sexta-feira, novembro 24, 2017

DESENVOLVIMENTO REGIONAL FEITO ÀS TRÊS PANCADAS

Ainda que muitos rankings dos mais diversos tipos, incluindo os de desenvolvimento, possam ser aldrabados, promovendo países, escolas, universidades e muitos outro tipo de instituições, a verdade é que o desenvolvimento económico e, com este, o desenvolvimento regional só se consegue aumentando a riqueza.

Um país pode transferir empresas e instituições de um lado para outro, bastando para isso ter uns tiques estalinistas, mas a única coisa que consegue é aldrabar as estatísticas, na melhor linha dos planos quinquenais da ex-URSS. Transferia-se o INFARMED para Rabo de Peixe, nos Açores , de uma assentada uma das localidades mais pobres do país era transformada numa Silicon Valley tuga. Mas os pobres de Rabo de Peixe continuariam mais pobre e o próprio país empobreceria com os custos da deslocalização imbecil.

Não se promove o desenvolvimento regional aldrabando os indicadores per-capita de uma cidade, vila ou aldeia, promove-se o desenvolvimento criando riqueza.  Os nossos políticos formados na escola das autarquias aprenderam a esbanjar os recursos desprezando o desenvolvimento económico e na hora de mostrar serviços fazem tudo para fixar serviços que o progresso insiste em eliminar. Parece que agora chegou a moda das deslocalizações.

Se chamar desconcentração ou descentralização a uma mera deslocalização é algo de alguém que tem um QI entre o estúpido e o idiota, dizer que se promove desenvolvimento regional transplantando organismos públicos com um século de existência é uma fraude, é enganar os cidadãos que pagam os custos de uma deslocalização e ainda ficam a pensar que ganharam alguma coisa com isso.

O desenvolvimento económico e social é algo demasiado sério para que seja tarefa de idiotas, politiqueiros e comentadores de futebol. Não vale a pena gastar os recursos públicos com obras de fachada, como medidas autárquicas eleitoralistas e depois ir destruir o que ficou por destruir para manipular a estatísticas de rendimento per capita, de emprego qualificado, de população residente.

Com estes políticos formados na escola das autarquias o Estado vai ser um regabofe, com cada artista a exigir a deslocalização de um instituto para o seu concelho. Quando gastarem todos os institutos, vão quere direções-gerais e quando esgotarem estas exigirão  direções de serviços, divisões. Não me admiraria nada que um dia destes um autarca de Freixo de Espada à Cinta exigisse a deslocalização para aquela vila do Forte do Bugio ou, como a igreja local é do estilo Manuelino e ali ao lado há o lago da Congida,  reivindique a deslocalização do Museu de Marinha.

Em vez de criar riqueza através do investimento os nossos brilhantes governantes descobriram uma nova modalidade de inventar riqueza, a deslocalização de organismos públicos. Por este andar vamos ter uma capital por duodécimos, em Janeiro é no Porto, em Fevereiro é em Belver, em Março é em Alcoutim e por aí adiante.
  

UMAS NO CRAVO E OUTRAS NA FERRADURA



 Jumento do Dia

   
Maria Manuel Leitão Marques, ministra cuidadosa

Que instrumentos legais tem a senhora ministra para acautelar os direitos dos trabalhadores?Pareec que para a senhora os direitos são umas ajudas de custo e o problema está resolvido, pode avançar-se com a maior imbecilidade na história da democracia portuguesa.

Esta senhora acha que 350 famílias podem mudar-se umas centenas de quilómetros para norte sem qualquer impacto que não se resolva com meia dúzia de euros, o que significa que asenhora não tem o mínimo de sensibilidade requerida para se ser membro de um governo em democracia. O que vai a senhora dar às famílias que terão de enfrentar com a mudança de escolas e de ambiente de crianças, com as famílias em que um dos conjugues não se pode mudar?

Como é que a senhora explica a destruição de centenas de famílias só para que o governo consiga um Like do Rui Moreira? A senhora ministra parece que ainda não percebeu que é ela que vai precisar de ajuda para se manter no governo e não os trabalhadores para fazerem o frete.


«O Governo assegura que a transferência do Infarmed de Lisboa para o Porto será feita com o "devido cuidado" e "acautelando os direitos dos trabalhadores" envolvidos na situação.

"Essa situação será feita com o devido cuidado, acautelando os direitos dos trabalhadores e com o devido tempo para que possa acontecer", garante a ministra da Presidência e da Modernização Administrativa, Maria Manuel Leitão Marques. De todo o modo, sublinhou a governante em conferência de imprensa, a situação não foi abordada na reunião desta quinta-feira do Conselho de Ministros.

O secretário-geral da Federação dos Sindicatos da Administração Pública (FESAP) disse esta manhã que os trabalhadores do Infarmed não podem ser obrigados a mudar-se para o Porto e que os que aceitarem fazê-lo têm direito a receber dinheiro pelas despesas de deslocação.» [Expresso]

 Boa senhor Presidente da Câmara de Ovar



O autarca de Ovar teve uma brilhante ideia para que os seus funcionário deixem de ler opiniões que o autarca de Ovar considera que não devem ser lidas pelos cidadãos a quem ele pensa que paga o ordenado. Poderia bloquear todos os sites políticos por os considerar pornografia política, mas não é isso que sucede, quem quiser pode usar o horário de trabalho para se educar no Povo Livre. Mas quem ousar visitar O Jumento não só fica impedido de o fazer, como o imbecil local mandou aviar os seus funcionários de que o site é pornográfico.

Como diria o outro "pornográfica é a sua tia senhor presidente!".

Acho que vamos criar aqui uma nova secção intitulada"os devaneios sexuais de um autarca idiota.

 O preço brutal de um Like no Facebook do António Costa

António Costa não tem meios para recompensar os funcionários do INFARMED que decidiu de forma arbitrária condenar a uma emigração forçada. A lei não o prevê e tirando algumas ajuditas de custo previstas na lei, esta mudança financeira e humana será suportada pelos quadros do INFARMED, quadros altamente qualificados e mal remunerados.

Quanto custa uma mudança para o Porto? Na maior parte dos casos a família ficará dividida, muitos casais não poderão abandonar Lisboa e suportar os custos financeiros de uma mudança forçada e inesperada de cidade, só para que Rui Moreira clique um like no Facebook do António Costa.

A esta hora uma boa parte dos quadros do INFARMED estará a fazer contas, para muitos deles a perda de rendimentos e de bem-estar, assim como as consequências sociais e familiares que terão de suportar, justifica uma mudança de emprego ou uma reforma antecipada.

António Costa destruiu uma das jóias da coroa do Estado.

 A próxima tarefa do INFARME

A próxima tarefa do INFARMED vai ser aprovar um medicamento que terá de tratar um governo que depois de forma irresponsável ter decidido transferir aquele instituto enfrenta agora uma doença mortal.

      
 Pagamos uma boa parte das despesas de saúde
   
«Os pagamentos directos de despesas de saúde têm vindo a aumentar nos últimos anos em Portugal e, em 2015, representavam 27,7% do total da despesa com cuidados de saúde. Trata-se de um valor "bastante superior à média da União Europeia, de 15%, e ao registado em países vizinhos, como Espanha (24%),sendo visível uma tendência para o seu aumento ao longo do tempo", lê-se no Perfil de Saúde de Portugal da Comissão Europeia, divulgado esta quinta-feira.

Adicionalmente, estes pagamentos directos "equivalem a 3,8% do consumo final das famílias, contra uma média da UE de 2,3%, sendo por isso os sétimos mais elevados entre os estados-membros", lê-se no referido documento. Estes pagamentos directos incluem o co-pagamento de diversos serviços de saúde, como "consultas no âmbito dos cuidados primários, consultas de médicos especialistas de ambulatório, consultas em situações de urgência, exames de diagnóstico e consultas domiciliárias".» [Jornal de Negócios]
   
Parecer:

E alguns grupos profissionais e sociais suportam muito mais do que isso. por exemplo, os funcionários públicos suportam uma ADSE que ainda dá lucros ao Estado e ao fazerem-no estão a pagar a saúde do seu bolso. A verdade é que centenas de milhares de portugueses que não só não t~em médico de família, como são totalmente ignorados pelos serviços de saúde.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Lamente-se.»
  
 Isto vai acabar mal
   
«“Os meus filhos ficaram na escola a chorar”, contou ao PÚBLICO Alexandra Pimentel, gestora de processos de ensaios clínicos no Infarmed há 12 anos. “Se nós nos sentimos perdidos a lidar com esta situação, eles muito mais: sabem que ou têm de mudar de escola e afastar-se dos avós e de todos os pilares que têm ou então vão ficar longe da mãe”, dizia à saída de uma conferência de imprensa da Comissão de Trabalhadores (CT) na noite desta quarta-feira, onde ficou claro que a quase totalidade dos trabalhadores não concorda com a mudança para o Porto. “Toda a minha vida está estruturada em Lisboa e não sei como vai ser.”

Depois de ter sido anunciada na terça-feira a decisão inesperada de mudar a sede do Infarmed (Autoridade Nacional do Medicamento e Produtos de Saúde de Lisboa) para o Porto, os trabalhadores reuniram-se nesta quarta em plenário para discutir a decisão e chegou-se à conclusão que 97% não concordam com a mudança para o Porto — e só 20 deles estão dispostos a mudar.

Na reunião, que se iniciou depois de um encontro entre a Comissão de Trabalhadores, o Conselho Directivo e o ministro da Saúde Adalberto Campos Fernandes, foram feitas duas perguntas aos 312 funcionários presentes (92% do total): “Concorda com a mudança do Infarmed para a cidade do Porto?” e “Se essa relocalização ocorrer está disponível para mudar?”» [Público]
   
Parecer:
O governo vai pagar uma fatura brutal pela pelo momento santanista de António Costa.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Espere-se para ver.»

 PSD idiota
   
«Os subsídios de férias e de Natal para todos os funcionários do sector privado vão ser, a partir de 2018, pagos por inteiro. A novidade resulta de uma proposta do PCP que foi aprovada, na votação do Orçamento do Estado na especialidade, por todas as bancadas menos pela do PSD, que votou contra.

A proposta do PCP elimina o artigo que determinava que em 2018 metade do subsídio de Natal seria pago em dezembro e a outra metade seria paga em duodécimos, ao longo do ano. O artigo também previa que o mesmo se passaria com o subsídio de férias, igualmente dividido nessas duas metades, uma delas distribuídas por duodécimos durante o ano.

O CDS juntou-se à esquerda para aprovar a reposição do pagamento dos subsídios por inteiro, conforme propôs o PCP, que argumenta que "o subsídio de Natal e de férias é um direito dos trabalhadores pelo que o seu pagamento deve ser feito por inteiro no momento previsto para o seu usufruto".» [Expresso]
   
Parecer:

Que razões tem o PSD para insistir no 13.ª às prestações no setor privado?
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se a merecida gargalhada.»

quinta-feira, novembro 23, 2017

SE PENSARMOS COMO A DIREITA...



"Todos estes objectivos devem ser cumpridos para aumentar a capacidade de o país investir onde é necessário. Se queremos investir mais na qualidade da educação, na qualidade do sistema de saúde e nos serviços públicos não podemos consumir todos os recursos disponíveis com quem trabalha no Estado"

Estas palavras poderiam ter sido ditas por Passos Coelho para justificar a austeridade, aliás, de uma ou outra forma quase todas as personalidades as têm dito. A mensagem é clara, o que se gasta com os funcionários é tirado da educação, da saúde e nos serviços públicos, isto é, a despesa com os funcionários prejudicam o país. E prejudica duplamente, porque estas palavras são seguidas de outras: 

"Temos de manter essa linha. É preciso responsabilidade para que haja irreversibilidade nos passos dados por este Governo"

Isto é atender aos funcionários é fazer perigar a linha de progresso para o país. Esta foi a linha de pensamento do governo de Passos Coelho, foram estes os argumentos usados pelo mesmo Passos Coelho contra todas as medidas que considerou reversões. Mas não foi Passos Coelho que proferiu estas palavras, numa linha seguida pela direita desde Cavaco Silva, de desvalorização e de estigmatização dos funcionários públicos. Quem proferiu estas palavras foi o primeiro-ministro António Costa.

Ao ouvir António Costa dizer estas alarvdades vieram-me à memória outras palavras, estas bem mais profundas e sábias, proferidas pelo mesmo António Costa:

“Se pensarmos como a direita pensa, acabamos a governar como a direita governou”

Estávamos em julho de 2014, António Costa falava na apresentação da sua candidatura às primárias do PS na cidade do Porto. O alvo desta frase er António José Seguro.

Antes de mais, convinha lembrar que é António Costa e o PS que estão em dívida para com os funcionários públicos e não estes que devem estar gratos pela generosidade governamental. Tudo o que o governo de António Costa deu aos funcionários estava obrigado a dá-lo, tudo o que foi tirado aos funcionários e que o governo tem vindo a devolver às mijinhas foi declarado ilegal pelo Tribunal Constitucional.

Portanto, António Costa devia estar a dizer que o país está em dívida com aqueles que á margem da legalidade ficaram sem subsídios de férias e de Natal, sem uma parte substancial dos seus vencimentos mensais, que tiveram de trabalhar mais horas e dias de férias sem qualquer recompensa e têm estado pacientemente calados em nome do país. Cavaco chegou a cortar nos vencimentos mas pagou-os sob a forma de títulos do Tesouro, o governo de direita de Espanha devolveu os cortes que fez, por cá e apesar de tem sido declarado ilegais os cortes persistiram .

Se António Costa fizer bem as contas ao seu sucesso no reequilíbrio das contas públicas vai perceber que está em dívida com aqueles que agora parece considerar gulosos, a maior parte do reequilíbrio orçamental conseguido tanto pelo governo de Passos como de Costa foi conseguido com a persistência dos cortes.

Não vale a pena dizer que o crescimento económico em 2015 resultou da decisão do TC que obrigou o governo de então a devolver pensões e agora sugerir que estamos perante um milagre resultante de uma mezinha especial. Os funcionários devem a este governo o fim de uma estratégia de desvalorização do seu trabalho, quanto a tudo o resto que Costa julga ter oferecido aos funcionários foi decisão do Tribunal Constitucional.

Já agora convinha explicar a António Costa que "investir mais na qualidade da educação, na qualidade do sistema de saúde e nos serviços públicos" não é apenas comprar tijolos e os serviços públicos não são robots, como sugere a direita quando se queixa que a maior parte da despesa do Estado é feita com os funcionários, como se estes fossem uns parasitas. Enfim, como alguém disse em 2014 “Se pensarmos como a direita pensa, acabamos a governar como a direita governou”.

UMAS NO CRAVO E OUTRAS NA FERRADURA



 Jumento do Dia

   
Fernando Araújo, ajudante do Adalberto

O secretário de Estado da Saúde devia explicar como se estivesse a falar com uma criança de quatro anos, porque somos todos muito apalermados, o que é que a deslocalização do INFARMED tem de estruturante, o que é que fica mais estruturado no país com esta mudança. Por outra lado este ajudante de ministro devia ter um pouco mais desrespeito pela inteligência de quem o ouve e respeitar os cidadãos deste país.

Não só toda a gente percebeu a motivação da decisão, como é mais do que evidente que nada teve de equilibrada ou refletida e que os interesses dos trabalhadores decorre do que está na lei e como este senhor sabe ou tem a obrigação de saber, daqui a uns dias vai dizer que os trabalhadores têm direito a um corno e á ponta do outro.

Sejamos honestos, o governo serviu a vida de 400 famílias numa bandeja ao populista do Porto para que este se cale e não prejudique a imagem do governo. Muitas famílias vão ser destruídas só para que Rui Moreira não fale mal do Governo.

«Falando aos jornalistas à margem de uma entrega de 22 viaturas de emergência e reanimação no Hospital Fernando Fonseca, na Amadora, o secretário de Estado Adjunto da Saúde, Fernando Araújo afirmou, nesta quarta-feira, que se trata "de uma decisão estrutural, que não foi tomada por impulso nem de forma simples".

O responsável acrescentou que a decisão de mudar o Infarmed para o Porto "será equilibrada, reflectida e ponderada" e garantiu que serão salvaguardados os interesses dos profissionais daquele organismo.

"Visa seguramente os interesses do país", garantiu, quando questionado sobre o que vai acontecer às 400 famílias afectadas por esta mudança.» [Público]

 O INFARMED

Ou estou muito enganado ou depois desta idiotice de mudar o INFARMED o maior desafio que se vai colocar à nossa indústria farmacêutica será encontrar um medicamente que devolva a saúde ao Governo.

Ou António Costa tem muitos bons e sérios motivos para justificar uma decisão com tão grandes custos e que vai destruir a vida familiar de muita gente ou está metido numa trapalhada. Quer ele queira, quer não queira, vai ter de fundamentar esta decisão de mera deslocalização de um organismo público. Vai também ter de explicar porquê a escolha do Porto e o que o impede de distribuir toda a Administração Central do Estado pelas cidades, vila e aldeias do país.

O governo de Passos cortou os vencimentos e os direitos aos trabalhadores do INFARMED, Costa manda-os para o Porto sabendo que as compensações e ajudas que o Estado dá aos trabalhadores colocados fora da sua área de residência (veja-se o caso dos professores)  é pouco mais do que nada.

Mas não faz mal o governo vai dizer que os funcionários estão sujeitos ao interesse nacional e que quem não quiser ir pode mudar de emprego, até vai usar os professores como modelo de funcionário que muda de local de trabalho sem quaisquer compensações.

 O Adalberto e o Tó resolvem

A família fica definitivamente em risco porque um dos conjugues não se pode mudar para o Porto? Os filhos vão perder os seus amigos e sabem de um dia para o outro que vão mudar para outra cidade, longe daquela onde nascera? O funcionário ou funcionária vai ter de deixar de acompanhar os pais idosos que estão num lar ou que precisam da sua ajuda? O filho deficiente que tem tido acompanhamento em Lisboa vai mudar de um dia para o outro para o Porto? A família está endividada porque suponha que tinha um emprego em Lisboa e assumiu compromissos a contar com isso vai ficar falida com as despesas adicionais que terá de suportar? Os fins de semana na casa de férias vão acabar porque são mais trezentos quilómetros?

Nada disto importa, que se lixe a vida familiar de centenas de famílias, que se lixem mais as suas dificuldades financeiras agravadas pela austeridade que persiste, tudo isso não é nada quando queremos ver o Rui Moreira dócil e satisfeito. Se calhar ainda via mudar de ideias e dar a vice-presidência da autarquia do Porto ao Pizarro.

Se uma medida de deslocalização resultasse de um motivo forte, se a relação entre essa decisão e o interesse nacional fosse óbvia, se os trabalhadores tivessem sido minimamente respeitados em vez de serem humilhados sabendo do seu futuro por baboseiras ditas à pressa pelo Adalberto no meio de um corredor, se tivessem sido divulgados os estudos que justifica essa mudança para outra cidade e para o Porto, tudo isto seria aceitável.

Se nada disto aconteceu o Adalberto e António Costa terão muitas dificuldades daqui para a frente. Lamenta-se que até ao momento António Costa não tenha vindo dar a cara por esta decisão.

 Dúvidas que me atormentam

Será que o Rui Moreira vai fazer um acordo com o PS do Porto e, finalmente, o Pizarro chega a vice-presidente da Câmara Municipal do Porto?

Se a mudança do INFARMED é corresponde a uma descentralização ser´que a partir de agora o presidente do INFARMED passa a ir a despacho com o vereador da saúde da CM do Poro?

      
 Cortava os ditos...
   
«Segundo o documento, ao qual a agência Lusa teve acesso, os vereadores Teresa Leal Coelho e João Pedro Costa querem que o executivo "repudie veementemente a decisão do Governo" e "manifeste, de imediato, a sua solidariedade com os trabalhadores do Infarmed e com a Comissão de Trabalhadores do Infarmed".

Os sociais-democratas querem também que sejam equacionados "todos os recursos políticos e legais que estão constitucionalmente disponíveis para impedir a execução desta decisão", uma vez que "o Governo não pode tomar esta decisão sem antes consultar a Câmara Municipal de Lisboa".» [Notícias ao Minuto]
   
Parecer:

O quê? ver o Medina ir contra uma decisão do padrinho? Era mais fácil ver a rainha de Inglaterra pôr os palitos ao marido com o o motorista!
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se a merecida gargalhada.»

quarta-feira, novembro 22, 2017

Uma grande ideia do Adalberto?

Os cidadãos da cidade do Porto estão no desemprego, são prejudicados nos seus direitos, têm piores cuidados de saúde ou de segurança porque a sede do INFARMED não é no Porto? A resposta é não.

Ocorreu alguma alteração legislativa que coloca o INFARMED na tutela da autarquia do Porto?  A resposta é não

Foi feito um estudo que concluiu que a transferência do INFARMED melhoraria o seu desempenho por beneficiar de uma envolvente que o favorece?  A resposta é não

Foi feito algum estudo para avaliar se o INAFARMED ou o país teriam alguma coisa a ganhar mudando a sede do INFARMED?  A resposta é não

No pressuposto de que a mudança da sede do INFARMED teria um impacto global positivo para o país esse estudo contemplou a várias cidades do país onde o INFARMED poderia ser reinstalado? A resposta é não

A mudança de localização do INFARMED visou promover a criação de emprego na região do país com mais desemprego ou a criação de riqueza numa das zonas mais pobres do país?  A resposta é não

Os custos financeiros e humanos desta mudança foram avaliados?  A resposta é não

O governo divulgou algum estudo de avaliação do impacto da mudança nos diversos planos, vantagens empresarias, consequências sociais e familiares, despesa pública, criação de emprego e de riqueza?  A resposta é não

É uma decisão tomada sem apoio de qualquer avaliação, tendo em conta unicamente objetivos políticos e que foi negociada em privado e nas costas dos cidadãos. Chamar desconcentração ou descentralização a uma mera deslocalização idiota e oportunista é gozar com a inteligência dos portugueses. Tornar isto público através de um ministro que diz duas ou três patacoadas imperceptíveis porque estava meio engasgado é gozar com a seriedade do Estado.

Modernizar ou descentralizar, processos que não significam necessariamente progresso, não são mera desconcentrações. O Estado não é uma caixa de bombons a distribuir pelos autarcas mais populistas com melhor imprensa e  muito menos para fazer negócios autárquicos ou de qualquer outro tipo.

Poder-se-á argumentar que as empresas também mudam as suas sedes e isso é verdade. Mas também se sabe que quando as empresas mudam a sede não é para o patrão ficar mais perto da amante ou para comprar simpatias. As empresas deslocalizam-se por razões racionais, medindo custos e benefícios e quem decide assume pessoalmente as responsabilidades e os custos. Neste caso quem decide não divulgou os critérios racionais, não assume os custos e nem sequer se deu ao trabalho de dar uma explicação. Aliás, nem sequer respeitaram a dignidade do Estado na forma como comunicaram a decisão.

Comparar o INFARME com a ESA é comparar o cu com as calças, todos os funcionários da ESA estavam fora do seu país e pagos principescamente para isso, beneficiam de ajudas de custa que representam vários ordenados de um quadro do INFARMED, a transferência da habitação é financiada, a colocação dos filhos em escolas internacionais é subsidiada, a aquisição de carros beneficia de isenções. Aos funcionários do INFARMED nem vão dar um bilhete da CP.

Compreende-se que a decisão tenha sido comunicada por um ministro engasgado, no meio de um corredor e sem adiantar a mais pequena justificação, justificando apenas com o eu quero, posso e mando, eu sou o Adalberto! António Costa estava longe, provavelmente só fala do país quando está longe para chamar gulosos aos funcionários públicos.

Isto não é modernizar, descentralizar ou desconcentrar. Nem sequer resulta de um estudo sério, isto é puro populismo. Foi iniciado o regabofe do Estado, Faro vai querer que o Instituto Hidrográfico mude a sede para o Algarve, o chefe da secção do BE de Évora vai exigir que o IFAP se mude para aquela cidade, o quarto secretário da seção do PS de Vila Formoso vai querer que a sede do SEF mude para aquela localidade porque ali passa muita gente, Almeida vai querer que em compensação pelo encerramento da CGD se mude para lá a sede do Banco de Portugal. Enfim, nem quero imaginar o que vão ser os meses anteriores às próximas eleições autárquicas.

Em matéria de gestão do Estado esta é a decisão mais imbecil a que assistir desde que sou adulto.

UMAS NO CRAVO E OUTRAS NA FERRADURA



 Jumento do Dia

   
António Costa, primeiro-ministro

Li e reli, achei que era engano, estas declarações eram de Passos Coelho, tinha de ser, é assim que Passos Coelho pensa, é isso que o ainda líder do PSD anda a dizer desde o primeiro dia. Mas não, contra a minha vontade estava enganado, quem falava assim era mesmo António Costa.

Afinal o que é que António Costa deu aos funcionários públicos? Que eu saiba não deu mais do que tinha sido decidido pelo Tribunal Constitucional e mesmo isso deu às prestações, tanto quanto sei não deu mais nada pois tudo o resto tanto deu aos funcionários públicos como aos restantes trabalhadores, a sobretaxa aplica-se a todos e as reduções via escalões do IRS também beneficiam todos.

Então onde é que os funcionários públicos estão a "roubar" ao progresso do país? António Costa falou como um político da direita de Passos Coelho, é lamentável, mesmo muito lamentável.

«"A ilusão de que é possível tudo para todos, já não existe isso. Temos de negociar com bom senso, com responsabilidade, procurando responder às ansiedades das pessoas, mas com um princípio fundamental: Portugal não pode sacrificar tudo o que conseguiu do ponto de vista da estabilidade financeira, porque isso, no futuro, colocaria em causa o que foi até agora conquistado", alegou.

"Todos estes objectivos devem ser cumpridos para aumentar a capacidade de o país investir onde é necessário. Se queremos investir mais na qualidade da educação, na qualidade do sistema de saúde e nos serviços públicos não podemos consumir todos os recursos disponíveis com quem trabalha no Estado", defendeu o líder do executivo.

"O défice para 2018 está fechado. Tendo sido tomada a decisão política de incorporar no Orçamento as medidas que em 2018 são possíveis - e que decorrem do relatório da Comissão Técnica Independente sobre incêndios -, isso tem naturalmente consequências sobre a previsão do défice. Agora, no que respeita a outras matérias, não haverá qualquer alteração" em relação à meta do défice em 2018, frisou António Costa.» [Jornal de Negócios]

 Sistema Fiscal



 Três pequenas dúvidas

Quanto vai custar ao país a mudança do INFARMED para o Porto? Quais as compensações para os seus quadros que terão de se mudar para o Porto e que nalguns casos vão ter as suas famílias divididas por quase 300 km?

Se estivesse em causa um novo organismo  faria sentido estudar outra localização, podendo comparar-se as vantagens oferecidas pelas várias hipóteses. Chamar a isto combate ao centralismo, como diz o ministro da Saúde, é um atentado à inteligência das pessoas.

Estamos perante uma decisão populista que certamente vai de encontro a negócios privados com o populista que lidera a autarquia do Porto. Parece que o ministro da Saúde já não sabe o que fazer ao dinheiro. Esta decisão não descentraliza nada, não poupa nada, não torna nada mais eficientes, é apenas uma decisão populista e eleitoralistas que visa calar e namorar a seita do Rui Moreira á custa do desrespeito pela vida dos funcionários do INFARMED.

O que vão fazer os que compraram casa em Lisboa, assumindo pesados compromissos financeiros, vão vender as casas à pressa e sujeitarem-se a ir para uma cidade onde terão de mudar tudo? O que farão os casais cujo conjugue não trabalha no INFARMED, o que não trabalha no INAFRMED opta pelo desemprego e sefgue com a família ou divorciam-se?

Se a EMA tivesse vindo para o Porto tudo ficaria como está, como a EMA vai para a Holanda, em menos de 24 horas António Costa decidiu sem olhar a custos financeiros e humanos decidir mudar um organismo. Isto é pura leviandade.

Já agora convinha que o ministro e o Moreira aprendessem a distinguir descentralização com deslocalização.

      
 Mas que grande palerma!
   
«Ficou tudo fechado esta segunda-feira, mas Rui Moreira acha que se abriu tudo para a cidade a que preside. “Agora estamos ainda mais na mira dos investidores internacionais”, diz o presidente da Câmara do Porto, que faz um balanço “muito positivo da candidatura nacional”.» [Expresso]
   
Parecer:

Enfim, uma candidatura publicitária.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Lamente-se.»
  
 Ofensa ou nacionalismo exacerbado
   
«Uma nova polémica surgiu nos últimos dias nas redes sociais, com consequências. Um hotel do Porto, que tinha na receção um enorme tapete com a imagem da bandeira de Portugal, viu-se esta segunda-feira obrigado a mudar a decoração após a chuva de críticas de internautas que consideraram tratar-se de desrespeito ao símbolo nacional.

Em comunicado publicado no Facebook, o Torel Avantgarde fez questão de sublinhar que é "o primeiro Hotel 5* decorado exclusivamente por artistas/designers e produtos portugueses é por isso uma homenagem à portugalidade", e que "o tapete no lobby com a ilustração da bandeira de Portugal foi mais uma forma de honrarmos e celebrarmos este facto e o nosso país".» [DN]
   
Parecer:

Anda por aí muita gente com uma grave crise de nacionalismo.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»

 Mau gosto ou dor de corno
   
«Já se está a tornar um hábito. Os comentários de Herman José nas publicações da “rainha da pop” começam a tornar-se um clássico. Desta vez, Madonna partilhou um vídeo a cantar o tema “Can’t Help Falling In Love”, de Elvis Presley, e o “verdadeiro artista” propôs-lhe uma canção nacional para a próxima atuação.

“Excelente. Vamos agora passar ao próximo nível. Proponho o ‘Eu Faço de Coentrada’ da nossa Rosinha”, comentou o anfitrião do programa “Cá Por Casa”, da RTP1, sugerindo um tema da cantora popular portuguesa, famosa pelas composições repletas de trocadilhos e de duplos sentidos.» [DN]
   
Parecer:
parece que o Herman quer recuperar a perda de brilho à custa da Madona.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»