domingo, junho 28, 2009

Semanada

Esta foi a semana de Cavaco, excitado com os resultados eleitorais o presidente que em má hora Boliqueime nos deu achou que era a sua vez de empurrar o pelotão do PSD e decidiu lançar dúvidas e insinuações. Mais uma vez abriu uma excepção e decidiu falar do país no estrangeiro, foi à Áustria dizer que tinha lido umas sondagens especiais e honestas que lhe permitiam concluir que a maioria dos portugueses queria, como Manuela Ferreira Leite, eleições simultâneas. Mal chegou decidiu imiscuir-se em negócios privados para lançar a suspeita de que Sócrates tinha mandado a PT comprar a TVI para se livrar da família Moniz. Acabou por falhar em tudo, marcou as eleições num dia diferente daquele em que se relizam as presidenciais e no caso PT acabou por se calar, todos os comentadores entenderam o gesto como uma ajuda disparatada a Manuela Ferreira Leite.

Louça diz que quer ser primeiro-ministro e Ferreira Leite, num gesto de humildade que tanto a caracteriza, diz que não vai pedir a maioria absoluta. Louç~e Ferreira Leite acham que ir a votos é como ir à leitaria mais próxima, é só chegr e pedir.

Entretanto as investigações do caso Freeport avançam, enquanto o caso BPN foi fazer companhia à Operação Furacão e outros processos que envolvem gente grada da banca e/ou do cavaquismo. Mas podemos ficar descansados, nem o PGR dá entrevistas sobre o assunto, nem o senhor Palma vem a público exigir meios para levar aqueles processos até ao fim. Se calhar os magistrados esperam que o PSD ganhe as eleições e estão a guardar as novidades para fazer Manuela Ferreira Leite dançar segundo a sua música quando for primeira-ministra.

Umas no cravo e outras na ferradura

FOTO JUMENTO

Monsaraz

A MENTIRA DO DIA D'O JUMENTO

Ao mesmo tempo que Manuela Ferreira Leite prepara o seu programa eleitoral os famosos assessores de Belém (os tais que ultimamente anda desaparecidos para desgosto do presidente que cada vez que abre a boca tem a sorte de não entrarem moscas) estão a redesenhar o conceito de cooperação estratégica entre presidência e primeiro-ministro. O Jumento divulga aquele será o novo esboço do que será o novo ambiente de trabalho nas reuniões de quinta-feira entre presidente e primeiro-ministro.

JUMENTO DO DIA

Cavaco Silva, presidente da República

A tentativa mais ou menos descarada de Cavaco Silva de favorecer o PSD tem-no levado a sucessivas asneiras e, acima de tudo, a deixar de ser definitivamente o presidente de todos os portugueses para assumir o papel de presidente oficioso do seu partido. A decisão de marcar as eleições legislativas a 27 de Setembro, o que é uma derrota política clara de Cavaco, é o culminar de uma semana de intervenções desastrosas, começando com a famosa interpretação das sondagens a favor de eleições simultâneas feitas no estrangeiro até à interferência inaceitável em negócios privados.

Com a decisão de marcar as eleições a 27 de Setembro Cavaco está a recuar no seu apoio militante ao PSD o que mostra que percebeu que a sua estratégia foi tão evidente que só poderia levar a uma grave crise institucional. Uma coisa é o PSD ganhar eleições, outra é ganhá-las graças as intervenções do presidente da República. É a diferença entre a democracia e a ditadura de Boliqueime.

CAVACO RECUOU

As eleições legislativas não se realizam em simultâneo com as autárquicas. Era descaramento a mais decidir de outra forma, não se compreendendo algumas declarações públicas feitas pelo presidente da República.

O AZAR DE MONIZ

Perdeu a oportunidade de ganhar 3 milhões de euros, depois de tudo fazer para que a Prisa, dona da TVI, o mande embora o CDS estragou-lhe o negócio. Se soubesse disso tinha concorrido ao Benfica, ou será que quando comunicou a sua decisão de disputar o lugar de Luís Filipe Vieira ainda não sabia de nada? Ou será que quando equacionou essa hipótese já sabia do negócio em curso e tinha garantido a indemnização.

Enquanto se pergunta se Sócrates sabia do negócio ninguém equaciona a hipótese de Moniz estar interessado num despedimento que lhe assegura um lucro de 3 milhões de euros.

AVES DE LISBOA

Gaivota-pequena [Larus minutus]
Local: Terreiro do Paço

FLORES DE LISBOA

Quinta das Conchas

CAVACO, SÓCRATES E FERREIRA LEITE ESTÃO IRRECONHECÍVEIS

«Cavaco Silva

Não comentava questões de política nacional fora do País, mas agora, a propósito das datas das eleições legislativas e das autárquicas, não só o fez - solidarizando-se com o (seu) isolado PSD - como se pronunciou sobre um assunto de Estado, baseando-se em sondagens que não têm credibilidade ou, simplesmente, nem existem.

Depois, decidiu abrir uma excepção. E, em vez dos silêncios ou comunicados com que reagiu ao envolvimento do seu nome no caso BPN ou às suspeições sobre Dias Loureiro, Cavaco Silva intrometeu-se no negócio PT/Prisa. E não falou como economista, falou à político - daqueles de quem tantas vezes se demarca, exigindo explicações aos responsáveis de uma empresa privada cotada nas bolsas de Lisboa e Nova Iorque.

Ambas as intervenções contrariam tudo aquilo que tem feito enquanto Presidente da República. Uma pena. Até porque, como ambas foram tão excepcionais e tão favoráveis ao PSD, é fácil perceber os que o acusam de oposição ao Governo.» [Diário de Notícias]

Parecer:

Por Rui Hortelão.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Afixe-se.»

O SUPREMO E A TOP MODEL

«O direito à imagem, em Espanha como em Portugal, é um direito fundamental distinto do direito à reserva da vida privada e do direito ao bom-nome. Vale isto por dizer que, salvo motivos que o justifiquem, não é permitida a captação da nossa imagem e a sua divulgação sem a nossa autorização, mesmo que as imagens em causa não respeitem a momentos da nossa vida privada nem ponham em causa o nosso bom-nome.

Com a chegada do Verão, justifica-se debruçarmo-nos um pouco sobre esta questão, uma vez que as praias são um dos locais onde os conflitos com o direito à imagem muitas vezes se colocam. E não me estou a referir às imagens chocantes que, por vezes, temos de suportar...
A história que se passou com uma top model espanhola é bastante esclarecedora da exacta configuração deste direito, nomeadamente no seu confronto com o direito à informação: Alejandra, conhecida modelo fotográfico e de desfiles de moda, foi, em 1999, passar férias na Jamaica com o seu namorado, um sobrinho do Rei de Espanha, e, naturalmente, foram à praia. Aí, numa praia pública e em local a que qualquer pessoa podia aceder, tomaram banho e estiveram deitados na areia, tendo Alejandra estado sempre sem a parte superior do biquíni. Não houve momentos de particular intimidade entre ambos, sendo o seu comportamento absolutamente normal.

Sucedeu que, nas imediações, estava um fotógrafo de uma agência internacional que captou fotografias dos dois e as vendeu à revista Interviú por, em moeda antiga, cerca de 5 milhões de pesetas. A revista publicou então as fotografias numa reportagem com o título O top less da top model.

Alejandra recorreu aos tribunais, alegando que os seus direitos à imagem e à protecção da sua vida privada tinham sido violados e pedia que a revista fosse condenada a destruir as chapas fotográficas em causa e a indemnizá-la num valor que fosse considerado justo.O tribunal de 1.ª instância deu-lhe razão por considerar que, embora a forma como Alejandra e o namorado apareciam nas fotografias fosse absolutamente normal e a praia fosse pública, a verdade é que as fotografias só chamavam a atenção por estar com o peito descoberto e a revista não obtivera o seu consentimento, existindo um espírito de lucro na captação e divulgação de tais imagens que não podia ser confundido com qualquer interesse geral na sua publicação, pelo que condenou a revista a destruir as fotografias e a indemnizar a top model em 5 milhões de pesetas.

A revista recorreu para o tribunal de 2.ª instância, a Audiência Provincial de Madrid, que, em Março de 2003, confirmou a sentença de 1.ª instância, considerando que a captação e publicação das fotografias "não obedecia ao propósito de exercer o direito à informação mas sim a um objectivo puramente comercial ou monetário, através do aproveitamento específico da nudez parcial em que se apresentava nesse momento a modelo, pondo em causa o direito de qualquer pessoa, tenha ou não projecção pública, a impedir que se faça comércio com a sua imagem".

Recorreu, de novo a revista, desta vez para o Tribunal Supremo, que, em 28 de Outubro do ano passado, proferiu uma nova decisão. Para esta instância, dúvidas não houve de que as fotografias não captavam qualquer momento de intimidade, tinham sido tiradas num lugar de acesso público, sendo os fotografados pessoas com projecção pública, pelo que não se podia decidir da legitimidade ou da não legitimidade da sua publicação só pelo facto de a top model estar com ou sem a parte superior do biquíni.

Debruçou-se, então, o Supremo espanhol sobre a argumentação das anteriores decisões de que a publicação das fotografias não estava justificada, isto é, era ilegítima pelo facto de visar um fim comercial e não o direito à informação. Ora, explicou o Supremo Tribunal, o direito constitucional a transmitir livremente e com veracidade informação não desaparece ou fica debilitado pelo facto de as empresas de comunicação obterem com isso benefícios económicos, como é normal, dado o seu carácter de empresas comerciais. Questão diferente era a de saber se havia um interesse público ou legítimo na publicação das fotografias e, também aí, o Supremo espanhol foi esclarecedor ao afirmar não ser aceitável que toda a informação tenha que ser necessariamente política, económica, científica ou cultural, antes pelo contrário, existindo também um género mais frívolo de informação de espectáculo ou de divertimento, pelo que as imagens em causa de uma modelo espanhola com fama internacional acompanhada de um sobrinho do Rei tinham um indiscutível interesse informativo dentro do tipo de semanário em que tinham sido publicadas, e um valor informativo próprio porque reforçavam a veracidade do texto da reportagem. Entender o contrário equivaleria a considerar que os meios de comunicação social que não fossem dedicados a informação política, económica, científica ou cultural só poderiam publicar imagens consentidas pelos seus protagonistas, o que seria incompatível com o direito à informação legalmente previsto. E, assim, o Supremo espanhol revogou a decisão anterior e absolveu a revista Interviú, considerando que nada tinha a pagar à top model.

Sobre esta decisão espanhola, há dois comentários a fazer em Portugal: quanto à morosidade da justiça, parecem estar tão mal ou piores do que nós, uma vez que o processo foi intentado em 1999 e a decisão final só foi proferida em 2008. No que concerne à qualidade da decisão, não parece haver dúvidas de que o Supremo espanhol, neste caso pelo menos, tem uma compreensão do direito à informação bastante consistente, não indo atrás dos primários "chavões" que vão prosperando no nosso país e que visam pôr em causa o direito à informação com base no facto de as notícias provocarem aumentos de tiragens ou de vendas dos jornais!» [Público assinantes]

Parecer:

Por Francisco Teixeira da Mota.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Afixe-se.»

CAVACO DIZ QUE RESPEITOU A VONTADE DOS PARTIDOS

«"Entendo que, em matéria de marcação de eleições, a opinião dos partidos políticos deve ser especialmente considerada pelo Presidente da República. Não posso deixar de atender aos argumentos apresentados pelos partidos, pois são eles que irão disputar as eleições", afirmou o chefe de Estado, Aníbal Cavaco Silva, numa declaração ao país.

O Presidente da República sublinhou que a sua decisão de marcar as legislativas para 27 de Setembro foi tomada após a audição dos partidos com assento parlamentar, dos quais "cinco pronunciaram-se categoricamente contra a realização em simultâneo das eleições autárquicas e das eleições legislativas.» [Diário de Notícias]

Parecer:

Se o presidente respeita a vontade dos partidos porque razão andou a dizer disparates como aquele da interpretação de sondagens que lhe permitiram concluir que a vontade dos portugueses era qu a eleições fossem simultâneas.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se a Cavaco Silva porque recuou.»

FREEPORT: INVESTIGAÇÃO AFASTA-SE DE SÓCRATES

«Depois de meses em que metade do caso de corrupção Freeport parecia submersa num impasse — a metade que diz respeito a quem teria recebido o dinheiro —, eis que o trabalho dos dois procuradores que estão com o processo há quase um ano começa a vir à superfície. No intervalo de uma semana, duas revelações importantes. A mais discreta delas é a confirmação de que o tio e o primo de José Sócrates, apontados como intermediários, foram afastados do enredo principal. Em contrapartida, passou a haver dois alegados corruptores passivos oficialmente assumidos pela equipa de Vítor Magalhães e Paes de Faria. E ambos ligados ao organismo público que surge como peça central no processo de aprovação do outlet de Alcochete: o ICN – Instituto da Conservação da Natureza, que deu os pareceres vinculativos e essenciais para que o projecto fosse construído. A dúvida está em saber se a constituição de arguidos vai parar por aqui.

Na quarta-feira, José Sócrates informou os deputados, no debate quinzenal com o Parlamento, que o presidente do ICN à época do ‘sim’ ao Freeport se demitira do cargo de gestor do Proder (Programa de Desenvolvimento Regional), que ocupava até agora e para o qual fora nomeado politicamente. Constituído arguido no dia 17, Carlos Guerra decidiu antecipar-se àquilo que era óbvio: a oposição iria pedir a sua cabeça ao Governo e com isso criava um pretexto para prolongar o confronto público de Sócrates com o caso.

Além de Guerra, os investigadores juntaram ao rol de suspeitos oficiais um outro nome do ICN: José Manuel Marques, que foi ouvido pela Polícia Judiciária enquanto Sócrates falava no Parlamento. Biólogo do quadro a trabalhar actualmente na Reserva Natural do Tejo, Marques era vice-presidente do instituto em 1999 e pré-aprovou o esboço do projecto, na altura em que o promotor eram ainda os irlandeses da McKinney e não o Freeport, tendo como consultor apenas Charles Smith, ainda sem o sócio Manuel Pedro. Ao fazê-lo, deu luz-verde para que se iniciasse a avaliação ambiental do outlet. » [Expresso assinantes]

Parecer:

Ainda bem que com o incidente das supostas pressões os investigadores, que foram dar com a boca no trombone junto do sindicato em vez de recorrerem à via hierárquica, são quem são, assim ninguém vai insinuar que simpatizam com Sócrates.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Aguarde-se pelo fim das investigações.»

CARLYLE APOSTA NO NOVO AEROPORTO DE ALCOCHETE

«O Grupo Carlyle — um dos maiores investidores globais em capital privado — pretende aplicar no sector imobiliário do mercado ibérico entre €200 e €400 milhões, durante os próximos três anos. Eric Sasson, director da Carlyle Real Estate, sediada em Paris, explica que este valor total de investimento não será diferenciado entre Portugal e Espanha. “Só faremos negócios que sejam manifestamente interessantes”, diz. Sobre a zona de Lisboa, reconhece que “estamos interessados no desenvolvimento dos espaços da cidade aeroportuária de Alcochete”. » [Expresso assinantes]

Parecer:

Depois do que se tem visto com o caso Freeport e com o que em tempos sucedeu com a GALP a presença da Carlyle em Portugal não parece ser bem-vinda.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sugira um "go home" à Carlyle dos amigos do PSD.»

ALEX STEPANOV

VIAGRA

sábado, junho 27, 2009

O Cavaco de Boliqueime

O maior erro que Sócrates terá cometido, para gáudio dos alegristas, pois ter acreditado que poderia governar com Cavaco como Presidente ou, pior ainda, que Cavaco se ajustava que nem uma luva no papel de presidente. Sócrates não percebeu duas coisas: que Cavaco sempre ambicionou mandar simultaneamente em Belém e em São Bento e que tem como único objectivo político a projecção da sua própria imagem pessoal.

Enquanto Sócrates parecia cair nas graças do eleitorado Cavaco aceitou uma posição subalterna, colou-se à imagem do primeiro-ministro, os seus assessores mantiveram-se em silêncio, até elogiava as reformas promovidas por José Sócrates, incluindo a da Educação, usava-as de forma vaidosa nas suas viagens ao estrangeiro. Nunca foi solidário nos momentos difíceis, limitou-se a colar-se aos sucessos de Sócrates.

Com a crise financeira Cavaco mudou radicalmente, Manuela Ferreira Leite e a demais tralha cavaquista que andava dispersa e sem objectivos políticos animou-se, os assessores de Belém saíram do anonimato para ajudarem à eleição da antiga directora-geral da Contabilidade Pública, o único cargo público onde a actual líder do PSD poderá ter tido uma nota acima da negativa.

Com a chegada de Ferreira Leite à liderança do PSD Cavaco Silva mudou a sua estratégia, passou a acumular as funções de presidente da República com as de presidente vitalício do PSD, o tal PSD do qual se desvinculou tal como tanto disse no debate com Soares durante a campanha das presidenciais. Enquanto com Marques Mendes Cavaco tentava impor ao país a partilha do poder pelo PSD com recurso a pactos de regime, com Manuela Ferreira Leite e a crise financeira já a provocar estragos Cavaco Silva passou a usar o argumento dos consensos alargados para vetar todas as decisões do Parlamento que não lhe agradassem ou que fossem contra os interesses estratégicos do PSD. Sempre que Ferreira Leite protestava contra uma votação parlamntar Cavaco vetou ou questionou os diplomas, a não ser em questões menores.

A partir do momento em que acreditou que Sócrates poderia perder a maioria absoluta Cavaco começou a alinhar com as posições de Ferreira Leite, chegou-se ao ridículo institucional de deixar que Ferreira Leite antecipasse as suas intervenções políticas ou de tornar suas as posições políticas de Manuela Ferreira Leite. A partir daí sempre que Manuela Ferreira Leite espirrava era declarada a gripe em Belém, o extremo do ridículo ocorreu agora com a suposta compra da TVI pela PT.

Enquanto Manuela Ferreira Leite era administradora não executiva do banco Santander Cavaco Silva não questionava as obras públicas, limitava-se a meter grãos no processo de decisão política, como sucedeu com a localização do aeroporto, nunca questionou a sua necessidade nem a capacidade de o país o financiar, optou por questionar a sua localização. Em relação às restantes obras públicas, como o TGV, nunca as questionou. Com Ferreira Leite em líder do PSD o presidente passou a considerar mais importante para o desenvolvimento do país a construção de estradas para carroças de burros do que quaisquer outras vias de comunicação. Se há coisa que Cavaco Silva sempre apreciou foram as grandes obras, porque mudou de opinião? O caso do financiamento da SOMAGUE à campanha eleitoral de Durão Barroso e Ferreira Leite diz tudo, quando o PSD voltar ao poder vamos perceber que Cavaco não é assim tanto a favor daquelas estradinhas que Salazar mandava construir.

Mais do que presidente da República Cavaco é neste momento o líder do PSD usando as suas competências para manipular a opinião pública. Veja-se a forma como se tem comportado em relação aos casos BPN e Freeport. No caso BPN usou toda o poder da instituição para que em má hora foi eleito para proteger um dos maiores responsáveis do BPN, até hoje Dias Loureiro nem sequer foi incomodado pelos investigadores e não há o mais pequeno sinal de evolução nas investigações. No caso Freeport chegou a chamar a Belém o representante sindical dos magistrados, passando pró cima do Procurador-Geral da República.

Cavaco tem um projecto pessoal para cuja concretização a democracia é meramente instrumental, Cavaco quer ficar na história como um grande político, algo que nunca foi nem será, limitou-se a surfar nas circunstâncias, a usar os poderes que teve para gerir a sua imagem e poder. Cavaco não tem ideologia nem projecto político, o seu projecto é o de um rural de Boliqueime deslumbrado com o poder que sonha tê-lo de forma absoluta graças a uma democracia que apesar dos seus trinta anos ainda gera não tem anti-corpos suficientes para rejeitar falsos salvadores da Pátria.

PS: a partir desta data neste blogue “Presidente da República” passa a escrever-se com letra pequena, pela actuação partidarizada de Belém o termo não merece a utilização de maiúscula, o actual inquilino de Belém é um presidente menor na curta história da democracia portuguesa.

Umas no cravo e outras na ferradura

FOTO JUMENTO

Vila Real de Santo António

A MENTIRA DO DIA D'O JUMENTO

Em poucos dias Manuela Ferreira Leite conseguiu operar dois milagres, convencer os seus militantes de que vai ser primeira-ministra e revalorizar Santana Lopes que já voltou a ter cotação no mercado de câmbios políticos, de má moeda de Cavaco Silva o candidato a Lisboa passou a ser a boa moeda da afilhada do presidente.

Manuela não perdeu tempo e não só já está a preparar o seu governo e, como se pode ver pela imagem, até já encarregou Santana Lopes de tratar das cadeiras governamentais.

JUMENTO DO DIA

José Sócrates

Sócrates sabe como ninguém que será alvo de todos os golpes, de gay a corrupto e agora de manipulador dos negócios de uma empresa privada em favor da sua imagem. Depois de ter ficado claro que a eventual compra da TVI pela PT não passava de um negócio privado só tinha que deixar Cavaco Silva e Ferreira Leite a falarem sozinhos e deixar que duas empresas privadas fizessem os negócios que entendessem. De nada serve o gesto de impedir o negócio, daqui a alguns dias Ferreira Leite inventará outra e é sabido que Cavaco Silva usará a artilharia que o cargo lhe oferece para dar mais um exemplo do que entende por lealdade institucional.

ARGUIDOS

Não sou jurista mas gostava que se comparasse a forma como são constituídos os arguidos no caso Frreport e no caso BPN. Tenho uma ligeira sensação de que no segundo caso tudo se faz para evitar constituir mais arguidos, enquanto no caso Freeport fico com a sensação que basta ter passado por Alcochete.

ENGANEI-ME ... OU TALVEZ NÃO

à medida que as eleições se aproxima o caso Freeport volta a ganhar animação enquanto o caso BPN cai no esquecimento judicial. Será que o caso BPN vaio ficar na prateleira até que as corporações da justiça andem zangadas com um governo do PSD?

Mas ainda bem que o caso Freeport acelerou, bom, bom, seria estar concluído antes das eleições, mas duvido que os magistrados sejam tão generosos.

CONSENSO

Vamos ver se Cavaco Silva que tanto fala em consenso vai respeitar o consenso da maioria dos partidos quanto à data das eleições, ou desta vez dispensa o consenso e apoia a pretensão de Manuela Ferreira Leite.

AVES DE LISBOA

Felosa-comum [Phylloscopus collybita]

FLORES DE LISBOA

Jardim Botânico

O CONTRATO

«Raramente os portugueses viveram a paz social e a paz política destes 30 anos de democracia. Desde 1976 que nenhuma força desafiou o regime. Os partidos revolucionários respeitaram a legalidade e quase não influíram na história do país. Não houve, por assim dizer, repressão ou violência e as normas constitucionais foram aplicadas com regularidade e consenso. Tudo isto se deveu a um contrato tácito entre quem governava - ou seja, o PS, o PSD e, de quando em quando, o CDS - e a maioria do eleitorado. Os termos desse contrato estiveram sempre à vista: o Estado criava as classes médias que não existiam, protegia as que existiam e assegurava uma certa prosperidade a todas. Com um soluço ou outro - de resto, sem gravidade de maior -, as coisas correram bem.

Na essência, o contrato tinha três partes. Em primeiro lugar, o Estado garantia o emprego, mesmo através de um funcionalismo monstruoso, de um investimento público discutível ou de subsídios ao sector privado (indígena e estrangeiro) sem rentabilidade ou segurança. Em segundo lugar, sustentava um sistema universal de pensões de reforma, que permitissem uma existência digna. Em terceiro lugar, fornecia serviços de saúde com o mínimo de eficiência e prontidão. Em quarto lugar, o Estado educava gratuitamente as crianças no básico, no secundário e, em alguns casos, na universidade. Mas, principalmente, o Estado (o Estado-Providência que o PS e o PSD fizeram) não impunha às classes médias - que resistiam ou se formavam com dificuldade - uma carga fiscal intolerável.

As classes médias, que já não precisavam de poupar para a velhice e para a doença, ou para a instrução dos filhos, ficavam com um rendimento disponível, que, como é natural, usaram para "consumir" o que julgavam que a "Europa" consumia. Infelizmente, pouco a pouco a situação mudou ou, se quiserem, a sua intrínseca fraqueza (a penúria atávica de Portugal) acabou por se revelar. Hoje o desemprego aumenta dia a dia; Sócrates limitou e reduziu as pensões de reforma; os serviços de saúde (subfinanciados) não conseguem tratar em tempo útil uma parte considerável da população; e o ensino não passa de uma fraude irreformável e caríssima. Pior ainda, e antes de mais nada, o fisco é hoje pura e simplesmente punitivo. O Estado não cumpriu o contrato com as classes médias, que vinha do princípio da democracia. Votar em Sócrates, como por aí se aconselha, não esconde, ou alivia, esse fracasso essencial.» [Público assinantes]

Parecer:

Por Vasco Pulido Valente.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Afixe-se.»

A PORCA DO NILO

«Todos nós temos um papão, que nos atormenta as noites e do qual passamos a vida a fugir. Para uns, é o homem do saco. Para outros, o dos impostos. Para mim, é a perca do Nilo. É um monstro lamacento do lago Vitória, tão voraz e nauseabundo que fizeram um documentário sobre ele chamado O Pesadelo de Darwin.

Quem comeria um peixe de água podre tão repugnante? Eu. Eu e o leitor e toda a gente à sua volta. Então entre 1995 e 2005, quando ainda era possível ocultar e disfarçar a identidade do bicho. Aparecia em tudo o que era casamento ou restaurante duvidoso como "cherne". O cherne, como toda a gente sabe, é um peixe raro, caro e delicioso. Como é que ninguém estranhou que, de repente, explodisse uma abundância de medalhões e de filetes de cherne, a preços (e aparências e sabores) de cantina da tropa? Comemos e calámos que nos fartámos, pensando que estávamos a papar uma pechincha.

Há tempos entrei num pseudo-restaurante de sushi onde o pseudo-itamai confessou que aquela gigantesca ossadura de carne translúcida que ali jazia era de uma perca do Nilo. Agarrei as narinas e saí a correr.

Estamos tramados. Como os mercadores da porca do Nilo já não podem dizer que é cherne, vendem-na descaradamente como perca do Nilo. Se são mais espertos, omitem o "do Nilo" (que mete nojo) e dizem só "perca" (que também mete nojo, mas que engana os ignorantes, que julgam que é peixe do mar).

Cuidado com o papão que anda aí!» [Público assinantes]

Parecer:

Por Miguel Esteves Cardoso.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Afixe-se.»

TÍTULO 16

«O Governo decidiu hoje a marcar a data das próximas eleições autárquicas para o dia 11 de Outubro, referiu à agência Lusa fonte oficial do executivo.

"O Governo decidiu marcar a data das eleições autárquicas para o próximo dia 11 de Outubro, data que foi referida nas preferências de todos os partidos políticos que, nos termos da lei, foram previamente ouvidos sobre esta matéria", justifica o Governo.» [Diário de Notícias]

Parecer:

Agora Cavaco já pode dar o seu golpe e marcar as legislativas para o mesmo dia.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Espere-se pela decisão do "presidente" do PSD.»

FREEPORT: MAIS UM ARGUIDO SEM CRIME

«Foi o ex-autarca que na altura solicitou uma reunião com o então ministro do Ambiente, José Sócrates, para tratar do licenciamento do centro comercial.

O processo relativo ao Freeport conta agora com seis arguidos: Charles Smith, Manuel Pedro, Eduardo Capinha Lopes, Carlos Guerra, José Manuel Marques e José Dias Inocêncio.» [Diário de Notícias]

Parecer:

Parece que o MP primeiro encontra os arguidos e só depois procura o crime.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Aguarde-se pela conclusão das "investigações".»

MANUELA FERREIRA LEITE NÃO LARGA PT

«A líder do PSD acusou hoje o primeiro-ministro de utilizar a 'golden share' na Portugal Telecom para defender a sua imagem, recorrendo "ao argumento mais extraordinário", de afastamento de suspeições, para vetar o negócio com a Media Capital.» [Diário de Notícias]

Parecer:

Sinal de nervosismo.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se a Ferreira Leite se não percebe que está a fazer uma figura triste.»

CHOVEM COMPRADORES PARA A TVI

«A Cofina, que detém títulos como o "Correio da Manhã", "Record" ou "Jornal de Negócios", quer comprar uma posição de controlo na Media Capital, não estando interessada nos 30 por cento que agora ficaram disponíveis com a inviabilização do negócio da PT, disse à Lusa fonte oficial do grupo.» [Público]

Parecer:

Não me admiraria nada que Joaquim Coimbra também aparecesse na corrida, assim juntava-se o SOL à TVI e o novo grupo até se poderia chamar Freeport TV.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se a Ferreira Leite se já sugeriu o negócio ao seu colega de partido e dono do SOL.»

PORTUGAL TEM MENOS 700 MILIONÁRIOS

«A crise financeira fez Portugal perder 700 milionários em 2008. O número de pessoas com activos financeiros superiores a um milhão de dólares, cerca de 719 mil euros, (os chamados high net worth individuals, HNWI) caiu 6,4 por cento face ao ano anterior. Ou seja, segundo o World Wealth Report, há actualmente 10.400 milionários em Portugal, que representam uma fatia mínima da população total: apenas 0,09 por cento.A desaceleração económica e a quebra do preço das casas e da capitalização de mercado são apontados no relatório, a que o PÚBLICO teve acesso, como os principais inibidores de riqueza. No lado oposto, a estimular a criação de riqueza, estão a descida das taxas de juro decididas pelo Banco Central Europeu, os apoios ao sector automóvel e a estagnação do consumo, para níveis de 2007. » [Público assinantes]

Parecer:

Resta saber para onde foi o dinheiro, talvez para accionistas mais sortudos como Cavaco Silva e a filha.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dêem-se as boas-vindas aos novos "pobres".»

20% DOS TRABALHADORES DA BRITISH AIRWAYS

«Quase sete mil dos cerca de 40 mil trabalhadores da companhia de aviação inglesa British Airways aceitaram a proposta feita pela administração de trabalhar um determinado período de tempo - no prazo máximo de um mês - sem dele receberem vencimento imediato. A percentagem de adesão voluntária conseguida, que não chega a 20 por cento, foi considerada pelo presidente executivo da empresa, Willie Walsh, como uma "fantástica primeira resposta", e que demonstra "claramente a diferença que um indivíduo pode fazer".A diferença invocada por Walsh pode ser medida em números, e eles foram avançados do último comunicado de imprensa que pode ser lido na página da companhia aérea: foram 6940 os empregados que responderam afirmativamente ao e-mail que lhes foi enviado há pouco mais de uma semana. E essa resposta positiva irá permitir à empresa poupar, no imediato, cerca de dez milhões de libras (11,7 milhões de euros). Estes funcionários aceitaram tirar licenças sem vencimento, abdicaram de horas de trabalho ou voluntariaram-se mesmo para trabalho não pago - o vencimento correspondente ser-lhes-á creditado num período de entre três e seis meses.» [Público assinantes]

Parecer:

Ainda bem que na TAP o dinheiro é tanto que os nossos trabalhadores se entretêm a fazer greves.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se conhecimento a Jerónimo de Sousa, pode ser que perca o sono.»

BURAK ERTRUK

WWF