quarta-feira, setembro 28, 2011

Governo: cem dias sem ideias

Este governo não tem ideias nem os cidadãos fazem ideia do que ele quer, do programa já ninguém se recorda, as promessas eleitorais foram um exercício de simulação, os ministros são intelectualmente desinteressantes. Diziam que iriam baixar a TSU e agora ninguém sabe o que se pensa dessa medida, diziam que iam acabar com o TGV e agora já há TGV com duas linhas.

A verdade é que este Governo ainda não conseguiu ir mais além do que Sócrates propôs, implementa as suas reformas, cumpre escrupulosamente o seu acordo com a troika e passa o tempo a dizer que está fazendo o que o governo anterior tinha decidido. Ao justificar tudo o que faz com o acordo com a troika o actual governo assume-se como executor de políticas que não decidiu. E como não tem grandes ideias além das patetices do Álvaro

Passos Coelho

Qualquer político tem melhor desempenho do que um líder da oposição e actual não foge à regra, controla a comunicação social, a pública através dos gestores e a privada através de promessas de negócios, tem na mão os segredos de Estado, beneficia de condições vantajosas nos debates parlamentares, conta com os assessores e a máquina do Estado, pode ter uma postura mais austera e defensiva.

Apesar de uma postura plasticamente seria Passos Coelho ainda não descolou da imagem do líder dos jotas, não tem grandes rasgos intelectuais, o seu discurso está cheio de banalidades, fala com os parceiros europeus com ar o ar de um puto deslumbrado que foi de inter-rail a Amesterdão.

Álvaro

O Álvaro chegou a Portugal com o ar de quem ia ensinar aos papalvos portugueses as coisas que lá fora já toda a gente sabe mas por cá ainda não porque somos todos parvos. Deslumbrou os jornalistas e a intelectualidade subsídio dependente ao dizer que nos deveríamos tratar pelo nome próprio ou ao sugerir que os nossos produtos levem uma bandeirinha para que os estrangeiros deixem de pensar que ainda estamos na Idade da Pedra.

Quanto a soluções para a economia lembrou-se de sugerir que o Algarve fosse transformado na Flórida da Europa e desde então calou-se.

Paulo Portas

Tem tratado muito bem da sua imagem, desaparece quando são anunciadas novas vagas de austeridade, aparece quando lhe convém.

Assunção Cristas

Uma ministra sem ideias, sem capacidade de gestão política e sem a mais pequena noção dos diversos dossiers do seu ministério, limita-se a ser ministra com base em memorandos e tecnicamente está a um nível de um estagiário da sua multifacetada pasta. Decretou um regulamento de indumentária, prometeu extinguir a Parque Expo e no dia seguinte adiou a extinção e nomeou um boy para a sua administração.

Pedro Mota Soares

O ministro da Vespa está a seguir à risca a estratégia de Paulo Portas, quando o Gaspar aumenta a austeridade o Mota Soares aparece com planos caritativas demonstrando grande preocupação com os pobres. Ao contrário de Paulo Porta não precisa de aparecer nos momentos difíceis, cabe-lhe o lado positivo das políticas governamentais, é uma espécie de “Sopa dos Pobres” deste governo.

Nuno Crato

José Sócrates deve estar agora a pensar que o Nuno Crato teria sido a sua melhor escolha para ministro da Educação, em três meses o ministro da Educação conseguiu aquilo que Sócrates não conseguiu em mais de cinco anos, implementou o seu modelo de avaliação sem contestação nas escolas, encerrou as escolas que Sócrates mandou encerrar, aumentou o número de alunos por turma e não só conseguiu transformar o Mário Nogueira numa pessoa amável e dócil como o transformou em cinza sindical.

Miguel Macedo

Até agora este ministro nada fez, parece um daqueles polícias que estão a fazer serviços remunerados, estão fardados, usam arma, mas não desempenham funções policiais. É mais ou menos o mesmo que faz Miguel Macedo, nada.

José Pedro Aguiar-Branco

De um ministro da Defesa espera que não faça muito e que não diga asneiras, quanto ao nada fazer parece que Aguiar-Branco está a ter um excelente desempenho, já quanto a baboseiras não resistiu à tentação de falar mal do governo que o antecedeu no meio de uma parada militar. Ou o homem não andou na tropa ou não sabe ser ministro da Defesa.

Ministra da Justiça

Muita parra e pouca uva.

Paulo Macedo

Prometeu muito, voltou ao uso intensivo da propaganda com que fez sucesso na DGCI mas escorregou numa casca de banana ao dizer que ia acabar com as comparticipações nas pílulas, Disse-o no parlamento e quando os jornais divulgaram tentou dar o dito por não dito. Desde então parece que se recolheu no Convento dos Capuchos o que é pouco provável, os Capuchos não pertencem à obra.

Vítor Gaspar

Tem todas as condições para ser melhor ministro do que o seu antecessor e formou uma equipa menos arrogante do que a que dominou o ministério no último governo de José Sócrates. O ser ar de sem abrigo suscita sentimentos maternais e a firmeza com que decide poderão torna-lo um caso sério. O problema é que o Moedas faz intervenções sistemáticas que transformam a austeridade do ministro das Finanças em trocos e os fretes que tem feito ao aparelho do PSD, designadamente, a invenção do desvio colossal para dar cobertura à desbunda financeira na Madeira estão a roer a sua credibilidade.

Umas no cravo e outras na ferradura




Foto Jumento


O "28", Lisboa
Imagens dos visitantes d'O Jumento


Espigueiro, Gondarém [A. Cabral]
  
A mentira do dia d'O Jumento
 

Jumento do dia


Carlos Moedas, secretário de Estado

Este engenheiro promovido a economista-chefe do governo descobriu que os portugueses são tão ceguinhos que não vêem o que se passa lá fora e por isso não entendem porque razão ser mais troikista do que a troika tem por consequência expectativas igualmente mais pessimistas.
 
O problema de Carlos Moedas é que os portugueses não precisam de olhar lá para fora para saberem o que ele mesmo dizia quando o governo era outro. Se fosse noutros tempos teriam de ir ler às pilhas de jornais velhos,  vai-se ao Google e sabe-se que Moedas no passado mês de Maio [DE] disse coisas como esta:
 
«"A nossa crise não é culpa da crise internacional. O Governo falhou todas as previsões económicas. Isto é resultado de políticas erradas nos últimos seis anos", disse Carlos Moedas em reacção aos dados divulgados hoje pelo INE, que mostraram que a economia portuguesa contraiu 0,7% no primeiro trimestre face aos três meses anteriores.»
 
E sobe o crescimento disse mais esta:
 
«Questionado sobre se as medidas acordadas com a 'troika' serão suficientes ou não para tirar o País da crise, Moedas considerou que "estas medidas finalmente acordadas com a troika são medidas de crescimento e não podemos especular se serão suficientes ou não". Para o responsável do PSD "o problema é Portugal poder ter um governo que não as aplique".»

Pois é, como diz o povo pela boca morre o peixe. Às vezes correm-se menos riscos sendo-se honesto, não é senhor engenheiro?
 
«O secretário de Estado adjunto do primeiro-ministro, Carlos Moedas, confirmou hoje que a recessão económica em Portugal em 2012 será mais profunda que o previsto, podendo chegar aos 2,5 por cento, devido à conjuntura internacional.

"As pessoas em Portugal não vêem o que se passa no dia a dia lá fora, com números negativos a sair todos os dias nos Estados Unidos da América, e ao termos esta incerteza, obviamente que os cenários [macroeconómicos] têm de ser modificados, mas não por não estarmos a fazer o que temos de fazer, mas sim pela situação internacional", argumentou o governante, quando questionado no Fórum da TSF, esta manhã, sobre a manchete de segunda-feira do Diário Económico, que dava conta de uma degradação das previsões de recessão para 2012, acima dos 2 por cento e que pode chegar aos 2,5 por cento.» [DN]

 São cada vez mais os que o dizem

 
(Via CC)
 
 Um relatório muito importante!

O Relatório do grupo de trabalho sobre a internacionalização das empresas termina desta forma brilhante:
 
«Acordou-se numa apresentação do relatório na Residência Oficial, em princípio a 26 de Setembro às 11 horas, independentemente de o Governo já ter tomado uma decisão relativamente às recomendações. Entendeu o mandante que o valor intrínseco do material recolhido e das conclusões dele retiradas devia ser conhecido.»
 
Se fosse no tempo do Salazar o relatório aina seria útil no WC!
  
 

 Cristiano Ronaldo com a "pérola do Atlântico" pendurada na orelha
  
«Alberto João Jardim pediu, em jantar comício no passado dia 23, a independência da Região Autónoma da Madeira em relação ao Continente. No dia 24 de manhã afinal já não queria, mudou de ideias. Ah não sei quê "meus senhores" foi um "desabafo". Parecido com aquele do "Fuck Them", lembram-se? As lulas tinham muita pimenta branca e puseram-me um microfone à frente. E vocês já sabem como é o "tio Jardim" com um microfone à frente... se for preciso vendo a Madeira ao Ronaldo para ele fazer uns brincos. Assim pode dizer que "é bonito, rico" e que tem a "pérola do Atlântico" pendurada na orelha. Nem toda a gente pode andar com a região onde nasceu, mesmo que autónoma, pendurada na orelha. Mas o Ronaldo pode, porque o "Ronaldo é que sabe", e se ele quiser pendurar os Açores no pirilau o BES trata disso.

Ora vamos por partes. Últimas notícias aqui no Expresso sobre Alberto João Jardim: "Jardim: dívida de €5.000 milhões é "coisinha de nada". Jardim pede independência da Madeira". Jardim gastou milhões em obras que não são usadas".

Gosto de comédia. E quando o artista é bom não me importo de pagar para ver. Mas neste caso nem uma coisa nem outra. Nem o artista é bom nem vale o preço que pagamos por ele. €5.000 podem ser uma "coisinha de nada" para o senhor Jardim, sobretudo sabendo ele (melhor do que ninguém) as engenharias e engenhocas financeiras que por ali têm sido feitas nestes últimos trinta e tal anos de "democracia". Mas até para o conterrâneo Cristiano - "rico, bonito, bom jogador" e mais não sei o quê...este valor parece um bocadinho obsceno.

Posto isto, e resumindo, quer-me parecer que o problema não passa pela independência da Madeira em relação a Portugal mas precisamente o contrário: o da independência de Portugal (Madeira incluída) em relação ao senhor Alberto João Jardim.» [Expresso]

Autor:

Tiago Mesquita.
  
 Um "Land" português

«É difícil evitar a tentação de ver nas declarações de Merkel a pretexto da crise das dívidas soberanas sinais que evocam os fantasmas inquietantes do expansionismo alemão. Apoiada numa imprensa que todos os dias instila na opinião pública ideias perigosamente próximas do racismo acerca dos povos "preguiçosos" e "incapazes" do Sul (ainda não se chegou a "povos inferiores" mas já faltou mais), a actual política europeia alemã rompeu com os princípios de solidariedade e subsidiariedade consagrados no Tratado de Maastricht para fazer da UE e do euro meros instrumentos da edificação de um 'Lebensraum' dos seus próprios interesses.

Depois da sugestão de um comissário alemão para pôr a meia haste as bandeiras dos "países pecadores" (países com défices elevados; e, no entanto, segundo o 'Handelsblatt', a dívida oculta da Alemanha é actualmente de 5, e não 2, biliões de euros, ou seja, 185% do PIB em vez do 83% oficiais; como termo de comparação, a grega será, em 2012, de 186% do PIB...), Merkel pretende agora que as dívidas desses países sejam pagas com perdas de soberania, algo assim como conseguir com taxas de juro o que não se conseguiu com 'panzers'.

Isto quando governos como o português já são hoje meros mandatários dos 'Diktat' de Merkel. Ao menos vendendo o que resta da nossa soberania à Alemanha e tornando-nos mais um 'Land' votaríamos em quem realmente manda em nós e não nos seus feitores locais.» [JN]

Autor:

Manuel António Pina.
  

 Liga dos Campeões para as privadas

«"Tomámos essa decisão ontem [segunda-feira] à noite. Foi uma decisão de gestão, secundada e apoiada pelo acionista [Estado], que considera que esta é a decisão certa", revelou o vice-presidente da RTP.» [DN]

Parecer:

Parece que o accionista está mais interessado no sucesso dos concorrentes.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Faça-se um sorriso.»
  
 A paciência que Hillary tem de ter

«O ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Portas, encontra-se hoje em Washington com a secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, com a situação no Médio Oriente e na União Europeia no topo da agenda.» [DN]

Parecer:

Como se está a ver a senhora está muito interessada na opinião do nosso galo-da-Índia.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Faça-se um sorriso.»
  
 Ele anda por lá

«O ex-primeiro-ministro vai estar hoje presente numa cerimónia de homenagem ao antigo Presidente do Brasil Inácio Lula da Silva, disse hoje à Lusa em Paris fonte próxima de José Sócrates.» [DN]

Parecer:

Nunca um primeiro-ministro desapareceu tão depressa para ao mesmo tempo estar tão presente.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Faça-se um sorriso.»
  
 Grande labrego

«O líder do PSD-Madeira, Alberto João Jardim, afirmou hoje que "é preciso dar pancada em quem ofende o povo madeirense" e comprometeu-se a "continuar a lutar contra o Estado central até a região conseguir os seus direitos".

Ao intervir durante um comício da campanha eleitoral na freguesia do Monte, concelho do Funchal, disse: "É preciso dar pancada em quem ofende o povo madeirense".» [Expresso]

Parecer:

Palerma.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Ele que vá dar pancada na mãe que o fez!»
  
 Um corretor muito sincero

 
«A emissora pública britânica BBC entrevistou ontem um corretor independente que se manifestou totalmente incrédulo sobre a eficácia do novo acordo que estará a ser preparado na zona euro para aumentar a capacidade de resposta à crise das dívidas nalguns países europeus e que profetizou o desaparecimento das poupanças de milhões de pessoas.

Alessio Rastani, operador do mercado de capitais afirmou peremptoriamente que “os governos não mandam no mundo. Quem manda no mundo é a Goldman Sachs” – o principal banco de investimento dos Estados Unidos, onde são recrutados muitos presidentes de empresas e membros do Governo norte-americano, deixando os apresentadores do programa em que participava estupefactos com a sua candura.

Disse que o problema da zona euro não pode ser resolvido com o dinheiro que os políticos europeus querem aplicar (ontem foi noticiado que está a ser preparado o aumento do FEEF para dois biliões de euros), e considerou mesmo que o problema das dívidas soberanas não pode ser resolvido.

“Estou bastante confiante em que o euro se vai espatifar e que vai cair com bastante dureza, porque de momento os mercados são regidos pelo medo”, disse também Rastani, que confessou sonhar há três anos com este momento, que vai para a cama e sonha com outra recessão, “com outro momento como este” – numa espécie de declaração de interesses quanto à estratégia que recomenda.

Porquê? Porque a Depressão dos anos 1930 não foi só sobre o crash do mercado. Houve algumas pessoas que estavam preparadas para fazer dinheiro a partir desse crash. Pensa que qualquer pessoa pode fazer isso, e que não têm de ser apenas “algumas pessoas da elite” a aproveitar. “Quando o mercado afundar. Quando o euro e os grandes mercados de capitais afundarem, se souber o que fazer, se tiver preparado o plano certo, pode fazer muito dinheiro com isso”, explicou, deixando a audiência de queixo caído.

Rastani explicou que “o grande capital” (big money), como fundos e instituições, não compra este plano e sabe que o mercado de capitais está “acabado” e que já não confia no euro, estando a mudar o seu dinheiro para activos mais seguros, como obrigações do Tesouro dos EUA, obrigações a 30 anos e dólares americanos.

O que é que os políticos poderiam fazer para que os investidores se sentissem mais confortáveis? “Essa é difícil”, respondeu, acrescentando que pessoalmente isso não lhe interessa. Porque é corretor e só lhe interessam as oportunidades para fazer dinheiro, tal como aos seus colegas.

Como a Goldman Sachs e os grandes fundos, não querem saber deste novo plano para o euro, o que as pessoas têm de fazer é aprender a fazer dinheiro com o mercado em baixa, protegendo os seus activos. “Porque a minha previsão é que em menos de 12 meses as poupanças de milhões de pessoas vão desaparecer. E isto é apenas o princípio”, profetizou.» [Público]

Parecer:

Onde é que já ouvi falar da Goldman Sachs?

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Não era aquela que tinha cá uns negócios com o Estado a que Manuel Pinho pôs fim e depois se ouviram alguns protestos de gente do PSD? Não era também aquela de que António Borges se dizia ser vice-presidente?»
 

   






 Male Cancer Awarenss Campaign

terça-feira, setembro 27, 2011

Um erro que Passos Coelho poderá pagar caro

Depois de condenar os portugueses a um processo de austeridade reforçado pelo fundamentalismo do seu ministro das Finanças Passos Coelho só tem a saída da coerência, provar aos portugueses que ele e os seus dão o exemplo e que exige de um governo regional do seu partido o mesmo que exigiu do governo da República quando era oposição. No caso da Madeira o dilema de Passos Coelho é óbvio, ou perde o Alberto João ou perde os portugueses, há ainda uma terceira alternativa arriscada, proteger o Alberto João e enganar os portugueses.

Para já é evidente que Passos Coelho tomou posições que nem sequer incomodaram Alberto João Jardim até ficamos com a impressão de que tudo estava combinado entre os dois, uma coisa do género eu digo isto e tu dizes aquilo. O facto de não participar na campanha eleitoral não belisca o Alberto João que nunca precisou de apoios dom continente para ganhar eleições. O que os apoiantes de Alberto João esperam do Continente é o dinheiro e já ouviram o Álvaro dizer no Brasil que se encontraria uma solução e o termo usado pelo governo é o da solidariedade nacional, música para os ouvidos do Alberto João. Até Miguel Relvas já deu a entender que relatórios de auditorias e soluções é coisa que levam tempo, isto é, ficam para depois das eleições.

Mas a mentira tem perna curta e no próximo Natal muitos portugueses vão querer saber se as pendas dos seus filhos foram para o país por causa de um desvio colossal que ninguém demonstrou, ou se vão para o Alberto poder manter uma ilha alimentada a pão-de-ló. Até hoje nem Passos Coelho, nem Vítor Gaspar explicaram o famoso desvio colossal, apenas se ficou a saber que 500 milhões já eram da Madeira. Agora sabe-se que o desvio na Madeira corresponde (coincidência das coincidências) ao valor estimado para o famoso desvio colossal.

Isto é, quando a austeridade chegar a sério muitos portugueses vão ter razões para pensar que foram enganados, que alguém impôs medidas mais duras do que as exigidas pela troika para poder perdoar uma dívida a Alberto João Jardim, colocando os interesses partidários acima dos nacionais. Muitos portugueses poderão legitimamente pensar que quem foi exigente com o anterior governo exigindo transparência nas contas encobre agora os números da Madeira, adia a sua divulgação para depois das eleições e compensa o buraco financeiro da Madeira com falsos desvios nas contas nacionais.

Se assim for Passos Coelho consegue conquistar a simpatia de um Alberto João que sempre se comportou como pobre e mal agradecido, mas perderá os portugueses.

Umas no cravo e outras na ferradura




Foto Jumento


Rua da Prata, Lisboa
     
A mentira do dia d'O Jumento: prestar contas
  

Jumento do dia


Miguel Relvas, ministro

Miguel Relvas celebra antecipadamente os cem dias que o governo completa nesta quarta-feira dizendo que é o campeão das reformas. Pois talvez o seja, mas a verdade é que uma boa parte das reformas que iniciou consistiu em suspender reformas feitas pelo anterior governo e a outra parte são reformas iniciadas, pensadas ou negociadas pela troika pelo anterior governo. E ainda há as reformas anunciadas por Passos Coelho que parece já estarem esquecidas, como é o caso da redução da TSU.
 
«O ministro-Adjunto e dos Assuntos Parlamentares, Miguel Relvas, considerou que o Executivo PSD/CDS-PP superou os anteriores na intensidade com que executou reformas em início de funções e tem governado com um sentido de protecção dos mais carenciados.
 
«Nunca, em cem dias, um Governo conseguiu imprimir um ritmo reformista tão intenso e determinado», afirmou Miguel Relvas, numa declaração enviada à agência Lusa.» [TVI24]
  
 Uma pergunta a Passos Coelho

Porque razão a troika conheceu a situação financeira do país (falsos desvios colossais à parte) e assinou um acordo em muito menos tempo do que este governo leva a conhecer a situação da Madeira?
 Uma dúvida: não há sucuris no Funchal?
  
       
 

 Porque gostamos da mulher Ketchup?
  
«A história é boa de contar, tem crime mas não se fica com sabor a sangue. Só ketchup. É a história de Pindobaçu, vilória da Bahia, hoje universalmente famosa por causa da Mulher Ketchup. A Mulher Ketchup é de enredo simples, é da Bahia como Jorge Amado. É assim: Maria Nilza gostava de Dirlan, homem de Erenildes, e quis livrar-se do empecilho. Contratou o ex-presidiário Carlos Roberto para a matar. Acordou-se o preço, mil reais, quase 400 euros. Esperta, Maria Nilza não pagou à cabeça, prometeu só para depois do serviço. E quando Carlos Roberto chegou com a foto de Erenildes, amarrada, amordaçada, camisola pingando sangue e tão morta que até se via o facalhão cravado no peito (embora, bem olhado, podia estar espetado perto da axila), Maria Nilza pagou o devido. Só que, dias depois, ela cruzou-se com a morta. Mulher para quem a palavra vale acordo no notário, Maria Nilza foi à polícia apresentar queixa. Foi assim que se soube da combinação entre o "assassino" e a "morta", e da foto forjada. E começou a fama de Erenildes, a Mulher Ketchup que já tem promessa de contrato publicitário com marca de ketchup e, talvez, carreira política porque Pindobaçu está grata por ter sido posta no mapa. Nas últimas eleições brasileiras apareceu uma candidata que ficou conhecida como Mulher Melão, mas era só imagem sem conteúdo. A Mulher Ketchup tem programa, daí a sua fama internacional: o género humano está ávido de histórias sem sangue.» [DN]

Autor:

Ferreira Fernandes.
  
 Quem não deve não teme

«Na semana passada foram aprovados na generalidade, na Assembleia da República, projectos de Lei que criam o tipo de crime de enriquecimento ilícito. Para tanto, juntaram-se os deputados do PCP, BE, PSD e CDS - uma coligação parlamentar que tem dado provas de bom entendimento, desde a rejeição do PEC IV, que derrubou o governo socialista, até à revogação da legislação sobre a avaliação de professores. O combate à corrupção é um tema aliciante, popular e necessário para a qualidade da democracia. Perseguir sem dó, nem piedade quem, usando cargos políticos ou altos cargos públicos, enriquece ilicitamente só pode merecer aplauso. Contudo, independentemente da discussão na especialidade, o projecto de Lei que vier a ser aprovado é devastador para os direitos, liberdades e garantias do cidadão com a introdução no código penal da violação da presunção de inocência e da inversão do ónus da prova. Verificadas certas condições, presume-se que um cidadão é culpado até que faça prova em contrário. O Estado remete para o cidadão a ónus de provar que não cometeu o crime. Entramos, assim, no mundo de Kafka. Tão grave quanto isto é a cumplicidade reinante, mesmo entre os que querem ver reduzido o papel do Estado na vida dos cidadãos. Dizem alguns, com ar cândido, que quem não deve não teme. É exactamente ao contrário: quem deve, continua a não temer com esta nova lei (daqui a meia dúzia de anos se perceberá que nada mudou na luta contra a corrupção). Mas quem não deve, deve passar a temer. E muito. Se a lei a aprovar não for declarada inconstitucional, a doutrina e a jurisprudência farão o seu caminho. Não se admirem, pois, se amanhã, daqui a um ano ou dois, se comecem a aplicar estes «princípios», agora defendidos contra a corrupção, a outros tipos de crimes e, mesmo, no código do trabalho. Por exemplo: se um ou mais trabalhadores, numa empresa, não atingirem os objectivos definidos pela administração presumem-se culpados de «perda de produtividade», conceito entretanto adicionado aos motivos para despedimento com justa causa. E ao trabalhador compete fazer prova do contrário. Grão a grão enche a galinha o papo. Quando aqui chegarmos, os deputados do PCP e do BE, quais meninos traquinas apanhados em falta, dirão: nós só queríamos aplicar estes «princípios» aos corruptos, não aos cidadãos em geral, e muito menos aos trabalhadores. Provavelmente, será tarde. Num Estado de Direito, a derrogação da presunção de inocência e a inversão do ónus da prova só pode ser defendida por quem pensa que deve ser o Estado a vigiar os cidadãos e não os cidadãos a vigiar o Estado, mesmo a propósito de um objectivo tão nobre como é a luta contra a corrupção. Estas afrontas às garantias dos cidadãos começam sempre assim, como escreveu Bertolt Brecht: primeiro prendem os pretos e nós dizemos que nada temos a ver com isso...

PS - Poucas dúvidas restam de que a Grécia não tem condições para cumprir os seus compromissos financeiros. Nos bastidores discute-se se o incumprimento vai ser controlado ou descontrolado, para utilizar o jargão dos burocratas europeus. As consequências sobre a banca e sobre a voragem dos mercados em relação à Itália e à Espanha são imprevisíveis. No actual momento de construção do «projecto» europeu (em que, por exemplo, as decisões sobre o reforço e a flexibilização do FEEF, tomadas em 21 de Junho, ainda estão no ponto zero), o reestruturação da dívida grega e a possível saída do Euro, ressalvadas as distâncias e as proporções, terá, para a Europa, o mesmo efeito do que a invasão da Polónia, pelos alemães, em Agosto de 1939. Não se esqueçam que a guerra é só o prolongamento da política por outros meios.» [i]

Autor:

Tomás Vasques.
   

 Epidemia no ensino?

«Entre Outubro do ano passado e Janeiro deste ano foram passados 70 mil atestados médicos a professores do ensino público. De acordo como Diário de Noticias, os números equivalem a 514 mil dias de baixa.

A situação foi detectada pelo anterior governo, tendo sido aberto um inquérito pela Inspecção-Geral das Actividades em Saúde. [Diário Digital]

Onze professores foram, até ao momento, alvo de processos disciplinares. A lista das baixas, que inclui mais de 400 passadas por uma só médica, foi já entregue ao Ministério Público. »

Parecer:

Um exagero.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Condenem-se os médicos que emitem falsos atestados.»
  
 Governo encerra 140 repartições de finanças

«O Governo vai fechar 70 serviços de Finanças em 2012 e outros tantos em 2013, uma medida que vem na sequência do memorando assinado com a troika. A confirmação foi dada pelo secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, Paulo Núncio, num encontro com o Sindicato dos Trabalhadores dos Impostos (STI). Em comunicado, o Sindicato sublinha ser “frontalmente contra” o encerramento, considerando que se trata de um “erro histórico”.» [Jornal de Negócios]

Parecer:

Em Espanha só há cinquenta.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se ao governo para que servem as outras.»
  
 OS contribuintes pagam

«O Município de Oeiras gastou em Junho de 2011 mais de 41 mil euros num jantar de convívio para os funcionários da autarquia. Uma gota de água nos milhões que afundam o buraco da dívida portuguesa, mas que poderá explicar a dificuldade que o país tem em parar de gastar.

Os jantares de convívio ou de Natal já foram notícia por mais de uma vez. Os valores gastos não serviriam para pagar o défice do país, mas... o exemplo de poupança deve vir de cima, afirma o próprio primeiro-ministro que anunciou que passaria a viajar de avião em económica. Precisamente para dar o exemplo. Um manual de boas práticas que no entanto parece não chegar a todos os destinatários. » [TVI24]

Parecer:

Isto é o país dos foguetes e jantaradas.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Redefina-se o que se entende por despesa pública.»
  
 Será desta?

«Dois líderes políticos europeus, Nicolas Sarkozy e Angela Merkel, estarão alegadamente a trabalhar, discretamente, num plano de emergência para restaurar a confiança no euro e que prevê a recapitalização maciça dos bancos, constituindo-se um fundo de resgate superior a dois biliões de euros para servir de "barreira" protectora ao contágio do incumprimento da Grécia e provavelmente de Portugal.

Segundo o Daily Telegraph, a Alemanha e a França, padrinhos deste novo pacote gigantesco, trabalham nos bastidores, para impedir que a "doença" se espalhe sistemicamente aos restantes países, nomeadamente à Espanha e Itália, cujas economias são demasiado grandes para serem resgatadas. O grande receio é que Espanha talvez já não consiga escapar incólume ao contágio e que seja a próxima vítima dos mercados, cuja lógica de matilha é semelhante à dos predadores que atacam a próxima presa mais frágil do grupo que perseguem. Economistas de topo já admitem que Espanha e Itália sejam forçadas a sair da zona euro. Em Washington, os líderes mundiais pressionaram a zona euro a resolver de imediato a crise, antes que esta conduza o mundo a outra recessão.» [i]

Parecer:

A  maior crise não está no Euro, está na falta de liderança da Europa.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Espere-se para ver.»
  
 Um juiz exemplar

«Carlos Moreno está reformado. Há quase um ano lançou o livro "Como o Estado gasta o nosso dinheiro." Defende que para haver uma democracia séria os cidadãos têm o direito e o dever de exigir que o dinheiro de todos seja gasto criteriosamente. Para ele, a crise que vivemos começou no desperdício dos recursos públicos.» [i]

Parecer:

Será que o juiz está disposto a prescindir do subsídio de residência vitalício e limpinho de impostos?

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se ao senhor.»
  
 Madeira: vota-se primeiro no Alberto, sabe-se a verdade depois

«O ministro dos Assuntos Parlamentares, Miguel Relvas, afirmou hoje que a auditoria e o plano de ajustamento para a Madeira são um "trabalho técnico e não político" e recusou comprometer-se com qualquer data para a divulgação destes documentos.
 
"A avaliação é um trabalho técnico, não é um trabalho político, trabalho técnico esse constituído por equipas de variadíssimas entidades, que necessitam de um tempo razoável para poder fazer a avaliação e para se poder desenhar depois o programa", disse o ministro aos jornalistas.» [i]

Parecer:

Era de esperar que assim fosse.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se a Relvas se foi isso que o PSD defendeu antes das legislativas.»