sábado, abril 29, 2017

Pequenas férias



Vou à terra.
Durante uma semana ocorrerão algumas perturbações neste modesto palheiro.

Umas no cravo e outras na ferradura



 Jumento do Dia

   
António Domingues, um rapaz muito leal e discreto

António Domingues é amigo de Lobo Xavier. Mário Centeno não é amigo de Lobo Xavier. A divulgação das mensagens SMS serviram para enaltecer Domingues e tramar Centeno. Mas Domingues diz que não deu a conhecer o conteúdo das mensagens a ninguém, isto é, teremos de concluir que foi Mário Centeno a fazer chegar o conteúdo a Xavier. Tudo bem, somos todos parvos e o único ser inteligente deste país é Domingues, uma qualidade comum a todos os que andaram na escola do MRPP.

«Questionado pelo deputado do PCP Miguel Tiago - que foi o único a trazer a matéria dos SMS à audição parlamentar de António Domingues - se teria partilhado as suas mensagens telefónicas com o comentador televisivo António Lobo Xavier, o anterior presidente do banco público negou.

"Eu não partilhei SMS com ninguém, quem conhece os meus SMS são os meus interlocutores e eu", assegurou, dizendo que afirmações que surgiram na praça pública sobre o conteúdo destas mensagens "não é verdade".

António Domingues foi ouvido na segunda comissão parlamentar de inquérito que visa esclarecer a actuação do actual Governo sobre a nomeação e demissão da anterior administração da Caixa, liderada por António Domingues.

Esta é a primeira audição da segunda comissão de inquérito à Caixa, pedida potestativamente (de forma obrigatória) por PSD e CDS-PP, que tem como um dos pontos centrais apurar se "é verdade ou não que o ministro [das Finanças] negociou a dispensa da apresentação da declaração de rendimentos [de António Domingues]", o que tem sido negado por Mário Centeno.» [Público]

 A voz do dono ou a voz do empregado?



 A posição de Passos Coelho sobre a dívida


      
 Uma péssima notícia para a direita
   
«A taxa de desemprego ficou abaixo dos 10% em Fevereiro, o que já não acontecia há oito anos. Os dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), divulgados nesta sexta-feira, mostram que o desemprego caiu para 9,9% em Fevereiro e a estimativa de Março aponta para 9,8%.

Em Fevereiro havia 508.300 pessoas desempregadas, tendo diminuído 1,9% em relação ao mês precedente (menos 9,9 mil pessoas), enquanto a população empregada foi estimada em 4.630.200 pessoas, tendo aumentado 0,5% (mais 22,6 mil pessoas) face ao mês anterior.

A estimativa provisória da taxa de desemprego para Março de 2017 foi de 9,8%.

Todos estes dados são corrigidos dos efeitos decorrentes da sazonalidade. Se não se tiver em conta a sazonalidade, a taxa de desemprego em Fevereiro ficou nos 10,2% e a estimativa para Março é de 10%.» [Público]
   
Parecer:

Ainda há poucos dias o FMI não acreditava.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se conhecimento ao diabrete de Massamá.»
  
 Pobre Passos
   
«O presidente do PSD, Pedro Passos Coelho, acusou esta sexta-feira do Governo de querer "deitar a mão" às reservas de dinheiro do Banco de Portugal (BdP) como "medida extraordinária" para "ajudar a compor os números do défice".

"Há uma intenção clara do Governo de poder ir deitar a mão às reservas, ao dinheiro que está no BdP para, como medida extraordinária, ajudar a compor os números do défice", disse Pedro Passos Coelho aos jornalistas, em Beja, durante uma visita à feira agropecuária Ovibeja.

Pedro Passos Coelho reagia ao relatório do grupo de trabalho formado pelo PS e pelo Bloco de Esquerda sobre a sustentabilidade da dívida portuguesa, que apresenta uma proposta de reestruturação em 31% para 91,7% do Produto Interno Bruto (PIB) e pede ao Governo "cenários concretos" de reestruturação para serem utilizados em discussões europeias.

Segundo o líder do PSD, "os subscritores do documento abdicam de fazer qualquer restruturação da dívida, e isso é bom, mas depois fazem algumas sugestões para políticas de curto prazo", as quais, "com exceção de uma, são ou erradas ou perigosas".» [Expresso]
   
Parecer:

O desespero é tanto que já não sabe como atacar um governo que é bem sucedido.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Tenha-se condescendência porque a pobre criatura está em sofrimento atroz.»

 De alternativa  a Passos a candidato autárquico falhado
   
«edro Duarte vai ser o cabeça-de-lista do PSD à Assembleia Municipal do Porto nas próximas autárquicas, a 1 de outubro. O antigo líder da JSD e ex-diretor da campanha presidencial de Marcelo Rebelo de Sousa aceitou o repto para dar a cara pelo partido nas próximas eleições e junta-se assim à candidatura de Álvaro Almeida que vai disputar a autarquia a Rui Moreira (que é apoiado por PS e CDS).

Pedro Duarte tem sido um dos poucos rostos do PSD a assumirem críticas à liderança Pedro Passos Coelho. Ainda recentemente lamentou ao Expresso que o PSD tenha "cristalizado no período de emergência financeira, entre 2011 e 2015", e não consiga apresentar propostas novas: "A troika saiu do país mas parece que ainda mora na sede nacional do PSD", disse.» [Expresso]
   
Parecer:

Pobre Pedro Duarte.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Lamente-se.»

sexta-feira, abril 28, 2017

Síndroma de Estocolmo

Depois da famosa saída limpa Passos Coelho não encontrou mais adequado ao cargo de vice-presidente do Conselho de Finanças Públicas precisamente uma pensionista do FMI , isto é, não convidar o Subir Lall para acumular as funções de representante do FMI em Portugal com as de membro do CFP, foi buscar um Subir Lall de saias e com mais uns anitos. Até ficamos com a impressão de que Carlos Costa, que não dialogou a escolha com o primeiro-ministro, optou por pedir à Senhora Lagarde que lhe arranjasse alguém.

Poderão dizer que Passos Coelho nada teve que ver com a escolha, mas isso é ingenuidade a mais. A independência do Banco de Portugal em relação ao governo, de que o seu governador gosta tanto, nunca foi assim tanta em relação ao governo, como se viu a promoção a administrador do banco de um secretários Estado que era funcionário naquela instituição. A intimidade entre Passos e Carlos Costa era tanta que não só o fundo de pensões daquele banco se escapou ao destino do fundo de pensões da banca, como os funcionários do BdP foram os únicos funcionários do Estado que ficaram isentos de austeridade.

Parece que a bandeirinha na lapela faz algum sentido, Passos Coelho está na oposição mas é ele que ainda manda nalgumas aldeias gaulesas da austeridade, em particular no banco de Portugal e no tal Conselho de Finanças Públicas que acerta tantas vezes nas previsões que faz lembrar as previsões meteorológicas dos anos sessenta. 

Mas se as previsões da Dra. teodora me faz pensar que a senhora está reeditando as previsões meteorológicas  de quando ela era jovem, a escolha de Teresa Ter-Minassian já é um problema do foro da psicologia, é óbvio de que Passos Coelho sofre de síndroma de Estocolmo.

Sempre que exagerava na austeridade ia pedir ao Subir Lall para fazer ameaças ao país e depois dizia-se vítima de um memorando que não tinha sido ele a assinar. Agora, anos depois da famosa saída limpa Passos sente saudades da troika e traz uma "troikana" reformada para tomar conta do país. Já não nos  bastava a Dra. Teodora que decidiu chamar a si o papel, agora ainda íamos ter mais uma "cota" a desancar diariamente no governo, uma a dizer mata e a outra a dizer escola.

Umas no cravo e outras na ferradura



 Jumento do Dia

   
António José Saraiva, jornalista "devasso"

O livro daquele que dizia ir ganhar um Nobel é pior do que mau, é péssimo. É péssimo na ideia, é péssimo no conteúdo, ´+e péssimo na abordagem que faz da vida política. Não é nada de novo que o Nobel falhado escreva algo que seja péssimo, a novidade está em ser formalmente acusado de ser devasso. Agora ficamos à espera que faça grandes revelações do seu processo, que elogie e seja porta-voz oficioso do MP como tem sido noutros processos.

«O Ministério Público acusou o jornalista José António Saraiva de devassa da vida privada, na forma continuada, pela publicação do livro "Eu e os políticos", lançado em setembro de 2016.

José António Saraiva disse à Lusa que a acusação "não faz sentido nenhum", já que se limitou a "contar um episódio verdadeiro que não foi contestado", que deu origem a uma queixa da também jornalista Fernanda Câncio.

Em causa estão dois parágrafos do livro que Fernanda Câncio considera "uma invasão da sua vida privada" e "um ilícito civil e criminal".» [DN]

 Os nomes propostos para o CFP

O nome da ex-funcionária do FMI preenche as exigências para um cargo onde se espera um profundo conhecimento de política económica e finanças públicas. A questão que se coloca é saber se o CFP é um conselho monocórdico, onde uma única corrente do pensamento económico avalia um governo que não partilha dessa mesma corrente.

É óbvio que o CFP deve reflectir competência e diversidade de pensamento. Neste quando o segundo nome proposto para vogal do CFP não faz sentido, um lugar de chhefe de gabinete de um secretário de Estado ou de um ministro é de natureza política, a maioria dos chefes de gabinetes são boys promovidos a moços de recados dos governantes, deles não se espera que grandes currículos de economia.

É mais do que óbvio que o PSD se está batendo pelo controlo do CFP, só que teve mais olhos do que barriga e se esqueceu de escolher alguém com currículo que justifique a escolha.
      
 PSD muito preocupado com fuga de refugiados
   
«O PSD questionou hoje o Governo sobre a duplicação do número de refugiados que abandonam Portugal, com a vice-presidente Teresa Morais a alertar para "dezenas de crianças" refugiadas que desapareceram de centros de acolhimento.

Numa pergunta hoje entregue na Assembleia da República, o PSD questiona as razões de, segundo notícia do DN, das 1.255 pessoas que foram acolhidas em Portugal, 474 terão abandonado as instituições, o que representa cerca de 40% do total.

Segundo Teresa Morais, essas pessoas terão usado Portugal como "uma espécie de passadeira para outros países da Europa" mais atrativos.» [DN]
   
Parecer:

O PSD devia perguntar aos portugueses que fugiram do país, talvez assim percebesse a razão da fuga dos refugiados.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Lamente-se o oportunismo político ridículo.»
  
 A investigação sem prazos
   
«A procuradora-geral da República, Joana Marques Vidal, voltou a prorrogar o prazo para ser deduzida uma acusação no âmbito da Operação Marquês, em que o ex-primeiro-ministro José Sócrates é arguido. Apesar de a equipa de investigação e o director do Departamento Central de Investigação e Acção Penal terem apontado o final de Julho como data máxima previsível para encerrarem o inquérito, a magistrada optou por não lhes fixar um prazo. 

Joana Marques Vidal determinou esta quinta-feira que a investigação só terá de ser concluída no prazo de três meses a contar da data da devolução da última carta rogatória enviada por Portugal às autoridades de outros países, solicitando-lhes diligências judiciais. Ora segundo a procuradora-geral da República ainda há várias cartas rogatórias por cumprir, não sendo possível prever a data de devolução de uma delas. » [Público]
   
Parecer:

Cheira a falhanço.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»

 Marcelo oftalmologista? 
   
«O Presidente da República voltou esta quinta-feira apelidar o primeiro-ministro de "irritantemente otimista", perante uma plateia de alunos, a quem disse que António Costa teima em ver violeta-rosa onde há roxo, e que tenta chamá-lo à realidade.

Durante uma aula no Colégio Moderno, em Lisboa, que se estendeu por três horas, em que começou por falar sobre Mário Soares e depois respondeu a perguntas dos alunos, Marcelo Rebelo de Sousa situou-se ideologicamente na "esquerda da direita", definindo-se como "de direita social" e "não liberal", e declarou-se um "otimista", mas não tanto como o primeiro-ministro.

"Eu às vezes digo: não, o senhor primeiro-ministro irrita-me um bocadinho, porque é evidente que há problema e está a tentar explicar-me que não há esse problema, e não me entra na cabeça. E depois recorro a um argumento de autoridade, a que não se deve recorrer: é que eu ando a analisar a política portuguesa há 50 anos", afirmou.» [Expresso]
   
Parecer:

Marcelo tem uma nova vocação, a oftalmologia.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»

 PSD quer controlar CFP a qualquer custo
   
«Em conferência de imprensa, José Matos Correia afirmou esta quinta-feira que o PSD não se revê nas palavras do Presidente da República sobre o Conselho de Finanças Públicas. O dirigente social-democrata considera que a intervenção de Marcelo deveria ter sido “mais pedagógica” para garantir a independência de entidades como a CFP. “Não nos revemos nas palavras do Presidente da República”, disse o deputado Matos Correia.

Para José Matos Correia, Marcelo Rebelo de Sousa deveria ter feito uma intervenção “mais favorável à necessidade de reforço das instituições como é o caso do CFP”. Na sua interpretação da lei, dada esta tarde aos jornalistas, o Presidente da República considerou que existem “duas vontades que têm de se conjugar”. “O que eu espero é que haja um diálogo prévio, porque a falta de diálogo significa que, às tantas, não se acertam os critérios”, acrescentou.

O PSD não concorda com essa posição e voltou a atacar a atitude do Partido Socialista e do Governo, tal como tinha feito esta quarta-feira no Parlamento. Matos Correia considera que ontem foi a “prova de que o PS se dá mal com as regras básicas da democracia”, acusando o Governo de querer “manipular a seu favor algumas instituições”. Em causa está a recusa não só das nomeações para o CFP, mas também para o Banco de Portugal.» [Eco]
   
Parecer:

Acham que são todos parvos menos eles.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Mande-se Matos Correia à fava.»

quinta-feira, abril 27, 2017

O abcesso útil

Quando num momento de desespero Passos Coelho defendeu o Conselho de Finanças Públicas porque “tem sido uma das instituições a desmascarar a aritmética impossível da sua excução orçamental” acabou por matar este órgão. Passos usou o CFP para repetir uma velha declaração de Maria Luís Albuquerque que convencida do falhanço orçamental dizia com arrogância que o OE de 2016, o tal que ficou nos 2% do défice era aritmeticamente impossível, linha de pensamento que levou o próprio Passos a usar a expressão milagre e declarar que se o governo conseguisse repor rendimentos e cumprir as metas do défice até votaria no PS.

Mas, independentemente do bom uso que Passos faça da Dra. Teodora Cardoso, uso e abuso que chegou ao ponto da pobre senhora se ter oferecido para fazer uma pré-avaliação das propostas eleitorais do PS, num dos momentos mais ridículos da vida política portuguesa, a questão que se coloca é a de saber qual tem sido a utilidade do CFP e se este órgão faz sentido ou se em termos de utilidade é como o apêndice, que só serve para provocar apendicites.

Pelo que Passos disse ainda ontem e pelas posições que são assumidas por Teodora Cardoso o CSF servirá para duas coisas, para assegurar a regularidade das contas do Estado e para avaliar a política económica e os seus resultados.

Quando Passos declara que o CFP tem denunciado “a aritmética impossível das execuções orçamentais” está questionando a honestidade não só do ministro das Finanças, como de instituições como as direções-gerais do Tesouro, do Orçamento e a Autoridade Tributária e Aduaneira, instituições que produzem as execuções orçamentais. Se alguém denuncia contas impossíveis é porque é preciso denunciar uma aldrabice. Sucede que se o governo está viciando as contas do Estado, enganando tudo e todos, não são necessários os poderes policiais da Dra. Teodora, Portugal é um de direito e tem um tribunal que vigia as contas do Estado, é o tribunal de Contas, que tem mais poderes, recursos e competência do que a pobre Dra. Teodora.

A ideia de que deve haver um polícia da política económica a quem cabe avaliar as propostas e a execução da política por parte do governo, parte do pressuposto de que a política económica é como uma especialidade da medicina, trata-se de uma ciência médica com um único protocolo de tratamento a que os governos devem obedecer. Isto é, as decisões de política económica, por serem uma ciência exata, não devem ser alvo de avaliação política e pelos eleitores, mas sim por sábios que estão acima da ignorância da populaça.

Passos quer que a Dra. Teodora imponha ao governo escolhido pelos portugueses uma política económica decidida por um partido ou coligação que não contou com a escolha dos portugueses para governar. Estamos perante uma aberração, o político que governou ignorando a Constituição quer que o primeiro-ministro que lhe sucedeu obedeça às suas próprias ideias, contando para isso com a Dra. Teodora.

É óbvio que o CFP é um abcesso no sistema político português, mas é bom que continue existindo, as previsões e conclusões da Dra. Teodora têm servido para demonstrar que a política económica do governo de Passos não passava de um conjunto de banalidades ideológicas. Tratando de um tumor benigno que já não faz mal, pode ser mais perigoso lancetá-lo.



Umas no cravo e outras na ferradura




 Jumento do Dia

   
Passos Coelho

Já toda a gente percebeu a importância que o Conselho de Finanças Públicas tem para Passos Coelho, Teodora Cardoso foi uma voz alinhada com os seus argumentos e, não raras vezes, foi mesmo mais papista do que o papa, revelando-se quase extremista na forma como criticava a política governamental, para não falar das suas previsões permanentemente pessimistas, que se vieram a revelar um falhanço.

Ao transformar a nomeação de dois membros do CFP um tema central do debate político Passos Coelho não só está desmascarando Teodora Cardoso como uma espécie de submarino do PSD, como queima a presidente daquele Conselho ao defendê-la tendo por base a sua voz crítica. É óbvio que Teodora Cardoso apoiasse o governo neste momento Passos Coelho estaria lançando dúvidas sobre a credibilidade dos nomes propostos para o CFP.

Mas eleger como tema central a nomeação de dois membros do CFP revela o vazio de ideias que Passos está atravessando, significa que o líder do maior partido não sabe como criticar o governo.

      
 Boas notícias
   
«As contas públicas portuguesas completaram os três primeiros meses deste ano com um resultado mais favorável do que o obtido em igual período do ano passado, revelaram esta quarta-feira os dados da execução orçamental publicados pelo Ministério das Finanças.

De acordo com o Executivo, até ao final de Março, o défice das Administrações Públicas cifrou-se em 358 milhões de euros, um valor 290 milhões de euros mais baixo do que nos primeiros três meses de 2016.

Este resultado acontece num cenário de estabilização da despesa pública, que cresceu 0,3% face ao período homólogo, e registou uma taxa de variação inferior à da receita, que cresceu 1,9%. As Finanças dizem que este crescimento da receita poderia ter sido maior não fosse a ocorrência de "efeitos temporários", destacando que a cobrança de impostos está a ser feito a um ritmo bastante elevado, "reflectindo a melhoria da actividade económica". A receita bruta do IVA, que não leva em conta o efeito dos reembolsos, cresceu 7%, diz o Governo.» [Público]
   
Parecer:

Parece que este Centeno é mesmo melhor do que a encomenda.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»
  
 Há muitas forma de votar na extrema-direita
   
«Jean-Luc Mélenchon, o candidato da esquerda radical que ficou em quarto lugar na primeira volta das eleições presidenciais, anunciou esta quarta-feira que não vai aconselhar os seus apoiantes a votar em nenhum dos candidatos ainda na corrida ao Eliseu. A decisão foi conhecida na mesma altura em que o ex-Presidente Nicolas Sarkozy fez um apelo ao voto em Emmanuel Macron.

Mélenchon, que no domingo tinha anunciado que iria consultar os militantes do seu movimento A França Insubmissa sobre o passo a seguir, fez saber que manterá o silêncio seja qual for a decisão da maioria, que será conhecida a 2 de Maio. “No nosso movimento haverá muitas opiniões”, mas é necessário “distinguir entre uma escolha íntima e uma escolha política”, afirmou o porta-voz do ex-candidato, Alexis Corbière.» [Público]
   
Parecer:

Para a extrema-esquerda é indiferente a escolha entre Macron e Le Pen.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Vomite-se.»

 A culpa é do governo
   
«"Obviamente que depois de perceber os contornos da situação é fácil concluir que houve negligência e uma falta de respeito por terceiros", começa por afirmar ao DN Cláudio Nogueira, presidente do Rottweiler Clube de Portugal, sobre o ataque de um cão desta raça a uma criança de quatro anos, em Matosinhos, na passada terça-feira.

Diz que "há um desrespeito no que toca às leis que envolvem cães de raça perigosa, visto que, além de solto, não tinha nenhum açaime".

"Estamos a falar de um dono que não tem perfil para ter este tipo de cão. Não conhece a legislação e o cão não estava preparado e educado para socializar e estar na via pública, quer através dos meios de contenção, quer através de treino", acrescenta o responsável.» [DN]
   
Parecer:

A culpa não é do cão, nem do dono do cão, é do governo! O ridículo chega a estes limites e o representante da associação dos canitos simpáticos vem a público defender o bicho, ignorar o dono e culpar o governo. Até apetece mandá-lo à bardamerda.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se ao senhor se a culpa não será do bebé por falta de jeito para lidar com o simpático cachorro.»

quarta-feira, abril 26, 2017

Crescer mais, distribuir melhor

Como é de esperar o PSD, o PS e o CDS fizeram seu o discurso de Marcelo rebelo de Sousa, enquanto o BE e o PCP não aplaudindo fizeram suas as metas definidas por Marcelo. Acontece que a exigência de mais crescimento económico por parte de Marcelo deveria ter merecido a discordância tanto à direita, como do lado da esquerda mais conservadora.

Marcelo não pediu apenas mais crescimento, se o tivesse feito seria mais ou menos a mesma coisa que desejar uma tarde com sol e sem muito calor, estaríamos operante uma meta com a qual seria possível unir o cardeal ao Jerónimo de Sousa, a Catarina à Assunção ou o António ao Pedro. Até o Cavaco, um ausente nas cerimónias de quem ninguém pela falta, se poderia juntar á festa. Marcelo pediu também mais distribuição e aqui é que a porca torce o rabo.

Não é a mesma coisa distribuir mais para ter crescimento, ter crescimento porque se distribui menos ou crescer e distribuir mais. Não se trata apenas de diferenças gramaticais, estamos perante pressupostos que conduzem a políticas económicas bem diferentes e só por puro oportunismo vimos tanta unanimidade.

A política económica defendida por Gaspar e que desde então tem estatuto de cartilha para Passos Coelho, Assunção Cristas, Paulo Portas e Maria Luís Albuquerque, assenta numa perda radical de rendimentos do trabalho, desvalorizava-se fiscalmente o factor trabalho para estimular o capital graças a mais lucros. Não se crescia para distribuir melhor, primeiro redistribuía-se para que os menos ricos ficassem mais pobres para promover um crescimento cuja riqueza voltaria a ser distribuída de forma injusta. A esta lógica a direita tem chamado "crescimento consolidado", consolidado porque uma boa remuneração do capital estimulava o crescimento, porque salários cada vez mais baixos atraem os investidores ávidos por ganharem mais.

O PCP e o BE foram mais honestos e acusaram o toque, afirmaram-se em concordância com o objetivo mas sem realçaram uma discordância, defenderam uma solução de política económica muito diferente da defendida por Marcelo. Para a esquerda mais conservadora primeiro distribui-se e depois cresce-se, a redistribuição é uma exigência ideológica e apresentada como uma vitória do trabalho sobre o capital. Se os investidores querem investir e terem lucros terão primeiro de pagar muito melhor. Para o PCP e BE há riqueza quanto baste e só não há crescimento porque as normas.

Se para alguma direita há um conflito entre o crescimento e a distribuição equitativa da riqueza, para alguma esquerda opta por considerar que a distribuição equitativa da riqueza é uma questão prévia à análise da questão do crescimento. Uma coisa é certa, ninguém ouviu muito bem o que Marcelo defendeu.

Umas no cravo e outras na ferradura




 Jumento do Dia

   
Teresa Leal Coelho, candidata autárquica

O mínimo que se pode dizer do discurso de Teresa Leal Coelho foi que roçou o pobre de um ponto de vista intelectual e o miserável quando avaliado na perspectiva política. O PSD parece sentir-se pouco à vontade quando o tema é 25 de Abril e isso foi evidente no discurso da vice-presidente daquele partido, a senhora foi incapaz de soletrar a data numa cerimónia evocativa da mesma. Pior, só os bocejos de Passos Coelho enquanto Marcelo discursava.

A senhora não falou das virtudes da democracia, dos seus valores, dos seus objetivos, optou por banalidades e no meio destas trazer temas descabidos como o enriquecimento ilícito, como se democracia fosse um antro de pecados que lhe cabe combater. Se a ideia era promover a imagem da candidata autárquica a escolha foi um desastre, a senhora é parca de ideias, tens os seus valores baralhados e mal sabe falar em público, foi de meter dó.

terça-feira, abril 25, 2017

Este Abril

No outro Abril os jornalistas defendiam a democracia, neste Abril os jornalistas fazem de acusadores públicos em julgamentos fantoches. No outro Abril os jornalistas defendiam os valores da democracia, neste Abril há jornalistas a fazerem de vigilantes, perseguindo todos os que opinem em defesa de valores. 

No outro Abril dizia-se que o regime promovia os três “f”, o fado, Fátima e o futebol. Nesta Abril Amália e Eusébio estão no Panteão, as televisões dedicam metade das suas emissões noturnas ao futebol e o Papa vem a Portugal canonizar os pastorinhos, promovidos de beatos a  santos por terem salvo uma criança que caiu de um sétimo andar.

No outro 2 de Abril o povo queria ter cuidados básicos de saúde, criou-se o SNS e pouco tempo depois foi introduzida a vacina triplice contra o sarampo, a rubéola e a “papeira”. Neste 25 de Abril o país assistiu à morte de uma jovem que não tinha recebido a vacina, acordando para a realidade de um movimento que recusa o progresso e em nome de valores de tribos urbanas põe em causa a vida dos filhos.

Hoje há democracia, mas há novas formas de repressão, há medo de jornalistas sem escrúpulos, de juízes justiceiros, de magistrados que tiraram direito com passagens administrativas. Há um SNS moderno mas temos medo do sarampo, vamos voltar a ter medo das consequências da rubéola. Temos instalações hospitalares modernas e equipamentos sofisticados, mas nunca tivemos tantos endireitas, tantos falsos médicos e falsas medicinas.

Este Abril está longe de ser feliz, o fanatismo mata nas lutas entre claques desportivas, mas mata também em famílias que tiveram direito a melhores e escolas e universidades e agora ensinam a ignorância e o obscurantismo por oposição ao progresso científico. Os valores mais elementares da justiça são ignorados, a começar pelos magistrados. Este Abril está longe daquele que Abril prometeu.
 

Umas no cravo e outras na ferradura




 Jumento do Dia

   
Arménio Carlos. líder da CGTP

Arménio Carlos é um daqueles sindicalistas que gosta de imitar os esteriotipos dos comunistas duros dos anos 50 e quando fala de um ministro fala de algué que, por definição é inimigo do povo. Só assim se entende a forma agressiva como a propósito de uma luta sindical se referiu a Centeno como um "superministro" quase inimigo dos trabalhadores.

Seria bom que Arménio carlos, um sindicalista com quem é impossível qualquer acordo, perceba que alguma da recuperação dos rendimentos de que os trabalhadores estão beneficiando resultam mais da competência do ministro das Finanças do que das suas presenças televisivas na concertação social.

Quanto mais vejo o Arménio mais me vêm à memórias os antigos líderes da CGTP José Luís Judas e carvalho da Silva. Mas esses ao lado do revolucionários modelo Arménio Carlos são pequeno-burgueses.

 Estranho desaparecimento

O que é feito do


 Para os que não conheceram Portugal antes do 25 de Abril



      
 Refugiados ou emigrantes
   
«Nos últimos dois meses duplicou o número de refugiados, recolocados em Portugal ao abrigo das quotas definidas pela União Europeia (UE), que abandonaram o nosso país. Do total de 1255 acolhidos, principalmente no último ano, 474 deixaram as instituições que os receberam, quase 40%, uma das taxas mais elevadas dos designados "movimentos secundários". Em fevereiro, um levantamento feito pelo DN junto às maiores instituições de acolhimento, dava conta que os abandonos ultrapassavam os 200 casos.

Destes refugiados, a maior parte sírios, atualmente em fuga, 147 foram entretanto detetados, alguns mesmo detidos, pelas autoridades de outros países, principalmente Alemanha e França, mas também a Bélgica, Suécia e Holanda, e estão obrigados a regressar. Um deles já o fez, mas os restantes 326 ainda estão em paradeiro desconhecido. Todas as despesas do retorno - designado retoma a cargo - são da responsabilidade de Portugal.» [DN]
   
Parecer:

refugiados mas, já agora, de preferência emigrantes em países mais ricos.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Lamente-se.»
  
 Azar!
   
«O ex-líder do PSD, Luís Marques Mendes, disse este domingo à noite que tudo indica que a recapitalização da Caixa Geral de Depósitos não terá impacto no défice. "Boas notícias", disse no seu comentário habitual de domingo no jornal da noite da SIC.

"O que importa é saber se o dinheiro que é injectado na recapitalização da caixa conta ou não para o défice e há duas boas notícias. Uma é que as autoridades estatísticas nacionais já contaram com esta interpretação e a outra, que está prestes a confirmar-se é que, em princípio, Bruxelas irá confirmar esta interpretação das autoridades estatísticas nacionais, ou seja, provavelmente a recapitalizaão da Caixa nao contará para o défice", disse.» [Expresso]
   
Parecer:

Mais um azar para Passos Coelho.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se a Marques Mendes quem o informou.»

segunda-feira, abril 24, 2017

As más notícias que são boas notícias

Convinha que a direita soubesse definitivamente o que espera e pretende das agências de rating, se quer que todas considerem a dívida soberana portuguesa como lixo ou se exigem que todas a passem a considerar como triplo AAA. Desde os tempos de Sócrates, quando Cavaco defendia o respeitinho pelos mercados e Relva prometia que com a direita no governo o rating subiria, que a direita não aprece ter uma relação muito sadia com o rating da dívida.

Mas temos de aceitar que a direita evoluiu muito nos últimos meses, em menos de um ano deixou de apostar num novo segundo resgate para, ainda que de uma forma indireta, elogiar Mário Centeno. Agora já não parecem estar preocupados com o conteúdo das mensagens SMS de Mário Centeno, parece que já acreditam na sua competência e até lhe exigem que consiga melhorar o rating da nossa dívida! Enfim, sejam bem-vindos ao clube de fãs de Mário Centeno, há sempre lugar para mais uns quantos e em especial para filhos pródigos.

Ainda não há muito tempo que Maria Luís Albuquerque quase rejubilava de alegria pela Fitch ter mantido oi rating de lixo, até veio a público manifestar a concordância com os critérios. Também aqui houve uma pequena mudança, o rating da Fitch há muito que não despertava a curiosidade da direita, o que excitava o pessoal do Observador era a DBRS, cada vez que a agência canadiana os jornalistas e comentadores daquele jornal entravam em pré-orgasmo com a hipóteses de a única agência que classifica a dívida portuguesa acima de lixo deixar de o fazer.

Se soubermos ler nas entrelinhas do pensamento primário da direita portuguesa percebe-se que algo está para acontecer, se já esperam, com avidez as classificações da Fitch ou da Moody’s é porque acham que estas agências podem mudar a notação, isto é podem melhorá-la. Aliás, a dívida portuguesa ainda só é considerada lixo em consequência da situação da banca, uma herança da incompetência do governo de Passos Coelho. As grandes preocupações das agências prendem-se com a situação na CGD, com o crédito malparado e com a solução para o Novo Banco.

Mas temos de começar a aprender a descodificar o discursos da direita, quando prevê uma desgraça é porque a desejam, quando falam em milagres é porque as metas são realizáveis, quando apoiam o rating é porque receavam que tivesse melhorado e quando exigem que o governo consiga melhorar o rating é porque receiam que isso seja possível e pretendem desvalorizar esse resultado. A desilusão da direita em relação às notações da Fitch e da Moody´s é uma boa notícia para o país. Infelizmente é assim desde há seis anos, as boas notícias para o país são péssimas notícias para a direita, as más notícias para a direita são excelentes notícias para o país.

Umas no cravo e outras na ferradura




 Jumento do Dia

   Luís Montenegro, fiel apoiante de Passos

Montenegro apressou-se a afirmar-se um fiel apoiante de Passos Coelho e contrário à realização de diretas. Esperou um dia para o fazer, tempo suficiente para que a mensagem de Relvas ganhasse terreno e o seu nome fosse apontado como sucessor de Passos.

Mas Montenegro não é bem contra as diretas, diz apenas que nunca foi um grande partidário das diretas. Mas o mais curioso é que considera que esse processo foi um fracasso no PS. Viu-se, o seu aliado Seguro perdeu a liderança do PS e o seu partido foi arredado do governo. Enfim, que grande falhanço!

«Luís Montenegro, líder parlamentar social-democrata e apontado como um dos possíveis sucessores de Pedro Passos Coelho à frente do partido, disse este domingo em Leiria ser contra a realização de eleições primárias no seu partido e reafirmou o seu apoio ao actual líder do PSD. O dirigente respondia assim à questão levantada esta semana pelo ex-ministro Miguel Relvas, que defendeu, depois de um almoço-conferência de Luís Montenegro em que também participou, que o PSD devia começar a pensar já em discutir a realização de eleições primárias a seguir às autárquicas de 1 de Outubro para escolher o futuro candidato social-democrata a primeiro-ministro. O assunto deixou incomodadas algumas figuras do partido que preferiam todos no PSD concentrados na preparação das autárquicas.

À margem da IX Academia de Jovens Autarcas, organizada pela JSD de Leiria, Luís Montenegro afirmou não concordar com "essa ideia". "Nunca fui um grande adepto das eleições primárias. Creio que o PSD não precisa de legitimar as suas lideranças por essa via. Não há no panorama político e partidário português essa tradição e a experiência que houve no Partido Socialista foi um perfeito fracasso", salientou.

O presidente do grupo parlamentar do PSD precisou que "se a ideia [do PS] era que houvesse uma mobilização muito grande e representativa de um sentir do povo português, isso caiu por terra, porque o dr. António Costa ganhou as eleições primárias e perdeu - e por muito - as eleições legislativas". Ou seja, "não radicou na realização de eleições primárias nenhum movimento político especial dos eleitores".» [Público]

      
 O tavarismo
   
«Num artigo publicado na terça-feira no Público, o comentador João Miguel Tavares insinua que eu e três jornalistas escrevemos o que o presidente do conselho de administração da Global Media nos manda. Além disto, JMT acha ainda que defender princípios básicos de um Estado de direito significa apoiar a corrupção e a miséria moral.

Vamos por partes.

O JMT insinua que três jornalistas com longas carreiras seguem as ordens de um administrador, que não são editorialmente independentes nem escrevem artigos de opinião seguindo o seu próprio juízo e pensamento. Ele conhece a gravidade desta miserável insinuação, que atenta contra a dignidade profissional desses três homens. Eles não precisam que eu os defenda; mas há, porém, um detalhe curioso. JMT, noutro artigo, acha que o diretor adjunto do DN fez perguntas macias a Dias Loureiro - acusação injusta e que se esquece de fundamentar. Mas se julga mesmo isso seria interessante saber o que pensa da qualidade das perguntas que os jornalistas da TVI fizeram a Sócrates nas várias entrevistas que este deu ao canal. Estranhamente, nunca se ouviu a JMT um comentário sobre o assunto, nem em crónicas nem naquele programa da TSF em que participa e que por acaso passa na mesma TVI. E como sabemos a atenção com que JMT segue todas as intervenções do ex-primeiro-ministro... ou estava distraído ou não as viu ou então achou-as incrivelmente duras, como ele gosta.

Já eu, insinua JMT, só escrevi o artigo de 9 de abril - sobre o arquivamento do inquérito a Dias Loureiro e no qual pela enésima vez afirmo que algo está muito errado na nossa justiça - por ter recebido uma espécie de ordem de Proença de Carvalho. Poderoso homem que não só me dá ordens para eu defender Dias Loureiro como, claro está, para defender Sócrates, essa árvore das patacas de JMT.

A coisa é tão desonesta e baixinha que até custa a responder, mas, desta vez, JMT preferiu escrever o meu nome em vez das indiretas que de vez em quando me dirige. JMT sabe que o que escrevi nesse dia é o que venho escrevendo e dizendo em jornais, TV e rádio há muitos anos, antes de haver Operação Marquês. Mas não resistiu à insinuação que sabe ser caluniosa. Disse, no fundo, que escrevi a pedido, não porque em consciência ache que eu ande às ordens de quem quer que seja, mas porque não gostando das minhas opiniões sobre assuntos da justiça e outros que tais quis descredibilizá-las atacando a minha dignidade e a minha honra. O que diz muito sobre o carácter de quem faz a insinuação.

Mais tarde, noutro artigo do Público, tendo sido confrontado pelo diretor do DN com o facto de que mais colunistas, noutros órgãos de informação, formularam opiniões parecidas com a minha e com a de dois jornalistas do DN, JMT lança o argumento que lhe serve para tudo: esses também querem é defender o Sócrates. Pobre JMT: obcecado que está por Sócrates, não consegue perceber que há quem não sofra da mesma patologia, e portanto não divida o mundo entre pró-Sócrates e contra-Sócrates; como só consegue raciocinar e argumentar ad hominem, é-lhe, pelos vistos, impossível imaginar que possa haver quem defenda princípios independentemente de a quem estes, conjunturalmente, possam parecer favoráveis.

Para defender esta sua abordagem, JMT argumenta que há para aí uns princípios que só são válidos no reino do abstrato e quem os enuncia - para os defender, bem entendido - está a colaborar para "manter o lastimável currículo português no combate à corrupção" e "é cúmplice do estado moralmente miserável em que nos encontramos".

E que são esses tais princípios contra os quais ele, neste e noutros textos, direta ou indiretamente se insurge? Trata-se, entre outros, da presunção de inocência, da não inversão do ónus da prova, do direito ao bom nome, da necessidade de haver provas suficientes para condenar alguém e de que a função do MP é acusar ou arquivar - não condenar.

Surgem três hipóteses. A primeira: o JMT não sabe que esses princípios são pilares fundamentais de um Estado de direito e de uma democracia liberal. Confesso que tenho alguma dificuldade em imaginar que alguém com tanta notoriedade e com tanto espaço nos media não saiba isto, mas a ignorância nunca deve ser desprezada.

JMT não saberá, mas aqueles princípios que ele depreciativamente chama de abstratos têm de ser, num Estado de direito, mesmo abstratos e gerais: são para todos (e não para as pessoas que JMT decidir) e para todos os casos que se encaixem na norma (e não para os casos que JMT quiser).

A segunda hipótese é a de que conhece os referidos princípios, mas não quer saber deles, rejeita--os. Nesse caso, não é um defensor do Estado de direito e da democracia liberal. Ou acha que é ele ou quem pensa como ele que deve definir a quem estes princípios se devem aplicar. Um estado Tavares com Tavares a definir quem são os culpados e os inocentes - o tavarismo, ou a tirania Tavares

A terceira hipótese é a de que sabe o que é o Estado de direito, gosta da democracia, mas dá-lhe jeito dizer que isto é tudo uma farsa, que isto dos princípios é uma malandrice para os ricos e poderosos se safarem. Porque sabe que isso lhe garante palmas; sabe que de cada vez que ataca as regras básicas do Estado de direito há uma multidão de injustiçados pela vida, legitimamente revoltados com a corrupção e desmandos, que, por desespero e ignorância, o aplaudem. JMT sabe que se desprezassem os tais princípios abstratos essas mesmas pessoas teriam uma vida pior, ficariam expostas a um qualquer déspota, veriam os seus direitos despedaçados. Mas quer JMT lá saber disso; o seu discurso dá-lhe palco e luzes, faz dele uma pessoa popular. Vive desse reles foguetório.

Preferia acreditar que JMT defende o que defende por ignorância ou por não acreditar no Estado de direito, mas não me parece que seja, infelizmente, o caso.

Espero que viva bem com a sua consciência e que o mundo que ele afirma desejar nunca chegue.» [DN]
   
Autor:

Pedro Marques Lopes.

domingo, abril 23, 2017

Semanada

Esta semana iniciou aquilo que pode ser considerada como a Quaresma de Passos Coelho, a apresentação feita por Relvas de Luís Montenegro como um homem do futuro, um dia antes de uma entrevista ao Expresso em que defendeu a realização de diretas para a escolha do PSD, dá-se início a um longo período de liturgias partidárias que terminarão com a crucificação de Passos Coelho. O mesmo Relvas que na hora da despedida do governo reclamou a invenção da criatura, decide agora dar início ao seu enterro político.

Assunção Cristas prometeu que com ela Lisboa deixaria de ter sem-abrigo. Como é pouco provável que os leve para casa resta saber se os vai mandar para Oeiras, para o Barreiro, para o Montijo ou para Odivelas. Uma coisa é certa, é um pouco mais fácil dizer aos funcionários do Ministério da Agricultura para não usarem gravata e desligarem o ar condicionado do que desligar tanta gente que vive nas ruas da cidade. Mas se a devota conseguir esse milagre, pode ser que nos prometa um euromilhões a cada lisboeta ou, quem sabe, um desconto na Uber ou nas bombas de gasolina do papá.

Montenegro descobriu uma solução para que um dia que ganhe eleições possa ter maioria absoluta no parlamento, propôs que o partido mais votado levasse uma borla de cinquenta deputados. O mais divertido é que o até aqui braço-direito de Passos Coelho argumenta que desta forma aproxima eleitores de eleitos, isto é, a melhor forma de os eleitores se identificarem com os eleitores seria cinquenta deputados que ninguém escolheu acabarem por decidir quem governa. Mas o ridículo da proposta não se fica por aqui, talvez rendido à Grécia foi nesse país até aqui maldito que foi buscar a ideia. Estamos cheios de sorte, imaginem se tivesse ido buscar a solução da estabilidade política à Venezuela.

Vítor Gaspar decidiu alegrar-nos com o seu refinado sentido de humor, como o mundo pouco sabe de política orçamental decidiu mandar parar as escolas de economia para lhe ouvirem aqueles a que definiu como os cinco princípios básicos da política orçamental: ser contracíclica, amiga do crescimento, inclusiva, suportada pela real capacidade fiscal, e conduzida com prudência. Graças a esta grande sumidade intelectual, só superada pela Maria Luís Albuquerque, o mundo vai saber gerir as suas contas, basta fazer tudo ao contrário do que o próprio Gaspar fez quando era ministro das Finanças.

Umas no cravo e outras na ferradura




 Jumento do Dia

   
Passos Coelho, além-troikista

O homem que foi mais longe do que a troika, que dizia que adoptava um programa duro de austeridade não porque lho exigissem mas porque defendia ser o melhor, que humilhou os portugueses sugerindo que eram uns gandulos comparados com os alemães, que ofendeu os seus concidadãos apelidando-os de piegas, que só abriu os cordões à bolsa contra a sua vontade e por imposição do Tribunal Constitucional tem muita lata.

Depois de criticar o governo por ter reduzido os cortes nos vencimentos e nas pensões, vem agora queixar-se de que há austeridade escondida. Passos Coelho continua a ter uma péssima opinião da inteligência dos portugueses, logo ele que nunca se evidenciou pelo seu brilhantismo intelettual. Pela forma como fala está pensando que alguém vê nele um defensor do fim da austeridade que só a adoptou por ter sido obrigado.

Depois de tantas estratégias falhadas, Passos ensaia mais uma versão numa tentativa desesperada de sobreviver nas eleições autárquicas, procurando evitar a decadência contínua evidenciada em todas as sondagens. Adopta esta nova versão quando até Miguel Relvas já depositou uma coroa de flores no seu caixão.

«O presidente do PSD, Pedro Passos Coelho, considerou esta sexta-feira que a alternativa que o atual governo reivindica é falsa, invocando que "ainda há muita austeridade disfarçada", mesmo sem "a pressão da troika e dos mercados".

Num artigo publicado na newsletter do PSD, intitulado "A Falsa Alternativa", Passos Coelho retoma os argumentos utilizados nos últimos debates no parlamento, mas recorda que a austeridade se mantém e sublinha que, se o PSD continuasse no executivo, o crescimento seria mais elevado.

"Se a estratégia defendida pelo Governo anterior tivesse prosseguido, a recuperação económica e do emprego seria sensivelmente mais forte, porque mais forte seria também a recuperação do investimento", argumenta.

O líder social-democrata alega que "a austeridade pode hoje ter uma feição diferente", mas "ainda há muita austeridade disfarçada", porque o país já não tem "a pressão da troika e dos mercados" de há uns anos.» [Expresso]