segunda-feira, julho 24, 2017

Umas no cravo e outras na ferradura



 Jumento do Dia

   
Passos Coelho, louco de Massamá

O PSD vai de mal a pior, depois de transformar o ódio aos ciganos numa bandeira partidária vem agora  a ladainha de que este é o único partido verdadeiramente português. Como as alarvidades ainda eram poucas esqueceu-se de que o resgate da Madeira, o tal buraco que era o desvio colossal que serviu de argumento para cortar vencimentos no Estado, é injusto para a Madeira, acusando o PS de cobrar à região mais do que a troika cobra a portugal. O desespero de Passos está a levá-lo à loucura.

«O PSD é o único partido verdadeiramente português e que luta pelos portugueses. Há tanta cigarra na política portuguesa, mas caramba quando é preciso tomar decisões não é para todos. Tem sido para nós e voltará ser”. Pedro Passos Coelho acabou assim o discurso no Chão da Lagoa, uma nota de esperança para o povo que este ano resistiu ao vento, ao frio e ao nevoeiro e aguentou com a bandeira na mão uma hora de discursos políticos. É certo que a seguir vinha Fafá de Belém, mas no Chão da Lagoa a política faz parte da festa.

O líder nacional dos sociais-democratas não se demorou muito, mas já que estava naquela que é, segundo o próprio, a festa do PSD que mais gente mobiliza no país, sublinhou a natureza popular do partido, esse tal partido português que não é liderado por cigarras e gente que apenas está preparada para as boas notícias. Não é como a geringonça que, quando alguma coisa corre mal, “foge às suas responsabilidades” e esconde-se atrás “política de comunicação”.

“A República exigir à Madeira mais do que paga ao FMI é injusto”

O PSD, o nacional e o da Madeira, dá a cara, toma decisões e não foge aos compromissos que assume. Passos Coelho não esqueceu onde estava, nem que o PSD-Madeira tem apenas quatro câmaras das 11 da região ou que António Costa esteve no Funchal a apoiar a candidatura de Paulo Cafofo. Mesmo na oposição, garantiu que com ele no governo já havia novo hospital e de certeza a Madeira estaria a pagar a mesma taxa de juro que a República pelos empréstimos feitos ao FMI. “A República estar a exigir à Madeira mais do que paga ao FMI é profundamente injusto”, ainda mais porque Lisboa perdoou mais de 600 milhões aos bancos há pouco.» [Expresso]

domingo, julho 23, 2017

Semanada

A semana termina da melhor forma para Passos Coelho, depois de não se terem concretizado os aparentemente desejados suicídios em massa de Perdrógão Grande, eis que é encontrada mais uma vítima, ainda que apenas estatística. Pela foram como o PSD reagiu até se fica com a impressão de que se procuram o maior número possível de vítimas, como se a vida dos portugueses que faleceram fosse convertível em votos em Passos Coelho. O líder do PSD chegou a anunciar a vinda do diabo, afinal foram os cavaleiros do apocalipse que apareceram sob a forma de dirigentes do PSD. Como é costuma a Catarina Martins também não resistiu a servir-nos com as suas postinhas de pescada.

Compreende-se o desespero da direita, há que adira o luto das vítimas dos incêndios para que os portugueses não discutam temas que a incomodam, como os bons resultados económicos ou as várias investigações por suspeitas de corrupção que envolvem figuras autárquicas do PSD.

Os portugueses podem ir mais uma vez para suas férias descansados, não voltarão a ter de ouvir as comunicações dramáticas de cavaco, nem correm o risco de se cruzar com o seu jupe a abarrotar de processos, não serão surpreendidos com a resolução de mais um banco enquanto o primeiro-ministro anda com os burrinhos na areia, os funcionários públicos e os pensionistas voltam a ter o subsídio de férias. 

A normalidade tem o seu preço e se não fosse o oportunismo dos andam em busca de vítimas esta semana quase não teria nada para encher jornais e televisões, a única notícia foi a escassez de sardinha na nossa costa, com os cientistas a alertar para a necessidade de suspender a sua captura. Mas o país pode estar descansado porque só comerá sardinha fresca, Ana Paula Vitorino, ministra do Mar, assegurou que há sardinha quanto baste, nem que seja a comprada em Vigo ou em Isla Cristina e depois é vendida como sendo de Matosinhos ou de Olhão.

Umas no cravo e outras na ferradura



 Jumento do Dia

   
Teresa Morais e Catarina Martins

Em qualquer situação da qual resultem mortos devido a acidentes ou calamidades há critérios para contabilizar as vítima. Esta questão coloca-se quase diariamente com os acidentes automóveis, em regras contabilizam-se como mortos em acidenets as vítimas que não chegam com vida aos hospitais. Há quem defenda que as vítimas de ferimentos que morrem posteriormente deveriam ser igualmente registadas como vítimas dos acidentes. É um critério legítimo e visa ter estatísticas verdadeiras, não está em causa a sonegação de informação ou uma tentativa governamental de esconder mortos, como se as vítimas dos acidentes fossem vítimas do governo.

A abordagem feita por Teresa Morais em nome do PSD é uma abordagem miserável, denuncia que essa gente considera que as vítimas dos acidentes são vítimas de homicídios por negligência ou mesmo voluntários por parte do governo. Insinuar que é o governo que anda a esconder vítimas revela o baixo nível da senhora. Se a deputada estivesse preocupada com consequências legais que prejudicassem a família da vítima em sede de seguros ou indemnizações faria sentido. Mas não é nem a vítima, nem a sua família que preocupam Teresa  Morais, a senhora simplesmente transforma a vítima numa bala política desesperada, como já o tinha feito o traste do seu líder quando de forma miserável inventou suicídios.

É uma pena que Catarina Martins, uma espécie de metralhadora verbal moralista não tenha resistido á tentação do populismo rasca e por isso merece aqui destaque. Se Catarina Martins e Teresa Morais alguma vez se tivessem preocupado como são contabilizadas as vítimas dos acidentes rodioviários, faria sentido a preocupação. Assim estamos perante oportunismo miserável.

«A notícia do Expresso (revelando que há uma vítima não contabilizada) é gravíssima e muito séria. Vem adensar as dúvidas que existem, e são muitas, em relação ao que aconteceu no incêndio de Pedrógão Grande. O Governo tem de vir esclarecer urgentemente quais são os critérios que determinaram a constituição da lista de vítimas", afirma a vice-presidente do PSD, Teresa Morais.

Se não o fizer, o PSD vai propor outra forma de obrigar o Governo a esclarecer, esta semana, o que está a acontecer, uma vez que o Parlamento ainda tem comissões a funcionar, onde os governantes podem dar explicações. Teresa Morais admite esperar por esclarecimentos, após investigações, para explicações sobre falhas técnicas, mas não para uma questão tão delicada como é a das vítimas.

"Não pode haver dúvidas sobre o número de vítimas, e os critérios para as determinar e as colocar na lista. O Governo não tem dado informações por sua iniciativa, e tem tratado o assunto com défice de informação e falta de transparência", acusa Teresa Morais. "Foi por muita insistência do PSD que foi dada informação sobre o estado de saúde dos bombeiros que estavam internados", acrescentou.» [Expresso]

«coordenadora do Bloco de Esquerda (BE), Catarina Martins, defendeu hoje que "o país tem de conhecer exatamente a dimensão da tragédia" do incêndio de Pedrógão Grande.
"O país tem de conhecer exatamente a dimensão da tragédia. É um caso, mas todos os casos são igualmente importantes", afirmou Catarina Martins, em Valongo, distrito do Porto, reagindo assim à notícia do Expresso de que a lista de 64 mortos do incêndio de Pedrógão Grande exclui vítimas indiretas.

Os critérios para elaborar a lista oficial das vítimas mortais do incêndio que deflagrou há cerca de um mês naquele concelho "excluem mortes indiretas", designadamente a de uma mulher que foi atropelada quando fugiu das chamas. Para Catarina Martins, que classificou a notícia como "perturbadora", a senhora "não estaria contabilizada, mas é na mesma vítima daquela tragédia".

"Todas as pessoas têm de ser respeitadas no que aconteceu. Existir um caso significa que há alguma coisa que não está bem feita", disse, acrescentando ser essencial ouvir as populações afetadas pelo incêndio no âmbito da investigação que está a decorrer.» [Expresso]

      
 Ricardo Salgado atira-se a Pasos Coelho
   
«Ricardo Salgado, arguido em centenas de processos, afirmou ao Dinheiro Vivo que o Novo Banco devia ficar em mãos portuguesas, manifestando oposição à venda da instituição bancária ao fundo norte-americano Lone Star. "No meu entender, a melhor solução para o Novo Banco era permanecer português, (...) quer fosse adquirido pela Caixa [Geral de Depósitos], quer [fosse] pelo Millenium BCP. Mas também pergunto: e o Banco de Fomento, para que é que serve? O Banco de Fomento podia perfeitamente ser recapitalizado pelo Estado para reforçar o Novo Banco", disse.

O ex-banqueiro já tinha manifestado a mesma posição numa entrevista por correio eletrónico à agência noticiosa Bloomberg na semana passada. Desta vez, instalado no seu escritório numa vivenda de Cascais, declarou que que nunca foi hostilizado pelos lesados do banco e que compreende as razões de queixa que apresentam.

Ricardo Salgado defendeu que sempre teve intenção de pagar tudo a toda a gente e, se não o fez, foi porque "o Governador do Banco de Portugal decidiu avançar com a resolução do BES".
Salgado acrescentou ter feito um mau julgamento do empresário angolano Álvaro Sobrinho e do empresário luso-angolano Hélder Bataglia, considerando que "os dois tiveram um papel terrível" na "destruição do BES em Angola", e acusou os dois homens de terem feito uma "gestão ruinosa" do BESA.» [Expresso]
   
Parecer:

Tenho muitas dúvidas de que se Ricciardi tivesse conseguido chegar à presidência do BES que o destino do banco fosse a resolução, algo me dia que Ricciardi tinha o apoio de Passos na luta pelo poder e a resolução tem algum cheiro a vingança.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Assita-se ao espetáculo»
  
 Ainda lá estavas
   
«É um ponto final há muito anunciado. Ainda em maio Henrique Neto, 81 anos, dera uma entrevista ao jornal i onde admitia: “Todos os dias penso em sair do PS”. Agora passou das musas ao teatro. Num artigo de opinião que pode ler na íntegra na edição semanal do Expresso, à venda este sábado, admite que chegou a hora: “Na vida há um tempo para tudo”, reconhece, na última frase de um texto muito crítico para António Costa.

Militante do PS desde 1991 (entrou a convite de Jorge Sampaio; antes tinha sido filiado no PCP, entre 1968 e 1975), candidato à Presidência da República nas eleições de 2016, este empresário da indústria de moldes oriundo de uma família operária da Marinha Grande nunca se coibiu de dizer o que pensava, sem papas na língua, sem poupar ninguém.» [Expresso]
   
Parecer:

Esta personagem insiste em aparecer sempre à custa dos ataques ao PS.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Vomite-se e lamente-se tão garnde perda para a esquerda, não é todos os dias que alguém pouco dado a cumprir os seus deveres de cidadania aparece armado em bom..»

sábado, julho 22, 2017

Passos (caça) Coelho

Passos parece ter um desporto em que é imbatível, dar tiros nos pés, dá tanto tiros nos penantes que se arricar a ser conhecido por Passos (caça) Coelho. Já nem vale a pena recordar os seus exercícios de bruxaria quando prévio a vinda do diabo ou quando disse que os reis magos trariam prendas para o país. A verdade é que nas últimas semanas o líder do PSD não se cansa de atirar para os pés.

Seria interessante perguntar a Passos o que pensa do famoso roubo a Tancos, o tal roubo que deveria levar á demissão do ministro da Defesa, que pôs em perigo a segurança mundial e que evidenciou mais um falhanço do Estado por causa das cabimentações orçamentais. Algo de errado se passou pois apesar dos sucessivos jantares de lombo assado Passos esqueceu o assunto de tão grande gravidade naciona e internacional de um dia para o outro.

Mas, tiro bem mais certeiro nas patas foi o aberrante anúncio de havia gente a matar-se, tendo-se registado vários mortos e outros tantos internamento devido a tentativas de suicídio. Animado pelo aproveitamento da desgraça Passos não teve qualquer cuidado quando ouviu falar em mortos por suicídio, se a culpa dos incêndios não pode ser atribuído ao governo, suicídios por inércia governamental vinham mesmo a calhar e o país assistiu a um  momento deplorável.

Passos reage a cada asneira com outra asneira, de Pedrógão Grande mudou-se para Tancos e quando o roubo das armas se tornou num assunto ridículo o líder do PSD não perdeu tempo para fazer outra asneira, desesperado em conseguir votos a qualquer custo viu no trampismo de André ventura uma linguagem que poderia trazer vantagem, os ciganos e a xenofobia que se lixe, se havia gente a aplaudir o racismo de Ventura era necessário apoiá-lo. Agora o PSD adoptou a xenofobia como uma das suas bandeiras, mais um pouco e o PSD pede a adesão ao grupo da Le Pen, no parlamento Europeu.

Talvez a Manta Rota faça bem ao líder do PSD, uns dias com a cabeça enfiada na areia talvez o faça meditar sobre o beco sem saída em que está transformando o seu partido, que de social-democrata ultrapassou o CDS pela direita e neste momento está mais perto da extrema-direita do que do partido de Assunção Cristas.

Umas no cravo e outras na ferradura



 Jumento do Dia

   
Ana Paula Vitorino, ministra do Mar

Foram poucos os ministros com a tutela da pesca que não cederam aos armadores, neste capítulo tiro o chapéu a Assunção Cristas que teve a coragem de proibir a pesca da sardinha quando as quotas foram atingidas, apesar das imensas pressões a que foi sujeita depois de tomar a decisão. Infelizmente foi a única vez que um governante da tutela enfrentou o choradinho dos pescadores e dos armadores, que enquanto existir uma caixa de sardinha para pescar vão defender que a espécie é abundante.

Os nossos armadores são umas bestas quadradas em matéria que defesa do ambiente e o seu objetivo é o dinheiro a curto prazo, enquanto existir sardinha que proporciona dinheiro fácil pescam, quando esgotarem os stocks de pesca vendem as licenças aos espanhóis, depois fazem manifestações a exigir licenças porque me Portugal se abateram os barcos e os espanhóis podem pescar. Ganharam com a pesca excessiva, voltaram com a venda dos barcos e a venda das licenças, e quando forem concedidos nos subsídios para a construção de barcos e receberem novas licenças voltarão a ganhar.

Este é o ciclo oportunista da pesca em portugal e os governantes são os grandes responsáveis. normalmente o secretário de Estado das Pescas é escolhido entre os que merecem a simpatia dos armadores e no exercício dos seus cargos estão mais ocupados a defenderem os maus interesses do setor, borrifando-se para o  interesse nacional.

Vejo a ministra responder ao alvoroço em torno da notícia e que um estudo defendia uma moratória de 15 anos na pesca da sardinha, argumentando que o estudo foi feito com base em dados desatualizados. Não percebo muito bem como os cientistas se esqueceram de pedir os dados atualizados ao governo, assim como também não entendo como é que estes dados podem sofrer alterações brutais em poucos anos, tanto quanto sei as sardinhas não se reproduzem como os coelhinhos. Além disso alguém está a mentir, o secretário de Estado disse que a quebra dos stocks se devia ao aquecimento global, dois dias depois a ministra diz que os dados estão desatualizados, isto é, não se regista escassez e, portanto, a questão do aquecimento não se coloca.

Como os stocks de peixe na costa portuguesa interessa a todos os portugueses e não apenas aos armadores, seriam bom que ministra demonstrasse a sua tese divulgando os tais dados atualizados, bem como os estudos feitos com base nesses dados atualizados, de forma a verificarmos que a sua teses da abundância é verdadeira, É que daqui a meia dúzia de anos, quando se verificarem as consequências das decisões atuais, a ministra já está reformada e muito provavelmente a comer sardinhas congeladas, isso se o mau cheiro não a incomodar pois sardinha ainda não é coisa fina. Até lá tenho muitas dúvidas em relação à honestidade da tese da ministra, porque entre um estudo supostamente com dados desatualizados e declarações sem dados e sem estudos, confio mais no primeiro.

 Os restaurantes e a pesca da sardinha

A TVI24 passa uma reportagem onde se dramatiza a falta de quota para pescar sardinha, com o argumento demolidor que sem sardinha fecharão muitos restaurantes e muita gente ficará sem emprego. Este dramatismo encerra uma notícia tranquilizantes, significa que toda a sardinha que vai para as mesas é fresquinha e bem paga, isto é, nenhum restaurante usa sardinha congelada, com um preço que pode ser um terço do da sardinha fresca.

Brevemente aparecerão também os donos das tascas improvisadas dos santos populares, pois imagino que na balbúrdia das festas também só se utiliza sardinha vivinha. Um dia destes vou analisar as estatísticas de importação de sardinha congelada, pois acho que não bate a bota com a perdigota.

Mas este dramatismo chantagista encerra um raciocínio curioso que me faz recordar os restantes asiáticos quem vendem carne de cão ou a tradição de comer a carne dos touros mortos da arena. Entre os hábitos humanos e a proteção de valores éticos ou o ambiente, salvem-se os hábitos tradicionais e tudo o resto que se lixe.

O que os donos dos barcos e dos restaurantes não explicam é que ganha o país quando toda a sua costa for um imenso deserto submarino, quase sem vida e sem nada para pescar.

      
 É o mercado estúpidos
   
«O líder da distrital de Lisboa do PSD vai criar um grupo de trabalho para poder tomar medidas contra a “compra” de votos em eleições internas. A decisão de Pedro Pinto é assumida ao PÚBLICO depois de o jornal online Observador ter filmado uma das facções candidatas à distrital da capital – a liderada por Rodrigo Gonçalves (concelhia de Lisboa) – a transportar militantes para o local de voto no dia das eleições para aquela estrutura.

Pedro Pinto, figura próxima de Passos Coelho e que foi eleito líder da distrital nessa ocasião, disse ter “preocupação” por esse tipo de influência de voto. “Não quero um partido de votantes a votar nas eleições sem saberem porquê”, afirmou o dirigente social-democrata. Nesse sentido, será criado um grupo de trabalho, com elementos da distrital e de fora dela, para fazer uma "reflexão" sobre as influências no voto e "formas de participação" interna.» [Público]
   
Parecer:

Um dia destes vamos ao mercado e perguntam-nos "queres carapau azul ou votos laranja?"
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se a merecida gargalhada.»

sexta-feira, julho 21, 2017

O PSD e a questão cigana

Em Portugal não há extrema-direita, as dezenas de milhares de pessoas que sustentavam o antigo regime converteram-se num ápice em social-democratas  liderados por aqueles que eram a ala liberal de um partido fascista e chegaram ao desplante de pedir a adesão à Internacional socialista. Em Portugal todos adoramos os ciganos, os indianos, os chineses e os africanos, pensamos maravilhas de todos eles. Já nem vale a pena entrar noutros domínios das desigualdades.

No caso da Le Pen de Loures o problema poderia ter sido sanado rapidamente, o candidato pedia desculpa e o presidente do partido demarcava-se claramente do candidato. O Ventura ainda ensaiou um esclarecimento, mas quando percebeu que Passos o apoiava e que o seu populismo criava um ambiente aparentemente favorável à sua candidatura, rapidamente retrocedeu e insistiu no seu discurso como se em Portugal existisse uma questão judaica. Todo uma etnia que vivia de forma parasitária e que se comportava à margem da lei.

Ventura tem um mérito, pela primeira vez um político da extrema-direita assume claramente ao que vem e quais são as suas ideias, desencadeando, como disse o próprio, um movimento de apoio local e nacional em torno da sua candidatura. Não tenho dúvidas de que Ventura fala verdade quando diz que sente um grande apoio. Se defendesse que os gays deviam ser capados ou Portugal devia exigir às ex-colónias que indemnizassem todos os que perderam as suas propriedades coloniais teria ainda mais apoio, afinal num programa de televisão que escolhia o maior português de sempre o eleito foi Salazar.

Dantes os ciganos eram proibidos de pernoitar em muitos concelhos do país, agora são detestados por receberem os apoios sociais que mais de um milhão de portugueses recebem, dantes eram ladrões, agora são gatunos malcheiroso. O mesmo partido que na minha junta de freguesia dá apoios financeiros extras para ganhar os votos de uma importante comunidade cigana com peso para inclinar a balança eleitoral, assume onde lhe convém um discurso que pressupõe que tem uma agenda condicionada por aquilo que parece ser uma questão cigana.

Passos protegeu o seu candidato de Loures, se as sondagens naquele concelho favorecerem esta opção, não me admiraria que escolhesse Loures para encerrar a campanha eleitoral e elegesse a questão cigana como a bandeira autárquica de um partido que entrou em decadência moral. Depois de se ter aproveitado dos que morreram em Pedrógão Grande e da forma oportunista como abordou o assalto a Tancos é de esperar tudo de um politico desesperado e sem escrúpulos na hora de conseguir votos.