Quarta-feira, Julho 15, 2009

Umas no cravo e outras na ferradura

FOTO JUMENTO

Alfama, Lisboa

JUMENTO DO DIA

Manuela Ferreira Leite

Toda a gente sabe que Manuela Ferreira Leite não é grande defensora de apoios sociais e que há poucos dias cometeu um excesso de linguagem e levou os portugueses a pensar que ia rasgar as políticas sociais. Mas a própria Manuela Ferreira Leite sabe muito bem que as políticas sociais foram adoptadas por governos do PS pelo que tinha que atacar neste domínio para lavar a sua própria face.

Como tem uma pedra no sapato a Dona Verdade descobriu uma forma de namorar os que mais precisam de apoios sociais, critica o governo acusando-o de falhar na aplicação dos apoios sociais, enfim, o governo é criticado por ter cão e por não ter cão.

Acusações destas vinda de alguém alérgico a apoios sociais cheira que tresanda a falta de honestidade social, a Dona Verdade ainda vai ser conhecida por Dona Mentira.

AVES DE LISBOA

Corvo-marinho-de-faces-brancas [Phalacrocorax carbo]
Local: Terreiro do Paço

FLORES DE LISBOA

Jardim da Fundação Calouste Gulbenkian

A TRISTEZA TITULAR

«Nos jornais é como na vida, só que depressa de mais para se perceber a parecença. A melancolia não vem da desilusão que se segue à esperança. Nem sequer da sucessão de esperanças e desilusões. A melancolia vem da consciência de estar dentro de um ciclo inescapável de esperanças e desilusões, como um chumbinho dentro de um rolamento que está dentro de uma máquina de lavar roupa e que vê entrar e sair outros objectos como ele (moedas e berlindes) enquanto ele fica ali preso a ser atirado de um lado para o outro, sempre sem mandar no seu destino.

No desporto é que esta semelhança se nota mais. No PÚBLICO de sábado, o título era: Portugal parte como favorito para o Europeu de sevens. Ontem era: Portugal não foi além do sétimo lugar no Europeu de sevens.Foram só dois dias. Mesmo quem não se interessa por râguebi é apanhado pela insólita associação da palavra Portugal à palavra favorito. Mas fica sabendo que, nas últimas sete edições, Portugal ganhou o título seis vezes.Aparece sempre uma cifra que parece mágica só para nos atormentar e fazer crer que podemos desvendar o que se passou. Aqui foi logo o mais popular: o 7.

Também há melancolia quando se deixa de correr atrás destes falsos sinais. ´

No sábado, "favoritos". Ontem, "a pior classificação de sempre". Agora Portugal só ganhou 6 em 8 edições. Só foi campeão europeu 75 por cento das vezes. De quatro em quatro campeonatos, falha um. É muito triste. » [Público assinantes]

Parecer:

Por Miguel Esteves Cardoso.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Afixe-se.»

A VERDADE SOBRE A GESTÃO DE SANTANA LOPES EM LISBOA

«Pedro Santana Lopes (PSL) e PSD aproveitam o facto de o tema das finanças da Câmara Municipal de Lisboa (CML) ser complexo e desconhecido para a maioria dos cidadãos e jornalistas para lançar a confusão sobre a gestão financeira de Santana da autarquia.Até agora, PSL tem feito declarações soltas de como tem sido perseguido por "um mito" de que tinha deixado um buraco na CML. Nada de extraordinário em período de campanha eleitoral. Mas [no passado dia 7 de Julho] Miguel Frasquilho (MF), deputado do PSD, decidiu defender o indefensável e passar a artigo de opinião [Sobre a gestão Santana Lopes em Lisboa, PÚBLICO, 6.7.2009, e carta ao director A gestão Santana Lopes em Lisboa, PÚBLICO 7.7.2009], com números e percentagens, a tese do mito:

1. MF compara a despesa executada nos vários anos, chegando à conclusão de que a que corresponde aos anos de Santana presidente não foi assim tão avultada.

Esquece-se que esses números correspondem a "despesa paga" e não a "despesa feita". O problema financeiro criado não está no facto de se ter mantido ou mesmo diminuído o valor das despesas pagas, mas sim de ter aumentado muito o valor da despesa incorrida, uma paga, outra por pagar, aumentando, por conseguinte, as dívidas a fornecedores.

Se era o "despesismo" que se queira analisar, talvez valesse a pena olhar antes para a Demonstração de Resultados e ver que os Custos e Perdas Operacionais cresceram EUR 73,4 milhões entre 2001 e 2004.

A verdade é que as Dívidas a Fornecedores (curto prazo) eram de EUR 54,5 milhões em 2001 e subiram 259%, para EUR 196,7 milhões, em 2004.

2. Ainda na área da despesa, Santana e Frasquilho consideram sempre importante sublinhar que "o quadro de pessoal foi emagrecido". Esquecem-se de outros números. Se o quadro da Administração Pública teve menos admissões do que saídas, já o contingente de avençados e assessores de todo o tipo disparou.

Em 2001, não havendo números oficiais disponíveis, os "prestadores de serviços" seriam cerca de 400. Segundo o Relatório de Gestão da CML, em 2004, já eram 1.365. A título de exemplo comparativo, note-se que o Relatório de Gestão de 2008 indica a existência de 196 "prestadores de serviços".

3. MF compara números agregados de 3 anos em que PSL foi presidente (2002-2004), com números agregados de Carmona presidente e António Costa presidente (2005-2008).

Esta é uma peça-chave da estratégia de PSL, que, em minha opinião, não é séria. Quando PSL saiu da CML para S. Bento, alteraram-se as políticas e as práticas que estavam a ser implementadas? Houve uma substituição da equipa que dirigia o executivo para além da natural "promoção" do seu vice-presidente Carmona Rodrigues? Não voltou Santana à CML por alguns meses, depois de ter sido demitido de primeiro-ministro? E quando Carmona se candidatou à câmara nas eleições de Outubro de 2005, não se candidatou nas listas do PSD?

Porque junta então Frasquilho, para efeitos de análise, todos os mandatos de 2005 a 2008? Mesmo se quiserem renegar o mandato que se iniciou em 2005, em que o PSD venceu as eleições em Lisboa, creio que PSD e PSL deverão, no mínimo, assumir todo o "mandato santanista", até finais de 2005, assumindo também os números da sua gestão, sem atirar as culpas para o passado. Economista no gabinete do vereador José Sá Fernandes

Nota: Sobre os valores do passivo, tem sido utilizado o argumento de que foram inseridos nos exercícios que vão de 2002 a 2004, valores de compromissos mais antigos. Efectivamente, esta prática, que é normal - ainda este ano foi introduzido no passivo o resultado da regularização contabilística com a Sociedade Gestora da Alta de Lisboa, com um impacto de EUR 167 milhões -, exige maior cuidado na análise dos passivos, mas não altera a realidade. Aliás, neste âmbito, sobre alguns números utilizados por PSL, há que esclarecer, por exemplo, que as dívidas relacionadas com a Parque Expo só entraram no passivo depois do mandato 2002-2004, que PSL assume como sendo o seu. Por outro lado, os EUR 185 milhões, relativos ao Programa Especial de Realojamento, tinham já entrado no passivo, na sua quase totalidade, até ao ano de 2001.» [Público assinantes]

Parecer:

Por Bernardino Aranda.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Afixe-se.»

É PRECISO TER LATA

«A líder do PSD, Manuela Ferreira Leite, considerou esta terça-feira que existem em Portugal bons instrumentos de apoio social, mas criticou o actual Governo por falhar na aplicação dos mesmos.» [Correio da Manhã]

Parecer:

Quem houve falar Manuela Ferreira Leite ainda pensa que é uma freira sem hábito ao serviço da Caritas.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sugira-se à Dona Verdade que seja mais honesta nas críticas que faz.»

ALEGRE DIVIDIDO

«O ex-candidato presidencial Manuel Alegre fez hoje um apelo para que seja celebrado um acordo político entre as candidaturas do PS de António Costa e a independente de Helena Roseta para a Câmara de Lisboa.» [Diário de Notícias]

Parecer:

Se bem me lembro Roseta concorreu ressabiada e apoiada por alegristas depois de a sua oferta para se candidatar pelo PS ter sido rejeitada.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se a Alegre se está preocupado com a candidatura de António Costa ou com um fraco resultado eleitoral de Helena Roseta.»

MORREU PALMA INÁCIO

«Combatente antifascista e amante da liberdade, Hermínio da Palma Inácio faleceu hoje, aos 87 anos, na Associação Casapiana de Solidariedade (junto do Estádio Pina Manique), onde estava internado. » [Diário de Notícias]

Parecer:

Ao contrário de outros que fizeram oposição de poltrona Palma Inácio foi um opositor ao regime salazarista que nunca cobrou ao país tudo quanto lhe deu.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Paz à sua alma.»

PCP ALINHA NA INSINUAÇÃO CAVAQUISTA

«"Merece crítica a forma como o Governo forçou e está a forçar neste final de legislatura a Assembleia da República a discutir apressadamente e sem espaço de ponderação suficiente inúmeras propostas de lei. Ao que parece, quatro anos e meio de legislatura não chegaram ao Governo para planear o seu trabalho legislativo e vem agora impor, em período totalmente desaconselhável, a aprovação de um conjunto significativo de leis", afirmou hoje o líder da bancada comunista, Bernardino Soares, em conferência de imprensa para fazer um balanço da actividade legislativa.» [Diário de Notícias]

Parecer:

Isto é puro oportunismo, o PCP limita-se a explorar o impacto da insinuação de Cavaco Silva.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte ao admirador da Coreia do Norte se o PS violou a Constituição.»

HELENA ROSETA QUER SER NÚMERO DOIS DE ANTÓNIO COSTA

«A vereadora Helena Roseta vai decidir nos próximos dias se estabelece ou não um acordo com António Costa e o Partido Socialista para as eleições autárquicas de Outubro. Segundo o PÚBLICO apurou junto de pessoas próximas do movimento Cidadãos por Lisboa, estarão em causa dois lugares elegíveis, incluindo o número dois da lista do PS.» [Público assinantes]

Parecer:

Eu dava-lhe um corno e a ponta do outro.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Faça-se a sugestão a António Costa.»

ALEXEI ROMANOV

LIVESTRONG

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Terça-feira, Julho 14, 2009

Os partidos portugueses: o PS (2)

Do ponto de vista organizacional o PS é uma combinação estranha entre os clãs medievais, as castas indianas e um bordel espanhol. Mais do que partilharem uma ideologia os militantes do PS assumem valores semelhantes e organizam-se em torno de líderes de clãs que ora se guerreiam, ora se unem para fazer face ao inimigo externo. Só quando o inimigo está nas suas fronteiras é que reúnem forças, mesmo assim, lembrando o jogo de alianças das tribos árabes no tempo das cruzadas, é possível ver um Manuel Alegre juntar-se ao BE e namorar o PCP para compensar a falta de forças para dominar os restantes clãs.

No PS não se sobe por mérito, não existe o conceito de militante de base, adere-se ao partido e entra-se directamente para as fileiras de um dos senhores feudais, o futuro político do militante depende do sucesso do seu senhor. O caso de Manuel Alegre exemplifica bem esta característica do PS, uma boa parte dos militantes que apoiam as ambições e o exercício de vaidade pessoal de Manuel Alegre estão dispostos a abandonar o PS para fundarem o PRD alegrista no dia em que o chefe decidir. Para os militantes de Alegre formar um novo partido não é mais do que declarar a independência de um principado.

Esta organização em torno de clãs, ou mais precisamente de principados, leva a que o PS seja um partido fortemente classista, quase organizado em castas. Os herdeiros dos príncipes entram directamente para altos cargos, deputado ou assessor ministerial, os outros servem para fazer número nos comícios e arruadas. São estes tiques monárquicos que justificam a rápida ascensão de algumas personalidades, João Soares é o exemplo mais emblemático disso.

Num partido onde o mérito é desprezado em favor nas relações pessoais e da cor do sangue é natural que a consideração pelos eleitores não seja muita, o eleitor é o cidadão comum que de vez em quando vai votar e cuja opinião pode ser manipulada por meia dúzia de outdoors. Os senhores dos clãs sentem-se donos de quotas de eleitores, é o caso de Manuel Alegre que ainda hoje anda armado em dono da vontade dos eleitores que votaram nele nas eleições presidenciais.

Compreende-se facilmente a desorientação e o desânimo que se instalou em muitos militantes do PS com o resultado das eleições europeias, organizado em clãs o partido é incapaz de reagir colectivamente à adversidade. Os militantes de base esperam ansiosamente pelas ordens do chefe do seu clã e muitos destes chefes ainda não decidiram se apoiam Sócrates ou se, por mera vingança depois de se terem sentido prejudicados com a partilha dos despojos da última batalha eleitoral, o deixam entregue à derrota.

A verdade é que o PS ganha mais eleições graças ao apoio de independentes que mobilizam a sociedade do que pela competência e prestígio dos seus dirigentes. Independentes que rapidamente são esquecidos na hora da partilha dos cargos governamentais ou, como sucedeu no tempo de Guterres, são acusados de todos os males.

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Umas no cravo e outras na ferradura

FOTO JUMENTO

Rancho Folclórico em Belém, Lisboa

A MENTIRA DO DIA D'O JUMENTO

Aconselhada pelo velho maoista Pacheco Pereira a líder do PSD também vai escrever o seu livro de citações, tal como fez Mao com o seu Livro Vermelho, o pequeno livro onde de citações do antigo líder chinês, um verdadeiro manual de conquista do poder.

Mas Ferreira Leite é uma mulher moderna ainda que não pareça e em vez de um livrinho vai produzir uma longa metragem, contando desde já com o apoio de José Eduardo Moniz que se dispôs a realizar e a dedicar-lhe uma edição do "Jornal Nacional" de Manuela Moura Guedes.

Para já está a ser produzido o guião com os momentos mais altos da luta pela conquista do poder que tem sido protagonizada por Manuela Ferreira Leite desde que iniciou a longa Marcha desde o Palácio de Belém até ao Palácio de São Bento, à frente de uma guerrilha onde se podem ver magistrados, jornalistas, conhecidos economistas, contando ainda com o apoio implícito de líderes de outras forças de guerrilha, como Jerónimo de Sousa, Francisco Louçã e Manuel Alegre.

Aqui ficam algumas passagens do guião:

Sobre Santana Lopes:

«Em entrevista ontem ao "Jornal de Notícias", a candidata respondeu "obviamente que não lhe respondo" à pergunta "Votou Santana Lopes em 2005?", o que motivou severas críticas de Santana Lopes.» [Público 12-05-2008]

Sobre o emprego gerado pelas obras públicas:

«"[Ao] desemprego de Cabo Verde, desemprego da Ucrânia, isso ajudam. Ao desemprego de Portugal, duvido". "Nós temos jovens licenciados desempregados: não está a querer mandá-los para as obras públicas? Nós estamos com pessoas entre os 40 e 50 anos desempregados, [que eram] empregados administrativos", apontou. » [Público 2-11-2008]

Sobre o casamento gay:

«"Eu não sou suficientemente retrógada para ser contra as ligações homossexuais. Aceito. São opções de cada um, é um problema de liberdade individual, sobre a qual não me pronuncio".

"Pronuncio-me, sim, sobre o tentar atribuir o mesmo estatuto àquilo que é uma relação de duas pessoas do mesmo sexo igualmente ao estatuto de pessoas de sexo diferente".

"Admito que esteja a fazer uma discriminação porque é uma situação que não é igual. A sociedade está organizada e tem determinado tipo de privilégios, tem determinado tipo de regalias e de medidas fiscais no sentido de promover a família".

"Chame-lhe o que quiser, não lhe chame é o mesmo nome. Uma coisa é o casamento, outra é outra coisa qualquer",» [3-07-2008]

Sobre a democracia:

«Quando não se está em democracia é outra conversa, eu digo como é que é e faz-se. E até não sei se a certa altura não é bom haver seis meses sem democracia. Mete-se tudo na ordem e depois então venha a democracia» [Portugal Diário 18-11-2008]

JUMENTO DO DIA

Sarsfield Cabral

De um economista espera-se rigor nas análises, é a isso que Sarsfield Cabral tem feito nos seus artigos publicados no Público. Mas parece que sem o afirmar expressamente Sarsfield Cabral entrou na luta eleitoral de forma subliminar, de onde se conclui que Ferreira Leite é quem fala verdade e como se isso não bastasse cria um cenário da sua iniciativa para mais facilmente atacar o PS.

Só que Ferreira Leite sabe tão bem quanto todos os portugueses de que Manuela Ferreira Leite nunca teve o hábito de falar verdade. Se gosta assim tanto de Ferreira Leite que diga objectivamente a sua preferência, mas quando fala de economia deve ser mais rigoroso e recordar que foi este governo que controlou as contas públicas, além disso tornou as contas transparentes, algo que não sucedeu com Ferreira Leite que mentiu quanto ao défice.

Se Sarsfield Cabral confia tanto na política de verdade de Ferreira Leite que nos conte o que sabe, por exemplo, sobre o negócio ruinoso da venda das dívidas fiscais.

AVES DE LISBOA

Juvenil de galinha-d'água [Gallinula chloropus]
Local: Jardim da Fundação Calouste Gulbenkian

FLORES DE LISBOA

Jardim da Fundação Calouste Gulbenkian

PERCEPÇÕES E REALIDADES

«E, todavia, António Barreto saudou o SNS, nos seus trinta anos, como a jóia da coroa da democracia portuguesa. Com toda a razão, se olharmos à saúde da mãe e da criança, à redução dos acidentes de trânsito e de trabalho, à redução das taxas de letalidade no enfarto e nos acidentes vasculares e até ao prolongamento da vida dos doentes com cancro. O estudo que Villaverde Cabral apresentou, há dias, sobre a percepção dos cidadãos acerca do SNS não só confirmou a melhoria de opinião dos frequentadores do SNS sobre os serviços e a sua qualidade, muito diversa nos que não o utilizam, como trouxe a agradável surpresa de cada vez maior consciência sobre a saúde e a necessidade de a defender e promover, apesar da menor tolerância ao desconforto da espera em cirurgia e especialidades. Aqueles que descriam das reformas dos últimos quatro anos, apodando-as de neoliberais, verem a contenção em 11% do número de seguros de saúde, o aumento do número de utilizadores do serviço público de 85 para 90% e a redução em sete pontos percentuais do número de cidadãos sem médico de família, não deixará de ser uma surpresa feita de preconceitos contra reformas necessárias e realizadas. Por exemplo, nos cuidados primários, incluindo a luta anti-tabágica e a boa execução da lei da IVG reduzindo o aborto clandestino, nos cuidados continuados, no cheque-dentista, na cirurgia do ambulatório, na redução de listas de espera, na criação de verdadeiras urgências, na gestão eficiente e rigorosa dos hospitais, na acessibilidade ao medicamento, em preço e local.» [Diário Económico]

Parecer:

Por Correia de Campos.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Afixe-se.»

TENTAÇÕES ELEITORALISTAS

«Nas eleições legislativas de 2002 e 2005 os portugueses foram enganados. Prometeram-lhes que os impostos iam baixar ou não subiriam - e os impostos aumentaram. Já então me parecia que as promessas de facilidades não iriam trazer muitos votos e que uma política de verdade não apenas daria mais legitimidade a quem viesse a governar, como seria eleitoralmente compensadora, porque os portugueses não são tolos. Não o posso provar, até porque quem iludiu ganhou as eleições. Mas agora, depois de ter caído a confiança dos eleitores nos políticos por causa desses enganos, é difícil esperar que os votantes sejam tão distraídos que visões cor-de-rosa rendam nas urnas.

No entanto, as tentações para dourar a pílula persistem. É patente a tendência do PS, que se deverá acentuar até 27 de Setembro, para prever a iminente recuperação económica. As coisas vão muito em breve melhorar - dirão os socialistas ao mais pequeno indicador económico menos desastroso. » [Público assinantes]

Parecer:

Sarsfield Cabral ataca o PS com base na suas próprias suposições.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sugira-se a Sarsfield Cabral que afirme de forma objectiva o seu apoio a Manuela Ferreira Leite em vez d criar cenários para fazer o frete de atacar o PS.»

CAVACO QUER AQUILO QUE NÃO CONSEGUIU

«"Apesar dos esforços dos governos, Portugal enfrenta há vários anos um problema grave nas suas finanças públicas, cuja responsabilidade se encontra mais do lado da despesa do que da receita. A sua resolução deve ser partilhada pelo conjunto das entidades responsáveis pela aprovação, execução e controlo da despesa", afirmou.» [Diário de Notícias]

Parecer:

Esta afirmação parece pretender desvalorizar o trabalho de Sócrates neste capítulo, algo que Cavaco nunca conseguiu enquanto foi primeiro-ministro.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Faz o que eu digo, não faças o que eu faço.»

PORTAS PROMETE CAMPANHA LOW COST

«"A campanha do CDS vai ser low-cost", disse Portas, que falava aos jornalistas à margem de uma acção de campanha na feira de Espinho.» [Diário de Notícias]

Parecer:

Será que quem quiser mudar a água às azeitonas a meio de um comício vai ter de pagar?

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se a Paulo Portas.»

FERREIRA LEITE VAI AO BEIJA-MÃO DA MADEIRA

«Manuela Ferreira Leite participa este ano, pela primeira vez, na festa anual do PSD-Madeira, marcada para o próximo dia 26, no Chão da Lagoa, e que será hoje apresentada no Funchal. Em 2008, e apesar de já eleita presidente do PSD, a líder nacional do partido minimizou o facto de não ter sido convidada, chegando mesmo a manifestar-se contra aquilo a chamou de "política folclórica".» [Público assinantes]

Parecer:

Era de esperar.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sugira-se a Ferreira Leite que beba umas ponchas.»

LINDA CARLSON

SOLETERRE


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Segunda-feira, Julho 13, 2009

Os partidos portugueses: O Bloco de Esquerda (1)

Se eu fosse empresário e os meus produtos tivessem beneficiado da publicidade mais subliminar ou descarada de que beneficiou o Bloco o Bloco de Esquerda estaria a gora a disputar as posições de Belmiro de Azevedo e de Américo Amorim na lista de fortunas da Forbes. O BE não só beneficiou da adesão de muitos jovens jornalistas que o elegeram como alternativa aos partidos tradicionais, como foi levado ao colo pelo PSD do tempo de Durão Barroso, quando o agora presidente da Comissão preferia dar todo o protagonismo da oposição a Louçã, ignorando o PCP pelo seu peso sindical e o PS por ser a alternativa de governo.

Quase todos os dias a comunicação social apresenta as homilias de Louçã como o contraponto às posições de todos os outros partidos, o PS aparece a comentar o PSD, o PSD a comentar o PS, o PCP a comentar as políticas governamentais e o Louça a comentar tudo e todos, incluindo as divergências internas do PS. Louçã é apresentado como um Diácono Remédios da política portuguesa, mas numa versão positiva. Só isso explica que um partido cujo programa são frases soltas de ocasião e sem qualquer organização, dirigido por três personalidades devidamente rodeadas de umas raparigas jeitosas tenha ultrapassado nas urnas um PCP que tem mais poder de organização num único centro de trabalho do que em todo o Bloco de Esquerda.

Como é que um partido que não é capaz de organizar um piquenique no Parque Eduardo VII vence nas urnas um PCP capaz de mobilizar 80 mil pessoas numa manifestação e de organizar o maior evento político do país?

A receita é simples, os líderes da extrema-esquerda trocaram os seus programas por uma nova marca branca da política. O vermelho é a cor do símbolo mas só aparece nos documentos oficiais, o símbolo é um produto de marketing, da bandeira comunista ficou a estrela, símbolo do internacionalismo proletário, mas mesmo essa foi estilizada, deixou de ser uma estrela. As bandeiras vermelhas deram lugar a todas as cores, uma manifestação do Bloco de esquerda parece-se mais com um anúncio publicitário da Vodafone do que com uma manifestação de extrema-esquerda, o vermelho deu lugar ao multicolor, há cores para todos os gostos.

Os líderes da extrema-esquerda deixaram de ter voz grossa, de usar bigode e vestir roupas que se identificam com o proletariado. Em vez de roupas de gente pobre ou a imitar gente pobre usam-se camisas de marca que davam para alimentar uma família operária durante meio mês, em vez das meias maratonas proletárias Louçã prefere o perfume da classe média do Holmes Place da Av. dos Defensores de Chaves. O Trotsky que chefiou o Exército vermelho e que mais tarde foi morto por uma machadada encomendada por Estaline deixou de fazer companhia a Louçã, Estaline deixou de ser exibido como modelo das virtudes marxistas-leninistas para Fazenda e outros herdeiros da UDP e do PCP(R).

O passado é demasiado incómodo, tem demasiados esqueletos, para que o BE tenha referências no passado, ao contrário do que sucede com o PCP que carrega permanentemente um armário às costas. Também não tem futuro porque não convém dizer aos putos da classe média qual o modelo de sociedade defendido pelos velhos trotskistas, estalinistas e afins. O BE apresenta-se sem referência, sem programa, sem modelo de sociedade, em vez de um projecto político prefere apresentar-se como a esquerda moderna, em vez de exibir as suas glórias do passado, como a Albânia de Enver Hodja ou o Cambodja dos Khmers Vermelhos, prefere temas fracturantes como o casamento gay ou a proibição de despedimentos em empresas com lucros.

O Bloco de Esquerda não diz o que os seus dirigentes pensam, em cada momento diz o que os seus alvos eleitorais querem ouvir, as suas posições políticas são seleccionadas como se de um produto alimentar se tratasse, são colocadas no mercado depois de devidamente degustadas por um painel de consumidores representativos. E ao mesmo tempo que o BE vai conquistando a simpatia de jornalistas desejosos de protagonismo e de jovens da classe média sem qualquer memória histórica o Francisco Louçã vai assumindo o seu papel de Virgem Maria da política portuguesa, papel que desempenha tão bem que até um orgulhoso Manuel Alegre aceitou o papel de crente mariano na esperança de chegar a Belém.

PS: na terça-feira o post será dedicado ao PS, na quarta-feira ao PCP, na quinta-feira ao PSD e na sexta-feira ao “PRD”.

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