domingo, Outubro 26, 2014

Umas no cravo e outras na ferradura



   Foto Jumento


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Coche no Campo das Cebolas, Lisboa
  
 Jumento do dia
    
Paula Teixeira da Cruz

O relatório que a ministra enviou para a PGR não foi o resultado de qualquer inquérito ou investigação, foi um relatório elaborado por um órgão em que ela própria manda e ao qual podem ser assacadas as responsabilidades directas pelo desastre do Citius. Mas nada disto foi explicado na comunicação social, a ministra lançou a teoria da cabala e este relatório permitiu lançar a suspeita de que os problemas não resultaram da incompetência da ministra mas da intervenção de mão criminosa.

É óbvio que a PGR ão vai responder de forma atempada e enquanto se investiga ou não se investiga passa a ideia, ao mesmo tempo que os responsáveis pela gestão do Citius lançam um inquérito do qual resultará certamente um culpado de serviço.

Se é este o fim da impunidade que a ministra defende eu vou ali e já volto. Entretanto, o PS mantém-se em total silêncio, sinal de que as amizades pessoais ainda estão acima das diferenças políticas e do interesse nacional?

«A ministra da Justiça, Paula Teixeira da Cruz, enviou nesta sexta-feira à Procuradoria-Geral da República (PGR) um relatório que explicará o que terá provocado o colapso da plataforma informática Citius. O documento, elaborado pelo Instituto de Gestão Financeira e Equipamentos da Justiça (IGFEJ), foi entregue ao final do dia, confirmou ao PÚBLICO a PGR. O inquérito no âmbito de um eventual processo-crime ainda não terá sido aberto.

O ministério decidiu também abriu um inquérito interno para apurar responsabilidades disciplinares. Paula Teixeira da Cruz sempre disse que possíveis demissões aconteceriam apenas depois de comprovadas as responsabilidades no colapso.

O relatório conterá, segundo o jornal i, indícios de que as chefias intermédias terão omitido informações importantes durante a preparação do sistema informático para a nova reforma judiciária e consequente migração de processos. No despacho enviado à PGR, o Ministério da Justiça diz que encontrou “indícios de prática de ilícitos de natureza disciplinar e eventualmente criminal”.» [Público]

 Cidadãos do Califado

Os cobardolas, muito deles com boa idade para trabalharem, que foram matar sírios pelo prazer de matar e bem pagos por um califado com o dinheiro do crude de contrabando perceberam que os melhores tempos do califado acabaram. Perseguidos pelos ataques aéreos e em com medo de acabarem nas mãos dos sírios, sejam os da oposição, os do Assad ou dos curdos descobriram que, afinal, não são cidadãos do novo Estado Islâmico mas sim europeus, esperando o apoio dos governos para que os tirem da Síria e do Iraque.

Faz sentido manter a nacionalidade europeia a cidadãos que foram combater em nome de um novo Estado e que nunca esconderam o ódio e a disponibilidade para atacar os seus países?

 Ana Vidigal - Luanda

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 Uma pergunta ao coordenador Paulo Portas

Se os portugueses já podiam ter recebido em 2014 o reembolso de parte da sobretaxa de IRS e em 2015 poderiam ser reembolsados da totalidade da sobretaxa paga em 2014 porque razão o governo adiou o reembolso para 2016 e ainda por cima com base em cenários ultra optimistas?

      
 O valor da boa-fé numa sociedade que se pretende civilizada
   
«Se há causa a que eu adiro sem reservas é a dos trabalhadores com reformas antecipadas do Metro de Lisboa, que viram as suas reformas cortadas unilateralmente do complemento de reforma que a empresa lhes atribuiu para os incentivar a reformar-se. Não se espantem, parece uma causa laboral como as outras, mas é mais do que as outras. É diferente.

Não é uma questão de “direitos adquiridos”, embora também o seja. Não é uma questão do cumprimento dos contratos livremente feitos, do sacrossanto princípio jurídico do pacta sunt servanda, embora também o seja. Não é questão de justiça social, embora também o seja. Não é sequer uma questão de austeridade, de repartição de sacrifícios, de acabar com uma situação de privilégios numa empresa pública. É uma causa cívica em que está em jogo um princípio moral que deveria ser a base da nossa sociedade democrática: a boa-fé.

Um dos piores dos meus anátemas contra este Governo é exactamente a destruição dessa boa-fé, como se fosse o acto mais normal do mundo, como quem respira, sem pensar duas vezes, até sem atenção, nem sequer preocupação pelos efeitos não apenas nas vítimas dos seus actos, mas no tecido social e nos laços que unem as pessoas numa sociedade civilizada e numa democracia em que todos somos proprietários e penhores do mesmo poder. Este à-vontade e esta indiferença pelo que é e significa a boa-fé vai ficar como uma mancha para o presente e para o futuro no tónus moral destes tempos.

Os trabalhadores reformados do Metro, muitas centenas de pessoas, incluindo pessoal qualificado, técnicos superiores, quadros administrativos, maquinistas, mecânicos, electricistas, pessoal da manutenção, etc., têm tudo contra eles. Nunca verão a sua causa chegar ao comentário mais fino dos grandes mestres da comunicação política televisiva, e não merecerão sequer qualquer atenção dos órgãos de comunicação social, para quem eles são um grupo, entre os muitos dos que protestam nestes dias, desvalorizados pelo desprezo que há nas redacções com as reivindicações laborais. Eles, insisto, têm tudo contra si.

São reformados, logo privilegiados em potência à luz dos alvos governamentais dos nossos dias. Mais: são muitos deles, reformados com idades a partir dos 55 anos, ou seja anteciparam as suas reformas, tornando-os assim preguiçosos potenciais que vivem “à custa dos jovens que não irão ter reforma quando forem velhos”. Violam esse conceito sinistro da “justiça geracional”, inventado por Passos Coelho e pela JSD, para culpabilizar os mais velhos. (Veremos depois porque é que se reformaram tão cedo). São trabalhadores do Metro, uma empresa pública de má fama, onde há greves “que prejudicam os utentes”, gerida pessimamente por várias administrações politicamente nomeadas, mas onde os prejuízos são sempre culpa dos trabalhadores. E tanto mais culpados quanto mais protestam e quanto maior for a mobilização do seu protesto. Muitos são sindicalizados, um crime nos dias de hoje. Numa altura em que as empresas públicas, de transportes em particular, são um alvo ideológico atirado à opinião pública, estes trabalhadores reformados, insisto reformados, têm que apresentar as suas queixas no meio de imenso ruído. Ou seja, ninguém os ouve.

O que é que aconteceu a estes reformados e como é que chegaram a esta situação? Foi política de gestão dos recursos humanos de várias administrações do Metro incentivar os trabalhadores a fazerem reformas antecipadas. A empresa entendia que ficava mais barato que os trabalhadores que fizessem 55 anos se reformassem, do que se ficassem no activo, diminuindo assim o número de trabalhadores do Metro. Outras empresas públicas (como a Carris) fizeram o mesmo, mas sem a dimensão do Metro, e algumas delas encontraram maneira de tornear os efeitos da reversão das políticas.

Para incentivar essas reformas antecipadas garantiu-se aos trabalhadores que receberiam um complemento de reforma de modo a não perderem dinheiro no acto da reforma, inclusive pelo facto de esta ser antecipada. Não era uma política de opção empresarial indiferente, visto que foi prosseguida agressivamente pela empresa, com a publicação de listas dos trabalhadores com mais de 55 anos e cartas individualizadas a quem perfazia essa idade com as condições excepcionais que lhes eram atribuídas para os levar a reformarem-se. Estas passagens à reforma, que incluíam um complemento de reforma, foram negociadas em inteira liberdade (se exceptuarmos a pressão do Metro para as reformas antecipadas) e eram coerentes com os acordos vigentes na empresa, também livremente negociados. Centenas de trabalhadores reformaram-se, muitos dos quais já na vigência do actual Governo. Um deles disse numa entrevista que estas medidas "sempre foram incentivadas pelo Governo e própria empresa, para aliciar os empregados a aceitarem a pré-reforma e saírem da empresa". Tudo foi feito pelo maior bem da empresa, da boa gestão e da saúde da economia, com E grande, como agora se escreve nestes tempos.» [Público]
   
Autor:

Pacheco Pereira.

      
 Ricardo Salgado tem passaporte para o Inferno
   
«A crise do Grupo Espírito Santo arrastou quatro instituições católicas, que subscreveram empréstimos obrigacionistas. Foi o caso das "Irmãs Hospitaleiras do Sagrado Coração de Jesus no Espírito Santo". Esta IPSS, assim como a sua proprietária, a "Província Portuguesa da Congregação de Irmãs Hospitaleiras do Sagrado Coração de Jesus", colocaram quase um milhão de euros em obrigações da Espírito Santo Financial (Portugal), a holding que controlava o setor financeiro e os seguros do grupo Espírito Santo. Agora, ambas e mais 158 pessoas e empresas estão no Tribunal do Comércio de Lisboa a reclamar, ao todo, 330 milhões à ESF.

Segundo a última lista de credores da ESF entregue ao tribunal, há dois créditos obrigacionistas reclamados pela IPSS. Um em nome da Província Portuguesa Congregação Irmãs Hospitaleiras do Sagrado Coração de Jesus, de 448 mil euros. O segundo em nome do Instituto Irmãs Hospitaleiras do Sagrado Coração de Jesus, no valor de 502 mil euros.» [DN]
   
Parecer:

O que mais impressiona nestes números é a dimensão da riqueza destas humildes freirinhas.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sugira-se ao Ricardo que comece ja a rezar uns terços.»
  
 Povo piegas e com jornalistas preguiçosos
   
«Passos Coelho acredita que tem sido criticado injustamente pelos críticos, por comentadores, mas também pela comunicação social: “Tantos são preguiçosos. É verdade, preguiçosos”, disse este sábado de manhã nas jornadas parlamentares do PSD/CDS que decorrem na Assembleia da República.

O primeiro-ministro, que fez um discurso com um tom agressivo e crispado, começou logo no início do discurso a comparar as contas deste Governo com o passado dizendo que agora são “transparentes” e “coerentes”. E foi neste seguimento que referiu que no espaço público têm sido ditas “inverdades como punhos” e que “é pena que neste exercício de coerência tantos sejam preguiçosos. É verdade, preguiçosos e às vezes orgulhosos”.

Se à primeira ideia, Passos Coelho estaria a referir-se aos críticos, nos minutos depois alargou o leque e produziu o maior ataque que já fez à comunicação social. Estava a falar da despesa pública – a bandeira deste governo desde início – e disse que só não a diminuiu mais porque a “política de irresponsabilidade” deixou “nas nossas costas um stock de dívida imenso”. “Não foi contraída por nós, e se não fosse o serviço dessa dívida, já hoje Portugal estava a ter um excedente orçamental. Coisa inédita na história da democracia portuguesa”.» [Observador]
   
Parecer:

Este Passos é um jihadista do liberalismo.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»

 Pobre Poiares Maduro
   
«O ministro-Adjunto e do Desenvolvimento Regional, Poiares Maduro, acusou hoje o presidente da Câmara de Lisboa, António Costa, de "incompetência ou má-fé" quando diz que Portugal não está a aproveitar os fundos europeus.» [DN]
   
Parecer:

Agora tem o estatuto de caniche e mandam-no morder no António Costa. Compreende-se, este ministro tem-se revelado de uma tal incompetência que já tem pouca serventia para Passos Coelho que, como se sabem, gosta de bichos.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»

 Grande Cratino
   
«Com o ano letivo já iniciado há sete semanas, os percalços não cessam na pasta dedicada ao Ensino. Entre várias saídas de responsáveis e balanços que não são apresentados, o Ministério da Educação revelou ontem que há 2.500 horários por preencher, ou seja, milhares de alunos que ainda não têm os horários completos, conta o Jornal de Notícias.» [Notícias ao Minuto]
   
Parecer:

100 mil alunos é muita gente.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Demita-se seu Cratino!»
   

 
 The National Geographic 2014 Photo Contest [The Boston Globe]

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sábado, Outubro 25, 2014

As eleições que não interessam a ninguém

O único político que até agora propôs a realização de eleições antecipadas foi Cavaco Silva, em tempos o ainda presidente achou que podia “comprar” o apoio de Seguro a Passos Coelho em troca de umas eleições antecipadas que conduziriam a um governo de aliança entre Seguro e Passos, tutelado por Belém. Naquele tempo Passos Coelho não questionava a constitucionalidade da solução.
 
É muito pouco provável que Cavaco esteja interessado em realizar agora essas elições e é bem provável que se esqueça dos negócios manhosos que propôs no o passado e se esconda atrás dos princípios constitucionais. O pesadelo de Cavaco é ter de vir a dar posse ao governo que ajudou a derrubar, terminando o seu mandato e a sua carreira política de forma humilhante. Resta a Cavaco a esperança de que haja algo que ajude Passos a ganhar as próximas eleições.
 
Paulo Porta luta por todos os meios contra a extinção do CDS e o fim da sua carreira, usa a política fiscal para gerir a sua imagem com o apoio do Núncio Fiscólico e faz os negócios que ainda pode fazer através da pasta da Economia. Para Portas umas eleições antecipadas poderiam ser o seu fim, uma provável maioria absoluta do PS deixá-lo-ia exposto e limitado aos rendimentos e imunidade parlamentar de um modesto deputado.
 
Mesmo depois do reconhecimento dos erros seguido de fuga por Gaspar, o autor da política económica pinochetista de Passos Coelho o ainda primeiro-ministro sonha que um dia ocorrerá mesmo um milagre económico. Sabendo que corre o risco de ver o seu partido reduzido à representatividade eleitoral dos seus liberais de extrema-direita, Passos foge para a frente na esperança de poder vir a mostrar resultados usando o OE2016 como o programa eleitoral nas legislativas.
 
Seria um erro trágico para o PS se chegasse ao poder por eleições antecipadas, assumindo as consequências de uma política de que não foi autor ao mesmo tempo que Passos diria que os resultados não aareceram graças às alterações de política entretanto introduzidas. É do interesse do PS e de todo o país que este ciclo político se concretize para que a direita assuma os resultados do que fez.
 

É do interesse de todos que não ocorram eleições antecipadas.

Umas no cravo e outras na ferradura



   Foto Jumento


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Espantalho na Comporta
  
 Jumento do dia
    
Rui Machete

Quando Rui Macehete se explica dizendo que tudo o que afirmou já tinha sido escrito na comunicação social teremos de concluir que o seu nível de inteligência não lhe permite distinguir entre o que se escreve num jornal e o valor de uma declaração de um ministro dos Negócios Estrangeiros ou então que o país tem um ministro cujo pensamento em matéria de Negócios Estrangeiros é um arrazoado de declarações tiradas de jornais.

«O ministro dos Negócios Estrangeiros, Rui Machete, foi uma das primeiras pessoas a falar na reunião de quinta-feira do Conselho de Ministros para justificar as declarações que fizera em Nova Iorque a propósito dos jihadistas portugueses que querem regressar e que geraram polémica – incluindo uma manchete do DN que dava conta de mal-estar nos serviços de informações e de segurança.

Segundo relato feito ao Observador, o ministro disse que não divulgara qualquer informação de caráter sigiloso, na linha daquela que é a argumentação que usa esta sexta-feira, numa carta enviada ao DN e que o jornal publica. Machete alega que, na entrevista dada à RR a partir de Nova Iorque, menciona apenas dados que são do conhecimento geral da opinião pública através de notícias na comunicação social.

O ministro, nessa carta, diz claramente que “o número aproximado de portugueses que militam no ISIS foi o já referido publicamente e também divulgado por diversos jornais” e que “a referência à existência de famílias portuguesas que lamentam que os filhos tenham viajado para a Síria vem descrita em vários artigos recentes da imprensa nacional”. Machete acrescenta ainda não ter dado “qualquer pormenor que permita identificar pessoas concretas”. Segundo apurou o Observador, esta última questão é a mais delicada nas declarações do MNE – dizer-se que os portugueses jihadistas querem regressar pode pôr em causa a sua vida na organização onde ainda militam ou inviabilizar qualquer tentativa de fuga.» [Observador]

      
 Deixem-se de histerias
   
«As pessoas espantam-se com cada coisa. Agora é porque um tribunal superior diz que nas mulheres a atividade sexual serve sobretudo para a procriação, logo depois dos 50 e já tendo parido dois filhos não poder ter sexo não releva grande coisa para efeitos de indemnização por danos, e dá como assente que uma mulher deve cuidar do marido.

Isto no país e na semana em que, reagindo ao caso do homem que em Soure, Coimbra, matou a mulher e uma filha à facada e deixou outra filha ferida, um porta-voz da GNR disse ao DN: "É difícil perceber, ainda para mais quando se atacam os filhos. Pertence ao domínio da psicologia." Ora bem. Se o homem matasse só a mulher seria mais fácil perceber, até porque é o pão nosso de cada dia, a gente já não estranha (só até junho foram 24, uma por semana) - e, como daquele senhor tão engraçado chamado Palito que, estando com pulseira eletrónica por violência contra a ex-mulher foi de caçadeira para a matar e matou a ex-sogra e a irmã dela por se meterem à frente, diziam os populares (as populares, aliás) que o aplaudiram à porta do tribunal, "se fez aquilo alguma razão teria."

Aliás, como nos lembrou nesta mesma semana e neste mesmo país o presidente da Federação das Associações de Ciganos, contestando um projeto parlamentar de criminalização de casamentos forçados (de menores, portanto), o papel da mulher está muito bem definido e o resto são aberrações que podem levar os homens à loucura e o mundo à ruína: "A cigana é preparada para o casamento. As ciganas aprendem a lavar, a coser, a passar a ferro, a fazer tudo. Ao contrário da sociedade maioritária em que a maioria delas nem sabem fritar um ovo. Até se vê mulheres a conduzir um automóvel e os maridos a conduzir carrinhos de bebé. As nossas são 100% femininas, 100% donas de casa."

O mesmo país em que estas declarações passam sem uma única reação institucional de repúdio (fosse um muçulmano a debitá-las, ui), que é o mesmo país em que uma proposta de criminalizar o assédio sexual das mulheres na rua é acolhida com gozo - o argumento predileto é "só as feias não gostam" - e no qual a quebra da natalidade é invariavelmente imputada à "dificuldade de conciliar maternidade e trabalho", é também o mesmo em que uma loja pode apostar, como estratégia de marketing, num cartaz à porta a dizer "homens e cães podem entrar, mulheres não." Fosse "proibida a entrada a negros", "judeus" ou "ciganos", isso sim, era inaceitável, discriminatório, insultuoso. Mas é com mulheres, pá. Qual é o problema de discriminar e insultar as mulheres, que, toda a gente sabe, já não se podem queixar de falta de igualdade? Se calhar queriam valer mais do que os homens, ou ter um estatuto intocável, não? Um bocadinho de sentido de humor, vá. E digam lá se aquele acórdão, bem vistas as coisas, não é a nossa cara.» [DN]
   
Autor:

Fernanda Câncio.

      
 O país da bandalhice
   
«“O Banco Espírito Santo e a Portugal Telecom eram classificados nas primeiras posições de vários ‘rankings’ de ‘corporate governance’ [gestão empresarial]. As regras formalmente estavam lá, mas não eram cumpridas”. É este o diagnóstico feito por Carlos Tavares dos acontecimentos que levaram ao colapso do Grupo Espírito Santo e aos problemas na Portugal Telecom. O presidente da CMVM nota que “nos EUA ninguém ousa mentir aos reguladores e supervisores”. “Aqui, infelizmente, as penas são ligeiras, se é que há algumas”, lamentou na quinta-feira, durante uma conferência organizada pelo Jornal de Negócios e pela corretora GoBulling, no Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa (ISCTE), em Lisboa.

O presidente da Comissão do Mercado dos Valores Mobiliários (CMVM) alertou que “os modelos podem ser perfeitos, mas não funcionam se as pessoas que os executam não forem as adequadas”, considerando que os gestores, sobretudo, das empresas cotadas em bolsa, têm que ter “ética” e “competência”. “O não cumprimento das regras tem que ser penalizado”, defendeu Carlos Tavares, acrescentando que é necessário “encontrar mecanismos que sejam dissuasores dos maus comportamentos”.» [Observador]
   
Parecer:

O que Carlos Tavares disse é que é mais perigoso investir na bolsa portuguesa do que ir para uma favela do Rio de Janeiro exibir um anel de diamantes, a probabilidade de ficar sem um dedo é maior se o meter no mercado português.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Lamente-se.»
  
 "Vamos brincar aos pobrezinhos"
   
«O eco daquelas palavras ainda perdura. No verão do ano passado, numa reportagem do Expresso na Comporta, um membro da família Espírito Santo falou de um café onde, gracejou, iam "brincar aos pobrezinhos". A frase foi glosada, citada, criticada e irritou muitos membros da família, cujo nome estava a ser afetado por causa de uma frase disparatada de um membro sem qualquer relevo pessoal ou profissional na vida do grupo.

Nessa altura, a crise dentro do Grupo Espírito Santo não tinha ainda rebentado nos jornais, o que aconteceria em setembro, com a primeira notícia sobre os problemas financeiros na Espírito Santo International a ser publicada no Expresso, em setembro. Meses depois, a situação estava já descontrolada. Em abril deste ano, Ricardo Salgado já afirmava numa reunião do Conselho Superior: "Estamos quase pobres". A brincadeira acabara. 

A reunião é relatada na edição de hoje do jornal "i", que cita frases entre aspas dos intervenientes de um plano que visava salvar o Grupo Espírito Santo: Ricardo Salgado e José Honório, curiosamente antigo gestor de Pedro Queiroz Pereira, inimigo frontal de Salgado. Salgado quis José Honório a trabalhar consigo. E para isso precisou de convencer a família a contratá-lo - e pelo preço que o gestor exigia, que implicava um custo de 2,1 milhões de euros por ano.

"Estamos quase pobres, mas se é preciso investir em alguém com estas qualificações é este tipo e não é outro. Não conheço outro em Portugal", afirmou Ricardo Salgado, para persuadir a sua família na contratação de José Honório, que classifica nessa reunião de início de abril como um "tipo brilhantíssimo", segundo cita o "i" desta sexta-feira. » [Expresso]
   
Parecer:

Uma família com sentido de humor.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»

 Ela acredita!
   
«Maria Luís Albuquerque foi a primeira oradora nas terceiras jornadas parlamentares conjuntas do PSD e CDS-PP, que esta manhã começaram em Lisboa, na Sala dob Senado da Assembleia da República. Segundo a ministra das Finanças, "as bases para o crescimento estão construídas, o que permite olhar para o futuro com mais esperança".

As exigências orçamentais impostas ao país nos últimos anos vão agora ser reduzidas, permitindo um aumento de esperança e de melhoria nas condições de vida e de trabalho de muitas famílias, garantiu a ministra.

Confiante numa recuperação da actividade económica, Maria Luís Albuquerque acredita que "com o aumento do salário mínimo e com o aumento do rendimento de muitos pensionistas", as famílias vão poder finalmente ver o seu poder de compra crescer.» [Expresso]
   
Parecer:

Esta rapariga é uma crente.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»

 Jornadas parlamentares: não se fala da "culigação"
   
«As jornadas parlamentares conjuntas entre PSD e CDS, que decorrem entre sexta-feira e sábado, terão um tema sobre o qual não se falará: a coligação. O pedido foi feito pelo líder do Governo. Passos Coelho não quer pôr já na agenda pública o tema e censurou este ponto da lista de pontos em debate, escreve o Diário de Notícias.» [Notícias ao Minuto]
   
Parecer:

Não se fala de nada que possa incomodar.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se a Portas se vai ou não "culigar-se" a Passos.»

 Não, era remediado!
   
«Pedro Passos Coelho está de visita ao Luxemburgo. O programa desta quinta-feira teve na agenda uma visita a uma escola onde a maioria dos alunos é portuguesa. Uma menina surpreendeu o primeiro-ministro e Nuno Crato: “O Passos Coelho também era pobre quando era pequeno?”

A pergunta foi feita a Nuno Crato por uma menina que não teria mais de seis, sete anos. O ministro da Educação, embaraçado e trocando olhares com o primeiro-ministro, respondeu: "Passos Coelho é o primeiro-ministro. Acho que não, acho que não. Não era rico. Que eu saiba não era rico, mas pobre, pobre não era."» [Público]
   
Parecer:

Não era pobre mas era esperto, como se viu depois na Tecnoforma.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se a merecida gargalhada.»

 Falam, falam, mas não dão a cara
   
«As garantias dadas esta quinta-feira por António Costas ao PÚBLICO relativamente à pluralidade nos órgãos nacionais do PS poderão ter travado uma eventual candidatura alternativa à do futuro secretário-geral. Mas fontes afectas a António José Seguro dizem que há pessoas disponíveis, mas para já ninguém quer dar a cara. Os apoiantes do ex-secretário-geral dizem que só decidem se desistem de uma candidatura própria a 6 de Novembro, dia quem que António Costa apresentará a moção ao Congresso de Lisboa.

Mas o agitar de uma eventual candidatura alternativa a Costa não tem apenas a ver com a questão da pluralidade nos órgãos nacionais, vai para além disso. Seguro saiu de cena, mas os seus apoiantes estão activos e temem “o caminho da esquerdização” - é assim que o classificam -, que António Costa está a tomar ao chamar para a liderança do grupo parlamentar Ferro Rodrigues e ao entregar a vice-presidência da bancada a Vieira da Silva. Alguns deles lembravam, de resto, que quem assinou o memorado com a troika foi o PS e que alguns daqueles que defendiam que a dívida devia ser suspensa estão com Costa, numa alusão ao deputado Pedro Nuno Santos que, num jantar de Natal do PS, disse que se estava a “marimbar para o banco alemão que emprestou dinheiro a Portugal nas condições em que emprestou”.

“Com esta gente fica-se com a ideia de uma certa esquerdização no PS e isso é preocupante. Isto é o regresso ao passado e o futuro do país não passa pelo passado”, disse ao PÚBLICO  um apoiante de Seguro nas primárias. A mesma fonte, que pediu para não ser identificada, lembra que o PS quando ganhou eleições foi ao centro e não à esquerda, e adverte que as legislativas de 2015 não estão ganhas. Marinho e Pinto, que lidera o Partido Democrático Republicano, e Rui Tavares, do Livre, vão tirar muitos votos ao PS, acreditam apoiantes de Seguro.» [Público]
   
Parecer:

Porque será que os apoiantes de Seguro não dão a cara pelas suas ideias?
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Cobardolas!»
 Macedo irritado com o Cota das Necessidades
   
«Miguel Macedo tem fama de ser um político ponderado na gestão da sensível pasta que tutela, a Administração Interna. Nada o incomoda mais do que holofotes virados para questões operacionais de segurança nacional. Por isso, fontes próximas do ministro garantiram ao DN que o calmo Macedo não terá conseguido esconder a sua "irritação" quando ouviu o colega, ministro dos Negócios Estrangeiros, falar publicamente daquele que é a mais tabu das suas pastas, o terrorismo.» [DN]
   
Parecer:

O homem tem toda a razão, é preciso ter muita paciência para aturar o cota do ministério dos Negócios Estrangeiros.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se ao cota porque não retira da política.»
  
 Obrigadinho ó Santinha
   
«O ministro da Economia, António Pires de Lima, referiu-se hoje a uma série de "tentações" a que o Governo resistiu, como o aumento do IVA em 2015, das taxas aeroportuárias e das taxas de dormidas.

"Resistimos em Conselho de Ministros à tentação de aumentar o IVA em 2015", afirmou Pires de Lima numa intervenção nas jornadas parlamentares conjuntas do PSD e do CDS-PP, que decorem hoje e sábado na Assembleia da República.» [i]
   
Parecer:

Para a Santinha da Horta Seca os portugueses devem estar gratos ao governo pelo que de bom faz, mas também e sobretudo pelo que de mau não faz.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sugira-se ao senhor que regresse às Super Bocks.»
  

   
   
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