quarta-feira, junho 28, 2017

A 65ª vítima

Perante a calamidade nacional o líder do PSD foi incapaz de conter a sua ansiedade e acabou por não esconder o desejo de ver mais vítimas para que as pudesse atribuir ao Estado. Foi um comportamento vergonhoso, irresponsável e indigno de um candidato a primeiro-ministro. Passos queria que os incêndios fizessem mais vítimas e conseguiu-o, ele é a 63ª vítima.

Quando se esperava contenção e disponibilidade para servir o país, postura eu só traria benefícios eleitorais, Passos teve mais olhos do que barriga e num passe de mágica proporcionou ao país o seu próprio suicídio, em direto, nas televisões. O partido que poderia sair incólume dos incêndios acabou por não lhes resistir.

Foram três dias dramáticos, primeiro foi a detenção de altos dirigentes do PSD ligados às autarquias, uma notícia que quase passou despercebida, mas já há quem diga que se os eucaliptos são uma espécie florestal que queima as nossas florestas, os loureiros estão a incendiar o PSD, depois do major de Dias Loureiro eis que este partido volta a arder devido a outro Loureiro, desta vez o Hermínio.

Se o caso de Hermínio Loureiro quase passou despercebido, o mesmo não se pode dizer da mentira dos suicídios e as consequências ainda estão por avaliar em toda a sua extensão. Mas o PSD não se podia ficar por aqui, tinha de encontrar motivos para lançar uma guerrilha, quando se esperava disponibilidade para discutir um tema tão sensível como o da reforma das florestas.

Revelando grande falta de inteligência Passos disse aos jornalistas que não tinha sido contatado pelo primeiro-ministro para discutir o tema, fez o mesmo que já tinha feito no passado com o PEC IV. Só que desta vez deu mau resultado, todos os partidos reuniram com o primeiro-ministro e o PSD ficou a tentar inventar um motivo para guerrilha, pensando que assim seriam esquecidos os suicídios de Pedrogão. Poderia ter havido um equívoco, nada que não se resolvesse com um telefonema, mas Passos achou que um contato por mensagem poderia ser ignorado de má fé.

Quando está na hora de encontrar soluções o líder do PSD comporta-se como se fosse candidato à associação de estudantes de uma escola do ensino básico. Não percebe que não se brinca com a vida de cidadãos em dificuldades, que o interesse nacional está acima de pequenas guerrilhas. Passos revela-se um gaiato irresponsável que não está à altura da liderança do PSD. Passos talvez não tenha percebido, como político já morreu só que o seu partido anda de tal forma desorientado que se esqueceram de lhe fazer o funeral. 

Umas no cravo e outras na ferradura



 Jumento do Dia

   
Fernando Santos

Graças ao seleccionador de futebol profissional fiquei a saber que descendo "do sangue lusitano, do mais puro que há". Agora fico a aguardar que Fernando Santos me diga quais são os outros sangues lusitanos ou quais os sangue que ele considera ter impureza. Não era má ideia se Fernando Santos se deixe de armar em hematologista e se dedique ao que sabe, aos chutos na bola, já me basta a evangelização militante a que o treinador se dedica no exercício das suas funções.

 A mentira tem perna curta

De manhã foi um primo que lhe disse que o concelho de Pedrogão Grande se tinha transformado numa espécie da Okinawa, a ilha japonesa onde muitos japoneses se suicidaram perante a invasão dos soldados americanos. Quando a mentira foi desmascarada o mentiroso já não era o primo, era o candidato local do PSD e provedor da Santa Casa, lá apareceu o falso primo a suicidar-se em direto nas televisões dizendo que a mentira era dele. O pobre "primo" já tinha esclarecido mas não conseguiu chegar à fala com o Passos, falou com um assessor.

Em poucas horas Passos Coelho embrulha-se em várias mentiras e erros de palmatória:

  • Pede desculpa por ter usado uma informação falsa como se no caso de terem ocorrido suicídios isso lhe permitiria uma utilização política nos termos em que fez.
  • Mesmo quando uma voz lhe dizia que não se confirmavam os mortos não hesitou em manter o discurso garantindo que tinham ocorrido tentativas de suicídio e que as vítimas estavam hospitalizadas, insiste numa inverdade mesmo quando sabe que o está fazendo.
  • Desculpou-se pelo erro, atribuindo-o a terceiros, mas não pediu desculpa nem à população de Pedrogão, nem aos governantes a quem atribuiu a responsabilidade direta por mortes.
  • Justifica a uilização da informação assegurando que lhe tinha sido dada por um familiar próximo das vítimas e duas horas depois, quando sente que está enterrado, aparece o candidato do PSD à autarquia de Pedrogão culpabilizando-se por ter dado uma informação errada.

É mentira e irresponsabilidade a mais para quem foi primeiro-ministro e quer voltá-lo a ser a qualquer custo.

 A anedota do dia

«Eu explico o que António Costa já devia ter feito, e não fez. Na terça ou na quarta-feira, ele devia ter agarrado no telefone e ligado a António Barreto para lhe dizer o seguinte: “O que aconteceu em Pedrógão Grande foi uma tragédia como não se via há 50 anos. Não pode restar uma pinga de dúvida sobre o que se passou, como se passou e de que forma poderia ter sido evitado. Quero que todas as responsabilidades sejam apuradas até ao fim, e nem o Governo, nem a oposição, nem qualquer uma das forças envolvidas no combate ao fogo está em condições de apresentar um relatório imparcial. O país precisa de uma figura consensual e acima de qualquer suspeita para presidir a uma comissão independente, que no período de 30 dias seja capaz de apresentar as suas conclusões, de forma a que nenhum português bem-intencionado possa duvidar delas. Você é essa figura. Tem total liberdade para constituir a sua equipa, coloco os meios que forem necessários à sua disposição, e darei ordens para que todas as instituições do Estado respondam às perguntas que entenda serem convenientes fazer. No final, o Governo estará disponível para arcar com as consequências políticas daquilo que a comissão independente conseguir apurar.”» [Público]


Grande João Miguel Tavares, mais um pouco e propunha que a personalidade independente fosse o José Manuel Fernandes... Para ele uma personalidade independente é alguém que não gosta e não quer este governo, algo que repete quase todos os dias nas suas intervenções e entrevistas, alguém que durante anos foi um funcionário do Tea Party do dono do Pingo Doce.

Talvez não fosse má ideia o JMT propor também um independente, talvez o Francisco Louçã, para avaliar a sanidade mental de um líder da oposição que inventa suicídios em massa.


     
 Lista vip - the final cut
   
«Fui acusado publicamente, ao longo de mais de dois anos, de ter autorizado a criação, no seio da administração tributária (AT), de uma lista VIP de contribuintes privilegiados.

O tema foi objeto de exploração política ao mais alto nível, em todo o espetro político português. Foram abertos processos de índole judicial e administrativa para investigar o que se passou.

Durante todo este tempo, mantive-me em silêncio, aguardando que a verdade fosse apurada pelas instâncias competentes. Como servidor público numa das mais importantes instituições da democracia portuguesa, entendo que existe uma linha de separação, que nunca deveria ter sido quebrada e que devia ter sido defendida por quem de direito, entre o plano político, e o plano institucional, da administração onde sou trabalhador.

Todos os processos chegaram agora ao seu fim.

Em todos se concluiu que não existiu nenhuma lista VIP nem nenhum contribuinte foi privilegiado, e que os procedimentos adotados cumpriram o determinado no Manual de Políticas de Segurança da Informação da Administração Fiscal e Aduaneira, aprovado em 2008, pelo despacho do secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, n.º 575/2008-XVIII, de 12 de junho.

Nenhum dos processos chegou sequer à fase da acusação.

Os contribuintes comunicam à AT dados relativos ao seu rendimento, ao seu património e à sua vida privada, com o fim exclusivo de esta apurar e controlar os impostos que têm a pagar. Relativamente a esses dados, a lei consagra dois direitos fundamentais, de que são titulares os contribuintes - o direito ao sigilo e o direito à reserva da vida privada.

O guardião desses dados e o garante desses direitos é o diretor-geral, e a AT possui uma hierarquia que tem por missão essa proteção, devendo permanentemente estar atenta e vigilante nessa função e tomar medidas contra qualquer violação ou perigo.

Concluiu-se naqueles processos que agi no cumprimento rigoroso e escrupuloso do meu dever e na "defesa do interesse público, que consiste no respeito pela Constituição, pelas leis e pelos direitos e interesses legalmente protegidos dos cidadãos, de acordo com o n.º 3 do artigo 73.º da Lei do Trabalho em Funções Públicas".

No fim deste tempo longo e difícil, venho a público defender a minha honra pessoal e profissional publicamente manchadas sem fundamento. E dizer aos contribuintes portugueses, aos meus alunos e aos leitores dos meus livros que podem ter a certeza de que a AT e os seus trabalhadores respeitam e defendem escrupulosamente os seus direitos.

Tenho orgulho em ser trabalhador da AT. Percorri toda a sua exigente carreira profissional, com único suporte no estudo e no trabalho, como milhares de outros trabalhadores. Em conjunto, concebemos e implementámos muitos projetos inovadores, que tornaram a AT uma referência a nível internacional. A todos quero dizer que também aqui defendi o prestígio da sua profissão e os direitos dos contribuintes. Ao serviço de Portugal.

Como disse Wittgenstein, o filósofo soldado, "sobre o que não há nada a dizer devemos guardar prudente silêncio".» [DN]
   
Autor:

José Maria Pires.

 O que nunca poderás dizer
   
«Uma das regras que se costumam explicar devagarinho aos mais jovens, quando chegam a uma redacção e querem fazer jornalismo, é a do cuidado que devem ter quando aparecem notícias sobre suicídios. Não é uma regra do PÚBLICO, nem só da comunicação social em Portugal. É assim em todo o mundo civilizado.

Não é por acaso, portanto, que são raras as notícias que se vêem sobre suicídios — e muito menos sobre tentativas de suicídio. É porque há razões fundadas na história para suspeitarmos de que uma cobertura pouco cuidadosa de um caso de suicídio pode ser um factor de risco, contribuindo para a estigmatização de quem tenta (ou pensa) fazê-lo, ou abrindo caminho a que outros se sigam. Sim, claro que o tema é muito sério. De tal forma que a Organização Mundial da Saúde decidiu fazer um pequeno guia para nós, jornalistas, sabermos lidar com o fenómeno. Esse guia pode resumir-se assim:

“Aproveite a oportunidade para educar o público sobre o suicídio. Evite uma linguagem que sensacionalize ou normalize o suicídio ou que o apresente como uma solução para os problemas. Evite descrições pormenorizadas de um suicídio ou tentativa de suicídio. Escreva os títulos com cuidado. Tenha cautela na utilização de fotografias ou de vídeo. Tenha particular cuidado ao reportar o suicídio de celebridades. Mostre a devida consideração por pessoas que tenham considerado o acto. Dê informação sobre onde as pessoas devem procurar ajuda.”

É como dizia um jornalista brasileiro: falar de morte já é muito difícil, imagine falar da morte como alternativa à vida.

É aqui que chegamos a Passos Coelho: se um jornalista tem o dever de ter estes cuidados, de ter esta responsabilidade, o que dizer sobre a que tem um político? Como pode um líder partidário, tão experiente que já foi primeiro-ministro, referir-se a um ou mais casos de suicídios para tirar a conclusão de que “o Estado não está ainda a cumprir o seu dever”? Como pode tornar pública uma informação deste tipo, partindo de uma informação para a qual não procurou confirmação?

Vou resistir a usar qualquer imagem, qualquer frase que possa parecer uma ironia. Porque aquilo que Passos Coelho ontem fez foi uma irresponsabilidade. E que pode causar mais danos à sua imagem pública do que a aplicação de uma qualquer medida da troika.

Mas o erro deve servir de lição a todos no espaço público: todo o cuidado é pouco quando se fala desta tragédia. Porque morreram 64 pessoas. Porque cada português sentiu a perda delas. Neste caso, é proibido falar demais. Como é proibido tapar o sol com a peneira.» [Público]
   
Autor:

David Dinis.

 Passos Coelho "matou" 192 pessoas
   
«No quadriénio 2007-2010, suicidaram-se em média, por ano, em Portugal continental, 983 pessoas. No seguinte, 2011-2014, em que Passos Coelho foi primeiro-ministro, esse número subiu para 1031 mortes. O número médio de suicídios por ano no mandato de Passos foi de mais 48 em relação à média dos quatro anos anteriores. Tudo somado, 192 mortes. Sabemos que esse mandato foi de profunda austeridade. O governo cortou a torto e direito em tudo o que pôde e só não cortou mais porque o Tribunal Constitucional não deixou. O desemprego aumentou brutalmente, os impostos também, as prestações sociais baixaram. Podemos, portanto, pensar: o aumento dos suicídios ocorridos neste período decorreu diretamente da governação liderada por Passos Coelho. Podemos, mas só se utilizarmos a técnica - grunha, para dizer o mínimo - que o líder do PSD ontem utilizou para estabelecer uma ligação direta entre alegados suicídios relacionados com o incêndio de Pedrógão e uma suposta falta, por parte do Estado, no apoio psicológico aos que sobreviveram em sofrimento. ("Tenho conhecimento de vítimas indiretas deste processo, pessoas que puseram termo à vida, que em desespero se suicidaram e que não receberam o apoio psicológico que deviam.") A declaração foi tão profundamente má que nem se sabe por onde começar. Um político - muito menos o líder do maior partido da oposição - não usa casos individuais de supostos suicídios como argumento político contra quem quer que seja - nunca, em circunstância alguma. Quem faz isso tem de ter alguém que o informe do efeito de contágio na mediatização de suicídios. Se não sabem o que é, googlem. Por outro lado, ninguém pode dizer que um suicídio decorreu diretamente do facto A, B ou C. Um suicídio é multicausal. E as suas explicações são de uma complexidade absolutamente não enquadrável nas necessidades de simplicidade da política. Por último: um líder que usa esta informação sem ter o cuidado de a confirmar (e não se confirmou) tem de se perguntar se ainda está em condições de se manter líder. Portugal precisa desesperadamente de oposição. Resolvam lá isso, se faz favor.

P.S. - Passos pediu desculpa por ter usado informação falsa. Não percebe que não podia ter usado, mesmo se verdadeira.» [DN]
   
Autor:

João Pedro Henriques.

      
 No melhor pano cai a nódoa
   
«Elementos da Inspeção-Geral da Educação e Ciência (IGEC) foram na semana passada ao colégio Salesianos de Lisboa no âmbito das investigações à alegada fuga de informação no exame nacional de Português do 12.º ano. Suspeita-se que a gravação que circulou dias antes da prova com indicações sobre a matéria que ia sair foi feita por uma aluna daquela escola privada, apurou o Expresso.

Identificar a autora da gravação é fundamental para que a IGEC e o Ministério Público, que também está a investigar o caso, consigam verificar se houve realmente uma fuga de informação e de onde partiu. A confirmar-se a fuga, está em causa o crime de violação de segredo por parte do professor ou funcionário que divulgou o conteúdo da prova e que, além da expulsão da administração pública, pode enfrentar uma pena até três anos de prisão.» [Expresso]
   
Parecer:

Vale tudo para chegar à universidade.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Investigue-se.»

terça-feira, junho 27, 2017

O político abutre



Há abutres, fundos abutres e, pelo que se vê, também há políticos abutres, políticos que em vez de se esforçarem fazendo as suas propostas preferem esperar que uma qualquer desgraça surja para se aproveitarem da situação. Já vimos isto com o PEC IV, pouco depois repetiu-se com a troika, no ano passado o abutre voltou a voar em círculos sobre o Terreiro do Paço, aguardando a vinda anunciada do diabo, agora foi novamente visto a sobrevoar Pedrógão Grande. Passos é um político abutre.

Não é a primeira vez que Passos exibe o perfil de um político que não perde a oportunidade de se alimentar com carne putrefata, uma boa parte do seu sucesso político tem sido feito à custa de crises financeiras e de processos judiciais. Chega ao poder com uma crise e mantém-se no poder durante quatro anos com o maior partido da oposição pressionado devido a um processo judicial, de que ele se soube aproveitar depois de dizer que não o faria.

O incêndio de Pedrogão Grande colocou Passos perante um dilema difícil, como aproveitar a desgraça sem deixar passar a imagem do abutre que se aproveita da morte? Passos começou com a pantomina do político responsável, mas a fome é má conselheira e os seus instintos mais primários foram atiçados pela fome desesperada de votos. Não se conteve, com o candidato autárquico do PSD de Pedrógão Grande usando as vestes de um santo provedor estava reunidas as condições para o seu voo circular sobre a desgraça.

Quando achou que o governo já se teria retirado foi em busca de desgraças e quando lhe disseram que várias pessoas se tinham suicidado ou tentado o suicídio não se conteve, não importa os princípios, os cuidados a ter, o cheiro a carne putrefata era tão forte que lhe toldou a lucidez, não resistiu à tentação.  E mesmo quando o assessor lhe segredou em direto que a morte não se confirmava Passos não largou o "manjar", não tinha morrido ninguém mas isso não importavam, tinham tentado o suicídio e estavam hospitalizados. Como qualquer abutre que se preza, se a vítima ainda estava viva ele estava ali para aguardar até que morresse.

Perante um país indignado Passos percebeu que tinha caído na sua própria armadilha, encomendou ao seu lacaio de Pedrógão que corresse para as televisões assumindo a culpa da má informação. O pobre diabo do provedor da Santa Casa que estava mais empenhado em ajudar Passos do que as vítimas dos incêndios, lá fez o "minha culpa, minha máxima culpa". Mas por mais que seja voluntarioso na ajuda à inesperada vítima dos incêndios, o pobre diabo não é responsável pelo comportamento de abutre do seu chefe. Restava a Passos aproveitar a apresentação de Seara como candidato a Odivelas, para se tentar retratar.

A emenda foi pior do que o soneto, tentou converter o seu comportamento miserável numa ajuda às vítimas dos incêndios, ninguém se tinha matado mas havia falta de apoio e graças á presença de um abutre nos céus de Pedrógão o governo lembrou-se das vítimas, pobre gente, o que seriam deles se não fosse Passos Coelho! Depois foi-se enterrando, depois de dar um raspanete ao jornalista que chegou atrasado ao encontro combinado lá explicou a sua tese de abutre.

Explicou que se um bombista cometesse um atentado o governo seria sempre o responsável. A sua teoria está explicada, perante uma desgraça o governo é sempre responsável e a ele cabe sempre o papel de abutre. Numa versão mais bondosa lá explicou que o Estado devia assumir a culpa e poupar as vítimas a processos judicias envolvendo as companhias de seguros. Isto é, sempre que ocorrer uma calamidade os banqueiros e seguros devem ser dispensados, para poupar os cidadãos o governo de assumir as culpas.

O país viu um Passos como nunca tinha visto ou não se teria apercebido de quem era, um político abutre sem grandes dotes inteletuais. É assim, os abutres não são conhecidos mais pela sua paciência e oportunismo do que pela sua inteligência. Mas na natureza os abutres são necessários e têm um importante papel a desempenhar, não é o caso deste nosso político abutre.


Umas no cravo e outras na ferradura



 Jumento do Dia

   
Passos Coelho, oportunista

Nunca o oportunismo político foi tão longe, forçado pela máquina partidária ou por um mau instinto Passos Coelho tenta salvar a sua carreira política à custa das vítimas dos incêndios e como acha que morreram poucas pessoas ou porque receia que não possa atribuir estas mortes ao governo, inventa suicídios causados por falta de apoio governamental.

Passos é um cobarde que ficou em Lisboa, que muitas horas depois fez uma visita de circunstância à sede da Proteção Civil e agora, que os incêndios estão apagados, mandou o aparelho do seu partido fazer uma montagem para dar o seu espetáculo. Ansiosos por ajudar o grande líder os militantes locais decidiram inventar uns mortos por suicídio, não só inventaram os suicidas como encontraram a causa para essa opção, o abandono por parte do governo.

Um político responsável teria o bom senso de confirmar antes de comentar, mas a fome de votos não é boa conselheira e Passos optou pelo oportunismo puro. Mas um político responsável nunca iria anunciar mortes por suicídio que ninguém tinha noticiado, Passos não só achou que devia ser ele a dar a informação em primeira mão, julgando que estava a ser escondida, como revela uma grande irresponsabilidade pois num quadro destes a forma como anunciou os suicídios é um estímulo a outras pessoas com vulnerabilidades no foro psiquiátricos. Passos parece que quer mais mortos, talvez assim os portugueses o voltem a escolher para primeiro-ministro.

O mentiroso foi o provedor da Santa Casa de Pedrógão, mas o oportunista irresponsável foi Passos Coelho. Se o provedor optou por dar a informação a Passos ignorando os serviços oficiais é um problema dele e do partido dele. Passos não deixou de ser o abutre oportunista que optou ser.

O aparecimento do provedor irresponsável não chega para limpar a imagem do seu chefe. É bom lembrar que este pobre senhor foi presidente da autarquia de Pedrogão Grande pelo PSD e é cabeça de lista pelo mesmo partido pelo PSD. Estar a usar o estatuto de provedor para fazer política suja não passa de um truque deste político sem escrúpulos, que usa o sofrimento dos seus concidadãos para conseguir votos de forma muito suja.

Note-se que mesmo depois de esclarecido de que não tinham ocorrido suicídios Passos insistiu na mentira de que haviam pessoas internadas na sequência de tentativas de suicídio. Passos é um mentiroso compulsivo.

«Pedro Passos Coelho, presidente do PSD, visitou esta segunda-feira algumas das áreas afetadas pelo fogo de Pedrógão Grande, onde referiu, quando estava no quartel de bombeiros de Castanheira de Pêra, ter conhecimento de pessoas que se suicidaram por falta de apoio psicológico após a tragédia que vitimou 64 pessoas.

“Naquilo que é mais fundamental no Estado, que é garantir a segurança das pessoas, o Estado falhou e estão aqui as evidências. Depois, saber se foi inevitável ou se era evitável, se há culpa a atribuir pelo falhanço e responsabilidade, isso é outra conversa. Dez dias depois, ainda está a falhar”, começou por referir Pedro Passos Coelho. “Tenho conhecimento de vítimas indiretas deste processo, pessoas que puseram termo à vida, que em desespero se suicidaram e que não receberam o apoio psicológico que deviam. Devia haver um mecanismo para isso. Tem havido dificuldades. Ninguém me convence que não há responsabilidades. O Estado falhou e continua a falhar”, completou.

Ao que o Observador apurou, Passos Coelho terá abordado a existência de suicídios depois de, durante a manhã, ter ouvido relatos na zona de casos que chegaram a essa situação extrema, após o desespero provocado pelos incêndios e respetivas consequências. O presidente do PSD fez visitas a Avelar, a Vila Facaia e esteve em três instituições de Pedrógão Grande: a Câmara Municipal, a Santa Casa da Misericórdia e os Bombeiros Voluntários.» [Observador]

«Foi o provedor da Santa Casa da Misericórdia quem disse ao líder do PSD que teria havido suicídios em Pedrógão Grande. "Julguei que a informação era fidedigna e, afinal, não era", disse ao Expresso João Marques. "Felizmente não se confirma nenhum suicídio, ao contrário do que eu disse ao dr. Passos Coelho. Peço-lhe desculpas públicas por isso".

O que o provedor diz ao Expresso é que foi "induzido em erro". "E induzi em erro o dr. Passos Coelho. Houve efectivamente duas ou três tentativas de suicício e manifestações suicidárias de mais algumas pessoas, que dizem que têm essa intenção. Mas suicídios mesmo, isso é boato", acrescenta agora.

(...) Mas as certezas de Passos começaram a ser postas em causa mesmo enquanto ele falava com os jornalistas, na sede dos bombeiros do concelho. Quando os jornalistas pediram para que fosse mais específico quanto à informação dos suicídios, um deputado do PSD diz a Passos que a informação "não se confirma". E Passos vira-se para trás, perguntando: "Não se confirma?". A seguir, virado para os jornalistas, o líder social-democrata explicou que essa informação lhe tinha sido transmitida "por um familiar", pelo que não tinha duvidado dela.» [Público]

 Foi visto um abutre cor de laranja em Pedrogão Grande



 Luto em memória de Passos Coelho

Lamento informar, mas mal vi Pedro Passos Coelho anunciar que vários cidadãos de Pedrógão Grande se suicidaram ou tentaram suicidar-se devido ao abandono a que os votou o governo, não deixei de sentir solidariedade com o sofrimento e indignação do líder do PSD e decidi ir para o velório e funeral da mais recente vítima de Pedrógão.

O suicídio de Passos Coelho foi um verdadeiro ato de coragem, depois de ter proposto uma comissão técnica, para logo de seguida ceder à populaça do seu grupo parlamentar, exigindo um debate parlamentar para soltar nos abutres no hemiciclo, só restava o suicídio a Passos Coelho. Era certo que o homem ia suicidar-se, só não se sabia quando e onde.

Passos Coelho suicidou-se em direto, começou com uma tentativa falhada de suicídio no quartel dos bombeiros de Pedrógão, mas como falhou optou por completar o serviço em Odivelas. Chamou os jornalistas, para um direto à entrada para o local onde o desgraçado do Seara ia apresentar a sua candidatura a Odivelas, com a intenção de fazer um pedido de desculpas, pelo pecado do suicídio matinal na forma tentada. Mas fez a pior intervenção de toda a sua carreira política, chegando ao ridículo de dizer que se ocorrer um atentado bombista a culpa é sempre do governo.

O homem já desejou a vinda do diabo há precisamente um ano, agora achou que o diabo estava em Pedrógão para o ajudar, mas como ninguém se matou para o ajudar a sobreviver, chega ao ridículo de sugerir que o diabo ainda pode regressar sob a forma de bombista suicida.


      
 "Dijsselbloem Nights"
   
«Uma dezena de eurodeputados do Grupo Confederal da Esquerda Unitária Europeia/Esquerda Nórdica Verde, que inclui o Partido Comunista Português e o Bloco de Esquerda, está a organizar dois dias de festa em Bruxelas intitulados "Dijsselbloem Nights - Combater os Estereótipos".

Uma referência ao presidente do Eurogrupo e ministro das Finanças holandês, Jeroen Dijsselbloem, que numa entrevista ao jornal alemão 'Frankfurter Allgemeine Zeitung' disse que os países do sul da Europa gastam o dinheiro "em copos e mulheres".» [DN]
   
Parecer:

Boa ideia!
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se a merecida gargalhada.»


      
 Passos e o suicídio político
   
«Este texto é sobre o bom senso. O bom senso que faltou a Passos Coelho quando, esta manhã, depois de uma visita pelas áreas ardidas de Pedrógão Grande, decidiu falar em suicídios. Passos não se referiu a tentativas, mas sim a atos consumados. Deu certezas. Disse que tinha conhecimento de “pessoas que puseram termo à vida” porque “que não receberam o apoio psicológico que deviam.”

Confesso que não percebo o que passou pela cabeça do líder da oposição. Não faz qualquer sentido e revela irresponsabilidade. Primeiro, porque falou de algo que não existe: não houve nenhum suicídio. Mas, mais importante, mesmo que tivessem existido, Passos não podia, nem devia, de maneira nenhuma, usá-los para combate político.

Se há conclusão que já todos tirámos dos graves incêndios de Pedrógão é que o Estado falhou. Voltou a falhar. Os 64 mortos são a maior prova dessa perturbadora recorrência. Passos não precisava de procurar mais mortos nos suicídios para dar força à sua argumentação. O PSD que não quis, e bem, politizar esta tragédia acaba por fazê-lo da pior forma. Se os acontecimentos em Pedrógão e as respostas no terreno estavam a deixar António Costa desconfortável e com muitas explicações para dar, agora foi Passos a causar-nos esse desconforto.

Passos sabe bem o que é dor e tragédia. E mesmo tendo sido o Provedor local a induzi-lo em erro, o líder do PSD e ex-primeiro-ministro devia ser o primeiro a exigir contenção – já para não falar em confirmação. Um líder não se afirma assim. Um líder, por mais que a sua claque lhe exija sangue, deve ter cabeça fria e perceber quando o adversário não está em bons lençóis. Passos avaliou mal as consequências do filme de Pedrógão. Descentrou a discussão do que é essencial: os falhanços no terreno e as responsabilidades das autoridades.

Não se especula sobre suicídios. Muito menos depois daquela mortandade.

E sabem? Nós, jornalistas, também fomos alertados para a existência de suicídios. Mas, por regra, não os noticiamos. Muito menos quando não existem.» [Expresso]
   
Autor:

Bernardo Ferrão.
  

segunda-feira, junho 26, 2017

Proteger a estrada ou a floresta?

Durante anos sempre que se discutia a relação das estradas com as florestas o que estava em causa era proteger estas dos carros e dos condutores, quando se defendia uma zona de segurança, falava-se da limpeza do mato por causa do risco de os carros ou dos seus condutores provocarem incêndios. O receito não era que os incêndios queimassem os condutores, mas sim que os condutores queimassem as florestas.

Falava-se da necessidade de limpar o mato mas pouco de evitar a plantação de árvores junto das bermas das estradas, ninguém questionava se as boas sombras eram de carvalhos, pinheiros ou eucaliptos. Nunca ninguém questionou os abusos dos proprietários dos terrenos, que plantaram eucaliptos quase até ao alcatrão e em todo o país há milhares de quilómetros de troços em que as copas das árvores quase se unem por cima das estradas.

Nas autoestradas e itinerários principais cumpre-se a lei, mas nas estradas nacionais e municipais vale de tudo. Durante muitos anos as árvores na beira das estradas portuguesas foram uma boa receita da Junta Autónoma das Estradas, não admirando que nessas estradas ninguém respeite a lei. Há multas e autoridades para as aplicar, mas ninguém aplica a lei, é a corrida coletiva ao El Dorado do eucalipto como o foi do pinheiro ou de qualquer outra espécie florestal que dê dinheiro fácil, uma verdadeira febre do ouro nacional.

Agora o país percebeu da pior forma que as estradas não matam apenas com acidentes de automóvel ou que são perigosas apenas quando o seu mau desenho ou conservação povoam esses acidentes. O país viu que as estradas também podiam transformar-se em infernos e que em vez de serem os condutores a matar a floresta, ser a florestas a matar quem está na estrada.

Mas estabelecer uma zona de segurança dos dois lados das bermas de todas as estradas municipais ou nacionais significa cortar muitas dezenas de hectares de eucaliptos, sobreiros, pinheiros ou de outras árvores. Num país onde com frequência se mata por causa de um caminho, de um poço ou de uma oliveira, onde a posse da terra que é propriedade ancestral da família justifica a morte do vizinho, este é um problema quase sem solução. 

Os portugueses têm uma relação difícil com a propriedade fundiária, que é muito mais do que um bem económico, há uma relação psicológica que leva a que ninguém abdique de um metro quadrado de terrenos, impossibilitando qualquer reforma das florestas ou grandes progressos na agricultura. O emparcelamento é impossível e há centenas de milhares de hectares de floresta cujo cadastro está desatualizado há várias gerações. 

A nossa propriedade fundiária e a mentalidade de uma boa parte do nosso mundo rural é quase medieval e muitos dos que são vítimas dos incêndios, os proprietários de milhares de pequenas courelas, são também os grandes responsáveis por esses incêndios. 

Umas no cravo e outras na ferradura



 Jumento do Dia

   
Constança Urbano de Sousa, ministra da Administração Interna

A ministra da Administração Interna espera por conclusões técnicas para tirar as ilações pessoais que deve tirar. A ministra está a incorrer num erro inaceitável ao fazer depender uma decisão pol´+itica pessoal de um relatório técnico. Esta posição da ministra não é mais um erro de comunicação como é inaceitável.

É inaceitável, antes de mais, porque a comissão de técnicos não vai avaliar o processo de decisão ministerial no dossier do combate aos incêndios, vai sim avaliar o que foi feito no terreno e nesse capítulo a ministra não conta. Constança Urbano de Sousa não é bombeia ou guarda da GNR pelo que não faz sentido que venha a tirar conclusões pessoais em função do que se passou naqueles incêndios.

As responsabilidades de Constança Urbano de Sousa são de natureza política e as perguntas a que tem de responder a si própria para tirar as suas ilações pessoais são outras. Estava em condições de minimizar os erros e falhanços no combate ao incêndio? Teve conhecimento de insuficiências no sistema de comunicações da Proteção Civil e fez o que estava ao seu alcance para as superar? Foi-lhe informado do risco de incêndios muito graves e fez o que lhe cabia nessas circunstâncias.

São estas as perguntas que a ministra deve fazer a si própria e em função da resposta tirará as ilações que deve tirar. Se não fosse assim nas próximas eleições os portugueses só votariam depois de uma comissão técnica independente avaliar o desempenho governamental ou, então, as propostas dos partidos teria de ser previamente avaliadas por técnicos.

Constança Urbano de Sousa não foi para técnica mas sim para ministra e isso significa que a avaliação do seu desempenho enquanto ministra  é de natureza política. Esconder-se atrás de uma comissão técnica é mais um erro que a ministra comete.

«Se a comissão independente atribuir responsabilidades à tutela, Constança Urbano de Sousa garante que tirará "as devidas ilações"

A entrevista a Constança Urbano de Sousa foi gravada na sexta-feira às três da tarde. Na noite de sexta-feira foram conhecidas as respostas da Autoridade Nacional de Proteção Civil, reconhecendo falhas no SIRESP, assunto que é tema nesta entrevista. A atualização da entrevista não foi possível porque a ministra "não pretende fazer novas declarações sobre a matéria até receber o relatório circunstanciado que já tinha pedido ao SIRESP".» [DN]

domingo, junho 25, 2017

Semanada

Esta foi a semana em que o diabo veio (finalmente), estava combinado aparecer em Setembro ali para os lados do ministério das Finanças, mas acabou por aparecer em Pedrógão Grande, uma localidade que em poucas horas se transformou numa imagem do inferno. O pessoal do PSD que estava instalado a tempo inteiro no terreiro do Paço, esperando pela queda de Centeno percebeu rapidamente a nova oportunidade, mudou-se de armas e bagagem para a Administração interno.

Passos Coelho bem começou a encenação do político que não se aproveita da desgraça alheia, algo que já tinha feito com a crise financeira e com o Caso marquês. Mas a ansiedade dos seus deputados é tanta que desta vez o próprio Passos foi ultrapassado, propôs uma comissão técnica para avaliar os acontecimentos, mas o seu grupo parlamentar forçou um debate parlamentar sem quaisquer relatórios técnicos, só para aproveitar os acontecimentos.

Ninguém reparou, mas há uma figura grada do mundo autárquico do PSD que está a viver o seu próprio inferno, acompanhado de mais alguns companheiros. Hermínio Loureiro, homem forte de Oliveira de Azeméis e uma ponte entre o PSD e o mundo da bola está passando o fim de semana nas instalações hoteleiras da PJ

Umas no cravo e outras na ferradura



 Jumento do Dia

   
Luís Valente de Oliveira, mandatário do candidato populista

O que não faltou a Valente de Oliveira foram boas oportunidades de se ter demitido do PSD, podia tê-lo feito, por exemplo, quando Passos o ignorou na hora de preencher a vaga de membro da Comissão europeia. Chegar ao fim da carreira política e demitir do seu partido para apoiar um político que sofre de homofobia democrática talvez não tenha sido a melhor das ideias.

Podia ter-se demitido em oposição a políticas, opta-se por se demitir para não ser expulso.

«luís Valente de Oliveira enviou, esta semana, uma carta ao líder do PSD, Pedro Passos Coelho, a pedir a sua desvinculação de militante do seu partido de sempre. Na origem da decisão está o convite de Rui Moreira ao histórico social-democrata para ser mandatário da recandidatura independente “Porto, o Nosso Partido”. O presidente da Câmara do Porto confirmou ao Expresso que, tal como nas autárquicas de 2013, o seu mandatário será Valente de Oliveira, que já confirmou o convite e “autorizou que o mesmo fosse divulgado”, tendo ainda revelado que se desfiliaria do PSD para evitar embaraços políticos e eventuais processos disciplinares. Embora ainda não haja data do anúncio formal da candidatura, Rui Moreira fez questão de manter para as eleições de 1 de outubro o seu primeiro mandatário. 
Ao contrário do que sucedeu nas últimas autárquicas, em que manteve o cartão apesar do apoio a Moreira em detrimento do candidato do partido, Luís Filipe Menezes, Valente de Oliveira optou agora por abandonar o partido, esquivando-se a ser repetente num quadro de possíveis ameaças de represálias disciplinares.» [Expresso]

 Proteger as estradas ou proteger as florestas

Durante décadas o país plantou árvores nas bermas da estrada para sombra e para fins decorativos, as árvores pertenciam ao estrado que exploravam a sua madeira e mesmo a fruta ou frutos secos, como as amêndoas, era trabalho da JAE. Os tempos mudaram e os enormes eucaliptos e pinheiros nas bermas das nossas estradas transformaram-se em armadilhas mortais. Ainda hoje há muitas estradas onde um descontrolo na direção do carro pode ser pago com a morte.

Quando os incêndios se começara a multiplicar as estradas foram apontadas como inimigas da florestas, ninguém questionava se nas bermas haviam pinheiros, eucaliptos ou carvalhos, os ambientalistas ainda não dominavam a comunicação social, os estudos de impacto ambiental ainda não eram um excelente negócio para empresários e consultores que se iniciaram nas associações ambientais.

Os carros e os seus ocupantes eram inimigos da floresta porque com fagulhas ou beatas de cigarros provocavam incêndios. Era necessário proteger as florestas dos carros limpando as suas bermas. Só que faixas de terreno com quilómetros e quilómetros de terreno é muita terra mal aproveitada, a consequência é que estradas como a EN236 apresentam troços em que as árvores estãio tão junto às duas bermas que em caso de incêndio foram um túnel de fogo com centenas de graus.

Foi preciso uma combinação de fatores para que se concluam que afinal o importante não é proteger a floresta dos carros e das pessoas, mas sim proteger as pessoas das florestas e dos seus incêndios cada vez maiores, porque há mais floresta, e cada vez mais violentos porque há mais combustível.

 António Costa deve um pedido de desculpas

António Costa parece ter acreditado no sindicalistas dos impostos e ainda na oposição lançou uma cruzada contra aquilo a que se designou por "Lista VIP", chegou mesmo a dizer que o caso merecia um processo crime, o que vindo de alguém que tinha sido ministro da Justiça merecia alguma atenção.

Entretanto, a IGF investigou, o MP investigou e a AT investigou. A IGF fez o que lhe cabia fazer, fez o relatório da conveniência, aquilo a que designa por frete. Mais não era de esperar de uma instituição que pouco tempo antes tinha andado a vasculhar as mensagens de email de todos os funcionários do fisco, num processo que foi devidamente abafado, isto é, ninguém ficou a saber o que se passou.

Mas o MP concluiu que os funcionários que foram sacrificados por causa da lista VIP, a mesma conclusão chegou o processo disciplinar da AT. Isto é, é cada vez mais óbvio que vários funcionários foram vítimas de um processo sujo conduzido com o objetivo de prejudicar pessoas, aquilo que na Sicília se designa por vendetta. Alguns funcionários demitiram-se ( uma forma cínica de ser demitido) e António Costa chegou a primeiro-ministro,

António Costa caiu na esparrela e agora devia pedir desculpa aos funcionários cuja carreira ajudou a destruir e à própria AT, é o preço de ter alinhado no debate político de casos e casinhos.
      
 Um fim de semana mal passado
   
«O interrogatório a Hermínio Loureiro, vice-presidente da Federação Portuguesa de Futebol e um dos detidos na operação Ajuste Secreto da Polícia Judiciária (PJ), terminou na sexta-feira à noite, disse à Lusa fonte judicial.

Hermínio Loureiro começou a ser ouvido pela juíza de instrução criminal, Ana Cláudia Nogueira, cerca das 15h30 e saiu do Tribunal da Feira por volta das 23h00, regressando à cela da PJ do Porto, a fim de ai pernoitar pela quinta noite consecutiva, juntamente com os outros cinco arguidos detidos.

No sábado de manhã, a juíza de instrução criminal irá interrogar o ex-presidente do conselho de administração da Assembleia da República e ex-deputado social-democrata João Moura de Sá, que resolveu prestar declarações, apesar de inicialmente ter dito que não queria falar.

Para as 15h30, estão agendadas as alegações, devendo a decisão sobre as medidas de coação ser proferida apenas na segunda-feira, Antes de Hermínio Loureiro, a juíza esteve a ouvir José Oliveira, presidente da Concelhia do PSD de Oliveira de Azeméis.» [Expresso]
   
Parecer:

Com tanto incêndio no Porto  e nas autarquias e ninguém fala deste príncipe dessa combinação entre PSD, bola e autarquias, uma combinação que em tempos se uniu com o patrocínio de Santana Lopes, para ajudar Durão Barroso a chegar ao poder.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Aguarde-se por segunda-feira.»
  
 Um sindicalista estranho
   
«O arquivamento, noticiado nesta sexta-feira pelo Diário de Notícias, é para o presidente do sindicato, Paulo Ralha, um “verdadeiro milagre” por "branquear" os nomes apontados pela própria IGF como responsáveis, por acção ou omissão, pela “lista VIP”. Em causa estão quatro pessoas: o ex-subdirector-geral José Maria Pires, que autorizou o funcionamento do sistema num dia em que o director-geral estava ausente, o próprio ex-director-geral António Brigas Afonso e dois outros funcionários, a coordenadora da área dos sistemas de informação, Graciosa Martins Delgado, e o chefe de equipa da área da segurança informática que lhe respondia, José Morujão Oliveira. “Nem o Omo lava mais branco do que isto…”, reage Paulo Ralha, pegando numa célebre campanha publicitária de uma conhecida marca de detergente para a roupa para descrever a actuação da AT.

Se há dois anos a IGF recomendou que fossem ponderados processos disciplinares aos quatro funcionários por causa de condutas “susceptíveis” de violar, em diferentes graus, deveres profissionais previstos na Lei Geral do Trabalho em Funções Públicas, o entendimento que a AT faz do caso é o oposto: os visados agiram no cumprimento dos seus deveres de protecção de dados.

“Foi criado um mecanismo desta natureza e não há responsáveis”, insurge-se Paulo Ralha, considerando que quem fica em xeque é a própria AT. “A situação é absolutamente Kafkiana, põe em causa o princípio da igualdade, os princípios da democracia, e no final não há responsáveis”, acusa, lembrando que a mesma instituição que agora arquivou os processos dos dirigentes aplicou sanções a alguns funcionários (repreensões escritas suspensas por seis meses ou um ano) por terem consultado informações fiscais de figuras públicas, mesmo não se verificando violação da protecção de dados.» [Público]
   
Parecer:

Persegue os sócios do seu próprio sindicato.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se a merecida gargalhada.»

 Palhaçada moçambicana
   
«A auditoria às dívidas ocultas de Moçambique deixou por esclarecer o destino dos dois mil milhões de dólares contraídos por três empresas estatais entre 2013 e 2014, anunciou a Procuradoria-Geral da República (PGR).

"Lacunas permanecem no entendimento sobre como exactamente os dois mil milhões de dólares foram gastos, apesar dos esforços consideráveis" para esclarecer o assunto, refere a PGR em comunicado sobre a investigação feita pela consultora internacional Kroll.

Por outro lado, "a auditoria constatou que o processo para a emissão de garantias pelo Estado parece ser inadequado, sobretudo no que respeita aos estudos de avaliação que devem ser conduzidos, antes da sua emissão", acrescenta-se.» [Público]
   
Parecer:

Um procurador-geral tão nabo que não consegue dizer o que fizeram a dois mil milhões de dólares.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sugira-se ao pobre diabo que beba água.»

 A vez dos barrosistas
   
«Mas o apoio do barrosismo à lista anti-Passos não fica por aqui. Outros três membros do Executivo de Barroso destacam-se na lista de subscritores da candidatura de Sarmento. Com relevo para José Luís Arnaud, que foi o braço-direito de Durão, depois de ter sido secretário-geral do PSD durante a presidência de Marcelo Rebelo de Sousa.

Maria da Graça Carvalho, ex-ministra da Educação, e Pedro Roseta, ex-ministro da Cultura (e dirigente da distrital de Lisboa nos anos 80) estão igualmente entre os subscritores da lista de Morais Sarmento.

O antigo ministro da Presidência, que nos últimos anos foi várias vezes apontado como putativo candidato à chefia do PSD, apresentou na sexta-feira a sua candidatura e assumiu a oposição a Passos, defendendo o surgimento de um "novo PSD".» [DN]
   
Parecer:

O Morais Sarmento ainda vai passar a perna ao indeciso Rui Rio.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Espere-se para ver.»

sábado, junho 24, 2017

Impaciência

Passos fez com os incêndios o que no passado já tinha feito com processos judiciais, numa primeira fase evidencia o politico que não é oportunista para ganhar simpatias e credibilidade, numa segunda fase esquece o que disse e torna-se no político oportunista, nocivamente para conseguir votos. Com os incêndios repetiu a primeira fase da encenação, mas nunca saberemos se iria ou não repetir a segunda fase, respeitando as vítimas dos incêndios.

Nunca o saberemos porque a sua bancada parlamentar, devido a muita impaciência, não permitiu. Passos visitou a Proteção Civil,  propôs uma comissão técnica e pediu uma audiência a Belém, mas não teve tempo para mais, o grupo parlamentar do PSD forçou-o a agendar um debate que, como se sabe, servirá apenas para um espetáculo de peixerada da mais miserável.

Compreende-se a impaciência dos deputados, com o tempo as emoções dão lugar à racionalidade, as imagens fortes dos jornalismo cedem o passo a um debate sério, os bombeiros cedem o passo aos que terão de ajudar as populações a reconstruir o que foi destruído. É agora que poderão ganhar alguns votos.

Estes deputados representam os caciques locais, uma imensa tei de interesses distritais e locais e com a queda das intenções de voto no PSD em forte queda, há um sério receio de se perderem muitos lugares, muitos deixarão de ser autarcas, de ser administradores de empresas municipais ou assessores. São dezenas de milhares de militantes que perdem os seus lugares e que verão a sua forma de vida arder com uma derrota eleitoral.

Isto significa que não é com os que sofreram com os incêndios de Pedrógão Grande, Figueiró dos Vinhos e Góis que essa gente está preocupada. Os que querem salvar à custas dos que morreram são os que vão ficar queimados com uma derrota nas eleições autárquicas.

Umas no cravo e outras na ferradura



 Jumento do Dia

   
Miguel Pinheiro, jornalista do Observador

Quem lê o título do artigo deste jornalista do Observador é levado a pensar que alguém tentou calar os jornalistas portugueses, algo que, felizmente, este corajoso jornalista, tal como uma boa parte dos jornalistas vivos da nossa comunicação social não sabem o que é. Ninguém neste país, governo ou oposição ou mesmo os bombeiros ou polícias incomodaram os jornalistas ou condicionaram o seu trabalho. O contrário talvez, não foram raras as imagens de bombeiros e agentes da autoridade pedindo para que os jornalistas os deixassem trabalhar.

Também se ficou com a impressão de que os centros de comando de combate ao incêndio eram centros de imprensa e que os que alia estavam tinham por função recolher notícias para alimentar o jornalistas ou que acompanhavam os incêndios para informar as televisões sobre os locais onde podiam obter as imagens mais chocantes.

mas suscitar esta questão neste momento pode revelar uma intenção um pouco mais manhosa, tenta-se passar a imagem subliminar de que alguém quer calar a verdade. Trata-se de uma mentira, nunca se viu um incêndio com tanta informação para os jornalistas. Ouviram-se muitas criticas mas não vieram de governantes, políticos da oposição e autoridades no local, viera de pessoas que se indignaram ou, como sucedeu, com o trabalho de Judite de Sousa, de outros jornalistas.

É informar entrevistar um homem poucas horas de ter visto a mulher e duas filhas morrerem em consequência de uma decisão sua' Isso é notícia? A vítima estava em condições de decidir o que seria melhor para ele naquele momento ou muito simplesmente se aproveitou a vulnerabilidade quem sofria para vender mais edições do Público.

É informar  entrevistar o sogro de uma vítima cujo cadáver está ali ao lado? É informar perguntar o que pensam de estar ali no chão a aguardar que as autoridades os retirem a familiares em sofrimento?

É sobre este género de situações que o jornalista do Observador se devia pronunciar em vez opinar sobre críticas as jornalistas sem referir quais as pessoas que fizeram as críticas que merecem a sua opinião. Diz que quem regressa dali não volta a ser o mesmo e tem toda a razão, mas regressa para o conforto do seu lar, para a comodidade da sua redação e para os braços dos entes queridos.

Mas como ficam aqueles que foram tratados como animais de circo para sucesso dos jornalistas? Como fica o homem que foi exibido a toda a página do Público dizendo que tinha mandado a família para a morte? Como fica o senhor que estava apático ao lado do carro onde tinha morrido um genro? Como estarão as senhoras cujos familiares eram cadáveres aparentemente esquecidos pelas autoridades? Não, não importa como esses ficam e é melhor não criticar os jornalistas porque eles têm o poder de destruir quem os critica ou, muito simplesmente, os políticos de que eles ou os seus patrões não gostam.

Não caro Miguel Pinheiro, ali para os lados de Pedrogão foram vistos muitos bons jornalistas, mas também andou por lá gente a ganhar à conta da desgraça alheia, os abutres. E não foram apenas os que andaram a roubar nas aldeias abandonadas, em matéria de abutres a nossa fauna é mesmo muito diversificada e, infelizmente, ao contrário de toda a biodiversidade queimada, essa fauna não foi queimada pelo fogo.

«Este texto não é corporativo. Ou antes: é. Ou melhor: é mais ou menos. No meio de tudo o que tem acontecido, a última coisa que eu queria era escrever sobre jornalistas. Mas tem mesmo que ser, porque, nos últimos dias, regressou a velhíssima caricatura do jornalista-abutre. Aqui no Observador, por exemplo, Miguel Tamen seguiu esse tortuoso caminho; no Público, a quota foi preenchida por António Guerreiro; na SIC Notícias, por José Pacheco Pereira.» [Observador]

 Agora dava jeito um cata-vento

O que dava jeito a Passos Coelho é que o Presidente da República mudasse de opinião cada semana, que na semana passada estivesse solidário com o governo face à crise dos incêndios e que esta semana se juntasse à oposição oportunista para crucificar o primeiro-ministro ou, melhor ainda, atirá-lo para o fogo do inferno, a lembrar o desejo do líder do PSD que o diabo aparecesse no país para o ajudar a chegar ao governo. Digamos que o que dava mesmo jeito a Passos Coelho era que Marcelo fosse mesmo o cata-vento que um dia ele sugeriu que era.

sexta-feira, junho 23, 2017

Os DDT da agricultura

Imagine que herdou 300 ha de terrenos sem aptidões agrícolas, algures no meio da serra ali para os lados de Góis ou da Pampilhosa da Serra. Trata-se de uma grande extensão, com difíceis acessos, de encostas pedregosas. No passado talvez pudesse plantar oliveiras ou mesmo semear algum cereal menos exigente, aveia ou centeio, para alimentação de animais. Nos dias de hoje esses terrenos não têm valor económico por não assegurarem padrões de produtividade compatíveis com os custos que a produção agrícola exige atualmente.

Resta deixar crescer o mato ou florestar, mas se crescer o mato pode ser acusado de não limpar os terrenos e ser multado por isso, quase que é forçado a florestar. Trezentos hectares é uma extensão com um terço da dimensão do Parque Florestal de Monsanto, a grande mancha verde da capital. Florestar uma área desta dimensão implica construir caminhos, limpar os terrenos, recorrer a máquinas e trabalhadores para fazer buracos, preparar o terreno e assegura a rega durante algum tempo, para além de adquirir milhares de pequenas árvores.

Resta escolher que árvores plantar, terá de escolher espécies vegetais resistentes aos fogos e de crescimento lento ou por espécies vegetais de crescimento rápido. as primeiras oferecem vantagens ambientais e ainda que sendo mais resistentes ao fogo não deixam de ser vulneráveis a incêndios, para além de doenças e pragas, mas nenhuma companhia de seguros aceita cobrir-lhes os riscos. A sua exploração só ocorrerá daqui a três ou quatro décadas, mas muito provavelmente as árvores só servirão para produzir lenha, isso se, entretanto, os ambientalistas não conseguirem uma lei que determina que essas espécies são protegidas, nesse caso a sua floresta servirá apenas para ornamento ambiental, cabe-lhe a si cuidá-la sem benefícios.

Tem uma boa alternativa, vai a uma empresa de celulose que lhe assegurará a plantação da florestas de eucaliptos a troco de uma parte da produção. Há ajudas públicas para a plantação do eucalipto e graças ao fato de se tratar de uma árvore de crescimento muito rápido em breve começará a receber receitas muito apreciáveis. 

Vai optar pelas espécies resistentes ao fogo ou pelo adorado eucalipto?

É óbvio que vai optar pelo eucalipto e é isso que explica que em poucas décadas temos uma percentagem de área com eucalipto provavelmente muito superior à da Austrália. Isso explica que tudo vale na plantação do eucalipto e que a estrada nacional 236 tivesses eucaliptos plantados quase até ao limite do alcatrão. Basta ir ver as fotografias de satélite do Google Maps para se ver que na região de Pedrogão e Góis há muitas estradas que quase não se deixam ver por estarem cobertas pelas copas das árvores.

Como é possível que as celuloses beneficiem deste ambiente favorável à sua atividades sem regras? Porque as celuloses estão para a agricultura como a banca estava para as finanças, se os banqueiros deram os donos disto tudo na economia e nas finanças, as celuloses são são os donos disto tudo no mundo rural. Da mesma forma que os ministros das Finanças se curvavam perante as exigências dos banqueiros, desde o Eng. Álvaro Barreto que quem manda nas florestas portuguesas são as celuloses.

Ainda há poucos dias o lóbi das celuloses, através da CELP, a sua Associação da Indústria Papeleira Portuguesa fez publicar anúncios pagos na imprensa criticando a reforma florestal, diziam que:

"A fileira industrial baseada no eucalipto tem sabido aproveitar os recursos naturais de que o país dispõe [...] utilizando uma espécie bem adaptada, e tem-no feito de forma exemplar, responsável e com total respeito pelo ambiente", argumentou a CELPA, defendendo que a proibição "prejudica os produtores florestais, provoca perda de competitividade da indústria da pasta e papel e contrai a economia do país".

O anúncio, que usa uma linha de argumentação muito semelhante ao das tabaqueiras em relação aos malefícios do tabaco ou das petrolíferas no que se refere ao aquecimento global, foi publicado no dia 21 de Abril, no mesmo dia Capoulas Santos, numa demonstração de grande preocupação com as críticas das celuloses, assegurava que continuaria a apoiar o eucalipto. Porque será que agora que se ouvem tantas vozes criticando os abusos das celuloses os senhores da CELPA que têm tanto dinheiro para pagar anúncios, optaram por um silêncio cobarde?

Umas no cravo e outras na ferradura



 Jumento do Dia

   
Pedro Pimpão, deputado

Para Pedro Pimpão o soldado da GNR de castanheira de Pera é membro do governo e António Costa deve ser responsável por tudo o que qualquer agente da autoridade faça.

«Os deputados do PSD que estiveram no terreno e nas zonas afetadas pressionaram o partido — na reunião da bancada social-democrata desta quinta-feira — a enfrentar a “propaganda” do Governo, apesar de o momento ser de luto. “Já chega!”, disse emocionado um dos deputados. Outro optou, também ainda abatido, por contar que a própria filha foi encaminhada pela GNR para a estrada da morte, mas decidiu seguir outra alternativa. Foram várias as vozes da bancada a insistir que está na hora de começar a escrutinar a ação do Governo.

O deputado Pedro Pimpão, eleito por Leiria e que esteve desde o primeiro dia no terreno, emocionou-se na reunião de bancada enquanto garantia aos outros deputados que o discurso oficial do Governo não bate com a realidade. “Custa-me ver toda esta propaganda sem respeito pelo que aconteceu. Sei que o PSD deve respeitar o luto mas já chega, é preciso que as pessoas saibam a verdade“, afirmou o deputado na reunião à porta fechada, de acordo com declarações recolhidas pelo Observador e que o Expresso também noticiou. A direção da bancada e a direção do partido estão a preparar-se para não dar tréguas ao Governo na busca de responsabilidades pelo que aconteceu.» [Observador]

 Sugestão

Se nos próximos dias aparecerem "especialistas", professores universitários ou políticos  a argumentarem em defesa das celuloses, com argumentos de que as críticas ao eucalipto não têm fundamento científico, que o problema é dos abusos e que o setor é fundamental para a economia, exijam-lhes que façam as suas declarações de interesses, que nos digam se de alguma forma ganham dinheiro com os eucaliptos.

 Estradas da morte

Vivemos num país onde muitas centenas de polícias e funcionários municipais se dedicam à caça às multas do estacionamento, somos perseguidos a toda a hora por agentes muito diligentes na hora de passar o aviso das multas, as instituições do Estado multa o cidadão comum por tudo e por nada.

Mas parece que o rigor no estacionamento não se aplica quando está em causa a proteção da ida, da mesma forma que em Lisboa se multa muito por estacionamento e muito pouco por desrespeito pelas passadeiras de peões, há centenas de quilómetros de troços de estradas onde a zona de segurança em que a lei proíbe a florestação não se respeita. É óbvio que os donos desses terrenos não querem prescindir neles, são os de mais fácil acesso e ao a madeira é só lucro. Mas as leis, os fiscais e os polícias servem para que o país não seja uma selva.



A imagem mostra a agora mal afamada EN236, que ficou conhecida por "estrada da morte". Trata-se de um troo na zona onde se registaram as mortes numa imagem do Google Maps anterior ao incêndio. Quem quiser pode percorrer essa estrada recorrendo ao Street View. Em muitos troços, como o da imagem os eucaliptos chegam à beira do asfalto, estando separados por uma vala de meio metro.

Ninguém viu isto na estrada EN236, o mesmo sucedendo em centenas de troços de estrada deste país? Quem fiscalizou a EN236, quem são as suas chefias imediatas que fizeram de conta que davam ordens para cumprir e fazer a cumprir a lei? O que levará a que muitos responsáveis e agentes da autoridade ignorem a lei num país com tantos e tão violentos incêndios.

O mínimo que se exige é que os responsáveis pela fiscalização deste troço sejam acusados de homicídio involuntário. Aposto que nas semanas seguintes vão chover multas e ordem para abater eucaliptos que estão na beira da estrada.

Não faria sentido aumentar aquela distância para vinte metros? Imagino que os madeireiros e as celuloses não gostariam, mas que se danem, à frente dos seus interesses está a segurança dos portugueses.

      
 Não deixar morrer
   
«Toda a gente está a falar da tragédia de Pedrogão. Muitos se lembram da última vez que se falou da última tragédia. Exprimem-se indignação, revolta, angústia e desespero. Às forças da inércia, da preguiça, do statu quo, do deixa-andar que acaba por dar em deixa-arder, basta esperar que tudo passe. Até acontecer outra tragédia e começar tudo outra vez.

Como se pode impedir este sistema cómodo e assassino de sobreviver? As forças do deixa-arder, para disfarçar, erguem-se a protestar também, para não destoar. As forças do deixa-arder tudo fazem para deixar desabafar quem quiser. É desabafando que eventualmente perderemos o fôlego. Depois do desabafo - contam esses poderes instalados - virão o cansaço, o abatimento, a desistência e a aparência externa, politicamente crucial, de indiferença e esquecimento.

Malfeitores são também os que não fazem nada ou só fazem o mínimo para parecer que respondem aos protestos. Malfeitores são também os que, no momento da tragédia, prometem fazer o que ainda não fizeram. Esses são os primeiros a esquecer as promessas. Só se lembram delas para voltar a fazê-las: as mesmas promessas com que nos calaram da última vez.

Como se há-de manter este saudável sobressalto em que tantas vozes discordantes se levantam? Como se há-de manter esta heróica teimosia em repetir o que já se gritou tantas vezes em vão?

É a quantidade de vozes que importa, até mais do que dizem ou divergem. É preciso que não se calem, para que não contem com o nosso silêncio.» [Público]
   
Autor:

Miguel Esteves Cardoso.