quinta-feira, setembro 24, 2020

UM DESPORTO DE EMOÇÕES

Ao ouvir o secretário de Estado Adjunto e da Saúde justificar os estádios vazios  dizendo que o futebol é um desporto de emoções só podemos sentir vontade de rir, de mistura com alguma pena pelo senhor. Parece que o governante descobriu que há uma relação entre o contágio do vírus e as emoções.

Isto é, há desportos que emocionam ou que são apreciados por pessoas que se emocionam e por isso não podem ter assistência. Outros desportos não geram emoções ou são preferidos por pessoas que sabem conter as suas emoções, pelo que pode haver assistentes nas bancadas. Portanto as decisões do ministério da Saúde passam a assentar numa nova máquina, depois termos inventado a famosa geringonça, agora temos um emocionómetro.

Isto começa a parecer um país de doidos, de um lado temos gente que ignora os riscos de uma segunda vaga que conduza a um confinamento e à ruína do país e de todas as SAD desportivas, do outro, temos um governante que diz que as decisões das autoridades de saúde são adotadas em função das emoções dos cidadãos.

Ficamos a aguardar quais os desportos que emocionam e quais os que não mexem com as emoções. Visto de outra perspetiva teremos que considerar que mais do que as diferenças entre desportos, o que está em causa é a diferença entre adeptos. Parece que o pessoal fino do Estoril consegue ver uma final de ténis atirar perdigotos a esvoaçar sobre o green, enquanto com o pessoal da bola aquilo até parece uma largada de pombos.

Segundo esta lógica também poderemos pensar que há cerimónias religiosas ou religiões que emocionam mais do que outras, bem como dizer que os crentes das diversas religiões apresentarão resultados diferentes se forem testados no emocionómetro.

Enfim, começo a pensar que este país está cheio de palermas que insistem em não perceber que uma coisa é ser governante é medir o que se diz. Além de um emocionómetro parece que também andamos a precisar de um palermómetro.

terça-feira, setembro 22, 2020

NÃO SÃO FASCISTAS, SÃO IDIOTAS

Confesso que não entendo a gloriosa batalha antifascista que anda por aí a propósito de um tal André Ventura, um rapaz que depois de ter tentado usar o SLB para subir rapidamente na vida social, acabou por ir parar a Loures pelas mãos de Passos Coelho e daí a líder de um bando de imbecis, que viram na sua notoriedade na CMTV a oportunidade de reaparecerem na vida política.

André Ventura é fascista? Considero-o demasiado idiota para ser o que quer seja, André Ventura é um complexado que seria tudo o que fosse necessário para dar nas vistas. Não tem qualquer consistência ideológica, defende ideias de forma errática, hoje é racista, ontem detestava ciganos, agora persegue funcionários públicos. Não tem uma ideia própria, não tem uma ideia nova, anda nos caixotes do lixo em busca de ideias que tenham unido mais de meia dúzia de imbecis.

Em 10.000.000 de portugueses há um pouco de tudo, até há quem defenda os ideais do fascismo ou do comunismo, até é provável que circunstancialmente estejam a apoiar este rapazola ambicioso e com fracos recursos políticos. Mas promover André Ventura a grande líder fascista ou da extrema-direita é dar-lhe uma importância que não tem.

O rapaz não tem qualquer consistência ideológica, anda a ler o Correio da Manhã de ontem na barbearia do outro lado da rua, enquanto ajeita a popinha para saber qual a grande posição política de mais logo. Dar-lhe um estatuto que não tem nem merece é dar-lhe importância e é assim que o André Ventura tem crescido. Se é o inimigo público da esquerda é porque é bom e assim tem mais apoiantes fanáticos.

O rapaz tinha ambições, até avisou que se o PSD não se metesse na linha candidatar-se-ia à sua presidência e graças a um líder fraco daquele partido e a gente com a enfermeira da Praia do Cabeço até começa a ganhar o estatuto que nunca imaginou ter. Serão fascistas? Não desta vez vou elogiar os fascistas, estes Andrés e demais amigos física ou intelectualmente zipados não passam de idiotas.

segunda-feira, setembro 21, 2020

O DESMORONAR DE UM GRANDE PARTIDO

 O PSD era um dos grandes partidos da democracia, um partido que foi governo por várias vezes, que conquistou duas maiorias absolutas, que governou várias vezes em coligação com o CDS, que foi dirigido por homens de grande dimensão. Ainda que o seu nome não passe de uma contrafação política, o PSD sempre foi um partido do centro direita.

Rui Rio deu a primeira facada no património ideológico no seu partido, ao declarar que estaria disposto a dialogar com o Chega se mudassem um pouco a pintura da fachada o líder do PSD revelou uma falta de dimensão assustadora, mostrou que para chegar ao poder está disposto a tudo.

Abura vemos a enfermeira Ana Rita Cavaco sair da letargia para ir a Beja dar um beijinho ao André Ventura. Quanto ao beijinho apenas espero que lhe tenha transmitido alguma caganeira. O mais grave é a mistura de beijinhos com o é a forma como justifica o gesto

“O André foi meu colega no conselho nacional do PSD, onde eu já não estou e ele também já não está. Acho muito importante as pessoas terem atividade política, da mesma forma que a defendo para os enfermeiros”

Afinal não era apenas amizade, estava ali porque o André era do conselho nacional e porque acha bem que o extremista da treta tenha atividade. Vai ali porque quem deixa o PSD para passar a defender a xenofobia, a pena de morte, a castração e outras coisas merece o elogio. Isto é, são aqueles gloriosos combates do André Ventura a atividade político que merece uma ida a Évora para elogiar com a sua presença.

Será apenas a enfermeira do conselho nacional do PSD a mandar beijinhos ao André Ventura e a estar feliz pela sua atividade política? Provavelmente serão mais do que pensamos, mas têm um sentido do politicamente correto que a senhora não tem. Na vida política portuguesa há muito feijão fradinho e aqui a membro da comissão nacional do partido até merece um elogio por se dar ao trabalho de ir tão longe para ficarmos a saber em que estado está este PSD.

terça-feira, setembro 15, 2020

AS PRESIDENCIAIS DO POPULISMO

As próximas eleições presidências serão as mais pobres e desinteressantes da história da democracia portuguesa e pela forma pouco digna como o líder do PS anunciou que ele tinha decidido que o PS não teria candidato, é a primeira vez que umas eleições se decidem entre propostas populistas. A única candidatura com um programa assente em pensamento político consistente e não errático é a do PCP.

Marcelo não pensa, diz o que quer que os outros esperam que ele diga. É um pensamento ao sabor das águas da conveniência eleitoral e como todos os populistas diz o que acha que os seus eleitores gostam que ele diga.

Depois temos o Chega da direita e o Chega da esquerda. Um quer capaz os pedófilos quando a notícia é sobre pedófilos, quer dar poderes à polícia quando há conflitos com ciganos ou quer correr com africanos quando se fala de racismo, defende o que a sua clientela imbecil acha que deve ser defendido.

O Chega da esquerda é mais elegante mas não deixa de abraçar causas em função da gestão da imagem e a pensar mais em likes do que no país. Agora até defende que se possa invadir tudo através da eletrónicas desde que seja por uma causa boa, entendendo-se que é uma boa causa todas as que a Ana Gomes defende a pensar na sua boa imagem junto dos eleitores. Dantes a PIDE invadia tudo o que bem entendesse, agora a deputada defende o mesmo.

DO lado do BE temos do mesmo, basta ler os cartazes com que encheram o país defendendo que empresas que têm lucros não podem despedir, uma frase bonita que sabe bem no ouvido, mas que em matéria de populismo oportunista está ao nível de outros.

É uma pena que os líderes do PS e do PSD tenham optado por deixar o palco ao populismo, deixando que as presidências venham a ser decididas sem discutir o país com um mínimo de seriedade. Enfim, um dia destes peço a nacionalidade espanhola por opção, direito por ser filho de espanhola e neto de uma mulher que foi refugiada e indocumentada no meio das serras algarvias desde 1938 a 1976 e em vez de defender os ideias da república espanhola que me pariram ainda dou comigo em filipista.

Quando discutirem o peso dos extremos não se esqueçam dos irresponsáveis que foram.

domingo, setembro 06, 2020

DEIXE UMA JANELINHA ABERTA MERETÍSSIMO

Imagino que o meritíssimo Carlos é um  juiz tão modesto que nem em Lisboa, nem na sua casa de férias terá muito para roubar. Mas como juiz terá certamente muita coisa que não merecendo ser escondido, não deixará de ter a sua graça.

Tal como o Rui Pinto também gostaria de ver as piadas que manda aos amigos pelo WhatsApp, pagava para saber se ele está mortinho por mandar o Costa para Évora, senão mesmo o próprio Marcelo. Quem não gosta de saber o que consta nas mensagens de e-mail ou de WhatsApp do supre magistrado que aterroriza meia classe política e é o modelo de virtudes de tudo o que está à direita do Rio e até de uma ex-eurodeputada do PS que descobriu as delícias populistas do eleitoralismo fácil e oportunista.

Por isso aqui fica um pedido ao juiz Carlos Alexandre, que nos dê as passwords e a chave da casa, porque sendo pessoa honesta e humilde nada terá a esconder quer de curiosos, quer de ladrões. Se não se importou de ver a sua correspondência vioada pelo Rui Pinto, também não se importará que lhe façamos uma visitinha.

Mas é bom sabermos que há meritíssimos generosos capazes de perdoar, a partir de agora se alguém assaltar uma casa onde nada há para roubar, se profanar o cadáver lde alguém que por estar nesse estado não pode morrer, quem violar correspondência da treta, quem roubar e levar ouro falso, toda essa gente será perdoada pelos meritíssimos generosos como o nosso supre Carlos.

sábado, setembro 05, 2020

QUEREM VER QUE FASCISTA SOU EU?

Ouvi dizer que ilustres personalidades vão testemunhar num julgamento de um tal Rui Pinto, ao que parece testemunhará um diretor da PJ, uma ilustre ex-deputada do PE e eventual candidata a candidata presidencial, um grande líder trotskista e mais algumas pessoas que não conheço nem me parece que deva ter interesse em conhecer. Se gente tão ilustre, defensora por estatuto político ou profissional da legalidade e dos princípios constitucionais, fico com a sensação de que desde que os plenários foram encerrados que não terá havido um julgamento político como o desse tal Rui, que pelo que dizem está entre os maiores defensores da democracia, desde que os capitães de Abril tiraram o país dessa letargia de ditadura e cobardia coletiva.

Mas há aqui qualquer coisa de errado. Acabámos com a ditadura para que os direitos constitucionais fossem respeitados, para que não existissem juízes armados em polícias e polícias armados em juízes, para que não nos violassem a privacidade e sem quaisquer regras.

Somos uma democracia e temos um estado de direito, os polícias não podem investigar qualquer cidadão só porque não gosta, desconfia dele ou é detestado por questões pessoais. Há regras para a investigação, não se investiga por investigar confundindo indícios sólidos com opiniões, ódios ou desconfianças pessoais. Não se investiga um escritório de advogados porque não gosto ou desconfio do patrão, não se invade a privacidade de um clube só porque soou do outro e quero destruir o rival.

Mas fico surpreendido quando vejo uma deputada em quem votei, um líder trotskista e um diretor nacional da PJ a testemunharem a favor de alguém que fez tudo isso, fico ainda mais surpreendido ao saber que os meus valores são considerados inimigos da sociedade em favor de alguém que defende que em vez de um estado de direito devemos estar sujeitos aos seus poderes ilimitados. Afinal o democrata e o defensor dos valores da democracia, é o Rui Pinto, que parece que tem um certificado assinado pela deputada, pelo grande líder e pelo diretor da PJ.

Esperem lá, mas se um perigosos assassino matar um político de que eu não gosto deve ser defendido por deputados e polícias que são a favor da pena de morte. E ainda vão concluir que com o homicídio o país ficou melhor e ainda poupou em burocracias judiciais?

Esperem lá, se um qualquer carteiro vigarista abrir toda a correspondência em busca de cheques de velhinhos e no meio das cartas encontrar uma carta com uma encomenda de droga deve ser protegido e ter direito a casa do estado porque é um herói no combate ao tráfico de droga.

Bem, parece que terei de me demitir de democrata. Se um diretor da PJ testemunha em favor da violação das regras mais elementares da democracia porque considera que os poderes absolutos dos antigos agentes da PIDE se justificam no combate ao crime. Se um líder proletário e uma ilustre deputada europeia do partido fundado por Mário Soares concordam com essa teses.

Enfim, o errado estou eu e terei de reformular os conceitos de democrata e passar a ser um refinado filho da puta. Talvez chegue a Presidente da República ou a governador do BP colocado no cargo por uma qualquer nova geringonça desengonçada. Tudo isto faz-me lembrar a anedota do compadre que foi apanhado no bordel a meio de uma rusga; uma era manicure, a outra cabeleireira e o pobre compadre exclamou “querem ver que a puta sou eu?” É assim que eu me sinto, no meio de um bordel.