quinta-feira, agosto 30, 2007

A Somague e a Lei de Gresham


Quando Durão Barroso chegou à liderança do PSD os cofres do partido tinham meia dúzia de contos e se isso não bastasse o anterior secretário-geral decidiu aumentar o vencimento das secretárias pouco antes de abandonar o cargo. Quando Marcelo abandonou o PSD terá feito o mesmo que os dirigentes dos clubes de futebol, retirou o dinheiro que tinha “investido”.

Pouco tempo depois foram convocadas eleições legislativas antecipadas e o PSD lançou uma imensa campanha publicitária enchendo o país com outdoors de excelente qualidade. O PSD de Durão Barroso evidenciou uma saúde financeira invejável. Que se saiba Durão Barroso não é rico e quando chegou ao cargo até estava “desempregado”, portanto, o dinheiro terá vindo de algum lado o que não implica necessariamente que tenha origem menos própria.



Agora que poderíamos perceber melhor o que se passou chegamos a uma situação caricata, o presidente do partido não sabia e remete as responsabilidades para os então secretário-geral ou secretário-geral adjunto. O secretário-geral protegeu Durão assumindo a responsabilidade política mas assegura que não sabia de nada. O secretário-geral adjunto que seria os responsáveis pelos dinheiros e que mais tarde fez um pequeno favor à Somague estará doente e é Pacheco Pereira que certifica a sua honestidade. Entretanto o PSD vive o seu primeiro momento de unidade desde há muitos meses, todos os candidatos e os que não quiseram ser candidatos estão unidos nos elogios aos inocentes de serviço e na tentativa de esconder os culpados.

Para o Procurador-Geral este é o lado para que dorme melhor, receber dinheiro não era crime e pelos vistos nem será suspeita de corrupção que justifique uma investigação às contas e um cruzamento dos dados relativos a estas gorjetas com as decisões governamentais.

Nos partidos o silêncio é total, aquela que seria uma excelente oportunidade para deixar o PSD em dificuldades está-se a perder como se houvesse um pacto de silêncio em torno do financiamento ilegal dos partidos, o que se come em casa não se diz na rua. O único que se pronunciou foi Louçã, mas até pareceu que foi para cumprir a sua obrigação.


O Presidente da República também deve achar que o financiamento ilegal de um partido do poder não merece a mais pequena intervenção, longe vão os tempos em que enunciou a Lei de Gresham que estabelece que “a má moeda tende a expulsar do mercado a boa moeda”. Neste caso a lei poderia ser enunciada da seguinte forma: “os políticos financiados de forma ilegal tendem a derrotar os políticos honestos”. Mas parece que na economia da política os financiamentos ilegais e duvidosos não fazem parte das equações desta lei.

É mais do que evidente que se trata de um assunto para esquecer, há coisas que têm o inconveniente de começarem a cheirar mal quando alguém se lembra de mexer nelas.

Umas no cravo e outras tantas na ferradura

FOTO JUMENTO

Cabeleireiro

IMAGEM DO DIA

[Yiorgos Karahalis - Reuters]

«A charred goat lies in a burnt forest near Minthi village in Greece's western Peloponnese peninsula. » [Washington Post]

JUMENTO DO DIA


Durão Barroso quer meter-nos os dedos pelos olhos?

Alguém acredita que uma figura menor do PSD aceita gorjetas de 233000 euros sem que o presidente do partido saiba? É evidente que ninguém acredita nisso, assim como é evidente que estas coisas não deixam papeis escritos, portanto Durão Barroso pode dizer que não teve qualquer responsabilidade no financiamento ilegal do PSD.

Mais uma vez (começa a ser frequente) conta a anedota do compadre que foi ao bordel, quando estava com duas profissionais do ramo entrou-lhe uma rusga pela porta dentro, a primeira menina identificou-se como sendo cabeleireira, a segunda como manicura, aí o nosso compadre exclamou"querem ver que a p* sou eu?".

Quem tratava dos dinheiros do PSD e fez um favor à Somague não sabia de nada e Pacheco Pereira garante que a sua honestidade é inquestionável., o secretário-geral assumiu a responsabilidade política mas assegura que não sabia de nada, agora o presidente diz que não tinha nada que ver com assuntos cuja competência estava delegada. Está visto, quem mandou as facturas para a Somague pagar foi aqui o Jumento!

Enfim, Durão Barroso quer meter-nos os dedos pelos olhos.

AS ZARAGATAS NO PSD

«A zaragata no PSD não é de agora. É de nascença. Acentuou-se com a ascensão ao Poder do dr. Cavaco. A ausência de doutrina, de projecto, de ideologia, notoriamente exibida pelo economista, foi substituída pela disposição de retirar importância à política e promover a tecnocracia como fórmula salvadora de todos os males. A rigidez, o autoritarismo e a flagrante carência de cultura humanística ajudaram a criar o postiço institucional que ressaltou para um povo afogado em iliteracia, propenso a crer em milagres e a entregar o destino próprio em mãos alheias.» [Diário de Notícias]

Parecer:

De Baptista Bastos

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Afixe-se.»

O "NOVO VIETNAME" JÁ ERA

«Em que ficamos? Ainda a guerra no Iraque não tinha começado e já os apoiantes de Bush negavam com estridência que ela se pudesse tornar num "novo Vietname". Agora, afirma o próprio Bush que a guerra não pode terminar para que não se torne num "novo Vietname". Mas, tipicamente, Bush chegou ao fantasma do "novo Vietname" num momento em que ele já não quer dizer nada: o desastre iraquiano está num campeonato à parte. Bush terá muita sorte, se o Iraque não se tornar a bitola dos fracassos futuros.

O "novo Vietname" já era; qualquer aventura da superpotência correrá agora o risco de ser apelidada de "um novo Iraque".

O novo Iraque é uma mistura de caos e falta de transparência única no mundo. Milhões de dólares iraquianos ou estrangeiros desaparecem, às vezes dos cofres dos próprios ministérios, às vezes em simultâneo com os próprios ministros. O exército e a polícia estão dominados pelas milícias xiitas. Para compensar, o exército americano começou a dar armas (alegadamente "para conter a Al-Qaeda") às tribos sunitas que antes eram inimigas e amanhã podem voltar a ser. Os sunitas aceitam-nas prevendo batalhas futuras contra os xiitas e os curdos. Ainda ontem o New York Times noticiava a descoberta de uma rede envolvendo militares que pode ter defraudado o contribuinte americano em milhares de milhões de dólares na compra de armas supostamente destinadas para as tropas iraquianas e americanas. Ninguém sabe quanto dinheiro e quantas armas andam à solta. Mesmo o número de três mil soldados americanos mortos esconde a face oculta dos mercenários contratados, tão invisíveis quanto essenciais: há generais no terreno cuja segurança é garantida por mercenários. Se um mercenário morre, não entra para as estatísticas.

Com a situação nestes termos é que Bush veio agora lembrar-se do "novo Vietname". Na guerra do Vietname, na qual o jovem Bush se esquivou de combater, os EUA tentavam impedir um país de se reunificar. No Iraque, os EUA tentam segurar um país em cacos armando todas as partes.

Bush disse que, quando os EUA abandonaram o Vietname, milhões de pessoas sofreram. Mesmo esquecendo (como é hábito) os milhões de pessoas que sofreram enquanto os EUA não abandonaram o Vietname. É que, tal como hoje, não "podiam" abandonar: os apoiantes da guerra anunciavam que, caso os EUA retirassem, o comunismo tomaria conta do Sudoeste asiático. Aí sim houve catástrofe humanitária, e uma das piores de sempre. Mas foi no país do lado, o Camboja; quem a conseguiu deter foi o inimigo de então, o vietcong.

Agora Bush anuncia que os EUA não podem retirar, porque haverá uma catástrofe humanitária no Iraque. Mesmo esquecendo (como é hábito) a catástrofe humanitária que já temos: meio milhão de mortos desde a invasão, em estimativas por baixo. Mesmo esquecendo que essa era a razão para não ter começado a guerra. Mesmo esquecendo tudo isso, é verdade. A chantagem de Bush não é menos verdade por ser chantagem, nem menos chantagem por ser verdade. O Iraque pode cair num buraco sem fundo, certamente pior do que o Vietname quando ganhou a guerra.

Agora é que Bush viu o túnel ao fundo do túnel. Não é só um problema de compreensão lenta; é compreensão lenta e às avessas.

Amanhã continuamos.» [Público assinantes]

Parecer:

Rui Tavares relembra a "desgraça" que se instalou no Iraque.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Afixe-se.»

A ANEDOTA DO DIA

«O Exército garantiu ontem que os especialistas com avenças entre 6700 euros e 14 716 euros por mês, como revelou o CM na edição de sábado passado, “nunca receberam aqueles valores, apesar de estarem previstos no contrato, porque nunca trabalharam 35 horas por semana”, nas palavras do tenente-coronel Hélder Perdigão, porta-voz daquele ramo.» [Correio da Manhã]

Parecer:

Uma explicação muito interessante.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se ao tenente-coronel se acha que, afinal, ficaram baratos.»

GOVERNO CONTRATA EMPRESA QUE NÃO PAGA À SEGURANÇA SOCIAL

«A empresa responsável pela segurança na Loja do Cidadão de Viseu (LCV), a VIPRESE, tem dívidas à Segurança Social, facto que deveria tê-la excluído à partida do concurso público, aberto pela loja para a prestação deste serviço em 2005. No entanto, a VIPRESE não só concorreu como venceu e ficou à frente de outros concorrentes.» [Diário de Notícias]

Parecer:

Assim é fácil ganhar concursos.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Demita-se o responsável do organismo que lançou o concurso.»

NÃO HÁ DUAS SEM TRÊS

«O Presidente da República, Cavaco Silva, vetou hoje a lei orgânica da Guarda Nacional Republicana, e devolveu ao Parlamento para reapreciação o diploma aprovado a 19 de Julho apenas com os votos do PS.

«Decidi, pois, conforme o nº1 do artigo 136º da Constituição da República Portuguesa, solicitar nova apreciação do Decreto nº 160/X, devolvendo-o para este efeito à Assembleia da República sem promulgação», refere Cavaco Silva, chefe supremo das Forças Armadas, numa mensagem divulgada no site da Presidência da República.» [Portugal Diário]

Parecer:

Um veto que era previsível.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Aprove-se a decisão do Presidente da República»

ACREDITA QUEM QUISER

«Durão Barroso escreveu ao presidente do Parlamento Europeu para garantir que não teve qualquer conhecimento ou intervenção no caso do financiamento da empresa de construção civil Somague ao PSD, considerado ilegal pelo Tribunal de Contas. O actual presidente da Comissão Europeia era o líder dos sociais-democratas à época, em 2001.

"De facto, não tive qualquer conhecimento, nem evidentemente qualquer intervenção neste caso, nem em qualquer situação especificamente ligada ao financiamento do partido", escreveu o presidente da Comissão Europeia na carta endereçada a Hans Gert Poettering, a que a agência Lusa teve acesso.» [Público]

Parecer:

Digamos que Durão Barroso não perdia tempo com gorjetas.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se a Durão Barroso se acha que somos ingénuos.»

O ROSTO PORNOGRÁFICO DE GEORGE BUSH

«Jonathan Yeo, un artista británico, ha hecho un retrato del presidente de los EE UU George W. Bush, con fragmentos de ilustraciones pornográficas. La obra esta expuesta desde ayer en la galería de arte Lazarides, situada en el Soho de Londres. El retrato ha generado bastante polémica entre los medios conservadores estadounidenses, y eso que el artista es hijo de un miembro del partido conservador, el miembro del parlamento británico Tim Yeo.» [El Pais]

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quarta-feira, agosto 29, 2007

Calma aí Baltasar Garzón!


O combate ao terrorismo é uma prioridade e não é aceitável que a ETA use o território português para preparar atentados em Espanha ou como retaguarda da sua organização. A ETA não merece qualquer outro tratamento senão o de organização terrorista, como ficou evidente nas acções desencadeadas nos próximos anos.

Todavia, não é aceitável que um magistrado espanhol diga o que se deve fazer se isso envolver a soberania portuguesa, pode dizer que é necessário mas não se aceita que diga que é essa a sua intenção. Qualquer cooperação policial entre as autoridades portuguesas e espanholas deve realizar-se no quadro de acordos diplomáticos que respeitem a soberania dos dois países e nunca por desejo ou determinação de polícias ou magistrados.

É evidente que a ETA pode usar o território português como o pode fazer em qualquer outro país da União Europeia, é também evidente que com a livre circulação de pessoas as polícias têm responsabilidades acrescidas para que o território de um país não sirva de base a grupos de terroristas ou de criminosos que actuam noutro país. Mas isso não pressupõe que os magistrados ou a polícia espanhola passe a ter o direito de “entrar” em Portugal quando o entenderem.

Em Portugal cabe as polícias portuguesas e aos tribunais portugueses o combate à criminalidade ou ao terrorismo. Se o juiz Garzón considera que há suspeitos de terem cometido atentados ou colaborado na organização de atentados realizados em Espanha que diga quem são. Se sabe que há células instaladas em Espanha que dê as informações necessárias para a sua localização. Se acha que alguém deve ser preso que emita o respectivo mandato de captura e o faça chegar pelas vias estabelecidas.

Mas do lado de cá da fronteira aplica-se a lei portuguesa, cabe à polícia portuguesa procurar criminosos e aos tribunais decidir o que fazer com eles. Para lá do Marão mandam os que lá estão.

Umas no cravo e outras tantas na ferradura

FOTO JUMENTO

Mértola

IMAGEM DO DIA

[Efrem Lukatsky / AP]

«Dentro del cuadro. El artista ucraniano, Igor Galan, pinta a las dos modelos que forman parte de su última obra.» [20 Minutos]

JUMENTO DO DIA

Sansãozito e Dalila

Que me lembre nunca um líder do PSD se preocupou com as muitas pessoas competentes que vi serem saneadas por Governos daquele partido, nalguns casos, como sucedeu com o director-geral dos Impostos no tempo em que Marques Mendes governou ao lado de Durão Barroso e Ferreira Leite, o PSD não só saneou com ofendeu em público.

Marques Mendes não tem autoridade moral para visitar alguém que considera saneado o que, nos termos da lei, nem sequer é o caso pois Dalila Rodrigues não viu a sua comissão ser interrompida por motivos políticos. Seria bom que alguém recordasse a Marques Mendes que este governo foi obrigado pelo tribunal a pagar indemnizações aos dirigentes que o governo do PSD saneou.

Portanto, desta vez não é propriamente um Sansão que vai ter com a Dalila, digamos que não passa de um Dansãozito que faz política com coisas menores.

O QUE É FEITO DOS CONTROLADORES FINANCEIRAS

Ao ler na comunicação social que o primeiro-ministro estava a chamar os ministros para lhes dizer que o orçamento é para cumprir lembrei-me de que uma das primeiras medidas deste governo foi a criação da figura do "controlador financeiro" cujas funções eram precisamente controlar as contas de cada ministério.

Desde que a medida foi criada só se ouviu falar da sua nomeação (pelo nome de alguns só devem estar a controlar quando ganham ao fim do mês), isto é, a sua acção foi omissa. Não seria tempo de Sócrates eliminar esta figura inútil? A verdade é que nem todas as idiotices eleitoralistas se revelam úteis.

SILÊNCIO COMPROMETEDOR

O silêncio do PS em torno do financiamento ilegal da Somague ao PSD é comprometedor, só pode significar que aquele partido tem telhados de vidro ou compromete a transparência da democracia para proteger as relações entre Sócrates e Durão Barroso.

DIGAM AO SUPER JUIZ QUE TENHA CALMA

O atentado da ETA em Durango não foi nem o primeiro a ser feito em Espanha, assim como não foi a primeira vez que a ETA usa recursos localizados fora das suas fronteiras, isso é a regra na fronteira com a França. Então porquê toda esta vontade de Garzón em investigar para além das suas fronteiras? É evidente que em relação a França Garzón teria tido mais cuidado com a língua, nunca teria dito que queria investigar em França, o governo francês tê-lo-ia mandado para um lugar menos apropriado.

É evidente que a polícia espanhola quer ter uma intervenção mais activa em Portugal levando a guerra contra a ETA até ao nosso país. Um carro alugado não implica a existência de bases da Eta, para alugar uma viatura basta uma viagem de duas horas entre a fronteira e Lisboa ou Porto. Mas o governo espanhol, a polícia e o juiz Garzón não perderam tempo a divulgar a tese das bases da Eta em Portugal, numa clara pressão sobre o governo português.

Combater a ETA sim, envolver Portugal nas actuações do governo espanhol nunca.

HONORABILIDADE, RESPONSABILIDADE E CONVERSA FIADA

«Neste caso Somague-PSD, posso afirmar com certeza que há pelo menos um tipo de corrupção: a corrupção activa da língua portuguesa.

O primeiro sinal é sempre o aparecimento da "honorabilidade". Esta magnífica palavra, tão do gosto de políticos medíocres e dirigentes de clubes de futebol, ocorre sempre em ocasiões embaraçosas. Pois mal se soube que, nos idos de 2002, o PSD deixara que uma companhia de construção civil lhe pagasse dívidas de uma campanha autárquica, a "honorabilidade" do partido não tardou em aparecer. Em primeiro lugar, se não erro, pela boca de Luís Filipe Menezes; mas poderia ter sido outro qualquer. A honorabilidade tem pouco a ver com a honra, de que é uma prima afastada. A honorabilidade é antes uma espécie de verniz que reclama para si um tratamento respeitoso ou "honorável". A honra é uma obrigação para o próprio; a honorabilidade é um penacho a ser respeitado pelos outros. Quando alguém clama pela sua "honorabilidade", não quer dizer que seja obrigatoriamente honrado; quer dizer que está convencido de que nós temos a obrigação de o tratar como se fosse.

Logo depois tivemos o esvaziamento, na forma tentada, da palavra "responsabilidade". Foi perpetrado por José Luís Arnaut, que era secretário-geral do PSD no tempo em que a Somague pagava dívidas ao partido e que veio dizer que "assumia a responsabilidade" pelo sucedido. Se José Luís Arnaut pensa que para assumir a responsabilidade por algo basta pronunciar uma fórmula e ficar por isso mesmo, significa que nesse contexto a palavra responsabilidade vale zero. Assumir responsabilidades significa, desde logo, dar explicações desagradáveis: porque diabo andou uma companhia de construção civil a pagar dívidas ao partido? Não é fácil, está claro; mas "assumir responsabilidades" não é para ser fácil.

Esperemos que, quando Durão Barroso der as explicações que tem a dar sobre este assunto, elas venham num português claro e incorrupto.

Mas neste caso corremos um risco imediato de obscurecimento. Passou poucos dias até que o PÚBLICO encontrasse um indício de favorecimento da Somague por um governo PSD, num momento em que o ex-tesoureiro do partido que aceitou o financiamento ilegal chegara entretanto a secretário de Estado. O problema é que, como em todas as decisões do Estado, não será difícil justificar essa opção concreta, ao passo que será muito difícil, sem mais provas, ligá-la a um financiamento ilegal ocorrido meses antes. Sem nada de concreto a unir uma coisa e outra, surgirá naturalmente quem venha tentar a habilidade de, uma vez reabilitado o segundo facto, defender que o primeiro perdeu fundamento. Para bem da democracia portuguesa, não pode ser assim.

O financiamento da Somague pode ter tido como resultado aquela decisão favorável numa questão de auto-estradas, ou qualquer outra que desconhecemos, ou ambas, ou até nenhuma. Pode nem ter havido data, local ou ocasião para a cobrança do favor. Ela poderia vir a ser realizada no futuro, ou poderia apenas ser reservada. Mas é sempre bom ter desenrascado um partido que, na altura, acabara de ganhar as câmaras municipais das maiores cidades do país e estava muito perto de vir a ganhar o governo. Quem paga uma dívida de outrem pode nem pedir nada em troca, mas comprou o direito a uma retribuição. E isso basta.» [Público assinantes]

Parecer:

Rui Tavares não deixa o caso Somague cair em esquecimento.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Afixe-se.»

SÓCRATES CHAMA MINISTROS

«A menos de seis meses do fim do ano e a um mês e meio da apresentação do Orçamento do Estado para 2008, o primeiro-ministro tem aproveitado as reuniões com os ministros para frisar que “a contenção orçamental é para ser feita e que tem de ser cumprido o défice previsto para este ano”, garante a mesma fonte. Que acrescenta: “O primeiro-ministro está atento e quer resolver os problemas que possam existir”.» [Correio da Manhã]

Parecer:

Há algo de errado no facto de os ministros terem que ser chamados pelo primeiro-ministro para que cumpram o orçamento.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sugira-se ao primeiro-ministro que ofereça uma máquina de calcular a cada ministro ou, melhor, organize uma cerimónia pública para oferecer-lhes um portátil e uma linha de banda larga à borla.»

NÃO SERVIU DE NADA ARNAUT TER-SE ARMADO EM EGAS MONIZ

«Ainda não há qualquer pedido formal, mas a avaliar pelas informações nos jornais belgas, os eurodeputados do Grupo dos Verdes podem vir a solicitar explicações ao presidente da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso, sobre o caso de financiamento ilegal da Somague ao PSD, detectado nas contas de 2002 pelo Tribunal Constitucional, no valor de 233 mil euros. Segundo a Rádio Renascença, os eurodeputados belgas do Grupo dos Verdes não devem deixar cair o assunto.» [Correio da Manhã]

Parecer:

Arnaut fez um gesto muito nobre mas isso não basta, o presidente da Comissão responde perante toda a Europa.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Aprove-se a iniciativa do Grupo dos Verdes.»

GOVERNO VAI ABRIR A PORTA À POLÍCIA ESPANHOLA?

«Rui Pereira telefonou a Alfredo Rubacalba mal foi conhecido o atentado de sexta-feira passada e, durante a conversa, ficaram acertados alguns pormenores operacionais sobre a colaboração entre os dois países - que os governos querem manter sob sigilo - e um encontro entre responsáveis de segurança e juízes dos dois países, no âmbito do Gabinete Coordenador de Segurança, que terá ocorrido ontem. O encontro serve, conforme o Ministério da Administração Interna informou, em comunicado, "para fazer o balanço da situação e projectar a cooperação internacional futura".» [Diário de Notícias]

Parecer:

parece-me que há alguma precipitação neste processo.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Negociem-se as possibilidades de colaboraçõ, salvaguardando a soberania de Portugal.»

PORTUGAL MELHOROU NO RANKING DA QUALIDADE DOS SERVIÇOS PÚBLICOS

«Portugal subiu três posições no ranking de avaliação da qualidade dos serviços públicos, ocupando agora o décimo sexto lugar, à frente da França, da Itália e da Espanha, anunciou hoje o gabinete do coordenador do Plano Tecnológico, noticia a Lusa.

De acordo com uma nota emitida pelo gabinete do coordenador nacional da Estratégia de Lisboa e do Plano Tecnológico em que é citado o relatório «Leadership in Customer Service», Portugal subiu da décima nona para a décima sexta posição do ranking que avalia os níveis de desempenho dos organismos públicos no domínio da prestação de serviços aos cidadãos e empresas. » [Portugal Diário]

Parecer:

Nalguma coisa estamos à frente da Espanha.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Elogiem-se os funcionários públicos.»

DURÃO BARROSO RECEBE PRÉMIO DA TRETA

«Segundo o comunicado de imprensa, a escolha de Durão Barroso deve-se ao seu papel decisivo no processo de integração europeia e é «especificamente reconhecido» o «seu envolvimento persistente e sem hesitações na política ambiental e energética que fez da Europa um pioneiro global na protecção climática». » [Portugal Diário]

Parecer:

Quem diria.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Elogie-se o trabalho ambiental de Durão Barroso, desde que se foi embora respira-se melhor em Portugal.»

PAULO PORTAS VAI ESTAR NO YOUTUBE

«O CDS-PP vai apostar nas novas tecnologias na rentrée do partido, que se realiza domingo no Porto, arrancando já sexta-feira com a colocação de um vídeo do presidente Paulo Portas no YouTube e no Sapo, escreve a Lusa. » [Portugal Diário]

Parecer:

Apostamos que a primeira grande realização de Paulo Portas vai ser "O caso Portucale".

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sugira-se a Portas a realização do filme épico "A batalha naval da Figueira da Foz.»

ORDEM DOS MÉDICOS NÃO QUER ABORTOS NOS CENTROS DE SAÚDE

«Esta posição de Pedro Nunes é oposta à defendida pelo presidente do Colégio da Especialidade Ginecologia/Obstetrícia da Ordem, Luís Graça, que considerou que cerca de 90 por cento das IVG químicas (com medicamentos), "tirando os dez ou 12 por cento de casos eventualmente problemáticos", deveriam ser realizados em centros de saúde porque é nesses locais que se encontram os "médicos que melhor conhecem a população" e por se tratar de um acto médico simples.» [Público]

Parecer:

O que o bastonário quer mesmo é que não hajam abortos.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Aprove-se a proposta.»

O JUMENTO NO TECHNORATI

  1. O "Outra Margem" pôs a debate a crítica d'O Jumento às cerimónias de distribuição de portáteis.
  2. O "Aberratio Ictus" ficou ofendido por ter dito que não tinha percebido o que eram transgénicos. É evidente que o que li foi uma piada e foi porque nessa piada se considerava o PCP como um transgénico que disse o que disse. Ora o PCP está para os transgénicos assim como os mamutes estão para os elefantes.
  3. O "Estou farto", a "Lei do Funil" e o "Tomar Partido" citam a crítica aqui feita à criação da figura do assistente de deputado.
  4. O "Pululu" acha que o juiz Baltasar Garzón quer entrar por aqui a dentro inspirado em Saramago. É capaz de ter razão, a opinião de Saramago deixou muito espanhol a pensar que a maioria dos portugueses esperam com ansiedade a vinda a chegada da comitiva dos Bobons.
  5. A propósito do post sobre as AG do Millennium o "Macroscópio" acha que aquilo é um regabofe digno de um clube da 3.ª divisão.
  6. A "Educação Cor-de-Rosa" esteve na praia dos Três Pauzinhos. Bem, a praia onde esteve fica um pouco para Este apesar de lhe terem dado o nome do sítio dos Três Pauzinhos, que fica um pouco mais a caminho de Monte Gordo. Dantes essa praia não tinha nome e era conhecida por Ponta de Santo António, o areal que o molhe eliminou e que devido aos limos está transformado num campo de golfe.

WORLD'S FAMOUS PHOTOS

URSULA HARVEY

WOJTEK KWIATKOWSKI

DENNIS JONES

DARIUSZ KLIMCZAK

SILVANA DENKER

ÁRABES NUMA MOTORIZADA

ACERTAR NA MAÇÃ

CALÇÕES ORIGINAIS

MISS TEEN SOUTH CAROLINA

BIG HOUSE COMUNICATIONS

[2]

Advertising Agency: Big House Communications, Vancouver, Canada
Associate Creative Director: Michael Bryden
Art Directors: Mike Fiorentino, Michael Bryden
Copywriter: Chris Kostyal
Photographer: Peter Holst

TDK

[2][3]

Advertising Agency: BWM, Sydney, Australia
Art Director: Jake Rusznyak
Copywriter: Dean Hamilton
Photographer: Gary Heery

SKY TELEVISION

Advertising Agency: DDB, New Zealand
Copywriter: Martin Brown, Bridget Short
Art Director: Darran Wong Kam, Pete Thompson