sexta-feira, julho 03, 2009

Umas no cravo e outras na ferradura

FOTO JUMENTO

Montijo

A MENTIRA DO DIA D'O JUMENTO

Manuel Pinho não perdeu tempo e mal foi demitido vestiu logo o seu taje de luces e começou a ensaiar uns passes para a nova temporada taurina.

JUMENTO DO DIA

Manuel Pinho

Independentemente da competência de Manuel Pinho, sobre a qual não tenho dúvidas, é evidente que o ex-ministro da Economia vestia mal o fato de político comportando-se como se estivesse na intimidade de um conselho de administração. Só que há uma grande diferença entre uma amena cavaqueira e um debate parlamentar, na tasca da esquina o Bernardino Soares é um palerma qu elogia o regime norte-coreano, no parlamento representa os portugueses ou, pelo menos, aqueles que o elegeram. É penha que Manuel Pinho não tivesse a formação democrática necessária para perceber esta diferença e, mesmo com a experiência adquirida em quatro anos, não tenha percebido que os deputados podem dizer os maiores disparates e até ofender quem bem entendem.

ESTRATÉGIA ERRADA

Sócrates ainda não percebeu que os debates parlamentares pouco são seguidos pela opinião pública, os comentadores é que lhe dão grande importância, a imagem que passa para o cidadão comum é a das piadas e picardias que ocorrem.

É um erro Sócrates usar os debates para divulgar as medidas, acabando por dar a ideia de que adopta medidas avulso, em função da conjuntura política e as sua para se defender nos debates parlamentares. Seria mais inteligente recorrer à conferência de imprensa para divulgar estas medidas.

Eu sei que as conversas em família são de má memória, mas isso não implica que em Portugal um primeiro-ministro recorra a esta fórmula, até porque Cavaco já reintroduziu as conversas em família e até para falar dos seus assuntos familiares, como sucedeu com a intervenção chorosa e a apelar ao coração ingénuo dos portugueses quando falou dos seus supostos (nunca comprovados) prejuízos com o BPN.

TESTEMUNHOS PARA MEMÓRIA FUTURA

Antes da crise económica e da ascensão da sua amiga Ferreira Leite a Líder do PSD não perdia uma oportunidade de surfar no trabalho do Governo e elogiar as suas reformas, apresentava-se aos olhos do mundo como o presidente de um país que se modernizava:

«O Presidente da República, Cavaco Silva, elogiou no Chile as «reformas profundas» que estão a ser feitas pelas autoridades portuguesas em áreas como a administração pública, justiça e segurança social, informa a agência Lusa.

«As autoridades portuguesas estão a avançar com reformas profundas na administração pública, na justiça, na segurança social e em muitos outros domínios», afirmou, numa intervenção perante empresários portugueses e chilenos.

Destacou ainda os investimentos «muito, muito fortes» em domínios como a educação e formação profissional, sublinhando que são «uma condição de sucesso para vencer os reptos da globalização». «A estrutura da economia portuguesa está a 'cambiar' muito rapidamente. Os têxteis, o calçado, já não são os principais produtos da exportação portuguesa. São os 'coches' - a grande fábrica Volkswagen, uma das mais modernas da Europa, está instalada em Portugal - maquinarias e equipamentos», afirmou.» [Portugal Diário]

Há quem chame a isto oportunismo mas na política portuguesa tudo vale.

A DEFESA DESASTRADA DE MANUELA FERREIRA LEITE

O papel desempenhado por Luís Arnaut que veio a público tentar desculpabilizar Manuela Ferreira Leite (como se esta fosse uma adolescente na idade das borbulhas) é aquilo a que na gíria se designa por figura de urso. Manuela ferreira Leite tentou de forma oportunista explorar o negócio entre a PT e a Media Capital e até conseguiu arrastar o presidente nesta estratégia, pouco se incomodou por estar a interferir num negócio privado ou por de forma indirecta pôr em causa a dignidade e prestígio pessoal dos administradores das empresas envolvidas.

A verdade é que o negócio até mereceu o apoio de José Alberto Moniz que foi um dos primeiros a vir a público pronunciar-se sobre o mesmo, a verdade é que Manuela Ferreira Leite não hesitou em mentir esquecendo que se apanha mais depressa um mentiroso do que um coxo. A dúvida está entre ficarmos indignados com a mentira da líder do PSD ou por ela nos ter tratado por parvos ao dizer algo que se demonstrava ser mentira em poucos minutos. Só mesmo alguém idiota atribui uma decisão sua que mereceu elogios no Povo Livre ao governo que a antecedeu.

AUTOEUROPA: ESTALOU O VERNIZ AO PCP

«Toda a gente sabe, embora os interessados não gostem que se diga, que os grandes meios de comunicação social (e não só) andam com o BE ao colo. Mas ao sr. António Chora, trazem-no em ombros.

Compreende-se bem que assim seja. Se para o grande capital é precioso um tampão eleitoral que previna uma maior deslocação de votos para o PCP e a CDU - votos que julgam ir recuperar mais tarde ou mais cedo -, muito mais precioso é um quadro operário cuja cabeça esteja feita, de cima a baixo, pela ideologia da classe dominante.

Na luta de classes há episódios marcados por um duplo valor: um valor intrínseco e um valor simbólico. É o caso actual da Autoeuropa, da resistência dos seus trabalhadores, e da violenta chantagem que sobre eles vem sendo exercida, sobretudo desde que rejeitaram o pré-acordo negociado entre a Administração e a CT. Desde Sócrates e o seu Governo à UGT e aos grandes meios de comunicação social, com destaque para o diário de Belmiro de Azevedo, não houve dia em que não fosse proferida uma ameaça, que não houvesse uma tentativa de encostar os trabalhadores à parede, que não fossem os trabalhadores aconselhados a juntar novas cedências às que há muito vêm sendo forçados a fazer. E não houve dia em que o sr. Chora, embora com todas as cautelas, não viesse fazer coro nesse processo.

Onde se pedia a um dirigente firmeza na defesa de interesses de classe, da parte do sr. Chora o que se ouve é a repetição dos argumentos da administração, a reiterada disponibilidade para vender direitos, o ataque aos trabalhadores que tiveram o atrevimento de o desautorizar, a argumentação anti-comunista.

O sr. Chora, e com ele certamente o BE, acha retrógrado o sindicalismo de classe (que escreve entre aspas), e acha que deve «adaptar-se» (25.01.09, www.esquerda.net). Adaptar-se aos «novos sistemas de trabalho», à «flexibilidade», às «novas polivalências», aos «novos horários de trabalho respeitando as cargas de trabalho». Para essa «adaptação» não é necessária luta, porque palavras dessas são música para o grande patronato.

A luta da Autoeuropa seguirá o caminho que os seus trabalhadores quiserem. Depende, decisivamente, da sua unidade e da sua consciência de classe.

Coisa que o sr. Chora não sabe o que é.» [Avante]

Era demais para o PCP suportar os elogios ao BE a propósito do acordo na Autoeuropa, para o PCP é preferível que a fábrica encerre as portas em Portugal em nome da sua liderança do que suportar ser ultrapassado pelo BE.

Alguém ainda duvida de que para este PCP os interesses do partido estão muito acima dos dos portugueses?

Os professores, os polícias e outrois profissionais que deixam enquadrar as suas lutas por gente como o Mário Nogueira que apenas está interessada nos interesses mesquinhos do PCP que reflictam um pouco sobre este artigo, mais primário e objectivo não poderia ser.

AVES DE LISBOA

Gaio [Garrulus glandarius]
Local: Jardim da Fundação Calouste Gulbenkian

FLORES DE LISBOA

Quinta das Conchas

BENFICA ATÉ NO DEFESO JÁ PERDE

«Em Portugal, do qual o Benfica é uma perfeita metáfora, os líderes tomam as grandes decisões como os patos-bravos decidem o preço do metro quadrado: em almoçaradas. Não sei se as Grandes Opções do Plano se decidem assim, mas datas eleitorais dos clubes, sim: "A malta demite-se e trama a oposição, qu'é qu'achas? Passa-me a santola..." Num país assim até seria giro viver, a irresponsabilidade encontraria um ponto de equilíbrio, não fosse essa figura nacional que é o jurista. Há uma única ciência exacta em Portugal, exacta no sentido de poder encontrar o infinitamente pequeno (o artiguinho) que muda tudo e essa ciência quem a tem é o jurista. Ele não só é capaz de levar as assembleias de condóminos pelas madrugadas dentro mas também pode paralisar um grande clube. Líderes com leves ideias e juristas com providências cautelares na cartola, essa mistura de duas especialidades nacionais pode ser explosiva. Deu com um clube, por que não com o país? O Jel, o do megafone que tem um companheiro que canta "tutururuti...", esse grande maluco, já disse que vai concorrer às autárquicas. É falta de ambição. Com um bom jurista, Jel conseguia um destino nacional.» [Diário de Notícias]

Parecer:

Por Ferreira Fernandes.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Afixe-se.»

A ANEDOTA DO DIA

«O PSD esclareceu ontem, pela voz de José Luís Arnaut, que o partido não se opôs ao negócio entre a PT/TVI e que a líder só reagiu quando o primeiro-ministro "mentiu na Assembleia da República".

"A líder não se pronunciou sobre o mérito do negócio, até porque o não conhecia", disse Arnaut, lembrando que "Manuela Ferreira Leite só se pronunciou sobre José Sócrates ter mentido e ocultado o facto". O responsável recordou ainda que foi ao primeiro-ministro quem levou ao Parlamento a questão da linha editorial da TVI e a possível saída de José Eduardo Moniz, ao responder a um deputado do CDS» [Correio da Manhã]

Parecer:

Manuela Ferreira Leite meteu os pés pelas mãos e acabou por mentir descaradamente quando se sentiu apertada, agora vem a pobre alma do José Luís Arnaut tentar confundir-nos. A verdade é que tanto Mentirosa Ferreira Leite como o presidente (amigo) lançaram suspeitas sobre o negócio, Cavaco falou mesmo de tranaparência. Esta desculpa desajeitada só demonstra o incómodo do PSD pela asneira da líder.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se a Arnaut se Mentirosa Ferreira Leite falou verdade ou se mentiu, essa é a questão.»

OLIVEIRA E COSTA FOI AO DIAP

«O ex-presidente do Banco Português de Negócios (BPN), Oliveira e Costa, encontra-se esta quinta-feira no Departamento Central de Investigação e Acção Penal para ser ouvido.» [Correio da Manhã]

Parecer:

Deve ter sido para os magistrados lhe explicaram porque razão continua preso e Dias Loureiro, o tal em cuja inocência o presidente tanto confiava, ficou em liberdade.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se a Oliveira e Costa como se sente ao ver o seu parceiro de administração em liberdade.»

DIAS LOUREIRO VOLTA A SER OUVIDO NO DCIAP

«De acordo com a agência Lusa, nas mesmas instalações está também a ser ouvido o ex-administrador da SLN, Dias Loureiro, que já ontem tinha sido ouvido no DCIAP e constituído arguido, num processo relacionado com o chamado negócio de Porto Rico, do BPN. Ao ex-conselheiro de Estado foi aplicada a medida de coacção menos gravosa, Termo de Identidade e Residência. » [Portugal Diário]

Parecer:

Ainda ontem dizia que não esperava voltar a ser ouvido.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se a Dias Loureiro se fiou a saber de mais negócios daqueles que lhe passavam ao lado quando era administrador executivo do BPN.»

GRANADEIRO NA LISTA NEGRA DO PSD

«O líder parlamentar do PSD, Paulo Rangel, afirmou esta terça-feira durante o debate do Estado da Nação que «a aliança Granadeiro-PS-Governo é prejudicial para a democracia».
Paulo Rangel criticou «o comportamento politicamente promíscuo de altos quadros da PT, que, na qualidade de administradores de empresas com supervisão do Estado, interferem activamente no debate político». »
[Portugal Diário]

Parecer:

Já começa a ser elaborada a lista das vinganças do PSD.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se a Rangel se não acha que ainda é cedo para começar a elaborar a lista, ainda por cima em público.»

SANTANA LOPES PEDE AJUDA A DEUS

«Apresentado como o "desnivelamento do eixo central" na zona da Praça Duque de Saldanha, o projecto será realizado caso existam "condições financeiras" favoráveis. Por isso, a aposta não consta das prioridades da "primeira fase" do mandato de Santana Lopes, que, ao longo do seu discurso, pediu duas vezes a Deus para "ajudar" a coligação "Lisboa com sentido" a vencer as eleições de 11 de Outubro. Os primeiros planos incidem sobre a acção social. Mas, adiantou, nada impede que a obra tenha início "na primeira parte do mandato". Até porque "vai ser mais simples" e Santana tem a certeza de que "quem embargou a outra [José Sá Fernandes] não vai embargar esta". » [Público assinantes]

Parecer:

Bem precisa, o apoio do diabo Ferreira Leite pode não ser suficiente.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sugira-se a Santana que reze uns terços.»

MORFI

O PRIMEIRO DIA DA PRESIDÊNCIA SUECA DA UNIÃO EUROPEIA

OK CONDOMS

quinta-feira, julho 02, 2009

Bendita crise!

Uma boa parte dos políticos portugueses não têm um mínimo de vergonha na cara como também não têm a noção do ridículo, enquanto em todos os países que conheço estão mais preocupados em discutir e apoiar soluções para sair da crise ou, pelo menos, reduzir os seus efeitos nefastos, por cá não só não escondem o desejo de ver agravarem-se os problemas económicos como condenam todo e qualquer um que se lembre de ser optimista.

A Assembleia da República chegou ao ridículo de chamar o ministro das Finanças para o condenar por ter-se manifestado optimista, depois de dois meses com o ambiente de conjuntura positivo Teixeira dos Santos lembrou-se de estar optimista quanto ao fim da crise. Caiu o Carmo e a Trindade, ao invés de um discurso optimista o ministro deveria dizer aos agentes económicos para fecharem as portas e deixarem de consumir porque o fim da crise não está à vista.

Que os objectivos políticos da extrema-esquerda se alimentam da crise económica todos sabemos vem nos manuais, desde os quadrúpedes que colocam o quatro em cima da foice e do martelo até aos românticos da cidadania ficaram excitados com a crise, viram nela um meio de exorcizar os males do sistema económico, pouco se importando com as condições de vida dos portugueses, afinal de contas são quase todos funcionários públicos, a começar pelos deputados.

Mas ver a direita que exigiu medidas, que até insinuou que Sócrates havia copiado as suas ideias, vir protestar porque um ministro das Finanças tem um discurso positivo é demais. Quem não se lembra das centenas de vezes que Manuela Ferreira Leite anunciava a evidência dos sinais de retoma no em que era ministra das Finanças de um governo do PSD e CDS? Chegou ao ridículo de considerar cada subida das cotações na bolsa uma evidência da retoma, Quando gozei com isso até houve um ilustre blogue de direita que me chamou ignorante em política económica.

A verdade é que as propostas de muitos dos nossos políticos têm para fazer são tão fracas que precisam da desgraça colectiva para as poderem brilhar. Veja-se o exemplo do PCP, por cá boicota acordos laborais na melhor empresa portuguesa e uma das que melhor paga aos seus trabalhadores, enquanto em Cuba, o seu modelo de paraíso na terra (onde as autarquias do PSD levam os velhinhos tratar das cataratas), mas os cubanos foram autorizados a ter dois empregos no Estado para poderem ganhar mais uns cobres e poderem comer. Se os portugueses fossem obrigados a trabalhar 16 horas por dia e mesmo assim mal tivessem para comer não haveria crise que resistisse!

Pena é que Manuela Ferreira Leite tenha o mesmo discurso político de Honório Novo, só falta vê-la ir a Cuba tratar da borbulha com o patrocínio de Jerónimo de Sousa.

quarta-feira, julho 01, 2009

A verdade

Verdade:
1 propriedade de estar conforme com os factos ou a realidade; exactidão, autenticidade, veracidade
2 coisa, facto ou evento real, verdadeiro, certo
3 qualquer ideia, proposição, princípio ou julgamento que se aceita como autêntico, digno de fé; axioma, máxima
4 procedimento sincero, rectidão ou pureza de intenções, boa-fé
5 o que caracteriza algo ou alguém; carácter, feitio


A propósito da política de verdade de que Manuela Ferreira Leite tanto apregoa consultei o dicionário e retive cinco significados na esperança de algum deles se adequar ao percurso político da líder do PSD.

Leio o primeiro significado da palavra e concluo que à “primeira cavadela minhoca”! A declaração que ainda ontem Manuela Ferreira Leite fez em resposta às críticas de Henrique Granadeiro, presidente da PT, revela uma total desconformidade “com os factos ou a realidade, exactidão, autenticidade, veracidade”. Basta uma busca no Google para concluir que Manuela Ferreira Leite mentiu quando disse que a decisão da venda da rede fixa de telefone foi uma decisão de António Guterres. É de tal forma mentira que o Povo Livre até elogia a decisão do governo de Durão Barroso.

Bem, já que a verdade de Manuela Ferreira Leite se dá mal com a história vejamos o segundo significado da palavra “coisa, facto ou evento real, verdadeiro, certo”. É um facto que enquanto ministra das Finanças Manuela Ferreira Leite cumpriu o défice, aldrabou no negócio da venda das dívidas ao fisco, vendeu património ao desbarato e, como agora denunciou Granadeiro, ainda vendeu a rede fixa. Só que este facto veio a revelar-se falso, o défice era muito superior ao declarado e dois ou três meses de governo de Durão Barroso não justificam a bandalheira contabilística.

Estamos mal, temos que passar à terceira definição e à medida que a leio recordo-me de ouvir a Manuela Ferreira Leite dizer quase diariamente que já eram visíveis os sinais de retoma. Ela que ontem ficou tão irritada porque o ministro das Finanças falava do fim da crise, servia-se de tudo para anunciar o fim da recessão. Muito pouco do que Manuela Ferreira Leite dizia enquanto ministra era digno de fé.

Passemos à quarta definição, mal começo a lê-la vem-me à memória a escolha de Pedro Santana Lopes para candidato à CM de Lisboa. Então a senhor que está na posse da pureza de intenções e promete renovação escolhe a má moeda para candidato autárquica. Teremos que passar ao ponto seguinte, resta a possibilidade de se aproveitar o carácter de Ferreira Leite.

Azar, é este o ponto que me leva a não gostar da senhora. Lembram-se quando Manuela Ferreira Leite chegou a ministra das Finanças? Prometeu acabar com a corrupção e quando lhe perguntaram o que ia fazer disse que para começar tinha demitido o então director-geral dos Impostos, homem bem mais honesto do que ela. E depois o que fez? Nada, colocou gente duvidosa em postos importantes, o seu ministério concedeu perdões fiscais ilegais à banca, começando pelo BCP que graças à generosidade governamental combinada com pareceres ilegais beneficiou indevidamente de muitos milhões de euros.

Bem, resta-me a máxima popular de que “uma mentira para ser uma boa mentira tem de ter um pouco de verdade”, é esta a política de verdade de Manuela Ferreira Leite, a verdade apenas serve para encobrir a imensa mentira que é a própria Manuela Ferreira Leite.

Umas no cravo e outras na ferradura

FOTO JUMENTO

Carrasqueira, Alcácer do Sal

A MENTIRA DO DIA D'O JUMENTO

Os que pensam que a conversão de Manuela Ferreira Leite ao respeito pela verdade é meramente plástica, uma mudança de imagem como as mudanças sucessivas de cor do cabelo ou de casacos Chanel imitados por uma modista da Lapa. Manuela Ferreira Leite teve uma aparição e ficou a saber que só com a verdade chegaria ao céu de São Bento.

Até há quem diga que a aparição ocorreu nos jardins de Belém, enquanto estava em amena cavaqueira com o presidente e com a Dona Maria. É por isso que já há quem fale nos pastorinhos e nos três segredos de Belém, parece que o primeiro é a manuelização de São Bento, o segundo é a cavaquização da Manuela e o terceiro ficará em segredo, até que o presidente abandone o cargo e decida juntar-se às pastorinhas num centro de dia de Boliqueime.

JUMENTO DO DIA

Manuela Ferreira Leite

O mínimo que se pode esperar de alguém que vende verdade é que não seja mentirosa, mas Manuela Ferreira Leite foi mais longe, além de mentir insinuou que Henrique Granadeiro faltou à verdade. É muito feio mentir e ao mesmo tempo fazer os outros passarem por mentirosos.

A verdade é que Manuela Ferreira Leite nunca foi nem será uma pessoa confiável, todos os meios lhe servem para atingir os fins.

MAIS UM CONTRIBUTO PARA O ESTUDO DA "AMNÉSIA LACUNAR"

Lembram-se de quando nos primeiros tempos do processo Casa Pia um psicólogo descobriu que Bibi sofria de amnésia lacunar, isto é, que se tinha esquecido de algumas partes do filme? Pois parece-me que Manuela Ferreira Leite sofre da mesma doença, só se lembra do que lhe interessa. Por exemplo, já se esqueceu do que fez quando era ministra das Finanças em relação à PT e às relações desta empresa com a comunicação social:

«Em declarações ao jornal "i", a publicar na edição desta terça-feira, o actual presidente do Conselho de Administração da Portugal Telecom critica Manuela Ferreira Leite relembrando um caso que o envolveu a ele, quando era administrador da Lusomundo Media (então no grupo PT) e a então ministra das Finanças do Governo PSD.

"Já parecem esquecidas as tentativas de intervenção do governo PSD na Lusomundo Media que levaram à minha demissão", afirma ao "i", revelando que foram pressões políticas que o afastaram da empresa.

Granadeiro indigna-se ainda com a surpresa da presidente do PSD, afirmando que foi Manuela Ferreira Leite que, como ministra das Finanças, obrigou a Portugal Telecom a comprar a rede fixa (que era do Estado) para dessa forma realizar receitas extraordinárias que equilibrassem o défice orçamental.

Naquela altura, a Portugal Telecom era presidida por Miguel Horta e Costa, estando Henrique Granadeiro na Lusomundo Media, dona do "Diário de Notícias", "Jornal de Notícias" e TSF, que eram controlados pela PT. Granadeiro saiu e só voltaria à PT em plena OPA da Sonae, precisamente para substituir Horta e Costa. Durante o período da OPA, foi presidente executivo (CEO) e da administração ("chairman"), o que deixou depois de acumular.

Esta é a segunda vez que Granadeiro fala depois do oposição do Governo à entrada da PT no capital da TVI, o que ocorreu na sexta-feira de manhã. No fim-de-semana, num ambiente descontraído (na sua quinta no Alentejo, durante uma apresentação de vinhos), Granadeiro classificou aos jornalistas o "caso" como sendo uma "tempestade de Verão".

A inexistência de acordo para a aquisição do capital da Media Capital, apesar das conversações, afiançou então Granadeiro, foi revelado "de forma taxativa" pela PT "antes desta tempestade toda que se gerou como uma tempestade de Verão, sem se saber como foi originada".

"Mas, infelizmente, a PT foi envolvida nela", lamentou, convicto de que toda a polémica "vai acabar como acabam as tempestades de Verão", ou seja, "vêm depressa e abalam depressa porque não têm vento que chegue para tanta conversa".

Desde que a PT negou existir algum acordo, este é um "assunto arrumado" para Henrique Granadeiro pelo que considera que "tudo o que foi dito" desde então, "quer pelo Presidente da República, quer pela presidente do PSD, quer pelo primeiro-ministro e pelo Governo, são pronunciamentos fora do contexto ou fora da realidade".

Agora, Granadeiro vai mais longe e, ao "i", ataca frontalmente Manuela Ferreira Leite.» [Jornal de Negócios]

Aqui fica uma proposta: como o PSD deve estar com falta de fundos (há uns anos que não adjudica uma grande obra pública) sugiro que se faça uma rifa do cavalo de D. José da estátua equestre do Terreiro do Paço, para pagar um tratamento à amnésia lacunar de Manuela Ferreira Leite.

A MENTIROSA FERREIRA LEITE

Manuela Ferreira Leite que anda armada em guardiã da verdade e não perdeu tempo para contestar Granadeiro com a primeira mentira que lhe veio à cabeça. Não sei quantos dentes ainda tem Ferreira Leite, mas sei que mentiu com tantos dentes quanto tem. Ou será senilidade?

Um visitante do Jumento deu-se ao trabalho de procurar notícias da época:

Nunca pensei que MFL se deixasse apanhar com uma mentira descarada, nesta estória da venda rede fixa.

Declarações hoje ao JN:

"[...]Ferreira Leite reage a ataques de Granadeiro e diz que venda da rede fixa à PT foi decidida pelo PS[...]"

"[...]A presidente do PSD, Manuela Ferreira Leite, contrariou hoje o presidente do conselho de administração da PT, Henrique Granadeiro, dizendo que a venda da rede fixa foi decidida pelo Governo socialista de António Guterres.[...]"

"[...] Manuela Ferreira Leite reagiu às acusações e contrapôs dizendo que "isso não é verdade, pela simples razão de que o negócio da venda da rede fixa estava feito pelo PS quando eu cheguei ao Ministério das Finanças" [Jornal de Notícias]

A verdade:

1) 23 Outubro de 2002 - De acordo com MFL a decisão estava nas suas mãos. Dependia apenas do valor.

"[...]A ministra de Estado e das Finanças, Manuela Ferreira Leite, disse hoje que o Estado só venderá a rede fixa de telecomunicações da Portugal Telecom se o preço a pagar for compatível com a avaliação realizada.

"Se o preço a pagar (ao Estado) não for compatível com a avaliação, não venderemos", assegurou a titular da pasta das Finanças[...]" [Público]

2) 11 de Dezembro de 2002 - De acordo com o Ministro da economia, foi o governo de MFL que aprovou a venda.

"[...] Pondo fim a um processo que se arrastava há algum tempo, o Governo aprovou, esta manhã, em reunião de Conselho de Ministros, a operação de venda definitiva da rede fixa de telecomunicações à Portugal Telecom por 365 milhões de euros.

O Ministro da Economia, Carlos Tavares, afirmou em conferência de imprensa que o processo foi demorado porque teriam que ficar garantidos "os interesses das várias entidades envolvidas, nomeadamente do Estado, da PT, dos operadores concorrente e do mercado".[...]" [Sapo]

3) 16 de Outubro 2002 - de acordo com o...Povo Livre a venda resulta de uma estratégia do governo de MFL

"[..." A Assembleia da República aprovou com os votos da maioria e do PS o diploma do Governo que abre caminho à venda da rede fixa de telecomunicações da Portugal Telecom. Este diploma insere-se na estratégia do Governo de alienação, até ao final do ano, da rede fixa de telefone.[...]"

Hoje em dia é difícil apagar o passado e tendo sido público, notório e até assumido, que o negócio foi feito para controlar o défice de 2002...é extraordinário que MFL decida mentir de uma forma tão aberta.

AVES DE LISBOA

Juvenil de estrelinha-de-cabeça-listada (Regulus ignicapillus)
Local: Quinta das Conchas
(rectificado)

FLORES DE LISBOA

Quinta das Conchas

SABE-SE LÁ

«Há uma criança sueca com 2 anos de idade que não sabe se é menino ou menina porque os pais decidiram guardar segredo. Dizem que não querem que a criança seja catalogada logo à partida, porque as pessoas tratam os rapazes de uma maneira e as raparigas de outra. Vestem-na de forma neutra; dão-lhe brinquedos unissexo e fogem dos pronomes que indiquem o género masculino ou feminino. O nome dela também é neutro: algo como Pop, o nome falso usado na entrevista ao Svenska Dagbladet.

Não faço ideia se isto é bom, mau ou igual para a criança, mas vai dar cabo da cabeça a muita gente. É irritante não saber se uma pessoa é homem ou mulher, não por dentro, mas por fora. Desperta curiosidade e, quando o segredo é ostensivo, como no caso de Pop, constitui um desafio.

Quando nos enganamos, com bebés e crianças, pedimos desculpa. Ficamos embaraçados. A tentação é reagir vigorosamente à decisão do casal sueco: repudiando ou aplaudindo. Mas porquê? Porque é que, em vez de nos agitarmos, não pensamos no assunto? Começando por reparar na nossa própria reacção. Eu, por exemplo, dei comigo a querer saber de que sexo eram os pais e, já agora, a sexualidade. Mas não fui à procura, porque reconheci logo que, em vez de pensar, queria era atalhos fáceis para juízos já pré-fabricados.

Logo aí foi um a zero a favor do casal e contra mim. E deu que pensar. Assim começo a habituar-me à experiência de não fazer ideia. Não é tão má como eu pensava. » [Público assinantes]

Parecer:

Por Miguel Esteves Cardoso.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Afixe-se.»

MAIS UMA MENTIRA DE FERREIRA LEITE

«Em declarações publicadas na edição de hoje do jornal i, Henrique Granadeiro afirma que "ainda está na memória de toda a gente a venda pelo Estado à PT da rede fixa como forma de conter o défice público nos limites impostos por Bruxelas, sendo Manuela Ferreira Leite ministra das Finanças".

"Isso não é verdade, pela simples razão de que o negócio da venda da rede fixa estava feito pelo PS quando eu cheguei ao Ministério das Finanças", contrapôs Manuela Ferreira Leite, em declarações aos jornalistas, num hotel de Lisboa onde decorreu uma reunião do Fórum Portugal de Verdade do PSD.» [Diário de Notícias]

Parecer:

Quantos dentes terá Ferreira Leite?

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Contem-se.»

NO "NI9KADAS": "A CARREIRA DE RICARDO COSTA"

«A carreira ascencional de Ricardo Costa no grupo Impresa (SIC e Expresso) não pode ser perturbada pelo facto de ele ser o irmão de António Costa. O mano Ricardo sabe tudo sobre a economia e a política portuguesas, mas não quer saber da política para nada. Acima de tudo, ele não pode ser confundido com o irmão do dirigente socialista. A carreira dele é no «jornalismo», o resto só pode e deve interessar-lhe por razões profissionais.

O ex-director-geral adjunto da SIC e actual director adjunto do Expresso, tendo a seu cargo a secção de política, não brinca em serviço. Ambicioso, competente, seguro de si, sabe que o cargo de director-geral da SIC ou de director do Expresso não lhe escapará futuramente. Porque a vida de «jornalista» é porreira: não se vai a votos, só se depende dos donos. E da «isenção», como ela é entendida na impresa de Balsemão.

Para mostrar «independência» e «isenção», Ricardo Costa tem feito e fará tudo o que puder para beliscar Sócrates e o PS. E fará tudo o que puder para desculpar Cavaco ou Manuela Ferreira Leite. É isso o que o incómodo background familiar e a ambição carreirista lhe exigem. A isso chamam «isenção» na impresa.

Estive há pouco a reler uma coluna de Ricardo para o Expresso de 8 de Junho, "A má moeda do BPN". Começa Ricardo, e bem, por dizer que:

«O BPN sempre foi a má moeda da banca portuguesa. Todos os banqueiros e políticos sabem isso há 10 anos. O banco era publicamente acusado de praticar taxas de juro irreais, de sobrevalorizar activos imobiliários, de conceder crédito sem garantias, de confundir os negócios dos accionistas de referência com os seus. Por isto tudo, o banco acabou como acabou».

Referindo-se ao facto de Cavaco ter sido accionista da SLN - devido, segundo o actual PR, a uma (inacreditável) decisão do seu gestor de conta do BPN -, Ricardo diz, e bem, que:

«A SLN sempre foi o único accionista do BPN. A SLN e o BPN sempre se confundiram e nunca estiveram cotados. A SLN/BPN nunca dispersou o capital em Bolsa porque o Banco de Portugal nunca o permitiu. Por norma, os accionistas da SLN só entravam na sociedade a convite de Oliveira Costa ou de accionistas de referência.»

Aí Ricardo pergunta se a compra de acções da SLN por Cavaco não pode ter sido uma decisão do seu gestor de conta do BPN, tal como o transparente PR declarou à comunicação social. E logo dá a resposta:

«Pode. Mas não é normal nas práticas bancárias que um gestor de conta, mesmo munido de uma autorização de gestão discricionária, compre acções de uma sociedade que não está cotada. Não é normal de todo até porque o valor do activo é sempre difícil de calcular.»

O PR tinha toda a pinta de estar a mentir quando afiançou que nunca comprara nada ao BPN ou quando afirmou não ter sido ele a comprar acções da SLN, mas sim o seu banco. Segundo Ricardo, Cavaco não quis responder à lógicas interrogações do Expresso, pelo que ele e nós ficámos sem saber se Cavaco deu ou não luz verde ao BPN para comprar as acções da SLN ou se alguém da SLN o convidou a ele, Cavaco, para se tornar accionista.

Todos nós achamos que sim, que Cavaco obviamente deu luz verde, que Cavaco obviamente aceitou o convite para ser accionista. Mas Ricardo Costa cultiva a dúvida metódica. Talvez sim, talvez não. Hummm... Quem sabe?

Até aqui, porém, menos mal. O texto é lógico, quase sempre certeiro, roçando por vezes a ironia. As conclusões de Ricardo é que já afinam mais pelo diapasão lá da impresa:

«A honra do Presidente da República não está nem esteve em causa. Em 30 anos de vida pública e política isso nunca aconteceu.»

E mais isto:

«Não há nada de ilegal neste caso. Nem há honra beliscada. Há erros políticos de palmatória, maus conselhos e más companhias: não é só na economia e na política que existe má moeda, a tal da Lei de Gresham (onde a má moeda expulsa a boa moeda) e que Cavaco Silva recordou para liquidar Santana Lopes. A má moeda existia na banca e tinha um nome: BPN. Em 2001 Cavaco Silva comprou má moeda, que fazia e faz mal ao sistema bancário. É só isso.»

Será mesmo só isso? Uma compra de má moeda, em sentido mais ou menos literal? Não terá sido muito mais do que isso - uma aposta política, mais do que monetária, no BPN e em tudo o que ele representava?Uma aposta política, sim, mas também com benefícios monetários pessoais, com pingues mais-valias encaixadas em 2003, à taxa de 140% em dois anos. E mais de cem mil euros de contribuições para a campanha presidencial de Cavaco em 2006 provenientes de accionistas da SLN.«Más companhias», Ricardo? Mas quem é que foi a má companhia de quem? Não terá sido Cavaco Silva também uma má companhia para Oliveira e Costa e Dias Loureiro? Ora abóboras, Ricardo. »

Enfim, para o Ricardo Costa e outros jornalistas aplica-se uma regra simples na avaliação de políticos, os deles são deficientes físicos, os outros são manetas!

IGOR OUSSENKO

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