terça-feira, dezembro 02, 2008

Umas no cravo e outras na ferradura

FOTO JUMENTO

Festa do Avante (2005)

IMAGEM DO DIA

[Gil Cohen Magen / Reuters]

«Miss Árabe. Una participante del concurso de belleza asoma tras bambalinas en Shefaram, Israel. El evento fue organizado por la comunidad árabe en Israel.» [20 Minutos]

A MENTIRA DO DIA D'O JUMENTO

Na primeira reunião o novo CC do PCP decidiu mandar investigar o sistema electrónico de voto utilizado no congresso, é que ninguém percebeu como é que houve 8 votos contra e 17 abstenções na votação do Comité Central.

JUMENTO DO DIA

Manuela Ferreira Leite, líder do PSD

Deve ser difícil para Manuela Ferreira Leite ter que falar todos os dias e a toda a hora sem revelar nenhuma das suas propostas secretas, ainda por cima com inimigos por todos os cantos do PSD e com as sondagens a dar conta de uma descida constante. Depois de tentar a espontaneidade, com os desastres desastrosos que se viram, a líder do PSD opta pela estratégia do adjectivo que, aliás, tem uma grande tradição. Só que a líder do PSD ainda não percebeu algo elementar por mais sondagens que leia, nenhum português vai votar nela por mudar de posições para tentar conquistar votos nos professores ou pela originalidade dos adjectivos que atribui a Sócrates.

É lamentável que Manuela Ferreira Leite vá falar aos jovens do PSD e em vez de falar do seu futuro opte por enunciar um chorrilho de adjectivos dedicados a José Sócrates, mostrando que não tem ideias próprias, vive em função das posições e da agenda do primeiro-ministro.

O PCP E O BANCO ALIMENTAR CONTRA A FOME

Agora que terminou o congresso do PCP que, por coincidência decorreu nos mesmos dias em que o Banco Alimentar contra a Fome lançou a sua campanha de recolha de donativos vale a pena recordar o que se escrevia no Avante do passado dia 22 de Outubro:

«Pena é que o espaço falte. Mas podíamos, para terminar, falar de raspão no caso do Banco Alimentar Contra a Fome, exemplo de uma IPSS «desinteressada» e católica. A organização afirma a finalidade de apenas servir os pobres. Recebe do Estado contribuições sob a forma de subsídios. Das grandes empresas, donativos e parte do excesso dos seus stoks. Do cidadão comum, aquilo que ele lhe puder oferecer. O Banco Alimentar orienta a sua actuação pelo princípio da conciliação de classes. É benéfica para o cidadão porque aplaca a revolta moral que a miséria lhe pode causar e lhe dá uma esmola. É positiva para as empresas, visto que escoa os seus excedentes e concorre para lhes aumentar as vendas. E é necessária ao Governo e à Igreja, dado que se substitui à acção social do Estado democrático, funciona com base no voluntariado e distribui as suas recolhas a partir de instituições piedosas tais como os centros paroquiais, as conferências vicentinas, as congregações e fundações católicas, as comunidades locais, as ATL, os lares de idosos, etc.»

Sem comentários...

Valerá a pena recordar ao PCP o que se passou na Coreia do Norte, um dos países de sonho dos comunistas portugueses? Por lá morreram muitos milhares de coreanos à fome, como muitos casos de canibalismo pelo meio, em consequência das políticas do doente mental que dirige o país. A fome foi superada com a ajuda alimentar dos imperialistas americanos, uma contrapartida pela suspensão do programa nuclear. Não sejamos hipócritas.

A TENTAÇÃO PROTECCIONISTA

«Há dias, os países do Fórum Ásia-Pacífico (APEC) lançaram um apelo contra medidas proteccionistas. Na actual crise financeira e económica o risco existe. Mas o proteccionismo só agravaria as coisas, como aconteceu na Grande Depressão dos anos 30. Por isso, os países da APEC comprometeram-se a não levantar barreiras ao comércio nem ao investimento.

Esta declaração de intenções vai na linha da feita pelo G20 em Washington. Ambas sublinharam a conveniência de concluir as negociações multilaterais de comércio (a chamada "ronda de Doha") ainda este ano. Seria excelente, mas é improvável. As negociações arrastam-se há sete anos e estão bloqueadas, após várias tentativas falhadas de acordo na Organização Mundial de Comércio. De boas intenções está o inferno cheio...

Na cimeira do G20 não participou Barack Obama, Presidente dos Estados Unidos a partir de 20 de Janeiro próximo. Quinze dias antes tomam posse os membros do Congresso, com maiorias reforçadas do Partido Democrático. Ora os democratas têm-se oposto à aprovação de uma série de acordos bilaterais de comércio, já negociados entre os EUA, por um lado, e a Colômbia, o Panamá e a Coreia do Sul, por outro. Não é um bom sinal.

No Canadá multiplicam-se receios de que o vizinho americano levante barreiras proteccionistas às suas exportações. Durante a campanha eleitoral, Obama propôs rever o acordo da Zona de Comércio Livre da América do Norte (NAFTA), que reúne os EUA, o Canadá e o México. A NAFTA e outros acordos de liberalização do comércio são detestados pelos sindicatos americanos, que receiam a concorrência dos baixos salários estrangeiros e a deslocalização de indústrias. Diz-se que a globalização é americana, mas na América existem grandes resistências a essa evolução. Muitas vezes com o pretexto hipócrita de promover direitos sociais nos países pobres.

Já aqui escrevi que será difícil a Obama resistir à tentação proteccionista, numa altura em que a crise financeira resultou em aguda crise económica e social. Os planos de relançamento económico não fazem milagres e a protecção a curto prazo de empregos através de obstáculos às importações dará a ilusão de que o poder político vai ao encontro das angústias dos americanos. Por exemplo, até que ponto um auxílio à indústria automóvel dos EUA (em nítida perda de competitividade face aos fabricantes asiáticos) dispensará proteccionismos que prejudiquem os exportadores dos países emergentes?

Mas a tentação proteccionista não é um exclusivo dos EUA. Outros países vão proteger os seus sectores automóveis. A onda de intervencionismo estatal exigida para salvar o sistema financeiro traz consigo um ambiente propício a proteccionismos mais ou menos encapotados. Veja-se o fundo que Sarkozy criou, em França, para travar a compra de grandes empresas francesas por estrangeiros, violando as regras do mercado único europeu. E as intenções francesas sobre o futuro da Política Agrícola Comum também não auguram nada de bom para os exportadores dos países pobres.

Neste quadro pessimista vislumbro, porém, um factor de esperança: a China. O notável crescimento da economia chinesa tem resultado sobretudo da sua capacidade exportadora. Por muito que aumente o consumo interno chinês (estimulado agora por medidas monetárias e fiscais de Pequim), as exportações continuarão a ser vitais para o país. A recessão nos EUA, na Europa e no Japão trava essas exportações, baixando o crescimento económico chinês. Se a tal vierem a somar-se barreiras proteccionistas às exportações chinesas, a coisa ficará feia, porque a China necessita de um forte crescimento económico para evitar problemas sociais.

Ora os EUA, o Japão e a Europa precisam hoje da China. Primeiro, como mercado, que pode compensar parte da retracção da sua procura interna. Depois, e não menos importante, a crise financeira tornou o Ocidente mais dependente do dinheiro chinês, acumulado em enormes reservas durante décadas. A China, o grande terror de americanos e europeus até há pouco, ainda pode vir a revelar-se o país que ajudará o mundo a evitar um desastroso proteccionismo. É que Pequim só irá colaborar no combate ao colapso financeiro e à recessão global se não lhe barrarem as exportações, como tantos congressistas americanos gostariam de fazer.» [Público assinantes]

Parecer:

Por Franscisco Sarsfield Cabaral.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Afixe-se.»

MARCELO NO SEU MELHOR

«O PSD só consegue seguir esta estratégia se estiver unido, mantendo Ferreira Leite ao leme. "É um erro histórico se sair e pode ser grave para o PSD", daí que Marcelo não queira nem ouvir falar nessa possibilidade: "Não me passa pela cabeça que saia".» [Diário de Notícias]

Parecer:

Este Marcelo parece um cata-vento, andou uma semana ver o que diziam das suas declarações para agora mudar de direcção e dar o dito por mal entendido.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se a Marcelo o que lhe passa pela cabeça.»

PORTUGAL PODE TER SIDO AVISADO DOS VOOS DA CIA

«O jornal espanhol El País escreveu ontem que Portugal, Itália e Turquia terão sido avisados da passagem de aviões de transporte de prisioneiros do Afeganistão para Guantánamo.

Um documento com o carimbo de "muito secreto", publicado na edição de ontem do jornal, prova que ao Governo de José María Aznar foi pedida autorização, por parte das autoridades dos Estados Unidos, para o uso de aeroportos espanhóis para eventuais aterragens de emergência. » [Diário de Notícias]

Parecer:

Só Durão Barroso é que sabe.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se a Durão Barroso.»

NEM TODOS CONCORDAM COM MÁRIO NOGUEIRA

«Primeiro foi o líder da Pró-Ordem dos professores, Filipe do Paulo, que apelou ontem ao diálogo com o Ministério da Educação e criticou o radicalismo da Fenprof. Posição seguida depois por Eleonora Bettencourt, do sindicato dos Professores do Pré-Escolar e Ensino Básico, ao defender a aplicação deste modelo de avaliação, depois de ainda mais simplificado, e acusar a Fenprof e a FNE de terem transformado a luta contra este modelo numa questão política. O porta voz da Plataforma nega a divisão do movimento sindical, mas a manifestação de disponibilidade para negociar do secretário de Estado começa a surtir efeito.» [Diário de Notícias]

Parecer:

É cada vez mais evidente o envolvimento da extrema-esquerda, incluindo a do PCP; na luta dos professores com o objectivo de a transformar numa luta política. Resta aos professores optar pelo caminho da negociação ou servir as ambições políticas de Mário Nogueira e dos falsos independentes do BE.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Espere-se.»

ALEGRE DIZ QUE CONSEGUIU UM FEITO HISTÓRICO

«Para já, a única certeza de Alegre é a de que conseguiu um feito histórico, ao pôr toda a Esquerda a dialogar. "Nunca tinha acontecido, desde o 25 de Abril", enaltece o fundador do PS, admitindo todos os cenários. O ideal, dá a entender, era a criação de um movimento cívico unificador da Esquerda e capaz de disputar o Poder. Mas, "infelizmente, a lei não permite" isso. "Seria muito importante para a renovação da democracia", considera.» [Jornal de Notícias]

Parecer:

Par Manuel Alegre toda a esquerda é o seu grupo de desamparados do PS, os sem-abrigo dos ex-comunistas e o BE, de fora ficam muitos independentes, todo o resto do PCP e o PCP.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se a Alegre como está o seu umbigo.»

A ESPANHOLA QUE É A TERCEIRA ESPOSA DE UM SENEGALÊS

«Mi marido, Pap Ndiaye, va a cumplir 43 años; es griot, la casta de los artistas y músicos, los trovadores, los jóvenes eternos; él es una persona ni de aquí ni de allá; un espíritu libre con un fortísimo lazo familiar. No habla bien español, a pesar de llevar tanto aquí; está por trabajo y, emocionalmente, por mí. Culpa mía. Nunca le obligué. Hasta en eso soy poco madre. No, no tenemos hijos. No quiero. Si quisiera, él sería feliz. Él se ve cubierto en lo paternal. Tiene seis con sus dos mujeres senegalesas, Kiné y Fama. La primera es de mi edad; Fama, más joven. Pap suele ir a Senegal una o dos veces al año. Pasa meses. Yo le acompaño. Me encanta Senegal, y Louga, su ciudad. La primera ocasión, ya casados, fue en 1999. Resultó muy duro para mí. Coincidió con el bautizo del primer hijo de Fama. Ella lo pasó fatal con mi boda; fue un mes después de la suya. Entre eso, el parto complicado y que yo llegaba... Pero yo me sentía aún peor. Me quedé ocho semanas. Ni bailar pude. Porque si voy y bailo, como hago siempre ahora, lo demás se anula; para mí bailar es una necesidad física, me salva de la locura. Pap no se daba cuenta de nada. Ni se planteó que tuviera que ayudarme a adaptarme. Nada. Hizo su vida, y punto. Ellos son así... Ya me he acostumbrado. Y él ha aprendido. Hoy, si me ve cabizbaja, se acerca a socorrerme. Pero entonces no. Uf, no había nadie en quien confiar. A mi madre no la hacía partícipe... ¿para qué darle detalles? Hubo un momento en que tomé la decisión de no contar nada. La gente te juzga muy rápido. Me decían: 'Loca, ¿dónde te metes?'. Amigos, familia... Una superprotección que no deseaba. En general, en nuestra cultura nos dejamos influir por los prejuicios. Si no estás casado, con hijos y coche, no triunfas. Yo veo más opciones.» [El Pais]

IGOR VOROBEY

BEIJO

É A CRISE

GOVERNO DO LUXEMBURGO

segunda-feira, dezembro 01, 2008

O enterro do cavaquismo


Há muito que o cavaquismo tinha morrido mas esqueceram-se de o enterrar, adoeceu gravemente com o famoso tabu de Cavaco Silva e a consequência derrota na sua primeira candidatura presidencial, acabou por morrer quando os portugueses se aperceberam que dez anos de fundos comunitários desbaratados não mudaram os paradigmas da economia portuguesa, que enfrenta mais uma crise com os problemas de sempre.

O cavaquismo recusou o enterro e Cavaco Silva acabou por chegar a Belém, mais por falta de um adversário credível do que por mérito próprio, tudo parecia levar a crer que ganhava nova vida. OS cavaquistas voltaram a ter protagonismo na política portuguesa e acabaram por retomar a liderança do PSD, onde as manobras dos assessores do Presidente foram notícia. Com Cavaco na Presidência, Manuela Ferreira Leite na liderança do PSD e numerosas figuras dos tempos dos governos de Cavaco Silva em posições de destaque no mundo da economia, os cavaquistas voltaram a sonhar com o poder absoluto, liderar o Governo e a Presidência da República, algo que nunca conseguiram.

A estratégia era evidente, Manuela Ferreira Leite até usou as confidências de Belém para fazer oposição, chegando ao ponto de questionar Sócrates em público com as mesmas perguntas que a equipa de Cavaco Silva fazia em privado. Cavaco Silva passou a aproveitar todas as oportunidades para hostilizar o PS (mais o PS do que Sócrates), envenenando progressivamente as relações entre Presidência e Governo, quando não vetava um diploma fazia uma declaração venenosa para o governo. Deixou de manifestar solidariedade institucional, pôs fim aos elogios que costumava a fazer às reformas, ou apenas o fez muito longe do país e com o objectivo de brilhar.

Só que a mesma crise que serviu de espoleta para os cavaquistas retomarem a liderança do PSD, evidenciou que Manuela Ferreira Leite é um desastre político, criaram uma imagem da senhora que não tem correspondência nem na sua inteligência nem na sua capacidade para liderar um partido e, muito menos, um governo. Como não bastava a queda contínua nas sondagens de um partido liderado por uma Ferreira Leite aconselhada por Pacheco Pereira, a sondagem veio pôr a nu os bastidores da finança dos cavaquistas.

O país ficou a saber que alguns dos políticos mais bem mais próximos de Cavaco Silva estavam envolvidos na implosão do banco que eles próprios criaram. Os portugueses ficaram a conhecer os métodos pouco transparentes como geriram um banco, não olhando a meios para violar a lei. A ligação destas personagens a Cavaco Silva é tão forte que o próprio Cavaco Silva foi obrigado a emitir um comunicado familiar sem precedentes na história da República. Tudo isto nos dois ou três dias seguintes à detença de Oliveira e Costa, uma detenção que deixou meio mundo cavaquist em pânico pois o antigo tesoureiro do PSD terá dado a entender que não estaria disposto a ser o boi da piranha.

As dúvidas avolumaram-se e chegou-se o ponto mais baixo da Presidência da República, Cavaco dedicou várias intervenções públicas a Dias Loureiro, uma delas inocentando-o à margem da investigação em curso, justificando desta forma a manutenção do seu velho companheiro de BX num cargo cuja única vantagem prática reside na imunidade que confere ao ex-administrador do BPN.

Com os cavaquistas desorientados e à beira de se retirarem da política, com Cavaco a não vetar mais nada nem fazer qualquer comentário venenoso em relação ao Governo e Manuela Ferreira Leite a descer vertiginosamente nas sondagens, anuncia-se o fim do cavaquismo. Os cavaquistas desertam em pânico com receio dos danos colaterais que podem resultar da investigação ao BPN, Cavaco ficoui refém de José Sócrates e o PSD afunda-se enquanto ninguém está disposto a candidatar-se à sua liderança com as sondagens em baixa.

Podemos estar a assistir ao enterro do cavaquismo que poderá ter como consequência uma derrota pouco honrosa do PSD nas próximas legislativas e a não apresentação de uma nova candidatura presidencial por Cavaco Silva.

Umas no cravo e outras na ferradura

FOTO JUMENTO

Aves de Lisboa: Alvéola-amarela fêmea [Motacilla flava], Parque da Bela Vista, Lisboa

PS: Aproveitei uma pequena aberta de sol e dei um pulo ao Parque da Bela Vista, mais para dar o gosto ao dedo. Já com as nuvens a cobrir o céu outra vez e usando o zoom 100-400mm equipado com conversor de focal de 1.4 (140-560mm) e com a sensibilidade nos 600 Iso aparece-me esta alvéola-amarela que parecia querer cumprimentar-me, chegando mesmo a estar perto demais para ser focada. Permitiu-me disparar duas dezenas de vezes, obtendo imagens que quase dariam para o bilhete de identidade.

Aproveito para dizer que a decisão de proibir fotografar no Parque da Bela Vista foi um equívoco dos guardas florestais, na sequência de um mail que mandei para os serviços de matas da CML fui contactado telefonicamente e foi-me enviado um mail que espero que venha a ser esclarecedor para os guardas florestais do parque, no caso de voltar a ser incomodado.

IMAGEM DO DIA

[Miguel A. Lopes/Lusa]

«O Secretário Geral da FENPROF, Mario Nogueira, conversa com o Secretário Geral da CGTP, Manuel Carvalho da Silva, durante a sessão de abertura do XVIII Congresso do PCP.» [Portugal Diário]

JUMENTO DO DIA

Cândida Almeida, directora do Dep. Central de Inv. e Acção Penal (DCIAP)

Se algum deputado se lembrasse de criticar uma decisão do Procurador-Geral d República ou mesmo da procuradora Cândida Almeida, cairia o Carmo e a Trindade, seria logo acusado de desrespeitar a separação de poderes e ouviria umas insinuações sobre os objectivos de tão grave pressão sobre a justiça. Mas a procuradora esquece que os deputados estão em São Bento eleitos e em representação dos portugueses e que devem actuar em consciência e sem pressões dos magistrados ou seja de quem for.

Cabendo à PGR a defesa da liberdade democrática é lamentável que uma procuradora decida numa qualquer entrevista discutir ou criticar as decisões do parlamento. Estamos a evoluir do país das bananas para o país dos bananas.

ESTRATÉGIA ABSURDA

A CGTP fez com a avaliação dos professores o mesmo que tem feito em todas as negociações com este governo, a posição é sempre a do anúncio prévio da ausência de qualquer acordo, desta forma usam-se as negociações para ganhar notoriedade na comunicação e transforma-se os processos negociais em conflitos de rua. O objectivo é boicotar o governo e obter ganhos eleitorais para o governo, nunca o PCP permitiria qualquer sucesso governamental e muito menos em domínios em que considera que governa à margem da democracia.

Se a Fenprof tivesse negociado teria estado em melhores condições para melhorar quer o estatuto quer a avaliação dos professores. Mas Mário Nogueira não está preocupado com os professores, está a servir o seu partido e a servir-se da luta dos professores para subir no partido e na central sindical.

O resultado está à vista, Mário Nogueira é o novo herói do PCP e os professores não só saíram lesados de um processo negocial em que os seus representantes optaram pelo não sistemático, como vão ser derrotados no confronto com o governo, até porque, para além do apoio de alguns jovens da JCO que foram atirar ovos à ministra, não conseguiram qualquer apoio popular.

Como se tudo isto não bastasse a última proposta apresentada pelos sindicatos, a transformação de avaliação em auto-avaliação, só mereceu uma gargalhada do país, os professores acabaram por ver a sua dignidade atingida por esta proposta ridícula.

COMO SE ESCOLHEM OS TÍTULOS NO JORNAL 'PÚBLICO'

Vale a pena ler a explicação dada ao Provedor do Leitor do 'Público' dada pelo jornalista que para anunciar a venda de um colégio da Casa Pia lembrou-se de colocar o título "Estado quer vender colégio da Casa Pia onde a ministra da Educação fez o curso comercial":

«Contactado pelo provedor, J.A.C. admite ter sido assaltado pela dúvida: "Neste caso, como em muitos outros, o título escolhido é muito discutível. Confesso que sou o autor dele e que eu próprio me interroguei sobre a relevância da minha opção. Sucede que não sabia que a ministra lá tinha estudado e achei curioso o facto. É decerto um pormenor lateral à notícia, e por isso talvez não merecesse vir no título. Ao mesmo tempo, porém, fiz um raciocínio que me parece legítimo: se acho piada, é provável que muitos leitores achem também. Foi apenas por isso que decidi assim, e não, como é óbvio, por uma qualquer das várias sugestões mais ou menos deslocadas do leitor. Devo aliás dizer que a referência ao curso comercial só ficou no título para o equilibrar graficamente, uma vez que não gosto de linhas penduradas e deselegantes, como resultaria da expressão 'Estado quer vender Colégio onde andou a ministra da Educação', ou outra semelhante e igualmente curta em palavras. Acresce que a insinuação do leitor sobre a minha suposta intenção de desvalorizar o curso comercial que a ministra fez na Casa Pia é completamente infundada, quanto mais não seja porque eu próprio fiz, e tenho muito orgulho nisso, o curso comercial na Escola Veiga Beirão, no Largo do Carmo, em Lisboa".»

Apetece-me perguntar se tivesse tido Belmiro de Azevedo a ter andado no colégio o título seria "Estado quer vender colégio da Casa Pia onde Belmiro de Azevedo fez o curso comercial". É evidente que não e se cometesse tal distracção teria sido o último título que faria no jornal.

LONGE DA SALVAÇÃO

«Preferia não escrever outra vez sobre a guerra civil do PSD. Infelizmente, o PSD não deixa. O movimento para correr com Manuela Ferreira Leite é público e notório e já não vai parar. Verdade que eleita por pouco mais de um terço dos votos, perdeu hoje o prestígio que a discrição e a obscuridade lhe tinham dado. Desde o princípio se verificou que não tinha a menor ideia para o partido ou para o país. Tirando a oposição a obras públicas faraónicas - de resto, razoável - e algumas propostas soltas para a protecção das PME, não disse nada de especialmente relevante ou susceptível de atrair o eleitorado perdido. Pior ainda: a "táctica do silêncio" - uma reacção a Menezes - foi um absoluto falhanço e a sucessão de gaffes, que a envolveram em querelas sem sentido e revelaram o espírito autoritário e conservador com que vê o mundo, não lhe trouxeram com certeza a mais vaga benevolência pública.

Duas coisas se juntaram para transformar a crise latente que tudo isto provocou numa crise aguda. Primeiro, as sondagens tornaram a descer (26 por cento, na última semana). E, segundo, com a recessão que se anuncia, as famigeradas "bases" do PSD começaram (erradamente) a acreditar que poderiam ganhar a Sócrates, com alguma sorte e "chefe" popular e hábil. Os candidatos, como sempre, pululam: o inevitável Marcelo Rebelo de Sousa, Pedro Passos Coelho - que anda em campanha desde que perdeu com Manuela -, Rui Rio, Alexandre Relvas (mais conhecido pelo "Mourinho de Cavaco") e o putativo intelectual Nuno Morais Sarmento. Claro que nenhum destes senhores alberga na cabeça um pensamento próprio, um programa original ou sequer uma estratégia prometedora. Mas são "diferentes" - diferentes de Ferreira Leite - e isso basta ao desesperado "povo" do partido.

Infelizmente, esta agitação assenta num equívoco. A força de Sócrates vem da eficácia com que conseguiu meter o PS na ordem, da autoridade prussiana com que trata o Governo e do grande zelo com que policia os portugueses. Numa época ameaçadora e turva, o país prefere, como sempre preferiu, um "homem de pulso", mesmo gasto e pouco amado, a qualquer herói de circunstância, com um exército em revolta atrás de si. E é por isso que o PSD paradoxalmente mais se afunda quanto mais procura a salvação. Uma nova experiência, sob a sombra do BPN e a desgraça do "cavaquismo", seria um puro suicídio.» [Público assinantes]

Parecer:

Por Vasco Pulido Valente.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Afixe-se.»

PS REAFIRMA APOIO A AVALIAÇÃO DOS PROFESSORES

«O primeiro-ministro e secretário-geral do PS, José Sócrates, sublinhou que não está disposto 'a esperar mais 30 anos' para que seja aplicado um modelo de avaliação dos professores e sustentou que esta é uma questão do primeiro-ministro, do Governo e do PS.» [Correio da Manhã]

Parecer:

Isto significa que a Fenprof está sem saída depois da radicalização do conflito.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se conhecimento a Mário Nogueira.»

PROCURADORA A FALAR DEMAIS

«Uma comissão parlamentar de inquérito só vem atrapalhar a investigação do caso BPN. A directora do DCIAP questiona se os cidadãos preferem ver os criminosos condenados ou assistir a "fofoquices". Promete, "um dia", contar porque é que a PJ foi afastada da 'Operação Furacão', processo do qual é titular. E diz compreender o pedido de demissão do presidente da Entidade de Contas. Sem meios para actuar, as pessoas cansam-se, alerta.» [Diário de Notícias]

Parecer:

Uma intervenção lamentável e desnecessária, reveladora de alguém que procura fama e protagonismo.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Lamente-se.»

SÓCRATES CRITICA O SILÊNCIO ALEGRISTA EM RELAÇÃO A SÁ FERNANDES

«Sem se referir directamente ao Fórum das Esquerdas que já foi convocado - em que o ex-candidato presidencial Manuel Alegre é um dos protagonistas, juntamente com elementos do Bloco de Esquerda e ex-comunistas - José ócrates falou, durante a reunião da Comissão Nacional, na tendência de algumas correntes no sentido de dividirem os socialistas em bons e maus."Os maus são sempre aqueles que estão na direcção do PS", declarou Sócrates, citado por um dos presentes na reunião que ontem decorreu em Lisboa. O secretário-geral do PS fez outra referência crítica implícita à ala esquerda do seu partido, dizendo estranhar o silêncio de alguma esquerda "que anda sempre com as palavras liberdade e democracia na boca", perante a retirada de confiança ao vereadorJosé Sá Fernandes por parte do Bloco de Esquerda. Um comentário que a generalidade dos presentes na reunião da Comissão Nacional do PS entendeu como sendo dirigido à corrente de Manuel Alegre, que se reunirá a 14 de Dezembro num fórum denominado "Democracia e serviços públicos", juntando elementos do Bloco de Esquerda e ex-comunistas. » [Diário de Notícias]

Parecer:

Este namoro de Alegre com os estalinistas e trotskistas do BE e os deserdados do PCP é ridículo.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se a Alegre se é com o apoio desta esquerda que espera chegar a Presidente.»

JERÓNIMO DE SOUSA JÁ SONHA COM O ELEITORADO DO PS

«Jerónimo de Sousa alertou ontem para "movimentações de alguns sectores que procuram apresentar-se à esquerda dentro do Partido Socialista", e que "alimentando ilusões, revelam o objectivo de suster e combater as possibilidades de deslocação para o PCP" de um eleitorado descontente com a aproximação do executivo de José Sócrates às políticas de direita.

Num claro aviso ao sector ligado a Manuel Alegre, o líder do PCP refere que estes recusam-se a "assumir a ruptura com a política de direita nos seus conteúdos estruturantes, e independentemente dos objectivos que os animam, seja o propósito de travar a provável erosão do PS, seja o desenvolvimento de outros projectos políticos, tenderão a assegurar as condições que permitam assegurar a sobrevivência da política de direita".» [Diário de Notícias]

Parecer:

Passou-se.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Espere-se pelas eleições.»

DITA VON TEESE NA PLAYBOY

«Dita Von Teese, la ex esposa del cantante Marilyn Manson, ha posado para la edición alemana de la revista Playboy, tal y como recoge el diario británico The Sun.
Fiel a su estilo pin-up y sensualidad demodé, la actriz posa así para una de las revistas canónicas del erotismo del siglo XX. Von Teese ya se había consagrado este año como icono sexual al convertirse en la nueva cara de las campañas publicitarias de la compañía de ropa interior femenina Wonderbra. »
[20 Minutos]

AZNAR SABIA DOS VOOS PARA GUANTÁNAMO

«El Gobierno de José María Aznar tuvo conocimiento de que aviones de EE UU que trasladaban prisioneros de Al-Qaeda hacia la base de Guantánamo sobrevolaron España con permiso para escala en nuestro país, según revela un informe "muy secreto" de enero de 2002 publicado hoy en prensa.

La Audiencia Nacional investiga estos supuestos traslados sobre espacio aéreo español, realizados desde Afganistán, que no han sido reconociendo oficialmente [20 Minutos]

Parecer:

Era de esperar...

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «E Barroso não sabia? Acredita quem quiser.»

LAGO TORNADO VERMELHO PELA CYANOBACTERIA [imagem]

RELÂMPAGO EM NOVA IORQUE [imagem]

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