sexta-feira, outubro 28, 2011

O presunto assassino

Sempre que vou à terra e ligo a rádio ou sintonizo a televisão espanhola ouço logo falar do mais famoso presunto espanhol, bem mais famoso do que o “pata negra” é o presunto assassino, dia sim, dia não é notícia. Nós por cá também já tínhamos o pata negra mas parece que agora também temos um desses famosos presuntos. Os mais puritanos dirão que deveria ser antes uma alheira transmontana assassina, sendo de Miranda até seria de imaginar que teria morto à paulitada. Mas prefiro o presunto.

Pois o nosso presunto assassino não é um presunto qualquer, é um dos príncipes do cavaquismo e um dos principais case study do enriquecimento rápido, o homem nasceu um pobretanas e em poucos anos já geminava dois apartamentos do Edifício Valmor, que na época era o mais luxuoso do Lisboa, mas para proteger as aparências apresentava-se nas reuniões do condomínio em representação de uma prima que se dizia dona de um dos apartamentos.

Quem deve ser muito pouco apreciador das fatia deste presunto é Cavaco Silva, em relação à inocência de Dias Loureiro ainda veio a público meter as mãos no lume, ninguém sabe se ficaram escaldadas mas o certo é que desde então o ex-conselheiro vai aparecendo cada vez mais e já faltou mais para vir dizer que a culpa do BPN foi do Vítor Constâncio. Não é difícil imaginar que na lareira de Belém não está pendurado nenhum presunto, ainda que os brasileiros queiram seguir-nos a tradições e andem doidinhos por pendurar o nosso presunto assassino. Na lareira de Belém é mais provável que pendurem alhos, sempre se combate o azar (e a azia ao Coelho à casa) e de vez em quando dá jeito para acompanhar os carapaus alimados da Dona Maria.

Nos próximos dia falaremos muito de presunto, os que no tempo do processos Casa Pia, Freeport ou Face Oculta nunca permitiram uma entrada de presunto e passavam logo ao prato principal, não se vão agora cansar de exigir que antes de mais se sirva o presunto. Sócrates nunca teve direito a ser um presunto corrupto, era só corrupto, o mesmo sucedendo com todos os suspeitos, naturais ou artificiais, daqueles processos. Mas agora que está em causa um príncipe do cavaquismo, um caso de sucesso da direita portuguesa que até sabe tocar piano, eis que os mesmos que fizeram sucessivos julgamentos na praça pública vão agora defender que o seu menino não é assassino mas sim um presunto assassino, o que é uma coisa bem diferente.

Enfim, à falta de melhor e com os disparates do Batanete da Rua da Horta Seca resta-nos a esperança de resolver as contas externas concorrendo com a Espanha exportando presuntos assassinos, o que não poderá ser o caso do nosso presunto mirandês pois como se sabe os brasileiros já o compraram, só estão à espera que a Interpol o apanhe.

PS: Para os mais alérgicos à língua castelhana esclarece-se que em português presunto traduz-se para presumível, uma palavra que desapareceu na justiça portuguesa nos seus últimos grandes processos.

Umas no cravo e outras na ferradura




Foto Jumento


Flor do Parque da Bela Vista, Lisboa
Imagens dos visitantes d'O Jumento


Janela da aldeia de Monsanto [A. Cabral]
  
Jumento do dia


Vítor Gaspar

Compreende-se que Gaspar tenha passado muito tempo encafuado em gabinetes de Bruxelas e desconheça algumas regras da democracia, mas ao fim de alguns meses começa a ser tempo de reparar que num Estado de direito há regras e uma delas é a da transparência das contas públicas. Nas ditaduras é que há só uma solução económica, os ministros das Finanças são salvadores da pátria e tudo é decidido por determinação divina ou por desvios colossais.
 
Começa a ser tempo de Gaspar deixar de manter as contas públicas em segredo para as usar em debates políticos como trunfo na manga para quando está atrapalhado ou receia ser incapaz de argumentar em favor da sua política.

«Nos próximos três anos, Portugal vai pagar 655 milhões de euros em comissões por causa do empréstimo da troika. É o equivalente aos cortes na Educação para 2012. número foi revelado pelo ministro das Finanças durante o debate do Orçamento rectificativo no Parlamento.

Vítor Gaspar respondia a uma pergunta do deputado comunista Honório Novo. Segundo o ministro, só para este ano as comissões a pagar ascendem a 355 milhões de euros e contribuem para o desvio nas contas que levou o Governo a lançar um imposto sobre o subsídio de Natal.» [DN]

 "Los Nadie"


    
 

 É bandido? Atropela-se

«Os nomes são gentis, mas Pidá, Palavrinhas, Chibanga, Tiné e mais dois estão a ser julgados pelo assassínio de um rei da noite do Porto, em Agosto de 2007. Naquela madrugada houve tiroteio com pistolas de 9 mm e caçadeiras shotguns. Já tinha havido mortes a montante e iria haver a jusante, mas aqueles seis do gang do Pidá respondem agora, no Palácio da Justiça, no Porto, pela morte daquela madrugada. A juíza pediu ao inspector-chefe da PJ pormenores sobre o relatório da acusação. O polícia disse ter fontes anónimas. Quem? O polícia preveniu: identificando-a, não "podia prever consequências". A juíza insistiu. E o polícia atirou com um nome, Fernando "Beckham", condenado por outro assassínio cometido com Pidá - estando ambos presos na cadeia de Paços de Ferreira. Segundo o inspector, "Beckham" é uma pessoa "desesperada", que "teve necessidade de desabafar com alguém". Calculem como estará ele, agora, quando sabe que Pidá sabe que o delatou - espero que não partilhem uma cela. Aqui chegado, peço aos leitores para não desprezarem o episódio só porque os bandidos são de outro mundo. Este episódio é do nosso mundo, aconteceu num nosso tribunal. Uma fonte anónima foi identificada sem se "prever consequências" do que lhe acontecerá. Em linguagem de bandidos diz-se "foi dada à morte". É a linguagem de bandidos que deve ser usada porque naquele nosso tribunal, naquele dia, as palavras oficiais foram disparadas por shotguns.» [DN]

Autor:

Ferreira Fernandes.
  
 A pobreza bem apessoada

«Nos idos da Guerra Colonial, chegou-me às mãos, enviado de Paris a embrulhar um frasco de água de colónia (a imaginação não tinha limites para iludir os homens da PIDE que, nos CTT, espiolhavam a correspondência "vinda de fora"), um número da "Paris Match" sobre a guerra na Guiné. A edição incluía uma foto de Spínola primorosamente fardado e de monóculo, e - reportando-se ao facto de o general, para manter elevado o moral das tropas, ser implacável na exigência de ver os soldados sempre bem barbeados e, como se diz no Exército, devidamente "ataviados" - tinha como título algo do género: "Perder a guerra sim, mas com a barba feita".

Passaram 40 anos e, hoje, a guerra é outra, já não contra os "turras" em nome da "civilização cristã ocidental", mas contra trabalhadores, pensionistas e pobres em nome da civilização dos "mercados".

E Spínola parece ter deixado epígonos, pelo menos na Câmara de Barcelos. Conta a Lusa que a autarquia, para manter elevado o moral (a Câmara de Barcelos diz "bem-estar") dos humilhados e ofendidos pela política governamental de, como Passos Coelho reconhece, empobrecimento geral, contratou um cabeleireiro que lhes assegurará serviços gratuitos de coloração, corte, "brushing" e "manicure".

Como a "Paris Match" diria, as "pessoas afectadas por situações de carência" de Barcelos poderão morrer de fome, mas morrerão impecavelmente penteadas e de unhas envernizadas e aparadas.» [JN]

Autor:

Manuel António Pina.
     

 Autarca de Mondim de Basto dá o exemplo

«"Não é permitido nenhum funcionário ausentar-se do seu local de trabalho durante o horário de trabalho para partilhar um cigarro, um café ou uma curta refeição", pode ler-se no despacho de 21 de Outubro de Humberto Cerqueira, autarca a cumprir o terceiro e último mandato consecutivo.» [CM]

Parecer:

Este país começa a estar infestado de idiotas. Este de Mondim é tão idiota que não proibe fumar, beber café ou comer, ao que parece tudo isso pode fazer-se mas sem companhia.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se ao ilustre autarca que os funcionários podem defecar durante o horário de trabalho.»
  
 PS alinha no populismo

«O PS anunciou hoje que avançará com diplomas para indexar as remunerações dos membros de entidades reguladoras, altos cargos públicos e gestores públicos ao salário do Presidente da República, nunca podendo exceder o vencimento do primeiro-ministro.» [DN]

Parecer:

É lamentável que só o faça agora e que quando esteve no governo nem mesmo quando cortou os vencimentos dos funcionários públicos se lembrou de acabar com o abuso nas entidades públicas. Parece que é mais fácil cortar aos boys dos outros.
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Faça-se um sorriso.»
  
 Crato acaba também com o prémio para o melhor professor

«Ministério da Educação adiantou ao DN que, tal como fez com os prémios para alunos, vai reformular a distinção criada por Maria de Lurdes Rodrigues para os melhores professores.» [DN]

Parecer:

Esperemos que acabe também com todos os campeonatos desportivos.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sugira-se ao ministro Cratino que crie prémio para o pior ministro da Educação.
  
 Banca: afinal a ajuda do Estado dá jeito

«A eventual necessidade de os maiores bancos portugueses recorrerem à linha de recapitalização bancária enquadrada no programa de ajuda externa a Portugal "não era vergonha nenhuma", disse hoje à agência Lusa o presidente do Millennium BCP, Carlos Santos Ferreira.

"Não era vergonha nenhuma recorrer à linha dos 12 mil milhões de euros", afirmou o banqueiro, salientando que a existência desta linha de recapitalização para a banca em Portugal, criada por altura da celebração do pacote de apoio financeiro internacional ao país, ao contrário do que acontece nos outros países europeus, "dá tranquilidade" às principais entidades bancárias portuguesas.» [DE]

Parecer:

Pois, os nossos banqueiros andavam armados em esquisitos.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Faça-se um sorriso.»
  
 Hiper merceeiro aumenta lucros

«Retalhista obteve resultados líquidos de 255,7 milhões de euros nos primeiros nove meses do ano, graças a um aumento de 15,6% nas vendas em comparação com o período homólogo. Jerónimo escolheu a Colômbia como nova geografia em que vai investir.» [Jornal de Negócios]

Parecer:

Com lucros destes pode investir em livrinhos escritos pelos Fernandes e vendê-los na fundação da treta.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Mandem-se os parabéns ao bem sucedido merceeiro.»
  
 Isto vai acabar mal

«Se a importância que os nossos governantes dão aos países que lhes cabe visitar se medisse pela dimensão da comitiva que os acompanha, ficaríamos a saber que a 21.a Cimeira Ibero-Americana, que decorre entre os dias 27 e 28 de Outubro, em Assunção, no Paraguai, é muito mais importante para o Presidente da República que para o primeiro-ministro ou para o chefe da diplomacia, Paulo Portas.
 
Enquanto Pedro Passos Coelho leva consigo quatro pessoas, incluindo segurança, Aníbal Cavaco Silva arrasta atrás dele um séquito de 23, no qual se incluem mordomo e médico pessoal. O Presidente, que se eternizou na célebre frase “Ninguém está imune aos sacrifícios”, já tinha suscitado consternação aquando da visita aos Açores em Setembro, por se ter feito acompanhar de uma comitiva de 30 pessoas, entre as quais estavam o chefe da casa civil e sua esposa, quatro assessores, dois consultores, um médico pessoal, uma enfermeira, dois bagageiros, dois fotógrafos oficiais, um mordomo e 12 agentes de segurança.
 
Numa altura em que os portugueses são diariamente chamados a acreditar nas garantias consoladoras de dificuldades justamente partilhadas e convidados a aceitar cortes, inevitável emagrecimento e até empobrecimento, eis que o chefe de Estado português aterra no Paraguai amanhã, depois de uma escala no Brasil, com o equivalente a duas equipas de futebol, com custos que, contabilizados ao nível do cidadão comum, e só no que diz respeito ao preço dos voos, são de 7500 euros por pessoa para um bilhete de ida e volta em classe executiva e 1870 euros em classe económica.» [i]

Parecer:

Quando os jornais amigos do governo já comparam Cavaco com Passos Coelho é porque as coisas estão a ficar mesmo mal, nem nos piores tempos das relações entre Cavaco e Sócrates se chegou tão baixo.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Ó Ilda mete os putos na barraca!»
 

 Bangkok Underwater [The Atlantic]










   




quinta-feira, outubro 27, 2011

The portuguese way of life

Ninguém de bom senso e com um mínimo de inteligência fica num país onde o primeiro-ministro assume como principal objectivo da sua política económica o empobrecimento forçado e acelerado dos seus concidadãos. Passos Coelho deixou-se de desvios colossais, já se esqueceu do prometido programa de ajustamento da Madeira, deixou-se de ser mais troikista do que a troika, assumiu claramente o seu objectivo de política económica a médio prazo, empobrecer Portugal e a maioria dos portugueses.

Começou por decretar o empobrecimento dos que dependem do Estado e para começar ordenou que os que trabalham no sector privado o façam à borla durante uma meia-hora diária, não sendo de admirar que brevemente o país regresse ao fim-de-semana inglês dos anos sessenta.

Não ouvimos do ministro da Saúde a mais pequena preocupação com a melhoria da saúde dos portugueses, o homem da Opus Dei no Governo parece o profeta da desgraça, todos os dia nos dá a conhecer desgraças estatísticas do SNS. O ministro dos Assuntos Sociais assume-se cada vez mais como ministro da cardidadezinha, o seu trabalho é acabar com os controlos sanitários e de qualidade nas cantinas dos pobres, apertar as crianças nos infantários e adoptar outros esquemas mais adequados a um país que se pretende pobre. O ministro da Educação aumenta o número de alunos por turma, emagrece os programas curriculares, para ser bom a matemática basta um bocado de giz e uma ardósia. O ministro da Economia descobriu que com mais meia hora não ficava a trás do Gaspar, um cortava nos trabalhadores do público, o outro obrigava os do privado a trabalhar á borla.

Pela primeira vez no mundo um Governo democraticamente eleito assume como objectivo empobrecer os cidadãos, dispensa-se de adoptar qualquer medida que faça nascer a esperança e transforma o seu dia-a-dia no exercício sado de descoberta de qualquer sinal de progresso que tenha sido financiado pelo Estado. Progresso é os portugueses serem pobres, comportarem-se de forma mansa e aceitarem o destino que Deus lhe deu. O progresso há-de vir um dia para aqueles que forem os eleitos.

Este ‘portuguese way of life’ imposto pela maioria de direita ao país não vai levar muitos portugueses a emigrar como sucedeu no passado, pior do que isso, desta vez os portugueses que estiverem em idade de o fazer vão abandonar o país, vão desprezar o país que os desprezou, vão dar razão ao graffiti que nos anos 70 pintaram no aeroporto de Lisboa, “o último a sair que apague a luz”.

Um país que não abare uma janela de esperança aos seus cidadãos é um país em extinção, é um país onde só sobrevivem corruptos, empresários do tipo pato-bravo, políticos mentirosos, banqueiros proxenetas, compradores de empresas privatizadas, gente que não paga impostos, chulos, prostitutas, os filhos das dita e outro tipo de gente que hoje se engalfinha para elogiar o brilhantismo intelectual do Álvaro ou para descobrir no Gaspar um comunicador como poucos.

Nenhum país sobrevive sem esperança ou à partida dos mais válidos, o ‘portuguese way of life’ que está a ser inventado por estes estarolas vai desgraçar Portugal.

Umas no cravo e outras na ferradura




Foto Jumento


Sapal de Castro Marim
Imagens dos visitantes d'O Jumento


Barcos no sapal, Alcochete [A. Cabral]
  
A mentira do dia d'O Jumento


Jumento do dia


Vítor Gaspar

Vítor Gaspar tem um conceito de diálogo muito curioso, adopta as medidas em segredo, dá a conhecer as mesmas à troika e já depois de Passos Coelho ter avisado de que as medidas importantes são negociáveis vai gozar com o parlamento informar que aguarda as propostas da oposição. Este ministro chegou com três décadas de atraso, teria tido um grande sucesso no Chile de Augusto Pinochet.

«O Governo está disponível para negociar o Orçamento do Estado para 2012 para garantir o mais amplo apoio possível, e esperar que a oposição apresente alternativas, afirmou hoje o ministro das Finanças.» [DN]
  
 

 Nem tudo é economia

«Que nos aconteceu para nos acontecer esta gente? Claro que esta gente é a soma de numerosas parcelas de indigência política, que fomos adicionando a uma espécie de esperança renovada de cada vez que o Governo mudava. Tínhamos perdido a fé na ideologia, negligenciando que outra ideologia seria a substituta da que perdêramos. Fé. Isso mesmo. Entráramos nos domínios do irracional. A consciência das nossas derrotas acentuou o oportunismo de muitos. Sabemos quem são. Estão nos jornais, nas televisões, nas grandes empresas, na política. O geral está subordinado ao individual, e implica que os comportamentos ou o escrúpulo de cada um sejam determinados pelas rígidas referências da nova ideologia.

Olhamos para esta gente, lemos e ouvimos o que esta gente diz e, com nitidez crescente, percebemos que a deriva das suas impreparações chega a ser criminosa. Fazem, decidem, ordenam, desconhecendo, ignorando ou descurando os resultados. Subsiste uma relação pouco estruturada, e por isso mesmo mais perigosa, com um nacionalismo rudimentar. A expressão da actividade governativa reflecte o que se passa na Europa do Partido Popular. O predomínio da Direita e da Extrema-Direita espelha-se na prática do Executivo de Passos Coelho. Só não vê quem não quer ver ou não lhe interessa ver.

Os diversos sectores da sociedade portuguesa estão a ser atingidos por uma ordem "reformista", que tende a ocupar todo o espaço de definição política. Não há "reforma" nenhuma: apenas se manifesta a vontade de uma regressão, que caracteriza a lógica da subordinação política à finança e à economia. Nem tudo é economia, como persistentemente no-lo impingem. Há valores que a economia espezinha, através de um diferencialismo que alimenta a exclusão, a dualização socioeconómica e, por consequência, o desemprego e todo o cortejo de misérias. Passos Coelho não só obedece à cartilha como a ultrapassa em zelo e solicitude.

Estamos numa situação social e política muito delicada e perigosa. A teoria do quero, posso e mando não conduz a soluções viáveis; momentaneamente pode, acaso, resultar, mas apenas momentaneamente. Inculcam-nos a ideia de que não há alternativa. A salvaguarda da nossa saúde mental impele-nos a contrariar esta tese. Em nada, em nenhuma actividade humana há, somente, uma saída. Outras alternativas teriam de nos ser apresentadas. Mas essa ausência de propostas também faz parte da lógica do sistema.

Já o escrevi e repito-o: Pedro Passos Coelho abriu a caixa de Pandora e não sabe, nem pode, voltar a fechá-la. Curiosamente, ele é, a um tempo, refém das resoluções que toma e da surpresa que elas lhe provocam, por conduzirem à desagregação social. Um processo de desestruturação está em marcha. Temos força e convicções para o fazer parar? Eis a questão.» [DN]

Autor:

Baptista-Bastos.
     

 Vamos trabalhar no dia de Natal

«O alargamento do tempo de trabalho resulta da eliminação de várias tolerâncias de ponto (as chamadas pontes), uma medida aproveitada, sobretudo, pelos funcionários públicos. A estes dias podem somar-se quatro feriados que deverão ser suprimidos.

Ontem, no Parlamento, Álvaro Santos Pereira, o ministro da Economia e do Emprego, disse aos deputados da comissão de Trabalho que a totalidade das tolerâncias de ponto previstas para o período de 2011 a 2014 resultariam em 31 dias de trabalho "perdidos" caso nada fosse feito.» [DN]

Parecer:

Depois de nos tirarem os subsídios os funcionários públicos deveriam exigir poder trabalhar no dia de Natal.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Promova-se um movimento pelo fim do Dia de Natal.»
  
 Já não bastamn as agressões do Crato e do Gaspar

«Em declarações à Lusa, o director do agrupamento escolar da Quinta do Conde, Eduardo Cruz, explicou que "os pais de dois alunos [um rapaz e uma rapariga] dirigiram-se ontem [terça-feira] à sala e agrediram fisicamente a professora com estalos na cara em frente a toda a turma".

Segundo o responsável, esta é uma situação que se arrasta há dois anos e que já tem motivado reuniões com os pais em causa, com a Escola Segura (da PSP), com o coordenador da área educativa e com o gabinete de segurança do Ministério da Educação.» [DN]

Parecer:

Algo está errado se a situação se arrasta há dois anos.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Coloquem-se os agressores em prisão preventiva para que as coisas não se arrastem outros dois anos.»
  
 Um Gaspar pouco honesto

«ministro das Finanças voltou hoje a colocar completamente de parte a hipótese de Portugal reestruturar a sua dívida, como deve acontecer com a Grécia, garantindo que em causa estaria a capacidade do Estado de pagar salários e pensões.» [DN]

Parecer:

Vítor Gaspar sabe muito bem que no caso da reestruturação da dívida não serão os salários e as pensões a estarem em causa, como, aliás, poderemos constatar num futuro próximo na Grécia. É de um grande cinismo o ministro Gaspar estar a usar os grupos que ele sacrificou para agora se armar em seu protector encobrindo os verdadeiros prejudicados por uma reestruturação da dívida, os bancos e os seus accionistas. Esses sim que ele está a proteger desde o primeiro dia em que é ministram das Finanças.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Mande-se o Gaspar para um local mal cheiroso.»
  
 Portugal tem a segunda menor taxa de fecundidade do mundo

«Portugal vai ter nos próximos quatro anos a segunda mais baixa taxa de fecundidade do mundo, com apenas 1,3 filhos por mulher, apenas ultrapassado pela Bósnia-Herzegovina (1,1), de acordo com um relatório hoje divulgado pelas Nações Unidas.» [i]

Parecer:

Pudera, com o Gaspar a "fecundar" uma boa parte dos portugueses e do país não só seria de esperar grande coisa como o pouco que nascer corre um sério risco de nascer feio como o papá!

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «»
  
 Pobre Álvaro Batanete

«O ministro Álvaro Santos Pereira apresentou no Parlamento as linhas gerais do programa de combate ao desemprego e promoção do emprego que, nas suas próprias palavras, vai "reinventar o país", "marcá-lo nas próximas décadas" e "salvá-lo" dos 15 anos de governação socialista. Álvaro Santos Pereira anunciou iniciativas ao nível dos Centros de Emprego (reformas na organização e na prestação de apoio e formação ao desempregado) e da captação de investimento externo (com especial ênfase posto no setor mineiro), tendo anunciado a concretização de contratos no valor de 145 milhões de euros, de uma carteira que o ministro pretende que atinja os 900 milhões até final do ano. Mais informação com a jornalista Augusta Henriques.» [RTP]

Parecer:

Quanto mais se torna evidente a sua incompetência maiores são os disparates que diz.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se a merecida gargalhada.»
  
 800 Médicos ameaçam com rescisão em massa

«Cerca de 800 médicos com Contrato Individual de Trabalho (CIT) ameaçam uma rescisão em massa para deixar o Serviço Nacional de Saúde se avançar a proposta de Orçamento de Estado de equiparar os seus salários aos da função pública.

Miguel Reis, do intitulado Movimento de Médicos com CIT, disse à Agência Lusa que a indignação está a crescer de dia para dia, como provam os 800 médicos que já fazem parte de um grupo criado numa rede social.

Em causa está um artigo da proposta de Orçamento do Estado (OE) para 2012, segundo o qual "os níveis retributivos, incluindo suplementos remuneratórios, dos trabalhadores com contrato de trabalho no âmbito dos estabelecimentos ou serviços do SNS com a natureza de entidade pública empresarial não podem ser superiores aos dos correspondentes trabalhadores com contrato de trabalho em funções públicas inseridos em carreiras gerais ou especiais".» [DN]

Parecer:

Pobre Gaspar, não sabe por onde se meteu.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se conhecimento ao Gasparoika.»
  
 Mais um bailinho madeirense

«Ainda há quatro políticos no activo que acumulam pensões de reforma com o vencimento dos cargos que ocupam, e todos na Madeira: os presidentes do Governo e da Assembleia Regionais, Alberto João Jardim e Miguel Mendonça, e os secretários regionais Brasão de Castro e Santos Costa. Mas os ex-políticos madeirenses vão deixar de poder acumular as subvenções vitalícias com rendimentos do sector privado, caso o Governo da República decida avançar com tal proibição.» [Público]

Parecer:

Parece que a Madeira é um exemplo de fartura.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Faça-se um sorriso.»