo de continuar à frente da CM de Lisboa. Com gente desta pequenez não é difícil de adivinhar o que vai suceder ao PSD na capital do país.

«É a  Fernando Medina, presidente da Câmara de Lisboa, que todas as baterias políticas vão estar apontadas nos próximos meses. Poucos dias depois de Passos Coelho ter anunciado o nome de Teresa Leal Coelho como candidata do partido à autarquia de Lisboa, Carlos Carreiras, coordenador autárquico do PSD, assume em entrevista à TSF, esta terça-feira, ser-lhe “indiferente” se a capital vier a ser conquistada pela sua colega social-democrata ou por Assunção Cristas, a cabeça de lista do CDS. O importante, aponta Carreiras, é que a Câmara não continue nas mãos do Partido Socialista.

“Gostaria muito mais que a candidatura do PSD ganhasse, mas, se chegarmos ao dia das eleições e as duas candidaturas estiverem em primeiro e em segundo lugar, será um excelente resultado”, explica o coordenador autárquico do PSD.

Depois de uma longa espera por um nome do PSD para Lisboa, com várias recusas pelo caminho, Carreiras garante que “Teresa Leal Coelho certamente não é o plano Z” e aponta-lhe várias virtudes. O social-democrata diz também não ter “razões para acreditar que Teresa Leal Coelho fique atrás de Assunção Cristas” na corrida à capital.» [Expresso]

 O Vítor Bento tinha razão


O grande economista português justificou o castigo a que os portugueses foram sujeitos com a brilhante conclusão de que os portugueses andavam a consumir acima das possibilidades. O imbecil holandês que preside ao Eurogrupo foi mais preciso e disse ao que o nosso depilado designou por consumir acima das possibilidades, o nosso abuso foi mulheres e copos.

Bendita dívida!

      
 Enfim, Passos é um empata ...
   
«De Messias a obstáculo. Para Carlos Encarnação, ex-deputado e ex-presidente da Câmara de Coimbra pelo PSD, Pedro Passos Coelho “é um obstáculo a que o PSD se reorganize, se revitalize e se consiga afirmar”. Em entrevista ao jornal “i” esta terça-feira, Carlos Encarnação não poupa o líder social-democrata, defendendo até que este devia abdicar da liderança do partido, e mostra-se muito irritado com a escolha da candidata Teresa Leal Coelho para a candidatura a Lisboa.

“Eu tenho muitas pessoas de confiança e nem sempre as escolho para as coisas. Foi assim durante toda a minha vida. A pessoa pode ter muita confiança na outra e ela não cumprir os requisitos para disputar uma eleição. O PSD não pode apresentar um candidato para disputar o segundo ou o terceiro lugar. O partido devia ter um candidato para ganhar. E essa tradição do PSD. Eu não vejo volta a dar em relação a isso. O candidato foi mal escolhido. O candidato não cumpre os requisitos para lutar pela vitória em Lisboa. Ponto final”, aponta Carlos Encarnação.» [Expresso]
   
Parecer:

Pobre Passos, os seus já estão anunciando a derrota nas autárquicas e ainda nem se sabe quando se vão realizar.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»
  
 Marcelo irritado com o "amigo" Constâncio
   
«"É inacreditável e inaceitável" que o vice-presidente do Banco Central Europeu, Vítor Constâncio, concorde com a aplicação de sanções a Portugal, numa altura em que o país conseguiu pela primeira vez um défice abaixo dos 3%. Este é o sentimento em Belém, onde se questiona "o que é que Vítor Constâncio está lá a fazer".

Na Presidência da República, apurou o Expresso, a notícia de que o BCE pondera aplicar multas de 190 milhões de euros caiu como uma bomba. Foi com grande espanto e indignação que esta segunda-feira tomou conhecimento do boletim do banco central.» [Expresso]
   
Parecer:

O que está Constâncio fazendo? Enriquecendo.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se conhecimento ao visado.»

 Outra vez o anormalão
   
«O ainda ministro das Finanças holandês e presidente do Eurogrupo, Jeroen Dijsselbloem, acusou os europeus do Sul de gastarem o seu dinheiro “em copos e mulheres” e “depois pedirem que os ajudem”.

Em declarações na segunda-feira ao jornal alemão Frankfurter Allgemeine, Dijsselbloem fez um resumo do que entende que se passou com a crise com uma frase pouco abonatório para os países do Sul da Europa. “Durante a crise do euro, os países do Norte mostraram-se solidários com os países afectados pela crise. Como social-democrata, atribuo à solidariedade uma importância excepcional. Porém, quem pede [ajuda] também tem obrigações. Não se pode gastar o seu dinheiro em copos e mulheres e depois pedir que o ajudem”, afirmou ao Frankfurter Allgemeine.

Questionado já esta terça-feira no Parlamento europeu pelo eurodeputado espanhol Ernest Urtasun sobre as suas declarações, Jeroen Dijsselbloem recusou-se a pedir desculpa, salientando que a parte mais importante da sua declaração é a que diz respeito à solidariedade entre os países do Norte e do Sul da Europa.» [Público]
   
Parecer:

Mas que grande filho da p. ambicioso.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «mande-se o anormalão à bardamerda.»

terça-feira, março 21, 2017

Passos Coelho é um perigo para a Geringonça

Depois de um ano à espera que o mafarrico aparecesse pró estas bandas para lhe devolver o poder, Passos percebeu o erro que cometeu e da fase do primeiro-ministro no exílio resta-lhe a bandeirinha na lapela. O problema é que quando voltou a querer assumir as funções de timoneiro encontrou o barco meio abandonado, onde apenas ficaram os arrais mais fieis, como a Teresa Leal Coelho ou o Carreiras.

Passos desdobra-se agora em comezainas de lombo assado, em jantares de mulheres social-democratas, começou com uma celebração do dia da mulher e acabou por passar o mês de março em comezainas femininas. António Costa governa durante os dias úteis da semana, Marcelo preside dia e noite todos os dias da semana, Passos aparece à hora do telejornal, no meio de jantares de mulheres social-democratas, falando da CGD ou do BES com aquele ar de gozo, de quem se julga ter piada.

O problema é que Passos não se limita a afundar o PSD e a favorecer uma Assunção Cristas que cada vez mais lidera a direita, o grande problema é que enquanto Passos faz oposição a si próprio e a Assunção Cristas faz oposição ao PSD, cabe a Catarina Martins ocupar o espaço deixado vago pela direita, assumindo-se como membro da Geringonça durante a manhã e líder da oposição à tarde, numa tentativa de ganhar votos nos dois lados.

Quanto mais a direita se desintegra mais espaço tem Catarina Martins para assumir o duplo papel de consciência ideológica da Geringonça e líder da oposição politicamente correta. Na direita a Assunção Cristas tenta crescer eleitoralmente à custa do PSD para enterrar o fantasma do Paulo Portas. Na esquerda a Catarina  Martins tenta crescer à custa do PS e do PCP para confirmar o estatuto de senador de Francisco Louçã.

Daqui resulta que nem a direita faz oposição ao governo, nem o BE precisa de apoiar o governo que sustenta com o seu apoio parlamentar. Um bom exemplo desta confusão pode ser encontrado na CGD. Se a direita defendesse aquilo que sempre desejou, a privatização da CD, o BE de esquerda estaria agora preocupado em defender uma CGD bem gerida. Mas como Passos vai para os jantares das suas mulheres defender uma agência da CGD em cada aldeia, a Catarina não lhe fica atrás e disputa a Passos a defesa das agências do banco.

Seria mais lógico que fossem os partidos da oposição a fazer oposição ao governo, em vez desta balbúrdia no meio da qual António Costa e Jerónimo de Sousa são os únicos a manter a compostura.

Umas no cravo e outras na ferradura




 Jumento do Dia

   
Carlos César, presidente e  líder parlamentar do PS

O mínimo que se pode dizer da posição de Carlos César a propósito da CGD é que é dúbia, o que define o presidente do PS por serviço público? É não ter em consideração critérios de racionalidade na gestão da sua presença física? É estar proibida de mudar o modelo de relacionamento com os clientes por mais que o mundo se modernize' ´manter uma rede de agências e, porventura, aumentá-la ao sabor da vontade dos caciques locais dos partidos do poder? É o Paulo Macedo ter de pedir autorização à Catarina Martins ou ao Francisco Loução sempre que quiser fechar uma agência?

A posição mais correta de um partido como o PS era apelar às estruturas nacionais e locais que se abstivessem de interferir na gestão da CGD, não condicionando as decisões dos seus gestores em função de objectivos políticos a coberto do tal conceito pouco claro de serviço público.

«O líder parlamentar do PS pediu esta segunda-feira aos deputados socialistas que defendam o "serviço público" no processo de reestruturação da rede de agências da CGD, alegando que não se pode "assobiar para o ar" nesta matéria.

Esta posição de Carlos César, também presidente do PS, consta de uma nota esta manhã enviada aos membros da direção da bancada socialistas, à qual a agência Lusa teve acesso, na qual também se salienta que essa linha ativa de atuação deve ser seguida mesmo que o Governo não dê qualquer orientação.

No âmbito do processo de recapitalização da Caixa Geral de Depósitos (CGD), a administração do banco público deverá encerrar cerca de 70 balcões até ao final do ano, estimando-se que a redução de agências atinja as 180 no final de 2020 - uma reestruturação que tem levantado dúvidas ao PCP, Bloco de Esquerda e "Os Verdes" e que conta já com a oposição do PSD.

Na nota enviada aos membros da direção da bancada do PS, Carlos César refere que, numa próxima audição parlamentar sobre este assunto, o Grupo Parlamentar "deve defender que não é num caso de milhares de milhões de euros que se admite o fecho de um único balcão por concelho, onde podem estar dois funcionários e com limitação de prestação de serviços".» [Expresso]

      
 Terão comido mioleira e alheiras?
   

«Michel Temer quis minimizar os efeitos negativos da operação ‘Carne Fraca’, e organizou um jantar, este domingo, com ministros, embaixadores e representantes de 27 países numa churrasqueira em Brasília, a Steak Bull. O objetivo era provar que a carne brasileira não tem qualquer problema de qualidade – depois de uma investigação que revelou problemas de segurança e higiene no tratamento, armazenamento e venda de carne em algumas das maiores empresas do setor -, só que Temer não contava com o facto de o restaurante não utilizar carne brasileira.» [Observador]
   
Parecer:

Não gozem muito com o pobre presidente brasileiro, por cá, quando ocorreu a crise das vacas loucas, o ministro da Agricultura de Cavaco Silva foi ara Bruxelas comer mioleira, um must nacional na alimentação de crianças. Aliás, o ex-ministro de Cavaco Silva, que na época foi gozado, não perdeu a oportunidade para dizer que "Pensei logo, afinal não sou só eu que como mioleira para mostrar que não há problemas e não há medos" [TSF], quando Francisco George disse que ia a Mirandela comer uma alheira, para tranquilizar a população por causa da crise do botulismo.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se a Temer se está concorrendo com Trump para o prémio do presidente mais imbecil das Américas, ou se quer mesmo destronar o norte corano no título mundial..»
  
 Há muito que o ditador otomano foi longe demais
   
«Erdogan acusou hoje a chanceler alemã de usar “medidas nazis”, depois de Berlim impedir que ministros turcos fizessem campanha no país para o referendo sobre o reforço dos poderes do líder turco.

O ministro alemão dos Negócios Estrangeiros, Sigmar Gabriel, citado pela Agência France Presse, considerou as declarações de Erdogan “chocantes”.

"Somos tolerantes mas não somos estúpidos. Por isso, fiz saber ao meu homólogo turco que foi ultrapassado um limite”, disse, em declarações ao jornal Passauer Neue Presse."» [Oservador]
   
Parecer:

Mais tarde ou mais cedo toda a Europa vai ter de perceber que este Erdogan é para rejeitar.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Espere-se para ver.»

 O coitado até andou preocupado com a banca
   
«O líder do PSD, Pedro Passos Coelho, revelou que a necessidade de proteger a banca dos riscos chegou a ser avaliada em valores “entre 40 mil e 50 mil milhões de euros” e que nos últimos quatro anos foram limpos de imparidades e crédito mal parado “para cima de 20 mil milhões de euros”. Num almoço com empresários, o ex-primeiro-ministro disse não acreditar que o problema se resolva sem custos para ninguém.

Lembrando que o sistema bancário entrou em pré-colapso em 2011, Passos Coelho referiu os números de imparidades e de crédito mal parado na banca, segundo o governador do Banco de Portugal. “Teríamos necessidade entre 40 a 50 mil milhões de euros para poder imunizar o sistema bancário dos riscos mais elevados”, afirmou, num almoço promovido pelo Fórum de Administradores de Empresas, presidido por Luís Filipe Pereira, ex-ministro da Saúde do PSD.» [Público]
   
Parecer:

mas não pareceu e a crer na Cristas parece que era tema que não dizia respeito ao governo, só a ele e ao Ti Costa.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se,»

 Eles andem aí
   
«Ainda não há aeroporto, mas a discussão à volta do nome já levantou voo. Depois de o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, ter sugerido chamar Mário Soares ao novo aeroporto complementar de Lisboa, previsto para o Montijo, um grupo de quase mil cidadãos insurgiu-se e fez uma petição. O documento deu entrada na Assembleia da República (AR) e tem um número suficiente de assinaturas para ser discutido em plenário: pelo menos 9510, segundo a informação disponível na petição online.

O texto da petição chama mesmo “fulano” ao antigo Presidente da República, Mário Soares, que morreu em Janeiro. Com o título Impedir o nome Mário Soares no aeroporto do Montijo, a petição quer “que a Assembleia da República defina o nome do novo aeroporto do Montijo, devendo ficar completamente colocada de parte o nome de Mário Soares para esse aeroporto e qualquer outra obra de grande envergadura. Haja respeito por mais de um milhão de portugueses que foram mais que prejudicados por esse fulano”. No final, uma “nota em relação ao substantivo ‘fulano’”, remetendo para um dicionário online no qual as explicações são as seguintes: “pessoa cujo nome não se conhece ou não se quer mencionar”; ou, em sentido coloquial, “indivíduo; sujeito”.

No documento, os signatários apresentam ainda as suas sugestões: “O objectivo desta petição será o de solicitar à Assembleia da República que defina o nome do novo aeroporto do Montijo. Estando o povo português tão ávido de ideias agregadoras da sua identidade, o nome do novo aeroporto deveria considerar os verdadeiros heróis aeronáuticos portugueses como Gago Coutinho ou Sacadura Cabral ou os verdadeiros heróis da Revolução como o general Jaime Neves ou o capitão Salgueiro Maia que tanto foram votados ao esquecimento.”» [Público]
   
Parecer:

É o ódio mal resolvido, talvez p+referissem Silva Pais.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Proponha-se que o aeroporto se chame Rossio.»

 Sharon Stobne cruzou as pernas há 25 anos
   

«Sharon Stone com um justíssimo – e curtíssimo – vestido branco, numa sala de interrogatório. À sua frente estão quatro polícias, entre os quais o detective interpretado por Michael Douglas. Estas duas frases são suficientes para que saibamos onde isto vai parar: a actriz vai descruzar as pernas e voltar a cruzá-las, deixando, pelo meio, perceber que não usa roupa interior. A cena foi – e continua a ser – polémica e ajudou a fazer de Instinto Fatal um clássico do cinema norte-americano dos anos 1990. Esta segunda-feira passam 25 anos desde a sua estreia.» [Público]

 Brexit: adeus e até ao meu regresso
   
«Downing Street desfez finalmente o tabu: a primeira-ministra britânica vai accionar o artigo 50 do Tratado de Lisboa no próximo dia 29 de Março, dando início ao processo que culminará na primeira saída de um Estado-membro da União Europeia. Quando enviar a carta com o pedido de divórcio, Theresa May iniciará uma acelerada corrida contra o tempo, sabendo à partida que tem dois anos para concluir as negociações, sob o risco de ser forçada a uma saída sem acordo.


O Governo britânico não era obrigado a revelar antecipadamente quando iria oficializar a decisão tomada há já nove meses, no referendo em que 52% dos eleitores optaram pelo “Brexit”. Tratou-se de “uma cortesia”, explicou o porta-voz de May, ao revelar que minutos antes de a data ter sido divulgada o embaixador britânico em Bruxelas, Tim Barrow, informou pessoalmente o gabinete de Donald Tusk, o presidente do Conselho Europeu, do dia em que lhe será enviada a carta com a notificação.» [Público]
   
Parecer:

Devia ser fixado um prazo durante o qual não poderão haver negociações para a reentrada do Reino Unido na UE.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sugira-se.»
  
 Trump sob suspeita
   
«Era o segredo menos bem guardado da política norte-americana, mas a confirmação oficial não deixa de ser um golpe para a Administração Trump: o FBI está mesmo a investigar uma possível ligação entre a campanha eleitoral de Donald Trump e o Governo russo, incluindo a possibilidade de ter existido um plano para influenciar o resultado das eleições.

A revelação foi feita esta segunda-feira pelo director do FBI, James Comey, durante uma audição perante a Comissão de Serviços Secretos da Câmara dos Representantes, onde também foi ouvido o director da Agência de Segurança Nacional norte-americana, Mike Rogers.

Em resposta a uma pergunta de um dos congressistas, Comey disse que foi autorizado (de forma excepcional e perante a gravidade das suspeitas) pelo Departamento de Justiça a anunciar que o FBI está a investigar o caso. Esta informação é importante porque uma investigação oficial só pode ser aberta se houver indícios suficientes, e não apenas porque são levantadas suspeitas nos jornais – na prática, neste caso, o FBI confirma que há indícios suficientes para levar a sério as suspeitas de que a campanha de Donald Trump esteve envolvida com agentes do Governo russo para prejudicar a campanha de Hillary Clinton.» [Público]
   
Parecer:

Isto ainda vai acabar da pior forma.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Espere-se para ver.»

segunda-feira, março 20, 2017

OPC ou agências de mão-de-obra do MP?

Faz todo o sentido que muitos organismos tenham competências de investigação criminal nas suas áreas de competência. Se há um crime cometido no meio do Tejo relacionado com actividades controladas pela Polícia Marítima seria um contras-senso um procurador adjunto alugar um bote para investigar a situação lá para os lados do Mar da Palha.

Um crime fiscal é mais facilmente investigado pelo fisco, que não só tem acesso às informações do seu próprio sistema informático, como tem parceiros privilegiados nas outras administrações fiscais. No caso das administrações fiscais comunitárias essa colaboração está instituída e com muitos países terceiros foram adoptados acordos e convenções de troca de informação ou de assistência e cooperação mútua.

Já não faz muito sentido que a investigação de corrupção seja desenvolvida pelo fisco com o argumento de que se trata de criminalidade económica, é isso que explica que, por exemplo, o Caso Freeport tenha sido conduzido pelo MP com a colaboração da PJ. Confesso que ver funcionários aduaneiros, que quando identificam um correio de droga o entregam de imediato à PJ, tenham sido chamados de Braga a Lisboa para prenderem José Sócrates.

No caso da Operação Furacão, em que estavam em causa crimes fiscais, fazia todo o sentido que fosse o fisco a investigar, como sucedeu. Mas no Caso marquês não parece que tenha havido uma fraude com o IVA, como se sabe o crime fiscal é uma consequência da suspeita de corrupção, quando se acusa alguém de receber o que não devia ter recebido, é certo e sabido que também se acusa de branqueamento de capitais e de evasão fiscal.

Portanto, neste caso há qualquer coisa de errado, aproveitou-se a equipa que já tinha trabalhado com o procurador da Operação e agora trabalha para o Caso marquês. É como se o procurador Rosário Teixeira tivesse uma secção do fisco de Braga por sua conta. Faz o trabalho, elabora os relatórios e os procuradores reproduzem as conclusões nos seus relatórios. Se algo correr mal. Como, aliás, tem sucedido, os competentes sãos os procuradores e os incompetentes são os funcionários do fisco.

Por este andar o procurador Rosário tem um serviço do fisco em braga por sua conta, o procurador Valdomiro vai ter uma equipa do fisco no serviço de finanças de Almodôvar, a procuradora Zita terá por sua conta o serviço de finanças de Gaia e por aí adiante. A AT disponibiliza os recursos humanos, paga-lhes o vencimento e o aquecimento, compra-lhes os computadores e ainda lhe oferece capacetes para suportarem as porradas da Procuradora-geral. 

Resta saber se quando o MP se queixa da falta de recursos humanos contabiliza aqueles que “parasita” nos mais diversos serviços do Estado. Porque enquanto a Procuradora-Geral fica com os louros e dá as espinhas aos outros, a coitada da diretora-geral da AT na hora de apresentar os resultados do fisco num país à beira da bancarrota, não se pode justificar com os recursos que coloca ao serviço dos outros e, provavelmente, terá elegância para não dizer que a culpa dos seus falhanços é da Procuradora-Geral.

Umas no cravo e outras na ferradura




 Jumento do Dia

   
Teresa Leal Coelho, candidata autárquica

Em democracia ganha-se e perde-se, está-se no governo ou na oposição, uma candidatura merece ser tratada com dignidade, seja uma candidatura a Presidente da República ou à mais pequena junta de freguesia. Muitos candidatos não esperam ganhar as eleições a que concorrem, fazem-no muitas vezes para expor e debater as suas proposta, mesmo perdendo dão a conhecer os seus projectos aos cidadãos.

A candidatura de Teresa Leal Coelho não é nada disto, não tem qualquer esperança de ganhar as eleições e é público que não tem ideias, supostamente vai expor as ideias que alguém convidado pela concelhia do PS escreveu. Se ser candidato em democracia é um acto digno, lamenta-se que a candidatura de Teresa Leal Coelho comece com tão pouca dignidade. Lisboa merecia melhor tratamento por parte do PSD.

 Ideias para o muro bonito do imbecil do Trump


Muro de Berlim

      
 Irresponsabilidade e deslumbramento
   
«1. Assunção Cristas sabia que o nosso sistema financeiro tinha problemas sérios. Não é possível que desconhecesse o plano de resgate que tinha como um dos dois eixos centrais a questão bancária nem que estavam 12 mil milhões de euros orçamentados para ajudar à solução do problema. A líder do CDS era das mais importantes dirigentes do seu partido e era ministra, saberia, com absoluta certeza, muito mais do que qualquer cidadão informado. Tinha mesmo de saber. Qualquer insinuação de que ela não estivesse a par do estado do nosso sistema financeiro seria ofensivo para a sua dignidade e inteligência.

No entanto, esteve em dezenas de conselhos de ministros e não se espantou que não se falasse do assunto. Lia as notícias, ouvia os debates, falava com os seus colegas de partido e amigos do assunto - é inverosímil que não o fizesse - e chegava ao Conselho de Ministros e calava-se. E achava normal que se falasse de tudo menos de um problema central para o país.

Na entrevista que deu ao Público, onde tentou atirar todas as responsabilidades da negligência do anterior governo no que diz respeito ao sistema financeiro - e de várias outras coisas - para o seu antigo parceiro de coligação e até para o antigo líder do seu próprio partido, assumiu que assinou de cruz a resolução do BES, "não houve discussão nem pensámos em alternativas", "sim senhora, isso é para fazer, damos o OK". Claro, era urgente. E, que diabo, o que podia Assunção fazer? Ela não se tinha interessado pelos problemas da banca, ela nem sequer tinha perguntado por eles, como poderia ter pensado em alternativas se nem sequer tinha discutido o assunto? Coitada, era assinar e confiar em quem sabia do assunto.

Passos Coelho, em jeito de resposta à líder do CDS, disse que nenhum ministro foi impedido de "suscitar as matérias que pudesse achar da maior relevância, nem nunca nenhum ministro poderá dizer que não discutiu aquilo que achasse relevante discutir". Ou seja, o ex-primeiro-ministro confirmou que Assunção Cristas nunca quis saber.

Chama-se irresponsabilidade.

Apesar de a entrevista à ex-ministra ser reveladora do seu comportamento político e da forma como viu o seu papel no governo, a reação do ex-primeiro-ministro foi bem mais significativa. Relembrou-nos traços essenciais da forma como se olhou para a governação.

Passos Coelho foi, mais uma vez, claro: sistema financeiro, banca e o dossiê BES, em concreto, foram questões em que o governo decidiu não intervir, com exceção da aprovação de alguns diplomas para o setor. Ou seja, apesar de os problemas do sistema financeiro serem um dos dois pilares do programa de resgate, de ter sido disponibilizada uma verba de 12 mil milhões de euros para o efeito - da qual não foi utilizada metade - e de os problemas do BES, do Banif e da CGD, entre outros, serem conhecidos, o governo optou politicamente por não intervir. Um caso claro de deslumbramento ideológico com as consequências conhecidas.

Conto-me entre aqueles que em matérias económicas tendem a preferir uma intervenção do Estado limitada, mas quando a realidade se impõe atirar um carregamento de livros cheios de ideologia para a fogueira não apaga o fogo. Como aconteceu em todos os países que se viram a braços com problemas graves no seu sistema financeiro (Irlanda e Espanha, por exemplo), os governos não hesitaram em intervir diretamente, na própria gestão até. Em Portugal, chegou-se ao cúmulo de o governo ignorar olimpicamente a situação no próprio banco do Estado.

A situação em Portugal era tão grave que era o interesse público mais evidente que estava em causa. Um momento de excecionalidade. Mais que não fosse, por se estar perante uma situação em que havia uma grande probabilidade de serem os cidadãos a pagar a fatura - como veio e está a acontecer. O que estava a acontecer no nosso sistema financeiro e no BES transcendia, nessa altura, questões de regulação e de supervisão bancária.

É, sobretudo, nestes casos que os representantes do povo têm de assumir as suas responsabilidades. É exatamente nestas ocasiões que os eleitos não podem delegar e têm de exercer diretamente o poder que lhes delegamos.

O erário público pode e deve servir para tentar evitar males maiores, mas depois quem tem de dispor dele não pode estar de braços cruzados apenas esperando que a conta seja enviada.

O anterior governo terá acertado e errado em muitas das suas opções, mas o desleixo com que tratou os problemas do sistema financeiro, a forma como alijou as suas responsabilidades, é o maior erro que cometeu, e um que pagaremos por muitos e bons anos.

2. Já seria mau escolher Teresa Leal Coelho, que, sendo vereadora, passou o mandato sem que se lhe ouvisse uma palavra sobre a cidade, a quem não se conhece uma única ideia sobre Lisboa, que é recordista de faltas em reuniões camarárias. Juntando a isso o facto de toda a gente saber que só foi escolhida depois de um folclore imenso de recusas e mais recusas torna tudo ainda pior.

Se fosse Fernando Medina a conduzir o processo de escolha do candidato do PSD, não teria feito melhor.

Mas, de longe, o mais grave de todo este lamentável processo é perceber-se que o PSD não consegue atrair novos quadros, não consegue alargar a sua zona de influência, e a gente com talento que ainda tem foge de dar a cara pelo partido.

As autárquicas poderão não pôr em causa a liderança, mas os resultados do PSD vão deixar claro que são precisas profundas mudanças para que o partido regresse ao poder.» [DN]
   
Autor:

Pedro marques Lopes.

      
 Não sabem nada e anatomia
   
«Nunca tinha acontecido. A maioria dos futuros médicos no segundo ano de formação na Faculdade de Medicina de Lisboa (FML) não acertaram nas respostas sobre o corpo humano. Dos 357 alunos sujeitos ao exame de anatomia clínica mais de metade não passou. “Ficámos estupefactos. É uma cadeira básica para um médico”, confessa António Gonçalves Ferreira, coordenador da disciplina.

Identificar o que estava numa TAC ou ecografia e fazer ‘diagnósticos’ sobre problemas práticos — por exemplo, descrever as estruturas atingidas numa vítima de esfaqueamento na axila ou na virilha — foram as principais dificuldades dos alunos no exame, teórico e prático, feito no início do ano. As notas negativas ficaram acima dos 50% e a surpresa foi geral. “Na prova teórica chumbou mais de metade e estávamos à espera que o resultado melhorasse na avaliação prática mas foi outra desgraça”, diz o responsável pela anatomia na FML.» [Expresso]
   
Parecer:

Esperemos que todos saibam distinguir o pé direito da mão esquerda.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»

domingo, março 19, 2017

Semanada

Os banqueiros já tinham inventado a dívida perpétua e a CGD até se prepara para vender parte da sua dívida para a eternidade, o próprio José Sócrates já defendeu muitas vezes que a dívida soberana é para ir mantendo, agora foi a Procuradora-Geral, rapariga que tem ar de ser muito afoita nessa coisa das leis, que inventou o inquérito perpétuo, inspirou no Caso Madoff e decidiu que a partir de agora não há prazos para que o Guerra, o Rosário e o fiscal de Braga formulem uma acusação a Sócrates e mais todos os que se cruzaram com ele no caminho. A partir de agora e porque é a senhora procuradora que em Portugal decide tudo sobre leis, só há pontos de situação. 

Cada vez que a Procuradora deu mais um prazo o Caso Marquês desembocou em mais um negócio duvidoso, da última vez foi o empreendimento de Vale de Lobos, agora o que resultou em mais uns milhões de ficheiros para o coitado do fiscal de Braga analisar foi o BES. É certo e sabido que em Abril serão feitas mais buscas num qualquer outro negócio.

Este foi o terceiro fim de semana seguido em que Passos Coelho se reuniu num jantar com mulheres social-democratas, sinal de que Passos Coelho está convencido de que o seu charme vai conseguir o que o mafarrico não conseguiu, chegar ao poder que os eleitores lhe recusaram. Mas o mais curioso no seu último jantar no feminino foi o seu empenho em discutir a CGD, dantes não incomodava os seus ministros com debates sobre bancos, mas agora já andam armado em gestor das instalações da CGD.

Finalmente o PSD conseguiu encontrar um candidato que esteja disposto a imolar-se nas eleições pela autarquia de Lisboa. Depois de Santana se ter recusado a arriscar o tacho na Santa Casa, parece que Passos optou por transformar a eleições autárquicas num duelo feminino da direita. Entretanto, foi o Pedro Santana Lopes que voltou aos velhos tempos da fidalguia e desafiou Sampaio para um duelo, na sequência das ofensas que o ex-presidente lhe terá feito num livro. Desafiou-o para um duelo e escolheu como arma o debate televisivo, como se fosse uma acareação destinada a apurar a verdade.

Umas no cravo e outras na ferradura




 Jumento do Dia

   
Joana Marques Vidal, Procuradora-Geral

O comunicado foi tão bem elaborado que em menos de 24 horas teve de ser emitido um segundo comunicado a esclarecer o primeiro. se calar a culpa foi do fiscal de Braga cujos relatórios lançaram alguma confusão na interpretação do comunicado.

«A Procuradoria-Geral da República (PGR) esclareceu hoje que não foi fixada, de momento, qualquer data para a conclusão do inquérito e emissão de despacho final da 'Operação Marquês', tendo apenas sido prorrogado o prazo.

Num esclarecimento enviado à comunicação social, a PGR refere que Joana Marques Vidal atendeu ao pedido de "prorrogação do prazo para a conclusão do inquérito e emissão de despacho final" solicitado pelos magistrados titulares da 'Operação Marquês".

No entanto, adianta a nota, a procuradora-geral da República "não fixou, até ao momento, prazo para o encerramento do inquérito e emissão de despacho final", tendo sido o final do mês de junho o prazo estimado pelos procuradores do processo para a conclusão dos trabalhos.» [DN]

 A justiça portuguesa mudou

Deixou de ter prazos, agora só há pontos de situação. enfim, é a situação triste a que esta Procuradora escolhida por Cavaco Silva está a levar a justiça portuguesa.

 O buraco no BES, o governador, o Moedas e os venezuelanos


Se não provarem que foi Sócrates a receber as comissões dos submarinos a culpa é do órgão.

 Dúvidas que me atormentam

Será que este prolongamento sine die da investigação do Caso Marquês se destina a descobrir quais os blogues "socráticos" que receberam dinheiro para defenderem o governo de Sócrates?

 Reflexão machista

Tenho medo de mulheres feias e tenho ainda mais medo das mulheres muito feias.

      
 A maldosa insinuação
   
«Na sessão pública de apresentação de contas da Sonae, o Dr. Paulo Azevedo decidiu regressar ao tema da OPA da Sonae sobre a PT para dizer, no essencial, "que estavam todos feitos". Não sei a quem é que o Dr. Paulo Azevedo se queria referir mas , no que me respeita, esta declaração constituiu uma grave e maldosa insinuação que desejo indignadamente repudiar. O governo da altura assumiu uma posição de estrita imparcialidade nem contra nem a favor da OPA. Essa posição foi por várias vezes transmitida ao Dr. Paulo Azevedo, em particular nas reuniões em que a administração da Sonae tentou persuadir o governo a apoiar a OPA. Foi-lhe comunicado que não havia nenhum motivo de interesse público que pudesse justificar tal atitude. Essa posição de neutralidade estendeu-se à Caixa Geral de Depósitos, a cuja administração foi comunicada total liberdade - a sua posição deveria resultar do que fosse considerado o seu melhor interesse. O Conselho de Administração da mencionada instituição votou e decidiu com total autonomia. Alguns dias antes da assembleia geral da PT, o Dr. Paulo Azevedo fez-me um derradeiro telefonema solicitando-me que o governo revisse a sua posição no sentido de dar orientações expressas à Caixa para apoiar a referida OPA. Respondi-lhe que o governo não o faria e que se manteria fiel à sua conduta inicial de estrita neutralidade. Dei conta desse telefonema ao Sr. Ministro da tutela. É portanto indesculpável que alguém que tentou em várias ocasiões convencer o governo a ser apoiante da sua iniciativa empresarial se permita fazer insinuações que o próprio sabe serem falsas. E, mais grave ainda, fazê-las num quadro de suspeitas judiciais absurdas e infamantes. O governo nunca esteve feito com ninguém. Nem com o Dr. Paulo Azevedo.» [DN]
   
Autor:

José Sócrates.

      
 Começou o espectáculo
   
«Depois de meses de expectativa e de desencontros entre a direcção nacional do PSD e as estruturas locais de Lisboa, a aprovação formal do candidato do partido à capital – a deputada Teresa Leal Coelho – é marcada por uma troca azeda de palavras e até de acusações de violação dos regulamentos, sem esquecer a desilusão gerada pela escolha. A ruptura das negociações para uma coligação com o CDS ditou uma outra decisão: o PSD irá concorrer sozinho a todas as juntas de freguesia.

Nesta sexta-feira à noite, os militantes da concelhia do PSD Lisboa tinham um plenário marcado que prometia ser quente. Uma das vozes críticas é a de Pedro Rodrigues, ex-líder da JSD, que responsabiliza o coordenador autárquico, Carlos Carreiras, a distrital e a concelhia, mas não o líder do PSD pela confusão instalada nas estruturas locais. “Quando Pedro Santana Lopes disse que não [a ser candidato], o presidente da concelhia disse que a responsabilidade passava a ser do presidente do partido. Obviamente a responsabilidade do que se está a passar em Lisboa é do presidente da concelhia, da distrital e do coordenador autárquico que se demitiram da sua responsabilidade e atiraram-na para cima do presidente do partido”, afirmou o ex-deputado que é um crítico de Passos Coelho.» [Público]
   
Parecer:

Estas são as eleições autárquicas pior organizadas na história do PSD.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»
  
 Taxas e taxinhas na Finlândia
   
«Na Islândia, estuda-se um mecanismo para travar a chegada de turistas. A proposta é algo inédita, mas surge como resultado de dez anos de forte entra e sai de visitantes, que resultou numa escalada dos preços. Só a coroa islandesa subiu 30% face ao euro desde 2013, para não falar do valor das casas.» [DN]
   
Parecer:

O turismo quando em excesso pode transformar-se numa praga, principalmente em meios pequenos ou em zonas com meio ambiente sensível. Num tempo de turismo low cost uma parte dos turistas só dão prejuízo.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Aprove-se.»

 Passos preocupado com encerramento de agências da CGD
   
«O presidente do PSD, Pedro Passos Coelho, afirmou este sábado que o encerramento de balcões da Caixa Geral de Depósitos (CGD) é de um “cinismo atroz” por parte dos socialistas, comunistas e bloquistas.

“No meu tempo, ele [banco] era público e essas agências existiam, porque é que agora têm de encerrar, agora que o banco tem de ser defendido como um banco público apoiado por comunistas, bloquistas e socialistas, isto é de um cinismo atroz, um cinismo atroz”, disse, durante um almoço das mulheres sociais-democratas do distrito do Porto, realizado em Ermesinde.» [Observador]
   
Parecer:

O homem que defendia a privatização do banco em nome da democracia económica é agora mais soviético do que o Jerónimo de Sousa.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»