segunda-feira, março 27, 2017

Vade retro satana

Para “autorizar” o PS a formar governo Cavaco Silva fez um conjunto de exigências, lembrando os tempos em que a maioridade era atingida aos 21 anos e os pais autorizavam a emancipação aos 18 para que os filhos pudessem tirar a carta. Curiosamente, nesse tempo era possível ser voluntário nas forças armadas e depois de uma recruta apressada estar na frente de combate na guerra colonial.

A geringonça foi uma espécie de governo de um PS emancipado por Cavaco Silva, como se fosse um jovem voluntário ou condutor todos apostavam numa morte precoce. Passos Coelho ria à gargalhada das intervenções de Mário Centeno na sua primeira ida ao parlamento. Toda a direita apostava numa queda rápida e com estardalhaço do governo de António Costa, Passos nem desfez as malas que trouxe de São Bento e Assunção Cristas andou a fazer de conta que ainda devia obediência ao presidente do PSD.

Até setembro do ano passado a direita estava convencida de que a geringonça levaria o país ao desastre, o problema não eram os juros, o investimento ou o crescimento económico, eram apenas as contas públicas. Um mau desempenho das receitas e o aumento descontrolado da despesa levariam ao ambicionado segundo resgate. 

Passos Coelho tudo fez para forçar o governo a manter as suas medidas de política económica, estava convencido de que regressaria ao poder muito em breve, gostava de reencontrar os cortes de vencimentos e de pensões tal como os tinha deixado. A confiança no desastre era tal que hoje se sabe que Passos nem se deu ao trabalho de pensar nas autárquicas, estava convencido de que antes dessas eleições haveria lugar a eleições legislativas antecipadas.

Mas a execução orçamental de setembro foi um “Vade retro Santana”, ao contrário do que o então primeiro-ministro no exílio o mafarrico não apareceu, os seus sonhos de regresso em glória ao poder transformaram-se num pesadelo. Começou então a sua luta contra o tempo, deixou de ter vontade de rir até às lágrimas de Mário Centeno, até deve ter percebido que o ministro das Finanças tinha mais conhecimentos de política económica no dedo mindinho do que a sua Maria Luís em todos os neurónios.

Tudo corria mal, a economia começava a crescer, a despesa estava controlada, o BCE continuava a intervir no mercado financeiro, continuava em queda nas sondagens e se o mafarrico não apareceu quem andava agora por aí a infernizar-lhe a vida era o Rui Rio. Ainda por cima o Centeno somava vitórias, tinha resolvido o problema do BANIF, sobreviveu à falsa crise da TSU, conseguiu o apoio de Bruxelas para a recapitalização da CGD e quando enfrentava a guerrilha de Passos na questão das mensagens SMS rebenta o escândalo das off shore.

Agora é Passos que precisa de ir à bruxa ou de fazer uma sessão de exorcismo berrando ao belzebu “Vade retro satana / Numquam suade mihi vana”, “Afasta-te, Satanás / Nunca me tentes com coisas vãs”. Passos está pagando com língua de palmo ter rido até às lágrimas no primeiro dia em que Centeno foi ao parlamento, esse foi o primeiro dia do fim da sua carreira política.

Umas no cravo e outras na ferradura




 Jumento do Dia

   
Passos Coelho, político ressabiado

Alguém devia dizer a Passos Coelho que as receitas fiscais de 2016 foram penalizadas pela vigarice que promoveu ao prometer o reembolso da sobretaxa, a vigarice foi montada à custa do atraso de centenas de milhões de euros que foram atrasados e que em vez de serem processados em 2015 foram contabilizados nas contas de 2016. Passos devia ter vergonha na cara e ficar calado.

O espectáculo que Passos Coelho tem dado começa a ser deprimente, pela primeira vez o país vê um político a desejar que haja um segundo resgate, que durante meses se esqueceu das autárquicas convencido de que em Setembro viria o diabo do segundo resgate e agora, que tudo lhe correu mal, não dorme para encontrar argumentos para desvalorizar quem com competência demonstrou que a sua austeridade não passou de uma canalhice ideológica.

Se o governo tivesse no ministério das Finanças alguém da estirpe de Maria Luís Albuquerque teria procedido ao processamento ainda em 2015 dos reembolsos do IVA que foram abusivamente retidos por Paulo Núncio para viciar as contas das receitas fiscais desse ano, criando a ilusão de que haviam condições para devolver parte da sobretaxa do IRS.

Se Mário Centeno pertencesse à escola de velhacaria de Passos Coelho teria colocado o défice de 2015 acima dos 3% e o défice de 2016 teria ficado abaixo dos 2%. Passos Coelho e Maria Luís Albuquerque não se teriam gabado dos resultados de 2015 e agora estariam caladinhos e sem argumentos miseráveis e desonestos para desvalorizar os resultados que o país consegue.

É vergonhoso a forma oportunista e sem escrúpulos como Passos Coelho usa a honestidade de Centeno em seu favor.

«O líder do PSD, Pedro Passos Coelho, afirmou neste sábado estar "satisfeito" com a possibilidade de Portugal sair do Procedimento por Défice Excessivo, mas recusou que este seja o valor "mais baixo em democracia", como defendeu o Governo.

"Em 1989, quando era ministro das Finanças o Dr. Miguel Cadilhe e primeiro-ministro Cavaco Silva, o défice público português também foi de 2,1%. Não se trata portanto do valor mais baixo da democracia", disse Passos Coelho aos jornalistas, à margem do congresso do partido cristão-social do Luxemburgo (CSV), em que participou.

Segundo o líder do PSD, nessa altura o défice "beneficiou de uma alteração fiscal (...) que em circunstâncias normais não ocorre", considerando que o valor agora alcançado pelo executivo de António Costa também foi conseguido "à custa de medidas extraordinárias".

"Este Governo faz, mesmo com medidas extraordinárias, um foguetório imenso porque passou de 3% para 2,1%", criticou Passos Coelho.» [Público]




 Passos ainda andará com vontade de rir, ou só de chorar?


Há notícias que vale a pena reler e que por si só dispensam qualquer comentário. É o caso desta notícia saída no Expresso, a propósito da forma como Passos Coelho se comportou na primeira ida de Centeno ao parlamento. Este é o mesmo deputado que anda por aí armado em primeiro-ministro no exílio e que revela uma grande sensibilidade sempre que António Costa fala.

Vale a pena ler a notícia, ver como se comportou Passos e os dois deputados do PSD que se sentavam ao seu lado e comparar com tudo o que sucedeu posteriormente, designadamente a crise no BANIF e os resultados orçamentais que agora desvalorizam de forma hipócrita.

«Genericamente sisudo durante todo o debate, Pedro Passos Coelho começou a soltar-se, com ares de diversão, quando o ministro das Finanças pediu cuidado com a banca. Em resposta a uma pergunta da bancada do BE sobre o mau momento do sistema financeiro, Centeno alertou para a sensibilidade e importância do sector. Passos riu com gosto.

Aliás, Mário Centeno não só endossou à Europa respostas sobre o Banif como replicou os argumentos que o governo de direita sempre usou quando era questionado sobre o Novo Banco: não deve ser o poder político mas sim o Banco de Portugal e o fundo de resolução a vigiarem a situação. Passos riu mais.

Ao lado do ex-primeiro-ministro, Luís Montenegro e Marco António Costa engrossavam a onda. E riam. Já antes se tinham divertido quando Cecília Meireles, do CDS, se referiu ironicamente ao cenário macroeconómico de Centeno como algo "muito científico" e fez uma enxurrada de perguntas do estilo -que previsão para o crescimento do PIB? E para a criação de postos de trabalho? ... - que o ministro deixou genericamente sem resposta.

Centeno chutou a conversa para o debate do Orçamento do Estado. E Passos teve de tirar os óculos para limpar as lágrimas.

Mas se o ex-primeiro-ministro terminou à gargalhada, não achou piada nenhuma ao arranque do discurso do sucessor de Maria Luís Albuquerque nas Finanças. O ministro desvalorizou em absoluto a saída limpa de Portugal do resgate - "um resultado pequeno para uma propaganda enorme" - e, nessa altura, Passos exibiu uma expressão de verdadeira indignação.

"Foi um momento de extrema infelicidade, revela falta de consideração pelos portugueses afetados pela bancarrota socialista e pelos gregos que não tiveram saída limpa e sabem o que sofreram com isso", afirmaria pouco depois o deputado Miguel Morgado, ex-assessor de Passos Coelho em São Bento.O passado não larga o duelo direita/esquerda.» [Expresso de 02-12-2015]

 Quando era o mau tempo que impedia o investimento


Até o Sôr Álvaro se fartou de rir, até parecia o Passos Coelho:


      
 O holandês, os discípulos e a morte lenta
   
«Dijsselbloem disse umas boçalidades. Umas boçalidades que, por vezes, uns copos a mais desencadeiam. Porém, há que admitir que mesmo com uma carraspana das antigas, ser racista xenófobo e misógino não é algo respeitável. Mas, conhecendo nós as manigâncias dos néctares, podemos dar um desconto. O mais provável é que o cidadão, depois de o álcool ser substituído pelo gosto a papel de música na boca e dor de cabeça, bata no peito e declare que teriam sido os copos a falar, uma espécie de Dijsselbloem de Schäuble, ou seja, um boneco de ventríloquo.

Só que o presidente do Eurogrupo não estava bêbado. E não parece que existam resquícios de álcool no sangue das pessoas que acham que as razões da crise financeira se devem a alguns países europeus terem vivido acima das possibilidades, uma maneira mais polida de dizer que se andou a gastar em copos e mulheres - esqueçamos a forma como o holandês pensa que se estabelecem relações com pessoas do sexo feminino. Aliás, um dos efeitos das declarações do holandês, foi nesta semana termos podido constatar uma espetacular inflexão nas convicções de muitíssimos homens e mulheres. Aqueles que encheram a boca com os desmandos dos perdulários beneficiários do RSI, dos malandros que preferiam receber o subsídio de desemprego a trabalhar, a destratar os supostos compradores de plasmas e carros de luxo, num país que tem um milhão de trabalhadores a receber o salário mínimo e onde o ordenado médio são cerca de 780 euros mensais, e que agora apareceram a revoltar-se com o bom do Dijsselbloem. Ao menos o discurso do homem deu para nos rirmos com tanto colunista e político a desdizer hoje o que jurava ontem.

Esqueçamos as boçalidades do holandês. O pior do seu discurso é a ignorância sobre as origens da crise por que passamos e continuamos a passar. E prefiro acreditar que é ignorância. Como sabemos, o holandês e os seus, insisto, até agora discípulos portugueses desprezam o que foi a crise financeira internacional e o efeito que estas crises têm nos países mais frágeis - e que por uma razão ou outra, estes ou outros, sempre existirão. O papel determinante do desmando das instituições financeiras norte-americanas, a arquitetura institucional do euro que, de facto, fez que as economias dos países europeus mais fortes e exportadores crescessem e as dos mais frágeis estagnassem, o que as taxas de juro baixas produziram nos tecidos económicos, o que foram os incentivos a um maior endividamento em economias como a nossa em que as empresas estão endemicamente sobre-endividadas, foi tudo praticamente esquecido face à explicação fácil do gastar acima das possibilidades ou, lá está, copos e mulheres.

Agora, pense-se que o nosso holandês é uma das mais importantes figuras do projeto europeu. A pergunta parece óbvia: como é possível acertar na solução quando não se percebeu o problema? Nada do que disse o presidente do Eurogrupo é novidade e muito menos é desconhecida a sua origem ideológica. Ele é social-democrata, logo, um homem de esquerda. Mais, o seu discurso pretendia defender que a sua visão era a que melhor defendia a linha social-democrata.

Ou seja, somos pela enésima vez recordados que o que divide a Europa está muito longe de ser uma cisão ideológica clássica esquerda/direita. A divisão está feita em redor de preconceitos, de moral e de interesses dos vários eleitorados nacionais. Mais uma vez trago à colação os nossos apoiantes locais da linha Schäuble. Foi dito e redito por eles que quem não alinhava pela tese do "viver acima das possibilidades" não passava de um esquerdista radical. E isso era dito mesmo quando era claro que a divisão era entre quem defendia uma tese punitiva de origem moral sobre os países periféricos, que só queriam coisa e tal e vinho verde, e quem gastava mais um bocadinho de tempo a analisar o que de facto se tinha passado e se baseava em factos e estudos e não em dichotes e slogans. O extraordinário foi assistir a pessoas que vivem neste país, que deviam conhecer a nossa realidade a vestir a pele dos que acham que merecemos ser castigados por sermos uns valdevinos. Assim, incorporado por nós o discurso, foi ainda mais fácil convencer os eleitorados do Norte da Europa de que estariam a subsidiar desperdício e a preguiça, quando a realidade é que as razões da nossa crise estão fortemente ligadas a fenómenos económicos que os beneficiaram e que, de facto, nos prejudicaram - bem como as respostas.

Dijsselbloem disse o que disse na semana em que se comemoram os 60 anos da assinatura do Tratado de Roma. Não há dúvida, não havia melhor altura para mostrar no que o projeto europeu se transformou. A ideia de solidariedade entre os povos está em grande parte mudada para um conflito permanente entre os interesses de cada uma das comunidades; os preconceitos morais continuam a crescer e a crise, em vez de os diluir, fê-los crescer; mas o maior problema é a sensação cada vez mais profunda de que não há noção de destino comum. E sem esse sentimento qualquer projeto do género do europeu está condenado ao desaparecimento.

Hoje por hoje, a União Europeia ainda é algo para que se olha e se sente que mesmo com todos os problemas ainda vale a pena, mas continuando no caminho que tem calcorreado sobra a pergunta: até quando?» [DN]
   
Autor:

Pedro Marques Lopes.

      
 Passos tenta desvalorizar o défice de 2,11%
   
«O líder do PSD, Pedro Passos Coelho, afirmou neste sábado estar "satisfeito" com a possibilidade de Portugal sair do Procedimento por Défice Excessivo, mas recusou que este seja o valor "mais baixo em democracia", como defendeu o Governo.

"Em 1989, quando era ministro das Finanças o Dr. Miguel Cadilhe e primeiro-ministro Cavaco Silva, o défice público português também foi de 2,1%. Não se trata portanto do valor mais baixo da democracia", disse Passos Coelho aos jornalistas, à margem do congresso do partido cristão-social do Luxemburgo (CSV), em que participou.

Segundo o líder do PSD, nessa altura o défice "beneficiou de uma alteração fiscal (...) que em circunstâncias normais não ocorre", considerando que o valor agora alcançado pelo executivo de António Costa também foi conseguido "à custa de medidas extraordinárias".

"Este Governo faz, mesmo com medidas extraordinárias, um foguetório imenso porque passou de 3% para 2,1%", criticou Passos Coelho.» [Público]
   
Parecer:

Alguém devia dizer a Passos Coelho que as receitas fiscais de 2016 foram penalizadas pela vigarice que promoveu ao prometer o reembolso da sobretaxa, a vigarice foi montada à custa do atraso de centenas de milhões de euros que foram atrasados e que em vez de serem processados em 2015 foram contabilizados nas contas de 2016. Passos devia ter vergonha na cara e ficar calado.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Vomite-se.»
  
 Peixeirada na justiça
   
«Uma juíza colocada há vários anos em Cascais apresentou em Fevereiro uma acção no Tribunal Administrativo e Fiscal de Sintra a pedir que seja anulada a atribuição de uma casa do Ministério da Justiça, em Cascais, à secretária de Estado adjunta e da Justiça, Helena Mesquita Ribeiro. A magistrada diz que a disponibilização da habitação à governante é ilegal.

Está em causa, diz na acção à qual o PÚBLICO teve acesso, uma casa que “sempre foi habitada por juízes a exercer funções na comarca de Cascais”. E o ministério confirma que sempre foi esta a sua utilização. Helena Mesquita Ribeiro não desempenha actualmente funções de magistrada, apesar de ser juíza de carreira. Tomou posse no actual Governo em Novembro de 2015.

A juíza que recorreu ao tribunal diz que o processo de atribuição da casa, localizada no centro de Cascais, tem várias ilegalidades e viola vários princípios, incluindo o da transparência. Algo que o Instituto de Gestão Financeira e Equipamentos da Justiça (IGFEJ), tutelado por Helena Mesquita Ribeiro, contesta, considerando a acção desprovida de fundamento.

Em resposta a várias perguntas do PÚBLICO, o ministério insistiu que “não existem casas de função especificamente destinadas a magistrados”, mas apenas “um conjunto de imóveis cuja gestão se encontra confiada ao IGFEJ e que se destina a fazer face às necessidades do ministério, sejam elas quais forem, em cada momento”. Questionada pelo PÚBLICO através da assessoria de imprensa do ministério, a secretaria de Estado não se pronunciou.» [Público]
   
Parecer:

Antigamente os juízes tinham casas de função, era um tempo em que a deslocação de um magistrado colocava problemas no que respeitava à habitação. Aliás, não era a única profissão que contava com esta facilidade, mas foi a única que conseguiu substituir a casa de função por um subsídio igual para todos, independentemente da colocação, ainda por cima livre de qualquer imposto.

Este subsídio é tão aberrante que até os funcionários que concorrem a juízes do tribunal de Contas, ou os magistrados de qualquer outro tribunal, beneficiam deste subsídio de residência, mesmo que o tribunal se situe do outro lado da rua. Como se isto não bastasse o subsídio é vitalício.

Uma juíza de Cascais que questiona a utilização de uma casa do ministério da Justiça, com base no argumento de que a magistrada que assumiu as funções de membro do governo deixou de ser juíza, esquece que com o seu espalhafato apenas está a trazer ao debate público uma situação que devia envergonhar a sua classe.

Independentemente do juízo de valor que se possa fazer deste caso é óbvio que estamos perante uma peixeirada.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Lamente-se.»

 Mais um banco público a precisar de recapitalização
   
«A lei que alargou a procriação medicamente assistida (PMA) a mulheres solteiras ou casadas com outras mulheres, em vigor há quase três meses, tornou ainda mais evidente a falta de dadores de esperma e de óvulos em Portugal. A nível nacional estão registados 24 homens como dadores e 42 mulheres dadoras no banco público de gâmetas. Mas o banco, sediado na Maternidade Júlio Dinis, no Centro Hospitalar do Porto, precisa de 350.

"Para fazer face às necessidades imediatas precisaríamos de cerca de 200 candidatos masculinos (considerando que cerca de 75% não serão dadores efetivos) e de pelo menos 150 dadoras efetivas", adiantou ao DN Isabel Sousa Pereira, diretora do Banco Público de Gâmetas.» [DN]

domingo, março 26, 2017

Semanada

Marcelo rebelo de Sousa descobriu que qualquer governo consegue um défice de 2,1%, pelos que se deduz que as políticas governamentais pouco importam. Marcelo não ouviu falar do famoso desvio colossal, dos cortes de vencimentos e de pensões, da recessão, dos sucessivos orçamentos rectificativos, do reembolso da sobretaxa e de outras situações. Para ele tanto faz que o défice seja controlado com medidas inconstitucionais ou por rigor orçamental. Também não explicou muito bem qual foi o outro governo que conseguiu fazer baixar o défice até 2,1%.

Quem andou a precisar de um frasquinho de Alka-Seltzer foi Passos Coelho, depois de ter prometido votar no PS s este respeitasse as metas do défice, de ter apelado à direita europeia que boicotasse o governo, de ter esperado a rejeição do OE po Eurogrupo, de ter exigido um plano B, de ter anunciado a vinda do diabo, não consegue aceitar os resultados. Agora parece um presidente de um clube desportivo mau perdedor, a dizer que houve um penalti por assinalar.

Jaime Gama que Ricardo Salgado promoveu a presidente do BES Açores quando deixou o parlamento, reapareceu agora na política para dar a sua primeira entrevista, agora já na qualidade de presidente da fundação do merceeiro holandês, que tem desempenhado o papel de Tea Party tuga. Veio falar da dívida e fê-lo de tal forma que até a Assunção Crista sugeriu ao governo que o ouvisse.

Antes de Jaime Gama ter refletido sobre a dívida já tinha vindo o ministro das Finanças holandês explicar a sua origem, ao que parece a culpa dos nossos males é da famosa dupla das putas e do vinho verde. Nada de novo, sem especificar os consumos há muito que Passos Coelho defende a mesma tese, só não se entende o porquê de tanta indignação por parte dos admiradores portugueses do presidente do Eurogrupo.

Umas no cravo e outras na ferradura




 Jumento do Dia

   
Marcelo Rebelo de Sousa, Presidente da República

Marcelo tem-se desdobrado em comentários sobre o défice que apontam para uma espécie de neutralidade do mesmo em relação às políticas ou à competência dos governantes, quase dando a entender que o défice de 2016 está ao nível dos resultados do governo de Passos Coelho.

Este tipo de declarações reduzem a política do governo a um papel de mero contabilístico, ignorando que foi adoptada uma forma mais justa de encarar a austeridade e que os orçamentos do governo do seu partido não só falharam sucessivamente, como assentaram sempre em medidas inconstitucionais.

«"Acho que há duas boas notícias. Uma é de que é possível com governos diferentes, com políticas diferentes, por caminhos diferentes, realizar o mesmo objetivo nacional, que é o controlo do défice, e isso é bom para o pluralismo e para democracia em Portugal", disse Marcelo Rebelo de Sousa.


O chefe de Estado, que falava à entrada para um jantar com estudantes da Universidade de Coimbra, que assinalaram o 55.º aniversário do Dia do Estudantes, salientou ainda que o valor do défice confirma que "os governos são diferentes, mas o povo é o mesmo, é um grande povo, o herói deste feito".

"Foi isso que eu expliquei em Bruxelas e foi isso que em Bruxelas se viu com admiração e com apreço, porque ao longo destes anos há uma constante, que é a capacidade dos portugueses de realizar este objetivo nacional", frisou.» [Notícias ao Minuto]

      
 Ajudar o Roberto
   
«Roberto Beristain foi detido quando se dirigiu ao Serviço de Polícia da Imigração e Controlo Aduaneiro (ICE, na sigla em inglês) para renovar o seu visto, no passado dia 6 de fevereiro. O mexicano está sob custódia policial desde essa altura, de acordo com o New York Daily News.

O homem de 43 anos, residente em Indiana, já tinha sido detido no ano 2000, quando chegou aos Estados Unidos, mas ignorou a ordem de deportação que lhe tinha sido dada na altura porque não queria deixar a mulher.

A família está desde então a tentar conseguir o ‘green card’ para o patriarca. A filha confessou, em entrevista ao mesmo jornal, que a mãe votara em Donald Trump porque “concordava com a sua postura mais rígida em relação à deportação de imigrantes ilegais que tivessem cometido crimes”.» [Notícias ao Minuto]
   
Parecer:

Esposa estúpida.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «O pobre do Roberto teve o que mereia.»
  
 Portugal vai sair do procedimento de défice excessivo
   
«Durante a crise, mais de 10 países estavam sob procedimento por défice excessivo, agora restam três. Portugal sairá em breve, a França em 2017 e a Espanha em 2018”, declarou o comissário, na entrevista hoje publicada pelo jornal italiano, no dia em que os chefes de Estado e de Governo da União Europeia celebram, em Roma, o 60.º aniversário dos Tratados fundadores da União.

Na sexta-feira, o Instituto Nacional de Estatística (INE) divulgou que o défice orçamental ficou nos 2,1% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2016, em linha com o previsto pelo Governo e um valor que abre caminho ao encerramento do PDE.

Na primeira notificação ao Eurostat, no âmbito do PDE, o Instituto Nacional de Estatística refere que, em contas nacionais, as que contam para Bruxelas, o défice das Administrações Públicas se fixou em 3.807,3 milhões de euros no conjunto do ano passado, o que corresponde a 2,1% do PIB.

O valor reportado na sexta-feira ao Eurostat abre a porta para que Portugal saia do PDE aplicado ao país desde 2009, por ser inferior não só ao valor de referência de 3,0% previsto no Pacto de Estabilidade e Crescimento (PEC), mas também da meta mais exigente, de um défice de 2,5% do PIB, definida para o país aquando do encerramento do processo de aplicação de sanções.» [Eco]
   
Parecer:

Agora só falta esperar que apareça o Passos e a Maria Luís a dizerem que foi obra sua.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Espere-se para ver.»

 Deputados empresários
   
«O PSD quer reduzir o leque dos impedimentos dos deputados e permitir, desde logo, que as empresas detidas (total ou parcialmente) por estes possam participar em concursos públicos para fornecimentos de bens ou serviços. É o único partido com uma proposta que “afrouxa” as regras actuais aos deputados, enquanto todos os outros pretendem apertá-las.

As propostas estão em análise na Comissão Eventual para o Reforço da Transparência em Funções Públicas desde Maio do ano passado, mas esta comissão não tem uma reunião pública há cinco meses. Segundo disse ao PÚBLICO o presidente, Fernando Negrão, a comissão tem estado a trabalhar à porta fechada na “condensação, eventual fusão e conjugação” das diferentes propostas, em especial no que diz respeito à alteração do estatuto dos deputados.» [Público]
   
Parecer:

Era só o que faltava...
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se a merecida gargalhada.»

sábado, março 25, 2017

2,1%

Parece que os 2,15 do défice orçamental deixaram muita gente atrapalhada. O próprio Marcelo, que há pouco tempo se entreteve a ler as mensagens SMS teve dificuldades em dar o seu ao seu dono optando por recordar Vítor Gaspar, quando o ex-ministro das Finanças foi para Bruxelas dizer que o povo português era o melhor povo do mundo. Com Marcelo o povo passou do melhor ao estatuto de herói. Digamos que Centeno nada fez, o povo é que optou por evitar os serviços públicos para lhes poupar na despesa e pagou todos os impostos que devia sem pestanejar.

Mas se para Marcelo a equidade política obriga a atribuir ao bom povo português os resultados do trabalho do governo, já a reação do PSD foi tudo menos honesta. Ainda há poucos dias foi notícia que Passos Coelho estava convencido de que realizar-se-iam eleições gerais antes das autárquicas. Passos estava tão convencido de que o governo cairia com a vinda do Diabo que não se preocupou com mais nada.

A desonestidade de Passos Coelho e Maria Luís Albuquerque, para não referir o agora desaparecido Paulo portas, está no facto de saberem o que fizeram em 2015. Tanto sabem o que fizeram que apostaram tudo num segundo resgate em 2016, daí as exigências do plano B e do anúncio da vinda do diabo em setembro. Sabiam muito bem que a propaganda eleitoral de 2015, designadamente, a fraude do reembolso da sobretaxa, tinha sido conseguido com uma antecipação de receitas fiscais de 2016 na ordem dos 700 milhões de euros.

Se o PSD fosse honesto, em vez de desvalorizar os resultados de 2016 falando em medidas extraordinárias ou na insustentabilidade dos resultados, deveria agradecer ao governo ter mantido o défice de 2015 abaixo dos 3%. Mário Centeno poderia muito bem procedido ao reembolso do IVA que o Paulo Núncio reteve abusivamente para montar a fraude do reembolso da sobretaxa do IRS. Se assim tivesse feito o défice de 2015 teria ficado acima dos 3% e o de 2016 situar-se-ia abaixo dos 2%.

O PSD que tanto se gabou dos resultados de 2015, sabendo muito bem que tinha sido conseguido à custa de receitas de 2015, poderia agora ser um pouco mais honesto e elogiar Mário Centeno em vez de andar por aí com truques para destruir a imagem do ministro.

Umas no cravo e outras na ferradura




 Jumento do Dia

   
Duarte Pacheco, deputado mau 'cagador'

Ao mau 'cagador' até as calças empatam, é o que se pode dizer das declarações deste deputado do PSD, incapaz do mais pequeno elogio ao governo descobriu que um défice de 2,1% foi conseguido pelo caminho errado. O caminho certo era o das medidas inconstitucionais e do ódio do PSD aos funcionários públicos e pensionistas.

«O PSD considerou hoje que a redução do défice para 2,1% é um dado positivo para o país mas que foi feita "pelo caminho errado", com recurso a medidas extraordinárias e não sustentáveis.

Em declarações aos jornalistas no parlamento, o deputado do PSD Duarte Pacheco disse que, com este resultado hoje divulgado pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), o partido espera que "Portugal possa sair do Procedimento por Défice Excessivo".

No entanto, salientou que todas somadas as medidas "não sustentáveis e extraordinárias" representam cerca de 1,4% do PIB, considerando que se "reduziu o défice mas com habilidades".» [DN]

      
 François Fillon: a culpa não será do Benfica
   
«François Fillon acusou François Hollande de ser o responsável pelas fugas de informação que estão a minar a sua candidatura à presidência. Numa entrevista à France 2, o candidato de Os Republicanos (direita) disse que o Presidente é o organizador de um "gabinete negro" que está na origem das notícias — o emprego fictício que terá dado à mulher e aos filhos, o empréstimo de 30 mil euros que não declarou às finanças, os fatos de milhares de euros que recebeu de presente de um amigo milionário, e que lhe valeram uma investigação no âmbito da qual já foi constituído arguido.

Num comunicado, o chefe de Estado condenou "com veemência as acusações". "O executivo nunca interveio em qualquer processo judiciário", reagiu o Eliseu, citado pelo jornal Le Monde. Com as suas declarações, o candidato está a criar "perturbações" na campanha. "O escândalo não diz respeito ao Estado mas a uma pessoa que terá que responder perante a justiça", concluiu o comunicado.» [Público]
   
Parecer:

O homem não ganhou nada, a culpa é do gabinete negro.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»
  
 A culpa é outra vez do Benfica
   
«Olá, Bruxelas, adeus défices excessivos. O Instituto Nacional de Estatística (INE) confirmou esta sexta-feira que o défice orçamental provisório de 2016 foi de 2,1% do Produto Interno Bruto (PIB), inferior ao referencial mágico de 2,5%.

Para 2017, a previsão do INE é de 1,6%. E vai esta sexta-feira notificar a União Europeia, abrindo caminho ao encerramento do Procedimento por Défices Excessivos (PDE) aplicado a Portugal desde 2009.

O Pacto de Estabilidade e Crescimento estabelece para o défice orçamental um limite de 3% do PIB, uma meta que ficou mais exigente (2,5%) em troca da benevolência do Conselho Europeu que abdicou da aplicação de sanções, depois de uma longa série de défices excessivos.» [Expresso]
   
Parecer:

O Benfica deve estar metido nesta coisa do défice ter ficado nos 2,1%.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Elogie-se o trabalho de Centeno.»

 O DAESH  atacou em Barcelos
   
«Quatro pessoas foram mortas "com arma branca" esta sexta-feira em Barcelos. O autor do crime, de 60 anos, foi detido esta manhã e já confessou às autoridades, segundo o comandante do destacamento da GNR de Barcelos.

"Já foi identificado o autor confesso dos crimes", disse no local o comandante Adelino Silva, acrescentando que "os homicídios foram com arma branca através de ataque à zona do pescoço das vítimas".» [DN]