quinta-feira, janeiro 29, 2009

Vamos mandar investigar o Gordon Brown!

Os polícias ingleses que há anos não respondem a uma carta rogatória da PGR decidiram ser eles a tomar a iniciativa e sem adiantarem quaisquer provas mandam investigar por conta deles um batalhão de gente que sem mais são catalogados de suspeitos. Se não estivesse em causa José Sócrates isto seria motivo para muitos protestos pois os polícias de Sua Magestade acham que nós portugueses somos uns pobres diabos que investigamos os nossos cidadãos como se isto fosse uma república das bananas.

Do pouco que sei de direito e de investigação criminal não basta que um polícia suspeite de um cidadão para lhe ir ver as contas bancárias ou colocar-lhe os telefones sob escuta, para se ser suspeito é preciso um pouco mais, em Portugal, no Reino Unido e até em muitas repúblicas das bananas. Será que um juiz inglês autorizava a polícia britânica a investigar a rainha ou o Gordon Brown apenas com uma carta a dizer que essas personalidades são suspeitas de um qualquer crime.

É evidente que não, da mesma forma que é evidente que nenhum polícia inglês ousaria investigar o seu primeiro-ministro com base numa mera suspeita lançada por um gestor interessado em a tirar a água do capote. Só o fazem, depois de terem mandado para o lixo a carta rogatória remetida pelo Ministério Público porque nos consideram uns pelintras, gente que desconhece a defesa dos direitos dos seus cidadãos e que está disposta a entregar um primeiro-ministro a um qualquer cabo da polícia britânica. Hoje era o primeiro-ministro, amanhã o Presidente da República e um dia destes até quereriam levar a Padeira de Aljubarrota.

Se o tal senhor disse que andou a dar dinheiro por aí então que prove o que disse, demonstre que levantou o dinheiro, que o transferiu para qualquer lado, que viajou com ele para algum país. Depois de investigado o rasto desse dinheiro e apontando esse rasto para alguém, então sim, mandem as provas cujas confirmação só pode ser feita a Portugal e solicitem a investigação que por cá saberemos quem investigar.

Por incrível que parece os nossos jornalistas nem se deram ao cuidado de questionar a legitimidade e consistência do pedido inglês, foram muito mais corruptos do que o neurónio criativo e optaram por ganhar mais uns cobres publicando a carta rogatória, usando-a como prova e sem questionarem a sua consistência, as provas em que se fundamentava ou a sua própria legitimidade.

O tal dinheiro até pode ter vindo para cá (nos tempos que correm até deviam mandar mais algum) mas isso não implica que se aceite que seja um qualquer sargento de sua Majestade a sujar o nome de um português, seja ele qual for, sem apresentarem provas. Mais interessados na peixeirada os nossos jornalistas trataram o país como uma colónia britânica, ou pior, duvido que numa colónia de Sua Majestade a polícia britânica mande investigar cidadãos com base em palpites.

E se um qualquer português disser que deu umas coroas a Gordon Brown? Talvez não seja má ideia mandar cartas anónimas ao Ministério Público dizendo que alguém deu dinheiro a Gordon Brown ou mesmo à Rainha de Inglaterra, pode ser que o Ministério Público mande uma carta aos ingleses dando conta que o primeiro-ministro e Sua Majestade são suspeitos de corrupção e solicitando que os mesmos sejam investigados.
Não houve um único jornalista português que se tenha lembrado de questionar a carta rogatória? É pena, foi o Ministério Público a dizer o evidente:
«Ninguém está acima da lei, mas nenhum cidadão português pode ser considerado arguido, nem sequer suspeito, unicamente porque a polícia de outro país o coloca sob investigação com base em hipóteses levantadas e não confirmadas e que servem somente para justificar um pedido de colaboração.» [Comunicado PGR]
Perderam a oportunidade de mostrarem que são bons jornalistas, começando pelo jornalista da TVI que parecia estar à beira de um orgamo quando ontem abriu o telejornal com a grande notícia. Grandes lambe-botas!

The show must go on

Os jornalistas e os seus patrões estão cheios de sorte e ainda mais sorte terão aqueles que além de jornalistas ou patrões não gostam do governo porque não lhes construiu um aeroporto à porta, porque são o número um de um partido da oposição ou, muito simplesmente porque o aumento das vendas veio compensar as quebras de publicidade em consequência da crise.

Depois de a Operação Furacão e o caso BPN pouco ou nada terem transpirado para os jornais eis que o Caso Freeport é quase público, até ficamos com a impressão de que a informação chega primeiro aos jornais do que ao Procurador-Geral, só isso explica que há poucos dias Pinto Monteiro tenha afirmado que não tinha chegado nenhum pedido de investigação feito pelos ingleses.

Numa primeira fase Pinto Monteiro saiu incólume, mas a montanha começou por parir um rato, o primo de Sócrates revelou-se alguém que não está à altura de grandes manobras, de uma empresa chamada “neurónio criativo” também não se podia esperar grande coisa. A animação inicial que até levou Cluny a sugerir ao governo que não se metesse (esquecendo intencionalmente que o processo tinha sido avocado pelo Ministério Público) deu lugar a alguma frustração, o neurónio criativo nada ganhou e até a queixa da Querqus tinha sido arquivada.

Mas o espectáculo não podia parar, havia que ir buscar os trunfos que estavam na manga e nem se podia esperar por sábado, dia em que sai o SOL, onde há uma jornalista especializada em investigar segredos de justiça. Além disso é necessário dividir o bolo, se fosse apenas o SOL a ficar com primeiras páginas lucrativas isso era mau para a estratégia. Começou por se dar qualquer coisa ao Público e agora à Visão da Impresa, a empresa de Pinto Balsemão. Até porque nem um SOL quase falido nem a sua jornalista eram suficientemente credíveis, era necessário alargar a frente de batalha.

Temos portanto gente com acesso aos processos, que conhece o seu conteúdo e sabe como se vão desenrolar as investigações, que conta com acesso a muitos jornais e jornalistas e que está fazendo a gestão da fuga ao segredo de justiça para que muito antes de a justiça intervir se conseguir uma condenação pública com objectivos eleitorais. Como os processos em investigação não costumam ser guardados nas bancas do mercado da Ribeira, junto às couves e aos repolhos, temos razões para recear que há gente em quem o país confia e a quem demos o poder de investigar todo e qualquer português que em vez de obter provas que levem a uma condenação em tribunal, está a usar informação que ainda não constitui prova para as lançar como provas na praça pública.

Temos, portanto, um grupo de novos fascistas que à falta de tribunais plenários quer transformar a praça pública num imenso tribunal plenário, ainda antes de terem provas para levarem a julgamento pretende que esse julgamento seja feito na rua com base na informação que eles próprios seleccionam e mandam para os jornais. Antes de um julgamento nos tribunais que tantos nos dizem para confiarmos pretendem que haja eleições antecipadas, antes de ser julgado num tribunal Sócrates deve ser julgado eleitoralmente com base nas falsas provas que cobardemente mandam para a comunicação social.

Os mesmos que quando a opinião duvida nos dizem para confiarmos na justiça são os que não confiam na sua própria justiça, são os que duvidando do resultado final se querem vingar de Sócrates ou, muito simplesmente, favorecer os seus partidos cuja ausência do poder lhes prejudicou.

Mas já que foram lançadas suspeitas Sócrates tem uma de duas coisas a fazer, se for culpado deve demitir-se imediatamente, se for inocente deve manter-se e defender a sua inocência até que a justiça tire conclusões, as mesmas conclusões a que os novos fascistas parecem não querer ver. Se Sócrates for afastado o processo arrastar-se-á até ao seu arquivamento e ninguém se lembrará de que umas quantas pessoas com acesso ao processo o usaram para alterar o rumo político do país.

A estratégia da golpada é evidente e se inicialmente havia a suspeita de um crime a este junta-se a suspeita de um ouro bem mais grave, a de que a independência dos tribunais e a separação de poderes poderá ter servido para que uns amanuenses violassem essa mesma separação de poderes e alterassem o rumo da democracia. Esperemos portanto que todos os crimes sejam investigados.

E enquanto anda tudo numa imensa excitação ninguém se questiona como é possível que polícias inglesas lancem a suspeita sobre o primeiro-ministro de um país independente sem apresentarem quaisquer dados ou indícios, limitando-se a pedir que investiguem as contas do primeiro-ministro e lhes digam os resultados. Se não estivesse em causa José Sócrates era o "ai Jesus", não faltaria quem se lembrasse do mapa cor-de-rosa ou, pelo menos, que não é de qualquer maneira que um agente policial da Inglaterra põe em causa a honorabilidade de um cidadão português e muito menos de um primeiro-ministro.

Se o dinheiro saiu de uma empresa inglesa porque não investigam para onde foi e, conhecidos estes dados, colocassem as questões. Seria mais lógico do que muito simplesmente "mandarem" ver as contas do primeiro-ministro. Um trafulha local desviou muitos milhões de uma empresa que depois foi comprada pela Carlyle e a polícia anda a atirar barro à parede só porque esse trafulha justificou as vigarices dizendo que andou a distribuir dinheiro?

Imagine-se que alguém comprava uma empresa em Portugal e depois de constatado um buraco financeiro o ex-gestor dessa empresa se justificasse que tinha dado umas massas ao Príncipe Carlos de Inglaterra. Ciosos das nossas intimidades e pouco confiantes nos investigadores terceiro-mundistas da Inglaterra mandávamos uma carta rogatória ao procurador lá do sítio dizendo que o Príncipe Carlos, mais uns pajens e o instrutor de educação dos seus cães eram suspeitos de terem recebidos uns milhões de euros em couves-galegas e outros subornos em espécie e em dinheiro.

Imagine-se que o sindicalista dos magistrados lá do sítio, simpatizante da causa republicana, via nisto uma oportunidade de se vingar da coroa e emitia um comunicado ameaçando a rainha para que não metesse cunhas nem pedisse aos lords para se meterem no assunto.

Imagine-se que os investigadores locais, gente para quem a justiça é tão importante que para se assegurarem de que de uma forma ou outra seria feita mandaram tudo para os jornais, iam logo correr ao Príncipe Carlos pedir para que os conduzisse à horta do castelo para lhes contar as couves-galegas e extrair análises para que um laboratório local confirmasse se havia coincidência com o ADN das couves-galegas.

Imagine-se que os investigadores ingleses, para quem a justiça internacional está acima das intimidades da rainha, tudo fariam para que a polícia portuguesa ficasse a saber quantas couves-galegas o Príncipe Carlos tem em cada um dos seus castelos, a forma como as colhe e as cozinha e os súbditos por quem as distribui.

Imagine-se que logo que chegasse a resposta à carta rogatória, coisa a que os ingleses respondem normalmente de olhos fechados, a informação fosse de imediato mandada para os jornais, ficando os portugueses a saber de todos os segredos gastronómicos e ecológicos do filho da Rainha de Inglaterra.

Umas no cravo e outras na ferradura

FOTO JUMENTO

Elevador da Bica, Lisboa

IMAGENS DO DIA

[Anja Niedringhaus/Associated Press]

«Palestinian girl Nada Mohammed Daher, 2, was rushed by her father to a Gaza City hostpial Tuesday. Nada’s father took her back to the hospital because wounds from her broken arm suffered in Israel’s 22-day offensive failed to heal.» [The Wall Street Journal]

[Tsvangirayi Mukwazhi/Associated Press]

«A young girl jumped over a pool of water after she was turned away from school in Harare, Zimbabwe, Tuesday. The Zimbabwean government deferred the opening of schools by two weeks following a teachers’ strike. The Zimbabwean Teachers Association said their members would not report for work as the government refused to pay their salaries in foreign currency.» [The Wall Street Journal]

JUMENTO DO DIA

Maria de Lurdes Rodrigues, ministra da Educação

Atribuir à OCDE a autoria de um estudo encomendado é um erro ridículo, impróprio dos dias de hoje.

QUEM ENTREGOU O DVD DO FREEPOR AO JORNAL SOL

Se soubéssemos quem fez chegar o famoso DVD ao jornal e em que data tal sucedeu ficaríamos a saber mais sobre o caso Freeport do que alguma vez vai saber o Ministério Público. E se soubéssemos quem violou o segredo de justiça seria a cereja em cima do bolo.

A tentativa de golpe que este caso representa é um crime bem maior do que o oportunismo familiar o neurónio criativo.

Talvez percebêssemos porque razão este caso ia provocando um orgasmo precoce em muita gente que anda desesperada há quatro anos, gente que começou por apontar baterias para os eventuais favores a familiares de Sócrates, depois tornaram-se ambientalistas e agora estão preocupados com a celeridade na decisão de um processo. O seu desespero denuncia claramente a estratégia.

AI, SE O TIVESSEM OUVIDO...

«Comissão parlamentar de inquérito ao caso do BPN, ontem. Falou Dias Loureiro, ex-administrador na Sociedade Lusa de Negócios (SLN), de que era presidente Oliveira Costa, também presidente do BPN, que está detido. Disse Dias Loureiro: "Sentia-me um pouco perdido no modelo de gestão." Em 2001, pediu um encontro com António Marta, vice-governador do Banco de Portugal. Dias Loureiro conta: "Disse-lhe: eu estou na SLN, um grupo sujeito à supervisão do Banco de Portugal, e queria dizer-lhe que o modelo de gestão é este. Sinto-me um pouco intranquilo e penso que o Banco de Portugal deveria estar atento." Foram as palavras de Dias Loureiro. É verdade que elogios em boca própria provam pouco. Mas, hoje, António Marta é também ouvido. Se ele confirmar, Dias Loureiro deve ser condecorado. Um administrador, em 2001 (!), estava "intranquilo" com a forma como era gerida uma sociedade financeira! Tivesse o Banco de Portugal a presciência de acatar o aviso e alertar a banca mundial e não teríamos a crise que hoje vivemos. Mais coisa menos coisa, foi sempre o mesmo "modelo de gestão" - do BPN ao Lehman Brothers - que deu cabo disto.» [Diário de Notícias]

Parecer:

Por Ferreira Fernandes.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Afixe-se.»

QUEREM VENDER O BCP AO BBVA

«Um grupo de accionistas do Banco Comercial Português (BCP) está a tentar convencer o Banco Bilbao Vizcaya Argentaria (BBVA) a comprar o conjunto das suas participações no banco, que perfaz actualmente cerca de 25% do capital.Segundo o DN apurou, estes accionistas - onde se inclui a Teixeira Duarte, Joe Berardo, Manuel Fino, o Banco Privado Português (BPP), a Moniz da Maia, a Logoplaste, a Têxtil Manuel Gonçalves e João Pereira Coutinho - terão contraído empréstimos junto da banca portuguesa para comprar acções do BCP, nomeadamente durante a "guerra" para o controlo do banco em 2007.» [Diário de Notícias]

Parecer:

Saiu-lhes cara a brincadeira.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Manifeste-se a nossa solidariedade com os nossos capitalistas, principalmente com os gulosos que são da Opus Dei a quem nem o santo da Obra lhes valeu.»

A ANEDOTA DO DIA

«Dias Loureiro garantiu ontem, no Parlamento, que deixaria de imediato o seu lugar no Conselho de Estado "caso sentisse o menor incómodo por parte do Presidente da República", ou se "sentisse ter feito alguma coisa que colocasse em causa o seu papel". Respondendo a uma pergunta colocada na comissão parlamentar de inquérito ao BPN por João Semedo, do BE, Dias Loureiro deixou claro que no caso do Conselho de Estado "não interessa a questão formal" (de não poder ser demitido) mas a questão política real de sentir "que nada fez que possa causar incómodo a Cavaco Silva".» [Jornal de Notícias]

Parecer:

Se acha que não incomodou.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se a Dias Loureiro o que entende por incómodo.»

CONFUSÃO NO MINISTÉRIO PÚBLICO

«As buscas judiciárias ontem realizadas ao Banco Privado Português (BPP), com a participação da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), revelaram que o banco está a ser investigado, em simultâneo e de forma descoordenada, por dois organismos do Ministério Público (MP): o Departamento Central de Investigação e Acção Penal (DCIAP) e o Departamento de Investigação e Acção Penal (DIAP) de Lisboa.» [Diário de Notícias]

Parecer:

Parece que andam a atropelar-se uns aos outros.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Questione-se o Procurador-Geral.»

ONDE É QUE JÁ OUVI ISTO

«A directora do Departamento Central de Investigação e Acção Penal, Cândida de Almeida, garantiu esta quarta-feira que no "caso Freeport" não existem suspeitos nem arguidos e que o processo é "urgente" por haver nomes de políticos associados.» [Jornal de Notícias]

Parecer:

De repente lembrei-me das declarações de Souto Moura acerca de Carlos Cruz.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «É melhor esperar para ver, desde Ministério Público costumam sair umas lebres.»

ANTÓNIO MARTA DESMENTE DIAS LOUREIRO

«O antigo vice-governador do Banco de Portugal, ouvido hoje na comissão de inquérito ao caso do Banco Português de Negócios, voltou a contradizer Dias Loureiro, garantindo que, em 2001, o então administrador da holding proprietária do banco não o alertou para alegadas irregularidades, antes quis saber o porquê de o supervisor “fazer sistematicamente perguntas e inspecções” à instituição.» [Diário de Notícias]

Parecer:

Eu acredito em António Marta.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Questione-se a comunicação social sobre o motivo de quase terem omitido esta notícia.»

AS COISAS COM QUE O PCP SE PREOCUPAVA EM SINES

«Também o convite ao Presidente da República, Cavaco Silva, para estar presente em cerimónias oficiais no Castelo de Sines terá merecido reparos do seu partido, bem como as razões que terão levado o autarca a demitir "quadros superiores da câmara".

Confrontado pelas observações críticas do partido que deixou de integrar, o autarca admitiu a necessidade que sentiu, ao fim de 35 anos, de fazer "uma análise dos fundamentos ideológicos, da estrutura, dos programas e das práticas políticas do PCP".

A conclusão que retira, decorridos tantos anos de militância, é que o PCP "está impregnado de um conjunto de características típicas de organizações dogmáticas, com disciplina de caserna, que o tornam uma organização estalinizada, com práticas reaccionárias, envolvidas de um discurso pretensamente progressista, mas, de facto, retrógrado".» [Público assinantes]

Parecer:

Quando o PCP tenta impedir que um autarca eleito povo convide um Presidente da República a estar presente numa cerimónia é porque a formação democrática dos dirigentes desse partido está muito por baixo.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Questione-se Jerónimo de Sousa.»

PARIS HILTON ESCOLHE MELHOR AMIGO ATRAVÉS DE REALITY SHOW

«En el reality 18 jóvenes podrán entrar a formar parte de su círculo de amigos, tal como lo han hecho en otros países. Pero antes tendrán que demostrarle a la mismísima Paris que están a la altura. Sólo uno de ellos, el que utilice la estrategia perfecta, será quien vencerá.» [20 Minutos]

GORDON BROWBRICK

SOBREVIVENTE [Link]

WWF

quarta-feira, janeiro 28, 2009

Perplexidades freeportianas

Dizem os jornais mais insuspeitos neste processo, aqueles que parece terem um acampamento nos seus dossiers, que o homem da Freeport queria falar com Sócrates, então ministro do Ambiente, porque se queixava de lhe quererem extorquir dinheiro. Então porque andam todos a imaginar Sócrates a receber luvas e ninguém pergunta ao homem quem lhe andava a pedir dinheiro.

Diz António Cluny, o sindicalista que nestes processos que costumam decapitar as lideranças do PS aparece sempre em defesa dos interesses laborais dos magistrados do Ministério Público, que o Governo se deve abster de influenciar as investigações através da tutela do ministério da Justiça sobre a PJ. Mas uvi alguém dizer que o Ministério Público avocou as investigações por considerar estarem paradas. Ora se são os seus camaradas do Ministério Público a investigar como é que o Governo pode influenciar essas negociações?

Ao que parece o primo de Sócrates, que tinha uma empresa chamada “Neurónio Criativo” (com um nome destes só podia dar bosta), aproveitou-se do parentesco com o ministro e tentou ganhar umas encomendas. Afinal o neurónio idiota da família acabou por levar sopa e a empresa só durou dois meses. Se assim foi onde é que está o tráfico de influências? O único tráfico que aqui vejo é o da estupidez.

Dizem que processo foi muito rápido o que num país onde a regra é tropeçarmos com maus cagadores a quem até as calças empatam é motivo de suspeita. Ninguém questiona a legalidade, as dúvidas no domínio ambiental foram desfeitas pelo arquivamento da queixa da Querqus pela Comissão Europeia, o que se questiona é a pressa sendo esta medida não a partir do primeiro pedido, mas depois de ser apresentada uma terceira versão depois de dois chumbos. Bem, parece que a celeridade é crime ou, pelo menos um bom motivo para lançar suspeitas e considera-se uma decisão rápida quando esta é adoptada à terceira tentativa.

Toda esta confusão começou com, um famoso DVD que mão amiga terá feito chegar a uma jornalista do SOL, aliás, uma jornalista muito conhecida dos investigadores portugueses, ao que parece eles investigam e depois ela investiga o que eles investigaram. Se toda esta trapalhada ganha forma com o DVD então porque razão o mesmo não foi apreendido. Ou será que a mão amiga da jornalista já o fez chegar aos investigadores.

Ao que parece o processo estava parado, ainda que o Procurador-Geral esperava meses por resposta das autoridades britânicas o que nos leva a pensar que não estaria assim tão parado. Mas partindo do princípio de que a justificação do reinício das investigação faz sentido então seria bons sabermos quanto tempo consideram os nossos investigadores razoável para um processo de tão grande importância estar parado? Este parece ter estado parado três anos os que nos faz pensar que se a legislatura demorasse dez anos estaria parado mais seis.

Dizem que o Ministério Público tem poucos meios, isso leva-me a pensar que teve que aliviar a Operação Furacão (quem terá sido o infeliz que designou por Furacão uma operação que mais parece uma Brisa?) para investigar o BPN. Agora não me admiraria nada que tenha de aliviar as investigações do BPN para concentrar os esforços no Freeport. Isto é deixa-se de investigar um processo que deu mais de 600 milhões de euros aos contribuintes para tentar encontrar uns milhões que um administrador da Freeport de Londres desviou (sabe-se lá com quantas meninas andou o homem) da empresa comprada pela Carlyle. E o que é que se descobriu? Que o neurónio criativo queria ganhar algum à custa do primo.

Não sei se hei-de rir se chorar, anda por aí alguém a gozar com o país. E estou a ser optimista, senão até poderia pensar que alguém quer matar dois coelhos com a mesma cajadada, livrar os amigos do BPN e dar o governo a uma Ferreira Leite que não conseguiu convencer. Aliás, três coelho, com a mudança de governo o PSD manifestaria a sua eterna gratidão, não só devolveria as mordomias corporativas da classe média (muito) alta dos corredores de mármore e ainda lhes dava uma praia na Messejana, como chegou a prometer o capitão de Beja aos seus soldados.

Bem, que gastem o dinheiro dos contribuintes a brincar à justiça e aos justiceiros vá lá que vá lá, mas por favor, não me gozem..

Umas no cravo e outras na ferradura

FOTO JUMENTO

No Eléctrico n.º 28, Lisboa

IMAGEM DO DIA

[Rajesh Kumar Singh/Associated Press]

«Hindu devotees offered prayers to the Sun god on Mauni Amavasya, or new moon day, the third and the most auspicious date of bathing during the annual monthlong Hindu religious fair of Magh Mela in Allahabad, India, Monday.» [The Wall Street Journal]

JUMENTO DO DIA

Pinto Monteiro, Procurador-Geral da República

Pinto Monteiro foi à abertura do ano judicial dizer que ninguém está acima da lei, repetindo um princípio estafado que não é da sua autoria, está na Constituição da República. Não explicou a quem se referia o que é pena, depois de tantos casos de fugas ao segredo de justiça nunca um funcionário ou magistrado do Ministério Público foi responsabilizado por tão grave violação da lei praticada sistematicamente em Portugal.

Bem, será que Pinto Monteiro se estava a referir a Dias Loureiro que beneficiou de uma declaração despropositada do Presidente da República afirmando a sua confiança no homem do BPN?

NEURÓNIOS CRIATIVOS

Nunca um nome foi tão bem dado como o que o primo de Sócrates adoptou para a sua empresa de publicidade, a "Neurónio Criativo". Só mesmo um neurónio criativo teria escrito um mail como o do primo de José Sócrates.

A TVI E O FREEPORT

Enquanto a TVI dá notícias sobre o Freeport e o estuário do Tejo vai mostrando imagens de flamingos obtidas a partir de cima de um helicóptero, imagens do mesmo tipo das que são utilizadas numa telenovela. Acontece que é proibido sobrevoar a zona protegida do estuário do Tejo por aeronaves.

Já alguém se lembrou de multar a TVI?

CALENDÁRIO AZARENTO

Agora que o caso BPN e o envolvimento de conhecidos cavaquistas num buraco de mais de seis centenas de milhões de euros Dias Loureiro foi prestar esclarecimentos na comissão de inquérito ao BP. Um percalço de calendário.

O engraçado de tudo isto é que muita gente do PSD que não se cansa de pedir esclarecimentos a Sócrates é muito tolerante com um Dias Loureiro que era administrador executivo do BPN e não sabia de nada.

SAI UMA GINJINHA

«Portugal ofereceu-se logo para ficar com os libertados de Guantánamo. Não todos, claro. Mas alguns. Mais do que um, ao menos. O ideal seria um casalinho. Vizinho. Marroquino de preferência. Porque sabem (e gostam) do que a casa gasta.

Agora vem aí Obama cravar sessenta exilinhos à União Europeia. Com cada país a tentar empurrar os Guantanamistas para os outros, arrefeceu bastante a febre hospitaleira. Tanto mais que, no PÚBLICO de ontem, Luís Amado insurgiu-se contra o cherry-picking. Que é isso? É escolher a dedo, da farta cerejeira de pseudoterroristas ilibados, as cerejinhas mais apetecíveis.

São cerejas pisadas, note-se. Longamente maltratadas e espremidas até ao caroço. Daí que alguns dos libertados acharam logo emprego na Al-Qaeda. Nunca lhes teria ocorrido o terrorismo - mas abraçaram-no mal saíram. É natural. Quanto mais inocente, mais ressabiado se fica. E zangado. E com vontade de justiça; de vingança. Quando se é diariamente humilhado por fanfarrões americanos, ouve-se com mais atenção o que pragueja o fundamentalista na cela do lado. São cerejas que entraram inocentes e saíram ilibadas - mas agora até lhes apetece terem sido culpadas. Seja como for, há que evitar a importação desses ressabiados.

Desculpe lá, Luís Amado, mas é mesmo cherry-picking que temos de fazer. E Portugal deve reivindicar a primeira escolha destas ginjas amargas. As que sejam mais sensíveis à bisca lambida e que mais se prestem à ginjinha, por exemplo. » [Público assinantes]

Parecer:

Por Miguel Esteves Cardoso.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Afixe-se.»

BPP ALVO DE BUSCAS POR SUSPEITAS DE BRANQUEAMENTO DE CAPITAIS

«O Banco Privado Português (BPP) está a ser alvo de buscas por suspeita de branqueamento de capitais. A operação foi iniciada na manhã desta terça-feira na sede da instituição em Lisboa, e está a ser executada por uma equipa de procuradores do Ministério Público (MP), Policia Judiciária (PJ) e da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM).» [Correio da Manhã]

Parecer:

Será que os bloggers do PSD se vão excitar ou optarão pelo silêncio já que um dos maiores accionistas do banco é Pinto Balsemão?

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se às redacções do Expresso e da SIC se já estão a preparar as perguntas que Mário Crespo vai fazer a Pinto Balsemão.»

TERRORISMO DE ESTADO, DIZ O BASTONÁRIO DA ORDEM DOS ADVOGADOS

«Marinho e Pinto, bastonário da Ordem dos Advogados, classifica como “terrorismo de Estado” as buscas realizadas a escritórios de advogados com mandados em branco.

Em declarações à rádio TSF, o bastonário considera inaceitáveis buscas como a que aconteceu recentemente no escritório de Vasco Vieira de Almeida no âmbito do caso Freeport.» [Correio da Manhã]

Parecer:

Li um blogger que anda por aí todo excitado porque já haviam advogados a pôr as barbas de molho, há quem tenha esperança que uma vaga justiceira salve projectos políticos desprezados pelos eleitores.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Solicite-se um comentário ao Procurador-Geral.»

AFINAL OS "FAVORES" NÃO RENDERAM NEGÓCIO

«A empresa Neurónio Criativo, que pertenceu a Hugo Monteiro, primo de José Sócrates, só foi criada em 2005 e apenas durou dois meses. Foi para aquela sociedade que o primo do primeiro-ministro cobrou um favor junto do Freeport, pelo facto de o pai ter intermediado um encontro entre Charles Smith e José Sócrates, ministro do Ambiente à altura da aprovação do outlet de Alcochete. Porém, os indícios recolhidos na investigação apontam para que o tal correio electrónico tenha sido enviado em 2002.» [Diário de Notícias]

Parecer:

Aos poucos as suspeitas lançadas sobre o caso Freeport vão caindo no ridículo.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se conhecimento ao Procurador-Geral e ao António Cluny.»

EL PAIS COMPARA ALBERTO A KADHAFI

«"Paraíso sob controlo" foi o título escolhido pelo El País, no passado domingo, para falar do "líder eterno" da Região Autónoma da Madeira há mais de 30 anos. Na reportagem assinada por Francesc Relea, Alberto João Jardim surge como um "político incomum, que detém o recorde mundial de permanência no poder por meios democrático". Só "Muammar Kadhafi que acumula ao longo do tempo como líder supremo da Líbia (39 anos)", supera Jardim. Só que o coronel nunca se submeteu ao veredicto das urnas. » [Diário de Notícias]

Parecer:

Boa comparação.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se conhecimento ao visado.»

A MAIS RIDÍCULA DAS DESCULPAS

«Durante a audição parlamentar de hoje, Dias Loureiro relatou os tempos e a conjuntura que antecederam a reunião, respondendo a uma pergunta do deputado comunista Honório Novo, sobre as versões distintas do encontro com António Marta.

"Sentia-me um pouco perdido no modelo de gestão. Não tinha tarefas concretamente definidas. Não tinha cargo e a 19 Abril reuni-me com o doutor António Marta", na altura vice-governador do Banco de Portugal, disse Dias Loureiro.» [Jornal de Notícias]

Parecer:

Esta de Dias Loureiro ser homem para andar perdido só pode ser para rir.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se a competente gargalhada.»

PRESIDENTE DO SUPREMO PEDE FIM DO SIGILO BANCÁRIO E FISCAL

«O presidente do Supremo Tribunal de Justiça defendeu o fim do sigilo bancário e fiscal, alegando que estes protegem "privilégios de grupo" e impedem uma investigação criminal "fiável".

"Os sigilos bancário e fiscal defendem normalmente privilégios de grupo; não haverá, por isso, investigação criminal fiável e consequente dos crimes de colarinho branco sem o acesso da administração legitimada à vida bancária dos cidadãos", disse Noronha do Nascimento, na cerimónia de abertura do Ano Judicial, no STJ, em Lisboa.» [Jornal de Notícias]

Parecer:

O que ele devia pedir era o fim das fugas oportunas e oportunistas ao segredo de justiça.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Faça-se a sugestão.»

MÁRIO NOGUEIRA DIZ QUE OS PROFESSORES NÃO RECEIAM AVALIAÇÃO

«Mário Nogueira, secretário-geral da Fenprof, garante que os professores não receiam a avaliação do desempenho, mas assume a luta contra o modelo aplicado pelo Ministério da Educação.» [Portugal Diário]

Parecer:

Pois, se for a auto-avaliação que ele propôs.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se a competente gargalhada.»

AS CÂMARAS SÃO DA CDU

«Em declarações à agência Lusa, o responsável pela direcção regional do Litoral Alentejano do PCP, Manuel Valente afirmou que "quem ganhou as eleições em Sines foi a CDU e não o senhor Manuel Coelho", pelo que "do ponto de vista ético e político, pôr o cargo à disposição seria o mais correcto".

"Se está em ruptura com o projecto, o que seria de esperar é que, por razões de ética, pusesse o seu cargo á disposição da força política que o elegeu", sublinhou Manuel Valente, que é também membro do Comité Central do PCP.

"Isto é que seria sério e é isto que vamos tornar público para a população do concelho", assegurou.

Manuel Coelho foi eleito nas listas da coligação CDU, nas últimas eleições autárquicas, proposto pelo PCP.» [Miróbriga]

Parecer:

Parece que o PCP perdeu a presidência da CM de Sines.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se a Jerónimo de Sousa porque não escolhe candidatos anónimos para as presidências em vez de procurar gente com cartaz.»

HASAN HIZLI

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