segunda-feira, março 02, 2015

Umas no cravo e outras na ferradura



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Flores do jardim Gulbenkian
  
 Jumento do dia
    
Ferro Rodrigues

Em poucos meses António Costa desiludiu muitos do que os apoiaram, não fez oposição, não assume nenhuma posição alternativa ao governo, desaparece por longos períodos e vai-se entretendo a dizer baboseiras. Só isso explica que as sondagens lhe sejam mais desfavoráveis do que alguma vez foram para o PS desde que a direita chegou ao poder.

Sugerir que a culpa é do processo contra Sócrates significa estar a meter a cabeça na areia, para não dizer pior. Ferro Rodrigues devia perceber a tempo que tem sido um mau líder parlamentar e que a opção de António Costa por se apoiar em militantes mais idosos não está a resultar.

O pior erro que a liderança do PS pode cometer é fazer como a bruxa má e fazer pergunta ao seu próprio espelho, dizendo "espelho meu há político melhor do eu?". É óbvio que o espelho vai dezer que sim, o problema é que nem os eleitores são o espelho da bruxa má, nem o António Costa ou o Ferro Rodrigues são a Banca de Neve.

«Ao fim de 100 dias de liderança de António Costa, Eduardo Ferro Rodrigues vê sem surpresas os resultados das sondagens que apontam o PS ainda longe de uma maioria absoluta – aquela que muitos costistas ferrenhos esperavam dias depois da vitória de Costa nas primárias que destronaram António José Seguro. Numa avaliação sobre este primeiro período do novo secretário-geral, aponta aquelas que, a seu ver, têm sido as dificuldades inesperadas, entre as quais, o rumo da Grécia, o aparecimento de novos partidos e a detenção do ex-primeiro-ministro José Sócrates. E as dificuldades em passar a mensagem.

“O PS tem uma situação bastante infeliz com o facto de o antigo primeiro-ministro estar em prisão preventiva, uma situação que causa evidentemente grandes dificuldades”, assume Ferro Rodrigues, um dos socialistas que foi visitar José Sócrates à prisão a Évora, em declarações ao Observador a propósito dos 100 dias de António Costa.

O líder parlamentar do PS considera que o atual secretário-geral tem uma “força diferente” de António José Seguro e que tem uma “legitimação” dada por “milhares de pessoas” nas eleições primárias. Mas admite que nunca embarcou na ideia que há uma altura em que o PS daria um salto nas sondagens porque “a situação mudou muito”.» [Observador]

 Mota Soares

Para o ministro Lambretas se alguém andar a 200 km/h onde só pode andar a 50 e não é apanhado pela polícia porque o radar está avariado, estamos perante um cidadão exemplar que só não foi multado porque foi vítima de um erro da polícia. O infractor queria ser multado mas a avaria do radar impediu a polícia de cumprir o seu dever.
  
      
 A estratégia "agora é a minha vez"
   
«1 A discussão sobre se estamos melhor ou pior do que há quatro anos diz-me muito pouco. Não era, evidentemente, possível continuar no trajeto que estava a ser seguido, sobretudo por razões que transcendem muito as escolhas políticas locais. O impacto que a crise teve nas economias mais desprotegidas, os profundos erros da construção do euro, os incentivos errados ao tecido empresarial, o sobre-endividamento, entre outros, mas também o de não termos ainda corrigido os nossos desequilíbrios estruturais, de que os nossos endémicos problemas de produtividade e escassez de capital são os melhores exemplos.

Por outro lado, chegados aqui, percebemos que a solução encontrada apenas piorou a situação. O desemprego real aumentou - o estrutural nem se fala -, a emigração tornou-se um problema gravíssimo, o investimento baixou para níveis impensáveis, os níveis de pobreza subiram e, em termos gerais, o empobrecimento do país e o emagrecimento violento da classe média são reais e assustadores. Além de tudo isso, os tais problemas estruturais de produtividade e falta de capital agravaram-se.
Digamos que apenas se substituiu a morte pelo fogo por uma por afogamento.

Neste contexto poder-se-iam perceber as palavras de António Costa sobre o país estar diferente. Só que não foi o que o líder do PS disse, ele deu a entender que o país estava melhor do que há quatro anos. E, que fique claro, não houve nenhuma gaffe. Costa quis mesmo dizer o que disse. Foi o próprio e alguns membros do PS invocando sentido de Estado e de não se dever criticar o país perante estrangeiros. Digamos que alguma coisa não está certa no pensamento de Costa, quando pensa que ter sentido de Estado é desdizer o pouco que tem dito ou que a única maneira que encontra de elogiar o país e os investidores estrangeiros é dizer bem da ação do governo.

Já sabíamos que a estratégia de Costa é não dizer nada. Até poderia pensar-se, dado o acontecido, que ficar calado talvez seja melhor para o seu objetivo de ser primeiro-ministro, é que elogiar o governo não parece ser grande ideia para o líder da oposição.
Mas, claro, não será bem isso. Convém, assim, tentar perceber melhor a opção pelo mutismo político. No fundo, António Costa acha que nada pode prometer, que em nada se pode comprometer, porque, dado que não se sabe ainda para que lado a Europa se vai virar, tudo pode mudar. Será quase escusado lembrar que o imprevisto é isso mesmo: o impossível de prever. A atuação de Costa é como a daquele cidadão que não sai de casa porque pode cair-lhe um piano na cabeça.

Chega a ser confrangedor ver o PS sem uma palavra sobre que propostas tem para reverter os dados da pobreza, nem sequer um comentário sobre a sangria de centenas de milhares de jovens que fogem para o estrangeiro, sobre o desemprego estrutural. Sim, a Europa pode mudar ou seguir o mesmo caminho suicida, mas há um sem-número de medidas internas, de opções que podem ser feitas no nosso país. Que diz António Costa? Nada. Ou melhor, logo se vê.

Claro que tem uma vantagem, não fará como Passos Coelho que mentiu com quantos dentes tinha na boca, mas a diferença na essência não é muita. Os "se", "talvez", "pode ser que" não passam de um pedido de um cheque em branco para governar como muito bem se entender, sem a mínima preocupação em explicitar o que se quer para a comunidade. E esses cheques já ninguém quer passar. Os cidadãos estão tão fartos de promessas não cumpridas como de gente que simplesmente acha que chegou a sua vez de governar e para nada dizer se refugia em futuros incertos.

2 A leveza, digamos assim, com que a procuradora-geral da República tratou, em entrevista ao Público, questões graves ligadas à justiça deixou-me preocupado. Mas de todos os assuntos que abordou, a forma como falou do dossiê submarinos foi especialmente chocante.

Disse a senhora procuradora que "o caso dos submarinos é daqueles que darão uma imagem não muito simpática do Ministério Público, mas também órgãos de polícia criminal e outros órgãos... Ver onde houve passos menos corretos e tornar-se um case study que nos permita melhorar a nossa capacidade de investigação criminal. Aí o MP terá de reconhecer que podia ter tido um desempenho mais adequado".

Salvo melhor interpretação e parecendo-me evidente que não se quis criticar a ação do MP e das polícias criminais por terem deixado passar informações para o espaço público que puseram em causa o bom nome de várias pessoas, nomeadamente de Paulo Portas, estas declarações fazem lembrar processos que, infelizmente, conhecemos demasiado bem: nada se conseguiu provar, ninguém foi sequer acusado, mas deixa-se uma suspeição no ar, uma espécie de condenação na praça pública que não se conseguiu fazer nas instâncias próprias. E feita por quem devia deixar absolutamente claro que, não tendo havido julgamento ou sequer acusação, nada mais haveria para dizer.

Continuem, então, os responsáveis políticos, os partidos, o Presidente da República e praticamente toda a gente a fingir que não temos um problema sério na nossa justiça.» [DN]
   
Autor:

Pedro marques Lopes.


 Passos Coelho está ofendidinho
   
«Pedro Passos Coelho fez passar ontem uma mensagem ao presidente do Conselho Europeu, “pelos canais diplomáticos normais”, sobre a sua “perplexidade” com as palavras “infundadas” de Alexis Tsipras, ditas ontem perante o comité central do Syriza, disse ao Observador uma fonte próxima do primeiro-ministro.

Este domingo, a imprensa espanhola dá conta que Mariano Rajoy ligou ao presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, assim como ao presidente da Comissão Europeia, Jean Claude Juncker, pedindo a ambos que “condenem as palavras de Alexis Tsipras”. Segundo a mesma fonte, contactada pelo jornal espanhol, Rajoy acredita que essas declarações “são contrárias ao espirito de solidariedade que deve reger as reações entre estados-membros”. Uma fonte da Moncloa disse mesmo ao El Mundo  que o primeiro-ministro-ministro português tomou idêntica iniciativa, o que é negado por São Bento.

O jornal ABC dizia, também esta manhã, que haveria uma iniciativa conjunta dos chefes de governo ibéricos, com uma carta que Passos Coelho teria tido a iniciativa de mandar a Jean-Claude Juncker e a Donald Tusk, presidente do Conselho, onde “por escrito” Passos se queixaria da “falsidade” das declarações e com o facto de serem “desapropriadas a um líder europeu”. O jornal conservador anotava que Rajoy falou na tarde de sábado com o presidente da Comissão e que manifestou “acordo com o protesto do português”.

“Não houve iniciativa conjunta”, garantiu, porém, a fonte contactada pelo Observador. Mas houve, isso sim, uma mensagem transmitida pelos habituais canais diplomáticos dando conta do desagrado de Passos Coelho.» [Observador]
   
Parecer:

Andoru trªês anos a ofender a Grécia e os gregos com comparações inaceitáveis e comentários jocosos, agora arma-se em virgem ofendida.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»

   
   
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domingo, março 01, 2015

Semanada

António Costa parece fazer oposição semana sim, semana não, de vez em quando aparece para fazer algumas críticas quase inofensivas ao governo, depois desaparece ou vai para Badajoz e às vezes até tem os seus momentos PSD, seja nos encontros com o Rui Rio, ou, como agora sucedeu, chegando ao extremo de em nome do interesse nacional dizer bem do governo. Já houve um tempo em que o mesmo António Costa derrubava o Seguro em nome do interesse nacional, porque nesse tempo o interesse nacional não permitia quaisquer acordos e muito menos elogios à situação do país.
  
E enquanto António Costa discutia com o seu politburo de cotas do PS como inverter uma situação que ele criticou porque pensava estar a falar em mandarim e ninguém se lembrava de o traduzir, eis que Passos Coelho meteu o pé na argola ao ter ignorado que quem trabalha tem descontos para a Segurança Social. Mas se depois de tanta desgraça e situações complicadas enfrentadas por Passos a coligação conseguiu alcançar o PS nas sondagens, não seria de admirar que em próximas sondagens já apareça à frente.
  Mais valia que António Costa tivesse comentado a entrevista onde a Procuradora-geral decidiu colocar toda a classe política sob suspeita de corrupção e associação criminosa do que andar a dizer disparates em celebrações do ano da cabra. Em nome de uma confiança cega da justiça o líder da oposição não só permite que a sua velha amiga Paula Teixeira da Cruz insinue que com ele no governo não haverá separação de poderes, como admite que haja procuradoras a chamar a si a tarefa de decidir quem é que é ou não honesto em Portugal.
  
Depois de ter andado três anos a ofender a Grécia e o povo grego com comentários de baixo nível o governo português teve a resposta que merecia por parte do primeiro-ministro daqueles país. Tsipras disse o que toda a gente já tinha percebido, o governo português fez tudo para inviabilizar qualquer solução para a Grécia porque é isso que convém ao seu discurso político. Agora vemos Passos Coelho reagir como debutante ofendida.
 

Umas no cravo e outras na ferradura



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Pelourinho de Lisboa, Praça do Município, Lisboa
  
 Jumento do dia
    
Passos Coelho, cidadão exemplar.

Enfim, Portugal tem no cargo de primeiro-ministro um cidadão exemplar, mal os jornalista o questionaram apressou-se a pagar o que devia. O problema agora é perceber porque razão alguns portugueses perdem a casa por meia dúzia de euros e o primeiro-ministro nem foi notificado do que devia.

Com gente incumpridora como Pedro Passos Coelho não há país que resista, as contribuições para a segurança social financiam os subsídios de desemprego que o agora primeiro-ministro cortou por falta de recursos.

«Mais de cem mil portugueses, sobretudo trabalhadores precários pagos a recibos verdes, andaram com o coração na boca em 2007 e 2008. A Segurança Social estava então a notificá-los de que deviam elevados montantes, relativos a contribuições não entregues — mesmo em anos em que não tinham ganho um cêntimo. Pedro Passos Coelho era um dos que devia alguns milhares de euros por contribuições não pagas entre 1999 e 2004.

Nessa altura, em 2007, ganhava mensalmente 7.975 euros de remuneração base como administrador das empresas Gestejo, Ribtejo e Tejo Ambiente, do grupo Fomentinvest, liderado por  Ângelo Correia. E, segundo disse esta semana ao PÚBLICO, nunca foi notificado pela Segurança Social de que se encontrava entre os devedores.

No entanto, entre o dia em que terminou o seu mandato de deputado, em Outubro de 1999, e Setembro de 2004, data em que recomeçou a descontar como trabalhador por contra de outrém, no grupo Fomentinvest, o então consultor da Tecnoforma não pagou quaisquer contribuições para a Segurança Social. Nesse período, além da Tecnoforma, onde era responsável pela área da formação profissional nas autarquias e auferia 2500 euros por mês mediante a emissão de recibos verdes, trabalhava também, sujeito ao mesmo regime, na empresa LDN e na associação URBE.

Nos dois primeiros anos em questão foi igualmente dirigente do Centro Português para a Cooperação, organização não-governamental financiada pela Tecnoforma. Foi esta organização que esteve, em Outubro passado, no centro de uma controvérsia sobre o carácter remunerado ou não das funções que Passos Coelho aí exerceu, e sobre uma fraude fiscal que então teria praticado no caso de ter sido remunerado, como alegavam as denúncias então surgidas e por si desmentidas.» [Público]

 Raciocínio óbvio

Se em ev de andar a dizer baboseiras aos investidores chineses o líder do PS se tivesse preocupado e dado a cara pelos investidores portugueses que confiaram no BES enganados por gente como Carlos Costa e Cavaco Silva, não estaria agora a praticar queda livre. Mas parece que Costa não quer deixar má imagem do país e opta por se encontrar com os investidores protegidos pelo regime.


 A resposta de Tsipras
   
«Num discurso para os membros do Syriza, Tsipras acusou Espanha e Portugal de liderar uma conspiração conservadora para derrubar o seu governo, dizendo que os executivos dos dois países temem as suas próprias forças radicais antes das eleições deste ano.

"Encontramos a oposição de um eixo de poder, liderado pelos governos de Espanha e Portugal, que por óbvias razões políticas tentaram levar as negociações para o abismo", afirmou Tsipras, citado pela Reuters.» [DN]
   
Parecer:

Uma boa resposta.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se a Antóniol Costa se vai comentar ou se vai estar em Badajoz.»

 A anedota do dia
   
«O ministro da Solidariedade, Emprego e Segurança Social considerou hoje que o primeiro-ministro foi "vítima de erros da própria administração", à semelhança de milhares de portugueses, referindo-se à anterior dívida de Passos Coelho à Segurança Social.

"Percebemos que há muitos anos, há cerca de 10 anos, 107 mil portugueses foram nesse sentido vítimas de erros da própria administração. Eu sinto sinceramente que os cidadãos não podem ser penalizados por erros", afirmou Pedro Mota Soares aos jornalistas, à entrada para a sessão de encerramento das jornadas do PSD e CDS sobre investimento, no Porto.» [Notícias ao Minuto]
   
Parecer:

Um erro que só foi corrigido pelo próprio com receio do impacto na comunicação social.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se a merecida gargalhada.»

   
   
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sábado, fevereiro 28, 2015

Fazer oposição em conversas de taberna

Eu até compreendo que um adepto do Benfica como o António Costa vá ver um jogo do Porto na Liga dos campeões e aplauda a vitória do clube rival, mas convenhamos que se o mesmo António Costa for ver o mesmo jogo com uma camisola do Quaresma e embrulhado num cachecol do FCP já seria um pouco ridículo. Aquilo que o António Costa fez no jantar do ano da cabra foi mais ou menos o mesmo, perante estrangeiros vestiu a camisola do adversário.
  
Considerar que perante investidores estrangeiros devemos recorrer á mentira em nome de um suposto interesse nacional é ridículo, e não é difícil de imaginar que uma boa parte da audiência riu-se por dentro pois uma coisa é ser estrangeiro e outra é ser parvo, quem ali estava sabe o suficiente do país e só não se terão apercebido dos disparates por problemas de tradução.
  
Neste país é essa ideia bacoca que defender o país é falar bem dele e que todos os que o critiquem no estrangeiros ou perante estrangeiros estão cometendo um crime de lesa pátria. Essa é uma ideia muito antiga que o anterior regime promoveu numa tentativa de promover a condenação daqueles que se exilavam e criticavam o regime no estrangeiro. Mas este é um aspecto que Mário Soares terá a oportunidade de explicar a António Costa pois há coisas que ele não teve a oportunidade de aprender na JS.
  
Mas António Costa enfrenta agora uma grande contradição, como é que vai pedir à Europa soluções se ele só pode questionar a situação do país perante nacionais ou, na pior das hipóteses, em Badajoz? Se a situação do país já não á aquela que enfrentava há quatro anos isso significa que as políticas são as mais adequadas, não fazendo sentido questioná-las, a não ser em conversas de taberna tidas em Portugal.
  

Umas no cravo e outras na ferradura



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Flor da Quinta das Conchas, Lisboa
  
 Jumento do dia
    
Paula Teixeira da Cruz, a ministra mais incompetente da Península Ibérica

Paula Teixeira da Cruz anuncia o fim da impunidade, sugere que com António Costa não haverá separação de poderes, acusa impunemente dois funcionários para afastar a responsabilidade pelas consequência da sua incompetência, afirma o fim da imunidade, relaciona os casos judiciais com a acção do seu governo, mas afirma um profundo respeito pela separação de poderes. É uma pena que não respeite também a separação entre a competência e a incompetência, entre a inteligência e a burrice ou entre a honestidade e a má fé.

«A ministra da Justiça, Paula Teixeira da Cruz, recusou esta sexta-feira comentar as declarações da procuradora-geral da República, Joana Marques Vidal, que, numa entrevista recente ao PÚBLICO e à Rádio Renascença, admitiu não poder garantir que nenhum procurador violasse o segredo de justiça e salientou que a actuação do MP não obedece a “timings políticos”.

Paula Teixeira da Cruz rejeitou qualquer comentário alegando “lealdade institucional” e “um profundo respeito pelo princípio da separação de poderes”. Porém, a governante, que falou na manhã desta sexta-feira à margem da inauguração das novas instalações do Julgado de Paz de Vila Nova de Gaia, não tem dúvidas de que a forma de actuação das polícias e do órgão que tutela as investigações e a acção penal, o Ministério Público, mudou com este Governo.

“Mais do que as palavras, valem os actos. Penso que tem sido visível, desde o combate à fraude no Serviço Nacional de Saúde, na Segurança Social e em outras áreas e sectores, a actuação de todas as forças e de todos aqueles que devem intervir na acção penal. Creio que iniciámos uma mudança efectiva. Nós, todos nós. Quando digo nós, não estou a referir-me a ninguém em particular, mas a todos aqueles que estão de facto no [poder] judicial. E, nessa medida, os resultados vão sendo aqueles que os senhores têm testemunhado”, referiu, numa alusão aos vários casos judiciais e de operações policiais que têm marcado as notícias.» [Público]

 Será que o António Costa percebe a mensagem?

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 Grande economista!

Para o aluno a jovem Schäuble a taxa de desemprego é designada por "stock de desemprego". Enfim, há também os stocks da fome, da ausência de investimento, até há um Stock da Cunha e mesmo um grande stock de falta de inteligência do próprio primeiro-ministro.
 
 Espectáculo memorável

A forma como António Costa tentou corrigir a sua asneiras com uma declaração não podia ter corrido melhor, fez uma intervenção desastrosa, perdeu a oportunidade de esclarecer todos os equívocos respondendo a perguntas mas optou por não correr riscos. Mas pior do que tudo isto foi ver uma Edite Estrela a "apresentar" o líder do PS e quando este acabou a comunicação seguiu atrás dele batendo palmas, enquanto segurava um jornal debaixo do braço. Ainda bem que não se lembrou de estar a comer uma sandes de presunto, teria sido divertido ver a eterna Edite Estrela a seguir atrás do líder aplaudindo persistentemente a sua intervenção, enquanto segurava o jornal com o sovaco ao mesmo tempo que prendia a sandes de presunto com os dentes.
 
Mau demais para ser verdade.
 
 Constatação

A ministra da Administração Interna esteve ausente nas cerimónias de homenagem aos jovens agentes da PSP que morreram em Sacavém. Sem comentários.

 António Costa

Desde a famosa confusão de contas de António Guterres que um candidato a primeiro-ministro não se espetava de forma tão espectacular, como sucedeu agora com o líder do PS. O problema é que no caso de António Guterres tratou-se de um mero erro de cálculo por parte de quem tinha uma média brilhante em engenharia. No caso de António Costa não ocorreu qualquer erro, foi uma afirmação de uma opinião pessoal.

António Costa já devia ter pedido desculpa ao PS e aos seus simpatizantes pelo lapsus linguae em vez de andar a sugerir que as pessoas são parvas, enquanto os seus apoiantes acusam tudo e todos de serem de direita. Além de se sentirem humilhados os seus apoiantes ainda são ofendidos por uma estratégia que os condena só pelo facto de terem ouvidos.

Quando se erra não se ofende aqueles que confiam em nós nem se tenta fazer deles parvos, pede-se desculpa, lamenta-se o erro. É ofensivo dizer que estava a defender o país, como se aqueles que analisam a realidade não defendem o país.

      
 Assalto à mão regulada
   
«Era a EDP ainda estatal e monopolista quando me quis cobrar os consumos não liquidados por anteriores locatários de uma casa que comprei. Para celebrar o novo contrato tive de dar a leitura do contador e, na primeira conta, tungas: desapareceu-me uma fortuna da conta bancária. Como pelo telefone se recusassem a devolver o dinheiro, fui a uma dependência, onde ainda me quiseram convencer de que era de lei pagar consumos alheios. Percebendo-me à beira da luta armada, lá aceitaram devolver o valor - na fatura seguinte. Queriam, pois, um empréstimo a juro zero aqui da magnata, que, graças a competente banzé, não saiu dali sem o pecúlio, até à última moeda - e várias horas perdidas.

Passaram 20 anos. Num mercado "livre", concorrencial e com reguladoras profissionais, deveria ser muito mais fácil para um consumidor fazer valer os seus direitos, não era? Pois. Desbloqueio de telemóveis, por exemplo: lei de 2010 estipula que, após um período de fidelização contratual (não podendo exceder dois anos), a operadora, se tal lhe for solicitado, tem de o fazer de graça. Nem pensar, dizem elas: a fidelização aplica-se ao serviço, não ao aparelho. Ou seja: compra-se um telefone com desconto no âmbito de um contrato de dois anos, contrato esse que obriga a uma mensalidade superior por se comprar o telefone (é assim na Vodafone, por exemplo), mas no fim do mesmo, se pedir desbloqueio, tem de pagar. As reclamações são inúmeras - há até condenações das operadoras em tribunal pela má-fé. Que faz a reguladora do setor, a Anacom? Dorme a sesta.

A ERSE (Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos) não é melhor. Constatei-o em recente queixa sobre estimativas sistematicamente empoladas à qual juntei faturas e reclamações de anos (e respetivas respostas, sempre iguais, da empresa). Pombo de correio eletrónico, a ERSE comunicou-me que comunicara a minha queixa à empresa, e respondeu-me com a resposta desta (idêntica às anteriores). Insisti; sucedeu o mesmo. Intervenção da ERSE: zero. E quando intervém? Piora. Caso das cauções que EDP e Galp cobraram até 1999 na celebração de contratos e que, anuncia-se, são obrigadas a devolver até ao final de 2015, num total de mais de 18 milhões de euros. E que decidiu a ERSE para os termos da devolução? Nada tão simples como as empresas devolverem diretamente aos clientes que mantêm contratos, nem pensar. Têm de ser estes, um a um, a solicitar a devolução (podem não querer, não é?). Como, a Galp explica no site: o "interessado" tem de enviar à empresa, por correio, "original do documento que comprova o pagamento da caução" (o original, deus) solicitando uma declaração da mesma atestando o direito a receber, a qual deve de seguida enviar à Direção-Geral do Consumidor (que ficará com dinheiro não reclamado). Caricatura mais perfeita só a de não ser raro presidentes das reguladoras passarem para as entidades que regulam, ou vice-versa. É o "mercado livre" à portuguesa.» [DN]
   
Autor:

Fernanda Câncio.
  

   
   
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