terça-feira, Setembro 02, 2014

Umas no cravo e outras na ferradura



   Foto Jumento


 photo Cardo1_zps055f8320.jpg

Flores de Lisboa: Cardo (Ameixoeira)
  
 Jumento do dia
    
Pala Teixeira da Cruz, a senhora que prometeu o fim da impunidade

A reforma do mapa judiciária não é de ontem, o projecto anda ao solavancos desde há anos e se a ministra que prometeu acabar com a impunidade recorre a ajustes directos para as muitas dezenas de empreitadas é porque em vez de concursos prefere outro procedimento menos transparente com a desculpa da celeridade. MAs se a ministra quer que as empreitadas sejam entregues a determinadas empresas sem qualquer transparência então que se deixe de promessas do fim da impunidade e proponha o fim dos concursos nas aquisições de bens e serviços pelo Estado. Dessa forma as empresas preferidas por outras entidades estaria em condições de igualdade com as preferidas pelo seu ministério. Como se costuma dizer, ou há moralidade ou comem todos.

E como não bastava este abandalhamento nas aquisições do ministério da Justoça ainda se assitiu às consequências da incompetência na gestão do sistema informático. Será que as entidades envolvidas neste processo também foram escolhidas por ajuste directo?

«Umas custam acima de 1,4 milhões de euros, outras não chegam aos dois mil. Em comum, as mais de 100 empreitadas previstas para os tribunais portugueses no âmbito do mapa judiciário têm a ausência de concursos públicos.

Ao todo, são perto de 35 milhões de euros que foram ou vão ser adjudicados por ajuste directo, e que incluem a contratação de juristas, informáticos e até a aquisição de serviços de imagem e comunicação.

Pela lei geral da contratação pública, é obrigatório fazer concurso público para adquirir serviços a partir dos 75 mil euros, limite que no caso das obras começa nos 150 mil euros. Acontece que a reorganização dos tribunais beneficia de um regime legal excepcional que permite fazer estas despesas através de negociação ou ajuste directo, com consulta obrigatória a pelo menos três entidades. A necessidade de parecer prévio do Ministério das Finanças para a aquisição de serviços acima daquele limite – no qual se inclui a contratação de pessoal – também não se aplica a esta reforma.

A opção não foi pacífica. Tanto a Ordem dos Advogados como o Sindicato dos Oficiais de Justiça entenderam, logo no final de 2012, quando o Governo anunciou a sua intenção, que não se justificava recorrer a um regime excepcional durante tanto tempo, quando o principal argumento da tutela era justamente a celeridade. Iniciados em 2013, os ajustes directos vão prolongar-se até 2015. O sindicato questionava se, perante o “clima de constante suspeição” em que o país tinha mergulhado, seria ponderado consultar determinados concorrentes, afastando outros. O concurso público “é uma das últimas fortalezas na defesa da transparência exigível aos contratos", observava, num parecer enviado à tutela.» [Público]

«A plataforma informática Citius, que serve para magistrados e advogados acederem e gerirem os processos, continua indisponível há cinco dias e meio. Nesta segunda-feira, quando entra em vigor o novo mapa judiciário, pode ler-se no site do Ministério da Justiça (MJ) que a página está “temporariamente indisponível” e que deverá assim permanecer durante o período da manhã. A ministra da Justiça, Paula Teixeira da Cruz, já garantiu que ainda esta manhã o problema deverá ser resolvido.

Em declarações à TSF, a ministra esclareceu que foi detectado um “erro” na distribuição de processos” e que o problema deveria estar resolvido até às 10h, algo que não aconteceu. A mensagem na página foi, aliás, mudada. Por volta das 11h00, podia ler-se: "Dada a magnitude da intervenção a efetuar no sistema informático Citius, de forma a acomodar a nova Lei da Organização do Sistema Judiciário, encontram-se ainda em curso as imprescindíveis acções finais de controlo de qualidade do sistema. Estima-se que o mesmo se encontre disponível para utilização nos tribunais durante a manhã de hoje, com o subsequente acesso ao Portal Citius."» [Público]

 Um pedido a José Seguro

Desde que os jotistas tomaram conta da política portuguesa que sempre que há campanhas eleitorais as caixas de comentários dos blogues se transformaram num inferno. O Jumento não escapa à regra e desde que se trava a luta pela liderança do PS que militantes organizados da equipa de Seguro se instalaram por estas bandas só para fazer trabalho sujo.

Se estes pirralhos viessem com a intenção de debater até seriam muito bem-vindos, mas limitam-se a dizer umas parvoíces, a elogiar o seu líder e a ofender todos os que não gostam deles, transformam a caixa dos comentários no recreio de uma escola preparatório.
 
É por isso que peço ao Seguro que mande regressar à sede estes seus pequenos jiahdistas de trazer por casa.

 O BNES depois de sofrer o "haircut"

 photo _hair-cut_zps1b43b511.jpg
  
      
 A verdade é como o azeite
   
«O que testemunha a hecatombe da estratégia deste governo é o paradoxo de se vangloriar da ligeira melhoria de indicadores económicos que resultam dos chumbos do TC
Dizem que a verdade é como o azeite: vem sempre ao de cima. Não estou certo que isso aconteça sempre, como diz o ditado popular. Contudo, passados três anos, o rotundo fracasso das políticas do actual governo está a vir ao de cima, com clareza, neste último ano do seu mandato.

Está à vista que o "novo modelo de crescimento", tão solenemente prometido por este governo, como uma "nova era económica", assente no crescimento das exportações, o que permitiria o equilíbrio da balança comercial, era uma falácia. Mais do que falácia, era um logro destinado a justificar a estratégia de empobrecimento generalizado e de destruição de parte da economia destinada a satisfazer necessidades de consumo interno consideradas "supérfluas". É hoje evidente que a saída da recessão, mesmo com um crescimento anémico, e um ténue aumento do emprego, resulta sobretudo do aumento do consumo interno e não das exportações. Neste fracasso do governo, até a balança comercial se inclina para o desequilíbrio estrutural do passado, o que é natural na ausência de qualquer política consistente de desenvolvimento industrial.

Como em vão foram os biliões de euros sacados em impostos, salários e pensões de reforma, atirados para a fogueira do controlo do défice orçamental. Passados três anos, a grande bandeira deste governo - o controlo das contas públicas - está totalmente esfarrapada. Arriscamo-nos a ter, este ano, um défice orçamental próximo dos 8% - uma autêntica queda no abismo. E se a senhora ministra das Finanças chora as decisões do Tribunal Constitucional que, pasme-se, "obrigou a repor salários e impediu a tributação dos subsídios de doença, de desemprego e os cortes das pensões de viuvez", quanto a outras despesas do Estado, que não resultam de decisões judiciais, o governo abriu os cordões à bolsa.

Como resultado de todos estes fracassos do governo - do empobrecimento, da destruição de parte do tecido económico, da recessão, da total incapacidade para controlar o défice - resulta um significativo aumento da dívida externa, não só em valor absoluto, mas em percentagem do PIB. Isto significa que, se não houver uma reestruturação da dívida, sobretudo quanto a prazos e juros, ficamos condenados, por décadas, a uma pobreza franciscana.

O que testemunha ainda mais a hecatombe da estratégia deste governo é o paradoxo de se vangloriar da ligeira melhoria de indicadores económicos que resultam, exactamente, de situações a que se opõe ferozmente, umas, que condena por razões ideológicas, outras; ou, ainda, que lhe são completamente estranhas. No primeiro caso, estão as decisões do Tribunal Constitucional que, ao impedir cortes de salários, de pensões de reformas e de viuvez, de subsídios de desemprego e de doença, permitiu que as famílias fossem menos espoliadas, facilitando o consumo interno que nos retirou da recessão. No segundo caso, está o emprego privado subsidiado, através de estágios, que tem produzido resultados positivos. Segundo o semanário "Expresso", 60% dos novos empregos são subsidiados pelo Estado. Isto deve arrepiar os mentores neoliberais do governo, mas no meio do naufrágio, em desespero, e com eleições à vista, até a medidas "socializantes" se agarram. No terceiro caso, estão as situações em que o governo é completamente alheio, como por exemplo, os excelentes resultados obtidos pelo turismo, os quais resultam em parte da insegurança provocada por conflitos, alguns de grande violência, em destinos habituais de europeus no Norte de África e Médio Oriente.

O facto de o governo se vangloriar de resultados a que se opôs, que não deseja ou que lhe são estranhos só aumenta a dimensão do descalabro das suas políticas.» [i]
   
Autor:

Tomás Vasques.

      
 Cavaco acusado pelos pequenos accionistas no BES
   
«“Quando a crise já estava ao rubro, já depois do aumento de capital, houve clientes que foram convencidos, de forma fraudulenta e enganosa, a transformar depósitos em ações, com base nas sucessivas declarações do Presidente da República e do governador do Banco de Portugal“, afirmou o advogado Miguel Reis, que vai participar no consórcio que está a ser criado para defender os pequenos acionistas do BES que foram lesados devido à criação do Novo Banco, em entrevista ao jornal i, nesta segunda-feira.  

O advogado defende uma investigação policial à atuação de Carlos Costa, do Presidente da República e da ministra das Finanças por terem garantido até ao fim que o banco dirigido por Ricardo Salgado era sólido, já depois do último aumento de capital. Cada processo custará cinquenta euros, acrescidos de um cêntimo por acção e o projecto passa por pedir a intervenção do Tribunal de Justiça Europeu para se saber se as medidas de confisco adoptadas pelo Banco de Portugal estão de acordo com o direito europeu, explica o jornal.» [Observador]
   
Parecer:

Em matéria de negócios com  acções Cavaco deveria dizer aos que ainda que o ouvem que façam como ele faz e não façam o que ele diz.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se aos accionistas do EBS porque motivo não compraram antes as lucrativas acções da SLN que o generoso Oliveira e Costa vendia aos amigos.»
  
 Agora é que o caldo vai entornar?
   
«O conselheiro de Estado, Marques Mendes, disse no sábado que o PSD “tem de agradecer” a Paulo Portas por o líder centrista ter impedido um novo aumento de impostos. Estas declarações proferidas no seu comentário semanal provocaram mau estar no seio dos ‘laranjas’ com o líder da Juventude Social-Democrata a insurgir-se contra o antigo líder do PSD, revela o jornal i.

“Paulo Portas impediu um erro monumental. O PSD tem de lhe agradecer”. Foram estas as palavras de Marques Mendes no seu comentário de sábado relativamente ao ‘quase’ aumento de impostos que esteve para acontecer.» [Notícias ao Minuto]
   
Parecer:

Este jotinha com idade para usar fato e gravata é um extremista do Passos Coelho, um verdadeiro jihadista da causa do primeiro-ministro.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»

 O boche das finanças quer um comissário para vetar os OE
   
«As regras europeias já prevêem que os orçamentos dos estados-membros sejam analisados, ao abrigo do Semestre Europeu, e alvo de recomendações. Mas o ministro das Finanças da Alemanha considera que é preciso dar um passo maior no sentido da integração. 
  
Num artigo publicado hoje no Financial Times, em conjunto com Karl Lamers, antigo porta-voz da CDU alemã para a política externa, Wolfgang Schäuble sugere que a Comissão Europeia passe a ter "um comissário europeu para o Orçamento, com poderes para rejeitar os orçamentos nacionais, caso eles não correspondam às regras que acordámos em conjunto".» [DE]
   
Parecer:

Não seria melhor cada governo ter um delegado boche?
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se ao senhor se vai sugerir que o delegado dos boches seja o Moedas.»

 O fim da impunidade, prometeu a ministra
   
«O ex-secretário de Estado da Administração Interna saiu do governo em Janeiro alegando "motivos pessoais" e foi trabalhar pouco tempo depois para a sociedade de advogados que representou em tribunal a Everjets, empresa que impugnou e venceu um dos concursos públicos para fornecer meios aéreos ao Estado. O processo decorreu numa altura em que Filipe Lobo D'Ávila ainda era responsável pela pasta dos incêndios.

Foi a Telles de Abreu e Associados, de que o ex-secretário de Estado é agora sócio, que defendeu a empresa de Famalicão num processo judicial movido contra o Ministério da Administração Interna (MAI), em que reclamava a alteração das regras do concurso. O Tribunal de Braga deu razão à Everjets, e decidiu que o MAI, através da Empresa de Meios Aéreos (EMA), modificasse as exigências de selecção.» [i]
   
Parecer:

Talvez tivesse sido mais útil prometer o fim da bandalheira.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Peçam-se contas ao ministro da Administração Interna, o responsável político pela escolha deste senhor para membro do governo.»
  

   
   
 photo Lora-Palmer-2_zpsf42ee998.jpg

 photo Lora-Palmer-4_zps84978a0f.jpg

 photo Lora-Palmer-1_zps7d2138be.jpg

 photo Lora-Palmer-3_zpsed748d6c.jpg

 photo Lora-Palmer-5_zps230f142c.jpg
  

segunda-feira, Setembro 01, 2014

Mas que grandes reformadores

Aproveitando a presença da troika o PSD/CDS tentaram impor ao país uma reformatação que foi muito além da troika e mesmo dos limites admissíveis. A estratégia passou pela invenção de um desvio colossal na execução orçamental (com que José António Seguro ainda hoje concorda)  para justificar cortes brutais nos rendimentos dos trabalhadores, através de cortes de vencimentos e da famosa TSU. Ao mesmo tempo inventou-se uma vaga reformista que não só deu muito jeito a alguns beneficiários das privatizações, como foram de encontro ao desejo de alguns sectores empresariais.
  
Todas as reformas foram apresentadas como promotoras de desenvolvimento pois quebravam as amarras que supostamente impediam a acção dos investidores.
  
Uma das reformas mais exigidas foi a da legislação laboral, foi apresentada como condição para o desenvolvimento. A revisão da legislação laboral era apresentada como criadora de emprego e beneficiou do apoio de António José Seguro cujos apoiantes na UGT a assinaram a troco de algumas promessas que não foram cumpridas. O governo já foi mais além do acordado no famosos acordo de concertação social com que a UGT brindou a direita, mas os resultados em matéria de criação de emprego foram nulos.
  
A democratização da economia tem sido muito querida a Passos Coelho que deve ter lido algures que a presença do Estado na gestão das empresas era o Diabo. A sua primeira decisão foi acabar com a golden share na PT com as consequências que hoje se conhecem, a que se seguiu a venda da EDP ao Partido Comunista da China (Porque será que o PCP nunca fala desta empresa?) e a privatização da ANA cujo resultado foi um aumento brutal das taxas praticadas nos aeroportos. 
  
Com as privatizações o governo não se cansou de apregoar o grande interesse do investimento estrangeiro em Portugal, mas a verdade é que em três anos todos os investimentos estrangeiros que o governo atraiu, incluindo as compras de casa por chineses duvidosos que têm agora um passaporte dourado, não chegaram para compensar o abandono do projecto da Nissan de produzir baterias em Portugal. Em três anos foram mais e de maior qualidade os investidores que partiam do que os que vieram.
  
Depois de dar o irrevogável por revogável Paulo Portas achou que ia salvar a pele chamando a si a mais grandiosa das reformas, a reforma do Estado para a qual até produziu um guião que fez aprovar em reunião de Conselho de Ministros. Até agora não reformou nada.
  
Por fim, a Cristas também promoveu as suas reformas, uma reforma agrária que levaria os jovens para a agricultura e uma alteração revolucionária da lei do arrendamento que dinamizaria o mercado. Tanto quanto se sabe da reforma agrária pouco mais resultou que algumas couves-galegas pois o azeite de que a ministra tanto se gaba resultou de azeitonas de oliveiras plantadas antes dela imaginar que ia a ministra e o mercado do arrendamento é aquilo que se sabe, se não fossem os chineses dos passaportes dourados o mercado há muito que teria morrido e o Estado teria que fazer com a habitação o que fez com o BES depois de ter declarado que agora sim, que o sistema financeiro estava robusto e saudável.

Umas no cravo e outras na ferradura



   Foto Jumento


 photo _Castelo_zps2c9ac9eb.jpg

Castelo de São Jorge, Lisboa
  
 Jumento do dia
    
Passos Coelho, o galo-da-Índia dos jardins de São Bento

Gosto de Passos Coelho quando se arma em galo-da-índia, já não nos bastava um Durão Barroso que subiu na vida à custa da guerra no Iraque e que parece ter sonhado com um cargo europeu na confusão de uma guerra em larga escala na Ucrânia, agora temos um primeiro-ministro que acha que vai invadir a Crimeia com dois submarinos que em vez de levarem torpedos estão equipados com luvas.

É fácil a um galo-da-Índia ter discursos agressivos e depois esconder-se num qualquer palácio enquanto diz que o seu povo é muito piegas. Já haviam pavões em São bento, agora há também galos-da-Índia.

«"Temos de mostrar à Rússia que a União Europeia não acredita em soluções militares, mas que também não assobia para o lado, disse Passos Coelho em conferência de imprensa em Bruxelas, após mais uma cimeira europeia de cerca de sete horas.

A União Europeia decidiu, nesta cimeira, que poderá vir a aprovar novas sanções contra a Rússia se aumentar a escalada do conflito na Ucrânia, depois de responsáveis ucranianos terem falado na entrada de tropas russas no leste da Ucrânia. O Presidente ucraniano, Petro Poroshenko, disse mesmo no sábado que a crise com a Rússia está perto de um "ponto de não retorno" e de se transformar numa "guerra em larga escala".» [Notícias ao Minuto]

 Co-adopção

 photo _Moedas_zps20778a14.jpg
  
      
 O estranho caso do desaparecimento de Passos Coelho
   
«Dada a incapacidade de conseguir governar de acordo com o texto constitucional, lá veio o Governo apresentar o seu oitavo Orçamento Retificativo. Um verdadeiro recorde.

A inconstitucionalidade das normas provocou um desvio de cerca de 850 milhões de euros. Para atingir a meta mirífica de 4% de défice para este ano, esperava-se a apresentação de medidas adicionais ou substitutivas. No entanto, dado o aumento das receitas fiscais e a diminuição dos encargos com o subsídio de desemprego, o Governo garante não precisar das tais medidas.

Finalmente um sucesso da política do Governo? As reformas estruturais, que se diz existirem mas que ninguém vê, começam a dar frutos? A destruição do tecido produtivo era, afinal, criativa? O empobrecimento era um passo atrás para dois em frente rumo a um futuro melhor?

Nada disso. É impossível imaginar um documento orçamental que confessasse de uma forma tão flagrante o imenso falhanço de uma fórmula e de uma opção política.

Não era a maldita procura interna que nos estava a afundar? Não eram as exportações que nos iam salvar? Pois bem, parece que é o crescimento da procura interna que ajuda, em grande parte, a equilibrar as contas.

As exportações vão ficar abaixo do esperado e as importações acima. Não estava em curso uma reforma estrutural que não ia deixar que as exportações parassem de crescer e as importações de diminuir ? Pois. Os profetas da desgraça que diziam que bastava um ventinho favorável na economia e a inevitável reposição dos bens duradouros e maquinaria para que as importações aumentassem estavam certos, não é?

Diz que o desemprego, com o aumento da malfadada procura interna, diminuiu. Continua a assobiar-se para o ar enquanto centenas de milhares de jovens emigram, esquecem-se os que desistiram de procurar emprego e celebra-se o facto de existirem menos encargos com o subsídio de desemprego. Talvez fosse bom lembrar que estamos a falar de gente que fica sem nada, mas não se pode pedir sensibilidade a quem não a tem. Mas, sim, houve criação de emprego. Nas empresas? Muito pouco. Segundo o Expresso, 60% desses empregos são no Estado. Estágios e assim, aquilo que no passado recente era considerado uma moscambilhice. Batota, gritaria, em tempos, Passos Coelho.

A governação liberal cria empregos no Estado. Talvez seja mais uma face do nosso liberalismo de badana.

E a despesa? Não era o corte na despesa que era a panaceia? Não se ia cortar a direito nas gorduras? Pois sim, lá o cortar em salários e pensões fez-se - a parte não inconstitucional, claro está -, já as gorduras, nem comprimidos, nem dieta, nem jogging. Nem sequer as deliberações do Tribunal Constitucional servem para disfarçar a incapacidade de acalmar o monstro. Ele continua a engordar.

Em resumo, o que correu bem para a economia foi através da negação de todo o credo governamental. E a chave-mestra, o que permitirá atingir o mágico 4%, o alfa e o ómega da política prosseguida tem um nome: impostos. Nunca os portugueses pagaram tantos. Eis a verdadeira, a evidente, a revolucionária reforma estrutural: a maior carga fiscal de sempre.

Vale a pena lembrar as promessas sobre receita e despesa? Vale a pena indignarmo-nos com a lata de Portas quando vem, no fundo, dizer que é por ele que ainda não aumentaram mais? Não, não vale. Talvez valha só a pena indagar sobre o paradeiro do Passos Coelho que acusava os governos de resolverem sempre os problemas com o aumento de impostos.» [DN]
   
Autor:

Pedro Marques Lopes.

      
 A anedota da pasta dop comissário arrasta-se
   
«O primeiro-ministro, Passos Coelho, disse hoje em Bruxelas que acredita que Portugal poderá ter uma pasta "significativa" na próxima Comissão Europeia e que satisfaça as pretensões do Governo.» [Notícias ao Minuto]
   
Parecer:

Tudo o que seja dar ao Moedinhas mais do que a pasta da criação do bicho-da-seda é um exagero. E até era uma ideia, assim a Tecnovia podia promover o lançamento de um curso financiado por fundos do ministério da Agricultura destinado à plantação de amoreiras.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»
  
 Pobre Seguro
   
«O secretário-geral do PS, António José Seguro, reafirmou hoje em Penafiel que se for eleito primeiro-ministro o IC35, que liga aquela cidade a Entre-os-Rios vai ser uma realidade.» [Notícias ao Minuto]
   
Parecer:

É ridículo ver o jotita fazendo promessas de novas estradas.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»

 Rui Rio vai pondo Passos Coelho de molho
   
«A um ano de eleições legislativas, as peças no xadrez político começam a movimentar-se. Rui Rio é há muito aclamado por um setor do PSD (e nã só) que o quer ver enfrentar Passos Coelho e imitar o que fez António Costa a António José Seguro, a começar pelo próprio autarca de Lisboa. E Rio, não desvendando o que quer, mas mantendo o suspense, vai dando passos (salvo seja) no caminho, só não se sabe a caminho do quê. O próximo é o lançamento de uma biografia, exatamente na rentrée política e em cima das primárias do PS.

De acordo com o semanário Expresso, a biografia “Rui Rio – De corpo inteiro”, que será lançada no final de setembro, início de outubro, é autorizada pelo autarca. Prova de que Rio não quer sair de cena política e o timing não foi escolhido ao acaso: as eleições primárias no PS, que podem eleger António Costa, são no dia 28 de setembro; o país está em plena rentrée política e à espera do último orçamento anual da equipa Passos/Portas.

Rio só ainda não tornou claro os objetivos que tem no curto/médio prazo. Quer ser líder do PSD, tentar derrubar Passos Coelho e ainda ir a tempo de disputar as eleições legislativas, esperar pelas próximas ou guardar-se para as presidenciais? No círculo político do ex-autarca há a convicção que, uma eventual vitória de António Costa nas primárias do PS que levariam António José Seguro a sair da liderança do PS, provocaria um terramoto nas relações políticas do próximo ano, diz fonte próxima de Rio ao semanário (texto da edição deste sábado, não disponível online).» [Observador]
   
Parecer:

Um dia destes o Passos ainda se vai lembrar de o propor para candidato presidencial.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»

 Seguro faz figura de urso
   
«António José Seguro, secretário-geral do PS, voltou a referir este domingo, na Guarda, que pretende que «nada fique por esclarecer» e «nenhuma verdade fique por apurar», no caso BES (Banco Espírito Santo).

«Os portugueses têm direito a saber toda a verdade, porque este caso BES não é o caso apenas de um banco ou do sistema bancário, ou do sistema financeiro, é um caso da democracia portuguesa e se houver ocultação de alguma verdade, se não se apurar toda a verdade e todas as responsabilidades é o próprio regime democrático que fica em causa», sublinhou.» [A Bola]
   
Parecer:

Mas este não é o mesmo Seguro que se aproveitou do caso BES para aparecer nas televisões e disse que estava tranquilo depois dos esclarecimento do governador do BdP?
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se a merecida gargalhada.»
  

   
 Egra
   
 photo Egra-1_zpsa9766d9f.jpg

 photo Egra-4_zps6614e9ba.jpg

 photo Egra-5_zps000cbe31.jpg

 photo Egra-3_zpse61a0389.jpg

 photo Egra-2_zpsa54d3ca6.jpg
  

domingo, Agosto 31, 2014

Semanada

Seguro, o político que acusa os outros de lhe copiarem as ideias, marcou esta semana com duas intervenções dignas da sua grande dimensão política. Foi para longe de Lisboa prometer uma estrada e perante o OE rectificativo fez uma intervenção digna de quem defende uma alternativa a esta política económica, disse com a grande graça que costuma ter que o seu amigo Passos Coelho passa a vida a fazer rectificativos. Se calhar é por isso que perde todos os debates quinzenais com o seu velho amigo.
  
A Maria Luís tem um azar dos diabos com os swaps que, vá-se lá saber porquê parece perseguirem-na ao longo da sua carreira política. Foi escolher alguém para vigiar as contas das empresas públicas e quem escolheu? Um velho amigo swapiano, um tal Joaquim Pais do Amaral, um velho gestor de swaps que resistiu dois ou três dias no cargo, o tempo necessário para se perceber que essa sua velha especialidade estava omissa no currículo. O líder da oposição ficou calado como de costume.
  
Agora que Passos regressou de férias e já deve ter tido tempo para arrumar os papéis era a altura de lhe perguntar quanto pagou pelo aluguer da casa de férias.
  
Um dia destes Portugal tem uma taxa de desemprego negativa, tal é o trabalho de manipulação estatística desenvolvido pelo governo. Sem crescimento económico a taxa de desemprego regista uma descida brutal, algo digno de propor uma candidatura da Maria Luís a Nobel da Economia. Já que não abichou o tacho na Comissão sempre podia ter a sorte de levar o prémio monetário do galardão atribuído pela academia sueca.
 

Umas no cravo e outras na ferradura



   Foto Jumento


 photo _Azulejos_zpsd271647c.jpg

Azulejos, Lisboa
  
 Jumento do dia
    
Tozé

O Tozé só condenou a festa de mortos-vivos de Braga quando o assunto já ganhou o estatuto de anedota, a sua falta de inteligência levou-o a retardar a sua posição evidenciando uma situação de cumplicidade com os seus amigos ressuscitadores.

Agora que percebeu que não é com mortos que chega lá o Tozé lembrou-se de condenar os factos, mas optou por ser desonesto, condena todas as irregularidades sugerindo que o seu opositor também as faz. Este Tozé começa a enojar.

Começa a ser evidente que Seguro não dá grande imagem às consequências nas directas nas próximas legislativas, para ele não estão em causa políticas mas apenas a sua ambição que nem é grande coisa, por uma questão de vaidade parece contentar-se em vir a ser braço-direito de Passos, substituindo Portas. Só isso explica tanta cretinice e uma política de terra queimada.

«O secretário-geral do Partido Socialista (PS), António José Seguro, condenou hoje "todas as irregularidades", independentemente da sua origem, quando questionado sobre a situação das eleições para a Federação Distrital de Braga.» [Notícias ao Minuto]

 Dieta estranha

O mesmo governo que não queria ouvir falar em políticas de crescimento e considerava o deseemprego saudável recorre agora à criação de gorduras no Estado para inventar falsos empregos.

 Pobre município de Vila Real de Santo António

Andaram a contratar o Castelo Branco para rei do Carnaval, subsidiaram uma discoteca da astróloga Maia, pagaram avenças a Santana Lopes e agora está na bancarrota.

 Durão Barroso e Merkel

Ao ver a troca de palavras entre Barroso e Merkel no dia em que o nosso famoso Cherne perdeu todas as esperanças de "abichar" qualquer cargo europeu, apesar da cunha do seu discípuylo Passos Coelho no congresso do partido popular Europeu, interrogo-me sobre o que irá na cabeça da chanceler alemã quando olha para o nosso comprador de submarinos.

Sabendo-se que o negócio deu lugar a uma acusação de corrupção na Alemanha interrogo-me se sabendo disto a senhor Merkel terá algum respeito pelos governantes portugueses envolvidos no negócio e se saberá mesmo quem em Portugal aceitou as luvas dadas como provadas na Alemanha.

      
 Boa malha!
   
«O Ministério das Finanças nomeou um dos gestores envolvidos na polémica dos swaps para coordenar a nova entidade que vai fiscalizar as contas das empresas públicas. Mário Coutinho dos Santos foi designado pela secretária de Estado do Tesouro, num despacho em que não consta a sua passagem pela direcção financeira da Metro do Porto, precisamente no período em que foram subscritos contratos considerados especulativos. O responsável apresentou esta semana a renúncia ao cargo, alegando motivos pessoais.

A nomeação foi publicada em Diário da República na terça-feira, mas o despacho já foi assinado a 18 de Agosto. No documento, a secretária de Estado do Tesouro designa Coutinho dos Santos para “exercer funções de coordenador da Unidade Técnica de Acompanhamento e de Monitorização do Sector Público Empresarial (UTAM)”, uma entidade que passará a controlar os orçamentos e as contas das empresas do Estado. A designação é feita “sob proposta do director” da UTAM, Fernando Pacheco, ex-secretário de Estado do PS que o Governo nomeou no início de Agosto e que será o responsável máximo desta unidade técnica.

No currículo que surge anexado ao despacho desta semana, é referida a passagem de Coutinho dos Santos pela Metro do Porto, como responsável pelo planeamento (em 2001), do departamento de exploração (entre 2004 e 2006), do desenvolvimento da segunda fase da rede (entre 2007 e 2010) e, finalmente, como administrador delegado dos Transportes Intermodais do Porto (participados pela Metro do Porto, entre 2002 e 2010). No entanto, o facto de ter sido director administrativo e financeiro da empresa, o que o PÚBLICO confirmou junto da Metro do Porto, é omitido.» [Público]
   
Parecer:

Por este andar a secretária de Estado do Tesouro ainda se vai lembrar de convidar Ricardo Salgado para o IGCP e o Oliveira e Costa para a Casa da Moeda.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Façam-se as sugestões à senhora.»
  
 Se a vaidade fosse música
   
«O vereador José Sá Fernandes decidiu, a polémica instalou-se e agora o presidente da Câmara diz estar “surpreendido” e quer ver o assunto discutido na reunião de câmara. O CDS questionou António Costa sobre a decisão de Sá Fernandes de retirar os brasões florais dos antigos territórios ultramarinos na Praça do Império, em Belém, Lisboa, e o autarca fez saber que não concorda.

Num email enviado ao vereador do CDS, João Gonçalves Pereira, a chefe de gabinete de António Costa diz que quer “transmitir” que Costa “foi surpreendido com as recentes notícias sobre o projecto para o Jardim da Praça do Imperio, tendo solicitado de imediato informações ao Senhor Vereador José Sá Fernandes”. No mesmo email, Costa mandou dizer que quer que o assunto seja apresentado e discutido em reunião de câmara.» [Observador]
   
Parecer:

Até hoje ainda não entendi o que faz o Sá Fernandes na liderança da autarquia da capital, um político que não representa nada nem ninguém além da sua própria vaidade.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»

 Involuntariamente keynesiana
   
«O Governo previa que a redução do défice este ano assentasse em medidas permanentes de redução de despesa, mas afinal foi o crescimento da economia que corrigiu o défice nos primeiros sete meses do ano, dando mais receitas com impostos ao Estado, diz a Unidade Técnica de Apoio Orçamental, que considera mesmo que até o mínimo do ajustamento estrutural que Portugal tem de cumprir pode estar em risco.

Numa análise à execução orçamental dos primeiros seis meses do ano, a que o Observador teve acesso, os técnicos independentes relembram que ainda no final de abril – no Documento de Estratégia Orçamental – o Governo previa aplicar medidas permanentes de 2,1% do PIB para conseguir atingir o défice de 4%.

Destes 3.558 milhões de euros de medidas, 2.778 milhões de euros diziam respeito a medidas de redução de despesa. Ou seja, das medidas permanentes, 81% deviam ser medidas de corte na despesa.

A estratégia orçamental estava aparentemente desenhada para assentar sobretudo na redução de despesa, mas segundo a UTAO, não foi isso que aconteceu nos primeiros sete meses do ano, e na maioria desse tempo o Governo ainda tinha em aplicação os cortes salariais agravados dos funcionários públicos – entre 2,5% e 12% a partir dos 675 euros – que o Tribunal Constitucional viria a chumbar em maio.» [Observador]
   
Parecer:

A ministra das Finanças consegue parcos resultados com um aumento da despesa que ela própria condena e foi incapaz de contrariar. Enfim, esta ministra anda apaixonada pela senhora Merkel durante o dia e durante a noite dá umas escapadelas com o Keynes.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se perante tanta incompetência.»

   
   
 photo Artur-Celes-1_zps65e09e64.jpg

 photo Artur-Celes-4_zps944a64f3.jpg

 photo Artur-Celes-2_zps67d76494.jpg

 photo Artur-Celes-3_zps1c0d5576.jpg

 photo Artur-Celes-5_zps94289b59.jpg