terça-feira, maio 30, 2017

Umas no cravo e outras na ferradura



 Jumento do Dia

   
Rui Moreira

É cada evz mais evidente que o negócio imobiliário da Selminho é tudo menos claro, razão para que a imagem de Rui Moreira se esteja a degradar. Mas o autarca limitou-se a processar o jornal Público, talvez por considerar que a mera abertura de um processo judicial funciona como água benta para a usa imagem.

Rui Moreira parece estar enganado e o Público volta ao tema, cercado cada vez mais o populista de direita que dirige a CM do Porto. Ainda por cima Rui Moreira está com azar, se o jornal fosse de Lisboa poderia dizer que alguns interesses estranhos teriam levado os jornalistas a um bordel, ou que há uma conspiração de mouros, mas o Público pertence à SONAE, um dos símbolos empresariais da cidade do Porto.

«O acordo firmado em 2014 entre a Câmara do Porto e a Selminho, imobiliária da família de Rui Moreira, teve por base um compromisso camarário de rever duas normas do Plano Director Municipal (PDM), alegadamente assumido pelo município em 2012, no mandato de Rui Rio, mas que nunca existiu. Este facto reforça as teses dos que afirmam ter havido, após a posse do presidente da câmara, uma alteração favorável à Selminho na posição do município sobre o litígio que mantinha com aquela empresa. Mas há quem aponte em sentido diverso.

Com uma origem semelhante a muitos outros que se arrastam nas câmaras e nos tribunais, o conflito que opõe, desde 2005, aquela imobiliária ao município do Porto prende-se com divergências sobre o que pode ou não ser construído num terreno da primeira. Em causa estão interpretações distintas do PDM. Neste caso, o diferendo nasceu do facto de a Selminho considerar que tem direito a construir o que era permitido quando comprou o terreno, em Julho de 2001. A autarquia, por seu lado, sempre entendeu que à data em que a empresa formalizou a intenção de construir, Novembro de 2005, o local já estava vedado à construção.

Adquirida por 30 mil contos (cerca de 150 mil euros) a um casal que lá residia há dezenas de anos e a registara por usucapião um mês antes, a propriedade, com 2260 m2, situa-se num terreno fortemente inclinado, sobranceiro ao Douro, mesmo ao lado da ponte da Arrábida e junto à Via Panorâmica Edgar Cardoso. Por baixo, em plena escarpa, encontra-se o condomínio Douro Foz, um empreendimento habitacional erguido em socalcos pela empresa Contacto [então pertencente ao grupo Sonae, proprietário do PUBLICO] numa altura em que PDM de 1993 não proibia a construção nas escarpas do Douro.» [Público]

segunda-feira, maio 29, 2017

Tadinho do Marques Mendes

Se recuarmos uns anos, não muitos, veremos a comunicação social da direita elogiando Vítor Gaspar porque tinha escrito um artigo para publicar no site do ministério das Finanças alemão. O ministro achou que devia premiar o seu pau mandado em Portugal e escolheu essa forma. Mais tarde, Wolfgang Schäuble achou que Maria Luís Albuquerque merecia idêntica distinção e montou uma encenação a que chamou seminário, juntou uns quantos funcionários do seu ministério e a Maria Luís lá falou para as máquinas fotográficas.

Gaspar que até era doutorado, herdeiro das virtudes da avó Prazeres, mulher com a sabedoria ruralista da Serra da Estrela, era o novo Salazarzinho das nossas finanças públicas, dele se dizia ter um grande futuro e até já havia quem garantisse que o papel de Passos Coelho era transitório. Mas as coisas correram mal, num momento de lucidez Gaspar percebeu que tinha falhado e fugiu.

Maria Luís Albuquerque era a mulher cheia de virtudes próprias de quem era filha do cabo da guarda de Cabora Bassa, falando com voz grossa passava a mensagem da grande economista. Passos, um grande admirador desta licenciada na Lusíada com alguns conhecimentos de swaps e outros produtos financeiros, chegou a vê-la com uma grande pasta na Comissão Europeia. Passos até mandou o Moedas para Bruxelas porque achou que um mero cargo de comissária europeia era pouca coisa para tão grande sumidade.

Agora temos o pobre Mário Centeno, foi gozado pelos cenários macroeconómicos, desde então que a direita adotou como estratégia a ridicularização do ministro das Finanças, na primeira vez que foi ao parlamento a notícia foi a de que Passos riu até às lágrimas. Durante um ano todas as medidas económicas do governo foram chumbadas por Passos, com a preciosa ajuda da Dra. Teodora.

Desde o salazarismo que a direita está convencida da sua superioridade técnica em matéria de economia, os seus economistas até olham de soslaio para todo o economista que seja de esquerda, consideram-nos gente mal habilitada e nem reconhecem qualquer valor às escolas onde andaram. E se frequentaram  Harvard, como sucede com Centeno, lá descobrem que a sua especialidade era um qualquer tema menos importante.

Ver um político como marques Mendes, que é um caso raro de equilíbrio entre dimensão física e dimensão intelectual, desvalorizar Centeno e insinuar que o ministro das Finanças se está a oferecer para presidente dói Eurogrupo só pode merecer uma gargalhada.

Umas no cravo e outras na ferradura



 Jumento do Dia

   
Álvaro Amaro, um político muito corajoso

Este agitado autarca do PSD, que se destacou nos últimos meses por chamar a si a denúncia de favores governamentais com objetivos eleitorais, disse agora que ainda não há lei quadro, Até aui tudo bem, mas como Álvaro Amaro diz que é preciso ser muito corajoso para fazer esta denúncia, ficamos seriamente preocupados com a sua segurança. Talvez esse perigo seja a razão para nunca o ter dito no passado, quando o seu partido estava no poder.

«A Lei-Quadro da Descentralização "não existe, nem existirá com os decretos. Por isso eu exorto os meus colegas nos órgãos, exorto o meu partido, para que comunicando todos nós bem, possamos dizer alto e bom som, que esta é uma reforma que o país precisa - os números atestam isto -, é uma bandeira muito importante do partido, mas não podemos deixarmo-nos ir em cantos de sereia", alertou Álvaro Amaro, na Maia, durante a sua intervenção na Convenção Autárquicas Nacional.

Álvaro Amaro considera que o Governo não vai fazer esta reforma e avisou que até já leu que a reforma é para depois das eleições.

"Então se é para depois das eleições, minhas amigas e meus amigos, sejamos nós capazes de dizer que estamos naturalmente disponíveis para isto, mas exigimos a seriedade para tratar um assunto que é tão sério, que tem que ver com as crianças, com os mais vulneráveis, com o desenvolvimento dos concelhos, por um poder que é maior e responsável que é dado aos municípios, mas também às freguesias", defendeu.» [Notícias ao Minuto]

 "Amazing", escreveu o gringo labrego


      
 Movimento libertador ou movimento de gatunos
   
«Respondendo a perguntas da audiência durante um debate na conferência Horasis Global Meeting, que decorre até terça-feira em Cascais, perto de Lisboa, Rogério Zandamela acrescentou que "parte dessa dívida é da dívida não divulgada, que é um montante enorme".

O banqueiro central mostrou-se, no entanto, confiante na capacidade do país em ultrapassar a crise económica, orçamental e financeira em que está mergulhado, mas não escondeu que há muitos desafios pela frente.

"Somos um dos países mais abençoados do mundo [em termos de recursos naturais], mas precisamos de um modelo de desenvolvimento que melhore a vida das pessoas e também os indicadores económicos", argumentou o governador, considerando que as altas taxas de crescimento, na ordem dos 8% anuais, distorcem a realidade do país.» [Notícias ao Minuto]
   
Parecer:

Ainda há quem leve a FRELIMO a sério? Estamos perante gente que pede dinheiro emprestado as escondidas e para ficarem com milhares de milhões de empréstimos internacionais.O mais engraçado é que o pau mandado do governador do banco central discursa como se nada disto sucedesse e o aumento da dívida tivesse resultado de grandes investimentos públicos.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Denuncie-se a corrupção criminosa.»
  
 Agora prometem-se medalhas
   
«Marcelo Rebelo de Sousa, num jantar de gala da LPN, numa das dependências do Museu da Água da EPAL afirmou que a organização nascida no mesmo ano que o Chefe de Estado (1948) "está viva, atual e continua virada para o futuro".

O Presidente da República garantiu igualmente "uma digressão noturna, porventura, pela parte subterrânea do museu" para breve, antes de assegurar que via "galardoar com outra ordem" aquela organização de defesa do ambiente pela sua "natureza formativa e caráter educativo essencial", junto da "opinião pública, jovens e setores influentes".

"Algumas campanhas pedagógicas que percorreram, apaixonaram e entusiasmaram o país, foram um sucesso, foram adotadas por todos os portugueses", recordou Marcelo Rebelo de Sousa, exemplificando com o caso da proteção do lince ibérico, numa "visão humanista democrática", além do património ajudado a erguer pela LPN, designadamente os vários parques naturais de Portugal, "fruto de um conjunto de lutas da LPN e seus militantes".» [Notícias ao minuto]
   
Parecer:

É a primeira vez que um presidente além de distribuir medalhas, também distribuir promessas de entregas de medalhas, tem a sua graça, mas também tem o seu quê de ridículo.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se a merecida gargalhada.»

domingo, maio 28, 2017

Semanada

Passos Coelho não foi tão desastrado quanto pareceu quando se armou em profeta do diabo, anunciando a sua visita ao país em setembro do ano passado. O diabo trocou-lhe as voltas e decidiu aparecer uns meses mais tarde, talvez influenciado pela visita papal. O problema é que o profeta não se enganou apenas no mês, mas também no destinatário de tão ilustre visita, em vez de vir trocar as voltas a António Costa, o mafarrico veio infernizar a vida de Passos Coelho, que já não sabe o que dizer aos portugueses para os convencer de que sem ele o país não tem salvação.

Enquanto Passos Coelho encarregou Aguiar- Branco de arranjar forma de ler os as mensagens de SMS de Mário Centeno, na esperança de se livrar dele, o seu amigo alemão terá dito que Mário Centeno é o Ronaldo do Ecofin. Quando se falou da hipótese de Centeno presidir ao Eurogrupo Passos tentou gozar, sugerindo que tinha sido uma notícia plantada nos jornais pelo governo. Agora engole mais esta humilhação.

Parece que Marcelo encontrou uma nova competência presidencial, divulgar as previsões económicas, pelo menos enquanto são boas notícias já que quando forem más ninguém vai ver Marcelo antecipá-las. E se agora tenta dizer que o sucesso da política económica é obra da Senhora de Fátima, recusando o mérito aos seus responsáveis, veremos se quando as coisas correrem mal o Presidente será tão generoso a distribuir o mérito pelas aldeias.

Marcelo respondeu com ironia à alcunha posta pelo ministro das Finanças alemão a Mário Centeno,. Pelos vistos já se esqueceu de quando achou que uma das funções presidenciais era ler as mensagens de SMS dos ministrios e sabe Deus de quem mais.

Umas no cravo e outras na ferrradura



 Jumento do Dia

   
Carlos Carreiras, um coelhista sem grande classe

Passos Coelho parece que quer que o seu enterro seja celebrado no dia das eleições autárquicas, entre muitas asneiras que já cometeu desde que deu início à pantominice ridícula do profeta do diabo, uma das maiores foi escolher o autarca de Cascais para coordenar a campanha autárquica.

O homem revela poucas qualidades inteletuais e quando fala parece mais um taberneiro do que um dirigente político.

«O coordenador autárquico nacional do PSD, Carlos Carreiras, disse este sábado, na Maia, que este partido está a fazer para as próximas eleições um processo “sério” e que a prova disso é que não foi “escorraçado por ninguém”, ao contrário do que aconteceu com o PS no Porto.

Carlos Carreiras, que falava na Maia, distrito do Porto, onde decorre esta tarde a Convenção Autárquica Nacional do PSD, começou por referir que os sociais-democratas têm a seu favor nas próximas eleições o facto de nesta disputa “quem ganha, governa”, para depois dizer que o partido “não foi escorraçado por ninguém”. Não referiu, contudo, qualquer outro partido ou caso particular que esteja a marcar a pré-campanha, como o caso da rutura entre Rui Moreira e o PS no Porto.

“Temos algo a nosso favor que é nas eleições autárquicas quem ganha, governa. Isto podia parecer uma coisa estranha mas como já tivemos oportunidade de ver não é assim tão estranho ou pelo menos não foi tão estranho há um ano atrás. Quem tem mais votos de facto governa e governa”, disse coordenador autárquico nacional do PSD.» [Observador]

sábado, maio 27, 2017

O diabo só veio em maio


Passos Coelho tinha toda a razão, o diabo estava mesmo para vir. Mas veio atrasado, em vez de vir em Setembro de 2016, para anunciar um segundo resgate em consequência da execução orçamental de Agosto, veio em Maio. Mas em vez de se apresentar em São Bento, parece que o diabo preferiu como alojamento local a sede do PSD, na São Caetano à Lapa.

Passos estava convencido de que por esta ocasião já era primeiro-ministro e que poderia voltar a governar com o chicote dos credores, ameaçando tudo e todos e fazendo gato sapato do Tribunal Constitucional. Um segundo resgate ou a ameaça disso permitir-lhe ia impor o “ajustamento” ao setor privado, leia-se um corte brutal dos rendimentos e dos direitos do trabalho, governando sem regras e sem limites.

Mas o diabo trocou-lhe as voltas e a sua vida é agora um inferno, poderíamos dizer que de certa forma que o diabo lhe fez a vontade, se queria um inferno então que fique com ele. E o Passos que pensava que com meia dúzia de jantares de lombo assados com as mulheres social-democratas chegaria ao poder, arrasta-se agora penosamente sem saber quando é que se livrará da via sacra a que se condenou no dia em que em vez de se demitir da liderança do PSD optou pela pantominice do primeiro-ministro no exílio.

Passos teve aquilo a que se designa como azar dos Távoras, previu que os investidores fugiam e eles aparecem, garantiu que votava no PS se tudo desse certo e deu, previa um défice acima dos 3% e o país é elogiado pela Comissão que o livra do procedimento dos défices excessivos, previu uma subida incomportável dos juros e fala-se de uma melhoria no rating da dívida portuguesa.

Como se tudo isto fosse pouco sujeita-se a ouvir Marcelo, o tal a que designou por cata-vento, atribuir-lhe o mérito pela saída do procedimento dos défices excessivos. Depois de tanta humilhação Marcelo dá-lhe um presente envenenado, elogia-o por aquilo que não fez, pelos resultados que condenou, pelo sucesso de um governo que considerou ilegítimo. Passos está comendo o pão que o diabo amassou, e, pior do que isso, o pão é-lhe levado à boca por Marcelo.
E ainda faltam não sei quantos meses para as autárquicas e mais dois anos para as legislativas, tanto tempo para que Passos se arraste, começou por se dispensar de fazer oposição e agora que a quer fazer não sabe como e com que argumentos. Queria que o diabo viesse e este fez-lhe a vontade.