terça-feira, fevereiro 03, 2015

Umas no cravo e outras na ferradura



   Foto Jumento


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Pernilongo [Himantopus himantopus], Sapal de Castro Marim e Vila Real de Santo António
  
 Jumento do dia
    
Jerónimo de Sousa

Pela forma como Jerónimo de Sousa fala da Grécia até parece que sempre foi um simpatizante do Syriza ou que o partido vencedor das eleições se aliou ao PC da Grécia. Por este andar ainda vamos ver o Jerónimo de Sousa a convidar a Catarina Martins para irem juntos ao Carnaval.

«O líder comunista, Jerónimo de Sousa, afirmou hoje que "o PASOK de Portugal" não é uma "verdadeira alternativa" política, referindo-se ao maior partido da oposição, o PS, no arranque das jornadas parlamentares do PCP, até terça-feira, em Aveiro.

"[Portugal] precisa de uma verdadeira rutura e não as mudanças de cosmética para que tudo fique na mesma, as falsas mudanças daqueles que dizem que não são o PASOK de Portugal, mas que o foram ontem e que hoje deixam os destinos do país nas mãos das propostas e dos sinais do senhor Junker, do senhor Draghi e da boa vontade do diretório das grandes potências", afirmou Jerónimo de Sousa.» [Notícias ao Minuto]

 A mentira do dia

Quando o país se livrar da presidência miserável de Cavaco Silva o ainda e desgraçadamente presidente já não vai ocupar o convento recuperado com meio milhão de euros dos contribuintes, em vez disso e aproveitando a sua longa experiência na gestão de segredos vai ser o próximo apresentador da Casa dos Segredos, substituindo a Teresa Guilherme. A dona Maria assegurará os directos diários.

A primeira leva de concorrentes também já está escolhida, Marques Mendes que sabe de todos os segredos do governo, Ricardo Salgado que é especialista em segredos de políticos, Marcelo Rebelo de Sousa porque inventa segredos, Rui Teixeira e Carlos Alexandre porque são incapazes de guardar um segredo, a Felícia Cabrita porque é sempre a escolhida para revelar segredos, Fernando Lima que conta aos jornalistas do Público os falsos segredos de Belém, Passos Coelho porque é um político sem segredos e ainda Paulo Portas porque, finalmente, vai revelar o seu segredo.

 É melhor um pássaro na mão do que dois a voar

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 Kobani depois da passagem do ISIS


  
 Passos Coelho e a CGTP

Passos Coelho faz lembrar a CGTP que não assina nenhum acordo e uns tempos depois aparece na vanguarda da defesa das regras que resultaram do acordo que não assinou. Passos Coelho nunca aceita as decisões do Constitucional nem pede qualquer alteração na relação com os credores, mas depois é o grande vendedor das medidas que resultaram dos acórdãos do Tribunal Constitucional e apresenta como grandes conquistas tudo o que conseguiu graças à coragem dos irlandeses e dos gregos.

Se os gregos são cigarras teremos de aceitar que este governo é feito de ratazanas.

 Dúvidas que me atormentam

Porque razão no caso dos vistos gold não há a mais pequena violação do segredo de justiça? Será para proteger a investigação e os arguidos ou para poupar a imagem dos que no governo ou na proximidade do governo andaram a pedir a "agilização" de processos ao director do SEF e agora estão calados para que ninguém os acuse de corrupção activa enquanto o director do SEF foi acusado de corrupção passiva por causa desses mesmos telefonemas? Quem está a ser ou sai protegido por este repentino comportamento exemplar da nossa justiça, enquanto nos outros processos em investigação é o regabofe que todos conhecemos?

 Ao que isto chegou!

A apresentação dos resultados do BCP foi transmitida em directo por todos os canais de informação. O BCP deixou de investir em publicidade, basta dar uma gorjeta ao pessoal e eles dão uma hora de tempo de antena a um presidente do BCP a ler penosamente um documento enjoativo. O que terá sido servido ao jantar aos directores de informação da RTP, SIC, TVI e CMV?

 A carta de demissão no Hospital Garcia da Horta

Ao Conselho de Administração
do Hospital Garcia de Orta, EPE (HGO)
Cc Diretor de Serviço de Urgência do HGO,
Diretores dos restantes Serviços do HGO,
Bastonário da Ordem dos Médicos


Alexandra Büchel Marques dos Reis Matos, Frederico Eurico Marques Sanches, João António Franklim Correia, José Nuno Baião Vieira Raposo, Mário Carlos de Jesus Amaro, Tiago Filipe Judas de Matos e Vanda Lúcia Andrade Spencer, na qualidade de Chefes de Equipa do Serviço de Urgência Geral do Hospital Garcia de Orta EPE (SU), nos termos e para os efeitos do artº 271, da Constituição da República Portuguesa, e do artº 5 do Estatuto Disciplinar dos Trabalhadores que exercem funções públicas, publicado em anexo L. 58/2008, de 09.09, vêm, na sequência de carta de protesto enviada ao Conselho de Administração do Hospital Garcia de Orta EPE em 04/12/2014, e que alertava para o conjunto de aspetos funcionais e organizativos que, em nosso entender, colocavam em risco a segurança clínica dos doentes, bem como a dignidade e segurança de trabalho de todos os profissionais de saúde que ali prestam serviço, e dos quais importa novamente salientar:

- Excessiva lotação de doentes internados em área de internamento do SU, que frequentemente ultrapassa os 200%, com óbvia repercussão nos cuidados prestados aos mesmos, condicionando dificuldade e atraso na admissão de novos doentes agudos, assim como na observação de doentes na área de ambulatório

- Associado ao problema de sobrelotação, cada vez mais se assiste a um elevado número de doentes com situações infecciosas relacionadas com agentes que impõem necessidades de condições de isolamento físico, o que, na impossibilidade do mesmo, condicionam acréscimo do risco coletivo

- Insuficiência de meios humanos, quer em número, quer em diferenciação e autonomia

- A crescente complexidade clínica dos doentes que recorrem ao SU, em face do envelhecimento da população, da elevada prevalência de doenças crónicas e irreversíveis, das crescentes e conhecidas dificuldades socio-económicas vividas e da insuficiente acessibilidade a cuidados de saúde primários e terciários, não tendo vindo a ser adotadas medidas que se adequem a esta realidade

Mais se acresce que as recentes medidas de alteração organizativa implementadas no SU e para as quais não foi tida em consideração a opinião dos Chefes de Equipa do SU, não só não resolveram os problemas citados como ainda criaram constrangimentos adicionais, quer do ponto de vista clínico, quer no aspeto de relacionamento interpares, quer do ponto de vista da capacidade de organização e gestão da equipa de urgência.

Em face do exposto e do agravamento das condições de trabalho, entendemos que o risco do Acto Clínico no SU e a segurança dos doentes atingiu um ponto crítico e inaceitável.

Em virtude do acima mencionado e em coerência com o que temos vindo a expor vimos, por este meio, apresentar a nossa demissão coletiva do cargo de Chefia do Serviço de Urgência do Hospital Garcia de Orta.

Pedem deferimento,

Almada, 26 de Janeiro de 2015


Os médicos

(circula nas caixas de email)

      
 Cavaquices
   
«O meu amigo Eduardo, uma das pessoas que conheço que melhor pensam, associa a essa característica uma grande desorganização. O que o faz provocar, sem qualquer maldade, algumas confusões, que a sogra, apesar do enorme carinho que nutre por ele, apelida de "eduardices"...

É neste neologismo que me baseio para o título desta crónica. Sendo certo que, apesar de ambos provocarem confusões, não atribuo a Cavaco Silva nenhuma das características do meu amigo Eduardo que acima referi! E, confesso-o, também não nutro pelo presidente da República o carinho que o Eduardo, embevecido, recebe da sua sogra......

Cavaco Silva terminará o seu mandato como o político que mais tempo esteve à frente nos cargos mais importantes para o destino do país no pós-25 de Abril. Mais precisamente, 20 anos em 40 anos de democracia! Por isso sabemos bem que é um dos principais responsáveis pelo estado em que o país se encontra, agora que se tornou consensual que a sua atuação como primeiro-ministro, com a destruição de grande parte do setor produtivo, foi um dos maiores erros que o país cometeu.

Vem isto a propósito da rábula do disse-não-disse de Cavaco Silva sobre o BES. Antes de a abordar importa fazer um ponto prévio. É evidente que os principais responsáveis pela situação do BES são os seus administradores, com Ricardo Salgado à cabeça e tudo o que se possa passar ao lado do processo, embora relacionado com o mesmo, não nos pode distrair deste facto. Parece-me também evidente que a divulgação, por Ricardo Salgado, das datas das diferentes reuniões que teve com os personagens do costume não é mais do que uma mensagem: "Atenção que eu sei muitas coisas e, se não me derem a mão, eu não cairei só!...".


Mas esta constatação não impede que se analise o papel de Cavaco no processo. E, naturalmente, os deputados que integram a Comissão de Inquérito ao BES têm a obrigação de, perante a confirmação de audiências de Ricardo Salgado com o presidente da República para lhe expor a situação do Grupo BES, procurar ouvi-lo sobre a matéria.

Cavaco arma a confusão, dizendo que não se pronunciou sobre o BES mas sim sobre o Banco de Portugal (BdP). Tive o cuidado de ouvir a gravação da sua intervenção na Coreia do Sul, no passado dia 21 de julho e que transcrevo na íntegra: "O BdP desde há algum tempo tem vindo a tomar medidas para isolar o banco, a parte financeira, das dificuldades financeiras da zona não financeira do grupo. O BdP tem sido perentório, categórico, a afirmar que os portugueses podem confiar no BES, dado que as folgas de capital são mais do que suficientes para cobrir a exposição que o banco tem à parte não financeira, mesmo na situação mais adversa. E eu, de acordo com a informação que tenho do próprio BdP, constato que a atuação do banco e do governador tem sido muito, muito, correta".

De facto, Cavaco atribui o voto de confiança ao BES às informações que recebe do BdP. Mas será que um presidente se limita a receber informações dos organismos oficiais? Será que a batelada de assessores não recolhe informações adicionais nem estuda os dossiês de forma a que o presidente, com base em diversas fontes, interprete, com mais conhecimento de causa, o que se passa? E, ainda mais importante, será que nas audiências que Cavaco concedeu a Ricardo Salgado (segundo este a 31 de março e a 6 de maio) não lhe deram mais informações? É que, segundo o próprio Salgado, as suas audiências terão tido efeito, a julgar pelo facto de a ministra das Finanças ter escrito ao governador do Banco de Portugal informando que "responsáveis do grupo" já a tinham alertado para "eventuais riscos para a estabilidade financeira" do BES! Ou seja, bem pode Cavaco tentar virar o bico ao prego mas a sua intervenção sobre o BES foi lamentável e terá contribuído para perdas de muitos investidores.

Diz Cavaco que as audiências são reservadas. Compreendo que considere que Belém é um confessionário. Mas quando é o "pecador" que refere, publicamente, as linhas mestras da "confissão", até o padre fica liberto do pacto de silêncio. Muito mais o presidente da República, que fala e diz o que não deve e se procura calar quando tem explicações a dar...» [JN]
   
Autor:

Rui Sá.

 Fadas e formiguinhas
   
«O Governo teve uma semana desastrosa. Tudo começou com a desinquietação do resultado das eleições na Grécia. Depois foi a escolha de um parceiro nacionalista, ainda por cima para a pasta da defesa. Seguiu-se a homenagem às vítimas do nazismo, busca de identidade resistente e bofetada em Merkel e outros. O juramento à escolha, religioso ou não. Pelo meio, as declarações confirmando propósitos antigos. Depois, a realidade: recusar a privatização dos portos do Pireu e de Salónica, criar uma subvenção de energia grátis para quem a ela não tem acesso por falta de recursos, aumentar o salário mínimo e, supremo acinte, voltar a admitir 160 pessoas de limpeza para o MNE lá do sítio. Tudo ao contrário das prescrições da troika. Menino reguila, perdido perante a professora e a turma, avançando na escalada das travessuras. Os gregos deveriam ter juízo, mas resolveram acreditar em contos para crianças, Passos Coelho dixit.

Em vez de meros cumprimentos de Estado, seguidos de votos de confiança na Grécia, ou prudentemente se calar, o nosso Primeiro resolveu insultar os vencedores. Marques Guedes, prenhe de imaginação, foi em busca da formiga e da cigarra, ou seja a Esopo, via Lafontaine. Como já Ferreira Fernandes lembrou, “assim devera eu ser / e não esta cigarra / que se põe a cantar / e me deita a perder”. O nosso preclaro governo recomenda aos Gregos que se ponham “de patinhas no chão / formiguinha ao trabalho / e ao tostão”. Só que não leu as estrofes finais do poema de Alexandre O’Neill : “assim devera eu ser / se não fora não querer”. Pois é, parece que os Gregos têm outros planos. Para a nossa Pátria, o ditado do governo é diferente: o povo gastou / o povo tem que pagar / o governo salvador apertou / mas agora relaxou / para voltar a ganhar! As eleições de Outubro, entenda-se. Passos recusa a conferência dos devedores, pensa que se safa sozinho, ou à boleia. No fundo, antevendo a saída a prazo, quer manter a rigidez do porte, mesmo quando ela for de cadáver político.

Angola. Há dez anos que não estava em Angola, com vagar. Grandes diferenças: O recenseamento da população que permitiu elaborar um excelente plano de saúde para os mais de 24 milhões de habitantes. A mortalidade infantil que regrediu pouco, mas alguma coisa, de 250 para 180 por mil, elevando a esperança média de vida para acima dos 50 anos. O reconhecimento de atrasos e insuficiências, sem rebuço nem desculpas de segurança de Estado. Grandes investimentos em Saúde por todo o território; reconstrução acelerada de hospitais, centros e postos; 3 mil médicos, 3 mil estudantes de medicina no País e mais 3 mil no estrangeiro. para disporem de 15 mil médicos em 2025. Valores igualmente ambiciosos para enfermeiros e outros profissionais. Sete escolas médicas, cinco das quais provinciais, novas, estas infelizmente sem participação portuguesa. O princípio de uma cultura científica baseada na evidência. Redução das evacuações e suas listas de espera. O apreço subliminar pelo que é português, desde os medicamentos, ao apoio tecnológico e organizativo, desde a clínica à saúde pública, mais do que seria de esperar.

De súbito, a crise impacta a meio da corrida. Más notícias também para as exportações portuguesas. Cortes orçamentais na proporção da baixa do preço do petróleo, revisão dos investimentos para sustentar o já alcançado. Uma vontade de abrir estrangulamentos, como o do preço médio de medicamentos oito vezes acima dos países vizinhos, e a ineficácia dos canais logísticos apenas baseados no mercado. Os grandes flagelos permanecem latentes, a malária, a subnutrição e a higiene pública, as doenças de origem hídrica, o Ébola contido fora das fronteiras. A par dos novos problemas, como os acidentes de estrada, causadores de quase três mil mortos. De modo muito diferente do passado que testemunhei, agora sabe-se como actuar. Age-se, não se reage apenas.

Permanecem as enormes diferenças sociais, mas uma classe média afirma-se. Visível na quantidade de lojas de artigos domésticos, do têxtil do lar e até da decoração, bem como na disseminação das agências bancárias. Será natural que lojas fechem, que menos carros se vendam e até que seja atenuada a circulação viária, com a esperada subida do preço da gasolina e de impostos. Angola procura o seu lugar.» [Público]
   
Autor:

António Correia de Campos.

 Paulo Macedo tem culpas
   
«Longas horas de espera nas urgências e falta de camas nos hospitais para internar os doentes são duas das imagens que, desde Dezembro, têm marcado o Serviço Nacional de Saúde (SNS). Na mesma semana em que o ministro da Saúde vai ao Parlamento para explicar o que poderá ter falhado e o que está a tutela a fazer para impedir que os problemas se repitam, o PÚBLICO ouviu cinco especialistas sobre o caos instalado nos hospitais públicos, com o objectivo de perceber se a situação pode, de facto, ser atribuída apenas a uma conjugação do frio com a circulação do vírus da gripe e que soluções propõem para as dificuldades.

A presença do ministro na quarta-feira na comissão de saúde surge na sequência de um agendamento potestativo do PCP, depois de terem sido abertos sete inquéritos a mortes nas urgências por possíveis tempos de espera acima do recomendado. Três delas estão a ser investigadas pelo Ministério Público. Os últimos dados do Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge indicam que o país já soma mais de 2500 mortes acima do esperado para esta época do ano.

Há um ponto em que todos - o médico e gestor Adalberto Campos Fernandes, o economista da saúde Pedro Pita Barros, a administradora hospitalar Marta Temido, o presidente do Conselho Regional do Norte da Ordem dos Médicos Miguel Guimarães e o bastonário da Ordem dos Enfermeiros Germano Couto -  apontam falhas comuns: os centros de saúde não estão a dar resposta e a travar as idas às urgências e alguns hospitais têm falhado na adaptação a picos de procura. Em parte, atribuem os problemas às políticas de saúde, que levaram ao desinvestimento nos recursos humanos e que acentuaram os efeitos da crise.» [Público]
   
Parecer:

Um ministro com culpas na morte nem que seja de apenas um português deve demitir-se ou ser demitido.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Ofereça-se uma Bic ao Opus Macedo para que ele escreva a sua carta de demissão antes que morram mais portugueses em consequência da sua política de destruição manhosa do SNS.»

 Até tu Obama
   
«O Presidente norte-americano defendeu que “não é possível continuar a pressionar países em plena depressão”: “A certa altura é preciso ter uma estratégia de crescimento para permitir que um país pague as suas dívidas e elimine alguns dos seus défices”, afirmou Barack Obama a propósito da situação da Grécia numa entrevista à televisão CNN.

Reconhecendo que a Grécia precisa “desesperadamente” de reformas e de reestruturar a economia para aumentar a sua competitividade, Obama disse que “é muito difícil iniciar estas mudanças quando o nível de vida das pessoas caiu 25%; a longo prazo, o sistema político, a sociedade não o pode suportar “.

Os comentários de Obama acontecem uma semana depois das eleições na Grécia que deram a vitória ao Syriza, partido que se opôs às medidas de austeridade impostas ao país e que quer renegociar a dívida. O primeiro-ministro, Alexis Tsipras, iniciou o seu mandato com medidas que incluem travar algumas privatizações, o regresso do salário mínimo aos 751 euros (baixara nos últimos anos para 580), a distribuição de electricidade gratuita a famílias carenciadas e a reintegração de alguns funcionários públicos.» [Público]
   
Parecer:

O Obama que se cuide pois anda por ai um ministro com ar apalermado que ainda lhe vai chamar cigarra.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»

 Pouco corajoso este Dux
   
«João Gouveia, o único sobrevivente da tragédia do Meco, faltou nesta segunda-feira ao debate instrutório do caso no Tribunal de Setúbal.

A diligência judicial está mesmo assim a fazer-se, com a presença das famílias das seis vítimas mortais e de duas testemunhas.

O pai e uma irmã do dux também compareceram em tribunal juntamente com a respectiva advogada.» [Público]
   
Parecer:

Parece que estes duxes da treta só os têm perante os caloiros.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Lamente-se.»

 A UE começa a ceder
   
«Na semana escolhida pelo novo primeiro-ministro grego para um périplo pela Europa para negociar a situação grega, a Comissão Europeia pode estar a estudar uma solução de compromisso para colocar em cima da mesa: o fim da troika. O diário espanhol El País avança que a equipa de Jean-Claude Juncker está a estudar a hipótese de acabar com a parceria com o Fundo Monetário Internacional e o Banco Central Europeu para ajudar às negociações com a Grécia.

Mas acabar com o trio que tem prestado ajuda financeira à Grécia só acontecerá, escreve o El País, se Alexis Tsipras der provas de que quer respeitar os compromissos. Além desta proposta estará ainda a ser estudada uma maneira de aliviar a dívida grega que não passará por um perdão, mas por melhores condições de pagamento como um prolongamento dos prazos ou redução de juros.» [Observador]
   
Parecer:

António Costa devia perguntar a Passos se rejeita a aplicação em Portugal de todas as consequências das negociações entre Bruxelas e aqueles a que o seu governo de baixo nível designou por cigarras.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Faça-se a sugestão.»
  
 Adeus troika
   
«Na semana escolhida pelo novo primeiro-ministro grego para um périplo pela Europa para negociar a situação grega, a Comissão Europeia pode estar a estudar uma solução de compromisso para colocar em cima da mesa: o fim da troika. O diário espanhol El País avança que a equipa de Jean-Claude Juncker está a estudar a hipótese de acabar com a parceria com o Fundo Monetário Internacional e o Banco Central Europeu para ajudar às negociações com a Grécia.

Mas acabar com o trio que tem prestado ajuda financeira à Grécia só acontecerá, escreve o El País, se Alexis Tsipras der provas de que quer respeitar os compromissos. Além desta proposta estará ainda a ser estudada uma maneira de aliviar a dívida grega que não passará por um perdão, mas por melhores condições de pagamento como um prolongamento dos prazos ou redução de juros.


Esta solução europeia só avançará se Grécia e União Europeia chegarem a um acordo para a solução pós-fim do resgate, que acontece no final deste mês. A possibilidade em estudo é a de um programa cautelar sem a entrada do FMI, o que permitiria que se desmantelasse a aliança que tem estado a controlar o resgate à Grécia já há cinco anos.» [Observador]
   
Parecer:

Agora vai aparecer o Passos Coelho armado em crente da Opus Dei a berrar que não passa sem o chicote do funcionareco local do FMI.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se a Passos Coelho se prefere a troika.»
  
 Merkel tem medo que Tsipras "abuse" dela?
   
«Angela Merkel não irá aceitar reunir-se com Alexis Tsipras se o primeiro-ministro grego pedir um encontro bilateral entre os líderes da Alemanha e da Grécia no Conselho Europeu da próxima semana. Um fonte do Governo alemão disse à agência Bloomberg que Merkel quer, assim, tentar isolar o Governo grego e mostrar que não concorda com os planos de Alexis Tsipras e do seu ministro das Finanças, Yanis Varoufakis.

Berlim não consta da longa lista de cidades que os novos líderes do governo grego vão visitar nos próximos dias. Yanis Varoufakis reuniu-se com o seu homólogo francês, Michel Sapin, em Paris neste fim de semana e já voou até Londres para, esta segunda-feira, se encontrar com o chefe das Finanças do Reino Unido, George Osborne. Isto depois de na sexta-feira ter tido um encontro com o presidente do Eurogrupo, Jeroen Dijsselbloem.» [Observador]
   
Parecer:

Desde a guerra que a Alemanha nunca foi chamada de forma tão clara a prestar contas.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Ofereça-se um cinto de castidade à senhora Merkel para que ela possa reunir em segurança com o primeiro-ministro grego.»

 Vital Moreira zangado com o PS
   
«Vital Moreira, antigo cabeça-de-lista do Partido Socialista às eleições europeias em 2009, tem tecido duras críticas ao programa anti-austeridade e anti-troika do recém-eleito Governo helénico. No blogue Causa Nossa, Vital Moreira tem acusado Tsipras de ter um programa “pura e simplesmente irrealizável”, que levará a Grécia para a “bancarrota e para a saída do euro”. Mas as críticas do ex-juiz de Ratton não se destinaram apenas aos gregos: por cá, segundo Vital Moreira, a aproximação da esquerda portuguesa, com PS incluído, é de um “oportunismo pouco recomendável”.

“A tentativa de todas as esquerdas em Portugal para cavalgarem a vitória da esquerda radical na Grécia, incluindo partidos que pouco têm a ver com o Syriza, como o PS e o PCP, releva de um oportunismo pouco recomendável. (…) Faltava o partido de Marinho e Pinto. Subitamente parece que “todos somos Syriza” (salvo seja, no que me diz respeito)”, escreveu Vital Moreira a 26 de janeiro.

Já antes, quando ainda não se conhecia o vencedor das eleições na Grécia, o ex-deputado tinha criticado “a simpatia” que alguns setores do PS tinham demonstrado para com uma eventual vitória da coligação de extrema-esquerda. “Julguei que as simpatias do PS na Grécia iam para o Pasok, o partido socialista grego, principal vitima do desmoronamento da ficção económica e orçamental que a Grécia era e que a crise de 2008 pôs a nu”, comentou, reagindo às declarações de Eduardo Cabrita, presidente da comissão de Orçamento e Finanças, e de João Galamba, secretário nacional do partido, ao Observador.» [Observador]
   
Parecer:

Depois de ter defendido a constitucionalidade de tudo o que de brutal este governo adoptou compreende-se bem o seu alinhamento..
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»

 Parece que o governo de Kiev é só garganta
   
«De um lado, há demonstrações de força, do outro lado, de fraqueza, mas com esperança num apoio internacional. O conflito na Ucrânia anda mais longe das primeiras páginas nos media internacionais, mas os últimos desenvolvimentos são alarmantes. O dirigente dos separatistas, Alexandre Zakhartchenko, anunciou que espera mobilizar cerca de 100 mil homens nos próximos dias para combater as forças de Kiev e, do outro lado, os EUA ponderam fornecer armamento ao Exército ucraniano.

Segundo o New York Times, fontes da administração norte-americana já defendem a entrega de armas defensivas e de outro equipamento. Uma posição inicialmente assumida pelo comandante da NATO, Philip Breedlove. A intenção ainda não é assumida pelos americanos de forma oficial, mas de acordo com o jornal, a administração Obama está a olhar para esta possibilidade sobretudo depois das dificuldades do Exército ucraniano nas últimas semanas. O jornal dá ainda conta da mudança de posição da conselheira de Obama, Susan Rice, que está disposta a reconsiderar a posição que tem assumido contra a possibilidade de os Estados Unidos fornecerem armas aos ucranianos por temerem a resposta do líder russo, Vladimir Putin.» [Observador]
   
Parecer:

É mais do que óbvio que a solução não passam nem por sanções, nem pelo apoio a um governo muito duvidoso. Se os russos que vivem na Ucrânia fossem, americanos a viverem no México e a serem tratados como os russos que vivem na Ucrânia o que fariam os EUA?

Kiev começou esta guerra com demasiadas ameaças e com ataques brutais, acabando agora por assistir a deserções em massa dos seus soldados.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Espere-se para ver.»

 Paulo Macedo tenta salvar-se
   
«Os enfermeiros poderão passar a pedir exames complementares de diagnóstico aos doentes em espera nas urgências, segundo um diploma hoje publicado em Diário da República que prevê um período experimental de um ano.

Este sistema experimental só será aplicado nos hospitais que o queiram fazer e nas unidades que forem identificadas pelas administrações regionais de saúde (ARS) como aquelas em que se possa esperar maior benefício com esta medida na redução dos tempos de espera.» [Notícias ao Minuto]
   
Parecer:

Andou a tratar da sua imagem na comunicação social aproveitando-se do ébola e da legionella e agora é um ver se te havia para passar a imagem de um ministro que responde a uma crise vergonhosa que foi ele que provocou com a falta de planeamento e a destruição manhosa do SNS. Agora quer armar-se em vedeta superando os problemas de que ele próprio deve ser responsabilizado.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Demita-se o ministro da Saúde enquanto ainda há SNS para salvar.»

 Pobre Barroso
   
«Nem Belém, nem Bruxelas, Durão Barroso vai voltar à academia. O antigo presidente da Comissão Europeia vai voltar a Portugal para lecionar na Universidade Católica temas relacionados com Direito, Gestão e Ciência Política e Relações Internacionais. Vai ainda assumir a direção do Centro de Estudos Europeus desta instituição. Barroso será também professor visitante na universidade Princeton nos Estados Unidos da América.

Marcelo Rebelo de Sousa já tinha anunciado ontem no seu espaço de comentário semanal que Durão Barroso voltaria para dar aulas na Universidade Católica, mas esta segunda-feira soube-se em detalhe sobre que matérias vai lecionar. O antigo primeiro-ministro vai integrar o corpo docente dos programas internacionais da Universidade Católica como o mestrado em Direito, no mestrado de Gestão e no mestrado de Ciência Política e Relações Internacionais. Os temas das cadeiras envolvem assuntos temas europeus e governação global.» [Observador]
   
Parecer:

Não parece ter arranjado grande coisa.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se nas Lajes se não haver´+a um lugar de camareiro para servir cafés.»
  
 Um juiz corajoso....
   
«Foi esta segunda-feira conhecido o nome do juiz sorteado para analisar o pedido de recurso de José Sócrates. Segundo dá conta o Expresso, Agostinho Torres, porém, já decidiu, anteriormente, contra Carlos Alexandre, num processo que o superjuiz moveu contra o então bastonário da Ordem dos Advogados, Marinho e Pinto.» [Notícias ao Minuto]
   
Parecer:

A justiça portuguesa está mesmo pelas ruas da amargura, agora os juízes da relação são dividios entre os que ousaram discordar do Alexandre e os que tiveram receio de o fazer? Parece que este país vive sob o medo desse Alexandre.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Vomite-se.»


 Há homens inteligentes
   
«O ministro da Economia salientou que a queda do preço do crude "tem um impacto positivo na economia portuguesa", afirmando que "por cada 20% da redução do preço do petróleo existe a expectativa, de acordo com estudos econométricos produzidos pelos gabinetes dos ministérios das Finanças e da Economia, de um crescimento do Produto [Interno Bruto -- PIB] de 0,3% a 0,5%".» [Notícias ao Minuto]
   
Parecer:

Este Pires de Lima até quando quer ser sério dá vontade de rir, o homem nada diz que seja seu, ou lês estat´siticas ou copia relatórios, é um dos maiores erros de casting da classe política portuguesa.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se»


   
   
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segunda-feira, fevereiro 02, 2015

Espera-se (e exige-se) mais, muto mais de um líder da oposição

De um líder da oposição espera-se que faça oposição e que esta oposição seja consistente, permanente, aproveitando cada momento para afirmar a diferença, espera-se que o líder da oposição seja uma esperança para os que estão sendo penalizados injustamente por uma política bárbara, que denuncie as injustiças, que exija a demissão dos incompetentes. Era isto que muitos esperavam e não viam em Seguro, era isto que os apoiantes de Costa prometiam com a saída de Seguro, mas não é isto que se tem visto.
  
Costa passeia no tempo, aparece de vez em quando como se viesse pedir tremoços, depois ausenta-se e deixa a oposição entregue A Ferro Rodrigues e Vieira da Silva. Nestes dias apareceu, na semana passada apareceu aproveitando a vitória do Syriza e comentando esta vitória de forma tão pouco clara que teve de passar uma semana a explicar o que não tinha dito sem dizer o que, afinal, queria dizer. Neste fim de semana apareceu falando de pobreza, ao mesmo tempo que o Medina veio lançar a sua campanha para a sucessão na câmara. Ainda por cima a mensagem que fica é a de que Costa ficará na autarquia se não ganhar as eleições, isto é, a mensagem de confiança do líder da oposição aos seus eleitores é a de alguém que não confia na vitória e que joga pelo seguro.
  
Mas, por exemplo, em relação às actuações da ministra da Justiça e do ministro da Saúde o líder da oposição foi tudo menos oposição, fica-se com  a oposição de que o líder do PS os considera gente competente e boa, mas com azar. Perante a morte de vários portugueses abandonados que nem cães o PS reagiu com uma estranha condescendência e a grande solução encontrada por António Costa, talvez porque o respectivo capítulo da agenda do século ainda não está escrito, foi a de que se deviam usar as taxas moderadoras como instrumento de gestão na orientação dos doentes, que é como quem diz, venha ao centro de saúde, ali não tem os especialistas nem os meios de diagnóstico mas é mais barato. Com esta brilhante ideia disse que Paulo Macedo não tinha soluções com os actuais recursos, isto é, passou-lhe um atestado de competência. E em relação à ministra da Justiça, um caso de incompetência extrema, fica-se com a sensação que António Costa ainda a convida para o seu governo.
  
No dia a seguir à vitória nas directas do PS muito rapazola manhoso da nossa comunicação social quase apontava uma faca ao pescoço de António Costa para que este dissesse como acabaria com a dívida ou quais as medidas fiscais para 2016, o primeiro ano de um possível governo do PS. Na altura não perguntavam a Passos como vai pagar uma dívida que assegura que vai pagar mas que não para de aumentar e muito menos quais as medidas fiscais para o OE de 2015. Se na ocasião essa era a estratégia manhosa da direita e fazia sentido o silêncio de Costa, convenhamos que perante tanto morto nas urgências não basta sugerir uma suspensão temporária de algumas taxas moderadoras.
  
Para muitos eleitores de António Costa bastará o seu silencio e a garantia de que agenda da década organizada quase em segredo por alguém com um vasto currículo académico, mas isso não faz dele líder da oposição. O que faz dele líder da oposição é ser oposição e falar de forma clara, não dando como tem dado com muita frequência a oportunidade da direita responder. Sucedeu isso, por exemplo, com a questão dos fundos comunitários e agora com a vitória do Syriza.

Costa quase não faz oposição, Jerónimo de Sousa parece o Avô Cantigas a servir um pudim Boca Doce de BES a Cavaco Silva e o BE anda a embebedar-se em Atenas e em Madrid, sonhando com o seu Estado Bloquista no sul da Europa. E enquanto a oposição não o é, tão entretida que anda com o BES com a agenda da década e com o Syriza, Passos Coelho e a direita fazem oposição sistemática ao António Costa enquanto quase deixou de governar, isto é, Passos acumula o cargo de primeiro-ministro em regime de gestão e líder da oposição à oposição quase inexistente de António Costa que em vez de fazer oposição limita-se a ir-se opondo de vez em quando, dantes era ao ritmo semanal com a Quadratura do Círculo, agora é de vez em quando, quando os seus afazeres lhe permitem.

Umas no cravo e outras na ferradura



   Foto Jumento


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Ganso-do-Egipto, Quinta das Conchas, Lisboa
  
 Jumento do dia
    
Carlos Moedas

O agora felizardo comissário europeu era quem no governo controlava a execução do memorando de entendimento com a troika, portanto foi o agora o comissário o primeiro responsável pelo fraco nível das reformas que constavam no programa. Parece que o governo gastou uma boa parte do seu ímpeto reformador com as alarvidades ideológicas e com os pequenos ódios do primeiro-ministro. Só isso explica que um falhado tenha sido proposto para comissário europeu.

«Comissão Europeia indicou que Governo só cumpriu 36% das reformas estruturais económicas, mostra uma análise da Unidade Técnica de Apoio Orçamental (UTAO).

A missão do Fundo Monetário Internacional (FMI) a Portugal fez uma avaliação muito severa do programa de ajustamento português, mas a Comissão Europeia, que divulgou a sua versão no final de dezembro, também não se fica atrás e dá nota de 36% no exame das reformas estruturais.

O governo, através do primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, argumentou na sexta-feira que as conclusões do FMI refletem "uma realidade que já não existe".» [DN]

 Dúvidas que me assaltam

Se um processo que estivesse em meu poder acabasse na comunicação social de uma forma descarada de nada me serviria dizer que haviam outras pessoas com acesso ao processo, teria de me explicar num processo disciplinar. Mas parece que no MP não é assim e os processos podem chegar aos jornalistas sem que os procuradores responsáveis sejam incomodados. Até se fica a pensar que em vez de estarem a investigar para levar provas a julgamento estão a fazê-lo para alimentar os jornais de amigos. Mas parece que os nossos ilustres magistrados estão acima das mais elementares regras de disciplina ou então aquilo nos arquivos do MP deve ser um regabofe.


 Um conselho ao dr. Paulo Macedo

Se este ano for de férias para a Praia da Altura e o mar tiver cachão ou pequena ondulação deve evitar ir ao banho, se tiver o azar de partir um brao como sucedeu há uns anos atrás, ainda com o anterior governo, é bem provável que se for a uma urgência o braço comece a gangrenar ainda antes de ser atendido.

 Há um lado positivo no que fizeram ao Sócrates

A partir de agora ninguém pode sentir-se inimputável e desde Cavaco a Passos Coelho poderão ir uns tempos para Évora, onde serão humilhados por um qualquer director da prisão e a sua vida pessoal será publicada diariamente na primeira página de um qualquer jornal. Prende-se primeiro com base em indícios e depois investiga-se toda a vida privada na esperança de encontrar um qualquer crime que justifique a decisão de prender.

Os que agora se calam e sorriem não se esqueçam de que lhes vai suceder o mesmo.

      
 Anestesiados
   
«"O juiz, depois do procurador Rosário Teixeira ter pedido a prisão preventiva, afirmou que esta medida de coação, a pecar, não era por excesso." DN de 27/1.
Tente ignorar que esta frase respeita a um processo em que está envolvido José Sócrates. Faça uma tentativa para esquecer que ele foi o homem que arruinou Portugal ou o herói que lutou até ao fim contra a intervenção externa. Desta vez, ponha para trás a sua convicção de que ele foi o melhor político português desde D. Afonso Henriques. Ou o pior. Pode ser complicado, mas assuma que está como praticamente toda a gente: não sabe se ele é culpado ou inocente dos crimes pelos quais está indiciado.

Mais difícil ainda. Tente pensar que é juiz. Que tem de julgar sem preconceitos, de esquecer as suas simpatias e antipatias. Que as suas decisões mudam a vida de qualquer pessoa e que não pode fundar as suas tomadas de posição em "eu cá acho" ou porque "aquilo daquele processo do Centro Comercial" foi muito esquisito ou porque aquelas casas eram de mau gosto ou porque "quem cabritos vende e cabras não tem, dalgum lado lhe vem" ou porque sempre tinha suspeitado que ali havia coisa.

Olhe para si como alguém que tem de ser um garante do Estado de direito, que tem de cumprir escrupulosamente a lei, de ser um bastião dos direitos consagrados na Constituição da República Portuguesa, um ponto de equilíbrio entre quem acusa e quem defende. Que sabe que não pode pactuar com julgamentos na praça pública, que não os pode promover passando ou deixando passar para esgotos a céu aberto, mascarados de jornais, pedaços de informação que devem permanecer confidenciais. Que jamais utilizará esses lodaçais para obter na praça pública as condenações que a lei e os seus procedimentos não permitem. Que não pode permitir que escutas sejam tornadas públicas, nem as que interessam ao processo nem as que não têm pingo de interesse para o que quer que seja senão para achincalhamentos públicos. Mais, que tem de ter um extremo cuidado para que essas não aconteçam e o mais depressa possível sejam destruídas.
Não se esqueça, também, que tem de ter uma exata noção da importância de uma decisão que sujeita a prisão alguém que ainda não foi, de facto, julgado. Alguém que ainda não pode defender-se de uma forma absolutamente cabal. Já imaginou a responsabilidade de tirar aquilo que a civilização ocidental considera o mais precioso bem? É que não há, em qualquer sistema de justiça de uma democracia, maior pena que a privação da liberdade.

Há, no entanto, um juiz que considera que tem indícios tão graves, tão graves, que está tão convicto da culpabilidade de alguém, que não só acha que ele deve estar preso - cumprindo, claro está, os requisitos da lei, ou melhor, estando certo de que esses requisitos se aplicam - que até pensa que devia existir uma medida de coação mais contundente. Dado que no nosso sistema não há nenhuma mais grave, em que é que o juiz estará a pensar? Chicotadas, tipo sharia? Não deve ser isso - é que até para aplicar chicotadas os condenados têm de ser julgados antes.

Aliás, achando que a prisão preventiva, neste caso, peca por defeito, das duas uma: ou o juiz pensa que o ex-primeiro-ministro deva ser amarrado e amordaçado para que não possa fugir, destruir provas ou repetir os crimes pelos quais está indiciado, ou então olha para essa prisão como uma pena e acha--a até leve. Qual das duas possibilidades a pior.

Verdade seja dita, nada se ganha em tentar interpretar aquela frase. Ela fala por si. Basta que fiquemos com a certeza de que há um juiz que pensa que a prisão preventiva não é medida de coação suficiente. Convinha, no mínimo, saber se já o tinha dito para outros casos e qual seria a sua sugestão para algo mais grave que a privação de liberdade sem julgamento. É que se o juiz Carlos Alexandre só fez este tipo de comentário no caso Sócrates, parece evidente que tem um preconceito contra o arguido em causa e que, assim sendo, não está capaz de cumprir corretamente as suas funções neste processo. Mas se também os fez noutros processos tem um problema mais grave, digamos assim.

De tudo, o que mais impressiona é a forma como aquele comentário não causou um tumulto na comunidade. Um juiz que tem os mais importantes processos deste país, faz um comentário daquela gravidade e toda a gente encolhe os ombros. Ouvimos uma ministra da Justiça a dizer que fala para o telefone como se fosse um gravador, vemos peças processuais em segredo de justiça a aparecer nos jornais, escutas circulam como se nada fosse, sentenças são lavradas dizendo que se julga interpretando o sentir da comunidade e tudo é encarado com normalidade: a anormalidade tornou-se normal. Só isso pode explicar que nem um único político tivesse uma palavra sobre o assunto, que nem um editorial tivesse sido dedicado a este assunto, que nem um único representante da justiça se tivesse indignado.

Não, o que se passa no processo Sócrates está longe, muito longe de ser normal. Mas o mal é mesmo maior, muito maior.» [DN]
   
Autor:

Pedro Marques Lopes.


 Grande ministra!
   
«Ministra da Justiça Paula Teixeira da Cruz publica concurso em Diário da República mas com uma ressalva: "só com dotação orçamental".
  
A ministra da Justiça, Paula Teixeira da Cruz, lançou um concurso para ocupar 600 postos de trabalho nas secretarias dos tribunais, publicado já em Diário da República. Mas para que esses funcionários judiciais cheguem a trabalhar nos tribunais o ministro das Finanças do próximo Governo terá ainda de dar o aval orçamental.» [DN]
   
Parecer:

Promove um concurso de admissão de funcionários mas deixa a despesa para o próximo governo. Grande incompetente.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se ao amigo Costa se tem alguma coisa a dizer.»

 Não há nada a acrescentar ao quê?
   
«Pedro Passos Coelho foi chamado a dar mais esclarecimentos à comissão parlamentar de inquérito ao Banco Espírito Santo (BES) pelo Partido Socialista, mas recusou o convite. Citado pela TSF, o primeiro-ministro diz que não tem “nenhuma necessidade particular de acrescentar nada em relação àquilo que já é público”. O pedido do PS no sentido do primeiro-ministro prestar esclarecimentos, através de um depoimento escrito, surgiu na sequência da carta que Ricardo Salgado enviou à comissão parlamentar dando conta de dois encontros entre Passos e Salgados que se realizaram num período crítico em que ainda não eram públicos todos os problemas que viriam a desencadear o colapso do Grupo Espírito Santo (GES) e BES.

Para Passos, não há “novidades” que justifiquem a sua presença no Parlamento. “Tudo aquilo que, no âmbito da carta, foi observado pelo ex-presidente do BES é do domínio público”, disse o primeiro-ministro, pondo um ponto final no assunto.» [Observador]
   
Parecer:

Que se saiba Passos não disse nada do que sabe e muito menos do seu papel no BES.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Chame-se Passos Coelho à Comissão Parlamentar de Inquérito.»
  

   
   
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domingo, fevereiro 01, 2015

Semanada

Talvez por causa da adiantada idade com sinais óbvios de degradação ou porque se apercebe de que o fim da sua carreira serviu para evidenciar a pobreza política da personagem, Cavaco respondeu à situação difícil com que foi confrontado a propósito das declarações de Ricardo Salgado franzindo a cara e fazendo caretas, mais parecendo que estava enchendo as vias respiratórias com bolo-rei azedo. Mais uma vez Cavaco defendeu-se dizendo que se tinha limitado a dizer o que ouviu como se a Presidência da República fosse a gaiola dos papagaios do Jardim Zoológico. 
  
Depois da revelação das reuniões com os governantes e presidente feita por Ricardo Salgado muita gente deverá ter percebido o aviso, está na hora de a cada um assumir as suas responsabilidades no caso BES, não vá o ex-presidente do BES ter feito mais reuniões do que disse e gravado todas as conversas. A estratégia de toda a gente tem sido atribuir todas as culpas a Ricardo Salgado e este fez um aviso sério aos que andam a mentir e a omitir sobre o seu papel em todo o processo.
   
Ferreira Fernandes chamou Marques Mendes por uma nova alcunha, o energúmerno condensado. Poderia ser também o petit aldrabão, o cobarde enfezado, o meio-bilhete de Passos Coelho, o papagaio governamental, o cobarde zipado. Na hora do desprezo Marques Mendes é mesmo uma personagem muito criativa.
  
Há uma expressão para caracterizar a reacção de gente como Cavaco Silva, Passos Coelho e Paulo Portas, estão à rasca, receiam que surjam soluções que recusaram e fique evidente para todos os portugueses que uma boa parte dos sacrifícios que foram obrigados a suportar não passou de uma experiência ideológica concebida por gente sem grandes aptidões intelectuais.

Cavaco condecorou uma lista imensa de fadistas. Carlos do Carmo teve sorte, não entrou para a galeria dos condecorados pro Cavaco. Isto de receber uma condecoração do ainda e desgraçadamente presidente é mais ou menos a mesma coisa que comer uma fatia de um bolo-rei e perder um dente por se dar uma dentada num brinde. Com Cavaco as condecorações tornaram-se numa rifa do bar do PSD.
  
O juiz Carlos Alexandre, aquele rapaz pobrezinho que subiu na vida e agora se faz fotografar em poses  napoleónicas fez saber que para ele a prisão preventiva de Sócrates ainda era pouco. Deus nos livre desta gente porque um dia destes ainda se lembram de propor que em vez de prisão preventivas os detidos que eles detestam vão directamente opara a fogueira.
  

Umas no cravo e outras na ferradura



   Foto Jumento


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Rossio, Lisboa
  
 Jumento do dia
    
Passos Coelho

Alguém se recorda de ter ouvido Passos Coelho criticar os gastos no tempo das vacas gordas ou mesmo reduzir aquilo que designou por gordura do Estado?

Passos Coelho e o seu ajudante de campo para as estradas não estavam na política activa no tempo das vacas gordas, se estivessem Passos recordar-se-ia da resposta keynesiana com que a Europa respondeu à crise financeiras desencadeada em 2008 nos EUA a pedido precisamente de Ângela Merkel.

«O primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, criticou hoje o dinheiro gasto, "em tempos de vacas gordas", em obras de fraca ou quase nula utilidade, deixando para trás investimentos que "entrava pelos olhos dentro" que seriam mais importantes.

"Não percebemos como é que, em tempos de vacas gordas, foi gasto tanto dinheiro [em obras de fraca ou quase nenhuma utilidade", referiu.» [DN]

 Dúvidas que me atormentam?

Consta que o ex-director do SEF terá sido acusado de corrupção passiva por causa de um telefonema de um qualquer energúmeno cobarde que não veio a público dar a cara. Será que o MP já conseguiu identificar o energúmeno da chamada que ficou gravada e o constituiu arguido por corrupção activa?

      
 O espectro que assola a Europa
   
«O Eurogrupo trata das finanças europeias. O presidente do Eurogrupo é o ministro das Finanças holandês Jeroen Dijsselbloem, e bem: afinal, a Holanda andou pelo mundo fora sem fitas ideológicas. Fez uma Companhia das Índias Ocidentais para, quando embarcou, virar à direita, e fez uma Companhia das Índias Orientais para virar à esquerda. Nos porões, a Holanda levou o livro de contas e quando regressou não deixou memória nem língua por onde andou, mas, há que dizê-lo, enquanto por lá esteve ajudou o mundo a funcionar. A história da Holanda no mundo, desde a barganha de Nova Iorque à saída da Indonésia, com a invenção das Bolsas no meio, cabe num bom livro de contabilidade. Deve e haver, com muito superavit. O ministro holandês das Finanças era, pois, a pessoa geneticamente mais preparada para chegar, ontem, a Atenas e discutir o que há para discutir: "Falemos então dos vossos pagamentos..." Respondeu-lhe o ministro grego das Finanças, Yanis Varoufakis: "Para começo de conversa, ficas a saber que não me reúno com a troika."

Se calhar, afinal, o ministro holandês não era o mais geneticamente preparado para falar da dívida grega. Para compreender este episódio histórico contemporâneo há que ler o livro Com os Holandeses, do transmontano Rentes de Carvalho. Ele ensina-nos que dois holandeses que se chocam de bicicleta, caem, levantam-se, não se cumprimentam e vão à vida. Fossem europeus do Sul desfaziam-se em desculpas ou andavam à tareia. Isto é, estragavam a contabilidade (perdiam tempo ou acabavam na enfermaria). Essas formas de ser, vociferante ou gentil, não cabem na equação quadrada de dois mais dois igual a quatro holandesa. Ora a Grécia de hoje ainda está pior do que a clássica, está muito além do deve e haver baterem certo.
Rematou o ministro holandês ao colega: "Ignorar os acordos não é o bom caminho a trilhar." Na verdade, não eram colegas, nem o mesmo planeta partilham. E não é o grego que é extraterrestre. Se há choque entre as duas bicicletas, quem estava a trilhar o carreiro natural da sociedade capitalista moderna era Varoufakis. Acordos na Europa? Mas se a confusão é a norma! Deixou de haver entre os cidadãos e os Estados a noção dos direitos adquiridos. A união dos países, feita no pressuposto da solidariedade, é sabotada pela cupidez dos mais ricos - por exemplo, Luxemburgo e Holanda, de onde são Jean-Claude Juncker e Jeroen Dijsselbloem, os dois mais recentes patrões do Eurogrupo (coincidência?) -, que chupam os impostos das grandes empresas dos países mais pobres... Acordos? Até me admirei de que o espartano grego não tivesse saltado da bicicleta e puxado os caracóis ao holandês.

Se o ministro holandês quer boas normas, boas contas e dar lições sobre o bom sistema capitalista (que o é, não conheço melhor) que venha a Lisboa. Esta é que está a precisar dele, apesar de lhe bater palmas incondicionais. E se houver confronto entre bicicletas, não lhe proponho riscos, é a Marques Mendes que o holandês deve pedir contas. Vocês sabem, aquele energúmeno condensado que numa noite de sábado, na SIC, se permitiu fazer o mais fundo ataque à maior invenção holandesa, a Bolsa.

Relembro. Mandatado por Passos, Marques Mendes foi à televisão anunciar, nas vésperas, o fim do BES. Parece que esse fim tinha de ser, não sei. Sei é que o tal Mendes, apesar da carreira feita num partido capitalista, foi um antibolsista primário. O bom banco, disse ele, tinha de ser extirpado dos maus. Os bons eram os trabalhadores do banco e os depositantes - "os que não têm culpa nenhuma", disse ele. E os maus, sublinhou, eram todos os que investiram, fossem milhões ou pequenas poupanças de uma vida. Repito, não sei se a solução para o BES podia ser outra, até porque o seu fim é a prova de que os tempos modernos não são para ser tratados como se vivêssemos tempos normais. Sei é que Mendes expressou, naquela noite, esta doutrina: investir no mercado de capitais é mau e deve ser castigado. Sei que ele disse que os pequenos investidores, além de ficarem sem nada, deviam ficar com um sentimento de culpa.

Talvez amanhã o capitalismo grego volte à normalidade de que Jeroen Dijsselbloem gosta. Há esperança: a violência com que os gregos o mandaram pastar aparenta-se, afinal, à vitalidade do regime de mercado. Mas para Portugal a situação é mais grave: tem de se ajudar a esquecer a sabotagem bovina, oportunista e explicitada contra o capitalismo popular. O holandês tem um trabalho mais longo aqui (apesar de julgar estar entre adeptos) do que em Atenas.» [Público]
   
Autor:

Ferreira Fernandes.

PS: A melhor caracterização sintética que alguém fez do pequeno Marques Mendes, "aquele energúmeno condensado"!

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«Passou uma semana desde que o Syriza ganhou as eleições na Grécia, quase com maioria absoluta, com um programa anti-troika e anti-austeritário, logo a seguir aliou-se com outro partido nacionalista e anti-troika, e no dia seguinte o seu líder visitou um memorial dos fuzilados na guerra contra a ocupação alemã, negociou com o Arcebispo Ieronymos de Atenas uma dupla cerimónia de juramento do governo grego, uma laica para os ministros ateus ou agnósticos e outra religiosa para os ministros cristãos, e ainda não pôs gravata. E começou a tempestade europeia, abrindo caminho a políticas distintas das dos últimos anos impostas pela Alemanha. Espero que tudo termine em bem para os gregos e que isso ajude a mudar a Europa que bem precisa. Para que haja contágio.

Se eu quiser descrever o que se passou de outra forma posso fazê-lo. Passou uma semana desde que um partido radical da extrema-esquerda ganhou as eleições na Grécia, mas não conseguiu a maioria absoluta, com um programa que quer a Grécia a mandriar e os gregos na boa vida, e os outros países da Europa a pagar a factura, logo a seguir aliou-se com um partido de extrema-direita, à direita do CDS, foi homenagear os guerrilheiros comunistas, e rompeu as obrigações que tinha com a Constituição grega, que definem a Grécia como tendo uma religião de estado, e com um primeiro-ministro que é mal-educado e não sabe vestir a roupa própria para cerimónias protocolares. E começou a tempestade grega, com os gregos a irem provar o fel de terem escolhido uns energúmenos demagogos para se governarem. Desejo que tudo se faça para que a “minha” política alemã “inevitável”, “sem alternativa”, não venha a ser posta em causa e que os gregos paguem duramente o preço da sua aventura, para que tudo continue na mesma. Para que haja vacina.

Basta comparar estas duas versões, para se perceber o grau de radicalização que hoje implica mudar, na Europa, como se as relações de poder tivessem ficado congeladas num momento da história recente e ninguém quisesse partir essa redoma de gelo. E foi mesmo isso que aconteceu. De há uns anos para cá, ou melhor desde que a Alemanha abriu a crise das dívidas soberanas, que é uma “construção” política artificial, escolhida, desejada e desencadeada, lançada às feras dos mercados, de natureza muito diferente da crise bancária suscitada pelos activos tóxicos e pela derrocada do Lehman Brothers, que a mudança parecia impossível. Num pequeno espaço de tempo, a União Europeia ensaiou uma resposta keynesiana, de injectar dinheiro nas economias para impedir que a crise bancária fizesse estragos consideráveis numa Europa sob assalto tóxico, seguida de imediato de um travão a fundo e do prosseguimento de duras políticas austeritárias, escolhendo uma linguagem punitiva para apontar os alvos. Começou pela Grécia e depois foi Portugal, esteve para ser a Espanha e a Itália.

Estava tudo bem nesses países? Não, não estava nada bem, mas a abertura artificial da “crise das dívidas soberanas” tornou tudo pior, porque impediu de imediato que esses países acedessem aos mercados e tornou-nos dependentes das políticas que levaram à troika. A relação de causa efeito não é entre os descalabros orçamentais e as dívidas cada vez mais altas desses países e os “resgates”, mas entre a criação de um novo tipo de crise com as dívidas soberanas dos estados, que infectaram os mercados e deram origem aos resgates. Nesse processo, acabou o directório, que já era uma perversão do funcionamento da União Europeia e passou-se ao exercício do poder único da Alemanha, que mudou de aliados na Europa. Deixou a França apagar-se cada vez mais e ligou-se aos países pequenos da linha dura anti-PIGs, como a Finlândia ou a Holanda.

Ou seja, a crise das dívidas soberanas permitiu a hegemonia alemã, que a Alemanha usou para impor um Tratado Orçamental que tornava rígida a sua política em toda a União Europeia, impediu o Banco Central Europeu de avançar com qualquer outra solução alternativa para conter a crise, e fez tudo para bloquear qualquer esboço de resistência à sua política. O Reino Unido isolou-se ainda mais, a França enfraqueceu-se, a Espanha conseguiu in extremis não seguir os PIGs, a Itália permaneceu na corda bamba, a Irlanda, Portugal e Grécia subjugaram-se em desespero de causa. Os socialistas traíram um pouco por todo o lado, assinando o Tratado Orçamental, aliando-se como parceiros menores aos vários governos alemães, e, quando tinham sido eles a estarem no poder no momento dos resgastes, ou foram reduzidos a partidos menores ou desapareceram do mapa dos grandes partidos, como aconteceu com o PASOK. Não havia “alternativa”, embora desde o início, essas alternativas surgissem, mas foram descartadas como exercícios de irrealismo político quase subversivo. Uma política genuinamente radical, como a que foi seguida por vários países europeus, como é o caso do governo português, passou a ocupar o “centro político”, o “arco da governação”. Eles é que eram radicais, mas chamavam radicais a todos os que lhe contestavam a “inevitabilidade”. No intervalo, países que seguiram outras receitas para combater a crise, passaram quase a bolchevistas, como era o caso dos EUA.» [Público]
   
Autor:

Pacheco Pereira.
  

 Portas protegido pelo MP?
   
«O PS está convicto de ter encontrado "factos gravíssimos" no processo de compra dos submarinos e vai recuperar as duas frentes de batalha - os tribunais e o Parlamento - para tentar envolver, de novo, Paulo Portas no negócio. Ana Gomes já pediu a instrução do processo, considerando que se mantêm as suspeitas de corrupção e branqueamento de capitais. José Magalhães vai aproveitar a ida do vice-primeiro-ministro à comissão parlamentar de inquérito ao BES para o confrontar com o processo dos submarinos. "Lá irei, quando me chamarem", responde Paulo Portas que passa ao contra-ataque a Ana Gomes. "Essa senhora é compulsivamente mentirosa", diz.

A eurodeputada socialista não desiste. Na qualidade de assistente do processo dos submarinos - arquivado pelo Ministério Público em meados de dezembro - analisou o despacho de arquivamento, mas também os volumosos 18 volumes que constituíram o processo. No final, garante ter encontrado "factos muitíssimo importantes" que  tornam "oportuno, útil e legalmente admissível prosseguir a investigação". E requereu a reabertura da instrução.

Em causa, segundo o que o Expresso apurou, estão transcrições, incluídas no processo arquivado, de escutas telefónicas feitas a Paulo Portas, ministro da Defesa e responsável pelo adjudicação da compra dos submarinos, que referem diversas movimentações financeiras. "É inconsistente com o rumo da investigação que um dos principais intervenientes no negócio e principal decisor político não tenha sido nunca considerado formalmente suspeito dos crimes de corrupção passiva e/ou de prevaricação e que essa hipótese nunca tenha sido realmente assumida e investigada", diz Ana Gomes, num documento distribuído à imprensa.» [Expresso]
   
Parecer:

Se compararmos o tratamento dado pelo MP a Paulo Portas com o que está a ser dado a Sócrates até se fica a pensar que o caso dos submarinos foi investigado pelo MP de um país africano.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se à Procuradora-geral o porquê na diferença de tratamento dado aos diferentes processos.»

 Até tu Cândida?
   
«Em entrevista ao Económico TV, divulgada esta sexta-feira, a procuradora reitera que das investigações que liderou e que envolviam o nome de José Sócrates não foram encontrados "indícios" para imputações dos crimes de corrupção ou branqueamento de capitais.

A ex-directora do departamento que investiga a criminalidade mais complexa e crimes económicos admite que ficou "surpreendida" com a prisão preventiva de José Sócrates "por ser um ex-primeiro-ministro" e porque nas investigações que antes liderou não foram detetados "indícios dos crimes que agora lhe são imputados". Recorde-se que a procuradora liderou a investigação a José Sócrates no âmbito do caso Freeport. E foi inclusiva afastada do cargo pela atual Procuradora-Geral da República, Joana Marques Vidal, por alegada violação do segredo de Justiça nesta mesma investigação.» [DN]
   
Parecer:

Só mesmo o Teixeira e o outro é que conseguem ver provas, tentativas de fuga e manifestações para prejudicar as investigações por tudo quanto é lado.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»

 Olho por olho
   
«O governo da Jordânia respondeu à letra aos extremistas do Estado Islâmico, garantindo-lhes que se matarem o piloto que têm sob custódia, todos os prisioneiros jihadistas serão mortos em resposta.
MUNDO Matem o nosso piloto e matamos todos os vossos prisioneiros Twitter

O Estado Islâmico tem sob custódia um piloto jordano e ameaça executá-lo se a Jordânia não libertar o jihadista Sajida al-Rishawi. Contudo, o governo jordano não cede a ameaças e já avisou que irá retaliar caso tirem a vida a Muath al-Kaseasbeh.

“Matem o nosso piloto e nós iremos executar todos os vossos prisioneiros”. Terá sido esta a mensagem que o governo jordano enviou ao Estado Islâmico segundo o correspondente internacional do jornal Al Rai que foi entrevistado pelo Daily Mail.

“O governo avisou que se eles matarem o piloto serão implementadas sentenças de morte a Sajida al-Rishawi e a outros prisioneiros do ISIS o mais depressa possível”, explicou o correspondente Elijah Magnier.» [Notícias ao Minuto]
   
Parecer:

É a única linguagem que os bandidos entendem.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Espere-se para ver.»

 Afinal Passos tem compromissos de honra
   
«O primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, vincou hoje o "compromisso de honra" do Governo em prosseguir o desagravamento fiscal no IRC, para atrair mais investimento para Portugal e criar mais emprego.» [Notícias ao Minuto]
   
Parecer:

Mas é só para os ricos, os pobres podem morrer abandonados nas urgências que não há compromisso de honra que lhes valha.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Vomite-se.»
  
 Passos manda o forcado fazer uma pega ao governo grego
   
«Duarte Marques escreveu ao recém eleito primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras. Na carta que vai enviar na próxima segunda-feira, o deputado social-democrata alerta para alguma leviandade nas declarações do líder do Syrisa sobre os efeitos que as suas políticas possam ter sobre os juros da dívida portuguesa.» [SIC]
   
Parecer:

Este forcado é um zipado intelectual.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Mande-se o pobre diabo cuidar das vacas chocas..»
  
 MP investiga terrorismo
   
«O Departamento Central de Investigação e Ação Penal está a investigar casos de terrorismo relacionados com o Estado Islâmico do Iraque e da Síria, confirmou a Procuradoria-Geral da República ao Observador. Não precisou quantos nem quantos já foram arquivados, garantindo apenas a existência de “inquéritos” abertos. Todos em segredo de justiça.


“Confirma-se a existência de inquéritos, a correr termos no DCIAP, que têm por objeto a investigação de factos relacionados com o denominado Estado Islâmico”, confirmou ao Observador fonte da PGR. Um deles, acrescentou, diz respeito à investigação de “atividades desenvolvidas nos Açores”.» [Observador]
   
Parecer:

A ideia é meter o Estado Islâmico em prisão preventiva e publicar tudo o que se sabe no CM?
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Perghunte-se à Procuradora-Geral.»
  
 Portugal ganhou o Euromilhões em 2014?
   
«O primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, disse hoje, em Fátima, distrito de Santarém, que os dados do Instituto Nacional de Estatística (INE) sobre o risco de pobreza são um “eco” do que o país passou, mas não a situação actual.

“A notícia como eu referi que veio ontem [sexta-feira] divulgada pelo Instituto Nacional de Estatística é um eco daquilo por que passámos, não é a situação que vivemos hoje, reporta àquilo que foi a circunstância que vivemos, nomeadamente em 2013 que foi, talvez, o ano mais difícil em que o reflexo de medidas muito duras tomadas ao longo do ano de 2012 acabaram por ter por consequência”, afirmou Pedro Passos Coelho.

O risco de pobreza continuou a aumentar em Portugal em 2013, afectando já quase dois milhões de portugueses, de acordo com os dados do Inquérito às Condições de Vida e Rendimento divulgados pelo INE.» [i]
   
Parecer:

Em 2014 Portugal teve a mesma austeridade que em 2013 e praticamente não cresceu. Como é que diminuiu a pobreza? A ministra vê crescimento nas filas de trânsito e o primeiro-ministro diz que tudo o que ainda não conste nas estatísticas foi uma maravilha, estão a ficar com problemas de demência.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Mande-se Passos Coelho deixar de ser aldrabão.»
  

   
   
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