segunda-feira, setembro 25, 2017

Umas no cravo e outras na ferradura



 Jumento do Dia

   
Paulo Rangel, vira-casaca

Paulo rangel que está usando a campanha autárquica como se estivesse a promover a sua imagem pensando numa candidatura à liderança do PSD, desceu ao ponto de em vez de discutir programas e ideias, andar a perseguir quem apoia a candidatura do PS. Para ele, o fato de um ex-ministro de um governo do S estar a apoiar o PS depois de ter estado ao lado de Moreira é merecedor de ataques pessoais.

Paulo Rangel está esquecido de quando era do CDS.

«"Acho que as pessoas têm o direito a mudar. Mas é preciso registar que, para quem diz que não é cata-vento, a declaração é contraditória. O direito a mudar de opinião existe. É compreensível que, se é ministro do Governo, apoie um candidato do Governo", afirmou Rangel numa feira, onde participou numa ação de campanha do candidato do PSD/PP, Álvaro Almeida, para frisar que é "um excelente candidato para a Câmara do Porto".» [DN]

      
 A última ceia
   
«O ex-primeiro-ministro Pedro Santana Lopes vai aparecer neste domingo na volta autárquica que Pedro Passos Coelho está a fazer pelo país, apurou o PÚBLICO. O momento escolhido foi um comício em Espinho, às 19h, que vai juntar o antigo e o actual líder do PSD, além de Luís Montenegro, o ex-líder parlamentar que é visto como um futuro candidato à liderança do partido.

Na agenda deste domingo, a seis dias do fim da campanha, Passos Coelho só tem duas iniciativas divulgadas de campanha autárquica: um almoço com apoiantes em Leiria e um comício autárquico em Espinho, cidade de onde é natural Luís Montenegro, que liderou a bancada do PSD nos últimos seis anos. A iniciativa acontece em território "laranja": Joaquim Pinto Moreira, 48 anos, candidata-se a um terceiro mandato na Câmara de Espinho, depois de ter reforçado a votação em 2013.

O ex-primeiro-ministro e actual provedor da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa entra, assim, na volta de norte a sul do país que Passos Coelho está a fazer desde o início do mês e numa altura em que há sondagens pouco favoráveis ao PSD nos grandes centros urbanos. Um dos casos que estão a preocupar os sociais-democratas é o de Lisboa, onde Santana Lopes ponderou ser candidato pelo PSD, mas acabou por desistir em Dezembro de 2016. O antigo líder do partido, que foi também presidente da Câmara de Lisboa (1995), esteve ao lado de Teresa Leal Coelho na apresentação da candidatura à capital, em meados de Julho passado.» [Público]
   
Parecer:

O último jantar antes das facadas nas costas.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Espere-se para ver.»

domingo, setembro 24, 2017

Autarquias e desenvolvimento: o case study de VRSA


Proa da "Princesa do Guadiana"

Ainda que com recursos limitados as autarquias têm uma palavra a dizer no domínio do desenvolvimento económico, ainda que este seja um tema arredado da agenda de muitas candidaturas autárquicas. O problema é que apostar no desenvolvimento significa apostar a longo prazo e governar a pensar em crianças e jovens que ainda não votam e por isso são desprezados neste processo.

Uma boa parte dos autarcas gasta a sua imaginação em busca de projetos que encham o olho aos eleitores, a lógica é a de fazer obra. Esta lógica política conduz a estratégias aberrantes que comprometem o futuro, é esse o caso de autarquias como Vila Real de Santo António, onde não há esperança para as novas gerações. Neste caso, a situação é ainda mais caricata, não há quase nenhuma obra e a dívida é uma das maiores do país

Em VRSA a gestão autárquica visou apenas consolidar o poder e tirar o máximo proveito dele, levando o populismo a um extremo ridículo. O autarca local trabalhou para a sua imagem, não admirando que sem ter feito nada de palpável se transformou numa figura nacional no plano das autarquias. Gastou rios de dinheiro em projetos avaliados em função do impacto positivo da sua imagem. Foi o caso das famosas operações às cataratas em Cuba, que o tornaram famoso. O ridículo da situação chegou ao ponto de alguns cidadãos terem viajado e em Cuba lá inventaram uma qualquer mazela para os médicos tratarem.

Ao gastar rios de dinheiro na tentativa de fidelizar grupos sociais mais influenciáveis, a CMVRSA negligenciou o futuro. Quando se aposta nas operações às cataratas e nas relações com o Partido Comunista de Cuba esquecem-se os jovens, quando se investem fortunas para trazer o castelo branco para rei do carnaval ou para “oferecer” um bar à astróloga esquece-se a cultura, a educação e o desporto. Quando se aposta no espetáculo condena-se o desenvolvimento.

Sem recursos escassos, com uma localização geográfica periférica, com uma pequena dimensão territorial e com a faixa costeira quase saturada com casario turístico, não é com o Castelo Branco e com a astróloga Maia que se estuda o desenvolvimento. Tem de se apostar no único recurso que nunca faltou em Vila Real de Santo António, os jovens. São várias as personalidades nascidas e educadas em Vila Real de Santo António que têm tido carreiras de mérito ao nível nacional, em domínios como as letras, a medicina ou a economia.

A aposta devia ser nos jovens e no empreendedorismo, algo que sempre sucedeu desde a sua fundação e que nos últimos anos foi esquecido. Os jovens servem agora para ganharem gorjetas em programas ocupacionais ou para levar as bandeiras em arruadas partidárias ensaiadas.

Em vez de promover o empreendedorismo a CMVRSA faz compras duvidosas a empresas unipessoais, fundadas apenas para trabalhar com uma autarquia e que ninguém sabe muito bem o que fazem, além de apoiarem campanhas eleitorais. Estamos perante situações duvidosas que deveriam ser investigadas criminalmente. Mas também estamos perante opções que condenam um concelho ao subdesenvolvimento.

Quando se promovem empresas estranhas, empresas de famílias locais endinheiradas ou se distribuem subsídios para comprar personagens da oposição cria-se uma cultura parasitária que mata qualquer perspetiva de empreendedorismo, promove-se o parasitismo. Este modelo de gestão autárquica pode gerar vitórias eleitorais, mas terá um preço muito elevado no futuro. Os que vendem o seu voto poderão estar a ganhar uns cobres, mas estão comprometendo o futuro dos filhos e netos. Se no país muitos jovens foram obrigados a emigrar, em VRSA serão muito poucos os que conseguirão um emprego para o qual se justifique a escolaridade mínima obrigatória.

O autarca que agora quer ir fazer negócios para Castro Marim deixa um concelho depauperado, com as mesmas carências com que encontrou, com o mesmo número de idosos a esperar pelas mais variadas cirurgias, com uma dívida brutal, com muitos recursos financeiros a gerar no futuro já gastos à custa de contratos manhosos. Enquanto personagens como a Astróloga Maia estão no quentinho do dinheiro dos vilarealenses, estes vão ter a sua terra metida num longo inverno de subdesenvolvimento.

Semanada

Deve ter sido a melhor ideia de que há memória na longa história das eleições autárquicas, trazer o Paulo Rangel a Lisboa para ajudar a Teresa Leal Coelho. Quem terá sido o doido do PSD que achou que tal personagem era uma preciosa ajuda numa campanha eleitoral em Lisboa. Se era para dizer que o fato de Medina ter nascido no Porto não os incomodava não precisavam ir buscar alguém à manjedoura de Bruxelas. Ainda por cima o intratável Rangel foi igual a si próprio, decidiu ofender os bairros populares de Lisboa apelidando Medina de “burrocrata de Chelas”. José Eduardo Martins, o homem da campanha de Lisboa está de parabéns, melhor era impossível.


Num momento de grande generosidade, coisa rara num ministro das Finanças desde há muitos anos, Mário Centeno garantiu que iria ocorrer um desagravamento em todos os escalões do IRS. Nuns escalões o imposto baixa e nos outros acaba a sobretaxa cujo fim até já estava prometido para momento anterior. Mas Mário Centeno errou, o fim da sobretaxa ocorre ainda em Novembro, isto é o desagravamento ocorreu já em Novembro de 2017.

Parece que Passos Coelho encontrou mais uma forma de fazer campanha, agora anda nos arquivos do Estado em busca de relatórios de funcionários que possam ser atirados contra o governo. Parece que este ex-primeiro-ministro acha que os ministros devem deixar de ter ideias e passar a perguntar aso funcionários, de preferência aos que sejam do PSD, o que devem fazer. É ridículo ver um líder da oposição achar que os ministros devem obedecer aos diretores-gerais.



Umas no cravo e outras na ferradura



 Jumento do Dia

   
Passos Coelho, assinante do Expresso

Passos diz que temos de ler o Expresso para saber o que se passa no país, mas na verdade o líder do PSD tem de ler o Expresso de manhã para saber o que dizer á tarde. Sem agenda política para além de esperar por desgraças, passos Coelho vive da comunicação social e pouco lhe importa que as notícias sejam verdadeiras ou falsas ou que lhe sejam dadas por jornalistas pelo homem da Santa Casa de Pedrógão Grande.

Passos Coelho tem mais olhos do que barriga e comporta-se de forma irresponsável como já sucedeu em casos sucessivos, como com os suicidas de Pedrógão Grande ou com os mortos escondidos por António Costa. Nem perdeu tempo para se aproveitar da notícia, ignorando que estava em causa as Forças Armadas, que não são muito dadas a este tipo de relatórios e muito menos a mandá-los para o Expresso.

«Pedro Passos Coelho reagiu este sábado com indignação à manchete da edição do Expresso, que dá conta de um relatório da secreta militar muito crítico da atuação do ministro da Defesa e do Exército no caso do roubo de armamento em Tancos. O líder do PSD acusou o Executivo, e em particular António Costa, de tudo fazerem para ocultar informação ao país e ao Parlamento, sobretudo quando há alguma coisa que "possa ser incómoda ou uma chatice para o Governo".

"Temos de comprar o Expresso ao sábado para saber o que é que se passa no país, o que é que se passa com o Orçamento, o que é que se passa nas Forças Armadas e nos paióis militares? Temos de andar hoje a comprar o Expresso, ou amanhã outro jornal, para termos as notícias que o governo tem a obrigação de prestar ao Parlamento? Levamos dois anos quase desta maneira de estar e de governar", insurgiu-se o presidente do PSD, falando num almoço de campanha autárquica em Marco de Canaveses.

Passos considera que o documento noticiado pelo Expresso tem "graves acusações ao poder político e à própria instituição [militar]" sobre a atuação no caso de Tancos, e questionou se "o senhor Presidente da República teve conhecimento ou não deste relatório" - e explicou a referência porque a Presidência da República é um órgão de soberania, e com especiais responsabilidades em matéria de Defesa.» [Expresso]

      
 Finalmente rico
   
«Paulo Portas faturou, entre os meses de julho e dezembro de 2016, uma média superior a 36 mil euros por mês, avança o Correio da Manhã. Nos primeiros seis meses de atividade (a sociedade foi criada em junho de 2016), a mesma empresa registou um volume de negócios de quase 217 mil euros através da sua empresa de consultadoria, a Vinciamo Consulting. O jornal baseia a sua notícia no relatório e contas da sociedade a que diz ter tido acesso.

Contactado pelo CM, o ex-vice-primeiro-ministro recusou-se a identificar os clientes da Vinciamo, alegando que a empresa “respeita a reserva de informação comercial quando a mesma também pertence aos clientes da empresa.”

Apesar dessa recusa por parte do ex-governante, as contas da empresa revelam que 66% do seu volume de negócios provém de Portugal, sendo que o resto da faturação provém de mercados comunitários (5%) e extracomunitários (29%).» [Observador]
   
Parecer:

Finalmente pode comprar um Jaguar com dinheiro seu.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se conhecimento ao teso de Massamá.»

sábado, setembro 23, 2017

VRSA: a repressão política na "little Havana" algarvia



O autarca de Vila Real de Santo António tem passado uma imagem de rapazola modernaço, o homem leva velhinhos a Cuba tratar das cataratas, traz médicos cubanos a VRSA, mete a bandeira a meia haste quando o Fidel morre, é DJ na Praia do Cabeço, agora até deu em cantor e abriu um espetáculo no Campo Pequeno.

Tudo isto e mais uma gigantesca dívida depois de 12 anos a gastar dinheiro sem controlo em prol da sua imagem, tem-lhe proporcionado uma “boa imprensa” caiu nas graças da comunicação social. Pequenos jornais locais e regionais, bem como jornalistas de órgãos de comunicação social de Lisboa agradecem os investimentos em publicidade, os pequenos jornais ganham o seu pão, os jornalistas dos jornais da capital justificam o seu ordenado algarvio.

O ambiente em VRSA é de perseguição e pressão impiedosa à oposição, por ali todos têm medo de cair em desgraça aos olhos do tal rapazinho modernaço, o medo instalou-se. A repressão e bufaria é tal que os políticos da oposição para falar com jornalistas em segurança vão para longe. Foi o que aconteceu recentemente, um membro de uma lista da oposição teve um contacto com um jornalista do Correio da Manhã (Rui Gomes).

Estabelecido um contacto, combinou-se um encontro longe dos “olhos e ouvidos” do autarca artista, por segurança o encontro ocorreu em Portimão, a 120 km de distância. O membro da oposição fez-se acompanhar de dois conterrâneos que levavam documentos comprometedores para a gestão do artista. Agradado com a hipótese de fazer um trabalho de investigação o jornalista usou o telemóvel para fotografar os documentos.

Terminado o encontro os três regressaram a Vila Real de Santo António. Logo durante a viagem o autarca telefonou para um deles para ir de imediato ao seu gabinete. Lá chegado o autarca perguntou-lhes que documentos tinha com ele e fez a s suas ameaças assegurando que estava na posse de fotografias provando a acusação, fazendo ameaças.

Nem nos tempos da PIDE, com os seus agentes e informadores, a perseguição era tão eficaz.


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A Tempestade Cerebral , Unipessoal, Lda, uma das empresas citadas no encontro com o jornalista do CM, tem sede em Azeitão constituída em Junho de 2016 com o capital de mil euro e que teve contratos do município pelo valor de € 16.000  em 2016 e € 104.550 em 2017. A empresa unipessoal, que parece estar a fazer o marketing da campanha do PSD da São e do Luís, só trabalha para a CM de Vila Real de Santo António.





O peso de uma derrota do PSD nas autárquicas

Passos Coelho representa nestas eleições uma espécie de supre candidato autárquicos, não concorrendo a qualquer autarquia para o PSD o resultado destas eleições é um plebiscito à sua liderança. Mas ao contrário do que se possa pensar o maior perigo para o líder do PSD não vem da comunicação social, de Belém ou do pirilampo Rui Rio.

Quando o PSD foi arredado do governo muitas centenas de quadros do PSD deixaram de ter o estatuto que tinham, muitas empresas “amigas” deixam de ter um estatuto privilegiado no acesso às compras do Estado através das adjudicações diretas ou dos concursos manipulados. Falamos não apenas dos ministérios e das direções-gerais, falamos também de uma infinidade de direções regionais e outras instituições públicas.

A perda das eleições legislativas representou um grande prejuízo para o aparelho do parrtido, mas a onda de choque não foi grande porque uma boa parte do aparelho do PSD sobrevive à custa das autarquias e esse ficou intacto. Se o PSD perder o poder em muitas autarcas sofrerá um forte abalo e a sua capacidade de proporcionar boa vida aos seus militantes e clientelas é posta em causa.

Um concelho pequeno como Vila Real de Santo António, onde costuma votar cerca de mil eleitores, conta com 1.000 funcionários da autarquia. Isto significa quase 5% da população, percentagem que será muito maior se considerarmos as famílias. Uma parte deste aparelho alimenta as bases do partido. Quando se perde uma câmara são muitas pessoas a ficar desorientadas e com receio do que venha a acontecer.

Se Passos Perder a eleições terá de enfrentar a frustração e desespero de milhares de militantes do PSD, que deixam de ser cidadãos privilegiados que terão de sobreviver como todos os outros. E esta revolta que poderá derrubar Passos Coelho, mais do que a oposição interna. Não admira que Rui Rio se tenha apresentado na campanha do Porto quando Passos apareceu em Lisboa. Rio quis passar a mensagem de vencedor do Porto por oposição à de derrotado de Lisboa, só que teve azar, o seu candidato não é melhor do que a Teresa Leal Coelho.

Daqui a uma semana saberemos quantas autarquias foram perdidas pelo PSD, serão os que nessas autarquias passarem à “peluda” que irão tentar vingar-se de Passos Coelho.