segunda-feira, outubro 16, 2017

O conto do vigário

Ainda que a expressão sugira que vigário seja um sinónimo de vigarista ou burlão, a verdade é que o vigário da estória que segundo a tradição deu lugar à expressão era mesmo um vigário, um sacerdote designado para coadjuvar um pároco, em suma, um padre. Conta-se que “ainda no século XVIII, uma disputa entre os vigários das paróquias de Pilar e da Conceição em Ouro Preto, pela mesma imagem de Nossa Senhora. Um dos vigários teria proposto que amarrassem a santa ao burro que estava solto na rua. Pelo plano, o animal seria solto entre as duas igrejas. A paróquia para a qual o burro se encaminhasse ficaria com a imagem. O animal foi para a igreja de Pilar, que assim ganhou a disputa. Mais tarde teria sido descoberto que o burro era do vigário dessa igreja” (Wikipedia).

Não é do burro que vamos falar, ainda que nesta história pouco dignificante que estão sendo as eleições para a escolha do líder do PSD não faltem burros, lerdos e espertalhões de duas patas, não sendo de por de parte a possibilidade de algum procurador mandar o Sol contar se eles andam em casa nas quatro patas, depois dos sinais nas pilinhas, das compras de cocaína pelo Sócrates e da frutaria nas Antas nada nos surpreende neste país. Vamos falar dos candidatos do PSD, mais precisamente de Santana Lopes e Rui Rio.

Neste caso o burro são os militantes do PSD, e o vigário dono do burro é o da paróquia de Belém, porque depois de Marcelo Rebelo de Sousa ter exibido os fardos de palha ao lado de Santana Lopes todos sabemos para onde vai correr um burro esquelético e cheio de fome de poder. 

O que mais impressiona nalguns protagonistas nesta disputa, como Marcelo, Miguel Relvas e outros é a falta de respeito pelas regras mais elementares e o despudor como se comportam no pressuposto de que os militantes do PSD não têm autonomia intelectual e dependem de truques para decidir em quem vão votar. Se Marcelo Rebelo de Sousa parece ter-se inspirado no velho conto do vigário, já Miguel Relvas, mesmo culto e mais arredados de paróquias e profissões parece ter-se inspirado nas nossas feiras.

Ainda que tendo sido um político inspirado no “caga milhões” Relvas e outras personalidades do PSD parece inspirar-se noutro tipo de vendedor de feira. Era muito comum nas nossas feiras haverem vendedores que montavam uma banquinha e anunciava as vantagens do seu produto, em regra algo com aparência de cura inovadora de uma qualquer maleita. O povo aproximava-se, rodeava o vendedor, mas ficava hesitante, até que um ou dois capangas do vendedor se decidiam a comprar o produto, levando os hesitantes a fazer o mesmo.

Esta luta pela liderança do PSD mostra até que ponto aquele partido se deixou degradar e as personagens que se estão envolvendo nesta disputa estão proporcionando um espetáculo que não passa de uma pantomina.

Umas no cravo e outras na ferradura



 Jumento do Dia

   
Fernando Nobre, ex-deputado do PSD

Para os que estão mais esquecidos Fernando Nobre foi deputado do PSD na anterior legislatura e só o deixou de ser porque o parlamento rejeitou-o na escolha do presidente. Isto é, o mesmo Fernando Nobre que agora diz que o crescimento da economia não chegou aos mais pobres, é o mesmo que se preparava para estar à frente de um parlamento que adoptou medidas para que os pobres ficassem mais pobres depois de escolhidos para ajudar a superar a crise, ao mesmo tempo que se poupavam os mais ricos.

Fernando Nobre não parece ter o bom senso que recomendaria que evitasse mexer em questões relacionadas com pobreza.

«Organizações do setor social reconhecem que há uma melhoria da situação económica do país, mas que esta ainda não chegou à franja mais pobre da população, superior a dois milhões de portugueses.

"O panorama económico do país atualmente é melhor (...), mas o que temos constatado é que ao nível da franja mais pobre da população ainda não estamos a ver o retorno dessa melhoria", disse o presidente da Fundação AMI, que falava à Lusa a propósito do Dia Internacional para Erradicação da Pobreza, que se assinala na terça-feira.

Para isso acontecer, seria preciso que o crescimento previsto de 2,5% da economia portuguesa se "mantivesse durante alguns anos", adiantou Fernando Nobre.» [DN]

 AT acusou Sócrates?

Quando o MP tornou pública a acusação deduzida no Caso Marquês muitos órgãos de comunicação social dissseram que o "MP e a AT" acusou os arguidos do processo. Ainda que ninguém tenha vindo a público contrariar este tipo de notícias é saudável esclarecer que a AT não acusou ninguém de nada.

O fato de nas investigações um serviço da AT ter funcionado como órgão de polícia criminal e ainda que seja mais ou menos claro, a crer no que se foi lendo na comunicação social, que quase todo o trabalho foi feito por um grupo de funcionários da AT, isso não significa que esta autoridade esteja vinculada à acusação.

Tanto quanto se sabe nada do foi escrito pelos funcionários da AT foi sancionado pela sua hierarquia, ali´s, no respeito pelo segredo de justiça a hierarquia da AT nem poderia ter conhecimento do que se apurava ou se julgava estar a ser apurado no âmbito do processo. Quem sancionou o trabalho dos funcionários da AT foi a hierarquia do MP. A AT enquanto instituição esteve e continuará a estar à margem da instituição, pelo que todos os "louros" do processo devem ser entregues aos procuradores envolvidos no processo.

 MP deixou cair a suspeita de consumo de cocaína?

Agora que há uma acusação no caso Marquês vale a pena perguntar porque razão deixaram cair tantas suspeitas, será porque não tiveram provas ou porque no momento em que as usaram para difamar não tinham quaisquer provas. Uma das suspeitas mais hilariantes que "deixaram" escapar para os jornais foi a de que Sócrates comprava ou mandava comprar cocaína.

«As suspeitas à volta da compra de droga começaram começou durante a fase mais sigilosa da Operação Marquês. Poucos meses antes de os investigadores avançarem para a detenção de José Sócrates - 21 de Novembro de 2014 - o procurador Rosário Teixeira, o inspector tributário Paulo Silva e o juiz de instrução Carlos Alexandre ouviram várias escutas telefónicas e ficaram com a suspeita de que o antigo primeiro ministro usava o dinheiro na posse do seu amigo, Carlos Santos Silva, para comprar ou mandar comprar cocaína e/ou outros estupefacientes.

(...)

Na publicação, refira-se, José Sócrates, suspeito, entre outros crimes, de corrupção fraude fiscal e branqueamento de capitais, não faz qualquer referência às escutas telefónicas com que as testemunhas foram confrontadas, as quais indiciariam, segundo a investigação, uma eventual compra de cocaína ou de "outras substâncias", como referiu, por exemplo, o inspector tributário Paulo Silva.» [Sábado]

A suspeita pariu do fiscal da AT mas o Sábado assegura que o procurador Rosário e super juiz de Mação alinharam nessa suspeita. Para termos a certeza de que não estamos perante uma manobra de difamação e porque ninguém se demarcou da notícia difamatória seria bom que o fiscal de Braga e os magistrados tornassem públicas as escutas que acharam ter fundamento para esta manobra difamatória.

 Condecorado com a Ordem da Liberdade



Agora que António Barreto foi condecorado com a Ordem da Liberdade, que no seu caso e pelo seu historial de luta pela democracia equivale a uma prenda na Farinha Amparo, vale a pena ler o seu primeiro artigo desde que Marcelo o agraciou:

«É uma história sem fim feliz. Qualquer que seja o desenlace, ficaremos a perder. Portugal e o seu povo ficarão sempre a perder. Evidentemente, se justiça for feita, poderemos sempre dizer que ressuscitámos, que a Justiça é a nossa Fénix. Se os culpados forem expostos e condenados e se as vítimas e os contribuintes forem pelo menos moralmente ressarcidos (nunca o serão financeiramente...), será possível dizer que, bem lá no fim, a Justiça prevaleceu. Se assim for, poderá também afirmar--e que será possível, depois do desastre, aprender com os erros. É uma consolação.» [DN]

Isto é, com uma condecoração novinha em folha atribuída a um suposto defensor da liberdade, António Barreto começa o seu artigo partindo do princípio de que na justiça deve prevalecer a presunção da culpa e só se o arguido for condenado é que foi feita justiça. Para quem tem uma coluna com o título genérico de "sem emenda" é caso para dizer que nunca um título foi tão ajustado.

Todo o artigo é uma lista de acusações sem direito á defesa, com António Barreto chamando a si o papel de juiz de um tribunal plenário, onde condena sem ouvir, sem defesa e sem qualquer pejo em condenar apenas com base na sua má opinião acerca do arguido:

«As instituições, por responsabilidades objectivas ou subjectivas, não agiram quando deviam, não perceberam o que estava a acontecer.»

«Os governantes não falharam, porque eram cúmplices ou protagonistas.»

«Convém não esquecer que não se sabe onde pairam cinco a dez mil milhões "desaparecidos", mas que se encontram depositados a recato em contas de famílias, seus mandatários, cães e gatos.»

«Ou perde a democracia e o seu sistema político que conviveu com parasitas da política ou das finanças, deixou pulhas roubar o Estado e permitiu que velhacos roubassem depositantes, credores e accionistas de boa-fé.»

António Barreto está tão certo de que Sócrates vai ser condenado ou de que quando o julgamento chegar ao fim já ninguém se lembrará das alarvidades

Como português sinto vergonha que um cidadão acabado de receber uma condecoração nacional das mãos do presidente da República escreva assim, como um mero leitor de pasquins. E sinto ainda mais vergonha pelo país e pela democracia e por todos os que por ela se bateram e morreram ao ver que quem escreve desta forma e com estes princípios tenha recebido precisamente da Ordem da Liberdade.

Os últimos portugueses a receber a Ordem da Liberdade foram António Guterres e Mário Soares. Não sei o que Marcelo o critério para alguém merecer receber esta condecoração, mas é evidente que nesta coisas das condecorações é como no vinho, há anos de vintage e outros que são de zurrapa.

 Dúvidas que me atormentam

O Público, jornal da SONAE, parece estar muito interessado no negócio da PT, o que se entende, O Azevedo Jr parece ter tido um papel muito importante na acusação a Sócrates, fazendo sentido que o jornal use agora as suas páginas para convencer a opinião pública sobre essa acusação. Faz, sentido, para alguma coisa de investe em jornais.

O que não entendo é porque tendo o representante do Estado na assembleia da PT ter assegurado que recebia instruções de dois colegas do escritório, estes não terão sido chamados a depor para explicarem de quem recebiam as instruções que davam a Sérvulo Correia:

«O PÚBLICO consultou o depoimento de Sérvulo Correia durante o inquérito (o professor faz parte do rol de testemunhas de acusação deste caso) e o reputado advogado apenas admite ter recebido instruções verbais para se abster.

O antigo professor universitário garante que nunca reuniu com nenhum membro do Governo antes da assembleia de 2 de Março e reconhece que o convite e as instruções sobre o sentido de voto que deveria seguir lhe foram transmitidos por dois colegas de escritório, Rui Medeiros e Lino Torgal. Questionado pelo Ministério Público sobre se "não estranhou" ter recebido um convite por "via indirecta" e instruções pela mesma via, o advogado respondeu que não. E justificou essa posição com o facto de "confiar" nos seus colegas.   

Adiantou, no entanto, que na altura lhe foi disponibilizado o contacto telefónico directo do então ministro dos Transportes e Comunicações, Mário Lino, e de um secretário de Estado que admite ser Costa Pina, para que, se fosse necessário, obtivesse orientações durante a assembleia.» [Público]

Certamente o tempo escasseava e considerou-se que tais testemunhos não trariam nada de novo à acusação.

 António Ventinhas

António Ventinhas, líder do sindicato que em tempos organizou um congresso luxuoso com o patrocínio dos dinheiros duvidosos do BES, apressou-se a declarar a propósito do Caso Marquês, que a provarem-se as acusações era preocupante porque isso significaria que o poder está corrompido.

Agora ficamos à espera que apareça a acusação ao ser colega que está preso preventivamente no âmbito do processo do vice-presidente de Angola. Veremos que se for deduzida acusação o sindicalista vem logo no dia seguinte dizer que a comprovar-.se a acusação isso significa que o MP está corrompido.

 Quem falou em OE eleitoralista?



 Empresas portuguesas deram-se mal na Irlanda

Marques Mendes socorreu-se de uma entrevista de Daniel Bessa em apoio das suas críticas ao OE. Mas o mais hilariante foi a forma como Marques Mendes apresentou o homem do Norte para assegurar que era uma opinião inquestionável. A definição de Daniel Bessa segundo Marques Mendes: é um grande economista, não é político e é da oposição porque (durante um par de dias) foi ministro do PS.

      
 Empresas portuguesas deram-se mal na Irlanda
   
«O caso de três empresas portuguesas condenadas na Irlanda por pagarem salários abaixo do contratado e descontarem por alojamento e lavandaria é um precedente que desencoraja situações semelhantes, afirma a presidente da Associação Portuguesa da Irlanda. 

"Depois de este julgamento estar confirmado e registado, vai ter implicações para outras empresas porque não será preciso ir a julgamento, estabelece um precedente judicial", disse Maria Manuela Silva à agência Lusa. 

O Tribunal de Recurso confirmou em 4 de outubro a sentença do Tribunal Superior [High Court] de março de 2016, quando as empresas Amândio Carvalho SA, Rosas Construtores SA e Gabriel Couto SA, que formavam o consórcio Rac Eire Partnership para uma autoestrada na Irlanda entre 2007 e 2009, condenadas a pagar cerca de 1,2 milhões de euros a um grupo de 27 de trabalhadores portugueses. » [Expresso]
   
Parecer:

Estão mal habituadas.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Aprove-se.»

domingo, outubro 15, 2017

Semanada

O país festejou a acusação a Sócrates, uns porque tiveram matéria para o pendurar mais uma vez, outros porque começavam a ter dúvidas da competência do MP. Mas há os que deverão estar tristes, acabaram-se os segredos da vida pessoal de um ex-primeiro-ministro, resta-nos a esperança de que sejam abertos mais processos. Há uns anos atrás soube-se de pintinhas em pirilaus, agora das férias, namoradas e ex-esposas de Sócrates, mas há muito por saber. Pagava para que o Marques Mendes tivesse um processo para que o CM; nos contasse como é que ele dá uma em pé. Delirava ver o Sol, até mesmo o seu diretor a escrever um livro sobre as se Assunção Cristas compra na Intimissimi ou se ainda recorre ao enxoval do casamento e usa lingerie com rendas de bilros.

A propósito do OE para 2017 Marcelo Rebelo de Sousa manifestou-se preocupado com o eleitoralismo em 2019, o que nos leva a questionar se na próxima comunicação na noite de Natal vai falar das prendas no sapatinho deste ano ou das desgraças de 2019. Talvez Marcelo Rebelo de Sousa não tenha reparado, mas todos os orçamentos são eleitoralistas, se os governos forem honestos e a realidade o permitir, cumprem o que previram nos programas eleitorais adotando medidas orçamentais ao longo da legislatura. Se a Geringonça concluir em 2019 as medidas previstas no acordo e no programa eleitoral do PS faz o que prometeu aos eleitores. Aliás, a Geringonça não estará apenas a cumprir as suas promessas, muito do que Marcelo designa por eleitoralismo estava previsto no programa do PAF para 2019!

A propósito do incêndio de Pedrógão Grande Marcelo falou de “responsabilidade funcional”. Embora não tenha explicado o que é essa coisa de responsabilidade funcional, isto é, o que significa ter responsabilidade porque quem tem funções está vários degraus abaixo na hierarquia, parece que sugere que a ministra seja responsabilizada. Abaixo da ministra há tantos degraus hierárquicos como os que existem entre o comandante supremo das forças armadas e o comandante da base de Tancos. Será que no caso de Tancos também serão assumidas as responsabilidades funcionais?

O país teve dois momentos de grande felicidade nesta semana, dignos de se cantar o hino com grande exaltação nacionaliza, desta vez a seleção conseguiu ganhar à Suíça e como se isso não bastasse, até o país tremeu com esse enorme orgasmo nacional que foi o anúncio pelo próprio da candidatura de Pedro Santana Lopes, um homem que todos conhecemos e podemos certificar que não é gay ou coisa parecida. Consta que as fábricas de incubadoras estão a adotar controlos de qualidade mais exigentes enquanto as fábricas de talheres estão a aumentar o stock de facas pois prevê-se um aumento significativo da procura.

Umas no cravo e outras na ferradura



 Jumento do Dia

   
Daniel Bessa, "ex-ministro do PS"

Só mesmo esta luminária conseguiria o milagre garantindo que "com este crescimento eu teria, no mínimo, um défice zero", só não explica como é que com défice zero teria este crescimento.

Este senhor, que ganhou mais notoriedade nacional por ter sido ministro do PS durante um par de dias do que pelos muitos anos de gestor ou de universitário, foi um dos defensores mais firmes da pinochetada económica de Passos Coelho, é o homem a quem os jornais recorrem quando querem falar mal da esquerda e ajudar a direita.

Nesta fase o problema é outro e vão desfilando os apoios a Rio ou a Santana e todos estes apoios fazem a sua declaração de saudosismo em relação a Passos Coelho. Alguns, como este, metem dó, até porque não é Rio que precisa de Bessa, em termos de votos dentro do PSD o "ex-ministro do PS" não vale o caracol, assim, é Bessa que quer sair da penumbra colando-se a Passos. As suas alarvidades económicas é um recado, está dizendo a Rio "ó Rio, se ganhares não te esqueças de mim".

«Na sala de entrada da Porto Business School onde dá aulas, Daniel Bessa sente-se em terra firme. A sua intervenção política é um “diletantismo”, que não o inibe de assumir posições críticas contra a política financeira do Governo, a elogiar Rui Rio ou Emmanuel Macron ou a agradecer a Passos Coelho. Mas é como académico com forte ligação às empresas que mais gosta de se projectar. Nessa condição, congratula-se que a economia cresça não pelo consumo como previa o Governo, mas pelo lado da exportação. E lamenta que não se olhe mais “para amanhã” e se faça um esforço maior para travar “o barril de pólvora” da dívida.» [Público]

 Orçamento eleitoralista

Orçamento eleitoralista é um OE com um défice de 1%!

 É o orçamento minha querida!

Assunção Cristas fez a declaração mais acertada sobre o OE 2018, que o governo dá com uma mão e tira com a outra. São assim os orçamentos de um lado têm as despesas e do outro as receitas.

      
 O que é a culpa funcional?
   
«Num texto escrito, "para ser mais breve e mais compreensível", Marcelo Rebelo de Sousa deixou um convite "a uma avaliação dos contornos jurídicos do sucedido quanto ao enquadramento de acções e omissões no conceito de culpa funcional ou de funcionamento anómalo ainda que não personalizado, como sabemos pressuposto de efectivação da responsabilidade civil da Administração Pública".

O Presidente acrescentou que "Portugal tem o dever de proceder a tal avaliação e de forma rápida, atendendo à dimensão expecional dos danos pessoais, a começar no maior e mais pungente que é a perda de tantas vidas".

Marcelo deixou ainda um apelo "à coragem de aproveitarmos por uma vez uma tragédia para mudarmos de vida e rompermos com aquilo que estrutural esteve mal, não minimizando o que correu mal, não tentando fazer de conta que ela foi o que foi, antes mobilizando tudo e todos, mas mesmo todos".» [Público]
   
Parecer:

Marcelo tem aqui matéria para uma aula a dar a todo o país.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»
  
 A Maria Luís voltou
   
«O Orçamento do Estado (OE) para 2018 segue "uma estratégia errada, revela falta de visão e falta de ambição para o futuro do país" e representa mais uma "oportunidade perdida" por o Governo não aproveitar  a conjuntura económica favorável para fazer reformas para preparar o futuro. Quem retrata assim a proposta entregue ontem pelo Governo na Assembleia da República é a ex-ministra das Finanças e vice-presidente do PSD, Maria Luís Albuquerque, mas mesma a ideia foi igualmente sublinhada, com boa parte destes termos, pela líder do CDS-PP, Assunção Cristas, este sábado ao fim da manhã.

"Em três orçamentos deste Governo, dois são de desaceleração da economia" destacou a deputada, apontando "o aumento do peso do Estado" no OE2018 como um sinal que preocupa o PSD. E criticou também o facto de haver muitas medidas “faseadas”, que são o reflexo de uma forma “pouco séria de conduzir as políticas económicas e orçamentais”, procurando criar “ilusões” nos eleitores em vésperas de legislativas, como é o caso do pagamento da progressão nas carreiras.» [Público]
   
Parecer:

Alguém tinha de fazer o frete de falar sobre o OE e são cada vez menos os que se aproximam de Passos Coelho.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Lamente.-se o sacrifício a que tem sido sujeita a pobre rapariga.»

 Só faz falta quem está
   
«Convidados para a cerimónia, que se realiza todos os anos, os generais decidiram não comparecer, sendo que alguns deles nem mesmo alegaram compromissos de agenda, ao que apurou o Expresso. Outros pretextaram razões de saúde ou afazeres profissionais. O grosso dos oficiais-generais terá comparecido.

Entre os “faltosos“, encontravam-se os ex-chefes Valença Pinto, Garcia dos Santos e Rocha Vieira, o ex-vice-CEME Campos Gil e ainda os generais Carlos Reis (chefe da Casa Militar de Cavaco), Maia Mascarenhas, Ferreira e Costa e Fragoso Mateus.

Segundo as informações recolhidas pelo Expresso, os generais terão trocado pontos de vista, mas a falta de comparência não resultou de de uma decisão coletiva. A atitude terá tido como objetivo marcar posição face à gestão do “processo de Tancos” pelo atual chefe de Estado-Maior do Exército, general Rovisco Duarte, da qual discordam. Os generais consideram que o facto do assalto em si é gravíssimo, mas o que se seguiu foi ainda pior, ouviu o Expresso.» [Expresso]
   
Parecer:

Até parece que a culpa foi dos civis vizinhos da base.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Da próxima não se convide quem esteve ausente.»

sábado, outubro 14, 2017

Conclusões de um ignorante em direito



Confesso-me ignorante em direito, mas num país em que altos magistrados e administradores bancários tiraram os cursos de direito e de economia saneando professores catedráticos a mando do grande educador do proletariado Arnaldo Matos, mais o seu ajudante Saldanha Sanches, para depois concluírem as cadeiras com passagens administrativas, para não falar dos cursos à Miguel Relvas, sinto-me no direito a falar de tudo, do que sei e do que tenho a mania de que sei,, pelo menos enquanto a geração MRPP que atormenta o país não mudar na sua totalidade de residência para o Alto de São João. Aliás, depois de, a propósito, de Tancos ter ouvido uma alta magistrada dizer que o MP nada tinha que ver com a prevenção criminal, até me sinto um especialista no MP.

A primeira grande dúvida que tinha em relação ao processo de Sócrates era se no momento da prisão preventiva já havia matéria suficientemente par deter preventivamente um cidadão deste país, beneficiário dessa Constituição que em matéria de direitos individuais dizem ser uma das mais avançadas do mundo. Além disso, o juiz de instrução a quem cabe defender os direitos dos cidadãos arguidos dos abusos dos investigadores, era esse cidadão exemplar de nome Carlos Alexandre, de quem dizem ser um supre juiz. Não podia e posso estar mais tranquilo.

A acusação fez-me confiar na justiça, há uma acusação de corrupção que certamente explica a prisão preventiva de um ano, Sócrates influenciou o governo venezuelano para contratar uma empresa portuguesa. Mas agora vivo em grande ansiedade, quem me garante que amanhã não acordamos com Cavaco preso por ter dado benefícios fiscais para atrair a Autoeuropa, o Durão Barroso mais o seu compadre que tanto promoveram a diplomacia económica. Quem em garante que amanhã não estarão na ala prisional da PJ todos os que foram presidente do AICEP ou dos ministros que promoveram a internacionalização das empresas portuguesas?

Mas podemos estar descansados, até que porque muitos meses depois de Sócrates preso, quando o Vale de Lobos apareceu no processo, já havia mais do que motivos para que Carlos Alexandre despisse as suas vestes de defesa dos valores constitucionais, depois das casas da Venezuela a prisão preventiva de Sócrates era pouca coisa,  em comparação do que ele merecia. Já se sabia o suficiente para aaplicar sem julgamento uma qualquer pena imaginada pelo André Ventura.

Do caso de Vale de Lisboa já muito se disse sobre o negócio, mas se esquecermos a Venezuela, que fornece jurisprudência criminal suficiente para transformar a famosa Praia dos Tomates num Tarrafal Algarvio, promovendo o famoso Gigi a cantina prisional, só  muitos meses depois da libertação de Sócrates o MP encontrou matéria para uma primeira acusação. O caso da PT, fundamento da terceira acusação, só apareceu há poucos meses. 

De qualquer das formas fico grato por o Ministério Público me ter dado a conhecer a vida íntima de Sócrates. Agora estou ansioso opor saber como faz o Marque Mendes quando tem namoradas altas, quais os palavrões que Cavaco Silva diz à esposa nos seus momentos de intimidade, quem paga os fatos e os Jaguares ao Paulo Portas, se a Assunção Cristas usa fio dental ou cuecas de gola alta, se o Pacheco Pereira declama poesia enquanto dá as suas berlaitadas ou se o Pedro Mota Soares já consegue dar uma em cima de uma Lambreta. Confesso que depois de saber dos segredos de Sócrates fiquei viciado em voyeurismo e estou mesmo a pensar em exigir que o MP me trate um tratamento contra esta adição, depois de andar anos a saber da vindima íntima de um político já não aguento o sofrimento desde que sofro do síndroma de abstinência. Ou o MP volta a descrever a vida íntima de outros políticos ou continuarei em sofrimento psicológico.

Umas no cravo e outra na ferradura



 Jumento do Dia

   
Marcelo Rebelo de Sousa, Presidente com um ano de avanço

Quando li que Marcelo estava preocupado com o OE eleitoralista de 2019 voltei a ler para ter a certeza de que a minha cabeça não tinha batido na parede, mas não, o Presidente está mesmo preocupado com 2019.

Mas é um bom sinal, em 2016 falava-se no diabo, muitos esperavam que a geringonça ficasse desconjuntada em 017, poucos esperavam um acordo orçamental para 2018, mas Marcelo assume o seu estatuto de adiantado mental, como não tem nada a dizer de 2018 já está preocupado com 2019.

Mas depois de quatro anos de caminho para equilíbrio orçamental sem perseguições a pensionistas e funcionários públicos e sem depenar os pobres Marcelo terá mesmo de se preocupar com 2019 ou mesmo com 2020, ano das próximas presidenciais, já que aos poucos o país regressa à normalidade. Digamos que o Presidente tem tão pouco para fazer que já trabalha para 2019. Veremos se a sua mensagem de Natal vai ser feita a pensar no Natal deste ano ou se Marcelo vaio já falar do Natal de 2019.

Enfim, força Santana, fica atento às dicas do Marcelo.

«O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, pediu nesta sexta-feira, ao Governo e aos partidos que o apoiam, "bom senso e realismo" na gestão orçamental, deixando desde já alertas contra um eventual "Orçamento eleitoralista" para 2019.

"É preciso olhar para o ano que vem e, sobretudo, quando se conceber o orçamento para 2019, resistir à tentação de ele ser um orçamento eleitoralista", declarou o chefe de Estado, no encerramento do 7.º Congresso Nacional dos Economistas, na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa.

Numa intervenção de cerca de cinco minutos, o Presidente começou por se referir ao Orçamento do Estado para 2018, considerando que terá de se conseguir "um equilíbrio complexo" entre incentivos ao investimento, protecção social e controlo do défice.» [Público]

 Uma cantina escolar no Japão


Imaginem só se alguém sugerisse isto parra Portugal, a indignação dos país, as entrevistas dos diretores escolares, a revolta dos professores, a indignação dos autarcas, o programa Prós e Contras, o discurso do Santana Lopes, a gritaria esganiçada do Rangel, o pedido de esclarecimentos do Marcelo, as dezenas de artigos de opinião.

Não propomos a solução, sugerimos apenas o que por cá se diria. Até esqueciam os incêndios, os assaltos, as acusações e as candidaturas.

 A enterevista a Relvas na SIC Notícias

Esperava mais de Relvas, tinha esperança de que tivesse melhorado, que tivesse um discurso com qualidade. Afinal, não melhorou nada com os negócios e o enriqueciemnto, continua banal, sem ideias, sem análises com qualidade, uma des

 Ainda que mal pergunte

Foi notícia que o MP estava a investigar bloggers, isto é, pessoas, que dizem o que pensam exercendo o seu direito á liberdade de expressão em blogues. Seria interessante se o MP esclarecesse publicamente que bloggers investigou e com que meios (escutas, vigilâncias, consulta de dados bancários ou rastreio de informações fiscais) usou na investigação desses cidadãos deste país.

 O Processo Marquês

Até agora tudo aquilo que fui obrigado a conhecer foram coisas de que não queria saber, não tenho o direito de saber o que quer que seja sobre qualquer pessoa, seja o primeiro-ministro ou a vizinha. As escutas e os poderes de investigar não servem para difamar os cidadãos e quase tudo aquilo que chegou aos jornais durante mais de três anos não passou de coscuvilhice.

Durante mais de três anos os portugueses pagaram de forma principesca a procuradores para que os jornais oficiosos da justiça publicassem milhares de páginas sobre matéria da via privada de cidadãos que estão no pleno uso dos seus direitos. A senhora Procuradora-Geral deveria ser chamada ao parlamento para explicar porque motivo o país foi forçado a saber tantos dados sobre a vida privada de um cidadão.

Há quem diga que é uma vergonha para o país que um ex-primeiro-ministro seja acusado, isso é verdade, ainda que seja o julgamento a dizer qual é o responsável por essa vergonha, se o primeiro-ministro que cometeu os crimes ou a Procuradora-Geral que promoveu acusações que depois não conseguiu provar em tribunal.

Todos os portugueses sabiam que ia haver uma acusação, quem prendeu um ex-primeiro-ministro e depois da forma como Sócrates reagiu só podia fazer uma coisa, fugir em frente e acusar. Agora sim que chegou a hora da justiça, agora os juízes não são super juízes justiceiros e a defesa tem os mesmo direitos e está no tribunal em igualdade com a defesa.

Acabou o tempo da difamação, começou o tempo da justiça. Faça-se justiça.

      
 A Quadratura de Sócrates
   
«A novidade da Quadratura do Círculo de hoje, foi a forma sibilina como se pretendeu – para já muito ao de leve -, colar António Costa e membros do actual Governo, e até o PCP, ao caso Marquês: não há como não soubessem o que Sócrates andava a fazer, havia tantos indícios anteriores do “mau carácter” de Sócrates – diz o Pacheco -, que a presunção de inocência não deve impedir que se discuta o caso, como se tudo de que é acusado fosse verdade e não tenha que ser provado. A falta de lisura de Pacheco é gravíssima em alguém que se quer fazer passar por impoluto justiceiro e paladino da ética e da justiça.

Ele que tanto privou com Oliveira e Costa, Cavaco, Duarte Lima, com Miguel Macedo, com o irrevogável Portas, o homem dos submarinos que nunca foi devidamente investigado pela Justiça,  nunca deu por nada que indiciasse o “mau carácter” destes personagens? Só com Sócrates é que ele conseguiu antever indícios de mau comportamento moral e cívico? Onde andavas Pacheco, quando a escritura da Casa da coelha de Cavaco desapareceu? Não achaste estranho? Onde andavas Pacheco quando o caso dos submarinos foi arquivado tendo sido provada a existência de corruptores na Alemanha e de corrompidos em Portugal? Onde andavas Pacheco quando o Oliveira e Costa, do alto do BPN, distribuía milhões pelos amigos do PSD e pela máfia laranja que o cercava?

E depois vem o Xavier falar dos milhões que circularam entre um determinado grupo dos arguidos acusados. Ó Xavier serias capaz de explicar todos os milhões que durante uma década circularam pelas tuas contas, e da tua família, se fossem passadas a pente fino? Garantes que tudo é limpo, legal e transparente? E as contas do teu patrono e amigo Belmiro de Azevedo? É um empresário “impoluto”, nunca pagou comissões a ninguém, nunca ganhou nenhum negócio “por baixo da mesa”? Talvez os herdeiros do banqueiro Pinto de Magalhães, que se viram espoliados de grande parte da sua fortuna, tenham alguma coisa a dizer sobre os métodos e o carácter desse tão aclamado empresário nortenho.

Como se só o Dr. Ricardo Salgado e Sócrates, a ser verdade aquilo de que os acusam, fossem a demonstração exemplar e única das más práticas do capitalismo, Ó Xavier, ó cínico e vendido comentador: em capitalismo, é raro haver grandes negócios que não sejam atribuídos e adjudicados sem que se mande um obséquio qualquer a  quem politicamente os decide e adjudica. As multinacionais e os seus gestores de topo, quando aterram num determinado país, têm já o perfil completo de quem vai decidir nas suas áreas de negócio, e até de quanto isso lhes vai custar. As escolas de gestão de topo discutem isto, ainda que de uma forma informal, e escrevem sebentas onde eufemisticamente falam em “práticas de estratégia negocial”.

Jorge Coelho, o mais equilibrado dos três, e que, honra lhe seja feita, assumiu ser amigo de Sócrates há mais de 35 anos, tentou colocar o problema da acusação a Sócrates na esfera do politicamente correcto: “à justiça o que é da justiça”, e “deixemos a justiça funcionar”, ainda que tenha avançado que as acusações em apreço “não se enquadram bem com o Sócrates que ele conheceu”. Contudo, Coelho, alinhou com os restantes tentando passar a ideia de que, a serem verdade os factos da acusação, eles são uma excepção, um caso isolado do capitalismo português. Ó amigo Coelhones, também tu és um sonso. Tu que foste director-geral da Mota-Engil, juras mesmo que nunca pagaste “luvas” e comissões a ninguém para ganhares um negócio? Juras que a Mota-Engil nunca foi beneficiada num concurso por um “amigo conveniente” bem colocado no processo decisório? Pois olha, não acredito, porque se tal fosse verdade, a Mota-Engil já tinha falido e, pelo contrário, está mais próspera que nunca. Até contratou o Portas, para fazer aquilo de que é acusado Sócrates nas suas relações com o Grupo Lena.

Em suma, para estes três, o capitalismo funciona conduzido por virgens puras e púdicas, sendo a meretriz o camarada Sócrates e o proxeneta o Dr. Salgado. Pois muito bem. Se algum dia o Dr. Salgado abrir a boca – por necessidade de se defender -, garanto-vos que nesse dia não restará nada mais que areia suja a embrulhar a honorabilidade de muitos daqueles que hoje mais atiram pedras aos arguidos. Empresários, juízes, jornalistas, comentadores e deputados, todos sem excepção.

Como diz o texto bíblico: somos todos feitos do mesmo barro, e devia haver decoro – que não há -, em atirar a primeira pedra. É que, por vezes, a pedra faz ricochete. Aguardemos, pois, os próximos capítulos desta ópera bufa em que se transformou o país.» [Estátua de Sal]
   
Autor:

Estátua de Sal.

      
 Uma grande conquista
   
«A Assembleia da República aprovou nesta sexta-feira projectos do PAN, do BE e do PEV que possibilitam a permissão de animais de companhia em estabelecimentos fechados de restauração, para além dos cães de assistência já autorizados por lei.

Os projectos, apesar de todos aprovados, mereceram votações distintas e tiveram, em várias bancadas, votos de deputados desalinhados da posição oficial do seu partido.

O projeto do PAN nasceu de uma petição remetida ao Parlamento pelo deputado único André Silva e visa alterar legislação de 2015, que não permite a entrada de animais em espaços fechados de restauração e bebidas, mesmo que o proprietário do estabelecimento o autorize.» [Público]
   
Parecer:

Se estiver num restaurante e sentir o cãozinho do cliente da mesa ao lado a mijar na sua perna fça um sorriso, trata-se de uma grande conquista democrática do PAN.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê.-se a merecida gargalhada.»

sexta-feira, outubro 13, 2017

O bom povo nunca se engana

Segundo os bons princípios da filosofia do tão nacional politicamente correto o povo é uma entidade sábia que decide em plena consciência que é ainda melhor e mais inteligente do que Cavaco Silva, este raramente tem dúvidas e nunca se engana, o nosso povo nem sequer tem dúvidas. Vai ganhar o PSD ou o PS? Não se incomodem, na hora o povo melhor saberá e decidirá o melhor para o país, reunir-se-á em plenário, fará as suas escolhas e decidirá quem ganha e se deve ganhar com maioria absoluta ou se defenderá uma coligação.

O estranho é que os mesmos que no dia seguinte a todas as eleições asseguram que o povo decidiu de forma sábia, porque se recusou a meter os todos os ovos no mesmo cesto, porque elegeu o presidente na primeira volta para não se perder tempo, porque não deu nenhuma maioria absoluta ou porque decidiu uma maioria absoluta, passem o tempo a tentar influenciar o povo.

Há uma outra característica do povo, quanto mais pobre mais sábio e honesto, para os marxistas-leninistas, o proletariado, os mais pobres nos finais do século XIX, era os puros, os que não estavam corrompidos pela burguesia e por isso líder comunista que se preze, como o nosso Jerónimo, deve ter origem proletária. Para os cristãos só os pobres passam pelo buraco da agulha. E ainda esta semana Rui Rio assegurou que os mais pobres são os que melhor interpretam os interesses nacionais.

Depois há o que usando os códigos penais ou os tanques acham que o melhor é poupar o povo a grandes raciocínios e optam por ser eles a decidir. Alguns, mais condescendentes com a ignorância popular optam por os esclarecer e formar as opiniões. Se o resultado for o mesmo sempre é melhor o voto do que o golpe.

Estes são tempos difíceis e pela primeira vez há quem defenda que talvez o povo não seja assim tão sábio, a escolha de Isaltino em Oeiras pode ser um exemplo. Mas os mais fundamentalistas poderão ir ao jargão marxista-leninista e recordar a desconfiança em relação à “pequena burguesia”, esse grupo social fácil de se corromper. Isso explicaria que num dos concelhos com uma média de rendimentos mais elevada e com mais licenciados por metro quadrado, se tenha escolhido alguém que só no Burundi teria ressuscitado.

Talvez por isso Jerónimo de Sousa foi o primeiro político português a assumir publicamente que considera os seus eleitores um pouco lerdos, dizendo na noite eleitoral que se iriam arrepender das escolhas. Como é possível que depois de 30 anos de educação autárquica exemplar os eleitores tivessem mudado de opinião, como sucedeu em Almada?

Vivemos tempos confusos e não admira que as sondagens deixem de ser confiáveis, talvez por isso Santana Lopes garante que a sua candidatura foi uma boa notícia para o país, a par de uma vitória num jogo de futebol e acrescente que vai governar durante duas candidaturas, sinal que está bem de saúde física. Com a infinita sabedoria do nosso povo é bem capaz de ter razão.

Umas no cravo e outras na ferradura



 Jumento do Dia

   
João Guerreiro, presidente da comissão independente do incêndio

Às 15 horas da tarde do incêndio de Pedrógão os responsáveis da Proteção Civil estavam perante um cenário que devia conduzir à evacuação de aldeias ou avisar populações idosas a sair de casa? Os procedimentos usuais aconselhavam essas medidas ou estas propostas cheias de "ses" resultam do conhecimento dos fatos que se seguiram àquela hora?

Com que meios se faria a evacuação de tanta gente, uma boa parte dela idosos? Esta debandada não faria vítimas? Quantas aldeias teriam sido totalmente destruídas depois de abandonadas e sem bombeiros?

Deverão todos os responsáveis pelos combates a incêndios e num momento em que esses incêndios ainda não ganharam dimensões dantescas devido a condições meteorológicas excecionais, deslocar recursos para avisar as populações e proceder a evacuações? Quantas das vítimas eram habitantes que teriam ouvido estes avisos a tempo?

A maioria das vítimas não eram residentes nas aldeias afetadas e apenas metade era da região. De certeza que os avisos aos mais jovens teria evitado a tragédia?

O relatório diz o que poderia ser feito, mas tendo por base tudo o que sucedeu depois, o que é fácil na perspetiva de quem não estava lá. Compreendo que se tirem conclusões, que se corrijam procedimentos, que se ganhe com a experiência. Mas não se pode condenar os responsáveis pelo combate a um incêndio se seguiram os procedimentos previstos.

Se João Guerreiro tivesse estado ao comando do combate ao incêndio, tendo por base a dimensão do incêndio e as previsões meteorológicas disponíveis àquela hora, teria atuado como defendido no relatório? Não me parece.

A maioria das vítimas de acidentes, sejam de que natureza forem, poderiam ser evitadas se no momento anterior ao antecedente os intervenientes estivessem em condições de ver e analisar durante várias semanas o filme do que sucedeu depois.

«"As medidas que deveriam ter sido tomadas, e da responsabilidade do comando, poderiam ter moderado o efeito do incêndio, designadamente levando à retirada das pessoas das aldeias", explicou João Guerreiro.

As medidas que deveriam ter sido tomadas, e da responsabilidade do comando, poderiam ter moderado o efeito do incêndio, designadamente levando à retirada das pessoas das aldeias
João Guerreiro
Para o perito, "se houvesse um sistema de sensibilização e se o comando entre as 15h e as 16h pudesse ter tido uma actuação no sentido de sensibilizar a população e de dar instruções de evacuação ou pelo menos de se meterem nas casas e de não saírem, provavelmente os dramas que aconteceram, não tinham acontecido", defendeu.

Contudo, frisou o coordenador, o incêndio teve características únicas em termos meteorológicos, provocando um descontrolo no combate ao incêndio e levando à morte das 64 pessoas. Questionado sobre se houve falhas no momento posterior, quando aconteceram as mortes, João Guerreiro explicou que "a partir de certa altura era impossível tomar conta do incêndio. Há indicações de que numa hora o número de hectares ardidos é uma coisa completamente fora do usual.  Houve condições atmosféricas que convergiram para essa hora que foram susceptíveis de criar isso", conta. "No espaço de uma hora a área ardida é impressionante e é nessa hora que morrem quase todas as pessoas", explica.» [Público]

«Metade das vítimas eram residentes na região, embora pudessem ter a primeira residência nas vilas sedes de concelho, e 12% eram visitas regulares, porventura com ligações familiares à região. Esta distribuição, maioritariamente composta por pessoas com fortes ligações à região (residentes ou visitas regulares), poderia indiciar um outro comportamento na convivência com o fogo: aguardar dentro das habitações que o fogo passasse, como era habitual. Apenas a violência do fogo, o brutal ruído gerado pelo vento e as perigosas e assassinas projecções fizeram com que as pessoas optassem por sair de suas casas e procurar abrigo nas sedes de concelho. Note-se que 70% das vítimas mortais estavam em fuga a partir das respectivas casas, que acabariam por não arder.» [Público]

 Dúvidas que atormentam

Depois das primeiras reações dos partidos não seria boa ideia constituir uma segunda comissão independente par analisar o relatório da primeira?

 Um orçamento muito original

Nunca se viu tal coisa, fica-se com a ideia de que o OE é um bolo-rei e cabe a Mário Centeno ir dando as fatias aos comensais, o BE já anda a apregoar que ficou com a fatia dos 3.500 professores que ficarão vinculados, enquanto as frutas cristalizadas da fatia do PCP é um aumento de 10€ em todas as pensões. Isto é, quem não for para a fila da sopa dos pobres dos partidos fica a ganir e não leva nenhuma fatia.

      
 A Ivanka Trump que se cuide
   
«Num outro folheto está uma mensagem de ódio dirigida aos judeus: "Quem luta contra o Judeu, luta contra o Diabo" – uma frase cuja autoria é atribuída a Julius Streicher, um dos responsáveis pela propaganda nazi antes e durante a Segunda Guerra Mundial e fundador do jornal Der Stürmer.

Aqueles folhetos, encontrados na zona de East Arlington, em Jacksonville, estavam enrolados e foram deixados em ruas de vários bairros, na direcção da porta de cada moradia. No fim das mensagens de ódio está impressa uma assinatura: Loyal White Knights – o maior dos vários grupos independentes espalhados pelos Estados Unidos da América que representam a 3.ª vaga do Ku Klux Klan.» [Público]
   
Parecer:

Convertida ao judaísmo e casada com um Judeu pode-se dizer que combater a Ivanka é combater o diabo. Veremos se o pai vai apoiar o KKK se der umas palmadas no traseiro da filha.
   
Despacho do Diretor-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»
  
 Eu mandava-os à bardamerda
   
«Mantendo um blackout quase absoluto sobre o empresário português desaparecido em Julho de 2016 em Moçambique, o Governo moçambicano ignora há meses as insistentes démarches da embaixadora de Portugal em Maputo. A diplomata e os seus assessores fizeram — em vão — sucessivos pedidos de audiência ao ministro do Interior moçambicano, Jaime Basílio Monteiro.

No fim de Fevereiro, depois dos primeiros sete meses de silêncio sobre o caso e quando foi tornado público o profundo mal-estar sentido em Portugal perante tão invulgar atitude entre países com relações próximas, o ministro Basílio Monteiro veio a Lisboa para se reunir, em separado, com o Presidente Marcelo Rebelo de Sousa e o primeiro-ministro António Costa. Nessa altura, o enviado do Presidente Filipe Nyusi disse que o cessar-fogo deveria ser renovado em breve pela Renamo, o que facilitaria a investigação e justificaria um novo encontro num futuro próximo. O prolongamento do cessar-fogo foi de facto anunciado dias depois e, passadas algumas semanas, a embaixadora de Portugal em Maputo, Maria Amélia Paiva, fez o primeiro pedido de audiência ao ministro.» [Público]
   
Parecer:

O regime moçambicano é uma ditadura sonsinha, ninguém se queixa mas é um regime bem mais perigoso do que o de Angola.
   
Despacho do Diretor-Geral do Palheiro: «Proteste-se.»

quinta-feira, outubro 12, 2017

Santana e a liderança do PSD

“Quanto mais velho melhor, como o Vinho do Porto”, é a expressão simpática com que valorizamos o que envelhece, incluindo os trastes da política. Poder-se-á dizer que se ganha sabedoria, mas a inteligência é como o movimento uniformemente acelerado, quanto maior é o peso da pedra maior é aceleração, a sabedoria depende sempre da inteligência de quem envelhece. 

Não é qualquer Vinho do Porto que melhora com a idade, é necessário que seja um vinho de especial qualidade para que a colheita seja declarada vintage. Se o vinho não tem qualidade interrompe-se a fermentação e pouco importa o tempo que passa até ser bebido, a única evolução que o vinho poderá vir a ter é a sua transformação em vinagre.

Santana Lopes é como o Vinho do Porto, por mais que envelheça pouco melhorará, pois, a colheita não foi grande coisa, se não azedar já é uma sorte. Mas mesmo que tivesse sido um vintage teríamos um problema, quando se abre uma garrafa tem de ser bebida depressa, como o vinho continua a fermentar o contato com o oxigénio irá azedá-lo. Nesta hipótese a garrafa de Santana Lopes foi aberta há muito tempo e mesmo que tenha andado por aí com a rolha metida no sítio já deverá estar impróprio para o consumo.

Santana pode dizer que o anúncio da sua candidatura foi uma boa notícia para Portugal, pode pedir desculpas antecipadas a António Costa porque lhe vai ganhar as eleições e até pode assegurar que vai governar durante duas legislaturas, isto é, até ter a provecta idade de 72 anos, o que quer dizer que o país vai ter muito tempo para rir à gargalhada. Mas a verdade é que este é o Santana da má moeda, do jornal grátis, do governo das trapalhadas, etc., etc.. 

Santana Lopes foi um dos pilares da política de Passos, o governo reduzia brutalmente o rendimento de todos os que trabalhavam, levando muitas famílias à fome. Cabia a Santana Lopes e à senhora do Banco Alimentar a gestão da caridade nacional. Santana apoiou firmemente Passos Coelho que lhe arranjou um luxuoso tacho e Santana sempre se manifestou servil. Conta agora com o apoio de Passos e do seu aparelho, devidamente descontadas as ratazanas que já são vistas a correr por aí.

Além do apoio de Passos parece já ter recebido a bênção de Marcelo, não sendo de admirar que Cavaco apareça a defender uma “revalorização monetária” do Santana, deixando de o condenar à notação de lixo monetário. A hipocrisia na vida política portuguesa é um imenso mar de surpresas. Resta agora perceber se acreditam mesmo em Santana Lopes ou se este é o idiota útil para um mau circulo eleitoral.

Santana sabe que muitos dos apoios que está recebendo são dos que não conseguiram matar o menino na incubadora e esperam agora que seja definitivamente crucificado, talvez por isso exorcize os fantasmas assegurando que vai ganhar eleições atrás de eleições.

Umas no cravo e outras na ferradura



 Jumento do Dia

   
Rui Rio

Rui Rio agradece a Passos Coelho ter salvo o país e depois assegura que o PSD não é de direita. Se calhar é porque Passos estava a salvar o país que nãos e importou que o governo do seu partido fosse quase de extrema direita e tivesse perseguido com ódio grupos profissionais que agora Rio vem defender.

Rui Rio tem bons princípios, só é pena que os proclame quando ninguém precisa que ele os venha defender. Invoca esses princípios para os defender ou para os usar depois de o seu partido os ter espezinhado durante 4 anos de governo e ignorado durante os dois anos de oposição?

«Rui Rio é oficialmente candidato à liderança do PSD e foi a Aveiro explicar as suas razões e motivações. Numa intervenção lida, de cerca de 7 minutos, sem direito a perguntas como tinha sido indicado — “os jornalistas terão três meses para fazerem as perguntas que entenderem” –, Rio garantiu estar “com os dois pés no PSD e no país”. Disse que a política em Portugal, de tão descredibilizados que estão os partidos, precisa de “um banho de ética”; agradeceu a Passos Coelho, porque a “gratidão é dos valores éticos mais relevantes da nossa convivência social”; falou aos jovens sociais-democratas e apelou a uma mudança de política no PSD. Uma mudança que, disse, passa por recentrar o partido.

Já depois da sua intervenção, Rui Rio diria uma breve frase enigmática ao Observador quando questionado sobre o seu concorrente assumido, Pedro Santana Lopes: “Quando aos candidatos, eram dois e agora estão três é só o que eu sei…” Rui Rio estaria a referir-se a José Eduardo Martins — segundo uma fonte próxima — que uma hora antes de ele discursar lançou um site com um manifesto com dez pontos como linhas gerais de orientação para o PSD. Mas que não surge como uma candidatura.» [Observador]

 A montanha pariu um rato?

Sócrates é acusado de 31 crimes, mas desses apenas por três de corrupção, todos os outros resultam do milagre jurídico da multiplicação dos pães, se recebeu dinheiro teve de o esconder e comete o crime de branqueamentos, se recebeu e não pagou impostos cometeu fraude fiscal. Isto é, Sócrataes só precisa de se defender de três crimes.

Mas se nos recordarmos de tudo o que se disse do processo seria de esperar muitos mais crimes, desde os da Lena aos de muitos outros negócios. Um dos aspetos mais interessantes deste processo vai ser o saber o que havia de concreto no início da investigação que justificasse uma prisão à saída do avião seguida de um ano de prisão preventiva. Veremos se estes três crimes já estavam a ser investigados ou se foram surgindo à media que o MP fazia o rastreio de tudo por onde Sócrates poderia ter passado.

Estamos perante uma acusação sólida e face à quase obrigação de fazer acusações depois de todo um processo quase interminável. Veremos se há provas ou palpites.

 Citações do Livro Laranja de Santana Lopes



"Hoje é dia de boas notícias: Portugal ganhou e eu sou candidato à liderança do PSD", Pedro Santana Lopes em 10/10/2017

Depois da tentativa de infanticídio de que foi vítima ainda na incubadora, o deus menino é novamente anunciado como boa nova para o país, podemos estar descansados, vamos ao mundial e o deus menino chegou!

"Detesto falta de educação", Pedro Santana Lopes em 10/10/2017

Pois, só se lamenta que a campanha para as legislativas em que se candidatou a primeiro-ministro tenha sido a mais suja na história da democracia.

      
 Tantos crimes
   
«A Procuradoria-Geral da República anunciou que o Ministério Público deduziu acusação na Operação Marquês contra 28 arguidos, entre eles o ex-primeiro-ministro José Sócrates a quem são imputados 31 crimes.  Neste caso foram acusadas um total de 19 pessoas singulares e nove empresas, incluindo o ex-banqueiro Ricardo Salgado, os gestores Henrique Granadeiro e Zeinal Bava, o antigo ministro socialista Armando Vara. 

Num comunicado enviado minutos depois das 10h30 à comunicação social (documento em PDF), a Procuradoria-Geral da República anuncia que José Sócrates está acusado de 31 crimes, três de corrupção passiva, 16 de branqueamento de capitais, nove de falsificação de documento e três de fraude fiscal qualificada. 

Ricardo Salgado é acusado de 21 crimes (entre eles corrupção activa), Zeinal Bava de cinco e Henrique Granadeiro de oito. Armando Vara, por sua vez, é acusado de cinco crimes.» [Público]
   
Parecer:

Dos 31 quase todos são o milagres dos pães a partir dos 3 de corrupção. Desses três veremos quantos foram descobertos no princípio do processo e quanto foram descobertos à última hora, como aquele em que Ricardo Salgado é acusado.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Espere-se para ver.»