sábado, agosto 26, 2017

O dinheiro sujo traz progresso?

No tempo da troika do Passos, Portas e Cavaco criou-se a ideia de que todo o dinheiro era bem-vindo, todo o dinheiro foi considerado capita e significava investimento. Foram criados mecanismos para atrair dinheiro e algumas personalidades gradas da direita meteram-se em negócios internacionais, servindo-se da manipulação dos partidos da direita. basta ver um líder do CDS defender o regime angolano, justificando a originalidade da sua democracia africana para se perceber que o CDS não passa de um manipulador da opinião pública ao serviço dos interesses materiais do Paulo Portas, foi esse o preço da promoção da atual geração de líderes do CDS. 

Mas, há uma grande diferença entre um investimento numa fábrica d componentes eletrónicos e a compra de uma vivenda de luxo por um general corrupto da máfia angolana. Há investimento que gera a dinamização da atividade económica, enquanto muito do dinheiro que os generais angolanos branqueiam em Portugal gera muito mais corrupção do que dinamização económica, em vez de dinamizar a economia portuguesa este dinheiro sujo apodrece-a, em vez de promover novos empresários enriquece os agentes locais desses generais, transportando para Portugal a corrupção angolana. Esse fenómeno já ficou evidente ao mais alto nível do Estado, com a prisão de um procurador.

Não é a mesma coisa uma empresa estrangeira construir uma fábrica em portugal e a filha do Eduardo dos Santos comprar uma quota numa empresa de telecomunicações que não investe em inovação e se limita a aproveitar-se da procura de serviços de telecomunicações. quando a EDP foi comprara pelos chineses estes assumiram o compromisso de investirem muitos milhões em portugal. Fizeram-no mas não foi criado um único emprego em portugal, o nosso PIB nem mexeu. Compraram empresas renováveis da EDP nos EUA. Esse investimento traduziu-se em resultados financeiros para a EDP e numa perda da presença portuguesa no mercado energético dos EUA. É óbvio que a EDP lucrou com o negócio, mas como os donos da EDP são os mesmos chineses isso significa que o tal investimento voltou para os seus bolsos. isto é ficaram com o dinheiro e com as empresas de renováveis nos EUA.

Nem todo o dinheiro é capital e no caso de dinheiro sujo, como o da máfia angolana liderada pela família Santos, uma espécie de Corleones de Luanda, em vez de progresso trás mais podridão para a sociedade portuguesa. Hoje temos muitos políticos que estão ao serviço dos generais angolanos que nãio hesitam em recorrer à chantagem sobre o país. Este novo grupo de políticos que vivem do dinheiro fácil de Angola, China, Venezuela e outros países não t~em nada de empreendedores ou empresários, promovem negócios fáceis e esquemas que apenas t~em por consequência o apodrecimento da economia portuguesa.

Portugal precisa de dinheiro, mas de dinheiro que seja capital em busca de investimentos que se traduzem na criação de riqueza. Não precisa de dinheiro corrupto em busca de esquemas de branqueamento a troco de comissões para políticos bem sucedidos que agora procuram enriquecer depressa e a qualquer custo. portugal precisa de empresas que criem riqueza e de partidos que sirvam o país e não se deixem transformar em máquinas de apoio a esquemas de enriquecimento comn comissões pagas por gente duvidosa.

Umas no cravo e outras na ferradura



 Jumento do Dia

   
Hugo Soares

Este Hugo Soares é um ponto, só alguém com uma grande capacidade de humor consegue perceber onde ele quer chegar ao falar de uma realidade que só ficou à vista graças aos inc~endios. É uma vergonha para a história do PSD ver este artista na liderança do grupo parlamentar do PSD.

«Hugo Soares, líder parlamentar do PSD, considera que a tragédia de Pedrógão, e os incêndios que se têm sucedido desde então, deixaram à vista uma realidade que o Governo andava a esconder.» [Expresso]

 Dúvidas que me atormentam

Há alguns anos atrás um conhecido devoto de Josemaria Escrivá partiu um braço na praia da Altura, talves  atentar fazer surf no cachão de sudoeste. Agora foi o Passos Coelho que parece ter desaparecido, desde a famosa história dos suicídios de Pedrógão que o traste de Massamá quase não aparece. Não será melhor denunciar o desaparecimento junto dos banheiros da Manta Rota? 

      
 vade retro ...
   
«Até julho de 2017, a receita fiscal líquida do subsetor Estado registou um crescimento de 950,2 milhões de euros (4,4%) face ao período homólogo, invertendo a trajetória dos meses recentes, em virtude da diminuição do desfasamento temporal dos reembolsos de IRS antecipados para os meses de abril a junho", realçou a DGO na síntese da execução orçamental hoje divulgada.

"Em termos homólogos, até julho de 2017, a taxa de variação da receita situa-se acima da prevista para o conjunto do ano (3%), destacando-se o crescimento do IRC (18,8%) e do IVA (4,9%)", acrescentou a entidade.

A receita líquida de IRC praticamente mantém o crescimento verificado no mês anterior, em resultado do aumento homólogo dos pagamentos por conta no montante de 202 milhões de euros (18,5%) e de 38 milhões de euros nos pagamentos adicionais por conta (25,9%), o que, segundo a DGO, denota a consistência da sua evolução.» [Notícias ao Minuto]
   
Parecer:

Compreende-se a dedicação da direita aos incêndios, é por lá que parece andar o seu diabo.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se conhecimento ao traste de Massamá.»

sexta-feira, agosto 25, 2017

A nova turismofobia

Quando Paulo portas, essa personagem estranha da direita política, mandava nas pastas económicas apresentava o sucesso do setor do turismo como obra dos seus afilhados. Era um pouco como a crista que confundia oliveiras com couves e considerava que o aumento da exportação de azeite extraído de azeitonas de oliveiras cultivadas dez anos antes, como resultado da sua política.
Agora que a direita fica com azia com qualquer notícia boa para o país, por vontade de Passos as temperaturas altas e os incêndios deviam continuar até às próximas legislativas, o turismo só tem defeitos. Aquilo que salvava o país é agora a nossa desgraça, dantes criava emprego e riqueza, agora cria emprego com baixos salários e quase não deixa riqueza.

Aliás, esta desvalorização do turismo numa perspetiva económica não é partilhada apenas pela direita partidária. Quem fez este tipo de críticas ou não pensa muito ou fá-lo com irresponsabilidade.

Quem defende esta tese parece pensar que os trabalhadores sem qualificações que o turismo emprega poderiam ser contratados para trabalhos que exigem qualificações elevadas ou mesmo para projetos de investigação científicas. Os que convidaram os quadros mais qualificados a abandonar o país queixam-se agora do emprego pouco qualificado, os que eram contra o aumento do salário mínimo queixam-se dos salários dos novos empregos, os que criavam empregos com falsos estágios desvalorizam, o emprego criado sem qualquer ajuda.

Mas a argumentação da direita não revela apenas má fé, denuncia muita ignorância. Os turistas não se limitam a pagar viagens de low cost e a dormir em hotéis baratos, também fazem compras e consomem. Os sapatos vendidos na Rua Augusta deixam uma margem de valor acrescentado muito maior do que os vendidos para exportação. Os preços dos muitos contentores de cerveja vendidos a turistas cheios de sede são muito superiores aos contentores exportados para Angola. Além disso estas “exportações” não estão sujeitas a atrasos de pagamento, a cartas de crédito, a transportes com custos elevados e a comissões para os mais diversos agentes.

O que vendemos aos turistas equivale a uma exportação mas com margens muito superiores ás praticadas no comércio internacional. Os empregos criados pelo turismo não são apenas de condutores de tuc-tuc, empregados de mesas e pessoal de limpeza. As dezenas de hotéis em construção traduzem em emprego para muitos engenheiros, arquitetos e trabalhadores qualificados. Esta criação de emprego induzido pelo turismo sente-se em muitos setores da economia e em muitas profissões. As próprias receitas fiscais que gera permitem o financiamento do estado e por essa via o financiamento de atividades que exigem elevados níveis de qualificação, desde professores a médicos.

Os que se queixam do baixo nível salarial dos novos empregos que deixem de verter lágrimas de crocodilo. Não tardará muito que a pensar nas empresas amigas deixarão de ir para o Pontal com discursos xenófobos contra os emigrantes, não tarda a que defenda a vinda de trabalhadores estrangeiros para promover os baixos salários que as novas leis laborais não conseguirão provocar quando se sentir a falta de alguns profissionais, fenómeno que já se faz sentir em muitos setores de atividade.


Umas no cravo e outras na ferradura



 Jumento do Dia

   
Alexandre Fonseca, "pintas" da Altice

quando vi este senhor com ar de "pintas", cabelo penteado para traz com uma camada de algo a lembrar a brilhantina, peitaça a exibir um crucifixo e fato sem gravata, pensei que era a Altice a anunciar um novo produto, talvez um telemóvel tuga made in China ou um qualquer esquema para ludibriar os clientes. mas não, o senhor da Altice acha que Portugal é um país de lorpas e estava a fazer a sua defesa jurídica, confundindo uma sala onde estavam alguns jornalistas com a sala de audiências de um tribunal.

Esta abordagem da Altice pode parecer muito modernas, mas naquele pintas vi uma empresa que tem pouco respeito pelo país,.

«"Repudiamos que a rede da PT tem fragilidades. O SIRESP não falhou". A garantia foi dada, por diversas vezes, por Alexandre Fonseca (na foto), CTO da dona da Meo, durante uma conferência de imprensa para fazer o balanço da actuação da operadora durante os incêndios que assolaram o país neste últimos dois meses e meio.

"À data de hoje, mais de 80% dos impactos da rede PT estão ultrapassados", adiantou, acrescentando que, na opinião da empresa, "não há falhas no SIRESP". "O nosso entendimento é que não são falhas, são ocorrências excepcionais", comentou.

Alexandre Fonseca escusou-se a comentar as declarações de António Costa, bem como todas as críticas que têm sido feitas à operadora nos últimos meses.» [Jornal de Negócios]

 As vítimas esquecidas dos incêndios

Depois de mais de um mês a ouvir as mais variadas vozes a pronunciar-se sobre as consequências ainda não se ouviu uma única a pronunciar-se sobre a devastação da biodiversidade provocada pelos incêndios. Da flora rara e preciosa que é destruídas, dos milhares de espécimes de espécies raras que morrem, da destruição do habitat de muitas espécies, a passagem de um incêndio deixa atrás de si um rasto de morte, os eucaliptos poderão crescer dentro em brave, mas a recuperação das espécies selvagens levará muito tempo, se não desaparecerem espécies rara da nossa flora ou do mundo animal.

Nem mesmo os ambientalistas aprecem estar preocupados, sinal de que muitas lutas ambientais não passam de jogos de clubes, dantes aderia-se ao MRPP, agora vais-se para uma organização ambiental. A vida animal serve apenas para exposição. faz lembrar o jardim Gulbenkian que não se cansa de apresentar o seu jardim como um paraíso ornitológico, ao mesmo tempo que permite que senhoras caridosas ajudem a encher o mesmo jardim de gatos, onde estes se divertem a matar aves raras, as mesmas aves que aparecem nos cartazes plantados no jardim, mas que ninguém consegue ver. resulta mais da imaginação do ornitólogo convidado pela Gulbenkian do que de qualquer observação. Aposto que o responsável do jardim na administração da Gulbenkian antes de conseguir ver uma trepadeira-azul vai cruzar-se centenas de vezes com os gatos do gatil Gulbenkian.

É muito bonito falar de ambiente e exibir imagens de aves raras ou de linces, mas a verdade é que o país está dividido entre os defensores dos eucaliptos e os que v~em nos eucaliptos um símbolo do mal. Como noticia o Público, no Douro Internacional ardeu um ninho de abutre preto onde estava um juvenil, era o único ninho desta espécie em Portugal. O casal de aves não pediu indemnizações, não teve direito a uma deslocação da Judite Sousa, o Passos Coelho não anunciou o seu suicídio e a Cristas nem se queixou da falha do Estado, nem mesmo o Presidente da República compareceu ao funeral.

      
 As vítimas esquecidas dos incêndios
   
«O incêndio que no final de Junho deflagrou no planalto mirandês, avançando pelas arribas do Parque Natural do Douro Internacional, queimou o único ninho conhecido de abutre preto na região, com uma cria ali nascida este ano e que ainda não sabia voar.

As arribas do Douro Internacional começaram a ser recolonizadas há cerca de cinco anos por esta espécie que chegou a estar extinta em território nacional, e que foi reocupando áreas históricas de ocupação em Portugal, fruto de projetos de conservação e do aumento da população espanhola do outro lado da fronteira.

“O abutre preto é uma das espécies mais ameaçadas a nível europeu e em Portugal há muitos poucos casais reprodutores”, lamenta Joaquim Teodósio, biólogo da Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves (SPEA), entidade que coordena o projeto transfronteiriço “Life Rupis” que visa recuperar as populações de abutre do Egipto e águia perdigueira no Douro Internacional, ao mesmo tempo que beneficia outras como o abutre-preto e o milhafre-real. O projeto − co-financiado pelo fundo europeu Life − conta com mais oito parceiros, entre os quais o Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), a GNR, a Vulture Conservation Foundation e ONGs locais).» [Expresso]
   
Parecer:

Ninguém fala da perda de biodiversidade provocada pelos incêndios.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «lamente-se.»

quarta-feira, agosto 23, 2017

Adeus Fá



Em homenagem à minha amiga Fá este blogue estará em silêncio estes dois dias.

Umas no cravo e outras na ferradura



 Jumento do Dia

   
Rocha Andrade, ex-secretário de Estado

A decisão de Rocha Andrade de ignorar o Estatuto Disciplinar da Função Pública, anulando uma decisão da AT num processo disciplinar é questionável. Independentemente do que se possa dizer sobre os processos disciplinares desencadeados no âmbito da famosa Lista Vip, não é aceitável uma decisão política em matéria que é uma questão de direito, desautorizando a hierarquia da AT.

O fato de na época não existir qualquer controlo informático não legitimava o abuso na consulta de dados fiscais por mero voeurismo. Compreender-se-ia que no momento em que rebentou o caso o SEAF tivesse dado instruções para suspender os processos disciplinares, mandando a AT ser rigorosa a partir do momento em que foram adoptadas regras de acesso a dados. Nada fazer na altura e tomar uma decisão política em sede de processo disciplinar é coisa dos anos 70.

«No despacho, Rocha Andrade sustentou que os funcionários do Fisco devem estar "permanentemente vigilantes" no exercício das suas funções, "praticar as diligências que legalmente se imponham e lavrar o respetivo auto de notícia ou participação sempre que constatarem uma infração".

Na base disso estará sempre a garantia "de que pode ser a qualquer momento comprovada a legitimidade dos eventuais acessos a dados", indicou ainda Rocha Andrade, de acordo com o documento citado pelo Público.» [DN]

 VODAFONE, mais uma empresa sem palavra



Vão longe os tempos em que a palavra era um valor nos negócios, nos dias que correm muitas empresas comportam-se como verdadeiros bandoleiros. Já tinha conhecido as práticas da MEO, agora fiquei a saber que a VODAFONE se comporta da mesma forma. Assina contratos com cláusulas que ela própria propõe e três meses depois altera o que bem entende de forma unilateral.

Está combinado, daqui a uns meses mando a VODAFONE à bardamerda e aconselho todos os que pretendam aderir a este operador que esqueçam o que oferece no momento em que faz a proposta, no dia seguinte dá o dito pelo não dito e altera tudo o que entender de forma unilateral, com o argumento de que tem esse direito. Há sempre uma linha no contrato que o permite.

terça-feira, agosto 22, 2017

Voltar a falar de economia

Entre praias, incêndios, falsos suicidas, assaltos mal esclarecidos e, mais recentemente, atentados terroristas, pouco se tem falado do país e quando se fala a seriedade não é muita, como aconteceu com a resposta do líder parlamentar do PSD a propósito da proposta de António Costa em relação às infraestruturas.

É evidente que a direita não quer falar de economia, Passos e Cristas são agora devotos do diabo e já não analisam a realidade pelas páginas de economia, preferindo os obituários. O jornal preferido da direita já não é o Expresso, o tipo de notícias que mais excitam Passos e Cristas é mais o tipo de jornal que mostra mortos e feridos, assaltos e escândalos na primeira página. Até o Observador já parece outro, depois de meses a dedicar a home page a notícias sobre subidas de juros ou entrevistas com analista de empresas de rating, dedica-se agora a incêndios, um dia destes ainda vamos pensar que o José Manuel  Fernandes é porta-voz da Liga dos Bombeiros Portugueses.

Compreende-se que a direita fuja do tema economia como o diabo da cruz, as boas notícias para o país não são a praia de Passos e Cristas. Mas a verdade é que quando os incêndios estiverem apagados o país será confrontado com a realidade e mesmo que as boas notícias desagradem à direita teremos de falar de economia. Há todo um presente e um futuro para discutir, ainda há gente a sofrer com a austeridade, há muitos portugueses que ainda têm de suportar a sobretaxa, há impostos a mais, há problemas para resolver.

Oxalá os problemas económicos pudessem ser apagados como se apagam os incêndios, mas isso não sucede. Quando algumas populações mais atingidas pelos incêndios já estiver esquecida do verão de 2017, ainda subsistirão muitos problemas na economia portuguesa. É por isso que é urgente voltar a falar de economia, debater as propostas do governo e exigir a Passos e a Cristas que diga o que querem.

Umas no cravo e outras na ferradura



 Jumento do Dia

   
Assunção Cristas

Ver a líder do CDS voltar de férias e aproveitar-se de um erro de uma empresa para fazer uma longa intervenção sobre segurança nacional é deprimente, Assunção cristas está tão vazia de ideias depois do oportunismo dos incêndios e do falso assalto a Tancos que agora anda ao papel.

      
 O restaurante carteirista e outras fábulas da demissão do Estado
   
«Foi grande a comoção com a notícia do restaurante da Baixa de Lisboa que assalta turistas com preços absurdos, do tipo 250 euros por um misto de carnes. E maior ainda o escândalo ante a afirmação pelas autoridades - a ASAE, no caso - de nada poderem fazer, alegando que os preços absurdos constam da carta e portanto os enganados são-no por não terem a diligência mínima de a perscrutar de fio a pavio, ou questionar os empregados sobre o valor de cada prato.

Grande coincidência, a de tanto burro ir ao mesmo restaurante. Ou quiçá o problema não resida nos clientes. É que se não está em causa a liberdade de qualquer serviço (não essencial) cobrar valores disparatados, a questão é se isso fica ou não claro para o consumidor. Ora ao percorrer a lista do restaurante constata-se que a generalidade dos preços é normal para um estabelecimento médio; os valores desproporcionados estão numa página recôndita, como "especiais". Ou seja: a lista, como o aspeto do lugar, induz o cliente a concluir que não pagará mais de x; quando, como afiançam testemunhos publicados online, os empregados sugerem os "especiais", não há motivo para achar que vai pagar o décuplo do preçário geral.

A questão é, pois, de lealdade e transparência na relação comercial. E esta não pode depender da boa ou má formação do comerciante: é imposta por lei. Mais precisamente uma lei de 2008, com a epígrafe "práticas comerciais desleais", que pune as ditas práticas com coimas de 250 a 3740,98 euros (pessoa singular) e de 3000 a 44 891,81 (coletiva). E o que é uma prática comercial desleal? O preâmbulo explica: "O carácter leal ou desleal da prática comercial é aferido utilizando-se como referência o consumidor médio. O presente decreto-lei classifica as práticas enganosas como ações enganosas e omissões enganosas". E, no artigo 7.º, especifica-se, sob a epígrafe "Ações enganosas": "É enganosa a prática comercial que contenha informações falsas ou que, mesmo sendo factualmente corretas, por qualquer razão, nomeadamente a sua apresentação geral, induza ou seja suscetível de induzir em erro o consumidor em relação a um ou mais dos elementos a seguir enumerados e que, em ambos os casos, conduz ou é suscetível de conduzir o consumidor a tomar uma decisão de transação que este não teria tomado de outro modo." Entre os elementos enumerados, encontramos "o preço, a forma de cálculo do preço ou a existência de uma vantagem específica relativamente ao preço". E, no artigo 9.º, "Omissões enganosas", lê-se: "É enganosa, e portanto conduz ou é suscetível de conduzir o consumidor a tomar uma decisão de transação que não teria tomado de outro modo, a prática comercial (...) que omite uma informação com requisitos substanciais para uma decisão negocial esclarecida do consumidor."

No Observador, Luís Aguiar-Conraria pergunta como é possível que a ASAE persiga criminalmente - pelo crime de especulação - quem vende bilhetes de futebol a preços inflacionados e nada possa fazer quanto ao restaurante. O exemplo é tanto mais interessante quando o crime de especulação não tem nada a ver com direitos do consumidor: visa proteger "interesses do mercado", seja lá isso o que for. Aliás, como frisa o economista, ninguém pode alegar que a compra de um bilhete a preço superior ao que nele consta não é uma decisão informada. As autoridades intervêm porque a lei obriga a isso? OK. Mas também há uma lei que obriga a proteger os direitos do consumidor. Que é das suas consequências?

Como se constata, não há. E não havendo as empresas sentem-se licenciadas para o assalto à mão armada. Veja-se o caso dos operadores de comunicações, no top das reclamações em Portugal. Neste mês, a Deco denunciou o facto de a Meo ter enviado uma SMS a "oferecer" "2Gb adicionais de internet grátis até 31/8", passando após esse dia o grátis a pago e obrigando os clientes a ligar para evitar que tal suceda. É uma "prática comercial agressiva", portanto proibida, mas a Meo arrisca. Porquê? Porque a história lhe diz que pode. Por exemplo em janeiro de 2014 baixou o preço de um serviço, o do pacote TVCine, de 15,48 euros para 10. Mas continuou a cobrar o valor anterior aos clientes que não deram pela alteração. Se reclamam, recusa reembolsá-los, alegando que lhes deu em troca "crédito no videoclube". Ação e omissão enganosas, sem qualquer dúvida. Que fez a Anacom? Zero. Mais: em novembro a mesma Meo aumentou, sem aviso, o preço do serviço a clientes em período de fidelização. Em julho, a Anacom obrigou-a a aceitar rescisões desses contratos, sem ónus, se efetuadas até 25 de agosto. Não bastando o incrível da data escolhida, em pleno período de férias, a Meo tudo faz para obstaculizar rescisões: a linha para o efeito tem esperas de horas - nunca informando ser possível descarregar um formulário de rescisão no site e submetê-lo no mesmo, opção de resto muito difícil de encontrar se não se souber da sua existência; mais escandaloso ainda, nas lojas insistem em que "não se pode rescindir ao balcão" (sucedeu comigo neste sábado). Incrível? Não, Portugal. E com leis claras e reguladores "dedicados". Imagine-se se era a selva.» [DN]
   
Autor:

Fernanda Câncio.

      
 Mais um pendura palerma
   
«Cristóvão Norte, deputado do PSD, foi constituído arguido no caso das viagens pagas a políticos pela Galp a França, durante o Euro2016, para assistir aos jogos da seleção, avança o “Jornal de Negócios” esta segunda-feira. Esta informação foi confirmada ao matutino pela Procuradoria-Geral da República (PGR).» [Expresso]
   
Parecer:

Só um palerma se deixa queimar para ver um jogo de futebol.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sugira-se que da próxima compra tremoços e veja o jogo em casa.»
  
 Mais uma reversão
   
«É a primeira inversão da tendência de queda contínua da despesa nacional em investigação e desenvolvimento (I&D) que persistia desde o início da crise, em 2010. Os dados provisórios do Inquérito ao Potencial Científico e Tecnológico Nacional (IPCTN) de 2016 realizado pela Direção Geral de Estatísticas de Educação e Ciência (DGEEC), a que o Expresso teve acesso, revelam que a despesa total atingiu 2348 milhões de euros e chegou a 1,3% do PIB, contra 1,2% em 2015.

O crescimento foi mais relevante nas empresas, onde a despesa aumentou mais de 8% em relação ao ano anterior, atingindo 1162 milhões de euros. Deste modo, o setor privado, que junta empresas e instituições privadas sem fins lucrativos, representou globlamente metade da despesa nacional em I&D.» [Expresso]
   
Parecer:
E o diabo nunca mais aparece...
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»

segunda-feira, agosto 21, 2017

Infraestruturas para consumir riqueza

Durante décadas o país investiu prioritariamente em infraestruturas que proporcionam bem-estar, resultado, por um lado, do atraso em que o país estava nos anos 70 do século passado e, por outro, da sofreguidão eleitoralista dos nossos partidos. Num país carente inaugurava-se obras públicas passando a ideia de que essas obras eram o sinal do sucesso dos governos e autarquias na criação de riqueza.

O país deixou de investir em infraestruturas planeadas a pensar na criação de riqueza, mesmos a rede de autoestradas foi desenhada e desenvolvida a pensar na comodidade dos grandes centros populacionais, deixava-se de fora as vias vocacionadas para o turismo ou as ligações aos portos. O caminho de ferro foi literalmente abandonado. O último grande investimento na área portuária foi o porto de Sines, construído a pensar no complexo petroquímico, ainda hoje está isolado do país e do mundo.

Não é fácil para um político investir em grandes portos em vez de o fazer nos muitos hospitais que as estruturas partidárias locais exigem para ajudar a eleger os seus cacique. Um hospital fica logo visível aos eleitores, um porto pode gerar muita riqueza, mas depois de distribuída no circuito económico deixa de ser visível no curto e médio prazo. As consequências deste círculo vicioso de inaugurações eleitoralistas, de que Cavaco Silva foi o grande campeão, foram trágicas. 

Em vez de produzir e multiplicar a riqueza para proporcionar riqueza para melhorar o bem-estar e aumentar os níveis de rendimento dos portugueses, optou-se por gastar a pouca riqueza de que se dispunha em infraestruturas viradas para o bem estar. Os portugueses t~em auto-estradas, hospitais e escolas que se aproximam dos níveis de qualidade dos países mais ricos, mas o níveis de rendimento, a qualificação profissional, a diversidades empresarial e muitos outros indicadores de desenvolvimento aproximam-nos dos países menos ricos.

O Multiplicador de Keynes foi o grande argumento ideológico, mas numa economia aberta as grandes obras traduziram-se numa economia de empresas de obras públicas e de empreiteiros das mais diversas dimensões. O país produz pouca riqueza e durante décadas viu minguar as suas exportações.

É preciso impulsionar um novo ciclo, resolvido os problemas essenciais das populações e adoptar uma estratégia de desenvolvimento que gere mais riqueza para distribuir, capaz de dar lugar a níveis de rendimento que implementem a modernização da economia. Para isso a prioridade devem ser as infraestruturas que geram riqueza, que proporcionam economias ás empresas, que tornem o país mais eficiente, que atraiam investimentos estrangeiro, que permitam ao país aproveitar as suas vantagens competitivas enquanto plataforma logística internacional.

O país precisa de apostar na criação de riqueza e isso passa por infraestruturas que concorram para a competitividade do país e das empresas. Sem mais riqueza portugal continuará a ficar mais pobre, perdendo os seus melhores quadros, investindo em saúde e educação para que a nossa juventude vá suprir as carências populacionais dos países mais ricos e envelhecido. investimos para vender jovens a custo zero, um processo miserável promovido por Passos Coelho, Paulo portas e Cavaco Silva.

Umas no cravo e outras na ferradura



 Jumento do Dia

   
Oposição

A oposição desapareceu. Mas pior do que o desaparecimento de Passos e Assunção cristas foi as personagens que ficaram a cuidar da direita, em Lisboa. Todos sabemos que os circos aproveitam o Verão para darem alguns espetáculos aos veraneantes e parece que Passos Coelho se inspirou no Circo Victor Hugo Cardinali, só isso explica que o PSD esteja entregue ao Amorim e ao Hugo Soares, duas personagens que só servem para dar vontade de rir. Juizinho teve a líder do CDS, levou todo o partido de férias.

domingo, agosto 20, 2017

Semanada

Parece que os líderes dos partidos da direita meteram férias prolongadas depois de terem criticado Costa de ter gozado cinco dias, Passos ainda apareceu para dizer uma baboseiras anti-emigração no Pontal, Assunção Cristas nem se deixou ver, parece ter hibernado em pleno verão. Compreende-se o seu cansaço, o mês de julho foi de grande excitação, Passos e Cristas terão ficado ainda mais cansados do que os bombeiros que pagavam os fogos que excitava os partidos da direita como se fossem associações de piromaníacos.

Passos está cada vez mais dependente de gente sem grande valor, os melhores estão a abandoná-lo à sua sorte à medida que deixam de acreditar no seu futuro, restam-lhe personagens ambiciosas e sem poucos escrúpulos. Quando se pensou que o discurso de extrema-direita do comentador da CMTV que se candidatou a Loures era condenado pelo PSD, o seu líder não só veio em sua defesa como alargou o discurso de André Ventura aos emigrantes, dando a esta nova abordagem de extrema-direita do PSD o palco do Pontal. Depois do extremismo na política económica a coberto da troika, Passos assume o seu lado Trump nas políticas sociais e de emigração, aos poucos o PSD parece-se cada vez mais com o KKK.

Apesar das altas temperaturas parece que os incêndios vão acalmando. Por coincidência, ou talvez não, a excitação das televisões vai-se esmorecendo à medida que têm mais notícias e face ao cada vez maior desinteresse dos telespetadores pelo tema. Até parece que em vez da água dos bombeiros foi o início da Liga de futebol e o atentado de Barcelona que apagaram os incêndios e acalmaram os incendiários. Conclusão, quando as televisões se desinteressaram pelo tema os incendiários ficaram mais calmos.

A queda da árvore no Funchal proporcionou mais um espetáculo miserável, a autarca da junta de freguesia ficou quase histérica a atirar culpas para a câmara municipal, enquanto a Igreja se apressava a informar que os terrenos onde se localizam a árvore não lhe pertencem, um gesto raro numa igreja muito ciosa das suas propriedades. Parece que a nossa classe política vai deixar de ler jornais como o Expresso, que não têm o obituário. Desde o anúncio dos suicidas feito por passos Coelho, a direita especializou-se em homilias políticas nos funerais. Já haviam os funerais religiosos, agora temos os funerais políticos e politizados.

Umas no cravo e outras na ferradura



 Jumento do Dia

   
Hugo Soares, líder parlamentar do PSD

Hugo Soares teve um raro momento de inspiração no meio do deserto intelectual é que é a sua cabecinha, descobriu socratismo em António Costa, um pecado merecedor do inferno. Blas, que falta de inspiração e de argumentos deste pobre rapaz, desta forma o PSD nem dá luta.

«O líder parlamentar do PSD, Hugo Soares, disse hoje que o regresso da prioridade para investimentos em obras públicas, abordada por António Costa em entrevista ao Expresso, preocupa o partido e é um regresso ao "socratismo".

"A periodização das obras públicas como fator de competitividade do país é algo que deixa o PSD manifestamente preocupado. O país estava afinado contra a prioridade das obras públicas. Este é o regresso ao 'socratismo' e esta é a grande novidade e única da entrevista", disse Hugo Soares 
à agência Lusa.» [DN]

 O Estado falhou mais uma vez

Não estava nas Ramblas defendendo os portugueses quando se deu o atentado.

      
 Boa Bernardino!
   
«O presidente da câmara de Loures, Bernardino Soares, decidiu — após conversar com o vereador do PSD responsável pela área — promover um jurista militante do PSD a chefe de Unidade de Serviços de Veterinário Municipal. O advogado do sindicato dos veterinários defende que o lugar tem de ser ocupado pela veterinária municipal, mas os juristas da autarquia (o gabinete jurídico é tutelado pelo outro vereador do PSD) consideram que não há nada de ilegal em ser um jurista, sem formação na área, a chefiar os serviços veterinários. PSD e CDU estão de acordo na legitimidade na escolha, numa autarquia em que o acordo de governação corresponde aquilo que a oposição chama de “vodka-laranja”: uma coligação pós eleitoral entre comunistas e social-democratas.

Mas a escolha de João Ramos Patrocíno, candidato que integra a lista do PSD à Assembleia Municipal de Loures nas próximas eleições, trata-se de um “job for the boy” ou uma promoção legítima? As opiniões dividem-se: CDU e PSD de um lado; veterinários do outro.

Tudo começou quando Bernardino Soares venceu as eleições em Loures em 2013, sem maioria, e decidiu fazer um acordo com o PSD para a câmara de Loures, de forma a garantir a governabilidade no município. Como moeda de troca pelo apoio dos sociais-democratas, os dois vereadores do PSD ganharam pelouros: Fernando da Costa ficou com o gabinete de consultadoria jurídica e Nuno Botelho com o serviço de Polícia Municipal, a unidade de Turismo e a Unidade de Serviços de Veterinário Municipal.» [Observador]
   
Parecer:

Esta gerigonça de Loures é bem mais divertida do que a de São Bento, ver o líder do PCP a dar tachos aos boys do PSD merece uma gargalhada.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se a merecida gargalhada.»