segunda-feira, Setembro 22, 2014

O Novo Banco vai mesmo ser vendido?

Ainda que, pelo menos por enquanto, não esteja à venda é óbvio que mesmo sem a ajuda do Ti Costa ou do Silva da Coelha o ainda primeiro-ministro sofreu uma mutação dividindo-se em dois, no Passos Bom e no Passos Mau. Enterrado o Passos Mau temos agora um Novo Passos, um Passos cujos ministros pedem desculpa por tudo e por nada, um Passos convicto da sua honestidade, um Passos novinho em folha para dar início ao novo ciclo que se abre a um ano de eleições.

Passos nem esperou pelas directas do PS e antecipando uma vitória mais incómoda para o seu futuro forço ou desenvolvimento da crisálida para que a nova borboleta começasse a voar o mais cedo possível. Até o Horta Osório apareceu de cara inchada a falar da desgraça do Novo Banco como se fosse seu, o país ficou a saber o que o governo teme admitir, o Novo Banco é para vender ao preço da uva mijona e vai dar prejuízo.

O problema do Novo Passos é que muito embora tente fugir para a frente vai ser apanhado pela desgraça do Novo Banco a não ser que os bancos mudem de ideias e num gesto de solidariedade eleitoral com o governo opte por adiar a venda da sucata do BES para depois das eleições. Se isso não suceder é bem provável que a coligação do PSD com o CDS nem chegue aos 20% dos votos.

Aceitam-se apostas em como o governo vai adiar a venda do Novo Banco para depois das eleições de 2015.

Umas no cravo e outras na ferradura



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Óbidos
  
 Jumento do dia
    
Nuno Crato

É normal que alguém cometa um erro e peça desculpa, foi para isso que fomos educados. Mas o que Crftao está fazendo não é mais do que uma mudança oportunista e em vez de recvelar alguém que é capaz de pedir desculpa, está revelando um político com um nível bem mais baixo do que aquilo que se pensava.

O Crato do passo irritava, este enoja.

«Nuno Crato tem a questão dos professores no centro das suas atenções, mas não esquece as dificuldades que algumas escolas passaram (e passam) devido aos cortes. Ao Diário de Notícias (DN) o ministro da Educação confessa que lamenta “não ter mais dinheiro para recuperar escolas, não com luxos mas com funcionalidades”.

“Se há algo que lamento é não ter mais dinheiro para recuperar as escolas, não com luxos mas com funcionalidades”. As palavras são de Nuno Crato, em entrevista ao Diário de Notícias (DN).» [Notícias ao Minuto]

 Directas

Se alguém espera que o espectáculo Seguro termina com as directas do próximo domingo pode estar muito enganado, se o Tozero perder as directas termos espectáculo para mais tempo. Quem demonstrou estar agarrado ao poder ao ponto de mais parecer um militante da extrema-direita dificilmente aceitará uma derrota. Seguro nunca fez nem soube fazer nada na vida, há décadas que vive da política, é um penamacorense a viver à custa das mordomias do poder e vai fazer tudo o que estiver ao seu alcance para se vingar do seu próprio partido.

 E vão 80



PEQUENA VALSA VIENENSE

Em Viena há dez mocinhas,
um ombro em que soluça a morte
e um bosque de pombas dissecadas.
Há um fragmento da manhã
no museu da geada.
Há um salão com mil janelas.
Ai, ai, ai, ai!
Toma esta valsa com a boca fechada.

Esta valsa, esta valsa, esta valsa,
de sim, de morte e de conhaque
Que molha sua cauda no mar.

Quero-te, quero-te, quero-te,
com a poltrona e o livro morto,
pelo melancólico corredor,
no escuro desvão do lírio,
em nossa cama da lua
e na dança com que sonha a tartaruga.
Ai, ai, ai, ai!
Toma esta valsa de quebrada cintura.

Em Viena há quatro espelhos
onde brincam tua boca e os ecos.
Há uma morte para piano
que pinta de azul os rapazes.
Há mendigos pelos telhados.
Há frescas grinaldas de pranto.
Ai, ai, ai, ai!
Toma esta valsa que está morrendo em meus braços.

Porque te quero, te quero, meu amor,
no desvão onde brincam os meninos,
sonhando velhas luzes da Hungria
pelos rumores da tarde tíbia,
vendo ovelhas e lírios de neve
pelo silêncio escuro de tua fronte.
Ai, ai, ai, ai!
Toma esta valsa do "Quero-te sempre".

Em Viena dançarei contigo
com um disfarce que tenha
cabeça de rio.
Olha que margens tenho de jacintos!
Deixarei minha boca entre tuas pernas,
minha alma em fotografias e açucenas,
e nas ondas escuras do teu andar
quero, meu amor, meu amor, deixar,
violino e sepulcro, as cintas da valsa.

Federico García Lorca, 

      
 Ministro mostra o caminho certo
   
«Miguel Macedo, o ministro dos bombeiros, fez o balanço: neste ano houve menos de metade dos fogos de 2013 e é o terceiro melhor da última década em área ardida. Concluiu de forma bem humorada: "Devo ser o único português que gostou do verão que tivemos até agora." Os números são de facto extraordinários, não conheço nenhuma área governamental capaz de apresentar resultados tão positivos. Acaso a dívida externa caiu para metade? O tempo de espera para cirurgia é dos mais curtos em dez anos? O abandono escolar diminuiu? Não, para todas as perguntas... Nos incêndios, sim. Mais do que puxar para si os méritos, o humor de Miguel Macedo apontou a causa do tanto que se fez: a meteorologia. E, ao dizê-lo, o ministro aconselha os seus colegas de Governo sobre a filosofia política a adotar. O que fazer? Nada. Deixar outros governar. No caso do Ministério da Administração Interna, foi a muita chuva e o pouco sol. Para as outras áreas que cada uma encontre quem trabalhe por ela. É importante, pois, que cada ministro se convença de que não só é prescindível, como o seu não fazer é que é eficaz. Lembram-se do lema daquele antigo político brasileiro, "roubo mas faço"? Não dou conselhos sobre a honestidade mas agora o que está a dar é: "Não faço!" Seria um magnífico slogan de campanha. E para programa uma só resposta: "Como não pretendo fazer nada, não tenho." Vão ver que seria ter sol na eira e chuva no nabal no dia das eleições.» [DN]
   
Autor:

Ferreira Fernandes.

 Será de propósito?
   
«É provável que a vacuidade de Vítor Bento na análise política e económica seja parecida com a sua qualidade como gestor, mas nada indica que esteja louco ou que seja desprovido do mais básico bom senso. Assim sendo, não é de crer que ele e a sua equipa se tenham demitido por birra ou capricho, colocando em risco o Novo Banco e a já fragilíssima estabilidade do sistema financeiro.

A Bento foi-lhe solicitada uma missão, proposta uma estratégia e depois alguém no Governo ou no Banco de Portugal teve outra ideia e mudou tudo. Qualquer semelhança com a atuação típica do Executivo não é mera coincidência.
É por demais evidente que neste processo do BES/Novo Banco está escarrapachada a incompetência/inconsciência/irresponsabilidade que tem sido a assinatura deste Governo.
Em primeiro lugar, a espécie de delegação, no Banco de Portugal e em Carlos Costa, de poderes para conduzir a questão BES, pós-intervenção. A questão é de interesse público e quem está mandatado pelo povo para tratar assuntos desta gravidade é o Governo, diretamente, sem delegados. Um governo que aparece de toalha, para ir secando as mãos, e finge que é espectador num processo em que está em jogo 20% da riqueza nacional e que pode fazer implodir o sistema financeiro português, é um Governo suicida e irresponsável.

E onde estão as atribuições do Banco de Portugal para administrar bancos comerciais ou desenhar ou, mesmo, executar estratégias de gestão? E, claro está, temos a tarefa que deve estar a espantar o mundo dos bancos centrais: o Banco de Portugal como mediador de negócios de compra e venda.
Enquanto a antiga administração estava em funções, tínhamos ministros a definir a estratégia do banco na praça pública. De manhã era preciso consolidar, à tarde era preciso vender o mais depressa possível. Num dia, a ministra das Finanças punha em causa a supervisão, no outro enaltecia a tarefa do Banco de Portugal.

Tivemos uma estratégia e em meia dúzia de semanas arranjou--se outra: há que vender rapidamente o banco. Qualquer vendedor de carros usados sabe que anunciar pressa na venda faz diminuir o valor de um bem. Como no Governo faltam estadistas mas sobram vendedores de banha da cobra, o mais certo é alguém pensar que mesmo perdendo dinheiro dos contribuintes, mesmo pondo em causa o futuro da instituição, o importante é atirar o problema para um lado qualquer antes das eleições para parecer que o assunto está resolvido.

Mas eis que surge outra confusão. O novo presidente do banco, Stock da Cunha, na carta que dirigiu aos colaboradores do banco, disse que "temos de voltar a crescer em volume de negócios e créditos... e acabar com a discussão permanente sobre o modelo ou a data de venda". Das duas, uma: ou o Governo está a mentir, e afinal não tem pressa em vender, ou Stock da Cunha ainda estará menos tempo no banco do que Vítor Bento.

Estamos perante uma gigantesca trapalhada, em que o Governo se porta como uma barata tonta e se tenta esconder por detrás do Banco de Portugal. No entretanto, brinca com milhares de depositantes e põe em seriíssimo risco os outros bancos.

Os disparates são tantos e tão graves que há alturas em que é legítimo pensar que o Governo quer fazer implodir o Novo Banco e o sistema financeiro português. Talvez na sequência do que está a fazer à Justiça.

Não bastava termos um governo que não estava preparado para enfrentar a crise, temos também governantes que tratam o maior problema do nosso sistema financeiro das últimas décadas duma forma absolutamente errante e irresponsável. É azar a mais.» [DN]
   
Autor:

Pedro Marques Lopes.

      
 Alemanha isolada no G20
   
«"A Europa tem de fazer mais", acentuou o secretário do Tesouro norte-americano Jack Lew resumindo uma das críticas que tiveram o acordo da maioria dos ministros das Finanças e banqueiros centrais do G20, cuja reunião terminou este domingo ao final da manhã (hora local) em Cairns, na Austrália.

Lew referiu que permanecem diferenças "filosóficas" com alguns parceiros europeus em torno das medidas de estímulo de curto prazo para impulsionar a retoma económica. O secretário do Tesouro de Obama ressaltou o risco de na Europa "os esforços para impulsionar a procura serem diferidos demasiado de modo que o vento contrário tornar-se-á mais forte".

A crítica tinha como alvo a Alemanha representada pelo ministro das Finanças Wolfgang Schaüble que reafirmou a posição de prioridade às reformas estruturais e a um controlo orçamental estrito. A Reuters referiu que um membro da delegação alemã frisou que "não concordamos com estímulos de curto prazo" e que "a dívida está ainda demasiado elevada para permitir aumentar a despesa pública". » [Expresso]
   
Parecer:

Na próxima reunião o ministro das Finanças vai levar Passos Coelho com o estatuto de secretário pessoal para não ficar isolado no seu troikismo doentio.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Faça-se a sugestão.»
  
 E esta?
   
«António Costa, candidato às primárias do PS, acusou este sábado à noite o seu adversário eleitoral, António José Seguro, de partilhar os consultores de Luís Filipe Menezes, o ex-autarca de Vila Nova de Gaia que está agora a ser investigado pela Polícia Judiciária do Porto por suspeitas de corrupção.

As acusações ao atual secretário-geral do PS surgem no seguimento das declarações de Seguro, esta sexta-feira à noite em entrevista à CMTV, em que este disse que "há um partido invisível, que tem o verdadeiro poder".» [CM]
   
Parecer:

Pobre Seguro.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»
  

   
   
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domingo, Setembro 21, 2014

Semanada

Foram tantas as confissões e arrependimentos públicos nesta semana que das duas uma, ou os antigos maoístas tiveram uma crise de maoísmo e desataram a fazer uma sessão de autocrítica ou o Paulo Portas conseguiu que todos os seus colegas fossem tão crentes quanto o Paulo Macedo e sinal de gratidão promoveu uma semana de confissão sendo de esperar que na próxima semana o Paulo Macedo siga o exemplo do que fez na DGCI e promova uma missa de acção de graças para que todos os seus colegas comunguem do corpo de Deus.
  
Quem não precisa de pedir desculpa por asneiras que tenha feito na vida é Passos Coelho, o por enquanto primeiro-ministro está convicto de que nunca terá feito qualquer ilegalidade. Para Passos Coelho a sua própria inocência é uma questão de convicção e não de certeza, com base nos dados de que dispõe e com as provas que foram apresentadas ele tem essa convicção. Enfim, de boas convicções está o inferno cheio.
  
José António Seguro ainda não se decidiu por organizar uma missa de acção de graças na igreja paroquial de Penamacor porque por sua vontade anteciparia o madeiro do Natal e nele queimaria essa escória oportunista da corte da capital liderada pelo gandulo do António Costa, um traidor que esteve três anos à janela do município esperando que o Tozero fizesse o trabalho brilhante que colocou o PS à beira do governo.

Apesar de todos os esforços da ministra da Justiça o Citius ainda não funciona mas a incompetente continua firme e hirta no seu cargo, está convicta de que é muito competente e o problema do Citius foi apenas um azar d percurso da sua bela reforma do sistema judiciário.
 
Seguro diz que há treês anos que se está a preparar para ser governo. Agora só falta sabermos o que andou a fazer nos outros vinte anos em que esteve na sentado na sexta fila.

Umas no cravo e outras na ferradura



   Foto Jumento


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Cogumelos do parque Florestal de Monsanto, Lisboa
  
 Jumento do dia
    
Miguel Macedo

É mais do que evidente que Portugal pouco ou nada está fazendo para evitar algum atentado do Estado Islâmico, como foi evidente que o país foi apanahdo de surpresa com a notícia da existência de jiahdistas portugueses. Mas sempre vai dando ares de que faz alguma coisa e pode ser que suceda com o terrorismo o mesmo que aconteceu com o incêncio, pode ser que o clima nos ajude.

«O ministro da Administração Interna, Miguel Macedo, garantiu neste sábado que as autoridades portuguesas estão atentas e vigilantes, estando a ser ponderado "um conjunto de situações" para uma "reacção eficaz" a eventuais actos terroristas do autoproclamado Estado Islâmico.

"Estamos atentos e vigilantes", afirmou, à margem da inauguração do novo quartel dos Bombeiros Voluntários de Riba de Ave, em Famalicão.

No entanto, Miguel Macedo adiantou que Portugal não deverá seguir o exemplo do parlamento francês, que aprovou uma nova lei que possibilita confiscar passaportes para impedir potenciais jihadistas de viajarem para países como o Iraque e a Síria. "Não me parece que seja esse o caminho, não me parece que o que foi decidido ou que está a ser decidido em França seja a solução adequada para Portugal", referiu.

Sublinhou que, para já, ainda não há decisões do ponto de vista legislativo, mas garantiu que estão a ser ponderadas "algumas dessas matérias". "A decisão não está tomada, estou a ponderar um conjunto de outras situações que possam favorecer, se for caso disso, uma reacção eficaz das entidades que têm por missão e competência o combate a esse tipo de situações sem que haja dificuldades do ponto de vista operacional a obstar a essa reacção ou a essa acção", referiu.» [Público]

 O BESório

A ministra nada diz sobre o BES, diz ela, porque é assunto do ti Costa, por sua vez o ti Costa diz ao domingo o que o Marques Mendes disse no sábado, o Cavaco diz que nada diz de seu porque repete o que ouve do ti Costa, Passos Coelho diz que nada diz mas que já disse tudo o que sabia ao Cavaco, o Bento vai-se embora e fica calado, o Stock chega e diz o que o Bento dizia.

Depois de Ricardo Salgado ter partido não se sabia muito bem quem manda no BES, mas na sexta-feira dissiparam-se todas as dúvidas, o BES é do Horta Osório e ele é que sabe quanto vale e o que o seu empregado veio fazer para Lisboa. O país ficou a saber que o BES vai ser vendido o mais rapidamente possível e que essa é a tarefa do seu empregado e, algo que ninguém tinha dito, a venda vai dar prejuízo aos contribuintes.

Conclusão, ou o BES é vendido a tempo de o assunto ficar esquecido antes das eleições ou são as directas do PS que vão decidir o que fazer à sucata financeira da divina família. Até lá o BES é do Horta Osório, é o BESório.

 Desculpem

Dantes tudo o que o governo fazia, bem ou mal feito pouco importava, estava no mermorando, era uma consequência do memorando, era culpa do memorando, era por causa do memorando ou resultava da consequência do memorando.

Desde que a troika partiu que deixou de haver um culpado de serviço para os abusos e imbecilidades do governo, agora a culpa é mesmo dos ministros.  Mas eles já encontraram uma saída limpa para as suas asneiras, sempre que fazem merda perdem desculpa e ficam limpinhos  e prontos para mais imbecilidades.

 Seguro e Passos

A diferença entre Passos e Seguro faz-me lembrar quando vamos a um café, pedimos uma Água das Pedras e o empregado responde "Só temos, Vimeiro, mas é a mesma coisa". Mais gás, menos gás a diferença entre Passos e Seguro não é nenhuma.

Continuando na publicidade assistir a uma derrota de Costa e depois ter de votar Seguro é como no velio anúncio da Aguardente Aldeia Velha em que um cliente pedia uma aguardente e como não havia respondia "então dê-me um pastel de bacalhau".

      
 O populismo à espreita
   
«A propósito de factos recentes, várias vozes se têm erguido na denúncia do perigo populista. Creio que têm razão. A ameaça existe e tem de ser combatida. Para o que precisamos de profundidade na compreensão e firmeza na reação. Quatro elementos compõem a atitude populista. O primeiro é a oposição radical entre "nós" e "eles": nós, que supostamente formamos, por qualquer laço primordial, uma comunidade homogénea, e os outros que estão fora. Mesmo quando não é xenófobo, e portanto aceita o direito de os outros ocuparem o mesmo espaço que nós, o populismo olha-os de soslaio e com suspeita, em particular quando acredita que eles têm oportunidades e regalias específicas. Quer sejam os agricultores de Montalegre contra os doutores de Lisboa, ou os pobres honrados contra os "ciganos" do rendimento mínimo, ou as famílias remediadas contra os "milionários" das pensões do Estado, ou os zés-ninguéns contra os ricos que fintam a Justiça, o traço é o mesmo: a barreira intransponível entre os de dentro e os de fora, os de baixo e os de cima, os da norma e os da exceção, como se fossem mundos separados e incomunicáveis.

O segundo elemento é a definição emocional do "nós". O "povo" de que se reclamam os populistas não é um grupo social mas um estado de espírito, não é uma condição mas uma exaltação. Por isso, o raciocínio crítico, que contextualiza, relativiza e gasta tempo, é considerado uma traição. Veja--se a ideia de publicitar os contactos dos condenados por pedofilia: a reparação devida aos sentimentos de repulsa e alarme dispensaria o raciocínio básico de que, se a lei não prevê a prisão perpétua, não pode a administração instituí--la por porta travessa. Para os populistas, a indignação é suficiente, e o pensamento pernicioso.

O terceiro elemento é o desprezo pelas mediações, que obstam à materialização instantânea da emoção. Falo das regras e dos quadros institucionais que obrigam à argumentação e à prova, que introduzem distância entre o juízo e a coisa julgada, que requerem procedimentos objetivos e normas impessoais. Julgue-se sumariamente e sem apelo, condene-se o comportamento pelo seu valor facial, sem apurar de razões, sejamos nós ao mesmo tempo os ofendidos e os punidores. Para os populistas, as mediações e os mediadores - como o direito, o sistema político, os meios académicos e profissionais - são, no mínimo, dispensáveis e, no máximo, inimigos. São os de Lisboa contra o país, os da política contra o povo, os corrompidos pelas glórias e os benefícios do poder contra a pureza primordial da arraia-miúda.

Por isso, o último elemento da atitude populista é a substituição de toda a representação mediada e limitada pela representação imediata e absoluta, encarnada em líderes "puros", sem baias institucionais, que encarnam o povo porque são da sua natureza. Ou porque nasceram em Penamacor ou Santa Comba, ou porque só iam fazer a rodagem do carro, ou porque se viram ricos em Bruxelas para defender o povo contra Bruxelas, ou porque também não conseguem dormir sem saber se há um pedófilo no prédio.

Como se vê, o populismo situa-se nos antípodas da preocupação e do respeito pelo povo. O populismo expropria o povo do raciocínio, nega-lhe discernimento e pede-lhe adesão exaltada, sem medida nem escrutínio. Desde o surgimento da comunicação de massas, ele propaga-se com força, através da Imprensa dita popular, da televisão generalista e de cadeias de rádio religiosa ou ideologicamente comandadas. Também o temos em Portugal. E, de certo modo, habituámo-nos a ele. Até condescendemos, se bem que não devêssemos.

Mas o que talvez explique o recente sobressalto contra o populismo é a constatação da força com que ele vem penetrando no coração dos sistemas político-partidário e político-judicial. E o que é mais de lamentar é que, no primeiro caso, seja através do PS, pela mão de António José Seguro e que, no segundo, seja patrocinado pela própria ministra da Justiça.» [JN]
   
Autor:

Augusto Santos Silva.

 Perdoemos-lhes porque não sabem o que fazem
   
«A semana foi diferente. Fofinha, vá. Dois ministros, dois, pediram absolvição por transtornos e outras trapalhadas da governação. Paula Teixeira da Cruz, na quarta-feira, após duas semanas de negação, caiu em si e pediu desculpas pelo "estado de Citius" em que mergulhou a Justiça desde dia 1 deste mês.

No dia seguinte, o matemático Nuno Crato pediu clemência pelo erro na fórmula de cálculo utilizada para criar as várias listas de colocação de professores contratados. Uma e outro assumiram a responsabilidade política pelos fracassos mas não tiraram daí quaisquer consequências. Essas ficam para os bodes expiatórios, arranjados à pressa ou em inquéritos internos, mesmo que se tenham limitado a cumprir instruções dadas a partir dos gabinetes ministeriais.

Diz-se, por estes dias, que o ambiente está a mudar. Que as desculpas pedidas esta semana são sinónimo de uma nova era da comunicação política, mais próxima dos eleitores. Talvez seja verdade. Afinal de contas, vamos a votos outra vez já daqui a um ano. E nada seria mais ingénuo do que pensar que a proclamação "que se lixem as eleições!", feita em julho de 2012, era coisa para levar a sério.

Manda a sabedoria popular que as desculpas não se pedem, evitam-se. Determina a civilização que errar faz parte da natureza humana. Sabemos que pedir perdão é, em muitas circunstâncias - quase todas -, um ato de nobreza. Foi assim com o Papa Francisco, que o fez pelos pecados da Igreja. Foi também assim com Angela Merkel quando, em 2008, em pleno Knesset - Parlamento de Israel -, pediu desculpa pelo Holocausto. O erro ou o pecado são, portanto, naturais. Fazem parte do exercício de qualquer atividade, e o poder não é exceção. À atual maioria e seus seguidores, no entanto, se trilhar o caminho do ato de contrição permanente sobra-lhe pouco tempo para governar.

Senão, vejamos: irá o dr. Passos Coelho pedir desculpas por ter mentido descaradamente aos eleitores em 2011 ao jurar não subir a carga fiscal, cortar salários e pensões, confiscar subsídios, despedir funcionários públicos, controlar a dívida e um rol de outras promessas que serviram apenas para caçar o voto? Irá o primeiro-ministro pedir desculpa por ter ido além da troika, com as consequências económicas e sociais que se conhecem, ou pelos insultos constantes à Constituição? Irá o dr. Portas pedir desculpa por ter ultrapassado todas as linhas vermelhas que traçou? Irá o vice-primeiro-ministro pedir desculpa pela crise irrevogável do verão passado, e que tanto dinheiro em juros custou aos bolsos dos portugueses? Irá o dr. Pires de Lima pedir desculpa por, enquanto gestor, defender à outrance a baixa do IVA e, depois de chegado ao Ministério da Economia, ter metido na gaveta ideia tão absurda? Irá algum dia o professor Gaspar pedir desculpa "ao melhor povo do mundo" pelo colossal aumento de impostos? E, porque pecados não faltam, podia continuar por aqui fora, mas não me sobrava papel.» [DN]
   
Autor:

Nuno Saraiva.

   
   
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sábado, Setembro 20, 2014

Estão desculpados

Depois de três anos de arrogância, prometendo revoluções na justiça a ministra espetou-se, insistiu em levar à prática uma reforma que desde o princípio parecia estar sendo feita em cima do joelho, andaram anos a medir quilometragens e a mudar de tribunais em função do peso do aparelho local, mas esqueceram-se do mais importante, de assegurar que existiam infraestruturas.
  
O problema das infraestruturas foi resolvido à pressa, meteram-se os magistrados em contentores e o sistema informático foi ignorado, seria uma questão de umas horas, de um dia, de uma semana, de um mês, daqui a três anos estará resolvido. A ministra teimou, atacou quem a criticava, auto elogiou-se e quando a incompetência começava a ser evidente e a verdade vinha ao de cima a senhora assumiu a responsabilidade política.

O Crato fez o mesmo, errou, insistiu no erro, atacou os que lhe criticaram o erro e quando já estava a cair no ridículo a bancada parlamentar do seu partido deu-lhe uns minutos para pedir desculpa. Começou o debate parlamentar dono da verdade e de forma arrogante, só quando tinha a certeza de que estava perdido e já nem tinha tempo para falar sentiu uma crise de arrependimento.
  
Não é difícil de adivinhar que um dia destes a Maria Luís virá pedir desculpa pelos milhares de milhões de prejuízo no BES, nessa altura já o Horta Osório se terá escondido em Londres, o Stock estará esgotado e o governador do BdP estará de baixa porque a idade já não aguenta tudo. Pedirá desculpa pelo prejuízo, pelo que fez ao Bento, pela forma como ignorou Belém. Mas não se demitirá, pedidas as desculpas e rezadas umas avés marias estará prona para mais uns pecados.
  
Que culpa tem a ministra de tanta incompetência, quem  pode culpar o Crato por ser o ministro mais incompetente que passou pela pasta da educação, quem pode culpar a ministra das Finanças de tanta ingenuidade? Estão perdoados mas façam o favor ao país, vão-se embora sff.
 

Umas no cravo e outras na ferradura



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Terreiro do Paço, Lisboa
  
 Jumento do dia
    
Alberto Martins, o mais fiel dos segurianos

É triste ver alguém transformar-se em populista para ajudar o chefe nas directas e vir agora justificar o seu populismo recente como forma de combater o populismo dos outros. É triste e muito feio, é uma vergonha para uma esquerda que com gente desta entra em decadência.

«O líder parlamentar do Partido Socialista (PS), Alberto Martins, justifica a sua defesa da redução do número de deputados na Assembleia da República com as mudanças na Europa e a ameaça crescente de partidos populistas. Em declarações ao Observador afirma que com as mudanças que se têm verificado nos sistemas políticos, tanto em Portugal como na Europa, é “impensável” que não se pensem em novas soluções “sob pena de não percebermos a realidade e sermos esmagados por ela”.

“A fragmentação partidária, o surgimento de partidos populistas com causas difusas, partidos de interesses ou partidos ocasionais e de simples protesto obrigam a novas formas no exercício e participação dos cidadãos e de reformulação do sistema partidário”, disse Alberto Martins, considerando que a revisão da lei eleitoral para a Assembleia da República (AR) poderá trazer novos instrumentos de participação aos cidadãos.

Alberto Martins era até há pouco tempo um forte opositor da redução do número de deputados, embora defendendo uma revisão da lei eleitoral para a AR com novos círculos eleitorais. Hoje dá a cara pela redução de deputados proposta por António José Seguro, que está a dividir o PS e a provocar a revolta na bancada parlamentar.» [Observador]

 Desculpem lá qualquer coisinha

Quando no dia do lançamento do novo mapa judiciário o Citius foi abaixo o governo prometeu que tudo estaria bem antes do fim da manhã, depois disse que a coisa funcionaria antes do fim do dia, depois falou no fim da semana, mais tarde disse que tudo estava resolvido e ainda hoje a justiça portuguesa está no caos. 
  
Perante sinais evidentes de confusão a ministra reagiu com arrogância e agressividade e quando percebeu que o problema levaria algum tempo a resolver optou por lançar nuvens de fumo com a questão da vigilância dos pedófilos. Agora que percebeu que a maior trapalhada na história da Administração Pública portuguesa era evidente para todos optou por dizer que assumia a responsabilidade política e pediu desculpa. 
  
Com o ministro Crato sucedeu mais ou menos o mesmo, perante um erro evidente que punha em causa todo um concurso o doutro em matemática insistiu em negar um erro elementar, só quando percebeu que ao insistir com arrogância estava a cair no ridículo é que se lembrou de tirar a humildade do bolso, assumiu a responsabilidade política e pediu desculpa.
  
A estratégia do governo não é nova, quando Passos Coelho apoio o programa de austeridade de Sócrates veio pedir desculpa aos portugueses, algo de que nunca se lembrou em todas as sacanices que lhes fez durante estes três anos de governo. Para os membros deste governo pode ser-se incompetente até ao vómito, pode meter-se o sistema judicial de pernas para o ar, pode desestabilizar-se o sistema de ensino com erros elementares e nada sucede, pede-se desculpa e fica tudo resolvido.
  
Um dia destes o ministro da Saúde vai aparecer a pedir desculpa aos familiares dos cidadãos de Évora que faleceram por falta de assistência, a ministra das Finanças pede desculpa para barafunda no BES, o ministro da Economia pede desculpa porque os seus milagres não se confirmaram, Paulo Portas pede desculpa por ser o irrevogável que mais facilmente se deixa revogar, até Cavaco Silva ainda se vai lembrar de pedir desculpa a Sócrates por ter inventado as falsas escutas a Belém.
  
É muito grave que uma ministra da Justiça assuma as responsabilidades e em vez de se demitir pede desculpa e volta à sua postura incompetente e arrogante. Se a ministra da Justiça pode pedir desculpa e dessa forma limpar a sua ficha política então qualquer criminoso deste país pode pedir desculpa ao juiz e sai do tribunal com um registo criminal invejável.

Isto deve ser influência dos governante católicos, pecam, vão à confissão contar os seus pecados, rezam uns terços, são perdoados e podem voltar a pecar.

 Dúvida

A divulgação da investigação a Luís Filipe Menezes é um resultado prático da promessa da ainda ministra da Justiça de acabar com a impunidade ou significa que a actual Procuradora-Geral nada fez para acabar com a pouca vergonha da violação do segredo de justiça?
 Que manda no Novo Banco é o Horta Osório

Pela forma como fala até parece que é ele que continua a dar ordens ao Stock.

      
 A vida dos outros
   
«A ideia de que política equivale a corrupção faz o seu caminho no discurso popular e mediático e até, pese o paradoxo, no discurso político. Parece agora ter chegado - formalmente - ao discurso judicial. Os acórdãos exarados nas últimas semanas contra ex-governantes e políticos são disso indício, demonstrando mais uma vez o quanto os juízes são sensíveis às "ondas" do momento.
E não, não é por serem condenatórios que os acórdãos evidenciam preconceito: é mesmo porque são preconceituosos - sendo que o preconceito pode levar à condenação. Vejamos o caso da decisão que condena Maria de Lurdes Rodrigues. Considerando que para o tipo criminal de prevaricação do cargo político, pelo qual foi condenada a ex-ministra e dois outros arguidos, é fundamental estabelecer a existência de relações pessoais e/ou políticas que permitam estabelecer a vontade de favorecer, o tribunal contraria a afirmação de três dos arguidos de que não se conheciam ou mal se conheciam com um "esquema" gráfico em que demonstra que todos se relacionavam com Paulo Pedroso, irmão do arguido João Pedroso. Cito: "Dele [esquema] se extrai, a nosso ver com objetividade, a inegável relação político/funcional ou pessoal dos arguidos ou de determinados arguidos com o irmão do coarguido João Pedroso, Paulo Pedroso." O tribunal considera também importante que a pessoa que vive com M.L.R. escreva no mesmo blogue de Paulo Pedroso e tenha feito, por exemplo, "uma comunicação oral" com outro dos coarguidos da companheira. E prossegue: "Ora, se é verdade que as relações pessoais ou políticas, de per si, são legítimas, as mesmas não podem deixar de relevar, do ponto de vista da prova indiciária (...), para o preenchimento do tipo." Traduzindo: não é crime as pessoas relacionarem-se (vá lá) mas isso pode ser relevante para comprovar a existência de um crime; pode dar-se o caso de bastar conhecer bem o irmão de alguém para que um tribunal (este) considere que se faz prova de uma proximidade com esse alguém invocável para "preencher um tipo de crime". Como, sublinha, compartilhar uma "mesma afinidade político-partidária".
Esta sofisticada visão das relações humanas como teia de contaminação a partir da política, conhecida, nos clubes de leitura do Correio da Manhã, pelo nome de "da pandilha" ou "gamela" deveria mesmo, na visão da juíza Helena Susano (que presidiu ao coletivo que julgou o caso), ser fixada na lei pelo crime de enriquecimento ilícito, por cuja criação pugna num texto de 2013: "De forma a prevenir que os agentes se sirvam de pessoas com as quais possuem relações familiares, de afinidade ou próximas, para ocultar o património (...) afigura-se adequado, proporcional e necessário [alargar] a punição a quem, com eles, se encontre nesse tipo de relação." Susano não se detém no pormenor de como se investigam e comprovam estes "tipos de relação". É pena, seria instrutivo.» [DN]
   
Autor:

Fernanda Câncio.

      
 sucata política investigada por causa do lixo
   
«Um dos negócios de Luís Filipe Menezes que está a ser investigado pela Polícia Judiciária envolve a Suma, uma empresa de recolha de resíduos do grupo Mota-Engil, que estará a lesar ainda a Câmara de Vila Nova de Gaia em vários milhões de euros. O contrato, que vigorará até 2026, implica o pagamento de uma factura total de 150 milhões de euros. O ex-autarca deixou o município com uma divida de cerca de 300 milhões de euros, o que faz de Gaia uma das autarquias mais endividadas do país.

Um ano antes de deixar a liderança da autarquia, em 2012, Menezes decide renegociar o contrato de concessão que o município celebrou em 2001 com a Suma. Fê-lo, então, numa altura em que o contrato ainda vigoraria, porém, por mais três anos. Este contrato está na mira dos investigadores, confirmou ao PÚBLICO fonte da Polícia Judiciária. E a Procuradoria-Geral da República assegurou também que decorre uma investigação relacionada com actos imputados ao autarca social-democrata. Até ao momento, porém, não foram constituídos arguidos no âmbito do processo.

Com a renegociação com a Suma, Gaia fica, sem qualquer razão aparente, obrigada a pagar à empresa mais 40% por cada tonelada de lixo recolhida. Com isto, os cerca de oito milhões que eram anualmente pagos pelo serviço passam a 12 milhões, factura que é agora paga pela empresa municipal Águas de Gaia. Isto porque, no processo de renegociação, Menezes desonerou a câmara da responsabilidade pelo pagamento do serviço.» [Público]
   
Parecer:

Pobre Luís Filipe Menezes, o regime ainda não caiu e a justiça já o está a tramar.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»
  
 Não ia estar bom ao fim da manhã
   
«A plataforma informática dos tribunais deverá regressar ao pleno funcionamento no mês que vem, segundo informações que estão a ser fornecidas a alguns dos juízes que dirigem as novas comarcas. “Posso falar num horizonte de três semanas, quatro no limite", confirmou o secretário de Estado da Justiça, António Costa Moura, em declarações à Rádio Renascença.

De acordo com as informações prestadas aos juízes no final da passada semana, a distribuição electrónica de processos aos magistrados — que devia ter acontecido no passado dia 1 de Setembro — está agora marcada para o final deste mês. A normalização do sistema Citius deverá fazer-se durante Outubro. Recorde-se que a ministra Paula Teixeira da Cruz se recusou, na quarta-feira, a avançar dados concretos sobre o assunto: “Depois do que sucedeu não me vou comprometer com uma data”, declarou, no final de uma cerimónia no Ministério da Justiça.

Foi nessa mesma cerimónia que o presidente do Instituto de Gestão Financeira e Equipamentos da Justiça, Rui Pereira, assumiu publicamente ter sido ele a assegurar à governante que o Citius estava em condições de suportar a reorganização dos tribunais que entrou em vigor no início do mês. Menos de 24 horas depois, porém, avançou novas explicações sobre o assunto: "Este colapso estava pré-anunciado, mas não havia forma de desenvolver uma plataforma alternativa num curto espaço de tempo", disse à TSF.» [Pública]
   
Parecer:

No dia do lançamento da reforma judiciária a ministra disse que o Citius funcionaria até ao fim da manhã!
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se a merecida gargalhada.»

 Crato incompetente
   
«O ministro da Educação e Ciência, Nuno Crato, assumiu na tarde desta quinta-feira que “houve uma incongruência”, “na harmonização da fórmula” com base na qual foram ordenados milhares de professores sem vínculo, que começaram a ser contratados pelas escolas na segunda-feira passada. “Peço desculpa aos pais, aos professores e ao país”, disse, na Assembleia da República, ao assumir o erro. Ao fim da tarde, soube-se que aceitou a demissão do director-geral da Administração Escolar, Mário Agostinho Pereira.

Em causa está a fórmula matemática utilizada pelo MEC para criar as várias listas de contratação, nas quais milhares de docentes estão ordenados por ordem decrescente. Nos restantes concursos a lista está ordenada com base na graduação profissional. Neste, designado por Bolsa de Contratação de Escola (BCE), a legislação determina que a classificação é feita com base na graduação profissional (com a ponderação de 50%) e na avaliação curricular.

O ministro, que falava na Assembleia da República num debate de actualidade agendado pelo PSD a propósito do arranque do ano lectivo, assumiu a existência de "um erro", com “implicações jurídicas”. “Estão a assistir a uma coisa que não é comum na História, que é um ministro chegar ao parlamento e reconhecer a responsabilidade por uma não compatibilidade de escalas, e um ministro assumir que o assunto vai ser corrigido”, disse. O erro, explicou, "é um aspecto não apenas matemático ou aritmético, mas que tem implicações jurídicas, e que precisa de ser visto não só de um ponto de vista quantitativo e lógico, mas também à luz da legislação existente".» [Público]
   
Parecer:

Ao pedir desculpa e aceitar a demissão de um director-geral que desta forma assume as suas culpas Crato mostra que além de incompetente, arrogante e teimoso não tem a coragem de ser consequente, pedido a demissão. Durante muitos dias o ministro tentou iludir os portugueses escondendo um erro de palmatória, só quando percebeu que estava caindo no ridículo e que mais tarde ou mais cedo todo o processo poderia ser posto em casa recuou e arranjou uma vítima.

Crato é o símbolo da incompetência deste governo, um ministro que desde que tomou posse que não fez nada bem feito e que ainda não fez nada merecedor de elogio. Restava-lhe a dignidade de pedir a demissão, mas parece que nem isso o homem quer ter.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Ofereça-se uma BIC a Crato para que escreva o pedido de demissão.»

 Novo Banco: Horta Osório fala em perda para os contribuintes
   
«"Ver-se-á o que é que a administração do Novo Banco considera que é o 'timing' adequado para poder vender o mais depressa possível mas, ao mesmo tempo, maximizar o valor no sentido de minorar a perda", afirmou à agência Lusa António Horta Osório, à margem de um evento em Lisboa.

"É essa sintonia entre ser o mais depressa possível, mas minorar a perda para os restantes bancos e, portanto, para os contribuintes, que é o principal objetivo inicial da administração do Novo Banco", reforçou.» [Notícias ao Minuto]
   
Parecer:

Aos poucos vai sendo assumido que os contribuintes vão pagar o BES.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Espere-se para ver.»

 Lobbyng, chamalhe o procurador
   
«O processo que levou à adjudicação à empresa Tecnoforma de um conjunto de acções de formação em aeródromos do Centro do País pode ter sido impulsionado por "lobbying", dada a proximidade políticas dos intervenientes, mas tudo não terá passado disto. Esta é a principal conclusão do despacho de arquivamento do Departamento de Investigação e Acção Penal de Coimbra (DIAP) relativamente a um caso que envolve Pedro Passos Coelho, Miguel Relvas e Paulo Pereira Coelho.

A situação foi revelada em dezembro de 2012 pelo jornal Público, que levantou dúvidas sobre a forma como a empresa Tecnoforma ganhou, em 2004 e numa altura em que Passos Coelho era consultor da mesma e Miguel Relvas secretário de Estado da Administração Local, um concurso para ministrar formação sobre aeródromos a funcionários municipais.

No despacho, a que o DN teve acesso, o procurador do DIAP de Coimbra refere que, feita a investigação, "não pode afastar-se" que os responsáveis da Tecnoforma "não tenham tido um acesso facilitado (ou próximo dos decisores políticos) a toda a informação para assegurar o sucesso da iniciativa" e que "através de processos ou termos não completamente esclarecidos, poderão ter influenciado" o estabelecimento das condições de um Protocolo celebrado entre as secretarias de Estado da Adminsitração Local e a secretaria de Estado dos Transportes.» [DN]
   
Parecer:

E desde quando é que aquilo a que o procurador designa por lobbyng é legal?
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se à Procuradora-Geral.»
  

   
   
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