segunda-feira, fevereiro 27, 2012

Maldita Maçonaria

O que une estalinistas, nazis, fascistas das diversas matizes e o clero mais conservador? Poucos motivos conseguem unir tantos defensores da liberdade como o ódio à maçonaria, todos eles se dedicaram ao longo da história a eliminar maçons, Hitler obrigou-os a andar identificados com um triângulo vermelho, mandou-os para os campos da morte e eliminou-os, a Santa Inquisição perseguiu-os e condenou-os à fogueira, Estaline eliminou-os de forma rápida e sumária, sem se dar ao trabalho de os identificar ou mandar para campos da morte.

Portugal foi um dos países campeões da perseguição à Maçonaria, começou cedo com a Santa Inquisição e acabou tarde, graças ao 25 de Abril. Com tanta perseguição, com tanta campanha por parte da Igreja Católica ou por parte do antigo regime não admira que na sociedade portuguesa haja uma cultura anti-maçonaria, agravada recentemente com algumas crendices promovidas pelos teóricos da conspiração.

Quando em Portugal se deveria discutir o contributo de muitos maçons para o progresso do país nas suas mais diversas áreas, desde a democracia e liberdade às ciências, promove-se mais uma campanha cega contra a maçonaria. Inventam-se poderes ocultos, conspirações, rituais maléficos e tenta-se estigmatizar tudo o que cheire a maçon. Até há políticos que defendem a solução nazi da identificação pública de gente tão perigosa.

Ao que parece os maçons pertencem a organizações secretas que visam a manipulação do poder e o enriquecimento pessoal dos seus membros. A prova disso é o rapaz das secretas e o seu patrão da Ongoing. Mas será que a maçonaria é mais secretas que muitas das nossas boas famílias mais poderosas, sejam os Espírito Santo ou os Ulrich, far-se-ão e uilizar-se-ão mais cunhas numa loja maçónica do que na família dos Teixeira Pinto que nos últimos tempos empregou mais gente da família do que qualquer centro de emprego de Lisboa?

Será a Maçonaria mais opaca do que a Opus Deis, tanto quanto se sabe dos maçons exige-se o respeito de um código de valores e servir a sociedade, enquanto os membros da Opus Dei estão obrigados a muitas rezas, algumas auto-flagelações e promover a evangelização nos seus locais de trabalho. Basta uma busca no Google para se perceber que é mais fácil saber o que se passa na Maçonaria do que na Opus Dei, há mais maçons conhecidos do que membros da Opus Dei. Se querem obrigar os maçons a identificar-se porque não obrigam os ministros que pertencem à Opus Deis a declararem publicamente tal vínculo? Que se saiba o facto de pertencer à Opus Dei condiciona mais a acção de um ministro, veja-se o exemplo da pasta da Saúde, onde as convicções religiosas extremistas podem colidir com muitos dos valores da sociedade de hoje.

Todos sabemos que quem se mete com alguns lóbis, famílias ou organizações secretas leva, não percebo, portanto, o porquê de tanta animosidade contra a maçonaria, a não ser porque há muitos ódios antigos, muitas vinganças por concretizar, muitos problemas por resolver.

PS: Não pertenço à maçonaria, não conheço ninguém que pertença à maçonaria e estou me nas tintas para saber quem pertence ou não pertence. Não tenho a mais pequena intenção de usar avental da mesma forma que não uso gravata nem outras peças de vestuário idiotas e sem sentido. Aliás, os aventais ainda dão jeito, seja para cozinhar ou para ferrar muitos cavalos, burros e outro tipo de bestas que por aia andam.

Umas no cravo e outras na ferradura




Foto Jumento


Bairro da Graça, Lisboa
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Salamanca [D. Veloso]
    
Jumento do dia


Passos Coelho

É verdade que Passos Coelho não tem, como disse, um pingue-pongue público com o Presidente, as suas jogadas são mais do tipo murro por debaixo da mesa e, como se sabe, a bola de pingue-pongue saltita em cima da mesa.

«O primeiro-ministro afirmou hoje que não tem "um pingue-pongue público" com o Presidente da República mediado pelos jornalistas e desvalorizou a carta de doze primeiros-ministros da União Europeia, que não foi convidado a assinar.
 
No final de uma reunião do Conselho Nacional do PSD, num hotel de Lisboa, Passos Coelho foi questionado pelos jornalistas sobre a afirmação de que "não se pode somar permanentemente austeridade a mais austeridade" feita hoje pelo Presidente da República, Cavaco Silva.
 
"Eu não respondo ao senhor Presidente da República. Quero fazer esta observação preambular, porque eu não tenho um pingue-pongue público, mediado pelos senhores jornalistas e pelas televisões, relativamente às intervenções do senhor Presidente da República. Portanto, não vou responder àquilo que, em cada circunstância, o senhor Presidente da República entenda dever afirmar", retorquiu Passos Coelho.» [DN]

 Almodovar e Garzón


 Bilhar


 Ele já tem o seu canal MEO

     

    

 Mais incompetente é impossível

«O primeiro-ministro manifestou-se hoje "moderadamente otimista" quanto ao cenário macroeconómico e considerou que é cedo para avaliar a evolução das receitas fiscais, porque os dados de janeiro não permitem "uma extrapolação para o resto do ano".
 
"Até esta altura, os dados de que dispomos não apontam para um pessimismo sobre o nosso desempenho este ano", declarou o primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, aos jornalistas, num hotel de Lisboa, no final de uma reunião do Conselho Nacional do PSD, na qual esteve na qualidade de presidente deste partido.» [Dinheiro Vivo]

Parecer:

Como é possível um primeiro-ministro dizer estas alarvidades quando sabe que em consequência dos seus excessos a economia terá uma contracção bem superior à prevista no OE e que as receitas fiscais estão em queda.
  
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se a Passos Coelho como vai cumprir o compromisso do défice para 2012.»
  
 OCDE dá chapada sem mão em Passos Coelho

«Numa altura em que o Governo PSD/CDS está a desmantelar a rede de centros Novas Oportunidades, a OCDE vem pedir o contrário.
  
No relatório "Going for Growth 2012", o estudo anual sobre as reformas estruturais necessárias ao crescimento, a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económicos (OCDE) recomenda ao atual Governo que "expanda mais a educação e a formação vocacional".
  
A organização que junta os 30 países mais desenvolvidos do mundo classifica o que foi feito nos últimos anos como boas práticas. O elogios vão, essencialmente, para o anterior Governo do PS: "As autoridades expandiram a educação e a formação vocacional de jovens e de adultos com menos qualificações (Novas Oportunidades)", exemplifica.» [Dinheiro Vivo]

Parecer:

É caso para dizer "volta Sócrates, antes que estraguem tudo".

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Faça-se um sorriso.»
  
 Cavaco "assina" de cruz a carta de Cameron

«O Presidente da República defendeu hoje que a União Europeia deve recentrar as suas preocupações no crescimento económico e citou a propósito uma carta assinada por 12 primeiros-ministros europeus, mas não pelo chefe de Governo português Passos Coelho.
  
"Depois de uma fase em que se falou muito em consolidação orçamental, na União Europeia, o acento tónico está a ser colocado no desenvolvimento económico", afirmou Cavaco Silva, depois de referir que "agora até saiu mais uma carta assinada por 12 primeiros-ministros europeus" que sustenta esse ponto de vista.» [i]

Parecer:

Temos um Presidente a defender o crescimento e um primeiro-ministro agarrado às saias da senhora Merkel.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Reserve-se lugar para o espectáculo na primeira fila.»
 

   




domingo, fevereiro 26, 2012

Semanada

Esta semana o país ficou a saber que apesar de ter um Presidente que foge de putos pode dormir tranquilo, tem um primeiro-ministro corajoso, já o tínhamos visto enfrentar as perigosas ondas da Manta Rota, agora vimo-lo a enfrentar manifestantes irados, não o fez durante muito tempo mas fê-lo. O que os portugueses não viram foram a meia dúzia de metralhadoras Uzi escondidas debaixo das abas do casaco dos muitos seguranças que cercavam Passos Coelho.

Passos Coelho acaba a semana dizendo que não está jogando pingue-pongue com Cavaco Silva, isto porque o Presidente discordou desta política que parece um mil-folhas de austeridade. Passos Coelho tem razão, no pingue-pongue os adversários estão longe um do outro e não se atingem no rosto.

Onde parece que se está a jogar pingue-pongue é no terreno das previsões económicas com a bola da contracção da economia portuguesa a ir cada vez mais alta, mais um pouco de realismo e de menos optimismo nessas previsões e estaremos ao nível da Grécia. Com um orçamento falhado em 2012 os mesmos que ridicularizaram o Álvaro quando o Batanete da Rua da Horta Seca disse que 2012 seria o ano da mudança, dizem agora que 2013 será o ano do crescimento económico. Ainda não se percebeu se estão mesmo convencidos disso ou se estão a rezar.

Quem assume que está mesmo a rezar é a rapariga que é ministra e quem os agricultores calharam em sortes, a senhora parece especialista em rezas e pedinchice. Depois de meses de seca na agricultura a senhora veio a público com as suas propostas para o sector, com aquele ar competente que todos lhe conhecemos veio tranquilizar os agricultores, assegurou-lhes que ia pedinchar a Bruxelas e que sendo ela crente em Deus acredita que brevemente vai chover. Ainda não se sabe o resultado das preces e da pedincha, mas quanto a pedincha é certo que a rapariga é eficaz, tão eficaz que deu para arranjar um tacho para a mana arquitecta da ministra da Justiça, mas teve azar, a ministerial mana acabou por se demitir depois de lhe terem descoberto a careca.

Depois de o Gaspar o ter mandado calar em pleno Conselho de Ministros o Álvaro parece estar a vingar-se, com o Gasparoika escondido atrás do batalhão de soldados da GNR fortemente armados que lhe dão protecção contra algum português mais irritado, o Álvaro é agora a vedeta do governo, o homem do crescimento e da criação de 100 empregos por dia. Se considerarmos que a única proposta de investimento imaginada pelo Álvaro foi no sector do pastel de nata, é caso para dizer que vamos ter de comer muitos pastéis.

Umas no cravo e outras na ferradura




Foto Jumento


Fazendo pela vida na Rua Augusta, Lisboa
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Farol de Outão [A. Cabral]
     
Jumento do dia


Miguel Relvas

Quando o CM divulgou o plafond do cartão de crédito do ex-ministro da Defesa, fazendo uma clara insinuação de que o ex-ministro vivia à grande e à francesa à conta dos contribuintes, o agora ministro Miguel Relvas apressou-se a colar-se à notícia garantindo que o actual governo tinha acabado com os cartões de crédito. O jornal fazia a insinuação e o Relvas confirmava a insinuação de forma subliminar.
 
Agora sabe-se que as despesas feitas com esse cartão visa não passavam de trocos, montantes certamente menores do que os custos da burocracia instituída por Relvas para acabar com os visas, um pouco o que se passa no parlamento com as garrafas de água, chegou-se à conclusão que a água engarrafada fica mais barata do que a água da torneira.
 
Se Miguel Relvas fosse um político com P grande não teria feito a colagem oportunista a uma notícia que sabia ser uma insinuação, mas um erro qualquer um comete e da mesma forma que se apressou a ser oportunista deveria ter-se apressado a pedir desculpa a Santos Silva pela forma menos digna como se portou.
 
Ou será que foi Relvas a montar a insinuação e ainda antes de a notícia ter obtido a forma de tinta já tinha o comunicado preparado para enviar para as redacções dos jornais? A verdade é que não deixa de ser estranho o protagonismo de Relvas quando se percebeu o erro cometido pelo governo com a palhaçada da intolerância carnavalesca. Num dia sabe-se que o governo tentou calar um jornalista da TVI, no outro montam-se manobras sujas, isto vai de mal a pior, a dúvida esta em saber do que será capaz esta gente quando perceber que o seu governo vai cair.


 Vaga de optimismo
 
Depois de se saber do aumento exponencial do desemprego e do pessimismo europeu em relação à economia portuguesa parece que uma vaga de optimismo económico invadiu o PSD, o governo e a Presidência, formou-se uma verdadeira vaga optimista iniciada em Miguel Frasquilho e depois de atingir Cavaco Silva até um Paulo Portas que desde que voltou a ser ministro anda desaparecido veio hoje manifestar a sua confiança no milagre de 2013. Só falta mesmo a Assunção Cristas rezar umas ladainhas e o Opus Macedo encomendar uma missa de acção de graças.
   
 

 O Papa e as intrigas no Vaticano

«Dizia-me uma vez em Bruxelas, admirado e pesaroso, um ilustre teólogo da Universidade de Lovaina (Joseph Ratzinger até o cita num dos seus livros sobre Jesus de Nazaré; não é herege): "Como é que foi possível o movimento desencadeado por Jesus, essa figura simples e amiga dos pobres, que acabou crucificado, desembocar no Vaticano, com um Papa chefe do Estado?" Entende-se, quando se estuda a História, mas é preciso reconhecer a tremenda ambiguidade da situação e o perigo constante de traição da mensagem cristã.
  
Hoje, concretamente, como já aqui chamei a atenção, citando o livro de Hans Küng, Ist die Kirche noch zu retten? (A Igreja ainda tem salvação?), a Igreja Católica, a maior, a mais poderosa, a mais internacional Igreja, essa grande comunidade de fé, está "realmente doente", "sofre do sistema romano de poder", que se caracteriza pelo monopólio da verdade, pelo juridicismo e clericalismo, pelo medo do sexo e da mulher, pela violência espiritual.
 
Ora, a Igreja não pode entender-se como um aparelho de poder ou uma empresa religiosa; só como povo de Deus e comunidade do Espírito nos diferentes lugares e no mundo. O papado não tem de desaparecer, mas o Papa não pode ser visto como "um autocrata espiritual", antes como o bispo que tem o primado pastoral, vinculado colegialmente com os outros bispos.
 
A Igreja tem de fortalecer as suas funções nucleares: oferecer aos homens e mulheres de hoje a mensagem cristã, de modo compreensível, sem arcaísmos nem dogmatismos escolásticos, e celebrar os sacramentos, sem esquecer o dever de assumir as suas responsabilidades sociais, apresentando à sociedade, sem partidarismos, opções fundamentais, orientações para um futuro melhor.
 
Não se trata de acabar com a Cúria Romana, mas de reformá-la segundo o Evangelho. Essa reforma implica humildade evangélica (renúncia a títulos como: Monsignori, Excelências, Reverências, Eminências...), simplicidade evangélica, fraternidade evangélica, liberdade evangélica. E é necessário mais pessoal profissional, acabando com o favoritismo. De facto, esta Igreja é altamente hierarquizada e ao mesmo tempo caótica. Quem manda no Vaticano? "Conselheiros independentes haverá poucos." Precisa-se de transparência nas finanças da Igreja.
 
Acima de tudo e em primeiro lugar, é preciso voltar a Jesus Cristo, ao que ele foi, é, quis e quer. De facto, em síntese, a Igreja é a comunidade dos que acreditam em Cristo: "A comunidade dos que se entregaram a Jesus Cristo e à sua causa e a testemunham com energia como esperança para o mundo. A Igreja torna-se crível, se disser a mensagem cristã não em primeiro lugar aos outros, mas a si mesma e, portanto, não pregar apenas, mas cumprir as exigências de Jesus. Toda a sua credibilidade depende da fidelidade a Jesus Cristo."
 
Problema maior é a Cúria. O cardeal Walter Kasper, referindo o actual péssimo clima no Vaticano, que causa "confusão" entre os fiéis, disse que Bento XVI anda "muito triste". E tem razões para isso. O paradoxo é este: o papado é a última monarquia absoluta do Ocidente, mas o Papa não controla a Cúria. Duas cartas do núncio apostólico nos Estados Unidos denunciam corrupção ao mais alto nível no Vaticano. Agora, em finais de pontificado, começaram já as intrigas maquiavélicas e as lutas pelo poder, no sentido de manobrar a sucessão, tendo-se chegado até a falar numa conspiração para matar o Papa.
 
Neste contexto, o Papa lembrou, no passado Sábado, aos novos cardeais que "domínio e serviço, egoísmo e altruísmo, posse e dádiva, interesse próprio e generosidade: estas lógicas profundamente opostas confrontam-se em todas as épocas e em todos os lugares. E não há dúvida nenhuma sobre a via escolhida por Jesus". Recomendou que "renunciem ao estilo mundano de poder e de glória". "O serviço de Deus e a doação de si é a lógica da fé, que está em contradição com o estilo mundano."

Desculpem, Reverências e Eminências, mas a Igreja não vai com púrpura, barretes cardinalícios e intrigas de poder. Só com o Evangelho.» [DN]

Autor:

Anselmo Borges.
   
 Um político com crédito

«Há um Santos Silva banqueiro (Artur) e um Santos Silva ex-ministro (Augusto), e foi naturalmente a este que se passou cartão porque o assunto era achincalhar: "Cartões milionários na Defesa", titulou o Correio da Manhã. O Santos Silva não milionário, afinal, era-o... O ministro da Defesa do último Governo tinha dez mil euros de plafond!, gritou o jornal, tão alto quanto o teto do cartão bancário. O CM tem a mais apurada pituitária dos jornais, se fosse escaravelho haveria de se chamar rola-bosta, quem gosta fica bem servido. E assim lá houve mais um episódio de indignação esganiçada. Tudo normal, não fosse o tal Santos Silva não ser dos políticos que quando há suspeitas sobre as suas contas se negam a divulgá-las. A contracorrente do que é norma, o Silva do teto alto, em vez de deixar a suspeita assentar e esquecer, espevitou-a. É certo que começou por dizer, o que podia ser mero truque para protelar a explicação, que do cartão de serviço só gastara em serviço. Oh filho, os fãs do rola-bosta querem é saber se bebeste Petrus à custa do povo... Mas não, o Silva do cartão não estava a protelar coisa nenhuma, tirou a coisa a limpo e exigiu que o Ministério da Defesa tornasse público o que gastara. E ontem soube-se: nos 20 meses em que foi ministro, do seu cartão super-hiper de dez mil euros, Augusto Santos Silva gastou uma média de 147,72 euros mensais. Deixa-me fazer contas: dez mil, manchete; 147 euros, deve dar duas linhas. » [DN]

Autor:

Ferreira Fernandes.
   

 Pobres manas

«Maria Manuel Teixeira da Cruz, irmã da ministra da Justiça, deixou o cargo de subdiretora-geral do Ordenamento do Território e Desenvolvimento Urbano, função que ocupou durante 23 dias, segundo despacho publicado na segunda-feira em Diário da República.
 
No mesmo despacho, assinado pela ministra da Agricultura, do Mar, do Ambiente e do Ordenamento do Território, Assunção Cristas, lê-se que a decisão foi tomada a pedido da própria, sem, no entanto, ser avançada qualquer justificação.
 
De acordo com a Rádio Renascença (RR), "Maria Manuel Teixeira da Cruz pediu a demissão do cargo na sequência de críticas à sua nomeação, depois de terem sido feitas referências às suas relações familiares diretas com uma ministra do Governo", Paula Teixeira da Cruz, que tutela a Justiça.» [DN]

Parecer:

Logo agora que tudo estava a correr bem apesar da crise na arquitectura...

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Faça-se um sorriso cínico e manifeste-se solidariedade à família Pinto e "amigos".»
  
Tubarões-brancos?

«A Associação Nacional de Estudantes de Medicina (ANEM) considera que o "exagerado número de vagas em medicina põe em causa a qualidade da formação" dos futuros médicos, defendendo a diminuição do número de vagas.» [DN]

Parecer:

Também as crias do tubarão-banco matam os irmãos ainda na barriga da progenitora.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Explique-se aos pirralhos ambiciosos que a saúde de um país não se discute na praia.»
  
 Cavaco acha que portugueses arriscam pouco no investimento

«"Quando se monta um negócio, está a arriscar-se, há sempre o risco de falhar. E em Portugal as pessoas têm medo do risco de falhar, enquanto noutros países falhar é apenas uma etapa do processo", afirmou Aníbal Cavaco Silva.» [DN]

Parecer:

Nem todos têm cum "consultor" como Oliveira e Costa.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se a merecida gargalhada.»
  
 O Opus Macedo vai investigar!

«Paulo Macedo afirmou hoje que os dados revelados pelo Instituto Ricardo Jorge, sobre o aumento da mortalidade em Portugal nas últimas semanas, vão ser alvo de uma análise.
 
"São dados revelados pelo Instituto Ricardo Jorge, que faz monotorização apertada destes casos de mortalidade. Há um aumento em termos homólogos e o instituto está a descer mais fundo na monotorização para sabermos as causas, se é do frio anormal ou de outro tipo de situações", disse aos jornalistas, à margem da inauguração da Nova Unidade de Saúde Familiar no Barreiro.» [DN]

Parecer:

Este Macedo gosta muito de se colar ao trabalho alheio.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Faça-se um sorriso.»
  
 Mais 1.300  milhões para o BPN

«O acordo entre o Governo e o BIC Portugal, com vista à venda do BPN, prevê uma almofada de liquidez de 300 milhões de euros concedida pela CGD à taxa Euribor. Esta cláusula é uma das que estão sob análise das autoridades europeias de concorrência por suspeita de que possa configurar ajuda pública ao grupo financeiro.

O contrato negociado entre a secretária de Estado do Tesouro, Maria Luís Albuquerque, e Luís Mira Amaral, presidente do BIC Portugal, prevê que, para além da injecção de capital no BPN de 600 milhões de euros já realizada, os apoios de tesouraria possam chegar aos 700 milhões. Em causa estão duas linhas de liquidez: uma, de 400 milhões de euros, ligada a uma emissão de mil milhões de euros de papel comercial do BPN, subscrita pela CGD, que o BIC assumiu; outra, de 300 milhões, que está por concretizar. As cláusulas do acordo prevêem que o empréstimo da CGD, a três anos, seja pago a uma taxa de juro igual à Euribor sem spread (margem do banco).» [Público]

Parecer:

Por este andar a venda ao amigo Mira Amaral fica mais cara do que a desajeitada nacionalização promovida pelo incompetente Teixeira dos Santos para proteger a banca portuguesa à custa dos contribuintes.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Investigue-se o negócio.»
  

   




sábado, fevereiro 25, 2012

Um governo a borregar

Depois da euforia de gente desastrada e imprevidente que imaginava ser possível fazer uma revolução social em dois anos e a coberta da crise financeira começam a surgir os primeiros sinais de nervosismo. Todos desejam a renegociação do memorando ante que o país se afunde mas a cobardia leva-os a desejar que a iniciativa parta da Europa, todos estão em pânico com o aumento do desemprego mas armam-se em fortes e dão ares de estarem a controlar a situação, a contracção económica é maior do que o previsto mas agarram-se a previsões hilariantes da Comissão europeia, sabem que a receita fiscal vai ficar muito aquém do esperado mas esperam que a Europa tome a iniciativa de um segundo resgate antes de demitirem o Gaspar por incompetência, falta de rigor e autoritarismo. Até o FMI já percebeu o falhanço e vai substituir o seu centurião local.

O governo já não governa, faz de conta que governa e está mais preocupado em controlar a comunicação social do as contas públicas, acompanha com mais atenção as sondagens do que os indicadores económicos, o próprio Passos Coelho que pôs fim ao Carnaval anda agora vestido de uma espécie de Zorro corajoso, devidamente protegido por meia dúzia de metralhadoras Uzi, para fazer o Presidente da República passar por cobarde.

O governo prepara o terreno para um segundo resgate justificando-o com a crise financeira europeu e ilibando-se de culpas. O mesmo governo que forçou Sócrates a pedir ajuda recusa-se agora a admitir que tem de o fazer, os mesmos que ignoraram a crise internacional usam-na agora para iludir as suas responsabilidades na destruição acelerada da economia portuguesa. Depois de seis meses com a dupla Gaspar e Passos Coelho a dizer mata e com ao troika a dizer esfola, assiste-se a uma estratégia cobarde. O Gaspar desapareceu, o Passos deixou de dar entrevistas, o rapaz do FMI perante o qual todo um país se curvou como se fosse o dono do dinheiro emprestado deu o fora, é o Relas e o Gaspar que dão o corpo às balas.

Mas a verdade é que crise internacional à parte este governo tem sido mau, incompetente e irresponsável. Em vez de estarem preocupados com o emprego encheram páginas do Diário da República com o emprego de boys, em vez de limitarem ao máximo as consequências negativas da austeridade optaram por inventar desvios e outras mentiras para multiplicar as medias de austeridade. Chega-se ao ridículo de vermos uma ministra da Agricultura referir-se apenas duas vezes a uma seca que vai atira muitos milhares de portugueses para a fome, e nas duas vezes que falou sobre o assunto não divulgou nenhuma medida, limitou-se a afirmar a sua crença no Todo Poderoso e tranquilizando os agricultores porque sendo ela uma modesta serva do Senhor crê na compensação divina e acredita que ainda vai chover.

O mesmo governo que conduziu a economia ao beira do abismo e a sociedade à beira de um colapso tem agora como solução um “se Deus quiser”. Se Deus quiser choverá e deixará de haver seca, se o Deus alemão quiser haverá um segundo resgate a tempo de evitar a bancarrota, se o Deus Relvas quiser a RTP será distribuída pela comunicação social deverá continuar a andar na linha, até porque como se viu com o caso do Gaspar jornalista que belisque o governo leva nas trombas.

Umas no cravo e outras na ferradura




Foto Jumento


Chaminés no Alto do Lumiar, Lisboa
Imagens dos visitantes d'O Jumento


Secando a velas, Alcochete [A. Cabral]
  
 Há imagens com legendas evidentes

  

Jumento do dia


Ministro Álvaro

A crer na preocupação posta pelo ministro na capacidade de criar emprego recorrendo aos centros, públicos ou privado, leva-nos a crer que o problema de emprego em Portugal não está na criação de postos de trabalho mas sim na necessidade de mecanismos que ajudem a encontrar os trabalhadores para os postos de trabalho criados. É ridículo que num momento em que as empresas definham, encerrando e despedindo trabalhadores todos os dias o ministro desvie as atenções da realidade e invente soluções dando como exemplo países e momentos em que as economias cresciam a bom ritmo e eram criados postos de trabalho para os quais não se encontravam trabalhadores.
 
Este ministro insiste em não ter a noção da realidade, uma vez porque parece possuído de doença mental, outras porque acha que isto é o Canadá.

«O ministro da Economia, Álvaro Santos Pereira, reiterou hoje que os centros de emprego e de formação vão ter "o papel principal" na tarefa de arranjar empregos para quem está desempregado.

O secretário de Estado do Emprego, Pedro Martins, disse na quinta-feira que o governo admite financiar "serviços privados de emprego" que coloquem no mercado de trabalho desempregados que não recebem subsídio de desemprego, medida criticada pela oposição e pelos sindicatos.

O ministro da Economia desvaloriza as críticas, adiantando que o Governo vai lançar "alguns projetos-piloto e um estudo para perceber como são as melhores práticas que existem noutros países" para poder implementá-las em Portugal e "combater o desemprego".» [DN]
   
 

 A receita

«Dão que pensar os primeiros dados da execução orçamental de 2012, referentes ao mês de Janeiro. Naturalmente, é cedo para tirar conclusões. Mas seria um erro ignorar os sinais preocupantes que já se registam, designadamente no capítulo da receita fiscal. [DE]

Comecemos por registar o óbvio: no primeiro mês do ano, as receitas fiscais, em vez de crescerem, diminuíram. Apesar de todos os aumentos de impostos decididos pelo Governo, as receitas fiscais diminuíram 7,9% em Janeiro (em comparação com o mês homólogo do ano anterior), quando o Orçamento para 2012 tem por base uma previsão de aumento das receitas fiscais, no conjunto do ano, de 2,9%. Este é o primeiro sinal de um desvio que pode ameaçar as metas orçamentais.

Veja-se o comportamento da receita dos impostos indirectos, mais sensíveis à evolução da economia: a receita subiu apenas 0,5% em Janeiro, quando o Orçamento para 2012 conta com um crescimento de 8,6%. E especial atenção deve ser dada ao IVA: não obstante os brutais aumentos determinados pelo Governo, as receitas do IVA cresceram apenas 5,7% em Janeiro (face ao mês homólogo), quando o Ministro das Finanças inscreveu no Orçamento para 2012 uma previsão de crescimento, para o conjunto do ano, de 12,6%. E a variação homóloga só não foi mais negativa porque houve uma redução nos reembolsos (-12,7%), dado que o acréscimo efectivo da receita bruta do IVA não foi além dos 1,4%. É certo, temos de aguardar pelos dados dos próximos meses para ver se estas tendências se confirmam. Mas uma coisa é clara: este não foi um bom começo na execução orçamental de 2012.

Tudo indica que o fraco desempenho da receita fiscal é apenas mais uma consequência do erro político estrutural do Governo: a absurda opção por uma austeridade "além da ‘troika'". Ao adoptar, num contexto internacional desfavorável, múltiplas medidas de austeridade não previstas no Memorando inicial (imposto sobre o 13º mês; taxas de IVA a 23% na energia e na restauração; aumentos brutais nos transportes e nas taxas moderadoras; eliminação dos subsídios de férias e de Natal dos funcionários públicos e pensionistas...) o Governo provocou uma travagem abrupta da economia, de graves consequências. Os dados do INE sobre o 4º trimestre de 2011 aí estão: a recessão atingiu os -2,7%, enquanto a taxa de desemprego disparou para os 14%. E a tendência para 2012 é que as coisas se agravem ainda mais (a Comissão Europeia já prevê uma recessão de -3,3%). Sucede que o aumento do desemprego significa mais despesa (em subsídios) e o agravamento da recessão implica menos receita. É a tenaz de empobrecimento - aumento brutal de impostos e redução de rendimentos e prestações sociais - que acaba por frustrar as expectativas de aumento da receita fiscal e prejudicar a própria consolidação das contas públicas.
 
Se ainda antes de começar o ano já o ministério das Finanças admitia que o défice em 2012 poderia subir para 5,4% (em vez de cumprir a meta dos 4,5%), é natural que os dados da execução orçamental de Janeiro suscitem por lá a seguinte pergunta: que fazer com este novo desvio? E essa é a pergunta que pode abrir caminho para mais um passo na perigosa espiral de recessão e austeridade. Onde é que já vimos este filme?»

Autor:

Pedro Silva Pereira.
  
 O abismo

«Estimativas do INE, quarto trimestre de 2011. O número de desempregados em Portugal atingiu os 771 mil, 14% da população activa, contra os 706 mil e 12,7% a que corresponde o desemprego médio anual.
  
É a taxa mais alta de que há memória, excede o triplo da que existia há dez anos e continua a crescer. E, se circunscrevermos a análise aos jovens, a taxa dispara para os 35%, donde um em cada três não tem emprego. É um cenário arrepiante.
 
Sucede que estes números estão subavaliados. Da população activa constam 633 mil pessoas empregadas a tempo parcial. E na chamada população inactiva estão 286 mil que, embora aptos para trabalhar, não procuraram ou não conseguiram arranjar emprego.
  
Se juntarmos à taxa oficial de desemprego este grupo de inactivos e metade dos empregados a tempo parcial, a taxa já excede os 20% e envolve mais de um milhão de pessoas. Qual é o limite?
  
Recuperemos as políticas seguidas. Como se sabe, o chamado PIB potencial tem vindo a decrescer, devido ao colapso do investimento. E, pior do que isso, o PIB efectivo é ainda mais baixo do que o PIB potencial, o que reflecte uma subutilização da capacidade produtiva. Se a tudo isso juntarmos as recentes alterações na legislação laboral, facilitando os despedimentos, ficamos com o quadro completo: o desemprego vai aumentar ainda mais.
  
Mas o empobrecimento não acaba aqui. Sendo a legislação agora aprovada um facilitador de despedimentos, parece óbvio que muitas empresas vão aproveitar esta dádiva para substituir uns trabalhadores por outros com salários mais baixos. Os próprios subsídios, de resto, são também eles cada vez mais baixos e pagos durante menos tempo. Ou seja, este é um dos maiores ataques às classes trabalhadoras que alguma vez se desferiram em Portugal.
 
Dir-se-á que o modelo seguido é uma imposição da ‘troika' e não há nada a fazer. É só meia verdade. Todos nos lembramos das palavras do primeiro-ministro, ao afirmar que subscrevia tudo o que está a ser feito e que ele próprio faria o mesmo, obrigado ou não. Mais: de tal modo ele se sente confortado que até decidiu ir além do que a própria ‘troika' exigia. O país vai a caminho do abismo e Passos Coelho nem sequer se apercebe disso.
  
Ninguém lhe dá um abanão?» [DE]

Autor:

Daniel Amaral.
  
 Despedimentos assistidos

«Aqui há umas semanas soube-se que a Soares da Costa obteve um salvo-conduto para dispensar mais de meio milhar de trabalhadores e encaminhá-los directamente para o subsídio de desemprego. Depois disso, todo o sector da construção pôs o braço no ar a reclamar carta branca para negociar rescisões por mútuo acordo com o patrocínio da Segurança Social, sem que cada empresa precise de fundamentar as boas razões porque invoca regimes excepcionais. Em seguida, foi a vez do sector do imobiliário tomar posição na fila reclamando igual tratamento.
  
É certo que a construção é um dos sectores mais abalados com a travagem a fundo das Obras Públicas e o estrangulamento do crédito bancário, mas as dificuldades estão longe de justificar a transformação de prerrogativas especiais em direitos automáticos. Basta, aliás, ver o caso da Soares da Costa: no ano em que pediu para ultrapassar o limite de rescisões amigáveis encaixou 15 milhões de euros de lucro; em 2011, quando obteve luz verde do Governo para avançar, acumulava 4 milhões de lucros em nove meses. E como por estes dias é difícil perceber porque é que uma sociedade que continua a gerar alguns milhões de lucros precisa do dinheiro da Segurança Social para negociar despedimentos de forma amigável, com certeza que não deixará de aparecer mais um bom punhado de empresas a legitimamente invocar igualdade de tratamento.
  
Veremos como continuará a responder o Governo à avalanche de pedidos. Mas, para já, parecem confirmar-se os receios de João Proença, da UGT, quando, há umas semanas exigia que estes requerimentos não dependessem unicamente das inclinações do ministro da Economia e que fossem apreciados também pelo da Segurança Social.
  
Uma dupla tutela sobre a boa utilização de dinheiros públicos daria pelo menos uma oportunidade a Pedro Mota Soares de lembrar a Álvaro Santos Pereira que o principal dever de um Estado é criar condições para o relançamento do emprego, e não constituir-se como assistente em processos de despedimento. Que o subsídio de desemprego foi criado para garantir um rendimento substitutivo do salário a quem cai no desemprego de forma involuntária; não é um mecanismo de apoio do Estado a empresas que querem despedir depressa, barato e com o mínimo de resistência social; nem tão pouco é um fundo que patrões e trabalhadores accionam para compor acordos de conveniência entre as partes, por mais confortáveis que possam ser. E ainda que foi também por causa de desbaratamentos de natureza semelhante a estes no passado que os portugueses já vão ter reformas mais magras, subsídios de desemprego mais curtos e, quem sabe, de futuro, de trabalhar até aos 70 para ter uma reforma condigna.
  
E se ainda assim não fosse convincente, o ministro da Segurança Social poderia sempre lançar mão do seu derradeiro argumento, que tem invocado amiúde para justificar a amputação de complementos sociais a centenas de pensões de 400 ou 500 euros: "Um euro mal gasto ( ) é um euro que é retirado às pessoas mais frágeis e que mais precisam". » [Jornal de Negócios]

Autor:

Elisabete Miranda.

 Saudades e 'Schadenfreud'

«Ando a ter muita Schadenfreude. Vocês sabem, aquela palavra alemã que significa ter alegria com o mal dos outros. Eu tive de explicar em frase, mas os alemães precisam de uma só palavra para definir a coisa. Muito eficientes os alemães, sobretudo em motores e estados de alma. A primeira vez que senti ter Schadenfreude foi quando soube que os alemães tinham uma palavra para aquilo. Como ando de há uns tempos para cá irritado com os alemães, fiquei contente com o mal deles, fiquei com Schadenfreude por eles terem a palavra Schadenfreude. Só mesmo eles, disse-me. Agora li que o Deutsche Bank (olha, outra coisa em que eles são bons, bancos) tem um fundo de investimento chamado Life Kompass 3. Este é tão fácil de explicar como empurrar uma velhota escada abaixo. Há um painel de 500 pessoas, verdadeiras e americanas, entre os 70 e 90 anos, a quem o banco determina uma dada esperança de vida. Se morrerem antes, os investidores ganham mais, se morrem depois, o banco paga menos aos investidores. Como se pode ver, o Deutsche Bank tem aqui o papel humanitário, tem interesse em que os velhotes vivam mais tempo. Já os investidores alemães apostam na morte da manada dos 500 o mais cedo possível. Esta aposta na morte deu-me outra vez Schadenfreude pelos alemães. Eu sei que o sentimento é de alegria, mas não gosto. Já tenho saudade de ser português, isto é, meter explicações longas numa só palavra e esta não fazer mal aos outros. » [DN]

Autor:

Ferreira Fernandes.
  
 À espera do reviralho

«Vaias, insultos, manifestações e greves não servem para nada. Discursos também não. Portugal foi entalado pela Europa e só esta nos pode tirar do apuro. O país é pequeno, pobre e pouco influente. A margem de manobra é nula.
 
Não vale por isso a pena insistir em dois mitos que estão muito em voga. O primeiro diz respeito à culpa. Alguns fanáticos consideram Sócrates a origem de todos os males. Outros, concedem que a culpa não é de nenhum governante em particular mas da classe política no seu todo. Há ainda quem ache, na visão doméstica das contas públicas, que simplesmente se gastou de mais. Enfim, é convicção geral que de uma maneira ou doutra a culpa é nossa. Não é.
  
O Portugal contemporâneo não inventou nada. Cumpriu ordens. Fez o que tinha de ser feito. Tardiamente democrata, o país foi obrigado a fazer em poucos anos o que os outros levaram décadas. Da Europa veio o dinheiro e a imposição para se construírem estradas, hospitais, escolas e uns quantos devaneios. Aumentou-se a formação geral, passou-se do país rural da beatice, para o país moderno mais perto do modo de vida europeu. A Europa exigiu que os portugueses se desenvolvessem, se tornassem rapidamente mais civilizados, mais parecidos com os alemães. E foi o que se fez. Com empenho e talento, diga-se de passagem. Depois, quando menos se esperava, apareceu uma crise financeira nos Estados Unidos e, como o mundo anda todo ligado, a onda de choque depressa chegou ao velho continente. Veio então a ordem, em 2008, para se injetar dinheiro às carradas nos bancos. Foi o que Sócrates fez. Mas de pouco serviu. Tal como nas sequelas, o império financeiro contra-atacou. Chegados à chamada crise das dívidas soberanas, como o país de soberano já tem pouco, a troika aterrou.
  
Nesta história, o que podia Portugal ter feito? Quase nada. Ou será que se os governos anteriores tivessem eliminado alguns feriados, cortado nos salários dos funcionários públicos, poupado nas gravatas dos ministérios, o país estaria muito melhor? Que ilusão! Que demagogia!
 
Portugal não tem culpa, porque Portugal não tem culpa de ser pequeno, com pouca gente, sem grandes riquezas naturais, tirando o sol, não ter uma elite esclarecida, nem ricos que não sejam meros provincianos com dinheiro. Metade do século vivemos na idade média, a outra metade foi passada a tentar recuperar o tempo perdido. Esperavam melhor?
  
O segundo mito é o de que estamos em vias de resolver o problema. Não estamos. O atual governo acha que, ao secar a economia, está a criar as bases para a prosperidade. Não se vê como. A liquidez está a ser arrebanhada por todo o lado para pagar dívidas. Vendem-se ativos para pagar dívidas. Contraem-se novas dívidas para pagar dívidas, ou seja, fica tudo na mesma ou ainda pior. Como é que sem liquidez, sem empresas e com mais dívidas se pode sair da atual crise financeira? Não pode.
  
A coisa é tão óbvia que até dói. Vivendo nós numa sociedade do consumo, como é que sem dinheiro para consumir se podem criar empresas que produzam bens de consumo? Como é que alguém vai investir num negócio, numa fábrica, num produto, numa inovação? Onde estão os clientes? E mesmo os que respondem, com alguma justeza, que é na exportação que está a salvação, por um lado os nossos habituais clientes europeus também não estão melhor, e não é de um dia para o outro que se consegue transformar Portugal num país fortemente exportador. Falta dinheiro, falta tempo, faltam ideias e, já agora, também falta ânimo.
 
Estamos, portanto, e mais uma vez dependentes dos outros e a cumprir ordens. Desta vez chama-se austeridade e é isso que o nosso governo faz com gosto. Cortes e greves equivalem-se na irrelevância. Isto só muda quando a ordem mudar.
 
É assim que, neste preciso momento, estamos suspensos de dois eventos políticos europeus importantes. As eleições em França, já em Maio, e na Alemanha, para o outono do próximo ano. Se o poder mudar de mãos nestes dois países, se vier aí um reviralho europeu, talvez Portugal se safe. Senão é miséria e mais miséria. Tão simples como isto.» [Jornal de Negócios]

Autor:

Leonel Moura.
  
 Alemanha enriquece com a crise nos países do Sul

«Os depósitos bancários na Grécia já diminuíram em 28% desde o pico atingido em Junho de 2009, para 169 mil milhões de euros no final de Dezembro passado, segundo os dados compilados pela Bloomberg.
  
Em Espanha, diminuíram 5% nos cinco meses decorridos até Novembro de 2011, para 934 mil milhões de euros, o mínimo desde Abril de 2008. E em Itália os bancos tinham 974 mil milhões de euros em depósitos no passado mês de Novembro – o valor mais baixo de 18 meses. Em contrapartida, os depósitos na Alemanha aumentaram em quase 10% desde Março de 2010, altura em que foi concedido à Grécia o primeiro pacote de resgate. Os depósitos em bancos alemães subiram todos os meses, excepto em cinco, desde finais de 2009 – e atingiram 2,15 biliões de euros no final de 2011, refere a Bloomberg.
  
E acontece que a deterioração do panorama para o crescimento na Zona Euro poderá exacerbar estas saídas de dinheiro, principalmente dos chamados Estados-membros periféricos.
 
“O maior risco sistémico é se as pessoas deixam de ter confiança em manterem os seus euros em Espanha, Portugal ou Itália”, comentou à Bloomberg um economista da Lombard Street Research, Dario Perkins. “Faz sentido colocar o dinheiro na Alemanha só para ficar seguro e é aí que reside o verdadeiro perigo sistémico. Este contágio não está ainda descontado”, acrescentou.» [Jornal de Negócios]

Autor:

Compreende-se que a senhora Merkel aposte na continuação da crise, ganha nos juros que cobra nos empréstimos e financia o seu crescimento económico com as poupanças dos países do sul.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Lamente-se tanto cinismo e oportunismo»
  

 Diplomacia turística

«Antecipando «um impacto muito grande na comunidade» com esta alteração da política de concessão de vistos, que entra em vigor em março, José João Morais lamentou: «Nós aqui fazemos tanto pelos americanos, pelo Governo americano, (¿) e depois tratam-nos desta maneira».
 
Mas as culpas, frisou, são mais dos diplomatas portugueses ¿ que não têm «capacidade» para lidar com um país «muito difícil» como os Estados Unidos - do que dos políticos americanos. E as mesmas culpas estendem-se a figuras como o Presidente da República e o ministro dos Negócios Estrangeiros, que «a única coisa que vêm cá [aos Estados Unidos] fazer é gastar dinheiro e passear», criticou.» [TVI]

Parecer:

Parece que o Portas anda tão ocupado com os croquetes e o cluster do pastel de nata que esqueceu as funções tradicionais da diplomacia e. pior do que isso, o interesse dos emigrantes portugueses nos EUA.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sugira-se a Paulo Portas que dê alguma atenção aos interesses nacionais e se deixe do turismo diplomático.»
  
 O velhote anda muito distraído

«O Presidente da República admitiu esta sexta-feira ter ficado surpreendido com os números recorde do desemprego e recusou alimentar as polémicas do cancelamento da visita à escola secundária e das suas reformas. Cavaco Silva, que arrancou com um Roteiro da Juventude, diz que os jovens empresários "são a seiva de uma economia próspera".» [CM]

Parecer:

Este senhor ajudar o país com os seus conhecimentos de economia.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se a merecida gargalhada.»
  
 A tempo antes do governo destruir as Novas Oportunidades

«Voltei a estudar porque quero sempre saber mais", disse ontem ao CM João Vieira, de 91 anos, minutos antes de receber o certificado de conclusão do 9º ano no Centro de Novas Oportunidades de Salvaterra de Magos. Tinha apenas a 3ª classe, concluída aos 34 anos, quando já era feitor de uma herdade no Montijo, e regressou à escola incentivado por um neto. » [CM]

Parecer:

É uma pena que tenhamos um primeiro-ministro tão pequeno.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Mandem-se os parabéns ao senhor Vieira.»
  
 Cavaco discorda do governo quanto à emigração ser solução para os jovens

«O Presidente da República realçou a preocupação com o desemprego jovem, que se situa em 35,4%. Questionado se acha que a emigração dos jovens é uma solução, Cavaco respondeu: "Espero bem que não."» [Jornal de Negócios]

Parecer:

Parece que nem todos são idiotas.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se a Passos Coelho se vai criar a agência de promoção da emigração sugerida pelo pequeno Rangel.»
  

 One billion slum dwellers [Boston.com]

Afghan refugee Nazeeha Taj, 5, plays with a drum in a slum on the outskirts of Islamabad, Pakistan, Jan. 11, 2012. (Muhammed Muheisen/Associated Press)
An Afghan refugee girl stands in a muddy alley, following a rainy night, Jan. 16, 2012. (Muhammed Muheisen/Associated Press)
Police walk past a barrier set on fire by residents of the Pinheirinho slum, who are resisting police arrival to evict them by court order. (Roosevelt Cassio/Reuters)
Water from a leaky fire hose rains down on neighborhood residents as they attempt to put out a fire that had already burned dozens of homes, in the New Building slum neighborhood in central Malabo, Equatorial Guinea, Monday, Jan. 23, 2012. As firefighters struggled to get enough water pressure to make their firehoses work, residents fought the fire with buckets of waste water and used mallets to tear down homes in the fire's path. Equatorial Guinea and Gabon are currently co-hosting the African Cup of Nations soccer tournament. (AP Photo/Rebecca Blackwell)
Sisters Benedicta Macole and Susana Ritope Macole, survey twisted scraps of metal roofing, all that remains of the house where they grew up, after a fire ravaged part the New Building slum neighborhood, Jan. 24, 2012. Residents say scores of homes in the tightly-packed neighborhood were destroyed, leaving several hundred people displaced. (Rebecca Blackwell/Associated Press)