terça-feira, abril 05, 2016

Umas no cravo e outras na ferradura



 Jumento do dia
    
Maria Luís, putativa sucessora do traste

Maria Luís diz que a Europa deve ser mais acutilante em relação à evasão fiscal e tem razão, acho que deveria sugerir aos seus parceiros que façam nos seus países o que ela fez no nosso, promoveu vário perdões fiscais ao mesmo tempo que perseguia os menos poderosos e levantava a fasquia a partir da qual se pode recorrer aos tribunais contra as decisões da máquina fiscal.

Enfim, como diria São Tomé...

«A antiga ministra do governo de Passos Coelho lembrou que este "é um tema que se debate há muito tempo", mas concorda que a Europa deveria ser mais "acutilante" na sua abordagem.

"A Europa deveria ser acutilante numa série de questões que são muito relevantes [e] as questões fiscais são muito relevantes, na medida em que criam uma perceção de grande injustiça nos cidadãos", disse.

Maria Luís criticou ainda "as questões relacionadas com a concorrência desleal, por diferenciais fiscais demasiado acentuados, que acaba por resultar na deslocalização de empresas, ou as empresas pagarem impostos em sítios onde não produzem".» [DN]
  
 O futebol tem destas coisas
  
O Tondela ganhou na casa do Porto e empatou na do Sporting e está em último lugar. Em contrapartida, o Benfica perdeu na sua casa com o Sporting e como Porto e está em primeiro lugar.

 E o que é feito da Lista Lagarde (SwissLeaks)?
  

  
Agora que anda meio mundo numa grande excitação por causa dos Panama Papers seria interessante apurar o que é feito da famosa Lista Lagarde. Paulo Núncio, que hoje está num grande escritório de negócios, garantia no final de Fevereiro de 2015 que já estava na posse dos elementos da famosa lista. Até hoje não se voltou a falar no assunto. Digamos que era tudo boa gente e que não havia nada de reprovável. [DE]

 Dúvidas

O Expresso entrou no esquema dos Panama Papers para divulgar a verdade ou para a agerir em favor das suas audiência e para queimar os empresários menos amigos da Impresa ao mesmo tempo que poupa os amigos da família?

Quando o Expresso conclui que está tudo bem com um determinado negócio podemos confiar de que é mesmo verdade ou podemos recear que o Expresso filtra essa informação segundo critérios menos jornalísticos?

 Zidane e a pastilha elástica


 Seis meses

Foi o tempo necessário para Passos Coelho perceber que estava na oposição, agora que Marcelo já poderia dissolver o parlamento Passos Coelho deixa cair o desejo de ir a votos.

      
 Que coisa estranha...
   
«O Ministério Público português está a acompanhar o caso Panama Papers que envolve um número ainda indefinido de figuras da política, das empresas, do desporto e das artes, no contexto de um escândalo internacional de lavagem de dinheiro através do envio de capitais para offshores daquele país da América Central.

“O Ministério Público está a acompanhar a situação, recolhendo elementos e procedendo à respectiva análise”, disse a Procuradoria-Geral da República (PGR) dando conta de que só será formalmente aberto um inquérito caso sejam recolhidos indícios de eventuais crimes. “Se desses elementos resultarem factos susceptíveis de integrarem a prática de crimes, o Ministério Público, como sempre, não deixará de agir em conformidade.”

Pelo menos um português surge citado, para já, nos 11,5 milhões de documentos revelados domingo pelo Süddeutsche Zeitung e o Consórcio Internacional de Jornalistas de Investigação. Trata-se de Idalécio de Castro Rodrigues de Oliveira, um empresário de Vouzela dono de um conglomerado de nome Lusitania Group, composto por 14 empresas sediadas nas Ilhas Virgens Britânicas, entre 2003 e 2011.» [Público]
   
Parecer:

É inacreditável, o trio formado pelo Alexandre, pelo Teixeira e pelo inspector de Braga ainda não encontraram indícios entre o Fonseca e o Sócrates. De certeza que o Fonseca não tem um qualquer primo em décimo grau ali para os lados da Covilhã?
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»
  
 Pobre PSD
   
«O Ministério Público português está a acompanhar o caso Panama Papers que envolve um número ainda indefinido de figuras da política, das empresas, do desporto e das artes, no contexto de um escândalo internacional de lavagem de dinheiro através do envio de capitais para offshores daquele país da América Central.

“O Ministério Público está a acompanhar a situação, recolhendo elementos e procedendo à respectiva análise”, disse a Procuradoria-Geral da República (PGR) dando conta de que só será formalmente aberto um inquérito caso sejam recolhidos indícios de eventuais crimes. “Se desses elementos resultarem factos susceptíveis de integrarem a prática de crimes, o Ministério Público, como sempre, não deixará de agir em conformidade.”

Pelo menos um português surge citado, para já, nos 11,5 milhões de documentos revelados domingo pelo Süddeutsche Zeitung e o Consórcio Internacional de Jornalistas de Investigação. Trata-se de Idalécio de Castro Rodrigues de Oliveira, um empresário de Vouzela dono de um conglomerado de nome Lusitania Group, composto por 14 empresas sediadas nas Ilhas Virgens Britânicas, entre 2003 e 2011.» [Público]
   
Parecer:

Passos endoidou de um todo.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se a merecida gargalhada.»
  

segunda-feira, abril 04, 2016

A fonsequização da economia e da política

 photo moss_zpshjabujik.jpg

Durante décadas os nossos capitalistas foram sempre os mesmos, um misto de protegidos do regime e empreendedores empresários como os Melos ou Champalimaud foram crescendo e criaram os seus impérios ao longo de décadas. Hoje tudo e mais rápido, o dinheiro fácil multiplica-se como cogumelos, já não e necessária uma ditadura para reprimir trabalhadores.

Hoje os dedos não chegam e de um dia para o outro vão surgindo novas fortunas, modestos advogados que se dedicam à política e reaparecem como poderosos banqueiros, jovem políticos sem grandes habilitações que passados uns anos são importantes consultores de negócios internacionais. O dinheiro de alguns cresce de forma exponencial, todos os dias aparecem ricos que ninguém conhecia. E quando alguém tem sucesso na vida, porque saiu o euromilhões ou porque se foi para administrador da Arrows há logo quem nos chame invejosos.

Aquilo que assistimos ao nível nacional sucede ao nível mundial, de um dia para o outro aparecem cara novas nos primeiros lugares da lista da Forbes, por todo o lado surgem negócios de milhares de milhões. Surgem novos capitalistas por todo o lado, desde filhas de guerrilheiros que se transformam em banqueiras a estudantes de Harvard que de um dia para o outro juntam fortunas de milhares de milhões graças ao sucesso das suas startups. 
  
O problema é que ao mesmo tempo que o capital exibe toda esta vitalidade alguns povos sofrem cada vez mais, políticos e jornalistas económicos exigem um retrocesso nos direitos laorais e o corte dos rendimentos dos trabalhadores em nome da competitividade. Países inteiros afundam-se em guerras civis, deixando de existi enquanto estados, a miséria espalha-se por continentes como sucede em África.
  
O mundo devia ter tremido com o escândalo dos Panama papers mas a verdade é que não há nada de novo, toda a gente sabe que os ricos não só se escapam a uma ao parte dos impostos como ainda têm governantes que aumentam o IRS com uma sobretaxa para poderem baixar o IRC. Todos sabemos para onde vão as receitas resultantes dos recursos n aturais de muitos países, da mesma forma que sabemos que por cá á quem prefira pagar impostos na Holanda ou esconder os seus lucros com a ajuda do Fonseca.
  
A verdade é que estamos a assistir à fonsequização da economia e com políticos como Durão Barroso, Passos Coelho e muitos outros, assistimos também a uma fonsequização da democracia.

Umas no cravo e outrs na ferradura



  
 Jumento do dia
    
Passos Coelho

Passos Coelho mudou, mudou tanto que agora é um grande defensor da Constituição, a mesma Constituição que desrespeitou sistematicamente e que tentou rever por duas vezes, uma primeira vez com um projecto de revisão diametralmente oposto ao texto actua, uma segunda evz quando tentou que se realizassem tantas eleições antecipadas quanto as necessárias para a direita ter uma maioria absoluta. Mas Passos encontrou uma desculpa, ele não violou a Constituição, violou princípios que não estão lá escritos.

 Assunção Cristas aderiu ao PSD?

Bateu mais palmas no discurso de encerramento de Passos Coelho do que alguns dos delegados ao congresso, por momento achei que estava na cadeira errada, tanto empenho justificava um lugar ao lado da Maria Luís.

      
 Gastar acima das possibilidades
   
«Num montante de crédito concedido que ascendia a €7,3 mil milhões, olhar para uma pequena verba de dois milhões pode parecer um pormenor. Mas não é se este valor disser respeito a financiamento de partidos. No final do primeiro semestre do ano passado, de acordo com os dados da lista a que o Expresso teve acesso, havia empréstimos a partidos políticos num total de €1,8 milhões, dos quais a grande maioria (€1,6 milhões) para o Partido Social Democrata. Eram três empréstimos de, respetivamente, €964 mil, €382 mil e €213 mil concedidos entre 2014 e 2015.

O PSD apresenta outros números. O partido indicou ao Expresso que a comissão política regional da Madeira tinha em junho de 2015 dois créditos com o Banif, um de €2,3 milhões e outro de €0,9 milhões.» [Expresso]
   
Parecer:

Parece que as críticas de Passos ao recurso ao crédito são apenas para os trabalhadores.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»
  
 O FMI não fez nada contra Portugal?
   
«Alexis Tsipras acusa dois altos quadros do Fundo Monetário Internacional (FMI) de utilizarem “táticas perigosas” nas negociações em torno do primeiro 'exame' ao andamento do terceiro resgate grego que ameaçam a unidade europeia e que poderão causar “uma desestabilização geopolítica mais ampla” na Europa.

Este domingo o jornal “Ethnos tis Kyriakis” ("Nação" dominical) revela que o primeiro-ministro helénico reagiu, com dureza, ao conteúdo de uma transcrição de uma teleconferência entre Poul Thomsen, chefe do Departamento Europeu do FMI, e Delia Velculescu, chefe de Missão do FMI em Atenas, revelada no WikiLeaks. Os dois altos quadros do Fundo alegadamente discutiram a 16 de março a possibilidade de esperar por um “evento” para se pressionar o governo grego a aceitar medidas de austeridade mais duras e os credores oficiais europeus, nomeadamente a chanceler alemã Ângela Merkel, a darem luz verde a uma segunda reestruturação da dívida helénica.» [Expresso]
   
Parecer:

É óbvio que não andaram a fazer coisa boa na companhia de gente como Passos.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Investigue-se.»
  

domingo, abril 03, 2016

Semanada

O congresso do PSD realizou-se e Passos regressou à normalidade, esqueceu o “social-democracia sempre”, voltou à acusação preferida, a de que os portugueses consomem acima do que podem,
  
A mesma direita que acusa o PS de se aliar á extrema esquerda totalitária juntou-se ao PCP para impedir que o parlamento aprovasse uma moção em que se defendiam os tais valores que Passos receia que não estejam defendidos pelo actual governo. Miguel Relvas e amigos podem estar descansados, os seus negócios em Angola estão bem protegidos pelos partidos da direita portuguesa, que neste capítulo não têm problemas em relação ao PCP.

Depois de Gaspar ter fugido passou a ser a Maria Luís a mais provável sucessora de Passos Coelho, quando se admitia que o PSD perdesse as eleições começou a apontar-se para Maria Luís como a futura líder do PSD. Agora já não restam dúvidas, Passos Coelho promoveu a administradora não executiva da Arrow a vice-presidente, está oficializada a sucessão.

Rui Rio fez o que anda a fazer há alguns anos, só arrisca quando tem a certeza de que ganha. Não foi a Espinho e ficou em casa.

O FMIO reapareceu e Subir Lal teve o seu momento na comunicação social. O relatório do FMI que criticava as opções do governo português serviu para pouco mais do que para algumas intervenções por parte de figuras secundárias da direita.

Umas no cravo e outras na ferradura



 Jumento do dia
    
Paulo Rangel, esganiçado

É uma pena que Pedro Arroja não se dedique a adjectivivar os políticos do PSD, ainda que se perceba que só se dedique a avaliar raparigas casamenteiras, mesmo sabendo-se que para os padrões actuais também poderia analisar os rapazes casadoiros. Não pretendo com isto sugerir a Pedro Arroja que avalie a possibilidade de pedir Paulo Rangel em namoro, mas talvez fosse interessante ouvi-ou chamar esganiçado ao eurodeputado do PSD. E até o poderia fazer pois ainda não há comissões de protecção da igualdade dos rapazes, pelo que não levaria com nenhum processo.

Mas se Catarina Martins é uma esganiçada, o que dizer de Paulo Rangel? Nem mesmo no BE há um discurso tão esganiçado e intelectualmente pobre como o do esganiçado Rangel, tão pobre que até custa ouvi-lo do princípio ao fim. É deprimente ver aquele que foi uma alternativa a Passos subir ao palanque do PSD para agradecer o tachinho europeu e fazer um discurso que mais parecia um anúncio publicitário da graxa Nugget.

recorde-se que no tempo em que Relvas sugeria aos jovens que emigrassem este esganiçado chegou a sugerir a criação de uma agência para apoiar e promover a emigração. Mas on esganiçado já se deve ter esquecido desta brilhante ideia com que tentou ajudar Passos Coelho.

 Ridículo

O mesmo partido que promoveu uma desvalorização fiscal do trabalho, aumentando o IRS para o devolver aos patrões sob a forma de uma redução do IRC, vem agora queixar-se da destruição da classe média por via da carga fiscal.

No mesmo congresso onde se dizem cobras e lagartos da coligação e, em especial, do PCP, acusado de apoiar a Coreia do Norte, eis que surge uma alta individualidade a elogiar a coligação que junta o PCP e o PSD em Loures. Enfim, as coligações com o PCP são boas se ajudam o PSD a chegar ao poder.

O PSD é tão SD que o congresso deixou cair o "social-democracia sempre".

 Acontece

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Abbie Rogers, via Observador.

      
 Mais uma vez a nossa doença angolana
   
«O que é que faz PCP, PSD e CDS juntarem-se num voto comum com denso significado político? Angola. O que faz juntar Paulo Portas, Jerónimo de Sousa, Passos Coelho, Assunção Cristas num silêncio mais ou menos incomodado sobre claras e grosseiras violações dos direitos humanos e da democracia? Angola. O que faz Paulo Portas, esse corifeu do anti-comunismo, e da liberdade económica, agora convertido à digna carreira dos negócios, queixar-se da “judicialização da relação entre Portugal e Angola” a propósito da prisão de Orlando Figueira, antigo procurador do Departamento Central de Investigação e Acção Penal (DCIAP), acusado de ter engavetado um processo em que era investigado Manuel Vicente, antigo dirigente da Sonangol? Angola.

Aqueles a que se solta a boca com o que se passa na Venezuela, aqueles que espumam com a viagem de Obama a Cuba, aqueles que correm para escrever artigos indignados com a duplicidade da esquerda face a regimes como o norte-coreano, o cubano, ou o venezuelano, agora explicam-nos que o regime angolano nada tem que ver com o comunismo. É um regime “pragmático”. Lá isso é, mesmo muito pragmático.

O mais espantoso argumento é o que acha que nada se pode dizer sobre o que se está a passar, visto que o que está em causa é o sistema judicial, os tribunais, o “Estado de direito” angolano e isso é tão inquestionável como os tribunais ingleses de juízes e advogados de cabeleira e velhos direitos do júri, onde há habeas corpus e... o primado da lei. Dizer, aliás, o “Estado de direito” angolano devia provocar uma sonora gargalhada, se o assunto não fosse demasiado sério.

Criticar a Coreia do Norte está bem. Criticar a Birmânia está bem e é muito longe e não se sabe nada para nosso conforto. Criticar a Síria e a “ditadura” de Assad está bem. Bater palmas à queda de Khadafi, mesmo com o incómodo do seu linchamento público, está também muito bem. Até ao nosso parceiro na CPLP, a Guiné Equatorial, podemos torcer o nariz. Tivessem eles “salvo” o Banif, talvez já não fosse assim.

Mas há ditaduras e ditaduras. E a questão já não é só ideológica, bem longe disso. Isso era antes e só funcionava para o PCP. Para o PSD, o CDS e parte do PS, é o “pragmatismo” que conta, ou seja, as que estão próximas de nós pelo dinheiro, com essas é que é preciso muita prudência. Na verdade, se investem em Portugal, pagam pelo menos o direito de não serem tratadas como ditaduras, apenas “Estados africanos em construção”, importantes motores de negócios, países mais ou menos exemplares.

Veja-se a China, cujo Partido Comunista Chinês comprou durante o Governo Passos Coelho algumas das mais importantes empresas portuguesas. Pelo menos uma, qualquer consideração estratégica do interesse nacional deveria impedir que fosse vendida, a REN. Mas a lei que definia os sectores de valor estratégico para Portugal, — anoto, não é para a economia portuguesa, é para Portugal —, por singular coincidência, só foi publicada depois da venda. Grande Partido Comunista Chinês, vanguarda do capitalismo mundial, exemplo de gestão da economia, parceiro desejado, governante dos homens que pagam umas centenas de milhares de euros para virem a ter a nacionalidade portuguesa com um “visa dourado”. Pelos vistos pagam a frente e ao lado. Mas os refugiados que se acumulam na Grécia e na Turquia, esses, não têm dinheiro para comprar um passaporte europeu, nem prédios de luxo, nem comissões a advogados e imobiliárias, nem luvas para “agilizar” o processo.

Angola é o que se sabe. Não havendo propriedade privada dos diamantes ou do petróleo ou dos outros bens naturais do país, apenas concessões às grandes petrolíferas americanas ou às empresas estatais, o que decorre da exploração desses recursos são biliões de dólares que são a principal riqueza de Angola. Para onde vão? Do lado “recebedor” desses gigantescos fundos está a cleptocracia governante em Angola, a começar na família do Presidente, estendendo-se para a entourage da Presidência, e para um conjunto de generais que ascenderam ao poder durante a guerra civil, e a que se juntam altos quadros do MPLA, administradores de empresas públicas, embaixadores, ministros e “homens de negócios”. Nenhum deles construiu a sua riqueza que não fosse pelo acesso ao poder político. Os seus nomes são conhecidos de todos, estão sistematicamente presentes em duas listas: as dos que violam os direitos humanos, como as da Amnistia Internacional, e as dos corruptos que todas as polícias europeias e americanas conhecem, incluindo a portuguesa.

Os seus nomes são também conhecidos, familiares, da “casa” de uma parte considerável da elite portuguesa, políticos, jornalistas, empresários, banqueiros, advogados, que têm negócios com eles. Há mesmo alguns casos, como o de um antigo diplomata, ex-ministro dos Negócios Estrangeiros, que é funcionário do Governo angolano para conduzir como “consultor” aquilo a que chama “diplomacia privada”. Há jornais, bancos, grandes empresas, investimentos imobiliários, terras, casas, e muita “influência” paga com o dinheiro angolano. Não há também nenhum negócio corrupto em Portugal de grande dimensão, ou queda de banco ou escândalo financeiro, que não vá ter a um destes angolanos, desde o BES, e o seu obscuro BESA, até ao “caso Sócrates”. E há demasiadas histórias que se sussurram e que circulam de boca sobre gente que foi espancada numa esquina de Lisboa ou Cascais, e que, vá-se lá saber porquê, não parece muito interessada em que a polícia investigue os seus agressores. E, no meio de tudo isto, abrem-se todos os dias os jornais, a começar pela imprensa económica, e vê-se notícias sobre notícias sobre os grandes negócios em que participam pessoas cuja riqueza foi roubada ao povo angolano, como se fosse a coisa mais normal do mundo.

O argumento que pensam ser definitivo e arrasador é da “irresponsabilidade” que seria criticar Angola ou estas pessoas poderosas, porque quem iria pagar o preço seriam os portugueses que lá vivem e trabalham. Não é preciso ir mais longe para perceber que, com este argumento, estão a dizer tudo sobre a natureza do regime angolano e sobre a sua “democracia”. Daí vem a tese de que, “para proteger os portugueses”, têm de dançar com os demónios todos. Claro que não lucram nada com isso.

Mas o ponto é sensível. Há de facto muitas empresas e empresários que ganhavam muito dinheiro antes da actual crise em Angola. Pagavam todas as “propinas” necessárias e sobrava-lhes ainda lucro. E, quando confrontados com isso, encolhiam os ombros com cinismo e diziam: “Se não fôssemos nós, seriam os chineses, ou os franceses, ou os espanhóis.” Verdade, mas isso coloca-os hoje no mesmo barco daqueles a quem pagaram.

Mas há infelizmente muitos outros, os que de facto não têm defesa. Os portugueses em Angola, os que precisaram mesmo de ir para Angola trabalhar ao apelo de Passos Coelho para “saírem da sua zona de conforto” e para fugir ao desemprego por cá, esses servem para o argumento do silêncio. Na verdade, nada os protege, muito menos o silêncio, porque é o silêncio da fraqueza e os fracos nada podem quando as coisas endurecerem. Enquanto o regime angolano for o que é, nada os protege. Serão sempre as vítimas de um regime que não hesita em retaliar sobre os mais fracos para proteger os mais fortes.

Mas as coisas vão endurecer mesmo. A crise do preço do petróleo faz escassear os bens que os predadores estavam habituados a ir buscar à cornucópia da abundância. Eles se encarregarão de se guerrear entre si pela pouca água que jorra da fonte outrora abundante. E serão os próprios angolanos, aqueles que hoje vão para a cadeia, que acabarão por falar mais alto. Porque têm razão e são corajosos. É com eles que os portugueses deveriam estar.» [Público]
   
Autor:

Pacheco Pereira.

      
 O dinheiro não dá para tudo
   
«Só no último sábado, negro como são agora todos os dias para milhares de angolanos, foram a enterrar em dois cemitérios de Luanda, Mulemba e Camama, mais de 100 pessoas. A semana passada foram registados mais de 1000 óbitos e os coveiros já deixaram de ter direito a folga. Os medicamentos começam a escassear nas farmácias, por falta de recursos para os importar, e os proprietários das casas mortuárias não têm mãos a medir.

O número de cadáveres que chegam diariamente às morgues, superlotadas e sem um mínimo de condições de higiene, pode não refletir as estatísticas fornecidas pelos serviços dos cemitérios oficiais. “Falta apurar os enterros nos cemitérios clandestinos”, reconhece uma fonte do governo provincial de Luanda, que pede para não ser identificada.

Nos corredores dos hospitais da capital angolana estendem-se, estiradas no chão, centenas de mulheres, desesperadas com o estado de saúde dos filhos. São oriundas, sobretudo, da periferia de Luanda, e os seus gritos refletem o ambiente fúnebre que se instalou nos subúrbios da capital.» [Expresso]
   
Parecer:

O enriquecimento de alguns faz as suas vítimas, as mesmas vítimas que o Jornal de Angola ignora nos seus editoriais em defesa da família reinante.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Lamente-se.»
  
 Ainda bem que há terroristas medricas
   
«Salah Abdeslam, suspeito de envolvimento nos atentados de Paris, em novembro, e o único sobrevivente do grupo de atacantes, recusou voluntariamente fazer-se explodir, afirmou, na noite de sexta-feira, o seu irmão, ao canal televisivo belga BFMTV.

Mohamed Abdeslam disse que o seu irmão "optou voluntariamente por não se fazer explodir" com os outros extremistas do Estado Islâmico que mataram 130 pessoas nos atentados na capital francesa.» [DN]
   
Parecer:

E em Bruxelas houve outro que teve medo.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»

 Uma voz decente no congresso do PSD

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«José Eduardo Martins foi a primeira voz anunciada como mais crítica da atual liderança do PSD a falar no congresso para dizer que o partido tem “de agir. Não podemos passar o tempo a reboque da iniciativa alheia e a correr atrás dos acontecimentos, como infelizmente tem acontecido”. E atirou ainda uma crítica ao tempos do Governo: “Vivemos numa trip ideológica no governo”.

“Não contem connosco para aprovarmos retificativos, mas isso não nos impede de apresentarmos no parlamento as nossas propostas, E isso não tem acontecido”. E o social-democrata ainda acrescentou que o partido não pode apenas falar na social-democracia quando está na oposição: “Isso faz-se quando estamos no Governo”. Aliás, sobre este mesmo capítulo, o antigo deputado do PSD falou ainda da “ótima oportunidade” que pode significar para o PSD “este encosto do PS à sua esquerda” numa altura em que o partido quer “recuperar a matriz política”.

Ainda assim, José Eduardo Martins disse encontra “esperança” no discurso de Passos na abertura dos trabalho do congresso, para logo a seguir voltar a apontar – sempre num tom de voz suave e controlado – que “o PSD está paulatinamente a perder a sua relação política com os reformados e pensionistas. E somos os últimos culpados desta situação. No governo falámos sempre de cortes nas pensões de forma fria como se por trás não estivesse uma pessoa frágil”.» [Observador]
   
Parecer:

Eis que no meio do rebanho há uma ovelha tresmalhada.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «~Elogie-se o discurso.»

 O FMI foi desmascarado
   
«O WikiLeaks divulgou a transcrição de uma teleconferência interna entre o diretor europeu do Fundo Monetário Internacional (FMI), Poul Thomsen, e a chefe da missão na Grécia, Delia Velculescu, que está a agitar a imprensa financeira neste sábado. E o primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras, já convocou um conselho de ministros extraordinário para saber como reagir. Na conversa, os dois responsáveis do FMI aparecem a admitir a saída do FMI da troika e a admitir que se deixe chegar a Grécia perto de “um default” (um incumprimento na dívida) para que a Europa tome, finalmente, uma decisão sobre o perdão de dívida.

Já não é novidade que a Comissão Europeia e o FMI não se entendem, há vários meses, sobre as reformas a aplicar na economia grega e, sobretudo, sobre o perdão da dívida grega (aos fundos europeus) que o FMI exige para continuar a bordo dos resgates financeiros a Atenas. Mas a revelação desta teleconferência – cuja autenticidade não foi confirmada oficialmente – ilustra a gravidade do impasse e, também, mostra os meios até onde o FMI parece estar disposto a ir para forçar uma solução.

A conversa teve lugar a 19 de março, mas só este sábado foi revelada pelo WikiLeaks, um portal de publicação de informações e documentos confidenciais. Os responsáveis do FMI aparecem a falar sobre a melhor forma de fazer pressão sobre a Europa — leia-se, sobre a Alemanha — para que possa ter lugar, finalmente, uma reestruturação da dívida que Atenas tem junto dos fundos europeus. Só com essa reestruturação, advoga o FMI, a dívida grega pode considerar-se sustentável — condição essencial para que o fundo entre com dinheiro para o resgate.» [Observador]
   
Parecer:

Isto é muito grave.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «A senhora Lagarde que explique.»

 O jornal de negócios da família Santos reage
   
«Intitulado “Contra as ingerências”, o editorial do jornal estatal recorda os 50 anos passados sobre a descolonização de África para criticar igualmente a delegação da União Europeia em Luanda e embaixadas dos Estados-membros que tomaram posição sobre a forma como decorreu o julgamento e pela proporção das penas aos 17 ativistas, por crimes de atos preparatórios para uma rebelião e associação de malfeitores.

“A declaração da União Europeia, a posição tomada pelo Governo e Assembleia da República portuguesas configuram violações grosseiras e inaceitáveis, na medida em que põe em causa o país e as suas instituições. Além da tendência e visão paternalista que leva as entidades e individualidades estrangeiras a pôr em causa determinados Governos e instituições, é recorrente o tratamento de menoridade”, lê-se no editorial.

Os ativistas, contestatários do atual regime angolano, foram condenados na segunda-feira pelo tribunal de Luanda a penas de prisão, que já estão a cumprir apesar dos recursos da defesa, entre os dois anos e três meses a oito anos e meio de prisão efetiva. Entre estes encontra-se o rapper luso-angolano Luaty Beirão, mas todos alegaram que apenas se encontravam, em reuniões semanais, para discutir política e que defendem uma transição pacífica do poder em Angola.» [Observador]
   
Parecer:

Este Jornaol de Angola começa a enjoar.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Mande-se o JA à bardamerda.»

 Marcelo vai conhecer a senhora Merkel
   
«O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, deverá fazer uma visita oficial a Berlim, capital da Alemanha, entre 23 e 24 de maio e é possível que se encontre com a chanceler Angela Merkel, diz o Expresso.

O convite para Marcelo Rebelo de Sousa visitar a capital germânica partiu do seu homólogo alemão, Joachim Gauck. Ainda não está confirmado se vai haver ou não um encontro entre o Presidente da República e a chanceler alemã.

O Expresso recorda um comentário de Marcelo Rebelo de Sousa em 2012, quando ainda intervinha semanalmente aos domingos na TVI, onde referiu que Angela Merkel era “muito arrogante” e que a chanceler alemã tinha de “aprender a humildade dos fortes”.» [Observador]
   
Parecer:

Pode ser que o professor lhe dê uma lição de humildade, enfim, ensina o roto ao nu.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»
  
 Passos escolhe Maria Luís para o suceder
   
«Pedro Passos Coelho chamou a ex-ministra das Finanças Maria Luís Albuquerque para uma das vice-presidências do PSD. O líder mostra assim o apoio, sem hesitações, à ex-governante, envolvida na polémica sobre o novo cargo de administradora não executiva na empresa financeira britânica Arrow Global, que teria feito várias contratualizações com o Estado quando esta era ministra das Finanças.

Para além de Maria Luís, sobem a vice-presidentes Sofia Galvão, que foi vice de Manuela Ferreira Leite, e Teresa Morais, ex-secretária de Estado da Igualdade. Saem Pedro Pinto que fica à frente da Comissão Financeira, Carlos Carreiras, que será o coordenador autárquico, e Matos Correia, que ficará à frente do novo Conselho Estratégico.» [Expresso]
   
Parecer:

A escolha de Maria Luís para presidente do PSD significa que Passos prepara Maria Luís para o caso de ter de sair.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Espere-se para ver.»
  

sábado, abril 02, 2016

E o cata-vento é o Marcelo?

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Começou por dizer que a intenção de cortar salários era uma falsa acusação da acusação, inventou um desvio colossal para o fazer dizendo que ra por um ano, depois disse que era para o período de ajustamento, em Bruxelas disse que era os cortes eram definitivos, na campanha eleitoral garantiu que eram para mais uma legislatura, quando tentou o apoio do PS propôs acelerar a reposição, para depois dizer que a reposição mais rápida era uma desgraça. E o Cata-vento é o Marcelo?

Cortou todas as pensões e Tribunal Constitucional declarou a medida como inconstitucional, esclarecendo que não se podia chamar reforma a um corte linear das pensões. Desde então deixou de falar em cortes para falar de reforma, ainda que tenha voltado a informar Bruxelas que o país se comprometia a cortar nas pensões. Agora diz que não quer cortes, que isso é o jargão da esquerda, o que ele quer é uma reforma. E o cata-vento é o Marcelo?

Liderou o governo mais à direita que Portugal teve em democracia, não escondia as suas leituras do salazarismo, chamou requalificação aos despedimentos, disse que o despedimentos era uma oportunidade para os trabalhadores, sugeriu aos portugueses que emigrassem, chamou democracia económica à venda de grandes empresas estratégicas nacionais ao partido Comunista da China. Agora, porque lhe ´+a jeito, afirma “social-democracia sempre!”. E o cata-vento é o Marcelo?

Adoptou o seu ar mais choros para pedir desculpa aos portugueses por ter aprovado uma meia dose de austeridade no tempo do governo de Sócrates. Mal se apanhou no governo adoptou o programa de austeridade mais brutal que a Europa conheceu, quase comparável ao que os Boys de Chicago aplicaram no Chile de Pinochet, e ainda chamou piegas ao povo português. E o cata-vento é Marcelo.

975 dos militantes do PSD escolheram Passos para continuar a liderar o seu partido, agora estão em Espinho para o aclamar, estão escolhendo um líder sem palavra, que hoje é uma coisa e amanhã é outra, em quem já ninguém acredita e que em tempos, num momento de falta de vergonha na cara, chamou cata-vento a um ex-presidente do seu próprio partido. O PSD deve estar doido ao fazer esta encenação espinhosa, pondo um cata-vento na sua liderança.

Enfim, há por ali muitos cata-ventos que ontem diziam cobras e lagartos de Passos, ainda que em privado, que em Espinho o  aclamam e que mal termine o congresso começam a pensar numa alternativa. E o cata-vento é o Marcelo?


Umas no cravo e outras na ferradura



 Jumento do dia
    
Rui Rio

Rui Rio é o ausente do congresso do PSD, um ausente que prefere não ir a jogo e, tal como fez com as presidenciais, esperar pela ocasião mais indicada para ver se tem oportunidade de chegar a primeiro-ministro. Este comportamento revela um político mais preocupado com o seu umbigo do que com o seu partido ou com o seu país. Enfim, é um caso perdido.

 Cristas e Passos

Paulo portas teve a lucidez que Passos não tem, uma diferença que se compreende facilmente se considerarmos que o ex-líder do CDS tem a inteligência pessoal e política que escasseira nos recursos intelectuais do líder do PSD, por isso percebeu que ou saia ou teria de se arrastar na liderança do CDS. O CDS fez um congresso e mudou a agulha.

Passos preferiu representar a pantomina do primeiro-ministro no exílio, isolou-se, e parece falar como uma vítima, logo ele que adoptou políticas que fizeram centenas de m ilhares de vítimas. Agora não sobe como sair do beco, isola-se cada vez mais e arrasta o PSD para a sua estratégia suicida. O CDS de Cristas agradece, sem votar nada de forma favorável aparece aos olhos dos eleitores como a oposição construtiva. O mesmo Passos que usava o consenso como estratégia para condicionar o PS de Seguro está agora a beber o veneno que serviu à oposição e é Costa que todos os dias o desafia para um diálogo impossível.

Não era só Paulo portas que tinha mais dois palmos de inteligência do que Passos Coelho, Assunção Cristas tem a mesma vantagem em relação ao líder do PSD.

      
 Até sempre
   
«Este é um dia diferente. Pela primeira vez, neste lugar, escrevo na primeira pessoa. É o momento em que me despeço da direcção do Negócios, um jornal com a melhor equipa de jornalistas de economia do país que tive a honra de dirigir.

Hoje somos o jornal de economia de Portugal. Porque a equipa do Negócios está aqui para dar aos seus exigentes leitores informação rigorosa, livre e independente. 

Cheguei a esta redacção em 2008 a convite de Pedro Santos Guerreiro numa equipa com Luísa Bessa e João Cândido da Silva. Estávamos a começar a perceber que iríamos viver uma crise histórica. No dia 25 de Novembro de 2013, assumi a direcção, com André Veríssimo, Nuno Carregueiro e Celso Filipe. Fomos a direcção de uma equipa fantástica, dedicada, a pensar apenas nos leitores – nunca é demais dizê-lo. Nos tempos da troika como na actual conjuntura, de incerteza constante, de instabilidade, a nossa concentração está sempre no leitor, no serviço público que prestamos através da informação. É nos momentos conturbados que a informação é um bem ainda mais precioso, para dar a certeza possível negada pela incerteza dos tempos.

Não é segredo para ninguém. Os media enfrentam desafios que exigem uma dedicação enorme dos jornalistas. Em Portugal, esses desafios são aumentados pela falta de regulação e por um Estado que está em todo o lado. São todos estes obstáculos que a equipa do Negócios vence, todos os dias, num espírito de serviço público, mostrando aos leitores que a informação tem valor porque é feita por jornalistas, que não escrevem a primeira coisa que lhes contam, que validam a informação. Na era das redes sociais em que todos podem escrever tudo, é a nós jornalistas que cabe o papel de separar o trigo do joio. Nunca como hoje a informação rigorosa, independente e livre foi tão importante. Mas também nunca como hoje foi tão difícil de fazer. Nunca como hoje a informação que importa, livre e independente, exigiu tanta dedicação, tanto espírito de serviço público. Mas é assim que é a equipa Negócios, aquela que faz o jornal de economia de Portugal. 

É aos nossos leitores, que sabem o valor da informação, que deixo o meu obrigada por terem feito de nós o jornal de economia. É à equipa Negócios que faço a minha vénia pela informação que fazem. Eu vou continuar a ler o Negócios, ao minuto no digital, nos cinco dias da semana no papel.» [Jornal de Negócios]
   
Autor:

Helena Garrido.

      
 Gostamos muito do papa
   
«Um estudo feito a nível global pela WIN/Gallup International mostra que Portugal é o país onde o Papa Francisco é mais apreciado. Mais de 63 mil pessoas fizeram parte deste estudo, que abrangeu 64 países, e visou perceber qual a personalidade mais apreciada no mundo inteiro.

Além de Portugal, que teve 94% de opinião favorável sobre o Papa Francisco, aparecem em segundo lugar as Filipinas com 93% e a Argentina com 89%. O trabalho estima que cerca de 54% da população mundial tem uma opinião positiva do Papa. Contudo, 12% tem uma opinião desfavorável e 34% não tem opinião.» [Observador]
   
Parecer:

É do papa e do Marcelo...
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»
  
 O PSD e o CDS andam muito mudados
   
«O texto de condenação votado pelo PSD e pelo CDS em 2003 denunciava uma pena “escandalosamente pesada” de 12 ativistas políticos, a 20 anos de prisão. Dessa vez não era em Angola. Era em Cuba. Nesse ano, quando os dois partidos estavam coligados no Governo chefiado por Durão Barroso, o líder parlamentar do PSD era Guilherme Silva. Este antigo dirigente social-democrata diz ao Observador que não compreende o voto do seu partido esta quinta-feira, no Parlamento, contra a condenação dos presos políticos em Angola. “Tenho alguma dificuldade em perceber, nesta altura da nossa vida coletiva, que abdiquemos dos nossos princípios. Em matéria de princípios, o voto do PSD devia ter sido de condenação. Eu teria votado a favor. É a minha posição pessoal”, afirma o antigo deputado madeirense.

À semelhança dos votos apresentados pelo PS e pelo Bloco de Esquerda em relação à condenação do grupo dos 15+2 em Angola, o voto de condenação de 2003, apresentado pelo próprio CDS, mostrava-se contra as sentenças por delito de opinião. Estas condenações, ainda do tempo de Fidel Castro, ocorreram ao abrigo da apelidada “Lei da Mordaça”, que previa sentenças até 20 anos para quem tentasse lesar a soberania e identidade de Cuba, sendo usada para travar ativistas políticos e dos direitos humanos. Apesar de uma iniciativa do Bloco de Esquerda no mesmo sentido ter sido rejeitada no Parlamento, o texto de condenação do CDS foi aprovado pelos centristas, pelo PSD e pelo PS.» [Observador]
   
Parecer:

Não convém estragar os negócios de amigos como o Miguel Relvas.

Por cá dizem cobras e lagartos do perigo comunista e do extremismo do PCP e do BE, mas quando está em causa dinheiro que unta os votos foi o espectáculo triste que se viu.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Vomite-se.»

 França investiga aquilo que Portugal faz de conta que não vê
   
«O condutor e o proprietário da carrinha envolvida no acidente que causou a morte a 12 emigrantes portugueses em França, no passado fim-de-semana, foram acusados de homicídio involuntário agravado, avançou esta segunda-feira a AFP.

O condutor é um português de 19 anos, o único sobrevivente do acidente, que apenas partiu o pulso, e o proprietário do veículo é o seu tio, que acorreu ao local do acidente e não seguia no mesmo veículo.

Os dois homens foram detidos provisoriamente até segunda-feira e os seus advogados estão a preparar a defesa. "Esta detenção nada tem a ver com uma decisão, que será posterior, sobre se os dois se vão manter presos", disse à AFP o procurador de Moulins, Pierre Gagnoud. “Este é um inquérito que vai ser de longa duração e vai necessitar de investigações no estrangeiro”.» [Público]
   
Parecer:

É óbvio que há aqui muito para investigar neste negócio oportunista de transporte de emigrantes e só se lamenta que em Portugal nada tenha sido feito.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se à ministra da Justiça se ouviu falar do assunto e ao ministro das Finanças se o transportador é um contribuinte exemplar.»

 O incompetente Subir Lall voltou
   
«O Fundo volta a defender que, para cumprir as metas orçamentais, o Governo tem de adoptar mais medidas e que estas terão de incidir nos salários e nas pensões. “Reformas na despesa são necessárias para conter as pressões dos salários da função pública e das pensões, que representam 25% do PIB”, diz o Fundo que vê as medidas adoptadas no OE para estas áreas como um recuo no caminho desejado. As mudanças orçamentais recentemente adoptadas vão prejudicar o equilíbrio da economia, com o foco a transferir-se da melhoria da competitividade para o apoio a sectores não exportadores”.

Perante este cenário, ao avaliar a capacidade de Portugal para cumprir com o pagamento da dívida que tem face ao FMI, os técnicos desta instituição apresentam um discurso muito prudente. Avisam que nos mercados “novas reversões de política ameaçariam a confiança dos investidores” e dizem que embora “se espere que os riscos para a capacidade de Portugal pagar ao Fundo seja gerível no cenário base”, estes “estão a subir”.

Com base na opinião dos técnicos que estiveram na missão a Portugal no início do ano (liderados por Subir Lall), o conselho executivo do FMI (liderado por Christine Lagarde) fez a sua avaliação da situação portuguesa. Elogia “o compromisso das autoridades portuguesas em relação à sustentabilidade orçamental e da dívida”, mas destaca “a importância de desenvolver planos de contingência para garantir que os objectivos do orçamento de 2016 são cumpridos, racionalizando a despesa pública para conter as pressões provenientes dos salários da função pública e das pensões e manter as almofadas orçamentais”.» [Público]
   
Parecer:

É uma pena que este senhor insista em políticas que não fundamenta e se recuse a admitir o falhanço da sua intervenção em Portugal.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sugira-se à senhora Lagarde que mande alguém mais competente do que o Subir.»

 Carlos Costa assegurava que o BANIF era viável
   
«No dia 15 de Novembro de 2012, o governador do Banco de Portugal (BdP) submeteu ao ex-ministro das Finanças, Vítor Gaspar, “uma proposta de decisão” sobre o Banif. Esse era, segundo Carlos Costa, “um dos temas críticos das negociações” para a conclusão da sexta avaliação da troika. Resolver a situação do Banif, e com urgência, explicava o governador na carta, “é necessário para que se conclua positivamente a referida avaliação”.

Nessa carta, Costa defende uma injecção de 1,4 mil milhões de euros de dinheiro público no banco. E considera que esta é a melhor solução – afastadas que estavam, por Gaspar, as hipóteses de liquidação ou nacionalização. Sobrava outra: a resolução. Mas, na longa exposição do governador, essa é considerada uma opção desvantajosa, não só por nunca ter sido testada, como por causar mais riscos para o sistema financeiro. Curiosamente, essa seria a opção defendida pelo mesmo responsável para um banco muito maior, o BES, um ano e meio depois. E agora, em Dezembro de 2015, para o mesmo Banif...

Vítor Gaspar reagiu “com surpresa”. Não só pelos valores em causa, mas também pelos “riscos” que o governador apontava à hipótese de resolução. O ex-ministro das Finanças do anterior Governo PSD/CDS reagia negativamente à posição do BdP por estar “limitando consideravelmente as opções ao dispor do Estado”. Gaspar contestava, com uma fina ironia nas entrelinhas, até a interpretação que o governador apresentava das competências constitucionais do Governo e do supervisor. E lançava uma frase acutilante: “O recurso ao financiamento público (…) faz supor um funcionamento do sistema de prevenção”. Ou seja, o BdP falhou no Banif, se é preciso recapitalizar o banco.

Mas o ponto que se torna hoje ainda mais actual é o que Gaspar faz questão de sublinhar: o Banif era, segundo a apreciação do BdP na altura, “uma instituição de crédito viável.” Gaspar duvidou e enviou 21 perguntas para o governador. Mas terá sido Carlos Costa a atestar essa viabilidade. Sem isso, a capitalização pública teria sido impossível.» [Público]
   
Parecer:

O papel deste senhor parece ter sido muito duvidoso, enterrou o Estado no BANIF para proteger os amigos da banca privada e montar a farsa da saída limpa.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Investigue-se.»

 Isto começa a parecer a Síria
   
«Uma explosão numa caixa multibanco na Amora, concelho do Seixal, na madrugada desta sexta-feira causou elevados danos no edifício e na zona envolvente, com os moradores a serem retirados do prédio, informou fonte policial.

"O caso ocorreu cerca das 3h50, com uma explosão numa caixa multibanco. Não há feridos a registar, mas o prédio onde a caixa se localizava ficou em muito mau estado e a loja [onde estava instalada] ficou destruída. Foram também afectadas sete viaturas que estavam estacionadas e também outros prédios, devido aos estilhaços", disse à Lusa fonte da PSP.

Segundo a mesma fonte, os suspeitos colocaram-se em fuga depois da explosão.

"Os moradores do prédio onde se localizava a caixa multibanco foram retirados por haver perigo iminente de derrocado do imóvel. A protecção civil e os bombeiros estão no local a avaliar a situação. Está a ser investigado se foi utilizado gás ou outro tipo de explosivo, mas foi uma situação fora do normal neste tipo de ocorrências", explicou.» [Público]
   
Parecer:

Se um grupo de marginais consegue fazer explodir uma loja quando provocando a derrocada de um prédio é fácil de concluir que Portugal está em perigo pois só não provoca explosões quem não quer.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se à PJ que investigações tem feito às sucessivas explosões das máquinas ATM.»
 O padrinho de Passos está descontente
   
«O histórico do PSD Ângelo Correia disse hoje ao DN que não espera "nada de especial"do XXXVI Congresso do PSD, que hoje se inicia em Espinho, considerando que a reunião magna do partido é "totalmente previsível". O antigo presidente da mesa do congresso tem "pena" que este seja um "congresso de quase unanimismo".


Ângelo Correia diz que a "unidade é importante", mas "mesmo dentro dessa unidade era bom que este fosse um congresso onde fossem discutidas diferenças". Como conselho ao partido, uma vez que não participará no congresso, o social-democrata atira: "Aproveitem para meditar. Meditem muito".» [DN]
   
Parecer:

Parece que Ângelo Correia não está apreciando a obra que ele próprio criou.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»
  
 Corporativismo doentio
   
«O Governo retirou à Polícia Judiciária (PJ) os contactos e as trocas de informações com a Europol e a Interpol, passando estas autoridades internacionais a funcionarem sob a égide do secretário-geral do Sistema de Segurança Interna, comandado pela procuradora-geral adjunta Helena Fazenda.

A decisão foi tomada na reunião da passada segunda-feira do Conselho Superior de Segurança Interna, presidido pelo primeiro-ministro, António Costa, que debateu a estratégia de combate ao terrorismo e abriu uma guerra dura entre os inspectores da PJ e o Governo.

Segundo o Governo, esta medida visa “incrementar a cooperação policial e contribuir para uma melhor coerência da troca e partilha de informações com os parceiros internacionais”.

Já a Associação Sindical dos Funcionários de Investigação Criminal da PJ (ASFIC/PJ) vê nela “o culminar de uma guerra que nos últimos anos tem sido movida à PJ por um conjunto de interesses associados”. Fala mesmo numa “aversão à PJ” que “cresceu na proporção em que cresceram os processos por corrupção e criminalidade económica e financeira e outros bem conhecidos”. Acrescenta ainda tratar-se “de um miserável aproveitamento do medo” para “mais uma e decisiva investida do poder político na redução e no apoucamento do papel institucional da Polícia Judiciária”.» [Público]
   
Parecer:

Era o que faltava que a segurança do país estivesse entregue a um sindicato de meia dúzia de polícias.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Lamente-se.»
  

sexta-feira, abril 01, 2016

O congresso absurdo

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O PSD está satisfeito com a liderança de Pedro passos Coelho, ninguém naquele partido discorda da estratégia que tem sido seguida e muito menos com as políticas adoptadas pelo anterior governo. Se não fossem as posições de Pacheco Pereira e de uma ou outra crítica inconsequente de Manuela Ferreira Leite dir-se-ia que Passos Coelho com um apoio unânime com que nem sequer Sá Carneiro imaginou.

Rui Rio foi um apoiante firme do actual líder e só não foi o seu candidato presidencial porque o eleitorado impôs a candidatura de Marcelo rebelo de Sousa. Pelas posições que tem assumido não parece ter grandes discordâncias em relação a Passos Coelho. O mesmo se pode dizer de outros antigos líderes como Durão Barroso ou Pinto Balsemão, ou mesmo Cavaco Silva, todos eles firmes apoiantes das políticas adoptadas pelo anterior governo.

No próximo domingo iremos ver um partido unido como nunca se viu, o congresso até vai ser um pouco entediante, com sucessivos oradores a prestar homenagem a Passos, a elogiar o seu desempenho governamental, a protestar contra a contra reforma seguida por António Costa. Veremos um partido unido em torno de Passos Coelho.

Em condições normais este deveria ser considerado um congresso de rotina, não há divergência, há um apoio unânime a Passos, o partido está unido em torno dos valores social-democratas de Passos, que, como é sabido, o são desde sempre. Se não fossem os estatutos do partido nem faria sentido realizar este congresso. O problema é que tudo isto é mentira.~
 Passos Coelho para a liderança do PSD sabem que na primeira oportunidade votaA maior parte dos que votaram em Passos Coelho votarão para o derrubar logo que haja oportunidade. Quase todos os que vão pedir a palavra no congresso para elogiar Passos, dizem cobras e lagartos dele em privado. Os que dizem não ir ao congresso para não o perturbar não hesitarão em meter o PSD de pernas para o ar na hora de derrubar Passos Coelho.
  
Num país que precisa de ideias e de superar uma crise o maior partido da oposição dá este espectáculo triste, uma farsa de cobardia, mentira e graxa que apenas serve para deixar Passos Coelho a marinar até que surja a oportunidade. É este o maior contributo do maior partido da oposição para enriquecer a democracia, uma palhaçada sem debate, sem ideias, sem propostas.
  
Este não é o partido de Sá Carneiro, é o partido da carneirada parida pelo cavaquismo.

Umas no cravo e outras na ferradura



  
 Jumento do dia
    
Paulo Rangel

Paulo Rangel, que desta vez preferiu o conforto de Estrasburgo a disputar a liderança do PSD com Passos Coelho, acaba de reconhecer num artigo que escreveu para o jornal Público que o problema do PSD foi mesmo de digestão. Isto é, Passos Coelho podia ter andado com melhor cara se tivesse tomado pastilhas Rennie.

«O congresso do PSD em Espinho, este fim de semana, é uma oportunidade para o partido iniciar um novo ciclo – marcado por uma “oposição mais agressiva” a António Costa – que já poderia ter começado após as Presidenciais. A opinião é de Paulo Rangel, que, em entrevista ao Público, diz que o partido tem necessidade de uma “agenda reformista” e de “aparecer com mais rostos” que “poupem o próprio líder a uma intervenção quase diária”.


“Depois do processo eleitoral, houve um período de adaptação a um novo ciclo político cujo processo foi bastante crispado e tenso. A partir do momento em que está tudo digerido — e penso que o ciclo final foi a eleição do Presidente da República —, o partido já teve tempo de se adaptar e devíamos já estar num postura mais interventiva e agressiva, uma oposição mais forte em vários domínios”, afirma Paulo Rangel.» [Observador]

 Pergunta desonesta

«Imaginemos que até hoje nada se sabia do processo envolvendo José Sócrates, para além dos crimes de que é suspeito: corrupção, branqueamento de capitais e fraude fiscal. O segredo de justiça teria sido rigorosamente preservado; o Ministério Público, como é seu hábito, emitiria somente comunicados obscuros em português gongórico; e o ex-primeiro-ministro andaria entretido a fazer digressões pelas televisões e auditórios do país, queixando-se de perseguições, cabalas e urdiduras, e indignando-se perante a terrível infâmia a que estava a ser sujeito. Pergunta: enquanto participantes num espaço público, nós estaríamos mais mal ou mais bem servidos com tão cumpridora ignorância?

A resposta é óbvia. Embora haja um problema evidente com o segredo de justiça em Portugal, a ter de escolher entre um sistema com fugas e um sistema opaco, eu escolho o sistema com fugas. Quem defende o segredo de justiça de forma absoluta, como acontece com tantos ex-admiradores de José Sócrates, está a desvalorizar a importância de todos nós sermos agentes activos no debate democrático. Esta ideia de que divulgar as gravações dos inquéritos judiciais não é mais do que voyeurismo ou populismo denuncia uma visão profundamente passiva da cidadania, que apenas atribui a cada um de nós e à comunicação social o triste dever de aguardar pacientemente que o poder judicial faça o seu caminho, sem vigilância nem escrutínio. Ora, os vários poderes numa sociedade democrática não são apenas complementares – eles são conflituantes. E é por isso que em nome do interesse público é tantas vezes admitida à comunicação social a quebra do segredo de justiça.» [Público]

Para justificar o injustificável este defensor de julgamentos fora dos tribunais e de acordo com as regras decididas pelos polícias João Miguel Tavares faz uma pergunta desonesta, tentando justificar as violações do segredo de justiça como uma resposta legítima ao comportamento de Sócrates. O articulista do Público sabe que está a manipular, as violações do segredo de justiça começaram desde o início do processo, ainda Sócrates estava preso, aliás, já nessa altura o articulista tomava posições próprias de quem acha que em defesa das suas opiniões e ódios podem ser ignoradas as regras do estado de direito.

Não são as intervenções de Sócrates que deram lugar às intervenções de Sócrates, isso é uma mentira que serve de pressuposto ao raciocínio desonesto de João Miguel Tavares. O articulista tem todo o direito de pensar o que bem entender e de escrever o que lhe dá na gana, mas convinha que respeitasse a verdade e a inteligência dos seus leitores.

 Erdowie, Erdowo, Erdogan