sábado, abril 01, 2017

Dar a cara

António Costa podia muito bem deixar a divulgação da venda do Novo Banco ao governador do Banco de Portugal, afinal a venda foi um processo conduzido pelo BdP e o proprietário do Banco é o Fundo de Resolução e não o governo, até poderia poupar a sua imagem e deixar eventuais comentários ao ministro das Fianças ou mesmo ao secretário de Estado do tesouro.

O governo poderia ter-se limitado a assinar de cruz ou a fazer de conta que o fazia dessa forma, mesmo depois de um ex-presidente do PSD de forma leviana e irresponsável ter tornado pública informação confidencial do Banco de Portugal. Até poderia ter deixado o assunto para as férias da Páscoa, encarregando Mário Centeno de telefonar soa outros ministros para assinarem o decreto por email, entre as garfadas do cabrito assado ou do ensopado de borrego.

Todos os males do negócio poderiam ter sido assacados à Comissão ou, a um ex-secretário de Estado de Passos Coelho e amigo de Maria Luís Albuquerque, que foi contratado pelo BdP para fazer a venda do banco. Com algum jeito o governo até poderia ter-se aproveitado dos receios pelas consequências do negócio para adotar algumas medidas de austeridade, talvez o aumento do imposto de selo aplicável ás transações bancárias ou mesmo um corte de vencimentos de algum grupo profissional que não merece a simpatia dos partidos do governo.

Nada disto seria estranho, tudo isto aconteceu, era assim que trabalhavam Passos Coelho, Paulo portas e Maria Luís Albuquerque, a própria Assunção cristas assumiu que estava mais preocupada em meter as sandes no saco da praia do que em assinar o decreto no famoso Conselho de Ministros organizado por e-mail. António Costa não precisava de dar a cara, nem mesmo Mário Centeno tinha de aparecer em público. A conferência de imprensa de Carlos Costas podia ter sido agendada lá mais para o intervalo das telenovelas.

Mas não é só o emprego que está aumentando, o investimento que se anima e as exportações que continuam a crescer mesmo sem o brilhantismo de um tal Pires de Lima. Os tempos mudaram, a política é feita sem truques, os governantes não se escondem atrás dos credores, o primeiro-ministro não se esconde atrás do ministro das Finanças e este atrás do governador. A forma como o Novo Banco morre foi mais digna do que a forma como nasceu.

Aos poucos o país retoma a normalidade e a política está deixando de ser a arte da mentira, da simulação e da canalhice. Respira-se melhor em Portugal.

Umas no cravo e outras na ferradura




 Jumento do Dia

   
Leitão Amaro, deputado

Foi o PSD que decidiu usar o BES para uma experiência de resolução que não voltará a ser a usada na Europa, foi o mesmo PSD que garantiu que com a solução não haveriam custos para o contribuinte, foi um governador do BdP reconduzido pelo PSD que ficou a liderar o processo de venda do Novo Banco, foi um governante do PSD que o BdP contratou para servir de caixeiro-viajante na venda do Novo Banco.

O PSD esteve por detrás do todo o processo, sabe de tudo o que se passou, provavelmente andou melhor informado de tudo o que se passava do que o governo, até foi um ex-líder do PSD que tornou públicos os contornos do negócio.

Um mínimo de decoro mandaria o PSD estar calado, mas não foi essa a opção do guerrilheiro Leitão Amaro, ainda antes dop governador falar em público chamou as televisões para duizer as suas baboseiras.

«“Qual o montante de venda, que garantias, que condições e que custo para os contribuintes” derivam da venda do Novo Banco são informações que o PSD exige obter durante o dia de hoje, para o qual estão marcadas conferências de imprensa do governador do Banco de Portugal, António Costa, e o ministro das Finanças, Mário Centeno.

“O dinheiro do Estado é dos portugueses, não é dos governos”, sublinhou António Leitão Amaro, numa declaração aos jornalistas em que deixou claro que “o Governo tem o dever de prestar hoje cabal esclarecimento de todas as condições e termos que envolvam dinheiro do Estado” na venda do Novo Banco.

Além desta questão, admite o PSD que o Executivo “tem de dizer qual o custo do perdão parcial de dívida que fez aos bancos nas últimas semanas relativamente ao empréstimo do Estado do fundo de resolução”.» [Notícias ao Minuto]

      
 O MP tem, falta de funcionários
   
«"Contrariamente, às vezes, aos ventos mais negativos, o MP tanto na comarca de Porto Este como na comarca de Viana do Castelo, no essencial, está a funcionar bem. Está a baixar pendências, está a aplicar, relativamente à suspensão provisória dos processos, instrumentos de consenso de uma maneira mais adequada, está a ter mais êxito nas acusações relativas à criminalidade grave e criminalidade económico-financeira e está, também, a diminuir pendências, ou seja, a resolver mais processos do que aqueles que entram. No geral o MP está a funcionar bem nestas comarcas", afirmou Joana Marques Vidal

A magistrada, que falava aos jornalistas no edifício dos juízos centrais cíveis de Viana do Castelo, no final de dois dias de visitas de trabalho que realizou àquelas comarcas, disse que em ambas "há dificuldades crónicas" de falta de magistrados e de funcionários do MP.» [Notícias ao Minuto]
   
Parecer:

Só no Caso Marquês o MP tem por sua conta 20 funcionários que são pagos pela AT e que fazem falta ao desempenho das suas funções.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Questione-se o MP sobre quantos funcionários de outras instituições estão a trabalhar nas investigações que conduz.»

sexta-feira, março 31, 2017

Os DDT (deuses disto tudo)

Até há uma década os modelos de virtudes eram os administradores dos bancos que em Portugal os jornalistas gostam de designar por “banqueiros”. Ainda hoje vemos alguns banqueiros pavonearem-se pelos corredores, como se fossem espécimes especiais, recentemente um tal Domingues, licenciado na escola do MRPP exibia um ar de quem está alguns palmos acima do cidadão comum.

As empresas mais modernas era os bancos, o setor que mais motivos de orgulho dava ao país era o bancário, as grandes vedetas de jornais como o Expresso eram os banqueiros, até o Oliveira e Costa teve direito a capa da revista do Expresso, os administradores mais bem pagos e com prémios mais chorudos eram os dos Bancos, as empresas que mais valorizavam na bolsa eram os bancos, as personalidades mais ouvidas pelos políticos eram os administradores dos bancos.

Os nossos “banqueiros” até tinham tiques que lhes eram comuns, andam com ar pesaroso, falam devagarinho como se todos andássemos na terceira classe, fazem afirmações como se fossem definitivas, falam das soluções para os problemas do país como se fossem sábios insubstituíveis. Os jornalistas entrevistavam-nos com ar de caniches bajuladores, os políticos questionavam-nos sobre nomes para ministérios, os ministros das Finanças comportavam-se como o preto da Casa Africana.

De um dia ara o outro o país viu que, afinal, o mundo da banca estava falido, que os magos da gestão não passavam de oportunistas e que os tais banqueiros não passavam de gestores de honestidade duvidosa. O preço está à vista, o BES faliu, o BPI borregou, o BANIF desapareceu, e a CGD ia indo pelo mesmo caminho. Quis o destino que o último banco a ficar na corda bamba.

O facto de a próxima vítima ser o Montepiotem muito de simbólico, se dantes as vedetas da nação, os Ronaldos e Amálias da economia eram os tais “banqueiros”, agora promovidos a predadores incompetentes, as novas vedetas do país são os senhores da “economia social”. Se na banca era o Ricardo Salgado o DDT e por isso escolhia ministros, no mundo da economia social temos u franciscano que, graças ao seu poder divino, escolhe primeiros-ministros e presidentes da República. O destino tem destas coisas, de entre os muitos cargos dignos do seu hábito castanho um deles foi o de presidente do Montepio.

Os banqueiros escolhiam políticos e governantes e nesse papel têm vindo a ser substituídos pelos discretos patrões da economia social. Os primeiros financiavam os partidos, os segundos coagem centenas de milhares de velhinhos a votarem nos seus políticos preferidos. É por isso que alguns políticos fazem metade das suas campanhas eleitorais em lares da economia social. Veja-se, por exemplo, onde anda a Assunção Cristas a fazer comícios e a distribuir beijinhos.

Os banqueiros era gente acima de qualquer suspeita, eram supre competentes e tinham um regulador a vigiá-los. Os da economia social estão igualmente acima de qualquer suspeitas, são voluntários, muitos fazem votos de franciscanismo, são exemplos de bondade e caridade e respondem perante Deus, uma entidade que ao contrário de Carlos Costa, não dorme, está sempre de olhos abertos e é muito dado a castigar todos os pecadores. 

Esperemos que a próxima grande crise não seja provocada por estas almas caridosas e que os próximos políticos corruptos não sejam escolhidos pelos novos DDT, os deuses disto tudo.

Umas no cravo e outras na ferradura




 Jumento do Dia

   
Nuno Pinto, presidente da Associação ILGA Portugal

Há um surto epidémico de hepatite A. as autoridades de saúde identificaram a sua origem, dispõem de dados sobre os atingidos e fizeram o que devia, divulgar um aviso para que este surto seja controlado. Mas o que preocupa o líder da ILGA não parece ser a saúde pública, a sua grande preocupação é dizer que toda a gente pode ter práticas idênticas às dos homossexuais. Enfim, era preferível que se preocupasse mais com o problema de saúde pública do que em inventar falsas homofobias.

«O surto de hepatite A em Portugal e em mais 12 países da União Europeia está a atingir principalmente homens e, dentro desse género, destaca-se o grupo de homens que têm sexo com outros homens. Mas o presidente da Associação ILGA Portugal — Intervenção Lésbica, Gay, Bissexual e Transgénero — diz que a questão não deve ser centrada num “grupo de risco”, mas sim em “comportamentos de risco” transversais a toda a população.

“ homens que têm sexo com outros homens, é muito diverso no que diz respeito aos comportamentos. Na questão específica percebemos a importância de alertar a população específica, mas qualquer pessoa pode ser atingida por este surto“, afirmou Nuno Pinto ao Observador, lembrando que o sexo anal, com ou sem preservativo, assim como o sexo oro-anal e o sexo anónimo com múltiplos parceiros não são exclusivos dos homens que têm sexo com outros homens.


E na reunião que teve, esta quarta-feira, com o diretor geral de Saúde, Nuno Pinto alertou precisamente para esta questão de distinção entre comportamentos e grupos. Talvez por isso Francisco George, no Jornal da Noite da SIC, tenha feito questão de frisar que “não há grupos de risco”, mas sim “comportamentos de risco”.» [Observador]

«A palavra “chemsex” não lhe diz nada. J. costuma fazer sexo em grupo sob o efeito de drogas, mas desconhece a expressão inglesa que descreve aquele comportamento e que na terça-feira à noite, depois das notícias que a associavam a um surto de hepatite A, levou muita gente a interrogar-se sobre as práticas sexuais a que se referia. J. vive em Lisboa, tem 31 anos e aceitou falar ao PÚBLICO sob anonimato. É um dos muitos homens gay portugueses afectados pelo recente surto desta doença.

Desde Janeiro, foram registados mais de 100 casos de hepatite A, de acordo com a Direcção-Geral da Saúde que, nesta quarta-feira, sublinhava que “pode acontecer com qualquer indivíduo”, reconhecendo, contudo, que muitos dos doentes são homens que fazem sexo com homens. “Sei de muitos casos recentes”, garante J.. “Agora, quando algum amigo publica no Facebook a dizer que está doente, ou no hospital, pergunto logo se tem hepatite A. O sexo com muitas pessoas ao mesmo tempo faz aumentar as probabilidades, mas eu não faço sexo de risco, tenho é muitos parceiros de uma só vez e sei que para se passar a hepatite às vezes basta um beijo.”» [Público]

 Crentes, não crentes e burros

Marcelo inventou uma nova categoria de cidadãos em matéria de opções religiosas, há os crentes, os não crentes e os que não sabem em que categoria estão, isto é, os burros.

      
 Esta é para rir
   
«António Leitão Amaro, vice-presidente da bancada do PSD, acusou esta quinta-feira o ministro das Finanças, Mário Centeno, de fazer um exercício de “desresponsabilização” no diz respeito ao Montepio e em particular sobre a associação mutualista.

“A entrevista traz-nos duas preocupações: Ou ministro das Finanças passa culpas para o seu colega Vieira da Silva ou [revela] o modo como o Governo está numa situação de inacção”, afirmou o deputado social-democrata, em declarações aos jornalistas no Parlamento sobre a entrevista de Centeno ao PÚBLICO/RR.» [Público]
   
Parecer:

O PSD já não sabe como se livrar do Mário Centeno, agora tenta atirá-lo contra Vieira da Silva.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se a merecida gargalhada.»
  
 Junckers defende "independência" do Texa
   
«Sem o Reino Unido, a vida continua. Os líderes da direita europeia lamentaram o Brexit, mas avisam que a Europa está viva e recomenda-se. No encerramento do Congresso do PPE — que termina esta quinta-feira em Malta — Angela Merkel evitou falar do Brexit e fez uma fuga para frente abrindo a porta a um novo alargamento. Se um sai, outros querem entrar. A chanceler alemã apela a que “pouco a pouco” sejam “criadas condições” para os países dos balcãs aderirem à União Europeia. Pouco antes, o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, foi mais direto a comentar a saída do Reino Unido:

O Brexit não é o fim de tudo. Devemos entendê-lo como um novo começo, algo mais forte e melhor”.

Juncker acrescentou, num discurso aplaudido vigorosamente por Merkel, que “muitos gostariam que fosse o fim”. E concretizou: “Por exemplo, um presidente de um outro continente”. E depois provocou Donald Trump: “O recém-eleito presidente dos EUA está feliz pelo Brexit e pediu a outros países para fazerem o mesmo. Se ele continuar a fazer isso, vou começar a promover a independência de Ohio e Austin, no Texas.”» [Observador]
   
Parecer:

E proque não devolver os territórios roubados ao México?
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»


quinta-feira, março 30, 2017

Em nome da banca

Durante anos a banca foi apresentada como um símbolo de modernização da economia portuguesa, Cavaco Silva, que tinha sido um ativo privatizador de bancos, não perdia a oportunidade para elogiar o sucesso do setor. De um dia para o outro o escritor das quintas-feiras calou-se, esqueceu os bancos e começou a elogiar a produção de bens transacionáveis, de um dia para o outro ia dando em fisiocrata.

Durante décadas os bancos fizeram o que quiseram `s poupanças dos portugueses e à capacidade de endividamento do país, manipularam os juros beneficiando da escassa concorrência, mobilizaram os recursos financeiros do país para financiarem negócios de sócios e amigos, cobraram taxas e comissões a torto e a direito, corromperam vastos setores da Administração Pública, condicionaram as decisões governamentais.

De um dia para o outro os mais de 20 anos de incompetência, oportunismo e corrupção na gestão dos bancos levou o sistema financeiro a um buraco. Nessa hora os banqueiros fizeram chantagem sobre o país, os mesmos senhores que manipularam indicadores contabilísticos para ganharem prémios chorudos, que enriqueceram com negócios na bolsa quase livres de impostos, forçaram o país a suportar as consequências do seu comportamento criminoso.

É importante criar condições para que um banco possa ir à falência sem que tenham de ser os funcionámos públicos, os pensionistas ou os grupos profissionais mais vulneráveis a suportarem as consequências de que não são responsáveis. O país não pode viver sob a chantagem dos riscos sistémicos da falência de um banco, o cidadão comum nada tem que ver com os negócios entre o BANIF e o Alberto João ou com as lutas intestinas do Montepio.

E isso só é possível com transparência, algo que só sucede quando os responsáveis dos reguladores forem escolhidos entre gente com perfil e independência para os cargos, em vez de bananas ambiciosos e disponíveis para lamber os ditos aos governantes: Os portugueses aprenderam duas lições de que não se esquecerão tão cedo, o banco de que são clientes pode ser gerido por bandidos e o governador do BdP que deve vigiar os bandidos pode fechar os olhos à sua atividade criminosa.

Cada cidadão deve ser mais criterioso no seu relacionamento com os bancos, assumindo a sua quota de responsabilidades no momento em que se decide pela gulodice. O BdP deve deixar de ser um coio de gente bem remunerada e com facilidades várias para ser aquilo que dele se exige. Deve acabar a promiscuidade entre administradores da banca e governantes ou deputados.

Quanto a saber se o NB deve ser públcio ou privado, para além de não fazer muito sentido o Estado ter dois bancos públicos, como se fosse a GNR e a PSP da banca, o importante é que os bancos sejam bem geridos e vigioados e que os seus donos saibam que na hora de irem à falência serão os primeiros a pagar a fatura.


Umas no cravo e outras na ferradura




 Jumento do Dia

   
Miguel Albuquerque

Este senhor acha que discordar de atribuir o nome de um aeroporto ao Cristiano Ronaldo é ser pequeno. É desta forma que um qualquer idiota com um cargo público acha que deve achincalhar um cidadão que tem uma opção diferente da dele. Mesmo não tendo um avô almirante ou primeiro-ministro apenas tenho a dizer a este personagem imbecil da nossa ilha tropical que vá à bardamerda. Só não vou mais longe por respeito à mãezinha e porque já nos bastam os desaforos sexistas do calvinista holandês.

E já agora, pode mudar o nome do Teatro Municipal Baltazar Dias para Saláo de Espectáculos Kátia Aveiro, bem como o Madeira Business Center, mais conhecido por zona franca da Madeira para Cais Paulo Núncio Business Center, dando expressão ao um movimento de opinião que considera essa mudança o mínimo que a Madeira pode fazer em agradecimento a um político generoso e que deu mais lucro á região do que os pontapés do Cristiano.

 Toponímia a prazo

Parece que os nomes das ruas, infraestruturas e monumentos passaram ser a prazo, pelo seria conveniente que o governo decidisse de quantos em quantos anos se mudam os nomes dos aeroportos.

 Qual é o verdadeiro busto de Ronaldo?





 Fernando Santos

A crer na opinião da selecção de futebol a equipa perdeu no jogo do Ronaldo porque jogou em auto-gestão, quem ouviu o treinador é bem capaz de pensar que a entrevista foi dada a parir de Lisboa e que a equipa jogou no Funchal sem qualquer orientação do seleccionador.

      
 Um dia difícil para Carlos Costa
   
«O Banco de Portugal (BdP) reviu em alta as suas perspetivas para o crescimento da economia portuguesa entre 2017 e 2019. As projeções divulgadas esta quarta-feira apontam para um crescimento do PIB de 1,8% este ano, 1,7% em 2018 e 1,6% em 2019.

Estes valores traduzem uma melhoria de 0,4 pontos percentuais este ano, 0,2 pontos percentuais em 2018 e 0,1 pontos percentuais em 2019, em relação ao previsto pelo BdP em dezembro.

"A economia portuguesa deverá manter uma trajetória de recuperação ao longo do horizonte de projeção, apresentando um ritmo de crescimento em linha com o atualmente projetado para o conjunto da área do euro", lê-se no documento do BdP.» [Expresso]
   
Parecer:

Com Passos Coelho a desejar que o país seja vergado a um segundo resgate não deverá ser fácil ao governador do BdP dar boas notícias. Longe vão os tempos em que o governador era um apoiante militante da política de austeridade brutal.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»

quarta-feira, março 29, 2017

E tudo o resto é Ronaldo

Depois de uma gloriosa vitória no Estádio Nacional da Luz a seleção seguiu em romaria para o Funchal, cidade que está para a nação futebolística dos dias de hoje, como a aldeia de Aljustrel, em Fátima, está para a nação religiosa, ambas unidas na pessoa de um presidente que reúne todas as qualidades requeridas a um bom português, adepto da bola e crente na Nossa Senhora. 

Há outras qualidades exigidas aos tugas e nesse capítulo é sabido que o presidente também já levou várias de mão, mas agora não convém falar dessas coisas, não vá estar por aí o calvinista Jeroen Dijsselbloem a ouvir, vindo de um mafarrico protestante é bem provável que concluísse que um país que gasta dinheiro a construir santuários e a vender velinhas não via longe.

Mas enquanto não chega a peregrinação à Cova de Iria o povo peregrinou em direção ao Funchal, onde se uniu em torno desse grande português, a quem devemos as poucas alegrias que tivemos na última década. Se na semana passada as televisões foram a Aljustrel entrevistar as sobrinhas netas dos pastorinhos, hoje convertidas em vendedoras de santinhos, nesta semana em vez da casa pobre das Jacinta e irmãos fomos ver o campo dos andorinhas, o bairro da Quinta do Falcão, o mais pobre do Funchal como convém a um herói nacional.

Desta vez a vedeta não foi o Marcelo mas sim os Aveiro, lá vimos a Dona Dolores Aveiro com os seus óculos escuros dignos de uma capa da Holla, a Georgina já teve direito a destaque digno de uma princesa de Bragança e ainda o Cristianinho que faz esquecer os filhos do D. Duarte. Desde a padeira de Aljubarrota que a populaça pobre não dava uma heroína nacional da estirpe das Dona Dolores ou mesmo da Kátia Aveiro. Quando a procissão regressar e se dirigir para a Cova de Iria, poderia fazer como agora, depois do jogo de Fátima, onde em vez de três golos dos suecos vamos ganhar em santinhos por três a zero, podia muito bem dar um pulinho a Aljubarrota e mudar o nome do Convento de Aljubarrota para Convento Dolores Aveiro.

O que estraga tudo é o nome um pouco espanholado, que não combina nada com a batalha onde demos uma grande coça aos castelhanos. Mas se é verdade que Portugal só tem lugar no mapa e assento na Assembleia Geral da ONU graças às bolas de ouro do Ronaldo, também é verdade que a espanholada nunca ouviu falar da Padeira de Aljubarrota, aliás, duvido que conheçam algum padeiro ou padaria local ou que tais personagens os irrita. O que os irrita mesmo é a Dona Dolores, o símbolo do orgulho tuga em Espanha.

Hoje todos devemos agradecer a Ronaldo e como o presidente do governo regional da Madeira garante que quem decide o nome do aeroporto é ele porque foi a Madeira que o pagou, Marcelo e Costa deviam fazer mais uma reunião, talvez amanhã quinta-feira, para decidir construir mais um aeroporto, desta vez em Santana, uma grande cidade já servida por uma autoestrada e que merece um aeroporto, quanto mais não seja para que os colonialistas paguem à ilha uma pequena parte do que lhe devem, a crer naquilo que dizia o Alberto João, então padrinho do agora pobre e mal agradecido sucessor.

Aliás, Portugal devia prestar todas as homenagens ao melhor pé quente do mundo, já não vou tão longe e sugerir a mudança do país para Ronaldolândia, mas o Teatro Dona Maria tinha um ar mais moderno e menos salazarista se passasse a chamar-se Sala de Espetáculos Kátia Aveiro. O Parque da Serafina passaria a Parque Cristianinho e a Torre de Belém devia passar a chamar-se Torre Ronaldo e ter uns neons tão luminosos que os estrangeiros que visitam Lisboa o conseguissem ler quando estivessem junto ao Forte do Bugio.

Umas no cravo e outras na ferradura




 Jumento do Dia

   
Passos Coelho

Reconhecidamente um devoto do belzebu o líder do PSD não desiste das suas diatribes, primeiro acabou com BES, depois preparou a venda do Novo Banco, até foi um dos seus secretários de Estado que ficaram encarregues de preparar essa venda, agora e porque está convencido de que o PCP e o BE inviabilizarão a venda prepara-se para mais uma das suas peixeiradas.

Este Passos Coelho é burro que nem uma parede, ainda não percebeu que cada vez ue se arma em parvo o seu partido desce 1% nas sondagens. Ainda bem que não há pena nem para as tentativas de suicídio político, nem para a eutanásia de partidos, o que Passos Coelho está fazendo é promover a sua cremação e a destruição do seu partido.

O desespero está levando Passos Coelho a cometer asneiras a um ritmo quase diário.

«Delegações de deputados do PSD, do PCP e do BE reuniram-se na manhã desta terça-feira com o Governo. Pelo menos o PSD encontrou-se com uma equipa que incluía o ministro das Finanças para debater o processo do Novo Banco (mas não estava presente o governador do Banco de Portugal, como esteve nas reuniões que antecederam a resolução do Banif). O encontro foi convocado na segunda-feira à tarde, confirmando uma informação que tinha sido veiculada no domingo pelo comentador da SIC, Marques Mendes.

Segundo uma fonte oficial do PSD, “o Governo solicitou um encontro com o propósito de fornecer informação sobre o processo de venda do Novo Banco. Caberá, naturalmente, ao governo esclarecer em concreto sobre a informação que deseja comunicar publicamente”, afirmam os sociais-democratas. O PSD explica apenas que o Governo não pediu ao seu grupo parlamentar para suportar a solução encontrada, dando a entender que o PS terá de garantir a viabilidade da decisão que vier a ser tomada através da solução governativa:

"O PSD esclarece apenas que não foi solicitado pelo governo ao PSD qualquer apoio para a decisão que pretende tomar, e que o governo, como é por demais sabido, dispõe de maioria parlamentar para suportar as suas escolhas políticas mais importantes.”» [Observador]

 As melhores imagens do ano da SONY



(Aqui)

      
 Baby boom na Islândia
   
«No final do último Barcelona-PSG para a Liga dos Campeões, que terminou com uma fantástica reviravolta dos catalães, Gerard Piqué levou os comentários sobre o triunfo para outro nível: “Para quem nos queria ver fora da Champions, será uma noite dura mas amanhã o sol voltará a nascer. Já os hospitais de Barcelona deverão começar a contratar mais enfermeiras para daqui a nove meses porque as pessoas vão fazer hoje muito amor nesta cidade”.

Todos acharam piada à tirada do mediático internacional espanhol casado com a cantora Shakira. Mas não é que ele pode mesmo ter razão? Ora então vejamos o que aconteceu à Islândia: de acordo com Asgeir Petur Thorvaldsson, médico no Hospital Universitário de Landspitali, em Reiquiavique, o país acaba de bater o recorde de epidurais administradas nos hospitais, nove meses depois da vitória da equipa de futebol frente a Inglaterra por 2-1 nos oitavos-de-final do Campeonato da Europa de 2016, em França. Se dúvidas ainda existissem, essa noite de 27 de junho, em Nice, não mais será esquecida. E as razões para tal estão à vista.» [Observador]
   
Parecer:

É uma pena que não tivessem tido motivos para muito mais.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»
  
 Mais chefes do que índios
   
«Apesar de a lei exigir, no mínimo, um rácio de 10 trabalhadores por cada coordenador, os recursos humanos da Direção-Geral da Segurança Social (DGSS) tinham em setembro de 2015 um chefe para cada 4,5 funcionários. Os resultados da auditoria da Inspeção-Geral de Finanças (IGF) à DGSS, aprovada a 9 de fevereiro passado, divulgados hoje pelo Dinheiro Vivo (nas edições do DN e do JN) dão conta até da existência de dois casos concretos em que duas coordenadoras técnicas chefiam um e três funcionários respetivamente.

Mais atropelos à lei: quatro técnicos superiores e duas coordenadoras técnicas beneficiam do regime de isenção de horário de trabalho sem cumprirem os requisitos necessários. E todos os trabalhadores gozam de oito horas de dispensa mensal, e têm ainda direito à folga nos dias de aniversário. “Esta situação traduz-se no benefício adicional de mais 12 dias anuais de não trabalho (que acrescem aos dias de férias) e tem um impacto financeiro anual superior a 47 mil euros (apenas considerando os técnicos superiores)”, diz o relatório da auditoria, citado pelo DN.» [Observador]
   
Parecer:

Esperemos que tudo isto se traduza em eficácia.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»

 Só super equipas
   
«A Procuradora-Geral da República (PGR) quer alterar a forma como se investigam os crimes económicos e financeiros em Portugal, criando para isso “superequipas” de magistrados de diferentes áreas, refere o Diário de Notícias. Contactado pelo jornal, o gabinete de Joana Marques Vidal frisou que “um dos aspetos é justamente a necessidade de criação de equipas que, tendo um coordenador, integrem vários magistrados de diversas jurisdições”.

A ideia é que as investigações passem a integrar vários magistrados do Ministério Público que tenham experiência em todas as fases do processo (desde a fase de inquérito ao julgamento), permitindo “a análise da prova e dos indícios recolhidos na perspetiva da intervenção especializada, integrada, coordenada e articulada”, explicou o gabinete da PGR. Por exemplo, no caso de uma investigação na área da contratação pública, poderá reunir-se um grupo de magistrados do Departamento Central de Investigação e dos tribunais Administrativos e Fiscais ou do Tribunal de Contas.» [Observador]
   
Parecer:

Também dava jeito super prazos, super alexandres, super escutas, super denuncias e outros métodos super.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se á senhora pelos resultados.»

 Está o caldo entornado no Reino Unido
   
«O parlamento da Escócia aprovou esta terça-feira uma moção - com 69 votos a favor e 59 votos contra - que solicita ao Governo de Londres a realização de um novo referendo sobre a independência.

O parlamento alinha assim com as intenções da primeira-ministra escocesa, Nicola Sturgeon, numa decisão inédita que pode significar a saída da Escócia do Reino Unido.

Nicola Sturgeon, depois de ouvir Theresa May proferir a intenção de abandonar o mercado único europeu e de limitar a entrada de imigrantes provenientes da União Europeia, avisou que um referendo sobre a independência do país seria “inevitável”, uma vez que o plano da sua homóloga britânica era “economicamente catastrófico”.» [Notícias ao Minuto]
   
Parecer:

Depois de um Brexit vamos ter um Scotix?
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Espere-se para ver.»


terça-feira, março 28, 2017

2,06%!

Esgotados os argumentos para esconder a azia por ver o governo controlar o défice sem ter de adotar um Plano B onde se previa que seriam tirados de novo os escalpes dos grupos profissionais e sociais que Passos Coelho detesta, o líder do PSD, fazendo prova da sua pequenez, veio com um argumento brilhante para desvalorizar o trabalho de Mário Centeno. Afinal, o défice de 2,1% não tinha sido o mais reduzido alcançado pelos governos em democracia.

Portanto, como a dupla maravilha formada por Cavaco Silva e Miguel Cadilhe tinha alcançado tal meta em 1989 o trabalho de Centeno não tinha qualquer valor. Como seria de esperar, o vaidoso Miguel Cadilhe veio logo a público confirmar, o Cristiano Ronaldo dos défices era ele, se havia algum troféu défice de ouro dever-lhe-ia ser entregue. Quanto à minudências da centésimas é coisa que não serve para comparações.

Neste ambiente de miséria humana o debate prosseguiu, se Centeno conseguiu 2,06% contra os 2,14% de Miguel Cadilhe, sem ter podido contabilizar num ano a receita de IRS de dois, Cadilhe responde que o défice não importa, ele ganha a Centeno no que toca à evolução da dívida. Como era de esperar meio mundo jornalístico foi investigar os factos e elaborara as mais complexas análises.

A verdade é que tudo isto é ridículo, como o é as mais variadas tentativas de desvalorizar o trabalho do ministro das Finanças. Cadilhe diz que a dívida aumentou mas a verdade é que não foi consequência do défice ou de decisões políticas do governo. Dizem que não houve crescimento público, mas a verdade é que mesmo em esse investimento público a economia cresceu. 

Mas o facto mais relevante deste resultado nem está na comparação das centésimas, a verdade é que foi possível reduzir o défice a um valor quase abaixo dos 2% sem discursos dramáticos apoiados nas entrevistas do representante do FMI, sem penhoras e vendas de casas de habitação, sem perseguição e marginalização de grupos sociais e profissionais, sem chantagens sobre a oposição.

Conseguir um défice de 2,06% não é difícil, o difícil é consegui-lo com crescimento económico, com paz social, sem planos B, com devolução de rendimentos que foram prometidos sem objetivos eleitoralistas e a troco de sucessos fiscais, com diálogo social e com o boicote sistemático de uma oposição que nem se deu ao trabalho de participar nos debates orçamentais, optando por uma estratégia de chacota e gargalhadas.

Umas no cravo e outras na ferradura




 Jumento do Dia

   
Assunção Cristas, doente de azia

AS líder do PSD parece estar a sofrer de uma crise de azia pois mostra que não sabe como há-de criticar um governo que sem provocar uma recessão, sem orçamentos rectificativos, sem um presidente banana, sem desrespeitar a Constituição e sem a chantagem permanente sobre o país consegue fazer reduzir o défice abaixo dos 2,1%.

Cristas parece não perceber que este discursos faz passar a mensagem de uma política que desejava que tudo corresse mal ao país, confirmando-se as priores previsões dos que estavam convencidos de que 2016, depois da saída porquinha, seria o ano do segundo resgate. A verdade é que a direita não só apostava num segundo resgate, como o adiou para 2016 para inventar uma saída limpa com objectivos eleitorais. Não admira tanta azia e incapacidade de aceitar a realidade.

«"Fizemos a conta e verificamos que se o Governo tivesse executado a despesa que devia ter executado, e muitos disseram que o Orçamento era irrealista, o défice teria ficado em 3,7%, não 2,1%", afirmou Assunção Cristas aos jornalistas, no final de uma visita à unidade de cuidados continuados da cooperativa social CERCITOP, em Algueirão, no concelho de Sintra.

Para a líder centrista, este cálculo ilustra "aquilo que o CDS tem vindo a sinalizar durante todo o ano: um garrote enorme nos serviços públicos, cativações que são cortes cegos na despesa, uma quebra brutal no investimento público, tem vindo a afetar muitas e muitas áreas", como a da saúde.

Assunção Cristas expressou preocupação com as condições de funcionamento de unidades de cuidados continuados, como a "unidade de excelência" que visitou hoje, apontando o "garrote financeiro" provocado pela falta de "atualização das verbas comparticipadas pela Segurança Social e pelo Ministério da Saúde", o aumento do salário mínimo nacional.» [DN]

      
 Os soldados já não são como antigamente
   
«Para o capitão, que foi comandante de companhia do curso 127 dos Comandos e que vai ser interrogado como arguido nesta segunda-feira, no âmbito do inquérito-crime às mortes de dois recrutas, um dos quatro grupos da instrução, o dos graduados, “era constituído por instruendos na sua generalidade de médio/baixo” nível quanto à “parte física”. Foi esta a "avaliação empírica” feita pelo próprio capitão quanto foi interrogado por um oficial no contexto do processo interno que o Exército desencadeou para apuramento de responsabilidades.

A avaliação do capitão surgiu também como resposta à evolução do grupo de graduados neste curso, marcada por sete desistências, seis das quais registadas logo nos dois primeiros dias da prova. Além dos dois instruendos que morreram, um alferes foi internado no Hospital das Forças Armadas e não mais regressou à instrução na Carregueira. Além do capitão, é esta segunda-feira interrogado no Departamento de Investigação e Acção Penal de Lisboa um tenente-coronel suspeito de não ter acatado as ordens do general comandante das Forças Terrestres que mandara suspender a recruta.» [Público]
   
Parecer:

Grande comandante, os seus soldados morreram e respeita a sua memória dizendo que eram fracos.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Diga-se ao garboso e miserávcel oficial que fraca é a tia dele.»
  
 Marques Mendes é porta-voz do BdP?
   
«A venda do Novo Banco (NB) fica decidida até sexta-feira mas o ministro das Finanças omitiu "um problema que se arrasta há semanas" e mantém o processo num impasse, afirmou Luís Marques Mendes este domingo.

O comentador da SIC, contrariando a posição expressa por Mário Centeno de que o dossier estava a correr bem, lembrou que a Comissão Europeia se opõe a que o Estado fique com 25% do capital do NB e que a tutela assumira o compromisso de vender a totalidade da sua posição.» [DN]
   
Parecer:

Começa a ser tempo de Carlos Costa informar se contratou Marques Mendes para porta-voz do BdP no negócio d NB.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Questione-se o governador do BdP sobre a facilidade com que Marques Mendes sabe de todos os pormenores do negócio.»

 Malditas centésimas
   
«O ministro das Finanças Mário Centeno fez questão de dizer que 2,1% trata-se de um arredondamento. “Sabemos hoje que o défice em 2016 foi de 2,06% do PIB. Este é o valor mais baixo da nossa história recente, da nossa história democrática”, disse o governante na última sexta-feira, dia em que saíram os dados do INE. Perante esta nuance, Cadilhe — sem especificar qual o valor, à centésima, no seu ano — limita-se a dizer ao Observador: “Valha-nos Deus, dispensem o povo das centésimas da percentagem“.» [Observador]
   
Parecer:

Parece que Cadilhe não quer desempates por centésimas, é óbvio que se fizer as contas a 1989 dificilmente conseguirá descer aos 2,06%. Aliás, Cadilhe sabe muito bem que os valores de 1989 resultam da dupla contabilização do imposto sobre o rendimento de pessoas singulares num montante bem superior, em peso do PIB, que o resultante do PERES. Além disso o défice de 1989 foi de 2,13%, isto é, 0,07% acima do alcançado em 2016.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se a Cadilhe qual foi o valor exacto do défice de 1989.»

 Zangam-se as comadres
   
«Se havia algum tipo de período de nojo entre o PSD e o CDS antes de quebrar de vez o cordão umbilical que foi a coligação Pàf, esse período acabou. O nojo para evitar ataques foi trocado pelo nojo em não concretizá-los.

Depois de Assunção Cristas afirmar este sábado, em entrevista ao semanário SOL, que daria o mínimo de faltas possível caso fosse somente eleita vereadora à Câmara Municipal de Lisboa, o PSD tomou-o como ofensa e reagiu.

É que Teresa Leal Coelho, a candidata dos sociais-democratas à autarquia da capital, faltou a mais de um terço das reuniões de Câmara enquanto vereadora, entre 2013 e 2017 – o ano em que se repetem as eleições locais.

Na referida entrevista, Cristas afirmou também: “Se não tivéssemos feito nada durante quatro anos, certamente que seria muito difícil termos uma candidatura forte em Lisboa”. Tal foi também interpretado como uma declaração algo provocatória por parte da presidente do CDS, tendo em conta o estilo de oposição discreto que o PSD demonstrou perante o executivo camarário de Fernando Medina.» [i]
   
Parecer:

Enfim, casa onde não há pão... Era óbvio que sem expectativas de poder os pafiosos acabassem com a aliança para disputar os votos que lhe resta e, pelo que se vê, a Cristas arrisca-se a derrotar Passos.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Reserve-se lugar na primeira fila.»

 O nosso DAESH
   
«As agressões a homens e aos idosos estão a ganhar mais expressão nas estatísticas, mas o retrato-tipo da vítima de crime ainda se escreve no feminino: 82% são mulheres, com uma idade média de 50 anos. Em 2016, conta o relatório anual da Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV), foram agredidas em média 14 mulheres por dia. Dá 100 mulheres por semana, 5226 no total daquele ano.

São números que, ainda assim, traduzem um ligeiríssimo decréscimo relativamente a 2015, ano em que 5291 mulheres foram vítimas de violência (101 por semana). A maior parte dos crimes de que são alvo são cometidos em contexto de violência doméstica.

“As situações que chegam à APAV são cada vez mais complexas e requerem um maior número de atendimentos. Com a crise que nos últimos anos assolou o país, as instituições de apoio, como as casas abrigo para vítimas de violência doméstica, são mais demoradas nas respostas e, por outro lado, as vítimas — normalmente uma mulher que tem um ou dois filhos — têm mais dificuldades em autonomizar-se do agressor e em sustentar-se sozinhas uma casa”, compara Elsa Beja, assessora técnica da direcção da APAV.» [Público]
   
Parecer:

Uma vergonha.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Combata-se o fenómeno.»

segunda-feira, março 27, 2017

Vade retro satana

Para “autorizar” o PS a formar governo Cavaco Silva fez um conjunto de exigências, lembrando os tempos em que a maioridade era atingida aos 21 anos e os pais autorizavam a emancipação aos 18 para que os filhos pudessem tirar a carta. Curiosamente, nesse tempo era possível ser voluntário nas forças armadas e depois de uma recruta apressada estar na frente de combate na guerra colonial.

A geringonça foi uma espécie de governo de um PS emancipado por Cavaco Silva, como se fosse um jovem voluntário ou condutor todos apostavam numa morte precoce. Passos Coelho ria à gargalhada das intervenções de Mário Centeno na sua primeira ida ao parlamento. Toda a direita apostava numa queda rápida e com estardalhaço do governo de António Costa, Passos nem desfez as malas que trouxe de São Bento e Assunção Cristas andou a fazer de conta que ainda devia obediência ao presidente do PSD.

Até setembro do ano passado a direita estava convencida de que a geringonça levaria o país ao desastre, o problema não eram os juros, o investimento ou o crescimento económico, eram apenas as contas públicas. Um mau desempenho das receitas e o aumento descontrolado da despesa levariam ao ambicionado segundo resgate. 

Passos Coelho tudo fez para forçar o governo a manter as suas medidas de política económica, estava convencido de que regressaria ao poder muito em breve, gostava de reencontrar os cortes de vencimentos e de pensões tal como os tinha deixado. A confiança no desastre era tal que hoje se sabe que Passos nem se deu ao trabalho de pensar nas autárquicas, estava convencido de que antes dessas eleições haveria lugar a eleições legislativas antecipadas.

Mas a execução orçamental de setembro foi um “Vade retro Santana”, ao contrário do que o então primeiro-ministro no exílio o mafarrico não apareceu, os seus sonhos de regresso em glória ao poder transformaram-se num pesadelo. Começou então a sua luta contra o tempo, deixou de ter vontade de rir até às lágrimas de Mário Centeno, até deve ter percebido que o ministro das Finanças tinha mais conhecimentos de política económica no dedo mindinho do que a sua Maria Luís em todos os neurónios.

Tudo corria mal, a economia começava a crescer, a despesa estava controlada, o BCE continuava a intervir no mercado financeiro, continuava em queda nas sondagens e se o mafarrico não apareceu quem andava agora por aí a infernizar-lhe a vida era o Rui Rio. Ainda por cima o Centeno somava vitórias, tinha resolvido o problema do BANIF, sobreviveu à falsa crise da TSU, conseguiu o apoio de Bruxelas para a recapitalização da CGD e quando enfrentava a guerrilha de Passos na questão das mensagens SMS rebenta o escândalo das off shore.

Agora é Passos que precisa de ir à bruxa ou de fazer uma sessão de exorcismo berrando ao belzebu “Vade retro satana / Numquam suade mihi vana”, “Afasta-te, Satanás / Nunca me tentes com coisas vãs”. Passos está pagando com língua de palmo ter rido até às lágrimas no primeiro dia em que Centeno foi ao parlamento, esse foi o primeiro dia do fim da sua carreira política.

Umas no cravo e outras na ferradura




 Jumento do Dia

   
Passos Coelho, político ressabiado

Alguém devia dizer a Passos Coelho que as receitas fiscais de 2016 foram penalizadas pela vigarice que promoveu ao prometer o reembolso da sobretaxa, a vigarice foi montada à custa do atraso de centenas de milhões de euros que foram atrasados e que em vez de serem processados em 2015 foram contabilizados nas contas de 2016. Passos devia ter vergonha na cara e ficar calado.

O espectáculo que Passos Coelho tem dado começa a ser deprimente, pela primeira vez o país vê um político a desejar que haja um segundo resgate, que durante meses se esqueceu das autárquicas convencido de que em Setembro viria o diabo do segundo resgate e agora, que tudo lhe correu mal, não dorme para encontrar argumentos para desvalorizar quem com competência demonstrou que a sua austeridade não passou de uma canalhice ideológica.

Se o governo tivesse no ministério das Finanças alguém da estirpe de Maria Luís Albuquerque teria procedido ao processamento ainda em 2015 dos reembolsos do IVA que foram abusivamente retidos por Paulo Núncio para viciar as contas das receitas fiscais desse ano, criando a ilusão de que haviam condições para devolver parte da sobretaxa do IRS.

Se Mário Centeno pertencesse à escola de velhacaria de Passos Coelho teria colocado o défice de 2015 acima dos 3% e o défice de 2016 teria ficado abaixo dos 2%. Passos Coelho e Maria Luís Albuquerque não se teriam gabado dos resultados de 2015 e agora estariam caladinhos e sem argumentos miseráveis e desonestos para desvalorizar os resultados que o país consegue.

É vergonhoso a forma oportunista e sem escrúpulos como Passos Coelho usa a honestidade de Centeno em seu favor.

«O líder do PSD, Pedro Passos Coelho, afirmou neste sábado estar "satisfeito" com a possibilidade de Portugal sair do Procedimento por Défice Excessivo, mas recusou que este seja o valor "mais baixo em democracia", como defendeu o Governo.

"Em 1989, quando era ministro das Finanças o Dr. Miguel Cadilhe e primeiro-ministro Cavaco Silva, o défice público português também foi de 2,1%. Não se trata portanto do valor mais baixo da democracia", disse Passos Coelho aos jornalistas, à margem do congresso do partido cristão-social do Luxemburgo (CSV), em que participou.

Segundo o líder do PSD, nessa altura o défice "beneficiou de uma alteração fiscal (...) que em circunstâncias normais não ocorre", considerando que o valor agora alcançado pelo executivo de António Costa também foi conseguido "à custa de medidas extraordinárias".

"Este Governo faz, mesmo com medidas extraordinárias, um foguetório imenso porque passou de 3% para 2,1%", criticou Passos Coelho.» [Público]




 Passos ainda andará com vontade de rir, ou só de chorar?


Há notícias que vale a pena reler e que por si só dispensam qualquer comentário. É o caso desta notícia saída no Expresso, a propósito da forma como Passos Coelho se comportou na primeira ida de Centeno ao parlamento. Este é o mesmo deputado que anda por aí armado em primeiro-ministro no exílio e que revela uma grande sensibilidade sempre que António Costa fala.

Vale a pena ler a notícia, ver como se comportou Passos e os dois deputados do PSD que se sentavam ao seu lado e comparar com tudo o que sucedeu posteriormente, designadamente a crise no BANIF e os resultados orçamentais que agora desvalorizam de forma hipócrita.

«Genericamente sisudo durante todo o debate, Pedro Passos Coelho começou a soltar-se, com ares de diversão, quando o ministro das Finanças pediu cuidado com a banca. Em resposta a uma pergunta da bancada do BE sobre o mau momento do sistema financeiro, Centeno alertou para a sensibilidade e importância do sector. Passos riu com gosto.

Aliás, Mário Centeno não só endossou à Europa respostas sobre o Banif como replicou os argumentos que o governo de direita sempre usou quando era questionado sobre o Novo Banco: não deve ser o poder político mas sim o Banco de Portugal e o fundo de resolução a vigiarem a situação. Passos riu mais.

Ao lado do ex-primeiro-ministro, Luís Montenegro e Marco António Costa engrossavam a onda. E riam. Já antes se tinham divertido quando Cecília Meireles, do CDS, se referiu ironicamente ao cenário macroeconómico de Centeno como algo "muito científico" e fez uma enxurrada de perguntas do estilo -que previsão para o crescimento do PIB? E para a criação de postos de trabalho? ... - que o ministro deixou genericamente sem resposta.

Centeno chutou a conversa para o debate do Orçamento do Estado. E Passos teve de tirar os óculos para limpar as lágrimas.

Mas se o ex-primeiro-ministro terminou à gargalhada, não achou piada nenhuma ao arranque do discurso do sucessor de Maria Luís Albuquerque nas Finanças. O ministro desvalorizou em absoluto a saída limpa de Portugal do resgate - "um resultado pequeno para uma propaganda enorme" - e, nessa altura, Passos exibiu uma expressão de verdadeira indignação.

"Foi um momento de extrema infelicidade, revela falta de consideração pelos portugueses afetados pela bancarrota socialista e pelos gregos que não tiveram saída limpa e sabem o que sofreram com isso", afirmaria pouco depois o deputado Miguel Morgado, ex-assessor de Passos Coelho em São Bento.O passado não larga o duelo direita/esquerda.» [Expresso de 02-12-2015]

 Quando era o mau tempo que impedia o investimento


Até o Sôr Álvaro se fartou de rir, até parecia o Passos Coelho:


      
 O holandês, os discípulos e a morte lenta
   
«Dijsselbloem disse umas boçalidades. Umas boçalidades que, por vezes, uns copos a mais desencadeiam. Porém, há que admitir que mesmo com uma carraspana das antigas, ser racista xenófobo e misógino não é algo respeitável. Mas, conhecendo nós as manigâncias dos néctares, podemos dar um desconto. O mais provável é que o cidadão, depois de o álcool ser substituído pelo gosto a papel de música na boca e dor de cabeça, bata no peito e declare que teriam sido os copos a falar, uma espécie de Dijsselbloem de Schäuble, ou seja, um boneco de ventríloquo.

Só que o presidente do Eurogrupo não estava bêbado. E não parece que existam resquícios de álcool no sangue das pessoas que acham que as razões da crise financeira se devem a alguns países europeus terem vivido acima das possibilidades, uma maneira mais polida de dizer que se andou a gastar em copos e mulheres - esqueçamos a forma como o holandês pensa que se estabelecem relações com pessoas do sexo feminino. Aliás, um dos efeitos das declarações do holandês, foi nesta semana termos podido constatar uma espetacular inflexão nas convicções de muitíssimos homens e mulheres. Aqueles que encheram a boca com os desmandos dos perdulários beneficiários do RSI, dos malandros que preferiam receber o subsídio de desemprego a trabalhar, a destratar os supostos compradores de plasmas e carros de luxo, num país que tem um milhão de trabalhadores a receber o salário mínimo e onde o ordenado médio são cerca de 780 euros mensais, e que agora apareceram a revoltar-se com o bom do Dijsselbloem. Ao menos o discurso do homem deu para nos rirmos com tanto colunista e político a desdizer hoje o que jurava ontem.

Esqueçamos as boçalidades do holandês. O pior do seu discurso é a ignorância sobre as origens da crise por que passamos e continuamos a passar. E prefiro acreditar que é ignorância. Como sabemos, o holandês e os seus, insisto, até agora discípulos portugueses desprezam o que foi a crise financeira internacional e o efeito que estas crises têm nos países mais frágeis - e que por uma razão ou outra, estes ou outros, sempre existirão. O papel determinante do desmando das instituições financeiras norte-americanas, a arquitetura institucional do euro que, de facto, fez que as economias dos países europeus mais fortes e exportadores crescessem e as dos mais frágeis estagnassem, o que as taxas de juro baixas produziram nos tecidos económicos, o que foram os incentivos a um maior endividamento em economias como a nossa em que as empresas estão endemicamente sobre-endividadas, foi tudo praticamente esquecido face à explicação fácil do gastar acima das possibilidades ou, lá está, copos e mulheres.

Agora, pense-se que o nosso holandês é uma das mais importantes figuras do projeto europeu. A pergunta parece óbvia: como é possível acertar na solução quando não se percebeu o problema? Nada do que disse o presidente do Eurogrupo é novidade e muito menos é desconhecida a sua origem ideológica. Ele é social-democrata, logo, um homem de esquerda. Mais, o seu discurso pretendia defender que a sua visão era a que melhor defendia a linha social-democrata.

Ou seja, somos pela enésima vez recordados que o que divide a Europa está muito longe de ser uma cisão ideológica clássica esquerda/direita. A divisão está feita em redor de preconceitos, de moral e de interesses dos vários eleitorados nacionais. Mais uma vez trago à colação os nossos apoiantes locais da linha Schäuble. Foi dito e redito por eles que quem não alinhava pela tese do "viver acima das possibilidades" não passava de um esquerdista radical. E isso era dito mesmo quando era claro que a divisão era entre quem defendia uma tese punitiva de origem moral sobre os países periféricos, que só queriam coisa e tal e vinho verde, e quem gastava mais um bocadinho de tempo a analisar o que de facto se tinha passado e se baseava em factos e estudos e não em dichotes e slogans. O extraordinário foi assistir a pessoas que vivem neste país, que deviam conhecer a nossa realidade a vestir a pele dos que acham que merecemos ser castigados por sermos uns valdevinos. Assim, incorporado por nós o discurso, foi ainda mais fácil convencer os eleitorados do Norte da Europa de que estariam a subsidiar desperdício e a preguiça, quando a realidade é que as razões da nossa crise estão fortemente ligadas a fenómenos económicos que os beneficiaram e que, de facto, nos prejudicaram - bem como as respostas.

Dijsselbloem disse o que disse na semana em que se comemoram os 60 anos da assinatura do Tratado de Roma. Não há dúvida, não havia melhor altura para mostrar no que o projeto europeu se transformou. A ideia de solidariedade entre os povos está em grande parte mudada para um conflito permanente entre os interesses de cada uma das comunidades; os preconceitos morais continuam a crescer e a crise, em vez de os diluir, fê-los crescer; mas o maior problema é a sensação cada vez mais profunda de que não há noção de destino comum. E sem esse sentimento qualquer projeto do género do europeu está condenado ao desaparecimento.

Hoje por hoje, a União Europeia ainda é algo para que se olha e se sente que mesmo com todos os problemas ainda vale a pena, mas continuando no caminho que tem calcorreado sobra a pergunta: até quando?» [DN]
   
Autor:

Pedro Marques Lopes.

      
 Passos tenta desvalorizar o défice de 2,11%
   
«O líder do PSD, Pedro Passos Coelho, afirmou neste sábado estar "satisfeito" com a possibilidade de Portugal sair do Procedimento por Défice Excessivo, mas recusou que este seja o valor "mais baixo em democracia", como defendeu o Governo.

"Em 1989, quando era ministro das Finanças o Dr. Miguel Cadilhe e primeiro-ministro Cavaco Silva, o défice público português também foi de 2,1%. Não se trata portanto do valor mais baixo da democracia", disse Passos Coelho aos jornalistas, à margem do congresso do partido cristão-social do Luxemburgo (CSV), em que participou.

Segundo o líder do PSD, nessa altura o défice "beneficiou de uma alteração fiscal (...) que em circunstâncias normais não ocorre", considerando que o valor agora alcançado pelo executivo de António Costa também foi conseguido "à custa de medidas extraordinárias".

"Este Governo faz, mesmo com medidas extraordinárias, um foguetório imenso porque passou de 3% para 2,1%", criticou Passos Coelho.» [Público]
   
Parecer:

Alguém devia dizer a Passos Coelho que as receitas fiscais de 2016 foram penalizadas pela vigarice que promoveu ao prometer o reembolso da sobretaxa, a vigarice foi montada à custa do atraso de centenas de milhões de euros que foram atrasados e que em vez de serem processados em 2015 foram contabilizados nas contas de 2016. Passos devia ter vergonha na cara e ficar calado.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Vomite-se.»
  
 Peixeirada na justiça
   
«Uma juíza colocada há vários anos em Cascais apresentou em Fevereiro uma acção no Tribunal Administrativo e Fiscal de Sintra a pedir que seja anulada a atribuição de uma casa do Ministério da Justiça, em Cascais, à secretária de Estado adjunta e da Justiça, Helena Mesquita Ribeiro. A magistrada diz que a disponibilização da habitação à governante é ilegal.

Está em causa, diz na acção à qual o PÚBLICO teve acesso, uma casa que “sempre foi habitada por juízes a exercer funções na comarca de Cascais”. E o ministério confirma que sempre foi esta a sua utilização. Helena Mesquita Ribeiro não desempenha actualmente funções de magistrada, apesar de ser juíza de carreira. Tomou posse no actual Governo em Novembro de 2015.

A juíza que recorreu ao tribunal diz que o processo de atribuição da casa, localizada no centro de Cascais, tem várias ilegalidades e viola vários princípios, incluindo o da transparência. Algo que o Instituto de Gestão Financeira e Equipamentos da Justiça (IGFEJ), tutelado por Helena Mesquita Ribeiro, contesta, considerando a acção desprovida de fundamento.

Em resposta a várias perguntas do PÚBLICO, o ministério insistiu que “não existem casas de função especificamente destinadas a magistrados”, mas apenas “um conjunto de imóveis cuja gestão se encontra confiada ao IGFEJ e que se destina a fazer face às necessidades do ministério, sejam elas quais forem, em cada momento”. Questionada pelo PÚBLICO através da assessoria de imprensa do ministério, a secretaria de Estado não se pronunciou.» [Público]
   
Parecer:

Antigamente os juízes tinham casas de função, era um tempo em que a deslocação de um magistrado colocava problemas no que respeitava à habitação. Aliás, não era a única profissão que contava com esta facilidade, mas foi a única que conseguiu substituir a casa de função por um subsídio igual para todos, independentemente da colocação, ainda por cima livre de qualquer imposto.

Este subsídio é tão aberrante que até os funcionários que concorrem a juízes do tribunal de Contas, ou os magistrados de qualquer outro tribunal, beneficiam deste subsídio de residência, mesmo que o tribunal se situe do outro lado da rua. Como se isto não bastasse o subsídio é vitalício.

Uma juíza de Cascais que questiona a utilização de uma casa do ministério da Justiça, com base no argumento de que a magistrada que assumiu as funções de membro do governo deixou de ser juíza, esquece que com o seu espalhafato apenas está a trazer ao debate público uma situação que devia envergonhar a sua classe.

Independentemente do juízo de valor que se possa fazer deste caso é óbvio que estamos perante uma peixeirada.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Lamente-se.»

 Mais um banco público a precisar de recapitalização
   
«A lei que alargou a procriação medicamente assistida (PMA) a mulheres solteiras ou casadas com outras mulheres, em vigor há quase três meses, tornou ainda mais evidente a falta de dadores de esperma e de óvulos em Portugal. A nível nacional estão registados 24 homens como dadores e 42 mulheres dadoras no banco público de gâmetas. Mas o banco, sediado na Maternidade Júlio Dinis, no Centro Hospitalar do Porto, precisa de 350.

"Para fazer face às necessidades imediatas precisaríamos de cerca de 200 candidatos masculinos (considerando que cerca de 75% não serão dadores efetivos) e de pelo menos 150 dadoras efetivas", adiantou ao DN Isabel Sousa Pereira, diretora do Banco Público de Gâmetas.» [DN]