sábado, julho 15, 2017

Renascido nas cinzas de Pedrógão

Passos Razão tinha razão, seu Diabo viria mesmo a Portugal, não sob a forma de bancarrota, mas com a forma de incêndio mortífero Isso explica que um líder quase apagado e co m uma derrota anunciada nas autárquicas se tenha sentido renascido, ressuscitado nas cinzas do incêndio de Pedrógão.

Depois de um ou dois dias em silêncio, Passos reagiu ao incêndio da forma que todos vimos, inventando mortos por suicido devido à ausência do Estado. Desde então o líder do PSD explora a desgraça quase diariamente, recorrendo ao tema em todos seus discursos, seja nos jantares de lombo assado da campanha das autárquicas, seja no discurso policopiado do mau estado do líder da oposição.

Passos não tem qualquer projeto para o país, nada propõe que mereça qualquer atenção, recusa-se a apresentar propostas nos debates parlamentares, limita-se a exibir-se no papel de vítima que foi impedido de fazer maravilhas. Agora recorre à tragédia alheia para preencher o seu vazio, chagando ao ridículo de acusar o governo de não acorrer às pessoas, como se a solução fosse dividir a ajuda em envelopes a entregar.

Que se saiba Passos só foi a Pedrógão para inventar suicídios e chorar lágrimas de crocodilo num funeral, não passou por lá para ver o que estava sendo feito, para ouvir as queixas da população, para fazer sugestões. Limita-se a inventar, a falar sem fundamento como o fez quando disse ao país que familiares de vítimas de suicídio lhe tinham dito que os seus familiares se tinham matado devido à ausência do governo.

Passos poderia ter a inteligência de perceber que errou, mas prefere repetir e insistir nele, porque não tem ideias, não tem propostas, não tem argumentos para se apresentar aos eleitores, é um vazio a preto e laranja como o cartaz ridículo da sua espécie de candidata a Lisboa.

Umas no cravo e outras na ferradura



 Jumento do Dia

   
Jerónimo de Sousa, líder do PCP

O regime norte-coreano é demasiado bandido para que Jerónimo de Sousa tenha de procurar argumentos para não o condenar. Ou condena ou concorda, o resto são tretas. É óbvio que o PCP nunca condenará aquilo que em privado considera um país liderado por um partido irmão, é por estas e por outras que o outrora poderoso movimento comunista internacional está reduzido a dois ou três partidos e a algumas aberrações.

«O secretário-geral do PCP assumiu esta sexta-feira preocupação com a situação na península coreana, admitindo o voto favorável à condenação das ações bélicas do regime de Pyongyang, desde que sejam reconhecidas provocações dos Estados Unidos da América na região.

Em entrevista à agência Lusa, que será divulgada no domingo, Jerónimo de Sousa defendeu ainda a necessidade de estabilidade na Venezuela, até para bem da comunidade portuguesa, reiterando solidariedade com a Revolução Bolivariana, embora recordando que o partido maioritário daquele Governo é filiado na Internacional Socialista.

"Desde que seja um voto que não isole essa questão, mas o faça num enquadramento fronteiriço, que responsabilize essa força agressiva, permanente, que se deslocou milhares de quilómetros para ali estar, em cima de uma fronteira, para ameaçar com todo o poderio militar...", assentiu, confrontado sobre a possibilidade de um texto crítico da ação da Coreia do Norte vir a ser apreciado no Parlamento português.» [Expresso]

 Outros tempos

Quando a PT era PT e tentou comprar a TVI caiu o Carmo e a Trindade, até deu direito aos zelosos inquéritos policiais com grande destaque nos órgão oficiosos do MP. Agora que a TVI24 vai ser comprada pelos saloios franceses e afrancesados endinheirados não há comentários, dizem que é o mercado. Desta vez não há perseguições nem inquéritos judiciais, estão todos felizes porque os montanheiros da Altice vão fazer na Media Capital o que estão a fazer na PT.


Mas neste país com elevada densidade de idiotas há quem dê crédito à declaração dos montanheiros que dizer que a Media Capital vai concorrer com o Facebook e com a Google, até fazem lembrar o Passos Coelho quando foi ao Japão declarar que em breve Portugal iria ser um dos países mais competitivos do mundo.

 Passos compara Costa Trump



Pobre Costa, tinha de fazer o jeito à Melania...

      
 Passos incomodado por Costa admoestar a Altice
   
«O líder social-democrata, Pedro Passos Coelho, criticou na quinta-feira à noite, em Loures, o primeiro-ministro António Costa por ter feito uma "admoestação pública" à empresa Altice durante o debate sobre o estado da Nação no Parlamento.

"Não sei o que é que terá levado o dr. António Costa a, de certa maneira, fazer uma admoestação pública a uma empresa", afirmou o ex-primeiro-ministro, referindo-se à intervenção crítica do chefe do Governo para com a empresa detentora da PT.

O ex-primeiro-ministro, que falava na apresentação oficial do candidato da coligação PSD/CDS-PP/PPM à Câmara de Loures, André Ventura, embora sem nomear a Altice, frisou não saber o que "leva o primeiro-ministro a atirar-se a uma empresa em particular".

"Nunca, julgo eu, tinha ouvido um primeiro-ministro atirar-se assim publicamente a uma empresa. Acho que nem o engenheiro Sócrates teve coragem para fazer isto e, atualmente, o primeiro-ministro sente-se com à vontade de poder admoestar publicamente uma empresa privada", criticou Passos Coelho.» [Expresso]
   
Parecer:

Pois, ele só gostava de admoestar o Estado e a CGD... ou de condenar o BES.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»
  
 Ai queriam  Lisboa?
   
«Portugal vai concorrer à sede da Agência Europeia do Medicamento (EMA) com a cidade do Porto mas a maioria dos quase 900 funcionários da EMA queriam ir para Lisboa. Um inquérito interno realizado na semana passada sobre as várias cidades candidatas a receberem o regulador europeu a partir de 2019, por força do “Brexit”, deu a vitória à capital portuguesa.

O resultado da sondagem interna na EMA é revelado pelo presidente da Associação Portuguesa da Indústria Farmacêutica (Apifarma). “Na semana passada, foi feito um inquérito interno e Lisboa saiu largamente vencedora comparativamente com Milão, Copenhaga, Lille e outras cidades concorrentes”, afirma João Almeida Lopes. Ao Expresso, o gabinete de comunicação da EMA confirmou ter realizado “vários inquéritos para avaliar o ambiente entre o staff e perceber as suas expectativas face à mudança da agência” mas “os resultados não foram publicados nem comunicados aos Estados-membros”.

Os laboratórios foram desde o início a favor de Lisboa e a decisão tomada esta quinta-feira em conselho de ministros de avançar com o Porto empurrou-os para o silêncio. “A nossa posição em defesa de Lisboa era clara mas a partir do momento em que o Governo tomou uma decisão não fazemos mais comentários”, explica João Almeida Lopes.» [Expresso]
   
Parecer:

Esperemos que este caso não seja mais um bom exemplo de alguma estupidez que por aí grassa. O certo é que todas as personalidades do Porto que foram ouvidas sugeriram que em caso de derrota a culpa era de Lisboa por já ter muitas agências. Esperemos que não estejamos perante mais um caso de estupidez tuga.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»

 Pois, o SIRESP funciona na perfeição
   
«O presidente executivo da Altice reagiu esta sexta-feira às críticas que António Costa fez à empresa, esta semana, durante o debate do Estado da Nação. O primeiro-ministro não só se mostrou preocupado com a evolução da situação da PT, mas apontou também o dedo ao SIRESP (Sistema Integrado de Redes de Emergência e Segurança de Portugal), no qual a Altice é principal acionista, referindo as falhas apresentadas durante os incêndios em Pedrógão Grande.

Mas Michel Combes mostrou orgulho no esforço realizado durante a tragédia. “Os funcionários da empresa (...) estiveram muito empenhados, fizeram tudo o que era exequível para que funcionasse”, garantiu, em conferência de imprensa. E garantiu que a empresa tem “os melhores profissionais”, que “estão a fazer um trabalho fantástico”.

“Neste tipo de circunstância, como podem imaginar, nem sempre é fácil, o tráfego explode”, disse o CEO da Altice, acrescentando que está “orgulhoso do que foi feito pela empresa, pelos empregados e pelos técnicos”.» [Expresso]
   
Parecer:

É uma pena que os donos da empresa do SIRESP nãio sejam amigos do Sócrates, estavam lixados, assim não vão ter problemas.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Mande-se o senhor da Açtice à bardamerda.»

sexta-feira, julho 14, 2017

Eu também deixei a PT

Deixei de ser cliente da MEO, aliviado por ter livrado de um péssimo serviço e preocupado com os trabalhadores daquela empresa. Amigos meus do mundo empresarial contam-me que têm contratado vários quadros de alto nível que abandonaram a PT e uma vizinha minha que ainda trabalha naquela empresa dá sinais de grande insatisfação e quando falo do tema ao telefone responde-me que depois falamos pessoalmente. É esta a imagem que tenho da PT.

Para sair foi uma carga de trabalhos, comecei por me queixar e receber como resposta que estava tudo bem. O tudo bem era um acesso à web com velocidades do tempo da TELEPAC e a televisão a ir abaixo sistematicamente. Agendaram a visita de um técnico e falharam, não apareceram nem deram qualquer justificação. Fui a um balcão desvincular-me e foi um nojo a forma como a empresa atuou, isso mesmo os métodos são ilegais, nojentos e mais não digo para não ofender a mãe de algum francês.

Perante a desvinculação surgiram as tentativas de reparação, mas a estratégia era digna de idiotas, sugeriram que se calhar o problema era do meu equipamento, provavelmente o computador tinha algum problema. Tiveram azar, o PC era um equipamento da última geração e era usado em mais do que um acesso. Pelo meio ainda tive de aturar gente menos educada. A única pessoa que tratou o assunto como devia ter sido tratado foi a técnica que me contatou para desligar o serviço.

Só ouço queixas por parte de quadros e clientes, domésticos ou empresariais da Altice, é óbvio que o padrão de qualidade baixou muitos lances de degraus e o objetivo da empresa é ganhar dinheiro a qualquer custo, reduzindo os quadros sem se importarem com a perda de qualidade do serviço que presta. É óbvio que ao lado da antiga PT a Altice é uma empresa rasca e que o país perdeu uma empresa de todo. Não a perdeu por causa do que se passou no BES, perdeu-a porque os novos donos são gente de pouca qualidade.

É por isso que tenho pena dos trabalhadores da TVI24, a Altice não vai ter um padrão de qualidade de muito baixo nível e manter o padrão de qualidade da TVI24, desiludam-se os que assim pensam. A compra da TVI24 pela Altice foi a pior notícia que a TVI24 poderia dar aos seus quadros. Não tardarão os despedimentos com recurso a pressões e a fuga de jornalistas para outras estações. Esperemos para ver.

Eu deixei a MEO porque numa classificação de muito bom a muito mau eu optei por a classificar como merda.


Umas no cravo e outras na ferradura



 Jumento do Dia

   
Margarida Marques, ex-secretária de Estado 

Às vezes é preciso sair de cena e parece que a ainda secretária de Estado da Integração Europeia  não o soube fazer, preferiu ir à RTP dizer que estava surpreendida. às vezes as razões pessoais são uma excelente razão para sair de um governo pela porta da frente.

«A ainda secretária de Estado dos Assuntos Europeus, Margarida Marques, confessa ao PÚBLICO que foi apanhada de surpresa quando o ministro dos Negócios Estrangeiros lhe comunicou que estava de saída, mas recusa-se a dizer quais os motivos invocados para a substituição.

"Como dizia o meu ministro há dias, somos todos precários no Governo. Concluo que o primeiro-ministro entendeu que eu já não era necessária no Governo", afirmou a ainda governante, que vai voltar ao Parlamento a partir da próxima semana. Uma alusão directa a António Costa, que a escolheu para o cargo e de quem terá partido a iniciativa da substituição.

Margarida Marques nega qualquer mal-estar com o ministro Augusto Santos Silva: "Trabalhamos sempre lindamente, muito articulados, não temos diferenças de opinião em matérias políticas nem nunca tivemos qualquer divergência de percepção ou de estratégia", sublinha. » [Público]


      
 Um banco da Altice
   
«O grupo liderado por Patrick Drahi vai entrar na actividade financeira digital nos mercados europeus onde está presente na área das telecomunicações. A estratégia passa por utilizar a rede das operadoras que controla em França, Israel ou Portugal para oferecer serviços bancários, como pagamentos a partir dos telemóveis. 

Segundo noticiam o Le Parisien e a Reuters, o objectivo da Altice é começar a disponibilizar a sua oferta entre o final de 2018 e a meados de 2019, debaixo da marca Alticebank, que já está registada e patenteada juntos das autoridades competentes. 

Esta iniciativa da Altice surge numa altura em que o mercado de banca digital está em expansão, com o aparecimento de várias empresas de serviços financeiros exclusivamente online (fintechs). E no caso específico do mercado francês - onde a Altice controla a SFR - é uma estratégia que visa combater a iniciativa da concorrente Orange, que já criou o Orange Bank com o objectivo de alcançar os dois milhões de clientes em dez anos. » [Público]
   
Parecer:

Vai ser um banco tipo pimba.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»
  
 É uma pena
   
«Portugal vai concorrer à sede da Agência Europeia do Medicamento (EMA) com a cidade do Porto mas a maioria dos quase 900 funcionários da EMA queriam ir para Lisboa. Um inquérito interno realizado na semana passada sobre as várias cidades candidatas a receberem o regulador europeu a partir de 2019, por força do “Brexit”, deu a vitória à capital portuguesa.

O resultado da sondagem interna na EMA é revelado pelo presidente da Associação Portuguesa da Indústria Farmacêutica (Apifarma). “Na semana passada, foi feito um inquérito interno e Lisboa saiu largamente vencedora comparativamente com Milão, Copenhaga, Lille e outras cidades concorrentes”, afirma João Almeida Lopes. Ao Expresso, o gabinete de comunicação da EMA confirmou ter realizado “vários inquéritos para avaliar o ambiente entre o staff e perceber as suas expectativas face à mudança da agência” mas “os resultados não foram publicados nem comunicados aos Estados-membros”.» [Expresso]
   
Parecer:

Parece que os funcionários não conhecem o Porto...
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»

quinta-feira, julho 13, 2017

Politica económica e livre circulação de pessoas

A política económica de Passos Coelho, aparentemente inspirada na ideias do falecido António Borges e executada por Vítor Gaspar assentava no pressuposto de que a desvalorização dos custos do trabalho que no passado era conseguida pelas desvalorizações, deveria ser feita agora recorrendo à desvalorização fiscal. Hoje percebe-se que a política de Passos Coelho foi um falhanço que só deixou traumas.

O raciocínio é tão elementar que parece ser uma conclusão óbvia, mas entre a época das desvalorizações e a atual há mais de trinta anos de distância e neste período tudo mudou, em Portugal, na Europa e no mundo. Cometeu-se um erro grave, adotaram-se políticas fiscais, sociais e laborais típicas de um mundo que já não existe, a ideia era empobrecer todos os que fossem trabalhadores por conta de outrem, fossem do sector público ou privado, fossem trabalhadores com a escolaridade mínima ou doutorados.

O pressuposto desta economia era o de que as economia mais competitivas são as que remuneram pior os trabalhadores e que Portugal devia concorrer com  os país com a mão de obra mais barata. No têxtil deveríamos concorrer com o Egipto, na agricultura com o norte de África e na eletrónica com os países asiáticos. Recomeçando do nada talvez conseguíssemos ser uma Singapura da Europa. Passos estava tão convencido de que isso sucederia que foi ao Japão anunciar que Portugal iria ser um dos países mais competitivos do mundo.

Esta mistura de fundamentalistas da economia com imbecis iletrados teve consequências dramáticas para a economia e a sociedade. Portugal já não é o país que era nos anos 70 e hoje a competitividade dos países não se mede pelo salário mínimo, como ainda recentemente Passos deu a entender que deveria ser. As economias mais competitivas são as que vendem mais saber, as que exportam produtos com mais valor acrescentado, as que produzem mais riqueza per capita, as que usam tecnologias que empregam trabalhadores qualificados e bem remunerados.

Com o aumento dos níveis de escolaridade, a livre circulação na EU e o domínio de línguas estrangeiras pela generalidade dos jovens a única consequência das idiotices de Passos Coelho foi a fuga de quadros. Os países de destino agradeceram, com as populações a envelhecer agradecem esta jovens quadros nascidos na Europa e sem riscos de fundamentalismos. O investimento na formação de um jovem é gigantesco e estes países pouparam muitas centenas de milhões de euros. O país andou décadas a investir na escola e na formação destes jovens, para depois vir um imbecil fazer experiências e correr com eles.

É tempo de Passos Coelho explicar muito bem qual é a sua proposta económica e deixar-se de subterfúgios para nunca dizer ao que vem. Ainda sonha com o empobrecimento forçado dos pensionistas, com reduções salariais, com a venda de quadros ao estrangeiro a custo zero  e com o despedimento em massa de funcionários públicos?

O ventríloquo


Umas no cravo e outras na ferradura



 Jumento do Dia

   
Assunção Cristas

Quando ouvi o discurso de Passos Coelho achei que estava bem estruturado, pensei com os meus botões que aquilo nada tinha que ver com os discursos dos jantares de lombo assado, conclui que desta vez o líder do PSD teria pedido a alguém para lhe escrever a intervenção no importante debate eleitoral. Mas a minha imaginação, que até tem muito de maldosa, nunca conseguiria levar-me a pensar que um líder da oposição se dirigia ao país e ao parlamento com um discurso copiado, mesmo pseno minha opinião que Passos é um político de plástico, que usa ideias alheias.

Só alguém muito estúpido poderia pensar que fazia um discurso e ninguém descobriria que o tinha copiado, mesmo que Maduro apagasse o que escreveu o seu Facebook já não iria a tempo, há sempre alguém que copiou e, além disso, o Google retém todas as páginas, mesmo quando deixam de estar online. Pobre Passos, é um zombie, já morreu e esqueceram-se de o enterrar.

«Pedro Passos Coelho proferiu esta tarde um discurso no debate do Estado da Nação que incluía várias palavras do ex-ministro Miguel Poiares Maduro.

O antigo ministro do Passos Coelho publicou na terça-feira à noite um texto no Facebook em que falava sobre os temas da atualidade. Passos Coelho repetiu as palavras de Poiares Maduro mais do que uma vez no parlamento, nunca citando o verdadeiro autor.» [DN]


 Pobre Cristas

Jogando tudo numa candidatura à CML Assunção cristas teria todo o interesse em correr em pista própria, afirmando os seus projetos. O debate do estado da Nação era o momento ideal para o fazer, já que está a meio da legislatura e o seu partido continua a cair agarrado ao PSD. Em vez disso a líder do CDS não só fez um discurso pobre e vazio, como colocou o seu partido a aplaudir freneticamente o discurso de Passos Coelho. De repente o CDS diluiu-se no PAF e a sua líder foi mais um deputado a aplaudir Passos Coelho.

Assunção Cristas parece não perder uma oportunidade para se afirmar como líder temporária, sem projeto, sem ideias e sem autonomia em relação a um líder do PSD. Ver o CDS empolgado, aplaudindo o discurso que o Passos copiou

 "O MP não guarda paióis", diz a sotôra

A procuradora Maria José Morgado tentou responder às críticas do silêncio do MP a propósito da denúncia de um possível assalto a Tancos com um argumento ridículo, afirmou com ar de quem estava a gozar com todos os que criticam o MP que esta instituição "não guarda paióis".

Mas quanto ao que o MP deve ou não fazer e tendo em consideração o alto cargo que lá desempenha, talvez não fosse má ideia. Se, por acaso, desconhece o Estatuto do Ministério Público pode ficar descansada porque ainda não será desta vez a ser obrigada a lê-lo, basta ir até à alínea i) do artigo 3.º, que estabelece as competências do MP vem lá escarrapachado:

«i) Promover e realizar acções de prevenção criminal; »

A procuradora foi muito clara na sua intervenção, afirmou que a acção do MP só se inicia partir de um fato criminoso, isto é, sem a existência de fatos criminosos não tem nada que fazer. Pois cara procuradora, mas não é isso que consta no estatuto do MP e é uma pena que uma das suas mais altas dirigentes e uma das personalidades mais ativas na comunicação social desconheça uma das regras mais elementares que supostamente norteia a sua ação.

Disse também a procuradora que quando o processo chegar ao seu fim os senhores jornalistas (e, já agora, qualquer cidadão que o requeira) pode consultar o processo e ver o que lá está. Enfim, parece que há um pelo menos um processo no MP que está guardado a sete chaves e que nem o Correio da Manhã, o Sol ou a TVI conseguirão saber o que lá está muito antes da conclusão do que quer que seja. É uma pena  que em processos em que em vez de estar em causa o MP estão políticos, até se fica com a impressão de o seu conteúdo é publicado em dazibaos, os jornais de parede da Revolução Cultura chinesa, um órgão de agit prop muito apreciado pela Dra. Maria José Morgado quando, em vez de estudar andava a promover a ditadura do proletariado orientada pelo grande educador Arnaldo Matos.

Tem razão, ainda que tenha concluído o meu curso sem passagens administrativas, estou entre aqueles que por falta de recursos inteletuais  são estúpidos por questionarem porque motivo o MP tem estado calado. De fato, o MP não tem nada a acrescentar e por isso não deve abrir uma excepção, mas em vez de publicar comunicados manda um dos seus dirigentes à TV dizer que não tem competências na prevenção do crime, que não lhe cabe guardar paióis definindo como estúpida a interrogação para a qual muitos portugueses queriam e querem resposta, pois a procuradora só foi para a TV dizer uns disparates na esperança de disfarçar o incómodo da situação.

Para terminar, alguém com educação e sentido de Estado devia explicar à sotôra que não é bonito atirar responsabilidades para terceiros, como os serviços de segurança ou outros. Ou também é competência do MP apurar responsabilidades em direito na TV?

      
 O Conselho de Finanças Públicas vai acertar uma?
   
«O défice das contas públicas registou uma melhoria homóloga de 490 milhões de euros - o equivalente a 1,2 pontos percentuais do Produto Interno Bruto (PIB) - nos primeiros três meses do ano, fixando-se em 966 milhões de euros, ou seja, 2,1% do PIB, constata o Relatório do Conselho das Finanças Públicas sobre a Evolução orçamental até ao final do primeiro trimestre de 2017.

O CFP é taxativo sobre as razões que justificam esta melhoria: "O aumento da receita, em particular dos impostos indiretos e contribuições sociais, foi fundamental".

Já a despesa, "observa um acréscimo de 66 milhões de euros", nota o relatório, salientando que "estes valores não refletem qualquer eventual impacto decorrente da recapitalização da Caixa Geral de Depósitos, que se iniciou no primeiro trimestre de 2017".

Perspetivas para o conjunto deste ano? A instituição presidida por Teodora Cardoso lembra que "no passado recente o défice no primeiro trimestre tem vindo a revelar-se superior ao registado nos restantes trimestres do ano".» [Expresso]
   
Parecer:

Pela primeira vez o CFP alinha as suas previsões com as do governo, dir-se-ia que gato escaldado a água fria tem medo.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Mandém-se os parabéns ao CFP.»
  
 Quem não tem nada que fazer faz uma vigília
   
«A Associação Nacional de Sargentos (ANS) promove esta quarta-feira uma vigília em frente à residência oficial do primeiro-ministro que pretende alertar para a necessidade de revisão do Estatuto dos Militares e quanto a preocupações sobre a assistência na doença.

“Queremos entregar um documento no gabinete do primeiro-ministro a elencar as nossas principais preocupações porque, passados 19 meses da tomada de posse deste Governo, continua tudo na mesma”, sustentou o presidente da ANS, sargento Mário Ramos, em declarações à agência Lusa.

Mário Ramos indicou que o protesto foi marcado para assinalar os 60 dias passados da data em que um projeto de lei do PCP com alterações ao do Estatuto dos Militares das Forças Armadas baixou à Comissão de Defesa do parlamento sem votação.» [Expresso]
   
Parecer:

Digamos que os sargentos têm um apurado sentido da opotunidade no momento de escolherem as alturas para se manifestarem.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Mandem-se o senhores jogar umas suecas.»

 O Estado falhou
   
«O ministro das Finanças disse esta quarta-feira que o Governo apoia uma solução para os lesados do BES e prestará uma garantia pública, criticada pelo PSD, porque as autoridades de supervisão estatais falharam na proteção desses investidores.

"O sistema de supervisão e de regulação não funcionou", tendo permitido vendas fraudulentas de produtos financeiros ('misselling'), disse hoje Mário Centeno perante os deputados, justificando o envolvimento do Governo no mecanismo de compensará parcialmente os lesados do papel comercial vendido pelo BES, nomeadamente através da prestação de uma garantia estatal que poderá levar o Orçamento do Estado a assumir perdas de futuro.

Já questionado por deputados do CDS e PSD sobre o facto de haver lesados que não são abrangidos por esta solução - caso de clientes que comparam papel comercial no sucursal exterior do BES na Madeira ou os lesados emigrantes, que comparam outro tipo de produtos financeiros do BES -, o responsável pelo Ministério das Finanças disse que "o Estado não se pode substituir a todas as perdas" e que "a ação do Estado tem de ser equilibrada".» [Expresso]
   
Parecer:

Isto é tratar o cão com o pêlo do próprio cão.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»

 Mais uma unidade de produção de santos
   
«O Papa Francisco publicou esta terça-feira um decreto onde estabelece um quarto critério que pode levar à canonização na Igreja Católica: a “oferta da vida” de forma voluntária. No documento, lê-se que “são dignos de especial consideração e honra os cristãos que, seguindo mais de perto as pegadas e os ensinamentos do Senhor Jesus, ofereceram de forma voluntária e livremente a vida pelos outros e perseveraram até à morte neste propósito”.

“A oferta heróica da vida, sugerida e apoiada pela caridade, exprime uma verdadeira, plena e exemplar imitação de Cristo e, portanto, merece aquela admiração que a comunidade dos fiéis costuma reservar a quantos de maneira voluntária aceitaram o martírio de sangue e exerceram de modo heroico as virtudes cristãs“, explica ainda o Papa Francisco, que assina pessoalmente o documento.» [Observador]
   
Parecer:
A Igreja Católica está transformada num supermercado de santos.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»

 Excesso de zelo da aduana
   
«O iate que Cristiano Ronaldo tem usado nas férias foi hoje abordado por uma lancha do departamento alfandegário da Agência Tributária espanhola e alvo de uma inspeção, avança a revista !Hola!. De acordo com a publicação, o jogador estava no iate com os filhos, a namorada e a família.

Cristiano Ronaldo e acompanhantes regressavam de um almoço em Fermentera, nas ilhas Baleares, quando foram abordados pela lancha do Fisco espanhol com, pelo menos, três agentes armados, que subiram ao iate alugado pelo jogador para fazerem a inspeção pretendida, conta a publicação.» [DN]
   
Parecer:

Uma fiscalização destas, quando uma embarcação não regressa de uma viagem a um país terceiro só se justifica se existirem suspeitas de contrabando ou de tráfico ilícito. Digamos que estamos perante uma manobra intimidatória e difamadora que pretende exibir uma má imagem de CR quando este enfrenta uma acusação do fisco nos tribunais. São métodos pouco comuns na Europa.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Vomite-se.»

quarta-feira, julho 12, 2017

Eles não querem que se trabalhe

Diz o povo que não há ninguém pior para quem está a trabalhar do que os que não fazem nada e é mais ou menos isso que está a acontecer. A expressão faz lembrar um "mafarrico" de Boliqueime mas deixa de fazer algum sentido, talvez mais sentido do que fazia quando foi utilizado.

A direita apostou que a Geringonça não funcionaria e durante um ano fez de cigarra esperando que gripasse. Quando percebeu que não gripava e ainda por cima estava a fazer um bom trabalho onde Gaspar e Maria Luís falharam continuaram sem se mexer e optaram pela desvalorização. Agora que a economia parece ter entrado nos eixos e se espera que a dívida soberana deixe de ser considerada lixo estamos a assistir a uma verdadeira histeria.

Um incêndio e um roubo serviram para um ataque desenfreado ao governo e ao Estado, com o Verão a aproximar-se, a que se seguem as eleições autárquicas há que dar tudo, antes que os temas se esgotem. A vontade de denegrir foi tanta que Passos Coelho até inventou mortos e internados devido a suicídios ou tentativas de suicídios. A direita das diversas corporações escolheram o momento para ajudar à desestabilização total do país, os juízes armam-se de proletários e anunciam greves, emergem processos judiciais, anunciam-se acusações para Setembro e os generais até andam armados em poetas pimba.

O objetivo é denegrir o governo, descredibilizar o país e impedir que o governo trabalhe e mostre resultados. Em vez de discutirmos como evitar novos dramas ou como reconstruir a vida em Pedrógão andamos a discutir antenas e previsões meteorológicas, na esperança de se arranjar algo que possa ser usado para sugerir culpas do governo ou de uma qualquer instituição do Estado.

A direita revela uma vocação golpista que há muito estava adormecida, foi preciso um tenente -coronel dos comandos na reserva para percebermos o que se estava a passar nas Forças Armadas, de repente recuámos a 1975, com discursos típicos não só em Portugal mas também em Espanha, os movimentos dos generais poetas faz lembrar o 23F de Espanha. 

É o tudo por tudo antes se registem mais sucessos na economia, uma tentativa desesperada de inverter o curso das sondagens. Mais boas notícias na Economia e uma derrota nas autárquicas será o fim de um ciclo da direita, a reforma antecipada da equipa de Passos Coelho. É preciso impedir o Governo de funcionar, impedir que o OE seja elaborado com tranquilidade, desestabilizar o ministério das Finanças, retirar a autoridade aos ministérios da Defesa e da Administração Interna.

Eles não querem que o país progrida porque para eles esse progresso só faz sentido se suceder com eles no poder, para poderem distribuir a riqueza de formas a aprofundar ainda mais as desigualdades. Eles não aceitam que crescimento económico e justiça social não só são compatíveis, como são uma combinação necessária para que esse crescimento seja desenvolvimento. Eles não querem que se trabalhe, não querem que o país tenha sucesso.

Umas no cravo e outras na ferradura



 Jumento do Dia

   
Luís Gomes, uma espécie de luso-cubano algarvio

Ao longo dos últimos anos Vila Real de Santo António tem vindo a transformar-se num município que está à margem do desenvolvimento, cada vez mais pobre e com uma permanente fuga de jovens qualificados. Esquecida pelos governos, tem sido vítima de uma gestão oportunista e incompetente da autarquia, com um presidente a esbanjar os recursos para ganhar protagonismo.

Não admira que com uma Câmara sem recursos, que chegou a ter como consultor jurídico o grande jurista Pedro Santana Lopes, que gastou dinheiro a convidar o José Castelo Branco para Rei do Carnaval e a transformar a CM em delegação de saúde de Cuba, o autarca recorra aos mais diversos expedientes. Transformou a vila num parque de estacionamento pago e agora queria transformar o areal da praia de Monte Gordo num loteamento para construção de hotéis. Um dia destes vende o pinhal de Vila Real de Santo António para aí instalar um resort de luxo.

Ainda bem que este senhor vai ser corrido por força da lei, esperemos que os meus conterrâneos tenham sabedoria para escolher melhor.


«A câmara de Vila Real de Santo António vendeu por 3,6 milhões de euros um lote para construir um hotel em Monte Gordo mas a transacção corre o risco de ser declarada nula por a autarquia não ser na realidade dona do terreno. Para já, o Tribunal Administrativo e Fiscal (TAF) de Loulé ordenou a suspensão do processo de licenciamento da construção da unidade hoteleira. Este é mais um caso da disputa entre a administração central e o poder local pelo controlo e gestão das zonas marítimas, com as autarquias do Algarve a revindicar a alteração do Plano de Ordenamento da Orla Costeira (POOC).

A frente marítima de Monte Gordo — toda a zona que vai do núcleo piscatório até ao hotel Vasco da Gama, num total de sete hectares — pertencia ao Domínio Público Marítimo mas foi apropriada pela autarquia em 2010. Manuel Gouveia Pereira, adjunto da então ministra do Ambiente, Dulce Pássaro, considerou, na altura, que a frente marítima pertencia ao Domínio Privado do Estado mas a advertência não teve resultado prático. Os actos praticados pelo município, escreveu, “configuram actos nulos, nos termos da lei, podendo a referida nulidade ser invocada a todo o tempo”. A ex-ministra do Ambiente e do Ordenamento do Território (MAOT) colocou um “visto com preocupação” no despacho, solicitando um parecer jurídico “acerca da forma como o Estado deve actuar de modo a acautelar os seus interesses”. De seguida, o Ministério do Ambiente informou a Direcção-Geral do Tesouro e Finanças, em 4/5/2011, sobre a alegada perda de património. Mas nada foi feito.

Agora, um relatório elaborado pela Inspecção-Geral da Agricultura, do Mar, do Ambiente e do Ordenamento (IGAMOT) vem sublinhar um outro aspecto: a construção da nova unidade viola os regulamentos do POOC Vilamoura — Vila Real de Stº António. “Este plano especial [POOC] não classifica como ‘Espaço Turístico’ a área para a qual é proposta a unidade hoteleira em causa”. O documento foi submetido para apreciação do ministro do Ambiente, João Pedro Matos Fernandes, no passado dia 6 Junho.» [Público]

 Atenção

Neste país os membros de um governo que não seja de direita tem de ter muito cuidado, não lhes basta serem virgens para que não sejam incomodados por algum agente da sharia, devem usar cinto de castidade e atirar a chave ao Tejo.

      
 Ressabiamento doentio
   
«Conhecem-se desde a Academia Militar, há mais de 40 anos. Passaram juntos parte das experiências mais marcantes da juventude. São três homens do mesmo curso que hoje estão desavindos e a provocar turbulência nas fileiras: Rovisco Duarte chegou a general, a chefe do Estado-Maior do Exército (CEME); Faria Menezes era o Comandante das Forças Terrestres e Antunes Calçada era o Comandante de Pessoal. Os dois últimos pediram a passagem à reserva por entenderem que tinha havido “uma quebra do vínculo sagrado entre comandantes e subordinados”, como escreveu Faria Menezes no Facebook. E criaram um hiato na cadeia de comando do Exército.

Um deles foi mais longe nas palavras. Antes de tornar público que ia pedir a sua demissão do Comando de Pessoal, Antunes Calçada fez declarações públicas, na sexta-feira, onde deu a entender, no contexto político daquele dia, que o seu camarada de armas Rovisco Duarte era um “sabujo” para cima e um “cão para baixo”. O general diz ao Observador que as suas palavras não devem ser interpretadas assim e que estava apenas a referir-se ao livro que estava a apresentar naquela tarde.

As declarações do tenente-general (que podem ser vistas no vídeo acima e no youtube) aconteceram um dia depois da ida do CEME ao Parlamento e enquanto o ministro da Defesa ainda era ouvido na Comissão Parlamentar de Defesa. E ocorreram poucas horas depois de o próprio Antunes Calçada ter participado num Conselho Superior do Exército muito tenso, em que o general manifestou a sua discordância perante o CEME. Na apresentação do livro do tenente-coronel na reforma Pedro Tinoco Faria — mentor do protesto de oficiais com deposição das espadas, em Belém, que acabou por ser cancelado –, o tenente-general Calçada disse, sem referir nomes, que o autor do livro era um militar que protegia os seus subordinados. Mas na verdade, o que se deduz das suas palavras é que estava também a falar do CEME, Rovisco Duarte. Quando se refere a “outras” organizações está subentendido o Exército:» [Observador]
   
Parecer:

Este senhor não foi escolhido para vice e anda a promover um levantamento militar.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sugira-se ao general que se dedique à poesia, o jeito é pouco mas com o tempo talvez melhore.»
  
 Bastonária protagonista
   
«A bastonária da Ordem dos Enfermeiros enviou uma carta ao ministro da Saúde a pedir a demissão da enfermeira-diretora do Centro Hospitalar de São João (CHSJ), no Porto, pelo facto de a mesma se encontrar a frequentar um doutoramento e “ignorar” as suas tarefas naquele hospital. Acrescentou ainda Ana Rita Cavaco que a profissional a tentou agredir. O conselho de administração do CHSJ já reagiu, publicamente, negando qualquer incompatibilidade de funções e acusando a bastonária de mentir.

Para Ana Rita Cavaco, a atual enfermeira-diretora do São João vem exercendo funções de “forma ilegal”, na medida em que estas implicam exclusividade mas “a mesma se encontra a realizar um doutoramento que a leva a várias e longas ausências ao serviço”.

E, “provavelmente por força das ausências ao serviço para a realização do referido doutoramento, ignora todos os aspetos essenciais à implementação dos planos de ação de enfermagem e a sua integração no plano de ação global do hospital, bem como as decisões que têm vindo a ser tomadas no âmbito da gestão de pessoal”, lê-se na carta com data de dia 4 de julho, a que o Observador teve acesso.


O conselho de administração daquele centro hospitalar, em esclarecimento publicado no seu site no passado dia 7 de julho, considera essa interpretação “sui generis quando o Estatuto exclui objetivamente das incompatibilidades do cargo o exercício da atividade académica, nomeadamente o exercício de funções de docência”.» [Observador]
   
Parecer:

Nem sabíamos que havia uma ordem dos enfermeiros, agora parece que há uma guerra civil na classe.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Lamente-se.»

terça-feira, julho 11, 2017

A quinta coluna

O centro direita não se sente muito motivado em apoiar Passos Coelho e as suas ideias, resta o cavaquismo vingativo e a direita mais conservadoras. Ainda que alguns acontecimentos recentes devam ser politicamente entendidos como meras coincidências, não deixam de ser coincidências levadas da breca. É o caso de algumas movimentações judiciais e da ridícula manifestação de oficiais na reserva.

Apareceu na TV um tal tenente coronel Tinoco, figura que pela linguagem me trás à memória um outro tenente coronel, o  tenente-coronel Antonio Tejero Molina que ficou célebre por ter comandado o assalto ás Cortes de Madrid na tentativa de golpe de Estado conhecida por 23F. Ficámos a saber que a grandiosa manifestação em defesa da Nação contra os políticos contava com três manifestantes. É uma pena que a manifestação tenha sido desconvocada e em vez da farda de gala e depositar a espada, deviam ir de pijama e depositar a faca e o garfo, já que são esses os seu fardamento e armas atuais.

Se o golpe da direita militar caiu no ridículo com o Tinoco a explicar a tese da borboleta e o corajoso general demissionário a escrever um soneto para o Zé do Pipo cantar, resta ver até que ponto a justiça vai conseguir interferir na vida política, ainda que não nos passe pela cabeça que o MP tenha a intenção de mandar o princípio da separação de poderes para as urtigas. Tudo isto merece uma gargalhada, meia dúzia de caniches teriam guardado melhor o paiol de Tancos do que estes garbosos guerreiros, pelo menos teriam feito muito barulho, coisa que estes senhores só fazem depois da casa roubada.

Quando o país começou a questionar a omissão de informação importante por parte do MP no caso do assalto a Tancos, eis que o mundo da justiça lança outro incêndio apetitoso na comunicação social, o grande caso de combate à corrupção conhecido por Galpgate. Parece que a troco de nada muitos portugueses foram a Paris ver um jogo de bola a convite da empresa patrocinadora da seleção nacional, algo que, como se sabe, nunca aconteceu em Portugal.

O curioso disto é que até pessoas que não foram a Paris foram chamadas a depor. Não se percebe muito bem a que título o presidente da autarquia de Lisboa foi chamado, supostamente o MP tem a lista e não vai chamar todos os autarcas a depor. Porque motivo o MP não chamou o autarca de Freixo de Espada à Cinta ou o da minha terra, que passa avida a ir a Cuba? Imagino como seria bom para a direita se Medina desistisse da candidatura e fosse constituído arguido, enfim, temos pena.

Mas a cereja em cima do bolo destas coincidências entre política e manobras judiciais vai ser algo que já foi notícia, os investigadores do Caso Marquês prometem a acusação para a Agosto, isto é, a tempo das eleições autárquicas. Enfim, a investigação do Caso Marquês começa e acaba sincronizado com atos eleitorais. Não sei se a Procuradora Geral acredita em bruxas como eu, se assim for devia jogar no Euromilhões.

Umas no cravo e outras na ferradura



 Jumento do Dia

   
Joana Cabral, Procuradora-Geral da República

A Procuradora-geral reagiu  com uma rapidez exemplar ao pedido de demissão dos três secretários de Estado que foram ver uns pontapés na bola a França, ainda que o tenha feito em linguagem cifrada, não deixando claro se foram constituídos arguidos a pedido dos próprios ou por iniciativa do MP. Por esta notícia percebe-se a rapidez da comunicação da PGR em reagir a notícias que a envolvem.

É uma pena que a Procuradora-Geral não tenha seguido o mesmo critério em relação às notícias que davam conta de que recebeu denúncias de que iria ocorrer um assalto em Tancos e que abriu o competente inquérito, sem alertar as entidades envolvidas e os serviços de informação, ignorando que estava em causa a segurança nacional.

Continuamos a aguardar que a excelente comunicação da senhora Procuradora-Geral seja igualmente lesta neste caso de Tancos. O país aguarda que explique o silêncio do MP neste caso.

«"No âmbito do inquérito relacionado com viagens ao Euro2016, o Ministério Público determinou a constituição como arguidos de três secretários de Estado agora exonerados (Internacionalização, Assuntos Fiscais e Indústria), estando em curso diligências para a concretização desse despacho", confirma a Procuradoria Geral da República, numa nota enviada às redacções nesta segunda-feira.

Na mesma nota, o gabinete da PGR acrescenta que está em causa uma investigação "ao pagamento pela Galp Energia S.A. de viagens, refeições e bilhetes para diversos jogos da seleção nacional no Campeonato Europeu de Futebol de 2016", factos que diz serem "susceptíveis de integrarem a prática de crimes de recebimento indevido de vantagem, previstos na Lei dos Crimes de Responsabilidade de Titulares de Cargos Políticos (Lei 34/87 de 16 de Julho)."

De resto, confirma-se também que "até ao momento" foram "constituídos três arguidos - um chefe de gabinete, um ex-chefe de gabinete e um assessor governamental" - que é, ao caso, Vítor Escária, assessor económico do primeiro-ministro, que também já pediu a sua exoneração a António Costa.» [Público]

 Generais poetas

Se em vez de andarem a escrever poemas pimba os nossos generais fossem competentes talvez o paiol de Tancos não tivesse sido roubado. A direita militar, que com o governo dos seus comeu e calou, tenta agora ajudar a derrubar um governo de esquerda recorrendo a uma consequência da sua própria incompetência.

É público que os generais demissionários estavam em rutura com o Chefe do Estado Maior do Exército, é igualmente do conhecimento público que disputavam um lugar de vice que não lhes foi atribuído. Virem agora aproveitar-se do assalto para tentarem defender a honra do convento não passa de surf. Estes senhores vão para onde iriam muito em breve e sem perder grandes regalias, para a reserva, algo a que os trabalhadores portugueses não terem direito, apesar de serem tão tão generais como estes militares com carreira de secretaria.

Sejamos honestos o paiol de Tancos foi assaltado por incompetência de quem tinha a responsabilidade dos guardar, se não tinham videovigilância que usassem as torres de vigia, se a vedação tinha um buraco que o tapassem, virem agora dizer que não tinham meios serve apenas para encobrir a incompetência e o desmazelo. O CME demitiu-os para os proteger, devia ter esperado pelos inquéritos e demitir por incompetência e desmazelo os que pudesse e devesse evitar o roubo e não o fizeram.

Deixem de se aproveitar da sua própria incompetência para criticarem os políticos, a causa do roubo do paiol foi uma única, a incompetência e desmazelo. Se eu estivesse solidário com uma situação destas não me demitiria armado em poeta de feira, fazia-o em silêncio e cheio de vergonha porque eu ou os meus não souberam estar à altura da defesa do país e com muitos meios ou poucos meios é para isso que os militares servem. É uma vergonha que em vez de chamarem os nomes pelos bois para proteger os seus e se vingarem do CEME estejam transformando uma situação de incompetência numa causa de todo o Exército.

Se o senhor general é tão bom general como poeta diria que o mal não está em demitir,  mas que com tal impeto inteletual o homem não devia ter passado de sargento.

 Um ano

Um ano depois do Euro Portugal festeja com quatro demissões e a PGR celebra com a constituição de arguidos. Porque será que o MP leva tantos meses para a constituição de arguidos quando não houve nada para investigar ? Enfim, um ano depois o cavaquismo mete um golo na baliza de António Costa.

 E o passeio a Las Vegas

Há poucos anos foi notícia o convite feito a muita gente para ir ver o Rock in Rio em Las Vegas. Só terão ido jornalistas para depois bajularem a EDP com notícias ou também terão ido titulares de cargos públicos? A verdade é que viajar a convite é uma prática antiga em Portugal e não se entende porque motivo o MP reparou na lei em 2016!

Como a EDP está na moda quem sabe se o MP não se interessa pro este passeio, nunca se sabe se é ali que vai encontrar a prova que falta a algum processo difícil de parir a acusação.

      
 É óbvio
   
«O major-general na reserva Carlos Branco acusa os dois tenentes-generais do Exército que anunciaram durante o fim-de-semana a intenção de deixar as fileiras de terem “conspirado, traído e sabotado de uma forma constante e consciente a ação de comandos do chefe do Estado-Maior do Exército (CEME)”, general Rovisco Duarte.

Em artigo de opinião publicado nesta edição do Expresso Diário, Carlos Branco escreve que os tenentes-generais Antunes Calçada e Faria Menezes “nunca aceitaram ser preteridos na escolha para CEME”, no ano passado, e que apoiaram “discretamente os promotores de uma manifestação sediciosa de entrega de espadas nas suas exortação à revolta”. Um protesto que acabou por ser cancelado.» [Expresso]
   
Parecer:

Ficou mais do que evidente que a guerra destes senhores era outra e apenas se aproiveitarm do incidente para desestabilizar as Forças Armadas, ainda bem que se demitiram pois o país precisa de generais de outra estirpe.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se se não há mais nenhum general para se demitir ou para entregar a espada em Belém.»
  
 Chegava alguma mala sem ser roubada
   
«Segundo a PGDL, os arguidos, funcionários de uma empresa de assistência em escala ao transporte aéreo, no aeroporto de Lisboa, tinham, por inerência das suas funções, acesso às bagagens dos passageiros quando procediam ao carregamento ou descarregamento no terminal de bagagens.

No âmbito das suas funções, os arguidos apoderaram-se ou receberam centenas de objetos de "valor considerável, fácil apropriação, ocultação e venda", que os passageiros transportavam nas suas bagagens, nomeadamente artigos informáticos, computadores portáteis, 'ipods', 'ipads', telemóveis, artigos em ouro ou artigos de bijuteria, vestuário, relógios e perfumes, adianta a PGDL.» [Notícias ao Minuto]
   
Parecer:

Digamos que aquela cave que está debaixo da sala de bagagens do Aeroporto de Lisboa é um local muito duvidoso, da mesma forma que se deve duvidar dos controlos à saída, já que os artigos roubados tinham de sair. E se é possível fazer sair bens roubados também será fácil retirar muitas outras coisas que podem estar em malas que chegam de avião.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Investigue-se antes que surja mais um buraco e o Passos vem dizer que o Estado esteve mal.»

 Portugal quer ir às meias finais da agência dos medicamento
   
«Esperamos que no final [do processo decisório] possamos dizer que a Agência Europeia de Medicamentos está situada na Península Ibérica", disse o ministro da Saúde de Portugal, Adalberto Campos Fernandes, numa conferência de imprensa com a sua congénere espanhola.

Dolors Montserrat Montserrat também assegurou que "o melhor sítio" para a agência estar localizada é a Península Ibérica e que Portugal e Espanha "vão-se apoiar sempre".» [Notícias ao Minuto]
   
Parecer:

e quando se decidir que fica na península quem decide se fica em Portugal ou em Espanha.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»

segunda-feira, julho 10, 2017

Palermas

Não sei se é por causa da nossa vocação marítima mas o certo é que há por estas bandas muita gente a embarcar em viagens oficiais, oficiosas e coisas do género. Quer nos setor privado, quer no Estado multiplicam-se as oportunidade de promover o turismo institucional, assinaturas, seminários, conferências tratados, negociações multilaterais, negociações multilaterais, feiras, exposições, cursos, intercâmbios, conselhos, comissões, geminações, campeonatos, finais, Dia de Camões, não faltam oportunidades.

Os presidentes correm o mundo em aviões a abarrotar de empresários, assessores, fotógrafo pessoal, mordomo, esposa, parentes e conhecidos. Os autarcas inventam geminações com cidades exóticas para passarem a vida no laréu a comemorar o dia o país, o dia nacional e tudo mais, quando não arranjam negócios ou operações às cataratas para andarem num vaivém aéreo que nalguns casos até dá para constituir família.

No Estado são trinta cães a um osso, a disputar reuniões, seminários e mais um sem número de oportunidades de fazer turismo institucional. Há também os que visitam grandes cidades americanas com o argumento de visitarem as sedes das empresas informáticas que nos vendem o software ou aos polícias que vão a Londres ou a outras paragens na esperança de encontrarem a tal prova que falta e que ninguém encontra. Tudo serve para andar de cu tremido.

Encontros sindicais patrocinados pelos Espírito Santo com dondocas a passear por conta da generosidade do banqueiro, expedições no Saará financiadas por grandes empresas que nunca se esquecem de convidar o autarca, chefes que vão a reuniões e levam a amante para uma lua de mel por conta do erário, tudo vale para viajar por conta.

O que eu não entendo é o que leva governantes a viajarem para verem um jogo da bola em Paris, algo que se vê mais confortavelmente no sofá. Se o secretário de Estado fizesse um périplo pelas praias exóticas de todo o mundo, acompanhado de vasta comitiva, para assinarem acordos de dupla tributação que, em regra, são assinados pelos representantes diplomáticos, ainda compreenderia. Mas ir ver um par de chutos?

Ainda por cima sabendo que a associação sindical dos juízes no passado tentou derrubar um governo vasculhando nas compras com o Visa oficial e que os nossos magistrados não perdem a oportunidade de prender alguém do PS? Para tramar um governante não é necessário condená-lo, basta o MP contituí-lo arguido e para isso basta uma suspeita e pouco mais, nada que não se arranje com uma carta anónima bem forjada. Com a perseguição que os magistrados fazem aos governos de esquerda, a quem faz parte deles não basta ser honesto e parecê-lo, quase é preciso um comportamento de frade da Cartuxa, para não dar a mais oportunidade à direita.

Ao aceitar um convite, ainda que esse convite possa ter sido dirigido a dezenas de personalidades da vida política ou do setor privado, mesmo sabendo que se tratava do patrocinador da seleção nacional, os governantes foram uns palermas e acabam por cair como uns patinhos.

Umas no cravo e outras na ferradura



 Jumento do Dia

   
Passos Coelho

Passos Coelho teve um momento de generosidade na sua ida à universidade dos pirralhos de Castelo de Vide, em vez de surfar na anunciada greve dos juízes teve um momento de oposição construtiva, declarou que era contra tal greve.

Compreende-se a estratégia de Passos, o próprio líder do PSD para que percebessem como ele não é um líder oportunista fez questão de realçar que se o fosse poderia aproveitar-se da greve para criticar o governo. Estes momentos construtivos de Passos são uma constante ao longo da sua carreira política, diz que não se aproveita das situações mas depois é o primeiro a fazê-lo, como já sucedeu em diversas ocasiões.

Desta vez percebe-se a opção de Passos Coelho, tenta fazer esquecer um dos momentos mais vergonhosos de um líder político português, quando inventou mortos e feridos por suicídios em Pedrógão. Passos leu as últimas sondagem e percebeu que pagou caro o oportunismo e agora tenta passar por aquilo que não é, que nunca foi e nunca será.

 Para entreter os destemidos oficiais da reserva


 As reivindicações dos juízes
   
A vida tem destas coisas, durante 48 anos de fascismo não houve um único juiz que falasse de separação de poderes e os Tribunais Plenários foram uma aberração vergonhosa que durou até 1974, para a história da magistratura portuguesa ficam as agressões a presos políticos perante a passividade de juízes que aplicavam as penas que a PIDE ditava.

Agora, mais de 40 anos depois do 25 de Abril os nossos juízes (serão os mesmos que diziam umas baboseiras no Facebook a propósito do Caso Marquês?) estão preocupados com a separação de poderes, a mesma separação de poderes que respeitaram quando a sua Associação Sindical vasculhou a utilização de cartões Visa de um governo na esperança de tramarem um governante e ajudarem a derrubar esse governo.

Sejamos honestos, defendam mais dinheiro e deixem a defesa dos princípios da democracia para os democratas, é ao parlamento e  às instituições democráticas que cabe a defesa da democracia, não a uma Associação Sindical que neste capítulo não é nenhum modelo de virtudes democráticas.

 Duas perguntinhas à sotôra Assunção

Ó sotôra, já reparou para quantos sistemas de videovigilância dariam os milhões de euros que os tribunais alemães considerarem ter sido concedidas no negócio dos submarinos? Estando agendado o debate do Estado da Nação para esta semana faz algum sentido que passe o fim-de-semana a berrar para que o Costa apareça?

         
 Grandes palermas!
   
«Os secretários de Estado da Internacionalização, dos Assuntos Fiscais e da Indústria pediram este domingo a exoneração de funções neste domingo, após terem solicitado ao Ministério Público a sua constituição como arguidos no inquérito relativo às viagens para assistir a jogos do Euro 2016. O primeiro-ministro já aceitou a sua demissão, "apesar de não ter sido deduzida pelo Minsitério Público qualquer acusação", lê-se num comunicado do gabinete de António Costa.

A decisão, justificada com a intenção de não prejudicar o Governo, é tomada num momento em que o caso Galpgate já tem arguidos, antecipando os governantes que poderão vir a ficar na mesma situação de ter de responder perante a justiça. Ao que o PÚBLICO apurou, os chefes de gabinete destes governantes foram constituidos arguidos pelo mesmo motivo, o que levou os secretários de Estado a presumir que em breve lhes acontecerá o mesmo. 

"Os signatários solicitaram ao primeiro-ministro a exoneração das funções que desempenham", afirmam, em comunicado conjunto enviado à Lusa, o secretário de Estado da Internacionalização, Jorge Costa Oliveira; o secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, Fernando Rocha Andrade, e o secretário de Estado da Indústria, João Vasconcelos.» [Público]
   
Parecer:

Com tanto trabalho não podiam ter ficado a ver os jogos na televisão?
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Aprove-se o gesto.»
  
 Os truques o MP
   
«O atual bastonário da Ordem dos Advogados (OA) está a planear processar o Estado por aquilo que considera ser um uso abusivo de “buscas instrumentais” feitas pelo Ministério Público a escritórios de advogados. Defendida por Henrique Figueiredo durante uma conversa com o Expresso esta semana, a ideia é conseguir que os advogados alvo de buscas em processos-crime possam ser indemnizados pelos prejuízos que essas situações lhes trouxeram do ponto de vista da imagem e da carreira profissional.

“O que nós temos assistido é a casos em que constituem um advogado como arguido só para poderem fazer buscas relacionadas com um seu cliente e depois esse advogado não chega a ser acusado”, explica o bastonário. “A situação normalmente é esta: o advogado tem no seu escritório elementos que a investigação criminal gostaria de ter e que estão relacionados com um cliente considerado suspeito, mas como o Ministério Público não pode legalmente fazer buscas ao escritório de um advogado a não ser que ele próprio seja suspeito de um crime, a única forma que os procuradores têm de contornar o problema é constituí-lo também como arguido. É isso a que eu chamo buscas instrumentais.”

Há seis a oito casos de advogados a serem acompanhados pela OA e que foram recentemente constituídos arguidos, com os seus escritórios a serem vasculhadas pelo Ministério Público. Confrontado com a questão sobre se a maioria desses casos estarão ligados a processos-crime de corrupção e branqueamento de capitais em curso no Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP) — a equipa especial da Procuradoria-Geral da República para a criminalidade mais complexa —, Guilherme Figueiredo admite que sim. “Mas não se esgota nesse departamento. Acontece noutros lados.” O bastonário conta como ele próprio já defendeu uma colega nessas circunstâncias. “Foi no norte do país”, recorda. “Quando chegámos a uma fase mais avançada, o processo foi naturalmente arquivado relativamente a ela.”» [Expresso]
   
Parecer:

O MP tem cada vez mais poderes, desde os prazos que não se respeitam a muitos outros truques para aumentar os seus poderes.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Proteste-se.»