sexta-feira, Abril 25, 2014

Umas no cravo e outras na ferradura


 
   Foto Jumento
 

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Parada militar no dia 25 de Abril de 2004, Lisboa
  
 Jumento do dia
    
Paulo Portas

Ainda bem que Paulo Portas solicitou um esclarecimento público por parte da PGR, assim todos podemos dormir descansados pois o vice de Passos Coelho é mesmo inocente no processo. Graças a Deus.

«Foi Paulo Portas quem pediu ao Ministério Público que comunicasse publicamente a sua audição como testemunha no processo dos submarinos, confirmou ao DN fonte oficial da Procuradoria-geral da República. Para isso, o vice-primeiro ministro invocou junto do MP uma disposição na lei que admite "esclarecimentos públicos quando forem necessários ao restabelecimento da verdade e não prejudicarem a investigação" a "pedido de pessoas publicamente postas em causa".

Aliás, foi com base neste artigo da lei (alínea a) do nº13 do artigo 86 do Código do Processo penal) que a Procuradoria-geral da República emitiu, hoje, um comunicado, dando conta da audição de Paulo Portas no Departamento Central de Investigação e Acção Penal como testemunha no processo dos submarinos.» [DN]
 
      
 A notícia do Coelho esfolado é exagerada
   
«Ontem, num ambiente económico - aniversário do Diário Económico e discussão sobre o fim da troika - Pedro Passos Coelho saiu-se com esta frase: "Não devemos esfolar um coelho antes de o caçar." A assistência riu, como nos cabe, povo simpático, perante frases surpreendentes. É verdade que o primeiro-ministro, sorrindo, mostrou que assumia a piada quando prosseguiu: "Eu que estou aqui e sou Coelho, não gostaria de ser caçado antes de poder dizer que nós concluímos todos os exercícios do programa de ajustamento." Ora tudo isto não faz sentido nenhum. A menos, como julgo, que o faça. Comecemos pelo inverosímil: "Não devemos esfolar um coelho antes de o caçar" dito por alguém chamado Coelho ou Melquíades é o mesmo, é sempre tolo. Mesmo os portugueses acusados de pouco sentido prático sabem que esfolar um coelho que esperneia é difícil, quanto mais ousar fazê-lo a um que ainda corre nos bosques! Por isso, porque o povo é sábio, é que não há nenhum provérbio assim. Há é um provérbio que soa parecido: "Não vendas a pele do urso antes de matá-lo"... E era aqui que o primeiro-ministro queria chegar, tanto que inventou uma frase e colou-se a ela ("eu, que sou Coelho"). Afinal, não era de economia que ele falava, mas de política: "A notícia de que o Coelho já está esfolado é exagerada...", lançou ele aos adversários. Foi subtil e se Seguro fosse prudente atirava-se também a provérbios imaginativos. O debate político ficava a ganhar.» [DN]
   
Autor:
 
Ferreira Fernandes.
   
   
 A direita no seu melhor
   
«O PSD na Madeira decidiu excluir o símbolo do CDS dos cartazes da candidatura da Aliança Portugal ao Parlamento Europeu.

Ao contrário dos sociais-democratas açorianos que adoptaram a mesma linha gráfica da coligação nacional, no cartaz afixado esta semana no Funchal, com a fotografia da candidata madeirense Cláudia Aguiar, apenas figura o símbolo e sigla do “PPD/PSD Madeira”. Por “Uma nova Europa, a das pessoas e não do capital”, os mupis têm, no canto inferior direito, uma referência à Aliança Portugal mas omitem o símbolo do parceiro CDS/PP que estará impresso, ao lado do PSD, no boletim de voto do círculo único nacional.

A exclusão do CDS/PP dos cartazes “só prejudica a coligação, porque confunde os eleitores que verão os dois símbolos no boletim de voto”, declara o líder regional dos populares, José Manuel Rodrigues, ao PÚBLICO. “Sinceramente, não consigo perceber com que objectivo amputaram o símbolo da Aliança Portugal”, confessa.» [Público]
   
Parecer:

E chamam a essa treta "Aliança Portugal".
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se a Paulo Portas se também tem um relógio com a data em que vai recuperar a sua dignidade..»
  
 Até tu Tó?
   

«- Senhor ministro, calça Portugal? 
- Às vezes calço Portugal 
- depende, tem dias! 
- Isso quer dizer que nem sempre calça sapatos portugueses, certo? 
- Todos nós temos a oportunidade de comprar mais português, como é evidente. 
- Mas neste momento calça sapatos portugueses? Teve esse cuidado? 
- Neste momento? Não.   

Este diálogo, entre o jornalista do Negócios e o ministro da Economia, aconteceu a 4 de Março passado, em Milão, no final da visita de Pires de Lima a algumas empresas portuguesas presentes na Micam, maior feira mundial de calçado.    

O ministro da Economia confessou então que calçava sapatos de marca estrangeira quando tinha acabado de elogiar a performance da indústria nacional de calçado, “um sector exemplar em Portugal”, que merece que tenha “decidido sair do conforto da Horta Seca [onde se situa o Ministério da Economia, em Lisboa], para estar em Milão estes dois dias com os empresários do calçado”. (...)

Na manhã desta quarta-feira, na Conferência Executive Digest, que decorreu na Católica Porto Business School, subordinada ao tema “A contribuição da indústria para o desempenho global da economia”, Pires de Lima, após voltar a referir a indústria nacional de calçado como um sector “exemplar” em Portugal, rematou: “Até eu já tenho já tenho sapatos portugueses» [Jornal de Negócios]
   
Parecer:

XCoitado, desde que deixou o negócio da bebedeira e sofreu os cortes no vencimento do Estado até já usa sapatos próprios dos xungas...
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «A Santinha da Horta Seca calça-se bem, faz lembrar os sapatinhos Prada do Ti Ratzinger.»
   
 Cavaco Silva vai à China
   
«O parlamento aprovou hoje por unanimidade a deslocação do Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, à República Popular da China entre 11 e 19 de maio, para uma visita oficial a convite do seu homólogo Xi Jinping.» [Notícias ao Minuto]
   
Parecer:

Quando o então ministro das Finanças foi à China Cavaco interrogou-se sobre de onde estaria a vir o dinheiro para Portugal. Parece que agora a China já não faz comichão.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se a Cavaco se optou pela China porque a Dona Maria queria ver a Grande Muralha à borla.»
   
   
 Afinal a Santinha das Horta Seca não é milagreira
   
«Os maiores exportadores portugueses contribuem bem menos do que se pensa para o aumento da riqueza interna da economia, vulgo PIB, diz o Banco de Portugal.

O caso mais evidente é o do sector dos produtos petrolíferos refinados, onde a Petrogal (grupo Galp) é o maior ator: é o grande exportador por excelência, em peso e em dinamismo anual, mas importa tanto que acaba por quase anular o seu contributo aparente para a expansão anual.

No boletim económico da primavera, o banco central governado por Carlos Costa denuncia a situação, analisando o que aconteceu em 2013. “Por exemplo, os produtos petrolíferos refinados reduzem o seu peso (de 7,8% nas exportações nominais totais de bens para 1,9%) enquanto os artigos de vestuário registam um aumento (de 5,5% para 7,1%)”. É a diferença entre considerar-se a evolução normal – utilizada pelo Governo para se congratular pelo sucesso do ajustamento externo – e usar uma medida corrigida da dependência desses sectores às importações.

Também o contributo líquido dos refinados é muito menor. As exportações de bens totais avançaram 27,4% em 2013, sendo que o contributo oficial do sector em causa se saldou em 2,1 pontos percentuais. A medida corrigida baixa essa ajuda para apenas 0,5 pontos.» [DN]
   
Parecer:

Está desmontada mais uma mentira do governo.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se conhecimento à Santinha da Horta Seca»
   
 Podemos ficar descansados
   
«O presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, garantiu hoje em Cantanhede que não será "candidato nestas eleições para a presidência da república".

O ainda presidente da Comissão Europeu - que falava em Cantanhede, onde foi receber a medalha de ouro do município - argumentou que precisa de mais tempo para a família e para "as leituras".» [DN]
   
Parecer:

Parece que nos vamos livrar do cheiro do peixe podre.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Festeje-se.»
   
 Pobre secretariozinho de Estado da Cultura
   
«A Procuradora-Geral da República, Joana Marques Vidal, cumpriu hoje a promessa de avançar com novas acções judiciais para travar a venda das 85 obras de Joan Miró do espólio do BPN. Fontes judiciais confirmaram ao Económico que deu entrada hoje de manhã no Tribunal Administrativo de Lisboa (TAL) uma terceira providência cautelar que visa impedir a saída da colecção do artista catalão para Londres, bem como o leilão das obras que estava previsto para Junho.

Esta nova acção judicial foi já aceite pelo TAL, que proferiu um despacho a impedir a saída das obras e o leilão, congelando assim todo o processo de venda que está em curso. Esta providência cautelar, segundo a mesma fonte, "visa evitar que as requeridas [Ministra das Finanças, Secretário de Estado da Cultura, Parvalorem, Parups e a própria Christie'S] promovam a saída e leilão das obras em causa sem que previamente seja cumprida a lei". Em causa está, diz, a Lei de Bases do Património Cultural, que "é uma lei de valor reforçado", pelo que não pode ser dada nenhuma autorização de expedição das 85 obras Miró enquanto não estiverem assegurados os procedimentos de inventariação e classificação das obras. O que só por si inviabiliza o leilão que a Christie's tem marcado para Junho, em Londres.» [DE]
   
Parecer:

O homem nunca mais se vê livre dos Miró.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»
     

   
   
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quinta-feira, Abril 24, 2014

Saídas limpinhas

O memorando previa que terminados os três Portugal regressaria aos mercados e o assunto ficaria “esquecido”, agora em vez de uma casinha com uma porta de saída o memorando passou a ter tantas portas como as do Terreiro do Paço e cada um inventa uma saída limpa à sua maneira, até aquelas que eram consideradas sujas já passaram a ser tratadas como limpas. Depois de três anos em que um coelho que ficou por esfolar decidiu esfolar os grupos sociais e profissionais que odeia nada foi feito e só isso explica tanta preocupação com a limpeza.

Cavaco quer ir morrer descansado e viver os anos que lhe restam com a sensação de que fez grande coisa, foi um primeiro-ministro que usou de forma incompetente as ajudas comunitárias, não tocando nas causas do subdesenvolvimento económico, deixou atrás de si um rasto de ladroagem que lembra os quarenta ladrões do Ali Babá, foi um presidente incompetente, com um discurso crispado e fazendo politiqueira, apoiou a espoliação e empobrecimento forçado dos pensionista e funcionários públicos. Agora quer um programa cautelar, isto é, quer que tudo fique bem preso em arames não vá o país entrar em colapso e alguém lembrar-se de que deve prestar contas ao país.
  
Depois de ter andado armado em Rolex o líder do CDS não tem outra saída que não seja uma saída sem troika, acabando com o protectorado de que andou a falar, até porque a imagem do Vasconcelos a ser atirado pela janela deve atormentar-lhe as noites. Depois de ter sido o partido dos pensionistas que tramou Paulo Portas quer que o CDS seja o partido limpinho e nas próximas eleições em vez de fazer campanha nas feiras vai fazê-la na secção do Skip nos supermercados dos merceeiro holandês.

Passos Coelho ainda não sabe o que fazer, se optar pelo Clarim para lavagem à mão ou pelo lava tudo do Paulo Portas. Se optar por uma limpeza total com recurso à lixívia arrisca-se a ver tudo a desmoronar mal o indiano se vá embora. Se políticos como Portas, Seguro e Cavaco não ficarem em liberdade condicional ao abrigo de um programa cautelar não tarda muito para que a Ilda vá a correr meter os puto na barraca porque vai haver pedrada. Portas vai dizer que a culpa foi do Pedro e o Tozé vai lembrar Cavaco de que foi ele o primeiro a sugerir eleições antecipadas, até as pôs à venda na feira da Ladra. Para Passos Coelho a melhor saída seria suspender a democracia e depois vir dizer que estava previsto no memorando e foi uma imposição da troika.
  
A verdade é que a merda é tanta que não há saída limpa alguma, o país não fez uma reforma séria, os cortes na despesa foram considerados inconstitucionais e tanto quanto se sabe a Constituição é a mesma, a dívida vai nos 130% do PIB, o crescimento económico é de quase zero, os quadros mais jovens e melhor qualificados partem em massa, os serviços públicos foram desvalorizados, desorganizados e lançados no marasmo, a credibilidade do sistema político está ao nível do Burkina Faso, o governo está recheado de gente que nem o merceeiro holandês contrataria para as suas caixas e muito menos para a sua fundação da treta.

O que melhor simboliza a limpeza desta saída é a gente suja que durante os 40 anos de democracia enriqueceu de forma fácil, gente muito bem simbolizada na seita de canalhas que ganharam dinheiro fácil com negócios da SLN. Como é possível uma saída limpa com gente com merda até ao pescoço?
 
 

Umas no cavo e outras na ferradura


 
   Foto Jumento
 

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Alfama, Lisboa
  
 Jumento do dia
    
Nuno Magalhães

Para deputado o Nuno Magalhães anda muito mal informado senão sabia que o verbo "repor" não é uma originalidade de Seguro mas sim do Tribunal Constitucional. Se tem dúvidas então que volte a ver a entrevista que Passos Coelho deu em Setembro de 2012 (aqui).

«"É preciso e é salutar em democracia, que da parte da oposição, sobretudo daquela que quer ser alternativa, dê pistas, dê caminhos, dê alternativas, e que não se limite a conjugar o verbo repor", afirmou Nuno Magalhães, na abertura do debate quinzenal com o primeiro-ministro no parlamento.

"Repor, repor, repor", insistiu, afirmando que os socialistas, se não fossem contrariados, "acabariam por repor a ´troika'".» [Notícias ao Minuto]
 
 A incompetência da troika

Aquando da primeira revisão da legislação laboral a troika assegurava ser indispensável para criar emprego, não se tendo queixado da insuficiência das medidas. Como tudo falhou a troika concluiu que é necessário promover mais uma revisão laboral para tornar os salários ainda mais baixos. Quando será que o representante da troika para de tentar criar emprego, quando os portugueses começarem a emigrar para as fábricas têxteis do Bangladesh?

As referências sociais do indiano que lidera a troika não são as melhores, o senhor parece estar ainda na Índia.
 
      
 O polícia que tratou o FMI como deve ser
   
«No aeroporto, o polícia olhou para o passaporte, olhou para o gordo com cara de bem não transacionável e disse-lhe: "Quer uma entrada limpa?" O gordo não percebeu. O polícia: "É que se há saídas limpas, sem favores, também há entradas limpas. Quer entrar em Portugal limpamente?" O gordo disse que sim. O polícia olhou mais dez vezes para o passaporte e disse: "Estou a fazer a minha 11.ª avaliação... Nome, Subir Lall... Chefe de missão do FMI... É, o senhor tem visto." O gordo, já com soberba: "Claro que tenho!" O polícia, como quem fala da subida do salário mínimo: "Mas é prematuro especular sobre o tema... Que dia é hoje?" O gordo, julgando que números é com ele: "20!" O polícia: "Justamente, o visto de entrada é para o dia 21." Pegou numa calculadora, que dedilhou: "21 menos 20... É, falta um dia para entrar." O gordo: "Por amor de Deus, só por um dia..." O polícia: "Deixe-me citá-lo, sr. Subir Lall: este não é tempo para complacências." O gordo: "Mas que mal faz? Não entro amanhã, entro hoje, vá lá..." O polícia: "Aí já não o cito, você gosta da redução dos custos de trabalho mas eu não gosto da redução do tempo de entrada." O gordo, insistindo numa medida de ajustamento. "Vá lá..." O nosso polícia, firme: "O senhor pode gostar de facilitar despedimentos, mas eu não me despeço de si sem o visto em ordem." E durava esta conversa 40 minutos quando, por telefone, chegou o programa de assistência ao gordo. E o gordo lá entrou.» [DN]
   
Autor:
 
Ferreira Fernandes.
   
   
 A não ser que o coelho seja um coelhão como o Coelho
   
«"Não quero alimentar nenhuma especulação. Por uma razão de natureza formal, não concluimos ainda a 12 avaliação", disse Pedro Passos Coelho, sobre a escolha para o período pós-troika, na conferência do 25º aniversário do "Diário Económico".

"Não devemos esfolar um coelho antes o caçar. E eu que sou coelho de mim falo", afirmou, reforçando que a decisão será comunicada "quando o relatório da ultima avaliação estiver em cima da mesa".» [DN]
   
Parecer:

Pois, mas os pensionistas e todos os portugueses que Passos detesta podem ser esfolados em qualquer ocasião e as vezes que ele bem entender.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Vomite-se.»
  
 Ganda Bertone
   
«O cardeal Bertone, de 79 anos, que foi secretário de Estado de Bento XVI, está em contradição com o apelo de Francisco para uma "Igreja dos pobres", uma situação que está a provocar uma forte irritação no Papa argentino.

De acordo com o diário italiano 'La Repubblica', Bertone uniu dois apartamentos no último andar do Palácio de São Carlos, criando assim uma cobertura de 700 metros quadrados, cem dos quais constituem o terraço.A nova e luxuosa residência de Bertone fica praticamente ao lado da Casa de Santa Marta, onde o Papa Francisco ocupa 70 metros quadrados.» [DN]
   
Parecer:

Os bons católicos pagam a residência luxuosa do alarve com esmolinhas na missa.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»
   
 O Coelho estava mesmo inspirado
   
«"O essencial dessas medidas [de austeridade] foi feito à custa da despesa corrente primária, que foi reduzida, fora esses montantes [de cortes em salários e pensões], e em particular com os muitos submarinos que nós poupámos a Portugal e aos portugueses durante muitos anos com os contratos que cancelámos." Foi desta forma que Pedro Passos Coelho enfatizou a redução da despesa pública entre 2010 e 2013, dando o exemplo dos submarinos adquiridos por Paulo Portas e pagos em 2010 pelo Governo de José Sócrates como prova cabal de que o esforço orçamental "não foi simplesmente ancorado em medidas que são extremamente dolorosas como as da redução de rendimentos" de funcionários públicos e pensionistas.» [DN]
   
Parecer:

Digamos que o Portas deverá ter sentido uma sensação estranha no duodeno.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se a merecida gargalhada e sugira-se ao Coelho que em 215 poupe um porta-aviões.»
     

   
   
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quarta-feira, Abril 23, 2014

Os cravos e os cravas de Abril

Se os cravos de Abril começaram a murchar muito depressa houve uma espécie animal oportunista que floresceu ao longo destes 40 anos em todos os domínios da sociedade portuguesa e que dominam a vida do país. Aos poucos foram-se instalando, desenvolvendo subespécies especializadas normais diversos domínios, desde a economia ao jornalismo, até que o seu domínio é tão grande que se fica com a sensação de quem sem eles o país não sobreviveria.
  
É uma espécie omnívora que se alimenta de qualquer fonte de rendimento, cada subespécie destes cravas especializou-se a desviar uma parte da riqueza do país em proveito próprio. Acontece com os cravas o mesmo que com algumas espécies vegetais que para atraírem os insectos apresentam formas, perfumes e cores deslumbrantes. Também os nossos cravas são bem falantes e até parece que sabem muito do que falam, vestem bem, em vez de barbeiros recorrem aos serviços estéticos de cabeleireiros. Alguns até são híbridos conseguindo mudar da política para a advocacia, desta para a gestão de empresas de onde até conseguem dar o pulo para a comunicação social. São estas qualidades que a tornaram numa espécie de mimosas da sociedade portuguesa.
  
A advocacia tem sido um terreno fértil para os cravas até porque beneficiando do estatuto da classe disfarçam melhor a origem dos rendimentos. Os advogados políticos multiplicaram-se, o parlamento não passa de uma sala de estar de um clube de advogados, os gabinetes governamentais estão cheios de jovens advogados representando os seus escritórios. O sucesso destes cravas tem sido tão grande que o Estado quase deixou de ter quadros em lugares de decisão pois foram substituídos pelos cravas dos grandes escritórios especializados em pareceres.
  
O jornalismo já quase o deixou de ser, começa a ser difícil distinguir entre um jornalista e um crava, quando algo é noticiado nunca sabemos se é uma novidade ou mais uma manobra de um crava exercendo a sua actividade parasitária sob a forma de disfarce. Aliás, há mesmo muitos cravas que nem sequer disfarçam o que são, vindo de escritórios de advocacia, de gabinetes de empresas ou de austeras universidades exercem as funções de cravas na comunicação social sem qualquer pudor.

Mas tem sido na política que os cravas têm tido mais sucesso, ainda que na maior parte dos casos consigam ser cravas em regime de acumulação, são advogados e deputados, gestores e consultores presidenciais ou mesmo banqueiros e políticos rascas. Quase todos os cravas passam pela política que está para eles como Meca está para os muçulmanos, têm de lá ir pelo menos uma vez, uns são mais activos e até podem ter a sorte de num dia ganharem dinheiro com acções duvidosas e no outro dia serem presidentes.
  
Mas os cravas têm conseguido chegar a todos os cantos da sociedade, há cravas na universidade ou os que sem lá irem conseguem cravar um canudo numa qualquer ciência tão duvidosa quanto eles,  há cravas nas fundações financiadas por mercearias, há cravas na cultura a exportar obras de arte pela calada da noite, há cravas por tudo quanto é lado. São os cravas de Abril, gente que detesta a democracia mas a parasita, gente que nunca teria enriquecido ou chegado aos altos cargos nacionais ou internacionais sem essa democracia que detestam e à qual atribuem muitos defeitos.

Umas no cravo e outras na ferradura


 
   Foto Jumento
 

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Chafariz das Terras, Lisboa


 Fotos dos visitantes d'O Jumento
  
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Imagem de J. de Sousa
  
PS: Como diria o Durão Barroso no tempo da outra senhora havia uma preocupação sincera pelos pobrezinhos.
  
 Jumento do dia
    
Cavaco Silva

Um dos políticos que mais politiquice fez ao longo da sua carreira política usa agora o cargo presidencial para desvalorizar os partidos e o jogo partidário, numa tentativa desastrada de atacar a oposição num período eleitoral. Quando era primeiro-ministro eram instituições como o Tribunal Constitucional que considerava forças de obstrução, agora atira as culpas para aquilo a que chama crispação

A forma como Cavaco coloca as empresas como a força do progresso por oposição às consequências da democracia é um discurso impróprio de um Presidente da República do Portugal democrático. Ainda por cima quem vem com esta lenga lenga é um político que deu cobertura a falas acusações contra um governo e que entre discursos de vitória e livros da treta tem escrito os momentos de maior crispação e politiqueira de baixo nível.

Este não é o Presidente de que Portugal precisava neste momento, é um opresidente que todos desejamos que parta o mais depressa possível, deixando o cargo para alguém que olhe restitua a dignidade e prestígio que já teve.

«Cavaco Silva afirmou esta terça-feira que “há um sentimento positivo em relação à evolução da economia portuguesa". Perante uma plateia de empresários reunidos em Oliveira de Azemeis, afirmou que são as empresas "e não as intrigas, as agressividades, as crispações, os insultos entre agentes políticos, que promovem o crescimento económico, a criação de emprego e a conquista de novos mercados.”

Foi já no final de um almoço com empresários, no âmbito do Roteiro para uma Economia Dinâmica, que o Presidente da República lançou a farpa para o ar, numa clara alusão ao clima de campanha eleitoral em que o país já vive. Um aviso sem mais explicações nem direito a perguntas.» [Público]
 
 Uma pergunta a Cavaco

Não acha que o melhor contributo que poderia dar ao país seria retirar-se ara a luxuosa Quinta da Coelha ou, como diz o povo, desempatar a loja?
 
      
 Porque é o governo melhor que o FMI?
   
«Obrigar quem manda a dar satisfações a quem obedece foi um grande salto para a humanidade. Os faraós nem se sentiam obrigados a mentir ao povo... Ontem, um Tutancámon moderno, o FMI, desatou a defender os despedimentos fáceis como um estalar de dedos. Sem isso, não haverá "criação de empregos", disse. Isto é, deixe-se despedir agora para ser repescado... Aos olhos do principal interessado, a quem se garante a morte hoje em troca da promessa de vida amanhã, as palavras do FMI são abusivas. Mas naturais porque o abusador não deve ao abusado nada, nem um voto. Já com governantes em democracia a coisa é mais cuidada. Também ontem, em anexo ao documento do FMI que falava de cima aos portugueses, conheceu-se um documento do Governo. Este anunciava despedimentos na Função Pública até ao fim do ano, "um programa de rescisões para funcionários de baixos salários". Não vou discutir o conteúdo, mas a forma. Desta vez, quem fala de despedimentos teve o cuidado de se escudar. Anuncia o mal mas adianta logo aquilo que vai ser a sua justificação: o setor público português tem, na base, trabalhadores a mais e isso impede que se modernize. Ontem, pois, um mesmo problema: os despedimentos. Mas dito de duas formas: um, com a prepotência de quem não precisa de nós e, outro, com o cuidado de quem precisa. Por isso é que um sábio disse que a democracia era o pior dos governos, com exceção de todos os outros.» [DN]
   
Autor:
 
Ferreira Fernandes.
   
   
 Associação 25 apela à expulsão dos vendilhões do templo
   
«A Associação 25 de Abril apelou nesta terça-feira a uma "ampla mobilização nacional" para expulsar os "vendilhões do templo" como classificou o actual Governo e o Presidente da República, na mensagem alusiva aos 40 anos da revolução.

"O Governo, e a cobertura que lhe é dada pelo Presidente da República, protagonizam os fautores do `estado a que isto chegou´, razão pela qual não serão eles a quem possa continuar a confiar-se os destinos de Portugal", defendeu a Associação 25 de Abril, presidida pelo coronel Vasco Lourenço. Por isso, sustentou, "torna-se urgente uma ampla mobilização nacional" para, "aproveitando as armas da Democracia, mostrar aos responsáveis pelo `estado a que isto chegou´ um cartão vermelho, que os expulse de campo". "Temos de ser capazes de expulsar os `vendilhões do templo´. Os desmandos e a tragédia da actual governação não podem continuar", apelou.

Aquela associação defendeu igualmente que os portugueses têm de "ser capazes" de "retornar às presidências de boa memória de Ramalho Eanes, Mário Soares e Jorge Sampaio", traçando um diagnóstico negativo sobre o estado do país, 40 anos depois do 25 de Abril.

A Associação 25 de Abril  advertiu para possíveis consequências do agravamento das desigualdades, afirmando que a "manutenção da democracia apenas será viável pela reafirmação dos valores de Abril". "As desigualdades, consumadas no aumento do enriquecimento dos que já têm tudo e no cada vez maior empobrecimento dos mais desfavorecidos, transforma a nossa sociedade num barril de pólvora que apenas será sustentável numa nova ditadura opressiva, com o desaparecimento das mais elementares liberdades", advertiu.» [Público]
   
Parecer:

A totó parlamentar vai arrepender-se da sua ligeireza.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Expulsem-se os vendilhões!»
     

   
   
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