sábado, maio 27, 2017

O diabo só veio em maio


Passos Coelho tinha toda a razão, o diabo estava mesmo para vir. Mas veio atrasado, em vez de vir em Setembro de 2016, para anunciar um segundo resgate em consequência da execução orçamental de Agosto, veio em Maio. Mas em vez de se apresentar em São Bento, parece que o diabo preferiu como alojamento local a sede do PSD, na São Caetano à Lapa.

Passos estava convencido de que por esta ocasião já era primeiro-ministro e que poderia voltar a governar com o chicote dos credores, ameaçando tudo e todos e fazendo gato sapato do Tribunal Constitucional. Um segundo resgate ou a ameaça disso permitir-lhe ia impor o “ajustamento” ao setor privado, leia-se um corte brutal dos rendimentos e dos direitos do trabalho, governando sem regras e sem limites.

Mas o diabo trocou-lhe as voltas e a sua vida é agora um inferno, poderíamos dizer que de certa forma que o diabo lhe fez a vontade, se queria um inferno então que fique com ele. E o Passos que pensava que com meia dúzia de jantares de lombo assados com as mulheres social-democratas chegaria ao poder, arrasta-se agora penosamente sem saber quando é que se livrará da via sacra a que se condenou no dia em que em vez de se demitir da liderança do PSD optou pela pantominice do primeiro-ministro no exílio.

Passos teve aquilo a que se designa como azar dos Távoras, previu que os investidores fugiam e eles aparecem, garantiu que votava no PS se tudo desse certo e deu, previa um défice acima dos 3% e o país é elogiado pela Comissão que o livra do procedimento dos défices excessivos, previu uma subida incomportável dos juros e fala-se de uma melhoria no rating da dívida portuguesa.

Como se tudo isto fosse pouco sujeita-se a ouvir Marcelo, o tal a que designou por cata-vento, atribuir-lhe o mérito pela saída do procedimento dos défices excessivos. Depois de tanta humilhação Marcelo dá-lhe um presente envenenado, elogia-o por aquilo que não fez, pelos resultados que condenou, pelo sucesso de um governo que considerou ilegítimo. Passos está comendo o pão que o diabo amassou, e, pior do que isso, o pão é-lhe levado à boca por Marcelo.
E ainda faltam não sei quantos meses para as autárquicas e mais dois anos para as legislativas, tanto tempo para que Passos se arraste, começou por se dispensar de fazer oposição e agora que a quer fazer não sabe como e com que argumentos. Queria que o diabo viesse e este fez-lhe a vontade.

Umas no cravo e outras na ferradura



 Jumento do Dia

   
Carlos Alexandre, super juiz

Convenhamos que este modesto juiz, que não quer ser promovido, começa a ser demasiado famoso, a ser alvo de demasiados processos e a dar demasiado nas vistas. Pode-se dizer que sendo uma denúncia de alguém em prisão domiciliária há razões para desconfiar, mas com tanta gente a defender a delação premiada teremos de elogiar uma denúncia sem que implique qualquer retribuição. Como se costuma dizer, é tratar o cão com o pêlo do próprio

«É mais uma denúncia contra o juiz Carlos Alexandre, que levou a Procuradoria-Geral da República a abrir uma investigação. Desta vez, foi o antigo coordenador da Polícia Judiciária Carlos Dias Santos, detido em prisão domiciliária por ordem do juiz Carlos Alexandre no âmbito de um inquérito de corrupção, tráfico de droga e associação criminosa, que reencaminhou um denúncia contra o juiz por supostas escutas ilegais. Segunda avançam a Sábado e o Expresso, Dias Santos acusa o juiz do Tribunal Central de Instrução Criminal de alegadamente ter pedido uma escuta contra um candidato a uma Junta de Freguesia de Mação por suspeitas de tráfico de droga e até já depôs como testemunha num inquérito para apurar se as suspeitas sobre aquele magistrado têm algum fundamento.

O ex-coordenador da Polícia Judiciária (PJ), entretanto reformado, está em prisão domiciliária depois de ter sido formalmente acusado pelo Ministério Público (MP) de tráfico de droga agravado, associação criminosa com vista ao tráfico e corrupção passiva para prática de ato ilícito. Foi o juiz Carlos Alexandre quem ordenou a prisão de Dias Santos, após a respetiva promoção do MP.

O caso remonta a agosto do ano passado, quando foi aberto um processo-crime contra Carlos Alexandre na Procuradoria-Geral Distrital de Lisboa (única entidade judicial que pode investigar casos que envolvam juízes de primeira instância) na sequência de várias denúncias anónimas feitas ao longo dos últimos anos. Uma delas dizia respeito a um suposto assédio de Carlos Alexandre a uma advogada nas instalações do Tribunal Central de Instrução Criminal, em Lisboa, e outra dizia respeito a este caso de escuta ilegal relacionado com o ex-investigador da PJ Carlos Dias Santos. Segundo a revista Sábado, que contactou a advogada que teria sido vítima de assédio, a denúncia não tem fundamento. “Isso vem de gente sem escrúpulos e estão a usar-me para enlamear o nome do juiz”, disse. Já a denúncia sobre supostas escutas ilegais viria a ter mais continuidade.» [Observador]

 O labrego americano


 Ainda estão com vontade de rir?




      
 O que dirão os defensores dos mercados?
   
«Donald Trump terá acusado os alemães de serem “muito maus”, numa reunião em Bruxelas com o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, e com o presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, por causa dos “milhões de carros que vendem nos Estados Unidos”, prometendo arranjar forma de impedir que isso aconteça.

As declarações, que estão a ser avançadas pela revista alemã Der Spiegel, terão sido feitas durante a recente visita do Presidente dos Estados Unidos a Bruxelas.

Trump, segundo a revista, terá dito mesmo “os alemães são maus, muito maus”, justificando isso com o desequilíbrio comercial que os EUA têm com a Alemanha: “Olhem para os milhões de carros que vendem nos Estados Unidos. Terrível! Mas nós vamos parar com isso”, terá dito.» [Observador]
   
Parecer:

Grande besta!
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»
  
 Procurar lenha para se queimar
   
«O PS admite que a versão que apresentou para alterar o regime do alojamento local, fazendo depender o arrendamento a turistas da autorização dos vizinhos, não vai ser ainda a versão final da lei. O deputado socialista Carlos Pereira diz que “há abertura” para considerar propostas dos outros partidos e das associações do sector, mas afirma que esta mexida da lei não vai comprometer a criação de emprego na área.

“Não é por esta razão, o envolvimento dos vizinhos na decisão, que se vai comprometer a criação de emprego”, disse o deputado aos jornalistas durante as jornadas parlamentares do partido em Bragança.

A Associação de Alojamento Local de Portugal defendeu nesta quinta-feira que a medida proposta pelo PS poderia pôr em causa dez mil postos de trabalho. Além disso, a associação considera-a iconstitucional, por violar o direito de propriedade privada. O deputado socialista refuta essas duas acusações, dizendo que “o grupo parlamentar do PS não faz nem produz legislação para violar a Constituição. Isso era noutra altura e com outros partidos”.» [Público]
   
Parecer:

Parece que não percebem que estão a mexer num vespeiro, por mais que mudem a lei ficarão sempre metade das pessoas descontentes.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se ao deputado Carlos Pereira se não tem mais nada que fazer.=

sexta-feira, maio 26, 2017

Ironia marcelista

Foi lindo ver Marcelo agradecer publicamente a Passos Coelho pela saída do procedimento dos défices excessivos, só não entendi se o fazia com sinceridade, para salvar a honra do seu próprio partido ou se por ironia.

Sugiro a hipótese da ironia pois tenho muitas dúvidas de que Passos Coelho estivesse muito interessado nessa saída, quer como líder da oposição, quer se fosse ainda primeiro-ministro. Se os membros da Comissão Europeia tivessem a mesma opinião de Passos e Maria Luís acerca das políticas deste governo, dos seus resultados e das expectativas em relação ao futuro nunca proporiam ao Ecofin tal saída.

Os argumentos da Comissão Europeia para propor a saída de Portugal do espartilho orçamental resultante do procedimento dos défices excessivos são a negação de tudo o que Passos tem dito ao longo de mais de um ano. Nem é preciso recuar muito no tempo, para ouvir de Passos Coelho declarações pouco abonatórias em relação aos resultados. Ainda há poucos dias um senhor que tem o hábito de ser a voz do dono, desvalorizou o crescimento económico, dizendo que o mesmo é resultado da crise no Mediterrâneo.

Mas será que se Passos ainda fosse primeiro-ministro estaria interessado em tal desfecho?

O crescimento económico apenas esteve temporariamente na agenda de Passos Coelho, porque foi obrigado a cumprir acórdãos do Tribunal Constitucional e porque lhe dava jeito em período eleitoral. A agenda de Passos Coelho implicava uma situação económica que lhe permitisse continuar com medidas inconstitucionais e isso só era viável com a política do medo que adotou durante quatro anos.

Passos ficou a meio a sua agenda económica, não teve tempo para consolidar juridicamente os cortes dos vencimentos no Estado e a redução das reformas, não promoveu o despedimento em massa de funcionários públicos e não conseguiu o “ajustamento” no setor privado, algo de que se queixava com frequência declarando que o Estado já o tinha feito.

A saída do procedimento dos défices excessivos teria sido uma má notícia para quem queria ter um povo cheio de medo e um Tribunal Constitucional soba a ameaça permanente da bancarrota. O elogio de Marcelo só poder ter sido ironia marcelista.

Umas n o cravo e outras na ferradura



 Jumento do Dia

   
Marcelo Rebelo de Sousa

Parece que Marcelo chamou a si as funções do INE e já tem como tarefa anunciar as previsões do crescimento económico, pelo menos enquanto as notícias forem boas, pois é bem provável que quando chegarem as más notícias Macrelo em vez de as anunciar chame Centeno a Belém para que o ministro lhe dê explicações ou lhe mostre mensagens pessoais de SMS.

É uma pena que Marcelo não tenha conseguido prever a trovoada de ontem à noite, tinha-me poupado um grande cagaço! Mas tenho esperança que um dia destes Belém passe a assumir a responsabilidade pela divulgação das previsões meteorológicas, talvez Marcelo contrate umas raparigas jeitosas para nos anunciar as "boas abertas", lembrando os bons tempos da SIC do seu velho amigo Balsemão.

«O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, escusou-se esta quinta-feira a comentar a previsão de crescimento do PIB de mais de 3% no segundo trimestre avançada na quarta-feira pelo Governo, referindo apenas que "os factos falam por si".

Na semana passada, em Zagreb, Marcelo Rebelo de Sousa afirmou que não estava afastada a hipótese de Portugal conseguir este ano um crescimento económico à volta de 3,2% e um défice de 1,4%.

Em declarações aos jornalistas no Luxemburgo, onde termina esta quinta-feira uma visita de três dias, Marcelo Rebelo de Sousa considerou que as suas previsões são perfeitamente lógicas porque "quando um trimestre está em 2,8% pode ir mais longe. Pode ir no trimestre a seguir ou até ao fim do ano, mas há uma mudança de ritmo tal que permite ir para esses valores".» [Expresso]

 Que geringonça estaria a passar?



      
 Um ponto de viragem para Portugal
   
«A saída de Portugal do Procedimento por Défice Excessivo é um passo decisivo para um futuro mais próspero. Para um futuro em que o crescimento económico e a criação de emprego tragam mais justiça social. Este momento marca, pois, o rumo a seguir, um rumo que exigirá empenho e rigor e produzirá resultados.

O país que agora vê o seu esforço de consolidação reconhecido é um país muito diferente daquele que atravessou uma das mais profundas crises financeiras de sempre. Portugal cumpre as suas metas e, por isso, a confiança dos agentes económicos está em máximos de muitos anos. O mercado de trabalho está em expansão, produzindo mais oportunidades. Hoje vale a pena ficar em Portugal.

Portugal apresenta uma situação orçamental equilibrada e sustentável, num contexto de crescimento económico, que assegura uma redução continuada da dívida pública em percentagem do PIB de agora em diante. 

Portugal alcançou, pela primeira vez na sua história recente, um défice reduzido e uma diminuição das taxas de juro da dívida, num contexto de crescimento económico e de criação de emprego. O Governo assume um compromisso firme para o futuro na continuação da melhoria das condições de desenvolvimento da economia portuguesa. 

Portugal voltou a ter perspetivas de crescimento sustentado, com o investimento empresarial a aumentar de forma significativa, acima de 9% no primeiro trimestre, e com as exportações a registarem um crescimento robusto, quer nos bens, quer nos serviços.

A taxa de desemprego está em valores inferiores a 10%, a maior redução anual na UE, enquanto o emprego cresce 3%, mais de o dobro do crescimento na UE. Esta dinâmica deve ser mantida e conjugada com a criação de emprego qualificado e duradouro. Uma evolução que constitui a verdadeira reposição de rendimentos, a que se junta, naturalmente, a redução efetiva da carga fiscal.

Também o endividamento externo em Portugal está hoje numa trajetória sustentável. O aumento das exportações, num contexto de aumento moderado da procura interna assente na criação de rendimento e não de endividamento, permitiu que o défice externo se tenha transformado num excedente externo, reduzindo, assim, a dívida externa portuguesa. Neste aspeto, o setor privado teve um papel muito importante, reduzindo o seu endividamento em cerca de 40% desde o ponto mais alto da crise. 

A mais relevante alteração das condições de funcionamento da economia portuguesa prende-se com a estabilidade financeira, hoje, finalmente, uma realidade. Os bancos foram capitalizados e provaram a sua capacidade para atrair capital de todo o mundo, refletindo a confiança dos investidores internacionais na solidez da economia e numa estabilidade política, tantas vezes questionada, mas que, hoje, é invejada em muitas partes da Europa. Portugal não deve ter vergonha de ser um exemplo.

O crescimento potencial da economia, do que esta pode produzir de forma sustentada, está a aumentar em Portugal de forma inquestionável. O facto de este não ser um fenómeno diretamente observável desviou a atenção dos seus verdadeiros fundamentos económicos. É mais que tempo de reconhecer que a condução da política económica deve assentar em fundamentos sólidos e dar resposta a problemas concretos.

A saída do Procedimento por Défice Excessivo é hoje uma realidade e resulta do ganho de credibilidade da condução de política económica em Portugal. O progresso da economia portuguesa é cada vez mais reconhecido e os objetivos traçados pelo Governo foram superados, quer no que respeita ao crescimento, quer no que respeita à evolução orçamental. 

Sim, foi possível. Finalmente concretizou-se o necessário espaço económico para que as reformas, iniciadas há mais de uma década, se pudessem refletir na economia. Reformas, Procura e Tempo foram conjugados em Portugal.

Uma reforma estrutural existe para acrescentar valor à economia e ao processo social. O plano de reformas do Governo tem este denominador comum. Não nos focamos em soluções temporárias, pensadas para o curto prazo e que não perduram, mas em verdadeiras alterações dos incentivos que permitam a capitalização das empresas, a melhoria das qualificações, a geração de oportunidades e a inovação na Administração Pública.

Portugal faz parte de uma das maiores áreas económicas mundiais. A área do euro está a recuperar dolorosamente da recessão devido à falta de investimento e de procura. Desde o momento mais baixo do ciclo económico, a área do euro levou cinco anos até registar aumentos no investimento. Durante todo este período, registou-se uma insistência excessiva nas reformas estruturais, não porque não fossem necessárias – porque o são – mas porque a recessão não foi causada por falta de produção.

A resposta errada à crise acabou por criar uma descrença nas reformas realizadas, que não dispunham do espaço económico necessário para produzirem os resultados esperados e conduziram os países que as realizaram num cenário recessivo a ter que aprofundar os efeitos desse ciclo para compensar os custos económicos e sociais dessas reformas.

Todos cometemos erros. O problema é quando não somos capazes de reconhecer de forma rápida e séria os nossos erros. Temos de enfrentar, na Europa, os desafios com que nos deparamos: reforçar o setor financeiro e estimular a procura. 

A economia europeia tem tudo para ser bem-sucedida. A situação atual das contas externas e o equilíbrio orçamental permitem desenhar políticas na área do euro para fazer face aos desafios que enfrentamos.

Sabemos onde atuar. Devemos completar a União Bancária, o Fundo Europeu de Garantia de Depósitos e encontrar soluções adequadas e estruturais para o crédito mal parado. Devemos definir políticas que promovam o crescimento e a convergência na Europa, como um mecanismo de apoio europeu face ao desemprego que permita a afetação de recursos financeiros de acordo com o ciclo económico e tendo sempre em vista a convergência. Partilharemos sucessos e riscos de forma equilibrada, partilhando benefícios e responsabilidades.

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Os portugueses e toda a Europa devem congratular-se e orgulhar-se pelo que foi conquistado em Portugal após um período difícil de ajustamento. Os cidadãos europeus sabem hoje que há alternativa ao desemprego, à desigualdade e à falta de mobilidade, que têm sido os principais catalisadores do populismo económico. A nossa responsabilidade assenta na necessidade de manter a sustentabilidade e a validade desta alternativa.

O populismo dá origem ao isolamento. Essa é a imagem da Europa medieval, que não corresponde aos princípios humanistas da moderna construção europeia. Enquanto aos cidadãos estiver vedada a mobilidade social e a possibilidade de melhorar as suas condições de vida estes sentir-se-ão seduzidos por posições políticas demagógicas.

Portugal permanecerá fiel ao projeto europeu, cumprindo com as suas responsabilidades, apoiando os seus sucessos e contribuindo para o seu desenvolvimento inclusivo, para benefício dos cidadãos.» [Público]
   
Autor:
Mário Centeno.

      
 Quem disse que os investidores só confiam na direita
   
«Num relatório publicado esta manhã, a agência de rating definiu como "positivo" o impacto da quase inevitável saída de Portugal do Procedimento por Défices Excessivos aplicado pela Comissão Europeia desde 2009.

Referindo a renovada "confiança dos investidores", a Moody's reconhece que a credibilidade portuguesa está a aumentar a olhos vistos, mesmo com alguns problemas estruturais ainda por resolver.

De acordo com o vice-presidente e analista sénior da Moody's, Evan Wohlmann, a recomendação da Comissão Europeia de saída de Portugal do Procedimento por Défices Excessivos "reconhece o desempenho orçamental acima das expectativas em 2016, ano em que o défice orçamental caiu para 2% dos 4,4% de 2015, e a convicção da CE, que partilhamos, que o défice permanecerá abaixo do limite de 3% durante 2017 e 2018".» [Notícias ao Minuto]
   
Parecer:

Esta foi uma das teses defendidas recentemente por Passos Coelho, a de que os investidores não confiariam no governo de Costa. Mais uma derrota de Passos Coelho.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»
  
 O diabo veio em Maio
   
«O défice público aumentou, de Janeiro a Abril, 314 milhões de euros em relação aos primeiros quatro meses de 2016, passando para 1931 milhões de euros. O agravamento do saldo entre a receita e a despesa é explicado sobretudo por um crescimento no valor dos reembolsos de IRS e IVA, um efeito que se deve em parte a uma antecipação de pagamentos comparativamente com o período homólogo, mas com efeitos que se vão diluindo ao longo do ano.

O valor do défice foi divulgado em comunicado pelo Ministério das Finanças, que se mostra tranquilo porque, vinca, estes efeitos vão dissipar-se, sem colocar em causa a meta do défice. A receita está a crescer 0,2%, abaixo do aumento da despesa, que foi de 1,2%.» [Público]
   
Parecer:

Com a antecipação dos reembolsos do IRS e a sua concentração em apenas dois meses o diabo que no ano passado era para vir em Setembro apareceu este ano muito mais cedo.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Informe-se Passsos Coelho de que o seu amigo mafarrico anda por cá, se calhar deixou de passar férias no Médio oriente por causa do DAESH.»

 Uma vigarice chamada CRESAP
   
«Se o objetivo era diminuir a influência dos partidos no Estado, a Comissão de Recrutamento e Seleção da Administração Pública não conseguiu evitar o favorecimento aos dirigentes da cor do Governo. Um estudo do Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas demonstra que esta entidade independente não conseguiu travar a tendência histórica de colonização do Estado pelos aparelhos partidários. Uma tese sobre o mérito na administração pública, a que o Observador teve acesso — e que está à espera de publicação na revista científica daquela faculdade — demonstra que possuir cartão partidário aumenta de forma exponencial as probabilidades de nomeação. Metade dos militantes do PSD e do CDS que chegaram às short-lists dos concursos daquela comissão foram nomeados durante o Governo de Pedro Passos Coelho e Paulo Portas.» [Observador]
   
Parecer:

É evidente que os concursos foram feitos para montar uma fantochada, ainda antes de os concursos serem abertios sabe-se quem vai ficar e nem sempre o argumento é o da competência.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «lamente-se.»

quinta-feira, maio 25, 2017

Bardamerda para o mérito



Tanto António Costa como Marcelo Rebelo de Sousa decidiram considerar que a saída do procedimento dos défices excessivos foi mérito de todos os portugueses, de caminho Marcelo terá telefonado ao primeiro-ministro para o felicitar, tendo ainda feito o elogio público do ex-primeiro-ministro. Pelo ambiente de festa e de parabéns fiquei com a sensação de Portugal tinha feito anos e até haveria bolo de aniversário e o competente espumante produzido segundo o método champanhês.

Mérito de quê?

Tanto quanto me recordo nunca fui voluntário de qualquer esforço coletivo, muitos portugueses e principalmente os que votaram no PSD foram enganados com falsas promessas eleitorais, muitos dos que votaram PS não esperariam pelo espetáculo triste proporcionado por Seguro. Muitos dos que votaram no PSD e ficaram com cortes nos vencimentos e nas pensões confiaram quem quem lhes garantiu que não o faria.

Mérito por ter sido enganado, mérito por ter ficado com um corte de rendimentos de quase 30%, depois de somadas todas as artimanhas inventadas pelo governo de Passos e Portas para empobrecer os portugueses e, principalmente, os funcionários públicos e reformados? Mérito por ver os filhos partir para os quatro cantos do mundo? Mérito por ter um salário mínimo congelado ao mesmo tempo que se aumentava o IVA nos bens essenciais e na energia? Mérito por se morrer à espera de ser atendido numa urgência?

Há uma grande diferença entre o líder de uma claque ou um treinador de futebol e um primeiro-ministro ou um ministro das Finanças. O que sucedeu em Portugal foi muito mais do que um esforço coletivo, foi uma tentativa desastrada de promover uma brutal transferência de rendimentos, aumentando a injustiça social, com o objetivo de resolver a falta de capital de uns à custa da subsistência de outros.

Da parte que me toca não tive qualquer mérito sem ver aumentado o horário de trabalho sem qualquer compensação, de ter ficado sem feriados sem ser remunerado por isso, por ter perdido direito a férias só para que Passos me exibisse ao ministro das Finanças da Alemanha. Não sinto que tenha tido mérito quando fui exibido como uma "despesa pública", quando fui acusado de ganhar mais do que os outros, quando fui acusado de, enquanto funcionário público ou reformado, de ser o culpado dos males do país.

O país não é um imenso grupo de cheerleaders a quem o chefe vem agradecer o belo desempenho no fim do jogo. a os que partilhavam a mesa e os negócios com o Ricardo Salgado e os que foram enganados pelos BES, os que aguentaram a austeridade e os que dizia que os outros aguentavam, aguentavam, os que passaram fome e os que compraram carros de luxo cujas vendas aumentaram.


Umas no cravo e outras na ferradura



 Jumento do Dia

   
Ana Avoila, sindicalista

Ninguém entende o porquê de uma greve da Função Públicas. Trata-se de mais uma espécie de ritual religioso presidido por esta sacerdotiza do sindicalismo.

«"As escolas são já prática encerrarem com a greve dos trabalhadores não docentes, esta greve na educação tem uma força muito grande", afirmou a dirigente sindical na conferência de imprensa de hoje onde voltou a recordar as razões para a paralisação dos trabalhadores da função pública no próximo dia 26 de maio.

"Na saúde vai afetar naturalmente", acrescentou, sublinhando que os serviços mínimos serão garantidos. Mas haverá ainda mais áreas a serem afetadas pela greve, como por exemplo a da cultura, que teve uma greve há pouco tempo.

A cultura "vai ter uma nova adesão à greve, há muitos sítios que é provável que fechem", afirmou, o mesmo acontecendo com "repartições de finanças" ou serviços da "Segurança Social.

"Nesse dia, os serviços vão ter perturbações grandes e nalguns sítios não vão funcionar", salientou Ana Avoila.» [Notícias ao Minuto]

 Contra tudo e contra todos

É bonito ver os eleogios que agora tecem a Mário Centeno, com o ministro das Finanças da Alemanha a citá-lo como o Ronaldo do Eurogrupo. O problema é que quando apresentou as suas propostas poucos acreditaram nele.

  O PAÍS DOS IDIOTAS

Interrompeu-se a construção da barragem, perderam-se milhões de euros, Guterres fez dos desenhos rupestres uma bandeira eleitoral, a EDP contratou arqueólogos de renome para dizerem que eram rabiscos sem valor, o Zilhão ganhou fama internacional dizendo que não, construiu-se um museu, nomearam-se boys para a sua gestão.

Agora, dois idiotas passaram por lá num dia feriado e decidiram dizer ao mundo que os desenhos rupestres não nadam mas andam de bike!

      
 Regabofe nos serviços de informações
   
«O nome do autor do atentado terrorista que esta segunda-feira matou 22 pessoas em Manchester começou a circular a meio da tarde de terça-feira, numa informação avançada pela Associated Press. Apesar de a agência noticiosa citar como fonte as autoridades britânicas, a informação terá sido revelada pelos serviços norte-americanos. A decisão não foi bem recebida no Reino Unido. A ministra do Interior britânica, Amber Rudd, considerou a "intervenção" de Washington "irritante". Horas depois, emergiram novos detalhes sobre o autor do atentado, citando informação dos serviços britânicos. Novamente, não eram as autoridades do Reino Unido que os partilhavam, mas o ministro do Interior francês.

Os pormenores sobre identidade do autor surgiram depois de a polícia de Manchester ter alertado para que não se especulasse sobre a identidade do responsável e antes de avançar com a sua primeira detenção. Até àquele momento, a polícia britânica havia apenas publicado um comunicado em que informava que o autor tinha morrido durante o ataque, sem o identificar, para que os serviços britânicos pudessem trabalhar na investigação.» [Público]
   
Parecer:

Tanta incompetência...
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Lamente-se.»
  
 O Ronaldo do Eurogrupo
   
«O Presidente da República gostou de ouvir as declarações do ministro das Finanças alemão, que comparou Mário Centeno ao Cristiano Ronaldo das Finanças. Embora ressalvando que a saída de Portugal do Procedimento por Défice Excessivo (PDE) é uma vitória colectiva, Marcelo Rebelo de Sousa concorda com a comparação: “Quem quer que tenha pensado o dito isso, por uma vez não se enganou”. » [Público]
   
Parecer:

Há poucos dias Marcelo andou a ler as mensagens pessoais de Centeno...agora cola-se à imagem do ministro das Finanças.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»

 É muito feio 
   
«Se forem verdadeiras as declarações que permitiram o registo por usucapião, em nome de particulares, do terreno parcialmente municipal adquirido em 2001 pela Selminho, uma empresa da família de Rui Moreira, a Câmara do Porto já não terá qualquer direito sobre 1660 metros quadrados, dos 2260, que estão registados em seu nome e, ao mesmo tempo, em nome daquela empresa. Se, pelo contrário, se provar em tribunal que tais declarações não são verdadeiras, a aquisição pelos particulares que venderam a propriedade à Selminho é nula. Nesse caso, porém, a Selminho poderá igualmente ficar com a propriedade, podendo até registá-la por usucapião.

Estas são algumas das conclusões a que chegaram dois juristas a quem a Câmara do Porto encomendou um parecer sobre os direitos reais do município e da Selminho em relação àquela propriedade, situada numa escarpa junto à ponte da Arrábida.» [Público]
   
Parecer:

A forma como a empresa da família do autarca fica com terrenos da CMP não é das mais elegantes e o negócio não fica bem a Rui Moreira porque "quem sai aos seus não degenera".
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Lamente-se.»

 Dor de corno
   
«Esta terça-feira, na assembleia municipal, o PSD aproveitou a visita de boas vindas do autarca para falar de buracos. Mais concretamente, de um buraco na mesma Rua Rodrigo da Fonseca onde Madonna está hospedada – e que está por tapar há vários meses. Informada do facto de Fernando Medina ter ido “visitar uma estrela pop”, a deputada Margarida Saavedra ironizou. “Das três uma: ou o fez como particular, ou a dita estrela tinha tanto interesse para o turismo que a Associação de Turismo de Lisboa entendeu mandar, nem mais nem menos, o presidente da câmara”, disse a social-democrata.» [Público]
   
Parecer:

Só gente pequenina tem esta abordagem de uma visita do autarca a alguém cujo nome traz mais publicidade a Lisboa do que a candidatura da Teresa Leal Coelho.
  
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Mande-se essa gente ter juizinho e portar-se como gente grande.»

 Filho de peixe...
   
«O pai do autor do ataque bombista em Manchester já pertenceu a um grupo ligado à Al-Qaeda, revelou à Associated Press um antigo membro das forças de segurança líbias.

Segundo Abdel-Basit Haroun, Ramadan Abedi pertenceu, nos anos 90, a um grupo armado líbio com ligações à organização terrorista.

A agência noticiosa refere que o grupo LIFG foi dissolvido, mas que o pai de Salman Abedi continuou a pertencer a um movimento salafista ortodoxo conservador dentro do islamismo sunita.» [Notícias ao Minuto]
   
Parecer:

Como é que alguém ligado a um grupo terrorista é refugiado no Reino Unido?
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Lamente-se a vida de tanta gente por causa de um bandideco e da estupidez dos governantes.»

quarta-feira, maio 24, 2017

O Ronaldo do Ecofin

Os Cenários Macroeconómicos “desenhado” por um grupo de economistas liderados por Mário Centeno já foram quase esquecidos, na ocasião a direita dividiu-se entre a gargalhada e a mobilização de economistas apoiantes da tese do empobrecimento forçado. O desplante chegou ao ponto de a direita propor que as propostas económicas apresentadas pelo PS fossem previamente avaliadas pelo Conselho de Finanças Públicas, para o que prontamente Teodora Cardoso se ofereceu.

Os cenários Macroeconómicos previam 3,1% de crescimento para 2017, número que serviu para promover gargalhadas à direita. A primeira ida de Mário Centeno ao parlamento não foi notícia pelas suas propostas ou ideias, mas sim porque segundo a comunicação social noticiou Passos Coelho riu até chorar. Sem experiência de calhandrice parlamentar e com o seu ar desajeitado Mário Centeno parecia presa fácil para o cinismo de políticos com calos no cu.

Mas Centeno lá foi sobrevivendo e quando a direita se começou a aperceber dos resultados em catadupa perdeu a vontade de rir, a partir de então a estratégia era destruir a sua política, aproveitando-se de uma divergência entre o PS e os seus parceiros no parlamento, a direita votou de forma suja na questão da TSU. A estratégia era agora boicotar as propostas de Centeno, percebia-se que resultavam e era imperioso que tal não sucedesse.

A estratégia falhou e o objetivo passou a ser o derrube de Mário Centeno, custasse o que custasse. Um obscuro gestor de bancos proporcionou a oportunidade, amigo de um conhecido especialista de corredores e de porteiro de passagens entre o poder e a finanças, proporcionou a oportunidade, durante semanas desenrolou-se o folhetim miserável das mensagens de SMS. Mais uma vez Passos Coelho teve o azar do diabo.

Mário Centeno não só está de pedra e cal como em pouco mais de um ano provou que quem se opunha à reformatação económica do país iniciada por Passos Coelho tinham razão. Ainda ontem a agência de Notação Fitch teceu elogios às mudanças de orientação política, apontando-as como uma das causas do crescimento da economia. Mário Centeno não só provou que era possível seguir outro caminho, como já conseguiu negociar dois orçamentos com o PCP e o BE, já ninguém acredita que o governo caia antes do fim da legislatura.

É a newsletter “Político” que divulga que o ministro das Finanças Alemão disse em privado que Mário Centeno é o Ronaldo do Ecofin acrescenta:

“Há doze meses, era tudo tão diferente. Portugal estava à beira das sanções económicas da União Europeia e o sucesso do seu novo Governo de coligação de esquerda estava longe de ser assegurado. Hoje, já não viola as regras orçamentais da UE e espera entregar antecipadamente 10 mil milhões de euros ao FMI”

Por cá há quem diga que tudo se deve a vários treinadores, argumento muito usado quando os presidentes dos clubes querem chamar a si os louros pelo bons resultados de uma equipa.

Umas no cravo e outras na ferradura



 Jumento do Dia

   
Marcelo Rebelo de Sousa

Marcelo vai peregrinar ao Luxemburgo e no meio das suas habituais sessões de selfies descobre que no Luxemburgo há portugueses em todas as esquinas. Esperemos que não se lembre de abrir um mini Palácio de Belém naquele país, onde já existe um mini santuário de Fátima.

«O Presidente da República portuguesa, Marcelo Rebelo de Sousa, comentou hoje que na cidade do Luxemburgo "há portugueses em todas as esquinas", enquanto percorria as ruas a distribuir beijos e a tirar 'selfies', desafiando a capacidade de improviso dos seguranças.

Quando saiu hoje de uma sessão solene no centro cultural Cércle Cité, Marcelo foi aplaudido por algumas dezenas de portugueses que gritavam "Portugal, Portugal". O Presidente já sabia que uma jovem fazia 18 anos e fez questão de lhe ir dar os parabéns, seguindo-se depois várias 'selfies'.

Face a tantas solicitações, até os grão-duques do Luxemburgo, Henrique e Maria Teresa, se aproximaram das barreiras de segurança para cumprimentar os populares, o que gerou o nervosismo dos seguranças.

Antes de avançar pelas ruas da capital, o Presidente português ainda perguntou: "Qual é o maior país do mundo?" A resposta: "Portugal. E o segundo é o Luxemburgo".» [Notícias ao Minuto]

terça-feira, maio 23, 2017

Avaliar a política económica de Passos Coelho

O PS cometeu o erro de nunca ter promovido a avaliação da política económica de Passos Coelho e Vítor Gaspar, apadrinhada pelo defunto António Borges, tendo permitido que nos momentos de falhanço a direita se escondesse atrás do memorando com a Troika. A Política económica de Passos Coelho foi muito além do previsto no memorando, Portugal foi um banco de testes para experiências de política económica.

Essa ausência de avaliação permite a Marcelo Rebelo de Sousa branquear muito do que se passou, passando a mensagem falsa de que há uma complementaridade ou continuidade no domínio da política económica. Para Marcelo tenta passar a ideia de que a política económica e a medicina são coisas parecidas, isto é, a economia portuguesa está doente e não há grande diferença entre Gaspar, Maria Luís Albuquerque e Mário Centeno, como se fosse médicos que aplicam ao doente a receita adequada a cada fase do tratamento.

Marcelo está tentando enganar o país, como se essa mentira fosse benigna por ser em nome do bem da Nação, do crescimento e do emprego. Se a abordagem da Política Económica por parte de Marcelo é muito honesta, esta forma de ver a democracia, em que chama a si o papel de eliminar diferenças é muito duvidosa. A democracia é feita de confrontos e nada justifica que Marcelo sempre tenha assumido os confrontos políticos, desde António Guterres, um dos seus melhores amigos, a Passos Coelho, seu sucessor na liderança do PSD. Agora que é Presidente Marcelo tenta fazer passar a ideia de que a democracia é paz e amor de mistura com muitas selfies.

A democracia é confronto de ideias e de projetos e é posr isso que Passos caiu e Costa adota políticas contrárias e antagónicas com as do seu sucessor. Como é possível que alguém tente dar a entender que não há diferenças no mérito de políicas diferentes, quando um dos trabalhos deste governo foi corrigir as asneiras e busos do governo anterior.

Se, como Marcelo parece defender, as políticas não devem ser avaliadas e não passam de políticas idênticas e sem qualquer conflitualidade, para que servem as eleições e o debate político? Mas, ao mesmo tempo que Marcelo defende que o debate deve ser feito em águas mornas, chama a si o papel de meter o primeiro-ministro e o líder da oposição na linha. Umas vezes dá uma porradinha nu, outras dá a porradinha no outro. Umas vezes passa a ideia de que um é muito otimista, nas outras deixa que os jornais sugiram que Marcelo está a ajudar a derrubar o outro.

Aos poucos o debate político está entrando num pântano onde só Marcelo consegue andar. É preciso contrariar esta estratégia de Marcelo e começar por lançar o debate em torno das políticas económicas. Já dados mais do que suficientes para que se avalie da política económica conduzida durante o governo de Passos Coelho.


Umas no cravo e outras na ferradura



 Jumento do Dia

   
Marcelo rebelo de Sousa

Há poucos dias Marcelo tentou evitar que se atribuíssem méritos pelo crescimento económico, agora tenta impor a ideia de que o mérito da saída do procedimento dos défices excessivos é de todos. Para Marcelo o que importa é que o presidente seja ele, tudo o resto pouco interessa, para ele é a mesma coisa um défice conseguido com cortes inconstitucionais de salários ou pensões ou um crescimento associado a justiça social.

Não é um exercício inteletualmente honesto aquele que Marcelo faz, dizer que politicas absolutamente contraditórias têm o mesmo resultado ou que se complementam é uma forma de desvalorizar o debate de ideias e impede uma avaliação do desempenho dos governo. Marcelo parece tentar passar a ideia de que o bom é ele. Mas, o problema é que as selfies contribuem muito pouco para o crescimento económico, senão pediríamos a todos os portugueses para sorrirem e tirarem fotografias e em menos de nada acabaria o desemprego e a dívida estaria paga.

Veremos se quando algo correr mal Marcelo assume as responsabilidades ouy explica que a culpa é de todos os governos.

«O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, considerou hoje que o mérito da saída de Portugal do procedimento por défice excessivo é "dos dois" governos, o atual e o anterior.

Questionado pelos jornalistas sobre de qual governo é o mérito da decisão da Comissão Europeia, Marcelo Rebelo de Sousa respondeu apenas: "dos dois". E escusou-se a fazer mais declarações.

O Presidente da República falava à saída da cerimónia de entrega dos prémios de jornalismo da AMI (Assistência Médica Internacional), na Fundação Calouste Gulbenkian, à qual também assistiu o líder do PSD, Pedro Passos Coelho.

Ao saudar a presença de Passos Coelho na cerimónia, Marcelo Rebelo de Sousa fez referência ao mérito "determinante" do ex-primeiro-ministro: "Hoje a justo título partilhando o júbilo de todos os portugueses por ter contribuído de forma também determinante para também para esse júbilo", disse.» [DN]

 Passos e a saída do procedimento dos défices excessivos

Se tudo o que Passos previu, a começar pela vinda do diabo, tivesse o mínimo de fundamento, se as suas críticas à política do Governo, se as suas previsões se tivessem concretizado, Portugal nunca teria saído do procedimento dos défices excessivos. A decisão da Comissão de propor esta saída obriga a que se conclua que Passos não teve razão nas criticas e previsões que fez ou que continua a fazer.

 Dúvidas que me atormentam

Aguiar-Branco já terá avançado muito na sua comissão parlamentar de inquérito que visa derrubar Mário Centeno, por causa do Domingues? Vá Lá Aguiar, faz qualquer coisinha!

      
 Se a moda das estátuas de jogadores pega...
   
«Rui Patrício, guarda-redes do Sporting e da seleção nacional, demonstrou um enorme orgulho ao ver uma estátua ser erguida em sua honra, na cidade de Leiria, que retrata uma das suas defesas no Euro2016.

"Quando entro em campo, Leiria também entra em campo. Estou muito orgulhoso por este reconhecimento, simboliza muito para mim. Obrigado à minha família, amigos e treinadores do Sporting. Sem eles não teria chegado aqui nem teria a minha estátua. Tudo se consegue com força e determinação, é preciso lutar pelos nossos sonhos", afirmou o guardião do Sporting e da seleção nacional.» [DN]
   
Parecer:

Se esta moda autárquica e regionalista de estátuas de jogadores da bola pega dentro de poucos anos as estátuas em qualquer cidade vão dar para fazer mais de uma equipa de futebol. Depois das rotundas parece que os autarcas investem agora em estátuas.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se a merecida gargalhada.»
  
 Grande Catarina Martins
   
«"As pessoas perguntam o que isto tem a ver com a nossa vida. Digamos que haverá menos pressão europeia para a necessidade que o país tem, imensa, de investimento público em áreas como a saúde ou como a educação", disse, reafirmando que o PDE "é uma das muitas absurdas regras da União Europeia".

Catarina Martins falava à chegada a Santarém, onde assiste hoje à apresentação dos candidatos do Bloco de Esquerda (BE) aos órgãos autárquicos do concelho nas eleições autárquicas de 01 de outubro, num movimento que integra vários cidadãos independentes.» [Notícias ao Minuto]
   
Parecer:

Tudo serve para a Catarina converter em mais despesa pública.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sugira-se à senhora que tenha juízo.»

segunda-feira, maio 22, 2017

Propaganda

Desde que a direita perdeu o poder que CDS e PSD ensaiam estratégias sucessivas para inverterem uma situação que lhes é cada vez mais adversa. Começaram por não reconhecer legitimidade política ao governo, tentaram encontrar ajuda externa para inviabilizar o governo de Costa, fizeram tudo para que a EU condenasse as mudanças de política orçamental, previram um segundo resgate sob a forma de diabo.

Quando perceberam que o diabo não estava para cá virado começaram a ensaiar novas estratégias políticas, caíram no ridículo quando se juntaram ao PCP e ao BE na questão da TSU, perdendo mesmo a confiança das associações patronais. A seguir sentiram-se asfixiados e a Assunção cristas foi mesmo a Belém queixar-se de que estava com falta de ar. De dois em dois meses testam uma nova estratégia, agora dizem que é tudo propaganda.

Portugal vai sair do procedimento dos défices excessivos e o governo, bem como o partido que o integram ou os partidos que o apoiam quase nem se têm referido a essa questão. Compare-se a descrição com que o tema tem sido tratado com o espetáculo proporcionado pela famosa caca da saída limpa, durante meses os portugueses foram ameaçados com austeridade para que a 7.ª avaliação viabilizasse a “saída limpa”, O foragido Paulo Portas até instalou o famoso relógio na sede do CDS e quando a Troika fez a 7.ª avaliação Cavaco agradeceu à NS de Fátima.

Este governo tem vindo a substituir dívida ao FMI, que paga juros elevados, com direito conseguido no mercado financeiro com juros mais baixos, o assunto é tratado como um ato de gestão corrente e pouco se diz. Compare-se com o que fez Maria Luís Albuquerque que montou uma mentira para fazer propaganda, declarando aos quatros ventos que Portugal já tinha pago ao FMI, passando a mentira de que o país estava a pagar a sua dívida externa. 

Poderiam ser dados muitos exemplos de como o governo anterior usou estratégias de propaganda ora para ameaçar os portugueses, ora para inventar sucessos, ou para fazer promessas desonestas, como sucedeu com a famosa promessa do reembolso da sobretaxa. Isso sim era propaganda digna de aprendizes de Goebels.

Chamar propaganda à divulgação oficial de resultados, de indicadores ou de dados estatísticos roça o ridículo e mostra o estado de desorientação a que Passos e os seus chegaram. Como é que podem acusar o governo de propaganda se a divulgação da maioria dos indicadores e dos factos económicos tem cabido a Marques Mendes?

Umas no cravo e outras na ferradura



 Jumento do Dia

   
João Salgueiro, um "cavaquinho" sobrevivente

João Salgueiro é um caso curioso na vida política portuguesa, foi durante alguns meses ministro das finanças de Cavaco Silva, não havendo memória de ter feito algo de relevante, tem um currículo académico comum, pouco se conhece de obras de conteúdo intelectual ou de grandes desempenhos enquanto gestor.

Mas desde o reinado de Cavaco Silva que é uma espécie de Nobre da política de direita, sempre que o ex-presidente precisava de mandar recados a Sócrates,, chamava algumas personalidades para ouvir e lá ia o João Salgueiro falar mal do governo.

Agora parece que foi chamado à mesma tarefa, como como já não pode contar com o átrio de Belém alguém lhe encomendou uma entrevista, nela diz baboseiras que também revelam alguma falta de honestidade inteletual. Só alguém sem muita vergonha diz que um crescimento de 2,8% no primeiro trimestre "não é um bom começo, não, porque não se fez nada para isso, o que mudou foi o médio oriente e o mediterrâneo".

Acontece que Salgueiro refere-se a crises muito anteriores a este ano e das quais poderia ter beneficiado o anterior governo, mas em vez disso assistiu-se a uma recessão, a crise da Primavera Árabe aconteceu em 2010! Ainda por cima acha qu o país nada fez para atrair turismo, ignorando as apostas feitas por sucessivos governos, mas no desespero de falar mal da geringonça Salgueiro não olha a meios.

O único interesse desta destas declarações reside no fato de representarem uma mudançda de discurso da direita, Maria Luís e outras personagens do PSD apressaram-se a dizer que o crescimento se devia ao programa do governo de Passos. Agora mudaram de ideias, é uma consequência da Primavera Árabe.

«O antigo presidente da Associação Portuguesa de Bancos (APB) afirma que o Governo não fez nada para que este crescimento se verificasse, atribuindo o mesmo a um conjunto de circunstâncias.

Na Conversa Capital, um espaço de entrevista conjunto entre o Negócios e a Antena 1, João Salgueiro atribui este crescimento "basicamente ao turismo" que beneficiou das convulsões registadas no Médio Oriente e no Mediterrâneo.» [Jornal de Negócios]

 Assunção 3 - 0 Teresa Leal Coelho




Assunção Cristas começou muito antes, a sua proposta de uma estação de Metro em cada esquina é melhor do que a de uma creche em cada bairro e ficou melhor na foto no mesmo miradouro. Três a zero para a líder do CDS.

Assunção Cristas não vai ganhar as autárquicas, mas vai sobreviver durante mais algum tempo, pelo menos até quando Paulo Portas resgatar o seu cargo vitalício de presidente do CDS, Teresa leal Coelho dificilmente sobreviverá à derrota nas autárquicas.

A ideia de Teresa Leal Coelho de se fazer fotografar no Miradouro de São Pedro de Alcântara não só revela pouca originalidade como a deixa em desvantagem, os kiwis da Cristas são bem mais apetitosos.

 A Vespa do Título 2017/2018



Parece que um dos maiores problemas a resolver nas quatro reuniões que JJ disse que se iriam realizar para a semana será saber se será JJ ou bruno de Carvalho a conduzir a Vespa de celebração do título. Ao que parece JJ diz que Bruno não tem unhas para a máquina.

      
 Pobre primeiro-ministro no exílio
   
«O líder do PSD, Pedro Passos Coelho, afirmou este sábado que o partido está nas próximas autárquicas para as ganhar e não para “ver passar comboios” ou “fazer a festa”.

No encerramento da convenção autárquica distrital do PSD em Lisboa, Passos Coelho fez questão de responder ao secretário-geral do PS, António Costa, que, na sexta-feira à noite, em Penafiel, pediu uma campanha animada para as autárquicas de 1 de outubro.

“Uma campanha animada, esta é a expectativa que o secretário-geral do PS tem, como se os políticos ou ele próprio funcionassem assim como mestres-de-cerimónias para a festa que aí vem”, criticou.» [Observador]
   
Parecer:

Até aqui o malogrado primeiro-ministro no exílio estava fazendo uma campanha autárquica a pensar nos problemas nacionais, mas com a economia a crescer a 2,8% começam a faltar argumentos, resta-lhe usar expressões de António Costa para construir um discurso político à base de graçolas de gosto duvidoso. Costa disse que queria uma campanha animada, nada mais do que o desejo de qualquer líder partidário, daí o exilado fez um discurso a roçar o imbecil, sem conteúdo e sem graça.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Lamente-se.»
  
 Fundação onde cairia o dinheiro
   
«O empresário Carlos Santos Silva e um primo de José Sócrates, José Paulo Pinto de Sousa, criaram na Suíça uma fundação — a Belino Foundation — que seria a titular de contas bancárias onde cairiam luvas para José Sócrates. A notícia é avançada este sábado pelo jornal Sol — algumas informações já tinham sido adiantadas também pela revista Sábado — que chama a este esquema complexo “a prova que faltava” para comprovar que Santos Silva e o primo eram, na realidade, “testas de ferro” e que o dinheiro pertencia ao ex-primeiro-ministro socialista. Os advogados desmentem a notícia.

O esquema foi criado por Santos Silva e José Paulo Pinto de Sousa, a mando de José Sócrates, com a ajuda de Michel Canals, um nome bem conhecido por ser, na altura, gestor de contas no UBS e líder da Akoya, uma empresa de gestão de património que foi encerrada em 2011, no âmbito da Operação Monte Branco. A criação da fundação, a par da constituição de uma conta offshore, servia como camada adicional de opacidade, já que as fundações são entidades blindadas do ponto de vista jurídico na Suíça.» [Observador]
   
Parecer:

O dinheiro não caiu, não estava lá dinheiro, mas alguém sabe que iria cair dinheiro e que esse dinheiro seria para Sócrates. Parece que a imaginação já serve de prova.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se a merecida gargalhada.»

 No tempo de Passos não havia precários?
   
«"Já estamos a discutir, pela mão da maioria, a integração dos precários na Administração Pública e ainda não houve ninguém que perguntasse, no seio da maioria e do Governo qual Administração Pública, o que queremos da Administração Pública nos próximos anos?", questionou Pedro Passos Coelho, no encerramento da convenção autárquica distrital do PSD em Lisboa.

O líder social-democrata criticou que se estejam "a converter vínculos precários em permanentes sem saber se é nas áreas que são importantes, que estão em défice".

"É esta discussão que não está a ser feita e que deve ser feita com coragem, é esse o desafio que deixo ao primeiro-ministro: poder discutir as reformas importantes que o país precisa de fazer", apelou.» [DN]
   
Parecer:

A verdade é que a intenção de Passos era promover um despedimento em massa no Estado.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»

 E o ano passado não pensou no mesmo para este ano?
   
«"Continuamos a elaborar ideias e a trabalhar em cima delas. Queremos que no próximo ano o Sporting seja o que foi no meu primeiro ano, quando lutou até ao último segundo pela conquista do título, com um comportamento espetacular. É isso que perspetivamos e estamos a analisar para que seja um Sporting forte", afirmou Jorge Jesus, em conferência de imprensa.

As reuniões que o técnico teve esta semana com o presidente do clube, Bruno de Carvalho, acabaram mesmo por dominar a conferência de imprensa de antevisão da receção ao Desportivo de Chaves, da 34.ª e última jornada da I Liga, sendo que, na véspera, Jesus tinha negado a possibilidade de abandonar o comando dos 'leões', como foi avançado na imprensa.

"Numa semana tivemos duas reuniões e, na próxima, teremos de ter pelo menos quatro ou cinco. Faz parte do processo normal de uma pré-época. Temos os dois a mesma linha de pensamento, que passa por criar um Sporting forte, como no ano passado. O Sporting só ganhou um troféu nestes dois anos, o que é muito pouco, porque estou habituado a ganhar muitos, mas temos feito um trabalho muito grande para o crescimento e criação de um clube para ser campeão. O Sporting tem criado bases grandes para poder pensar naquele que foi o meu propósito quando vim, que é ser campeão", vincou.» [DN]
   
Parecer:

Parece que a ideia de Jesus foi não ganhar nada este ano e que só tenciona ganhar alguma coisa para o ano, retomando o seu hábito de conquistar títulos, mania que, como se sabe, ganhou quando era pequenino.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se ao exilado se fez alguma coisa neste capítulo.»

 Já comparam Costa a Cavaco
   

«Comparar António Costa com Cavaco Silva é mais fácil com um dicionário à mão. “O que não pode ser comparado por ter características diferentes” é “incomparável”. Mas “incomparável” também significa “singular, ímpar, único, excecional”. Herman José avisou que a língua portuguesa é traiçoeira. O facto é que, com 31 anos de distância e uma viragem de século pelo meio, Costa e Cavaco foram artistas de peças (políticas) ímpares em que ninguém apostava um tostão (moeda da fase Cavaco) e compará-los é uma tentação.

Em 1985, ninguém dava nada pelo homem que rompeu com o bem-comportado Bloco Central e foi de boca aberta que o viram liderar um Governo minoritário de combate, queixinhas e armado em vítima, que lhe abriu espaço para uma maioria absoluta em 87, repetida e aumentada quatro anos depois. E em 2015, também ninguém dava nada pelo golpe (de asa?) do socialista que, tendo perdido as eleições, se virou para os partidos da esquerda mais radical apostado em provar que os comunistas não comem criancinhas ao pequeno-almoço e que, ano e meio depois, está com uma popularidade média de 40% nas sondagens. Um e outro arriscaram, um e outro romperam e ambos ganharam com isso. Cavaco ficou 12 anos no poder mais dez em Belém. António Costa, a quem muitos não davam um ano de vida (os Orçamentos não iam passar, lembram-se?), chegou a meio da Legislatura sem mácula junto de Bruxelas apesar das alegadas más companhias e com muitos dos que o acusavam de ter cedido aos radicais a reconhecerem que, afinal, ele foi garante de moderação. Falta-lhe o mais difícil: provar se num formato politicamente oposto ao de Cavaco e humanamente de outro tom também consegue chegar lá, à maioria absoluta. Uma coisa corre a seu favor — no desiludido centro-direita (território que Cavaco liderou e que Passos Coelho, ganhador nas urnas mas perdedor no xadrez, segura a custo) há quem lhe aprecie o jeito. Foi, aliás, um cavaquista, ex-líder do PSD e hoje comentador do regime quem se lembrou de fazer a comparação “incomparável”. Há três semanas, na SIC, Marques Mendes enumerou seis semelhanças entre as circunstâncias em que Costa hoje governa e aquelas em que Cavaco governou entre 1985 e 1987.» [Expresso]
   
Parecer:

Tudo começou com um artigo da Helena garrido no Observador, parece que a direita receia uma nova era glaciar, um longo período sem o quentinho do poder e sem acesso ao pote.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»