quinta-feira, abril 04, 2019

FAMÍLIAS GOVERNAMENTAIS


Muito mais grave do que a contratação de um primo para assessor de um gabinete governamental é o que se pode passar em muitos concursos de admissão de funcionários públicos. Isso quando há concursos, já que no caso dos precários muitas escolhas feitas sem qualquer procedimento concursal obedeceram a critérios políticos ou familiares e agora passam à frente de outros cidadãos com dispensa de qualquer concursos. Basta ir a algumas autarquias para se perceber como muitos jotas e afilhados foram promovidos a funcionários autárquicos.

Encontrar primos e conhecidos nos gabinetes ministeriais de qualquer governo, a começar pelos do Cavaco Silva, é fácil. Desses até sabemos qual foi o critério da escolha, o pior é quando os laços são bem mais perigosos e não são identificáveis pelo apelido. Se aprofundarem as investigações vão encontrar muitos representantes de escritórios de advogados em gabinetes sensíveis, senão mesmo secretários de Estado escolhidos por grupos, basta olharem com cuidado para o governo de Passos Coelho.

Os governos não são centros de emprego onde deve respeitar-se o princípio da igualdade no acesso dos cidadãos aos cargos governamentais. O primeiro-ministro, os ministros e secretários de Estado escolhem quem bem entenderem, se escolherem incompetentes, irresponsáveis ou corruptos sofrerão as consequências nas eleições, se nada de grave se souber antes.

Ter míni conselhos de ministros familiares merece um sorriso e não parece ser um modelo de republicanismo. Mas se não gosto da escolha dos ministros da Administração Interna e da ministra do Mar não é porque são marido e esposa, não sinto uma especial sobre as duas personagens e não foi o casamento que as melhorou ou piorou.

Mas é bom que toda o PSD se dedique a estas questões, é sinal de que o Centeno fez um bom trabalho e o Rui Rio não tem muito com que se preocupar. Como o PSD tem uma certa mania de salvador da pátria isso significa que podem ser dispensados para a próxima legislatura.

terça-feira, abril 02, 2019

UMA OPOSIÇÃO SEM PROGRAMA


Primeiro andaram um ano a divertirem-se convencidos de que o diabo lhes faria o trabalho, em vez de alternativas fizeram prognósticos desastrosos e antes do jogo, o resultado foi o que se viu, em vez de ir a São Bento o Mafarrico optou por se instalar na São Caetano e no Largo das Caldas.

Abandonados pelo diabo a imaginação escasseou, tiveram de se dedicar a coisas menores, pouco importando que se tratassem de situações resultantes das políticas que adotaram no passado. O grande problema do país passou a ser a linha verde do Metro de Lisboa. Aqueles que agora dizem que os passes sociais é coisa de citadinos, andaram meses preocupados com os que os algarvios, beirões ou transmontanos sofriam quando iam de Metro entre o Rossio e a Praça de Alvalade.

O Metro lá superou as maldades que lhe fizeram e foi a Catarina Martins que encontrou um argumento fundamental na crítica às políticas de Mário Centeno, era tudo culpa das cativações. Desta vez a direita optou por ser bipolar, começou por o sucesso económico à austeridade, sugerindo que Centeno era aluno do Gaspar, ao mesmo tempo descobriu que quem morria de pneumonia teria sobrevivido se não houvessem cativações.

Mas o diabo apareceu mesmo e veio trazendo o fogo do inferno, Passos exultou e até começou a sonhar com mortos e se as vítimas dos incêndios não podiam ser atribuídas ao governo, então alguém teria de se suicidar porque o governo não os ajudou e surgiram logo mortos e feridos. A teoria da culpa das cativações evoluiu para a teses da ausência do Estado, por causa do Centeno o Estado falhava. A tese até teve honras de apoio presidencial.

Sem mais desgraças alguém reparou que no executivo havia um casal a que se juntavam um assessor e uma chefe de gabinete, descobriram logo que o governo em vez de ter tomado posse em Belém tinha-o feito numa repartição do Registo Civil. Os jornalistas do Observador deixaram de  ler a comunicação social estrangeira para ver o que se podia copiar, agora era necessário encontrar primos até ao terceiro grau, tarefa penosa num ais em que quase todos são Silvas, Pereiras ou Costas.

Cansaram-se depressa, esperemos para ver como é que a direita vai esconder que não têm propostas a fazer ao país, ficaram bloqueados com as políticas da extrema-direita chique e não conseguiram propor um programa diferente do de Passos Coelho.

segunda-feira, abril 01, 2019

MEDALHAS


Alguém do Ministério Público veio a público pedir desculpas à família pelo que fizeram de mal ao Dr. João Vasconcelos, ex-secretário de Estado que se demitiu na sequência de um processo manhoso e que morreu recentemente? É claro que não, até porque segundo os nossos justiceiros de pacotilha ao ter sido arquivado o processo a justiça correu o seu curso e ilibou um inocente.

Mas a verdade é que para o comum do cidadão, que acredita na bondade das nossas autoridades, o João Vasconcelos era um malandro que se demitiu por suspeitas de corrupção por ter ido comer e beber e ver a bola a Paris à conta da GALP a troco de sabe Deus o quê. Viu a sua carreira interrompida com um processo meramente difamatório e acabou por falecer em circunstâncias que nos deixam um nó na garganta.

Entretanto, faleceu um tal Zeca Mendonça que percebo agora que era íntimo de muitos líderes do PSD, mas que eu só conhecia ou lhe dava relevância política desde que se tornou famoso por ter pontapeado um  jornalistas inconveniente que se lembrou de incomoda Passos Coelho com perguntas a que este não quereria responder.

Não tenho nada contra o Zeca Mendonça ainda que não seja um grande apreciador da ponteira dos sapatos dos assessores dos líderes do PSD. Mas fico a pensar com os meus botões para que servirão as condecorações nacionais ou que é que torna as pessoas dignas de reconhecimento público.

Será que os assessores do Jerónimo de Sousa da Assunção Cristas, do António Costa ou da Catarina Martins terão um estatuto merecedor de condecorações em caso de falecimento ou as medalhas são preferencialmente para o pessoal do PSD.