sábado, novembro 03, 2018

O HOMEM QUERIA BALAS DE 9 MM


Parece que, afinal, o ladrão de Tancos não estava ligado ao tráfico internacional de armas, a NATO pode ficar descansada e o DASEH ficou de mão a abanar, sem acesso aos sofisticados explosivos, o pilha-galinhas queria apenas munições de 9 mm, usadas em pistolas de guerra, nas velhas metralhadores FBP e pouco mais. Mas parece que a procura é grande.

O que ninguém explica é porque motivo o homem queria munições de 9 mm e veio carregado de material obsoleto e que não sabia a quem vender. Há qualquer coisa de errado, o desgraçado andou a carregar material pesado, quase levou o portão do paiol, mas só queria munições de 9 mm!

Mas quem eram as ligações do ladrão ao tr+fico de armas de guerra, quem eram os seus compradores, com quem se relacionava no meio, qual o seu passado criminosos? Tanto tempo depois do assalto fica-se com a impressão de que o homem pensava que ia roubar uma máquina de tabaco e, por engano, trouxe meio paiol de Tancos.

Coincidência das coincidências tinha um amigo na GNR, este tinha um amigo na PJM e o pessoal da PJM achou que fazia um memorando de forma a que toda a hierarquia política ficasse a saber da manobra, para caírem uns  tempos depois, quando o major voltasse da República Centro Africana.

terça-feira, outubro 30, 2018

NÃO TENHA UM AVC SFF


Neste dia mundial do AVC apetece-me pedir a todos que não tenham um AVC se fazem favor, não o faço porque tenha passado por essa experiência, mas por ter convivido muito de perto e em circunstâncias muito especiais com muitas pessoas que sofreram um AVC ou que estavam em condições físicas próximas ou mais graves do que aquelas que normalmente resultam dos AVC que não conduzem à morte.

Vi grande vitórias como conseguir dar um passo, subir um degrau, subir sozinho para uma cadeira de rodas, vi muito sofrimento humano e muita dedicação por parte de fisioterapeutas, enfermeiros e médicos. Era como se estivesse num centro olímpico de alta performance, com sessões de exercícios de segunda a sábado, sem horas para visitas, sem intervalos e sem descanso. Quase isolados da sociedade, vivendo cada um com as suas limitações.

Ficamos a saber que um AVC é muito mais do que as consequências físicas, as limitações com que cada um fica. É um grande murro no estômago de muita gente que tinha uma vida saudável e socialmente intensa, que de um dia para o outro perde a mobilidade, a voz, a capacidade de deglutir e, não raras vezes, é-se abandonado pelo ou pela parceira.

Vi histórias de luta incríveis, vi jovens em cadeira de rodas, mães com duas crianças de colo, praticantes de desporto a voltar a aprender a andar, jovens e idosos que não percebiam o que lhes tinha sucedido. Conheci vidas que acabaram no isolamento, no desemprego, por vezes no abandono. Tudo isto em doentes que tinham tido um AVC há relativamente pouco tempo, que começavam uma nova vida, por vezes bem diferente daquela que alguma vez imaginaram.

Sem ter sofrido da doença junto a minha solidariedade e preocupação daqueles que comemoram este dia mundial do AVC. Até porque enquanto me recordei dos meus amigos de São Brás de Alportel trinta portugueses tiveram uma AVC e deverão estar ainda a aguardar pela chegada da ambulância. Muitos deles terão a sorte de engrossar as filas de espera dos centros de reabilitação.

segunda-feira, outubro 29, 2018

O DERROTADO FOI LULA


Independentemente do que possa dizer da eleição de Bolsonaro a verdade é que foi escolhido por uma grande maioria dos brasileiros. Não vale a pena tecer considerações sobre as motivações dos votos e muito menos acharmos que temos um estatuto intelectual que nos permite tecer considerações sobre as opções de tanta gente. Bolsonaro vai ser mais um presidente do Brasil, igual ou pior do que muitos outros a que já nos habituámos.

Mas este teve uma preciosa e inesperada ajuda, a de Lula. O grande derrotado destas eleições foi precisamente Lula, que por puro egocentrismo achou que as eleições presidenciais do Brasil deveriam ser transformadas num plebiscito à sentença judicial que o condenou à prisão. Lula não hesitou em menorizar quaisquer outros candidatos que pudessem vencer a direita, até que a última instância judicial se pronunciasse tinha que ser ele o candidato.

Ao fazer do futuro de centenas de milhões de portugueses uma causa que só a ele parecia interessar o líder do PT não hesitou em dar toda a vantagem à direita, transformando um bom candidato do PT numa figura secundária, numa espécie de suplente a que se recorreria apenas para ir a votos. Lula foi egoísta e perdeu, mas pior do que isso, conduziu todos os democratas brasileiros a uma pesada e humilhante derrota.

Como se isto não bastasse a campanha do PT parece ter sido mais para afirmação ideológica, em pleno século XXI o grande ídolo da esquerda brasileira parece ser o Che Guevara e nas manifestações do PT só faltou ver bandeiras com o Hugo Chavez. Depois da estratégia de Lula a cereja em cima do bolo da derrota anunciada foi uma má campanha, onde o único argumento a justificar o voto em Hadad era a vitória do Bolsonaro.

Bolsonar ganhou e se tiver de agradecer a vitória a alguém é ao Lula e ao seu PT.

sexta-feira, outubro 26, 2018

UM ASSALTO À PORTUGUESA



Um pilha galinhas encostou a pick-up ao buraco na rede da base de Tancos, entrou tranquilamente, abriu o portão do paiol e foi carregando a carrinha com o material que havia à mão, balas avulso, explosivos, bobinas de fios, disparadores, granadas de mão ofensivas, granadas anti-tanque, granadas foguete, cargas de corte, granadas de gás lacrimogéneo. Enfim, só não trouxe um tanque porque não conseguia passar no buraco da rede ou o ladrão não tinha carta de pesados e podia cruzar-se com alguma patrulha de trânsito.

Ainda bem que o pobre ladrão não tem bicos de papagaio, porque carregar todo aquele material entre o paiol e o carro sem poder bufar, com medo de que o ruído atraísse algum sentinela mais atento, se tivesse estaria agora ainda mais empenado do que o material que roubou. Mas depois de todo este trabalho o desgraçado deve ter pensado em ir a Tancos pedir o livro de reclamações, o material roubado que ia trazer uma vaga de atentados estava fora do prazo, estava tão estragado que em vez de explosões a Europa iria sofrer de caganeira.

E quando esperava que o pessoal acertasse as contas e esquecesse o assunto ficou em pânico quando percebeu que o seu roubo tinha merecido mais do que uma nota no meio do Correio da Manhã. O homem  entrou em pânico, mas ladrão que é ladrão tem um amigo da GNR com quem assentou praça na tropa e esse amigo é amigo do chefe da PJ militar, que por sua vez estava danadnho por ser ele a tramar a pj civil. O assalto ficou mesmo a calhar, o ladrão devolveu o material impróprio para consumo e a tropa tramava a concorrência.

Mas, não fosse o diabo tecê-las, o melhor era arranjar uma boa desculpa para evitar as consequências, se algo corresse mal tramava-se os políticos, se alguém fosse preso havia que ter um memorando bem guardadinho, a prova de que o homem de cima sabia. Isto é, se nos tramarem também estão tramados. E até parecia que a Cristas é bruxo, há meses que anda a dizer que a culpa era do ministro e do primeiro-ministro. Então não acontece que com o tal memorando de quem ninguém sabia até parece que o CDS tem um dedo que adivinha?

O problema agora é saber como é que o ilustre advogado Sá Fernandes consegue transformar os truques em argumentos que transforme o seu arguido honrado e inocente, porventura será condecorados porque tudo fez pensando estar a servir a nação.Tudo isto faz lembrar a ida do Raúl Solnado à guerra de 1908!

quinta-feira, outubro 25, 2018

A LITERATURA POLÍTICA DE CORDEL DE CAVACO SILVA


Ainda bem que Cavaco Silva faz questão de aparecer de vez em quando, há uma tendência para considerarmos que à medida que os velhinhos fiquem cada vez mais dóceis e simpáticos, imagem que é frequentemente aproveitada no marketing, como o velho anuncio dos pudins Boca Doce. Por outro lado, também é verdade que o tempo faz-nos esquecer muitas coisas, incluindo os defeitos de outros, as maldades que nos fizeram ou a forma como governaram.

Ao aparece de vez em quando Cavaco Silva ajuda-nos a impedir que nos esqueçamos da personagem, daquilo que ele foi como primeiro-ministro, do desempenho miserável que teve na Presidência da República. A raiva de Cavaco Silva que ele próprio decidiu divulgar em fascículos ajuda-nos a não o esquecer e a lembrarmos o presidente que era alvo de escutas telefónicas, que se queixava de não ter dinheiro, do investidor no BPN e de muitos outros episódios.

Mas aquele que agora diz que empurram os problemas com a barriga também foi um antigo primeiro-ministro que com a Manuela Ferreira Leite em ministra as Finanças deixou o país à beira de uma crise financeira. Já nem vale a pena comparar o actual ministro da Educação com a Dra. Ferreira Leite quando foi promovida de directora-geral do Orçamento a ministra da Educação, ainda hoje estão na nossa memória a fila de rabos de estudantes a pedir a sua demissão.

A verdade é que depois de governar dez anos a esbanjar as ajudas comunitárias este Cavaco Silva que agora dá conselhos muito sábios, deixou o Estado com os cofres vazios ao governo de Guterres. Recorde-se que desde então o seu número dois Fernando Nogueira nunca mais foi visto ao seu lado, depois de todo o país ter percebido que Cavaco tudo fez para ele perder as legislativas, convencido de que dessa forma sinistra teria mais possibilidades de ganhar as presidenciais.

Cavaco está esquecido de quando pagou parte dos vencimentos dos funcionários públicos em título dos Tesouro ou da tentativa de despedimento em massa de funcionários públicos, muitos dos quais foram nessa ocasião incluídos em listas de excedentários. Cavaco está esquecido de quando eliminou os mecanismos de protecção da agricultura portuguesa, acelerando a integração n Política Agrícola Comum, para fazer entrar os produtos agrícolas europeus a preços mais baixos, na esperança de fazer baixar a taxa de inflação. Cavaco está esquecido do mau primeiro-ministro que foi.

Ainda bem que Cavaco faz questão de vir a público recordar-nos os seu passado como político e como governante.

quinta-feira, outubro 18, 2018

NATURALMENTE RIDÍCULOS E PERIGOSOS


Confesso que não um grande admirador do Dr. Carlos Alexandre, não sei bem porquê a personagem irrita-me, nada dele me parece brilhante, as suas declarações encenadas não têm grande conteúdo que ultrapasse as fronteiras do se ego. Mas envergonha-me uma justiça onde vejo um juiz a fazer queixinhas aos jornalistas, deixando transparecer que queria um determinado processo para ele, como se só ele estivesse à sua altura.

Parece que de um momento para o outro todos são defensores do juiz natural e receio que alguém se lembre de pedir que no caso Sócrates se volte a iniciar o processo, convidando a FIFA a realizar o sorteio com bolinhas, cabendo ao Messi tapar os olhos e recolher a bolinha. Mas se o sorteio não resultar na escolha do carlos Alexandre teremos de verificar se haviam dois nomes, se as bolinhas eram rigorosamente iguais, se o vidro da tombola não tinha alguma rugosidade e se o Messi não foi trocado por algum sósia ilusionista, o que implica conferir o DNA ou mesmo os sinais na pilinha.

Tudo isto é ridículo porque enquanto o Dr. Carlos Alexandre ia construindo a sua imagem de justiceiro da Nação num Ticão em que era o único juiz, ninguém se lembrou de sorteios ou do juiz natural. Por outras palavras, enquanto o juiz era naturalmente o Dr. Carlos Alexandre ninguém se preocupou com os sorteios ou com o número de processo que o juiz natural tinha. Apesar das razões de queixas de Sócrates ninguém e muito menos a associação dos juízes veio em defesa de Sócrates, com tal arguido os bons princípios podia ir para as urtigas dos campos de Mação.

Mas quando o mesmo arguido teve direito ao sorteio para a escolha do juiz natural já surgiram dúvidas, o mesmo juiz natural de todos os processos foi o primeiro a vir com dúvidas logo aproveitadas pelos Diabos e diabretes da praça.

Esta justiça que se expõe na praça, discutindo de forma miserável os seus próprios truques, os mesmos truques que aliviam culpados e podem ajudar a tramar inocentes, é um motivo de vergonha para a democracia. Toda esta gente é naturalmente ridícula, mas também é naturalmente perigosa para a democracia e as suas instituições, a começar pela Justiça.