sexta-feira, março 02, 2012

Umas no cravo e outras na ferradura




Foto Jumento


Campo das Cebolas, Lisboa
Imagens dos visitantes d'O Jumento


Palmela [A. Cabral]
    
Jumento do dia


Gaspar, (até ver) ministro das Finanças

O nosso Gaspar já conseguiu alcançar uma das metas mais desejadas pro este governo, apanhar a Irlanda. O problema é que não foi bem apanhar, foi mais uma pega de cernelha, apanhou a Irlanda no desemprego. O que fazer de um ministro que há dois dias teorizava sobre a previsão de uma taxa de desemprego de 13,5% e hoje se ficou a saber que em Janeiro essa taxa já ia nos 14,8%? Devolvê-lo novamente à Universidade Católica para fazer revisões de econometria não faz muito sentido pois burro velho não aprende línguas. Sugere-se o seu envio para sacristão da santinha da Ladeira, talvez tenha mais sucesso como devoto da santinha do que como economista. Em alternativa, se a capela fica fora de mão pode muito bem substituir o cavalo do D. José.

«Portugal alcançou a Irlanda com a terceira taxa de desemprego mais elevada da União Europeia ao registar uma subida para os 14,8 por cento em janeiro deste ano, mais duas décimas que em dezembro de 2011, segundo dados do Eurostat publicados hoje.» [DN]

 Afinal era montagem

    
 

 Os Pritzker-Krugman

«1 O dr. Mexia, da EDP, é um judoca mediático de alto recorte. Se a UNESCO tem dúvidas sobre o impacto da barragem na paisagem do Alto Douro Vinhateiro, Património Mundial da Humanidade, a solução passa por fazer das fraquezas, forças: em vez de um mostrengo de betão, a EDP passa a fazer obras de arte nas barragens. Até dá para sonhar: venha a Portugal ver o roteiro das barragens assinadas pelos "nóbeis" da arquitetura (os Pritzkers)! Arte patrocinada pela empresa que controla o essencial do consumo elétrico nacional e cujo preço do tarifário nos faz interrogar se, com mais estes inquestionáveis e milionários Pritzkers a caminho, não estamos já a ser avisados que o preço por barragem subirá e, a reboque, o preço a cobrar pela energia. Coisa que na sede da empresa, na Marquês do Pombal, talvez não seja muito relevante. O importante é boa imprensa. Os Pritzkers! Inquestionável...
  
2. Os autarcas do Douro (e os outros), entretanto, ficarão na história como os senhores que recebem a moeda à porta e veem os convidados entrar para o banquete. Os Pritzkers! Que bom que é ter, por agora, algumas pessoas a trabalhar nas pedras das margens dos rios. Quantas sandes e noites em pensões locais, a isto chamado desenvolvimento... Claro que, depois de prontas, tudo funciona remotamente, sem ninguém, desde a mais longínqua barragem até ao centro de operações, algures, três pessoas por turno, o interior - que longe, empregos?, pois sim... Ah, e o desastre natural na qualidade da água nas albufeiras não é agora para aqui chamado. O mito do turismo de qualidade em barragens... É hora de festejos: os PRITZKERS! E entretanto, o Douro fica sem os rios Sabor, o Tua, o comboio do Tua e tem em risco o Património Mundial.
 
3. Desculpem a interrupção. Educadamente insisto: precisamos de novas barragens? Os especialistas que se opõem têm dito repetidamente o mesmo: era mais barato, e com menor impacto para o ambiente, ampliar a produção das que já existem. Joanaz de Melo, professor da Universidade Nova de Lisboa, voltou a sublinhá-lo no "Expresso" de sábado: "O Programa Nacional de Barragens é uma fraude - um favorecimento das grandes empresas de eletricidade, da construção e da banca à custa dos consumidores/contribuintes e do tecido económico". Em termos concretos: "As nove grandes barragens propostas, com uma potência de 2,5 GW e uma produtibilidade 1700 GWh/ano seriam usadas apenas 680/h ano (8% do tempo). Isto representa um acréscimo de 48% da potência hidroelétrica instalada (parece muito), mas apenas 19% da produção hídrica, 3% da procura de eletricidade e uns míseros 0,5% da energia primária do país". Matar nove rios é igual a gastarmos individualmente menos 3% energia.
 
4. Nunca me surpreendeu que os ambientalistas ficassem sós no tema. Se os partidos do sistema (PSD, PS, CDS) têm tios interessados na coisa, a coisa anda. Mas é preciso acrescentar à lista dos coniventes o PCP, cujo forte núcleo da EDP leva o partido a fazer a despesa através da deputada dos Verdes sem que o partido se meta no assunto. E assim se gera uma conta energética para o país, insustentável por muitos anos, que até a troika e o Governo já notaram, mas a que vai ser difícil fazer frente.
 
5. O país paga os Pritzkers... e o Krugman. Quem não gosta de ler o Prémio Nobel de Economia a anunciar, do outro lado do Atlântico, semanalmente, que se a Europa continuar por esta via de austeridade, o euro acaba? Nós, os que sofremos a austeridade e não gostamos dela, estamos com o Krugman... Mas há um problema: para quem fala o Krugman? Com a sua vinda a Portugal desfiz as minhas dúvidas: o Nobel fala para os europeus (alemães) e não para europeus (portugueses). A receita de 'menos austeridade' não se aplica cá. Ele até sugeriu um corte nos salários de 20% e achou o país difícil de explicar. Que terramoto! Peço então um favor a todos os que gostam de ler o Krugman: não tirem conclusões em Português. Leiam--no apenas em Alemão. » [Jornal de Notícias]

Autor:

Daniel Deusdado.
  
 Dias de servidão

«A tese do aluno bem comportado, o que papagueia a "sebenta" do professor e vai até mais longe do que ele exige, esteve em voga nos governos de Cavaco e deu no que hoje se sabe.
  
O Governo PSD/CDS adoptou idêntica estratégia de submissão acrítica. Foi humilhante ver os olhos luzentes de alegria com que Vítor Gaspar deu conta ao país que os capatazes dos mercados que, por intermédio da actual maioria, nos governam, lhe deram nota positiva (um 10 interrogado mas, de qualquer maneira, uma nota positiva). E, quando Olli Rehn, depois de umas carícias ("Lindos meninos..."), anunciou ainda mais "desafios" e "sacrifícios", Gaspar há-de decerto ter murmurado: "Venham eles!".
  
Diogo Feio, eurodeputado do CDS, é um bom intérprete dessa estratégia. Ao "Público" diz que "Portugal é bem visto por ter uma maioria de governo sólida" e uma situação social "pacificada". O único problema, parece, é haver (ainda) direito à greve: "Nós somos observados ao mais pequeno pormenor e cada greve que é feita mancha a imagem de Portugal".
  
Não mancham "a imagem de Portugal" o empobrecimento generalizado que em tempos o primeiro-ministro anunciou como objectivo político do Governo, o desastre social, os afrontosos números do desemprego, mas o facto de os trabalhadores serem mal comportados e lutarem pelos seus direitos. A sra Merkel deve ter gostado de ouvir, afinal sempre há portugueses "mais alemães do que os alemães".» [Jornal de Negócios]

Autor:

Manuel António Pina.
     
     
 primeiro-ministro grego renuncia ao vencimento

«O Primeiro-ministro grego, Lucas Papademos, revelou esta quinta-feira que renunciou ao seu salário, desde a sua nomeação em Novembro, num contexto de grave crise económica e financeira.» [CM]

Parecer:

Uma boa ideia para o nosso Coelho, até porque o tio Ângelo certamente estaria disponível para o patrocinar com o apoio da empresa do lixo.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sugira-se a Passos Coelho.»
  
 O CDS quer saber quanto ganham na RTP
 
«O CDS-PP pediu hoje informações ao Governo sobre quantos trabalhadores ou colaboradores da RTP têm um vencimento superior ao do Presidente da República, admitindo que pode ser preciso "repensar a estratégia de remunerações" no serviço público de televisão.
 
"O objetivo é conhecer a dimensão dessa realidade, no fundo saber se existe alguma realidade na RTP que nos faça ou que nos obrigue a olhar para ela no sentido de verificar-se se se justifica no âmbito do serviço público de televisão repensar a estratégia de remunerações", afirmou à agência Lusa o deputado centrista Adolfo Mesquita Nunes.» [DN]

Parecer:

Por este ão querer saber quanto ganham os motoristas dos membros do governo.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Faça-se um sorriso.»
  
 Reza Cristas, reza!

«O Instituto de Meteorologia prevê chuva para hoje e sexta-feira, mas admite que os aguaceiros não serão suficientes para minimizar os efeitos da seca que se regista em Portugal, disse à Lusa uma meteorologista.» [DN]

Parecer:

A ministra disse ser crente e acreditar que iria chover e caíram umas pingas. Conclusão: Deus ouviu a ministra mas esta rezou pouco.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sugira-se à ministra que intensifique as orações e o fervor com que reza.»
  
 Uma ideia para a Cristas

«O município de Rasquera, Tarragona, tomou a decisão de arrendar terrenos à Asociación Barcelonesa Cannábica de Autoconsumo (ABCDA) para plantar cannabis. A autarquia prevê a criação de 40 postos de trabalho e receber cerca de 1,4 milhões de euros em dois anos. » [DN]

Parecer:

Não mata a fome, mas ajuda a esquecer a política deste governo.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Faça-se a sugestão.»
  
 Um Álvaro com sentido da história

«Os números sobre o desemprego em Portugal, hoje divulgados pelo Eurostat, são "muito preocupantes", e fazem parte de uma "tendência crescente" que começou há uma década, disse hoje o ministro da Economia, Álvaro Santos Pereira.
   
"Já referi várias vezes que os números do desemprego são muito preocupantes. Tem havido uma tendência de crescimento nos últimos dez anos. É preciso relembrar que a crise não começou em 2008, nos últimos dez anos tivemos uma tendência crescente de desemprego e de emigração, e por isso é que é fundamental levar a cabo as reformas estruturais" que o Governo propõe, disse Santos Pereira numa conferência de imprensa após a reunião do conselho de ministros.» [DN]

Parecer:

Depois de descobrir que a crise é internacional o Álvaro descobre agora que resulta de uma tendência história.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se ao Álvaro porquê só dez anos.»
  
 Hospital de Faro faz guerra à Roche

«O Hospital de Faro tentou comprar medicamentos à Roche há uma semana e a encomenda veio devolvida, mesmo antes de a farmacêutica comunicar a metade dos hospitais do SNS que têm dívidas superiores a 500 dias, que teriam de passar a pagar a pronto. A informação chegaria por faxe na sexta-feira à noite, mas só foi vista segunda, dia em que a nova política comercial foi anunciada. O Hospital de Faro voltou a fazer a encomenda, depois de decidir que daqui para a frente só comprará à Roche medicamentos para os quais não haja alternativa. Ontem ao final do dia a encomenda continuava pendente, porque a Roche ainda não tinha enviado a factura pró-forma.
 
“Não só a nova política comercial entrou em vigor antes do tempo como a farmacêutica não estava preparada para emitir facturas pró-forma”, disse ao i o novo presidente do conselho de administração do Hospital de Faro, Pedro Nunes. “Propuseram que fizéssemos a transferência mediante outro documento e depois enviavam a factura definitiva.”
  
Além de restringir as compras, o Hospital de Faro proibiu a entrada de delegados comerciais da empresa na unidade e não irá autorizar a participação dos seus profissionais em congressos patrocinados pela farmacêutica. Comunicou ainda ao Infarmed o “ilícito” na encomenda, de 190 mil euros.» [i]

Parecer:

Faz sentido boicotar a Roche mas se a posição for de todos os hospitais e médicos, a Roche nada tem a ganhar nem em Portugal nem com a publicidade negativa que um boicote nacional representaria para a sua imagem.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Espere-se para ver o resultado.»
  
 Não seria melhor avaliar os imóveis por sorteio

«Meio milhão de edificações não rurais têm de ser avaliadas até ao fim do ano por imposição do memorando da troika. Um número significativo desses prédios que têm de ser reavaliados até ao final de 2012 para fins de actualização do imposto municipal sobre imóveis (IMI) nunca tiveram qualquer valor atribuído pelas Finanças. Ou seja, não existe qualquer tipo de informação em sistema, o que obriga os peritos encarregues desta tarefa a uma pesquisa exaustiva para encontrar elementos que lhes permitam determinar o valor das casas.
  
Esta é uma das principais dificuldades com que se defrontam os 900 engenheiros e arquitectos externos à Autoridade Tributária Aduaneira, ex-Direcção Geral das Contribuições e Impostos. Estes técnicos foram contratados para que Portugal consiga satisfazer a exigência da troika no prazo acordado.
  
A somar a esta tarefa ciclópica, os avaliadores ficaram a saber no final do mês passado que não vão receber sequer 2 euros pela análise de cada fracção. Há casos, como o de uma propriedade horizontal com cem fracções, em que o pagamento da avaliação de cada uma para efeitos de IMI é paga pela Autoridade Tributária a 86 cêntimos. » [i]

Parecer:

As remunerações são ridículas e ofensivas.
 
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se ao DG quanto ganha.»
  
 Compreende-se o apoio do Alberto a Passos Coelho

«As dívidas comerciais da Região Autónoma da Madeira estão estimadas em dois mil milhões de euros, revelou ao PÚBLICO o secretário do Plano e Finanças, Ventura Garcês. A dívida global da região deve assim ultrapassar a barreira dos 8000 milhões.» [Público]

Parecer:

Mais um desvio colossal para os cubanos pagarem.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se a Passos Coelho se prometeu ao Alberto perdoar-lhe a dívida.»
  
 A coisa está a complicar-se

«Os militares da GNR que hoje participam no "passeio contra as injustiças" derrubaram as barreiras de proteção montadas na Praça do Comércio, em Lisboa, conseguindo assim chegar à porta do Ministério da Administração Interna (MAI).

Gritando "invasão, invasão", os militares derrubaram a barreira enquanto uma delegação da Associação dos Profissionais da Guarda (APG) e da Associação Nacional de Sargentos da Guarda (ANSG) entregava um documento reivindicativo.» [DN]

Parecer:

Quando são as forças da ordem a invadir o ministério...

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se ao ministro qual a marca das fraldas que usa.»
  
 Cavaco está assustado

«Questionado sobre os números divulgados hoje pelo Eurostat, que apontam para uma taxa de desemprego em Portugal de 14,8 por cento em janeiro, o chefe de Estado defendeu a união dos portugueses para conseguir "que a realidade seja melhor do que as previsões".
  
"Algumas previsões que foram apresentadas assustam qualquer pessoa e, para isso, nós temos que melhorar a competitividade do país para exportar mais e temos que ganhar a confiança de empresários portugueses, estrangeiros, empresários da diáspora para que eles possam investir mais no país, principalmente produzindo bens que podem ser exportados", afirmou, em declarações aos jornalistas à saída da sessão de encerramento I Congresso Mundial de Empresários das Comunidades Portuguesas e Lusofonia, que decorreu num hotel de Lisboa.» [DN]

Parecer:

Cavaco enganado, os do governo não pareceram assustados e até deverão estar contentes pois o processo de empobrecimento rápido e forçado está a ter um grande sucesso.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se a Cavaco se não sente um pontinha de saudades de José Sócrates.»
  

   




quinta-feira, março 01, 2012

O cavalo da estátua do D. José também estudou econometria?

As nomeações de consultores, adjuntos, assessores, estudiosos, motoristas tem sido em tão grande número e feita ao através de tantos esquemas que é difícil de as acompanhar, pelo que neste momento não temos a certeza de que o cavalo do D. José ainda está no centro da Praça do Comércio ou se já tomou posse de assessor do ministro das Finanças, com direito a quatro mil euros mais subsídios, para fazer elaborar as previsões económicas do ministro. A verdade é que desde Setembro que as previsões divulgadas pelo ministro das Finanças até deixariam o ilustre cavalo envergonhado, este desculpar-se-ia dizendo que não deixou o D. José apeado e que as referidas previsões são obra do burro que está no Jardim da Estrela.

O Teixeira dos Santos ficou conhecido por não acertar uma na caixa, mas as suas previsões tinham as qualidades do comboio espanhol que chega sempre pontualmente com uma hora de atraso, as previsões do antecessor do Vítor Gaspar também falhavam sempre por uns pontos de optimismo, a gente dava o desconto e tínhamos uma imagem própria da realidade.

A incompetência de Vítor Gaspar é mais fina e com mais fundamentação científica do que a de Teixeira dos Santos, este aldrabava o número e como dizem os homens do esférico “prontsh!”. Com o Gaspar é tudo mais elaborado e cientificamente demonstrado, como se viu com a explicação que deu para o famoso desvio colossal. Gaspar é um príncipe da economia e só não se percebe porque razão a renova, que até vende rolos de papel higiénico com demonstrações matemática. Ainda não se inspirou nos papers económicos e nas previsões para lançar uma nova linha dos preciosos rolos de papel. Nunca conseguiriam substituir os preciosos livros de cowboys, mas teriam a virtude de ensinar economia ao mais comum dos cidadãos nos pequenos intervalinhos íntimos do dia a dia. Até poderiam lançar as Novas Oportunidades do Passos Coelho e daqui a uns tempos teríamos uma nova geração de economistas.

Vejamos o que o Gaspar disse:

"A viragem cíclica da economia será percebida com atraso. O desemprego continuará a subir e atingirá cerca de 14,5% em 2012"

Que coisa fina, como somos burros e ainda não tivemos a oportunidade de andar na escola da Renova o ministro explica-nos que a economia vai recuperar, mas como nós somos atrasadinhos só o vamos perceber muito depois dele, porque isto das coisas da economia e dos ciclos económicos é uma coisa só ao alcance do Gaspar, da Santinha da Ladeira e do cavalo do D. José. Graças ao Gaspar ficamos a perceber que o desemprego continuará a aumentar e por isso não teremos o discernimento nem a inteligência necessária para percebermos a inversão subtil do ciclo económico.

Não foi há dois anos que o Gaspar disse isto, dois há dois dias! Isto é, passados dois dias o Eurostat veio dizer o desemprego já tinha atingido os 14,8% em Janeiro, ou seja, mais 0,3% do que o previsto pelo Gaspar até ao final do ano! Sejamos honestos, nem o Teixeira dos Santos errava desta forma, nem nos vinha com a treta das viragens cíclicas invisíveis para portugueses burros, um erro desta grandeza até deixaria envergonhado o cavalo do D. José, de tanta vergonha por se sentir uma besta quadrada a ilustre cavalgadura do Terreiro do Paço até ficaria vermelha, apesar do verdete do bronze oxidado.

Agora resta esperar por uma intervenção do Miguel Relvas, o ministro que costuma aparecer quando o Gaspar mete água. Relvas vai descobrir que estamos cada vez mais longe da Grécia e próximos da brilhante Irlanda cuja taxa de desemprego acabámos de alcançar. A coisa está a corre bem, muito melhor do que o previsto.

Umas no cravo e outras na ferradura




Foto Jumento


Cisne-preto [Cygnus atratus] junto ao Cais das Colunas, Lisboa
Imagens dos visitantes d'O Jumento


Estremoz [A. Moura]
  
A mentira do dia d'O Jumento
 
 
António José Seguro foi "apanhado" no preciso momento em que saltava da carroça da austeridade, parece que o líder do PS percebeu que uma coisa é ter assinado o memorando, outra é ajudar a direita mais conservadora a destruir o modelo económico e social do país.
  
O mesmo Seguro que tem vindo a demarcar-se do mais troikista do que aTroika não deixou de aceitar o convite do Álvaro para provar um dos pastéis de nata da nova multinacional portuguesa, a Sociedade Lusa dos Pastéis de Nata. Parece que Seguro ficou agradado e até perguntou ao Álvaro se Cavaco Silva já comprou algumas acções da SLPN. Ao que parece Seguro gosta de investir pelo Seguro e prefere seguir as apostas do velho professor de economia:
   

Jumento do dia


João Proença, parceiro laboral do governo

Depois da contestação de que foi alvo João Proença decidiu usar as declarações de Vítor Gaspar acerca das previsões em relação ao aumento do desemprego, deu uns ares de lutador sindical e até ameaçou com mais lutas sindicais. Compreende-se o desejo de Proença de recuperar a credibilidade perdida, mas é ridículo ameaçar o governo com mais lutas quando se sabe que enquanto líder da UGT é um general sem tropas.
 
Como se tem percebido pela forma como o governo aproveitou o acordo laboral que subservientemente assinou João Proença vendeu barato os direitos dos trabalhadores portugueses em nome dos quais se armou em representante de forma abusiva. Só que agora bem pode protestar, fez o papel de pastilha elástica da direita e dos senhores das condefederações patronais e a esta hora essa pastilha já foi mascada e atirada para o lixo.
 
«O secretário-geral da UGT, João Proença, considerou hoje que o Governo se demitiu do seu papel ao apresentar uma taxa de desemprego de 14,5 por cento para 2012, admitindo um aumento da conflitualidade laboral nos próximos meses.
  
"A mensagem do Governo para os portugueses é a que 'nós não vamos pelos desempregados e se no fim conseguirmos um desemprego de 14,3/14,4 fomos uns heróis, porque ficou abaixo da previsão. É a mensagem mais disparatada que nós já ouvimos", disse.» [DN]

 Novos pobres

Ao designar os alvos preferenciais dos empobrecidos por opção de Gaspar e Coelho o Presidente da República oficializou a existência e uma nova classe de pobres inventada pelo actual governo, os empobrecidos em 2012.

  
Nunca tal tinha sucedido em Portugal, no passado as más fases atingiram a generalidade dos portugueses opção de gente mal intencionada, a austeridade foi direccionada para apenas alguns, os odiados por liberais de pacotilha que se revelaram gente irresponsável.
      
 

 E não teve um óscar

«O Governo decidiu impor às empresas públicas que tenham mulheres nos seus Conselhos de Administração e de fiscalização. A secretária de Estado dos Assuntos Parlamentares e da Igualdade explicou à Lusa que a resolução não impõe quotas "ainda", mas que "para muita gente na UE", se até 2015 não houver 30% de mulheres nos conselhos de administração das grandes empresas, será criado um "instrumento vinculativo", o que tanto pode significar que se fará uma lei como que se recorrerá a uma força de intervenção.
  
A coisa suscita, no entanto, algumas dúvidas: se é o Governo quem, directa ou indirectamente, nomeia os membros dos Conselhos de Administração das empresas do Estado porque é que precisa de uma decisão sua, Governo, para se obrigar a nomear mulheres? Será para poder justificar-se a um improvável "lobby" do macho ibérico que, por sua iniciativa, não nomearia mulher nenhuma, mas que infelizmente foi obrigado a isso? E se o "lobby" lhe perguntar: "Obrigado por quem?", responderá o Governo: "Por mim mesmo"? E uma última dúvida ainda, que a Lusa não esclarece: o filme é com os Irmãos Marx ou com os Monty Python?
  
O plano (porque, aparentemente, há um "plano") passa também por o Estado apresentar uma proposta, não custa imaginar que "irrecusável", às empresas privadas onde é accionista e às cotadas em bolsa para que façam exactamente o mesmo. (Aqui chegados, já me parece mais tratar-se de "O Padrinho" IV).» [Jornal de Negócios]

Autor:

Manuel António Pina.
  

 Mais uma raquetada

«O presidente da República defendeu esta quarta-feira, em entrevista à TSF, que é "impossível impor mais austeridade" a um conjunto de portugueses mais vulneráveis, "a que agora se chama novos pobres", e disse que "é preciso olhar às pessoas".» [CM]

Parecer:

Este pingue-pongue está a ficar animado.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Faça-se um sorriso.»
  
 Os cubanos estão a deixar de ir à Madeira

«A Região Autónoma da Madeira perdeu entre janeiro e outubro de 2011 cerca de 15% de hóspedes portugueses, informou hoje a secretária regional da Cultura, Turismo e Transportes, Conceição Estudante.» [DN]

Parecer:

A Madeira parece estar a sofrer mais com a austeridade no "contenente" do que com o resgate negociado entre o Alberto e Passos Coelho.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Temos pena.»
       
 A anedota do dia

««O Governo está a fazer um caminho de recuperação do país, foi isso que foi ao longo últimos oito meses e será assim ao longo do mandato, criando condições para que a economia portuguesa possa crescer. O Governo tudo tem feito para limitar a austeridade», disse o ministro Adjunto e dos Assuntos Parlamentares, em declarações aos jornalistas em Lisboa, durante uma visita ao Salão Internacional do Setor Alimentar e Bebidas (SISAB), que hoje encerrou.
 
Cavaco Silva, numa entrevista emitida hoje pela estação de rádio TSF, afirma que há um «conjunto de pessoas» a quem se chama agora «os novos pobres» e a quem «é impossível impor mais austeridade», referindo que essas pessoas «são aquelas que são mais atingidas por medidas, não tendo, às vezes, em conta a especificidade de cada grupo».» [TVI24]

Parecer:

Se não estivesse a gozar com os portugueses o Relvas merecia uma gargalhada.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Ainda que Relvas esteja a gozar com as dificuldades dos portugueses e a responder a Cavaco Silva de forma pouco própria dê-se a merecida gargalhada.»
  
 Vai fazer-se justiça

«Deputados de todos os partidos convergiram nesta quarta-feira na reintegração no Exército do capitão de Infantaria Barros Basto, afastado por motivos “político-religiosos” em 1937, comprometendo-se em, último caso, a legislarem como o Parlamento fez no caso Aristides de Sousa Mendes.
 
Arthur Carlos Barros Basto foi um herói da I Guerra Mundial e o militar que hasteou a bandeira da República no Porto, mas a sua conversão ao judaísmo e liderança de uma campanha nacional e internacional pela busca e conversão dos descendentes dos judeus portugueses marranos ditou o seu afastamento do Exército em 1937.» [Público]

Parecer:

Só se lamenta que a justiça tenha chegado tão tarde, 38 anos depois do 25 de Abril.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Aprove-se.»
  
 Cavaco Silva no seu melhor

«A influência excessiva das agências de rating é um reflexo da «cobardia política» dos líderes europeus, segundo o Presidente da República. Cavaco Silva critica a falta de solidariedade na Europa, que «padece de alguma má moeda».» [Diário Digital]

Parecer:

O mesmo Cavac Silva que agora ataca violentamente os políticos europeus por não fazerem frente às agências de rating dizia no tempo de Sócrates que se devem respeitar os mercados.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Faça-se um sorriso cínico.»
  
 Trabalhadores da CM de Setúbal pagam o populismo fácil do PCP

«Cerca de 400 funcionários da câmara de Setúbal terão de devolver perto de um milhão de euros relativos a aumentos salariais decorrentes de alterações de posição remuneratória por opção gestionária referentes aos anos de 2009 e 2010.
 
(...) Apesar disso a autarca anulou os despachos de 2009 e 2010 e os trabalhadores vão ter de repor os valores auferidos indevidamente. Caso contrário caberá à presidente da câmara assumir, “com recurso ao seu salário e património”, o reembolso desses valores, já que é a autarca que incorre na “responsabilidade financeira sancionatória e reintegratória”. Os pagamentos podem ser feitos de forma parcelar até ao final do ano subsequente ao da anulação do despacho, ou seja, até ao final de 2013.
 
Há casos de trabalhadores em que os aumentos foram superiores a 150 euros por mês. Os valores recebidos, alguns deles com efeitos retroactivos, ascendem em alguns casos a perto de cinco mil euros.» [Público]

Parecer:

É uma pena que o reembolso não seja voluntário, dessa forma a presidente teria de pagar pelos seus abusos.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Proteste-se.»