quinta-feira, outubro 02, 2008

Umas no cravo e outras tantas na ferradura -

FOTO JUMENTO

Pátio de Alfama, Lisboa

IMAGEM DO DIA

[Mark Wilson-Getty Images]

«A staff member carries flags that were used as a back drop back to House Speaker Nancy Pelosi's office after a news conference on Capitol Hill. The House of Representatives rejected the $700 billion rescue package, 228-205, after a weekend of intense negotiations. A new vote is scheduled for today but not before U.S. stocks plunged during mid-day trading.» [Washington Post]

JUMENTO DO DIA

Luís Campos e Cunha

Luís Campos e Cunha, o pensionista do BdP que foi ministro das Finanças teve uma boa ideia, as obras públicas deveriam ser adiadas por causa da crise financeira. É uma excelente ideia, as obras públicas deveriam ser interrompidas sempre que há uma crise nas bolsas, quando as cotações do crude sobem e até quando diminui a produção de arame farpado. Este pessoal da SEDES tem muita sede de protagonismo.

MAIS UMA GREVE FALHADA

A agenda política do PCP está a custar muitos milhões de euros os trabalhadores, é o que se pode dizer da greve d Administração Pública acompanhada por uns fogachos nos transportes públicos. Esta greve foi decidida pelo PCP em função da sua agenda política e o resultado não poderia ter sido outro, um fisco e, portanto, mais uma derrota para um sindicalismo que insiste em estar no século XIX.

VÃO BATER A OUTRA PORTA

«Na semana que passou fui copiosamente nomeado. Não por ter editado um novo livro. Não por ter escrito um rude artigo contra alguém, ou um elogio a quem o mereceu. Apenas porque, há 11 anos, sou inquilino da Câmara Municipal de Lisboa. As "notícias" vindas a lume traem o étimo da palavra: nenhuma novidade comportam. Por três ou quatro vezes, em crónicas amenas, confessei-me arrendatário municipal, como outras dezenas, senão centenas, de pessoas. E há os ateliês dos Coruchéus; os de Belém. Cedidos, como em toda a Europa, a artistas, que não vivem propriamente na penúria. Sem esquecer o Bairro dos Jornalistas, em Alfragide, construído com grandes apoios municipais. Durante umas outras eleições municipais, um sisudo e monótono semanário quis saber do assunto. Embora preserve, com feroz esmero, a minha vida privada, esclareci a senhora que perguntava. Repetiu-se, agora, a dose. Habituei-me à manipulação (porque de manipulação se trata), tocado da leve rabugice que a reincidência me provoca e a idade justifica. O que se publicou está eivado de inexactidões, de omissões e de insídia. Este jornalismo húmido e pegajoso mais parece um livro de encargos sujos do que a função de origem. Um só facto: o meu senhorio é, realmente, o Município. De resto, nada de ilegal, nada de imoral. E muito menos a retribuição de "pequenos favores". Há homens que arrastam consigo a polémica ou a ignomínia. Pertenço ao primeiro grupo. E de ignomínias possuo uma lista cada vez mais acrescida. Como o registo das coisas acompanha sempre o sentido das intenções - sei muito bem de onde e de quem partem estas periódicas atoardas. Ser livre é muito difícil.» [Diário de Notícias]

Parecer:

Por Baptista Bastos.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Afixe-se.»

O SALÁRIO DOS EXECUTIVOS

«A crise nos mercados financeiros colocou de novo a questão dos salários dos gestores no topo da actualidade. De acordo com a agência de notícias Bloomberg, no quinquénio 2003-2007, os administradores dos cinco maiores bancos de investimento dos EUA – Goldman Sachs, Morgan Stanley, Merrill Lynch, Lehman Brothers e Bear Stearns – receberam 3100 milhões de dólares. Este montante representa apenas 3% dos lucros dos cinco no período, mas é preciso não esquecer que parte destes resultados assentava em castelos de areia.» [Diário Económico]

Parecer:

Por Carlos Rosado de Carvalho.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Afixe-se.»

ESTÁDIO MUNICIPAL DE MURÇA TINHA BENEFÍCIOS PARA PRODUZIR VINHO DO PORTO

«O Instituto dos Vinhos do Douro e Porto (IVDP) acabou agora com o benefício à produção de Vinho do Porto, que estava atribuído ao terreno onde foi construído o Estádio Municipal de Murça. » [Correio da Manhã]

Parecer:

Anedótico.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se a competente gargalhada.»

PS VAI ALTERAR LEI PARA COMBATER VIOLÊNCIA DOMÉSTICA

«O PS vai alterar o Código do Processo Penal (CPP) no sentido de permitir a detenção de suspeitos de violência doméstica, fora de flagrante delito. De acordo com um projecto ontem entregue pelos socialistas na Assembleia da República, a detenção também será possível quando o arguido não possa ser apresentado de imediato a um juiz.

Actualmente, o CPP estabelece que as detenções fora de flagrante delito só podem ser efectuadas quando existam "fundadas razões" para considerar que o visado não se apresentará às autoridades no prazo fixado. É o próprio PS a admitir, no texto do projecto, que esta situação "desprotege as vítimas de violência doméstica". Pelo que ao motivo que já está na lei, junta agora um outro - "Ou se for imprescindível para a protecção da vítima".» [Diário de Notícias]

Parecer:

As alterações são positivas mas poderão ser insuficientes, são necessárias medidas de protecção da vítima. A verdade é que se o agressor não é preso volta para casa e a maioria das vítimas não tem outra alternativa senão conviver com o criminoso. É preciso proteger a vítima não a entregando nas mãos dos criminosos.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Adoptem-se medidas eficazes.»

URGÊNCIA?

«O presidente da República, Cavaco Silva, recebe esta tarde a direcção do PSD. Manuela Ferreira Leite solicitou a audiência com carácter de urgência por causa do Kosovo, segundo fonte social-democrata.» [Jornal de Notícias]

Parecer:

Esta de Manuela Ferreira Leite pedir uma audiência de urgência a Cavaco Silva por causa do Kosovo deve ser para rir.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Verifique-se se MFL ficou bem nas fotografias à saída do Palácio de Belém.»

MUITOS MILHARES?

«O secretário-geral da CGTP, Manuel Carvalho da Silva, garante que as manifestações e paralisações, que reunirão "muitos milhares" de trabalhadores da função pública esta quarta-feira, marcam o início de um novo ciclo na luta contra uma "crescente exploração".

Associado ao piquete de greve dos serviços municipais de tratamento de resíduos sólidos da Amadora, onde a greve nacional convocada pela intersindical está já a ser sentida a cem por centro no turno da noite, o responsável apelou terça-feira à noite à mobilização contra as novas leis laborais e exigiu que a administração central comece a respeitar as queixas dos portugueses.» [Jornal de Notícias]

Parecer:

Alguém viu os muitos milhares de que Carvalho da Silva fala.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Marque-se uma consulta de oftalmologia a Carvalho da Silva.»

MAIS UMA BATALHA POLÍTICA DO PSD

«O deputado do PSD Miguel Frasquilho acusou esta quarta-feira o primeiro-ministro de ter revelado ignorância sobre o sistema financeiro ao falar em jogo e de mostrar não perceber a actual crise ao responsabilizar os Estados Unidos, noticia a Lusa.

«Ouvimos declarações do primeiro-ministro a diabolizar os mercados financeiros, a falar do jogo da bolsa como se de um casino se tratasse ¿ reveladoras até de alguma ignorância sobre o papel do sistema financeiro», considerou Miguel Frasquilho. » [Portugal Diário]

Parecer:

MFL discursou e Frasquilho guincha.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sugira-se ao PSD que ponha António Borges a falar, ele que foi vice-presidente da Goldamn Sachs é nos pode explicar a crise e até dizer-nos se não sabia que os títulos pouco valiam.»

TROCA DE PAPÉIS DE JORGE COELHO

«A renegociação do contrato de concessão à Lusoponte da gestão e exploração das travessias rodoviárias do rio Tejo vai ter na defesa dos interesses da empresa Jorge Coelho e Ferreira do Amaral, os dois ministros das obras públicas que negociaram em representação do Estado o contrato de concessão e os acordos de reequilíbrio com a empresa.

A coincidência ocorre numa altura em que se avizinham novas negociações, por causa da decisão de instalar um tabuleiro rodoviário na terceira travessia do Tejo, a construir entre Chelas e o Barreiro. Mas as coincidências não acabam: quem vai liderar a comissão técnica criada pelo Executivo para decidir estas negociações é Murteira Nabo, actual chairman da Galp, e, ele próprio, anterior ministro do Equipamento Social no primeiro governo de António Guterres.» [Público assinantes]

Parecer:

Isto é a classe política portuguesa no seu melhor, foi ministro e agora representa o outro lado.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Lamente-se o espectáculo.»

RÚSSIA REABILITA O CZAR

«A Suprema Corte da Rússia determinou que o último czar, Nicolau 2º, e sua família foram vítimas de repressão política e deveriam ter sua reputação recuperada.

A reabilitação do último czar da Rússia antes da revolução é esperada há muito tempo pelos descendentes da família Romanov. A decisão da Suprema Corte derrubou as determinações de cortes inferiores do país, que se recusavam a reclassificar as mortes.» [BBC Brasil]

O JUMENTO NOS OUTROS BLOGUES

  1. O "Caderno de Corda" pescou uma fotografia tirada em Alfama.
  2. O "Mala Aviada" também aprecia o anti-eleitoralismo de Jerónimo de Sousa.
  3. O "Sentido de Estado" pescou uma imagem usada n'O Jumento.

NO NOTAS VERBAIS

Humor diplomático:

«Gargalhadas à saída do elevador, no Terceiro Andar. Com o jornal nas mãos, um diplomata, sempre atento às últimas da «política externa», diz para o do lado, a propósito da exosmótica entrada de Jorge Coelho na renegociação do contrato de concessão à Lusoponte, que não deixa de ser mais um posto consular de carreira:

- Pá! Agora, na Vasco da Gama, quem bater noutro carro, leva! »

ALÉM GUADIANA

Coltura portuguesa em Olivença.

MATTHEW SCHERFENBERG

SENSOA

quarta-feira, outubro 01, 2008

Quantos bancos vão falir?


Ainda antes de saber como vai terminar a crise financeira que atinge os mercados é evidente que os banco ficaram muito baratos, as suas acções desceram a pique corroendo o valor das suas acções. Isto significa que muitos bancos, não apenas os que faliram, ficaram muito expostos a eventuais operações de aquisição ou de fusão. A concentração bancária será uma possível consequência e sinal do fim da crise financeira.

Só que ninguém sabe quantos bancos vão falir, as contas dos bancos são tudo menos transparentes, não é possível determinar qual o peso dos seus investimentos nos produtos financeiros agora designados por tóxicos ou contaminados. E como estes títulos valem tanto como as antigas acções da Torralta os investidores dificilmente saberão quanto vale um banco.

A solução encontrada por George Bush foi assustadoramente brilhante, injectar no sistema financeiro o dinheiro perdido, transferindo os prejuízos para os contribuintes norte-americanos. Só que os contribuintes não gostaram da ideia e a medida não passou na Câmara dos Representantes. Porque razão Bush não propõe idêntica medida para os jogadores que perdem o seu dinheiro nos casinos de Las Vegas? Afinal alguns destes jogadores são mais cuidadosos do que os gestores dos bancos que estão à beira da falência e, ao contrário destes não ganham milhões dezenas ou mesmo centenas de milhões de dólares por ano, os tais ordenados que vi muita gente cá da praça justificar com o seu alto desempenho.

Do nosso ponto de vista a solução até era milagrosa, tal como se afigurou para os corretores de Nova Iorque e para os políticos do Washington, muito deles eleitos graças a chorudos financiamentos feitos por alguns destes banco. Só que o americano que vive da produção de soja está mais preocupado em assegurar os subsídios agrícolas do que com o futuro dos accionistas dos bancos e alguns políticos tiveram medo de aprovar o plano de Bush.

Resta agora que Bush encontre soluções alternativas, senão ficaremos mesmo a saber qual a real dimensão da crise financeira, ou seja, saberemos quantos bancos vão falir. Numa posição mais cómoda estarão os grandes investidores, com a China e os países produtores de petróleo à frente. Se Bush resolver o problema ganharão porque poderão recuperar os seus investimentos, se a crise atingir a sua real dimensão ficarão a ganhar pois estarão em condições de comprar bancos a preço de saldo.

Num momento em que tanto se fala dos princípios do liberalismo a situação é irónica, se Bush conseguir intervir salva os capitais do comunismo, se não o conseguir é bem possível que o comunismo salve os bancos do capitalismo. No meio ficarão os que vão pagar a factura, os países menos desenvolvidos e os pobres de todo o mundo, começando pelos desses mesmos países, pouco tempo depois de terem de pagar a alimentação e a energia mais cara vão ver disparar o serviço da dívida externa. As consequências da crise poderão ser imprevisíveis.

PS: são vários os analistas que defendem que esta crise financeira era previsível, alguns analistas americanos chegaram mesmo a prever a crise, ainda que poucos lhes tenham prestado atenção. Este mesmo argumento foi usado por algumas personalidades do PSD contra o Governo, ainda ontem Manuela Ferreira Leite criticou os objectivos da política económica num cenário de crise financeira, como se estes tivessem sido estabelecidos com conhecimento do mesmo.

Talvez fosse interessante ouvir António Borges um dos homens fortes do PSD de Manuela Ferreira Leite, ele que foi uma das primeiras vítimas da crise ainda muito antes de se saber da sua dimensão. António Borges era vice-presidente da Goldman Sachs e ninguém acredita que não estivesse na posse de dados precisos sobre o mercado imobiliário americano, já que, como agora se sabe, o banco estava enterrado nos títulos sub-prime.

António Borges é a pessoa ideal para dizer se a crise era previsível e se o governo devia ter adoptado medidas restritivas ainda antes desta ganhar proporções, como Manuela Ferreira Leite parece defender.

Umas no cravo e outras tantas na ferradura -

FOTO JUMENTO

Pedindo na Baixa de Lisboa

IMAGEM DO DIA

[Shannon Stapleton / REUTERS]

«Desesperación en Wall Street. Varios de los brokers de la principal Bolsa del mundo de los negocios se lamentan tras la negativa del Congreso al ingreso de 700.000 millones de dólares.» [20 Minutos]

JUMENTO DO DIA

Ana Sá Brito

A vereadora Ana Sá Brito explicou-se no caso da casa da CML que teve arrendada até ter assumido o cargo na actual liderança da autarquia. Segundo explicou não há nada de ilegal, arrendou a casa nos termos da lei e até tinha renda actualizada. O problema está em saber se outros cidadãos que pudessem ter estado interessados na casa que ela alugou tiveram possibilidade de aceder à mesma casa em condições de igualdade. O facto de tudo estar contratualmente correcto não significa que a senhora não tenha sido beneficiada até porque uma renda de cento e tal euros na Rua do Salitre é um verdadeiro achado.

Não fiquei nada convencido com as explicações da vereadora. Para que isso sucedesse teria que ter havido uma divulgação pública da intenção da CML de alugar o apartamento em causa, abrindo-se a outros cidadãos a possibilidade de se candidatarem a arrendar a casa. Isso sucedeu ou a vereadora beneficiou de um sistema em que só os amigos sabem destas coisas boas?

Enquanto a senhora vereadora vivia numa casa onde pagava pouco mais de cem euros eu alugava uma casa idêntica por quase quatro vezes mais, no meu caso encontrei-a através de um anúncio e ao longo de todos estes anos nunca via um anúncio da CML publicitando a intenção de alugar uma casa. Não basta dizer que estava na posse de um contrato legal e que a renda era actualizada segundo a lei, terá que demonstrar que concorreu a essa casa em condições de igualdade com os outros munícipes e que a renda corresponde a um preço aceitável para o mercado.

De uma coisa eu estou certo, uma renda de 146€ só pagaria uma barraca na Rua do Salitre, uma das zonas finas da cidade, aliás, deve haver na periferia da cidade quem pague mais por uma barraca. A verdade é que a vereadora beneficiou ao longo de anos de uma renda social, algo a que o cidadão comum não tem direito, nem sequer sabia que era possível graças ao património da sua autarquia.

O facto de ter entregue a casa quando foi eleita não resolve nada nem pode ser usado como simbolizando um compromisso ético. Entregou-a porque sabia que tal situação levaria a protestos, isto é, tinha dúvidas sobre a situação de que ao longo de anos beneficiou.

Entretanto, Ana Sá Brito assegurou que não se demitiria enquanto tivesse a confiança de António Costa. Isso é uma questão secundária, o problema agora é saber se numas próximas eleições autárquicas os lisboetas vão ter confiança nela. Eu não tenho.

O ANTI ELEITORALISMO DE JERÓNIMO DE SOUSA

Ontem Jerónimo de Sousa veio fazer ameaças a José Sócrates se enveredasse pelo eleitoralismo, hoje o PCP vem propor um aumento de deduções no IRS com despesas da saúde, educação, habitação e passes sociais. Isto é, para o PCP o Governo deve continuar a adoptar medidas difíceis, assim Jerónimo de Sousa pode liderar manifestações contra as políticas de Sócrates durante a manhã, enquanto à tarde propõe no Parlamento a distribuição de benesses eleitorais.

Este Jerónimo de Sousa é mesmo hipócrita, de manhã é o Estaline cá do sítio e à tarde desempenha o papel de avô boca doce.

A CRIMINALIDADE BENIGNA

Só hoje na edição electrónica do Correio da Manhã fiquei a saber que uma mulher foi violentamente espancada na frente de soldados da GNR e que o juiz o mandou de volta para casa, de onde a mulher teve que fugir, não me admirando nada que venha a ser acusada de "abandono do lar". Na mesma edição foi notícia que um agente da PSP matou a mulher a tiro.

Alguém ouviu o Paulo Portas exigir maiores penas? O Jerónimo de Sousa e o Bernardino Soares prometeram um pacote de medidas? Os sindicalistas dos magistrados do MP e dos juízes vieram a público queixarem-se da ineficácia da lei? O cardeal fez alguma homilia sobre a violência nos casamentos forçados?

Não, todos ficaram em silêncio, preferem calar-se perante um fenómeno que todos anos resulta na morte de mais de trinta mulheres portuguesas e mantém muitos milhares de outras reféns de homens tão criminosos como os que andam a assaltar bancos e bombas de gasolina. Tratam este fenómeno como se fosse criminalidade benigna, muitos polícias olham para o lado, os políticos ignoram, os padres aconselham as mulheres a voltarem para casa e os governos não adoptam medidas para perseguir estes criminosos.

O CASO 'LISBOAGATE' E A CULTURA DA CUNHA

«Mas, claro, de cunhas bem-intencionadas está o inferno cheio. Veja-se o caso "Lisboagate". As primeiras notícias divulgadas pelo DN ainda vinham acompanhadas de um halo de santidade. Os abusos na atribuição de casas pela autarquia eram, afinal, justificados pelas melhores razões: do Presidente da República à esposa do primeiro-ministro, todos metiam cunhas e pediam casas, mas sempre a favor do pobrezinho desamparado. A cunha, boa parte das vezes, não beneficia directamente o próprio e é feita com o argumento de reparar uma injustiça. O problema é que, sem a existência de regras claras e justas, passa a haver uma espécie de fotogenia da pobreza: beneficiam aqueles que melhor comoverem os poderosos. Claro que atrás do pobre vem o motorista do Presidente que mora longe, coitado, e atrás do motorista vem a funcionária que se divorciou e não tem para onde ir, e atrás da funcionária vem o filho da funcionária, que também é filho de Deus.» [Diário de Notícias]

Parecer:

Por João Miguel Tavares.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Afixe-se.»

REGULAÇÃO: SOLUÇÃO OU ORIGEM DA CRISE

«Há um ano, metade das hipotecas residenciais eram ajudadas ou garantidas pelas Fannie Mae e Freddie Mac, duas empresas pertencentes ao estranho grupo das apoiadas patrocinadas pelo governo. No último ano, elas financiaram 80% das hipotecas. A primeira foi criada no contexto da grande depressão e a segunda em 1970. Os privados negociavam com ela, com a certeza, agora comprovada, de que – qual caixa Geral de Depósitos do sítio – o governo nunca as deixaria cair. Este negócio foi intervencionado em 1997, proibindo a discriminação dos desfavorecidos. O sistema é fortemente regulado, e foi esse facto que suscitou a situação no imobiliário. Que ironia e desconhecimento quando vemos as saudações ao regresso da regulação. Mais do que legítimas perspectivas ideológicas, o que está aqui em causa são questões de facto e de conhecimento dos mecanismos económicos.

Sem a intervenção do governo, apoiando os créditos imobiliários, sem uma taxa de juros negativa que levou à explosão dos créditos e ao disparar dos preços, sem a isenção estatal das regras das boas práticas bancárias de um sistema financeiro paralelo não teria sido possível mascarar durante algum tempo a irracionalidade da situação. A intervenção que agora se ensaia, depois das intervenções falhadas, vai prolongar mais algum tempo, não vai actuar sobre os fundamentais e só pode agravar a situação a prazo. » [Jornal de Negócios]

Parecer:

Por Avelino Jesus.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Afixe-se.»

PARTIDOS TAMBÉM "VIVEM" EM CASAS DA CML

«As secções locais de três partidos políticos, PS, PSD e PCP, funcionam em espaços alugados à Câmara Municipal de Lisboa, à qual pagam rendas mensais de valor compreendido entre 4,55 euros e 75 euros. » [Correio da Manhã]

Parecer:

Está explicada a razão porque o PSD e o PCP estão tão caladinhos e não aproveitam o escândalo. Aposto que além dos partidos os "jotas" também devem ser às dúzias a beneficiar do esquema.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Investigue-se.»

PORTUGAL NO SEU MELHOR

«Ana (nome fictício) vive um duplo pesadelo. Foi espancada pelo marido na passada sexta-feira, mas o homem, identificado e ouvido por uma magistrado, acabou por sair em liberdade e regressar a casa. A lei não permite que seja detido e é Ana quem está agora refugiada em parte incerta.

Mesmo assim, o seu pesadelo já poderia ter terminado se o sistema penal assim o permitisse. Um agente da PSP viu-a ser violentamente agredida pelo marido, dentro do seu carro, em plena auto-estrada. Agiu, mas não foi suficiente.» [Correio da Manhã]

Parecer:

Até quando os governos portugueses ficarão impávidos e serenos assistindo a este triste espectáculo.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sugira-se a Sócrates que vá conhecer as medidas que Zapatero adoptou.»

FERREIRA LEITE DIZ QUE HÁ UM ERRO DE POLÍTICA ECONÓMICA

«Em conferência de imprensa, na sede nacional do PSD, em Lisboa, Manuela Ferreira Leite defendeu, a propósito da crise do sistema financeiro, que «é essencial, inadiável e urgente que se revejam as prioridades da política económica» porque «há um erro de política nessa matéria». » [Portugal Diário]

Parecer:

É ridículo dizer que há um erro por causa da crise financeira. O PSD comporta-se com a crise financeira da mesma forma que fez com a greve dos camionistas, fica em silêncio e espera pelos acontecimentos para depois criticar. Ainda por cima entra em conflito com Cavaco Silva, há alguns dias e a propósito da crise financeira o PR pelou ao Governo para se preocupar com os pobres, agora Ferreira Leite usa a mesma crise para pressionar no sentido da austeridade na esperança disso lhe trazer ganhos políticos. Isto é pouco sério, é uma combinação de cinismo com oportunismo político.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Informe-se MFL que o seu discurso é puro oportunismo.»

POBRE VEREADORA ANA SÁ BRITO

«Questionada sobre se tinha necessidade da casa há 20 anos, era então enfermeira de profissão além de vereadora, respondeu que sim. E 20 anos depois, quando auferia uma pensão que, segundo a declaração de rendimentos que entregou em 2006 no Tribunal Constitucional, se eleva aos 46.883 euros anuais, ainda tinha necessidade de uma renda camarária de 146 euros? "Não era uma casa de habitação social", repetiu várias vezes. O imóvel integrava-se no património disperso do município, até hoje gerido com critérios discricionários. A renda, inicialmente inferior aos 146 euros, foi sendo aumentada de acordo com a lei até chegar a este montante, "A casa foi-me atribuída legalmente. O contrato de arrendamento era legal", disse Sara Brito.» [Público assinantes]

Parecer:

As explicações da vereadora são insuficientes.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Ofereça-se uma esferográfica BIC à vereadora, que a use para se demitir.»

O JUMENTO NOS OUTROS BLOGUES

  1. O "Câmara de Comuns" recomenda a leitura do post "O Óptimo de Parente".
  2. O "Cu-Cu" gostou da fotografia de Sascha Huetteneihain.
  3. O "Alcáçovas" gostou da publicidade da Innocent Drinks.
  4. O "Câmara de Comuns" cita O Jumento num post que merece ser lido.
  5. O "Legalices" pescou um artigo de Francisco Teixeira da Mota.

GRANDE PRÉMIO DE SINGAPURA [imagens]

ERIC LAFFORGE

Uma colecção rara de imagens recentes da Coreia do Norte.

PAGANDO-LHES NA MESMA MOEDA

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