quarta-feira, junho 29, 2016

Quem quer sanções?

Se as sanções fossem aplicadas com o argumento de que resultavam do programa económico da geringonça alguém acredita que Passos Coelho protestaria indignado como o fez no encontro paralelo ao Conselho Europeu?

Quando a questão das sanções a direita não mostrou muito incómodo, a notícia da sua eventual aplicação coincidiu com a adopção de medidas económicas a que se designou por reversão das medidas extremistas de Passos Coelho e essa coincidência foi aproveitada para sugerir que as sanções resultaram das decisões do actual governo e não do anterior.

Aqueles que tentaram impor que as normas do Pacto de Estabilidade fossem inscrita na nossa Constituição parece terem-se esquecido delas, esqueceram-se de que nos tempos da dureza eram contra qualquer folga ou concessão, dava-lhes jeito prender o país ao seu extremismo. Não defenderam que o limite do défice poderia ser ultrapassado em 0,01% ou em 0,1%, o limite era 1%.

Só que na hora de garantir que ficariam no poder esqueceram-se do rigor orçamental e durante 2015 e sem recuar em nenhuma das suas sacanices económicas deixaram de controlar o défice e permitiram o aumento das gorduras do Estado. A reversão dos cortes de pensões e de vencimentos não eram  uma desgraça e até se apropriaram das consequências de acórdãos constitucionais, chamando a si a autoria política das medidas que foram obrigados a aplicar.

Contando com o apoio maioritário da direita na Comissão, incluindo o comissário português que está lá para servir o PSD, Passos Coelho estava convencido de que as sanções seriam atribuídas à política deste governo. Agora que percebeu que é o Pacto de Estabilidade que ele tanto apoiou que determina a aplicação de sanções em consequência do seu próprio falhanço eis que teve um ataque de histeria em Bruxelas.

Este não é o Passos Coelho que sorria perante a aplicação de sanções ou que o que boicotou um voto unânime do parlamento contra as sanções, este é o Passos Coelho que percebeu que vai ter de ser ele a assumir as responsabilidades e agora que é ele o prejudicado e não apenas o país é que se manifesta preocupado e indignado.

Umas no cravo e outras na ferradura


  
 Jumento do dia
    
Passos Coelho

Ao ouvir Passos Coelho, em Bruxelas, pedindo batatinhas para o Reino Unido no divórcio entre este país e a UE veio-me à memória como este traste tinha voz grossa em relação ao governo grego, nesse tempo o homem estava prenhe de bons princípios e assumia-se como graxista das posições mais
duras da Europa.

Ao ouvir Passos Coelho berrar contra eventuais sanções vieram-me à memórioa as suas primeiras posições sobre essa hipótese, nesse tempo o traste de Massamá não se indignava tanto com a aplicação de sanções, justificava-as com a política do actual governo, esperava que a Comissão Europeia as fundamentasse no programa da geringonça e, nesse caso, as sanções eram bem-vindas. Agora que já toda a .gente estabelece uma relação entre as sanções e os resultados do seu Governo este traste já se indigna.
 
Ainda no passo mês de Maio o traste de Massamá associava as sanções ao actual governo perguntando “Por que é que, no meio de tanto enleio, se fala então de sanções contra Portugal”? Aliás, num gesto de puro cinismo Passos e Maria Luís apelaram à não aplicação de sanções apenas para as associar ao actual governo.
 
O cinismo de Maria Luís ia ao ponto de não se incomodar muito com as sanções, desde que a culpa não lhe pudesse ser atribuída e dizia que  “é extremamente importante clarificar o que poderia ser a base da discussão sobre se deve ou não aplicar sanções a Portugal ao abrigo do Procedimento de Défices Excessivos. Se o racional é o resultado de 2015, já expliquei porque não deveriam ser consideradas”. O problema não eram as sanções, era a identificação da culpa. Na mesma carta que escrevia ao comissário Valdis Dombrovskis o cinismo desta senhora ia ainda mais longe e acrescentava que “é a expectativa de que os desvios [meta do défice e PIB] não serão corrigidos de 2016 para a frente, como patente na previsão da Primavera da Comissão Europeia, então não me caberá apresentar qualquer argumento”. No fundo a senhora dizia "apliquem as sanções, mas digam que a culpa é da geringonça".


 O silêncio do Estado Islâmico

Catarina Martins deve ter ficado muito desiludida. até ao momento nem a senhor Le Pen nem o ISIS veio apoiar a sua ideia de um referendo do Tugaxit.

 Obama e a integração europeia

Quando Obama diz que o processo de integração europeia está interrompido mostra que desconhece que o Reino Unido foi sempre um obstáculo dentro da UE à própria integração europeia. Desde a primeira hora que para o Reino Unido a sua presença na UE foi avaliada em função dos lucros que obtinha. Daqui a cinco anos a UE já esqueceu o Reino Unido, enquanto este vai lembrar-se do Brexit durante muitos anos e a prova é que já o estão a adiar o mais possível.

      
 Governante a caminho da demissão
   
«O secretário de Estado do Ambiente, Carlos Martins, admitiu, ontem ao DN, residir habitualmente em Cascais e não em Tavira, apesar de receber um subsídio de alojamento. O governante afirmou não pretender prescindir desta verba, que lhe foi concedido pelo primeiro-ministro, António Costa, até porque o valor líquido do mesmo, 360 euros, "corresponde ao valor aproximado" dos encargos que tem com o apartamento no Algarve, comprado semanas antes de ter tomado posse a 26 de novembro.

De acordo com a lei, os governantes têm direito a um subsídio de alojamento extra-ordenado, caso tenham residência permanente a mais de 150 quilómetros de Lisboa. Carlos Martins foi, segundo adiantou o semanário Expresso este fim de semana, um dos contemplados com subsídio de alojamento, num despacho de 1 de março de 2015 assinado pelo primeiro-ministro, António Costa.
Porém, o governante está, de facto, a residir na freguesia de Murches, em Cascais, e não em Tavira, morada que indicou para efeitos de atribuição do subsídio. Segundo dados recolhidos pelo semanário, trata-se de uma vivenda com 300 metros quadrados, no condomínio Vila Poente, em Murches, no concelho de Cascais.» [DN]
   
Parecer:

Viver numa vivenda de luxo e pedir aos contribuintes que lhe paguem mais 300 € por mês com base numa mentira é ridículo.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Demita-se o governante por não ter a noção do ridículo.»
  
 Mas que "grande" ansiedade
   
«Ao longo de três anos, Sara Moreira, de 19 anos, natural de Recarei, Paredes, deu entrada 11 vezes nas urgências do Hospital Padre Américo, em Penafiel. Segundo o Jornal de Notícias, de todas as vezes o diagnóstico foi o mesmo: estado de ansiedade. No entanto, Sara viria a morrer dois dias depois da última passagem pelo hospital, em 2013, e a autópsia revelou que tinha alojado na cabeça um tumor com 1,670 quilogramas. Nunca, nas suas idas ao hospital, foi submetida a uma TAC (tomografia axial computorizada) ou uma ressonância magnética, que poderiam ter sido fundamentais para um diagnóstico correto.» [DN]
   
Parecer:

É incrível como tantos médicos de um serviço de urgência despacharam um doente sem fazer qualquer exame, isto quando se tratava de alguém com fortes dores de cabeça e situações de perda de consciência. Estaremos perante negligência, desprezo ou incompetência?
 
Mas não deveria ser apenas o hospital a ser investigado, analisar em 2016 uma morte ocorrida em 2013 significa que algumas entidades andaram três anos a arrastar os pés e essas entidades também deveriam ser responsabilizadas por este atraso inadmissível e revelador de um grande desprezo pelos cidadãos.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Investigue-se.»

 Mulheres simpáticas
   
«Entre cozinhar, passar a ferro e cuidar dos filhos, as mulheres portuguesas afectam todos os dias mais de 1h30m ao trabalho doméstico do que os homens. Isto, mesmo nos casais em que ambos trabalham fora de casa e partilham as despesas. As desigualdades na distribuição das tarefas tornam-se ainda mais vincadas quando consideramos as diferenças do tempo que homens e mulheres despendem no emprego pago: em média, eles trabalham apenas mais 27 minutos por dia.

“Enquanto as assimetrias ao nível do trabalho pago são cada vez menores, no trabalho não pago subsistem, mesmo entre os casais mais jovens, onde continuam a ser as mulheres a orquestrar a vida doméstica, enquanto eles ficam num papel de retaguarda”, aponta Heloísa Perista, coordenadora do estudo Os Usos do Tempo de Homens e de Mulheres em Portugal, desenvolvido, desde Outubro de 2014, pelo Centro de Estudos para a Intervenção Social, em parceria com a Comissão para a Igualdade no Trabalho e no Emprego, e que é apresentado nesta terça-feira, em Lisboa.

Feita a soma, e quando marido e mulher exercem uma actividade profissional fora de casa, as tarefas domésticas e com os filhos exigem em média às mulheres quatro horas e 17 minutos por dia, enquanto para os homens implicam apenas 2h37m. No grupo etário mais jovem (15-24 anos), a assimetria diminui ligeiramente, mas subsiste, com as jovens a registar mais 1h21m por dia do que os homens nas tarefas de casa e com os filhos.» [Público]
   
Parecer:

Enfim,. se assim o desejam...
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»
  

terça-feira, junho 28, 2016

Brexit, a saída pedagógica

As teorias das relações económicas internacionais ignoram o estudo das consequências económicas do abandono de uma união aduaneira, todos os estudos se centram nas consequências, vantagens e desvantagens da construção de zonas de comercio livre. A hipótese com que o mundo se confronta, o abandono de uma união aduaneira por parte de uma grande economia, é uma novidade, até para os pensadores criativos que integram aquilo a que alguém se lembrou de designar por especialistas em ciência política se dedicaram muito tempo a esta hipótese.
  
Como as sondagens apontavam para a permanência do Reino Unido na EU ninguém se interrogou sore as consequências económicas de uma saída. Agora, andam todos a avaliar o impacto e é a própria EU que sugere ao Reino Unido que se despache pois esta fase em que “nem o pai morre, nem a gente almoça” só agrava as consequências que ainda hoje ninguém sabe quais serão. 

Mas estamos perante uma saída pedagógica, a teoria económica vai ter de prestar atenção a um fenómeno novo, o perfume do eurocepticismo pode azedar, as senhora Le Pen e Catarina Martins vão poder avaliar as consequências das suas teses, os povos poderão faze a contabilidade cínica do que poderão ganhar ou perder com uma saída da EU. Até a rainha dos ingleses, que mandou contar que era pela saída vai poder perceber se o seu reino encolhe ou se vai ter de fazer uma vénia ao funeral da grandeza da Grande Albion, como o fez no funeral da nora.

Uma coisa é certa, os economistas, os políticos e os monarcas ruralistas, e as senhoras da extrema-direita ou da extrema-esquerda vão ter muito a aprender e uma oportunidade rara de avaliarem as suas teses. O Brexixt é uma saída inesperadamente pedagógica.

Umas no cravo e outras na ferradura


      
 O mau professor quer lixar o bom aluno
   
«A Comissão Europeia está inclinada para recomendar ao Conselho da União Europeia a aplicação de sanções a Portugal e Espanha, de acordo com o jornal francês Le Monde. Uma decisão que será conhecida a 5 de julho (data que tem sido apontada) e que deve passar por uma multa aos dois países que pode ir até 0,2% do PIB, bem como pela suspensão temporária de fundos comunitários.

Até aqui falava-se numa multa que seria aplicada através do congelamento dos fundos comunitários (e não das duas de forma cumulativa, como adianta a publicação francesa). O Governo não comenta, para já, mas o sentimento interno é de “cautela”, de acordo com fonte do executivo contactada pelo Observador. A questão tem estado a ser debatida nas instituições europeias.

As sanções dizem respeito ao incumprimento do Pacto de Estabilidade e Crescimento em 2015, o que no caso português significou um défice de 4,4% em vez dos 2,7% previstos junto da Comissão. Ainda não há confirmação oficial e a decisão só deve chegar no início de julho, mas o jornal francês escreve esta segunda-feira que a Comissão vai mesmo “respeitar a legislação europeia”.» [Observador]
   
Parecer:

Com esta direita trauliteira dificilmente a UE sobreviverá.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Espere-se para ver.»
  

segunda-feira, junho 27, 2016

28-1=29

“A zona do euro são 19 países, eu espero que a Grécia não saia, mas se sair ficam 18 países. Quanto a isso eu não tenho dúvidas, mas é bom não especular” (Cavaco Silva)

Cavaco é uma personagem de um passado sombrio e muitos já se esqueceram do seu comentário a propósito de uma eventual saída da Grécia da zona Euro. Dizia essa pobre alma que se a Grécia saísse da zona euro esta deixaria de ter 19 membros para passar a ter 17.

Era assim a aritmética fria, calculista e provinciana de uma direita que transformou este país num país graxista que me envergonhou, um país que tentou beneficiar da desgraça alheia e que levou alguns dos nossos governantes a tudo fazerem para que a Grécia fosse tramada na negociações europeias.

Quis os destino que estes germanófilos em part-time estejam agora a ver sair o Reino Unido da União Europeia, conduzida por um partido pertencente à internacional europeia da direita. Agora já não fazem exercícios de aritmética e é pena pois com a muito provável independência da Escócia e uma eventual saída da Irlanda do Norte há uma grande probabilidade de termos um problema de aritmética para resolver, neste caso quem de 28 tira um fica com 29.


Imagino o professor Cavaco nas sua xanatas a caminho da Praia dos Tomates a meditar com a sua D. Maria que os tempos já não são outros e nem na aritmética podemos confiar.

sábado, junho 25, 2016

O Reino que deixou de ser Unido

Quando ouvi o Nigel Farage apelar à desunião na Europa e a festejar o fim da EU e dei comigo a pensar que o homem devia estar bêbado. Ainda por cima é a extrema-direita Europeia, o Trump e o ISIS que festejaram o Brexit e não é difícil de imaginar que no dia daquilo a que ele chamou de independência é bem provável que seja ele próprio a ser pendurado na Torre de Londres.
  
A Comunidade Britânica e, em particular, os países mais pobres estão demasiado habituados às ajudas europeias e aos regimes pautais preferenciais para abandonarem tudo isto e irem a correr ajudar os pensionistas britânicos, tanto mais que a xenofobia e o racismo implícito em muitos dos votos no Brexit não deve ser muito do agrado do pessoal dessas bandas.
  
Em poucos dias os irlandeses poderão conseguir o que não conseguiram com tantos atentados e manifestações, o Brexit é um convite à reunificação da Irlanda. É mais do que evidente que a Escócia e o seu crude do Mar do Norte vão dizer Bye aos bifes ingleses e muitas das empresas que ameaçaram abandonar aquele país se saísse do Reino Unido vão agora dizer que abandonam Londres no dia em que a Escócia for independente.

Resta uma Inglaterra e um país de Gales dividido, uma rainha que não confia no filho e um filho que casou com a égua mais feia da cavalariça. Contou e isso significa que alguém fez constar que a rainha pediu três muito boas razões para o Reino Unido ficar na União. Pobre senhor, vai dedicar uma boa parte do seu reinado a contar essas razões e pode começar pela queda da Libra.
  
A rainha dificilmente vai conseguir unir a população de Londre que votou por in com os rurais que votaram out, os trabalhadores qualificados que não têm medo dos emigrantes com os trabalhadores não qualificados que querem sair, os jovens que queriam horizontes com os velhos sem esperança, sem horizontes e egoístas. Não estarei muito longe da verdade se disser que os republicanos queriam ficar e que os monárquicos mais conservadores queriam sair.

O que sobre do Brexit é um Reino que deixou de ser Unido, pior ainda um reino que vai entrar numa profunda crise interna com as forças mais dinâmicas e democráticas a sujeitarem-se à extrema-direita e aos iletrados e é deste reino que Isabel II reina. Razão tinha o filho quando queria ser o penso higiénico da Camilla, neste caso seria uma forma muito original de meter a cabeça no buraco como faz a avestruz.