quarta-feira, novembro 02, 2011

Umas no cravo e outras na ferradura




Foto Jumento 


Periquito-de-colar [Psittacula krameri], Parque Eduardo VII, Lisboa
Imagens dos visitantes d'O Jumento


Catavento, Viseu [AJ CArvalho]
  
Jumento do dia


Paulo Portas

Paulo Portas transformou a luta pelo controlo do AICEP no centro da sua estratégia como ministro dos Negócios Estrangeiros, levando-o a um fernesim de diplomacia económica como nunca se viu em Portugal, ainda que sem outros resultados para além da propaganda de Portas para consumo interno, na sua disputa com o Batanete da Rua da Horta Seca.

O problema é que isto é um país e não uma imensa associação de estudantes em que parece que Passos Coelho nos transformou, começa a ser ridículo tanta diplomacia económica, com Portas a transformar embaixadas em lojas do Pingo Doce em Caracas e Passos Coelho armado em caixeiro-viajante da fábrica do Magalhães e enquanto cada um disputa o papel do melhor vendedor a máquina do Estado para a exportação está paralisada há meses.

 Tratem-me pelo nome, dizia ele

O Álvaro, o mais divertido personagem desta família Batanete que se instalou no governo, chegou cá com ares de quem iria modernizar este país de papalvos, em poucos dias descobriu que os nossos produtos não eram exportados com bandeirinha e convenceu os mais ilustres jornalistas da praça de que era boé de fixe deixarmo-nos de tratamentos reverenciais. O homem com  cara de parvo que tinha descoberto a modernidade no Canadá finalmente nos iria tirar do atráso atávico.

Está a tirar-nos de tal maneira que em matéria de valores e direitos laborais já vamos a meio do século XX e rapidamente a caminho do século XIX, o país parece um TGV da história a acelerar em marcha atrás.

 Uma pergunta ao grande Ulrich banqueiro

Tem dormido bem?

 Recordar os crimes da Guerra Civil de Espanha


Ainda hoje há muito espanhóis, filhos de republicanos, que procuram conhecer a sua verdadeira identidade. O roubo dos filhos dos republicanos teve a colaboração activa da Igreja não só na denúncia aos franquistas dos republicanos, como também na eliminação dos assentos de baptismo para que as crianças nunca pudessem recuperar a sua identidade.

Muitos dos padres criminosos foram recentemente beatificados.

(vídeo via Diário Ateísta)

 A Revolução Alvariana


 Imaginem

Se um juíz de uma comarca algures no Mato Grosso decretasse a prisão preventiva de um primo em quarto grau de José Sócrates. A comunicação social até interrompia as rezas do Dia de Todos os Santos para da a notícia. Enfim, ficamo-nos pela homenagem do juiz brasileiro a um dos santinhos do cavaquismo e do PSD que ainda há poucos dias a nossa comunicação social o dava perdoado pelo enriquecimento rápido, ao mesmo tempo de o apresentava como alguém muito preocupado com a sociedade, bondoso e com jeito para tocar piano.

 António José Seguro

Consegue ser o único português que até ao momento ainda não emitiu qualquer opinião sobre o OE. A fazer oposição ainda vai ganhar um lugar de assessor do Miguel Relvas.

 A responsabilidade será nossa


  
 

 Os "privilégios" da Função Pública

«O estatuto dos trabalhadores da Administração Pública tem vindo a aproximar-se progressivamente do regime laboral comum. Todavia, ainda hoje mantém especificidades relevantes – e contestadas –, designadamente quanto às causas de cessação do vínculo aplicáveis à maior parte do seu pessoal.

Mas existirá de facto, neste e noutros aspectos, um privilégio, um injustificado tratamento de favor dos trabalhadores da Administração?

A existência de um regime específico para o emprego público tem sido fundamentada tradicionalmente na ideia de que a adequada prossecução do interesse público exige um corpo estável de funcionários, tecnicamente competente e politicamente neutro, orientado em exclusivo para a prossecução legal e imparcial do bem comum. Para garantir este objectivo, os trabalhadores da Administração devem dispor de um estatuto material que os proteja, e à sua actividade, das pressões do poder económico e ainda de um estatuto jurídico que os salvaguarde das pressões provenientes do próprio poder político, ou seja, dos patamares político-governativos.

Assim se explica que as remunerações relativamente baixas sejam compensadas com regimes particularmente favoráveis de protecção na doença e na velhice. E assim se explica também que a progressão profissional e a manutenção do vínculo fiquem tendencialmente imunes a apreciações subjectivas oriundas, directa ou indirectamente, dos órgãos políticos, dependendo ao invés de factores objectivos.

A escassa relevância dos mecanismos de avaliação profissional não constitui, neste modelo clássico, uma manifestação de laxismo, antes é justificada pela intenção de proteger o trabalhador e o interesse público de valorações largamente discricionárias, susceptíveis de veicular pressões e condicionamentos dos referidos patamares políticos. A progressão deve ocorrer segundo padrões pré-estabelecidos, assentes na antiguidade, que só poderão ser perturbados por vicissitudes de natureza disciplinar.

Do mesmo modo, o carácter tendencialmente vitalício do vínculo não representa um privilégio, mas uma forma de garantir ao trabalhador que ele disporá, desde que se mantenha nos limites da lei, de uma verdadeira imunidade perante as pressões político-governativas para uma prossecução distorcida do interesse público.

O modelo era permeável a abusos? Decerto que sim: mas havia a expectativa de que a ética do serviço público e o espírito de corpo minorariam as suas consequências.

Porém, e como se verá noutra ocasião, essa expectativa haveria de ser defraudada, por força de condicionamentos de natureza política e sindical. » [Dinheiro Vivo]

Autor:

Luís Fábrica.
  
 "Ide embora!" é curto como política

«O secretário de Estado da Juventude, Alexandre Mestre, disse uma coisa que está certa: os jovens portugueses que estão desempregados deviam pensar em emigrar. Havendo, desde ontem, sete mil milhões de homens espalhados pelos quatro cantos do planeta, andar por aí até é bastante comum. E Mestre usou uma fórmula, "ir para além das nossas fronteiras", que condiz connosco: que outra coisa fez Portugal ao longo dos séculos? No entanto, há alguma coisa errada em ser o secretário de Estado da Juventude a dar a ideia. Desde logo, a desistência das suas funções: caberia ao governante propor aos jovens o que fazer cá dentro, não anunciar-lhes que não há que fazer cá dentro. Afinal, ele é só secretário de Estado da Juventude Empregada. Apetece a demagogia: indo o desemprego jovem em 23%, Mestre não deveria baixar o salário na quota correspondente aos jovens que não governa? O primeiro tratado de emigração assinado por Portugal foi com o Reino do Havai, em 1878. Nessa altura, Portugal contratou um determinado salário e casa durante um ano para os seus emigrantes. Não seria grande coisa, mas notava-se uma política, uma preocupação, uma qualquer coisa mais do que o actual convite para zarpar. E, depois, houve aquele infeliz "temos de sair da zona de conforto", proposto por Mestre aos desempregados. Temos? Nem eu nem o secretário de Estado "temos", pois não? Então, um pouco menos de soberba sobre o conforto dos outros.» [DN]

Autor:

Ferreira Fernandes.  

 O acordo com a troika não chegou à Madeira

«A maioria PSD/CDS vai manter o regime de isenção fiscal para a distribuição de dividendos e juros de accionistas de empresas sedeadas na zona franca da Madeira (ZFM). Os dois partidos estão de acordo em fazer uma correcção ao Orçamento do Estado para o próximo ano e vão apresentar uma proposta para discussão na especialidade.

Com esta alteração ao documento mantém-se a isenção fiscal para a distribuição de dividendos e juros aos accionistas de empresas sedeadas no offshore madeirense. O Orçamento previa uma alteração ao Estatuto dos Benefícios Fiscais que acabava com a excepção da Madeira e incluía uma taxa de 21,5%, equiparando estas empresas às restantes, mas agora o governo cede neste ponto e vai alterar o documento. “Houve um lapso do governo e há abertura para alterar o Orçamento”, avança ao i o deputado do PSD Guilherme Silva.

No final de Agosto, o gabinete de Vítor Gaspar tinha assumido o fim dos benefícios fiscais em resposta a uma pergunta dos deputados do PSD-Madeira. Nos esclarecimentos dados aos deputados, as Finanças remetiam a decisão de acabar com a isenção para o acordo com a troika – que obriga ao fim de todos os benefícios concedidos a empresas. O ministro garantia que tinha de respeitar o acordo com as instâncias internacionais e por isso tinha de “impor uma regra de congelamento de todos os benefícios fiscais, não permitindo a introdução de novos ou alargamento dos existentes”.

Foi essa a leitura que foi feita no OE. Agora, 15 dias depois de ter apresentado o documento, o executivo de Passos Coelho cede à exigência dos braços regionais do PSD e do CDS na Madeira, que lutavam pela continuidade da excepção para a zona franca. “O governo fez uma leitura errada do acordo com a troika”, diz Guilherme Silva. Para o deputado, “o que a troika pretende é acabar com os benefícios fiscais dados às empresas nacionais, não às empresas estrangeiras com sede na Madeira”. A posição é semelhante à de José Manuel Rodrigues, que foi candidato do CDS contra Alberto João Jardim nas regionais de Outubro. O democrata-cristão tinha avançado ao “Sol” que havia “abertura” para uma revisão do regime de isenção e defendeu mesmo que o regime especial da ZFM devia ser estendido a todo o território nacional: “A ZFM deveria deixar de ser um projecto regional para se afirmar como projecto nacional.”» [i]

Parecer:

Parece que este governo só é duro e exigente a cortar vencimentos, aumentar horários de trabalho e a retirar direitos aos trabalhadores.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Proteste-se e pergunte-se ao mentiroso Passos Coelhpo pelo famoso programa para a Madeira que alguém prometeu que seria divulgado até ao final do passado mês de Setembro.»
  
 A vez dos gregos

«As bolsas europeias abriram esta manhã em queda acentuada, depois de o Governo grego ter anunciado ontem, ao final da tarde, que vai levar a referendo o segundo pacote de resgate acordado na última cimeira europeia e que tem como pressuposto o perdão de 50% da dívida grega pelos credores privados.

É sabido que a maioria dos gregos é contra o plano e as consecutivas medidas de austeridade, o que aponta para o provável chumbo do pacote. O primeiro-ministro assegurou ontem que a decisão saída do referendo será vinculativa, ou seja, se o plano for chumbado, a Grécia não o aplicará.» [Agência Financeira]

Parecer:

Os gregos têm sorte, a sua opinião é ouvida.
  
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sugira-se a Passos Coelho que leve a sua pinochetada orçamental a referendo.»
  
 Governo já não faz previsões ou não as quer fazer?

«A versão das Grandes Opções do Plano (GOP) enviada ao Conselho Económico e Social (CES) não incluía um cenário macroeconómico a prazo disse hoje o economista e membro do CES João Ferreira do Amaral.

"Na minha visão pessoal, o que Governo entregou é completamente insuficiente. Não eram as verdadeiras GOP", disse Ferreira do Amaral, à margem da conferência "O valor da poupança e o rigor das Finanças Públicas", promovida pelo Tribunal de Contas em Lisboa.» [Dinheiro Vivo]

Parecer:

Esta equipa do ministério das Finanças começa a dar sinais preocupantes de incompetência ou de total desrespeito pelo Estado de direito.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sugira-se ao Gaspar que regresse para Bruxelas.»
  
 Nada de excessos de mercado

«A partir de hoje os bancos com 'superdepósitos', que superem em 300 pontos base os juros do mercado, vão ser penalizados nos rácios de capital, de acordo com uma decisão do Banco de Portugal que entrou hoje em vigor.

Com a instrução publicada na semana passada, para entrar hoje em vigor, o Banco de Portugal pretende conter a corrida às taxas de juro dos depósitos a prazo, penalizando uma parte dos depósitos que excedam a taxa euribor e um 'spread' de 300 pontos base que deixam de poder ser contabilizados na rubrica fundos próprios.

Esta nova limitação tem implicação no cumprimento do acordo da troika, que obriga os oito maiores bancos a «reduzir gradualmente os rácios de transformação de depósitos em créditos para um nível de 120 por cento até 2014».» [Dinheiro Digital]

Parecer:

Agora que os mercados favorecem os depositantes o BdP veio em defesa dos banqueiros. Pobres banqueiros, cobram juros superiores a 20% ao consumo e estavam a ser explorados pelos seus depositantes.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Coloquem-se as poupanças no estrangeiro, longe do BdP, dos BPN e dos BPP!»
  
 Milionários chineses querem emigrar!

«Numa sondagem feita a 980 pessoas com uma fortuna superior a dez milhões de yuans (1,120 milhões de euros), 46% dos inquiridos disseram que estavam a pensar radicar-se fora da China, apontando a "melhor educação dos filhos", "protecção do património" e "incerteza política" como as principais razões para emigrar. » [Jornal de Negócios]

Parecer:

Como diria o Batanete do nosso secretário de Estado da Juventude devem querer ir para uma zona de conforto, não são parvos como o Álvaro que nos quer dar cabo do conforto.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Faça-se um sorriso.»
  
 POrtugal já tem um porta-aviões

«O ministro dos Negócios Estrangeiros quer que a diplomacia económica seja o porta-aviões das exportações portuguesas.

A ideia foi transmitida por Paulo Portas aos 46 empresários portugueses que integram a missão à Venezuela, antes mesmo do início das negociações, no âmbito da comissão mista reactivada pelo actual Governo.

Para Paulo Portas a sua presença activa na Venezuela em contacto directo com as empresas e com o Estado venezuelano demonstram por si só como, desta vez, a diplomacia económica pretende apresentar resultados. “Eu quero que cada embaixada e cada consulado seja um centro para que haja promoção das marcas portuguesas, das empresas portuguesas e dos produtos portugueses”, referiu o ministro dos Negócios Estrangeiros aos jornalistas portugueses presentes na Venezuela, acrescentando que pretende uma “diplomacia que tem de ser moderna e focada, ao serviço desse objectivo”, as exportações.» [Jornal de Negócios]

Parecer:

Só é pena que seja roto e meta água.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se a merecida gargalhada.»
  
 Portas quer transformar embaixadas em mercearias

«O ministro dos Negócios Estrangeiros de Portugal, Paulo Portas, defendeu, na segunda-feira à noite, em Caracas, que as embaixadas e consulados portugueses sejam transformados em centros de promoção das marcas, empresas e produtos portugueses, para ajudar Lisboa a sair da crise.» [Sol]

Parecer:

Até pode ser que consiga o patrocínio do patrão do Barreto e transforme as embaixadas em lojas do Pingo Doce.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Faça-se um sorriso.»
 

 Thailand Floods Pass Their Peak [The Atlantic]


 










   




terça-feira, novembro 01, 2011

Portugal foi ao endireita

O programa de Passos Coelho vai muito para além da crise financeira e das exigências da troika, o antigo dirigente estudantil e empregado de Ângelo Correia nos intervalos da política descobriu que neste país tudo está errado muito provavelmente desde Afonso Henriques, o que, aliás, não é de estranhar, este país começou com um filho a bater na mãe, é caso para dizer que o que torto nasce tarde ou muito se endireita.

Talvez por isso mesmo Passos Coelho achou que aquilo de que este país precisava mesmo era de ir a um endireita, daí a que o primeiro-ministro tenha assumido esse papel de curandeiro foi um pequeno passo. Passos Coelho descobriu que em Portugal tudo está ao contrário, nada foi bem feito ao longo de décadas, senão mesmo de séculos. O modesto político descobriu em si o endireita divino de que este país precisa e começou a sua tarefa.

O seu governo, uma versão politizada da Família Batanete da TVI, é formado à imagem e semelhança, todos os ministros descobriram em si um endireita e não há dia em que um dos membros deste governo não apareça a informar o país de que descobriu mais qualquer coisa que está mesmo a pedir uma forte torção para endireitar.

O campeão dos endireitas é o Gaspar, muito provavelmente o ideólogo deste endireitismo nacional em que o país mergulhou, ele vai endireitar as contas públicas nem que para isso tenha que esticar os ossos a todos os funcionários públicos. O Álvaro estava em posição privilegiada de ver que o país estava torto, visto desde Vancouver e graças à inclinação da terra o país parece a Torre de Piza. É por isso que mal chegou a Lisboa o Álvaro começou logo a endireitar a coisa acabando com os senhores e doutores, agora está a endireitar os trabalhadores obrigando-os a estar de espinha direita no trabalho as horas necessárias para que o aumento dos lucros permitam aos patrões visitarem as melhores putas da capital.

Ainda esta semana a ministra da Justiça justiça aproveitou uma deslocação aos Açores para informar o país que a sua justiça está toda torta, algo que a ministra do Ambiente já tinha percebido em relação à Parque Expo. Até o Batanete responsável pela caridade descobriu que as creches também estavam tortas e que a coisa se endireitava metendo mais dois ou três pirralhos em cada turma.

Outro campeão do endireitismo nacional é o Batanete da Educação, quando o homem acabar de endireitar o ensino somos tão bons a matemática como os russos do tempo do Piskounov, o problema é que teremos de telefonar para a menina das informações para nos ajudar a perceber como se apanha um autocarro.

Com tanto ministro cheio de pica para endireitar o país o mais certo é que este país fique novinho em folha, diria mesmo que com gente como o Álvaro e o Gaspar, os visionários qiue alimentam esta ideologia do endireitismo nacional, ainda vamos ficar com um Estado Novo.

Umas no cravo e outras na ferradura




Foto Jumento


Aldrabas, Bairro do Castelo, Lisboa
Imagens dos visitantes d'O Jumento


Bruxaria, algures em Condeixa [O. Lourenço]
  
Jumento do dia


Alexandre Miguel Mestre, secretário de Estado da Juventude

Depois de Passos Coelho ter dito mata parece que a moda dos membros do seu (des)Governo é dizer esfola, o primeiro-ministro disse que queria empobrecer os portugueses e o secretário de Estado da Juventude depressa percebeu que o seu papel como membro do (de)Governo era sugerir aos jovens que abandonem o país.
Com governantes destes é cada vez mais válida a sugestão "o último a sair que apague a luz".

«Os jovens portugueses desempregados devem emigrar, em vez de ficarem na sua «zona de conforto», disse no sábado o secretário de Estado da Juventude e do Desporto, Alexandre Miguel Mestre.

«Se estamos no desemprego, temos de sair da zona de conforto e ir para além das nossas fronteiras», disse o governante, que falava para uma plateia de representantes da comunidade portuguesa em São Paulo e jovens luso-brasileiros, citado pela Lusa.

Segundo o mesmo responsável, o país não pode olhar a emigração apenas com a visão negativista da «fuga de cérebros».

Para Miguel Mestre, se o jovem optar por permanecer no país que escolheu para emigrar, poderá «dignificar o nome de Portugal e levar know how daquilo que Portugal sabe fazer bem»» [Agência Financeira]

 A direita europeia perdeu a credibilidade nos mercados

Ainda nem o acordo europeu para combater a crise financeiro foi traduzido e já a Itália está a pagar juros próximos daqueles que forçaram Portugal a recorrer à ajuda financeira. Isto significa que os mercados não acreditam na solução dos governos de direita da Alemanha e da França e que a crise financeira europeia é imparável.

 Dúvida

O PS ainda existe, foi integrado no PSD ou começou o porcesso de dissolução?

 O Álvaro Batanete tem de se decidir

O ministro da Economia ainda não explicou se o processo de empobrecimento e aumento da exploração dos portugueses é para que os seus empresários incompetentes sejam competitivos em relação à Europa ou em relação à China.
     
 

 Entre o crime e o voto

«A JSD entregou ao procurador-geral da República uma carta de acusação aos políticos que endividaram o país. Segundo a JSD, a conduta desses políticos – do Partido Socialista, não o dr. Jardim ou outros do PSD - é susceptível de criminalização.

Toda a gente percebe que este intento não é para levar a sério. A preocupação dos jotinhas não está na defesa do bem comum mas apenas na luta partidária mais mesquinha. Eles são um veículo para as atitudes menos sérias que a direcção do seu partido não pode ou não quer tomar.

No entanto, a questão que subjaz a esta agitação é realmente importante. Aqueles que alcançam o poder no quadro de um Estado reconhecido internacionalmente têm a prerrogativa de, entre muitas outras coisas, endividar o seu país até ao limite permitido pelos mercados - que é, como sabemos, excessivamente elevado. Esta prerrogativa é aceite e protegida pelo direito interno e internacional e, como tal, insusceptível de criminalização.

O grande problema da prerrogativa de recurso a empréstimos é que o seu efeito se prolonga no tempo, geralmente muito para além da estadia no poder daqueles que a utilizaram. Ou seja, quem detém o poder endivida-se e quem paga são as gerações futuras. Mesmo quando não existe dolo, há aqui um problema óbvio de responsabilidade política e injustiça intergeracional.

Quando os Governos que actuam irresponsavelmente no mercado da dívida são ditatoriais o problema parece irresolúvel. Eles poderão pagar pelo sangue se alguém os apear do poder, mas não há nenhum outro mecanismo para os responsabilizar e apontar a injustiça da sua conduta. Em democracia, as coisas são diferentes. Quando existe liberdade de imprensa e a competição política é aberta, os que prevaricaram podem ser penalizados pela opinião pública e expulsos do poder pelos eleitores.

Mas aquilo que gostaria de ressaltar é que, entre o crime que geralmente não existe e o voto que por vezes não penaliza, há uma outra possibilidade. Naqueles países que passaram por situações traumáticas na sua história recente estabelecem-se muitas vezes comissões de reconciliação, ou outras instâncias de "justiça de transição" situadas para além do foro criminal e da luta política.

Para que funcionem bem, estas comissões têm de ser verdadeiramente independentes. No caso da análise à dívida portuguesa, uma comissão deste tipo teria de situar as nossas dificuldades no contexto europeu e mostrar que o problema está longe de ser exclusivamente português.

Mas teria também de mostrar de que forma a despesa do Estado ficou fora de controle, tanto em Governos do PS como em Governos do PSD. Uma comissão desse tipo seria bem-vinda. Mas com gente séria e sem jotinhas.» [DE]

Autor:

João Cardoso Rosas.
  
 A ajuda que não o foi

«O ministro das Finanças voltou a afirmar na semana passada no parlamento que Portugal não pode considerar a possibilidade de reestruturar a sua dívida sob pena de deixar de ser possível ao país pagar salários e pensões. O ministro disse também que o Orçamento de Estado para o próximo ano era um Orçamento duro mas, ao mesmo tempo, um Orçamento de esperança. É claro para todos que o Orçamento é, de facto, muito duro, mas é preciso algum esforço para detectar a dita esperança naquele documento. É particularmente difícil manter a esperança dada a intransigência do governo em discutir publicamente a necessidade de reduzir o peso da dívida pública do nosso país.

Quase todos os economistas concordam que Portugal teria de fazer um ajustamento muito severo da despesa pública dado o estado das contas públicas a que se chegou em 2010. Pode haver alguma discordância em relação à composição exacta dessa redução de despesa, mas era inevitável que o Estado reduzisse o seu peso na economia e isso envolvia, necessariamente, uma redução do peso da massa salarial e das pensões.

O que falhou na negociação com os nossos credores foram as contrapartidas que obtivemos para as medidas de austeridade que temos, inevitavelmente, de implementar. Em Maio deste ano, perante a impossibilidade de fazer face aos pagamentos que se avizinhavam, o Estado português pediu um empréstimo de emergência ao BCE, ao FMI e à União Europeia. O mesmo tinha acontecido com a Grécia um ano antes. Em ambos os casos tentou resolver-se um problema de dívida excessiva com mais dívida. Ninguém responsável por assinar o acordo podia acreditar que essa era uma solução permanente e que Portugal iria sair da crise sem uma redução substancial do peso da dívida pública, tal como acaba de acontecer com a Grécia. Não havia nenhuma projecção realista que indicasse que isso fosse possível.

A única razão para não ter incluído a reestruturação das dívidas grega e portuguesa nos respectivos planos de emergência foi a necessidade de mostrar aos outros países que têm dívidas elevadas que é preciso sofrer muito antes de receber essa ajuda. A Alemanha não quis abrir a porta a que a Itália, a Espanha ou mesmo a Bélgica viessem em seguida pedir planos parecidos que acabassem por ter de ser pagos pelos contribuintes alemães.

Os países credores já mostraram que vão esperar até ao limite para finalmente reconhecerem a necessidade de uma redução do peso da dívida. Este não é, no entanto, um comportamento próprio de países que escolheram constituir uma união monetária. Os líderes europeus erraram quando criaram uma união monetária sem controlos suficientemente apertados sobre os orçamentos de cada país. Hoje, todos sabemos que Portugal não controla a sua política orçamental e é positivo que isso tenha sido tornado explícito.

É legítimo que países que integram uma união monetária queiram controlar o que os outros gastam porque essa é a maneira de evitar que voltem a existir desequilíbrios como aquele a que chegámos hoje. Mas dado o problema de insolvência que existe na Grécia e em Portugal, a ajuda deveria ter incluído uma redução do peso da dívida desde o início. Ninguém ganha com o caminho de empobrecimento, aumento do desemprego e instabilidade social que está a ser imposto ao Sul da Europa.» [i]

Autor:

Manuel Neves Adelino.
  
 O Dreyfus português

«Um dos actos mais chocantes de perseguição política e religiosa praticado pela ditadura do Estado Novo continua, 74 anos depois, a produzir os seus efeitos, uma vez que o Estado democrático ainda não corrigiu a injustiça. A vítima foi Artur Carlos de Barros Basto, um capitão do Exército português convertido ao judaísmo, que foi banido do Exército por praticar actos próprios desta religião. O caso é paradigmático por acção (do Estado Novo) e por omissão (do Estado democrático), uma vez que um pedido de reintegração formulado pela viúva do militar já depois do 25 de Abril foi rejeitado com base nas mesmas acusações que haviam fundamentado a injustiça.

Denunciado anonimamente por homossexualidade, Barros Basto foi totalmente ilibado em tribunal, mas o Exército, embora declarando também não provados os actos de homossexualidade, condenou-o, em Junho de 1937, por ter feito a circuncisão a vários alunos do Instituto Teológico Israelita do Porto (onde era professor) e por os cumprimentar com beijos nas faces como era normal entre os judeus sefarditas de Marrocos, onde Barros Basto se convertera ao judaísmo. Os militares acusaram-no, então, de não ter "a capacidade moral para prestígio da sua função oficial e decoro da sua farda" e aplicaram-lhe uma sanção que tem tanto de absurda como de degradante. Foi condenado na pena de "separação de serviço" que o afastou definitivamente do Exército, o privou das remunerações e respectivos benefícios sociais, o impediu de usar a farda, distintivos e insígnias militares, mas - pasme-se - manteve-o sujeito à disciplina militar, podendo a todo o momento voltar a ser julgado e condenado por qualquer facto que os militares julgassem incompatível com o "prestígio da função" (que já não exercia) ou ofensivo do "decoro da farda" (que já não vestia).

Contudo, o verdadeiro "crime" do capitão Barros Basto foi, de facto, o trabalho de "resgate" dos marranos, ou seja, dos descendentes dos judeus convertidos à força para escapar à expulsão decretada pelo rei português D. Manuel, em 1496, e às perseguições que se lhe seguiram, principalmente pela Inquisição. A maioria desses "convertidos", também chamados "cristãos-novos", manteve-se fiel às suas crenças e continuou a praticar secretamente os actos de culto do judaísmo. Barros Basto, o "apóstolo dos marranos" como foi designado, percorreu o país, identificando os descendentes clandestinos desses cripto-judeus, trazendo-os à luz do dia e fazendo com que eles não se sentissem civicamente diminuídos por professar a religião em que acreditavam. Foi um ousado trabalho de recuperação da dignidade de uma religião cruelmente perseguida durante séculos, mas sobretudo um audacioso combate ao medo e até à vergonha de a praticar em público. Na verdade, uma das facetas mais hedionda da perseguição aos judeus em Portugal foi a conversão forçada daqueles que, por falta de recursos, não puderam acatar a ordem de expulsão e abandonar o país. Muitos deles acabariam queimados nas fogueiras da Inquisição ou então linchados por turbas fanatizadas como aconteceu em Lisboa, em 1506, em frente da Igreja de São Domingos, onde milhares de judeus foram assassinados.

Ora, numa época em que (mais) uma onda de anti-semitismo varria a Europa e que iria conduzir ao holocausto nazi, a acção de Barros Basto não podia ser tolerada por um regime de características fascistas e germanófilas, cujas instituições mais representativas estavam, também elas, imbuídas de um milenar anti-semitismo e marcadas por séculos de intolerância religiosa e de perseguição aos judeus. Comparado a Alfred Dreyfus, por uns, ou a Aristides Sousa Mendes, por outros, Artur Barros Basto continua, porém, ao contrário desses, com a memória manchada por uma condenação infamante - talvez porque nunca houve em Portugal um Émile Zola que acusasse publicamente os seus acusadores.

E, assim, estranhamente, 37 anos depois do 25 de Abril, ainda ninguém teve a coragem de reparar a injustiça feita a um oficial do exército português, convertido à religião judaica, condecorado por actos de bravura durante a I Grande Guerra e que, em 1910, hasteara a bandeira da República na Câmara Municipal do Porto. Estranhamente!...» [JN]

Autor:

A. Marinho e Pinto
     

 Trocar o padre Frederico por Duarte Lima

«É uma hipótese remota, mas não é impossível. A troca do padre Frederico pelo advogado e ex-deputado, Duarte Lima foi ontem admitida pelo juiz-desembargador brasileiro, Marco António Silva.» [CM]

Parecer:

Bom era levarem o Duarte Lima e ficarem também com o padre pedófilo.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sugira-se a Duarte Lima que defenda a sua inocência em julgamento.»
  
 Até tu Duarte Lima?

«N emprestou 6,8 milhões a Duarte Lima para comprar obras de arte. Ex-deputado está a pagar uma prestação de 120 mil euros por mês.» [CM]

Parecer:

Conclusão: o meu subsídio de Natal está na parede da sala do acusado de ter matado a viúva.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Vomite-se.»
     
 E agora Ulrich?
  
«As acções do BPI perdiam 9,07% para 0,501 euros, um mínimo histórico que avalia o banco em 496 milhões de euros. É o maior tombo intradiário desde 20 de Maio de 2010, dia em que afundou mais de 11%.

Os outros bancos nacionais cotados também estavam sob forte pressão vendedora: o BCP escorregava 5% e o BES cedia 4,45%. Isto numa altura em que o índice da Bloomberg que reúne 46 bancos europeus escorregava 3,24% e em que o PSI 20 descia 1,36%.» [DE]

Parecer:

a voz deste banqueiro está a ficar cada vez menos grossa.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Faça-se um sorriso.»
  
 O Sócrates ter-se-á mudado para Itália

«A intervenção do BCE, surge num dia em que soaram sinais de alarme nos juros italianos no mercado secundário. As 'yields' das obrigações a cinco e 10 anos atingiram hoje máximos da era euro nos 5,918% e 6,153%, respectivamente. Também os juros espanhóis seguem hoje em alta na generalidade dos prazos.» [DE]

Parecer:

Aqui só pode haver a mãozinha do Sócrates, mais um pouco e serão também aos italianos a verem-se gregos.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «»
  
 Jorge Coelho renuncia à pensão

«Jorge Coelho renunciou à subvenção vitalícia de 2400 euros mensais que recebia há dois anos, confirmou o próprio à TSF. O actual administrador da Mota Engil disse ter enviado este pedido de renúncia na semana passada por carta ao presidente da Caixa Geral de Aposentações.» [DE]

Parecer:

Porque a pediu e andou anos a recebê-la, ele todos os outros?

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Faça-se um sorriso.»
  
 Crise europeia faz primeira vítima nos EUA

«A empresa de investimento MF Global, cujo presidente é o ex-governador de Nova Jersey, anunciou hoje a falência devido à crise da dívida na zona euro, refere a agência de notícias espanhola EFE.

A MF Global, que tem como principais credores os bancos JP Morgan e Deutsche Bank, iniciou os trâmites para pedir proteção de credores, segundo o capítulo 11 da lei das falências do Estados Unidos, no Tribunal Federal de Nova Iorque.» [i]

Parecer:

Amor com amor se paga...

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Recorde-se que tudo isto começou com os sub prime americanos.»
  
 O Hugo Chavez voltou a ser fixe?

«"Nós vamos dar tudo por tudo para conseguir avançar ainda mais nesta relação comercial. Eu quero que fique claro que a intenção do Governo português, que é um Governo focado e é pragmático, sabe a importância que tem para a economia portuguesa conseguir estas exportações", sublinhou.

O chefe da diplomacia portuguesa explicou ainda que chegou à Venezuela "no mesmo momento em que uma missão empresarial coordenada com o Governo (português) com mais de 40 empresas veio trabalhar com as autoridades da Venezuela" em sectores como electricidade, energias, obras públicas, infra-estruturas, tecnologias de alimentar, agro alimentar, sector financeiro, turismo, tecnologias de educação e construção naval".» [DE]

Parecer:

Longe vão os tempos em que a direita criticava as relações com a Venezuela.
  
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Faça-se um sorriso e pergunte-se a Portas se as "tecnologias da educação" terão alguma coisa a ver com o tão odiado e desprezado Magalhães.»