sábado, maio 06, 2017

A versão saloia do Jeroen Dijsselbloem

SIC (vídeo)


Não há populistas bons por se dizerem de esquerda ou por se afirmarem de direita, por serem do interior e falarem mal do litoral ou por serem do Porto e dizerem cobras e lagartos de Lisboa, por serem ricos e dizerem mal dos pobres ou por serem tesos e condenarem os ricos, por saberem dizer mal de tudo e de todo ou por defenderem que está na hora de dizer bem.

Os populistas são oportunistas, são meros parasitas de uma sociedade inundada de má informação, beneficiários de uma comunicação social onde os jornalistas se sentem no dever de condenar todos os políticos. Os populistas não são de esquerda ou de direita, do interior ou do litoral, do norte ou do sul, os populistas são oportunistas que ora são daqui, ora são dacolá, se são de extrema-direita escondem-se atrás dos trabalhadores, se são de extrema-direita são ao mais democratas. Nunca sabemos muito bem quem é um populista.

Pessoalmente nunca apreciei Rui Moreira o líder daquilo que ele designa como movimento de apoio a si próprio, uma estrutura assente em laços que desconhecemos, unida em torno de objetivos mal definidos e que visa a projeção de alguém que se sente superior aos partidos, como se estas organizações fossem o símbolo de todos os lais e o seu “movimento” fosse a imagem das virtudes. Não lhe conheço grandes competência, nem um currículo empresarial digno de nota, ganhou nome naquelas funções onde as boas famílias colocam os filhos menos dotados e conquistou imagem comentando chutos na bola.

Foi um erro crasso um partido com tradições democráticas e republicanas tão fortes e identificadas com os valores da cidade do porto ter cedido à tentação de se associar ao “movimento” sem direção de Rui Moreira, comprometendo o seu futuro e alimentando um populista imprevisível cujo programa se resume a pouco mais do que a sua fotografia. Entende-se que um Portas oportunista tentasse projetar o seu partido sem expressão autárquica num movimento de um populista com simpatias á direita. É inaceitável que um partido como o PS tivesse abdicado da sua identidade, para se sujeitar aos ditames dos líderes obscuros de um “movimento” duvidoso.

È preferível perder umas eleições autárquicas a alimentar as ambições de um populista. Foi um erro apoiar alguém com valores bem piores do que os que resultaram das declarações desastradas de Jeroen Dijsselbloem. Não entendo como muita gente que se indignou com o ministro das Finanças Holandês ignorou a forma como o populista da direita portuense ofendeu os autarcas de Vigo só porque estes tomaram uma decisão de que o populista não gostou.

Na ocasião o populista foi de uma grande desonestidade ao dizer que “Vigo sente-se como a salsicha fresca dentro da francesinha, mas percebeu que há um senhor americano em Lisboa que tem uns aviões a hélice parados e pode mandá-los àquele aeroporto miserável que eles lá têm e trazer uns passageiros a dormir a Lisboa” e acresecentou algo bem pior do que Dijsselbloem, insinuou que a TAP tinha comprado os autarcas de Vigo com serviços de prostitutas em Lisboa, e interrogou-se “Só pergunto se a TAP também oferece companhia em Lisboa…” Ao contrário de Dijsselbloem que se retratou das suas declarações infelizes, Rui Moreira manteve até hoje as suas insinuações porquinhas. 

É preferível perder a apoiar este Dijsselbloem a apoiar a sua versão saloia.

Previsões, crendices, premonições e manipulação

Na economia de hoje a comunicação tem uma grande importância no comportamento dos agentes económicos, estamos perante comportamentos atomizados cujo comportamento errático é difícil de prever ou de condicionar. Longe vão os tempos das economias fechadas onde a esmagadora maioria dos agentes económicos consumiam em alimentação a quase totalidade dos seus rendimentos.

O rendimento médio de uma boa parte dos agentes económicos permite-lhes uma grande amplitude de decisões. O comportamento dos agentes económicos lembra os movimentos de um cardume de sardinhas ou de um bando de estorninhos, são movimentos aparentemente erráticos, difíceis de prever e que podem ser alterados a qualquer momento.

Os comportamentos antecipacionistas têm um peso cada vez maior, se as pessoas receiam uma situação de crise tendem a poupar, se as expectativas forem boa consomem mais, se receiam um aumento de preços dos produtos importados tendem a preferir esses bens, tudo isto pode mudar a qualquer momento.

É neste quadro que temos de avaliar o papel da informação económica, do discurso político e, em particular, das previsões. Quando Passos Coelho previu a vinda do diabo estava fazendo uma previsão ou pensava estar a empurrar a economia pelo caminho que ele desejava? Quando a Dra Teodora Cardoso erra sistematicamente nas previsões está sendo surpreendida por fenómenos inesperados ou falhou numa tentativa de influenciar o comportamento dos agentes económicos. Quando o FMI faz previsões que mais tarde se revelam desastrosas está errando ou falhando na tentativa de condicionar as políticas?

Quando um político tem funções governativas tende a ser otimista pois se um presidente ou um primeiro-ministro disser que vem aí o diabo, este aparece mesmo. EM contrapartida, não temos memória de ver um político da oposição ter perspetivas otimistas, quem está na oposição passa sempre uma imagem negativa na esperança desta se conformar.

No nosso caso é cada vez mais evidente que anda por aí muita gente a errar nas previsões e só não provocam graves prejuízos à economia porque depois de tanta mentira, de tanto desvio colossal, de tanto erro de aritmética os portugueses começam a desconfiar das previsões pessimistas, começam a perceber que as entidades independentes tentam forçar o governo a aceitar as suas teses, o primeiro-ministro no exílio tem saudades da crise financeira que o levou ao poder e até parece que os bancos parlamentares fazem calos na Maria Luís.


Umas no cravo e outras na ferradura



 Jumento do Dia

   
Maria Luís Albuquerque

Parece que o Passos Coelho mandou a Maria Luís atirar-se a Marcelo Rebelo de Sousa, o que se compreende pois o PR tem preferido confiar nas previsões do governo no que nas da Dra. Teodora, que merecem a preferência dos devotos do Belzebu.

O problema desta entrevista não está na celebração do divórcio entre Marcelo e o PSD, está sim no facto de a licenciada da Lusíada ainda não ter percebido ou não querer perceber que a política económica não é um domínio meramente técnico, algo que só pode ser avaliado por técnicos. É por isso que a senhora falhou, da mesma forma que falharam todas as entidades que ela considera técnicas e independentes. Aliás, considerar a Comissão Europeia como um órgão técnico e independente, só merece uma gargalhada, a senhora é mesmo ignorante.

«A ex-ministra das Finanças, Maria Luís Albuquerque, considera que o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa “não é uma entidade independente e técnica”, defendendo que sobre os resultados orçamentais do Governo prefere ouvir outras entidades “independentes”.

Maria Luís Albuquerque reagia, em entrevista esta sexta-feira ao programa “A Vida do Dinheiro”, da TSF e do “Dinheiro Vivo”, às declarações do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, de que os resultados orçamentais do Governo são sustentáveis.

“O Presidente da República não é uma entidade independente e técnica. Eu não citaria o Presidente da República neste contexto. Não o é porque não é suposto ser. Note-se, eu estava a falar da UTAO [Unidade Técnica de Apoio Orçamental], no Conselho de Finanças Públicas, nas próprias agência de rating e na Comissão Europeia ou do Fundo Monetário Internacional”, disse.» [Expresso]

 Argumento execrável

O ministro da Saúde considerou, propósito das posições do sindicato dos médicos, que em democracia há sempre tensões e que o papel do governo é defender os que não podem fazer greve. Um governante da direita mais à direita não diria algo muito diferente do que o ministro disse. O ministro da Saúde está muito enganado, o governo serve para defender todos, os que fazem e os que não fazem greve, os que podem e os que não podem fazer greve, os que pagam e os que não pagam impostos, os que trabalham e os que não trabalham.

      
 Andamos a temperar a comida com plástico
   
«Sim, é verdade, andamos a temperar a nossa comida com microplásticos. Mas, calma, não é (ainda) caso para alarme. Uma equipa de cientistas procurou minúsculas partículas de plástico em 17 marcas de sal vendidas em oito países, incluindo Portugal. A maioria estava contaminada mas com doses baixas, que dificilmente têm qualquer efeito imediato na saúde dos consumidores. O problema é que estas “microbombas” estarão em muitos outros produtos que vêm do mar (e não só).

“Os plásticos são o lobo mau do século XXI”, avisa Ali Karami, investigador na Faculdade de Medicina e Ciências da Saúde da Universidade Putra, na Malásia, e principal autor do artigo publicado na revista Scientific Reports, do mesmo grupo da revista Nature. O processo é simples. Todos os anos despejamos entre cinco e 13 milhões de toneladas de plásticos para os oceanos. A luz solar e a água desfazem este lixo até às mais minúsculas partículas. Quando têm menos de cinco milímetros são chamados “microplásticos”. Fazem, por isso, parte da dieta de muitas espécies marinhas, desde o zooplâncton (que serve de alimento a outros animais) até às baleias. A este ingrediente que envenena o mar, o homem conseguiu juntar ainda outros como as microesferas plásticas, que estão em muitos produtos de higiene e cosmética (pasta de dentes, champô, gel de banho ou detergentes) e que, depois do esgoto, também acabam nos oceanos. Mas, tal como na história do feitiço que se volta contra o feiticeiro, há uma parte do plástico que despejamos no mar que estará a voltar para nós, em pedacinhos minúsculos, em tudo o que retiramos de lá. Incluindo, como prova este estudo, o sal.» [Público]
   
Parecer:

Talvez não fosse má ideia deixar de usar a flor de sal e promover a flor de plástico.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Proteste-se.»
  
 Adeus Rui Moreira
   
«A rotura do independente Rui Moreira com os socialistas está consumada. Ontem, numa reunião à porta fechada, o núcleo próximo de Rui Moreira decidiu que não há condições para manter o apoio do PS na recandidatura do presidente da Câmara do Porto às eleições de outubro, apurou o Expresso.

A cinco meses das autárquicas, Rui Moreira correrá apenas com o apoio do CDS-PP, que sempre teve “um comportamento exemplar, sem pressões nem exigências de negociações ao contrário do PS”, adianta fonte da candidatura independente.

Na origem do divórcio à vista esteve Ana Catarina Mendes, que ao Expresso há um mês, e mais recentemente ao Observador, reiterou que o PS teria uma presença forte nas listas de Rui Moreira. Na altura, Rui Moreira chegou a dizer que não haveria "jobs for the boys", um recado para os socialistas. A ameaça passa agora à ação.» [Expresso]
   
Parecer:

O apoio do PS ao populista desporto-político Rui Moreira foi um erro que, mais tarde ou mais cedo, lhe sairia caro. O autarca do Porto é uma treta e iria ser o PS a pagar a fatura da sua incompetência. Só se lamenta  que a ruptura não tenha sido da iniciativa do PS.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Mande-se o Rui Moreira à bardamerda.»

 A CGTP diz que não se avançou muito na Concertação
   
«No final do encontro, o secretário-geral da CGTP, Arménio Carlos, disse aos jornalistas que esta “foi mais uma reunião em que não se avançou muito” e que a novidade foi apenas “a confirmação daquilo que o primeiro-ministro já tinha dito”, ou seja, que “não haveria penalizações para os trabalhadores com 46 anos de carreira contributiva” e 60 anos de idade que queiram reformar-se antecipadamente.

O sindicalista disse que houve também “a informação de que, para os trabalhadores com 60 anos e com mais de 40 anos de carreira contributiva, no futuro, havia uma redução da penalização de 0,5% para 0,4%” por mês”, uma situação que iria desagravar a penalização destes trabalhadores (que é atualmente de 6% por cada ano que antecipem a reforma), mas iriam continuar a ter uma “penalização de 29%”, que é “bastante significativa”.» [Observador]
   
Parecer:
E alguma vez a CGTP achou que houve algum avanço?
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se a merecida gargalhada.»


 E enquanto a Maria Luís anda por aí a dizer baboseiras
   
«Os ministros das Finanças de Portugal, Espanha, Itália e França querem que a Comissão Europeia altere a metodologia com que faz recomendações orçamentais aos países da zona euro.

Numa carta conjunta enviada ao vice-presidente da Comissão e ao comissário para os Assuntos Económicos, Valdis Dombrovskis e Pierre Moscovici, respetivamente, Mário Centeno junta-se a Luis Guindos, Michel Sapin e Pier Carlo Padoan.

Os governantes contestam a utilização de cálculos baseados no crescimento potencial como forma de estabelecer o esforço orçamental que cada estado membro tem de fazer. “Em alguns países, as consequências negativas de um período extenso de inflação extraordinariamente baixa, baixo crescimento, alto desemprego e os consequentes efeitos retardadores, ampliadas por significativas  incertezas políticas a nível global”, realçam os riscos de um maior protecionismo e um efeito prejudicial de longo prazo sobre o crescimento potencial”, argumentam.» [JE]
   
Parecer:

Mário Centeno trata a economia com seriedade.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»
  
 Pobre Maria Luís
   
«Questionado se espera que Portugal saia do Procedimento por Défices Excessivos (PDE), o Presidente da República acabou por lançar mais algumas indiretas ao PSD. “Espero que sim, mas ninguém tem a certeza”, disse, depois de o primeiro-ministro ter dito na noite de quinta-feira que Portugal deve sair do PDE antes do verão.

E acrescentou: “Se vier [a sair], é uma grande alegria. Sou daqueles que ficam felizes com aquilo que é bom para o país. Acho que todos os portugueses devem ficar felizes se o país sair do PDE — não era líquido há um ano. Gente muito qualificada e muito inteligente disse que era matematicamente impossível. E foi possível chegar a este défice“, referiu, numa clara alusão às posições tomadas pelo anterior primeiro-ministro Pedro Passos Coelho, agora líder da oposição.» [Eco]
   
Parecer:

Abriu a boca e acabou por apanhar na cabeça.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»

sexta-feira, maio 05, 2017

Força, força camarada Passos!

Durante anos Passos Coelho exibiu privatizações duvidosas como exemplos de democracia económica, aliás, quando declarou que queria ir ir mais além da troika referia-se ás privatizações, só depois tomou o gosto da austeridade brutal e se tornou um toxicodependente da austeridade. Passos nunca escondeu o seu desejo de privatizar a CGD e só não o fez porque foi arredado do governo e não lhe foi possível recorrer ao desvio colossal” nas contas do banco para impor a sua privatização.

Talvez por serem defensores da democracia económica o PSD nunca se manifestou quando o BPI encerrou as suas instalações em Almeida. Aliás, os bancos privados encerraram centenas de agências, a maioria delas em pequenos concelhos e, que se saiba, Passos Coelho não tomou qualquer posição. Agora que as autárquicas estão à porta e tudo correu mal à direita, o PSD agarra-se com unhas e dentes à agência da CGD em Almeida.

Tudo o que era Estado foi brutalmente maltratado pelo governo de Passos Coelho, agora o PSD tenta atiçar incêndios, recorrendo ao encerramento de agências da CGD. Não é por acaso que foi o autarca da Guarda a vir tomar posição, é este dirigente do PSD já tinha vindo a insinuar que o governo estaria a favorecer autarquias do PS, agora vem sugerir que o PSD mudou de ideologia e agora já é o “povo que mais ordena”.

Entretanto, Passos Coelho tem-se mantido em silêncio. Talvez fossei interessante ouvi-lo, saber que a CGD deve ser gerida em função de critérios racionais, ou se deve suportar custos porque um banco público deve manter fontes de ineficácia em nome dos interesses políticos de alguns autarcas, da opinião de clientes de outros bancos ou para que três ou quatro empregados não querem ir trabalhar para uma agência a 15 Km de casa. 

Porque se cala Passos Coelho, o tal que dantes defendia a “democracia económica”? Parece que a tese tem agora uma versão diferente, democracia económica é  os autarcas do PSD negociarem favores para os seus concelhos, mobilizando os seus eleitores para ocuparem instalações da CGD enquanto são recebidos pelos gestores do banco. Por estes andar o pessoal de Almeida ainda cerca a Assembleia da República, com o povo a gritar “força, força, camarada Passos!”.

quinta-feira, maio 04, 2017

O verão quente do Paulo Maedo

té ao dia em que aceitou o convite para a CGD Paulo Macedo era um herói do PSD, o modelo de competência do governo de Passos, o guru tuga da gestão. Mas agora é um traidor, Passos não lhe perdoou e deixou de lhe falar. Não admira que o PSD, um partido institucionalista, exija a Paulo Macedo que peça desculpa ao heroico autarca de Almeida, porque o autarca representa o povo mas não manda no povo, pode combinar com o povo uma ocupação de uma agência de um banco, mas não pode pedir aos seus manifestantes que saiam.

O PSD quer matar dois coelhos com uma cajadada, o Domingues já deu o que tinha a dar, a sua ida ao parlamento para dizer que não tinha entregue as mensagens de SMS a ninguém ridicularizou a comissão parlamentar do Aguiar Branco, o pobre ex-ministro da Defesa viu  sua nobre comissão enterrar-se na primeira audiência.

Esgotado a questão das mensagens SMS os novos ocupas, liderados por autarcas do PSD vieram mesmo a calhar, eis que há um novo herói improvável, o autarca do PSD de uma vila aldeia, onde, muito de repente, todos os cidadãos são assíduos clientes da CGD. Há uns anos atrás, todas as senhoras de Elvas, dos 18 aos 80 anos recusava-se a parir em Badajoz, agora os velhotes pensionistas de Almeida, incluindo um pensionista da concorrência, não conseguem viver sem as suas visitinhas à CGD.

O que de vez em quando nos recordam o famoso certo à Assembleia Constituinte, não questionam agora que o povo ocupe a CGD, como se o banco público foice uma associação mutualista de que todos os cidadãos são sócios acionistas. Não interessa se são clientes do BCP ou que qualquer outro banco, Almeida não pode perder a CGD, os funcionários deste banco não podem ser forçados a ir trabalhar a 15 km de casa e, por tanto, a ocupação da agência é um direita inalienável do povo.

O autarca pode mobilizar o povo, pode pedir ao povo que ocupe a agência na hora a que vai ser recebido pelo Paulo Macedo, pode assumir que está fazendo um braço de ferro. Mas não pode pedir ao povo que se retire da agência, porque quem manda é o povo e o povo pode ocupar o que bem entender. Par o PSD é isto a democracia e a exigência de Paulo Macedo é uma manifestação de asfixia democrática. Pobre Paulo Macedo, em poucos dias passou de herói do PSD a agente do regime das esquerdas unidas, como gosta de dizer a Cristas.

Parece que vamos ter um verão quente, a esta hora os jotas extremistas do PSD já estão procurando no mapa onde promover outra ocupação das instalações da CGD.

terça-feira, maio 02, 2017

Passos, o respeitador

“Como é que uma sociedade com transparência e maturidade democrática pode conferir tamanhos poderes a alguém que não foi escrutinado democraticamente” [Passos Coelho]

“Se estão disponíveis para serem juízes do TC, têm que estar disponíveis para serem objecto de crítica jurídica e política.” [Teresa Leal Coelho]

“O escrutínio político deve ser feito denunciando aquilo que são as eventuais contradições, aquilo que são as obscuridades eventuais dos acórdãos do Tribunal Constitucional.” [Teresa Leal Coelho]

>”É uma interpretação ideológica da Constituição que vicia o princípio da alternância democrática, que condiciona a liberdade de ponderação do legislador e que manifestamente não compete ao TC.” [Teresa Leal Coelho]

Se procurarmos no Google encontramos dezenas de posições de personalidades do PSD e em particular de Passos Coelho e da sua vice-presidente criticando, condicionando ou pressionando os juízes do Tribunal Constitucional. Este PSD tem tantas semelhanças com os clubes de futebol que se diria que os responsáveis deste partido se comportam nesta matéria como os líderes de claques de futebol, mais um pouco e pareceriam jogadores do Canelas.

Mas em relação ao Conselho de Finanças Públicas já são grandes defensores da independência, ninguém pode questionar a independência, a capacidade técnica ou o critério de escolha. O governo deve comer e calar. E se este órgão mantiver uma oposição permanente ao governo com base em falazas previsões e partindo de pressupostos ideológicos, o governo deve comer e calar.

Não está em causa comparar o Tribunal Constitucional com o Conselho de Finanças Públicas, porque em matéria de importância, rigor e honestidade intelectual os factos explicam as diferenças. Mas criticar um órgão cujos membros são escrutinados por uma escolha feita pelo parlamento, com um obscuro conselho cujos membros são propostos por um funcionário do Banco de Portugal e por um tribunal constituído por juízes escolhidos por um concurso de funcionários, para defender a independência do CFP como se estivesse acima de todos os órgãos de soberania é ridículo.


Temos um presidente do PSD cujo respeito institucional pelos órgãos de soberania está abaixo de meros conselhos não sei do quê, um senhor que não respeitava as decisões do TC, mas agora quer que o país engula todas as previsões erradas do CFP.

segunda-feira, maio 01, 2017

Comer já o ovo ou esperar pelo frango?



1.º de Maio de 1976 (foto de A. Moura)

Ouço Arménio Carlos e fico preocupado. No porque ele possa cercar o parlamento ou liderar um a cintura industrial de Lisboa num assalto ao Palácio de Inverno, algo em que parece acreditar. Não sei muito bem o que será essa “política de esquerda” milagrosa que tudo resolver, ou como se poderá reestruturara a dívida contra os credores e voltar a contar com eles.

Fico preocupado porque Arménio Carlos volta a falar em greves gerais, tentando forçar uma política redistributiva que parece ignorar a realidade. Quem ouve alguns políticos portugueses fica com a impressão de que Portugal é um país rico e que todos os seus males resultam de uma política salarial injusta, decidida pela direita e pelo PS só por maldade e ódio aos trabalhadores.

Esta que não é apenas de Arménio Carlos é muito perigosa e a ser levada a sério pode voltar a dar o poder à direita, tendo por consequência a perda de mais direitos laborais, a destruição de mais riqueza e mais uns orçamentos inconstitucionais, com cortes de salários e de pensões e aumentos de impostos.

Não seria má ideia se os líderes sindicais portugueses se deixassem de demagogia e reconhecessem que Portugal não é um país rico, que tem recursos escasso e que tem sérios problemas de competitividade, alguns deles resultantes dos modelos laborais. A pobreza não resulta apenas de má distribuição da riqueza, mas também da sua escassez.

Graças a um política competente e rigorosa do Estado o país volta a poder respirar, ao poucos as empresas saem de um pesadelo, mas as dificuldades ainda são muitas. Mas Arménio Carlos está impaciente e fala grosso, fala como se os submarinos soviéticos estivessem na foz do Tejo, como se o COMECON estivesse de braços abertos para nos comprar os produtos, como se a velha indústria siderúrgica fosse a salvação do país.

Infelizmente Arménio Carlos não tem razão, não parece perceber muito de economia e não conta com o apoio dos seus velhos D. Quixotes heroicos. A questão é simples e Arménio Carlos tem de decidir que come os poucos ovos que temos ou se prefere deixar crescer os frangos. A questão está em saber se quer que Portugal progrida ou em nome da sua ideologia prefere ajudara a direita a promover mais um retrocesso.

domingo, abril 30, 2017

Semanada

Esta foi a semana da Ovibeja a feira onde a maior concentração de borregos se junta a uma forte concentração de personalidades da direita, talvez por isso muitas das nossas criaturas falaram como se todos fossemos carneiros. Primeiro foi o António Domingues a dizer que ele não divulgou as mensagens SMS, acabando por sugerir que foi mão amiga que as levou do telemóvel do Centeno para o e-mail do seu amigo Lobo Xavier.  De caminho Passos Coelho quer convencer-nos que é o ex-chefe de gabinete de duas personalidades de direita, que sabe tanto de finanças públicas quanto este modesto asno sabe de lagares de azeite, que vaio assegurar a competência e independência desse abcesso institucional que é o Conselho de Finanças públicas. Por fim apareceu Assunção Cristas, a mais divertida líder político que por cá passou, a dizer que a criação de emprego que agora se regista se deve ao seu governo,

Passos Coelho achou que a comemoração do dia 25 de Abril era o melhor momento para lançar a sua candidata à autarquia de Lisboa, por isso coube a Teresa leal Coelho o discurso da praxe no parlamento. Foi um desastre, a senhora fez um dos piores discursos que alguma fez foi feito naquela cerimónia. A escolha desta candidata a Lisboa foi um desastre.

O líder do PSD, que defende que das eleições autárquicas não se podem tirar conclusões para a liderança do PSD ou para as próximas legislativas, está dedicando todas as suas iniciativas autárquicas à crítica da geringonça maioritária da esquerda, não tendo ainda recuperado por lhe ter sido impedido a manutenção da geringonça minoritária da esquerda, que ficou para a historia pela explicação do seu ministro da Administração Interna para o vendaval de Albufeira. Mas se passos considera que as autárquicas são autárquicas porque quer usar estas eleições para discutir problemas nacionais?

Talvez por isso quisesse juntar as legislativas às europeias, assim falava do país quando o tema era autarquias e na hora de falar do país quereria falar da Europa. Mas o PSD já desmentiu a PR, que nõ fez a sugestão de juntar as legislativas às europeias. O problema é que a palavra de Passos vale muito pouco, em tempos também disse que foi apanhado de surpresa pelo PEC IV, um dia depois de se ter reunido com Sócrates para o analisar.
  

Umas no cravo e outras na ferradura



 Jumento do Dia

   
Assunção Cristas, a senhor que cuida do CDS até Portas voltar

Ao ouvir Assunção Cristas comentar o relatório sobre a dívida só me apeteceu dizer "grande estúpida". A senhora fala, fala, mas do seu discurso não sai nada que mereça um segundo de reflexão, tem uma cassete automática que fala mal e de forma primária de tudo o que não gosta.

Ouvi-la dizer que o seu governo fez um pagamento antecipado ao FMI, regressando à mentira que então se disse, como se uma substituição de uma dívida ao FMI por uma dívida a juros de mercado mais baixos significasse uma redução de dívida, merece um vómito. Dizer que foi uma brilhante ideia e que o PS imitou só merece uma resposta que integre calão.

Esta senhora, a tal que poupou muito no ar condicionado com o dress code dos cavalheiros do seu ministério que deixaram de usar gravata afunda-se cada vez mais em baboseiras que revelam uma inteligência muito limitada.

      
 Vou chegar atrasado
   
«Em dia da primeira edição do Festival do Contrabando, que marcou o último fim-de-semana de Março e que teve como ponto alto a inauguração de uma ponte flutuante pedonal provisória a ligar as duas margens, há visitas de Estado. Mas, enquanto decorrem os discursos da praxe, o corrupio pela improvisada construção não cessa. A música de fundo, que parece saída directamente dos anos 1980, destoa do ambiente. Mas também ninguém parece ouvi-la. E o desfile de pratos de arroz de lampreia, de enguias fritas ou de javali estufado, pelas mesas montadas à beira-rio, rouba atenções aos discursos.

Enquanto isso, o tráfego na ponte parece congestionado (lembra-se das filas para o Pavilhão de Portugal na Expo’98? Os números apontam para que cerca de oito mil tenham atravessado a ponte durante o fim-de-semana). E, assim se exige do mote, no meio de tanta gente, não poderiam faltar contrabandistas: homens de saco de serapilheira às costas, mulheres de saia bem comprida e larga. Afinal, tudo serve para esconder o “material”.» [Público]
   
Parecer:

Sou espanhol por parte de Isla Cristina e português por parte de Alcoutim, é uma pena que a ponte não seja mantida mais uma semana pois quero ir a San Luca do Guadiana.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Vá-se de barco.»
  
 É o que dá a falta de argumentos
   
«O PSD está a fazer do veto do Governo às nomeações para o Conselho de Finanças Públicas (CFP) uma manifestação de “falta de cultura democrática” do executivo socialista. A ideia, usada como arma de arremesso dos sociais-democratas contra António Costa, não é nova, mas ameaça tornar-se, nos próximos tempos, recorrente, na estratégia de Pedro Passos Coelho para atacar o Governo. Ao que o PÚBLICO apurou, o líder do PSD não tenciona deixar cair a polémica e vai explorar a ideia de que o que está em causa neste processo de nomeações é a independência de instituições cuja natureza legal é imperativamente independente do executivo.

As duas propostas para substituir o vice-presidente e o vogal-executivo do CFP – que já terminaram o mandato – estão por aprovar há meses pelo Governo, a quem cabe fazer a nomeação. Esse impasse levou Passos Coelho a confrontar o primeiro-ministro no debate quinzenal desta semana. O líder do PSD não gostou do que ouviu: António Costa só respondeu perante as insistências e assumiu que considerava que os “nomes [Teresa Ter-Minassian e Luís Vitório] não reuniam o perfil”. Uma intervenção que levou o PSD a endurecer o discurso: de uma divergência sobre a interpretação da lei passou-se à acusação da incapacidade do PS em “cumprir regras básicas da democracia”. Nem mesmo quando o Presidente da República se colocou ao lado do Governo, defendendo o diálogo entre quem propõe e quem nomeia, o PSD manteve o recato em relação ao chefe de Estado. O partido assumiu a discordância com Belém. É que, na São Caetano, suspeita-se de que a intenção do Governo é condicionar e fragilizar uma entidade independente que não tem sido favorável aos socialistas.» [Público]
   
Parecer:

Sem argumentos e propostas resta a Passos Coelho apoiar-se em quem alinha com as suas previsões diabólicas.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»

 O pasquim do Alberto valeu 10.000 euros
   
«O jornal onde Alberto João Jardim, em nome da “pluralidade informativa”, escrevia diariamente contra os adversários políticos e que custou, nos últimos anos, mais de 50 milhões de euros ao orçamento regional da Madeira vai finalmente ser vendido. O "finalmente", aqui, traduz as dificuldades que o executivo de Miguel Albuquerque teve para concretizar uma das promessas eleitorais, a alienação do Jornal da Madeira.

A ideia inicial do governo madeirense era vender o matutino até ao Verão do ano passado, mas, apesar da profunda reestruturação que foi alvo – pela via de rescisões de trabalhadores e ajustes de tiragem –, que se reflectiu numa descida dos suprimentos públicos de 2,6 milhões de euros para 1,2 milhões de euros, os sucessivos prazos avançados pelo governo regional para a conclusão do processo foram sendo adiados, por falta de interessados.

Só esta semana o dossier iniciado pouco após as regionais de 2015 ficou fechado, com o governo madeirense a anunciar a venda por dez mil euros. Um valor irrisório, se consideramos que no "pacote" da empresa consta também uma rádio local, a RJM.» [Público]
   
Parecer:

O antigo presidente tropical devia ser obrigado a pagar os 52 milhões dos contribuintes que pagaram um jornal onde ele escrevia as suas alarvidades.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Vomite-se.»

  Passos Coelho desmente Presidência
   
«Numa nota enviada a este jornal, a direção do partido “informa que esta foi a primeira vez que a direção do PSD teve contacto com o assunto. Em nenhum momento ou ocasião um tal cenário foi colocado ou abordado, quer no plano interno quer no contexto de audiências externas”. Sem esclarecer qual a posição do partido, a nota acrescenta não ter “qualquer fundamento” que o PSD tenha defendido a junção das eleições.

Contactada pelo Expresso, a fonte da Presidência lembra que “houve outras reuniões”, ou seja, o assunto pode ter sido tratado noutra altura. Registe-se que, além das reuniões com a direção do PSD, Marcelo teve duas conversas a sós com Passos Coelho.

Ao “Público”, que noticiou o mesmo que o Expresso, Passos também enviou uma nota a demarcar-se, onde acrescenta que “no que respeita ao PSD, não há outras fontes autorizadas a falar em seu próprio nome senão o PSD”. Eis o partido de Passos a mandar calar Belém.» [Expresso]
   
Parecer:

O problema é que a honestidade de Passos Coelho deixa muito a desejar, recorde-se que disse que nunca tinha falado com Sócrates sobre o PEC IV e depois soube.-se que tinha tido uma reunião. Neste capítulo Passos é um político que não merece confiança.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Espere-se para ver.»