sábado, outubro 21, 2017

DESENVOLVER COM BEIJINHOS?



Marcelo Rebelo de Sousa descobriu que os problemas nacionais se revolvem com abraços e beijinhos, na sua estratégia populista passa a mensagem de que os políticos são todos incompetentes e insensíveis menos ele que com um par de abraços, selfies e beijinhos tudo se resolve. Há pobres porque os políticos são insensíveis, há muitos sem-abrigo porque não há amor, há recessão porque falta um presidente a anunciar indicadores uns dias antes de publicados no INE.

Esta abordagem populista das dificuldades do país cria a ilusão de que não existem problemas de desenvolvimento, todas as consequências do subdesenvolvimento não passam de manifestações de incompetência, de insensibilidade e de falta de espírito missionário. Para Marcelo não há injustiças sociais, modelos económicos que podem gerar pobreza. Para ele não há diferenças entre a política económica de Gaspar e a de Centeno, ambas merecem elogio.

As políticas de desenvolvimento não fazem sentido, a política económica deve obedecer a prioridades determinadas pelo sentimento populista da ocasião, se num mês a prioridade são os sem-abrigo no outro é o crescimento, depois é o pagamento da dívida, agora são as florestas, daqui a três meses o governo deve ir de armas e bagagens atrás de uma qualquer outra prioridade. Se ocorrer um sismo a prioridade será a habitação e os regulamentos da construção civil, se ocorreem cheias a prioridade deixará de ser os sem-abrigo, o pagamento da dívida, a construção civil ou os incêndios para passar a ser a limpeza das ribeiras e a regularização dos rios.

O rei do Butão,Jigme Singye Wangchuck, inventou a Felicidade Interna Bruta (FIB) ou Gross National Happiness (GNH), o indicador de desenvolvimento passou a ser a perceção de felicidade. Basta ler os pilares desta abordagem (Wikipedia) para nos apercebermos de como o budista Jigme Singye Wangchuck e o católico Marcelo se norteiam pelos mesmos pilares. A abordagem conservadora e religiosa leva à mesma, desvalorização da realidade e dos princípios económicos em favor das ilusões.

Marcelo mede o sucesso do seu mandato em beijinhos, frases de velório, mensagens de dó a velhinhas, ao mesmo tempo que de forma subliminar vai promovendo a destruição da imagem e credibilidade dos políticos e das instituições, ele trata-se de se promover a si próprio aproveitando-se dos sentimentos primários das populações em situações de crise e de tragédia. Como não tem responsabilidades executivas e nunca poderá ser criticado pelas consequências do seu desempenho, ignora que o subdesenvolvimento exige muito mais do que as suas mezinhas populistas e que as prioridades não devem ser definidas em função da sua agenda populista.

Em vez de um país pensado a médio e longo prazo Marcelo quer um país governado segundo metas conjunturais e em função da sua popularidade. Em vez de um governo que aplica um programa aprovado no parlamento pelo qual irá responder, Marcelo deseja um governo que seja um anexo à sua Casa Civil. No fim dos mandatos presidenciais de Marcelo o país terá um elevado Felicidade Interna Bruta (FIB), mas estará tão subdesenvolvido como o encontrou.

Talvez o melhor primeiro-ministro para Marcelo seja mesmo Santana Lopes, Marcelo faz discursos e Santana tira notas, Marcelo dá abraços e Santana trata dos beijinhos, Marcelo trata das velhas enquanto Santana cuida das mais jovens, Marcelo preside onde há incêndios e Santana reúne o conselho de ministros onde ocorrerem cheias, Marcelo atira dos foguetes e Santana apanha as canas. 



UMAS NO CRAVO E OUTRAS NA FERRADURA



 Jumento do Dia

   
Paulo Azevedo, Belmiro Jr

No caso da PT o Blemiro Jr achava que era uma vigarice a NOS não ficar com a PT. Agora vem a público defender outra causa, é contra a compra da TVI pela Altice. Enfim....

«nstado pela Lusa a comentar a decisão da Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC) sobre a falta de consenso no parecer sobre a operação de compra da dona da TVI pela proprietária da PT/Meo, Paulo Azevedo teceu duras críticas ao presidente do regulador dos media, Carlos Magno.

"Acredito que esta não decisão carece de sustentação legal, mas sinto o dever de dizer bem alto que estamos a assistir a uma tentativa de deixar passar uma operação que provocará um grave e perigoso enfraquecimento da resiliência e qualidade da nossa sociedade", salientou Paulo Azevedo, numa declaração escrita enviada à Lusa.

A concretização do negócio "criará as condições para que daqui a 10 anos possamos estar todos indignados com a descoberta de uma operação 'Marquês' 10 vezes maior", prosseguiu o presidente do Conselho de Administração da Sonae, cujo grupo detém o jornal Público.

"A tentativa do senhor Carlos Magno de se aproveitar do momento de fraqueza institucional da ERC para, sozinho, contra o parecer dos serviços que tutela e dos demais colegas de administração, impedir o veto de uma operação com riscos '(...) não controláveis e gravemente lesivos do pluralismo e do direito dos cidadãos à informação ' (vide parecer da ERC), é escandalosa e extremamente grave", aponta o gestor..» [Expresso]

 Dúvidas que me atormentam

Será que na universidade de Castelo de Vide já dão aulas de guerrilha florestal? Mais de 500 incêndios num dia, dos quais mais de uma centena provocados ainda de noite são incêndios a mais para explicar com o clima ou para culpas dos piromaníacos do costume. Estamos perante um acidente ou um vale tudo para conquistar o poder? Porque motivo Marcelo questiona tudo e todos e não questiona esta brutal ação concertada para fazer o país arder?

O que se passou entre sábado e domingo passados foi demasiado grave para que Marcelo se preocupe tanto com as consequências, que faça comunicações a provocar crises políticas, ao mesmo tempo que ignore que o país foi alvo de um verdadeiro ataque terrorista perpetrado por portugueses. Quem promoveu tantos incêndios? A desculpa dos madeireiros ou dos piromaníacos não justifica mais de 500 incêndios. Quem os ateou ou mandou atear sabia que com tanto fogo a queimar meio país não haveria recursos que impedissem o diabo.

Quem queria que o diabo chegasse antes do outono?

Se tivessem rebentado 500 bombas num dia Marcelo pedia a cabeça da ministra da Administração Interna ou exigia se que se investigassem os atentados para identificar os responsáveis? Porque motivo Marcelo, um homem de quem se diz ser tão inteligente, não diz uma única palavra sobre o óbvio, que tanta mão criminosa é demasiado para se falar de coincidência ou apenas do clima. Quem protege Marcelo com o seu silêncio?

 As coincidências de Marcelo

Marcelo sabia onde Teresa Leal Coelho estava fazendo uma arruada, alguém telefonou à candidata a que horas o Presidente se ia cruzar com ela e devido a uma coincidência levada da breca Marcelo parou no sinal vermelho do outro lado da rua.

Por várias vezes o INE ou o IEFP iam dar boas notícias em relação ao emprego e ao crescimento económico e, coincidência das coincidências, Marcelo acertou sempre nos seus palpites feitos uns dias antes da divulgação dos dados oficiais.

Marcelo sabia o que se ia dizer do seu almoço com Santana mas mesmo assim decidiu almoçar, deu-se a coincidência de ter de falar das questões financeiras da SCM de Lisboa, tema que como se sabe é da competência da Presidência da República.

Marcelo tinha de saber da intenção de substituir a ministra um ou dois dias depois, mas deu-se a coincidência de ser Marcelo a exigir a sua demissão.

Marcelo julga-se tão inteligente que acaba por pensar que pode fazer dos outros parvos.

      
 Afinal há mesmo pouca sardinha
   
«Por isso, e com vista a uma "gestão sustentável do recurso da sardinha", o Governo indica que vai realizar "reuniões de trabalho com Espanha e seguidamente com a Comissão Europeia", estando já agendado um primeiro encontro, para concertar "novas medidas de gestão a adotar" relativamente às implicações socioeconómicas da pesca de sardinha.

Outra das apostas passa por implementar um "plano de cogestão da pesca de sardinha que, com o ajustamento das possibilidades de pesca à situação do recurso, permita garantir a atividade e o rendimento dos pescadores e prosseguir a recuperação do recurso".

Além disso, a tutela pretende apoiar o crescimento do 'stock', o que passa pelo reforço da investigação com um novo projeto centrado nas variáveis ambientais, pelo repovoamento (desenvolvido pelo Instituto Português do Mar e da Atmosfera), pela delimitação de áreas onde não é possível pescar, pelo aumento do período de defeso da sardinha e ainda pela fixação de limites de capturas diários e mensais, adianta o comunicado.» [Público]
   
Parecer:

A ministra mudou o discurso.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»
  
 Engenheiro ou licenciado em engenharia
   
«A Ordem dos Engenheiros enviou um esclarecimento nesta sexta-feira a todos os seus associados em que revela que o ex-primeiro-ministro José Sócrates não é engenheiro. A ordem informa que vai alertar a Assembleia da República para “a desconformidade existente na referência biográfica patente no seu Portal” na Internet.

Esta informação surge “face ao inusitado número de interpelações e pedidos de informação que ultimamente têm sido dirigidos” à associação profissional “por parte dos seus membros e cidadãos”, a Ordem dos Engenheiros entendeu prestar um esclarecimento, nos exactos termos em que o tem feito, sempre que foi questionada sobre o mesmo assunto, que foi publicado no Portal e que aponta basicamente o que segue:

“Nos termos da alínea b), do nº 2, do Art. 4º, do Estatuto da Ordem dos Engenheiros (lei 123/2015, de 2 de Setembro), cabe a esta associação profissional atribuir, em exclusivo, o título profissional de Engenheiro. O ex primeiro-ministro José Sócrates Carvalho Pinto de Sousa não está, nem nunca esteve, inscrito na Ordem dos Engenheiros”, diz o comunicado» [Público]
   
Parecer:

Esta de só poder ser considerado engenheiro quem estiver inscrito na ordem cheira a época medieval que até tresanda. Estamos no domínio do ridículo, o eng. atrás do nome designa o grau académico ou que alguém está inscrito numa ordem? Se um licenciado em medicina optar por não exercer a profissão pode ou não usar o dr?
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se a merecida gargalhada.»

sexta-feira, outubro 20, 2017

O POPULISMO SEGUNDO MARCELO REBELO DE SOUSA




De direita ou de esquerda o populismo é a forma fácil de conquista a simpatia do povo, normalmente associamos o populismo à extrema-direita assumida e aos seus tiques xenófobos ou racistas. O Ventura achou que ganhava mais votos atacando os ciganos, a extrema-direita alemã ganhou votos criticando o apoio aos refugiados, o Brexit venceu com os ataques aos emigrantes.

Mas há muito mais populismo para além da extrema-direita, os estratagemas ideológicos da extrema-direita não passam de discursos fáceis de conquistar apoios. Neste sentido há muitas formas de conquistar os eleitores, apelam aos sentimentos de ódio, outros aos bons sentimentos, à comiseração, ao dó, à pena ou, como está muito em voga, aos afetos.

Critica-se, com toda a razão, a forma como Passos Coelho tentou aproveitar-se dos incêndios, mas se fizermos um balanço quem mais ganhou em termos políticos com as tragédias deste verão foi Marcelo Rebelo de Sousa. Marcelo é um político como todos os outros, como político tem os mesmos objetivos que todos os outros. Só que é o político português com mais experiência na utilização da comunicação. É também o político português que sempre usou a manipulação como instrumento privilegiado.

Porque havemos de considerar que Passos foi um oportunista e Marcelo é um idoso cheio de amor para dar aos outros? Porque consideramos que o se mexe por egoísmo e o outro move-se apenas por amor? Porque consideramos que um ambiciona o poder e o outro é um frade da Cartuxa em regime de liberdade?

Veja-se o que sucedeu no dia de ontem, perante a necessidade de adotar medidas urgentes o governo desdobrou-se em reuniões, alguns dos seus ministros terão trabalhado horas a fio, António Costa teve mesmo de se deslocar a Bruxelas para participar num Conselho Europeu. O que fez Marcelo? Foi visitar as zonas devastadas pelo fogo e sugeriu que os deputados deviam estar ali. Alguns jornalistas, num estranho e coincidente coro, sugeriam que Marcelo estava junto do povo, enquanto Costa se escondia no gabinete.

Passar a imagem do presidente que não tem medo do povo por oposição ao primeiro-ministro que por ter sentimentos de culpa tem medo do povo, aproveitando-se da ausência forçada dos que tem de fazer o trabalho não é uma forma de populismo, não é um oportunismo bem mais atroz do que as posições desastradas de Passos Coelho. O que é certo é que Marcelo cresce nos likes, Passos está arrumado e Costa teve de enfrentar as tragédias, enquanto Marcelo aproveitou as circunstâncias para consolidar a sua popularidade.

Se Marcelo gosta tanto de estabelecer prioridades, como o fez em relação aos sem-abrigo, ao pagamento da dívida e agora à reconstrução nas zonas devastadas pelos incêndios, se a segurança é um princípio da Constituição que ele cumpre e faz cumprir, porque motivo nestes quase dois anos, enquanto nada de grave sucedeu, ignorou tão grande perigo à vista de todos e nunca definiu uma prioridade para as florestas? Em tantos anos de comentador televisivo nunca reparou nos incêndios, andava assim tão distraído a dar mergulhos?

É a diferença entre o populista e aquele que não o é, uns definem as prioridades ao longo de toda a vida outros passam uma vida sem um dia de voluntariado e quando chegam a presidentes dedicam-se a dar jantares aos sem-abrigo. Uns definem prioridades prevendo os problemas, outros estabelecem as prioridades a pensar na sua imagem já depois dos problemas serem óbvios. Uns resolvem problemas, outros capitalizam com os problemas. 

Esta estratégia dos afetos por parte de Marcelo não será mais uma forma fina de populismo, que visa os mesmos objetivos de todas as formas de populismo, a simpatia e o voto fácil? Os populistas não apresentam soluções, Marcelo não só não as apresenta como as exige aos que estão empenhados em encontrá-las, não faz e aproveita-se do trabalho alheio, passando a mensagem de que tudo o que se faz e alcança se deve a ele e aos seus afetos.


UMAS NO CRAVO E OUTRAS NA FERRADURA



 Jumento do Dia

   
Marcelo Rebelo de Sousa

A mensagem subliminarmente passada para a opinião pública durante o dia de hoje é a de um Presidente que sofre muito com os problemas dos portugueses e um primeiro-ministro sm sentimentos e que não sai do conforto dos gabinetes. Foram vários os jornalistas a fazer este comentário e a fazer perguntas a Marcelo que se limitou a responder que os deputados deviam ir ver os locais dos incêndios.

Marcelo poderia dizer que ele é o Presidente e pode passear à vontade desde que alguém leve o Jipe com os processos para homologar, o que na maior parte dos casos não é mais do que assinar de cruz. Poderia dizer que para acorrer às populações é preciso trabalho e não apenas passeios de afetos. Poderia ainda dizer que o primeiro-ministro tinha de estar em Bruxelas numa reunião do Conselho Europeu.

Mas Marcelo, manhoso como de costume, preferiu que a mensagem do primeiro-ministro frio e distante dos problemas prevalecesse sobre a verdade.

      
 Guerra de capelinhas
   
«O diretor do Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP), do Ministério Público, convocou a Polícia Judiciária Militar (PJM) para uma reunião urgente ontem à tarde para esclarecer a recuperação, na madrugada desta quarta-feira, do material militar desaparecido da base de Tancos, em junho passado. Com exceção das munições de 9 mm, a PJM recuperou todo o material, entre o qual os lança-granadas e as granadas de mão ofensivas. O Ministério Público (MP), titular da investigação, não foi informado da diligência da PJM e quer garantias de que a investigação não ficou comprometida.

Na reunião estiveram presentes, além do diretor do DCIAP, Amadeu Guerra, e de um representante da PJM, os procuradores que têm coordenado a inquérito-crime e responsáveis da Unidade Nacional de Contraterrorismo (UNCT) da PJ, que o MP tinha chamado a coadjuvar a investigação e que também não foi informada pela PJM de que o material tinha sido encontrado.» [DN]
   
Parecer:

Parece que a PJM trocou as voltas ao MP e ficou com todos os louros da descoberta.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se a merecida gargalhada.»
  
 Posse secreta no SEF
   
«Carlos Moreira, inspetor coordenador superior do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF), é desde ontem o primeiro diretor nacional do SEF a receber a posse de uma ministra demissionária e numa cerimónia privada. A tomada de posse " secreta" realizou-se esta quarta-feira à tarde, no gabinete da ministra da Administração Interna, já depois de ter sido divulgada a carta de demissão de Constança Urbano de Sousa.

O ministério da Administração Interna justifica a não divulgação da tomada de posse - que é por norma um ato público com a presença de funcionários e dirigentes dos organismos tutelados - pelo facto do país de encontrar em "luto nacional". Este procedimento tinha estado marcado para segunda-feira passada, mas devido aos incêndios foi adiado.

O gabinete da governante, refuta que tenha havido irregularidade no procedimento, sublinhando que no momento da tomada de posse a ministra "ainda estava em funções". "A exoneração foi publicada em DR, ao início da noite, ao mesmo tempo que foi publicada a nomeação do novo Ministro da Administração Interna (Eduardo Cabrita).» [DN]
   
Parecer:

Esta notícia revela apenas a imbecilidade do autor, a escolha estava feita e aprovada pelo primeiro-ministro e a ministra estava em funções.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Lamente-se tanta estupidez.»

 A Lulu foi despedida
   
«A CIA anunciou na quarta-feira que despediu uma jovem cadela que no programa de deteção de explosivos K9. A justificação? Lulu não mostrava interesse ou jeito para o trabalho.

"Todos os cães, assim como a maioria dos estudantes humanos, têm bons dias e maus dias ao aprender algo novo. O mesmo acontece durante as nossas aulas dos cachorros", escreveu a CIA num comunicado no seu site.

Lulu é uma cadela labrador de cor preta que pertencia ao grupo de cães do programa K9, que deixou bem claro que não estava interessada em procurar explosivos.» [DN]
   
Parecer:

Desde que o Trump é presidente até a Lulu perdeu a vontade de trabalhar.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se a merecida gargalhada.»

 Santana outra vez no desemprego
   
«Sexta-feira, 20 de outubro, será o último dia de Pedro Santana Lopes como provedor da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa. O anúncio foi feito pelo próprio, numa mensagem que mandou esta quinta-feira aos trabalhadores da instituição. No email, Santana convida os funcionários da Misericórdia para um convívio de despedida na Sala de Extrações, a histórica sala dos sorteios dos concursos dos Jogos Santa Casa.

No domingo, o provedor torna-se formalmente candidato à liderança do PSD. A declaração de candidatura será feita em Santarém. O evento chegou a estar marcado para sábado, mas acabou por ser adiado por coincidir com o dia do Conselho de Ministros extraordinário convocado por causa dos incêndios florestais.» [Expresso]
   
Parecer:

Já fez as contas aos apoios que recebeu e corre o risco.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»

quinta-feira, outubro 19, 2017

O PRESIDENCIALISMO DOS LIKES



As últimas quatro semanas foram úteis para compreender Marcelo Rebelo de Sousa, para entender melhor como ele exerce as funções presidenciais e para clarificar as relações com o governo. O Marcelo Presidente é o Marcelo de sempre, é o Marcelo das brincadeiras do Expresso, o Marcelo dos almoços que não se realizaram, o Marcelo da TVI ou o Marcelo inventor de fatos políticos.

Marcelo conquistou os portugueses com uma estratégia de Facebook, em menos de nada conseguiu um recorde de likes e de amigos, conseguiu likes na esquerda e na direita, na oposição e no governo, nos ricos e nos pobres. Com a estratégia dos beijinhos, lágrimas e selfies Marcelo tornou-se unânime, uma espécie de caudilho (*) das redes sociais. Agora que tem muitos likes e muitos amigos, Marcelo sente que tem mais poderes do que aqueles que a Constituição lhe confere, se é que pela interpretação que fez das regras constitucionais na sua última comunicação ao país não entende que os seus poderes são quase ilimitados.

Marcelo sente que tem mais poderes do que os constitucionais, sente que a sua notoriedade tipo Facebook lhe dá o poder de apoiar ou derrubar governos, de ajudar candidatas autárquicas que por coincidência se cruzam com ele, de escolher as lideranças partidárias. Os poderes presidenciais são neste momento muito maiores do que os que decorrem das regras constitucionais. Dantes podia dissolver o parlamento, agora pode manipular os sentimentos e a opinião dos eleitores com os seus discursos de afetos.

Há uns tempos Marcelo servia o pequeno-almoço, o almoço, o jantar e a ceia aos sem-abrigo, até almoçou com um casal que viveu na rua, comeu empadão de atum, acompanhado de Encosta do Alqueva reserva de 2014 com entradas de presunto e chouriço caseiro da guarda e pudim na sobremesa, tudo devidamente acompanhado pela RTP para que aumentassem os likes. Na época a prioridade do governo era o problema dos sem-abrigo.

Durante meses substituiu-se ao INE e ao ministro das Finanças dando as boas notícias, andava tão animado que chegou a achar que a economia iria ter um crescimento de 3% e ainda achou pouco. Pelo meio, vimos um Presidente fazer um julgamento sumário de um ministro das Finanças, chegando ao ponto de ler os SMS do ministro, poderes que nem o parlamento tem. A notoriedade confere poderes que ninguém se lembraria de escrever na Constituição.  Neste país europeu o Jornal de Negócios e outros titulavam que “Marcelo viu SMS de Centeno e não gostou do que leu” e toda a gente achou este desvio democrático tropical e vergonhoso como algo aceitável.

Esquecidos os sem-abrigo a prioridade passou a ser a dívida, agora as procissões de Marcelo são junto das vítimas dos incêndios e a prioridade no caso de haver folga orçamental passou a ser acorrer ás vítimas dos incêndios, daqui a um ou dois meses Marcelo decide ganhar mais uns likes e a prioridade da folga orçamental será outra. De dia para dia o Presidente usa o poder dos seus likes para presidencializar o regime. Enquanto o governo anda numa roda viva a correr atrás das prioridades que ele define quase semanalmente a comitiva presidencial organiza a agenda para ganhar mais likes para que o Presidente aumente o poder dos seus likes, que cada vez mais se sobrepõe e ignora os poderes constitucionais.

Se a economia vai crescer e Marcelo tem acesso antecipado aos dados anuncia a boa nova e ganha  os likes, como o o ministro das Finanças fosse o seu assessor da Casa Civil para a Economia. Se a S&P tira Portugal do lixo Marcelo ganha os likes. Se algo corre mal na economia Marcelo diz ao governo o que deve fazer e ganha os likes. Se há incêndios ou tragédias Marcelo vai dar abraços e beijinhos e ganha os likes. No Estado há um deve e um haver, o deve são os likes para a presidência pelo que corre bem e pela parte fácil do que corre mal. O Haver é para o governo que serve de saco de boxe quando algo corre mal.

Quantas vezes Marcelo fez voluntariado junto dos sem abrigo antes de ser presidente, quando até tinha uma agenda mais ligeira? Quantos comentários e propostas fez Marcelo nos seus comentários televisivos em matéria de incêndios? Quantas vezes Marcelo usou os seus comentários para fazer previsões económicas? Quantas vezes bebeu Encosta do Alqueva reserva de 2014 com pobres? Até parece que Marcelo enjoou a comida dos jantares de banqueiros para onde era convidado.


Umas no cravo e outras na ferradura



 Jumento do Dia

   
Hugo Soares, líder parlamentar do PSD

O país ficou a saber que o líder parlamentar do PSD esteve de mangueira na mão, à porta da sua casa, porque o Estado falhou. Enfim, temos um herói nacional no parlamento e ninguém sabia.




      
  Férias merecidas
   
«Na primeira quinzena de agosto de 2016, Constança Urbano de Sousa rumou a Tavira, como é seu hábito, para aproveitar para descansar com família e amigos. O verão estava quente — segundo dados do Instituto Português do Mar e da Atmosfera, foi um dos mais quentes de sempre — e um fogo em Gondomar chegou a ameaçar habitações por esses dias. E se este ano não faltaram políticos a apressar-se a chegar às localidades afetadas pelos fogos, naquela altura muitos estranhavam a ausência de reações da ministra da Administração Interna. Foi preciso passar sábado, domingo, segunda e terça-feira para Constança falar, já estava o país de olhos postos na violência das chamas do grande fogo da Madeira. A ministra aparecia finalmente nas televisões, à saída de uma reunião na Proteção Civil. Mas também nas bancas, nas páginas da revista “Flash” com fotos numa festa de Verão a dizer que “uma ministra nunca tira férias”. Esta semana, em plena crise no combate aos fogos no norte e no centro do país, queixou-se de não as ter tido.

A atitude de 2016 não passou despercebida aos olhos da oposição. Foi o caso do social-democrata José Eduardo Martins, que se apressou a criticar a presença da ministra em festas algarvias em plena época de incêndios. “Os reis do spin… Até ontem, a Ministra só aparecia na ‘Flash’ nas reportagens do social no Algarve. Hoje, como todos repararam, já arranjou um ‘inimigo’ e uma ‘narrativa’… Sobra em lata o que falta no resto”, criticava na altura, na sua página de Facebook, referindo-se ao facto de a primeira reação da ministra ter sido sobre a alegada falta de ajuda dos países europeus no combate aos fogos. Mas também ao facto de a “Flash” dessa semana ter ido para as bancas com várias fotografias da ministra a marcar presença na festa de aniversário da revista.

Havia ainda um outro pormenor que agora se tornou relevante. Naquela altura, a ministra dizia à “Flash” que, apesar de marcar presença na festa algarvia, “uma ministra nunca está de férias”. “Todos os dias há qualquer coisa por resolver, nem que seja pelo telemóvel. Uma ministra nunca está de férias”. Constança Urbano de Sousa estava longe de imaginar que o verão seguinte seria bem mais violento em matéria de incêndios e com a perda de muitas vidas (105 pessoas até agora, em apenas quatro meses) e, aí sim, não teria mesmo tempo para descanso. Como a própria sublinhou, aliás, quando esta segunda-feira, na sequência da segunda tragédia dos incêndios com 41 vítimas mortais. Para contornar a pergunta sobre a sua demissão, a ministrou tentou ironizar com esse dado pessoal: “Para mim seria mais fácil, pessoalmente, ir-me embora e ter as férias que não tive, mas agora não é altura de demissões”. Uma frase polémica e politicamente terrível. A habilidade política não foi, de resto, propriamente o que a levou aos gabinetes governamentais. A demissão de Constança Urbano de Sousa acabou por se concretizar esta quarta-feira, 18 de outubro, um dia depois de a ministra entregar a carta de demissão ao primeiro-ministro. Uma carta onde justificava a saída para preservar a sua “dignidade pessoal” e explicava que já tinha pedido para sair logo a seguir aos fogos de Pedrógão Grande.» [Observador]
   
Parecer:

Até enfim que a senhora pode gozar as férias e ir a todas festas e festarolas.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Deseje-se boa viagem à senhora ex-ministra.»
  
 A PJ foi a última a saber das armas encontradas
   
«As armas desaparecidas em Tancos há quatro meses foram agora encontradas na Chamusca, a cerca de 20 quilómetros das instalações militares. De acordo com a Polícia Judiciária Militar (PJM), o armamento foi recuperado na madrugada desta quarta-feira.

Segundo apurou o Expresso, a Unidade Nacional de Contraterrorismo (UNCT), da Polícia Judiciária (PJ), que lidera a investigação, só foi informada sobre o aparecimento das armas “a meio da manhã”. Ou seja, algumas horas depois da operação da PJM.

Ainda de acordo com a mesma fonte, quando os inspetores da PJ do contraterrorismo chegaram ao local, as armas já tinham sido levadas, teriam sido retiradas pelos investigadores militares da PJM.» [Expresso]
   
Parecer:

Enfim...
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»