quarta-feira, Outubro 01, 2014

5000

Não entendo o porquê de tanta preocupação em relação aos 5000 euros mensais que supostamente terão sido pagos ao Passos Coelho e estou ainda menos preocupado se os recebeu antes ou depois de ter sido deputado em regime de exclusividade, nada disso altera a minha opinião sobre a honestidade da personagem e muito menos sobre o seu brilhantismo intelectual. Mas se o homem se vendeu a troco de 5000 euros terei de ficar muito preocupado com o meu país não por termos corruptos mas porque até os corruptos são tão fracos que se vendem a troco de alcagoitas. Nem nos países mais pobres do mundo temos corruptos tão baratos.

Há aqui qualquer coisa de errado, o Ricardo Salgado quase nem sai do gabinete e ganha uma gorjeta de quinze milhões de euros que também não declarou pois terá entendido que eram despesas de representação. E o pobre coitado, aliás, remedidao Passos Coelho corre desde sete e Meca e Vale de Santarém, dá meia volta ao mundo em classe turística, com os ditos mais apertados do que um mil-folhas, fazendo diplomacia económica em nome da EU e a favor da Tecnoforma só a troco de uns pirolitos no avião e do cartão de milhas na TAP? Pois, é por essa e por outras que o pobre do Passos em vez de ter uma quinta na Comporta vai para casa emprestada na Manta Rota e viagem num Renault velho enquanto a segurança pessoal viaja num BMW série M! Começo a perceber a indignação do Marinho Pinto por receber 18 mil dele em Estrasburgo. Isto até parece aquela amiga que era amante do padre que quandno a sua parceira aparecia com casacos de vison se queixava de levar só santinhos.
 
Acho que isto é um país de pindéricos e a coisa está tão mal que em vez de se indignarem porque o país é governado por alguém que poderá só ter ganho 5000 mensais na Tecnoforma, todos devíamos reflectir sobre se o país estará bem entregue a alguém que só teria ganho despesas de representação. Compreendo agora que Moedinhas se comporte como uma das putas de uma velha anedota que retrata este país na perfeição. Quando apanhado numa rusga ao bordel um compadre ficou surpreendido com a justificação dada pelas suas acompanhantes ao s polícias, uma era manicura e a outra cabeleireira, o espanto foi tanto que exclamou “querem ver que a puta sou eu?”.
 
 Pois foi mais ou menos o que o nosso amigo Moedas fez, não contente com os 5000 de ministro foi para Bruxelas ganhar muito mais, deixando a Maria Luís por cá a pagar o empréstimo da casa com o ordenado cortado de ministra  e quando questionado sobre o passado, ele que era conhecido no PSD como o “grilo falante da troika”  respondeu que nada tinha que ver com a troika ou com os seus vícios, ele era apenas uma depiladora e é por isso que nem 5000 ganhava.
 
Ali para os lados do PS também anda um grande putedo, senhor Alfredo! Há uns dias tinha de apagar  comentários em que diziam cobras e lagartos do Costa, todos os que simpatizavam com ele eram aplicados de corruptos. O Costa ganhou, o Seguro despareceu e agora não há ninguém que não tenha sido um admirador do Costa desde que ele nasceu, quanto mais durante a sua candidatura. Ninguém quer disputar a liderança do PS ao Costa e todos o declaram como o seu líder. Pois é, querem ver que neste bordel que é a política portuguesa a puta aqui é este humilde Jumento?
 
Mas já que estamos com as mãos na massa e mesmo sem ajuda do aritmético Crato para nos ajudar a multiplicar putas com políticos ou políticos com percentagens, para já não falar em alentejanês da puta de reforma do mapa judiciário que por aí vai, a verdade é que em o problema não é Passos poder ter recebido 5000 ou a vergonha de termos políticos tão mal pagos, se o mal fosse esse e a puta fosse só uma até se justificava pagar muito mais. O problema é que em Portugal há mais Tecnoformas do que putas e com tanta galderice não há país que aguente.
 
Agora lembro-me da anedota do industrial do norte que passeava no seu carro com “bolante” de pau acompanhado pela esposa ao cruzar-se com uma rapariga disse-lhe “bês, aquela é a amante do Zé”, ao que ela, orgulhosa, respondeu “a tua é bem melhor do que a do Zé!”. Já basta de indicadores miseráveis para este país e só um doido acredita que um país onde os corruptos só ganham 5000 euros consiga sair da cepa torta e qualquer tuga orgulhoso não vai querer apresentar-se por esse mundo fora com corruptos tão pelintras.
 
 Se queremos ter corruptos competentes e com classe teremos de dar mais prioridade ao que se paga aos corruptos e menos ao que se paga de salário mínimo. Seria uma desgraça se depois dos jovens, das crianças e dos velhos os corruptos também fossem obrigados a emigrar. Se queremos partir sem termos os corruptos atrás para o resto da vida o melhor é pagar-lhes condignamente!

Umas no cravo e outras na ferradura



   Foto Jumento


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Hospital (Convento) de Santa Marta, Lisboa
  
 Jumento do dia
    
Carlos Moedas

Há indivíduos sem nenhuma vergonha no focinho e este Carlos Moedas parece ser um deles, uma invenção dos amigos da troika cujas cuecas ainda cheira a troikismo que até tresandam e vai para o Parlamento Europeu inventar divergências, ele que nestes três anos tem sido um dos ideólogos do extremismo de direita na política económica, ele que foi para o governo pela mão do falecido Borges.

O homem da Goldman que foi o quarto membro da troika fez uma apresentação na linha do bacoco português a roçar o miserável, foi contar a história do pobrezinho que descobriu a Europa com o programa Erasmus. Coitadinho do Moedas que vai ganhar uma pipa de massa enquanto o Passos lixou a Luís Albuquerque que com a treta do grande dossier ficou cá à espera de ser despedida e ter de pagar os quatrocentos e tal mil euros com o seu modesto vencimento cheio de cortes que ela própria se empenhou em aplicar.

«O comissário indigitado por Portugal para a futura Comissão Europeia, Carlos Moedas, a quem foi atribuída a pasta da Investigação, Ciência e Inovação, esteve esta manhã em audição perante o Parlamento Europeu, em Bruxelas.

O ex-secretário de Estado fez um discurso muito pessoal no Parlamento Europeu, dizendo que um dos pontos de viragem na sua vida foi o seu ano de Erasmus. Falou em português, francês e inglês, lembrando que nasceu numa zona pobre do país e que ascendeu na vida através das oportunidades dadas pela Europa.

Questionado pela eurodeputada Marisa Matias sobre o seu papel na implemetação do programa da troika, Carlos Moedas disse que esteve “muitas vezes” em desacordo com a troika e que concorda em muitos pontos com o relatório do Parlamento Europeu sobre o papel da troika nos países intervencionados.» [Observador]

 O partido do Núncio

às vezes fica-se com a sensação de que além do CDS e do PSD há na coligação da direita um terceiro partido, o partido do Núncio. O secretário de Estado parece correr em pista própria, gere a sua própria agenda política e fiscal, não hesita em lançar dados que sustentem porpostas que estão em contradição com as da ministra, e gere uma agenda mediática que ocupa uma grande parte da capacidade de comunicação do governo.

Veja-se o que se está passando esta semana, o governo e os seus partidos encolheram-se com a eleição de António Costa, o único ministro que se pronunciou foi um patético Aguiar Brando que estava a brincar aos barcos telecomandados com a forma de bóias. Um dia depois o Núncio tirou mais uma da cartola e lançou a ideia de os velhotes entrarem nas declarações do IRS.

Não se sabe se é proposta sua, se consta no relatório do grupo de trabalho, se já foi aprovada pela ministra ou se consta no projecto do orçamento. Simplesmente apareceu nos jornais e todos se esqueceram do Passos, do Costa, da senhora com a cara inchada e dos erros de aritmética do catedrático de matemática. Não é a primeira vez que Núncio o faz, tem sido useiro e vezeiro em usar a reforma do IRS para gerir a comunicação social em seu favor, num dia é a CIP que vai reunir e depois elogia o Núncio, a seguir é aquele economista gorducho do Porto, a reforma parece ser um verdadeiro milagre dos pãezinhos em matéria de comunicação social, é mesmo de fazer inveja ao Opus Macedo nos seus tempos de DGCI.

O Portas que se cuide, este Núncio vai mesmo longe.

 Que chatice

Em vez de se lembrar do Passos o Vasco foi lembrar-se do Passos, o que agora dava jeito eram umas suspeitas sobre Sócrates, nem que tivessem mais de vinte anos, enquanto o Ministério Pública não chegasse à conclusão de que qualquer crime estava prescrito até o papa Francisco ficava sob escuta.

 Uma pequena dúvida

Porque razão anda tanta gente a perguntar a António Costa porque não abandona a CML porque vai liderar o PS e ninguém pergunta a Passos Coelho qual o motivo que o impede de largar o cargo de primeiro-ministro sendo líder do PSD? Provavelmente a liderança do PS ocupará mais o Costa do que a ONG ocupava o Passos.

      
 A tramóia acabou em glória
   
«Eis uma bela ironia do destino que ainda não foi devidamente salientada: António Costa venceu António José Seguro na noite de domingo com a mesma percentagem com que Seguro tinha vencido Francisco Assis em Julho de 2011: 68% contra 32%. E, no entanto, o entusiasmo que rodeou cada uma dessas vitórias não poderia ser mais díspar. É o milagre das primárias: aquilo a que tantos fizeram cara de enjoado – “oh, horror, ataques pessoais!” – conseguiu, de facto, dar gravidade ao confronto político, atrair a atenção de todos e oferecer à contagem dos votos um clima de noite eleitoral.

Só por isso, Costa deveria ter enviado flores e beijinhos a Seguro. Se é certo que as primárias nasceram para o desgastar e atrasar o processo de sucessão, a verdade é que Seguro acabou por lhe prestar um enorme favor. O varapau com que se quis defender de Costa foi o bastão que o entronizou. Sem primárias, jamais ele teria ganho tamanha legitimidade. Seguro venceu em 2011 com menos de 24 mil votos. Costa venceu no domingo com quase 120 mil. Cinco vezes mais. Nós, comentadores, adoramos dizer que tudo o que se passa na política portuguesa do século XXI já se passava na do século XIX. Não é assim: as primárias do PS deram uma nova esperança a um sistema envelhecido e cianótico.

A partir do momento em que o PS conseguiu 250 mil inscritos e 175 mil votantes, o objectivo principal foi atingido: mobilizar um elevado número de simpatizantes para uma eleição partidária. Muitos dirão: não foi assim tanta gente. Eu digo: só podem estar a gozar. O processo era inédito, foi desencadeado à pressa e construído em cima do joelho de Jorge Coelho (bom joelho – aguentou excelentemente o peso da responsabilidade). Se houve um milhão de pessoas a votar no PS nas últimas europeias, como é que mobilizar um quarto desse número para umas primárias pode ser desvalorizado? Não pode. E o efeito deste feito é imediato: moralização automática do sistema, na medida em que pagar quotas a militantes falecidos ou que se acumulam às dúzias num T1 da Reboleira passou a ser mau negócio.

Há quem lacrimeje: terrível processo, que desvaloriza ainda mais os partidos e fulaniza a política. Mas eu gostaria de saber em que altura da História, portuguesa ou mundial, os partidos políticos foram mais valorizados do que as pessoas que os dirigiam. A política é, sempre foi e sempre será uma actividade fulanizada. É por isso que António José Seguro levou uma sova no domingo, apesar da indistinção de programas eleitorais. E por amor de Deus: ao fim de 40 anos de Bloco Central e de políticas públicas onde é impossível fazer distinções ideológicas entre PS e PSD, já é tempo de perceber que os governos se diferenciam, sobretudo, pelas características pessoais dos seus líderes, muito mais do que por quaisquer programas eleitorais – que, dez vezes em cada nove, são sepultados no caixote do lixo ao lado da mesa de mogno onde o seu autor jura cumprir o dever que lhe foi confiado.

Eu não quero com isto dizer que os programas não devam contar para nada. Claro que devem, e cada vez mais. Aliás, se António Costa ainda sonha com uma maioria absoluta, lançar cravos e escrevinhar uma Agenda para a Década não chega – o que a malta quer ver é a agenda para 2016. Mas, por ser o melhor socialista disponível no mercado, a enorme vitória de Costa só pode ser uma boa notícia para o país. Veja-se o meu caso: com Seguro, eu seria obrigado a votar PSD. Agora, pelo menos, já me posso dar ao supremo luxo de votar em ninguém.» [Público]
   
Autor:

João Miguel Tavares.

      
 A carta do Vasco
   
«“Cara Sra. Procuradora Geral da República

Depois de ler a entrevista de Fernando Madeira, ex-dono da Tecnoforma, à revista Sábado, venho por este meio denunciar alguns dados que serão certamente relevantes para as investigações que o Ministério Público está a fazer, nomeadamente sobre a ligação de Pedro Passos Coelho à Tecnoforma entre 1997 e 2001.

Na altura, o sr. Passos Coelho foi efetivamente pago para presidir ao Centro Português para a Cooperação, a ONG criada pela Tecnoforma para conseguir projectos de formação profissional financiados por entidades públicas como a Comissão Europeia. Todos os meses, durante cerca de 3 anos, o Sr. Passos Coelho, que era deputado em exclusividade do PSD em exclusividade de funções, recebeu mensalmente mil contos (cerca de 5 mil euros) através de pagamentos em cheque e sobretudo de transferências bancárias.

O pagamento foi acertado entre ele e o Sr. Fernando Madeira, com a intermediação do advogado João Luís Gonçalves, ex-Secretário Geral da JSD (quando Passos Coelho era o líder dos jotinhas) e também um dos directores do CPP presidido por Passos Coelho. O advogado João Luís também era pago mensalmente com 500 contos (2500 euros) para fazer parte do Centro Português de Cooperação.

Os pagamentos mensais ao sr. Passos Coelho foram concretizados através das contas bancárias da empresa Tecnoforma e da empresa Liana (que pertencia ao então grupo Tecnoforma), cujas contas bancárias estavam sedeadas nos bancos Totta & Açores (hoje banco Totta Santander), BCI (Banco de Comércio e Indústria) e BCP, para a conta conjunta d Passos Coelho que estava aberto no banco Totta & Açores (Totta Santander), na dependência de Almada, na A. D. Nuno Álvares Pereira nº 80 (Pragal), onde ainda hoje se encontra.

No total, o sr. Passos Coelho recebeu dezenas de milhares de euros sem que tivesse alguma vez descontado ou declarado o que quer que seja às Finanças. O dinheiro saiu sempre da Tecnoforma / Liana, mas desconheço como é que isso foi justificado internamente nas contas das empresas.

Julgo, no entanto, que será fácil ao Ministério Público conseguir esses dados através da identificação das respectivas movimentações financeiras das referidas contas bancárias e do cruzamento desses dados com os relatórios e contas da Tecnoforma e do próprio Centro Português para a Cooperação.

A contabilidade da Tecnoforma e do Centro Português para a Cooperação estava a cargo do contabilista Dr. José Duro.

Sem mais espero que se faça justiça para o bem da nossa sociedade.

Vasco”» [Observador]
   
Parecer:

A verdade é que a carta do Vasco tem um discurso mais coerente do que o do primeiro-ministro. Agora resta saber se o Vasco disse tudo ou se ainda vai surpreender com mais algumas informação. Wnfim, força, força Vasco! Nós seremos a tua muralha de aço.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»
  
 A  Procuradora- Geral tem razões para festejar
   
«Segundo o Público, a investigação envolvendo Passos Coelho terá sido uma das mais rápidas investigações criminais da história de Portugal. De fora ficou a contabilidade de outras entidades além da Tecnoforma, bem como um antigo dirigente da JSD, contemporâneo da presidência de Passos Coelho na juventude partidária.» [Notícias ao Minuto]
   
Parecer:

Nunca se tinha visto um MP tão célere e tão empenhado em inocentar um político. A história do MP vai ter duas fases AT e DT, antes da Tecnoforma e depois da Tecnoforma, dantes tudo era lento, cheio de fugas, com viagens a Londres e questionários para Pequim, depois tudo é célere, todos são inocentes. Digamos que é uma homenagem a Sócrates, é a inocência na hora.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se a merecida gargalhada e mande-se uma garrafa de espumante à senhora Procuradora-Geral.»

 Os amigos são para as ocasiões
   
«A Presidente da Assembleia da República recusou pedir ao primeiro-ministro mais documentação sobre o caso Tecnoforma. Assunção Esteves quer que o pedido formal, formulado inicialmente pelo PCP, tenha mais força que um requerimento de um partido e exige que seja o plenário a dar-lhe essa legitimidade.

O caso Tecnoforma está assim preso pelas formalidades. De acordo com o líder parlamentar do PCP, João Oliveira, a interpretação tanto de Assunção Esteves como da maioria PSD/CDS na reunião desta terça-feira da conferência de líderes foi a de que era necessário um “impulso processual” para que fosse feito o pedido a Passos Coelho. Depois da recusa, o PCP admite agora apresentar um projeto de deliberação para que seja votado em plenário pelos deputados e assim tenha mais força.

Os comunistas queriam saber duas coisas: porque não declarou Passos Coelho no registo de interesses enquanto deputado o trabalho que desenvolveu enquanto presidente do Centro Português para a Cooperação e, em segundo lugar, quanto recebeu do Centro e em que condições, disse João Oliveira.» [Observador]
   
Parecer:

Em vez de andara proteger o padrinho que numa segunda escolha a promoveu a presidente do parlamento esta senhora já devia ter demitido o Albino.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Faça-se a exigência.»

 Acabou-se o recreio
   
«Ferro Rodrigues aceitou o convite de António Costa para ser o próximo líder parlamentar do Partido Socialista, avança a TVI 24. O convite surge na sequência do pedido de demissão de Alberto Martins desse cargo, depois de António José Seguro, o candidato apoiado por Martins, ter perdido as eleições primárias do passado domingo.

Ferro Rodrigues e António Costa trocam agora de papéis. Quando Ferro foi líder do PS escolheu António Costa para líder parlamentar. Agora, o ex-secretário-geral vai liderar os destinos da bancada até às eleições legislativas do próximo ano.

Fontes socialistas contactadas pelo Observador acentuam não só o “peso político” de ter um ex-secretário-geral à frente da bancada, quando António Costa não é deputado, como também lembram que nesta altura é importante ter alguém a comandar os deputados que tenham formação económica.» [Observador]
   
Parecer:

Uma boa escolha e muito preocupante para a direita.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Aprove-se.»

 Temos Bloco
   
«Um Bloco de Esquerda mais combativo e irreverente, distanciado do "eixo do tratado orçamental". Eis o projeto político da moção "Bloco Plural, fator de viragem" liderada por Pedro Filipe Soares, apresentada em conferência de imprensa, esta tarde em Lisboa.» [Expresso]
   
Parecer:

Gostei dessa do "eixo do tratado orçamental", parece aquelas senhoras que em vez de passarem junto ao bordel optam polo outro lado da rua, o rapaz não quer nada com gente duvidosa e vai formar governo sozinho.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»

 Mais um PRD dos oportunistas
   
«O PDR arranca oficialmente numa reunião no próximo domingo, dia 5 de Outubro, em Coimbra. O partido liderado por Antonio Marinho Pinto tem um núcleo fundador onde se destacam o ex-socialista Eurico Figueiredo e o Fernando Condesso, que abandonou a militância histórica no PSD para se juntar ao novo movimento. A carta de princípios, a que o Expresso teve acesso, já começou a ser enviada a alguns dos participantes da reunião do próximo domingo.» [Expresso]
   
Parecer:

Este Marinho é um bocado convencido e ambicioso, saiu melhor do que a encomenda.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Vomite-se.»

   
   
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terça-feira, Setembro 30, 2014

Chega de tecnoformas

Mais provas ou menos provas, mais gorjetas ou menos gorjetas, mais memória ou menos memória, já todos os portugueses perceberam o que era a Tecnoforma e a ONG dos rapazolas amigos do Passos Coelho está para a solidariedade como o BPN estava para a banca. O país de sucesso de Cavaco Silva era um cão cheio de carraças que lhe roubavam o sangue e a saúde, foi um país onde se multiplicaram os esquemas em torno das ajudas comunitárias.

Falou-se muito da subsiodependência mas a verdade é que os maiores promotores deste vício da sociedade portuguesa foram os políticos. Os mais crescidinhos criaram bancos, os jotas criaram  tecnoformas e falsas ONG. A economia foi destruída nos seus valores, a concorrência deu lugar ao compadrio, a competência cedeu à cunha, a corrupção expulsou a honestidade, o chicoespertismo venceu a competência.
  
O poder tornou-se numa imensa máquina de corrupção, os governos expulsaram os quadros competentes para passarem a contratar escritórios de advogados que não passam de sofisticadas centrais de corrupção. O país tornou-se  uma imensa montra de luxo ao mesmo tempo que a miséria se multiplicou, as desigualdades multiplicaram-se, o país perdeu a esperança. Os portugueses deixaram de acreditar nos governos e a desconfiar de todos os políticos.
  
Basta olhar com atenção para os fenómenos políticos para se perceber como funcionam os aparelhos partidários. O próprio Seguro que se apropriou de valores que não eram os seus vendeu a seriedade tendo à sua volta gente que não escondia a ânsia de chegar ao poder. Muitos deles nem esperaram pelos resultados finais das directas para se passarem para o outro lado, onde também não faltarão os que apostaram em Costa mais para se posicionarem em relação aos tachos do que por admirarem os valores do novo líder do PS.
  
Algum dia um político terá de ter a coragem de dispensar os amigos, dizer aos que mudam de campo que Roma não paga a traidores, escolher os mais competentes, um dia um político português terá de devolver a esperança ao país sob pena de um dia destes um qualquer Marinho e Pinto chegar ao governo com um programa feito à base de patacoadas.
  
O país precisa de uma reforma séria da justiça, de uma educação de qualidade, uma justiça que funcione e inspire a confiança das empresas e dos cidadãos. O país precisa de esperança e sem se livrar destas carraças que impedem o seu desenvolvimento os jovens continuam a sonhar com a emigração. Dantes eram os analfabetos os que mais desejavam emigrar, agora sucede o inverso, primeiro partiram os doutorados, depois começaram a ir os licenciados, os estudantes já nem pensam noutra saída que não seja a emigração e um dia destes serão os alunos do ensino secundário a começares os estudo com esse sonho.
  
Um país sem grandes recursos em matérias-primas ou em energia não sobrevive a esta fuga de recursos humanos. Não é possível ao Estado sobreviver financeiramente gastando os seus recursos com idosos que ficam e com jovens que partem antes de entregarem a sua primeira declaração de IRS. Não é possível falar em crescimento ou desenvolvimento económico ignorando esta realidade. Ou acabamos com essas carraças chamadas tecnoformas ou é o país que está em causa.
  
Ou corremos com os políticos corruptos ou vemos partir os jovens mais qualificados, ou nos livramos das tecnoformas ou ninguém investe nesta economia, ou nos deixamos de palhaçadas na justiça ou será impossível viver em Portugal.

Conseguirá António Costa com este circulo viciosa de miséria cuja máquina está instalada no aparelho partidários dos partidos (de todos os partidos sem excepção) abrindo um novo ciclo de crescimento e progresso social. É isso que espero dele e se o conseguir será o melhor primeiro-ministro na história deste país. Se prometer o fim da corrupção e de uma sociedade asfixiada com esquemas é muitas vezes a bandeira dos populistas, a verdade é que é hoje impossível pensar que o país pode ultrapassar a crise que enfrenta ignorando esta prisão que lhe está sendo imposta.

Umas no cravo e outras na ferradura



   Foto Jumento


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Ave do Oceanário, Lisboa
  
 Jumento do dia
    
Maria de Belém

Maria de Belém, a comentadora da CMTV que preside ao PS, optou por não ter em relação às directas e à luta pelo poder dentro do PS uma posição de equidistância em relação aos candidatos, uma posição assumida exemplarmente por Jorge Coelho. Em vez disso, teve um papel activo de apoio a Seguro desde o primeiro momento e ao longo de toda a campanha o país viu a senhora aplaudindo as acusações de baixo nível que iam sendo feitas a Costa e, mais grave, aos seus apoiantes.
 
Muito agarradinha aos princípios estatutários esta senhora que tem um momento de fama efémera até ao primeiro congresso, decidiu prolongar ao máximo a inoperância do PS convocando a reunião da Comissão Nacional do PS só para 14 de Outubro. Compreende-se que Maria de Belém não tenha pressa, enquanto puder vai ajudando o governo de direita durante mais uns dias.
 
«Maria de Belém, presidente e secretária-geral interina do PS, convocou para 14 de Outubro a reunião da Comissão Nacional do partido que desencadeará as directas e o congresso onde António Costa será consagrado líder - mas a data é contestada por um dos principais apoiantes do vencedor das primárias.
   
Marcos Perestrello, deputado e presidente da Federação de Lisboa do PS, defendeu esta tarde, em declarações à Lusa, que Maria de Belém deve marcar já a data das eleições diretas para a liderança, convocando para o próximo fim-de-semana a Comissão Nacional.
  
"A secretária-geral em exercício do PS tem poderes estatutários para marcar rapidamente a data do congresso extraordinário, antecedido de eleições diretas", afirmou.» [DN]

 Este Silva não muda

O que tem em comum António Costa com Carlos do Carmo, José Saramago e muitos outros portugueses? Cavaco Silva não gosta deles e nem que conseguisse ir à lua de pé coxinho mereceriam uma palavra de parabéns do presidente que Portugal teve o azar de ver ser eleito. O país assistiu a um processo eleitoral que mobilizou o maior partido da oposição e que esteve no centro das atenções do país, o maior partido da oposição tem um novo candidato a primeiro-ministro e um futuro líder e o que faz o Cavaco. Dá os parabéns à equipa de ténis de mesa e ignora olimpicamente aquilo que prendeu a atenção de todo um país.

Será porque Cavaco detesta o PS e em especial o PS que não o bajula ou pensará que ao cumprimentar António Costa estará a dar-lhe força? Se é a primeira resposta é compreensível se for a segunda teremos de concluir pela demência, neste momento é mais o Cavaco que precisa do António Cosa para terminar o mandato com um mínimo de dignidade, do que o António Costa a precisar de ajuda de alguém que já não convence ninguém, a anão ser alguns pequenos investidores mais ingénuos que acreditaram nele e perderam as suas poupanças no BES.

 A única dúvida na noite eleitoral do PS

A imperial que Costa bebeu era Sagres ou optou pela marca da santinha da Horta Seca?

 O resultado das directas do PS

António José Seguro ficou knockout com uma directa de esquerda.

 Um site muito actualizado

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O site do PS ainda está na semana passada. Os funcionários do PS meteram férias com Seguro?

 A solução está no banco

Marcelo Rebelo de Sousa não perdeu tempo e pediu uma remodelação governamental, assegurando que o seu comentário seria notícia no dia seguinte, o que aconteceu pelo menos no órgão oficioso do governo, o DN. Para o ilustre professor a democracia é como um jogo de bola e se o adversário deu uma chicotada psicológica e mudou o treinador a meio do jogo a solução é meter mais um ponta de lança e refrescar a equipa. O divertido é que perante um governo a meter água por todos os lados o professor avisa Costa dizendo-lhe que acabou a papa doce.

O problema agora é saber se há suicidas disponíveis para gerirem o ministério da Educação depois de implodido por um Crato tão incompetente que até na matemática errou ou para fazer de saco de porrada de uma justiça em taquicardia. Marcelo está enganado, a equipa governamental não é uma equipa de futebol, equipara-se mais a uma tripulação de um barco que sem motor e sem leme está à beira do naufrágio.

É neste contexto que Passos faz o que pode para salvar a imagem do governo, esconde os ministros problemáticos, vai a Estremoz inaugurar um quartel da GNR e manda um patético Aguiar-Branco brincar no Douro com uma bóia telecomandada (se fosse ao Google veria que não inventou nada) que ninguém explicou como chega ao afogado se houver cachão. Este ministro é uma anedota, depois da figura que fez com o drone que foi parar ao malagueiro, aparece agora armado em adepto de barcos telecomandados com o formato de bóias.

Espera-se agora que Aguiar-Branco teste a sua nova bóia salvando colegas que estão quase a afogar-se, como a rapariga da cara inchada, o Crato ou mesmo um Maduro que enganou Passos já que é mais verde do que parecia com tanto currículo académico. E a propósito do Maduro, o que é feito do Lomba?


      
 O dia um do ano eleitoral
   
«1. Hoje começa o ano eleitoral de 2015. O PS passou a partido de oposição.

2. Porque é que eu digo que o PS não tem sido um partido de oposição, mesmo apesar do radicalismo verbal do seu antigo secretário-geral? Por coisas como esta: na última semana antes das eleições primárias, houve um encontro secreto entre o secretário-geral da UGT e o primeiro-ministro. Segundo diz o oráculo governamental, Passos Coelho convenceu o secretário-geral da UGT a aceitar o acordo sobre o salário mínimo. Tudo quanto é ministro, do primeiro ao último, incluindo o ministro-viajante Paulo Portas foi lá à concertação social (que eles desprezam todos os dias, a não ser quando têm a UGT no bolso) para marcar a grande vitória do governo. As fontes do governo diziam que era fundamental haver um acordo antes do final do processo eleitoral no PS. Percebe-se porquê. O secretário-geral da UGT é um dos principais executantes da política de Seguro, de que foi um dos mais activos apoiantes, prestou-se ao timing propagandístico do governo e à substância de um acordo que fragiliza a segurança social, a mesma que o governo usa como pretexto para as suas previsões neo-malthusianas. É mais um exemplo do que aconteceu nos últimos três anos.

3. A história desta campanha é muito interessante de todos os pontos de vista, incluindo até, imaginem, o filosófico. Não interessará a ninguém, mas poucas vezes se viu melhor exemplo do que é o ruído do mundo e daquilo que Weber descreveu há muito: a maioria das acções de um politico tem o efeito exactamente contrário do que era pretendido. Ou dito de outra maneira: Seguro tomou várias decisões pelas piores razões do mundo e o efeito perverso dessas decisões foi positivo. Positivo para a democracia portuguesa e positivo para o PS. Que se cuide quem não quiser ver que o PS teve uma das poucas vitórias junto da opinião dos portugueses que é de índole político-partidária. Já não havia disso desde os anos de brasa da revolução. Havia vitórias e derrotas políticas, ligadas a personalidades, mas uma vitória que pudesse ser assacada a um partido enquanto tal, já não se verificava há muito tempo. A última foi uma tentativa com menor dimensão e que falhou, a “refiliação” no PSD.

4.Seguro teve um papel paradoxal. Fez todas as escolhas por razões estritas de sobrevivência e, porque não tinha nada a perder, e acabou por ser revolucionário malgré lui-meme. As eleições primárias foram convocadas pelas piores razões do mundo: eram um subterfúgio de Seguro para continuar na liderança do PS mais uns meses, na esperança de que qualquer crise lhe desse uma oportunidade, pressupunham uma estratégia negativa de desgaste do adversário, que o tempo longo sempre traria, e criavam uma estranha figura, a do “candidato a primeiro-ministro” em vez de ser para o líder do partido. Seguro queria tornear o facto de que, tendo blindado os estatutos para nunca cair a meio do mandato, não podia ter desafios. Enganou-se, e esse foi um engano pessoal e político: as pessoas consideram Costa melhor do que Seguro, fosse para o que fosse, de porteiro da sede a secretário-geral, e depois, não queriam correr o risco de ver o PS a perder para o PSD e o CDS. Nunca, jamais, em tempo algum. Os tempos não estavam para brincadeiras e “fidelidades”, e em tempo de guerra não se limpam armas.

5. As eleições primárias foram pensadas como um expediente, como aliás muitas outras propostas de Seguro, em cima do joelho. Foram mal preparadas e mal conduzidas, até que Jorge Coelho entrou em funções. Eram uma entorse estatutária, cujas complicações ainda estão por se verificar no Congresso. E tornaram-se um sucesso de mobilização depois dos debates, ou melhor, depois de se começar a perceber quem era Seguro. A frase mais certeira da campanha foi quando Costa no último debate, o mais vilipendiado pelo nosso coro de bons costumes e pelo PSD (pudera, Costa ganhou-o claramente de forma muito empática) disse que “os portugueses ficaram a conhecer-te”. Ficaram.

6. O acompanhamento jornalístico foi como habitual muito estereotipado, e profundamente conservador, salvo raras excepções. Sem novidade, lá vieram a “campanha sem ideias”, a “campanha de insultos”, a “luta de galos”, o “vazio de soluções para Portugal”, aquilo que de há muito tempo os media dizem de qualquer campanha política sem excepção. Ao mesmo tempo não dedicam uma linha a analisar qualquer documento programático, como fizeram com os de Costa e os de Seguro, enquanto davam título de caixa alta à mais pequena divergência dos candidatos. Sendo assim, por que razão é que esta campanha tão miserável, descrita com tanto nojo e fastio pela comunicação social, mobilizou muitos milhares de portugueses?» [Público]
   
Autor:

Pacheco Pereira.

      
 O bom aluno começou a ter negativas
   
«A Comissão Europeia está cada vez mais desconfortável com os sinais de que o Governo português possa estar a fazer marcha-atrás em relação a algumas das medidas mais impopulares adotadas durante a implementação do programa de ajustamento.

O último episódio foi a decisão de aumentar o salário mínimo a partir de outubro do próximo ano. Oficialmente, a reação é lacónica: "A Comissão vai avaliar a decisão de Portugal de aumentar temporariamente o salário mínimo do ponto de vista do emprego e das finanças públicas, quando todos os detalhes nos forem disponibilizados", afirma o porta-voz do executivo comunitário para os Assuntos Económicos e Monetários, numa breve declaração escrita.

No mesmo texto enviado ao Expresso, Simon O'Connor acrescenta que "um princípio orientador para os desenvolvimentos salariais é que os mesmos devem ser consistentes com o objetivo de promover o emprego e a competitividade, tal como recomendado a Portugal pelo Conselho da União Europeia em julho".

Ao que o Expresso apurou, a avaliação desta decisão ao nível europeu é arrasadora, antecipando-se que o seu impacto ao nível da promoção do consumo será residual ou nulo e que, em contrapartida, pode aumentar os custos e dificultar a contratação por parte das empresas. Isto, numa altura em que o crescimento da economia ainda é frágil e o desemprego permanece elevado e desce muito lentamente.» [Expresso]
   
Parecer:

Bruxelas está mesmo irritada ou isto não passa de uma manobra para dar a Passos um ar de anti-troika?
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se ao "pitbull" do O'Connor.»
  
 Já se fala em pântano
   
«O presidente da Confederação Empresarial de Portugal diz, esta segunda-feira numa entrevista ao Diário Económico, que é “fundamental” que haja no país uma “estabilidade política e social” e, para isso, devem ser evitados episódios como o que tem afetado o primeiro-ministro nas últimas semanas para que não seja criado um “pântano” e para que a legislatura do atual Governo possa ser cumprida.» [Notícias ao Minuto]
   
Parecer:

É óbvio que isto vai ser uma crise pegada até às eleições.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»

 Os tais muçulmanos moderados
   
«A primeira mulher a pilotar aviões caça nos Emirados Árabes Unidos e que liderou o ataque do país contra o Estado Islâmico na Síria e no Iraque foi repudiada pela família.

Mariam Al Mansouri foi notícia em todo o Mundo por ter liderado o esquadrão do seu país no esforço internacional contra o Estado Islâmico, tendo vencido os preconceitos nacionais contra as mulheres.

No entanto, a família não gostou da atitude de Mariam e demonstrou apoio à causa do Estado Islâmico contra o regime de Bashar al-Assad, elogiando os "heróis sunitas do Iraque e do Levante".

"Nós, a família Mansouri nos Emirados Árabes Unidos declaramos publicamente que repudiamos a chamada Mariam Al Mansouri, bem como a brutal agressão internacional contra os irmãos do povo sírio, começando pela nossa ingrata filha Mariam Al Mansouri", pode ler-se num comunicado publicado por uma agência de notícias palestiniana.» [JN]
   
Parecer:

Qual será a fronteira entre muçulmanos moderados e os extremistas, qual o país muçulmano moderado que respeita os direitos humanos e permite a liberdade religiosa?
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»

 Que depressa que eles mudam
   
«O líder da delegação socialista ao Parlamento Europeu, Carlos Zorrinho, garantiu hoje que, face à vitória clara alcançada domingo nas eleições primárias no PS, António Costa é agora "claramente" o seu candidato, embora apoiasse António José Seguro.

No dia seguinte ao triunfo de António Costa nas eleições primárias para escolher o candidato do PS a primeiro-ministro, com cerca de 70 por cento dos votos, Zorrinho, que apoiava António José Seguro, disse hoje, em Bruxelas, que, tal como sempre afirmara, estará a partir de agora do lado do vencedor, e disse acreditar que "os os portugueses vão poder contar com uma alternativa forte nas próximas eleições".» [Notícias ao Minuto]
   
Parecer:

Este anda a saltitar de um lado para o outro.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Vomite-se.»
  

   
 Ben
   
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segunda-feira, Setembro 29, 2014

Indirectas

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Considerando os critérios de análise de resultados eleitorais da parte da equipa do então líder do PS pode dizer-se que à semelhança dos 30% obtidos nas eleições europeias Seguro voltou a ter uma grande vitória nestas directas pois obteve um resultado semelhante. Se nas europeias Seguro carregou com o memorando de Sócrates, nas directas carregou com a traição de Costa e com o envolvimento de negócios na política (as farmácias do Cordeiro não conta). Se considerarmos os métodos estatísticos do Brilhante e outros econometristas podemos concluir que dentro de alguns anos Seguro estará nos 50%. Seguro não só repetiu uma grandiosa vitória como contra o seu camarada António Costa ainda conseguiu ter mais 0,19% do que tinha tido nas Europeias contra Passos e Portas juntos, é uma injustiça substituir um líder vencedor como Seguro.

As directas do PS são as indirectas das legislativas, os militantes e simpatizantes do PS que escolheram Costa estava a escolher indirectamente o futuro primeiro-ministro. Os mesmos que receavam (receavam ou desejavam?) a destruição do PS vieram dizer que foi um sucesso e transformaram a noite eleitoral de umas eleições internas de um partido da oposição que tinha 30% do eleitorado numa noite eleitoral nacional em que Costa foi apresentado como o futuro primeiro-ministro.
  
Passos Coelho e a direita decidiram colaborar com as directas no PS, desde os erros de matemática do Crato até à santanalopada nos tribunais protagonizada por aquela senhora arrogante, incompetente e insuportável que ainda se arrasta no cargo de ministra da Justiça, tudo fizeram para passara a mensagem aos portugueses, “estão a ver, escolham bem pois com tanta asneira que fazemos estão a escolher o futuro primeiro-ministro”. E como as directas resvalaram para um debate do carácter dos candidatos Passos Coelho não quis ficar para trás e esqueceu-se de com quem andou, de quem lhe pagou e do que andou a fazer, no fundo dizia “estão a ver? Eu ainda sou pior do que aquilo que o Seguro diz do Costa!”.

Agora que Seguro perdeu fala-se muito em unidade e já são evidentes as trocas de campo. É uma boa oportunidade de António Costa homenagear o derrotado Seguro cortando com a tradição dos aparelhos partidários, recusando compensações aos que ontem apoiavam Seguro e antes da meia noite já declaravam que era apoiantes de Costa desde pequeninos, ainda o galo não tinham cantado e já tinham traído Seguro meia dúzia de vezes. Muitos dos que agora se mudam de campo e dizem que estão ao lado de Costa mais não fazem do que dizer ao novo líder "não te esqueças que na hora da derrota eu fui o primeiro a trais Seguro!". Os males de que Seguro falou vai vê-los agora em muitos do que estiveram ao seu lado a denunciar esses mesmos males.

O lado mais saudável destas directas é que pela primeira vez um líder de um partido não chega à liderança do partido através de negócios de bastidores com caciques, líderes tribais e senhores da guerra. Mas quem conhece o PS sabe que este partido tem sempre dois momentos, para chegar ao poder mete-se às cavalitas dos independentes, depois abandona-os e acusa-os de serem os culpados dos seus sucessos. Vamos ver se os muitos portugueses que apoiaram Costa não são esquecidos muito antes das legislativas para que em nome da unidade do partido haja bolo garantido para todos, para os do Costa e para os do Seguro, contando ainda com os do João Soares e até mesmo um biscoito para a "maluca" da Ana Gomes.

Contou o próprio Álvaro Beleza que quando esteve muito doentinho, esteve mesmo naquilo que designou por trincheira da morte, fez um pacto com o Seguro que o visitou no leito de morte pois mal soube onde ele estava fez inversão de marcha e foi desalvorado para o hospital. Ficou ali selado perante Deus que daí a dez anos almoçariam em São Bento. Agora ou vão ao Passos Perdidos ou optam pela cantina do parlamento para cumprir o pacto assinado em tão trágicas circunstâncias. Costa pode ter um momento de generosidade e permitir que Seguro tome posse da residência oficial de São Bento na Terça-feira Gorda para cumpria a promessa nas vestes carnavalescas de primeiro-ministro.
  
Durante uns quantos dias o país vai parar na dúvida, será que a grande opositora de Sócrates, essa Maria da Fonte do PS que se bateu violentamente contra o antigo primeiro-ministro quase chegando a liderar a oposição e que ao lado de Seguro foi uma das vozes mais esganiçadas vai apoiar Costa ou regressará ao discurso rasca que manteve durante as primárias? Enfim, vamos ver se Costa promete um cargozito à Ana Gomes ou se a truculenta (escrevi truculenta e não suculenta s.f.f.) militante volta aos tempos da esganiçada militante do MRPP, papel que costuma assumir sempre que não tem muito que fazer.
  
Agora o país vai arrastar-se até que ocorram eleições legislativas, como a direita não vai querer afastar-se da manjedoura resta ao PS aproveitar o tempo e lançar as directas para a escolha do seu candidato às presidenciais, até porque depois de ter derrubado Sócrates a pior coisa que lhe podia ter caído na sopa era precisamente o António Costa. Quando o PS foi para directas Cavaco não se esqueceu de recordar a Seguro que se lhe tivesse feito a vontade e assinado um acordo com o PS agora estaria no governo, talvez seja a vez de Seguro responder a Cavaco dizendo-lhe que se tivesse convocado eleições antecipadas não corria um sério risco de ter de dar posse a Costa e são conhecidos os problemas de saúde que Cavaco sofre quando assiste à posse dos adversários.
 
Quem ainda nem deu pelas directas do PS, o que é bom pois o homem já não tem idade para grandes choques, é Cavaco Silva, deverá ter estado entusiasmado com o europeu de ténis de mesa que nem se apercebeu de que o PS tinha um novo candidato a primeiro-ministro e, consequentemente, um novo líder. Com os jogos a decorrer até tarde compreende-se que Cavaco ainda tenha tido tempo para redigir a mensagem de louvor ao pessoal do ping-pong, ignorando António Costa. As directas para um candidato à presidência começam a ser urgentes, como as coisas estão ninguém sabe o que dura mais, se o governo de Passos Coelho ou o Cavaco Silva.