sábado, julho 01, 2017

Responsabilidade política

Enquanto Passos Coelho foi primeiro-ministro nenhum dos seus comparsas assumiu a responsabilidade política por qualquer situação negativa, foram apenas responsáveis por grandes sucessos. A Maria Luís empregou o marido na EDP mas não teve qualquer responsabilidades, morreram portugueses abandonados nas urgências mas o Paulo Macedo não deu a cara, morreram cidadãos contaminados pela legionela mas ninguém assumiu responsabilidades.

O caso mais emblemático do conceito de responsabilidade política dos membros do governo do mafarrico ocorreu com as listas VIP. Independentemente do que se possa dizer sobre as mesmas, o governo de então teve duas posições, inicialmente desvalorizou, negou, baralhou. Quando se confirmou a existência Paulo Núncio, Paulo Portas e Passos Coelho em vez de darem a cara e defenderem a solução que foi implementada, exibiram a cabeça de dois dirigentes do fisco.

Recordo-me do tom cordial com que os deputados da direita e, em especial, de Cecília Meireles, parceira de Paulo Núncio no CDS, tratavam os quadros do fisco e defendia a sua competência e o contributo dado para o país sair da crise financeira. Mas, quando os dirigentes do fisco se imolaram pedindo a demissão e indo ao parlamento fazer juras de que Núncio não sabia de nada, o discurso mudou. Os supostos culpados estavam identificados e até já se tinham demitido ou sido demitidos.

Teria sido fácil à ministra da Administração Interna comportar-se á Cecília Meireles ou à Paulo Núncio, exigia a demissão de dois altos dirigentes da Proteção Civil e se estes não tivessem a iniciativa de se demitirem tomaria ela tal decisão, exibiria a cabeça dos “culpados de serviço” ao país e seguia em frente com a sua brilhante carreira como fez Paulo Núncio. Não importava o estigma que cairia sobre esses dirigentes, não importava as perdas para o Estado pela destruição de quadros altamente qualificados, na hora de salvar a pele de políticos sem escrúpulos pouco importa quem são as vítimas.

É este o conceito miserável de responsabilidade política de Passos Coelho, não admira que diga que estranha que no caso do roubo de Tancos ainda não tenham rolado cabeças, ele estranha que neste governo os ministros não sejam tão miseráveis na forma como se acusavam funcionários como ele e os seus pares.

Umas no cravo e outras na ferradura



 Jumento do Dia

   
Aguiar-Branco, ex-ministro da Defesa

Enquanto o ministro da Defesa de Passos Coelho gastava as energias com os negócios dos estaleiros de Viana de Castelo a vedação do principal quartel do país estava cheio de buracos, com as consequências que agora conhecemos. Aposto que Aguiar-Branco vai andar calado que nem um rato, ninguém vai questionar o governo e muito menos propor comissões de inquérito.

«O Ministério da Defesa Nacional autorizou, a 5 de Junho, uma despesa de 316 mil euros mais IVA para a reconstrução da vedação dos Paióis Nacionais de Tancos, segundo um despacho hoje publicado em Diário da República.

No despacho é manifestada a "prévia concordância" do ministro da Defesa Nacional, Azeredo Lopes, à autorização do lançamento daquela empreitada que visa a "reconstrução da vedação periférica exterior no perímetro norte, sul e este dos Paióis Nacionais de Tancos", Vila Nova da Barquinha.

No documento, o ministério considera que "se torna fundamental" o lançamento do procedimento pré-contratual que permita aquela empreitada tendo em conta a "concentração das funções logísticas numa mesma infraestrutura e a consequente rentabilização de sinergias".» [Público]

  O Caso Marquês

parece que a acusação do Caso Marquês aguarda a rsposta a cartas rogatórias, sinal de que que dessas mesmas cartas depende a produção de prova. Enquanto as respostas não chegam inicia-se o caso EDP. Está-se mesmo a ver, mais dia, menos dia, o caso EDP vai bater à porta de Sócrtates e o Caso Marquês tem direito a mais tr~es anos de investigações.

A dúvida está em saber o que vai acontecer primeiro:

  • a aposentação do procurador,
  • a mudança de profissão do fiscal das finanças,
  • a substituição da Procuradora-Geral,
  • a instituição de um regime político de magiostrados, ou
  • o falecimento por velhice de José Sócrates.

 Terá endoidado de vez?



Há qualquer coisa de errado no espetáculo de Seara, como é que sofreu tanto com o trânsito se andava ao contrário do sentido em que se formam filas?

Dantes corria uma anedota na CM de Sinta, dizia uma secretária para a outras «Tive de comprar um aspirador portátil, o presidente deixa cair muito pêlo!".

      
 Eu apagava
   
«Um amigo, bom e experimentado repórter, disse-me, um dia: "Nunca estendas o microfone a um futebolista que sai do campo para ser substituído." Como raramente estendi um microfone e todos os jogos que vi foram quase sempre sentado, ora em bancada ora em sofá, percebi que o velho jornalista estava a debitar um conselho geral. Ele ainda me disse: "Depois de se andar a correr 70 minutos o cérebro está demasiado oxigenado, ou de menos..." Aquela dúvida entre duas situações opostas - vinda dele, que mais depressa dissertaria com exatidão sobre isquemia cerebral, e assim - confirmou-me que só aparentemente estávamos a falar de as substituições no futebol serem vividas com a cabeça a não funcionar como deve ser... O meu amigo falava duma lei universal para quem pergunta com a vontade de ouvir uma resposta autêntica.

Autêntica, isto é, dada por alguém sabendo o que está a dizer e em condições de saber que, depois de dita para um jornalista, a resposta ganha asas e atinge ouvidos mal-intencionados que eu sei lá. Erra o leitor que pensa que esta minha crónica é sobre assuntos de jornalismo, normas e conselhos para uma corporação. Também é, mas o sujeito da crónica é o abusado pelo jornalista. O indivíduo a quem se aponta um microfone, sem ser prevenido de que aquilo dispara.

Quem diz futebolista, diz peixeira. Mais abaixo, publico um discurso recente de uma mulher para jornalista, testemunho dado com cara e nome. Não são imagens como as do ex-ministro Miguel Macedo, exposto durante um interrogatório judicial, falando para uma câmara que ele pensava ao serviço da lei mas acabando por fornecer um esgoto. Essas imagens, a do ex-ministro, são fruto de duas anormalidades: a irresponsabilidade judicial e a canalhice de jornalistas. Essas, embora tão feias, de certo modo tranquilizam-nos, porque são anomalias, desvios. Mas, o outro, o discurso com que a peixeira foi apanhada na curva, é mais grave. Porque foi publicado e transmitido, em televisão e site de jornal, sem intenção de a ferir e sem se enganar a senhora com manhas. Coisa aparentemente e, quase de certeza, com vontade de ser limpa. Tanto que poderia ter sido publicada e transmitida por qualquer outro jornal português e televisão. Neste meu jornal também. E é esse o ponto: banalizou-se não nos interrogarmos sobre o que estamos a falar quando estamos a falar.

A comerciante e a sua carrinha de distribuição de peixe e fruta passaram pela estrada N-236 naquele dia em que houve ali tantas mortes. Dias depois, sempre a trabalhar, voltou ao local e falou para a câmara e para os microfones. A situação não configura o exemplo do futebolista apanhado com os bofes de fora, com mais ou menos oxigénio no cérebro. Mas, eu já o disse, aquele exemplo do meu amigo não era só para a vizinhança das quatro linhas do relvado. A senhora testemunha de forma emocionada, soluça por vezes. Não, ela não estava a falar de postas de pescada, mas de coisa sua, funda. E disse o que não devia.

Ela disse, cara filmada, nome na legenda, com a carrinha que há de continuar a parar entre os seus amigos e clientes, narrando como conduziu na estrada entre o fumo e o fogo. Disse: "Foi então quando entrei naquela fúria. A partir daí foi tudo quanto eu encontrava pela frente para me tentar salvar. Lembro-me de bater em vários carros a arder [palavras embargadas, soluço], não sei se os acabei de matar. Mas se os acabei de matar peço... peço desculpa porque ali era salve-se quem pudesse."

O vídeo, no jornal onde foi publicado, puxou para título o discurso direto, entre aspas, assim: "Se os acabei de matar peço desculpa, mas ali era o salve-se quem puder!" É quase exatamente o que a senhora disse, com uma emenda talvez gramaticalmente melhor. Em vez de "ali era salve-se quem pudesse", que ela disse, escreveu-se "ali era o salve-se quem puder." Interessante o cuidado na formulação gramatical quando se negligenciou, ou pior, deu-se demasiada atenção - até se chamou para título - ao que foi dito.

A senhora disse o que quis dizer, certamente sem ter sido coagida e sem ter sido endrominada para o dizer. Não é esse o ponto. E falou dias depois do acontecimento, sem estar no calor da ação, é certo. Mas não falava só para as amigas e clientes, algumas que até sabem quanto ela foi valente e podiam recolher-lhe as palavras, mesmo as perigosas, com a sabedoria que se reserva à conversa entre próximos.

Não, ela não falava para os seus. Ela estava a falar a um microfone e uma câmara - para um palavrão, multimedia - que serviriam de extraordinário altifalante ao que ela dizia. Sobretudo o indizível. A mulher que falava estava ciente dessa dimensão? E das traduções todas que as suas palavras teriam? E das palavras que mais especialmente seriam escolhidas pelos ouvidos estranhos (e para título, pelos jornalistas)? Saberia ela que com os aparelhos que lhe puseram à frente, às palavras o vento não leva, duram mesmo depois de se esquecerem os acontecimentos que as motivaram?

Enfim, a senhora interrogou-se com a prudência devida? Sabia de tudo, como todas as nuances com que seria ouvida, do que estava a falar quando estava a falar? Duvido. Mas os jornalistas sabiam. Todos, na cadeia que levou da recolha das palavras até à publicação e difusão, sabiam do extraordinário testemunho que aquilo era.

E, sabendo, deviam, vou dizer uma iconoclastia para o negócio: deviam apagar. Eu apagava as palavras da senhora. O meu critério é simples: se fosse um dos meus a dizer aquilo, eu apagava.» [DN]
   
Autor:

Ferreira Fernandes.

sexta-feira, junho 30, 2017

A agenda política miserável

Desde que Cavaco teve a brilhante ideia de fazer exigências imbecis para dar posse a um governo de que não gostava que a agenda do país é uma sequência de debates que servem apenas para entreter políticos sem grande nível e os jornalistas estagiários que fazem perguntas disparatadas ou combinadas à entrada dos jantares de lombo assado.

Primeiro era a desgraça por causa das reversões, que o negociador da TAP era amigo do Costa, que o desemprego e os juros iam subir, que os amigos de Bruxelas iam chumbar o OE português, que os amigalhaços da direita europeia reunida em Madrid iria boicotar o governo maldito, que as reversões iam levar o país ao desastre, que o segundo regate vinha aí disfarçado de diabo, que a gerigonça não conseguiria cumprir as metas do défice, algo aritmeticamente impossível, que os investidores não confiariam num governo que não fosse o do traste de Massamá, que a geringonça não se voltaria a entender depois da jogada da TSU, que o Centeno tinha mentido ao parlamento, que os sms de Centeno eram comprometedores, que o governo estava a facilitar as off shores, que o Estado deixou o povo ao abandono e estavam a ocorrer suicídios em massa.

É uma agenda política em que 64 sms e 64 mortos têm o mesmo valor, políticos sem escrúpulos alimentam o debate político com o que acontece, se forem mortos muito bem, se não morreram quantos baste inventam-se suicídios, o que importa é gerir a agenda política em função dos objetivos da semana.

O país não discute os problemas, a guerra política deixou de ser uma guerra de grandes exércitos, de grandes batalhas, com grandes generais, é uma guerra de guerrilheiros e vale tudo para infligir danos, pouco importa a destruição, pouco importa o país, pouco importam os cidadãos, vale tudo para conseguir um beliscão. Os políticos são guerrilheiros e se não têm cão caçam com gato, tudo o que esteja à mão serve para ser notícia no telejornal das oito.

O país não debate os problemas sérios, não importa discutir o que sucedeu em Pedrógão para evitar que se repita, o que importa é que haja um qualquer funcionário a quem possam ser atribuídas as culpas. Dantes a culpa não era dos políticos porque era dos funcionários, agora é dos políticos porque deles dependem os funcionários. Os debates estão inquinados por oportunismo, circunstancialismo e falta de honestidade.

Umas no cravo e outras na ferradura



 Jumento do Dia

   
Provedor Santana Lopes

O provedor Santana fez anos e em vez de receber uma prenda optou por ser ele a oferecer um presente a Passos Coelho, declarando-lhe o seu apoio. Só que é um presente envenenado, Santana espera que o primeiro milho seja para os pardais, depois de Passos correr com Rio e com Morais Sarmento terá de enfrentar uma candidatura de Santana, que ainda não desistiu de voltar ao governo.

«Há doze anos, Pedro Santana Lopes era líder do PSD. E primeiro-ministro. Hoje, reconhece o seu partido "passou por um ano e tal muito difícil" e ainda está a "acordar de um sonho mau". Apesar de ter ganho as eleições, o PSD "viu nascer em Portugal uma solução que não considerava possível" e "demorou a adaptar-se". Talvez por isso, Passos ainda seja mais primeiro-ministro do que líder da oposição.

No capítulo eleições autárquicas, Santana fala sobre a candidata do PSD a Lisboa (câmara que liderou) e diz que não conhece as suas ideias para a cidade. Além disso, reconhece, "em circunstâncias normais não é compreensível" ainda não haver um programa. "Ainda para mais quando a mim me foi dito que se eu tivesse sido candidato a Lisboa teria que deixar a Misericórdia até Fevereiro, Março, comigo há sempre estas urgências todas. Estamos quase em Julho. E o que é que lhes aconteceu? Estão em Marte? Estão em Júpiter?"» [Público]

 Ainda que mal pergunte

Só as coisas boas que acontecem durante esta legislatura se devem ao governo anterior?

      
 E não é suspeita de nada
   
«Eram 10h30 do dia 23 de fevereiro de 2014 quando a inquirição de Henrique Gomes começou no DCIAP. Era aquela hora que os procuradores Carlos Casimiro e Susana Figueiredo começavam as suas inquirições. A expetativa dos magistrados era elevada porque Gomes tinha sido obrigado a demitir-se do posto de secretário de Estado da Energia no primeiro Governo Passos Coelho depois de ter perdido uma batalha no corte das rendas excessivas da EDP.

Os testemunhos de Henrique Gomes e do seu chefe de gabinete (Tiago Andrade e Sousa), que juntamente com Álvaro Santos Pereira foram dos que mais lutaram contra as rendas excessivas da EDP, não pouparam nada nem ninguém – a começar por Santos Pereira e outros membros do Executivo de Passos Coelho. Vítor Gaspar, ex-ministro das Finanças e atual diretor do Fundo Monetário Internacional, Maria Luís Albuquerque, ex-secretária de Estado, sucessora de Gaspar e atual deputada do PSD, e, particularmente, Carlos Moedas, ex-secretário de Estado de Passos Coelho e atual comissário europeu da Ciência e Investigação, foram duramente censurados por Henrique Gomes e por Tiago Andrade e Sousa pela constante obstaculização à redução das rendas da EDP. Tudo em nome do sucesso da privatização da elétrica nacional que foi ganha pelos atuais principais acionistas da elétrica: os chineses da China Three Gorges.

Era o velho objetivo de tornar a EDP mais atractiva, que durava desde 1995 e assegurava receitas garantidas que tornaram a empresa mais cara para a última fase de privatização da elétrica que ocorreu durante o primeiro ano de vida do Governo de Passos Coelho. A EDP foi a primeira empresa a ser privatizada, integrando um ambicioso plano acordado com a troika que obrigava a alcançar a meta de 5 mil milhões de euros como receita. Só a EDP assegurou um pouco mais de 50% desse valor com a venda de 21,35% do capital social por cerca de 2,7 mil milhões de euros. Essa era a preocupação do Ministério das Finanças.» [Observador]
   
Parecer:

Fala-se muito de Manuel Pinho, mas o que dizer de Maria Luís que pouco depois da privatização "meteu" o marido a ganhar uns cobres na EDP?
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Questione-se a senhora.»
  
 Na melhor batina cai a nódoa da pedofilia
   
«O cardeal George Pell, que dirige a Secretaria da Economia do Vaticano e é a terceira figura mais importante da estrutura, foi esta quinta-feira acusado de crimes de abuso sexual de menores na Austrália e intimado a comparecer em tribunal dentro de dias, anunciou a polícia.

Para responder às acusações da justiça australiana, o cardeal já anunciou que vai tirar uma licença para regressar ao país. Uma ausência autorizada pelo próprio Papa Francisco, com quem falou antes de anunciar a decisão aos jornalistas. Em conferência de imprensa, Pell garante que está inocente e que vai ter oportunidade de prová-lo em tribunal. O Vaticano também já fez uma declaração mantendo o apoio ao seu cardeal.» [Observador]
   
Parecer:

Lá se foi a "virgindade" do papa Francisco, mesmo que tudo se esclareça e o cardeal seja inocente a imagem do Vaticano não fica muito bem.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Lamente-se.»

 Os comunistas comem eucaliptos
   
«O presidente do PSD, Pedro Passos Coelho, afirmou na quarta-feira à noite que, ao contrário do que se diz, o problema dos incêndios não se vai resolver com uma reforma florestal que acabe com o eucalipto.

"Agora há uma discussão muito grande sobre o eucalipto, querem-nos fazer acreditar que o problema dos incêndios é problema dos eucaliptos e eu, que até não sou particularmente defensor do eucalipto, acho que não faz sentido estar a demonizar o eucalipto porque nós sabemos que uma grande parte do território não tem eucalipto e que o eucalipto é o que menos arde, portanto, o problema não é do eucalipto", afirmou durante um jantar-conferência Ideias à Prova, iniciativa da Associação para a promoção da Gastronomia e Vinhos, Produtos Regionais e Biodiversidade (AGAVI), em Vila Nova de Gaia, distrito do Porto.

O social-democrata referiu que o primeiro-ministro, António Costa, quer consenso para impor reordenamento florestal e travar o eucalipto devido a "um acordo com o partido ecologista Os Verdes", sem o qual não haveria "geringonça".

"Ele [António Costa] tem um acordo com o Partido Ecologista "Os Verdes" (PEV), portanto, não pode ter eucaliptos porque o PEV é contra os eucaliptos e não há geringonça sem PEV, logo acabaram os eucaliptos, é simples, é disto que se trata, o resto são partes gagas", vincou.» [Expresso]
   
Parecer:

O oportunismo levado ao extremo.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Vomite-se.»

quinta-feira, junho 29, 2017

Cuidado, agora os comunistas comem eucaliptos!



Ao segundo dia do incêndio de Pedrogão avisei aqui que iríamos ouvir muitas vozes em defesa do eucalipto, só não esperava que no dia seguinte aos suicídios supostamente ocorridos naquela localidade fosse o próprio divulgador dos mesmos mudasse tão rapidamente de tema, para se dedicar á defesa do eucalipto, uma árvore de que o próprio diz não gostar.

Passos Coelho que faltou deliberadamente a uma reunião com o primeiro-ministro para debater a floresta, tentando depois criar um falso incidente dizendo que não tinha sido convidado, vem agora fazer insinuações imbecis, acusando o governo de odiar o eucalipto por causa de um acordo com os Verdes. Estamos perante mais uma estratégia manhosa e desonesta do líder da oposição. 

Em vez de debater a floresta Passos Coelho opta por se aproveitar dos incêndios e de uma iniciativa legislativa que ignorou e sobre a qual nunca se pronunciou, depois de sse aproveitar dos mortos, depois de inventar suicídios, Passos mata dois coelhos com uma cajadada, vai de encontro aos interesses das empresas de celulose e lança o pânico entre os pequenos proprietários rurais que encontrar no eucalipto uma importante fonte de rendimentos.

Passos acha que a melhor forma de debater os incêndios e uma reforma eleitoral é fazendo discursos incendiários nos jantares de lombo assado de apresentação de candidatos autarcas, como seu comparsa de Pedrogão que durante a manhã faz rejas e juras de misericórdia e à tarde inventa mortos para ajudar o seu líder a sobreviver.

É óbvio que o eucalipto faz falta, é óbvio que que a estevas ou os pinheiros ardem tão bem quanto os eucaliptos, é óbvio que todas as madeiras e matos ardem, é óbvio que sempre houve incêndios. Mas uma coisa é plantar uma floresta com regras e outra é encher as bermas da EN236 de eucaliptos, transformando-a num gigantesco inferno.

Mas Passos Coelho é um homem que não gosta de regras, não gosta da regra da boa educação e mente dizendo que não recebeu um convite, não gosta das regras constitucionais e queria governar contra a maioria parlamentar, não gosta de regras legais e cortou pensões sem respeitar promessas e leis, não gosta de regras de segurança e quer que se plantem eucaliptos em qualquer lado, não gosta de regras de decência e aproveita-se da desgraça para ajudar o lóbi das celuloses, não gosta das regras da honestidade política e lança o medo entre os pequenos proprietários rurais para se salvar.

É uma vergonha que depois da morte de 64 portugueses numa estrada nacional transformada em eucaliptal o país tivesse um líder da oposição recorra a uma manobra suja para usar esses mortos em defesa da indústria interessada na promoção do eucalipto. Enoja-me que ainda antes da missa do sétimo dia dos mortos de Pedrogão e depois de centenas de imagens como a de cima, onde se pode ver um eucaliptal plantado até ao alcatrão, um líder partidário esteja tão preocupado com os eucaliptos e se recuse a discutir a floresta.

Estará preocupado com os portugueses ou com o negócio do eucalipto' Por este andar ainda algum familiar ou provedor de uma qualquer Santa Casa o avisa que há pequenos agricultores a suicidarem-se por não poderem plantar eucaliptos.

Umas no cravo e outras na ferradura



 Jumento do Dia

   
Salvador Sobral

Alguém devia dizer a este artista que não está escrito em lado nenhum que quem canta está autorizado a dizer as baboserias que lhe apetece, muito menos num espectáculo como o de ontem.

«Salvador Sobral pediu desculpa, esta quarta-feira, pelo comentário que fez durante a sua atuação no concerto de solidariedade “Juntos por Todos”, para angariar dinheiro para as vítimas do incêndio em Pedrógão Grande. A meio da música, Salvador decidiu fazer uma graça: “Eu sinto que posso fazer qualquer coisa que vocês aplaudem. Vou mandar um peido a ver o que é que acontece”.

Numa mensagem deixada esta tarde na sua página de Facebook, o cantor de 27 anos reconhece ter sido “bastante inoportuno” e pede que a sua “triste intervenção” não faça com que as pessoas se esqueçam do “passo” dado na noite de ontem.

"Sempre falei duas vezes antes de pensar. Esta minha característica tem a sua parte boa e também a parte má. Ontem, infelizmente, reconheço que fui bastante inoportuno. Espero que esta triste intervenção não nos faça esquecer o passo que demos juntos, desde os músicos até vocês que contribuíram para ajudar aqueles que estão em sofrimento neste momento, que são o mais importante no meio de tudo isto.”» [Observador]

quarta-feira, junho 28, 2017

A 65ª vítima

Perante a calamidade nacional o líder do PSD foi incapaz de conter a sua ansiedade e acabou por não esconder o desejo de ver mais vítimas para que as pudesse atribuir ao Estado. Foi um comportamento vergonhoso, irresponsável e indigno de um candidato a primeiro-ministro. Passos queria que os incêndios fizessem mais vítimas e conseguiu-o, ele é a 63ª vítima.

Quando se esperava contenção e disponibilidade para servir o país, postura eu só traria benefícios eleitorais, Passos teve mais olhos do que barriga e num passe de mágica proporcionou ao país o seu próprio suicídio, em direto, nas televisões. O partido que poderia sair incólume dos incêndios acabou por não lhes resistir.

Foram três dias dramáticos, primeiro foi a detenção de altos dirigentes do PSD ligados às autarquias, uma notícia que quase passou despercebida, mas já há quem diga que se os eucaliptos são uma espécie florestal que queima as nossas florestas, os loureiros estão a incendiar o PSD, depois do major de Dias Loureiro eis que este partido volta a arder devido a outro Loureiro, desta vez o Hermínio.

Se o caso de Hermínio Loureiro quase passou despercebido, o mesmo não se pode dizer da mentira dos suicídios e as consequências ainda estão por avaliar em toda a sua extensão. Mas o PSD não se podia ficar por aqui, tinha de encontrar motivos para lançar uma guerrilha, quando se esperava disponibilidade para discutir um tema tão sensível como o da reforma das florestas.

Revelando grande falta de inteligência Passos disse aos jornalistas que não tinha sido contatado pelo primeiro-ministro para discutir o tema, fez o mesmo que já tinha feito no passado com o PEC IV. Só que desta vez deu mau resultado, todos os partidos reuniram com o primeiro-ministro e o PSD ficou a tentar inventar um motivo para guerrilha, pensando que assim seriam esquecidos os suicídios de Pedrogão. Poderia ter havido um equívoco, nada que não se resolvesse com um telefonema, mas Passos achou que um contato por mensagem poderia ser ignorado de má fé.

Quando está na hora de encontrar soluções o líder do PSD comporta-se como se fosse candidato à associação de estudantes de uma escola do ensino básico. Não percebe que não se brinca com a vida de cidadãos em dificuldades, que o interesse nacional está acima de pequenas guerrilhas. Passos revela-se um gaiato irresponsável que não está à altura da liderança do PSD. Passos talvez não tenha percebido, como político já morreu só que o seu partido anda de tal forma desorientado que se esqueceram de lhe fazer o funeral. 

Umas no cravo e outras na ferradura



 Jumento do Dia

   
Fernando Santos

Graças ao seleccionador de futebol profissional fiquei a saber que descendo "do sangue lusitano, do mais puro que há". Agora fico a aguardar que Fernando Santos me diga quais são os outros sangues lusitanos ou quais os sangue que ele considera ter impureza. Não era má ideia se Fernando Santos se deixe de armar em hematologista e se dedique ao que sabe, aos chutos na bola, já me basta a evangelização militante a que o treinador se dedica no exercício das suas funções.

 A mentira tem perna curta

De manhã foi um primo que lhe disse que o concelho de Pedrogão Grande se tinha transformado numa espécie da Okinawa, a ilha japonesa onde muitos japoneses se suicidaram perante a invasão dos soldados americanos. Quando a mentira foi desmascarada o mentiroso já não era o primo, era o candidato local do PSD e provedor da Santa Casa, lá apareceu o falso primo a suicidar-se em direto nas televisões dizendo que a mentira era dele. O pobre "primo" já tinha esclarecido mas não conseguiu chegar à fala com o Passos, falou com um assessor.

Em poucas horas Passos Coelho embrulha-se em várias mentiras e erros de palmatória:

  • Pede desculpa por ter usado uma informação falsa como se no caso de terem ocorrido suicídios isso lhe permitiria uma utilização política nos termos em que fez.
  • Mesmo quando uma voz lhe dizia que não se confirmavam os mortos não hesitou em manter o discurso garantindo que tinham ocorrido tentativas de suicídio e que as vítimas estavam hospitalizadas, insiste numa inverdade mesmo quando sabe que o está fazendo.
  • Desculpou-se pelo erro, atribuindo-o a terceiros, mas não pediu desculpa nem à população de Pedrogão, nem aos governantes a quem atribuiu a responsabilidade direta por mortes.
  • Justifica a uilização da informação assegurando que lhe tinha sido dada por um familiar próximo das vítimas e duas horas depois, quando sente que está enterrado, aparece o candidato do PSD à autarquia de Pedrogão culpabilizando-se por ter dado uma informação errada.

É mentira e irresponsabilidade a mais para quem foi primeiro-ministro e quer voltá-lo a ser a qualquer custo.

 A anedota do dia

«Eu explico o que António Costa já devia ter feito, e não fez. Na terça ou na quarta-feira, ele devia ter agarrado no telefone e ligado a António Barreto para lhe dizer o seguinte: “O que aconteceu em Pedrógão Grande foi uma tragédia como não se via há 50 anos. Não pode restar uma pinga de dúvida sobre o que se passou, como se passou e de que forma poderia ter sido evitado. Quero que todas as responsabilidades sejam apuradas até ao fim, e nem o Governo, nem a oposição, nem qualquer uma das forças envolvidas no combate ao fogo está em condições de apresentar um relatório imparcial. O país precisa de uma figura consensual e acima de qualquer suspeita para presidir a uma comissão independente, que no período de 30 dias seja capaz de apresentar as suas conclusões, de forma a que nenhum português bem-intencionado possa duvidar delas. Você é essa figura. Tem total liberdade para constituir a sua equipa, coloco os meios que forem necessários à sua disposição, e darei ordens para que todas as instituições do Estado respondam às perguntas que entenda serem convenientes fazer. No final, o Governo estará disponível para arcar com as consequências políticas daquilo que a comissão independente conseguir apurar.”» [Público]


Grande João Miguel Tavares, mais um pouco e propunha que a personalidade independente fosse o José Manuel Fernandes... Para ele uma personalidade independente é alguém que não gosta e não quer este governo, algo que repete quase todos os dias nas suas intervenções e entrevistas, alguém que durante anos foi um funcionário do Tea Party do dono do Pingo Doce.

Talvez não fosse má ideia o JMT propor também um independente, talvez o Francisco Louçã, para avaliar a sanidade mental de um líder da oposição que inventa suicídios em massa.


     
 Lista vip - the final cut
   
«Fui acusado publicamente, ao longo de mais de dois anos, de ter autorizado a criação, no seio da administração tributária (AT), de uma lista VIP de contribuintes privilegiados.

O tema foi objeto de exploração política ao mais alto nível, em todo o espetro político português. Foram abertos processos de índole judicial e administrativa para investigar o que se passou.

Durante todo este tempo, mantive-me em silêncio, aguardando que a verdade fosse apurada pelas instâncias competentes. Como servidor público numa das mais importantes instituições da democracia portuguesa, entendo que existe uma linha de separação, que nunca deveria ter sido quebrada e que devia ter sido defendida por quem de direito, entre o plano político, e o plano institucional, da administração onde sou trabalhador.

Todos os processos chegaram agora ao seu fim.

Em todos se concluiu que não existiu nenhuma lista VIP nem nenhum contribuinte foi privilegiado, e que os procedimentos adotados cumpriram o determinado no Manual de Políticas de Segurança da Informação da Administração Fiscal e Aduaneira, aprovado em 2008, pelo despacho do secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, n.º 575/2008-XVIII, de 12 de junho.

Nenhum dos processos chegou sequer à fase da acusação.

Os contribuintes comunicam à AT dados relativos ao seu rendimento, ao seu património e à sua vida privada, com o fim exclusivo de esta apurar e controlar os impostos que têm a pagar. Relativamente a esses dados, a lei consagra dois direitos fundamentais, de que são titulares os contribuintes - o direito ao sigilo e o direito à reserva da vida privada.

O guardião desses dados e o garante desses direitos é o diretor-geral, e a AT possui uma hierarquia que tem por missão essa proteção, devendo permanentemente estar atenta e vigilante nessa função e tomar medidas contra qualquer violação ou perigo.

Concluiu-se naqueles processos que agi no cumprimento rigoroso e escrupuloso do meu dever e na "defesa do interesse público, que consiste no respeito pela Constituição, pelas leis e pelos direitos e interesses legalmente protegidos dos cidadãos, de acordo com o n.º 3 do artigo 73.º da Lei do Trabalho em Funções Públicas".

No fim deste tempo longo e difícil, venho a público defender a minha honra pessoal e profissional publicamente manchadas sem fundamento. E dizer aos contribuintes portugueses, aos meus alunos e aos leitores dos meus livros que podem ter a certeza de que a AT e os seus trabalhadores respeitam e defendem escrupulosamente os seus direitos.

Tenho orgulho em ser trabalhador da AT. Percorri toda a sua exigente carreira profissional, com único suporte no estudo e no trabalho, como milhares de outros trabalhadores. Em conjunto, concebemos e implementámos muitos projetos inovadores, que tornaram a AT uma referência a nível internacional. A todos quero dizer que também aqui defendi o prestígio da sua profissão e os direitos dos contribuintes. Ao serviço de Portugal.

Como disse Wittgenstein, o filósofo soldado, "sobre o que não há nada a dizer devemos guardar prudente silêncio".» [DN]
   
Autor:

José Maria Pires.

 O que nunca poderás dizer
   
«Uma das regras que se costumam explicar devagarinho aos mais jovens, quando chegam a uma redacção e querem fazer jornalismo, é a do cuidado que devem ter quando aparecem notícias sobre suicídios. Não é uma regra do PÚBLICO, nem só da comunicação social em Portugal. É assim em todo o mundo civilizado.

Não é por acaso, portanto, que são raras as notícias que se vêem sobre suicídios — e muito menos sobre tentativas de suicídio. É porque há razões fundadas na história para suspeitarmos de que uma cobertura pouco cuidadosa de um caso de suicídio pode ser um factor de risco, contribuindo para a estigmatização de quem tenta (ou pensa) fazê-lo, ou abrindo caminho a que outros se sigam. Sim, claro que o tema é muito sério. De tal forma que a Organização Mundial da Saúde decidiu fazer um pequeno guia para nós, jornalistas, sabermos lidar com o fenómeno. Esse guia pode resumir-se assim:

“Aproveite a oportunidade para educar o público sobre o suicídio. Evite uma linguagem que sensacionalize ou normalize o suicídio ou que o apresente como uma solução para os problemas. Evite descrições pormenorizadas de um suicídio ou tentativa de suicídio. Escreva os títulos com cuidado. Tenha cautela na utilização de fotografias ou de vídeo. Tenha particular cuidado ao reportar o suicídio de celebridades. Mostre a devida consideração por pessoas que tenham considerado o acto. Dê informação sobre onde as pessoas devem procurar ajuda.”

É como dizia um jornalista brasileiro: falar de morte já é muito difícil, imagine falar da morte como alternativa à vida.

É aqui que chegamos a Passos Coelho: se um jornalista tem o dever de ter estes cuidados, de ter esta responsabilidade, o que dizer sobre a que tem um político? Como pode um líder partidário, tão experiente que já foi primeiro-ministro, referir-se a um ou mais casos de suicídios para tirar a conclusão de que “o Estado não está ainda a cumprir o seu dever”? Como pode tornar pública uma informação deste tipo, partindo de uma informação para a qual não procurou confirmação?

Vou resistir a usar qualquer imagem, qualquer frase que possa parecer uma ironia. Porque aquilo que Passos Coelho ontem fez foi uma irresponsabilidade. E que pode causar mais danos à sua imagem pública do que a aplicação de uma qualquer medida da troika.

Mas o erro deve servir de lição a todos no espaço público: todo o cuidado é pouco quando se fala desta tragédia. Porque morreram 64 pessoas. Porque cada português sentiu a perda delas. Neste caso, é proibido falar demais. Como é proibido tapar o sol com a peneira.» [Público]
   
Autor:

David Dinis.

 Passos Coelho "matou" 192 pessoas
   
«No quadriénio 2007-2010, suicidaram-se em média, por ano, em Portugal continental, 983 pessoas. No seguinte, 2011-2014, em que Passos Coelho foi primeiro-ministro, esse número subiu para 1031 mortes. O número médio de suicídios por ano no mandato de Passos foi de mais 48 em relação à média dos quatro anos anteriores. Tudo somado, 192 mortes. Sabemos que esse mandato foi de profunda austeridade. O governo cortou a torto e direito em tudo o que pôde e só não cortou mais porque o Tribunal Constitucional não deixou. O desemprego aumentou brutalmente, os impostos também, as prestações sociais baixaram. Podemos, portanto, pensar: o aumento dos suicídios ocorridos neste período decorreu diretamente da governação liderada por Passos Coelho. Podemos, mas só se utilizarmos a técnica - grunha, para dizer o mínimo - que o líder do PSD ontem utilizou para estabelecer uma ligação direta entre alegados suicídios relacionados com o incêndio de Pedrógão e uma suposta falta, por parte do Estado, no apoio psicológico aos que sobreviveram em sofrimento. ("Tenho conhecimento de vítimas indiretas deste processo, pessoas que puseram termo à vida, que em desespero se suicidaram e que não receberam o apoio psicológico que deviam.") A declaração foi tão profundamente má que nem se sabe por onde começar. Um político - muito menos o líder do maior partido da oposição - não usa casos individuais de supostos suicídios como argumento político contra quem quer que seja - nunca, em circunstância alguma. Quem faz isso tem de ter alguém que o informe do efeito de contágio na mediatização de suicídios. Se não sabem o que é, googlem. Por outro lado, ninguém pode dizer que um suicídio decorreu diretamente do facto A, B ou C. Um suicídio é multicausal. E as suas explicações são de uma complexidade absolutamente não enquadrável nas necessidades de simplicidade da política. Por último: um líder que usa esta informação sem ter o cuidado de a confirmar (e não se confirmou) tem de se perguntar se ainda está em condições de se manter líder. Portugal precisa desesperadamente de oposição. Resolvam lá isso, se faz favor.

P.S. - Passos pediu desculpa por ter usado informação falsa. Não percebe que não podia ter usado, mesmo se verdadeira.» [DN]
   
Autor:

João Pedro Henriques.

      
 No melhor pano cai a nódoa
   
«Elementos da Inspeção-Geral da Educação e Ciência (IGEC) foram na semana passada ao colégio Salesianos de Lisboa no âmbito das investigações à alegada fuga de informação no exame nacional de Português do 12.º ano. Suspeita-se que a gravação que circulou dias antes da prova com indicações sobre a matéria que ia sair foi feita por uma aluna daquela escola privada, apurou o Expresso.

Identificar a autora da gravação é fundamental para que a IGEC e o Ministério Público, que também está a investigar o caso, consigam verificar se houve realmente uma fuga de informação e de onde partiu. A confirmar-se a fuga, está em causa o crime de violação de segredo por parte do professor ou funcionário que divulgou o conteúdo da prova e que, além da expulsão da administração pública, pode enfrentar uma pena até três anos de prisão.» [Expresso]
   
Parecer:

Vale tudo para chegar à universidade.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Investigue-se.»

terça-feira, junho 27, 2017

O político abutre



Há abutres, fundos abutres e, pelo que se vê, também há políticos abutres, políticos que em vez de se esforçarem fazendo as suas propostas preferem esperar que uma qualquer desgraça surja para se aproveitarem da situação. Já vimos isto com o PEC IV, pouco depois repetiu-se com a troika, no ano passado o abutre voltou a voar em círculos sobre o Terreiro do Paço, aguardando a vinda anunciada do diabo, agora foi novamente visto a sobrevoar Pedrógão Grande. Passos é um político abutre.

Não é a primeira vez que Passos exibe o perfil de um político que não perde a oportunidade de se alimentar com carne putrefata, uma boa parte do seu sucesso político tem sido feito à custa de crises financeiras e de processos judiciais. Chega ao poder com uma crise e mantém-se no poder durante quatro anos com o maior partido da oposição pressionado devido a um processo judicial, de que ele se soube aproveitar depois de dizer que não o faria.

O incêndio de Pedrogão Grande colocou Passos perante um dilema difícil, como aproveitar a desgraça sem deixar passar a imagem do abutre que se aproveita da morte? Passos começou com a pantomina do político responsável, mas a fome é má conselheira e os seus instintos mais primários foram atiçados pela fome desesperada de votos. Não se conteve, com o candidato autárquico do PSD de Pedrógão Grande usando as vestes de um santo provedor estava reunidas as condições para o seu voo circular sobre a desgraça.

Quando achou que o governo já se teria retirado foi em busca de desgraças e quando lhe disseram que várias pessoas se tinham suicidado ou tentado o suicídio não se conteve, não importa os princípios, os cuidados a ter, o cheiro a carne putrefata era tão forte que lhe toldou a lucidez, não resistiu à tentação.  E mesmo quando o assessor lhe segredou em direto que a morte não se confirmava Passos não largou o "manjar", não tinha morrido ninguém mas isso não importavam, tinham tentado o suicídio e estavam hospitalizados. Como qualquer abutre que se preza, se a vítima ainda estava viva ele estava ali para aguardar até que morresse.

Perante um país indignado Passos percebeu que tinha caído na sua própria armadilha, encomendou ao seu lacaio de Pedrógão que corresse para as televisões assumindo a culpa da má informação. O pobre diabo do provedor da Santa Casa que estava mais empenhado em ajudar Passos do que as vítimas dos incêndios, lá fez o "minha culpa, minha máxima culpa". Mas por mais que seja voluntarioso na ajuda à inesperada vítima dos incêndios, o pobre diabo não é responsável pelo comportamento de abutre do seu chefe. Restava a Passos aproveitar a apresentação de Seara como candidato a Odivelas, para se tentar retratar.

A emenda foi pior do que o soneto, tentou converter o seu comportamento miserável numa ajuda às vítimas dos incêndios, ninguém se tinha matado mas havia falta de apoio e graças á presença de um abutre nos céus de Pedrógão o governo lembrou-se das vítimas, pobre gente, o que seriam deles se não fosse Passos Coelho! Depois foi-se enterrando, depois de dar um raspanete ao jornalista que chegou atrasado ao encontro combinado lá explicou a sua tese de abutre.

Explicou que se um bombista cometesse um atentado o governo seria sempre o responsável. A sua teoria está explicada, perante uma desgraça o governo é sempre responsável e a ele cabe sempre o papel de abutre. Numa versão mais bondosa lá explicou que o Estado devia assumir a culpa e poupar as vítimas a processos judicias envolvendo as companhias de seguros. Isto é, sempre que ocorrer uma calamidade os banqueiros e seguros devem ser dispensados, para poupar os cidadãos o governo de assumir as culpas.

O país viu um Passos como nunca tinha visto ou não se teria apercebido de quem era, um político abutre sem grandes dotes inteletuais. É assim, os abutres não são conhecidos mais pela sua paciência e oportunismo do que pela sua inteligência. Mas na natureza os abutres são necessários e têm um importante papel a desempenhar, não é o caso deste nosso político abutre.


Umas no cravo e outras na ferradura



 Jumento do Dia

   
Passos Coelho, oportunista

Nunca o oportunismo político foi tão longe, forçado pela máquina partidária ou por um mau instinto Passos Coelho tenta salvar a sua carreira política à custa das vítimas dos incêndios e como acha que morreram poucas pessoas ou porque receia que não possa atribuir estas mortes ao governo, inventa suicídios causados por falta de apoio governamental.

Passos é um cobarde que ficou em Lisboa, que muitas horas depois fez uma visita de circunstância à sede da Proteção Civil e agora, que os incêndios estão apagados, mandou o aparelho do seu partido fazer uma montagem para dar o seu espetáculo. Ansiosos por ajudar o grande líder os militantes locais decidiram inventar uns mortos por suicídio, não só inventaram os suicidas como encontraram a causa para essa opção, o abandono por parte do governo.

Um político responsável teria o bom senso de confirmar antes de comentar, mas a fome de votos não é boa conselheira e Passos optou pelo oportunismo puro. Mas um político responsável nunca iria anunciar mortes por suicídio que ninguém tinha noticiado, Passos não só achou que devia ser ele a dar a informação em primeira mão, julgando que estava a ser escondida, como revela uma grande irresponsabilidade pois num quadro destes a forma como anunciou os suicídios é um estímulo a outras pessoas com vulnerabilidades no foro psiquiátricos. Passos parece que quer mais mortos, talvez assim os portugueses o voltem a escolher para primeiro-ministro.

O mentiroso foi o provedor da Santa Casa de Pedrógão, mas o oportunista irresponsável foi Passos Coelho. Se o provedor optou por dar a informação a Passos ignorando os serviços oficiais é um problema dele e do partido dele. Passos não deixou de ser o abutre oportunista que optou ser.

O aparecimento do provedor irresponsável não chega para limpar a imagem do seu chefe. É bom lembrar que este pobre senhor foi presidente da autarquia de Pedrogão Grande pelo PSD e é cabeça de lista pelo mesmo partido pelo PSD. Estar a usar o estatuto de provedor para fazer política suja não passa de um truque deste político sem escrúpulos, que usa o sofrimento dos seus concidadãos para conseguir votos de forma muito suja.

Note-se que mesmo depois de esclarecido de que não tinham ocorrido suicídios Passos insistiu na mentira de que haviam pessoas internadas na sequência de tentativas de suicídio. Passos é um mentiroso compulsivo.

«Pedro Passos Coelho, presidente do PSD, visitou esta segunda-feira algumas das áreas afetadas pelo fogo de Pedrógão Grande, onde referiu, quando estava no quartel de bombeiros de Castanheira de Pêra, ter conhecimento de pessoas que se suicidaram por falta de apoio psicológico após a tragédia que vitimou 64 pessoas.

“Naquilo que é mais fundamental no Estado, que é garantir a segurança das pessoas, o Estado falhou e estão aqui as evidências. Depois, saber se foi inevitável ou se era evitável, se há culpa a atribuir pelo falhanço e responsabilidade, isso é outra conversa. Dez dias depois, ainda está a falhar”, começou por referir Pedro Passos Coelho. “Tenho conhecimento de vítimas indiretas deste processo, pessoas que puseram termo à vida, que em desespero se suicidaram e que não receberam o apoio psicológico que deviam. Devia haver um mecanismo para isso. Tem havido dificuldades. Ninguém me convence que não há responsabilidades. O Estado falhou e continua a falhar”, completou.

Ao que o Observador apurou, Passos Coelho terá abordado a existência de suicídios depois de, durante a manhã, ter ouvido relatos na zona de casos que chegaram a essa situação extrema, após o desespero provocado pelos incêndios e respetivas consequências. O presidente do PSD fez visitas a Avelar, a Vila Facaia e esteve em três instituições de Pedrógão Grande: a Câmara Municipal, a Santa Casa da Misericórdia e os Bombeiros Voluntários.» [Observador]

«Foi o provedor da Santa Casa da Misericórdia quem disse ao líder do PSD que teria havido suicídios em Pedrógão Grande. "Julguei que a informação era fidedigna e, afinal, não era", disse ao Expresso João Marques. "Felizmente não se confirma nenhum suicídio, ao contrário do que eu disse ao dr. Passos Coelho. Peço-lhe desculpas públicas por isso".

O que o provedor diz ao Expresso é que foi "induzido em erro". "E induzi em erro o dr. Passos Coelho. Houve efectivamente duas ou três tentativas de suicício e manifestações suicidárias de mais algumas pessoas, que dizem que têm essa intenção. Mas suicídios mesmo, isso é boato", acrescenta agora.

(...) Mas as certezas de Passos começaram a ser postas em causa mesmo enquanto ele falava com os jornalistas, na sede dos bombeiros do concelho. Quando os jornalistas pediram para que fosse mais específico quanto à informação dos suicídios, um deputado do PSD diz a Passos que a informação "não se confirma". E Passos vira-se para trás, perguntando: "Não se confirma?". A seguir, virado para os jornalistas, o líder social-democrata explicou que essa informação lhe tinha sido transmitida "por um familiar", pelo que não tinha duvidado dela.» [Público]

 Foi visto um abutre cor de laranja em Pedrogão Grande



 Luto em memória de Passos Coelho

Lamento informar, mas mal vi Pedro Passos Coelho anunciar que vários cidadãos de Pedrógão Grande se suicidaram ou tentaram suicidar-se devido ao abandono a que os votou o governo, não deixei de sentir solidariedade com o sofrimento e indignação do líder do PSD e decidi ir para o velório e funeral da mais recente vítima de Pedrógão.

O suicídio de Passos Coelho foi um verdadeiro ato de coragem, depois de ter proposto uma comissão técnica, para logo de seguida ceder à populaça do seu grupo parlamentar, exigindo um debate parlamentar para soltar nos abutres no hemiciclo, só restava o suicídio a Passos Coelho. Era certo que o homem ia suicidar-se, só não se sabia quando e onde.

Passos Coelho suicidou-se em direto, começou com uma tentativa falhada de suicídio no quartel dos bombeiros de Pedrógão, mas como falhou optou por completar o serviço em Odivelas. Chamou os jornalistas, para um direto à entrada para o local onde o desgraçado do Seara ia apresentar a sua candidatura a Odivelas, com a intenção de fazer um pedido de desculpas, pelo pecado do suicídio matinal na forma tentada. Mas fez a pior intervenção de toda a sua carreira política, chegando ao ridículo de dizer que se ocorrer um atentado bombista a culpa é sempre do governo.

O homem já desejou a vinda do diabo há precisamente um ano, agora achou que o diabo estava em Pedrógão para o ajudar, mas como ninguém se matou para o ajudar a sobreviver, chega ao ridículo de sugerir que o diabo ainda pode regressar sob a forma de bombista suicida.


      
 "Dijsselbloem Nights"
   
«Uma dezena de eurodeputados do Grupo Confederal da Esquerda Unitária Europeia/Esquerda Nórdica Verde, que inclui o Partido Comunista Português e o Bloco de Esquerda, está a organizar dois dias de festa em Bruxelas intitulados "Dijsselbloem Nights - Combater os Estereótipos".

Uma referência ao presidente do Eurogrupo e ministro das Finanças holandês, Jeroen Dijsselbloem, que numa entrevista ao jornal alemão 'Frankfurter Allgemeine Zeitung' disse que os países do sul da Europa gastam o dinheiro "em copos e mulheres".» [DN]
   
Parecer:

Boa ideia!
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se a merecida gargalhada.»


      
 Passos e o suicídio político
   
«Este texto é sobre o bom senso. O bom senso que faltou a Passos Coelho quando, esta manhã, depois de uma visita pelas áreas ardidas de Pedrógão Grande, decidiu falar em suicídios. Passos não se referiu a tentativas, mas sim a atos consumados. Deu certezas. Disse que tinha conhecimento de “pessoas que puseram termo à vida” porque “que não receberam o apoio psicológico que deviam.”

Confesso que não percebo o que passou pela cabeça do líder da oposição. Não faz qualquer sentido e revela irresponsabilidade. Primeiro, porque falou de algo que não existe: não houve nenhum suicídio. Mas, mais importante, mesmo que tivessem existido, Passos não podia, nem devia, de maneira nenhuma, usá-los para combate político.

Se há conclusão que já todos tirámos dos graves incêndios de Pedrógão é que o Estado falhou. Voltou a falhar. Os 64 mortos são a maior prova dessa perturbadora recorrência. Passos não precisava de procurar mais mortos nos suicídios para dar força à sua argumentação. O PSD que não quis, e bem, politizar esta tragédia acaba por fazê-lo da pior forma. Se os acontecimentos em Pedrógão e as respostas no terreno estavam a deixar António Costa desconfortável e com muitas explicações para dar, agora foi Passos a causar-nos esse desconforto.

Passos sabe bem o que é dor e tragédia. E mesmo tendo sido o Provedor local a induzi-lo em erro, o líder do PSD e ex-primeiro-ministro devia ser o primeiro a exigir contenção – já para não falar em confirmação. Um líder não se afirma assim. Um líder, por mais que a sua claque lhe exija sangue, deve ter cabeça fria e perceber quando o adversário não está em bons lençóis. Passos avaliou mal as consequências do filme de Pedrógão. Descentrou a discussão do que é essencial: os falhanços no terreno e as responsabilidades das autoridades.

Não se especula sobre suicídios. Muito menos depois daquela mortandade.

E sabem? Nós, jornalistas, também fomos alertados para a existência de suicídios. Mas, por regra, não os noticiamos. Muito menos quando não existem.» [Expresso]
   
Autor:

Bernardo Ferrão.
  

segunda-feira, junho 26, 2017

Proteger a estrada ou a floresta?

Durante anos sempre que se discutia a relação das estradas com as florestas o que estava em causa era proteger estas dos carros e dos condutores, quando se defendia uma zona de segurança, falava-se da limpeza do mato por causa do risco de os carros ou dos seus condutores provocarem incêndios. O receito não era que os incêndios queimassem os condutores, mas sim que os condutores queimassem as florestas.

Falava-se da necessidade de limpar o mato mas pouco de evitar a plantação de árvores junto das bermas das estradas, ninguém questionava se as boas sombras eram de carvalhos, pinheiros ou eucaliptos. Nunca ninguém questionou os abusos dos proprietários dos terrenos, que plantaram eucaliptos quase até ao alcatrão e em todo o país há milhares de quilómetros de troços em que as copas das árvores quase se unem por cima das estradas.

Nas autoestradas e itinerários principais cumpre-se a lei, mas nas estradas nacionais e municipais vale de tudo. Durante muitos anos as árvores na beira das estradas portuguesas foram uma boa receita da Junta Autónoma das Estradas, não admirando que nessas estradas ninguém respeite a lei. Há multas e autoridades para as aplicar, mas ninguém aplica a lei, é a corrida coletiva ao El Dorado do eucalipto como o foi do pinheiro ou de qualquer outra espécie florestal que dê dinheiro fácil, uma verdadeira febre do ouro nacional.

Agora o país percebeu da pior forma que as estradas não matam apenas com acidentes de automóvel ou que são perigosas apenas quando o seu mau desenho ou conservação povoam esses acidentes. O país viu que as estradas também podiam transformar-se em infernos e que em vez de serem os condutores a matar a floresta, ser a florestas a matar quem está na estrada.

Mas estabelecer uma zona de segurança dos dois lados das bermas de todas as estradas municipais ou nacionais significa cortar muitas dezenas de hectares de eucaliptos, sobreiros, pinheiros ou de outras árvores. Num país onde com frequência se mata por causa de um caminho, de um poço ou de uma oliveira, onde a posse da terra que é propriedade ancestral da família justifica a morte do vizinho, este é um problema quase sem solução. 

Os portugueses têm uma relação difícil com a propriedade fundiária, que é muito mais do que um bem económico, há uma relação psicológica que leva a que ninguém abdique de um metro quadrado de terrenos, impossibilitando qualquer reforma das florestas ou grandes progressos na agricultura. O emparcelamento é impossível e há centenas de milhares de hectares de floresta cujo cadastro está desatualizado há várias gerações. 

A nossa propriedade fundiária e a mentalidade de uma boa parte do nosso mundo rural é quase medieval e muitos dos que são vítimas dos incêndios, os proprietários de milhares de pequenas courelas, são também os grandes responsáveis por esses incêndios. 

Umas no cravo e outras na ferradura



 Jumento do Dia

   
Constança Urbano de Sousa, ministra da Administração Interna

A ministra da Administração Interna espera por conclusões técnicas para tirar as ilações pessoais que deve tirar. A ministra está a incorrer num erro inaceitável ao fazer depender uma decisão pol´+itica pessoal de um relatório técnico. Esta posição da ministra não é mais um erro de comunicação como é inaceitável.

É inaceitável, antes de mais, porque a comissão de técnicos não vai avaliar o processo de decisão ministerial no dossier do combate aos incêndios, vai sim avaliar o que foi feito no terreno e nesse capítulo a ministra não conta. Constança Urbano de Sousa não é bombeia ou guarda da GNR pelo que não faz sentido que venha a tirar conclusões pessoais em função do que se passou naqueles incêndios.

As responsabilidades de Constança Urbano de Sousa são de natureza política e as perguntas a que tem de responder a si própria para tirar as suas ilações pessoais são outras. Estava em condições de minimizar os erros e falhanços no combate ao incêndio? Teve conhecimento de insuficiências no sistema de comunicações da Proteção Civil e fez o que estava ao seu alcance para as superar? Foi-lhe informado do risco de incêndios muito graves e fez o que lhe cabia nessas circunstâncias.

São estas as perguntas que a ministra deve fazer a si própria e em função da resposta tirará as ilações que deve tirar. Se não fosse assim nas próximas eleições os portugueses só votariam depois de uma comissão técnica independente avaliar o desempenho governamental ou, então, as propostas dos partidos teria de ser previamente avaliadas por técnicos.

Constança Urbano de Sousa não foi para técnica mas sim para ministra e isso significa que a avaliação do seu desempenho enquanto ministra  é de natureza política. Esconder-se atrás de uma comissão técnica é mais um erro que a ministra comete.

«Se a comissão independente atribuir responsabilidades à tutela, Constança Urbano de Sousa garante que tirará "as devidas ilações"

A entrevista a Constança Urbano de Sousa foi gravada na sexta-feira às três da tarde. Na noite de sexta-feira foram conhecidas as respostas da Autoridade Nacional de Proteção Civil, reconhecendo falhas no SIRESP, assunto que é tema nesta entrevista. A atualização da entrevista não foi possível porque a ministra "não pretende fazer novas declarações sobre a matéria até receber o relatório circunstanciado que já tinha pedido ao SIRESP".» [DN]

domingo, junho 25, 2017

Semanada

Esta foi a semana em que o diabo veio (finalmente), estava combinado aparecer em Setembro ali para os lados do ministério das Finanças, mas acabou por aparecer em Pedrógão Grande, uma localidade que em poucas horas se transformou numa imagem do inferno. O pessoal do PSD que estava instalado a tempo inteiro no terreiro do Paço, esperando pela queda de Centeno percebeu rapidamente a nova oportunidade, mudou-se de armas e bagagem para a Administração interno.

Passos Coelho bem começou a encenação do político que não se aproveita da desgraça alheia, algo que já tinha feito com a crise financeira e com o Caso marquês. Mas a ansiedade dos seus deputados é tanta que desta vez o próprio Passos foi ultrapassado, propôs uma comissão técnica para avaliar os acontecimentos, mas o seu grupo parlamentar forçou um debate parlamentar sem quaisquer relatórios técnicos, só para aproveitar os acontecimentos.

Ninguém reparou, mas há uma figura grada do mundo autárquico do PSD que está a viver o seu próprio inferno, acompanhado de mais alguns companheiros. Hermínio Loureiro, homem forte de Oliveira de Azeméis e uma ponte entre o PSD e o mundo da bola está passando o fim de semana nas instalações hoteleiras da PJ

Umas no cravo e outras na ferradura



 Jumento do Dia

   
Luís Valente de Oliveira, mandatário do candidato populista

O que não faltou a Valente de Oliveira foram boas oportunidades de se ter demitido do PSD, podia tê-lo feito, por exemplo, quando Passos o ignorou na hora de preencher a vaga de membro da Comissão europeia. Chegar ao fim da carreira política e demitir do seu partido para apoiar um político que sofre de homofobia democrática talvez não tenha sido a melhor das ideias.

Podia ter-se demitido em oposição a políticas, opta-se por se demitir para não ser expulso.

«luís Valente de Oliveira enviou, esta semana, uma carta ao líder do PSD, Pedro Passos Coelho, a pedir a sua desvinculação de militante do seu partido de sempre. Na origem da decisão está o convite de Rui Moreira ao histórico social-democrata para ser mandatário da recandidatura independente “Porto, o Nosso Partido”. O presidente da Câmara do Porto confirmou ao Expresso que, tal como nas autárquicas de 2013, o seu mandatário será Valente de Oliveira, que já confirmou o convite e “autorizou que o mesmo fosse divulgado”, tendo ainda revelado que se desfiliaria do PSD para evitar embaraços políticos e eventuais processos disciplinares. Embora ainda não haja data do anúncio formal da candidatura, Rui Moreira fez questão de manter para as eleições de 1 de outubro o seu primeiro mandatário. 
Ao contrário do que sucedeu nas últimas autárquicas, em que manteve o cartão apesar do apoio a Moreira em detrimento do candidato do partido, Luís Filipe Menezes, Valente de Oliveira optou agora por abandonar o partido, esquivando-se a ser repetente num quadro de possíveis ameaças de represálias disciplinares.» [Expresso]

 Proteger as estradas ou proteger as florestas

Durante décadas o país plantou árvores nas bermas da estrada para sombra e para fins decorativos, as árvores pertenciam ao estrado que exploravam a sua madeira e mesmo a fruta ou frutos secos, como as amêndoas, era trabalho da JAE. Os tempos mudaram e os enormes eucaliptos e pinheiros nas bermas das nossas estradas transformaram-se em armadilhas mortais. Ainda hoje há muitas estradas onde um descontrolo na direção do carro pode ser pago com a morte.

Quando os incêndios se começara a multiplicar as estradas foram apontadas como inimigas da florestas, ninguém questionava se nas bermas haviam pinheiros, eucaliptos ou carvalhos, os ambientalistas ainda não dominavam a comunicação social, os estudos de impacto ambiental ainda não eram um excelente negócio para empresários e consultores que se iniciaram nas associações ambientais.

Os carros e os seus ocupantes eram inimigos da floresta porque com fagulhas ou beatas de cigarros provocavam incêndios. Era necessário proteger as florestas dos carros limpando as suas bermas. Só que faixas de terreno com quilómetros e quilómetros de terreno é muita terra mal aproveitada, a consequência é que estradas como a EN236 apresentam troços em que as árvores estãio tão junto às duas bermas que em caso de incêndio foram um túnel de fogo com centenas de graus.

Foi preciso uma combinação de fatores para que se concluam que afinal o importante não é proteger a floresta dos carros e das pessoas, mas sim proteger as pessoas das florestas e dos seus incêndios cada vez maiores, porque há mais floresta, e cada vez mais violentos porque há mais combustível.

 António Costa deve um pedido de desculpas

António Costa parece ter acreditado no sindicalistas dos impostos e ainda na oposição lançou uma cruzada contra aquilo a que se designou por "Lista VIP", chegou mesmo a dizer que o caso merecia um processo crime, o que vindo de alguém que tinha sido ministro da Justiça merecia alguma atenção.

Entretanto, a IGF investigou, o MP investigou e a AT investigou. A IGF fez o que lhe cabia fazer, fez o relatório da conveniência, aquilo a que designa por frete. Mais não era de esperar de uma instituição que pouco tempo antes tinha andado a vasculhar as mensagens de email de todos os funcionários do fisco, num processo que foi devidamente abafado, isto é, ninguém ficou a saber o que se passou.

Mas o MP concluiu que os funcionários que foram sacrificados por causa da lista VIP, a mesma conclusão chegou o processo disciplinar da AT. Isto é, é cada vez mais óbvio que vários funcionários foram vítimas de um processo sujo conduzido com o objetivo de prejudicar pessoas, aquilo que na Sicília se designa por vendetta. Alguns funcionários demitiram-se ( uma forma cínica de ser demitido) e António Costa chegou a primeiro-ministro,

António Costa caiu na esparrela e agora devia pedir desculpa aos funcionários cuja carreira ajudou a destruir e à própria AT, é o preço de ter alinhado no debate político de casos e casinhos.
      
 Um fim de semana mal passado
   
«O interrogatório a Hermínio Loureiro, vice-presidente da Federação Portuguesa de Futebol e um dos detidos na operação Ajuste Secreto da Polícia Judiciária (PJ), terminou na sexta-feira à noite, disse à Lusa fonte judicial.

Hermínio Loureiro começou a ser ouvido pela juíza de instrução criminal, Ana Cláudia Nogueira, cerca das 15h30 e saiu do Tribunal da Feira por volta das 23h00, regressando à cela da PJ do Porto, a fim de ai pernoitar pela quinta noite consecutiva, juntamente com os outros cinco arguidos detidos.

No sábado de manhã, a juíza de instrução criminal irá interrogar o ex-presidente do conselho de administração da Assembleia da República e ex-deputado social-democrata João Moura de Sá, que resolveu prestar declarações, apesar de inicialmente ter dito que não queria falar.

Para as 15h30, estão agendadas as alegações, devendo a decisão sobre as medidas de coação ser proferida apenas na segunda-feira, Antes de Hermínio Loureiro, a juíza esteve a ouvir José Oliveira, presidente da Concelhia do PSD de Oliveira de Azeméis.» [Expresso]
   
Parecer:

Com tanto incêndio no Porto  e nas autarquias e ninguém fala deste príncipe dessa combinação entre PSD, bola e autarquias, uma combinação que em tempos se uniu com o patrocínio de Santana Lopes, para ajudar Durão Barroso a chegar ao poder.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Aguarde-se por segunda-feira.»
  
 Um sindicalista estranho
   
«O arquivamento, noticiado nesta sexta-feira pelo Diário de Notícias, é para o presidente do sindicato, Paulo Ralha, um “verdadeiro milagre” por "branquear" os nomes apontados pela própria IGF como responsáveis, por acção ou omissão, pela “lista VIP”. Em causa estão quatro pessoas: o ex-subdirector-geral José Maria Pires, que autorizou o funcionamento do sistema num dia em que o director-geral estava ausente, o próprio ex-director-geral António Brigas Afonso e dois outros funcionários, a coordenadora da área dos sistemas de informação, Graciosa Martins Delgado, e o chefe de equipa da área da segurança informática que lhe respondia, José Morujão Oliveira. “Nem o Omo lava mais branco do que isto…”, reage Paulo Ralha, pegando numa célebre campanha publicitária de uma conhecida marca de detergente para a roupa para descrever a actuação da AT.

Se há dois anos a IGF recomendou que fossem ponderados processos disciplinares aos quatro funcionários por causa de condutas “susceptíveis” de violar, em diferentes graus, deveres profissionais previstos na Lei Geral do Trabalho em Funções Públicas, o entendimento que a AT faz do caso é o oposto: os visados agiram no cumprimento dos seus deveres de protecção de dados.

“Foi criado um mecanismo desta natureza e não há responsáveis”, insurge-se Paulo Ralha, considerando que quem fica em xeque é a própria AT. “A situação é absolutamente Kafkiana, põe em causa o princípio da igualdade, os princípios da democracia, e no final não há responsáveis”, acusa, lembrando que a mesma instituição que agora arquivou os processos dos dirigentes aplicou sanções a alguns funcionários (repreensões escritas suspensas por seis meses ou um ano) por terem consultado informações fiscais de figuras públicas, mesmo não se verificando violação da protecção de dados.» [Público]
   
Parecer:

Persegue os sócios do seu próprio sindicato.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se a merecida gargalhada.»

 Palhaçada moçambicana
   
«A auditoria às dívidas ocultas de Moçambique deixou por esclarecer o destino dos dois mil milhões de dólares contraídos por três empresas estatais entre 2013 e 2014, anunciou a Procuradoria-Geral da República (PGR).

"Lacunas permanecem no entendimento sobre como exactamente os dois mil milhões de dólares foram gastos, apesar dos esforços consideráveis" para esclarecer o assunto, refere a PGR em comunicado sobre a investigação feita pela consultora internacional Kroll.

Por outro lado, "a auditoria constatou que o processo para a emissão de garantias pelo Estado parece ser inadequado, sobretudo no que respeita aos estudos de avaliação que devem ser conduzidos, antes da sua emissão", acrescenta-se.» [Público]
   
Parecer:

Um procurador-geral tão nabo que não consegue dizer o que fizeram a dois mil milhões de dólares.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sugira-se ao pobre diabo que beba água.»

 A vez dos barrosistas
   
«Mas o apoio do barrosismo à lista anti-Passos não fica por aqui. Outros três membros do Executivo de Barroso destacam-se na lista de subscritores da candidatura de Sarmento. Com relevo para José Luís Arnaud, que foi o braço-direito de Durão, depois de ter sido secretário-geral do PSD durante a presidência de Marcelo Rebelo de Sousa.

Maria da Graça Carvalho, ex-ministra da Educação, e Pedro Roseta, ex-ministro da Cultura (e dirigente da distrital de Lisboa nos anos 80) estão igualmente entre os subscritores da lista de Morais Sarmento.

O antigo ministro da Presidência, que nos últimos anos foi várias vezes apontado como putativo candidato à chefia do PSD, apresentou na sexta-feira a sua candidatura e assumiu a oposição a Passos, defendendo o surgimento de um "novo PSD".» [DN]
   
Parecer:

O Morais Sarmento ainda vai passar a perna ao indeciso Rui Rio.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Espere-se para ver.»